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  • A realocação do Atlanta Thrashers

    A realocação do Atlanta Thrashers

    Os rumores da realocação do Atlanta Trashers, antes incertos, tornaram-se verdade quando a equipe foi vendida para a empresa True North Sports & Entertainment.

    O time foi criado em 1997 na cidade de Atlanta, no estado da Geórgia, e começou a jogar 2 anos depois, em 1999. Por conta do baixo número de comparecimento dos torcedores aos jogos, além de problemas financeiros devido a uma administração ruim, a última temporada do Atlanta Trashers foi em 2010- 11.

    Dessa forma, em apenas uma década, a cidade de Atlanta perdia seu segundo time de hockey na era moderna da NHL. Em nosso segundo artigo sobre 2011 para o especial 10 for 10, o NHeLas aborda a trajetória da realocação do Atlanta Thrashers para Winnipeg, em Manitoba, no Canadá. 

    Origens

    A cidade de Atlanta ganhou uma franquia de hockey em 25 de junho de 1997, juntamente com a expansão da NHL para outras quatro equipes, que viriam a ser o Nashville Predators, o Columbus Blue Jackets e o Minnesota Wild. 

    Contudo, o estado de Geórgia já havia tido uma experiência com hockey anteriormente. O Atlanta Flames foi fundado em 1972, entretanto, o time foi realocado para Calgary, no Canadá, em 1980. O primeiro fracasso com os Flames desencorajou a inclusão de hockey no sul dos Estados Unidos por mais de uma década.

    No Draft de 1999, a loteria deixou o recém-chegado Atlanta Thrashers com a segunda escolha em cada rodada. Numa troca de picks com Vancouver, o time acabou escolhendo 1st overall e selecionou Patrik Stefan. Junto dele, Luke Sellars foi selecionado por Atlanta como a 30ª escolha geral, e 2ª no segundo round.

    Os dois viriam a ser grandes decepções na história do draft. A NHL listou Stefan como o pior first round pick de todos os tempos, e Sellars teve apenas uma partida na Liga. Isso foi uma grande surpresa para a mídia do hockey, uma vez que Stefan era considerado um futuro franchise player.

    A primeira partida dos Thrashers foi em 2 de outubro de 1999, com uma derrota por 4 a 1 para o New Jersey Devils. O primeiro gol da franquia foi de autoria do capitão Kelly Buchberger, e a equipe terminou em último lugar na Southeast Division, com um recorde de 14 vitórias, 61 derrotas e sete empates, com um total de 39 pontos. 

    As melhorias só viriam no ano seguinte. Atlanta teve a 2ª escolha geral no Draft da NHL de 2000 e o jogador selecinado foi Dany Heatley, que viria a se tornar um dos melhores jogadores do time. Além disso, a equipe também teve uma ótima pick no Draft de 2001, com a primeira escolha geral, Ilya Kovalchuk. Consequentemente, eles foram nomeados para a equipe All-Rookie da NHL e Heatley recebeu o troféu Calder Memorial.

    Primeiro (e único) playoffs

    A temporada de 2006-07 foi especial para a equipe. Naquele ano, o time possuía grandes expectativas para irem longe no campeonato. Com um time saudável, composto por bons nomes como Marian Hossa e Ilya Kovalchuk, além de um saudável goleiro em Kari Lehtonen, os Thrashers conquistaram sua primeira e única vaga nos playoffs da história da franquia.

    O time venceu o título da Southeast Division com 43 vitórias. Entretanto, nas nas Quartas de Final da Conferência Leste eles foram eliminados pelo New York Rangers, em apenas 4 jogos. 

    Declínio e eventual realocação para o Canadá

    Após alcançarem os playoffs pela primeira vez, os Thrashers não começaram a temporada 2007-08 bem. Eles perderam os 6 primeiros jogos e consequentemente, a demissão do técnico Bob Hartley veio em 17 de outubro de 2007.

    Quem assumiu o cargo de forma provisória foi o GM Don Waddell. No fim daquela temporada, Thrashers terminaram a temporada com apenas 76 pontos, finalizando em 14º na Conferência Leste.

    Ilya Kovalchuk deixaria os Thrashers pelo New Jersey Devils por não conseguir chegar em um acordo salarial. Em 2010, a equipe de Atlanta terminou em 10° na Conferência, com 83 pontos, o que seria o maior número de pontos conquistados em uma temporada regular desde a conquista do título de divisão.

    Ao passo que os anos passavam, o time se encontrava em uma situação difícil. O fracasso no desempenho do time, em conjunto a perdas financeiras e dificuldades, tornava a equipe alvo de frequente rumores de realocação. Alguns destinos mencionados eram Kansas nos EUA, Quebec, Hamilton, ou Winnipeg no Canadá.

    Por fim, em 22 de janeiro de 2011, foi reportado que a equipe havia perdido 130 milhões de dólares nos últimos seis anos. Isso se deu parcialmente a um processo em andamento com Steve Belkin, um dos maiores shareholders do grupo que era dono do time.

    Apesar de ter existido um esforço de grupos locais da cidade de Atlanta para manter a equipe lá, em maio de 2011 finalmente foi anunciada a venda do time ao grupo canadense True North Sports & Entertainment.

    A princípio, o anúncio de um acordo finalizado foi refutado pela liga, que reconheceu apenas a existência de negociações entre as partes. O comissário da NHL, Gary Bettman, era favorável a realocação, e rapidamente foram feitos planos para as mudanças necessárias no Draft daquele ano.

    O grupo tinha a intenção de levar a equipe para Winnipeg revivendo os antigos Jets, que jogaram de 1979 a 1996 na NHL, antes de serem realocados para o Arizona.

    A venda foi reportada em U$ 170 milhões, incluindo uma taxa de U$ 60 milhões pela realocação. A mudança foi enfim oficializada após aprovação unânime do NHL Board of Governors em junho. Diferentemente dos Flames, dessa vez os direitos sobre o nome e logo da equipe ficaram na cidade, com o Atlanta Spirit Group.

    Enfim, os Thrashers se tornaram os Jets, e o Canadá ganhou, pela segunda vez, uma franquia da NHL diretamente de Atlanta.

    Foto: Reprodução Scott Cunnigham/Getty Images

  • Como funciona a realocação dos times?

    Como funciona a realocação dos times?

    Talvez o time que você torça já tenha mudado de cidade. Na NHL, é possível que um time mude de cidade e seja, portanto, realocado. Ou franquias/ times podem, simplesmente, parar de existir. Porém, quais os motivos por trás de tais mudanças? Explicamos, a seguir, todo o processo de realocação e os times defuntos da liga.

    Como funciona o processo de realocação

    Mapa com times relocados/extintos e
    Mapa com times realocados/extintos em destaque. Foto: Wikipedia/Reprodução

    Primeiramente, o órgão governante da NHL (denominado Conselho de Governadores) é responsável por estabelecer as políticas do campeonato e também por defender sua constituição.

    Além disso, é esse o órgão que analisa e aprova as realocações. Cada equipe nomeia um indivíduo para representar sua equipe. Em seguida, uma votação majoritária é necessária para efetuar a realocação de um time ou franquia.

    Para que um time seja considerado de fato realocado, é necessário que ele esteja fora de sua cidade originária. E que esteja a 50 milhas dos limites corporativos da cidade.

    A realocação

    A partir de 1967, houve um intenso fluxo de realocações. Seja por conta de pouco retorno financeiro das franquias, ou por uma pequena fan base interessada no esporte, remover um time de sua cidade original se tornou uma opção viável ao invés de continuar mantendo um mercado com dificuldades.

    Goleiro do California Golden Seals, time que passou por diversas relocações até virar o Dallas Stars. Foto: Bruce Bennett/Getty Images

    Como por exemplo, é o caso dos California Golden Seals (1967-1976). O time da Califórnia teve sua realocação para Cleveland, virando o Cleveland Barons. Os dois times eram considerados fracos e duraram somente dois anos, de 1976 a 1978. Em 1978 se juntaram ao já existente Minnesota North Stars. O North Stars, diferente dos Barons, tinham um sucesso moderado nos playoffs, inclusive chegaram a duas finais nos anos 1980 e 1990.

    Contudo, com pouco apoio de grandes empresas e empresários, e a participação dos fãs nos jogos diminuindo gradativamente, a ideia de a franquia ser realocada foi crescendo. Além disso, nos anos 1990 a NHL estava interessada em expandir a liga mais uma vez.

    Enfim a solução encontrada foi mover o time de Minnesota para o Texas. Em busca de melhores condições, a franquia se instalou em Dallas. Parece ter dado certo, pois a franquia mantém-se até a hoje e ainda ganharam a Stanley Cup em 1999. Curioso notar que a única semelhança entre o time original e o time atual são as cores verde e amarelo.

    Dallas Stars ganhando a cup em 1999
    Apenas seis anos depois de terem sido realocados para Dallas, no Texas, o time ganhou a Stanley Cup em 1999. Foto: Reprodução/NHL.com

    Nomes iguais, franquias diferentes

    A história de uma franquia inclui os feitos conquistados em diferentes cidades. Para que os atuais Ottawa Senators e Winnipeg Jets pudessem usar o nome do time e o logos, ele tiveram que obter a permissão do Conselho de Governadores. Por exemplo, o Kansas City Scouts, o Colorado Rockies e o New Jersey Devils são uma franquia. Do mesmo modo que o Hartford Whalers, time que existiu até 1997, e depois virou o Carolina Hurricanes também são uma franquia.

    O logo do primeiro Ottawa Senators, de 1883. Ao lado, o Ottawa Senators conhecido hoje. Apesar de possuírem o mesmo nome, a história do primeiro time não pode ser misturada com a história do time atual.

    A primeira franquia de hockey chamada Ottawa Senators existiu de 1883 a 1954, passando por uma realocação (em 1934, virariam o St. Louis Eagles). No entanto, não partilham sua história com o atual Ottawa Senators, time fundado em 1992. Diferente do time de 1992, o Ottawa Senators de 1883 possuía 11 Stanley Cups, porém foi realocado e eventualmente extinto em 1954.

    Após 54 anos, por esforços de um investidor de Ottawa em conjunto com outros interessados em trazer um time de hockey canadense para a NHL, o Ottawa Senators atual foi criado.

    Os casos de Winnipeg Jets e Arizona Coyotes

    Winnipeg Jets de 1972 e Winnipeg Jets de 2011. Apesar do mesmo nome e mesma localidade, os dois times não possuem a mesma história.

    À primeira vista, é possível achar que o Winnipeg Jets atual é o mesmo de 1972, já que ambos os times são canadenses que compartilham o mesmo nome. Porém, essa é a única semelhança entre os dois.

    Embora possuíssem uma fan base leal, os Jets sempre tiveram um mercado pequeno. Consequentemente, acabaram sofrendo em especial com as dívidas financeiras. Enfim, em busca de melhores condições financeiras, o time foi vendido em 1996 e foi renomeado. Então, foram realocados para o Arizona e passaram a ser chamados de Arizona Coyotes.

    Atualmente, o Winnipeg Jets de 1972 é o Arizona Coyotes, enquanto o Winnipeg Jets de hoje derivou de uma realocação do time Atlanta Trashers.

    Já os Jets de hoje derivaram do Atlanta Trashers, time da cidade da Geórgia. Considerado um time fraco, os Trashers nunca ganharam um jogo de playoff em seus 12 anos de existência. Logo, possuíam dificuldades em atrair os cidadãos para os jogos.

    A franquia foi vendida para investidores de Winnipeg. Eles duraram como Atlanta Trashers de 1999 até 2011, tornando assim, a franquia mais recente a ter sido renomeada e realocada.

    Como fica a história dos times?

    Portanto, os Jets atual compartilham a história dos Trashers. E o Arizona Coyotes compartilha a história dos Jets de 1972. Em hipótese, se o primeiro Jets e os Trashers tivessem ganhado uma cup enquanto ainda estavam em suas cidades antigas, essas cups contariam na história do atual Yotes e Jets, respectivamente.

    Outro caso parecido é o do Quebec Nordiques, time também realocado, que em 1995 viraria o Colorado Avalanche. Assim como o Dallas Stars, o resultado foi bom. Colorado ganhou a cup do ano em que se fixaram em Denver, a de 1995-1996, e a segunda em 2000-2001.

    Mesmo que a realocação seja um modo de não extinguir uma franquia de vez, vale a pena ressaltar que ela não é uma solução definitiva ou mágica para os problema financeiros.

    É possível ver, nos dias de hoje, o Arizona Coyotes com fortes problemas de público nos jogos e problemas financeiros. Também vale ressaltar que eles não vão para os playoffs desde 2012.

    Os times extintos

    Ao longo da história da liga, os motivos pelos quais os times foram extintos foram diversos. Entretanto, assim como as realocações, todos eles tinham um denominador comum financeiro.

    Montreal Wanderers em 1915. Foto: Reprodução/Hockeygods.com

    O Montreal Wanderers (1917-1918), campeão de quatro Stanley Cups, foi o primeiro time a ser extinto. O motivo seria a falta de jogadores por conta da Primeira Guerra Mundial. Outro time canadense, o Hamilton Tigers, também acabou devido à greve de jogadores.

    Time de Nova Iorque, o Brooklyn Americans acabaram por problemas financeiros. Foto: Reprodução/Neil Best

    Similarmente aos Wanderers, o Brooklyn Americans (1925-1948) sofreu com problemas financeiros e também com a falta de jogadores devido à Segunda Guerra Mundial.

    Por outro lado, Philadelphia Quakers (1930-1931), St. Louis Eagles (1934-1935) e Montreal Maroons (1924-1948) foram dissolvidos por conta de problemas financeiros oriundos da Grande Depressão. Sendo que, antes de acabar, o Quakers tinha sido realocado de Pittsburgh (antes conhecidos como Pittsburgh Pirates, franquia que durou de 1925 a 1930) pelos mesmos problemas financeiros. Já os Eagles eram antes conhecidos como Ottawa Senators (1917-1934).

    No site puckreport.com é possível ver em detalhes a lista de todos os times realocados.