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  • Da procrastinação ao hockey olímpico

    Da procrastinação ao hockey olímpico

    Era uma manhã de sábado em pleno fevereiro e eu estava entediada em casa, provavelmente procrastinando ao invés de fazer algum trabalho de Direito do Trabalho II ou Processo Civil IV. O ano era 2014 e as Olimpíadas de Inverno de Sochi estavam a pleno vapor, mas confesso que na época eu não estava ligando muito para isso. Minha principal preocupação naquele momento era se a universidade francesa para a qual eu havia me candidatado aceitaria me receber para um intercâmbio ou não (spoiler: ela me aceitou e eu me mudei para Paris em setembro daquele mesmo ano). 

    Foi assim que meu irmão, que não fazia ideia da ansiedade que dominava meus pensamentos, me chamou para assistir uma partida de esporte na televisão do quarto dele.  “É hockey no gelo”, ele me disse, “não faço a menor ideia de quem são esses caras, mas se é Estados Unidos contra Rússia, então deve ser divertido”. Quando eu me sentei na frente da TV eu não fazia ideia que estaria vendo possivelmente a última aparição olímpica de grandes nomes daquele esporte (obrigada, Bettman e COVID-19) e nem que aquele momento teria um impacto tão grande na minha vida.

    A partida já estava no segundo período, e o gol solitário no placar era de Pavel Datsyuk.  Entre comentários sobre os sobrenomes complicados e a falta de dentes em certos jogadores, todos feitos pelo meu irmão (n/a: Alexander Ovechkin viria a se tornar o jogador favorito dele, que torce para o Washington Capitals), eu fiquei em transe devido à rapidez do jogo e a fluidez com a qual os jogadores deslizavam pelo gelo da Arena Bolshoi. 

    Embora eu tenha crescido assistindo The Mighty Ducks e me lembre muito bem da febre dos Super Patos, o esporte nunca havia inspirado muitas emoções em mim. Naquela manhã, quando eu vi a seleção americana empatar e virar a partida, assim como a Rússia forçar o shootout, isso mudou. Phil Kessel fez a jogada que levou ao gol de empate marcado por Cam Fowler, e eu mal sabia que o Kessel mais velho ainda me traria muitas alegrias enquanto torcedora. 

    Joe Pavelski virou para os americanos, com uma assistência de Patrick Kane, enquanto Datsyuk igualou o placar com seu segundo gol. Depois de um gol anulado pela arbitragem de vídeo, em razão do gol ter sido tirado do lugar, a partida foi para a prorrogação. Como grandes entusiastas de esportes e prorrogações com gol de ouro, eu e meu irmão assistimos àquele overtime com apreensão e um friozinho na barriga. 

    Entretanto, ninguém conseguiu marcar e a equipe foi para o que a narração descreveu como shootout, ou seja, algo semelhante a uma cobrança de pênaltis. Intrigadíssima pelo fato de um mesmo cobrador poder ter várias tentativas, eu assisti a uma performance de gala de TJ Oshie, um então jovem atacante do St. Louis Blues. Os americanos saíram vitoriosos no confronto e se catapultaram para a primeira posição de seu grupo.

    A partir daquele momento eu fiquei completamente obcecada pelo esporte e acompanhei todas as partidas, televisionadas no Brasil ou não. Um momento particularmente memorável foi a gambiarra que eu organizei com meu notebook velho apoiado em um banquinho de madeira, o cabo HDMI e a televisão do meu irmão para conseguir assistir à semifinal entre Canadá e Estados Unidos. Eu provavelmente deveria estar estudando ou fazendo algum trabalho chato sobre Controle de Constitucionalidade? Acredito que sim, mas no final tudo deu certo mesmo assim. 

    Naquele ano também assisti à final feminina com muita empolgação, pois se tratava de uma reedição da rivalidade histórica entre Estados Unidos e Canadá. Com uma atuação de gala de Marie Philip Poulin, eu fiquei extremamente feliz quando as canadenses venceram a partida. Afinal, é sempre mais divertido quando os Estados Unidos perdem. 

    Com o fim da competição eu passei a pesquisar mais sobre o esporte e busquei formas de assistir a NHL. A primeira partida que vi ao vivo foi a da Stadium Series de 2014, do Pittsburgh Penguins contra o Chicago Blackhawks no Soldier Field. Depois de alguns jogos de Sochi, a familiaridade com alguns dos nomes nas duas equipes fez com que eu me interessasse em assistir essa partida em específico. 

    Aquela Stadium Series, juntamente com a comédia romântica “Ela é Demais para Mim” (2010), definiram a minha escolha por um time. Na minha cabeça não havia nada mais hilário do que um time de hockey no gelo que tinha seu nome em homenagem aos pinguins, meus animais favoritos. Sorte a minha, que vi meu time vencer duas Stanley Cups consecutivas em 2016 e 2017. 

    As Olimpíadas de Sochi de 2014 me tornaram uma fã de hockey e mudaram muita coisa na minha vida. Por causa daquela partida eu tive o interesse e a curiosidade de ir ao mundial da International Ice Hockey Federation (IIHF) em Praga e também ver os Capitals logo antes de vencerem a Stanley Cup na incrível atmosfera do Bell Centre, em Montreal. Também pude ver a Stanley Cup ao vivo, além de viver a experiência de sentar no vidro em uma partida profissional dos Baby Penguins, onde também se iniciou meu relacionamento de amor e ódio com Tristan Jarry (que dura até hoje, inclusive). 

    E, finalmente, sem aquele EUA x Rússia eu não teria feito as amizades que o NHeLas me trouxe. Pela primeira vez enquanto torcedora eu me senti de fato acolhida por um grupo de mulheres que buscam sempre apoiar umas às outras e promover a diversidade neste esporte tão branco e hipermasculinizado. No NHeLas fiz amizades que levarei comigo para toda a minha vida, para muito além deste projeto tão especial. Por isso eu não me canso de falar: Спасибо, Сочи e muito obrigada por existirem, Jogos Olímpicos.

  • História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    Bem distante do início da história do hockey no gelo masculino nas Olimpíadas, que aconteceu em 1920, ainda na edição de verão, o hockey no gelo feminino só adentrou a competição em 1998, nas olimpíadas de inverno de Nagano, no Japão.

    Apesar de 24 anos de história ainda não ser muito tempo, as conquistas realizadas pelas atletas no gelo marcaram o esporte. A participação no maior evento esportivo da Terra traz uma visibilidade gigantesca para a qualidade da modalidade e valoriza o trabalho de mulheres incríveis e que até hoje, infelizmente, precisam se auto afirmar constantemente nas arenas e na mídia. 

    A disputa entre os times do Canadá e dos EUA se consagrou durante essas duas décadas. Apenas no ano de 2006 a final não contou com um desses times, quando Canadá disputou o ouro contra a Suécia, levando a melhor por 4-1. O país possui 4 ouros olímpicos, de 6 disputados, os outros dois pertencem aos Estados Unidos.

    https://youtu.be/qBADJx4K5Wk

    Os Estados Unidos ficaram com a medalha de ouro nos anos de 1998, na estreia, e em 2018 na Coreia. 

    A História

    Nagano 1998: o primeiro ouro olímpico 

    Na estreia histórica da modalidade feminina nos Jogos tivemos a primeira edição da grande rivalidade que permearia o hockey internacional nas próximas duas décadas. Em uma competição com seis equipes, os Estados Unidos e o Canadá fizeram uma final que resultou em uma vitória de 3-1 para as americanas, que capturaram o terceiro ouro no esporte para o seu país. Já a batalha pelo bronze ficou com a Finlândia, que venceu a China por 4-1. 

     

    Salt Lake City 2002: o desespero das donas da casa 

    Já nos Jogos de 2002 o hockey feminino olímpico viu o número de seleções aumentar, com a classificação de países como Rússia, Alemanha e Cazaquistão em suas primeiras participações na modalidade. Em uma reedição da final de 1998, as canadenses se vingaram e ganharam o ouro pela primeira vez ao vencerem as americanas por 3-2. O bronze ficou com a Suécia, que venceu a então detentora da medalha, a Finlândia, sua arquirrival nórdica, por 2-1. 

     

    Turim 2006: o milagre sueco

    Mas em 2006, em um desfecho inesperado, a Suécia venceu os Estados Unidos na semifinal durante uma disputa de shootout. Entretanto, a sorte deixou o lado das escandinavas na grande decisão, e o Canadá venceu com facilidade por 4-1. Já o bronze ficou com as americanas, que fizeram 4-0 na Finlândia para completar o conjunto de medalhas olímpicas.

     

    Vancouver 2010: o hockey veio para casa

    Em seguida, em 2010, a estreante da edição foi a Eslováquia, que se classificou pela primeira vez para os Jogos de Inverno. Todavia, a final foi uma reedição dos dois primeiros torneios, com o Canadá vencendo seu terceiro ouro consecutivo por 2-0 contra as americanas. Já o bronze ficou com a Finlândia, que venceu sua grande rival sueca na prorrogação por 3-2. 

     

    A polêmica sobre a competitividade

    Com a clara hegemonia das duas potências do hockey feminino, o Canadá e os Estados Unidos, foi levantada a questão da competitividade do torneio. O então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, insinuou que a existência de duas potências claras no esporte era injusta e que, portanto, a modalidade poderia estar ameaçada. 

     

    Sochi 2014: nasce uma estrela

    Logo, em 2014, a final do torneio foi decidida novamente entre Canadá e Estados Unidos, com as canadenses levando a melhor de novo. Com um gol histórico de Marie-Philip Poulin na prorrogação, as canadenses venceram seu quarto ouro consecutivo. Sochi foram os primeiros Jogos de Poulin, que já era apontada como a grande futura estrela do Canadá. A medalha de bronze foi para a Suíça, que venceu a Suécia por 4-3 em um feito histórico. Com isso, Alina Müller se tornou a jogadora de hockey mais jovem a conquistar uma medalha olímpica, aos 15 anos de idade. 

    Pyeongchang 2018: a doce vingança depois de três derrotas

    Por último, no ano de 2018, pela primeira vez desde o torneio inaugural da modalidade, as americanas venceram o ouro. Ao derrotar as rivais canadenses por 3-2 no shootout, elas conquistaram o segundo ouro olímpico da sua história. Já a medalha de bronze ficou com a Finlândia, que venceu o Comitê Olímpico Russo por 3-2. 

    Pequim 2022

    E a batalha entre as duas grandes nações olímpicas da modalidade promete nesta edição. Os primeiros jogos de hockey no gelo feminino das Olimpíadas de inverno de Pequim 2022 começam dia 3 de fevereiro, com a fase preliminar de grupos. A agenda dos jogos de hockey no gelo feminino pode ser lida no site oficial da IIHF

     

    *Texto escrito por Marina Garcez e Taíssa Lopes

  • Para quem torcer nestas Olimpíadas de Inverno

    Para quem torcer nestas Olimpíadas de Inverno

    Com as Olimpíadas de inverno em Pequim se aproximando, nada melhor do que um quiz para descobrir qual a melhor seleção masculina de hockey para torcer nesta disputa pela medalha de ouro.

    Dentre as opções temos as seleções mais conhecidas e de tradição como Estados Unidos, Canadá, ROC (nome da Rússia nas competições esportivas), Alemanha, Finlândia. E também temos as menos conhecidas que podem mostrar bons jogadores e nos surpreender como Latvia, China, Dinamarca, Suécia.

    Vem descobrir para qual seleção você pode mostrar o seu apoio.

     

  • NHL confirma acordo para participação olímpica dos jogadores em Beijing 2022

    NHL confirma acordo para participação olímpica dos jogadores em Beijing 2022

    Na última sexta-feira (03) a NHL e a NHLPA chegaram a um acordo com a IIHF e o Comitê Olímpico Internacional (COI) que permitirá aos jogadores da NHL participar das Olimpíadas de Inverno de 2022 em Pequim.

    O acordo traz uma cláusula na qual NHL e NHLPA podem se retirar dos jogos se as condições da pandemia de COVID-19 piorarem. Também será possível cancelar sua participação caso a programação da NHL de 2021-22 seja interrompida e a liga precise usar o intervalo olímpico para recuperar jogos. Acredita-se que o prazo para o cancelamento seja no início de janeiro, disseram fontes à ESPN.

    “Nós entendemos a paixão dos jogadores da NHL em representar e competir pelo seu país. Estamos muito satisfeitos por conseguirmos concluir acordos que lhes permitirão retomar a melhor competição no palco Olímpico” disse Bill Daly, comissário adjunto.

    Como parte do acordo, a IIHF e o COI arcarão com todos os custos de viagem e seguro dos jogadores da NHL. Além disso, as entidades também cobrirão a hospedagem dos jogadores, se eles puderem comparecer. Um grande problema nas negociações, no entanto, foi o “seguro COVID”. Enquanto NHL e NHLPA encontraram um provedor, a Federação e o COI não queriam cobrir o seguro adicional. Por esse motivo, caberá a cada jogador individualmente determinar se vai comprar o seguro ou não.

    Como será o intervalo olímpico

    A NHL está programada para interromper os jogos de quinta-feira, 3 de fevereiro, até terça-feira, 22 de fevereiro. O fim de semana All-Star em Las Vegas — começando em 4 de fevereiro — acontecerá independentemente de atletas da NHL participarem das Olimpíadas ou não.

    Todos os jogadores que participarem das Olimpíadas terão obrigatoriamente que se vacinar contra a COVID-19; no entanto, poderá haver isenções muito limitadas caso a caso.

    Em uma reunião de fevereiro de 2020 com a IIHF, a NHL delineou algumas coisas — logotipos e anúncios da NHL apresentados nos jogos olímpicos, a possibilidade de usar vídeos de destaques na NHL Network ou NHL.com — que a liga esperava que ajudasse promover a modalidade.

    No entanto, fontes confirmaram à mídia que a NHL teve a maioria dos seus pedidos negados. O clima mudou desde aquela reunião de fevereiro de 2020; a NHL se separou da parceira de transmissão NBC, que também realiza as Olimpíadas. Além disso, fontes envolvidas nas negociações disseram que a IIHF e o COI sabiam que tinham influência, considerando que os jogadores da NHL têm falado muito sobre seu desejo de retornar às Olimpíadas.

    As equipes olímpicas participantes devem enviar suas “longas listas” de jogadores até 15 de outubro deste ano. As listas provisórias de jogadores escalados serão anunciadas em janeiro. As seleções nacionais não podem hospedar campos de orientação presenciais, mas podem realizar reuniões virtuais antes dos jogos.

    De acordo com fontes, os jogadores estão sendo instruídos a se preparar para protocolos rígidos durante as Olimpíadas. Isso inclui um ambiente de bolha imposto pelo governo chinês, testes diários, restrições significativas em interações e movimentos e a possibilidade de usar dispositivos de localização GPS para auxiliar no rastreamento de contato e garantir a conformidade do protocolo.

    Você pode ler sobre o hockey masculino e feminino nas Olimpíadas de Inverno da última década nos links abaixo.

    Vancouver 2010 | Sochi 2014 | PyeongChang 2018

    Foto: Reprodução/United Press International

  • Gary Bettman comenta sobre desafios do último ano na NHL

    Gary Bettman comenta sobre desafios do último ano na NHL

    Há exatamente um ano, o comissário da NHL, Gary Bettman, anunciou que a liga entraria em pausa por tempo indeterminado em razão do crescente número de casos de COVID-19 na América do Norte. A decisão veio no dia 12 de março de 2020, data que viu também diversas ligas e associações esportivas em todo o planeta cancelar desde jogos decisivos a reuniões e eventos de pré-temporada.

    Este movimento se desencadeou na noite anterior, uma quarta-feira, quando Rudy Gobert (Utah Jazz, NBA) testou positivo para o novo coronavírus. Quase que de imediato, a NBA suspendeu indefinidamente o resto de sua temporada regular. A partida preste a acontecer na liga foi interrompida e milhares de torcedores foram evacuados da arena.

    “Eles instantaneamente entraram em modo de paralisação,” comentou Bettman, em uma coletiva de imprensa na tarde de ontem (11). “Nós não queríamos passar por aquela situação. Não queríamos um prédio cheio de pessoas. Nós queríamos ser um pouco proativos.” Era claro para Bettman que a liga logo também teria que lidar com casos positivos de COVID.

    Naquela mesma noite de 11 de março de 2020, a NHL concluiu suas últimas cinco partidas com as arenas lotadas. Com o avanço do novo vírus nas semanas que antecederam a pausa, a liga já se estruturava para tomar as medidas necessárias para a segurança de seus jogadores, funcionários e fãs. Vimos a limitação do acesso da mídia aos vestiários, e estávamos nos acostumando à ideia de jogos sem torcida em algumas cidades. (Eu mesma ainda tinha planos de ir a um jogo da NBB aqui em São Paulo naquele final de semana – a liga brasileira anunciou no dia seguinte que os próximos jogos aconteceriam com portões fechados).

    Bettman e o comissário adjunto da NHL, Bill Daly, convocaram uma reunião naquela quinta-feira (12) com o Conselho Executivo da liga, e não muitas horas depois foi anunciada a pausa. Desde então, acompanhamos um ano inteiro de decisões e mudanças na NHL, lidando com cada desafio conforme eles aparecem. Ninguém sabia como a situação iria se desenvolver a partir daquele fatídico 12 de março. Até hoje, um ano depois, ainda há incógnitas, não só nos esportes, mas em todos os aspectos de nossas vidas em meio à pandemia.

    “Nosso objetivo e nosso trabalho era conduzir (a situação) da melhor forma possível, entendendo que saúde e segurança precisavam ser a preocupação nº1. Foi nosso foco 365 dias atrás. É nosso foco e prioridade nº1 hoje.” comentou Bettman.

    Eventualmente, a NHL teve sucesso em concluir os playoffs da temporada 2019-20 em suas “cidades-bolha” – e sem registrar casos positivos de COVID-19 nelas –, coroar um novo vencedor da Stanley Cup, realizar um draft virtual, criar diferentes iniciativas e comitês de diversidade e inclusão, negociar uma extensão para o CBA com a NHLPA, dar início a uma nova temporada, realizar jogos ao ar livre, trazer novas parcerias corporativas para a liga e revelar um novo acordo televisivo com a ESPN americana.

    “Mesmo hoje, é quase difícil de acreditar que estamos fazendo isso há um ano. E ainda não acabamos,” Bettman comentou. Ao examinar todos os meses que se passaram desde a pausa na temporada anterior, o comissário exaltou a cooperação com médicos e especialistas. Da mesma forma, mencionou a colaboração com o governo dos estados/províncias e cidades que abrigam cada uma das franquias.

    No início desta temporada reduzida, até o seu segundo mês, a NHL lidou com algumas complicações face ao avanço do vírus. Porém, com novos protocolos e medidas em vigor, parece caminhar para uma situação de maior controle e segurança para todos. Bill Daly ofereceu “bastante crédito” à NHLPA e aos jogadores ao aderir aos novos protocolos necessários. No dia 12 de fevereiro, a lista de jogadores no Protocolo de COVID da liga atingia um pico de 59 pessoas. Um mês depois, eram apenas quatro nomes listados, dentre todas as equipes.

    Ainda com alguns desafio à frente, pouco a pouco, a liga acredita em um retorno a alguma normalidade. “Conforme olhamos adiante, mais da metade de nossos clubes têm fãs nas arenas, em um número limitado,” disse Bettman. “Ao vermos esse número aumentar, contanto que a pandemia coopere e tenhamos mais e mais vacinações, estamos otimistas de que ao irmos em direção aos playoffs, o número de clubes e o número de pessoas continue a crescer. Vamos continuar nos ajustando conforme o necessário para completar a temporada regular e conduzir os playoffs. E nós seguimos otimistas de que possamos estar bem próximos, se não totalmente de volta ao normal para o começo da próxima temporada.”

    Gary Bettman e Bill Daly durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira (captura de tela/NHL.com)

    Mudanças que não vieram para ficar

    A atual temporada 2020-21 começou na metade de janeiro, e teve seu calendário regular reduzido de 82 para 56 jogos. Além do menor número de jogos, a NHL também precisou realinhar suas divisões em razão das restrições de viagem entre Estados Unidos e Canadá.

    Vimos os 31 times se dividirem em quatro novos grupos: Leste, Central, Norte e Oeste. As equipes jogam apenas em sua própria divisão até o segundo round dos playoffs, e isso serviu para reviver algumas antigas rivalidades e também oferecer um produto inédito com os confrontos só entre times canadenses.

    Apesar dos diversos apelos deste formato quase 100% divisional, Bettman esclareceu na coletiva que o realinhamento não deve se estender além dessa temporada. “Nós fizemos o que precisava ser feito se quiséssemos jogar este ano,” disse o comissário da liga. “Nós entendemos o problema da fronteira entre Canadá e Estados Unidos e criamos a Divisão Norte. Poderemos focar mais em confrontos divisionais no futuro, porém eu não tenho certeza se isto se manteria em uma agenda de 82 jogos.

    “Funcionou bem este ano. Eu não vejo isso se propagar. Fãs nos EUA querem ver Connor McDavid, fãs no Canadá gostariam de ver Sidney Crosby,” ele concluiu. Dessa forma, a única mudança que veremos a partir da próxima temporada será a já confirmada ida do Arizona Coyotes para a Divisão Central, deixando uma vaga para a chegada do Seattle Kraken na Divisão Pacífica. 

    Voltando a cruzar fronteiras

    Na coletiva, tanto Bettman quanto Daly não se precipitaram ao falar dos planos para esta pós-temporada. Após as finais de divisão, na segunda rodada dos playoffs, será necessário que o vencedor do Norte enfrente uma das equipes americanas, e ainda não há decisão sobre a melhor forma de realizar estas partidas. 

    Dadas as atuais restrições de viagem e de público em eventos no Canadá, tudo ainda é muito incerto. Por isso, espera-se que até chegar a hora de disputar o terceiro round, haja menos limitações para que os jogos aconteçam. Daly afirmou estar em contato com oficiais do governo canadense para discutir as possibilidades. “A primeira vez que o time canadense teria que viajar para fora do Canadá ou vice-versa, um time dos EUA entrando no Canadá, seria em meados de junho, então temos algum tempo para lidar com isso,” ele disse.

    Após a realização dos jogos do NHL Outdoors em Lake Tahoe no mês passado, a liga também voltou a atenção para a possibilidade de retomar seus eventos especiais na próxima temporada. Entre eles, os jogos na Europa, que não foram possíveis no ano anterior por conta das restrições da COVID-19, tanto na América do Norte quanto no velho continente. Daly disse que “se não pudermos, por qualquer motivo, relançar esses jogos no próximo outono, certamente espero que possamos fazê-lo na temporada seguinte.”

    A NHL e NHLPA também vêm discutindo sobre as condições do retorno aos Jogos Olímpicos de Inverno. A próxima edição do evento está marcada para fevereiro de 2022, em Pequim, na China. “O COI agora está ocupado em termos de finalizar os planos para o que será (Tokyo 2020) e, ainda que eles tenham notado essa questão – o hockey e a potencial participação da NHL e seus jogadores – em seu radar e que eles precisam lidar com isso, ainda não estão em posição de fazê-lo concretamente,” afirmou Daly. Uma vez finalizada a preparação para as Olimpíadas deste ano, o Comitê deve se engajar novamente com a IIHF para retomar as conversas sobre a participação dos NHLers

    Os principais pontos a se acordar entre liga, PA, COI e Federação envolvem algum tipo de seguro e o custo disso para os participantes, além dos custos de viagem e acomodação dos jogadores, suas famílias. Espera-se também que NHL e NHLPA briguem pela obtenção de algum direito de uso de imagem e vídeo dos eventos olímpicos.

    As próximas grandes estrelas

    Bettman e Daly não se prolongaram a falar do NHL Draft deste ano ou das possíveis mudanças no formato da loteria.

    O comissário causou certa polêmica ao afirmar que “não acredita haver tanking na NHL.” Este termo se refere a um mecanismo pelo qual um time realiza uma temporada ruim a fim de terminar entre os últimos colocados e garantir uma escolha alta no draft.

    As mudanças propostas à loteria, e que devem ser votadas pelo Conselho Executivo da NHL em breve, poderiam limitar a até duas as vezes em que um mesmo time receberia uma das primeiras escolhas num período de cinco anos. Além disso, um participante da loteria do draft não poderia subir mais que dez posições na ordem das escolhas. Por fim, no lugar das três primeiras picks, apenas as escolhas 1 e 2 seriam sorteadas entre os times participantes.

    Quanto à data do 2021 NHL Draft, o comissário adjunto Bill Daly afirmou que ainda não há decisão se o evento precisará ser adiado. No entanto, ele acredita que provavelmente continuará marcado para os dias 23 e 24 de julho deste ano.

    O principal argumento para um possível adiamento é o de que muitos jogadores que participariam do draft não puderam competir regularmente este ano. Da mesma forma, não podendo viajar e comparecer a muitos jogos, os scouts não tiveram o mesmo acesso via vídeo para fazer suas avaliações finais. Contudo, mais e mais observamos as principais ligas de hockey funcionando em meio à pandemia, tanto na América do Norte quanto na Europa. Muitos jogadores puderam encontrar times em atividade para jogar e continuar seu desenvolvimento. Daly afirmou que “é certamente uma situação imperfeita, mas nós vimos lidando com situações imperfeitas.”

    Assim como muitos se mantêm otimistas quanto à volta à normalidade (dependendo do país em que você vive), autoridades da NHL acreditam que não só os eventos planejados num futuro próximo devam ocorrer sem maiores complicações, mas também a próxima temporada já deve se parecer muito mais com o que estávamos acostumados. Ainda, os preparativos para times como o New York Islanders e o Seattle Kraken também estão em dia para abrir a próxima temporada em suas novas arenas.

    O plano, segundo Bettman, é retomar o calendário de 82 jogos a partir de outubro deste ano, para abrir a temporada 2021-22. “Estamos esperançosos, estamos planejando, estamos otimistas, e acreditamos sermos capazes de começar a próxima temporada em dia.

    “Há uma luz no fim do túnel, mas essa não é a hora de baixar nossa guarda ou reduzir nossa vigilância.”

    Foto: Reprodução/milehighhockey.com

  • Um ano para Beijing 2022

    Um ano para Beijing 2022

    Estamos a menos de 365 dias das Olimpíadas de Inverno de 2022. Os jogos acontecerão em Pequim (ou Beijing), na China, durante os dias 4 e 20 de fevereiro do próximo ano.

    Assim como o evento olímpico “tradicional”, ou de verão, a competição de inverno acontece a cada 4 anos e nela são disputados desportos de gelo e neve, como patinação no gelo, curling, esqui e nosso querido hockey no gelo, dentre outros.

    O torneio masculino de hockey contará com 12 países, enquanto o feminino contará com 10, pela primeira vez na história. 

    Como muitos devem lembrar, Pequim sediou os Jogos de Verão em 2008 e por isso será a primeira cidade a sediar ambas as Olimpíadas. Além disso, Beijing 2022 serão os jogos olímpicos mais equilibrados em gênero até hoje, contando com mais de 45% de atletas mulheres.

    O evento acontecerá em três cidades da China, Pequim, Yanqing (distrito de Pequim) e Zhangjiakou, e no estilo chinês de inovação o país anunciou um trem bala, que atinge 385 km/h, para ligar Pequim a Zhangjiakou em 50 minutos, e Pequim a Yanqing em apenas 20 minutos.

    Mas os jogos que estaremos prestando mais atenção acontecerão na capital. Isso porque Pequim receberá desportos de gelo como curling e patinação, além do hockey, e quatro eventos de neve, snowboard big air e esqui estilo livre big air, feminino e masculino. Assim, reaproveitando os espaços construídos para o evento de 2008 e respeitando os acordos da Agenda Olímpica de 2020.

    Os jogos de hockey acontecerão no Estádio Nacional, onde em 2008 foram realizadas as competições de handebol e ginástica, e no Centro Esportivo de Wukesong, onde foi realizado o torneio de Basquete. 

    A competição masculina

    O torneio masculino de hockey no gelo terá o mesmo formato dos anos anteriores, com três grupos com quatro times cada. Os quatro melhores times do ranking dos 12 (vencedores e segundo lugar de cada grupo) avançarão para as quartas de final, enquanto as outras equipes participarão de jogos qualificatórios de playoff.

    Vale lembrar que a NHL e NHLPA entraram em acordo na metade do ano passado para permitir que os jogadores participem e representem seus países em Beijing 2022. A última edição dos Jogos que contou com a participação de NHLers foi Sochi 2014.

    A seleção das nações vem acontecendo desde 2019, com oito times se qualificando através do ranking mundial masculino de 2019 da IIHF, além do país sede que recebe automaticamente uma vaga. 

    Até o momento, estas são as nações que compõem os Grupos A, B e C para a competição: 

    A: Canadá (1), EUA (6), Alemanha (7), China (12).

    B: Rússia (2), República Tcheca (5), Suíça (8), Qualificado 3 (11).

    C: Finlândia (3), Suécia (4), Qualificado 1 (9), Qualificado 2 (10).

    As qualificatórias finais estão agendadas para acontecer entre os dias 26 a 29 de agosto de 2021. Estavam antes agendadas para 2020, mas devido à pandemia o calendário precisou sofrer modificações. Dessa forma, os seguintes países irão disputar as vagas restantes na Noruega, Letônia e Eslováquia. 

    • Eslováquia, Belarus, Áustria, Polônia; disputado em Bratislava, Eslováquia.
    • Letônia, França, Itália e Hungria; disputado em Riga, Letônia.
    • Noruega, Dinamarca, Coreia, Eslovênia; disputado Noruega, a cidade ainda será anunciada.

    A competição feminina

    Por outro lado, a competição feminina do esporte teve 6 times, além da China, escolhidos pelo ranking de 2020 da Federação. Enquanto isso, as qualificatórias finais acontecem no segundo semestre deste ano.

    O formato do torneio será o mesmo utilizado na Copa do Mundo Feminina de Hockey no Gelo de 2021 da IIHF, com dois grupos de cinco times cada. Avançando para as quartas de final os cinco times do Grupo A e os três times no topo do ranking do Grupo B. 

    Até agora, os times e grupos femininos são:

    Grupo A: EUA (1), Canadá (2), Finlândia (3), Rússia (4), Suíça (5).

    Grupo B: Japão (6), Qualificado 1 (7), Qualificado 2 (8), Qualificado 3 (9), China (10).

    A rodada pré-qualificatória acontecerá em agosto, em Reykjavik, na Islândia. Ela trará as equipes da Islândia, Hong Kong, Bulgária e Lituânia. O vencedor da rodada será o “Qualificado 8” na rodada 2 que acontece em outubro, e traz os países: 

    • Coreia, Reino Unido, Eslovênia e Qualificado 8; disputado em Gangneung, Coréia.
    • Itália, Cazaquistão, Espanha e Taipei Chinesa; disputado em Torre Pellice, Itália.
    • Holanda, Polônia, México e Turquia.; disputado em Gdansk, Polônia.  

    Dessa rodada sairão os Qualificados 4, 5 e 6 das Qualificatórias Finais, que acontecerão em novembro de 2021. Nela os países concorrentes são: 

    • República Tcheca, Hungria, Noruega e Qualificado 6; disputado em Pribram, República Tcheca.
    • Alemanha, Dinamarca, Áustria, Qualificado 5; disputado em Fussen, Alemanha.
    • Suécia, França, Eslováquia, Qualificado 4; disputado na Suécia, a cidade ainda será anunciada.

    É finalmente dessa rodada que saem os Qualificados 1, 2 e 3, que farão parte do Grupo B na competição do ano que vem. 

    O mascote 

    O panda, Bing Dwen Dwen, é o mascote da vez e receberá as equipes em meio às festividades chinesas de Ano Novo, que no país acontecem no mês de fevereiro e trazem dias de comemoração. Certamente será um evento com bastante cultura e celebração.

    O mascote Bing Dwen Dwen é um Panda Gigante em um traje de gelo

    Mal podemos esperar para torcer por nossos jogadores e times preferidos.

    Foto: Reprodução/Agência Olímpica

  • Olímpiadas de Inverno em PyeongChang

    Olímpiadas de Inverno em PyeongChang

    As Olimpíadas de Inverno de PyeongChang 2018 trouxeram para o hockey uma chance de mostrar ao mundo que o esporte não vive apenas de NHL. Isso porque os jogadores da liga estavam proibidos de ir aos Jogos defender as bandeiras de seus países.

    Dessa vez, a Coreia do Sul sediou o evento, mais precisamente na cidade de Pyeongchang. Os Jogos aconteceram em fevereiro, começando no dia 9 de fevereiro e terminando dia 25. 

    O escândalo de doping que veio a tona em 2017 afetou a participação da Rússia nas competições, já que, como punição, o Comitê Olímpico Russo foi banido de qualquer participação nas Olimpíadas de Inverno de 2018.

    Contudo, houve outra forma dos atletas russos competirem nos eventos. Assim, aqueles sem violações anteriores de drogas e com um histórico consistente de testes poderiam competir, sob uma bandeira neutra e denominado como “Atleta Olímpicos da Rússia” (Olympic Athlete from Russia, ou OAR, em inglês).

    Segundo os termos do edital do COI (Comitê Olímpico Internacional) nenhum funcionário do governo russo poderia participar dos Jogos. Da mesma forma, a utilização da bandeira russa e execução do hino nacional russo também estavam banidos. No lugar, a bandeira olímpica e o hino olímpico deveriam ser usados quando atletas russos chegassem ao pódio.

    Mesmo com toda essa adversidade, além da pressão criada pelos rigorosos exames antidoping, os russos conseguiram faturar a medalha de ouro no hockey no gelo maculino em 2018. Por outro lado, a modalidade feminina se tornou uma das competições mais acirradas daquele Jogos Olímpicos.

    Isso porque, diferentemente do masculino, em que a Rússia demonstrou hegemonia no gelo, as seleções do Canadá e Estados Unidos disputaram jogo a jogo quem subiria no lugar mais alto do pódio. Neste texto do especial 10 for 10, relembramos como foram as Olímpiadas de Inverno 2018 nas modalidades masculina e feminina do hockey no gelo. 

    Cerimônia de abertura

    O Estádio Olímpico de Pyeongchang, construído especificamente para os Jogos, foi escolhido para hospedar a cerimônia de abertura das Olímpiadas de Inverno 2018, recebendo atletas do mundo inteiro e acomodando 35.000 pessoas. Os organizadores do evento disseram que a forma pentagonal do Estádio foi escolhida através de uma combinação de formas diferentes, com um círculo, um quadrado e um triângulo, que representam o céu, a terra e a humanidade.

    O curioso sobre o Estádio de Pyeongchang é que ele não foi planejado para competições, nem olímpicas nem paraolímpicas, mas sim apenas para realizar a cerimônia de abertura. Dessa forma, o local foi demolido depois da cerimônia. 

    A principal mensagem da cerimônia foi sobre a paz, paixão, harmonia e convergência. Cinco crianças da província rural de Gangwon participaram da cerimônia, que incluiu um Inmyeonjo (uma criatura mítica com corpo de pássaro e cabeça de humano, criatura que só aparece quando o mundo está em paz). Além disso, a cerimônia contou com outras quatro criaturas míticas, incluindo um tigre branco – protetor animal do espírito da Coreia.

    Modalidade Feminina

    Foto: Reprodução / cbssports.com

    Em 2018, a modalidade feminina foi marcada por duas pequenas mudanças no quadro de países participantes: a primeira com a seleção sul-coreana, que automaticamente se classificou por ser a anfitriã, e teve um pequeno acréscimo no seu quadro de jogadoras. Isso porque a seleção norte-coreana teve autorização para participar juntamente da seleção anfitriã, trazendo pela primeira vez uma seleção unificada das Coreias

    Desta maneira, a seleção coreana expandiu para 35 jogadoras, com 22 participando de cada jogo e três jogadoras norte-coreanas sendo selecionadas pela treinadora. Ao todo, foram 12 jogadoras norte-coreanas se revezando nos jogos. 

    A outra mudança foi a da seleção russa, que, como na modalidade masculina, as atletas não puderam assumir a sua bandeira. Assim o campeonato seguiu o formato padrão de oito equipes divididas em dois grupos. No grupo A, as seleções do Canadá, Estados Unidos da América, Finlândia e Atletas Olímpicos da Rússia. Já o grupo B foi composto pela Coreia, Japão, Suécia e Suíça. 

    Sem nenhuma surpresa e com a já conhecida rivalidade, Estados Unidos e Canadá foram as primeiras equipes a se classificar para as semifinais ainda na fase preliminar, criando assim uma expectativa para o público.

    Por outro lado, as seleções da Coreia e do Japão disseram adeus a competição, deixando para Finlândia, OAR, Suécia e Suíça competirem entre si durante as quartas de final. 

    Avançando para as semifinais, os times norte-americanos fizeram um espetáculo no gelo, desta vez contra as equipes da Finlândia e dos Atletas Olímpicos da Rússia. Em somente um jogo cada, ambas as partidas terminaram em 5 a 0, gerando muita expectativa para o clássico feminino Canadá e EUA que se enfrentaria na final. A disputa de bronze ficou para ser disputada entre Finlândia e OAR.

    A Final Feminina

    A decisão aconteceu no dia 22 de fevereiro. Com nomes já conhecidos pelo público, ambas as seleções chegaram prontas para levar a tão desejada medalha de ouro para casa. 

    Numa briga acirrada, todo mundo queria ser o primeiro a balançar a rede, e foi a atacante Hilary Knight que o fez, no final do primeiro período. Com assistência de Brianna Decker e Sidney Morin, a seleção estadunidense estabeleceu a primeira vantagem na partida.

    Infelizmente para elas, Haley Lyn Irwin e Blayre Turnbull não deixaram que o jogo fosse tão fácil assim e empataram o placar logo no início do segundo período. Em seguida, Marie-Philip Poulin aumentou a vantagem para o lado canadense, com uma ajuda de Meghan Agosta e Melodie Daoust. 

    Entretanto, a final olímpica entre duas potências do hockey não estava definida ainda. Ao final do terceiro período, Monique Lamoureux, com uma assistência da atacante Kelly Pannek, balançou a rede canadense e empatou a partida garantindo mais tempo para a seleção dos EUA. 

    Sem outra alternativa, o jogo acabou indo para overtime, que finalizou sem nenhum gol e, portanto, a partida seguiu empatada. Dessa forma, apenas com os pênaltis que foi possível decidir quem levaria a medalha de ouro para casa. Foi assim que a outra metade da dupla Lamoureux, a atacante Jocelyne, balançou a rede e marcou o gol final que garantiria a vitória para a seleção dos Estados Unidos. 

    Modalidade Masculina

    Foto: Reprodução / Harry How

    Em três de abril de 2017, a NHL anunciou que seus jogadores não estariam disponíveis para atuar nas Olímpiadas de Inverno 2018. Esta foi a primeira vez desde 1998 que os jogadores da liga ficaram proibidos de participar do torneio olímpico masculino de hockey no gelo.

    Isso aconteceu devido a uma discordância entre a NHL, a Federação Internacional de Hockey no Gelo (IIHF) e o IOC sobre qual órgão seria responsável por cobrir o custo de indenizar os jogadores da NHL que participassem dos Jogos.

    Embora o COI tenha pago os jogadores da NHL nas Olimpíadas de 2014 em Sochi, com um custo de 14 milhões de dólares, a comissão não estava disposta a fazê-lo novamente em PyeongChang 2018, devido a preocupações de que isso abriria um precedente e outras organizações esportivas profissionais poderiam esperar um tratamento semelhante.

    Contudo, Ilya Kovalchuk, que na época jogava no SKA Saint Petersburg (KHL), pôde participar. Kovalchuk foi draftado pelo Atlanta Trashers e havia passado por diversos times na NHL, tendo realizado seu retorno à liga após os Jogos.

    Nikita Gusev, Kiril Kaprizov, Igor Shestyorkin, Ilya Sorokin são alguns jogadores que atualmente estão na NHL e que ganharam a medalha de ouro em 2018. 

    No total, doze países se classificaram para o torneio; oito deles automaticamente pela classificação no mais alto nível das competições da IIHF (Canadá, Rússia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, República Tcheca, Suíça e Eslováquia). A Coreia do Sul qualificou-se automaticamente como anfitriã, enquanto os outros três países (Eslovênia, Alemanha e Noruega) participaram de um mini-torneio em que puderam garantir suas vagas.

    Os russos não ganhava uma medalha de ouro no hockey desde 1992. Vale ressaltar que naquela ocasião, o país também não conquistou o ouro como a seleção russa. Isso porque, na época, a recém-separação da União Soviética proporcionou que os seis Estados (Federação Russa, Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e o Uzbequistão) competissem como uma Equipe Unificada.

    No caminho até a final, os Atletas Olímpicos da Rússia tiveram de enfrentar a Eslovênia, a Eslováquia e os Estados Unidos nas rodadas preliminares. Com 6 pontos conquistados, a equipe já estava classificada as quartas-de-final, onde enfrentou a Noruega.

    A equipe passou com facilidade pela Noruega, com gols de Mikhail Grigorenko, Nikita Gusev, Slava Voynov, Sergey Kalinin, Nikita Nesterov e Ivan Telegin. O único gol que a equipe norueguesa fez foi de autoria de Alexander Bonsaksen. Do outro lado, a Alemanha eliminou a Suécia em um jogo emocionante de OT.

    As semifinais então ficaram entre OAR e a República Checa, e Alemanha contra o Canadá. Os russos levaram a melhor, ganhando de 3-0.

    Em outro jogo emocionante, resolvido na prorrogação, a Alemanha eliminou a seleção do Canadá. Assim, foi a primeira vez desde a reunificação da Alemanha que eles chegavam a uma final olímpica. Na época, o Canadá sofrer a eliminação para a Alemanha foi algo inesperado, já que era considerado favorito ao título, mesmo sem os jogadores de elite da NHL.

    Na semifinal, a seleção canadense saiu perdendo por 4-1, porém, conseguiu deixar o jogo 3-4, com alguma esperança da vitória. Contudo, a equipe Alemã foi superior no jogo e conseguiu conquistar a vaga na final contra os Atletas Olímpicos da Rússia.

    A decisão

    A final aconteceu no dia 25 de fevereiro. Os russos eram os favoritos devido ao seu grande elenco composto por jogadores da KHL, e de alguns veteranos da NHL. Porém, não se podia subestimar a Alemanha, afinal, eles eliminaram outras potências do hockey, como o Canadá.

    Quem abriu o placar do jogo foi Slava Voynov, com assistência de Nikita Gusev (New Jersey Devils). Contudo, Felix Schutz não deixaria assim por muito tempo e marcou após 10 minutos do segundo período, empatando a partida.

    Gusev fez o segundo gol da equipe, e o seu primeiro na partida. Com assistência de Kiril Kaprizov (Minnesota Wild), o placar ficou 2-1. Todavia, os alemães não desistiriam tão fácil. Assim, o gol de empate foi feito por Dominik Kahun (Buffalo Sabres).

    Jonas Muller marcou o gol da virada da Alemanha, e então, o jogo estava 3-2 para os alemães. Novamente, Gusev marcou, empatando a partida que eventualmente foi para overtime.

    Enfim, Kirill Kaprizov foi quem marcou o gol de vitória na prorrogação para os russos. Esta se tornou uma partida histórica, já que a equipe teve de sair de um déficit de 2 gols para enfim levar a medalha. Gusev acabou o torneio como o jogador com mais pontos (12, 4 gols e 8 assistências). As formas com que as duas equipes jogavam, com muita intensidade, também contribuiu para a emoção dessa final.

    Recentemente, em um novo CBA, a NHL voltou a permitir a participação de seus jogadores, visando os Jogod de Inverno de Beijing 2022 e Milano Cortina 2026. Contudo, por conta do banimento que agora perdura até 2023, provavelmente veremos os jogadores da Rússia novamente com outro nome.

    No entanto, isso não diminuirá a habilidade e talento dos atletas russos possuem, visto o desempenho mostrado em 2018. Muitos jogadores que antes atuavam na KHL agora atuam na NHL, e quem sabe, eles possam sonhar com um bicampeonato em 2022.

    Foto: Reprodução / russiabeyond.com

  • Dobradinha canadense em Sochi 2014

    Dobradinha canadense em Sochi 2014

    O ano de 2014 chegou e, junto com ele, as Olimpíadas de Inverno. Desta vez, o país sede foi a Rússia, mais precisamente em Sochi. Como de costume os Jogos de Inverno aconteceram em fevereiro, e essas Olimpíadas ficaram marcadas, não somente por ter sido a última em que jogadores da NHL puderam participar, como também pelo escândalo de doping que traria consequências anos depois. 

    Escolhida como sede em 2007, as Olimpíadas na Rússia foram a mais cara já realizada. O país estourou o orçamento original de 12 bilhões de dólares em mais de quatro vezes, somando 51 bilhões de dólares gastos na preparação e realização do evento. Em uma das edições mais memoráveis dos Jogos Olímpicos de Inverno, acredita-se que bateram recorde de transmissão ao alcançar um público de 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo. 

    Ao todo, foram 98 competições, divididas em 15 modalidades de 7 esportes. Um total de 88 países participantes e 2.871 atletas. Dessa forma, o número de pessoas envolvidas na realização dos jogos fez com que o evento se tornasse a maior edição das Olimpíadas de Inverno até aquele ano. 

    O país anfitrião foi o campeão de medalhas. A Rússia conquistou ao todo 29 medalhas, destas 11 de ouro, nove de prata e nove de bronze. Em seguida ficou a Noruega com 26 medalhas, e o Canadá em terceiro lugar, com 25 medalhas.

    Entretanto o que não esperávamos é que um ano depois viria a público um enorme escândalo de doping protagonizado pela Rússia.

    Pouco após as Olimpíadas, surgiram boatos de adulteração de exames pelo país sede. Em 2015 esse boato foi confirmado através um relatório que alegava manipulação por parte do país nos exames de seus atletas. Com isso, se iniciou uma investigação que resultou com o Comitê Olímpico Internacional punindo o país e desclassificando o mesmo em diversas modalidades.

    A Rússia perdeu diversas medalhas em vários eventos, e está banida de participar de competições internacionais e sediar eventos internacionais até 2023. Entre estas medalhas, 13 são das Olimpíadas de 2014 e, por isso a Rússia saiu do top-3 e os Estados Unidos subiu para terceiro lugar com 9 medalhas de ouro. 

    Cerimônia de Abertura

    A cerimônia de abertura aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2014, no estádio Fisht Olympic, construído especialmente para a cerimônia. Com um público de 40 mil pessoas, o evento contou com aproximadamente duas mil celebridades. Em uma pré-cerimônia, a dupla t.A.T.u e o coral Ministry of Internal Affairs se apresentaram dando início aos eventos. 

    A apresentação utilizou o alfabeto russo,  apresentando ao público mundial as letras do idioma e o mesmo era ligado a referências de grandes nomes russos e pontos turísticos. O hino nacional foi cantando por um coral de 240 voluntários usando roupas que tinham como referência as cores da bandeira russa.

    Com vários elementos da cultura russa, incluindo performances baseadas em livros russos, a cerimônia contou com diversas homenagens e, em seguida, o presidente Vladimir Putin declarou o início dos jogos.   

    Vladislav Tretiak, ex-goleiro da seleção russa. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    A bandeira dos jogos foi entregue por oito porta-bandeiras e o hino dos jogos olímpicos foi cantando em russo pela cantora de ópera Anna Netrebko.

    A famosa tenista Maria Sharapova foi a responsável por levar a tocha olímpica ao estádio. Para a corrida final, um ex-jogador de hockey foi o responsável em levar a tocha para acender o caldeirão olímpico. Desta vez, o escolhido foi o ex-goleiro da seleção Vladislav Tretiak, atual presidente da Federação Russa de Hockey no Gelo. 

    Modalidade Feminina 

    A competição feminina daquele ano entrou pra história da modalidade quando, pela primeira vez, a final precisou ir para overtime. Novamente, as seleções foram divididas em dois grupos de quatro equipes. Canadá, EUA, Suíça e Finlândia ficaram no grupo A, enquanto o grupo B era composto pelas equipes da Rússia, Suécia, Alemanha e Japão. 

    Seleção feminina canadense com a sua medalha de ouro. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Para as seleções norte americanas, foi um replay das Olimpíadas de 2010. Ambas as seleções rivais declaradas corriam atrás do ouro. O Canadá queria sua quarta medalha consecutiva enquanto os EUA queriam sua primeira medalha de ouro olímpica desde 1998.

    Com jogadoras já conhecidas pelo público, ambas as seleções ganharam com uma boa margem de gols de seus adversários na primeira fase. Com jogadoras como Hilary Knight, Alex Carpenter, Brianna Decker e Kendall Coyne Schofield, a seleção dos EUA marcou 14 gols em apenas três jogos. A seleção canadense marcou 11 gols em três jogos com alguns deles sendo pelas estrelas Marie-Philip Poulin, Hayley Wickenheiser, Meghan Agosta-Marciano e Rebecca Johnston. 

    A final, novamente o clássico entre EUA e Canadá, foi acirrada. Para completar o cenário, o Canadá ainda não sabia, mas iria ver novamente Poulin brilhar no gelo.

    Em uma partida mais tensa que a final de 2010, ambos os times brigavam pela tão desejada medalha. A seleção dos EUA saiu na frente com um gol de Meghan Duggan, abrindo o placar no segundo período. Este foi seguido de um gol da central Carpenter, que deixou o placar 2 a 0.

    Entretanto, a seleção canadense não desistiu e no final do terceiro período conseguiu marcar dois gols: o primeiro de Brianne Jenner e o segundo de Poulin.

    O empate não deu outra alternativa a não ser um overtime. Foi quando Marie-Philip impressionou a torcida e brilhou outra vez. A responsável pelo gol da vitória da Olimpíada anterior mostrou por que estava ali e marcou novamente o gol dae ouro para a sua seleção.

    Assim a equipe feminina do Canadá se consagrou com a quarta medalha olímpica de ouro.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe canadense também viu um replay do último torneio, para a equipe do EUA não se pode dizer o mesmo.

    A quantidade de equipe e grupos seguiu o padrão do evento anterior, três grupo com quatro seleções cada, totalizando 12 países. Equipes como a do Canadá e do EUA eram compostas 100% por jogadores da NHL, enquanto a seleção da Suécia, que conquistou a prata, tinha somente um jogador que não pertencia a Liga norte-americana. 

    Com nomes como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr e Mats Zuccarello, o gelo olímpico estava bem recheado de estrelas.

    O evento também contou com jogadores que apesar de não estarem na Liga na época, já tinham brilhado e um dia voltariam a brilhar, como Alexander Radulov e Ilya Kovalchuk.

    Com pelo menos 50% de jogadores da NHL, as seleções da Rússia, Eslováquia, Finlândia, República Tcheca e Suíça também tinha equipes bem representadas e deram duro fazendo o que sabem melhor: dar um show no gelo.

    Infelizmente para estas seleções, mesmo com tantas estrelas, a disputa foi forte.

    As seleções de Noruega, Áustria, Eslováquia e Suíça não conseguiram se classificar para a fase final. Com a disputa ainda mais acirrada para as equipes restantes, os jogadores tiveram que redobrar o esforço, o que não foi suficiente para que Eslovênia, Letônia, República Tcheca e a anfitriã Rússia continuassem na disputa das semifinais.   

    Suécia e Canadá venceram nas semifinais e foram para a grande partida em busca do ouro, enquanto a seleção dos EUA e da Finlândia disputavam a medalha de bronze.

    Para a Finlândia, foi a oportunidade perfeita para mostrar seu valor, e o time conquistou o terceiro lugar no torneio com uma vitória por 5 a 0.

    Partida final entre as seleções do Canadá e da Suécia. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Na final, mais uma vez ficou claro por que o Canadá é chamado de país do hockey.

    Com Carey Price na rede e gols dos atacantes Jonathan Toews, Chris Kunitz e do capitão Sidney Crosby, a seleção norte-americana deu um show e garantiu sua nona medalha de ouro olímpica, e a quarta conquista seguida.

    O jogador finlandês Teemu Selanne foi eleito MVP do torneio, enquanto Price ganhou como melhor goleiro, Phil Kessel, melhor atacante e Erik Karlsson, melhor defensor.

    Essa foi a última vez que os fãs puderam assistir a jogadores da NHL brilharem nas Olimpíadas de Inverno. A Liga baniu a participação de seus atletas no último evento, em PyeongChang 2018, e ainda não há um acordo sobre a próxima edição.

    Já na modalidade feminina, muitas das jogadoras continuam na ativa e é possível vê-las brilhar no gelo tanto nas Ligas Europeias quanto na NWHL e na PWHPA, a Associação com a qual as jogadoras viajam a América do Norte promovendo o esporte.   

    Foto: Reprodução/olympic.org 

  • Canadá recebe as Olimpíadas de Inverno 2010

    Canadá recebe as Olimpíadas de Inverno 2010

    O ano de 2010 trouxe ao Canadá, mais precisamente a Vancouver, os tão esperados Jogos Olimpícos de Inverno. Naquele ano, o Canadá bateu recorde de medalhas de ouro como país sede, se tornando assim, o ano dos esportistas canadenses. Para o hockey, a competição foi lendária, afinal, foi a penúltima vez em que os jogadores da NHL participaram de uma Olimpíada. 

    Essa não foi somente a primeira vez que Vancouver sediou as Olimpíadas, mas também a primeira vez que um país participante da NHL foi sede dos Jogos desde a liberação dos jogadores para o evento em 1998. As expectativas eram altas. Foram 16 dias de evento com 15 modalidades em sete esportes. Ao todo, 2.622 atletas de 82 países.

    No hockey, oito equipes femininas e 12 equipes masculinas, entre estes os jogadores que tanto amamos ver na TV. No total eram 141 jogadores da NHL, incluindo nomes como Sidney Crosby, Alex Ovechkin e Joe Pavelski.  

    Apesar de já ter sediado o evento em outras duas ocasiões anteriores, foi a primeira vez em que o Canadá conquistou o ouro em casa. Das 14 medalhas conquistadas pelo país, duas foram pelas equipes feminina e masculina de hockey. Curiosamente, os dois pódios ficaram iguais, pois, além de ambas as equipes canadenses conquistarem o ouro, as pratas ficaram com a equipe dos EUA e os bronzes com a Finlândia.

    Não é surpresa para ninguém que o hockey é um esporte de extrema importância para o público canadense, exemplo disso foi a final da modalidade masculina que foi marcada para finalizar o evento. Como se precisássemos de prova, a competição final das olimpíadas foi uma das mais assistidas pelo público norte-americano. Estima-se que 26,5 milhões de cidadãos canadenses assistiram ao menos uma parte do jogo final entre Canadá e EUA. A NBC Americana afirma que cerca de 27,6 milhões de pessoas assistiram à final, o maior público já documentado desde o “Milagre no Gelo” em 1980.  

    Cerimônia de Abertura

    Apesar da cerimônia de abertura ser um evento de alegria, naquele ano as coisas foram um pouco diferentes. Isso aconteceu porque o atleta de 21 anos da Geórgia, o luger Nodar Kumaritashvili, sofreu um acidente fatal enquanto treinava, poucas horas antes da cerimônia. Com isso, o evento foi dedicado à morte do jovem e os outros atletas da Georgia só participaram do desfile de delegações.

    A cerimônia contou com homenagens à cultura canadense e a participação dos cantores Nelly Furtado e Bryan Adams, que cantaram uma música feita exclusivamente para os jogos. Dando visibilidade aos pontos fortes do país, o hockey foi representado por patinadores in line que simulavam estar no gelo. O jogador Bobby Orr foi um dos convidados a ajudar a levar a bandeira olímpica para a Guarda Montada Canadense.  

    A jogadora Hayley Wickenheiser foi convidada para ler o juramento do atleta em nome de todos que iriam participar dos jogos, enquanto o lendário Wayne Gretzky foi convidado não somente para acender a tocha olímpica, como também uma segunda pira olímpica fora do estádio. A corrida realizada pelo ex-jogador era para ser uma surpresa para o público, porém horas antes a notícia vazou e o mesmo acabou fazendo a corrida acompanhado por fãs.   

    Wayne Gretzky com a tocha olimpica (Foto: Reprodução / olympic.org)

    Essa foi a segunda corrida feita por Gretzky. A primeira foi durante o revezamento da tocha que acontece antes dos jogos. O revezamento também contou com a participação de Sidney Crosby, Cassie Campbell, Mike Fisher, Vicky Sunohara, Brian Burke, Gordie Howe, Pat Quinn, Donald Gauf, Billy Dawe, Shannon Szabados, Meaghan Mikkelson, Mark Recchi, Trevor Linden, Stan Smyl, Richard Brodeur e Walter Gretzky, pai de Wayne Gretzky. 

    Modalidade Feminina

    A competição feminidade foi separada em dois grupos com quatro equipes cada. As seleções do Canadá, EUA, Suécia, Suíça, Eslováquia, Finlândia, Rússia e China deram um show no gelo. Com nomes já conhecidos pelo público, as expectativas para quem ficaria com o ouro eram grandes. A equipe canadense já contava com duas medalhas de ouro em Olimpíadas, não somente isso, eles contavam com Hayley Wickenheiser, líder de pontuação e MVP das Olimpíadas de 2006. A jogadora, que possui uma carreira estelar, menos de dez anos depois foi homenageada e entrou para o Hockey Hall of Fame com a turma de 2019.

    Enquanto isso, os EUA vinham de uma medalha de bronze quatro anos antes, porém com desejo de mudar isso. Naquele ano estrearam algumas jogadoras que hoje são conhecidas pelo público. A estrela da seleção atual, Hilary Knight fez a sua primeira aparição, aos 20 anos, sendo a mais jovem da equipe em 2010. Outra novidade foram as gêmeas Jocelyne e Monique Lamoureux; pela primeira vez gêmeos jogaram hockey juntos nos Jogos Olímpicos.

    As duas seleções deram um show durante a primeira fase, com o Canadá marcando 41 gols (18 deles em apenas uma partida contra a Eslováquia), enquanto a equipe dos EUA marcou 31 gols. As duas equipes com certeza estavam ali para ganhar.

    Na segunda fase, ambas voltaram a fazer bonito. O Canadá jogou contra a Finlândia na semifinal, e ganhou por 5 a 0. Já os EUA jogaram contra a Suécia e ganhou por 9 a 1. Assim as duas rivais avançaram para a final. Numa partida acirrada em que ambas as equipes deram um show, com dois gols marcados por Marie-Philip Poulin, o Canadá se tornou campeão pela terceira vez seguida.

    Seleção Canadense posa com a medalha de ouro ( Foto: Reprodução / inapcache.boston.com)

    Em seus gols, Poulin contou com a assistência de duas jogadoras, Meghan Agosta e Jennifer Botterill, atualmente já aposentada. Por outro lado Meghan e Marie-Philip continuam na ativa e ainda foram parte do All-Star Weekend 2020.

    Este ano, com o desafio exclusivo das mulheres, o Elite Women’s 3-on-3, algumas das jogadoras que brilharam durante as Olimpíadas puderam brilhar novamente e desta vez no palco da NHL. As canadenses Meghan Agosta e Shannon Szabados ganharam o prêmio Directorate Award, Shannon como melhor goleira e Agosta como melhor atacante, além de ter sido nomeada MVP. Enquanto a americana Molly Engstrom ganhou como melhor defensora.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe feminina no Canadá ainda estava em seu início de medalhas, a equipe masculina já tem outra história. Eles já tinham conquistado 7 medalhas de ouro e estavam caminhando para a oitava. Por outro lado, a equipe dos EUA só possuía duas medalhas de ouro e sete de prata. Curiosamente, nenhuma das equipes conseguiu passar das quartas de final nas Olimpíadas de 2006. Em Vancouver, as seleções foram divididas em três grupos com quatro equipes cada.

    As equipes do Canadá e EUA eram composta 100% por jogadores da NHL. Enquanto isso, as equipes da Rússia, Eslováquia, República Tcheca, Suécia e Finlândia eram composta de cerca de 50% jogadores da Liga. Infelizmente isso não foi o suficiente e a maioria delas não passou das quartas de final. Desta forma, Canadá, EUA, Finlândia e Eslováquia compuseram os confrontos das semifinais, com um hockey para ninguém por defeito.

    As equipes norte americanas ficaram empatadas em gols marcados na primeira fase, cada uma com 14. A equipe da Eslováquia marcou 9 e a finlandesa 10 gols. Na final, a disputa foi intensa. A equipe americana queria a todo custo conquistar o ouro, porém os canadenses queriam seguir os passos do time feminino e também vencer em casa.

    Em uma partida acirrada, os jogadores Jonathan Toews e Corey Perry foram os primeiros a balançar a rede para o Canadá. Em seguida foi a vez de Ryan Kesler e Zach Parise empatarem o jogo para os EUA, não dando outra alternativa a não ser ir para overtime. Foi aí que chegou a vez de “Sid the Kid” brilhar. Aos 7:40 do tempo extra, com uma assistência de Jarome Iginla, o jovem Sidney Crosby mandou o puck direto para a rede e conquistou o ouro para seu país. 

    Sidney Crosby comemorando após marcar o gol da vitória. (Foto: Reprodução / olympic.ca)

    O goleiro americano Ryan Miller foi nomeado MVP, além de ganhar o prêmio Directorate Award como melhor goleiro da competição. Os jogadores Brian Rafalski dos EUA e Jonathan Toews do Canadá ganharam os prêmios de melhor defensor e melhor atacante, respectivamente. Jonathan Toews, Brent Seabrook e Duncan Keith, se tornaram os quarto, quinto e sexto jogadores a ganhar a medalha de ouro olímpica e a Stanley Cup (com o Chicago Blackhawks) no mesmo ano. Patrick Kane se tornou o quarto jogador a ganhar a medalha de prata olímpica e a Stanley Cup no mesmo ano.

    As olimpíadas de 2010 fizeram história, mas foi apenas o início da década para aqueles jogadores. Um evento mágico assistido pelo mundo todo que com certeza nunca será esquecido por aqueles que ali estiveram presentes. Infelizmente para nós fãs, os jogadores da NHL tiveram a participação olímpica revogada para os últimos jogos, e não é certo se eles voltarão a participar em breve. Resta-nos torcer para que isso mude, para que assim possamos vê-los brilhar novamente no gelo durante uma competição tão importante.

  • Rússia é excluída de competições até 2023

    Rússia é excluída de competições até 2023

    A Agência Mundial Anti-doping (Wada, em inglês) anunciou hoje (9) que baniu a Rússia de competições internacionais até 2023. Dessa forma, o país está fora de Jogos Olímpicos e de Campeonatos mundiais por quatro anos. A decisão foi tomada de forma unânime pelo órgão.

    O país é acusado de manipular laboratórios com amostras falsas de testes além de deletar arquivos com testes positivos de dopping. Este esquema já acontece há anos e a investigação começou a ser feita após ser publicado um relatório em 2015 sobre o uso massivo de substâncias que melhoram o desempenho dos atletas russos.

    A Rússia tem até 21 dias para aceitar ou recorrer da decisão na Corte de Arbitragem dos Esportes. Aqueles atletas que comprovarem à Wada que não fazem o uso das substâncias e não tiverem envolvidos no esquema ainda poderão participar das competições. Entretanto, não poderão usar as bandeiras e o nome do país, competindo, dessa forma, sob uma bandeira neutra.

    Vale lembrar que nas Olimpíadas de Inverno de PyeongChang no ano passado, os atletas russos também não usaram sua bandeira devido às investigações. Na ocasião, os Atletas Olímpicos da Rússia levaram a ouro no hockey.

    Como parte da punição, a Rússia também está proibida de sediar eventos esportivos internacionais até 2023. Sendo assim, seus dirigentes esportivos, hino e bandeiras estão também vetados de frequentar qualquer evento esportivo internacional.  

    O que isso muda para o hockey?

    Na prática, pouca coisa. Uma vez que os atletas que comprovarem estarem limpos poderão participar das competições, a forte seleção russa e demais atletas podem participar de Mundiais e da Olimpíada de Inverno de 2022, que será sediada em Pequim. A única diferença é que não poderão se apresentar sob sua bandeira, nem ter seu hino tocado caso venham subir ao pódio. 

    No ano passado, a Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) defendeu o uso da bandeira neutra para que os atletas participassem das olimpíadas. Para eles, banir a participação destes atletas das Olimpíadas iria causar danos ao esporte. Entretanto, o COI voltou atrás na decisão e os atletas russos competiram em PyeongChang.

    Foto Reprodução: Los Angeles Times.