Categoria: Opinião

  • Os possíveis destinos de Taylor Hall, estrela dos Devils

    Os possíveis destinos de Taylor Hall, estrela dos Devils

    Nas últimas semanas, diversos rumores sobre a possível saída de Taylor Hall do New Jersey Devils vêm se destacando na mídia. Devido a mais um péssimo início de temporada, a estrela do New Jersey Devils estaria procurando uma nova casa ainda nessa temporada.

    Na semana passada, John Hynes, até então técnico do New Jersey Devils, foi demitido. Essa demissão parecia ter sido um alívio, uma esperança para, quem sabe, as coisas melhorarem para a equipe.

    Contudo, desde que Alain Nasreddine assumiu o time, os Devils perderam dois jogos, sendo um deles no OT. Claramente ainda é cedo para que o desempenho de Nasreddine seja avaliado, porém a situação atual do time ainda é alarmante, principalmente para sua maior estrela.

    Taylor Hall chegou ao time em 2016, vindo do Edmonton Oilers. Nos Devils, ele ganhou o primeiro Hart Trophy da franquia. Além disso, foi o principal responsável por levar o time aos primeiros playoffs desde 2012, na temporada 2017-2018.

    O maior desejo de Hall, como de qualquer atleta na NHL, é de jogar os playoffs e ganhar a Stanley Cup. Em sua carreira, o canadense de 28 anos tem apenas cinco jogos de playoffs disputados.

    Visto que Hall se torna free agent em 2020, rumores sobre seu destino têm surgindo com muita intensidade. Alguns afirmam que essa troca ocorrerá ainda esta semana.

    Alguns times demonstraram interesse em Taylor Hall ou, pelo menos, é o que dizem os rumores. Sendo assim, levantamos quais os pontos positivos, negativos e as dificuldades desse possível negócio.

    Colorado Avalanche

    Joe Sakic, ex-jogador do Colorado Avalanche, é o GM do time. (Foto: RJ Sangosti)

    O Colorado Avalanche possui ótimos forwards. A combinação de Gabriel Landeskog, Mikko Rantanen e Nathan MacKinnon é uma das melhores na Liga, sem dúvida. Entretanto, Landeskog e Rantanen sofreram lesões que os deixaram fora por algumas semanas.

    Mesmo com a falta de jogadores importantes, a segunda linha, composta por JT Compher, Andre Burakovsky e Joonas Donskoi, conseguiu um desempenho satisfatório no gelo. Com eles, o time produziu 26 gols e somou 62 pontos em 29 jogos.

    As novas aquisições do Avalanche estão mostrando boa adaptação no time, e talvez esse seja um ponto importante a considerar para uma possível chegada de Hall. Burakovsky foi adquirido do Washington Capitals e já marcou 12 gols. Outro jogador que também vem mostrando resultados positivos é Donskoi, adquirido dos Sharks, que apresenta boas estatísticas. Atualmente é o terceiro colocado da equipe na lista de pontos, com 22. Isso nos mostra que o time não depende de somente uma linha para ter resultados bons.

    A adição de Taylor Hall ao elenco poderia trazer o poder ofensivo que o time precisa para poder chegar em uma final de Stanley Cup. Mas a chegada de Hall implicaria em menos minutos no gelo de Burakovsky e Donskoi, que estão dando resultado exatamente por terem mais tempo jogando do que tinham em suas antigas equipes.

    Ray Shero, GM dos Devils, poderia querer uma combinação de algum prospect de alto nível (Bowen Byram, por exemplo, considerado um dos melhores prospects da farm system do Avalanche), somado a draft picks e/ou outro jogador do elenco atual. Contudo, Joe Sakic, GM do time, só teria interesse nisso se Taylor Hall assinasse por longo prazo.

    Então, entramos na parte mais complexa desse cenário. Muitos contratos vencerão nos próximos anos. A começar pelo contrato do goleiro Philipp Grubauer e do capitão Landeskog. Grubauer recebe, atualmente, 3.3 milhões e Landeskog, 5.1 milhões. Manter estes contratos é algo fundamental, pois Grubauer nas redes é um dos diferenciais que o Avalanche adquiriu nos anos em que ficou de fora da pós-temporada.   Além do goleiro, Landeskog é essencial na primeira linha e, acima de tudo, é o capitão da equipe.

    Outro jogador que precisa pensar no cap para oferecer um futuro contrato é Cale Makar. O defensor, que já é candidato ao Calder Trophy, torna-se RFA em 2021. Dessa forma, ele poderia muito bem pedir um salário idêntico ao de Thomas Chabot, do Ottawa Senators, que assinou por 8 milhões nessa offseason.

    Sem dúvida, estas questões precisam ser levadas em conta pelo time frente a esse possível cenário de Taylor Hall no Colorado Avalanche. Adicionado ao elenco, com certeza o time de Denver viraria um candidato à Stanley Cup. Entretanto, sacrificar alguns dos melhores jogadores da talvez melhor farm system da Liga soa arriscado se Hall não estiver disposto a assinar um contrato longo.

    Montreal Canadiens

    Marc Bergevin, GM dos Habs. (Foto: TVA Sports)

    Por mais arriscado que seja assinar com um jogador de 28 anos, fazer isso com Taylor Hall talvez não seja má ideia para o Montreal Canadiens. Apesar da pouca experiência nos playoffs, Hall continua sendo um dos melhores jogadores de elite da NHL. Ele possui habilidades importantes, como a de redirecionar jogadas e finalizar. Dessa forma, sua capacidade de matar jogadas, lançado pucks às redes, seria de bom grado para um time que notavelmente peca nesse quesito.

    Além disso, a franquia de Quebec há muito tempo não possui um jogador no ataque que seja a estrela do time. Taylor Hall certamente é o tipo de jogador que transformaria qualquer equipe, em ambos os sentidos. Ele seria a cara da franquia e ajudaria o time com suas habilidades. 

    Embora Marc Bergevin, GM dos Habs, tenha admitido que procura uma estrela para seu time, esta não é a maior prioridade neste momento.

    Com uma média de quatro gols permitidos por jogo, a defesa dos Habs possui defensores veteranos, como Shea Weber e Jeffy Petry. Muito dos motivos para que a defesa seja fraca é por conta deles, que são facilmente alcançados no rinque por outros jogadores mais rápidos e ágeis. 

    Um dos principais prospects dos Habs é um defensor, Cole Fleury. Ele seria a esperança de uma melhora, todavia, só ele não basta para que a defesa do time de Montreal tome forma..  

    Montreal possui o espaço necessário no cap, caso eles procurem uma negociação como a de Mark Stone, mandado para Vegas Golden Knights. Após ser trocado do Ottawa Senators, ele assinou um contrato de oito anos por 8 milhões. Atualmente, os Canadiens têm exatamente 8 milhões de cap space.

    Um cenário para esta troca seria mandar Cole Caufield (que ainda não tem contrato assinado pois joga esta temporada pela Universidade de Wisconsin), Charles Hudon e mais uma escolha da segunda rodada por Hall e mais um jogador mediano dos Devils. Outros prospects importantes que poderiam ser envolvidos na troca seriam Ryan Suzuki, Ryan Poehling e Josh Brook.

    Ainda assim, Taylor Hall não é defensor. Porém, ele possui habilidades defensivas razoáveis. Isso poderia trazer benefícios para o time. A presença de um forte atacante mudaria o cenário dos Habs, ao ser fatal na hora de matar jogos que poderiam ser ganhos caso alguém fizesse o gol na hora certa. Hall, sem dúvida, seria esse jogador. 

    Enfim, Bergevin precisaria agir, afinal, há uma certa emergência para os Canadiens ir aos playoffs. O melhor prazo seria por agora, pois há chances de que, na deadline de 1º de julho, outros times irão atrás e a disputa por Hall ficará mais concorrida. 

    Menção honrosa: Edmonton Oilers

    Este rumor talvez soe um pouco improvável, pois Taylor Hall jogou no Oilers por cinco temporadas. Além disso, o cap space dos Oilers é de aproximadamente 1 milhão. Então, quais seriam os motivos para que os Oilers recorressem a ele?

    O Oilers tem tido uma temporada 2019-2020 relativamente boa. Porém, o time ainda depende da linha composta por Connor McDavid e Leon Draisaitl. A adição de Taylor Hall nesta line up poderia equilibrar o time, além de dividir a responsabilidade ofensiva, que está atualmente concentrada em McDavid e Draisaitl. 

    Para que esta troca ocorresse, Ken Holland, GM do Oilers, teria de ser criativo para criar espaço no cap. Uma das possibilidades seria mandar três bons jogadores da afiliada Bakersfield Condors e Jesse Pulijujarvi para New Jersey Devils, em troca de Taylor Hall e de mais um jogador mediano.

    A seleção da primeira rodada no draft de 2020 talvez seja o que os Oilers possuam de mais valioso no momento. Porém, há muito risco em disponibilizar as escolhas em uma troca pelo veterano Hall. Este é definitivamente um risco que Holland não quer correr, ainda mais em seu primeiro ano de exercício. 

    A permanência no New Jersey Devils

    Para que os Devils possam ir aos playoffs, eles precisariam vencer 35 jogos dos 55 que restam até o final da temporada. Isso é uma tarefa difícil, não só para eles, como para qualquer time da Liga. O St. Louis Blues conseguiu algo parecido, mas nunca é bom se basear nas exceções.

    O New Jersey Devils não precisa de somente um jogador para ganhar a Stanley Cup. O que os Devils precisam vai muito além disso, a começar por um técnico propriamente dito. Ademais, precisam ainda retirar algumas peças do elenco e um goleiro melhor.

    Mas e se o time conseguisse tudo isso? Afinal de contas, o elenco possui bons nomes. Além de veteranos como PK Subban, Wayne Simmonds e Nikita Gusev, Jack Hughes, first round pick, poderia ser a cara de uma nova reconstrução, em conjunto com os prospects Ty Smith, Nico Hischier e alguns picks altos do draft de 2020. Entretanto, esse processo poderia levar em média três a quatro anos, com os jogadores mais jovens ainda se desenvolvendo.

    Apesar da permanência de Hall nos Devils soar incoerente após termos listado as vantagens de uma possível troca, existem motivos para isso. Pensando em um novo rebuild, ele poderia assinar um contrato não tão longo e caro. Com um outro técnico, outras perspectivas. Se então, o time conseguisse ter nenhuma melhora, a troca seria feita. 

    Algo é certo: com Hall indo embora, que é o rosto da franquia, o New Jersey Devils ou iria a declínio, ou iria melhorar. Um caso recente, que pode servir como parâmetro, foi o de John Tavares. 

    Após a maior estrela do New York Islanders sair, o time conseguiu ir aos playoffs após duas temporadas de fora. Muito disso se deve, também, ao técnico Barry Trotz, que ganhou a primeira cup da franquia do Washington Capitals.

    Contudo, a frustração de não poder dar o seu melhor e continuar em um lugar no qual avanços não são visíveis, podem fazer com que Hall de fato seja trocado.  

    Foto: Bruce Bennett/Getty Images

  • Nathan MacKinnon: da primeira escolha do draft ao primeiro escalão da NHL

    Nathan MacKinnon: da primeira escolha do draft ao primeiro escalão da NHL

    Quando Joe Sakic draftou o segundo nativo mais conhecido da pacata cidade de Cole Harbour, Nova Scotia, ele esperava um center de qualidade para sua equipe. Entretanto, é improvável que o dirigente pudesse prever o quão importante Nathan MacKinnon se tornaria para o Colorado Avalanche no final da década. 

    A primeira escolha de 2013, MacKinnon foi selecionado do Halifax Mooseheads da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL), equipe com a qual foi campeão da Memorial Cup, troféu máximo do major juniors canadense. Foi a primeira vez desde 2005 que Cole Harbour figurou como cidade natal da primeira escolha do draft da Liga. Naquele ano, o ídolo de infância de Nathan foi draftado, o então jogador da QMJHL Sidney Crosby, foi selecionado pelo Pittsburgh Penguins. 

    De uma rookie season premiada a alguns anos na média

    Nathan MacKinnon posa com seu Calder Memorial Trophy, de rookie do ano, no NHL Awards de 2014, em Las Vegas (Fonte: CBS Denver/Reprodução)

    O canadense estreou na NHL pouco mais de um mês após completar 18 anos e foi parte importante de uma campanha que levou o Avalanche aos playoffs naquele ano. À época a equipe ainda contava com nomes como o atual MVP e campeão Ryan O’Reilly e o center veterano Matt Duchene, além do defensor Tyson Barrie, trocado na última off-season.

    Durante seu primeiro ano na Liga, MacKinnon anotou 63 pontos, sendo 24 gols e 39 assistências nos 82 jogos que participou. Por esta campanha ele ganhou o Calder Trophy, prêmio de melhor rookie da temporada. Entretanto, os anos que sucederam não foram nada espetaculares. Vamos conferir:

    (Fonte: NHL.com)

    No seu segundo ano de NHL, MacKinnon marcou apenas 38 pontos em 64 jogos enquanto o Avalanche iniciava um declínio que levaria a equipe a se tornar uma das piores da história da Liga. O atleta então teve atuações medianas em duas temporadas com 52 e 53 pontos, respectivamente. Campanhas respeitáveis para sua idade na época, mas estava longe de ser um superstar. Assim, quando seu entry-level contract terminou, na off-season de 2016, o canadense assinou uma extensão de sete anos, avaliada em cerca de 44 milhões de dólares. 

    O MVP com o melhor contrato da NHL

    Nathan MacKinnon em um faceoff contra Connor McDavid, do Edmonton Oilers (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    Com um salário anual de cerca de 6,3 milhões por ano, MacKinnon tem o melhor custo-benefício na Liga, onde espaço na folha salarial se tornou um bem muito valioso. Quando analisamos os atletas que têm rendimentos semelhantes, como por exemplo Sean Monahan e Mark Sheifele, nenhum deles produz ou tem status de estrela como o de Colorado. 

    (Fonte: CapFriendly.com)

    Dentre os contratos comparáveis, o mais próximo de MacKinnon no quesito star power é, definitivamente, o center do Panthers, Aleksander Barkov. O finlandês  atualmente tem se destacado na Liga por seu jogo defensivo e ofensivo, se tornando um nome permanente entre os favoritos para o Selke Trophy. Entretanto, Barkov atua na Flórida, onde jogadores tradicionalmente aceitam contratos menos valiosos devido aos benefícios fiscais do estado. 

    Declarações polêmicas sobre seu contrato team-friendly

    Nathan MacKinnon comemora com os companheiros de equipe Gabriel Landeskog e Mikko Rantanen (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    O seu primeiro contrato pós-restricted free agency, gerou polêmica recentemente após uma declaração feita pelo canadense à revista Forbes. Na ocasião, MacKinnon deu a entender que aceitou um desconto quando foi renegociar seu atual contrato. Além disso, o atleta afirma que daria outro desconto para continuar com o grupo dos Avs e vencer com seus companheiros de equipe. Isto foi interpretado como uma indireta à situação de equipes como Toronto, que têm grande porcentagem de sua folha salarial comprometida aos salários de suas estrelas.

    Entretanto, em uma entrevista pós-jogo, MacKinnon retificou seus comentários. Ele afirmou que seu contrato não foi um desconto à época da assinatura, e sim justo para o que ele produziu nos três primeiros anos de sua carreira.

    Desta forma, como podemos ver nas suas stats, MacKinnon começou a produzir como um MVP apenas na temporada 2017/2018, quando fez 97 pontos e foi um finalista do Hart Trophy, vencido por Taylor Hall. Na temporada seguinte, quando o Avalanche chegou ao segundo round dos playoffs, ele fez 99 pontos e se estabeleceu sonoramente como um superstar

    (Fonte: NHL.com)

    The MacCale Show: a parceria com o jovem defensor elevou o center às estrelas de novembro

    Nathan MacKinnon e Cale Makar em ação (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    A volta da NHL trouxe baixas importantes para o Colorado Avalanche. Primeiro Mikko Rantanen que sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo e depois o capitão da equipe Gabriel Landeskog, que também ficou de fora por uma lower body injury. Coincidentemente, os dois formam a poderosa primeira linha da equipe de Denver com Nathan MacKinnon. Entretanto, na falta das duas estrelas, um atleta em especial se destacou por sua proeza ofensiva. Cale Makar, o rookie que já está quebrando recordes, tem combinado com MacKinnon para produzir pontos para os Avs desde o início da temporada.

    Essa tendência continuou no mês de novembro, quando MacKinnon foi o segundo maior pontuador da Liga, com 10 gols e 15 assistências em 14 jogos. Ele liderou o Avalanche em oito vitórias no mês, ainda que o time não estivesse contando com Rantanen ou Landeskog. O canadense pontuou em 10 dos 14 jogos que disputou e terminou o mês em uma streak de pontos em sete jogos. 

    Equipe de sucesso

    Atualmente o center dos Avs é o quarto no ranking de maiores pontuadores da temporada da NHL. Além disso, seu novembro foi o mês mais produtivo de um jogador da franquia desde que Joe Sakic, atual GM do clube, fez 26 pontos em 13 jogos no mês de março de 2000, quando MacKinnon tinha apenas 4 anos. 

    Assim como Nathan MacKinnon, Cale Makar tem se destacado e foi eleito o rookie do mês de novembro. Os dois canadenses foram peças importantes para que o Colorado Avalanche não perdesse ritmo de jogo enquanto alguns de seus maiores pontuadores estavam lesionados. Além dos dois, os goleiros também foram parcela importante para o sucesso da equipe.

    Dessa forma, o Colorado Avalanche vem apresentando uma consistência de jogo necessária para buscar sua vaga na pós temporada. A depth da equipe, ou seja, os jogadores que não são necessariamente estrelas, também vem apresentando o desempenho de uma equipe que aos poucos vem se moldando como uma boa candidata para levar a Stanley Cup. Agora nos resta saber se a equipe consegue manter esse ritmo e impressionar nos playoffs

  • Edmonton Oilers: um novo time, com as mesmas peças

    Edmonton Oilers: um novo time, com as mesmas peças

    O começo de temporada da NHL costuma ser recheado de surpresas. Esse ano, por exemplo, era esperado que o Edmonton Oilers não tivesse nenhum resultado diferente.

    Porém, o time que terminou a temporada passada em sétimo lugar na Divisão Pacífica tem mostrado um começo de temporada um pouco diferente. Em nossa análise, mostraremos quais as diferenças do time do ano passado com o time atual.

    Primeiramente, é importante ressaltar uma das mudanças fundamentais. A chegada do novo técnico David Tippet e principalmente a do General Manager Ken Holland.

    Contudo, o time não teve grandes mudanças em seu elenco. Em nosso texto sobre previsões de cada divisão, destacamos algumas novas aquisições. Vale ressaltar a chegada do goleiro Mike Smith, ex-Flames, que reveza com o goleiro Mikko Koskinen.

    Comparando temporadas

    Comparando esse início de temporada do Edmonton Oilers com a do ano passado, o time de Alberta acumulava o recorde de 15-12-2 após 29 jogos corridos. Com isso, somavam 32 pontos.

    Hoje, acumulam 17 vitórias, nove derrotas e três derrotas em OT/SO, no mesmo período de jogos, com 37 pontos. A dupla Connor McDavid e Leon Draisaitl já acumulam 50 pontos em menos de 30 jogos. O último recorde foi quando Wayne Gretzky e Jarri Kurri fizeram o mesmo, em 1984-1985.

    Mas então, o que mudou em relação ao ano passado? É possível apontar alguns fatores. McDavid e Draisaitl continuam sendo os principais atacantes, sendo possível afirmar que, sem eles, o time perderia toda sua estrutura.

    Entretanto, a troca de técnico está sendo fundamental nesse processo de melhoria. Tippet é conhecido por ser um técnico defensivo e, de fato, a defesa melhorou. Porém, ele afirmou que seu método é na verdade ganhar com o elenco que ele possui. Com isso, melhorar o que era ruim, usando as mesmas peças.

    No caso dos Oilers, o que era considerado ruim era o penalty kill e o powerplay. O time agora está fazendo mais gols, pois arrisca mais shots. Isso é fundamental, e contrasta com a antiga filosofia do time.

    Vale também destacar a adição de Ethan Bear, que passou o verão treinando com afiliada da AHL, Bakersfield Condors. Quando ele substituiu o defensor Joel Persson, lesionado na época, Bear foi autor de dois gols contra Winnipeg Jets. Atualmente, ele está na linha com Darnell Nurse.

    A Divisão Pacífica

    Por outro lado, a divisão no qual Edmonton Oilers está também pode ser um motivo para o sucesso do time. Por conta da instabilidade dos outros times da mesma divisão, não é difícil um time consistente como os Oilers se ressaltarem. Como exemplo temos o San Jose Sharks, que teve um começo de temporada horrível, com um recorde de 4-10-1.

    Calgary Flames e Vegas Golden Knights, por sua vez, começaram muito bem, porém caíram de nível drasticamente. Já o Arizona Coyotes, com uma excelente defesa frente às redes, encontra-se atualmente no segundo lugar da divisão, algo que certamente não era esperado. Ou seja, essa consistência nas vitórias tem sido uma grande aliada para o sucesso dos Oilers.

    A maior questão é saber como será daqui para frente. Atualmente, o Edmonton Oilers são um time razoável, com bons goleiros e excelente penalty kill/powerplay. Ano passado, eles eram um time ruim, com grandes estrelas, mas que pecavam em outras categorias. Resta saber se o time continuará tendo um equilíbrio conforme o desenrolar da temporada, e se conseguirão enfim a tão almejada vaga nos playoffs.

  • Por que a NHL precisa mudar

    Por que a NHL precisa mudar

    O hockey é um esporte tradicionalista na sua essência. Quando falamos isso, incluímos uma mentalidade cheia de preconceitos ainda presente na comunidade. Além disso, a famosa “hockey culture” ainda exige de seus atletas comportamentos que não cabem mais nos dias atuais. Conformar-se com qualquer coisa que um técnico diga, aceitar comportamentos abusivos e se contentar com pedidos internos de desculpas não devem acontecer em um esporte moderno.

    Nas últimas semanas, torcedores, atletas e representantes da mídia começaram a se mostrar dispostos a provocar mudanças e trazer a NHL para o século XXI. Tudo começou com a demissão do comentarista Don Cherry no dia 9 de novembro após ter feito comentários xenofóbicos durante o programa Coach’s Corner da SportsNet.

    A ação da emissora após as críticas ao Don Cherry provocara reações que levaram a mais dois casos que tinha sido encobertos pelos próprios times e demais entidades da Liga. O primeiro, a demissão de Mike Babcock pelo Toronto Maple Leafs no dia 20 de novembro, o que permitiu a divulgação de um relatório expondo uma lista que Babcock obrigou o então rookie, Mitch Marner, a fazer dos seus colegas que ele acreditava serem os menos produtivos do time. Mais tarde, o ex-técnico dos Leafs compartilhou a lista com demais jogadores.

    Além de Babcock, outro nome vinculado a polêmicas foi o agora ex-treinador do Calgary Flames, Bill Peters. O ex-jogador Akim Aliu acusou Peters de ter praticado injuria racial há dez anos, quando ambos eram parte do time da AHL Rockford IceHogs. Mas o caso de Peters se agravou quando foi descoberto que, no seu tempo com os Hurricanes, ele chegou a abusar fisicamente de um jogador que teve sua identidade protegida.  

    Estes casos estão ainda apenas no início das investigações. No entanto, muita coisa já se pode dizer tanto sobre Babcock, quanto sobre Peters, além, é claro, de diversas outras histórias de técnicos em ligas menores que abusam fisicamente e psicologicamente de seus atletas. Essas ações foram por muito tempo lidas apenas como “cultura de vestiário”, algo que existe em diversos esportes. Ainda está muito cedo para dizer que teremos de fato uma mudança na cultura do hockey. Mas uma coisa é certa: o ponta-pé inicial foi dado.

    Caso Don Cherry

    Cherry já vinha sendo criticado por comentários polêmicos desde a temporada passada. Tudo começou quando o comentarista e ex-técnico do Boston Bruins chamou jogadores do Carolina Hurricanes de Bunch of Jerks (Bando de Idiotas) por comemorarem suas vitórias na PNC Arena, as famosas surges.

    Na intertemporada, a SportsNet questionou a permanência de Cherry no Coach’s Corner, uma vez que sua audiência começava a reclamar dos comentários polêmicos. Mesmo assim, resolveram renovar seu contrato, afinal, polêmica também traz audiência. Mas o “tudo por audiência” mudou no dia 9 de Novembro, quando disse que os imigrantes no Canadá aproveitam as coisas boas do país, mas não exercem patriotismo. Ele fazia uma referência às homenagens aos veteranos da Primeira Guerra Mundial, comemorado no dia 11 de novembro.

    https://twitter.com/journorosa/status/1193374056394960901?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1193374056394960901&ref_url=https%3A%2F%2Fgloboesporte.globo.com%2Foutros-esportes%2Fnoticia%2Ffamoso-comentarista-de-hoquei-no-canada-e-demitido-apos-opiniao-xenofobica-sobre-imigrantes.ghtml

    Don Cherry, aos 85 anos, não enxergou seu comentário como xenofóbico, pelo contrário. Ao ser questionado se iria se desculpar, o comentarista disse que havia sido apenas patriota. Por outro lado, a SportsNet publicou uma nota dizendo que os comentários de Cherry eram ofensivos e não representavam os valores da emissora.

    Caso Mike Babcock

    O Toronto Maple Leafs não teve um bom início de temporada. O time estava com mais derrotas do que vitórias, incluindo cinco derrotas seguidas no tempo regular sob comando de Babcock. Estes números eram exatamente o que os Leafs precisavam passa assinar a carta de demissão do técnico no dia 20 de novembro. Apenas um pretexto, que só iria ser conhecimento do público dias depois.

    A cultura de vestiário nos esportes é algo que por muito tempo era secreto. Todo mundo sabia que acontecia, mas ninguém falava a respeito. Técnicos, em uma posição de poder, se sentem no direito de humilhar, agredir física e psicologicamente e praticar os mais mais diversos tipos de abusos contra os seus atletas. No hockey, esta cultura também está vinculada ao machismo. Promove-se uma ideia de que jogadores de hockey são fortes o suficiente para aguentar qualquer coisa. Apesar de ser conhecimento geral que muitos destes atletas jogam machucados, outras coisas também acontecem nos vestiários que são encobertas pelos envolvidos.

    O caso de Mike Babcock veio à tona assim que sua carta de demissão foi assinada. Isso aconteceu porque um relatório da temporada 2016-2017 foi liberado à imprensa, confirmando um boato que já existia. Na temporada de rookie de Mitch Marner, Babcock, insatisfeito com o desempenho do atleta, o chamou em uma reunião de portas fechadas e pediu que o jovem jogador fizesse uma lista com os colegas de time que acreditava ser os que menos se empenhavam no gelo.

    Na época, Marner obedeceu o treinador, afinal, tinha acabado de chegar à NHL. Entretanto, Babcock mostrou esta lista para os jogadores que estavam na parte debaixo dela, mesmo que o último colocado tenha sido o próprio Marner.

    Quando o caso explodiu nas últimas semanas, Marner foi pego de surpresa. Pela primeira vez o jogador falou a respeito para a TSN, contando que no final, ele se sentiu sortudo ao ter colegas de time que o apoiaram e que nenhum dos demais jogadores da lista guardam rancor de algo que não tinha sido culpa dele. Ele também disse que, por ter acontecido tanto tempo atrás, nem se lembrava mais do fato. A entrevista do jogador pode ser assistida, em inglês, aqui.

    Mike Babcock acumula reclamações sobre suas condutas éticas quase tanto quanto acumula vitórias. Sendo assim, pode-se até mesmo questionar se o polêmico contrato inflacionado assinado por Marner em setembro também não estaria relacionado com transgressões que o jogador de 22 anos sabia que precisaria enfrentar sob o comando do técnico. Enfim, é possível dizer que o Toronto Maple Leafs finalmente se livrou de um problema. É hora de, quem sabe, mostrar no gelo o quanto estão aliviados.

    Caso Bill Peters

    O caso de Bill Peters é ainda mais complicado do que o de Babcock. Mesmo uma semana depois, fica difícil prever quais serão as consequências palpáveis do acontecido. No dia 25 de novembro, cinco dias após a demissão do ex-técnico de Toronto, o ex-jogador do Rockford IceHogs, Akim Aliu, publicou no seu Twitter que não estava surpreso com a notícia. Afirmou que já tinha vivenciado, há dez anos, uma situação de racismo dentro do vestiário que foi abafada pelas organizações.

    Após os tweets, não precisou de muito para descobrirem que as alegações eram sobre o então técnico do Calgary Flames, Bill Peters. O fato havia acontecido no vestiário do time afiliado do Chicago Blackhawks, Rockford IceHogs. No caso, Aliu relata que o treinador repetidas vezes cometeu injuria racial por causa do gosto musical do então prospect do Hawks. Por fim, ao se rebelar, teve como resposta uma passagem só de ida para as ligas menores.

    Após as alegações, o GM dos Flames, Brad Treliving, anunciou uma investigação a respeito do caso. Como consequência, na sexta (29), Peters entregou a sua carta de demissão. Além disso, deixou outra carta se retratando com o GM e a organização dos Flames.

    Sobre o caso, o Chicago Blackhawks declarou que apenas tomou conhecimento do fato esta semana. Além disso, afirmou que Aliu nunca entrou em contato com a organização para reportar o ocorrido. Por outro lado, o jogador usou novamente a sua rede social para dizer que não irá fazer nenhum comentário público sobre a situação, mas que aceitou o convite da NHL para discutir o assunto. A Liga, por sua vez, apenas falou sobre as reuniões já agendadas.

    Entretanto, o caso de Akim Aliu não é o único que Peters vai ter que explicar. O treinador esteve à frente do Carolina Hurricanes entre as temporadas 2014-15 e 2017-18. Durante este tempo, ele não conseguiu muitas conquistas, e ele com certeza, não era adorado no vestiário. Um ex-jogador dos Canes aproveitou a declaração de Aliu e também usou o seu twitter para acusar Peters, dessa vez, de agressão.

    https://twitter.com/TheBigCzech23/status/1199412238228099077?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1199412238228099077&ref_url=https%3A%2F%2Ftheathletic.com%2F1415547%2F2019%2F11%2F27%2Fit-for-sure-happened-rod-brindamour-hurricanes-players-address-bill-peters-physical-abuse-allegations%2F
    https://twitter.com/TheBigCzech23/status/1199412275561607168?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1199412275561607168&ref_url=https%3A%2F%2Ftheathletic.com%2F1415547%2F2019%2F11%2F27%2Fit-for-sure-happened-rod-brindamour-hurricanes-players-address-bill-peters-physical-abuse-allegations%2F

    Michal Jordan declarou que Peters agrediu ele e mais um jogador que não foi identificado durante um jogo. E, posteriormente, o técnico agiu como se não tivesse feito nada de errado. Na quarta-feira (27), antes do jogo contra o New York Rangers, o atual técnico do Carolina Hurricanes, Rod Brind’Amour, que já estava na organização como parte da equipe técnica quando Peters estava à frente do time, confirmou que de fato aconteceu a agressão. Além disso, afirmou que os jogadores levaram à administração, que, enfim, tomou a atitude que ele considerava a correta.

    Entretanto, Brind’Amour fez a seguinte declaração ao The Athletic:

    Os jogadores têm medo de se manifestar e, para ser sincero com você, todo mundo sob o treinador, o gerente, eles têm medo de se manifestar, porque existe uma grande lacuna na estrutura de poder nisso. Eu acho que os jogadores têm muito mais poder agora, e eles percebem isso. Eu acho importante que eles falem sobre o que acham importante porque os tempos mudaram. Eles definitivamente têm mais poder e precisam se manifestar.

    Rod Brind’Amour

    Ron Francis, GM de Carolina na época, declarou que, de fato, jogadores o procuraram. Afirmou ter levado aos donos a acusação para que as providencias fossem tomadas. No entanto, não iria comentar mais sobre o assunto uma vez que ainda havia uma investigação em curso.

    Talvez, as mudanças que a Liga e o hockey, como esporte, precisam para começar a mudar sejam estas pequenas grandes atitudes de coragem que jogadores como Aliu e Jordan tomaram na última semana. Uma nova forma de enxergar o relacionamento treinador-jogador, para formar uma verdadeira equipe com um objetivo em comum. Como disse o técnico dos Canes, os tempos mudaram, e está mais do que na hora da NHL mudar também.

    Foto Reprodução: CNN Internacional

  • Toews Schedule, o calendário de Jonathan Toews

    Toews Schedule, o calendário de Jonathan Toews

    Quem pensa que vida de jogador de hockey é fácil está enganado. É necessário muito preparo físico e emocional para aguentar a correria do dia-a-dia dentro de um time da NHL. Em muitos desses casos, os jogadores precisam sair da arena, ir direto para o aeroporto pegar um voo de horas, para depois chegar em casa e aí sim poder dormir. Portanto, na maioria das vezes os jogadores só conseguem concluir essa rotina as 4 da manhã. O maior detalhe é que no dia seguinte tem que treinar porque já tem outro jogo marcado.

    É pensando nessa correria que Jonathan Toews do Chicago Blackhawks, com a ajuda de especialistas criou o que ficou conhecido como “Toews Schedule”. Um calendário de jogos pensado na saúde e bem-estar do jogador. A verdade é que a correria cobra o seu preço todos os dias nos corpos dos jogadores. Eles estão cansados o que pode resultar num empenho razoável no gelo e muitas lesões. Com o passar da temporada esse cansaço vai acumulando e a situação vai piorando. Em uma conversa com o The Athletic, o jogador explicou um pouco sobre esse calendário e pode falar o porquê ele criou o mesmo. Para mais informações você pode ler a matéria em inglês aqui.  

    Como funciona?

    Atualmente o calendário da NHL é separado em três etapas: pre-season, regular season e playoffs. A pre-season em geral acontece nas duas últimas semanas de setembro e tem uma média de seis a oito jogos. Esses jogos são os que permitem os treinadores a avaliar os novos jogadores, tanto os novos draftados quanto os que foram trocados. Também servem para avaliar a dinâmica do time em relação aos novos jogadores. É nos confrontos da pre-season que as equipes costumam ser divididas e é comum que os principais jogadores do time não participem de todos os jogos. 

    Na regular season já é diferente. Cada equipe joga 82 jogos onde são divididos em 41 em casa e 41 na estrada. Esses 82 jogos são divididos da seguinte forma: quatro ou cinco jogos contra cada time da mesma divisão, três jogos contra cada equipe de outra divisão porém da mesma conferência e ao menos dois jogos contra cada equipe da outra conferência. Desta maneira cada equipe da NHL joga ao menos uma vez em cada arena. Esses 82 jogos são distribuídos de uma forma que um time não jogue contra o mesmo duas vezes seguidas. 

    Ao todo são 31 equipes atualmente na Liga, dessas equipes apenas 16 se classificam para os playoffs. Os playoffs são divididos em três rounds além da final. Cada time precisa ganhar quatro da série melhor de 7 jogos, ou seja, quem ganhar primeiro quatro confrontos, passa para o próximo round. Esses jogos são divididos entre casa e estrada, a equipe que tiver mais vantagem tem o direito de ter mais jogos em casa. Desta forma uma equipe é capaz de jogar até 53 jogos na estrada. 

    Toews Schedule

    A proposta de Jonathan Toews não é mexer na quantidade de jogos, mas sim em como esses jogos ficam organizados. Muitas equipes costumam jogar fora de casa e voltar para casa no mesmo dia porque tem jogo marcado para o dia seguinte. Nessa proposta, os jogos foram divididos da seguinte forma: seis jogos contra cada equipe da mesma divisão, três jogos contra os times da mesma conferência mas divisão diferente e um jogo contra cada time da outra conferência. 

    Assim, restariam jogos extras para alguns times, um ou dois jogos extras entre as conferências e alguns jogos extras para a conferência Oeste. A grande diferença entre o calendário atual e o proposto por Toews seria a organização dos jogos. A sugestão é de que os jogos contra cada equipe seja organizado de maneira mais agrupada. Como por exemplo os jogos entre a mesma divisão que são três em casa e três na estrada. Os três em casa seriam jogados na mesma semana e no meio da temporada as equipes se enfrentariam do mesmo modo na casa do adversário. 

    Desta maneira a equipe acabaria por viajar menos e descansar mais, em alguns casos, as viagens caíriam pela metade. O canadense defende que com o novo calendário os jogadores poderiam descansar mais o que resultaria em melhores partidas. A ideia é que os jogadores teriam melhor desempenho e menos lesões. Ele também defende que com a diminuição das viagens as equipes gastariam menos e o planeta agradeceria com a diminuição da emissão de carbono (CO2) por parte dos aviões.

    Por que não é viável?

    A ideia do jogador é interessante, no entanto quando a NHL organiza o calendário, eles levam em consideração várias pontos que a proposta publicada no The Athletic não fez. A disponibilidade das arenas é uma delas. As arenas utilizadas para os jogos também são usadas por outros esportes, concertos de música entre outros eventos. Três jogos seguidos acabaria por atrapalhar esses outros eventos que já estão marcados. Outro ponto a ser levado em consideração é o marketing. A Liga diz já ter pensando em algumas dessas ideias ao longo dos anos, porém os times preferem variedade. O marketing é melhor movimentado quando os jogadores estrelas visitam as cidades com mais frequência. 

    As redes de televisão também precisam ser levadas em consideração, pois elas dividem as grades entre o hockey e outras programações. Se acontecer de não conseguirem transmitir os dois, elas terão que preferir os de maiores audiências. A logística por trás do calendário é muito mais complexa do que se imagina. É necessário organizar 82 jogos entre os 31 times da Liga, ao total são 1.271 jogos onde 480 são entre conferências. E este número poderá aumentar na temporada 20-21, quando o time de Seattle foi oficialmente introduzido à Liga.

    Desses 1.271 é necessário levar em consideração data, local e horário para cada um deles, sem contar as datas comemorativas e os possíveis contratempos. Da mesma forma cada time precisa fazer a própria logística para a temporada, já que os mesmos precisam viajar para chegar nas cidades que irão jogar.

    Em suma, apesar do calendário proposto por Toews parecer uma boa ideia, ele não é viável para NHL na forma como foi idealizado para a matéria em questão. Em outras palavras, a complexidade do calendário é grande e tentar ajustar ele para diminuir as viagens é complicado. Muitos pontos, no entanto, podem ser aproveitados pelos profissionais que montam o calendário se a Liga optar por pequenas mudanças que otimizem o tempo e as viagens no futuro. A discussão foi levantada e gerou repercussão. Basta saber agora o que a Liga vai decidir para a próxima temporada, já que vem time novo por aí.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Divisão Atlântica: previsões da temporada 2019/20

    Divisão Atlântica: previsões da temporada 2019/20

    Prever como um time vai se sair na temporada nem sempre é possível e sempre há surpresas. Mas com o intuito de entender um pouco mais das divisões, o NHeLas trás um dossiê sobre a temporada 2019-2020. Previsões sobre as divisões Metropolitana, Central e Pacífica já saíram. Vamos conferir nossa análise sobre a Divisão Atlântica?

    Boston Bruins

    O defensor Charlie McAvoy reassinou com o Boston Bruins por 3 anos.
    O defensor Charlie McAvoy reassinou com o Boston Bruins por três anos.

    Na temporada passada, o Boston Bruins chegou à final da Stanley Cup pela 16ª vez na história da franquia. Porém, perderam para o St. Louis Blues no jogo 7, por 4 a 1. Com o sucesso da temporada anterior, os Bruins não se preocuparam em mexer demais no seu elenco para temporada 19-20.

    Charlie McAvoy e Brandon Carlo, alguns dos destaques do elenco, estavam pendentes para assinarem o novo contrato. Porém, os Bruins renovaram com os dois jogadores que se tornaram RFAs na intertemporada. Por outro lado, outros jogadores foram trocados, como Marcus Johansson e Noel Acciari.

    Com o atual técnico Bruce Cassidy indo para sua terceira temporada comandando os ursos, espera-se que o time dispute com o Tampa Bay Lightning pelo primeiro lugar na Divisão Atlântica. O trabalho do técnico vem dando resultados e, com o elenco já integrado, os Bruins têm tudo para continuar consistente.

    Por fim, se tratando de playoffs, os Bruins podem ser fortes favoritos à levantar a Stanley Cup este ano. Mesmo com um elenco não tão jovem, não seria surpresa se eles aparecessem novamente em uma final, afinal, contam com bons nomes já em integração há anos.

    Buffalo Sabres

    Ralph Krueger, novo técnico do Buffalo Sabres, disse que está motivado a levar o Sabres para os playoffs. Divisão Atlântica
    Ralph Krueger, novo técnico do Buffalo Sabres, disse que está motivado a levar os Sabres para os playoffs.

    O Buffalo Sabres começou a temporada passada muito bem. Entretanto, decaíram e não conseguiram se levantar. Ao final da temporada, ficaram apenas no sexto lugar da divisão.

    Contudo, foi o time que mais fez mudanças na offseason. Com a adição dos forwards Marcus Johansson e Jimmy Vesey, e também dos defensores Henri Jokiharju e Andrew Hammond, os Sabres poderão ter um equilíbrio e quem sabe sonhar com uma vaga nos playoffs.

    Além disso, Jeff Skinner, adquirido após uma troca com o Carolina Hurricanes em 2018-2019, renovou por oito anos. Assim, os Sabres garantiram uma grande força ofensiva por um bom tempo, já que o forward vem de um recorde na carreira de 40 gols.

    Mas tudo isso vai depender do goleiro Carter Hutton manter uma boa percentagem de saves e ajudar seus colegas de time. Como a Divisão Atlântica é muito competitiva, a disputa será acirrada.

    Detroit Red Wings

    Steve Yzerman volta para o Detroit Red Wings, agora como General Manager. Divisão Atlântica
    Steve Yzerman volta para o Detroit Red Wings, agora como General Manager.

    O Detroit Red Wings vem de sua terceira temporada consecutiva sem a chance de conquistar uma vaga nos playoffs, depois de quase 20 anos com vaga garantida.

    Jeff Blashill vai para sua quinta temporada como técnico do time. Todavia, é a terceira temporada sem alcançar bons resultados. Certamente, na temporada de 2019-2020 isso não irá mudar magicamente, principalmente porque o time não fez muitas mudanças em seu elenco.

    No entanto, após a chegada de Steve Yzerman, ex-GM do Tampa Bay Lightning, Adam Erne e Valtteri Filppula também assinaram com o Red Wings. Junto com Dylan Larkin, eles poderão oferecer uma boa força ofensiva.

    A defesa, por outro lado, é um dos maiores problemas do time. Considerada a sétima pior da Liga, o time optou por não mexer e manteve a mesma. Portanto, enquanto o time de Michigan continuar insistindo nos mesmos erros, as perspectivas é que seu desempenho no gelo não mude.

    Florida Panthers

    Sergei Brobovsky assinou com o Florida Panthers. Divisão Atlântica
    Sergei Brobovsky assinou com o Florida Panthers.

    O Florida Panthers com certeza será um dos times mais interessantes a se acompanhar da Divisão Atlântica. Isso porque, na offseason, fez mudanças importantes.

    Após a aposentadoria de Roberto Luongo, os Panthers logo foram atrás de um bom reforço frente às redes. O novo goleiro escolhido foi Sergei Brobovsky, destaque na última temporada com o CBJ. Brobovsky assinou por oito anos e pode trazer uma segurança importante na defesa.

    Anton Stralman foi outro reforço contratado pelo Florida. O defensor assinou por três anos. Na temporada passada, ele manteve uma atuação constante no Tampa, ajudando o time a seguir para os playoffs. Stralman possui experiência em pós-temporada e a expectativa é que traga bons resultados aos Panthers. 

    Além disso, os Panthers também contrataram um novo técnico. Joel Quenneville, ganhador de três Stanley Cups com o Chicago Blackhawks, trará toda sua experiência na Liga para certamente colocar os Panthers no caminho para os playoffs.

    Com essas mudanças, podemos esperar um novo Florida Panthers. Sem dúvida, é um time para ficar de olho ao longo da temporada, já que eles podem surpreender.

    Montréal Canadiens

    Nick Suzuki, um dos jovens prospects que poderá trazer grande força ofensiva para os Habs.
    Nick Suzuki, um dos jovens prospects que poderá trazer grande força ofensiva para os Habs.

    O Montréal Canadiens ficou de fora dos playoffs por uma diferença de três pontos na corrida do wildcard. Após ver seus sonhos indo embora mais cedo do que o esperado, os Habs começaram a se mexer.

    Para a temporada de 2019-2020, o time de Montreal poderão contar com algum de seus prospects. Nick Suzuki, adquirido via troca com o Vegas Golden Knights, começará a temporada atuando pelos Canadiens. O jogador canadense tem tido resultados bons nos treinamentos e na preseason e vem de uma boa temporada no afiliado da OHL, tendo marcado 42 pontos, 16 gols e 26 assists.

    Jesperi Kotkaniemi vem para sua segunda temporada na NHL e também trará uma grande força no centro do rinque, como já demonstrou na temporada passada. Outro jogador que precisamos ficar de olho nessa temporada é Jonathan Drouin, que depois de duas temporadas nos Habs sem grandes destaques, precisa melhorar seu jogo defensivo para que finalmente consiga alcançar seu potencial.

    O goleiro Corey Price, talvez um dos maiores destaques dos Habs, deve continuar com boas atuações frente às redes. O que poderia preocupar são os jogadores defensivos na sua frente e, nesse quesito, o time de Montreal não fez alterações na intertemporada.

    Em suma, a previsão é que o Canadiens lute por uma vaga no wildcard novamente, com chances de conseguir, desde que mantenham o equilíbrio.

    Ottawa Senators

    Thomas Chabot, um dos melhores defensores da liga, assinou uma extensão de 8 anos com o Senators. Divisão Atlântica
    Thomas Chabot, um dos melhores defensores da liga, assinou uma extensão de oito anos com os Senators.

    O Ottawa Senators foi um dos piores times da temporada de 2018-2019 por conta de trocas malfeitas e mal planejadas, deixando o time frágil e sem seus melhores jogadores. Portanto, sabemos que uma reconstrução demorará. Na temporada passada, o time ficou em oitavo lugar na Divisão Atlântica e em último lugar geral, com 64 pontos. Em 2019-2020, as previsões não são otimistas, mesmo com mudanças importantes.

    O forward Colin White e o defensor Thomas Chabot, importantes jogadores, renovaram contratos. Chabot, inclusive, renovou por oito anos, garantindo uma defesa forte para o time canadense. Brady Tkachuk também renovou seu contrato e continua no time, oferecendo também grande força ofensiva.

    Contudo, o time ainda precisa ajeitar todo o resto. A defesa de Ottawa ainda é considerada uma das piores da liga. No entanto, novos jogadores começaram a chegar para a possível mudança de cenário. O defensor Nikita Zaitsev veio de uma troca com o Toronto Maple Leafs para dar uma nova cara na defesa do time. Por outro lado, Ottawa assinou o contrato de entrada com o defensor Lassi Thomson, selecionado no 19ª pick do NHL Draft 2019. Ainda não é certo que ele irá estrear na Liga no início da temporada, mas sem dúvidas é um nome para ficar se olho.

    Para a próxima temporada, é esperado um Senators um pouco melhor que o do ano passado. Entretanto, justamente pelas novas peças ainda em integração com o time, não é possível prever quão longe o time pode chegar.

    Tampa Bay Lightning

    Brayden Point vem de uma temporada incrível, com 41 gols, 51 assists e 92 pontos. Divisão Atlântica
    Brayden Point, reassinado com os Bolts por três anos, vem de uma temporada incrível, com 41 gols, 51 assists e 92 pontos.

    O Tampa Bay Lightning, ao mesmo tempo que fez a melhor temporada da história da franquia ao ganhar 62 jogos e perder apenas 16, foi o único time da história a ganhar o Presidents Trophy e ser varrido no primeiro round. Isso se deve a duas coisas: um possível relaxamento dos jogadores do time e a defesa que teve mais baixos do que altos nos playoffs.

    Na temporada de 2019-2020, os problemas de defesa parecem ter sido resolvidos. O time trouxe Luke Schenn e Kevin Shattenkirk, ambos defensores, cujo foco é prevenir gols ao invés de tentar fazê-los. Brayden Point, importante RFA da temporada passada, assinou uma extensão de três anos com o Tampa Bay, garantindo assim uma grande força ofensiva junto com Steven Stamkos e Nikita Kucherov.

    O vencedor do Vezina Trophy de 2019, Andrei Vasilevsky, também foi outro nome importante que reassinou. Seu contrato de extensão é de oito anos e, com isso, o time de Tampa assegura a sua proteção nas redes. O goleiro Curtis McElhinney também chega do Carolina Hurricanes para revezar as redes com Vasilevskiy, após boa temporada no ex-time.

    Por outro lado, o ganhador da Stanley Cup de 2019 com o St. Louis Blues, Pat Maroon, assinou um contrato de um ano com os Bolts.

    Em conclusão, a previsão é que o Tampa Bay Lightning tem tudo para chegar longe. O time da Divisão Atlântica terminou a temporada regular com 128 pontos. Os problemas que impediram o time de ir longe na pós temporada, a princípio, serão sanados com as adições novas. Com isso, Tampa Bay pode começar a nova temporada com o pé direito e ir ainda mais longe no campeonato.

    Toronto Maple Leafs

    Após diversos boatos, Mitch Marner reassinou com o time da Divisão Atlântica Toronto Maple Leafs por 6 anos.
    Após diversos boatos, Mitch Marner reassinou com o Toronto Maple Leafs por seis anos.

    A Divisão Atlântica é uma das divisões mais competitivas da Liga, justamente por conter alguns dos times mais bem equipados e competitivos. Sempre se espera um bom desempenho de seus times, mesmo que no último ano as vagas dos playoffs não tenham mudado muito.

    O Toronto Maple Leafs definitivamente se encaixa em tais características. Mitch Marner, John Tavares e Auston Matthews continuarão servindo como a força de ataque letal dos Leafs. Juntos, os três jogadores marcaram mais de 100 gols na temporada passada.

    Tyson Barrie, adquirido via troca do Colorado Avalanche, se juntará a Morgan Rielly na defesa, e os dois poderão ser uma das maiores duplas defensivas da liga. Porém, os Leafs perderam um de seus melhores forwards, Nazim Kadri, que foi trocado para os Avs no lugar de Barrie.

    Porém, os Leafs também renovaram contratos. Kasperi Kapanen assinou por mais três anos. Mitch Marner foi outro nome que também renovou com o time. Depois de muita negociação, Marner assinou um contrato de seis anos. Dessa forma, os torcedores do time canadense não precisarão se preocupar com seus principais atacantes.

    Dessa forma, os Leafs têm tudo para chegarem longe, garantindo uma vaga nos playoffs novamente. Sem dúvida, o time de Toronto entrará na briga pela liderança da Divisão ao lado de Boston e Tampa. Será que teremos novamente Bruins x Leafs na primeira rodada dos playoffs? Vamos aguardar.

    Imagens: Reprodução/NHL.com

  • Divisão Pacífico: Previsão temporada 2019/2020

    Divisão Pacífico: Previsão temporada 2019/2020

    Esse é o terceiro texto da nossa série de previsões para a temporada de 2019/2020. Não deixe de ler sobre a Divisão Metropolitana e Central.

    A divisão do Pacífico está sofrendo uma mudança em sua configuração em relação aos últimos anos. Isto porque as últimas equipes a conquistar a Stanley Cup (Los Angeles, Anaheim e Edmonton) devem acabar na parte de baixo da tabela de classificação. Para os Oilers, não se trata de novidade, já que a equipe canadense teve dificuldade para emplacar boas campanhas neste século. Quanto aos californianos, Kings e Ducks estão passando por um processo de reconstrução, já que a idade chegou para seus elencos vitoriosos.

    No outro pólo temos os Canucks e Coyotes, que devem competir por uma vaga nos playoffs e que já têm suas estrelas do futuro. O San Jose Sharks se encontra no meio do caminho, com um elenco experiente, porém ainda competitivo, mas que nunca ergueu a copa prateada. Com estrelas mais jovens, mas por sua vez mais preparadas, o Calgary Flames é um candidato forte ao título da divisão.

    Por fim, o bebê da liga, Vegas Golden Knights. A equipe de Nevada é um exemplo de sucesso enquanto franquia de expansão, e ainda é favorita para ter uma campanha longa na pós temporada. Com isso em mente, vamos discutir os destaques de cada um dos integrantes da divisão pacífica. 

    ANAHEIM DUCKS

    A equipe californiana perdeu um integrante importante da história da franquia, já que Corey Perry agora é jogador do Dallas Stars. Entretanto, peças jovens e promissoras estão dando continuidade ao processo de remontada do clube. A necessidade de sangue novo também vem dos problemas de saúde de veteranos importantes como Ryan Kesler e Patrick Eaves. Ambos estão fora da temporada com a possibilidade de não atuarem mais no hockey profissional. 

    O center Sam Steel estará em sua segunda temporada como profissional e será peça fundamental no rejuvenecimento do lineup dos Ducks. Além dele, os veteranos Getzlaf e Henrique ainda devem contribuir enquanto centrais. Nas wings temos nomes como Rickard Rakell, Jakob Silfvberg e Troy Terry, que devem contribuir para o ataque da equipe.

    Além disso, prospects como Maxime Comtois devem receber chances durante a temporada. A defesa, por sua vez, perdeu Brandon Montour, trocado para o Buffalo Sabres. No entanto, conta com Cam Fowler, Hampus Lindholm e Josh Manson com bons contratos. No gol, Anaheim tem um dos nomes cotados para competir pelo Vezina, John Gibson, além do experiente Ryan Miller. 

    Os Ducks também têm uma novidade no banco de reservas: o técnico Dallas Eakins. Ele foi promovido do San Diego Seagulls, afiliado da AHL (American Hockey League), no final da temporada. Após a demissão do técnico Randy Carlisle em fevereiro, o GM Bob Murray foi seu substituto de forma interina até a off-season. A missão de Eakins é levar os Ducks de volta aos playoffs, já que na última pós temporada a equipe ficou de fora pela primeira vez desde 2012. 

    ARIZONA COYOTES

    Phil Kessel durante coletiva de imprensa

    Os Yotes tiveram uma off-season movimentada, já que adquiriram Phil Kessel dos Penguins. O winger pode ser o diferencial que faltava na corrida por uma vaga na pós-temporada. Ano passado, a equipe do Arizona terminou a poucos pontos do Colorado Avalanche, último a conseguir uma vaga de wildcard

    Outro jogador que poderá ter um grande impacto no time é Nick Schmaltz, adquirido junto ao Chicago Blackhawks e que teve seu contrato renovado até 2025/2026. O center teve uma lesão no joelho em dezembro que o tirou do resto da temporada, mas tem potencial para ser o central da primeira linha dos Coyotes este ano.

    Além disso, Clayton Keller também renovou com a equipe até 2025/2026, antes de chegar ao status de restricted free agent. O ataque de Arizona ainda conta com nomes como Derek Stepan, Michael Grabner, Christian Dvorak e Brad Richardson. 

    Já na defesa, o capitão Oliver Ekman-Larsson é o principal nome, juntamente com o multicampeão Niklas Hjalmarsson e o jovem Jakob Chychrun. Este último precisa mostrar a que veio, já que teve os primeiros anos de sua carreira profissional atrapalhados por lesões. No gol, os Coyotes contam com a dupla Antti Raanta e Darcy Kuemper. A temporada da equipe também depende muito da atuação e, principalmente, saúde de ambos. 

    CALGARY FLAMES

    A equipe canadense deixou a desejar na última pós-temporada, perdendo para o Colorado Avalanche em cinco partidas. Entretanto, o GM Brad Treliving conseguiu assinar um contrato “razoável” com uma de suas estrelas, o winger Matthew Tkachuk, que era RFA. Ganhando $7 milhões, o americano é o jogador mais bem pago do elenco, recaindo sobre ele uma grande responsabilidade.

    Além disso, nomes como Elias Lindholm, Mikael Backlund e o superstar Johnny Gaudreau, além do competente center Sean Monahan, fazem dos Flames um dos favoritos para conquistar a sua divisão. Outrossim, o bottom six dos Flames deverá ser composto por alguns dos prospects como, por exemplo, Derek Ryan, Dillon Dube, Andrew Mangiapane e Austin Czarnik. A surpresa do training camp foi Tobias Reider, ex-Oilers, que impressionou o clube e assinou contrato de um ano. 

    O capitão Giordano vem da melhor temporada de sua carreira e forma  defesa juntamente com jovens como Noah Hanifin, Ramus Andersson e Oliver Kylington. No gol David Rittich é tido como o titular, mas a equipe trouxe Cam Talbot para compor a dupla de arqueiros e pressionar o tcheco. 

    Além disso, o Calgary Flames e seu arquirrival, o Edmonton Oilers, fizeram parte de uma troca no mínimo curiosa. Milan Lucic e seu contrato monstruoso foram para os Flames (e talvez seu afiliado na AHL), enquanto James Neal foi mandado para Edmonton após uma temporada decepcionante em Calgary.

    EDMONTON OILERS

    Connor McDavid, capitão do Edmonton Oilers

    Durante muito tempo, os erros em Edmonton foram creditados a um nome: Peter Chiarelli. Agora, com Ken Holland à frente, os Oilers precisam se reestabelecer como uma equipe forte o bastante para os playoffs. Para isto, têm em David Tippet um novo técnico. Além disso, Connor McDavid está no segundo ano de seu contrato multimilionário e no auge de sua forma física. Entretanto, a equipe não pode depender apenas dele e de Leon Draisaitl, cujo contrato de 8 milhões parece uma barganha agora que o jogador teve uma temporada de 50 gols. 

    Com Ryan Nugent-Hopkins em seu último ano antes da free agency, a hora dos Oilers investirem em pontuadores secundários é agora. Após o drama envolvendo Jesse Puljujarvi, a equipe de Edmonton espera que James Neal consiga produzir em um novo sistema ao lado de dois dos melhores jogadores da NHL. Além disso, a equipe deve aproveitar os waivers deste início de temporada para conseguir peças para composição de seu elenco sem precisar se desfazer de picks ou prospects.

    Na defesa, nomes como Darnell Nurse, Adam Larsson e Oskar Klefblom serão essenciais, com prospects como Caleb Jones, Ethan Bear e Evan Bouchard correndo para conseguirem uma vaga na equipe. Já no gol, outra troca, ainda que não direta, com os Flames. Enquanto Talbot será um Flame, Mike Smith deverá disputar a vaga da posição com Mikko Koskinen. 

    A temporada tem tudo para ser um divisor de águas na era McDavid, que já se fez transparecer bastante frustrado com a falta de competitividade de sua equipe. Será que ele pedirá para ser trocado caso o time tenha outra temporada decepcionante? Além disso, precisamos de estrelas como McDavid nos playoffs para o bem da NHL, afinal se trata do melhor jogador da atualidade. 

    LOS ANGELES KINGS

    Quando se ganha duas Stanley Cups em três anos, a torcida tende a ser mais permissiva com um elenco envelhecido. No caso dos Kings, que ganharam seu segundo troféu há cinco anos, a paciência já está diminuindo. Com os principais nomes das campanhas vitoriosas já na segunda metade de suas carreiras, o rebuild de LA é mais discreto do que das demais equipes da liga.

    Veteranos como Anze Kopitar, Jeff Carter, Ilya Kovalchuk, Dustin Brown e Tyler Toffoli ainda têm gasolina em seus tanques. Entretanto, o bottom six deverá ter algum nome novo, como Jaret Anderson-Dolan, Rasmus Kupari ou Gabriel Vilardi. A escolha de primeiro round deste ano, Alex Turcotte, irá jogar hockey universitário pela Universidade de Wisconsin, mas pode ser um elemento surpresa interessante quando sua temporada acabar. 

    Além dos prospects, jogadores secundários como Alex Iafallo e Adrian Kempe também precisarão produzir mais. A defesa, liderada por Drew Doughty, também conta com Alec Martinez, cujo nome é frequentemente especulado em trocas, além de Ben Hutton e Joakin Ryan. A equipe californiana fez o buyout do contrato do veterano Dion Phaneuf, que não atuará mais por Los Angeles. Por fim, se os Kings têm qualquer esperança de se classificarem para um lugar na pós-temporada, dependerão de um goleiro saudável e jogando bem. 

    SAN JOSE SHARKS

    Um dos favoritos para liderar a divisão, San Jose vai tentar (mais uma vez) conquistar a Stanley Cup pela primeira vez. A equipe californiana vai ser liderada por seu novo capitão, o experiente Logan Couture, que ganhou o C após a saída de Joe Pavelski, agora jogador do Dallas Stars. Assim como os Kings, muitas das estrelas dos Sharks já entraram na segunda metade de suas carreiras, como Brent Burns, Erik Karlsson e Marc-Édouard Vlasic. Joe Thorton, um caso à parte, já está na terceira reencarnação da sua. 

    A diferença entre as duas equipes da Califórnia é simples: os Kings ganharam nas duas finais das quais participaram. Entretanto, com Couture, Evander Kane, Timo Meier e Tomas Hertl formando o coração ofensivo da equipe por mais vários anos, a janela de vitória de San Jose permanece aberta.

    Além disso, a equipe conta com dois dos defensores mais dinâmicos da NHL, em Burns e Karlsson. Porém, a maior incógnita dos Sharks está no gol, devido às atuações inconstantes do titular Martin Jones, cujo reserva Aaron Dell também não passa muita confiança. Talvez os Sharks consigam conquistar o primeiro campeonato da franquia com todas as peças clicando ao mesmo tempo (e quem sabe com mais uma ajudinha da arbitragem) nesta temporada.

    VANCOUVER CANUCKS

    Elias Pettersson, ganhador do Calder Trophy da temporada 2018/2019

    Quem gosta de assistir hockey com certeza quer ver os Canucks nos playoffs e a razão é simples: Elias Pettersson. O ganhador do Calder, que impressionou a todos em sua primeira temporada, tem tudo para produzir ainda mais este ano, desde que não se machuque. Com o fim da saga com seu RFA mais importante, a equipe canadense renovou com Brock Boeser por três anos, tempo necessário para Vancouver se livrar dos mais de três milhões anuais em penalidades de recaptura com relação ao contrato de Roberto Luongo.

    O grupo de atacantes ainda inclui Bo Horvat, Josh Leivo, Jake Virtanen, Brandon Suter, Tanner Pearson e Loui Eriksson. Além disso, também conta com as adições de nomes como JT Miller e Micheal Ferland. Sven Baertschi, por sua vez, foi posto em waivers às vésperas do início da temporada. Já a defesa agora conta com os free agents Tyler Myers e Jordie Benn, além da temporada de estreia de Quinn Hughes, que é um nome forte para terminar no top3 indicado ao Calder Trophy.

    Por fim, no gol os Canucks contam com Jacob Markstrom, que começou a última temporada em baixa mas terminou em alto nível. Além do sueco, Vancouver tem Thatcher Demko, cujo potencial é ser o arqueiro do futuro do time. Em suma, o time canadense vai competir por vaga nos playoffs, o que complica sua situação é competir com equipes da divisão Central para uma vaga de wildcard

    VEGAS GOLDEN KNIGHTS

    A situação da equipe de Nevada é única entre as franquias jovens. Geralmente estas costumam demorar para conseguir campanhas vitoriosas. Com apenas dois anos na NHL, o currículo de Vegas conta com uma derrota em um jogo seis da final da Stanley Cup e uma derrota duvidosa no primeiro round para o San Jose Sharks. Mesmo com o time apelidado de misfits, por se tratarem dos rejeitos das outras equipes, os Golden Knights conseguiram se firmar como um candidato quase que imediatamente. 

    O top six do time deve jogar junto durante muito tempo, que inclui atacantes como William Karlsson, Mark Stone, Max Pacioretty e Jonathan Marchessault. Além disso, contam com o jovem Alex Tuch e o prospect Cody Glass, escolhido em quinto no Draft de 2017. No mais, peças como Reilly Smith e Paul Statsny também irão contribuir para a equipe.

    A defesa dos Golden Knights tem seu alicerce em Nate Schmidt e Shea Theodore, contando ainda com Brayden McNabb e Nick Holden. O prospect Nic Hague é o principal nome novo na defesa, já que Erik Brannstrom foi mandado para Ottawa na troca por Stone. No gol, Marc-André Fleury é a alma do time e elemento fundamental para uma eventual campanha vitoriosa. Ainda que Vegas tenha perdido nomes como Colin Miller, Erik Haula e Pierre-Edouard Bellemare, a equipe ainda é uma das favoritas para conquistar a sua divisão.

    Fotos: NHL.com/Reprodução

  • Divisão Metropolitana: previsões para temporada 2019-20

    Divisão Metropolitana: previsões para temporada 2019-20

    A Divisão Metropolitana provou duas coisas durante os playoffs da última temporada. Primeiro, que as previsões nem sempre são certeiras. Segundo, que geralmente quem “varre”, será “varrido”.

    A principal previsão de 2018 talvez tenha sido que o campeão da Stanley Cup 2018, Washington Capitals, iria reivindicar seu título com unhas e dentes. O que ninguém esperava era que um certo time, lá da Carolina do Norte, fosse mudar a ordem das coisas. Dessa forma, deixou a competição bem mais interessante. 

    Mas a off-season trouxe o Draft, o free agency e diversas trades. Esse são fatores importantes que podem vir a mudar o destino dos times da divisão. Vamos contar para vocês quais são nossas previsões para as equipes da Metropolitana nessa nova temporada que começa nessa semana.

    Carolina Hurricanes

    Sebastian Aho, o jogador renovou o contrato com Canes na Intertemporada

    Como dito anteriormente, os Canes foram o único time da Divisão a sobreviver além do segundo round dos playoffs da Stanley Cup. Há nove temporadas que o time de Raleigh não via os playoffs (desde de 2008.09). 

    Mas este ano as coisas foram diferentes. Desde que o time adquiriu o forward Sebastian Aho, começou-se a ver melhoras na equipe. De 2016 até aqui, a equipe tem chegado cada vez mais perto de garantir uma posição nos playoffs. A contratação de um novo técnico no início da temporada gerou trocas de jogadores e de linhas necessárias para achar a sincronia perfeita da equipe.

    Rod Brind’Amour, que foi o capitão do time de Raleigh durante a conquista da Stanley Cup em 2006, chegou em Canes a fim de desenvolver uma nova forma de jogar. Logo no início da temporada, fez a escolha ousada em permanecer com Andrei Svechnikov, left wing adquirido no Draft 2018, diretamente na NHL. O jovem jogador começou sua carreira na Liga marcando em seus seis primeiros jogos, quatro pontos. Sendo assim, foi peça essencial para colocar os Hurricanes nos playoffs em 2019.

    O resultado foi eficaz. O time avançou e, com 99 pontos, conquistou uma vaga por wildcard nos playoffs deste ano. Como se não bastasse chegar à pós-temporada, técnica e talento levou o time às Conferências Finais, onde teve sua participação interrompida. No entanto, terminaram a temporada com sensação de dever cumprido. 

    Os Canes ainda passam por um período de renovação, mas o time já se encaixa melhor do que antes. É mais ofensivo, defende, encara os demais times olho no olho.

    Além de Aho e Svechnikov, Teuvo Teravainen é outro nome para ficarmos atentos na próxima temporada. Ele marcou 76 pontos na regular season e, nos playoffs, fez um score de 10 pontos. Desta forma, é o segundo jogador do Carolina, nas duas ocasiões, a ter mais pontos marcados na temporada. A tendência é que continue com o mesmo ritmo na próxima. 

    Para complementar o time, os Canes assinaram com o defensor, Jake Gardiner, um contrato de quatro anos. Assim, a equipe reforça ainda mais a defesa para a nova temporada.

    A renovação que o time precisa está em nomes como Aho, Svechnikov e Teravainen. São nomes mais jovens e que podem vir a construir uma carreira no Carolina Hurricanes, tornando-se chaves na mudança pela qual a equipe vem passando. Previsões sobre times que possam vir a ganhar a cup nunca são certeiras, mas, se depender do talento de seus jogadores, os Canes estão destinados a coisas grandiosas.

    New York Islanders

    Por mais que a perda de John Tavares ainda doa em alguns torcedores dos Isles, o time não sofreu tanto esse impacto. Eles foram o quinto time com mais pontos ao fim da temporada regular e, consequentemente,  terminaram em segundo lugar na divisão. Finalizaram com 48 vitórias.

    Por sua vez, o goleiro do time, Robin Lehner, teve o segundo melhor Save Percentage da liga. Deixou apenas uma média de 2.13 pucks entrar no fundo da rede por jogo. Ou seja, o time tinha o talento necessário para chegar às finais da Stanley Cup. Porém, a história na prática foi bem diferente. 

    Eles venceram o Pittsburgh Penguins em quatro jogos, no primeiro round. Avançaram ao segundo contra o Carolina Hurricanes. No entanto, uma das únicas previsões certas nos playoffs da temporada passada foi que: “quem varre, será varrido”. Não foi diferente com os Isles. Perderam os quatro primeiros jogos para o Carolina Hurricanes. Desta forma, tiveram uma passagem curta na pós-temporada. 

    Peças essenciais para o time, como Mat Barzal, Josh Bailey, Anders Lee e Jordan Eberle, deverão ser nomes importantes para a caminhada dos Isles. Principalmente Barzal que, mesmo jovem, se tornou um dos líderes em pontos do time nas últimas temporadas. O capitão, Lee, liderou a equipe em gols. Com seu estilo de jogo, a história talvez se repita na próxima temporada. 

    Com a saída de Robin Lehner, contudo, o time precisou procurar outro goleiro no mercado. Portanto, assinaram um contrato de quatro anos com Semyon Varlamov, que veio do Colorado Avalanche. Na última temporada, ele teve um Save Percentage de .909%. Sendo assim, foi de extrema importância na ida do Avalanche aos playoffs. Os fãs dos Islanders apostam nele para fazer o mesmo. 

    No entanto, pode-se esperar, para a nova temporada, uma alternância entre Varlamov e Thomas Greiss na rede dos Islanders. Prática que, na temporada passada, foi comum para o técnico, Barry Trotz, implantar no time. Desta maneira, Lehner e Greiss jogaram quase metade dos jogos da temporada cada um. 

    O New York Islanders tem um elenco digno de pós-temporada, com experiência e que conhece o jogo. Portanto, com certeza, é uma das equipes que, se houver uma sincronia entre linhas e jogadores, pode vir a avançar muito mais nos playoffs.

    Pittsburgh Penguins

    Comparando as últimas três temporadas, é cada vez mais notável a decaída dos Penguins nos playoffs. O time saiu de uma situação na qual foi campeão por dois anos consecutivos para entrar em outra completamente diferente. Este ano foram eliminados em quatro jogos, ainda no primeiro round dos playoffs. Para uma equipe experiente na pós-temporada, é um grande baque. 

    É perceptível que o time precisa de renovação. Os Penguins tem um dos elencos mais talentosos dos últimos dez anos, tendo já conquistou diversos prêmios além da Stanley Cup. Comandados por Sidney Crosby, jogadores como Evgeni Malkin e Kris Letang conquistaram três Cups na última década. Duas delas seguidas, na temporada 2016/17 e 2017/18. Além disso, por mais que o Pittsburgh não tenha tido uma temporada excepcional, Crosby ainda foi o quinto jogador a marcar mais pontos na última temporada. 

    Quem se destacou na última temporada, no entanto, foi Jake Guentzel. Ele é um dos nomes essenciais nessa nova fase do Pittsburgh. É o líder em gols no time, ultrapassando até mesmo Crosby. 

    Para a próxima temporada, o aspecto do time que mais necessita melhorias é a defesa. Esta falhou diversas vezes durante os quatro jogos dos playoffs em que o Pittsburgh esteve presente. Eles estão passando por um período de reconstrução do time, que ainda vai persistir por mais alguns anos. Portanto, nomes como Guentzel serão essenciais nessa transição. Uma dica é ficar de olho nos rookies. Junto de Guentzel, eles também serão necessários nas mudanças que o Pittsburgh precisa. Principalmente os defensores que o time decidir manter para disputar a liga principal.

    Mas, apesar das falhas, ainda são os Pittsburgh Penguins. O time ainda possui jogadores extremamente talentosos e respeitados. Os playoffs são incertos, já que a última temporada provou isso. Portanto, existe sim a possibilidade de os Pens disputarem pela taça, tanto quanto os demais times. 

    Washington Capitals

    OTTAWA, ON – DECEMBER 29: Washington Capitals Left Wing Alex Ovechkin (8) prepares for a face-off during third period National Hockey League action between the Washington Capitals and Ottawa Senators on December 29, 2018, at Canadian Tire Centre in Ottawa, ON, Canada. (Photo by Richard A. Whittaker/Icon Sportswire via Getty Images)

    O campeão da Stanley Cup 2018/19 não decepcionou na temporada regular. Muitos analistas de hockey esperavam que, pelo fato de as comemorações da equipe terem sido intensas, os Caps não iriam ter o mesmo desempenho da temporada anterior.

    Erraram. O time finalizou como líder da Divisão Metropolitana, com 104 pontos. Além disso, foi um dos primeiros a garantir seu lugar nos playoffs. Ovechkin terminou a regular season como líder de gols em toda a liga, e o terceiro a ter mais gols em power play. Nada de diferente por aqui, já que é do feitio do forward liderar e quebrar recordes. 

    Mas o time decepcionou e decaiu nos playoffs. Eles foram rapidamente derrotados em quatro jogos pelo Carolina Hurricanes. Da mesma forma, o Caps ainda é um time gigante e com um elenco talentoso. Liderados por Ovechkin, o time tem probabilidade altíssima de buscar um segundo título nesta temporada.

    Uma linha com Ovechkin, Wilson e Backstrom pode vir a ser certeira. Apesar dos escândalos na off season, o Washington já afirmou que Evgeni Kuznetsov não irá ficar de fora de todos os jogos da temporada. Ele, junto dos veteranos Wilson, Oshie e Holtby, são peças essenciais e fazem completa diferença em jogo. Principalmente Oshie, que foi o segundo jogador do time a marcar mais gols na temporada. 

    Os Capitals estão indo no caminho certo. Tiveram alguns erros durante o caminho, mas vêm com força total para disputar pela Stanley. 

    Columbus Blue Jackets

    Os Blue Jackets talvez tenham sido um dos times que menos se destacou da divisão na temporada regular. Porém, conquistaram a inédita vaga no segundo round dos playoffs, mesmo que tenham sido eliminados pelo Boston. Mesmo assim, com nomes como Artemi Panarin, Seth Jones, Cam Atkinson, Matt Duchene e Pierre Luc Dubois, o time conseguiu garantir um lugar na pós-temporada.

    Pelo segundo ano consecutivo, o time teve a chance de liderar a série por 3 a 1 em casa, mas perdeu para o Boston. Mas perderam o timing e deixaram o Bruins levar a série.

    Por mais que os Blue Jackets estejam em déficit com as saídas de Panarin e Duchene, o time ainda possui jogadores novos que podem influenciar no sucesso do Columbus. Um deles é Alexandre Texier, que fez três pontos em quatro jogos contra o Tampa Bay Lightning. Apesar disso, quando o time precisou de jogadores para rebater o contato físico do Boston, não houveram muitas soluções. Para a próxima temporada, o time precisa ser tão ofensivo quanto os demais, e treinar seus novos talentos da mesma forma. 

    Talvez a falta de experiência dos Blue Jackets tenha sido o principal fator que os cortou tão cedo dos playoffs. Sendo assim, isso é algo a se mudar a cada ano de experiência, já que possui jogadores veteranos e futuros talentos capazes de fazer do time uma presença constante nos playoffs daqui para frente.  

    Philadelphia Flyers

    Talvez a aquisição mais importante dos Flyers na última temporada tenha sido o mascote que, sem dúvida, é um dos melhores da liga. Brincadeiras à parte, essa foi possivelmente uma das temporadas menos produtivas para o time. Nem chegaram a competir nos playoffs. Desde a season 2011/12, eles tem competido nos playoffs temporada sim, temporada não. 

    Por mais que a equipe possua novos talentos como Nolan Patrick e Carter Hart, além dos veteranos Claude Giroux e Sean Couturier, não foi o suficiente para levá-los para a pós-temporada. Mesmo assim, esses são os jogadores que podem encaminhar os Flyers outra vez aos playoffs.

    É interessante observar como Carter Hart vai se desenvolver nesta nova temporada. O goleiro de apenas 21 anos, em sua primeira temporada pelo time, teve um percentual de defesas de .917%. É possível vermos uma alternância entre ele e Brian Elliot. Porém, com seu desenvolvimento na última temporada, talvez nós possamos ver Hart disputar mais jogos pelos Flyers. 

    Os rookies do time, mais especificamente Joel Farabee e Carsen Twarynski, também merecem atenção dos fãs, pois se destacaram muito no training camp. Twarynski, por exemplo, marcou dois gols nos últimos dois jogos da pre-season e fez uma perfomance excelente. Portanto, é provável que nós vejamos os dois garotos em alguns jogos dos Flyers na próxima temporada. 

    New York Rangers

    Kaapo Kakko, jogador adiquirido pelos Rangers no segundo pick do Draft

    Essa já é a segunda temporada dos Rangers fora dos playoffs. Eles adquiriram apenas 78 pontos na temporada regular passada. Com isso, terminaram em penúltimo lugar na divisão, a 20 pontos de garantir um lugar nos playoffs

    Apesar das dificuldades nos dois últimos anos, o time está disposto a deixar os empecilhos para trás e focar no futuro. O primeiro passo foi, talvez, a aquisição de Artemi Panarin na off-season. Líder em pontos pelo Blue Jackets na última temporada, o jogador será peça essencial da possível entrada dos Rangers nos playoffs, marcando gols e assistências que elevem a pontuação do time. 

    Adquirir Kaapo Kakko no Draft deste ano também foi um passo muito importante nessa reconstrução. Em maio, ele conquistou o Mundial de Hockey da IIHF, junto à Finlândia. Marcou apenas sete pontos durante o Mundial, mas sua maneira de jogar foi o suficiente para ser draftado em 2nd overall e chamar atenção dos Rangers. Se o ritmo se manter, será bem provável que Kakko leve o New York até a pós-temporada.  

    Dentro dos playoffs ou não, não se pode negar que o time tem um elenco cheio de estrelas. Primeiro, são liderados por Lundqvist, veterano dos Rangers. Além disso, se espera que o líder em pontos e gols da equipe, Mika Zibanejad, continue mantendo o padrão na próxima temporada, junto de Kreider e Vesey. 

    New Jersey Devils

    Jack Hughes, draftado em primeiro pelos Devils

    Se a última temporada não foi gratificante para os Devils, essa com certeza será bem diferente. O time, que terminou quase em último lugar, tirou a sorte grande ao conseguir o 1st pick overall no Draft deste ano, adquirindo um dos seus maiores talentos, Jack Hughes

    Hughes já provou ao que veio durante a pré-temporada. Em quatro jogos, ele marcou três gols e foi a estrela de dois dos quatro jogos. Seu estilo de jogo, sendo guiado pelo veterano Taylor Hall, pode vir a beneficiar muito os Devils nessa nova temporada. 

    Outra aquisição do time foi PK Subban, que vem para reforçar a desestruturada defesa de New Jersey. Um defensor, que circula pelo ataque e faz gols constantemente é o que os Devils precisam atualmente. 

    O que podemos garantir é que as chances dos Devils fazerem uma temporada incrível e garanta um lugar nos playoffs é grande. Hall, Hughes e companhia serão peça essencial para isso.

  • #FörFramtiden: a importância do movimento para o futuro do hockey feminino

    #FörFramtiden: a importância do movimento para o futuro do hockey feminino

    Já não é mais novidade o preconceito que grande parte das mulheres sofre quando decide seguir carreira no universo esportivo. Jornalistas, atletas, gestoras, analistas.

    No hockey especificamente, também é sabido que o esporte é dominado pelo sexo masculino.

    Por fim, também são old news que mulheres ligadas ao esporte já sofreram, em algum momento de sua carreira, discriminação. Ainda existe uma parcela do fandom que não conseguiu aceitar que elas também pertencem ao hockey. Sim, tanto quanto os homens. 

    Desse modo, o time feminino de hockey sueco foi um dos que resolveu dizer “chega!” A jogadoras se uniram, e criaram o movimento #FörFramtiden. Este por elas mesmas e pelas futuras atletas, com a intenção de desenvolver um ambiente saudável para todas as meninas que sonham em fazer do esporte seu trabalho um dia. 

    O que é o #FörFramtiden

    Num geral, o #FörFramtiden é um movimento, organizado pelo Time Feminino de Hockey da Suécia. Este tem o intuito de reivindicar melhores condições para as atletas do time. A intenção é criticar a maneira inferior como a confederação tem tratado os times femininos. O tratamento é visto como completamente diferente do destinado aos times masculinhos, em vários aspectos.

    Portanto, protestantes ao descaso, 43 jogadoras da Seleção Sueca Sênior anunciaram, em 14 de agosto, um boicote ao training camp. Também optaram por não participar do Torneio das 5 Nações, que teve início em 20 de agosto de 2019. Tal anúncio foi feito nas mídias sociais das jogadoras, um dia antes da equipe feminina precisar se reunir para o training camp em Bosön, complexo de esportes localizado em Estolcomo, na Suécia, destinado a Confederação de Esportes do país. 

    Parte do manifesto conta com os seguintes dizeres:

    “Todas os jogadoras convidadas a jogar pela Seleção Nacional de Hóquei Feminino da Suécia informaram hoje à Federação Sueca de Hóquei sobre uma decisão mútua e unida. Um total de 43 jogadores foram convidadas para o training camp e Torneio. Porém, ninguém participará de nenhum. A partir de hoje, [nenhuma das atletas] representará as cores azul e amarelo até que a Confederação Sueca de Hockey nos mostre que está disposta a trabalhar ao lado de nossas jogadoras para desenvolver e criar melhores fundamentos para as atletas atuais e para todas as próximas.”

    A resposta da confederação foi que eles estavam surpresos com o manifesto. Porém, em momento algum acabaram por citar as condições que o time feminino precisa enfrentar em todas as competições. Muito menos mencionaram soluções para a criação de melhores ambientes para as jogadoras atuais do time feminino de hockey, e também para as futuras atletas. 

    A importância do movimento

    Seguidamente, as atletas sugeriram, no manifesto, 10 pontos que necessitavam mudanças. Alguns destes são: maiores investimentos monetários nos times de hockey femininos (que são bastante inferiores às equipes masculinas), seguro para as atletas, melhores condições de viagens para os torneios, de uniformes, suplementos nutritivos (estes que muitos atletas afirmam já ter recebido com a validade expirada).  

    Dessa forma, discussões como essas são de extrema importância para que a próxima geração de atletas saiba o seu valor. Por fim, que entendam também que não merecem menos do que o mesmo respeito que os homens pelo trabalho excepcional que fazem. Assim, para que continuem levando tais pautas para que o futuro do hockey feminino seja brihante.

    Atletas apoiando o movimento

    Henrik Lundqvist, sueco que joga pelo New York Rangers, da NHL, declarou apoio ao movimento de suas colegas de seleção. Ele insistiu que, para que exista um acordo entre a equipe sueca de hockey feminino e a confederação de hockey sueca, é necessário diálogo.

    “Onde os recursos são usados ​​hoje? Podemos mudar a priorização / estrutura? Acredito que é bom iniciar um diálogo, porque a situação que as mulheres enfrentam é insustentável. O mais importante é iniciar o diálogo. As mulheres precisam sentir que têm oportunidades certas para realizar o máximo possível [pela equipe], mas, ao mesmo tempo, a Associação Sueca de Hockey no Gelo está se excedendo. (…) Não é sobre grandes recursos. Às vezes são sobre pequenas coisas, extremamente importantes, que fazem a diferença na preparação de qualquer atleta”, afirmou o atleta.

    No entanto, Lundqvist não é o primeiro atleta a apoiar o movimento. Outra iniciativa veio de seu colega de equipe nos Rangers e na seleção sueca. Mika Zibanejad doará 1 dólar para o time feminino a cada hambúrguer vendido no Brödernas, restaurante do qual ele é dono, juntamente com seu irmão e amigos. 

    Logo, discussões como estas são necessárias para ressaltar o mesmo ponto que as mulheres vêm tentando afirmar há anos: elas merecem estar no esporte, e disputar com a camisa de seus países tanto quanto os homens.

    Equipes femininas são tão talentosas e competitivas quanto os times masculinos. Por isso têm o direito de lutar por melhores condições para ter a oportunidade de fazer do esporte seu principal ofício, da mesma maneira que os homens podem fazer. Merecem ser apoiadas por falarem tão abertamente, por lutarem por suas causas em um mundo tão machista, como é o dos esportes. 

    Estamos no século 21. Não existe mais espaço para descriminação e mudanças são necessárias. Agora.

    Foto: Reprodução/theicegarden.com