Categoria: Opinião

  • Sobre liberdade de expressão, preconceito e outras reflexões

    Sobre liberdade de expressão, preconceito e outras reflexões

    Na primeira semana do ano foi noticiado que um jogador de hockey de 19 anos, Keegan Mitchell do Sherwood Metros, havia sido suspenso por ter violado a política de mídias sociais da liga Hockey P.E.I. (Prince Edward Island). De acordo com o relato do próprio jogador, um de seus companheiros de equipe foi vítima de comentários racistas — mais precisamente anti-asiáticos —, por parte de um dos adversários do Kensington Vipers. 

    Em resposta à situação, Mitchell confrontou o jogador e deu-lhe um slashing nas pernas, motivo pelo qual recebeu uma punição — justa, segundo o próprio jogador —, de duas partidas pelo ato violento. Embora exista nas regras a previsão de uma suspensão automática de cinco jogos para casos de racismo, segundo estabelecido pelo Hockey Canada, tal punição só pode ser aplicada se a equipe de arbitragem ouvir este tipo de ofensa. 

    No caso em tela, isto não ocorreu, o que gerou um sentimento de insatisfação em Mitchell. Assim, o jogador fez uma reclamação pública quanto à decisão em suas redes sociais, o que violaria o código de mídias sociais da organização. A punição, nestes casos, não tem um prazo específico. Esta não foi a primeira vez que uma situação semelhante aconteceu em partidas da Hockey P.E.I.

    Em novembro, o jogador Mark Connors foi vítima de outro episódio racista em uma partida organizada na região. O atleta declarou que acredita que a organização responsável está demorando demais nos procedimentos investigativos do caso. Quanto maior o lapso temporal, como bem sabemos, maiores as chances de impunidade em casos assim. 

    Por isso convido você para uma reflexão sobre as nuances do limite entre a liberdade de expressão do jogador do Sherwood Metros frente às políticas da liga do qual ele participa. Do outro lado, uma questão que vive sempre na sombra não só do hockey, bem como da maioria dos esportes: o racismo. 

    De acordo com o dicionário de Oxford, “liberdade de expressão” significa “o direito de um indivíduo manifestar quaisquer opiniões em público”. Nos Estados Unidos ela está presente na famigerada primeira emenda da Constituição Americana, enquanto no Brasil figura no artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal de 1988. No Canadá, onde os fatos narrados ocorreram, ela está prevista na seção 2(b) da  Carta Canadense de Direitos e Liberdades.

    A razão histórica deste direito é especialmente atrelada à existência de uma imprensa livre, possibilitando que os jornalistas forneçam notícias sem a influência de grupos políticos ou do governo. Entretanto, tal proteção também contribui para que o indivíduo consiga obter a verdade através de uma troca honesta de ideias, bem como atingir sua dignidade humana através do pensamento individual de cada um. 

    Existem, é claro, limites. No caso do Canadá, campanhas de ódio estão incluídas entre as razões pelas quais a liberdade de expressão pode ser limitada, com o intuito de proteger indivíduos ou grupos que correriam riscos por conta da situação. Isto me leva ao segundo tópico presente na história: o racismo. 

    No caso em tela, o jogador da equipe de Sherwood foi vítima de comentários anti-asiáticos, cuja incidência cresceu de forma alarmante especialmente depois do início da pandemia do COVID-19, cujos primeiros casos iniciaram-se na China. Nos Estados Unidos, por exemplo, os crimes de ódio e ataques contra asiáticos incluíram diversas formas de violência e até mesmo um tiroteio em Atlanta que deixou oito mortos em março do ano passado. 

    Tratando-se do hockey, não é segredo para ninguém que o esporte é majoritariamente branco, e que as decisões envolvendo suas ligas são tomadas, em sua esmagadora maioria , por homens brancos de meia idade que possuem laços, sejam eles profissionais ou familiares, com outros homens em situações semelhantes de poder no mundo do hockey. 

    Com isso, episódios envolvendo racismo — como recentemente na Ucrânia —, continuam acontecendo no esporte. Além disso, situações envolvendo xenofobia e homofobia acontecem  na NHL, fazendo um contraste com o slogan “Hockey is for everyone”. Se o objetivo de implementar campanhas de inclusão e erradicar o bullying e o preconceito no esporte, por que uma manifestação de descontentamento com a forma como uma investigação foi conduzida é censurada?

    Veja bem, não posso afirmar que os comentários de Mitchell foram bem construídos ou tampouco que seus argumentos foram baseados em insultos ou ofensas, tendo em vista que não encontrei evidência dos tais posts em nenhum lugar. Entretanto, é necessário discutir a necessidade de uma mudança de paradigma na forma como a comunidade do hockey lida com este tipo de situação.

    As repercussões da impunidade estão muito claras em casos como o de Kyle Beach [n/a: alerta de gatilho se você for acessar esta reportagem], onde todos, ou ao menos quase todos os envolvidos colocaram a conquista da Stanley Cup acima da integridade física e psicológica de um ser humano. Muito embora a responsabilização tenha sido alcançada, ainda que mais de uma década depois do fato, o caminho até chegar neste ponto foi doloroso e vitimizou mais jovens.

    A masculinidade tóxica dos esportes profissionais faz com que ninguém queira se pronunciar sobre comportamentos abusivos. No hockey, este sentimento é ainda mais perceptível, com a ideia de que os jogadores são quase robôs, que só pensam em colocar o puck no fundo do gol e em mais nada. Eles dirigem os mesmos carros, usam os mesmos ternos e se casam com as mesmas mulheres, têm 2.5 filhos e se tornam parte do front office  ou da imprensa depois da aposentadoria. 

    O sistema expurga quaisquer resquícios de humanidade, fazendo com que esses jogadores sejam apenas máquinas que servem para um propósito acumulativo nas organizações às quais pertencem [n/a: a nossa querida Gaby (@hockeynuisance) falou sobre isso no episódio do podcast no qual conversamos com ela, que você pode ouvir aqui no original e aqui na versão em português]. Expressar personalidade, portanto, torna-se tabu. Ao mesmo tempo, os jogadores são ensinados a colocar a necessidade de vencer acima de tudo, inclusive de possíveis valores morais. 

    No vídeo acima, por exemplo, temos Connor McDavid dando uma resposta sobre a possível contratação de Evander Kane por parte da equipe da qual ele é capitão, o Edmonton Oilers. Precisamos notar também que a grande maioria das pessoas que acompanham a Liga têm McDavid também como o melhor jogador em atividade e a principal e mais importante face do esporte. Ele é basicamente o cartão de visitas da NHL enquanto liga e do hockey no gelo enquanto esporte.

    Ao diminuir as preocupações da torcida acerca da possibilidade de terem um indivíduo que apresentou um cartão de vacinas falso e está sendo investigado por várias formas de abuso e violência contra sua ex-esposa (uma das alegações é a de que o jogador supostamente a ameaçou com uma arma de fogo), McDavid demonstra não ter empatia. Afinal, foi justamente a necessidade de colocar o sucesso do time acima da dignidade de uma vítima que gerou 11 anos de impunidade com relação ao Chicago Blackhawks.

    Então, retornando ao caso que abriu este artigo, poder criticar abertamente uma situação com a finalidade de evitar a impunidade não seria uma coisa positiva? O objetivo não é, portanto, alcançar alguma forma de responsabilização? Além disso, como podemos esperar que seja construída uma cultura positiva quando o órgão que deveria proteger e investigar reprime questionamentos? 

    O direito de poder se expressar livremente é uma das grandes conquistas do Estado democrático de direito. Por isso, utilizá-lo para promover a inclusão de grupos minoritários e promover os direitos humanos é concretizar ainda mais a sua função social dentro da democracia, visando, acima de tudo, a dignidade da pessoa humana. 

    Ele torna-se, portanto, uma ferramenta de mudança muito importante. Porém, até que o cultivo de empatia e o fim da impunidade atinjam o hockey em cheio, o slogan “Hockey is for everyone” não vai deixar de ser apenas uma tentativa de capitalizar em cima de grupos minoritários, sem gerar impacto real nas suas comunidades. 

     

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

  • Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Há duas semanas George Floyd foi morto por um policial branco, Derek Chauvin, de forma brutal, enquanto pedia por socorro diversas vezes. A morte de Floyd gerou diversos protestos em várias cidades dos EUA e do mundo contra o racismo e a violência policial sofrida pela comunidade negra. 

    Todo este acontecimento, somado as denúncias de abuso sofridas pelo jogador Akim Aliu (que vieram à tona em novembro), fizeram surgir diversas questões sobre o racismo no hockey. A maior parte delas em torno da postura assumida pela própria NHL diante de tais absurdos. Além disso,  o silêncio ensurdecedor da maior parte dos jogadores da Liga foi bastante criticado. 

    E então, após todas as observações, passamos a nos perguntar: o hockey é mesmo para todos?

    Infelizmente, a resposta para essa pergunta ainda é não. E por que é não? Porque ainda falta representatividade e aceitação desta pela comunidade do hockey, que apesar de já estarmos no século XXI, tem seus valores pautados em uma cultura excludente. 

    Primeiramente, precisamos começar este texto ressaltando algo muito importante: O hockey ainda possui uma cultura muito forte baseada em valores do século passado, que acompanham o esporte desde seus primórdios. E apesar desta, em alguns momentos, influenciar de forma positiva no esporte, fazendo com que este seja diferente dos demais, ela também se torna excludente. O texto de Akim Aliu, postado no The Players Tribune no dia 19 de maio, apesar de serem palavras difíceis de digerir, aborda muito a parte negativa do que essa cultura do esporte acaba trazendo. 

    Muito mais do que a NHL

    Akim retrata, claramente, todo o preconceito que sofreu durante não só sua passagem na NHL, mas também nos juniores. Dessa forma, acredito que seja importante iniciar a reflexão por aqui. Crianças absorvem tudo que o que escutam, e se desenvolvem sendo um reflexo de tudo que as foi ensinado desde o dia em que nasceram. A partir do momento em que alguém as ensina que pessoas negras não merecem estar dentro do hockey, e o discurso se torna contínuo nos ambientes em que frequentam, a probabilidade de elas o repetirem é enorme. 

    Essas crianças saem do Pee-Wee hockey para os juniores, passam pelo College Hockey e chegam até a NHL ainda escutando e reproduzindo o mesmo discurso, que continua a ser reforçado por muitos a sua volta. Adquirem também a consciência de que o abuso de poder e discriminação que executam é o correto. E então, futuramente, quando nos deparamos com relatos como os de Akim Aliu e Evander Kane, as coisas voltam novamente a fazer sentido. Esses relatos contam claramente o preconceito racial que estes jogadores sofreram dentro de vestiários, por parte de colegas de time, devido a cor da pele que possuem. Discriminação essa que ainda sofrem exercendo seu trabalho dentro do gelo, e que na maioria das vezes passa impune. Portanto, isso tudo volta a nos provar um outro ponto: a NHL ainda não aceitou por completo a diversidade e representatividade que o hockey tanto precisa. 

    É muito importante citar que o hockey é um reflexo da sociedade em que vivemos. Essa que ainda é extremamente racista. Ainda existem pessoas no mundo que não entendem que qualquer tipo de discriminação por raça, cor, gênero e sexualidade não são mais bem vindas no século 21. É necessário esquecer esses atos baseados em ódio no passado, para que apenas assim todos possamos evoluir, e deixar, por fim, qualquer tipo de preconceito para trás. 

    Todavia não podemos esquecer do papel da NHL na causa. Por ser uma Liga que já se declarou abertamente contra qualquer tipo de preconceito, criando um programa que tem o intuito de fazer com que todos sejam bem vindos ao hockey, é papel da mesma agir de acordo com as diretrizes que prega. Desta forma, mostrar que a inclusão proposta vai muito além de apenas trazer visibilidade para estas causas durante o black history month. O racismo no hockey não acontece apenas durante um mês. Ele se faz presente sempre, dos juniores ao profissional. É visível. Os relatos dos jogadores não mentem. 

    Posição dos atletas

    Mesmo com as diretrizes da Liga ser inclusiva, ainda assim, notamos a falta de engajamento e empatia de jogadores e de muitos torcedores com a causa. Quando as acusações de Aliu vieram a público, acumularam-se dias até que a Liga se manifestasse com uma nota de repúdio aos atos. Mas além de uma nota de repúdio, e o envolvimento com a causa apenas durante um mês do ano, nada mais foi feito. 

    Um jogador que dedicou, e ainda dedica, grande parte de sua vida ao hockey, teve coragem o suficiente para vir a público relatar os abusos e racismo que sofreu durante a sua jornada no esporte e, em troca, obteve o silêncio de muitos times e colegas. E o silêncio nessas horas é ensurdecedor. Deve ser gritante quando se olha para trás, e nota-se que a maior parte da comunidade do hockey, que prometeu estar ali por você, virou as costas para todo o sofrimento e humilhação feitos apenas devido a cor da sua própria pele. E isso é errado de tantas formas.

    Por isso é de extrema importância que os jogadores brancos da NHL se pronunciem. Que mostrem aos seus times e torcedores o quanto a conduta racista é errada e precisa ser desprezada e condenada. Existem pessoas que fazem destas figuras os seus ídolos, que os assistem e seguem em mídias sociais. E se partir deles a iniciativa de influenciar de maneira positiva àqueles que os acompanham, e, desta forma, outros acabarem fazendo o mesmo, a mudança finalmente passa a acontecer. 

    George Floyd: a brasa de uma fogueira

    Mas ao falar de esporte não podemos esquecer que tudo está dentro de um contexto. Quando ocorrem acontecimentos de tamanha grandiosidade como os protestos neste exato momento nos EUA, que envolve injustiça e discriminação com uma comunidade que a Liga declarou que apoia, o silêncio volta a ser gigantesco. Ele volta a dizer coisas que não foram ditas, e que passam a ficar claras. Esta é a hora de falar, de se posicionar, pois em momentos como estes o silêncio pode ser conivente com o lado que não é certo. 

    Alguns jogadores da NHL, que entendem seus privilégios como brancos dentro da sociedade e do esporte, tomaram a iniciativa de finalmente quebrar o silêncio. A primeira  mensagem foi feita por Nolan Patrick, no Instagram, se sensibilizando com a morte de George Floyd, no dia do ocorrido. A partir disso, tivemos os tweets de Evander Kane que acabaram movimentando Logan Couture, Blake Wheeler e outros jogadores a virem a público explanar suas condolências e indignação com o sistema racista em que vivemos. E quando um jogador de alto escalão fala, outros também acabam sendo inspirados com a necessidade de expressar, dando assim mais voz à luta. Uma importante ação, mas que não deve ser ovacionada, pois é obrigação destes, como seres humanos e influenciadores, apontar e condenar a discriminação racial.

    https://twitter.com/Logancouture/status/1266808775140237312?s=20

    No dia 31 de maio, às 23:24 (horário de Brasília), a NHL finalmente veio a público se pronunciar e repudiar os atos racistas. Afirmou também que irá trabalhar mais para que hajam mudanças em relação às discriminações ainda propagadas no esporte. E por fim, encorajaram os jogadores e clubes a usarem suas plataformas e privilégios para ajudarem na mudança.

    E um destes passos em relação à mudança finalmente foi dado. Na manhã de ontem (08), sob a liderança de Akim Aliu e Evander Kane foi criada a Hockey Diversity Alliance. Contando também com a participação de Matt Dumba, Wayne Simmonds, Trevor Daley, Chris Stewart e Joel Ward, a iniciativa vem com a intenção de promover diversidade no hockey e erradicar o racismo presente no esporte. No pronunciamento, os jogadores voltaram a anunciar que querem não só trazer mudanças positivas para o hockey, mas também para a sociedade. 

    O comitê, formado apenas por homens, fez surgir alguns questionamentos sobre o porquê de não existirem também mulheres negras sendo representantes. Saroya Tinker, jogadora do Metropolitan Riveters, da NWHL, foi a primeira a se manifestar em relação ao assunto. E seguidamente, revelou em seu twitter que Evander Kane havia entrado em contato para que fosse feita a integração de mulheres no comitê. Outro grande passo em relação a mudança. 

    Alguns dos posicionamentos, como por exemplo os de Jonathan Toews, Tyler Seguin, e Patrice Bergeron, mostraram a sinceridade nas palavras dos jogadores e ações tomadas que valem a pena serem destacadas (mas não louvadas). 

    Toews direcionou suas palavras a todas as pessoas brancas, que possuem privilégios devido a cor de sua pele. Foi pontual ao defender os protestos, e o porquê de serem necessários da maneira que estão acontecendo. Por fim, o capitão dos Hawks usou suas plataformas para pedir que seus seguidores, e torcedores do clube, abram os olhos para o racismo e usem a suas vozes para dar um novo rumo a esta situação: um rumo melhor. 

    Tyler Seguin usou de seu Instagram e Twitter, no domingo, para compartilhar algumas palavras. O jogador demonstrou sua repulsa com os atos racistas crescentes na América e se comprometeu a ser uma voz aliada na luta contra a discriminação racial. Mas o mais surpreendente foi o ver o jogador participar de um dos protestos que ocorreram em Dallas, TX. A cidade, localizada em um dos estados mais segregantes dos EUA, parou neste mesmo dia em uma silenciosa homenagem a George Floyd.

    https://twitter.com/tseguinofficial/status/1268679325076918272?s=20

    Já Patrice Bergeron, por não ter nenhum tipo de mídia social, utilizou as dos Bruins para se posicionar. Ele lamentou a morte de George Floyd, e a de tantas antes dele, que ocorreram de forma injusta em função da sociedade racista em que vivemos. No entanto, Bergeron foi além das palavras e doou 25 mil dólares para duas instituições nos EUA e Canadá que lutam contra a discriminação racial. 

    Três jogadores brancos, e alguns outros, vieram a público utilizar suas plataformas, com milhares de seguidores, para serem aliados na luta contra o racismo. E a importância de fazerem isso é absurda. Principalmente no hockey, onde muitas pessoas ainda se recusam a falar sobre o racismo e a reconhecê-lo. 

    Racismo é pauta no hockey

    Em uma entrevista para o The Athletic, Evander Kane ressaltou que muitos ainda não enxergam que o racismo seja um problema no hockey e o quanto ele afeta a vida dos jogadores negros que disputam pela Liga Nacional de Hockey. 

    “Pessoas acabam dizendo ‘você está procurando’ e ‘você está procurando algo que não existe, é besteira.’ Não é dessa maneira para mim, ou para nós. […] Muitas pessoas gostam de fingir que isso não acontece. Que isso não existe. E esse é o problema.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Ele também voltou a ressaltar na entrevista que muitos dos jogadores negros da NHL pensam da mesma forma. No entanto, a discussão sobre o assunto quase nunca acaba pública por medo das consequências as quais estão destinados. Seja o risco de ter um contrato terminado, ou não ser chamado dos minors para o profissional. O medo de ter a carreira sabotada sempre se encontra presente.

    “Como minoria, há mais a se levar em conta para nós. Não importa quantas vezes as pessoas queiram, digam que somos todos iguais e somos todos uma equipe…Ainda não somos tratados da mesma forma. E não apenas no hockey, mas no mundo, que é algo pelo qual estamos lutando: sermos tratados como iguais e obter oportunidades iguais.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Kane voltou a dizer que a melhor maneira de a comunidade do hockey ser uma aliada na luta contra o racismo é conversar sobre as questões raciais presentes no esporte. Aprender com aqueles que têm sofrido com o peso da discriminação na pele todos os dias, usar suas próprias plataformas para serem vozes. E após muito tempo, isso felizmente está acontecendo. 

    Ontem à tarde, a própria comunidade do hockey se reuniu em um vídeo, publicado pelo jornalista Anson Carter, com o intuito de utilizar as vozes de grandes nomes no mundo do hockey para fortalecer a luta contra o racismo. O vídeo, onde, juntos, todos pronunciam a frase “Você não precisa se parecer com George Floyd para entender que o que aconteceu com ele está errado”, contou com a presença de nomes como Henrik Lundqvist, Patrick Kane, Sidney Crosby, Quinn Hughes, Angela James, Leon Draisaitl e outros mais. 

    https://twitter.com/ansoncarterla/status/1268948428077359104?s=21

    Pronunciamentos são importantes, principalmente vindo de pessoas tão reconhecidas na Liga. Mas mais do que apenas notas de repúdio, este é o momento de agir, aprender, e fazer mais do que apenas um texto, ou postar uma tela preta nas redes sociais. É o momento de usar esta influência para fazer com que o jogo vire. 

    “A primeira coisa que você precisa entender é que as pessoas são mais preocupadas em parecer uma boa pessoa do que ser uma boa pessoa. Sim, eu disse ontem algo bom, mas é sobre ser um boa pessoa e dar os próximos passos. É falar com nossa equipe e pessoas que trabalham com nossa equipe sobre o próximo passo. O que fizemos foi bom, mas não é o suficiente. É [preciso] chegar e entender. Eu entendo a essência, mas quero saber mais sobre o fundo deste mundo e a sociedade com a qual os negros têm que conviver, mas não se sentem confortáveis em estar.”

    Tyler Seguin, para o The Athletic

    Falta de espaço da Liga

    Atualmente, menos de 10% dos jogadores profissionais da Liga são negros. Portanto é preciso entender que existe uma problemática neste número. O problema é muito maior do que apenas o incentivo para a prática do esporte, e envolve questões sociais muito maiores e profundas. Mas, ainda sim, seria muito bem-vindo se a NHL se envolvesse mais com a diversidade no hockey. Se existisse um maior envolvimento com as minorias do que apenas um mês ou uma noite. 

    Criação de programas, apoio e envolvimento com a causa precisam se tornar coisas presentes no rule book da NHL. Entender que uma iniciativa que tenha o intuito de contar a história dos negros no esporte precisa ser feita com os jogadores negros. Pessoas que possuem o lugar de fala e irão retratar melhor do que ninguém suas experiências. Por fim, tomar a iniciativa de fazer com que esses jogadores falem abertamente sobre a discriminação que sofreram devido a cor da sua pele, e mostrar para seus torcedores que essa conduta é completamente errônea, e não deve se prolongar. 

    No entanto, apesar de a iniciativa ter sido feita, ainda é difícil aceitar que, em décadas de existência, a NHL só tenha iniciado o Black History Month há 2 anos. É importante contar as histórias de jogadores como Willie O’Ree, e todos os outros que vieram depois dele. As pessoas passam a gostar de um esporte quando se identificam com este. E como um jovem negro irá se identificar com um esporte o qual não possui representação alguma da sua comunidade? 

    O racismo no hockey é sim um reflexo da sociedade em que vivemos. Mas é necessário que a NHL, como maior Liga de hockey no mundo, admita que existe um problema no fato de que os jogadores negros presentes na Liga sejam menos do que a soma dos dedos de duas mãos juntas. É necessário investimentos por parte da NHL, e de jogadores que possuem grande influência, nas comunidades, para que assim possam existir mais grandes influências no hockey como PK Subban, Evander Kane, Ryan Reaves e Anthony Duclair.

    É preciso que a Liga entenda o seu alcance, quantas pessoas se inspiram em seus jogadores, e seja parte da mudança. Mudar a consciência e o posicionamento de um adulto muitas vezes é difícil, mas a sua influência pode alcançar a próxima geração de futuros jogadores de hockey que, atualmente, são crianças e estão em fase de aprendizado. Elas se inspiram em seus ídolos. E se estes nomes começarem a espalhar a mensagem da importância da representatividade, as coisas podem começar a finalmente caminhar para frente. 

    O hockey é um esporte incrível. Existe uma comunidade inteira de torcedores apaixonados e engajados com seus times e com todos que já fizeram parte do hockey. Mas ainda existe uma cultura que acaba censurando e que é seletiva. Ainda existe o fato gritante de que 80% dos jogadores da NHL são brancos. E coisas assim não são apenas mera coincidência. Histórias como a de Akiu Alim não são as únicas. 

    Atualmente, o hockey não é para todo mundo. Mas pode ser. Alguém só precisa dar o primeiro passo em direção a mudança para que, só assim, esteja claro que o hockey é para quem quiser ser parte do hockey. 

    Foto: Reprodução/espn.com

  • Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Há duas semanas, o mundo do hockey foi surpreendido mais uma vez (será que, a esse ponto, deveríamos nos surpreender?) com um chat privado entre jogadores vazado na internet. Brendan Leipsic, até então jogador do Washington Capitals, seu irmão e outros amigos – também jogadores ou ex-jogadores de ligas menores – acharam normal depreciar mulheres, incluindo esposas e namoradas de colegas de times.

    Além das mulheres, Leipsic e companhia também ofenderam colegas de times e até jogadores de outras franquias em suas conversas. Quando descoberto, Leipsic precisou fazer uma nota de desculpas. Mas sejamos sinceras, aquela nota não foi ele quem escreveu e com certeza ele não está arrependido.

    A pior parte é ver gente “passando pano” dizendo que ele teve sua “privacidade invadida”. Oi? E as fotos que eles compartilharam nas conversas? 

    Bem, se você é desse tipo de pessoa que acha que ele está certo, talvez seja interessante ler um pouco deste Manual. 

    Meu privilégio, minhas regras

    Esse caso, que não é o primeiro e certamente não será o último, leva-nos a tentar entender como funciona a mente desses jogadores.

    Imagina só como é ser um homem branco, de origem privilegiada e jogar um esporte elitizado? Provavelmente significa sim que eu poderia falar abertamente das minhas conquistas amorosas como objetos. Ou melhor, sexuais, porque ninguém ali falou de relacionamento sério. 

    “Ora, se desde a infância fui colocado em um pedestal porque era modestamente melhor do que as outras crianças em um jogo no gelo, isso significa que eu realmente tenho o direito de me safar das tentativas de pessoas invejosas que gostariam de me ver falhar!” Afinal, fazer parte do 1% de um esporte competitivo é uma coisa a ser celebrada. “Todos os homens gostariam de estar no meu lugar e todas as mulheres me desejam.” Engraçado que esse tipo de pensamento sempre vem de homem, não é?

    Falar de assuntos alheios ao coronavírus enquanto estamos no meio de uma pandemia sem precedentes parece tolice. Mas a ausência de esportes para nos distrair fez com que uma conversa entre amigos tomasse proporções gigantescas.

    Se você vem de uma cidade pequena ou tem familiares que moram em uma, sabe como funcionam as coisas. Todo mundo conhece todo mundo. Alguns moradores têm um status diferenciado, seja pelo cargo que ocupam ou pelo dinheiro que têm em suas contas bancárias.

    A comunidade do hockey é como uma cidade pequena. Ou você já jogou com fulano, ou conhece quem já tenha jogado com ele. Não existe isso de não se conhecer, mesmo que não seja amigo íntimo, dificilmente as coisas passam despercebidas. 

    No caso de Leipsic, contudo, a situação é ainda mais grave. Veja bem, Winnipeg tem pouco mais de 750 mil habitantes e é uma das maiores cidades do Canadá. Contudo, ao mesmo tempo muitas coisas funcionam como uma cidade pequena.

    Quando rapazes conhecidos por muita gente mostram sua pior faceta, há de se esperar uma resposta da sociedade em que vivem. Afinal, muita gente estudou com eles ou conhece seus pais ou até mesmo jogou hockey na infância com um deles.

    O que nos leva a pensar: quando foi que alguém virou para esses meninos e falou que por serem minimamente competentes em um esporte, eles teriam o direito de menosprezar outros seres humanos? Será que eles estavam falando coisas assim de mim só porque eu emprestei um lápis para um deles na aula de Química no primeiro ano do colegial?

    Atletas de alto rendimento são tratados de forma diferente do que eu e você. Especialmente se eles são homens e mais ainda se são brancos. Isso acontece não só no Brasil, como no Canadá e eu desconfio que até em Papua Nova Guiné. (Ou talvez não por lá, confesso que não me dei ao trabalho de confirmar essa afirmação.)

    Mas será que ser acima da média em um mero jogo faz com que alguém seja automaticamente melhor do que uma pessoa que não tem inclinações esportivas? Ora, se eu sou boa em xadrez (meramente uma hipótese, já que nunca joguei xadrez na vida) eu sou uma nerd, mas se Fulano é bom em futebol ele merece ter o mundo aos seus pés? 

    Módulo 1: Como não ser um babaca 101

    Já que o programa de formação destes jovens jogadores de hockey não trouxe o módulo Como Não Ser Um Babaca 101, eu quero ensinar um pouco para vocês hoje. Esse é um curso essencial na formação de todo jovem enquanto transita para a vida adulta.

    Aliás, esta parece ser uma carência de currículo comum a outros lugares, já que alguns dos escândalos envolvendo atletas do esporte (e não estou falando só do hockey, mas de muitos outros também) são particularmente tenebrosos.

    Longe de mim generalizar todo jogador de hockey como um babaca, pelo contrário, acho que eles são, em sua grande maioria, caras bem legais que têm penteados duvidosos e sorrisos banguelas. Entretanto sei reconhecer que o esporte tende a ser um ambiente hostil não só para mulheres, assim como para pessoas LGBT e demais minorias. 

    Afinal, você torcedora que se identifica como mulher, quantas vezes não foi questionada se gostava de determinada equipe apenas por causa da aparência de seus jogadores? Diferenças de gênero por acaso fazem com que uma pessoa entenda melhor o que é Corsi?

    Eu, particularmente, acho muito engraçado como a minha feminilidade me impede de saber como funcionam as penalidades da NHL, assim como saber quem foi a escolha do terceiro round que o Atlanta Thrashers fez em seu último draft (foi Julian Melchiori, caso você não saiba). Como Não Ser Um Babaca 101 me parece ser uma necessidade na grade curricular não apenas dos atletas, mas também de muitos de seus torcedores. 

    O resumo da ópera é: ser bom em uma coisa não te dá um passe livre para ser um babaca.

    Muito menos para falar coisas absurdas de pessoas inocentes que estão apenas vivendo suas vidas e sendo felizes. Misoginia não é engraçado, racismo não é engraçado, xenofobia não é engraçado, homofobia não é engraçado. E ser um babaca também não.

    Para concluir nosso módulo introdutório de Como Não Ser um Babaca 101, eu decidi trazer algumas sugestões para jovens atletas que estão sem o que fazer na quarentena, já que não têm filho para trocar as fraldas ou ajudar com o dever de casa, a fim de evitar que eles percam tempo falando absurdos em grupos de conversas. Vejamos:

    1. Ler um livro que não envolva hockey, esporte, autoajuda ou que tenha figuras (caso você viva em uma caverna e não saiba o que são livros, estamos abertas a indicar boas leituras);
    2. Treinar coreografias do Tik Tok (além de ser uma atividade física divertida, vai te fazer usar a criatividade para algo melhor do que ofensas gratuitas);
    3. Aprender a tocar violão e fazer uma live só com o repertório do Nickelback (acho que essa só funciona para canadenses – ou para o vestiário do Carolina Hurricanes);
    4. Tricotar botinhas no formato de patins para seus pets; (ou, se não tem um pet, arrume um. Vai ser uma boa companhia e você vai aprender como é cuidar de alguma coisa que pode te ensinar o que é amizade de verdade);
    5. Escreva um livro (tenho certeza que você tem mais para contar do que com quem você dormiu no verão de 2011);
    6. Literalmente qualquer coisa que não envolva comentários asquerosos e preconceituosos.

    Se mesmo com tantas opções de coisas para fazer o jovem atleta ainda decidir ser um babaca, ele merece sim sofrer as consequências por isso. Como a pessoa adulta que é. Afinal, jogar hockey em alto nível pode ser a realização de um sonho de criança, mas o mundo em que vivemos é o mundo dos adultos.

    Lembrem-se sempre: não é legal ser babaca, então não seja um. Eu juro que é bem fácil, é só você tentar, ou melhor, não ser. 

  • Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Antes da Liga ser suspensa por causa do Coronavirus, tivemos um dos eventos mais legais da temporada. Isso porque o dia internacional da mulher foi cheio de surpresas na NHL. A Liga transmitiu pela primeira vez dois jogos compostos apenas por equipes femininas. Do broadcast ao controle de câmeras, foram elas quem dominaram a noite. 

    No entanto, elas não só dominaram como também fizeram história no esporte. Sendo assim, resaltamos ambas as transmissões e explicar a importância destes eventos para a inclusão das mulheres no mundo esportivo. 

    As mulheres assumem o controle

    No dia 16 de fevereiro, a NBC anunciou através de um comunicado oficial que, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, iria recrutar apenas mulheres para transmitir e produzir o jogo entre Chicago Blackhawks e St. Louis Blues. 

    A partida ocorreu no domingo (8). Estúdio, sidelines e backstage, por fim, ficaram pequenos diante de tamanho talento. A equipe foi composta por Kathryn Tappen (apresentadora no estúdio), Jen Botterill (âncora no estúdio), Kate Scott (play-by-play), Kendall Coyne (analista do jogo no gelo) e AJ Mleczko (analista da partida). A produção do jogo também contou com Rene Hatlelid (produtora) e Lisa Seltzer (diretora). 

    Ao longo da transmissão da partida, diversas mulheres que deixaram sua marca no esporte foram homenageadas. A intenção da NBC com o evento é tentar cada vez mais “inspirar as futuras gerações de mulheres a se destacarem no gelo e nos bastidores”. 

    Todavia, apesar de estarem participando da primeira transmissão apenas com mulheres, algumas destas profissionais já são conhecidas por seu trabalho no mundo do hockey. A apresentadora Kathryn Tappen é um exemplo, tendo transmitido diversos jogos da NHL nos estúdios da NBC. A jornalista afirmou ao próprio site que, embora já tenha participado do broadcast de diversos jogos, nunca teve a oportunidade de fazer parte de uma equipe que contasse apenas com o público feminino. 

    “Transmito (jogos) há 17 anos, mas a primeira transmissão que fiz com uma produtora foi apenas há dois anos atrás. O fato de celebrarmos o Dia Internacional da Mulher com uma equipe feminina de transmissão e produção me diz até onde chegamos em um tempo muito curto. Esperamos que nossa transmissão ajude a inspirar as jovens que assistem a seguir seus sonhos, porque provamos que tudo é possível e tenho orgulho de fazer parte disso.”

    Kathryn Tappen para o site da NBC. 

    No entanto, a NBC não foi a única a dar o controle do espaço para as mulheres no dia oito. A Sportsnet, por fim, também resolveu aderir a ideia e teve o jogo do Calgary Flames e Vegas Golden Nights também produzido e transmitido por uma equipe formada por apenas mulheres. Equipe esta composta por Christine Simpson (apresentadora), Leah Hextall (play-by-play), e Cassie Campbell-Pascall (analista do jogo) e o restante do time que faz tudo acontecer atrás das câmeras. 

    Os comentários em relação a transmissão

    Apesar de diversas pessoas na comunidade do hockey acharem a ideia de um broadcast feminino mais do que bem vindo, muitas pessoas ainda sim se mostraram contrárias a participação das mulheres nas transmissões do dia oito. Diversos comentários sexistas foram profanados nas postagens das emissoras sobre o evento nas redes sociais, sendo estes críticas nada construtivas em relação ao trabalho impecável feito pelas mulheres.

    Porém, apesar dos comentários negativos e ofensivos, diversos profissionais da área vieram a público defender a iniciativa das emissoras. Seguidamente, muitos destes, inclusive as próprias profissionais envolvidas nas transmissões, ressaltaram a importância de eventos como este em um esporte como o hockey.

    AJ Mleczko, que foi a analista de jogo da partida entre Blackhawks e Blues, fez questão de ressaltar para o site da NHL a necessidade de ver as mulheres ocuparem espaços no esporte e a partir daí, novas portas possam se abrir.

    “É significativo por causa da visibilidade que fornece. Para as pessoas sentadas em casa assistindo nós três aqui, e [Tappen] e [Botterill] no estúdio, vendo mulheres falando sobre hockey do jeito que falamos – estamos muito preparadas e educadas neste jogo – […]. Para quem está sentado em casa [assistindo], meninos, meninas, homens, mulheres, saindo da faculdade, seja o que for, permite que eles entendam que há mais oportunidades. Talvez eles optem por não seguir esse caminho, mas a mídia está aberta a homens, mulheres, qualquer pessoa e a visibilidade é a maior parte.”

    Mleczko para a NHL.

    Linda Cohn, jornalista da ESPN, também veio, em meio de suas mídias sociais, explanar sua felicidade ao ver as mulheres tendo oportunidades como estas no mundo esportivo. Todavia, ressalta também que não deveria ser algo que venha a acontecer apenas uma vez ao ano. 

    Seguidamente, em uma das páginas da NBC Sports, Laura Oakmin (apresentadora da NFL na Fox) também veio a público falar sobre o quão importante era ver mulheres quebrando barreiras. Principalmente no mundo dos esportes, que ainda é bastante hostil com o público feminino. 

    Após os jogos, Kendall Coyne, que também participou da transmissão feita pela NBC. A jogadora disse que se sentia honrada em fazer parte de uma equipe cheia de profissionais tão talentosas. 

    Por último, Mark Lazerus, correspondente dos Blackhawks no The Athletic, apontou o outro lado da história. Sendo homem e jornalista, viu a transmissão dos jogos com outra perspectiva. Para ele, este tipo de ação representa uma nova porta de oportunidades aberta para as meninas da nova geração no mundo do hockey. 

    Todos os dias, diversas mulheres no mundo do esporte sofrem assédio durante o exercício da profissão, questionando o trabalho delas apenas pelo seu gênero. Dentre estes comentários de mau gosto, existem diversos questionamentos sobre quais seriam as motivações por elas estarem ali, mas não levam em consideração que a profissional está ali pelo esporte.

    Geralmente, os comentários nas redes sociais questionam se, este interesse seria de fato é pelo esporte ou teria outra motivação por trás. Isso porque, aparentemente, a nossa sociedade machista persiste na ideia de que mulheres ainda são as vilãs e estão em busca de relacionamentos do qual podem tirar vantagens. 

    Mas esta ideia da Idade Média não cabe mais ao século 21. Cada vez mais as mulheres vem conquistando o seu espaço em cargos de grande importância em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, eventos como estes são necessários em mais do que apenas um dia do ano. 

    A presença de mais mulheres no mundo esportivo é essencial para uma maior equidade de gêneros dentro e fora das arenas. O trabalho destas jornalistas cada vez mais estão em destaque e se incomoda tanta gente assim, é porque elas estão fazendo o trabalho direito. E, ao contrário do que estes comentários maldosos dizem, a motivação dessas profissionais é de cobrir o hockey da melhor forma possível, levando informações corretas e de boa qualidade para os fãs do esporte. 

    Portanto, está na hora de cada vez mais mulheres estarem a frente de transmissões esportivas, reportagens, entrevistas, podcasts  e demais cargos no mundo do esporte.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Possíveis candidatos ao Norris Trophy

    Possíveis candidatos ao Norris Trophy

    O James Norris Memorial Trophy foi estabelecido na temporada 1953-54, concedido ao principal defensor da temporada. Os candidatos, no geral, são escolhidos pela Professional Hockey Writers’ Association (PHWA). Desta forma, se o jogador demonstra a maior habilidade geral na posição durante a temporada, acaba levando, por fim, o troféu na cerimônia do NHL Awards. 

    Anteriormente, o vencedor da temporada 2018-19 foi Mark Giordano, do Calgary Flames, devido ao destaque que apresentou na defesa ao longo de toda a temporada regular e playoffs. Portanto, baseado nos nomes já citados pela própria NHL, e nas opiniões do próprio NHeLas, trouxemos um top 5 dos possíveis candidatos ao Norris Trophy este ano. 

    John Carlsson

    John Carlsson, do Washington Capitals, é um dos favoritos ao Norris Trophy nesta temporada.
    John Carlsson é um dos favoritos ao Norris Trophy nesta temporada.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    Não é mistério para ninguém a temporada espetacular que John Carlsson está tendo. Atualmente, o jogador possui 67 pontos em apenas 56 jogos. Ele também foi o primeiro defensor da NHL em muito tempo a atingir, nesta temporada, 50 pontos em 40 partidas disputadas ou menos. O recorde não era quebrado desde Paul Coffey, em 1994-95. 

    Apesar de ser dominante em sua posição em várias estatísticas na Liga, Carlsson também em um dos líderes dos Capitals dentro (e fora) do gelo. Ele lidera a equipe em ice-time, assists e é grande responsável pela boa campanha do time até o momento. Atualmente, Washington é o líder da Divisão Metropolitana com 77 pontos e ocupa a 3ª posição overall da NHL. 

    Desta maneira, grande parte do desenvolvimento do time durante a temporada é devido ao papel que o defensor desenvolve na equipe, juntamente de Ovechkin e companhia. Carlsson é um jogador que se prepara para todas as situações dentro do rinque, e não apenas na defesa do time — papel que exerce de forma exemplar e, sem sombra de dúvidas, é um dos defensores mais completos da Liga.

    As estatísticas provam isso: hoje, o defensor é líder em assistências (52) e pontos (67) nos Capitals. Em gols, ocupa a 6ª posição no time, com quinze registrados, e a primeira entre os jogadores de defesa.

    Carlsson é um dos favoritos ao prêmio pela Professional Hockey Writers’ Association. Ele pode ser o primeiro jogador do Washington a levar o Norris desde Rod Langway, que conquistou o troféu de 1982 a 1984.

    Roman Josi (Nashville Predators)

    Roman Josi é um dos principais líderes do Nashville dentro e fora do gelo.
    Roman Josi é um dos principais líderes do Nashville dentro (e fora) do gelo.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    Atualmente, Roman Josi possui 55 pontos em 55 jogos. E apesar de, no momento, os Predators não fazerem sua melhor temporada, o capitão tem sido a peça essencial que mantém o time seguindo. Além de ser um líder para o elenco no do gelo, ele também lidera os Preds em assistências (41) e em pontos (55). Já em gols, o defensor ocupa a 3ª posição na equipe, com 14. 

    No entanto, apesar de não ter uma posição ofensiva ativa em todos os jogos do Nashville, Josi ainda assim tenta se manter a par de todas as situações que ocorrem na partida. Não só como defensor, mas também como o jogador que participa e também arma as jogadas essenciais e que, ainda assim, volta para a sua posição de origem e a exerce da melhor maneira possível. O momento que os Predators estão enfrentando pede um defensor completo e que possa jogar em todas as situações. 

    Porém, as chances dele defensor concorrer ao Norris podem vir a aumentar. Isso tudo caso o Nashville consiga manter uma sequência de vitórias mais consistente nessa segunda parte da temporada. Todavia, o jogador continua como um dos mais cotados candidatos para o prêmio pela PHWA. Resta aos fãs dos Preds torcerem para que o suíço continue elevando suas estatísticas e jogo dentro do rink.

    Alex Pietrangelo (St. Louis Blues)

    O capitão do St. Louis Alex Pietrangelo foi um dos responsáveis pela reviravolta do time no início de 2019.
    O capitão do St. Louis foi um dos responsáveis pela reviravolta do time no início de 2019. Foto: Reprodução/ Claus Andersen/Getty Images

    O capitão do St. Louis Blues também é um dos favoritos a levar o troféu. O time não fez apenas uma ótima campanha na temporada passada, que resultou na primeira Stanley Cup da equipe. Nesta temporada, os Blues continuaram no ritmo em que terminaram a anterior e, atualmente, lideram a Conferência Oeste em pontos (73) e ocupam a 5ª posição overall da Liga. 

    Pietrangelo tem sido uma das peças principais no desempenho do time na Liga, principalmente nesta temporada. Como um dos líderes da defesa da equipe, o jogador possui grande combinação de habilidade e força que, juntamente ao restante dos defensores dos Blues, ajuda a bloquear as melhores linhas da NHL e participar ativamente de todas as jogadas do time. Atualmente, Pietrangelo possui 13 gols, 31 assistências e ocupa o 4º lugar em pontos (44) na equipe de St. Louis. 

    Apesar do desempenho do time ter decaído levemente nessa segunda metade da temporada, o capitão ainda é um dos responsáveis por manter os Blues na mira dos playoffs. Seguidamente, na pós-temporada, vai ser uma das peças essenciais por manter a defesa acordada e produzindo para que, desta forma, as chances de St. Louis trazer mais uma Stanley Cup para casa sejam maiores. 

    Victor Hedman (Tampa Bay Lightning)

    Victor Hedman é um dos líderes da defesa do Tampa Bay Lightning.
    Victor Hedman é um dos líderes da defesa do Tampa Bay Lightning.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    O defensor do Tampa Bay Lightning é um dos favoritos ao Norris Trophy há bastante tempo. Finalista em 2017 e 2018, o sueco conquistou o troféu neste último pela grande temporada que fez junto de Tampa. 

    Pelo seu estilo de jogo ao longo dos anos, Hedman se tornou um dos melhores defensores da Liga. E na temporada 2019-20, não é diferente. Porém, apesar do desempenho de Tampa ter decaído este ano, o jogador continua como um dos líderes da defesa da equipe e em várias outras situações no rinque. 

    Atualmente, Hedman fica atrás apenas de Kucherov em assistências (37) e é o 4º jogador do time com mais pontos (46). No entanto, apesar de não ter marcados muitos gols nesta temporada (apenas nove), ele lidera em ice-time. A média do jogador no gelo por partida é de 23:48 minutos. 

    Hedman não é um dos mais cotados a levar o prêmio nesta temporada. No entanto, ainda temos um pouco menos de 2 meses para que o jogador cresça mais no jogo e ajude o Lightning em sua recuperação. 

    Cale Makar (Colorado Avalanche)

    Cale Makar tem se tornado peça essencial para o sucesso do Colorado Avalanche e forte candidato ao Norris Trophy.
    Makar tem se tornado peça essencial para o sucesso do Colorado Avalanche
    Foto: Reprodução/ftw.usatoday.com

    Desde que começou a atuar pelo Avalanche nos playoffs do ano passado, Makar tem se mostrado peça essencial para o sucesso do time atualmente. Quando Colorado sofreu com as lesões em seus principais jogadores no início da temporada atual, Makar foi rapidamente escalado para ajudar na primeira linha juntamente de Nathan Mackinnon. 

    O defensor tem se mostrado cada vez mais um jogador completo e de extrema importância para o time. Atualmente, o canadense fica apenas atrás de Mackinnon em assistências (30) e pontos (42). Desta forma prova que não apenas é um dos melhores na própria posição, mas que também faz um bom trabalho em outras funções. 

    Seu jogo ofensivo no gelo e sua participação ativa em todas as jogadas do time apenas provam o quanto Makar tem se desenvolvido cada vez mais no jogo. Logo, não será surpresa se o jogador acabar como um dos finalistas do prêmio. Assim, torcemos para que seu desempenho na temporada continue crescendo.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Possíveis candidatos ao Vezina Trophy

    Possíveis candidatos ao Vezina Trophy

    O Vezina Trophy é o troféu dado ao melhor goleiro da temporada regular. Um dos prêmios mais históricos da NHL, antigamente ele era entregue ao goleiro que tivesse a melhor média de gols cedidos (GAA). Agora, ele é simplesmente dado ao melhor goleiro da Liga, sendo possível basear esse critério de acordo com a vitórias, ou com o save percentage (SV%) do jogador, além da própria GAA.

    Diferentemente dos outros prêmios, definidos pela Professional Hockey Writer’s Association (PWHA), o Vezina Trophy é votado por todos os 31 General Managers da NHL.

    O último vencedor foi Andrei Vasilevskiy, do Tampa Bay Lightning. Com a temporada na reta final, resolvemos mostrar quais os principais goleiros no radar do Vezina Trophy este ano.

    Connor Hellebuyck (Winnipeg Jets)

    Connor Hellebuyck, candidato ao Vezina Trophy
    Connor Hellebuyck, principal nome na disputa pelo Vezina Trophy (Foto: John E. Sokolowski/USA TODAY Sports)

    Primeiramente, o americano Connor Hellebuyck, do Winnipeg Jets, é considerado o favorito para levar o Vezina. Este seria seu primeiro prêmio na carreira.

    Era de se esperar que o Winnipeg Jets sofresse nessa temporada, afinal muitos de seus defensores foram embora do time na offseason. Jacob Trouba foi trocado, e Tyler Myers e Ben Chiarot viraram free agents e acabaram não renovando com o Jets.

    Entretanto, graças a Hellebuyck, os Jets estão conseguindo ter uma temporada boa, apesar de tais fraquezas. De todos os goleiros, Hellebuyck foi quem mais teve partidas em 2019-20. Ele jogou 42 jogos, até agora. O recorde dele à frente das redes é de 22-16-5, juntamente com uma SV% de .919 e um GAA de 2.71.

    Comparando com os outros goleiros, essas estatísticas não parecem tão boas, já que há outros com porcentagens melhores. Porém, é necessário considerar também que os Jets têm em média poucos riscos ofensivos.

    Além disso, o que realmente destaca o americano dos demais é que, por estar em um time no qual a defesa é fraca, seus esforços para parar pucks são mais do que necessários e são impressionantes. Por isso, comparando com os demais, ele é de fato um dos maiores favoritos a faturar o troféu.

    Darcy Kuemper (Arizona Coyotes)

    Foto: Christian Petersen/Getty Images

    O Arizona Coyotes possui um recorde de 27-21-7 (61 pontos) e está atualmente atrás, por 4 pontos, do primeiro lugar na Divisão Pacífica. O time pode finalmente terminar o jejum de playoffs após 7 anos, e muito se deve aos esforços do goleiro canadense Darcy Kuemper.

    Kuemper jogou 25 partidas, das quais ele saiu vitorioso em 15 e perdeu 8. O SV% dele é de .929 e a média de gols cedidos, 2.17 por jogo. Juntamente com o goleiro reserva Anti Raanta, os dois têm 147 gols sofridos, ficando em 3° lugar na divisão. Além disso, ambos tiveram 2 shutouts consecutivos, algo que não acontecia desde 2012.

    Kuemper teve sua temporada espetacular brevemente interrompida ao ficar de fora de alguns jogos por conta de uma lesão. Entretanto, ele é esperado para voltar nas próximas partidas, e o Coyotes precisam de seu goleiro titular para conseguirem garantir definitivamente seu lugar nos playoffs. E mesmo assim, com essa lesão, Darcy Kuemper não saiu do radar do Vezina Trophy e ainda é um dos grandes favoritos.

    Ben Bishop (Dallas Stars)

    Foto: Jerome Miron/USA TODAY Sports

    Ben Bishop aparece pelo segundo ano consecutivo como um possível candidato ao Vezina. Mas, diferentemente do ano passado, Bishop parece ter mais chances de faturar o prêmio nesta temporada.

    Isso porque ele se encontra atualmente com uma média de SV% em .925%, a 5° melhor da Liga. Seu recorde, em 36 jogos, é de 18-11-4 e a média de gols cedidos é de 2.36. O que fez Bishop perder ano passado para Andrei Vasilevskiy foi o fato do russo ter tido mais vitórias (39) em mais jogos (53), enquanto o americano disputou 46 jogos e ganhou 27.

    Vale ressaltar que os GMs estão cada vez mais valorizando um bom trabalho em conjunto aos goleiros backups do que simplesmente um goleiro que possua todo o trabalho sozinho, então a possibilidade de Bishop ganhar mesmo tendo jogado menos que os demais é real.

    Ele é, estatisticamente, um dos melhores em sua posição. Justamente por ser o mais velho da lista, com 33 anos, e ainda com bons números que o equiparam aos demais finalistas mais jovens, já seria digno de levar o troféu.

    Mas, diferentemente do ano passado, a votação para o prêmio poderá ser mais acirrada, fazendo com que Bishop talvez não leve o Vezina por muito pouco.

    Andrei Vasilevskiy (Tampa Bay Lightning)

    Andrei Vasilevskiy, candidato ao Vezina Trophy
    Foto: Icon Sportswire/Getty Images

    O atual campeão do Vezina Trophy lidera a NHL com 26 vitórias. Após ter ganhado o troféu na temporada de 2018-2019, com 39 vitórias em 53 jogos, o começo de temporada do russo não foi dos melhores.

    Antes do Natal, o SV% e os gols cedidos de Vasilevskiy não entravam no top 30 dos goleiros da Liga. Ele tinha uma porcentagem de .822 e, de 135 shots encarados, 24 foram gols. Estas são características consideradas medianas para um goleiro de elite.

    Todavia, um mês depois, Vasilevskiy pareceu ter mudado o rumo das coisas. Ele ainda não perdeu em tempo regulamentar desde o dia 14 de dezembro, e um dos principais motivos do Tampa Bay Lightning ter virado o jogo foi por conta dele. Suas estatísticas estão boas, com um SV% de .917 e uma média de 2.53 gols cedidos. Seu recorde é de 27 vitórias e 9 derrotas.

    Mesmo com muito talento à frente, com bons defensores e atacantes, Vasilevskiy não pode ser desconsiderado dessa lista. Afinal, sem ele, Tampa não teria conseguido 10 vitórias consecutivas e nem ter se recuperado de um péssimo começo de temporada.

    Tuukka Rask (Boston Bruins)

    Foto: Bruce Bennett/Getty Images

    Tuukka Rask poderia faturar o segundo Vezina Trophy de sua carreira essa temporada. Isso porque, aos 32 anos, Rask é um dos goleiros mais consistentes da Liga e também é muito responsável pela boa temporada que o Boston Bruins faz.

    Seu recorde até agora é de 19 vitórias e somente 4 derrotas em tempo regulamentar. Com isso, ele tem um SV% de .929% e a GAA de 2.15.

    Porém, Tuukka Rask está fora dos rinques desde 14 de janeiro, por conta de uma concussão. Antes da lesão, ele deixou entrar apenas 2 gols ou menos por partida em 6 jogos. O finlandês tem a característica de conseguir permanecer calmo em momentos de muita pressão, quando enfrenta muitos shots perigosos em sua direção.

    Dessa forma, mesmo não sendo considerado um dos grandes favoritos ao prêmio, não citar ele nessa lista seria um erro, pois somente o fato de ter apenas 4 derrotas em tempo regulamentar mostra o porquê dele ser considerado um goleiro de elite.

    Foto: PR_NHL/Twitter

  • A Divisão Pacífica até agora: perspectivas nos playoffs

    A Divisão Pacífica até agora: perspectivas nos playoffs

    A Divisão Pacífica levou o All Star Game. Não atoa, é a divisão com maior competitividade entre seus times. Com o evento do final de semana a metade da temporada chegou. Dessa forma, ficamos mais próximos dos playoffs. Apesar de ainda ser cedo para se fazer previsões sobre quais times chegarão à pós temporada, a imprevisibilidade da NHL nos permite analisar algumas possibilidades.

    Dentre as divisões, a Pacífica está se tornando a mais acirrada na temporada 2019-2020. 4 times foram para o recesso em segundo lugar, todos empatados em pontos. Dessa forma, sem dúvidas teremos uma emocionante reta final na disputa pelas vagas nos playoffs.

    Vale lembrar que, no ano passado, as vagas para os playoffs da Divisão Central foram definidas no último jogo da temporada regular. Ainda temos muito hockey para acompanhar e sem dúvida serão jogos interessantes.

    Vancouver Canucks (27-18-4 49 jogos, 58 pontos)

    playoffs vancouver canucks
    J.T Miller, nova aquisição do Vancouver Canucks, tem ajudado o time a conseguir bons resultados.

    O Vancouver Canucks começou a temporada abaixo do esperado. Nos primeiros 20 jogos, eles ganharam 10 e perderam 10. Entretanto, um dos maiores destaques do time foi a nova aquisição J.T Miller, que veio de uma troca com o Tampa Bay Lightning. O jogador na temporada passada alcançou 13 gols. Até agora, no novo time, ele já fez 17 gols e 46 pontos.

    Elias Petterson, vencedor do Calder Trophy em 2019, está em primeiro lugar em gols, temdo marcado 21 vezes, somando um total de 51 pontos. O center, em conjunto com J.T Miller e Jake Virtanen, é a força ofensiva principal do time.

    Outro jogador que tem se destacado no time é o goleiro Jacob Markstrom, que até agora possui um save percentage de 916%. Entretanto, o goleiro vira free agent em junho, portanto o time precisará de tomar uma decisão a respeito do contrato do jogador. Entretanto, este posicionamento deve depender do desempenho do Canucks em um possível playoffs.

    O time, este ano, tem grande potencial para irem aos playoffs após 4 anos afastados. Com jovens atacantes promissores, uma defesa boa que consiste no grande candidato ao Calder Trophy, Quinn Hughes, o time possivelmente vai garantir a sua vaga.

    Mas, para que isso aconteça, é necessário antes de tudo que o próprio time continue a ter uma consistência e que os outros times, rivais de divisão, oscilem.

    Edmonton Oilers (26-16-5 49 jogos, 57 pontos)

    playoffs edmonton oilers
    Connor McDavid e Leon Draisaitl são fortes candidatos ao Hart Trophy. (Foto: NHL.com/Reprodução)

    O Edmonton Oilers parece ser um outro time, mesmo sem grandes mudanças no elenco. Connor McDavid e Leon Draisaitl ainda são a principal força ofensiva do time. Ambos, atualmente, estão com 76 pontos. E os dois jogadores são fortes candidatos ao Hart Trophy.

    Na temporada passada, a essa altura, o time contava com 23 vitórias e 26 derrotas. Atualmente, o recorde do time é outro, com 26 vitórias e apenas 16 derrotas. Um dos principais motivos por estes numeros foi a chegada do técnico David Tippet. O treinador mudou a forma do time se postar do gelo, permitindo uma nova cara para os Oilers.

    Todavia, o ponto fraco do time ainda é a defesa. Esse foi um aspecto que Edmonton já vem trabalhando desde a temporada passada. Entretanto, as falhas na defesa ainda são visíveis durante os jogos.

    Por isso, para conquistar uma vaga nos playoffs, o Oilers precisa que os goleiros Mikko Koskinen e Mike Smith continuem a boa fase. Pois, em uma divisão tão acirrada, a qualquer momento eles podem ser ultrapassados por algum time com uma defesa mais sólida e ficar de fora da pós temporada.

    Calgary Flames (26-19-5 50 jogos, 57 pontos)

    playoffs calgary flames
    Geoff Ward virou técnico interino do Calgary Flames. (Foto: Sportsnet.com/Reprodução)

    Impossível falar sobre a temporada do Calgary Flames sem falar sobre a demissão de Bill Peters, devido as ofensas racistas proferidas ao atleta Akim Aliu. Desde então, Geoff Ward entrou no comando como técnico interino do time.

    Contudo, antes mesmo do incidente com Peters, o Flames não estava em uma boa fase. Eles não ganhavam há 6 jogos antes da crise. Entretanto, ao invés da demissão de Peters desencadear uma fase ruim de adaptação ao novo técnico, o time pareceu ter se reencontrado. Conquistou uma sequência de 7 vitórias sob o novo comando e vem se mostrando vivo na disputa pela vaga nos playoffs.

    O time de Alberta conta com o mesmo elenco, composto por Johnny Gaudreau, Sean Monahan, Matthew Tkachuk e Elias Lindholm. O último, inclusive, liderando o time com 20 gols marcados. A má fase parece ter se esvaído, entretanto, será nescessário lutar com perseverança para enfrentar seus rivais e conqusitar uma vaga.

    Arizona Coyotes (26-20-5 51 jogos, 57 pontos)

    playoffs arizona coyotes
    Taylor Hall saiu do New Jersey Devils para o Arizona Coyotes. (Foto: Christian Petersen/Getty Images)

    Uma das maiores surpresas até agora sem dúvida foram o Arizona Coyotes. Mesmo com boatos de que o time sofreria uma realocação, o time pareceu ter se encontrado.

    Taylor Hall foi adquirido pelo Coyotes em Dezembro, e desde então, ele tem 7 gols e 8 assisitências em 17 jogos. Ainda se adaptando, Hall foi a negociação que mostrou a todos que os Yotes estão aí para buscar uma vaga nos playoffs.

    Contudo, algumas lesões assolam o time. Darcy Kuemper é o goleiro titular, estava em grande fase, sendo um dos goleiros na corrida do Vezina Trophy. Kuemper chegou a ser chamado para o All Star Weekend, mas ele está afastado dos rinques por conta de uma lesão.

    Além dele, o defensor Niklas Hjalmarsson, que é o coração da defesa do Yotes, também estava lesionado. Ambos os jogadores são esperados para retornarem aos rinques após o ASW.

    Assim, por conta de tais lesões, os Coyotes tiveram uma sequência de 8-9-2 e o recorde em casa é de 8-10-1, atrás apenas de New Jersey Devils e do Detroit Red Wings.

    Todavia, os Coyotes ainda possuem a quarta melhor média de gols da liga. Além disso, o power play e penalty kill também estão classificadas como uma das melhores e o recorde de Arizona na estrada é 13-6-3.

    Vegas Golden Knights (25-20-7 52 jogos, 57 pontos)

    O novo técnico do Vegas Golden Knights: Pete DeBoer, demitido do San Jose Sharks. (Foto: Sean Kilpatrick/The Canadian Press)

    De todos os times, o Vegas Golden Knights talvez seja o que mais sofreu de altos e baixos na temporada. Certamente, ninguém esperava a demissão súbita do técnico Gerard Gallant, apenas 19 meses depois de liderar a equipe de expansão para uma aparição final na Stanley Cup.

    Os dirigentes de Vegas disseram que a demissão foi exclusivamente por conta dos resultados, portanto, quem entrou em seu lugar fora justamente o ex-técnico do San Jose Sharks, Pete DeBoer. DeBoer e o Sharks foram responsáveis por eliminarem Vegas no first round da temporada de 2018-2019. Ainda é muito cedo para avaliar o desempenho do novo técnico, que ainda não teve chance de mostrar se as falhas do time estavam na comissão técnica ou em detrimento de alguma linha que precisa se ajustar.

    A equipe de Vegas é uma equipe recheada de talentos, sem dúvida. O ataque, composto por Max Pacioretty, Mark Stone, Reilly Smith e Jonathan Marchessault, continua afiado. A defesa também é sólida, considerada por muitos umas das melhores da Liga.

    Mas nem mesmo o talento da equipe pode evitar a inconsistencia em alguns jogos. Há jogos no qual a defesa joga bem, os atacantes também e o trabalho dos goleiros Marc Andre-Fleury ou de Malcom Subban nas redes fica bem mais fácil.

    E há outros jogos no qual a defesa desaparece, deixando os goleiros a mercê dos outros times. Talvez Vegas possa arrumar esse problema na trade deadline, já que existe uma necessidade de fortalecer ainda mais a defesa do time. Caso não haja alguma mudança, entretanto, o time terá que lutar ainda mais para garantir a vaga nos playoffs. Isso porque, este ano, difere das demais temporadas que o Vegas participou, os times da pacífica estão em pé de igualmente para buscar o mesmo resultado.

    San Jose Sharks (21-25-4 50 jogos, 46 pontos)

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    Bob Boughner, novo técnico do San Jose Sharks. (Foto: Ezra Shaw/Getty Images)

    O time que chegou à final da conferência Oeste contra o atual campeão da Stanley Cup St. Louis Blues provavelmente fica de fora dos playoffs esse ano. Primeiramente, por causa de um recorde ruim nesta temporada, Pete DeBoer foi demitido. Em seu lugar, entrou Bob Boughner.

    Porém, isso não ainda não demonstrou resultados. O time atualmente está em sexto lugar na divisão, com quase 10 pontos a menos que o Vegas. Para que esta temporada fosse salva, San Jose Sharks precisaria de muitas mudanças.

    Um dos possíveis motivos para o Sharks estar tendo uma temporada ruim, foi a saída do ex-capitão Joe Pavelski para o Dallas Stars. Além dele ter sido a liderança do time por 4 temporadas, Pavelski também era um dos líderes no ataque: na temporada passada, ele fez 38 gols.

    A defesa do Sharks sempre foi uma das melhores da liga, com nomes como Brent Burns, Marc Edouard Vlasic e Erik Karlsson assegurando que nenhum gol entrasse em suas redes. Mesmo assim, é possível ver tais defensores atuando de maneira muito abaixo do esperado. E o time ainda não esta preocupado para começar a sua renovação na defesa.

    Por fim, Martin Jones e Aaron Dell, os goleiros do times, estão em uma fase péssima, principalmente Jones. Muitos dos jogos no qual o Sharks perdeu foi devido a má atuação dele. Na offseason, certamente o Sharks terá que ir atrás de goleiros novos, para que na próxima temporada se apresente com uma defesa mais consistente.

    Anaheim Ducks (19-25-5 48 jogos, 43 pontos)

    Embora o Ducks esteja passando por uma transição de jogadores experientes para prospects talentosos, que tiveram temporadas boas na AHL, havia também uma esperança que essa transição fosse rápida o bastante para que o Anaheim Ducks tivesse um ano de fato bom.

    Mas isso não aconteceu e, como resultado, uma temporada que poderia levar a uma vaga de playoffs sumiu em um piscar dos olhos. As diversas lesões que assolaram o time dificultou mais ainda esse plano inicial.

    Max Comtois, Sam Steel, Troy Terry e Max Jones somam 29 pontos. Todos eles subiram das afiliadas para o time principal, e a princípio, não aparece com um resultado tão bom assim. Mas não podemos esquecer que a transição de um tipo de jogo das afiliadas para o tipo da NHL pode demorar um tempo.

    Mesmo com o goleiro de elite John Gibson em frente as redes, sem um ataque que saiba finalizar fica dificil para o time se mostrar ofensivo.

    Atualmente, o time do Ducks é algo a ser lapidado. O problema é que essa lapidação tem sido muito lenta, e sem as peças certas ao lados dos jogadores novos, os playoffs ficam cada vez mais distantes.

    Los Angeles Kings (18-27-5 50 jogos, 41 pontos)

    Tyler Toffoli muito provavelmente não continuará com a equipe, que está em rebuild (Foto: Reprodução/NHL)

    Los Angeles Kings anunciou um rebuild. O começo desse rebuild foi a trocar do veterano russo Ilya Kovalchuk para o Montreal Canadiens. Muitas trades são esperadas na trade deadline de fevereiro. Com isso, o L.A Kings não tem muito o que esperar do resto da temporada.

    Ao invés disso, o time focará nas movimentações necessárias para que o time volte a ser competitivo. É provável que Kings se livre de alguns contratos antigos, seja por troca ou pela rescisão de seus contratos, ou mesmo em buy out.

    Drew Doughty, Anze Kopitar e Jeff Carter são nomes que permanecerão e poderão ser as vozes experientes para os jogadores mais novos. Mas Tyler Toffoli, cujo contrato termina ano que vem, talvez tenha uma casa nova próxima temporada. O jogador vem de uma temporada mediana, recebendo muitas críticas dos fãs.

    Fato é que o L.A Kings novamente ficará fora dos playoffs. Seja devido as suas prórpias falhas ou pela competitividade contra seus rivais, as chances do Kings chegarem a pós temporada é muito pequena.

    Entretanto, apesar de todas as projeções, não devemos nos esquecer que o St. Louis Blues esteve em último na sua divisao em janeiro do ano passado e veio conqusitar a Stanley Cup em Junho. Ainda temos muito hockey para acontecer antes do cenário dos playoffs ser formado.

    A classificação da Divisão Pacífica pode ser encontrada com mais detalhes no site da NHL.

    Foto:  Joe Camporeale / Reprodução

  • Auston Matthews: da seleção americana ao estrelato

    Auston Matthews: da seleção americana ao estrelato

    Na última quarta-feira (08) o jogador Auston Matthews teve motivos para comemorar. Apesar de seu time, o Toronto Maple Leafs, ter perdido a partida contra o Winnipeg Jets, o capitão alternativo entrou para a história da NHL. Isso porque Matthews se tornou o sexto jogador dos Leafs a marcar 30 gols em quatro ou mais temporadas consecutivas. Além disso, o jogador é o primeiro da franquia a conseguir o feito nas suas primeiras quatro temporadas na Liga e o 15º na história da NHL.

    O jovem de 22 anos tem sido uma excelente aposta para o Leafs. Além de ter tido uma carreira promissora com os juniores, o jogador tem quebrado recordes por onde passa. Marcas estas não somente em seu próprio time como também na NHL. Auston tem mostrado um belo desempenho no gelo e as suas estatísticas não mentem, afinal, ele também se mostra capaz de quebrar os próprios recordes. O jogador tem conseguido marcar ao menos 30 gols em cada uma de suas temporadas, incluindo aquelas que por algum motivo precisou perder jogos. Não somente isso, ele tem conseguido realizar o feito cada vez mais rápido desde a sua estreia. Dessa forma, tem se superado a cada temporada.

    Número de jogos que o jogador atingiu a marca do 30º gol (Foto: Reprodução/@nhlonnbcsports)

    O começo

    Apesar de ter sido selecionado no draft de 2012 na Liga WHL, Auston preferiu iniciar a sua carreira no hockey pelo U.S. National Development Team da Liga USHL na temporada 2013-14. Naquela mesma temporada, ele jogou no campeonato sub-17 pela seleção americana. Assim, chamou a atenção dos olheiros da NHL, já de olho em suas estatísticas da época. Em sua segunda temporada no programa, o jogador bateu recorde ao terminar em primeiro lugar em pontos, com 116 pontos (55 gols e 61 assistências). Superando Patrick Kane e Jack Eichel, donos dos recordes anteriores. 

    Dessa forma, o jogador começou a colecionar prêmios, além das medalhas de ouro com a seleção nos anos de 2014 e 2015. Auston Matthews também ganhou como MVP, scoring leader e o troféu Bob Johnson por sua excelência em competições internacionais. Após seu tempo com o programa de desenvolvimento dos EUA, Matthews não pode se candidatar ao draft, uma vez que sua data de nascimento passava da data limite para o draft daquele ano. Com isso, enquanto aguardava o draft do ano seguinte, o center recebeu uma proposta para jogar na Suíça pelo time ZSC Lions da Liga NLA. Com o time suíço, o Auston conquistou prêmios como Rising Star Award e NLA Media Most Improved Player.

    Matthews durante a sua temporada com o time ZSC Lions da Liga NLA. (Foto: Reprodução/NHL.com)

    Primeira escolha no draft

    No ano seguinte, em 2016, Matthews pode enfim se candidatar ao draft. Dessa forma, as especulações se o jogador seria o primeiro a ser escolhido começaram meses antes, uma vez que Auston já vinha sendo observado pela NHL. No dia 24 de junho, as especulações chegaram ao fim quando o nome de Matthews foi chamado pelo Toronto Maple Leafs, em primeiro lugar, se tornando o primeiro americano desde Patrick Kane em 2007 a ser a melhor escolha. Posteriormente o jogador assinou um contrato com o time, dando início a sua carreira na NHL naquele mesmo ano. 

    Fazendo jus às expectativas, em sua estréia no dia 12 de outubro de 2016, o jogador entrou para a história ao marcar quatro gols. Esse recorde só foi quebrado duas vezes antes na história da Liga pelos jogadores Joe Malone e Harry Hyland, onde cada um fez cinco gols no dia 19 de dezembro de 1917, o primeiro jogo na história da NHL. Após a sua estréia a jersey com seu nome foi colocada a venda e rapidamente se tornou a mais vendida na NHL. Posteriormente, em dezembro, o jogador ganhou como NHL’s Rookie of the Month após fazer 12 pontos e oito gols em apenas 12 jogos. 

    Carreira de recordes

    Embora Matthews seja o dono do recorde nos Leafs por ser o primeiro a conquistar 30 gols em suas primeiras quatro temporadas, o jogador também quebrou recordes em cada uma dessas temporadas. Em sua temporada de estreia, mais precisamente no dia 28 de março de 2017, Auston marcou o seu 35º gol. Dessa forma, quebrou o recorde de mais gols marcados por um rookie, que anteriormente pertencia a Wendel Clark.

    Posteriormente Auston quebrou o recorde da franquia de mais pontos de uma temporada ao marcar seu 39º gol e 67º ponto, se tornando assim, o rookie de nacionalidade americana a marcar mais gols. Ao marcar seu 40º gol poucos dias depois, Matthews se tornou o segundo rookie com mais gols desde o bloqueio de 2004-05. Além disso, passou a ser ser o quarto adolescente na história da NHL a bater o recorde. Naquele mesmo ano o jogador conquistou o troféu Calder Memorial, assim se tornando o primeiro jogador dos Leafs a receber o troféu em 50 anos. 

    Na temporada seguinte Auston Matthews não obteve o mesmo desempenho. Isso porque ele se lesionou algumas vezes ao longo da temporada, ficando fora por 20 jogos ao todo. Mesmo com uma temporada mais fraca, Matthews ainda assim conseguiu marcar 34 gols e conquistou uma média de mais de um ponto por jogo na temporada regular. O time de Toronto até chegou a ir para os playoffs, porém foi eliminado no primeiro round.

    Diferentemente na temporada 2018-19, Matthews voltou com tudo e já começou brilhando ao marcar cinco gols e três assistências em apenas três jogos. Como resultado, ele foi nomeado a primeira estrela da semana na NHL. Continuando com a quebrar recordes, o jogador marcou mais quatro gols nos dois jogos seguintes, dando um total de 12 pontos em cinco jogos. Assim, se tornou o jogador mais jovem na história da Liga a marcar múltiplos pontos em cinco jogos no início da temporada, recorde que pertencia a Wayne Gretzky em 1983. 

    Ainda em 2018-19, o center se lesionou e precisou ficar de fora por quatro semanas, porém nem isso foi o suficiente para impedir a estrela de Matthews brilhar. Após retornar ao gelo foi eleito pela primeira vez capitão da Divisão Atlântica dos jogos All-Star 2019, entretanto, essa foi a terceira vez que participava do evento. O jogador também renovou seu contrato com o time para mais cinco anos no valor de 11.634 milhões de dólares por ano.

    Mais tarde, naquele mesmo ano, no dia 14 de fevereiro marcou o seu 100º e 101º gol na NHL. Dessa forma, se tornou o terceiro Maple Leafs a atingir o marco mais rápido. Apenas alguns dias depois, o jogador marcou seu 30º gol da temporada. Ao realizar o feito, Matthews passou a ser o primeiro jogador na história do time a marcar 30 gols em cada uma das três primeiras temporadas.

    Durante a temporada 2018-19 com seu time Toronto Maple Leafs (Foto: Reprodução/NHL.com)

    Temporada atual

    Com o início da temporada atual, Auston Matthews foi então nomeado como capitão alternativo dos Leafs. No entanto, essa não foi o único motivo de alegria para o jogador. No dia 03 de outubro, no primeiro jogo da temporada para o time de Toronto, Matthews marcou dois gols. Desta maneira, ele entrou para a história da NHL ao ser o quarto jogador a marcar em cada um dos quatro primeiros jogos de cada temporada. Neste mesmo jogo, ele ficou em terceiro lugar da Liga com 116 gols em 215 jogos desde a sua estreia em 2016. Naquela semana, o jogador foi nomeado em terceiro lugar para a estrela da semana na NHL.

    No último dia 08 de janeiro, Matthews entrou para história novamente ao marcar seu 30° e 31º gol da temporada pela quarta temporada consecutiva ficando atrás apenas de Alex Ovechkin, o capitão do Washington Capitals. Os dois juntos se tornaram os únicos jogadores na ativa que marcaram tal recorde. 

    Apesar do time ter se envolvido em polêmicas na intertemporada e não ter tido um bom início de temporada, Auston tem corrido atrás e mostrado ser um jogador nível MVP. O seu tempo no gelo aumentou e, consequentemente, ele tem conseguido mostrar maior desempenho. O jogador é líder em pontuação do seu time com um total de 54 pontos. Além do primeiro lugar em gols (31), Auston também aparece em segundo lugar como jogador com mais assistências (23).

    Todas estas marcas foram alcançadas em apenas 45 jogos. Entretanto, chegou a este número de pontos em menor tempo, sendo assim, sua menor marca na carreira desde 2016. Ao todo, desde o início da sua carreira na NHL, o jogador já contabiliza 142 gols em 257 jogos, sendo que estamos apenas na metade da temporada atual. Ou seja, Auston Matthews é capaz de superar a si mesmo e bater seu próprio recorde de 2016-17 de 40 gols. Sendo assim, acompanhar o jovem americano no gelo se torna uma tarefa interessante, uma vez que só temos que aguardar para descobrir quais serão os próximos recordes que ele irá quebrar. 

    Foto: Reprodução/Patrick Gorski-USA TODAY Sports

  • A ascensão do Colorado Avalanche na temporada 2019/20

    A ascensão do Colorado Avalanche na temporada 2019/20

    O Colorado Avalanche começou a temporada 2019/20 voando. Quebras de recordes, aproveitamento do time no gelo, uma equipe de grande qualidade. Todos foram feitos necessários para que, desta forma, a equipe de Denver tivesse um dos melhores inícios de temporada de toda a sua história na NHL. Por isso, o NHeLas resolveu contar um pouquinho do desempenho do time na Liga até o momento atual, e como isso tudo pode acabar levando Colorado diretamente aos playoffs. 

    Melhor início de temporada

    O Avalanche não iniciou a década da melhor forma que uma equipe deseja. Se excluirmos os playoffs de 2010, até o ano de 2017, o time classificou-se apenas mais uma vez para a pós temporada, em 2013/14. As 3 temporadas que se seguiram, no entanto, não foram de grande sucesso para a equipe, que chegou ao último lugar no ranking da Liga em 2016/17. 

    Porém, desde a temporada 2017/18, o time só tem avançado, e após alguns anos voltou, por fim, a fazer parte da lista das equipes mais prováveis a irem aos playoffs e disputarem a final da Stanley Cup. E isso se dá, atualmente, pelo início extraordinário que o time teve nesta temporada. A equipe deu start na season 2019/20 com um streak de 5 vitórias consecutivas. Desta forma, se tornou um dos 5 times na Liga a ficarem invictos por 2 ou mais jogos. 

    A série de vitórias seguidas foi quebrada na partida do time contra Pittsburgh, onde a equipe de Denver perdeu no OT. No entanto, o Avalanche acabou vencendo as duas partidas que se seguiram, e o streak terminou de fato apenas quando o time foi derrotado pelo St. Louis, no dia 21 de Outubro. Até o jogo contra os Blues, o time possuía 7 vitórias, e uma derrota em OT. 

    Mesmo com a derrota, o Colorado Avalanche continuou a fazer um grande início de temporada, sendo esta a 3º melhor na história da equipe na Liga. Até o fim do mês de outubro, dos 12 jogos que disputou, o time perdeu 4 destes, adquirindo 18 pontos. Porém, ainda sim não foram o suficiente para abalar seu desempenho, já que seguiram permanecendo no 3º lugar do ranking geral da Liga. 

    Breve decaída e recuperação do time

    Se Outubro foi um mês de grande vitórias para o Avalanche, Novembro acabou por desestruturar um pouco o embalo da equipe. As coisas ficaram ainda mais difíceis com as baixas por lesões que o time sofreu, sendo Mikko Rantanen e Gabriel Landeskog duas delas. As duas derrotas que aconteceram nos últimos 2 jogos de Outubro, somadas às 3 adquiridas nos três primeiros jogos do time no mês, trouxeram desequilíbrio a equipe. Desta forma, no dia 7 de novembro, a equipe passou a ocupar a 12º posição no ranking geral da NHL, com apenas 20 pontos.

    Porém, melhoraram gradualmente para Colorado. No dia 21 de Novembro, o time ocupava a 5ª posição no super sixteen da Liga. Apesar de ter decido para a 11ª posição ao fim de novembro, devido à escalada de alguns times na lista, Dezembro foi um mês produtivo para eles. Assim, Colorado voltou ao top 5 da Liga nos últimos dias do ano, passando a ocupar a 4ª posição no ranking geral com 50 pontos, encerrando 2019 com um recorde de 23-13-4.   

    Jogadores destaque nesta temporada:

    Apesar de ter um dos melhores elencos da Liga atualmente, o Avalanche possui jogadores que vem fazendo cada vez mais diferença a cada temporada. Nathan Mackinnon é um deles. Desde 2013, o center têm sido peça chave na equipe. Sendo um dos jogadores mais rápidos da Liga não demorou muito para que ele se tornasse essencial para o sucesso de Colorado. E nesta temporada não está sendo diferente. Até então, o canadense é o líder disparado do Avalanche em pontos, com 65 registrados. Ele também lidera o ranking do time em gols (26) e assistências. No ranking geral da Liga, ele ocupa, por fim, a terceira posição em maior número de pontos e é o 4º jogador com mais gols. 

    Cale Makar é outro jogador a ser levado em consideração. Com as lesões de jogadores essenciais para a primeira linha da equipe, o Colorado Avalanche precisou fazer algumas mudanças necessárias para que o time seguisse pontuando. Makar foi a escolha certa. Desta maneira, junto com Mackinnon, acabou sendo um jogador de extrema importância para a ascensão de Colorado na Liga. No entanto, apesar de estar ainda em sua primeira temporada regular, o nativo de Calgary deu start em sua carreira quebrando recordes. Assim, se tornou o primeiro rookie de Colorado a marcar 18 gols em 18 jogos. Atualmente, o canadense é o 3º jogador da equipe de Denver a ter mais pontos registrados nessa temporada. Em relação a assistências, ele ocupa, por fim, a 2ª posição no ranking do time, somando 23. 

    Juntando-se aos dois citados anteriormente, Mikko Rantanen também faz parte da lista de jogadores essenciais para o sucesso da equipe. Apesar da lesão, que o levou a ficar afastado do início da temporada, o finlandês foi e tem sido peça importante para a linha ofensiva do time e ascensão de Colorado na tabela. Atualmente, ele é o segundo jogador com mais gols no time (15) e o 3º com mais pontos registrados (31). Por fim, se formos levar em conta o desempenho de Rantanen nos playoffs da temporada passada, não existem dúvidas de que o jogador irá se destacar e levar o time à frente. 

    Nazem Kadri também tem sido importante na equipe desde sua trade em julho de 2019. Com as diversas lesões que o Colorado Avalanche enfrentou no início da temporada, Kadri precisou ser um dos líderes do time no gelo. E continua sendo, pois é o segundo na equipe (empatado com Rantanen), atualmente, com mais saldo de gols (15) e o 5º com mais pontos (27). 

    Chances nos playoffs

    Atualmente, o Colorado Avalanche ocupa o 3º lugar na Conferência Oeste, com 54 pontos e 8º time da Liga com mais pontos. Se os playoffs acontecessem hoje, o time garantiria uma vaga ocupando, por fim,  o terceiro lugar na divisão. Mas até abril, ainda existem muitas partidas a serem disputadas, e outras coisas a serem levadas em consideração.

    No entanto, o Avalanche possui um dos melhores elencos da NHL ultimamente. Destes que possuem talento de sobra para levar a equipe até a pós temporada. Jogadores que vem quebrando recordes, se mostrando cada vez melhores no gelo, e que conversam muito bem entre si. 

    Um ponto positivo é que, apesar das estrelas do time serem essenciais no seu desenvolvimento, Colorado já provou que seus jogadores mais jovens dão conta do recado. E talvez essa seja a peça chave do time, ter uma equipe que se adapta muito bem ao que é necessário, sem contar com apenas um jogador para fazer o trabalho. 

    Com o jogo que vem desempenhando atualmente, e se manter o ritmo, as chances de vermos o time de Denver disputando os playoffs são cada vez maiores. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • 12 momentos que entraram para a história em 2019

    12 momentos que entraram para a história em 2019

    O ano de 2019 para o hockey foi intenso e lotado. De pontos à shutouts, a NHL registrou acontecimentos que entraram para a história da Liga e colocaram jogadores e times em colocações também históricas. Portanto, a equipe do NHeLas resolveu fazer um top 10 de todos os recordes ultrapassados ao longo dos últimos 12 meses.

    04/02: Carter Hart se tornou o 4º goleiro na história da NHL a ter uma sequência de vitórias de, pelo menos, 7 jogos antes mesmo de completar 21 anos. A marca foi registrada em um jogo dos Flyers contra os Canucks. 

    06/04: O Tampa Bay Lightning se tornou o 4º time na história da NHL a adquirir mais pontos em uma temporada. Ao fim da season 2018/19, registrou um total de 128 pontos. Seguidamente, tornaram-se o segundo time na história da Liga a possuir mais vitórias durante uma temporada, com 62 somadas. 

    12/06: O St. Louis Blues se tornou, o primeiro time de expansão da NHL a ganhar a StanleyCup depois de ter ocupado o último lugar na classificação geral da temporada.

    14/10:  Victor Olofsson, rookie do Winnipeg Jets na temporada 2019/20, atingiu um recorde histórico no início de sua carreira. Ele marcou todos os seus 7 primeiros gols na Liga em Power Play. Desta forma, se torna o primeiro jogador na história da NHL a conquistar tal feito. 

    15/11: O forward do Boston Bruins, Brad Marchand, entrou para a história da NHL. Ele se tornou, por fim, o único jogador da Liga a marcar, em 7 ocasiões,  nos primeiros 15 segundos de uma partida.

    16/11: Connor McDavid e Leon Draisaitl, do Edmonton Oilers, se tornaram a terceira dupla de jogadores na história da NHL, nos últimos 30 anos, a marcar mais de 40 pontos nos primeiros 22 jogos de sua equipe na temporada. 

    25/11: Em um jogo do New York Rangers contra o Minnesota Wild, Henrik Lundqvist bate outro recorde em sua carreira. O jogador chegou a marca de 455 vitórias com o time. Desta forma, se tornou, por fim, o 5º goleiro na história da NHL com mais vitórias. 

    10/12: Sebastian Aho, do Carolina Hurricanes tornou-se o jogador mais novo dos Cannes a atingir a marca de 100 gols no jogo contra o Oilers. Desta forma, também passou a ocupar o 6º lugar em toda a história da NHL entre os jogadores que marcaram 100 pontos em poucos jogos (no caso dele, 273).

    13/12: O Vegas Golden Knights, no último jogo da equipe contra o Dallas Stars, também conquistou um grande recorde para equipe. Este sendo o maior recorde na história da NHL em pontos nos 100 primeiros jogos fora de casa de uma franquia, somando, por fim, 109 pontos. 

    14/12: Frederik Andersen, do Toronto Maple Leafs, alcançou a marca de 200 vitórias durante a temporada regular, em 344 partidas ou menos. Portanto, se torna o 5º goleiro na história da NHL a conquistar tal marca.

    27/12: Cale Makar, do Avalanche, no jogo do time contra o Minnesota Wild, atinge a marca de 29 pontos nos 30 primeiros jogos de sua carreira. Desta forma, se torna o 5º jogador na história da NHL a alcançar o Marco. 

    27/12: Alex Ovechkin, no último jogo dos Capitals contra os Blue Jackets, conquista seu 36º ponto em OT durante a temporada regular. Assim, se torna o segundo jogador, na história da liga, com mais pontos em overtime.