Etiqueta: olimpiadas de inverno

  • O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é lockout?

    A princípio, pode-se dizer que o lockout, locaute em português, de 2004-2005 foi o maior exemplo de disputa trabalhista que se teve na história dos esportes americanos. Ao contrário de uma greve, lockout é quando os empregadores deixam de oferecer as condições necessárias para seus empregados trabalharem, visando mudanças em algum acordo coletivo. O nome vem da expressão “lock out” em inglês, que significa deixar alguém trancado do lado de fora de algum lugar. 

    Tais mudanças são, portanto, impostas à força laboral, que não recebe o pagamento correspondente ao tempo de paralisação. No Brasil esta prática é proibida por Lei. As mudanças que vimos na estruturação dos contratos assinados nos últimos anos pelos atletas da NHL os resguardam de eventual lockout, pois recebem grande parte do salário em bônus, que não é afetado por paralisação. 

    Como ocorre?

    Primeiramente, já ocorreram quatro lockouts na história da NHL.

    O primeiro foi o de 1992, que adiou 30 jogos da temporada 1991-1992. O segundo, em 1994, que encurtou os jogos da temporada em 48. O terceiro resultou no cancelamento da temporada de 2004-2005. E a mais recente foi a de 2012-2013, que também encurtou os jogos da temporada a 48. 

    No caso da NHL, um lockout acontece quando os clubes e o sindicato de jogadores discordam acerca dos tópicos a serem incluídos em um novo acordo coletivo (CBA, Collective Bargaining Agreement, em inglês) de uma forma que beneficie as duas partes.

    O lockout da temporada 2004-2005

    O tempo de duração do lockout foi de 10 meses e 6 dias a partir de 16 de setembro de 2004, um dia após a convenção coletiva de trabalho (CBA) entre a NHL e a NHLPA (National Hockey League Players Association, Associação de Jogadores da Liga Nacional de Hóquei em português) de 1994–95 ter expirado.

    A NHL, liderada pelo comissário Gary Bettman, tentou convencer os jogadores a aceitarem uma estrutura salarial vinculando os salários dos jogadores às receitas da liga, garantindo aos clubes o que a liga chamava de segurança de custo.

    Em 20 de julho de 2004, a liga apresentou ao NHLPA seis conceitos para garantir a segurança dos custos. Muitos consideraram os conceitos flexíveis e bons, contudo a NHLPA achou que tais condições favoreceriam times de maior mercado.

    Com isso, o sindicato dos jogadores rejeitou cada um dos seis conceitos apresentados pela NHL. Foi alegado que todos eles continham algum tipo de teto salarial.

    Depois de muitas propostas apresentadas, refutadas e desmentidas, a associação de jogadores ratificou o acordo com 87% de seus membros votando a favor. Em 21 de julho, foram definidos:

    • O teto salarial seria ajustado a cada ano para garantir aos jogadores 54% da receita total da NHL. E também haveria um piso salarial.
    • Haveria um limite de US $ 39 milhões no primeiro ano da CBA.

    O lockout de 2012-2013

    Os proprietários das franquias de times da NHL, junto com o comissário Gary Bettman, declararam um lockout dos membros da NHLPA. O lockout começou dia 15 de setembro de 2012 e terminou dia 06 de janeiro de 2013.

    Os donos das franquias exigiam uma parcela maior da receita gerada pela liga. Além disso, queriam limites maiores nos contratos dos jogadores, entre outros. A NHLPA não estava disposta lutar contra o teto salarial da liga. Assim também, eles aceitaram receber 57% menos da receita da liga.

    Entretanto, os dois lados ainda discordavam de muitos outras condições existentes. E com isso, surgia a possibilidade de parar novamente uma temporada inteira para que os termos fossem ajustados.

    Mas conforme as 16 horas de negociações passavam, finalmente foram decididos os novos termos da CBA:

    • Um limite máximo de 8 anos de contrato aos jogadores
    • Um piso salarial de 44 milhões e um teto salarial de 60 milhões
    • Uma variação máxima de 50% nos salários ao longo de um contrato
    • Aceitação obrigatória de prêmios de arbitragem sob $ 3,5 milhões, sem realinhamento
    • E um período de tempo para o buy out de contratos que não se enquadram no teto salarial.

    O risco de um lockout atual

    Visto que em 2022 fará 10 anos desde o último CBA definido, novos termos terão de ser discutidos e novas questões serão levantadas.

    No entanto, tanto a NHL quanto a NHLPA têm a oportunidade de encerrar com o contrato dia 1 de setembro de 2019.

    Diante disso, é possível definir que os jogadores estão insatisfeitos com o atual CBA. Foi sugerido que se estendesse o atual CBA para mais três anos de duração em troca de Olimpíadas. Muitos recusaram.

    Um dos maiores problemas atualmente relatados pelos jogadores foi o “escrow“. Basicamente, retira-se do salário de cada jogador uma faixa de 10 a 30% caso o lucro do time seja baixo do esperado.

    Os jogadores também reivindicam a participação nas Olimpíadas de Inverno. Em 2014 eles puderam participar, em 2018 não. A NHL não ficaria feliz de ceder 2 semanas da temporada para a participação.

    Entretanto, as Olimpíadas de Inverno de 2022 acontecerão na China, em Pequim. E a perspectiva de ver a equipe nacional de hóquei no gelo da China seria uma tremenda oportunidade de crescimento para o esporte como um todo no país. E como já dito antes em nosso site, o capitão do Washington Capitals, Alexander Ovechkin, foi denominado embaixador da liga na China e nesta offseason viajou para lá.

    Por mais que seja um assunto complicado, muitos jogadores na verdade não querem que o lockout aconteça. Porém, se a história se repetir, veremos mais uma nova paralisação.

    Foto: Jared Wickerham/Getty Images

  • Canadá vence a Rivalry Series 2019

    Canadá vence a Rivalry Series 2019

    A Rivalry Series, série de jogos que abriu a Semana do Hockey nos Estados Unidos, aconteceu no último final de semana e terminou com a vitória das canadenses por 2 jogos a 1 de uma série melhor de 3. A final da competição foi disputada no Little Caesars Arena em Detroit.

    A Rivalry Series aconteceu entre os dias 12 e 17 de Fevereiro, e fazem parte do Hockey Week Across America, iniciativa da comunidade do hockey de disseminar o esporte nos EUA. O torneio foi disputado entre a seleção feminina de hockey americana e a canadense, na qual as jogadoras reviveram a final das Olimpíadas de Inverno do ano passado, quando os Estados Unidos conquistaram a inédita medalha de ouro. Dessa vez, as canadenses queriam revanche e levaram melhor sobre as americanas.

    Os jogos

    As americanas levaram o primeiro confronto com apenas um gol marcado por Hillary Knight no segundo período, enquanto Alex Rigsby fez 33 defesas. O jogo aconteceu em London, Ontário, Canadá.

    No segundo jogo, que foi realizado em Toronto, a seleção canadense venceu por 4 a 3. O primeiro período foi mais disputado, mas ainda assim o Canadá saiu na frente e as americanas não conseguiram recuperar.

    A final, realizada na arena dos Red Wings, definiu a vitória do Canadá por 2 a 0. Gols marcados por Brianne Jenner no primeiro período e Blayre Tumbull, no segundo.

    Próximos confrontos

    As duas seleções se enfrentarão novamente em abril, durante o World Champioship que acontece na Finlândia. Para a goleira americana Alex Rigsby, está é a parte mais complicada do clássico. “Você vem de uma derrota e agora temos que esperar outras seis, sete semanas até nos enfrentarmos de novo” ela disse.

    Entretanto, o evento deu tão certo, que a USA Hockey vai transformar este confronto em um jogo anual. Para as atletas, isso significa mais uma possibilidade de se enfrentarem fora das Olimpíadas e se prepararem para futuros jogos Olímpicos e outras competições internacionais.

    Apoio da NHL

    A NHL ajudou a divulgar o evento assim como autorizou o uso das arenas do Red Wings e dos Maple Leafs. Este apoio foi importante para atrair a marca de 8.725 expectadores nos dois primeiros jogos, e ainda mais público no Motor City.

    Vale lembrar que a NHL convidou atletas da USA Hockey a participarem do All Star Game em Janeiro, e doou 25.000 dólares para a instituição. Coyne Schofield, que esteva no All-Star Game, acredita que jogar sobre o escudo da NHL, vai mostrar que o hockey de fato é um esporte para todos.

    Talvez este seja o início de uma parceria produtiva entre a liga, a USA Hockey e a Hockey Canada para promover o hockey feminino.

    FotoReprodução: www.budweisergardens.com

  • Atletas Olímpicos da Rússia conquistam o ouro depois de 26 anos

    Atletas Olímpicos da Rússia conquistam o ouro depois de 26 anos

    Neste domingo foi encerrado os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang. Uma das últimas medalhas foi a do hockey masculino, e os russos, sem sua bandeira oficial, levaram o ouro para casa ao ganhar o jogo em cima da seleção alemã no overtime.

    A última vez que os russos conquistaram a medalha dourada tinha sido em 1992, em Albertville, na França, quando também não jogaram sob a bandeira do seu país. Na ocasião, a URSS tinha sido dissolvida um mês antes dos jogos e seis estados (Federação Russa, Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e o Uzbequistão) optaram por competir com uma Equipe Unificada.

    Sem os atletas da NHL, os russos chegaram como os favoritos ao título e provaram porque são uma das melhores ligas de hockey. Mas os alemães não deixaram de fazer história. Era a primeira vez desde a reunificação da Alemanha que eles chegavam a uma final olímpica. Este fato em si já é importante, principalmente por haver eliminado o Canadá e a Suécia da disputa pelo ouro.

    A defesa alemã estava preparada, mas os Atletas Olímpicos da Russia abriram o placar no final do primeiro período com Vyacheslav Voinov. No segundo período, Felix Schütz empatou para a Alemanha em um gol duvidoso, mas os juízes confirmaram o placar após o pedido de revisão do técnico russo.

    O terceiro período foi recheado de gols. Nikita Gusev marcou para os Atletas Olímpicos da Russia, mas a Alemanha logo em seguida empatou novamente com Dominik Kahun. Jonas Muller deixou a Alemanha na frente pela primeira vez no jogo, que continuou em aberto e com possibilidade de gols para as duas seleções.

    A Alemanha já sonhava com a medalha dourada quando, faltando apenas 56 segundos para o fim do jogo, Nikita Gusev marcou novamente, empatando para os russos e levando o jogo para a prorrogação com o placar de 3 a 3.

    O overtime continuou com o clima tenso da partida na qual os dois times sabiam que não poderiam deixar o adversário marcar. Mas com quase dez minutos de prorrogação, a Alemanha cedeu um Power Play para os russos após Patrick Reimer cometer um high sticking contra Pavel Datsyuk.

    Os Atletas Olímpicos da Rússia aproveitaram a vantagem numérica e Pavel Datsyuk marcou o gol de ouro para sua seleção. Final: 4 a 3. Russos ficaram com o ouro, Alemanha com a prata e o Canadá conquistou o bronze após vencer  a República Tcheca por 4 a 6 na noite anterior.

     

    Foto Reprodução/dw.com

  • Ouro Olímpico finalmente das americanas

    Ouro Olímpico finalmente das americanas

    Elas chegaram às olimpíadas com mais do que um sonho: as americanas queriam revanche após três vice-campeonatos contra o Canadá. Colocar um fim à hegemonia canadense nunca pareceu tão possível como nas Olimpíadas de PyeongChang 2018. Parecia tão possível, que elas fizeram.

    Na madrugada de quinta (22) os Estados Unidos conquistaram o ouro olímpico em cima do Canadá no Hockey no gelo feminino depois de 20 anos. Com um jogo extremamente disputado, a decisão ficou para o shootouts, após a partida terminar empatada em 2 a 2.

    O placar foi aberto no primeiro período pelos EUA com a Hilary Knight, mas o Canadá não demorou a marcar dois gols com Haley Irwin e Marie-Philip Poulin, e virar o jogo.

    Parecia que o Canadá levaria novamente a medalha para casa, mas as americanas não iriam desistir tão fácil. Seguraram o jogo até o final e, faltando 6 minutos para tocar a sirene no terceiro período, Monique Lamoureux empatou aproveitando um contra-ataque após uma das belas defesas da goleira americana Maddie Rooney.

    O jogo foi para o overtime e ficou ainda mais disputado. As duas defesas seguraram as adversárias e ninguém parecia dar indícios de desistir do título. Entretanto, os Estados Unidos continuaram mais forte, marcando e chegando mais vezes ao gol.

    E se a torcida já não estava nervosa o suficiente, o resultado veio apenas nos shootouts extremamente disputado. De um lado, a goleira americana Maddie Rooney, e do outro, a canadense Shannon Szabados: ambas sem medo de segurar o puck e proteger a meta.

    Gigi Marvin e Amanda Kessel marcaram para os EUA. Meghan Agosta e Melodie Daouts marcaram para o Canadá. Brianne Jenner perdeu o quinto chute e ficou nas mãos de Hilary Knight conquistar o título americano. Mas um jogo que tinha sido tão emocionante até aquele momento não terminaria fácil assim.

    Precisou de mais um pênalti para cada lado para que Lamoureux, que já tinha sido importante para os EUA no jogo marcando o gol de empate, colocar o puck para dentro do gol de Szabados. Ficou nas mãos de Rooney, literalmente, defender o título ao parar o shoot de Agosta.

    As americanas finalmente puderam deixar capacetes e luvas no gelo e comemorar o ouro olímpico.  O Canadá levou a prata e o bronze ficou com a  Finlândia.

     

    Foto: Reprodução/The New York Times

  • Seleções Femininas fazem história

    Seleções Femininas fazem história

    Os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang tiveram início oficialmente na sexta-feira (9) e o hockey começou com um jogo histórico no sábado de manhã. As seleções femininas de Suíça e Coreia se enfrentaram na vitória por 8 a 0 das suíças, mas o que chamou atenção desse jogo não foi o placar, e sim que, pela primeira vez em 65 anos, Coreia do Sul e Coreia do Norte jogaram juntas em uma mesma seleção.

    A torcida coreana tinha maioria originária do sul, mas também esteve presente um grupo de “lideres de torcida” do norte. Os fãs não pararam de cantar um segundo sequer, mostrando apoio às jogadoras que entraram para a história. E este foi apenas um dos primeiros jogos da competição que vai até 22 de fevereiro.

    O hockey no gelo teve sua estreia como modalidade olímpica em 1920 nas Olimpíadas de verão, passando a ser uma modalidade de inverno em 1924 com a criação dos Jogos de Inverno.

    No início, ele era considerado um esporte amador, e atletas das principais ligas não competiam nos jogos. Apenas em 1986 o Comitê Olímpico Internacional (COI) permitiu que jogadores profissionais participassem das Olimpíadas seguintes, em 1988.

    Entretanto, o hockey feminino continuava à margem e só teve sua primeira aparição nas Olimpíadas de Nagano, no Japão, em 1998. Desde então, a medalha de ouro vem sendo disputada por Estados Unidos e Canadá, tendo as canadenses como maiores vencedoras: em 5 olimpíadas, elas levaram 4 ouros e uma prata.

    A tabela abaixo mostra as medalhistas de cada ano:

    Em PyoengChang, as seleções femininas do Canadá e Estados Unidos são mais uma vez favoritas ao pódio. E, se as seleções masculinas destes país estão desfalcadas de seus principais atletas pela proibição da NHL, as mulheres estão chegando com força total atrás dessa medalha.

    A rivalidade entre as duas seleções é uma das maiores do esporte e, se as canadenses querem o pentacampeonato, as americanas estão prontas para entrar no gelo e superar as adversárias. E ai, quem será que leva essa?

    As Olimpíadas de Inverno estão sendo transmitidas pelos canais SporTV.

     

    Foto Reprodução/BBC.com