Categoria: Resenha

  • Uma comedia romântica em “Pucked”, de Helena Hunting

    Uma comedia romântica em “Pucked”, de Helena Hunting

    Todo leitor sempre tem aquele tema que mais gosta de ler. Para mim, uma das minhas coisas favoritas é ler sobre outras coisas que também sou fã. E foi procurando livros de hockey que acabei conhecendo e devorando a série “Pucked”, de Helena Hunting. Entretanto, aqui venho falar apenas do primeiro livro da série, que também foi a segunda leitura do Clube do Livro NHeLas.

    Sinopse oficial: Com um famoso jogador da NHL como meio-irmão, Violet Hall conhece bem a reputação de playboy de muitas estrelas do hóquei. Então é claro que ela não está interessada no lendário capitão do time, Alex Waters, ou em seu rosto bonito e abdômen duro como pedra. Mas, quando Alex inadvertidamente faz Violet rever seus conceitos em relação ao intelecto inferior dos jogadores de hóquei, ele se torna muito mais do que apenas um corpo sexy com rosto à altura. Sofrendo de um completo lapso de julgamento, Violet descobre o quão bom Alex é com o taco de hóquei nas calças.

    Violet acredita que sua noite de magia orgástica com Alex é apenas isso: uma noite. Mas Alex começa a ligar. E mandar mensagens de texto. E e-mails e presentes extravagantes — e peculiares. De repente, ele é muito difícil de ignorar e quase impossível não gostar. O problema é que a mídia retrata Alex como um completo jogador, e Violet não quer fazer parte do jogo.

    Classificação: +18

    Bom-humor e muito hockey!

    Se você está em busca de uma comédia romântica com um pé na literatura erótica, “Pucked” é uma excelente pedida. Violet é no mínimo uma personagem inusitada, ela tem uma relação de amor e ódio com seu meio-irmão e faz de tudo para não ter nada a ver com o hockey. 

    Alex, por sua vez, é o jogador estrela do time e capitão, tem uma certa fama na mídia e é o tipo de homem que aparentemente nenhum pai quer para a sua filha. No entanto, vemos que todo o paradigma criado para Alex não faz exatamente jus ao personagem. Ele é carinhoso, meio nerd e, acima de tudo, nem um pouco parecido com como a mídia o retrata. Esse é inclusive um ponto importante do livro, já que Alex é retratado como “pegador” enquanto o que Violet menos quer na vida é ser tachada como sua última conquista.

    Neste livro, nós os vemos se apaixonar, por mais que nenhum deles queira admitir que isso está acontecendo. Da mesma forma, podemos ver que nem sempre é fácil manter um relacionamento com um atleta profissional. Temos muitas referências ao hockey, nem todas fiéis ao mundo real, mas se observa ainda como uma pessoa de fora começa a assimilar o esporte. 

    Uma das minhas partes preferidas do livro com certeza é ver a interação entre os jogadores do time. Waters, como capitão, tem um certo tipo de comportamento esperado tanto por seus colegas quanto pelo público. Aqui vemos exatamente isso, a importância de se ter um bom capitão e o quanto ele influencia na dinâmica de uma equipe, seja essa dinâmica dentro ou fora do gelo. 

    Onde Encontrar

    O livro é o primeiro da série “Pucked” e já teve os seus direitos de publicação comprados por uma editora brasileira, a The Gift Box. Portanto, você pode encontrar o livro físico em português no site oficial da editora, e na Amazon tanto o livro físico quanto o e-book, que também está disponível gratuitamente para assinantes do Kindle Unlimited.

    Nota

    As notas foram somadas e esta é a média da avaliação da equipe.

    Hockeynômetro: 3,7/5

    Estrelas: 3,5/5

    A primeira leitura do nosso Clube de Leitura NHeLas foi O Acordo da Elle Kennedy e você pode conferir a resenha dele aqui.

  • Danbury Trashers, o time que tinha ligação com a máfia

    Danbury Trashers, o time que tinha ligação com a máfia

    Recentemente a Netflix lançou mais um episódio da série de documentários “Untold”. Nomeado como “Crimes e Infrações”, o novo episódio conta a história da criação, ascensão e queda do Danbury Trashers, da United Hockey League (UHL). O time nasceu inesperadamente em 2004 e deu o que falar durante as suas duas temporadas na liga. 

    Conhecido pela péssima fama de brigões no gelo, os Trashers duas boas temporadas, até chegando perto de conquistar a Colonial Cup. No entanto, por assuntos externos ao esporte, o time viu seu fim precoce e é lembrado até hoje na cidade de Danbury, em Connecticut, EUA. 

    Sinopse 

    Imagine que você tem 17 anos de idade, nem terminou o ensino médio ainda e seu pai lhe dá um time de hockey de presente. Parece mentira, mas foi isso que aconteceu com A.J. Galante, o GM do Danbury Trashers. Quando a sua carreira como jogador de hockey terminou abruptamente, A.J. achou que nunca mais se envolveria com o esporte. Isso até seu pai, James Galante, um grande empresário do setor de eliminação de resíduos, decidir mudar o destino. Ao ver seu filho longe do sonho, James decidiu criar o próprio time e dá-lo de presente para A.J. gerenciar. 

    A partir de então, a família Galante, que já era referência na cidade devido à frota de caminhões e estilo extravagante, também seria conhecida por ser dona de um time. Entretanto, esse não era o único motivo pelo qual as pessoas conheciam James Galante. O empresário, que já tinha sido preso anteriormente, tinha envolvimento com a máfia e vinha sendo investigado pelo FBI. 

    Enquanto as autoridades norte-americanas tinham um grande esquema de investigação, James e A.J. iniciavam a criação de seu time com tudo que tinham direito. Desde o nome, até o estilo da equipe, A.J. só tinha um objetivo: fazer o Danbury Trashers receber a fama de os bad boys do hockey. Para isso ele precisava de algumas coisas, entre elas, jogadores que não tivessem nenhum escrúpulo quanto a brigarem no gelo e aceitarem propinas. Assim teve início a trajetória de brigas, suspensões e vitórias da equipe, que durou somente duas temporadas.

    Pontos fortes

    • O documentário apresenta bem todos os lados da história, tanto do time, quanto da própria UHL e das autoridades norte-americanas;
    • Apesar da pouca idade, A.J. Galante mostrava dedicação tanto em aprender a gerenciar um time quanto em desenvolver o time dentro e fora do gelo.
    • Grandes nomes do esporte fizeram parte da história da equipe, como Brent Gretzky, filho de Wayne Gretzky, que foi a primeira contratação dos Trashers.
    • Outro grande nome do hockey que fez parte da breve história foi o jogador Michael Rupp, que jogou no time por uma temporada durante o lock-out da NHL. O center, que já tinha ganhado uma Stanley Cup na época, concedeu uma breve participação no documentário;
    • Apesar da história e do estilo duvidoso, o time trouxe grande notoriedade para o esporte, para a liga e para a cidade de Danbury;
    • O documentário traz não somente entrevistas com todos os envolvidos, como entrevistas com os fãs e imagens reais do que acontecia tanto nos jogos quanto nos bastidores.
    A primeira formação do Danbury Trashers (Foto: Reprodução / danburyhattricks.com)
    A primeira formação do Danbury Trashers (Foto: Reprodução / danburyhattricks.com)

    Veredito 

    Inicialmente você acha que vai ser só mais um documentário sobre um empresário rico que não mede esforços para continuar rico. Porém, no decorrer do episódio vemos que é muito mais que isso, A.J. realmente se esforçou em fazer o time funcionar. Obviamente pelos caminhos errados e bem deturpados, já que os valores que ele seguia eram os mesmos de seu pai. Assim como os jogadores e o restante da equipe por trás dos Trashers, um ponto que incomoda bastante.

    Contudo, o que mais me chamou atenção no documentário foi ver como as pessoas se deixaram levar pelo sucesso e dinheiro. Incluindo o então comissário da UHL, Richard Brosal, que inicialmente não gostava de como o time lidava com as coisas. Porém com o tempo, foi vencido pelo cansaço e se rendeu ao charme dos Galantes. Outro ponto que me chamou muito a atenção foi a torcida fiel de Danbury, eles chegaram como quem não quer nada e nem sabiam o que estavam fazendo ali na arena. Muitos nem entendiam o esporte, o que durou muito pouco já que logo foram conquistados pelo estilo agressivo do time. Posteriormente a torcida acabou com a mesma fama ao adotar o mesmo estilo. 

    Confesso, a maneira como o time lidava com tudo me incomodou, mas principalmente a liga ser tão permissiva com tudo. Apesar de terem ocorrido suspensões das mais diversas, desde os jogadores até a equipe técnica do time, a UHL poderia ter tido um pulso mais firme em relação a tudo que acontecia dentro e fora do gelo. Ali vemos uma postura  já conhecida pelo fã do esporte nas mais diversas ligas, onde o dinheiro que manda e nada é penalizado da maneira correta. Por fim, para quem quer saber um pouco mais da história vale muito a pena assistir o episódio que é bem rápido com pouco mais de uma hora de duração. 

    Avaliação

    Notas calculadas numa escala de 0 a 5.

    Hockeynômetro: 5,0

    Estrelas: 4,5

  • O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    Não existe um fã de romance que não tenha ouvido falar de “O Acordo”. Ou, se não conhece o livro, já viu algum TikTok sobre Off-Campus ou até mesmo algum vídeo fanmade no Twitter. O fato é: essa série atraiu muita gente para acompanhar hockey, especialmente aqui no Brasil. Venha conferir com a gente a resenha do primeiro livro do Clube do Livro NHeLas (#LeiaComNHeLas)

    Sinopse oficial: Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Mas, embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quando o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto. Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha.

    Tudo o que Garrett Graham quer é se formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo a que tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz com que Hannah e Garrett precisem repensar os termos de seu acordo.

    Classificação: +18

    O fenômeno Garrett Graham 

    Os livros não são lançamentos. “O Acordo” chegou ao Brasil em 2016 e, de lá para cá, trouxe ainda mais torcedores para o esporte. Mas o que faz dessa série tão especial? Primeiramente, podemos apontar a narrativa envolvente. O cenário universitário leva o leitor para dentro da Briar University, transitando em prédios, salas de aulas, dormitórios e arenas de hockey. Em segundo lugar, temos dois protagonistas narradores que te envolvem desde o primeiro capítulo. 

    Hannah Wells é estudante de música e, como muitas garotas, começa a se interessar por um colega de turma. O problema é: não é qualquer colega de turma. Ele é Justin Kohl, estrela do time de futebol americano. E Hannah não faz ideia de como conversar com o garoto. Porém, não é típico de Hannah se interessar por alguém. Ela já teve outros relacionamentos, mas um trauma que passou na adolescência a fez questionar todos os seus interesses românticos. 

    Garrett Graham é a estrela do time de hockey. É seu primeiro ano como capitão e tudo que ele quer é conquistar o campeonato. Entretanto, justo na sua vez de cursar Ética Filosófica, a universidade troca os professores. Enquanto o antigo professor dava notas para os alunos atletas, a professora atual parecia cobrar o triplo. Garrett tirou uma nota baixa na prova e, se não recuperar, ficará de fora do seu campeonato. Ele só vê uma solução para seu dilema: convencer Hannah Wells a te dar aulas particulares.

    O relacionamento dos dois cresce de forma natural. É palpável a cumplicidade que eles criam um com o outro. A dinâmica dos dois personagens é, sem dúvidas, o ponto alto do livro. Um relacionamento saudável que raramente vemos em outros livros de romance e, talvez, o que faz “O Acordo” ser considerado o melhor livro da série pelos fãs.

    Hockey: plano de fundo?

    Mas e o hockey? Nós temos o dilema de Garrett com o time, alguns poucos jogos e o background do protagonista com seu pai ex-estrela da NHL. A autora, Elle Kennedy, fez algumas mudanças de licença poética quando se trata do esporte. A maior delas talvez seja a questão do Draft. Na realidade, jogadores universitários não podem assinar contratos profissionais enquanto alunos atletas, mesmo se forem draftados antes de entrarem na faculdade. Muitos, inclusive, desistem da graduação para irem para a NHL, enquanto outros optam por adiar seu contrato em um ou dois anos. Raros casos de atletas que concluíram os estudos antes de ir para a liga. 

    Entretanto, é inegável como que esta série influenciou no público do esporte. Em quatro anos, o número de fãs do esporte nas redes sociais triplicou. Quando perguntamos de onde as pessoas conhecem o hockey, para boa parte a resposta é Off-Campus. Em todas as redes sociais os fãs divulgam os livros, discutem quais jogadores poderiam ser os protagonistas e se interessam em conhecer cada vez mais a NHL. 

    Garrett Graham provocou um fenômeno midiático imprevisível e curioso. Você pode não gostar de romance, ter opiniões diversas sobre a história e até mesmo cobrar um pouco mais de hockey no enredo. Porém, Off-Campus se tornou uma porta de entrada que parece que não vai se fechar tão cedo. 

    Onde Encontrar

    O Acordo” e toda a série Off-Campus (Amores Imperfeitos), além do spin-off Briar U foram publicados no Brasil pela Editora Paralela. Também é possível encontrar o primeiro livro da série em inglês (“The Deal”) de graça na Amazon

    Nota

    As notas foram somadas e esta é a média da avaliação da equipe.

    Hockeynômetro: 2,5

    Estrelas: 4,5

    Confira também a playlist do iPod da Hannah que elaboramos em conjunto com as integrantes do nosso Clube:

    A leitura do próximo mês já foi definida: Pucked, da Helena Hunting. Confira nas nossas redes sociais todas as informações e venha ler com a gente! 

  • “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    Da última vez que Gordon Bombay (Emilio Estevez) comandou um time de hockey, essa redatora que vos fala ainda não tinha um mês de idade. Como o próprio personagem disse, “it was a life time ago.” Porém, o Disney+ chegou para trazer de volta nossos queridos Mighty Ducks e, é claro, o técnico Bombay. O primeiro episódio do novo seriado “Virando o jogo dos Campeões” estreou hoje (26) no serviço de streaming e é claro que não íamos deixar de trazer para vocês as nossas primeiras impressões.  

    Muita coisa aconteceu dos anos 1990 para cá. O hockey mudou, o entretenimento mudou, até mesmo a forma de exibir seriados mudou. Mas “Virando o jogo dos Campeões” busca no primeiro filme da trilogia o conceito para a serie: Gordon Bombay mais uma vez odeia hockey por ter “fracassado” no esporte (quem assistiu ao segundo filme sabe que ele tentou a carreira profissional, porém por uma lesão precisou se aposentar antes da hora). Agora, ele é dono de um rinque de patinação que está caindo aos pedaços e precisa de fundos para continuar funcionando. 

    Mas, diferentemente da nossa querida trilogia original, a série não trás Bombay como protagonista, e sim Alex (Lauren Graham) e Evan Morrow (Brady Noon). Alex é mãe solteira, faz tudo o que pode e o que não pode para criar Evan, que, aos 12 anos, é cortado do time de hockey Mighty Ducks (sim, o mesmo Mighty Ducks de Bombay, porém agora eles são a estrela do campeonato junior). Alex não aceita essa decisão e propõe ao filho que eles criem um time de hockey para que ele possa jogar. Ou seja, mais uma vez temos um time improvável que busca se encontrar e, possivelmente, surpreender.

    Quem são os novos “mighty ducks”?

    Sim, colocaremos “mighty ducks” entre aspas uma vez que, a princípio, estes personagens não jogarão com os Ducks da série. É um novo time, nomeado ao final do episódio de “Nem Tente” (ou Don’t Bothers em inglês), composto por crianças que buscam no hockey algum tipo de conforto. É um conjunto desajustado de garotos e garotas pré-adolescentes que buscam acolhimento num grupo e no esporte.

    Evan Morrow: O nosso protagonista tem 12 anos, jogou por diversos anos nos Mighty Ducks mas é cortado da equipe por ser baixo demais, lento demais e, possivelmente, por sua mãe, Alex Morrow, não ter o status econômico que o time exige.  

    Nick (Maxell Simkins): Nick ama hockey, mas nunca teve jeito para o esporte. Então ele tem um poadcast sobre o esporte, no qual narra as principais competições dos Ducks. Porém, quando Alex propõe a Evan que eles comecem um novo time com o interesse em jogar e não só ganhar, Nick é o primeiro a aceitar o desafio. 

    Sam (De’Jon Watts): Sam gosta de desafios e não tem medo de se machucar. Evan o desafia a entrar para o time. 

    Koob (Luke Islam): O nosso goleiro é especialista em video game. Nunca deixou um puck passar por ele no jogo online, mas também nunca teve jeito para esportes. Evan e Nick descobrem que ele tem excelente reflexos, habilidade para defesas, e o convidam para ser goleiro dessa nova equipe. 

    Logan (Kiefer O’Reiley): O “mini Nylander” (apelido carinhoso que eu dei para ele), acabou de se mudar de Toronto para a mesma rua que Evan e Nick. O garoto chega vestindo uma jersey dos Leafs, com um patins de primeira linha da Bauer e exibindo a postura de um galã infantil. O problema? Ele é péssimo em hockey. 

    Lauren Gibby (Bella Higginbotham): Ainda não sabemos muito sobre a Lauren, mas ela é uma das garotas do time que aceita o convite de Evan por ter “uma raiva anterior que precisa de uma saída”.

    Maya (Taegen Burns): Também não sabemos muito sobre Maya, seu nome nem sequer aparece no primeiro episódio. Ela era uma das garotas populares da escola, mas decide que entende Evan e aceita participar do time.

    Sofi (Swayam Bhatia): Não sabemos ainda como a Sofi deixa os Ducks, mas ela é uma das amigas mais próximas de Evan. Seus pais colocam toda uma expectativa em cima dela e, apesar de amar hockey, a garota não parece tão entusiasmada. Ela começa a sentir o joelho e apenas Evan nota, um dos motivos que o faz convidá-la para  a nova equipe. 

    Alguns pontos em que a série se afasta dos filmes

    • Diferentemente de Charlie, protagonista infantil do primeiro filme, Evan Morrow tem uma presença maior no enredo. É responsabilidade dele formar o time e também ser responsável por essa equipe de improváveis. 
    • A série tem um tom mais leve e, ao mesmo tempo, mais comédia do que o filme. Como falei no início do texto, muita coisa mudou dos anos 1990 pra cá. Esse novo tom na produção é fundamental para que, mesmo trabalhando a nostalgia dos fãs de Mighty Ducks, trazer a história para um novo público.  
    • Pelo primeiro episódio, Gordon Bombay ainda não teve um papel central, atuando mais como um conselheiro do que técnico. Porém, sem dúvidas nosso técnico favorito vai, mais uma vez, amolecer por essas crianças que amam tanto o esporte quanto ele, mesmo que ele não admita. Emilio Estevez pode não ser mais o galã dos anos 1990, mas ainda tem uma atuação carismática e intrigante. Confesso que estou muito curiosa em saber se vão revelar o que Bombay fez para chegar onde o personagem está agora, odiando tanto o esporte que uma vez amou. 

    O veredito

    Seja você um fã dos filmes, do desenho animado ou, como eu está se envolvendo nesse universo agora, “Virando o Jogo dos Campeões” é uma série divertida e deliciosa de assistir. Lembrando, é claro, que é uma série infantil e, por isso, não deve trazer grantes plot twists e revelações. Teremos hockey, muito hockey pelo que é possível ver do primeiro episódio, mas não esperem grandes atuações no gelo. 

    “Virando o Jogo dos Campeões” é pelo Disney+ e tem novos episódios às sextas-feiras. A série conta com 10 episódios de cerca de 40 minutos cada. O “sextou” do NHeLas será mais interessante pelos próximos dois meses.

    Foto: Reprodução/Disney+

  • Um romance no LA Kings, Always Only You de Chloe Liese

    Um romance no LA Kings, Always Only You de Chloe Liese

    Uma vez me perguntaram como eu seleciono minhas leituras. Confesso que não soube responder de primeira. Pensando um pouco, notei que depende do meu humor, do último livro que li, do que está acontecendo ao meu redor. Eu vi a capa de “Always Only You” em uma postagem no Instagram de uma booktuber estrangeira. Salvei para lembrar em um dia que quisesse ler. A única informação que eu tinha é que o protagonista masculino jogava hockey, porque ele estava de uniforme e com um stick na capa. 

    O que esperar?

    Terminei uma leitura e falei, “acho que quero ler um com hockey já que tem um tempo desde o último.” Chloe Liese entregou não só um jogador do Los Angeles Kings, mas um time e uma organização inteira. Frankie Zeferino, a protagonista feminina, é a coordenadora de mídias sociais dos Kings. Então temos acesso a cenas no vestiário, no banco da arena durante partidas, na academia do LA Kings, em voos para jogos fora de casa e em salas de conferência. Tem hockey para todos os lados, pelo menos até a metade da leitura. 

    Hockey é o plano de fundo, e é também parte importante da vida dos personagens. Mas o romance vai além. Todo capítulo tem uma sugestão de música ligada aos acontecimentos e sentimentos, e eu simplesmente adoro quando a autora tem playlist disponível no spotify! No entanto, Chloe constrói personagens complexos e que lidam com problemas e questões pessoais próprias e até um pouco fora do “clichê” do gênero. 

    Ren Bergman, nosso jogador e interesse amoroso de Frankie, faz parte de uma grande família de imigrantes suecos, e não se encaixa exatamente no estereótipo de atleta profissional pegador. Muito pelo contrário, nunca é visto saindo com ninguém, é conhecido por gostar de Shakespeare — ainda mais do que prevíamos, é gentil, carinhoso, e normalmente não se sente muito confortável em ser o centro das atenções. Já Frankie vem de uma família de imigrantes italianos, faz parte do espectro autista e foi diagnosticada com artrite reumatóide aos dezessete anos de idade. 

    Se tem uma coisa que eu gosto, é ler sobre personagens que vivem uma vida diferente da minha, que enfrentam outros desafios e que me ajudam a mudar minha visão de mundo, mesmo que através de pequenos detalhes da narrativa. O romance de Ren e Frankie é leve, honesto, prático e sem drama e confusão, mas cheio de sentimento e cumplicidade. É certamente uma leitura que vale a pena. 

    Onde encontrar?

    O livro é o segundo da série Bergman Brothers (e no primeiro a protagonista feminina é jogadora profissional de futebol), mas todas as histórias são independentes. Ambos estão disponíveis no Kindle Unlimited

    E não vamos esquecer, “Always Only You” é um:
    3,5 no hockey-nômetro* e 4 estrelas no meu skoob


    *O “hockey-nômetro” é o indicador NHeLas da quantidade de hockey numa determinada obra.
    A escala vai de 0 (“o que é hockey?”) a 5 (“não sei se foi um filme ou uma partida da NHL”).

  • Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Antes de entrarmos na resenha da nova série da Netflix, Zero Chill (“Polos Opostos” no Brasil), preciso contar um segredo sobre a equipe NHeLas: a gente adora uma série adolescente. Nem sempre a série é boa. Às vezes é aquele tipo de série que você sabe que é ruim. Porém, continua assistindo do mesmo jeito porque de alguma forma aquilo te prende. Diverte, emociona, faz rir. Quando ficamos sabendo que a Netflix lançaria uma nova produção com hockey, é claro que corremos para assistir e trazer o veredito para vocês. 

    “Mac” MacBentley (Dakota Taylor) recebe uma bolsa para jogar na Hammarstöm Academy, uma academia de hockey no Reino Unido. Assim, toda a sua família se muda para a Inglaterra em busca da promessa de Anton “The Hammer” Hammarstöm (Oscar Skagerberg) de transformar Mac em um jogador profissional. O ex-jogador da NHL contrata Luke (Doug Rao), pai de Mac, para atuar como seu técnico assistente — Luke e Anton haviam jogado juntos no início da sua carreira. Porém, quem não gosta nada dessa mudança é Kayla (Grace Beedie). Isso porque, com a mudança, a irmã gêmea de Mac precisou abandonar o seu parceiro de patinação artística, Jacob (Kenneth Tynan), no Canadá. 

    A série estreou nessa segunda (15) no catálogo da Netflix, com dez episódios de cerca de 30 minutos cada. Apesar de até agora não ter ficado claro por que escolheram a Inglaterra como local onde a série se passa, o sotaque britânico deixa tudo mais cativante. Tem como principal cenário a Arena Hammarström, onde além do rink que os atletas de hockey e patinação dividem também tem uma lanchonete. O espaço em que Sky Tyler (Jade Ma) trabalha reúne algumas das melhores cenas da série. Outro ponto interessante de ressaltar é a idade dos personagens. Eles são adolescentes, com cerca de 15 anos, e ainda estão no início de suas carreiras esportivas. Dessa forma, toda a narrativa gira em torno da dúvida desses jovens atletas em seguir carreira profissional ou se aquela paixão é apenas um hobby. 

    Pontos fortes

    • Seja o hockey ou as apresentações da patinação, o ponto mais alto da série sem dúvida se passa dentro do rink. Muitas cenas dos dois esportes, de forma equilibrada, deixam os fãs dos esportes satisfeitos ao assistir a produção em busca dessas cenas. (Vocês ouviram Spinning Out? Seguimos orfãs dessa série);
    • Mostra-se uma realidade dos bastidores dos esportes e como adolescentes precisam lidar com escolhas que mudam toda a sua carreira;
    • O ritimo da série é muito bom. Mescla momentos emocionantes, engraçados e tensos de forma leve e cativante que te deixa com vontade de assistir até o fim;
    • Tem romance, mas ele não é o ponto principal. As relações de Mac e Kayla, Ava Hammarström (Anastázie Chocolatá) e Anton, e Bear (Jeremias Amoore) e Sam (Leonardo Fontes) estão em primeiro plano. É uma série sobre família e a importância que um núcleo familiar tem na vida de atletas adolescentes, abordado em contextos diferentes em cada núcleo;
    • Apesar de ser uma pontinha bem pequena, temos em Ava todo o preconceito que o hockey feminino ainda enfrenta. A filha do técnico Anton é apaixonada pelo esporte, e tudo que sempre quis foi impressionar o pai no gelo. Porém, foi obrigada pela mãe, a técnica de patinação artística Elina Hammarström (Tanja Ribic), a praticar patinação, uma vez que o hockey é considerado muito violento. O arco da Ava nos faz refletir como, mesmo em uma família que respira esportes de gelo, a ambiguidade e o preconceito com a figura da mulher no hockey ainda é tão presente e que, mesmo ela provando o quanto era uma boa atleta no seu esporte favorito, continuou sendo questionada.  

    Entre altos e baixos

    Primeiramente precisamos ter em mente que a produção teve como publico alvo pré-adolescentes, sendo classificada no catálogo da Netflix como “Infantil”. No entanto, com séries como Julie and The Phantoms, também voltada para o mesmo público, em mente, podemos levantar algumas críticas. A construção dos protagonistas nos faz ter raiva das atitudes de Mac e Kayla em diversos momentos. Ambos são muito egoístas e fica claro que eles são assim pelas escolhas dos pais em sempre priorizarem a possível carreira de Mac no hockey deixando Kayla e seu sonho na patinação em segundo plano. Entretanto, questiono se esses momentos que nos fazem escolher o Team Mac e o Team Kayla não são partes da construção da dicotomia que existe entre o hockey e a patinação artística. 

    Esportes tão diferentes e ainda assim tão próximos pela necessidade de uma habilidade extraordinária em cima dos patins. Essa dualidade me lembra uma entrevista do jogador do Buffalo Sabres, Jeff Skinner. Para quem não sabe, Skinner começou sua carreira no gelo praticando não só hockey como também patinação artistica. Em uma entrevista em 2018, quando ainda jogava pelo Carolina Hurricanes, Skinner mostrou um pouco da sua habilidade artística sobre o gelo e contou como esse passado o ajuda a patinar melhor durante o jogo. 

    Ainda, é preciso ressaltar que os plot twists são fracos e previsíveis, mas em momento algum isso estraga a experiência da série, produzida com a promessa de entreter e divertir o espectador. No final há uma abertura para uma possível segunda temporada, porém, infelizmente, acho difícil a Netflix renovar a série para um novo ano. De qualquer forma, há um final para a história contada na primeira temporada. 

    Veredito 

    Zero Chill é uma série infantil para os fãs de hockey e de patinação artistica. Se você está procurando uma produção leve e curta para se divertir, sem dúvidas essa série é uma boa escolha. Entretanto, não dê play com expectativas de encontrar uma narrativa complexa e diferenciada. E, caso você esteja aqui pelas performances no gelo, tanto o hockey quanto a patinação não deixam a desejar.