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  • O que você precisa saber sobre o Draft 2020

    O que você precisa saber sobre o Draft 2020

    Após muitas turbulências e reviravoltas, a temporada 2019/20 da NHL chegou ao seu fim. E com grande êxito por parte das bolhas, assistimos o Tampa Bay Lightning se tornar o novo campeão da Stanley Cup 2020.

    Portanto, o fim da temporada significa uma coisa para o fã de hockey: o Draft. Depois de muitas decisões e medidas criadas pela NHL, o Draft 2020 da Liga enfim acontece hoje, às 20 horas (BRT). 

    E para você que, assim como nós, vai acompanhar o evento, trouxemos um guia com tudo que você precisa saber sobre o Draft desse ano. 

    Um breve resumo sobre o que é o Draft

    Para simplificar, o Draft é um evento organizado pela Liga Nacional de Hockey, com o intuito de dar a oportunidade aos times de selecionarem novos talentos que ainda não fazem parte da NHL.

    O evento conta com 7 rodadas onde, cada um dos 32 times, dependendo de suas transições durante a temporada, tem a oportunidade de escolher seus futuros atletas. Tecnicamente, cada time tem sua chance de selecionar um jogador por round. Mas, ao longo do ano, diversas equipes fazem trades em que, para obter algum jogador, cedem seus Draft picks. E é dessa forma que muitas franquias acabam subindo suas posições na tabela, ou ficam com diversas escolhas em um mesmo round – como foi o caso do Ottawa Senators na temporada passada.

    O Draft normalmente acontece durante o verão norte-americano . No entanto, com a pandemia do COVID-19, a Liga tomou, no início do ano, a decisão de adiar o evento de 2020, com a intenção de prezar pela saúde de todos. 

    Quando a NHL decidiu criar um plano de retorno para suas atividades, o Draft também entrou na pauta. E com tudo que tem acontecido no mundo, a pergunta era a mesma entre todos que acompanham o esporte: como o evento se daria neste ano?

    O Draft deste ano

    Anteriormente, o Draft estava marcado para acontecer em Montreal, Quebec, durante os dias 26 e 27 de junho de 2020. Mas, com a pandemia se alastrando pelos Estados Unidos, e também pelo Canadá, a NHL decidiu adiar, em Março, a temporada 2019/20 e todos os eventos presenciais que ocorreriam durante o ano.

    Todavia, após confirmar a volta da temporada através de um plano de retorno bastante rígido, que contou com as bolhas de Edmonton e Toronto, a Liga entendeu que existiam maneiras de realizar o Draft sem colocar a saúde das equipes e participantes em risco. 

    Após muitas especulações, Gary Bettman confirmou em um comunicado, no dia 11 de setembro deste ano, que o Draft seria realizado de forma virtual em 2020 através de uma videoconferência. Enquanto Gary Bettman se encontrará nos estúdios da NHL Network, em New Jersey, cada time participará do evento de suas instalações, ou lugar de sua preferência. Já os prospects poderão acompanhar o evento do conforto de suas casas. Uma experiência um tanto quanto diferente e inovadora, não apenas para a própria NHL, mas também para os fãs, que acompanharão, pela primeira vez, a solenidade neste formato.

    A intenção da NHL é que, através da tecnologia, eles possam “unir as pessoas na América do Norte e na Europa e dar aos telespectadores uma visão única de dentro [do evento]”. A NBCSN, SN e TVAS transmitirão a primeira rodada, que ocorre hoje (20). Em relação aos demais rounds, será a própria NHL Network que se encarregará de transmitir o evento.

    A loteria 

    Para que a temporada voltasse, a NHL precisou fazer muitas mudanças. Entre estas, elaborar um formato de competição no qual 24 times disputaram a pós-temporada. Deste total, dezesseis equipes, que se encontravam, antes da pausa, em colocações abaixo dos 4 primeiros colocados de cada conferência, foram selecionadas para disputar os Qualifiers. Assim, em 8 séries diferentes, um time saiu vitorioso por série e classificou-se para a próxima etapa, o primeiro round dos playoffs.

    E é aqui que as coisas começaram a acontecer de forma diferente no Draft. Após a criação do formato, ficou definido que os times eliminados nos Qualifiers teriam a mesma oportunidade que as 7 equipes que não foram incluídas no plano de retorno da Liga de disputar pelas primeiras colocações do Draft 2020. Algo que acabou gerando muitos discussões opostas, já que alguns acharam justo, e outros nem tanto. 

    Apesar disso, a NHL continuou com o plano e realizou a primeira fase da Loteria do Draft em 26 de junho de 2020. Aqui, a Liga acabou realizando o sorteio que definiu as 3 primeiras posições. Como dito antes, apenas 15 times participaram da primeira fase, sendo os sete não classificados e os oito que ainda estavam disputando os Qualifiers

    Através do sorteio, ficou definido que a equipe com a primeira seleção overall seria uma das oito equipes que disputaram os qualifiers. Já a segunda posição ficou com o L.A. Kings, enquanto a terceira foi para o Ottawa Senators.

    Como uma equipe dos Qualifiers acabou ficando com uma das três primeiras escolhas, a Liga realizou uma segunda fase da Loteria. Assim, o time selecionado poderia ser definido apenas entre as oito equipes das qualificatórias

    Em 10 de agosto, a NHL realizou então a segunda fase da loteria. Esse é o primeiro Draft onde uma equipe que estava em alguma fase dos playoffs poderia garantir o primeiro lugar overall. Portanto, após o sorteio entre os oito times, ficou definido que, o detentor da primeira seleção geral é o New York Rangers.

    As sete equipes não selecionadas acabaram ficando com as escolhas de nove a quinze, baseadas na ordem inversa da porcentagem de pontos de ambos. Ou seja, os com a menor quantidade de pontos obtiveram as melhores seleções. 

    Punição do Arizona Coyotes

    No início de 2020, vieram a tona denúncias sobre violações das políticas da NHL por parte do Arizona Coyotes. E por isso, em janeiro deste ano, a Liga abriu uma investigação contra o time após suspeitar que a equipe havia convidado alguns jogadores elegíveis ao Draft para realizarem testes físicos de forma secreta. O ato é considerado conduta proibida de acordo com as políticas internas da NHL. E isso se dá porque, de certa forma, o time em questão acaba tendo vantagem sobre os demais no Draft.

    Após uma audiência, em 6 de agosto, a equipe reconheceu a violação e recebeu uma punição. Portanto, devido a má conduta, o time acabou perdendo seu second round pick deste ano, e também uma escolha do primeiro round em 2021.

    Para este ano, a equipe ainda possui mais 4 escolhas que se dão a partir da quarta etapa do evento. Anteriormente, o time possuía uma escolha no primeiro round, porém acabou perdendo para os Devils na trade que envolveu Taylor Hall. Da mesma forma, caso ainda possuísse a escolha, a NHL acabaria excluindo esta do time como punição pela violação. 

    As colocações dos times 

    Após todas as definições e punições, enfim temos as colocações já definidas de cada time no Draft deste ano. No primeiro round, Ottawa Senators e New Jersey são os times que possuem maior quantidade de escolha (três cada). Já em relação a todos os rounds do evento, é o Montreal Canadiens que é o detentor da maior quantidade de picks, com 14. Atrás dele ficam os Senators (13) e os Kings (11).

    Confira na imagem abaixo como ficou a colocação final para o first round:

    Ordem Draft 2020 Primeira Rodada

    As demais colocações e ordem dos rounds restantes vocês podem conferir na página do Draft no site da NHL.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Tanto no hockey no gelo, como em outros esportes, muitos dos talentos das Ligas Principais acabam saindo de times universitários. Jonathan Toews, Johnny Gaudreau e Quinn Hughes são apenas alguns exemplos, dentro da NHL, que fizeram seu estrelato na Universidade e vieram parar diretamente dentro da Liga Nacional de Hockey.

    Mas em qual liga jogam esses times universitários? Para abrigar todos estes talentos, existe a NCAA,  associação responsável pelo acontecimento de campeonatos de diversas modalidades esportivas, em Universidades dos Estados Unidos e Canadá. Uma destas sendo o hockey no gelo, que tem grande presença na organização e forma diversos atletas profissionais. 

    Mas a Liga Universitária é muito maior do que apenas essa descrição. Por isso, nós separamos alguns tópicos importantes para explicar para vocês como ela funciona.

    O que é a NCAA?

    A NCAA é a sigla para National Collegiate Athletic Association. Ou seja, é uma organização que regula atletas de diversas instituições universitárias na América do Norte. Além disso, é responsável por organizar os eventos esportivos e campeonatos que ocorrem entre essas universidades. Atualmente, cerca de 400 mil estudantes-atletas universitários fazem parte da NCAA e competem anualmente em diversas modalidades esportivas oferecidas pelas Universidades que a compõe.

    O esporte universitário surgiu na América do Norte ao final do século 19 de forma amadora, sem maiores regulamentações. No entanto, com o passar do tempo, questões em relação a segurança dos atletas universitários começaram a ser levantadas pelas próprias Instituições. 

    E então, no início do século 20, o Chanceler da Universidade de New York, Henry MacCracken, organizou uma reunião entre 13 Universidades para debater sobre mudanças em relação ao assunto. A partir desse encontro surgiu então a Associação Atlética Intercolegial dos Estados Unidos (IAAUS). Essa associação é estabelecida oficialmente em 1906. Em 2010, por fim, a IAAUS passou a se chamar Associação Atlética Nacional Universitária (NCAA), nome este que carrega até os dias de hoje.

    Após alguns problemas de crise financeira e má gestão, a NCAA foi crescendo e ganhando reconhecimento. Desta forma, passou a criar cada vez mais campeonatos para as modalidades esportivas. E, portanto, precisou se discernir em três divisões: D-I, D-II e D-III. Da Divisão I e II, fazem parte as Universidades que cedem bolsa aos estudantes-atletas. E por fim, a  Divisão III abriga as Instituições Superiores que não oferecem bolsa aos atletas, apenas a oportunidade de jogar pelo time universitário. 

    Atualmente, existem 26 modalidades esportivas abrangidas pela NCAA. Entre estas se encontra o Hockey no Gelo. O esporte está presente nas 3 divisões criadas pela associação, com campeonatos anuais tanto de times universitários masculinos, quanto de times universitários femininos. O torneio de hockey universitário mais conhecido da NCAA é o Frozen Four, que atrai diversos torcedores da América do Norte, como também de todo o mundo. 

    O Ice Hockey 

    O hockey universitário existe desde o fim do século 19 na América do Norte. Malcolm Chace, calouro da Universidade de Brown, e Robert Wrenn (Harvard), ao disputarem um torneio de polo no gelo em Ontário, acabaram conhecendo membros do Victoria Hockey Club, um dos primeiros times de hockey amador do Canadá. Seguidamente, os estudantes foram convidados a visitar Montreal, sede do clube, para aprender um pouco mais sobre as regras do esporte. Em outra visita ao Canadá, Chace e Wrenn levam diversos amigos consigo, estes que também se apaixonam pelo esporte.

    A partir disso, ambos voltaram para suas respectivas Universidades, impulsionados assim a fundarem times universitários de ice hockey. Instituições como Harvard e Brown foram pioneiras na criação das equipes. E, no período de uma década, diversas Universidades da América do Norte já possuíam times formados. Anteriormente, o hockey era um esporte mais apreciado na  região da Nova Inglaterra. No entanto, ao fim do século 19, as Universidades do meio-oeste também passaram a criar programas para abranger o esporte; tanto as de grande porte (U. Minnesota, por exemplo), como as menores, estabelecendo assim campeonatos de hockey universitário de nível inferior. 

    A falta de rinks de gelo disponíveis foi uma grande preocupação para boa parte destas Instituições, que se questionavam se deveriam iniciar um programa próprio de hockey no gelo ou continuar apoiando as equipes que já haviam se formado e jogavam geralmente em rinks de gelo abertos ao público, próximos às Instituições. Portanto, após diversas discussões, a Universidade de Princeton criou a primeira arena de ice hockey universitário, o Hobey Baker Memorial Rink, em 1923. 

    No entanto, as coisas tornaram-se mais profissionais para o hockey universitário ao fim da década de 40. Em 1948, a NCAA  integrou o hockey no gelo à organização, e passa a realizar os campeonatos da modalidade esportiva (o Frozen Four sendo um dos principais). Após esse período, o hockey universitário ganhou mais incentivo, crescendo cada vez mais em popularidade na América do Norte.

    As divisões

    Para melhor organização, a NCAA optou por dividir as Universidades em três grandes grupos. Assim como nos demais esportes, o hockey universitário também se encaixa nessas divisões da organização. Estas que são a Divisão I, Divisão II e Divisão III. 

    Atualmente, a NCAA possui campeonatos apenas para as Divisões I e III. Porém, os times que compõem a Divisão II acabam por disputar partidas entre os times das conferências que fazem parte da desta. Eles também competem em alguns campeonatos regionais (fora da NCAA).

    Assim como nos outros esportes, os programas de hockey das universidades, que fazem parte das Divisões I e II, oferecem bolsas de estudo aos seus atletas. Porém, estes precisam atingir alguns quesitos para jogar pelos times destas universidades. Quesitos estes que juntos formam a elegibilidade do aluno para disputar na sua equipe universitária. 

    Para isso, é necessário que os estudantes-atletas possuam high scores nos SATs (acima de 900). Além disso, é importante que se mantenham com notas acima da média durante seu período na instituição de ensino superior. Assim, cumprindo todos os requisitos, o jogador se torna elegível para competir pelo time de hockey da universidade que frequenta.

    Atualmente, cerca de 138 Instituições, distribuídas nas três divisões da NCAA, ofertam o programa de hockey no gelo masculino. Já o programa de hockey feminino conta com 93 universidades, estas que são distribuídas na Divisão I e III.

    Divisão I

    A Divisão I é o nível mais alto de atletismo universitário que compõe a NCAA. As Universidades desta divisão geralmente possuem orçamentos maiores, instalações mais elaboradas, entre outros requisitos. Desta forma, acabam por fim distribuindo bolsas de atletismo e atraindo diversos futuros prospects das principais Ligas norte americanas. 

    A Divisão I do hockey masculino conta, atualmente, com 60 Universidades, divididas em seis conferências. Estas que são a Hockey East (da qual a Boston College e Boston University fazem parte), a NCHC (Universidade de Denver), WCHA, ECAC Hockey (Universidades da Ivy League, como Harvard, Yale), Big Ten (Michigan, Wisconsin e North Dakota) e a Atlantic Hockey (Bentley). 

    Já a Divisão I do hockey feminino conta com cinco conferências: a College Hockey America, ECAC Hockey, Hockey East, New England Women’s Hockey Alliance e Western Collegiate Hockey Association. 

    Divisão II

    A Divisão II da NCAA é uma divisão de nível intermediário. As universidades que a compõe tendem a ser as Instituições Públicas e algumas privadas. Cerca de 133 universidades da Divisão II tem menos de 2.499 estudantes. Apenas 12 instituições têm mais do que 15 mil alunos. Ou seja, a maioria das Instituições de Ensino Superior que fazem parte da D-II são as de menor porte.

    Assim como na D-I, os atletas que jogam nos times de hockey da Divisão II possuem bolsa escolar, e só a mantém se atingem os requisitos de elegibilidade. No entanto, a NCAA não fornece um campeonato para os times que fazem parte desta divisão. Isso se dá pelo fato de esta possuir apenas uma conferência atualmente: a Northwest-10.

    Divisão III

    Por fim, a Divisão III é formada pelas universidades que optaram por não oferecer bolsas de atletismo a seus alunos-atletas. Atualmente, cerca de 40% dos estudantes-atletas da NCAA competem pela D-III. 

    Na Divisão III de hockey masculino existem 74 times. Estes que são divididos em 9 conferências – a Commonwealth Coast e a Massachusetts State College Athletic são alguns exemplos. 

    Já a Divisão III de hockey feminino conta com 52 equipes, distribuídas em sete conferências. Estas que são a Colonial Hockey Conference, a ECAC West, Minnesota Intercollegiate Athletic Conference, New England Hockey Conference, New England Small College Athletic Conference, Northern Collegiate Hockey Association e a Wisconsin Intercollegiate Athletic Conference. 

    Ice Hockey Universitário Feminino

    Apesar da integração pela NCAA ter sido feito apenas no início da década de 2000, nos anos 70 já existiam diversos times femininos de hockey amadores nas universidades norte americanas. 

    O primeiro time de hockey feminino foi criado pela Universidade De Brown, em 1965. Seguidamente, algumas outras instituições da Ivy League, como Cornell, Yale e Princeton, seguiram o exemplo, instituindo equipes em suas Universidades. Assim, com a criação destas equipes universitárias, em 1976 a Brown finalmente veio a sediar o primeiro torneio feminino de Hockey no Gelo.

    E após diversas discussões sobre o preconceito sofrido pelas atletas em diversas Universidades norte americanas, a NCAA, por fim, passa a integrar os times femininos de hockey no gelo à organização em 2001. 

    O campeonato feminino da Divisão I é um torneio que conta com apenas 8 equipes, tendo partidas de eliminação única. Assim, por temporada, os times que a compõe disputam mais de 30 jogos. As finais e semifinais são chamadas de Women’s Frozen Four, nome que foi inspirado no do Campeonato Masculino da Divisão I. Ao fim do torneio, a melhor jogadora da Divisão I feminina recebe o prêmio Patty Kazmaier, que tem o nome como uma homenagem a ex atleta campeã do time de hockey feminino de Princeton.

    O campeonato da Divisão III abriga 9 equipes, e é um torneio de eliminação única. Por fim, os times da Universidade de Minnesota Duluth e Universidade de Wisconsin possuem grande presença no campeonato, devido ao grande número de conquistas no Frozen Four Feminino.

    Ice Hockey Universitário Masculino

    O hóquei no gelo masculino foi a primeira modalidade do esporte a ser instituída pela NCAA, ao fim dos anos 40. Assim como na modalidade feminina, a masculina também possui campeonatos apenas para a Divisão I e III. 

    O campeonato da Divisão I conta com 16 equipes. Estas que são definidas a partir de disputas entre os times das conferências da divisão. Assim como no campeonato feminino, os jogos são de eliminação única. E por fim, os 16 times classificados para disputar o campeonato são divididos em 4 categorias; cada categoria conta com 4 equipes.

    As semifinais e finais, que definem anualmente o campeão da Divisão I, são conhecidas como Frozen Four. Atualmente, o time com mais vitórias no Frozen Four é a equipe da Universidade de Michigan que, até então, possui 9 campeonatos. Logo atrás ficam a Universidade de Denver e North Dakota, com 8 campeonatos cada. Wisconsin, que também é uma Instituição de peso no campeonato, possui 7 vitórias no Frozen Four. 

    O campeonato da Divisão III não é tão conhecido quanto o Frozen Four. No entanto, é formado por 12 times, estes que também definidos a partir de disputas entre as equipes das conferências. Assim como os demais, ele possui partidas de eliminação única, que levam os times a final. Atualmente, a Universidade com mais vitórias no torneio da D-III é a Middlebury, com 8 campeonatos. 

    Frozen Four

    O Frozen Four é a competição final do campeonato de hockey universitário da Divisão I, onde a NCAA coroa seu campeão nacional todos os anos. Os dois jogos de semifinal, e a própria final, são disputados em três dias, no período da primavera norte-americana.

    A competição existe há 72 anos, desde que a NCAA incluiu o hockey nos programas de atletismo universitário. Em 2003, o campeonato aderiu o formato de 16 times: são 4 regionais, e dentro de cada regional constam 4 equipes. Por fim, os vencedores de cada uma dessas regionais acabam avançando para as Finais do Frozen Four. 

    Com o passar do tempo, e os talentos que vinham se revelando no College Hockey, o Frozen Four se tornou bem mais do que apenas uma final de campeonato universitário. São estádios lotados com fãs, e um espírito esportivo gigante que domina os torcedores durante os três dias em que o evento acontece. 

    O campeão atual da Frozen Four é o Minnesota Duluth, que fez uma extraordinária campanha back to back no campeonato e, desta forma, venceu as finais de 2018 e 2019. A maior vencedora do Frozen Four, em todos os anos de história do esporte na NCAA, é a Universidade de Michigan. Esta que possui um dos programas mais famosos de hockey universitário para os seus atletas, e já trouxe muitos destes para dentro da NHL. Atualmente, Quinn Hughes, do Vancouver Canucks, é um destes. 

    Wisconsin também tem grande destaque, por já ter sido campeã de 7 campeonatos (ocupa o 4º lugar no ranking de times com mais Frozen Four). No Draft 2019, três escolhas do first round foram alunos-atletas da Universidade: Cole Caufield, Alex Truscotte e Owen Lindmark. Dos três, Truscotte já assinou contrato com o L.A. Kings e deve estrear no profissional na temporada 2020-21. Outro atleta de Wisconsin que entrará para o profissional na temporada 2020-21 é K’André Miller, que já assinou contrato com o New York Rangers.

    O Frozen Four ganhou tanta importância nos últimos anos que despertou o olhar emissoras televisivas. Atualmente, a ESPN passa todos os jogos do Frozen Four e vem transmitindo este há 27 temporadas. Assim, o esporte acaba atraindo cada vez mais o olhar de fãs intrigados que querem descobrir quais serão os próximos talentos que irão garantir um ticket direto para a NHL. 

    Portanto, a menção honrosa de hoje é um RIP pelo fim do campeonato, que precisou ser cancelado devido a pandemia Covid-19. Porém, a boa notícia é que, no ano que vem, teremos mais Frozen Four. E, se tudo der certo, a próxima cidade a sediar o evento será Detroit, que abrigaria a final do campeonato este ano.

    Por fim, só nos resta uma coisa: esperar ansiosos pelo próximo campeonato. 

  • Conheça a Extraliga ledního hokeje – A Liga Tcheca

    Conheça a Extraliga ledního hokeje – A Liga Tcheca

    O mundo do hockey é muito mais rico do que apenas a NHL. Ligas em diversos países e histórias curiosas que, apesar de conhecermos jogadores importantes dessas nacionalidades, têm ligas pouco divulgadas. Hoje escolhemos contar um pouco sobre a Extraliga ledního hokeje (ELH), a Liga Tcheca de Hockey, ou simplesmente, Extraliga.

    De acordo com a IIHF, essa liga é considerada a 3° melhor do mundo, por ser uma das mais competitivas na Europa. 

    A história da Extraliga ledního hokeje (ELH)

    Os times da Extraliga ledního hokeje
    Os times e as cidades da Extraliga ledního hokeje (Foto: Eliteprospects)

    A história do hockey na Europa Central possui origens mais antigas. As primeiras práticas do esporte datam de 1908, com a primeira liga doméstica sendo estabelecida em 1936. Contudo, a Československá hokejová liga, conhecida como Primeira Liga de Hockey no Gelo da Tchecoslováquia, existiu até 1993, quando o país se dividiu em República Tcheca e Eslováquia. Ali elas viraram duas ligas independentes, de seus respectivos países. Sendo, então, a Extraliga Eslovaca e a Extraliga Tcheca.

    Naquela época, a liga era constituída por 8 a 24 times. Atualmente, 14 times atuam na ELH. São eles: HC Kometa Brno, Mountfield HK, HC Energie Karlovy Vary, ČEZ Motor České Budějovice, Bílí Tygři Liberec, HC Verva Litvínov, BK Mladá Boleslav, HC Olomouc, HC Dynamo Pardubice, HC Škoda Plzeň, HC Sparta Praha, HC Oceláři Třinec, HC Vítkovice Ridera e, por fim, PSG Berani Zlín.

    O sistema de competição

    A temporada regular consiste em 52 jogos, com cada equipe jogando quatro vezes entre si – duas vezes em casa e duas vezes fora. As dez melhores equipes vão para para a pós temporada. Por sua vez, os seis melhores times se qualificam diretamente para as quartas de final melhor de 7. Enquanto as equipes posicionadas do 7° até o 10° lugar precisam jogar qualificatórias, dessa vez melhor de 5, para prosseguirem no campeonato. 

    Dessa forma, os quatro times na posição mais baixa da tabela jogam os play-outs, uma espécie de playoffs invertido, no qual serão determinadas as equipes rebaixadas. 

    Depois dos play-outs, as duas piores equipes jogam com os dois vencedores das semifinais da segunda divisão tcheca, chamada de 1. česká hokejová. Em um grupo classificatório, cada equipe disputará 12 jogos (duas vezes em casa e duas vezes fora contra todos os times do grupo). Por fim, as equipes de 1° e 2° lugares desse grupo qualificam-se para a Extraliga na temporada seguinte, enquanto as 3° e 4° equipes jogam na segunda divisão.

    Devido a pandemia do COVID-19, a Extraliga ledního hokeje teve a temporada atual cancelada. Com isso, nenhuma equipe disputará os playoffs ou será premiada esse ano.

    Títulos

    A última equipe campeã foi HC Oceláři Třinec, que conquistou o 2° título do clube. Dessa forma, a equipe vice foi HC Bílí Tygři Liberec, que por sua vez possui apenas um título. A equipe que possui mais títulos é a VHK Vsetín, com um total de seis troféus. Entretanto, eles jogam, desde 2006, na segunda divisão. 

    A segunda equipe com mais títulos é a HC Sparta Prague, com quatro. Dessa forma, ao longo das 27 temporadas, os vencedores foram: 

    1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 2000/01 – VHK Vsetín (6 títulos, atualmente na 2° divisão)

    1999/00, 2001/02, 2005/06, 2006/07 – HC Sparta Praha  (4 títulos)

     2004/05, 2009/10, 2011/12 – HC Dynamo Pardubice (3 títulos)

    2003/04, 2013/14 – PSG Berani Zlín (2 títulos)

    2002/03, 2007/08 – HC Slavia Praha (2 títulos, atualmente na 2° divisão)

    2010/11, 2018/19 – HC Oceláři Třinec  (2 titulos)

    2016/17, 2017/18 – HC Kometa Brno   (2 títulos)

    2015/16 – Bílí Tygři Liberec

    2008/09 – HC Energie Karlovy Vary

     2014/15 – HC Verva Litvínov

     2012/13 – HC Škoda Plzeň

    1993/94 – HC Olomouc

    Rivalidades e Torcidas

    Torcida do Sparta Praha
    Foto: modrobili.cz

    Assim como em qualquer esporte, existem várias rivalidades na EHL. Talvez a maior rivalidade seja a entre Kometa Brno e Sparta Praha, oriundas das duas maiores cidades e capitais tchecas e que possuem grande contexto histórico-cultural. Além disso, as duas cidades sempre produziram grandes talentos tchecos, gerando grandes elencos.  Portanto, as torcidas são muito calorosas e fiéis aos seus clubes. 

    A rivalidade entre HC Dynamo Pardubice e Mountfield HK é baseada, essencialmente, na localização. As duas cidades estão localizadas a cerca de 25 km uma da outra e o ódio das torcidas é muito intenso. Curiosamente, essa é uma rivalidade que vai além dos esportes, já que as pessoas de Hradec costumam odiar as de Pardubice.

    A NHL e a Extraliga ledního hokeje

    Na história da NHL, muitos jogadores fizeram e estão fazendo história. Jaromir Jagr atualmente é dono, presidente e jogador do Rytíři Kladno. Na NHL, Jagr ganhou 2 Stanley Cups pelo Pittsburgh Penguins nos anos 90. 

    Outros nomes conhecidos da NHL que tiveram passagem pela Liga Tcheca incluem Jakub Voráček (Philadelphia Flyers), Michael Frolík (Calgary Flames) e Radko Gudas (Washington Capitals), que também atuaram pelo Rytíři Kladno.

    Outra lenda do hockey, dessa vez nas redes, Dominik Hasek começou sendo goleiro no time de sua cidade natal, o LTC Pardubice. Hasek competiu ao lado do LTC Pardubice por 6 anos, até começar a carreira no Chicago Blackhawks em 1990.

    Contudo, o jogador tcheco dividiu sua carreira entre o Buffalo Sabres (onde faturou 6 vezina trophies) e o Detroit Red Wings (onde ganhou 2 Stanley Cups).

    Ondřej Palát (Tampa Bay Lightning) jogou também pelo time de sua cidade natal, o HC Frýdek-Místek, da cidade de Frýdek-Místek. Tomas Hertl (San Jose Sharks), competiu pelo HC Slavia Praha. 

    David Pastrnak (Boston Bruins), que terminou a temporada de 2019-2020 com 48 gols e 95 pontos, jogou em sua juventude no clube de sua cidade natal, o AZ Havířov, na segunda divisão tcheca. Além deles, David Krejčí (Boston Bruins), Jakub Vrana (Washington Capitals), Petr Mrazek (Carolina Hurricanes) e Pavel Francouz (Colorado Avalanche) são alguns dos outros jogadores tchecos na NHL. No total, há 33 jogadores tchecos na liga norte americana. 

    Jaromír Jágr: a lenda do Pittsburgh Penguins

    Mario Lemieux e Jaromir Jagr, após vencerem a Stanley Cup de 1992
    Foto: Bruce Bennett/Gettyimages

    Antes de virar uma lenda do hockey, a estrela do Pittsburgh Penguins Jaromír Jágr passou 6 temporadas na equipe de sua cidade natal, em ligas júnior.  Rytíři Kladno, localizado na cidade de Kladno, atualmente se encontra na 2° Divisão da Liga Tcheca. Todavia, nos anos 80, a equipe fez parte da Primeira Liga de Hockey no Gelo da Tchecoslováquia, antigo nome da atual primeira liga tcheca. 

    Atualmente, Jagr é dono e presidente do Rytíři Kladno. Além disso, ele joga pela equipe. Dessa forma, o número 68 do time ajudou seu time a subir de divisão ano passado, após marcar 4 gols que levariam a equipe o tão desejado acesso. 

    Foto: Jaroslav Ozana, AP

    Parece que Jágr não possui planos de parar tão cedo. O tcheco possui recordes e feitos impressionante. Ele tem o segundo maior número de pontos na história da NHL, atrás apenas  de Wayne Gretzky. Também é o jogador europeu mais produtivo que já jogou na NHL e, em 1990, aos 18 anos, era o jogador mais jovem da Liga. Antes de se transferir aos 45 anos, se tornou o jogador mais velho da NHL e o jogador mais velho a marcar um hat-trick. Além disso, Jagr está no seleto clube do Triple Gold, de jogadores que conquistaram Ouro nas Olimpíadas, a Stanley Cup e também o Ouro no Campeonato Mundial de Hockey. Por fim, em 2017, Jágr foi nomeado um dos 100 Maiores Jogadores da NHL na história.

  • Conhecendo a Deutsche Eishockey Liga

    O hockey no gelo pode não ser tão famoso quanto o futebol na Alemanha, contudo a história do hockey alemão é tão antiga quanto a do futebol. Essa história, apesar de menos conhecida, nos mostra como o esporte é um fator de identificação importante em certas cidades,  permitindo, inclusive, que grandes jogadores cheguem à NHL.

    A Deutsche Eishockey Liga, ou a Liga Alemã de Hockey no Gelo, é uma das inúmeras ligas de hockey na Europa. Dessa forma, no texto de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o cenário do esporte no país germânico.

    A Deutsche Eishockey Liga

    A história do hockey na Alemanha data de 1912, quando a equipe Berliner Schlittschuhclub conquistou o primeiro título na então German Ice Hockey Championship, liga que durou de 1912 até 1948. De 1949 até 1958, a liga alemã passou a se chamar de Oberliga FDR. Após esse período, novamente a Liga mudou de nome e se tornou a Eishockey-Bundesliga, formada em 1958.

    A liga era composta por equipes da 1ª e 2ª divisão da Eishockey-Bundesliga. Contudo, muitas equipes da 1ª e 2ª divisão estavam fortemente endividadas. Dessa forma, a 2ª divisão atraía poucos patrocinadores e espectadores e muitos clubes foram forçados a desistir ou serem rebaixadas.  

    Deutsche Eishockey Liga - Times
    Distribuição dos times no mapa da Alemanha
    Imagem: Reprodução EliteProspect.com

    Atualmente, a liga de hockey no gelo da Alemanha se chama Deutsche Eishockey Liga, ou DEL, e foi fundada em 1994. Na temporada de 2019-2020, os times são: Augsburger Panther, Andler Manheim, Dusseldorfer EG, Eisbären Berlin, ERC Ingolstadt, Fischtown Pinguins, Iserlohn Roosters, Kölner Haie, Krefeld Pinguine, EHC Red Bull Munchen, Nürnberg Ice Tigers,  Schwenninger Wild Wings, Straubing Tigers e Grizzlys Wolfsburg. A DEL agora é independente do ponto de vista jurídico, econômico e organizacional e é uma associação dos clubes da DEL.

    O sistema de competição

    Para que as equipes se mantenham na DEL, elas precisam entrar com um pedido por escrito na Liga e alcançar alguns critérios: 

    • Um estádio que atenda aos padrões da DEL;
    • Condições financeiras para sustentar o time;
    • Formação de uma empresa comum (o DEL consiste em franquias);
    • Programa de desenvolvimento para jovens jogadores;
    • Compra de uma licença 

    Os times disputam 52 rodadas na temporada regular. Seis times se classificam diretamente para as quartas de final, quatro se classificam para uma fase prévia e disputam uma série melhor de três para complementar as vagas das quartas.

    Uma vitória equivale a três pontos na classificação. Igualmente à NHL, se o jogo terminar empatado, haverá o overtime de 5 minutos. Se após o OT o placar permanecer igual, cada equipe ganhará um ponto e vão disputar pênaltis. Assim, a equipe vencedora nos penaltis ganhará o 2° ponto. Além dos jogadores nacionais, as equipes podem ter até 16 jogadores com identidades estrangeiras em seu elenco. 

    Em 10 de março de 2020, a Deutsche Eishockey Liga anunciou que a temporada 2019/20 havia terminado devido à epidemia de COVID-19. Portanto, esta será a primeira vez na DEL em que não haverá um campeão.

    Títulos 

    Jogadores da Deutsche Eishockey Liga

    Primeiramente, a última equipe campeã foi Adler Mannheim, que conquistou o 7° título. A equipe vice foi EHC Red Bull München, que possui 3 títulos. Além disso, o Adler Manheim e o Eisbären Berlin são os times mais vezes campeões, cada um com 7 títulos.

    Ao longo das 24 temporadas, os vencedores foram: 

    1995, 2001/02 – Kölner Haie (2 títulos)

    1995/96 – Dusseldorfer EG 

    1996/97 – 98/99, 2000/01, 2014/15, 2018/19 – Adler Manheim (7 títulos)

    1999/00 – Munich Barons (realocado para Hamburgo)

    2002/03 – Krefeld Penguins

    2003/04 – Frankfurt Lions (rebaixado em 2010 por problemas financeiros)

    2004/05, 05/06, 07/08-08/09, 2010-2013 – Eisbären Berlin (7 títulos )

    2009/10 – Hannover Scorpions (atualmente na 3° Liga Alemã)

    2013/14 –  ERC Ingolstadt 

    2015/16 – 2017/18- EHC Red Bull Munich (3 títulos)

    Rivalidades e Torcidas

    O hockey europeu se torna especial por conter rivalidades locais ferventes   por conta da distância entre cidades. Como por exemplo, uma das maiores rivalidades na DEL é entre os times Dusseldorfer EG e Koln Haie. Como as duas cidades estão separadas por 34 km é comum que torcedores do DEG viagem até Colônia para assistir os jogos de seus rivais. Assim, os jogos em Colônia quase pareciam ter virado jogos em casa, devido a quantidade de torcedores de fora. 

    A fidelidade e assiduidade no comparecimento de jogos também eram comuns no auge da Liga Alemã, entre os anos 1970 e meados dos anos 90. Os torcedores dos times frequentemente esgotavam os ingressos das temporadas. 

    No entanto, essa popularidade foi embora gradualmente a partir da segunda metade da década de 90. Um dos motivos foi a falta de tradição ter sido passada entre as gerações, além da falta de sucesso da liga em si. Enquanto isso, a NHL foi se popularizando mais rapidamente. 

    A NHL e a Deutsche Eishockey Liga

    O lockout de 2004 foi, de certa forma, importante para a DEL. Isso porque, por conta do fechamento da NHL, foi possível ver um grande aumento de jogadores da Liga na DEL. Stéphane Robidas, atualmente diretor de desenvolvimento de jogadores do Toronto Maple Leafs, jogou pelo Frankfurt Lions na temporada de 2004-2005. Depois, ele se juntou a Doug Weight e a Olaf Kolzig, vencedor do Vezina Trophy de 2000, no Eisbären Berlin, onde ganharam o título daquele ano.

    Além disso, Erik Cole, campeão da Stanley Cup com o Carolina Hurricanes em 2006, também jogou no Eisbären Berlin durante o lockout. Da mesma forma, ele ajudou o time a ganhar seu primeiro título.

    Marco Sturm foi outro jogador alemão com passagem na Liga Alemã. Ele começou a carreira no EV Landshut, time atualmente na DEL2. Embora originalmente draftado pelo San Jose Sharks em 1997-1998, em 2005-2006 ele foi mandado para Boston, quando participou da troca na troca de Joe Thornton. Antes disso, ele havia retornado a DEL e jogou no ERC Ingolstadt.  Vale ressaltar que entre 2001 e 2009, ele estabeleceu-se como um artilheiro consistente de 20 gols da NHL.

    O alemão Jochen Hecht jogou 833 partidas na NHL com o St. Louis Blues, Edmonton Oilers e Buffalo Sabres. Todavia, antes de ir para a NHL, Hecht começou a carreira no Adler Mannheim, time de sua cidade natal. Originalmente draftado pelo St. Louis Blues em 1995, ele teve uma breve passagem pelo Edmonton Oilers. Logo após ter ido para o Buffalo Sabres, ele marcou 56 pontos, o mais alto de sua carreira.

    Hecht voltou à cidade de Mannheim com o Sabres para jogar contra Adler em um jogo de exibição em 4 de outubro de 2011. Embora Hecht não tenha jogado aquela partida por estar se recuperando de uma lesão, ele recebeu uma salva de palmas dos fãs ao patinar no gelo nos treinos pré-jogo. 

    Leon Draisaitl, uma estrela da Colônia

    Leon Draisaitl na Deutsche Eishockey Liga

    O alemão Leon Draisaitl foi selecionado pelo Edmonton Oilers com a terceira escolha do draft em 2014, e possui uma história especial com o Kolner Haie. Natural de Colônia (Koln, em Alemão, de onde se original o nome da equipe), o Kolner Haie foi o time no qual Peter Draisaitl, pai de Leon, ganhou o primeiro título da equipe em 1997. Além disso, Peter foi treinador da equipe de 2017 a 2019.

    A carreira de Leon começou nas categorias de base do Kölner Haie. Lá, ele jogou duas temporadas no time sub-16, onde marcou 22 gols e 33 assistências, totalizando 55 pontos em 44 jogos da temporada. Por fim, Na temporada de 2009/10 o center foi para o Adler Mannheim atuando na equipe sub-16.

    Por mais que Draisaitl não jogue mais no Kolner, ele ainda possui fortes ligações com o time de sua cidade natal. No dia 03 de outubro de 2018, Leon enfrentou o time que seu pai treinava, em um amistoso de pré-temporada que aconteceu entre o Kolner Haie e Edmonton Oilers. Em uma partida emocionante, o Oilers saiu com a vitória por 4–3 no overtime.

    Essa foi uma partida especial não só para Leon Draisaitl, mas para todos os alemães amantes do hockey e para a DEL em si. Draisaitl, que possui até agora 43 gols, 67 assistências e 110 na NHL, está caminhando para ser um dos melhores jogadores alemães da história da Liga. E essa oportunidade de jogar em sua cidade natal trouxe reconhecimento às suas origens na Liga Alemã. 

  • Conhecendo a NWHL, a Liga de hockey feminina

    Conhecendo a NWHL, a Liga de hockey feminina

    O hockey feminino sempre foi considerado apenas um esporte olímpico. Enquanto os homens têm os benefícios de terem a NHL para apoiar suas carreiras, as jogadores vivem com glórias de quatro em quatro anos. Isso não significa que elas não têm uma liga própria, apenas que a NWHL não proporciona as melhores condições de trabalho e investimento de patrocinadores. 

    Por este motivo, no ano passado, as jogadores fundaram a PWHPA (Professional Women’s Hockey Player Association). A Associação criada pelas jogadoras norte-americanas visa trazer melhores condições de trabalho e mais visibilidade para a modalidade feminina. A PWHPA vem trabalhando desde a sua criação com a Dream Gap Tour, viajando pela América do Norte para promover a modalidade com eventos.

    O hockey feminino merece tanto destaque quanto o masculino. Um exemplo disso foi a participação das jogadoras no NHL All-Star Weekend tanto em 2019 quanto em 2020. No ano passado, Kendall Coyne Schofield, ganhou destaque ao ganhar de McDavid na disputa pelo patinador(a) mais rápido. Infelizmente, o prêmio ainda foi para o capitão do Oilers. Mas isso permitiu que uma discussão sobre as mulheres no esporte, sobretudo as jogadoras, e como elas devem ganhar mais destaque, relevância e, acima de tudo, respeito. 

    Neste ano, as jogadoras da seleção canadense e americana de hockey feminino deram um show no All-Star Weekend 2020 da NHL. Desde o combate 3-on-3 no Women’s Elite até o desafio de habilidades junto com os jogadores da Liga, elas puderam mostrar que têm talento e que as mulheres também sabem arrasar no mundo do hockey. Infelizmente, a NHL é uma liga masculina, mas as mulheres não ficam de fora do hockey e têm a sua própria liga, a NWHL (National Women’s Hockey League). 

    O que é a NWHL

    A National Women’s Hockey League foi criada (no formato atual) em março de 2015 e está em sua quinta temporada. Ela é a primeira liga a pagar salário para as jogadoras, e permitiu que em seguida viesse a criação da, hoje extinta, CWHL. Na época em que anunciaram o fim da Liga canadense a NWHL chegou a cogitar expandir para assumir os times da liga canadense, entretanto por falta de verba isso não foi possível. Dessa forma, hoje ela é composta exclusivamente por cinco times americanos.

    Apesar de ainda estar em seu início, comparada à outras ligas de hockey, a NWHL já contou com grandes nomes do hockey feminino, como as medalhistas americanas Hilary Knight e Kendall Coyne Schofield. Nas primeiras quatro temporadas era possível ver muitas das jogadoras das seleções dos EUA e Canadá jogando pelos times da Liga. No entanto, após o anúncio do fim da CWHL no início de 2019, as jogadoras decidiram se unir e criar a PWHPA, assim se desligando da NWHL, em busca de melhores condições de trabalho para a modalidade feminina.. 

    Assim como a NHL, a liga feminina possui seu próprio campeonato e até mesmo um All-Star Weekend. O campeonato, que se chama Isobel Cup, ganhou seu nome em homenagem a Lady Isobel Stanley, a filha de Lorde Stanley e uma das pioneiras no hockey feminino. O calendário também é similar ao de outras ligas com a temporada iniciando em outubro, porém como tem um número consideravelmente menor de times, os playoffs acontecem durante o mês de março. 

    Em seu ano de estreia, a NWHL realizou um draft para efetuar as primeiras contratações. Sendo assim, cada time escolheu cinco jogadoras universitárias além das jogadoras que foram avaliadas com base no seu desempenho nas olimpíadas e no IIHF. O New York Riveters (atualmente Metropolitan Riveters) conquistou o primeiro lugar no sorteio da loteria e selecionou a jogadora Alex Carpenter. 

    Buffalo Beauts

    Logo do Buffalo Breauts

    O time foi um dos primeiros a serem fundados para a NWHL. A equipe fica localizada na cidade de Amhherst, no estado de Nova York, e tem como casa a arena Northtown Center at Amherst, que dividem com outros times de outras ligas de hockey. Em dezembro de 2017 o time foi adquirido pelo Pegula Sports & Entertainment, proprietário do Buffalo Sabres. Desta forma, se tornou o primeiro time na história da NWHL a pertencer ao mesmo dono de uma equipe da NHL. Porém com os últimos acontecimento no cenário do hockey feminino a empresa optou por abrir mão dos Beauts, finalizando assim a parceria com o time da NHL. Em 2016 se tornaram o primeiro time a ter um jogador abertamente transgênero, o atacante Harrison Browne. Também em 2016, elas ganharam a sua primeira Isobel Cup. 

    Atualmente, o Buffalo Beauts conta com as atacantes Brooke Stacey, Emma Ruggiero, Iveta Klimasova, Kandice Sheriff, Maddie Norton, Cassidy MacPherson, Kim Brown, Becki Bowering, Corrine Buie, Erin Gehen e Taylor Accursi. As jogadoras Marie-Jo Pelletier, Lenka Curmova, Megan Delay, Ana Orzechowski, Nikki Kirchberger e Richelle Skarbowski atuam como defensoras. Enquanto as jogadoras Ashley Birdsall e Sara Bustad atuam tanto como atacantes como defensoras. As goleira são Kelsey Neumann, Tiffany Hsu e Mariah Fujumagari.

    Boston Pride

    Logo do Boston Pride da NWHL

    Foi uma das quatro equipes que foram criadas juntos com a Liga. O time fica localizado na cidade de Boston, em Massachusetts, e é afiliado ao Boston Bruins, com quem divide o centro de treinamento, a Warrior Ice Arena. Com a sua primeira escolha do draft e terceira escolha geral o time selecionou a jogadora Kendall Coyne Schofield, porém a mesma optou por não assinar com eles. 

    Na temporada de estreia da Liga, os Prides foram os primeiros campeões da Isobel Cup. Ele também é o time que marcou o primeiro hat-trick na história da NWHL. A jogadora Brianna Decker realizou o feito numa vitória de 5 a 3 contra o Buffalo Beauts. A equipe de Boston também foi a primeira a sediar um jogo ao ar livre na modalidade feminina, o 2016 Outdoor Women’s Classic presented by Scotiabank que terminou em empate de 1 a 1 contra o Les Canadiennes de Montreal da CWHL. Infelizmente nem só de boas histórias vive o hockey feminino. Durante o 2016 Outdoor, a jogadora Denna Laing sofreu uma lesão onde perdeu o movimento das pernas e limitou o movimento dos braços, dando fim a sua carreira. 

    Na época, como uma forma de apoio, o Boston Pride arrecadou fundos para a Denna Laing Foundation, além de levarem a taça da Isobel Cup para ela no hospital. Por fim, a jogadora ganhou o NWHL’s Foundation Award e o Perseverance Award. O time recentemente entrou para a história da NWHL novamente, desta vez com a jogadora Jillian Dempsey. A forward marcou seu 100º ponto, sendo a primeira da Liga a atingir a marca. Atualmente tem como defensoras Lauren Kelly, Lexi Bender, Jenna Rheault, Kaleigh Fratkin, Briana Mastel e Mallory Souliotis. Como atacante as jogadoras Jordan Juron, Mary Parker Alyssa Wohlfeiler, Tori Sullivan, Emily Fluke, Jillian Dempsey, Lexie Laing, McKenna Brand, Marisa Raspa, Christina Putigna e Carlee Toews. Enquanto as jogadoras Victoria Hanson e Lovisa Selander atuam como goleiras e a jogadora Whitney Renn como atacante e defesa.

    Connecticut Whale 

    Logo do Connecticut Whalers

    O time tem seu nome em homenagem ao Hartford Whalers. O Hartford Whalers era um time que fez parte da WHA (World Hockey Association) e posteriormente da NHL. Hoje realocado passou a ser chamado de Carolina Hurricanes. O Connecticut Whale foi o primeiro time a assinar com uma jogadora canadense, a defensora Kaleigh Fratkin, ainda em seu início. Em sua estreia no gelo, a equipe contou com um gol da capitã Jessica Koizumi, que assim entrou para a história como o primeiro gol marcado na Liga. Nessa mesma partida elas ganharam por 4 a 1 contra o New York Riveters.

    A equipe tem como base a cidade de Danbury em Connecticut, no entanto já chamou de casa Stamford e Northford. Para a temporada de 2018-19 a jogadora ativa Cydney Roesler foi nomeada treinadora assistente, assim se tornando a primeira jogadora e treinadora da história do time. Para temporada atual, 2019-20, o time convocou o ex-NHLer Colton Orr para assumir como treinador principal.

    Atualmente o time conta com as jogadoras Brooke Wolejko, Sonjia Shelly e Cassandra Goyette como goleiras. As jogadoras Grace Klienbach, Allie Lacombe, Sarah Hughson, Sarah Schwenzfeier, Janine Weber, Elena Gualtieri, Katelyn, Russ, Emma Vlasic, Alexa Aramburu, Kaycie Anderson, Jane Morrisette, Haley Payne, Kayla Meneghin e Madie Evangelous como atacantes. E na defesa as jogadoras Taylor Marchin, Shannon Doyle, Erin Hall, Elena Orlando, Lauren Hill e Jordan Brickner. Além das jogadoras Hanna Beattie e Brinna Dochniak que atuam tanto na defesa como no ataque.

    Metropolitan Riveters 

    Logo do Metropolitan Riveters da NWHL

    O time tem a sua sede situada em Monmouth Junction, New Jersey. Inicialmente era chamado de New York Riveters, porém teve seu nome alterado quando foi realocado para New Jersey e se afiliou ao New Jersey Devils, em 2016. Ao iniciar a parceria o time da NHL, além de trocar de nome, também adotou as cores dos Devils. No entanto quando a mesma chegou ao fim em 2019, a equipe retornou às suas cores originais (branco, vermelho e azul).

    Além de ter tido direito a primeira escolha no draft 2015, a franquia também foi a primeira na história da Liga a assinar um contrato. A felizarda foi a atacante Janine Weber. Durante sua primeira temporada o time entrou para a história da NWHL ao ganhar sua primeira partida, contra o Boston Pride. Isso aconteceu porque o time tinha uma goleira que era natural do Japão, Nana Fujimoto. Ela entrou para a história como a primeira goleira japonesa a ganhar uma partida na NWHL.

    No ano seguinte a equipe assinou um contrato de um ano com a free agent Amanda Kessel no valor de 26 mil dólares. Ao assinar essa quantia, Amanda se tornou a jogadora mais bem paga da Liga. Atualmente os Riveters contam com as defensoras Cassie Dunne, Nicole Arnold, Leila Kilduff, Colleen Murphy, Rebecca Morse, Anna Keys, Ashley Johnston e Kiira Dosdall-Arena. Como goleiras as jogadoras Zoe Zisis, Dana Demartino e Sam Walther. Além das atacantes Bulbul Kartanbay, Kate Leary, Haley Frade, Kelly Nash, Brooke Avery, Tatiana Shatalova, Jayne Lewis, Madison Packer, Cailey Hutchison, Kendall Cornine, Nichelle Simon e Brooke Baker. A jogadora Mallory Rushton atua tanto como atacante como defensora.

    Minnesota Whitecaps

    Logo do Minnesota Whitecaps

    O time, que existe desde 2004, foi fazer a sua estreia oficial na NWHL somente em 2018. Eles, que hoje dividem seu lar com o Minnesota Wild, são um dos poucos times que ainda possuem afiliação com um time da NHL. Também são os atuais campeões da Isobel Cup, tendo levado o troféu em sua temporada de estreia.

    Devido ao seu tempo de atividade a equipe possui uma história mais extensa. Já fez parte da extinta Western Women’s Hockey League (WWHL) durante seu tempo de atividade de 2004 a 2011. Após isso a equipe atuou de forma independente jogando contra a NWHL, CWHL e faculdades femininas. 

    Os Whitecaps também são o único time que já conquistou a Clarkson Cup em 2010 e a Isobel Cup, os dois principais prêmios do hockey feminino na América do Norte. Em fevereiro de 2018, pouco antes de ingressar na Liga, a equipe teve as suas jogadoras Kate Schipper e Sadie Lundquist convidadas a participar do NWHL All-Star, que foi realizado em Saint Paul, Minnesota. Posteriormente, ao entrar para a NWHL o time entrou para a história da Liga como a primeira franquia a obter lucro vendendo ingressos para os jogos.

    Hoje ele conta com as atacantes Jonna Curtis, Allie Thunstrom, Brooke White-Lancetti, Lisa Martinson, Meaghan Pezon, Stephanie Anderson, Meghan Lorence, Audra Richards, Kalli Funk, Nina Rodgers, Lauren Barnes, Nicole Schammel, Sam Donovan e Haylea Schmid. Na defesa as jogadoras Chelsey Brodt Rosenthal, Winny Brodt Brown, Sydney Baldwin, Emma Stauber, Amanda Boulier e Rose Alleva. Além da jogadora Kelsey Cline que atua nas posições de defesa e ataque, enquanto as jogadoras Amanda Leveille e Allie Morse atuam no gol.

    Playoffs

    Os playoffs desta temporada já chegaram. Hoje já acontecem as semifinais, e o próximo jogo já será a final. É uma etapa muito imprevisível já que são jogos únicos e eliminatórios. As Beauts e os Whales brigaram pela vaga na semifinal no último dia 6, com os Whales conquistando uma vitória por 5 a 3 e garantindo a sua vaga. Eles irão disputar a próxima partida contra o líder da tabela, os Prides.

    A equipe de Boston lidera a Liga com 46 pontos e 23 vitórias. Os Whitecaps vem logo em seguida com 36 pontos e 17 vitórias. O time de Minnesota irá disputar contra as Riveters, que estão em terceiro lugar na tabela com 23 pontos e 10 vitórias. Nos resta agora acompanhar para descobrirmos quem leva a Isobel Cup deste ano.

  • Willie O’Ree, o primeiro jogador negro da NHL

    Willie O’Ree, o primeiro jogador negro da NHL

    O hockey no gelo é um esporte majoritariamente composto e praticado por pessoas brancas. Muitos apontam que isso deve-se somente ao elevado custo de praticar o esporte. Dessa forma, com muitas viagens necessárias e uma lista grande de equipamentos, o hockey acaba tendo uma barreira econômica especialmente grande.

    Por conta disso, há poucos atletas negros no hockey. Contudo, é possível ver a mesma discrepância nos espectadores do esporte. Uma pesquisa feita em 2013 aponta que 92% dos espectadores da NHL são brancos e que apenas 3% são de negros. Entretanto, para ver hockey, não são necessários os equipamentos caros usados para praticar. Então, o que explicaria esse afastamento, refletido em quem vê o esporte?

    Simplesmente a falta de identificação no gelo, o que acaba gerando um ciclo de não-representação. A falta de diversidade no hockey — tanto no gelo quanto nas arquibancadas — não se deve por conta do esporte em si, mas simplesmente pela ausência de jogadores negros, já que o hockey é associado à cultura branca. Ora, se um esporte predominante agrega somente um tipo de pessoa, como gerar interesse nisso, já que não é possível se enxergar lá?

    Mesmo com a existência de uma liga amadora feita por jogadores negros, em 1895, os poucos relatos e pouco interesse nela fez com que a história fosse apagada e que o primeiro negro a estrelar na NHL viesse bem depois.

    Willie O’Ree teve uma carreira curta na Liga. Todavia, o impacto que ele teve na época é refletido até hoje, em que a sua presença em um ambiente composto exclusivamente por brancos mostrou que o hockey, é de fato, para todos, mesmo que ainda haja um longo caminho a percorrer.

    A carreira de O’Ree na NHL

    Willie O'Ree
    Foto: NHL.com

    Willie Eldon O’Ree nasceu em Fredericton, New Brunswick, no Canadá. Antes de ser chamado pelo Boston Bruins, ele jogava no Quebec Aces, parte da liga amadora que viraria a profissional Quebec Senior Hockey League.

    No meio da temporada do Aces, O’Ree foi chamado pelo Boston Bruins para substituir um jogador machucado. Só que o que eles não sabiam é que O’Ree havia perdido 95% da visão no olho direito dois anos antes, depois de ser atingido por um puck no rosto. Se eles soubessem desse fato, O’Ree nunca teria visto sequer um segundo de tempo de gelo na NHL.

    Contudo, graças ao fato de exames físicos não serem tão exigentes e profissionais naquela época, Willie conseguiu manter segredo e sua estreia na Liga foi no dia 18 de janeiro de 1958, há exatos 62 anos. Naquele ano, ele jogou 2 partidas.

    O jogo foi contra o Montreal Canadiens. Vale ressaltar que eles estavam na terceira temporada como campeões da Stanley Cup. Além disso, um ano antes, Montreal derrotou Boston por 4-1 na final da Stanley Cup. Os Canadiens venceram os Bruins por 4 jogos a 2.

    Depois da NHL

    O’Ree voltou para as ligas menores, e teve outra chance na NHL em 1961. Em 42 partidas, ele anotou 14 pontos com quatro gols e 10 assistências. Ele também registrou 26 minutos de penalidade. Essas foram as estatisticas que ele teve na NHL, com 44 partidas no total.

    Após essa temporada, O’Ree passou o resto de sua carreira profissional em ligas menores. Ele se aposentou em 1979, depois de uma longa temporada na Western Hockey League, jogando com times de Los Angeles e San Diego.

    Em sua pequena porém marcante aparição na NHL, o canadense foi vítima de racismo. O’Ree disse que o racismo era mais exacerbado nos estados americanos no que nas cidades canadenses, com comentários esdrúxulos associados a sua cor. Segundo ele, a única forma de lidar com isso era ignorando os xingamentos, o que fez com que ele não desistisse de jogar. Mesmo assim, ele teve somente 43 jogos na NHL.

    O trabalho pós-NHL

    Willie O'Ree

    Atualmente com 84 anos de idade, Willie O’Ree é diretor do Programa de Desenvolvimento de Jovens da NHL. Ele viaja pelos Estados Unidos e Canadá introduzindo hockey para meninos e meninas. Mas, antes dele começar, haviam poucos programas. Hoje, existem mais de 30 programas disponíveis para jovens.

    De tal modo, o trabalho de Willie é muito importante, pois é uma das poucas formas pelas quais jovens negros são expostos e integrados ao hockey. Consequentemente, isso torna o ambiente de fácil identificação aos jovens, lentamente quebrando o estereótipo de que é o hockey é somente para brancos.

    Legado

    Willie O'Ree e Ryan Reaves
    Willie O’Ree e Ryan Reaves, que atualmente joga no Vegas Golden Knights. (Foto: NHL/Reprodução)

    O desafio que Willie enfrentou nos anos 50 foi necessário para que atualmente a Liga tivesse mais iniciativas para combater o racismo e trazer mais pessoas negras para o esporte.

    Após O’Ree ter sido chamado pelo Boston Bruins, somente 10 anos depois, em 1974, seria possível ver outro negro atuando na Liga. Mike Marson foi o primeiro negro a ser draftado na NHL, pelo Washington Capitals.

    Atualmente, na temporada de 2019-2020, temos um cenário diferente. No total, existem 14 jogadores negros atuando em alto nível: Wayne Simmonds (NJD) , P.K Subban (NJD), Darnell Nurse (EDM), Caleb Jones (EDM), Evander Kane (SJS), Kyle Okposo (BUF), Malcolm Subban (VGK), Oliver Kyligton (CGY), Mathew Dumba (MIN), Jordan Greenway (MIN), Givani Smith (DET), Seth Jones (CBJ), Pierre Edouard Bellemare (COL) Mathieu Joseph (TBL) e Anthony Duclair (OTT).

    Se esses jogadores hoje jogam hockey profissionalmente, foi principalmente pelo reflexo que a história de O’Ree teve na NHL. Ao ser o primeiro jogador negro a atuar na Liga, isso possibilitou que uma geração de jovens negros começasse a ver o hockey como uma possibilidade. Que pudessem, também, sonhar em jogar na liga de mais nível alto da América do norte.

    Pierre-Edouard Bellemare, Wayne Simmonds, Willie O'Ree e Ray Emery
    Pierre-Edouard Bellemare, Wayne Simmonds, Willie O’Ree e Ray Emery (Foto: NHL/Reprodução)

    Todavia, é possível ver ainda como é baixo o número de atletas negros. Isso mostra que muitos atletas com potencial para brilharem na NHL podem ter tido suas carreiras encerradas precocemente por conta dos abusos raciais enfrentados para chegar até as grandes ligas. O atleta Akim Aliu é um grande exemplo do efeito desses abusos. Ele afirmou ter sido vítima direta disso, após falar abertamente sobre os abusos que sofreu de Bill Peters. Isso culminou na demissão do ex-técnico do Calgary Flames.

    É importante ressaltar que o racismo não se dá através somente de violência ou xingamentos, e sim também por atitudes e a falta de acolhimento de negros em ambientes nos quais eles são minoria. O caminho ainda é longo, já que o racismo é, antes de mais nada, um problema da sociedade. A NHL é somente um reflexo disso.

    (Foto: NHL/Reprodução)

  • Colored Hockey League: a liga composta somente por negros

    Colored Hockey League: a liga composta somente por negros

    A Colored Hockey League (CHL) foi uma liga amadora criada, em 1900, por descendentes de escravos em Halifax, Nova Scotia, no Canadá. Anterior até mesmo à National Hockey Assiciation (NHA), predecessora da NHL fundada em 1917. Entretanto, com menos adesão, a CHL foi extinta em 1925.

    Em meados de 1880, os negros criaram, nas Ilhas Marítimas (CA), uma liga semiprofissional de Baseball, uma vez que não era permitido que eles competissem ao lado dos brancos. Sendo assim, o baseball era o esporte do verão. Logo, o hockey se tornaria o esporte do inverno.  

    Habilidade atléticas que já eram valorizadas naquela época no baseball, e que se tornariam ainda mais importantes 40 anos depois, também estavam presentes nessa liga de hóquei. O racismo e o preconceito relegaram esses atletas negros, pioneiros do hockey no Canadá, a um esquecimento, mas eles deixaram uma herança: um jogo rápido e forte, em que movimentos acrobáticos tornam tudo muito excitante e divertido.

    Origens

    Nova Scotia, com seus incontáveis lagos ideais para a patinação, é para muitos o berço do Hockey no Gelo. Um dos primeiros registros de uma partida de hockey é datado de 1802 em uma área conhecida como Long Pond, onde um grupo de nativos canadenses, denominados Mi’kmaqs, jogava com canadenses-europeus.

    Entretanto, eles não eram os únicos a praticar o esporte. Só é possível datar a entrada dos canadense negros no hockey no começo de 1870. Existem, no entanto, evidências de que os negros já praticavam o esporte 100 anos mais cedo. Uma dessas provas é a de que aquela parte de Nova Scotia não era habitada por brancos, mas sim por negros.

    O primeiro registro de um jogo de times compostos somente de negros remonta a 1895. Em 1900, a Colored Hockey League of the Maritimes (Liga das pessoas de cor de Hockey dos Marítimos, em tradução livre) foi criada em Halifax, na Nova Scotia, com apoio da igreja batista local.

    A intenção era a de que o hockey se transformasse num catalisador de demandas ligadas à religião, à mobilidade social, à politica e à emergência de um Nacionalismo Negro. O caminho para a igualdade dos canadenses negros seria através do jogo. Dessa forma, o propósito era de elevar os negros a um nível que os tornariam iguais aos irmãos brancos, incentivando um importante senso de liderança, organização, propósito, determinação, trabalho em equipe e dever nos corações e mentes dos jovens negros.

    A Colored Hockey League, era James Williams

    Henry Williams, um jovem de 24 anos, foi fundamental para a criação de ligas negras de Halifax. Formado em direito, e nascido em Trinidad e Tobago, Williams ajudou a promover duas equipes de hockey: o Halifax Eurekas e o Halifax Stanley. Além disso, outra equipe composta só por negros existiu nessa época, o Dartmouth Jubilees.

    A CHL surtiu 25 anos antes das Negro Baseball Leagues (Ligas Negras de Beisebol, tradução livre) e 22 anos antes do nascimento da NHL. Os negros canadenses foram pioneiros na construção dessa história, liderados por homens habilidosos com grande espirito de liderança.

    Infelizmente, todo o pioneirismo da Colored Hockey League foi ignorado ou até mesmo apropriado pelos atletas brancos. Exemplo são equipes exclusivas de brancos que utilizaram inovações e as regras desenvolvidas pela Colored Hockey League e não lhe creditando da maneira correta. Sendo assim, muitos registros dessa contribuição negra para o esporte se perdeu ao longo dos anos.

    Era James Kinney/James Johnston

    Após Williams ter ido para Londres, quem começou a tomar conta da organização da Liga foi James Kinney, um jovem membro da igreja batista. Ele acreditava que os negros naquela época alcançariam status social através de autodisciplina, profissionalismo e trabalho em equipe. Junto com James Robinson Johnston, advogado negro nativo de Nova Scotia com conexões fortes com firmas de direito, a liga começava a ficar forte.

    Ambos cuidavam da imprensa e do funcionamento da equipe, e através da igreja, eles buscavam os jogadores para os times. O Halifax Eureka virou, naquele momento, o carro-chefe da Colored League. Com esse avanço e prestígio, os jogadores negros poderiam competir em conjunto com a Senior League.

    A Senior League, composta pelos times Dartmouth Chebutors, Halifas Crescents e o Halifax Wanderers, era só de jogadores brancos. Por este motivo, os jogadores negros poderiam jogar, conquanto que eles fossem os últimos a utilizar o rinque de gelo artificial.

    Os jogos

    Cartaz anunciando o jogo entre Halifax Eurekas e Africville Sea-Sides

    Os jogadores arcavam com todos os custos dos equipamentos de hockey. Sendo assim, poucos usavam equipamentos de proteção, como capacetes, máscaras e luvas. Não existia substituição de jogadores, ou seja, se algum jogador se machucasse, deveriam esperar até que ele voltasse; se ele não retornasse, o outro time deveria também tirar um jogador do rinque. Foi apenas em 1902 que as substituições começaram a acontecer. O tipo de stick mais comum era dos Mi’kmaqs, feito pelos nativos da região. Como os jogadores não usavam uniformes, era difícil a distinção de jogadores e de equipes.

    Henry Franklyn “Little Braces”, goleiro da equipe negra do Dartmouth Jubilees, tinha um estilo de jogar revolucionário. Ele foi o primeiro goleiro a se abaixar no gelo para defender o seu gol. Atitude esta que era oposta às regras, uma vez que estas determinavam que os goleiros deveriam ficar em pé. E, embora 20 anos depois, a novidade Franklyn tenha sido aceita pelo hockey, o feito foi creditado para os irmãos Lynn e Frank Patrick, atletas brancos que competiam na liga do Pacifico Oeste.

    Por fim, o primeiro jogo entre uma equipe composta somente por negras e uma outra por somente brancos foi realizada em 1900. O West End Rangers jogou contra o Abegweits, da Senior League. O Rangers perdeu por um placar de 5-4.

    O término da Hockey Colored League

    Com a liga crescendo, as coisas pareciam andar na direção certa. James Kinney rapidamente era uma das principais vozes do Orgulho Negro na sociedade de Nova Scotia.

    Entretanto, um conflito entre a prefeitura de Halifax e a comunidade de Africville, predominantemente negra, teve efeitos desastrosos para a Liga. A prefeitura acordou com poderosos donos de ferrovias a expropriação de terras de Africville. Descontentes, os residentes do local propuseram um acordo de compensação. Por fim, Johnston escolheu defender Africville.

    Essa disposição de Johnston causou um efeito cascata, e a retaliação da prefeitura atingiu a Liga. As equipes passaram a ser vistas como inimigas e tudo era feito no sentido de prejudicá-las. Exemplo disso era o tempo no gelo. As equipes começaram a ser privadas de praticar e quando liberavam o rinque, o gelo estava tão gasto que era impossível jogar. Não havia mais convites formais entre os times, sem nenhum tipo de imprensa para anunciar. Assim, a Liga morria lentamente, justamente como os brancos queriam.

    Após o término

    Africville Sea-Sides, time da Coloured Hockey League, em 1922, último ano de existência.
    Africville Sea-Sides, 1922, último ano de existência.

    Todavia, apesar de terem acabado com a Colored Hockey League, jogadores de hockey negros voltariam a jogar hockey, dessa vez sem o envolvimento de Kinney.

    Em 1920, alguns times voltaram e se enfrentaram, agora com as regras de hockey mudadas. O jogo era com 6 homens de cada lado, durante 3 períodos de 20 minutos.

    O Halifax All-Stars jogou contra o Africville Sea-Sides, time composto por muitos veteranos: o mais novo jogador tinha 24 e o mais velho 43 anos. Apesar de começarem vencendo por 3-0, perderam o jogo por 7-4. Duas semanas depois, o Sea-Sides dominaram, e ganharam por 8-2.

    A performance do Sea-Sides demonstrou a qualidades dos jogadores originais da Liga. Mais de 20 anos tinham passado e, mesmo assim, eles conseguiram ganhar de um time bem mais novo.

    Há registros de jogos também em 1929. Em Boston, alguns ex-jogadores das Marítima formaram uma equipe denominada “The Colored Panthers“, que chegou a disputar algumas partidas. A intolerância, o racismo, a crise econômica, entre outros fatores, levaram à descontinuidade definitiva da Liga.

    A existência esquecida

    A história da Colored Hockey League está intrinsecamente ligada à história do racismo no Canadá. Por muito tempo, acreditava-se que o racismo no Canadá era de forma branda ou que basicamente não existia. Entretanto, a história da Liga, que teve que combater diversos problemas para existir, mostra o contrário. O fato da Liga ter sido destruída justamente por problemas raciais demonstra isso.

    Apesar de o Canadá ser um um país multicultural, construído por franceses, ingleses, nativos americanos e negros, a falta de consideração e de reconhecimentos dos primeiros jogadores negros pioneiros de hockey pela NHL e na história do hockey é uma contradição e desvalorização de tais povos.

    “Hoje, não há monumentos para a Colored Hockey League of the Maritimes e alguns poucos livros de hockey reconhecem a Liga. (…) Não há menção no Hockey Hall of Fame do impacto dos negros no desenvolvimento do hockey moderno. Não há referencias das origens negras do Slap Shot ou o estilo inovador do goleiro Franklyn. (…) É como se se a liga nunca tivesse existido. O hockey, hoje, é um esporte mais branco que o inverno Canadense. (…) Entretanto, mesmo assim, sempre existirá um período que chamaremos de Black Ice.” (George e Darril Fosty, no livro Black Ice: The Lost History of the Colored Hockey League of the Maritimes)

    Foto: Black Ice: The Lost History of the Colored Hockey League of the Maritimes, 1895-1925

  • Os principais times extintos da NHL

    Os principais times extintos da NHL

    A NHL existe há mais de 100 anos nos Estados Unidos e Canadá. No entanto, para que a Liga se tornasse o que conhecemos hoje, diversas mudanças precisaram ser feitas. Times mudaram de cidade, de nome, e alguns até mesmo deixaram de existir. Portanto, inspirada nas equipes que não estão mais entre nós, o NHeLas trouxe hoje uma lista sobre curiosidades e história dos principais times extintos da Liga Nacional de Hockey.

    Montreal Wanderers (1903-1918)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    A equipe iniciou sua trajetória na cidade de Montreal, em Quebec, no Canadá, e foi uma das franquias fundadoras da Liga na temporada 1917-18. Anteriormente, o time jogou pela Federal Amateur Hockey League (FAHL), de 1903 a 1905, ajudando a fundá-la. Seguidamente, disputou pela Eastern Canada Amateur Hockey Association (ECAHA), entre 1906 e 1909, e também pela National Hockey Association (NHA), de 1910 a 1917. Por fim, quando esta última teve suas atividades suspensas, alguns de seus donos acabaram por criar a NHL no ano de 1917. Sendo assim, a equipe passou a disputar a Liga Nacional de Hockey pelo resto de sua existência.

    O Montreal Wanderers foi criado por James Strachan, em dezembro de 1903. Anteriormente a sua entrada na NHL, era uma das equipes mais bem sucedidas no mundo do hockey. O time começou a disputar profissionalmente no mês seguinte ao de sua criação e ganhou sua primeira Stanley Cup no ano de 1906. Posteriormente, conquistaram mais quatro títulos, ganhando, no total, cinco vezes o troféu. Seu sucesso no gelo foi o grande responsável por cinco de seus membros fazerem parte do Hockey Hall of Fame: Moose Johnson, Hod Stuart, Riley Hern, Lester Patrick, e Ernie Russell. 

    O time disputou apenas quatro jogos na temporada inaugural da NHL. Destes, ganhou apenas um. A partir de então, as coisas apenas desandaram para os Wanderers, que tiveram sua casa, a Montreal Arena, destruída em um incêndio, em 2 de janeiro de 1918. Tendo perdido parte das estrelas de seu elenco, o time resolveu pedir ajuda para obter reforços de outras equipes, mas não foi o suficiente. Desta forma, vieram a encerrar suas operações ainda em 1918. O último membro ativo dos Wanderers foi George Geran, que jogou seu último jogo na NHL em 1926. 

    Ottawa Senators e St. Louis Eagles (1904-1935)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    Os Senators começaram suas operações no ano de 1904, em Ottawa, no Canadá. No entanto, antes de serem membros da NHL, passaram pela FAHL (1905), ECAHA (1906-1910), CHA (1910) e, por fim, NHA (1910-1917). Eles foram também um dos quatro times fundadores da Liga Nacional de Hockey. 

    Em sua primeira temporada na NHL, acabam por não se classificarem para os playoffs. No ano seguinte, a equipe avançou para a pós-temporada, mas foi eliminada no primeiro round dos playoffs contra o Montreal Canadiens. A primeira vitória em uma Stanley Cup Final veio apenas na season 1920-21, contra os Senators Metropolitans. Enquanto na NHL, o time foi campeão de cinco títulos, e um dos melhores entre os fundadores da Liga. 

    No entanto, o time começou a ver seu declínio a partir de 1927, devido a problemas financeiros. A Grande Depressão, em 1929, fez com que a média de público do time diminuísse. Além disso, as viagens para jogos com os times de expansão dos EUA se tornaram mais caras, e as conversas de relocação da franquia se tornaram mais fortes. Portanto, em 1934, o time se mudou para St. Louis, onde, por fim, acabaram se tornando o St. Louis Eagles. 

    Mas os dias de glória da equipe estavam no passado. Apesar de o time ter tido grandes médias de público em St. Louis, as viagens para disputar os jogos no Canadá continuavam caras e exaustivas. Em sua primeira temporada na NHL com os Eagles, o time conquistou um recorde de 11-31-6, terminando em último lugar. 

    Novamente, devido aos gastos excessivos, a franquia não conseguiu progredir e, finalmente, encerrou suas operações em 1935. A NHL acabou comprando o time, e os contratos dos jogadores, por 40 mil dólares. Os atletas, por fim, foram realocados para outras equipes da Liga. 

    Quebec Bulldogs e Hamilton Tigers (1889-1925)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    Os Bulldogs iniciaram sua história em 1889 como amadores, pela Amateur Hockey Association of Canada (AHAC), passando a jogar profissionalmente apenas em 1908. Quando a NHA, liga da qual o time fazia parte, encerrou suas operações, o Quebec Bulldogs foi convidado a participar da NHL, em 1917. Porém, a equipe não possuía os fundos necessários para a transição, e também não conseguiu se juntar a outra equipe. Desta forma, foi necessário suspender as operações da franquia por duas temporadas.

    O time voltou à ativa na temporada 1919-20, mas ainda sim não tiveram bom rendimento, terminando em último lugar com 20 derrotas e apenas quatro vitórias. Portanto, na temporada 1920-21, a NHL tomou a franquia para si e a vendeu para empresários da cidade de Hamilton, no Canadá.

    Sendo assim, o time encerrou suas operações como Quebec Bulldogs, e passou a disputar a NHL com o nome de Hamilton Tigers. O intuito da NHL com a realocação do time para Hamilton era impedir outra liga de se estabelecer na cidade. Mesmo assim, a franquia acabou disputando apenas cinco temporadas no local, de 1920 a 1925. Em 1925, com a greve dos jogadores nos playoffs da NHL, a equipe teve suas operações suspendidas de vez, e seus jogadores foram comprados pelo novo time de expansão que surgia na época, os New York Americans.

    New York Americans (1925-1946)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    Os Americans disputaram a Liga Nacional de Hockey de 1925 a 1942, sendo o terceiro time de expansão da história da NHL. Tendo Nova Iorque como cidade sede, sua casa era o Madison Square Garden. A equipe comprou os contratos dos jogadores dos Tigers, extintos em 1925, e deram início às suas atividades. 

    Em sua primeira temporada na NHL, o time obteve um recorde de 12-22-4, e na seguinte, 17-25-2. A equipe teve algumas dificuldades para se adequar à Liga. Como foram colocados na Divisão do Canadá, precisavam fazer diversas viagens para disputar com os times daquele país. Em todos os seus anos de existência, os Americans nunca chegaram a ganhar uma final de Stanley Cup.

    Após muitos altos e baixos, a equipe, por fim, foi cancelada definitivamente em 1946, restando assim na cidade de Nova Iorque apenas um time de hockey, o New York Rangers.

    Montreal Maroons (1924-1938)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    Os Maroons surgiram em 1924 e no mesmo ano se juntaram à NHL, sendo um dos seis primeiros times a darem origem à Liga. Eles eram um dos dois times da NHL localizados em Montreal, junto com o Montreal Canadiens. Enquanto os Canadiens atraíam os fãs franceses, os Maroons atraíam fãs dos bairros anglófonos da região (principalmente aqueles que torciam para os Wanderers, que foram extintos em 1918). 

    Assim como outros times, a Grande Depressão também foi grande influenciadora na queda dos Maroons. A chegada da crise fez com que a NHL percebesse o quão caro seria manter duas equipes em Montreal. Apesar de ambos os times da cidade terem problemas em atrair fãs para suas arenas, os Canadiens ainda sim conseguiam atrair mais público do que os Maroons.

    Apesar dos problemas financeiros, a década de 1930 foi de grande êxito para o time no gelo, já que a equipe acabou ganhando sua primeira (e única) Stanley Cup em 1935. Mas já em 1937, as coisas começam a desandar novamente, e o time terminou a temporada com um recorde de 12–30–6, sendo este o pior da equipe em todos os seus anos de existência. A falta de recursos acabou atingindo de vez os Maroons e, finalmente, na temporada 1937-38, o time se viu obrigado a encerrar suas operações. 

    Pittsburgh Pirates e Philadelphia Quakers (1925-1936)

    Fonte: http://www.sportslogos.net/

    Os Pirates iniciaram suas atividades na NHL em 1925. O nome do time vem em homenagem ao time de baseball com o mesmo nome, com sede também em Pittsburgh. Além disso, eram um dos três times estadunidenses a participar da Liga.

    Seu primeiro jogo disputado em Pittsburgh foi no dia 2 de dezembro de 1925, onde cerca de 8 mil torcedores pagaram 1 dólar para assistir o jogo no Dusquene Garden, arena que o time chamava de casa. Em sua primeira temporada, o time teve 19 vitórias e 16 derrotas, sendo uma das melhores da história do time. 

    Porém, em 1930, em consequência de diversas dívidas adquiridas, o time precisou ser realocado para outra cidade, a Filadélfia. Desta forma, teve seu nome alterado para Philadelphia Quakers. Mas, ainda sim, a queda da economia acabou sendo um fator crucial para diversos times da NHL. Portanto, em 1936, o time cancelou completamente suas atividades e deixou de existir. Pittsburgh e Philadelphia voltaram a ser consagradas com franquias da NHL apenas com a criação dos Penguins e Flyers, alguns anos mais tarde.

    Foto: Reprodução/records.nhl.com

  • As principais realocações de times na NHL

    As principais realocações de times na NHL

    Atualmente, a NHL possui 31 equipes espalhadas por diversas cidades do Canadá e Estados Unidos. O cenário e distribuição atual, no entanto, nem sempre foi assim. Trocas de cidade, expansões e extinções de times ocorrem na Liga desde a sua fundação. Muitos dos times que conhecemos hoje vieram de cidades totalmente diferentes das quais estamos acostumadas. Por isso, o NHeLas trás uma lista com os principais times realocados nos últimos 100 anos.

    Atlanta Thrashers

    Logo do Atlanta Thrashers
    Fonte: gettyimages

    Os Thrashers iniciaram sua história na NHL em 1999, na cidade de Atlanta (Georgia). O time surgiu em uma expansão da liga com outros três times (Predators, Blue Jackets e Wild) e jogou por anos na atual State Farm Arena. A criação da nova franquia marcou a volta da NHL para a Georgia. O estado não possuía um time desde a década de 1980, quando o Atlanta Flames foi realocado para Calgary, se tornando, então, o Calgary Flames.

    Durante a sua estadia em Atlanta, os Thrashers fizeram parte da Divisão Sudeste da Conferência Leste. Posteriormente, essa divisão seria extinta, deixando cada conferência da Liga com apenas duas divisões. De todas as temporadas que o time disputou pela NHL, em apenas uma se classificou para os playoffs, em 2006-2007. No entanto, foram eliminados pelos Rangers nos quatro primeiros jogos. 

    Ao final da temporada 2010, começaram a surgir boatos sobre diversos grupos que demonstraram interesse na compra dos Thrashers. Porém, em 2011, após diversas especulações – além das dívidas criadas ao longo dos 12 anos de existência da equipe – seus donos majoritários informaram que o Atlanta Thrashers havia sido comprado pelo grupo canadense True North Sports & Entertainment. Sendo assim, acabou sendo realocado para Winnipeg, se tornando o Winnipeg Jets, que disputam atualmente na Conferência Oeste.

    Atlanta Flames

    Logo do Atlanta Flames. Fonte: sportslogo.net

    O Atlanta Flames foi o primeiro time de hockey da NHL a se instalar na cidade de Atlanta, antes mesmo dos Thrashers. Eles fizeram parte da Liga de 1972 a 1980, disputando na West Division (esta que, mais tarde, se tornaria a Divisão Metropolitana). Em suas oito temporadas na NHL, tinham como casa o Omni Coliseum.

    O time surgiu junto com os Islanders, na expansão da NHL na década de 1970. Além disso, foi nomeado em homenagem aos acontecimentos em Atlanta durante a Guerra Civil norte-americana, onde foi alvo de diversos ataques. Os Flames eram uma equipe com rendimento modesto no gelo e se classificaram para os playoffs em seis das oito temporadas que disputaram. Porém, nunca avançaram o suficiente para chegar às finais. Eric Vail foi um dos seu top scorers, com 174 gols marcados. Tom Lysiak, no entanto, assumiu a posição de jogador a marcar mais pontos no time, com 431 no total.

    A partir da temporada 1977-1978, o time começou a declinar. A média de público, que antes era de cerca de 12,200 pessoas, passou para 10,000. Acabou gerando, desta forma, especulações sobre a realocação do time. Enfim, em 21 de maio de 1980, os boatos se tornam realidade e o time foi vendido por 16 milhões para investidores canadenses, sendo realocado para Calgary e, por fim, se tornando o Calgary Flames. 

    Hartford Whalers

    Logo dos Hartford Whalers. Fonte: reddit.com

    Os Hartford Whalers começaram sua história na Liga Nacional de Hockey na cidade de Hartford, em Connecticut, no ano de 1979. Anteriormente, o time fez parte da World Hockey Association e tinha como localização a cidade de Boston, com o nome de New England Whalers. Porém, com a junção da WHA e NHL, e por ser um dos melhores times da World Hockey League, a equipe foi realocada para Hartford. A partir de então, adquiriu o nome que manteve até uma nova realocação do time, ao fim da década de 1990.

    Gordie Howe durante sua breve estadia nos Whalers.
    Fonte: arenadigest.com

    A primeira temporada do time na NHL parecia promissora, com Gordie Howe, Mike Rogers e Dave Keon liderando o time. Porém, eles nunca foram tão bem sucedidos na Liga como na WHL. Ainda assim, em suas 18 temporadas, tiveram uma base de fãs decente que, em sua maioria, vinha de cidades próximas a Hartford. Desde sua formação, o time disputou na Norris Division (atualmente, Divisão Central), que fazia parte da Wales Conference (hoje, Eastern Conference). Em todos os seus anos na NHL, o time fez apenas oito aparições nos playoffs, vencendo apenas uma das séries. 

    Por se localizarem a apenas 100 km de Boston, e por já terem dividido a mesma arena, os Whalers adquiriram uma forte rivalidade com os Bruins. Os jogos em casa contra Boston atraíam grandes médias de público para os Whalers. O recorde do time contra os Bruins, em todas temporadas em que o time jogou pela NHL, foi de 37–69–12.

    No entanto, o time veio ao fim por diversos fatores. O time estava localizado entre Boston e Nova York, que já possuíam fan bases fiéis aos seus times. A maior parte de suas vendas vinha quando os Islanders, Bruins ou Rangers disputavam as partidas em Hartford. Em 1996, Peter Karmanos anunciou que, se o time não tivesse uma média de 11.000 tickets vendidos na temporada 1996-1997, a equipe seria realocada. Desta forma, ao fim da season, foi anunciado que os Whalers seriam realocados de forma definitiva para Raleigh, na Carolina do Norte. Ali, por fim, se tornaram o Carolina Hurricanes.

    Minnesota North Stars

    Logo Minnesota North Stars. Fonte: gettyimages.com

    Os North Stars disputaram 26 temporadas pela NHL, de 1967 à 1993, em Bloomington, Minnesota, tendo como casa a arena Met Center. 

    Dos 26 anos em que fez parte da Liga Nacional de Hockey, o Minnesota fez 15 aparições nos playoffs. Em duas delas, chegou à uma final de Stanley Cup. A primeira, durante a temporada 1980-1981, na qual perderam para os Islanders. A segunda e última aparição nas finais foi somente dez anos depois da primeira, em 1990-1991, quando foram eliminados pelos Penguins. 

    Após diversas especulações, o time foi realocado para Dallas, no Texas, no ano de 1993. Desta forma, com a mudança, acabou por se tornar o Dallas Stars que conhecemos atualmente. 

    Quebec Nordiques 

    Logo Quebec Nordiques. Fonte: gettyimages.com

    Os Nordiques existiram por 16 anos na NHL. Anteriormente, a equipe fez parte da WHL, sendo um dos primeiros times a inaugurar a liga. Porém, com a junção desta e da NHL, o time passou a compor a Liga Nacional de Hockey em 1979. A equipe de Quebec disputava pela Adams Division, da Wales Conference (futuramente, a Adams Division tornou-se a Divisão Atlântica). O nome se deu pelo fato de serem o time que ficava mais ao norte, dentre todos os da Liga. Posteriormente, quando começaram a fazer parte da NHL, o nome prevaleceu. 

    A primeira temporada do time na Liga Nacional de Hockey não foi nada produtiva, tendo terminado em último lugar da divisão. Nas restantes, o time teve seus altos e baixos. Durante a década de 1980, venceram seu primeiro título de Divisão, na temporada 1985-1986, porém, logo após acabaram sendo eliminados pelos Whalers nos playoffs. Em seguida, em 1986-1987, o time voltou a enfrentar os Whalers e venceu a série sobre o time de Hartford. Entretanto, foram eliminados novamente na pós-temporada, dessa vez pelos Canadiens. Já ao fim da década, em 1989-1990, Guy Lafleur veio para completar a equipe, porém, faz uma de suas piores temporadas na NHL, marcando apenas 24 gols em 98 jogos. O time atingiu a pior marca de sua história, terminando a season com apenas 31 pontos. 

    Na temporada 1994-1995, após serem eliminados nos playoffs pelos Rangers, e com o acúmulo de dívidas e empecilhos que o time encontrava para se manter em Quebec, o COMSAT Entertainment Group acabou comprando a franquia. Desta forma, o time foi realocado para Denver, no Colorado, se tornando, por fim, o Colorado Avalanche. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Como funciona a realocação dos times?

    Como funciona a realocação dos times?

    Talvez o time que você torça já tenha mudado de cidade. Na NHL, é possível que um time mude de cidade e seja, portanto, realocado. Ou franquias/ times podem, simplesmente, parar de existir. Porém, quais os motivos por trás de tais mudanças? Explicamos, a seguir, todo o processo de realocação e os times defuntos da liga.

    Como funciona o processo de realocação

    Mapa com times relocados/extintos e
    Mapa com times realocados/extintos em destaque. Foto: Wikipedia/Reprodução

    Primeiramente, o órgão governante da NHL (denominado Conselho de Governadores) é responsável por estabelecer as políticas do campeonato e também por defender sua constituição.

    Além disso, é esse o órgão que analisa e aprova as realocações. Cada equipe nomeia um indivíduo para representar sua equipe. Em seguida, uma votação majoritária é necessária para efetuar a realocação de um time ou franquia.

    Para que um time seja considerado de fato realocado, é necessário que ele esteja fora de sua cidade originária. E que esteja a 50 milhas dos limites corporativos da cidade.

    A realocação

    A partir de 1967, houve um intenso fluxo de realocações. Seja por conta de pouco retorno financeiro das franquias, ou por uma pequena fan base interessada no esporte, remover um time de sua cidade original se tornou uma opção viável ao invés de continuar mantendo um mercado com dificuldades.

    Goleiro do California Golden Seals, time que passou por diversas relocações até virar o Dallas Stars. Foto: Bruce Bennett/Getty Images

    Como por exemplo, é o caso dos California Golden Seals (1967-1976). O time da Califórnia teve sua realocação para Cleveland, virando o Cleveland Barons. Os dois times eram considerados fracos e duraram somente dois anos, de 1976 a 1978. Em 1978 se juntaram ao já existente Minnesota North Stars. O North Stars, diferente dos Barons, tinham um sucesso moderado nos playoffs, inclusive chegaram a duas finais nos anos 1980 e 1990.

    Contudo, com pouco apoio de grandes empresas e empresários, e a participação dos fãs nos jogos diminuindo gradativamente, a ideia de a franquia ser realocada foi crescendo. Além disso, nos anos 1990 a NHL estava interessada em expandir a liga mais uma vez.

    Enfim a solução encontrada foi mover o time de Minnesota para o Texas. Em busca de melhores condições, a franquia se instalou em Dallas. Parece ter dado certo, pois a franquia mantém-se até a hoje e ainda ganharam a Stanley Cup em 1999. Curioso notar que a única semelhança entre o time original e o time atual são as cores verde e amarelo.

    Dallas Stars ganhando a cup em 1999
    Apenas seis anos depois de terem sido realocados para Dallas, no Texas, o time ganhou a Stanley Cup em 1999. Foto: Reprodução/NHL.com

    Nomes iguais, franquias diferentes

    A história de uma franquia inclui os feitos conquistados em diferentes cidades. Para que os atuais Ottawa Senators e Winnipeg Jets pudessem usar o nome do time e o logos, ele tiveram que obter a permissão do Conselho de Governadores. Por exemplo, o Kansas City Scouts, o Colorado Rockies e o New Jersey Devils são uma franquia. Do mesmo modo que o Hartford Whalers, time que existiu até 1997, e depois virou o Carolina Hurricanes também são uma franquia.

    O logo do primeiro Ottawa Senators, de 1883. Ao lado, o Ottawa Senators conhecido hoje. Apesar de possuírem o mesmo nome, a história do primeiro time não pode ser misturada com a história do time atual.

    A primeira franquia de hockey chamada Ottawa Senators existiu de 1883 a 1954, passando por uma realocação (em 1934, virariam o St. Louis Eagles). No entanto, não partilham sua história com o atual Ottawa Senators, time fundado em 1992. Diferente do time de 1992, o Ottawa Senators de 1883 possuía 11 Stanley Cups, porém foi realocado e eventualmente extinto em 1954.

    Após 54 anos, por esforços de um investidor de Ottawa em conjunto com outros interessados em trazer um time de hockey canadense para a NHL, o Ottawa Senators atual foi criado.

    Os casos de Winnipeg Jets e Arizona Coyotes

    Winnipeg Jets de 1972 e Winnipeg Jets de 2011. Apesar do mesmo nome e mesma localidade, os dois times não possuem a mesma história.

    À primeira vista, é possível achar que o Winnipeg Jets atual é o mesmo de 1972, já que ambos os times são canadenses que compartilham o mesmo nome. Porém, essa é a única semelhança entre os dois.

    Embora possuíssem uma fan base leal, os Jets sempre tiveram um mercado pequeno. Consequentemente, acabaram sofrendo em especial com as dívidas financeiras. Enfim, em busca de melhores condições financeiras, o time foi vendido em 1996 e foi renomeado. Então, foram realocados para o Arizona e passaram a ser chamados de Arizona Coyotes.

    Atualmente, o Winnipeg Jets de 1972 é o Arizona Coyotes, enquanto o Winnipeg Jets de hoje derivou de uma realocação do time Atlanta Trashers.

    Já os Jets de hoje derivaram do Atlanta Trashers, time da cidade da Geórgia. Considerado um time fraco, os Trashers nunca ganharam um jogo de playoff em seus 12 anos de existência. Logo, possuíam dificuldades em atrair os cidadãos para os jogos.

    A franquia foi vendida para investidores de Winnipeg. Eles duraram como Atlanta Trashers de 1999 até 2011, tornando assim, a franquia mais recente a ter sido renomeada e realocada.

    Como fica a história dos times?

    Portanto, os Jets atual compartilham a história dos Trashers. E o Arizona Coyotes compartilha a história dos Jets de 1972. Em hipótese, se o primeiro Jets e os Trashers tivessem ganhado uma cup enquanto ainda estavam em suas cidades antigas, essas cups contariam na história do atual Yotes e Jets, respectivamente.

    Outro caso parecido é o do Quebec Nordiques, time também realocado, que em 1995 viraria o Colorado Avalanche. Assim como o Dallas Stars, o resultado foi bom. Colorado ganhou a cup do ano em que se fixaram em Denver, a de 1995-1996, e a segunda em 2000-2001.

    Mesmo que a realocação seja um modo de não extinguir uma franquia de vez, vale a pena ressaltar que ela não é uma solução definitiva ou mágica para os problema financeiros.

    É possível ver, nos dias de hoje, o Arizona Coyotes com fortes problemas de público nos jogos e problemas financeiros. Também vale ressaltar que eles não vão para os playoffs desde 2012.

    Os times extintos

    Ao longo da história da liga, os motivos pelos quais os times foram extintos foram diversos. Entretanto, assim como as realocações, todos eles tinham um denominador comum financeiro.

    Montreal Wanderers em 1915. Foto: Reprodução/Hockeygods.com

    O Montreal Wanderers (1917-1918), campeão de quatro Stanley Cups, foi o primeiro time a ser extinto. O motivo seria a falta de jogadores por conta da Primeira Guerra Mundial. Outro time canadense, o Hamilton Tigers, também acabou devido à greve de jogadores.

    Time de Nova Iorque, o Brooklyn Americans acabaram por problemas financeiros. Foto: Reprodução/Neil Best

    Similarmente aos Wanderers, o Brooklyn Americans (1925-1948) sofreu com problemas financeiros e também com a falta de jogadores devido à Segunda Guerra Mundial.

    Por outro lado, Philadelphia Quakers (1930-1931), St. Louis Eagles (1934-1935) e Montreal Maroons (1924-1948) foram dissolvidos por conta de problemas financeiros oriundos da Grande Depressão. Sendo que, antes de acabar, o Quakers tinha sido realocado de Pittsburgh (antes conhecidos como Pittsburgh Pirates, franquia que durou de 1925 a 1930) pelos mesmos problemas financeiros. Já os Eagles eram antes conhecidos como Ottawa Senators (1917-1934).

    No site puckreport.com é possível ver em detalhes a lista de todos os times realocados.