Etiqueta: ligas

  • Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Tanto no hockey no gelo, como em outros esportes, muitos dos talentos das Ligas Principais acabam saindo de times universitários. Jonathan Toews, Johnny Gaudreau e Quinn Hughes são apenas alguns exemplos, dentro da NHL, que fizeram seu estrelato na Universidade e vieram parar diretamente dentro da Liga Nacional de Hockey.

    Mas em qual liga jogam esses times universitários? Para abrigar todos estes talentos, existe a NCAA,  associação responsável pelo acontecimento de campeonatos de diversas modalidades esportivas, em Universidades dos Estados Unidos e Canadá. Uma destas sendo o hockey no gelo, que tem grande presença na organização e forma diversos atletas profissionais. 

    Mas a Liga Universitária é muito maior do que apenas essa descrição. Por isso, nós separamos alguns tópicos importantes para explicar para vocês como ela funciona.

    O que é a NCAA?

    A NCAA é a sigla para National Collegiate Athletic Association. Ou seja, é uma organização que regula atletas de diversas instituições universitárias na América do Norte. Além disso, é responsável por organizar os eventos esportivos e campeonatos que ocorrem entre essas universidades. Atualmente, cerca de 400 mil estudantes-atletas universitários fazem parte da NCAA e competem anualmente em diversas modalidades esportivas oferecidas pelas Universidades que a compõe.

    O esporte universitário surgiu na América do Norte ao final do século 19 de forma amadora, sem maiores regulamentações. No entanto, com o passar do tempo, questões em relação a segurança dos atletas universitários começaram a ser levantadas pelas próprias Instituições. 

    E então, no início do século 20, o Chanceler da Universidade de New York, Henry MacCracken, organizou uma reunião entre 13 Universidades para debater sobre mudanças em relação ao assunto. A partir desse encontro surgiu então a Associação Atlética Intercolegial dos Estados Unidos (IAAUS). Essa associação é estabelecida oficialmente em 1906. Em 2010, por fim, a IAAUS passou a se chamar Associação Atlética Nacional Universitária (NCAA), nome este que carrega até os dias de hoje.

    Após alguns problemas de crise financeira e má gestão, a NCAA foi crescendo e ganhando reconhecimento. Desta forma, passou a criar cada vez mais campeonatos para as modalidades esportivas. E, portanto, precisou se discernir em três divisões: D-I, D-II e D-III. Da Divisão I e II, fazem parte as Universidades que cedem bolsa aos estudantes-atletas. E por fim, a  Divisão III abriga as Instituições Superiores que não oferecem bolsa aos atletas, apenas a oportunidade de jogar pelo time universitário. 

    Atualmente, existem 26 modalidades esportivas abrangidas pela NCAA. Entre estas se encontra o Hockey no Gelo. O esporte está presente nas 3 divisões criadas pela associação, com campeonatos anuais tanto de times universitários masculinos, quanto de times universitários femininos. O torneio de hockey universitário mais conhecido da NCAA é o Frozen Four, que atrai diversos torcedores da América do Norte, como também de todo o mundo. 

    O Ice Hockey 

    O hockey universitário existe desde o fim do século 19 na América do Norte. Malcolm Chace, calouro da Universidade de Brown, e Robert Wrenn (Harvard), ao disputarem um torneio de polo no gelo em Ontário, acabaram conhecendo membros do Victoria Hockey Club, um dos primeiros times de hockey amador do Canadá. Seguidamente, os estudantes foram convidados a visitar Montreal, sede do clube, para aprender um pouco mais sobre as regras do esporte. Em outra visita ao Canadá, Chace e Wrenn levam diversos amigos consigo, estes que também se apaixonam pelo esporte.

    A partir disso, ambos voltaram para suas respectivas Universidades, impulsionados assim a fundarem times universitários de ice hockey. Instituições como Harvard e Brown foram pioneiras na criação das equipes. E, no período de uma década, diversas Universidades da América do Norte já possuíam times formados. Anteriormente, o hockey era um esporte mais apreciado na  região da Nova Inglaterra. No entanto, ao fim do século 19, as Universidades do meio-oeste também passaram a criar programas para abranger o esporte; tanto as de grande porte (U. Minnesota, por exemplo), como as menores, estabelecendo assim campeonatos de hockey universitário de nível inferior. 

    A falta de rinks de gelo disponíveis foi uma grande preocupação para boa parte destas Instituições, que se questionavam se deveriam iniciar um programa próprio de hockey no gelo ou continuar apoiando as equipes que já haviam se formado e jogavam geralmente em rinks de gelo abertos ao público, próximos às Instituições. Portanto, após diversas discussões, a Universidade de Princeton criou a primeira arena de ice hockey universitário, o Hobey Baker Memorial Rink, em 1923. 

    No entanto, as coisas tornaram-se mais profissionais para o hockey universitário ao fim da década de 40. Em 1948, a NCAA  integrou o hockey no gelo à organização, e passa a realizar os campeonatos da modalidade esportiva (o Frozen Four sendo um dos principais). Após esse período, o hockey universitário ganhou mais incentivo, crescendo cada vez mais em popularidade na América do Norte.

    As divisões

    Para melhor organização, a NCAA optou por dividir as Universidades em três grandes grupos. Assim como nos demais esportes, o hockey universitário também se encaixa nessas divisões da organização. Estas que são a Divisão I, Divisão II e Divisão III. 

    Atualmente, a NCAA possui campeonatos apenas para as Divisões I e III. Porém, os times que compõem a Divisão II acabam por disputar partidas entre os times das conferências que fazem parte da desta. Eles também competem em alguns campeonatos regionais (fora da NCAA).

    Assim como nos outros esportes, os programas de hockey das universidades, que fazem parte das Divisões I e II, oferecem bolsas de estudo aos seus atletas. Porém, estes precisam atingir alguns quesitos para jogar pelos times destas universidades. Quesitos estes que juntos formam a elegibilidade do aluno para disputar na sua equipe universitária. 

    Para isso, é necessário que os estudantes-atletas possuam high scores nos SATs (acima de 900). Além disso, é importante que se mantenham com notas acima da média durante seu período na instituição de ensino superior. Assim, cumprindo todos os requisitos, o jogador se torna elegível para competir pelo time de hockey da universidade que frequenta.

    Atualmente, cerca de 138 Instituições, distribuídas nas três divisões da NCAA, ofertam o programa de hockey no gelo masculino. Já o programa de hockey feminino conta com 93 universidades, estas que são distribuídas na Divisão I e III.

    Divisão I

    A Divisão I é o nível mais alto de atletismo universitário que compõe a NCAA. As Universidades desta divisão geralmente possuem orçamentos maiores, instalações mais elaboradas, entre outros requisitos. Desta forma, acabam por fim distribuindo bolsas de atletismo e atraindo diversos futuros prospects das principais Ligas norte americanas. 

    A Divisão I do hockey masculino conta, atualmente, com 60 Universidades, divididas em seis conferências. Estas que são a Hockey East (da qual a Boston College e Boston University fazem parte), a NCHC (Universidade de Denver), WCHA, ECAC Hockey (Universidades da Ivy League, como Harvard, Yale), Big Ten (Michigan, Wisconsin e North Dakota) e a Atlantic Hockey (Bentley). 

    Já a Divisão I do hockey feminino conta com cinco conferências: a College Hockey America, ECAC Hockey, Hockey East, New England Women’s Hockey Alliance e Western Collegiate Hockey Association. 

    Divisão II

    A Divisão II da NCAA é uma divisão de nível intermediário. As universidades que a compõe tendem a ser as Instituições Públicas e algumas privadas. Cerca de 133 universidades da Divisão II tem menos de 2.499 estudantes. Apenas 12 instituições têm mais do que 15 mil alunos. Ou seja, a maioria das Instituições de Ensino Superior que fazem parte da D-II são as de menor porte.

    Assim como na D-I, os atletas que jogam nos times de hockey da Divisão II possuem bolsa escolar, e só a mantém se atingem os requisitos de elegibilidade. No entanto, a NCAA não fornece um campeonato para os times que fazem parte desta divisão. Isso se dá pelo fato de esta possuir apenas uma conferência atualmente: a Northwest-10.

    Divisão III

    Por fim, a Divisão III é formada pelas universidades que optaram por não oferecer bolsas de atletismo a seus alunos-atletas. Atualmente, cerca de 40% dos estudantes-atletas da NCAA competem pela D-III. 

    Na Divisão III de hockey masculino existem 74 times. Estes que são divididos em 9 conferências – a Commonwealth Coast e a Massachusetts State College Athletic são alguns exemplos. 

    Já a Divisão III de hockey feminino conta com 52 equipes, distribuídas em sete conferências. Estas que são a Colonial Hockey Conference, a ECAC West, Minnesota Intercollegiate Athletic Conference, New England Hockey Conference, New England Small College Athletic Conference, Northern Collegiate Hockey Association e a Wisconsin Intercollegiate Athletic Conference. 

    Ice Hockey Universitário Feminino

    Apesar da integração pela NCAA ter sido feito apenas no início da década de 2000, nos anos 70 já existiam diversos times femininos de hockey amadores nas universidades norte americanas. 

    O primeiro time de hockey feminino foi criado pela Universidade De Brown, em 1965. Seguidamente, algumas outras instituições da Ivy League, como Cornell, Yale e Princeton, seguiram o exemplo, instituindo equipes em suas Universidades. Assim, com a criação destas equipes universitárias, em 1976 a Brown finalmente veio a sediar o primeiro torneio feminino de Hockey no Gelo.

    E após diversas discussões sobre o preconceito sofrido pelas atletas em diversas Universidades norte americanas, a NCAA, por fim, passa a integrar os times femininos de hockey no gelo à organização em 2001. 

    O campeonato feminino da Divisão I é um torneio que conta com apenas 8 equipes, tendo partidas de eliminação única. Assim, por temporada, os times que a compõe disputam mais de 30 jogos. As finais e semifinais são chamadas de Women’s Frozen Four, nome que foi inspirado no do Campeonato Masculino da Divisão I. Ao fim do torneio, a melhor jogadora da Divisão I feminina recebe o prêmio Patty Kazmaier, que tem o nome como uma homenagem a ex atleta campeã do time de hockey feminino de Princeton.

    O campeonato da Divisão III abriga 9 equipes, e é um torneio de eliminação única. Por fim, os times da Universidade de Minnesota Duluth e Universidade de Wisconsin possuem grande presença no campeonato, devido ao grande número de conquistas no Frozen Four Feminino.

    Ice Hockey Universitário Masculino

    O hóquei no gelo masculino foi a primeira modalidade do esporte a ser instituída pela NCAA, ao fim dos anos 40. Assim como na modalidade feminina, a masculina também possui campeonatos apenas para a Divisão I e III. 

    O campeonato da Divisão I conta com 16 equipes. Estas que são definidas a partir de disputas entre os times das conferências da divisão. Assim como no campeonato feminino, os jogos são de eliminação única. E por fim, os 16 times classificados para disputar o campeonato são divididos em 4 categorias; cada categoria conta com 4 equipes.

    As semifinais e finais, que definem anualmente o campeão da Divisão I, são conhecidas como Frozen Four. Atualmente, o time com mais vitórias no Frozen Four é a equipe da Universidade de Michigan que, até então, possui 9 campeonatos. Logo atrás ficam a Universidade de Denver e North Dakota, com 8 campeonatos cada. Wisconsin, que também é uma Instituição de peso no campeonato, possui 7 vitórias no Frozen Four. 

    O campeonato da Divisão III não é tão conhecido quanto o Frozen Four. No entanto, é formado por 12 times, estes que também definidos a partir de disputas entre as equipes das conferências. Assim como os demais, ele possui partidas de eliminação única, que levam os times a final. Atualmente, a Universidade com mais vitórias no torneio da D-III é a Middlebury, com 8 campeonatos. 

    Frozen Four

    O Frozen Four é a competição final do campeonato de hockey universitário da Divisão I, onde a NCAA coroa seu campeão nacional todos os anos. Os dois jogos de semifinal, e a própria final, são disputados em três dias, no período da primavera norte-americana.

    A competição existe há 72 anos, desde que a NCAA incluiu o hockey nos programas de atletismo universitário. Em 2003, o campeonato aderiu o formato de 16 times: são 4 regionais, e dentro de cada regional constam 4 equipes. Por fim, os vencedores de cada uma dessas regionais acabam avançando para as Finais do Frozen Four. 

    Com o passar do tempo, e os talentos que vinham se revelando no College Hockey, o Frozen Four se tornou bem mais do que apenas uma final de campeonato universitário. São estádios lotados com fãs, e um espírito esportivo gigante que domina os torcedores durante os três dias em que o evento acontece. 

    O campeão atual da Frozen Four é o Minnesota Duluth, que fez uma extraordinária campanha back to back no campeonato e, desta forma, venceu as finais de 2018 e 2019. A maior vencedora do Frozen Four, em todos os anos de história do esporte na NCAA, é a Universidade de Michigan. Esta que possui um dos programas mais famosos de hockey universitário para os seus atletas, e já trouxe muitos destes para dentro da NHL. Atualmente, Quinn Hughes, do Vancouver Canucks, é um destes. 

    Wisconsin também tem grande destaque, por já ter sido campeã de 7 campeonatos (ocupa o 4º lugar no ranking de times com mais Frozen Four). No Draft 2019, três escolhas do first round foram alunos-atletas da Universidade: Cole Caufield, Alex Truscotte e Owen Lindmark. Dos três, Truscotte já assinou contrato com o L.A. Kings e deve estrear no profissional na temporada 2020-21. Outro atleta de Wisconsin que entrará para o profissional na temporada 2020-21 é K’André Miller, que já assinou contrato com o New York Rangers.

    O Frozen Four ganhou tanta importância nos últimos anos que despertou o olhar emissoras televisivas. Atualmente, a ESPN passa todos os jogos do Frozen Four e vem transmitindo este há 27 temporadas. Assim, o esporte acaba atraindo cada vez mais o olhar de fãs intrigados que querem descobrir quais serão os próximos talentos que irão garantir um ticket direto para a NHL. 

    Portanto, a menção honrosa de hoje é um RIP pelo fim do campeonato, que precisou ser cancelado devido a pandemia Covid-19. Porém, a boa notícia é que, no ano que vem, teremos mais Frozen Four. E, se tudo der certo, a próxima cidade a sediar o evento será Detroit, que abrigaria a final do campeonato este ano.

    Por fim, só nos resta uma coisa: esperar ansiosos pelo próximo campeonato. 

  • Conheça a Extraliga ledního hokeje – A Liga Tcheca

    Conheça a Extraliga ledního hokeje – A Liga Tcheca

    O mundo do hockey é muito mais rico do que apenas a NHL. Ligas em diversos países e histórias curiosas que, apesar de conhecermos jogadores importantes dessas nacionalidades, têm ligas pouco divulgadas. Hoje escolhemos contar um pouco sobre a Extraliga ledního hokeje (ELH), a Liga Tcheca de Hockey, ou simplesmente, Extraliga.

    De acordo com a IIHF, essa liga é considerada a 3° melhor do mundo, por ser uma das mais competitivas na Europa. 

    A história da Extraliga ledního hokeje (ELH)

    Os times da Extraliga ledního hokeje
    Os times e as cidades da Extraliga ledního hokeje (Foto: Eliteprospects)

    A história do hockey na Europa Central possui origens mais antigas. As primeiras práticas do esporte datam de 1908, com a primeira liga doméstica sendo estabelecida em 1936. Contudo, a Československá hokejová liga, conhecida como Primeira Liga de Hockey no Gelo da Tchecoslováquia, existiu até 1993, quando o país se dividiu em República Tcheca e Eslováquia. Ali elas viraram duas ligas independentes, de seus respectivos países. Sendo, então, a Extraliga Eslovaca e a Extraliga Tcheca.

    Naquela época, a liga era constituída por 8 a 24 times. Atualmente, 14 times atuam na ELH. São eles: HC Kometa Brno, Mountfield HK, HC Energie Karlovy Vary, ČEZ Motor České Budějovice, Bílí Tygři Liberec, HC Verva Litvínov, BK Mladá Boleslav, HC Olomouc, HC Dynamo Pardubice, HC Škoda Plzeň, HC Sparta Praha, HC Oceláři Třinec, HC Vítkovice Ridera e, por fim, PSG Berani Zlín.

    O sistema de competição

    A temporada regular consiste em 52 jogos, com cada equipe jogando quatro vezes entre si – duas vezes em casa e duas vezes fora. As dez melhores equipes vão para para a pós temporada. Por sua vez, os seis melhores times se qualificam diretamente para as quartas de final melhor de 7. Enquanto as equipes posicionadas do 7° até o 10° lugar precisam jogar qualificatórias, dessa vez melhor de 5, para prosseguirem no campeonato. 

    Dessa forma, os quatro times na posição mais baixa da tabela jogam os play-outs, uma espécie de playoffs invertido, no qual serão determinadas as equipes rebaixadas. 

    Depois dos play-outs, as duas piores equipes jogam com os dois vencedores das semifinais da segunda divisão tcheca, chamada de 1. česká hokejová. Em um grupo classificatório, cada equipe disputará 12 jogos (duas vezes em casa e duas vezes fora contra todos os times do grupo). Por fim, as equipes de 1° e 2° lugares desse grupo qualificam-se para a Extraliga na temporada seguinte, enquanto as 3° e 4° equipes jogam na segunda divisão.

    Devido a pandemia do COVID-19, a Extraliga ledního hokeje teve a temporada atual cancelada. Com isso, nenhuma equipe disputará os playoffs ou será premiada esse ano.

    Títulos

    A última equipe campeã foi HC Oceláři Třinec, que conquistou o 2° título do clube. Dessa forma, a equipe vice foi HC Bílí Tygři Liberec, que por sua vez possui apenas um título. A equipe que possui mais títulos é a VHK Vsetín, com um total de seis troféus. Entretanto, eles jogam, desde 2006, na segunda divisão. 

    A segunda equipe com mais títulos é a HC Sparta Prague, com quatro. Dessa forma, ao longo das 27 temporadas, os vencedores foram: 

    1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 2000/01 – VHK Vsetín (6 títulos, atualmente na 2° divisão)

    1999/00, 2001/02, 2005/06, 2006/07 – HC Sparta Praha  (4 títulos)

     2004/05, 2009/10, 2011/12 – HC Dynamo Pardubice (3 títulos)

    2003/04, 2013/14 – PSG Berani Zlín (2 títulos)

    2002/03, 2007/08 – HC Slavia Praha (2 títulos, atualmente na 2° divisão)

    2010/11, 2018/19 – HC Oceláři Třinec  (2 titulos)

    2016/17, 2017/18 – HC Kometa Brno   (2 títulos)

    2015/16 – Bílí Tygři Liberec

    2008/09 – HC Energie Karlovy Vary

     2014/15 – HC Verva Litvínov

     2012/13 – HC Škoda Plzeň

    1993/94 – HC Olomouc

    Rivalidades e Torcidas

    Torcida do Sparta Praha
    Foto: modrobili.cz

    Assim como em qualquer esporte, existem várias rivalidades na EHL. Talvez a maior rivalidade seja a entre Kometa Brno e Sparta Praha, oriundas das duas maiores cidades e capitais tchecas e que possuem grande contexto histórico-cultural. Além disso, as duas cidades sempre produziram grandes talentos tchecos, gerando grandes elencos.  Portanto, as torcidas são muito calorosas e fiéis aos seus clubes. 

    A rivalidade entre HC Dynamo Pardubice e Mountfield HK é baseada, essencialmente, na localização. As duas cidades estão localizadas a cerca de 25 km uma da outra e o ódio das torcidas é muito intenso. Curiosamente, essa é uma rivalidade que vai além dos esportes, já que as pessoas de Hradec costumam odiar as de Pardubice.

    A NHL e a Extraliga ledního hokeje

    Na história da NHL, muitos jogadores fizeram e estão fazendo história. Jaromir Jagr atualmente é dono, presidente e jogador do Rytíři Kladno. Na NHL, Jagr ganhou 2 Stanley Cups pelo Pittsburgh Penguins nos anos 90. 

    Outros nomes conhecidos da NHL que tiveram passagem pela Liga Tcheca incluem Jakub Voráček (Philadelphia Flyers), Michael Frolík (Calgary Flames) e Radko Gudas (Washington Capitals), que também atuaram pelo Rytíři Kladno.

    Outra lenda do hockey, dessa vez nas redes, Dominik Hasek começou sendo goleiro no time de sua cidade natal, o LTC Pardubice. Hasek competiu ao lado do LTC Pardubice por 6 anos, até começar a carreira no Chicago Blackhawks em 1990.

    Contudo, o jogador tcheco dividiu sua carreira entre o Buffalo Sabres (onde faturou 6 vezina trophies) e o Detroit Red Wings (onde ganhou 2 Stanley Cups).

    Ondřej Palát (Tampa Bay Lightning) jogou também pelo time de sua cidade natal, o HC Frýdek-Místek, da cidade de Frýdek-Místek. Tomas Hertl (San Jose Sharks), competiu pelo HC Slavia Praha. 

    David Pastrnak (Boston Bruins), que terminou a temporada de 2019-2020 com 48 gols e 95 pontos, jogou em sua juventude no clube de sua cidade natal, o AZ Havířov, na segunda divisão tcheca. Além deles, David Krejčí (Boston Bruins), Jakub Vrana (Washington Capitals), Petr Mrazek (Carolina Hurricanes) e Pavel Francouz (Colorado Avalanche) são alguns dos outros jogadores tchecos na NHL. No total, há 33 jogadores tchecos na liga norte americana. 

    Jaromír Jágr: a lenda do Pittsburgh Penguins

    Mario Lemieux e Jaromir Jagr, após vencerem a Stanley Cup de 1992
    Foto: Bruce Bennett/Gettyimages

    Antes de virar uma lenda do hockey, a estrela do Pittsburgh Penguins Jaromír Jágr passou 6 temporadas na equipe de sua cidade natal, em ligas júnior.  Rytíři Kladno, localizado na cidade de Kladno, atualmente se encontra na 2° Divisão da Liga Tcheca. Todavia, nos anos 80, a equipe fez parte da Primeira Liga de Hockey no Gelo da Tchecoslováquia, antigo nome da atual primeira liga tcheca. 

    Atualmente, Jagr é dono e presidente do Rytíři Kladno. Além disso, ele joga pela equipe. Dessa forma, o número 68 do time ajudou seu time a subir de divisão ano passado, após marcar 4 gols que levariam a equipe o tão desejado acesso. 

    Foto: Jaroslav Ozana, AP

    Parece que Jágr não possui planos de parar tão cedo. O tcheco possui recordes e feitos impressionante. Ele tem o segundo maior número de pontos na história da NHL, atrás apenas  de Wayne Gretzky. Também é o jogador europeu mais produtivo que já jogou na NHL e, em 1990, aos 18 anos, era o jogador mais jovem da Liga. Antes de se transferir aos 45 anos, se tornou o jogador mais velho da NHL e o jogador mais velho a marcar um hat-trick. Além disso, Jagr está no seleto clube do Triple Gold, de jogadores que conquistaram Ouro nas Olimpíadas, a Stanley Cup e também o Ouro no Campeonato Mundial de Hockey. Por fim, em 2017, Jágr foi nomeado um dos 100 Maiores Jogadores da NHL na história.

  • Conhecendo a Deutsche Eishockey Liga

    O hockey no gelo pode não ser tão famoso quanto o futebol na Alemanha, contudo a história do hockey alemão é tão antiga quanto a do futebol. Essa história, apesar de menos conhecida, nos mostra como o esporte é um fator de identificação importante em certas cidades,  permitindo, inclusive, que grandes jogadores cheguem à NHL.

    A Deutsche Eishockey Liga, ou a Liga Alemã de Hockey no Gelo, é uma das inúmeras ligas de hockey na Europa. Dessa forma, no texto de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o cenário do esporte no país germânico.

    A Deutsche Eishockey Liga

    A história do hockey na Alemanha data de 1912, quando a equipe Berliner Schlittschuhclub conquistou o primeiro título na então German Ice Hockey Championship, liga que durou de 1912 até 1948. De 1949 até 1958, a liga alemã passou a se chamar de Oberliga FDR. Após esse período, novamente a Liga mudou de nome e se tornou a Eishockey-Bundesliga, formada em 1958.

    A liga era composta por equipes da 1ª e 2ª divisão da Eishockey-Bundesliga. Contudo, muitas equipes da 1ª e 2ª divisão estavam fortemente endividadas. Dessa forma, a 2ª divisão atraía poucos patrocinadores e espectadores e muitos clubes foram forçados a desistir ou serem rebaixadas.  

    Deutsche Eishockey Liga - Times
    Distribuição dos times no mapa da Alemanha
    Imagem: Reprodução EliteProspect.com

    Atualmente, a liga de hockey no gelo da Alemanha se chama Deutsche Eishockey Liga, ou DEL, e foi fundada em 1994. Na temporada de 2019-2020, os times são: Augsburger Panther, Andler Manheim, Dusseldorfer EG, Eisbären Berlin, ERC Ingolstadt, Fischtown Pinguins, Iserlohn Roosters, Kölner Haie, Krefeld Pinguine, EHC Red Bull Munchen, Nürnberg Ice Tigers,  Schwenninger Wild Wings, Straubing Tigers e Grizzlys Wolfsburg. A DEL agora é independente do ponto de vista jurídico, econômico e organizacional e é uma associação dos clubes da DEL.

    O sistema de competição

    Para que as equipes se mantenham na DEL, elas precisam entrar com um pedido por escrito na Liga e alcançar alguns critérios: 

    • Um estádio que atenda aos padrões da DEL;
    • Condições financeiras para sustentar o time;
    • Formação de uma empresa comum (o DEL consiste em franquias);
    • Programa de desenvolvimento para jovens jogadores;
    • Compra de uma licença 

    Os times disputam 52 rodadas na temporada regular. Seis times se classificam diretamente para as quartas de final, quatro se classificam para uma fase prévia e disputam uma série melhor de três para complementar as vagas das quartas.

    Uma vitória equivale a três pontos na classificação. Igualmente à NHL, se o jogo terminar empatado, haverá o overtime de 5 minutos. Se após o OT o placar permanecer igual, cada equipe ganhará um ponto e vão disputar pênaltis. Assim, a equipe vencedora nos penaltis ganhará o 2° ponto. Além dos jogadores nacionais, as equipes podem ter até 16 jogadores com identidades estrangeiras em seu elenco. 

    Em 10 de março de 2020, a Deutsche Eishockey Liga anunciou que a temporada 2019/20 havia terminado devido à epidemia de COVID-19. Portanto, esta será a primeira vez na DEL em que não haverá um campeão.

    Títulos 

    Jogadores da Deutsche Eishockey Liga

    Primeiramente, a última equipe campeã foi Adler Mannheim, que conquistou o 7° título. A equipe vice foi EHC Red Bull München, que possui 3 títulos. Além disso, o Adler Manheim e o Eisbären Berlin são os times mais vezes campeões, cada um com 7 títulos.

    Ao longo das 24 temporadas, os vencedores foram: 

    1995, 2001/02 – Kölner Haie (2 títulos)

    1995/96 – Dusseldorfer EG 

    1996/97 – 98/99, 2000/01, 2014/15, 2018/19 – Adler Manheim (7 títulos)

    1999/00 – Munich Barons (realocado para Hamburgo)

    2002/03 – Krefeld Penguins

    2003/04 – Frankfurt Lions (rebaixado em 2010 por problemas financeiros)

    2004/05, 05/06, 07/08-08/09, 2010-2013 – Eisbären Berlin (7 títulos )

    2009/10 – Hannover Scorpions (atualmente na 3° Liga Alemã)

    2013/14 –  ERC Ingolstadt 

    2015/16 – 2017/18- EHC Red Bull Munich (3 títulos)

    Rivalidades e Torcidas

    O hockey europeu se torna especial por conter rivalidades locais ferventes   por conta da distância entre cidades. Como por exemplo, uma das maiores rivalidades na DEL é entre os times Dusseldorfer EG e Koln Haie. Como as duas cidades estão separadas por 34 km é comum que torcedores do DEG viagem até Colônia para assistir os jogos de seus rivais. Assim, os jogos em Colônia quase pareciam ter virado jogos em casa, devido a quantidade de torcedores de fora. 

    A fidelidade e assiduidade no comparecimento de jogos também eram comuns no auge da Liga Alemã, entre os anos 1970 e meados dos anos 90. Os torcedores dos times frequentemente esgotavam os ingressos das temporadas. 

    No entanto, essa popularidade foi embora gradualmente a partir da segunda metade da década de 90. Um dos motivos foi a falta de tradição ter sido passada entre as gerações, além da falta de sucesso da liga em si. Enquanto isso, a NHL foi se popularizando mais rapidamente. 

    A NHL e a Deutsche Eishockey Liga

    O lockout de 2004 foi, de certa forma, importante para a DEL. Isso porque, por conta do fechamento da NHL, foi possível ver um grande aumento de jogadores da Liga na DEL. Stéphane Robidas, atualmente diretor de desenvolvimento de jogadores do Toronto Maple Leafs, jogou pelo Frankfurt Lions na temporada de 2004-2005. Depois, ele se juntou a Doug Weight e a Olaf Kolzig, vencedor do Vezina Trophy de 2000, no Eisbären Berlin, onde ganharam o título daquele ano.

    Além disso, Erik Cole, campeão da Stanley Cup com o Carolina Hurricanes em 2006, também jogou no Eisbären Berlin durante o lockout. Da mesma forma, ele ajudou o time a ganhar seu primeiro título.

    Marco Sturm foi outro jogador alemão com passagem na Liga Alemã. Ele começou a carreira no EV Landshut, time atualmente na DEL2. Embora originalmente draftado pelo San Jose Sharks em 1997-1998, em 2005-2006 ele foi mandado para Boston, quando participou da troca na troca de Joe Thornton. Antes disso, ele havia retornado a DEL e jogou no ERC Ingolstadt.  Vale ressaltar que entre 2001 e 2009, ele estabeleceu-se como um artilheiro consistente de 20 gols da NHL.

    O alemão Jochen Hecht jogou 833 partidas na NHL com o St. Louis Blues, Edmonton Oilers e Buffalo Sabres. Todavia, antes de ir para a NHL, Hecht começou a carreira no Adler Mannheim, time de sua cidade natal. Originalmente draftado pelo St. Louis Blues em 1995, ele teve uma breve passagem pelo Edmonton Oilers. Logo após ter ido para o Buffalo Sabres, ele marcou 56 pontos, o mais alto de sua carreira.

    Hecht voltou à cidade de Mannheim com o Sabres para jogar contra Adler em um jogo de exibição em 4 de outubro de 2011. Embora Hecht não tenha jogado aquela partida por estar se recuperando de uma lesão, ele recebeu uma salva de palmas dos fãs ao patinar no gelo nos treinos pré-jogo. 

    Leon Draisaitl, uma estrela da Colônia

    Leon Draisaitl na Deutsche Eishockey Liga

    O alemão Leon Draisaitl foi selecionado pelo Edmonton Oilers com a terceira escolha do draft em 2014, e possui uma história especial com o Kolner Haie. Natural de Colônia (Koln, em Alemão, de onde se original o nome da equipe), o Kolner Haie foi o time no qual Peter Draisaitl, pai de Leon, ganhou o primeiro título da equipe em 1997. Além disso, Peter foi treinador da equipe de 2017 a 2019.

    A carreira de Leon começou nas categorias de base do Kölner Haie. Lá, ele jogou duas temporadas no time sub-16, onde marcou 22 gols e 33 assistências, totalizando 55 pontos em 44 jogos da temporada. Por fim, Na temporada de 2009/10 o center foi para o Adler Mannheim atuando na equipe sub-16.

    Por mais que Draisaitl não jogue mais no Kolner, ele ainda possui fortes ligações com o time de sua cidade natal. No dia 03 de outubro de 2018, Leon enfrentou o time que seu pai treinava, em um amistoso de pré-temporada que aconteceu entre o Kolner Haie e Edmonton Oilers. Em uma partida emocionante, o Oilers saiu com a vitória por 4–3 no overtime.

    Essa foi uma partida especial não só para Leon Draisaitl, mas para todos os alemães amantes do hockey e para a DEL em si. Draisaitl, que possui até agora 43 gols, 67 assistências e 110 na NHL, está caminhando para ser um dos melhores jogadores alemães da história da Liga. E essa oportunidade de jogar em sua cidade natal trouxe reconhecimento às suas origens na Liga Alemã. 

  • Conhecendo a NWHL, a Liga de hockey feminina

    Conhecendo a NWHL, a Liga de hockey feminina

    O hockey feminino sempre foi considerado apenas um esporte olímpico. Enquanto os homens têm os benefícios de terem a NHL para apoiar suas carreiras, as jogadores vivem com glórias de quatro em quatro anos. Isso não significa que elas não têm uma liga própria, apenas que a NWHL não proporciona as melhores condições de trabalho e investimento de patrocinadores. 

    Por este motivo, no ano passado, as jogadores fundaram a PWHPA (Professional Women’s Hockey Player Association). A Associação criada pelas jogadoras norte-americanas visa trazer melhores condições de trabalho e mais visibilidade para a modalidade feminina. A PWHPA vem trabalhando desde a sua criação com a Dream Gap Tour, viajando pela América do Norte para promover a modalidade com eventos.

    O hockey feminino merece tanto destaque quanto o masculino. Um exemplo disso foi a participação das jogadoras no NHL All-Star Weekend tanto em 2019 quanto em 2020. No ano passado, Kendall Coyne Schofield, ganhou destaque ao ganhar de McDavid na disputa pelo patinador(a) mais rápido. Infelizmente, o prêmio ainda foi para o capitão do Oilers. Mas isso permitiu que uma discussão sobre as mulheres no esporte, sobretudo as jogadoras, e como elas devem ganhar mais destaque, relevância e, acima de tudo, respeito. 

    Neste ano, as jogadoras da seleção canadense e americana de hockey feminino deram um show no All-Star Weekend 2020 da NHL. Desde o combate 3-on-3 no Women’s Elite até o desafio de habilidades junto com os jogadores da Liga, elas puderam mostrar que têm talento e que as mulheres também sabem arrasar no mundo do hockey. Infelizmente, a NHL é uma liga masculina, mas as mulheres não ficam de fora do hockey e têm a sua própria liga, a NWHL (National Women’s Hockey League). 

    O que é a NWHL

    A National Women’s Hockey League foi criada (no formato atual) em março de 2015 e está em sua quinta temporada. Ela é a primeira liga a pagar salário para as jogadoras, e permitiu que em seguida viesse a criação da, hoje extinta, CWHL. Na época em que anunciaram o fim da Liga canadense a NWHL chegou a cogitar expandir para assumir os times da liga canadense, entretanto por falta de verba isso não foi possível. Dessa forma, hoje ela é composta exclusivamente por cinco times americanos.

    Apesar de ainda estar em seu início, comparada à outras ligas de hockey, a NWHL já contou com grandes nomes do hockey feminino, como as medalhistas americanas Hilary Knight e Kendall Coyne Schofield. Nas primeiras quatro temporadas era possível ver muitas das jogadoras das seleções dos EUA e Canadá jogando pelos times da Liga. No entanto, após o anúncio do fim da CWHL no início de 2019, as jogadoras decidiram se unir e criar a PWHPA, assim se desligando da NWHL, em busca de melhores condições de trabalho para a modalidade feminina.. 

    Assim como a NHL, a liga feminina possui seu próprio campeonato e até mesmo um All-Star Weekend. O campeonato, que se chama Isobel Cup, ganhou seu nome em homenagem a Lady Isobel Stanley, a filha de Lorde Stanley e uma das pioneiras no hockey feminino. O calendário também é similar ao de outras ligas com a temporada iniciando em outubro, porém como tem um número consideravelmente menor de times, os playoffs acontecem durante o mês de março. 

    Em seu ano de estreia, a NWHL realizou um draft para efetuar as primeiras contratações. Sendo assim, cada time escolheu cinco jogadoras universitárias além das jogadoras que foram avaliadas com base no seu desempenho nas olimpíadas e no IIHF. O New York Riveters (atualmente Metropolitan Riveters) conquistou o primeiro lugar no sorteio da loteria e selecionou a jogadora Alex Carpenter. 

    Buffalo Beauts

    Logo do Buffalo Breauts

    O time foi um dos primeiros a serem fundados para a NWHL. A equipe fica localizada na cidade de Amhherst, no estado de Nova York, e tem como casa a arena Northtown Center at Amherst, que dividem com outros times de outras ligas de hockey. Em dezembro de 2017 o time foi adquirido pelo Pegula Sports & Entertainment, proprietário do Buffalo Sabres. Desta forma, se tornou o primeiro time na história da NWHL a pertencer ao mesmo dono de uma equipe da NHL. Porém com os últimos acontecimento no cenário do hockey feminino a empresa optou por abrir mão dos Beauts, finalizando assim a parceria com o time da NHL. Em 2016 se tornaram o primeiro time a ter um jogador abertamente transgênero, o atacante Harrison Browne. Também em 2016, elas ganharam a sua primeira Isobel Cup. 

    Atualmente, o Buffalo Beauts conta com as atacantes Brooke Stacey, Emma Ruggiero, Iveta Klimasova, Kandice Sheriff, Maddie Norton, Cassidy MacPherson, Kim Brown, Becki Bowering, Corrine Buie, Erin Gehen e Taylor Accursi. As jogadoras Marie-Jo Pelletier, Lenka Curmova, Megan Delay, Ana Orzechowski, Nikki Kirchberger e Richelle Skarbowski atuam como defensoras. Enquanto as jogadoras Ashley Birdsall e Sara Bustad atuam tanto como atacantes como defensoras. As goleira são Kelsey Neumann, Tiffany Hsu e Mariah Fujumagari.

    Boston Pride

    Logo do Boston Pride da NWHL

    Foi uma das quatro equipes que foram criadas juntos com a Liga. O time fica localizado na cidade de Boston, em Massachusetts, e é afiliado ao Boston Bruins, com quem divide o centro de treinamento, a Warrior Ice Arena. Com a sua primeira escolha do draft e terceira escolha geral o time selecionou a jogadora Kendall Coyne Schofield, porém a mesma optou por não assinar com eles. 

    Na temporada de estreia da Liga, os Prides foram os primeiros campeões da Isobel Cup. Ele também é o time que marcou o primeiro hat-trick na história da NWHL. A jogadora Brianna Decker realizou o feito numa vitória de 5 a 3 contra o Buffalo Beauts. A equipe de Boston também foi a primeira a sediar um jogo ao ar livre na modalidade feminina, o 2016 Outdoor Women’s Classic presented by Scotiabank que terminou em empate de 1 a 1 contra o Les Canadiennes de Montreal da CWHL. Infelizmente nem só de boas histórias vive o hockey feminino. Durante o 2016 Outdoor, a jogadora Denna Laing sofreu uma lesão onde perdeu o movimento das pernas e limitou o movimento dos braços, dando fim a sua carreira. 

    Na época, como uma forma de apoio, o Boston Pride arrecadou fundos para a Denna Laing Foundation, além de levarem a taça da Isobel Cup para ela no hospital. Por fim, a jogadora ganhou o NWHL’s Foundation Award e o Perseverance Award. O time recentemente entrou para a história da NWHL novamente, desta vez com a jogadora Jillian Dempsey. A forward marcou seu 100º ponto, sendo a primeira da Liga a atingir a marca. Atualmente tem como defensoras Lauren Kelly, Lexi Bender, Jenna Rheault, Kaleigh Fratkin, Briana Mastel e Mallory Souliotis. Como atacante as jogadoras Jordan Juron, Mary Parker Alyssa Wohlfeiler, Tori Sullivan, Emily Fluke, Jillian Dempsey, Lexie Laing, McKenna Brand, Marisa Raspa, Christina Putigna e Carlee Toews. Enquanto as jogadoras Victoria Hanson e Lovisa Selander atuam como goleiras e a jogadora Whitney Renn como atacante e defesa.

    Connecticut Whale 

    Logo do Connecticut Whalers

    O time tem seu nome em homenagem ao Hartford Whalers. O Hartford Whalers era um time que fez parte da WHA (World Hockey Association) e posteriormente da NHL. Hoje realocado passou a ser chamado de Carolina Hurricanes. O Connecticut Whale foi o primeiro time a assinar com uma jogadora canadense, a defensora Kaleigh Fratkin, ainda em seu início. Em sua estreia no gelo, a equipe contou com um gol da capitã Jessica Koizumi, que assim entrou para a história como o primeiro gol marcado na Liga. Nessa mesma partida elas ganharam por 4 a 1 contra o New York Riveters.

    A equipe tem como base a cidade de Danbury em Connecticut, no entanto já chamou de casa Stamford e Northford. Para a temporada de 2018-19 a jogadora ativa Cydney Roesler foi nomeada treinadora assistente, assim se tornando a primeira jogadora e treinadora da história do time. Para temporada atual, 2019-20, o time convocou o ex-NHLer Colton Orr para assumir como treinador principal.

    Atualmente o time conta com as jogadoras Brooke Wolejko, Sonjia Shelly e Cassandra Goyette como goleiras. As jogadoras Grace Klienbach, Allie Lacombe, Sarah Hughson, Sarah Schwenzfeier, Janine Weber, Elena Gualtieri, Katelyn, Russ, Emma Vlasic, Alexa Aramburu, Kaycie Anderson, Jane Morrisette, Haley Payne, Kayla Meneghin e Madie Evangelous como atacantes. E na defesa as jogadoras Taylor Marchin, Shannon Doyle, Erin Hall, Elena Orlando, Lauren Hill e Jordan Brickner. Além das jogadoras Hanna Beattie e Brinna Dochniak que atuam tanto na defesa como no ataque.

    Metropolitan Riveters 

    Logo do Metropolitan Riveters da NWHL

    O time tem a sua sede situada em Monmouth Junction, New Jersey. Inicialmente era chamado de New York Riveters, porém teve seu nome alterado quando foi realocado para New Jersey e se afiliou ao New Jersey Devils, em 2016. Ao iniciar a parceria o time da NHL, além de trocar de nome, também adotou as cores dos Devils. No entanto quando a mesma chegou ao fim em 2019, a equipe retornou às suas cores originais (branco, vermelho e azul).

    Além de ter tido direito a primeira escolha no draft 2015, a franquia também foi a primeira na história da Liga a assinar um contrato. A felizarda foi a atacante Janine Weber. Durante sua primeira temporada o time entrou para a história da NWHL ao ganhar sua primeira partida, contra o Boston Pride. Isso aconteceu porque o time tinha uma goleira que era natural do Japão, Nana Fujimoto. Ela entrou para a história como a primeira goleira japonesa a ganhar uma partida na NWHL.

    No ano seguinte a equipe assinou um contrato de um ano com a free agent Amanda Kessel no valor de 26 mil dólares. Ao assinar essa quantia, Amanda se tornou a jogadora mais bem paga da Liga. Atualmente os Riveters contam com as defensoras Cassie Dunne, Nicole Arnold, Leila Kilduff, Colleen Murphy, Rebecca Morse, Anna Keys, Ashley Johnston e Kiira Dosdall-Arena. Como goleiras as jogadoras Zoe Zisis, Dana Demartino e Sam Walther. Além das atacantes Bulbul Kartanbay, Kate Leary, Haley Frade, Kelly Nash, Brooke Avery, Tatiana Shatalova, Jayne Lewis, Madison Packer, Cailey Hutchison, Kendall Cornine, Nichelle Simon e Brooke Baker. A jogadora Mallory Rushton atua tanto como atacante como defensora.

    Minnesota Whitecaps

    Logo do Minnesota Whitecaps

    O time, que existe desde 2004, foi fazer a sua estreia oficial na NWHL somente em 2018. Eles, que hoje dividem seu lar com o Minnesota Wild, são um dos poucos times que ainda possuem afiliação com um time da NHL. Também são os atuais campeões da Isobel Cup, tendo levado o troféu em sua temporada de estreia.

    Devido ao seu tempo de atividade a equipe possui uma história mais extensa. Já fez parte da extinta Western Women’s Hockey League (WWHL) durante seu tempo de atividade de 2004 a 2011. Após isso a equipe atuou de forma independente jogando contra a NWHL, CWHL e faculdades femininas. 

    Os Whitecaps também são o único time que já conquistou a Clarkson Cup em 2010 e a Isobel Cup, os dois principais prêmios do hockey feminino na América do Norte. Em fevereiro de 2018, pouco antes de ingressar na Liga, a equipe teve as suas jogadoras Kate Schipper e Sadie Lundquist convidadas a participar do NWHL All-Star, que foi realizado em Saint Paul, Minnesota. Posteriormente, ao entrar para a NWHL o time entrou para a história da Liga como a primeira franquia a obter lucro vendendo ingressos para os jogos.

    Hoje ele conta com as atacantes Jonna Curtis, Allie Thunstrom, Brooke White-Lancetti, Lisa Martinson, Meaghan Pezon, Stephanie Anderson, Meghan Lorence, Audra Richards, Kalli Funk, Nina Rodgers, Lauren Barnes, Nicole Schammel, Sam Donovan e Haylea Schmid. Na defesa as jogadoras Chelsey Brodt Rosenthal, Winny Brodt Brown, Sydney Baldwin, Emma Stauber, Amanda Boulier e Rose Alleva. Além da jogadora Kelsey Cline que atua nas posições de defesa e ataque, enquanto as jogadoras Amanda Leveille e Allie Morse atuam no gol.

    Playoffs

    Os playoffs desta temporada já chegaram. Hoje já acontecem as semifinais, e o próximo jogo já será a final. É uma etapa muito imprevisível já que são jogos únicos e eliminatórios. As Beauts e os Whales brigaram pela vaga na semifinal no último dia 6, com os Whales conquistando uma vitória por 5 a 3 e garantindo a sua vaga. Eles irão disputar a próxima partida contra o líder da tabela, os Prides.

    A equipe de Boston lidera a Liga com 46 pontos e 23 vitórias. Os Whitecaps vem logo em seguida com 36 pontos e 17 vitórias. O time de Minnesota irá disputar contra as Riveters, que estão em terceiro lugar na tabela com 23 pontos e 10 vitórias. Nos resta agora acompanhar para descobrirmos quem leva a Isobel Cup deste ano.

  • Colored Hockey League: a liga composta somente por negros

    Colored Hockey League: a liga composta somente por negros

    A Colored Hockey League (CHL) foi uma liga amadora criada, em 1900, por descendentes de escravos em Halifax, Nova Scotia, no Canadá. Anterior até mesmo à National Hockey Assiciation (NHA), predecessora da NHL fundada em 1917. Entretanto, com menos adesão, a CHL foi extinta em 1925.

    Em meados de 1880, os negros criaram, nas Ilhas Marítimas (CA), uma liga semiprofissional de Baseball, uma vez que não era permitido que eles competissem ao lado dos brancos. Sendo assim, o baseball era o esporte do verão. Logo, o hockey se tornaria o esporte do inverno.  

    Habilidade atléticas que já eram valorizadas naquela época no baseball, e que se tornariam ainda mais importantes 40 anos depois, também estavam presentes nessa liga de hóquei. O racismo e o preconceito relegaram esses atletas negros, pioneiros do hockey no Canadá, a um esquecimento, mas eles deixaram uma herança: um jogo rápido e forte, em que movimentos acrobáticos tornam tudo muito excitante e divertido.

    Origens

    Nova Scotia, com seus incontáveis lagos ideais para a patinação, é para muitos o berço do Hockey no Gelo. Um dos primeiros registros de uma partida de hockey é datado de 1802 em uma área conhecida como Long Pond, onde um grupo de nativos canadenses, denominados Mi’kmaqs, jogava com canadenses-europeus.

    Entretanto, eles não eram os únicos a praticar o esporte. Só é possível datar a entrada dos canadense negros no hockey no começo de 1870. Existem, no entanto, evidências de que os negros já praticavam o esporte 100 anos mais cedo. Uma dessas provas é a de que aquela parte de Nova Scotia não era habitada por brancos, mas sim por negros.

    O primeiro registro de um jogo de times compostos somente de negros remonta a 1895. Em 1900, a Colored Hockey League of the Maritimes (Liga das pessoas de cor de Hockey dos Marítimos, em tradução livre) foi criada em Halifax, na Nova Scotia, com apoio da igreja batista local.

    A intenção era a de que o hockey se transformasse num catalisador de demandas ligadas à religião, à mobilidade social, à politica e à emergência de um Nacionalismo Negro. O caminho para a igualdade dos canadenses negros seria através do jogo. Dessa forma, o propósito era de elevar os negros a um nível que os tornariam iguais aos irmãos brancos, incentivando um importante senso de liderança, organização, propósito, determinação, trabalho em equipe e dever nos corações e mentes dos jovens negros.

    A Colored Hockey League, era James Williams

    Henry Williams, um jovem de 24 anos, foi fundamental para a criação de ligas negras de Halifax. Formado em direito, e nascido em Trinidad e Tobago, Williams ajudou a promover duas equipes de hockey: o Halifax Eurekas e o Halifax Stanley. Além disso, outra equipe composta só por negros existiu nessa época, o Dartmouth Jubilees.

    A CHL surtiu 25 anos antes das Negro Baseball Leagues (Ligas Negras de Beisebol, tradução livre) e 22 anos antes do nascimento da NHL. Os negros canadenses foram pioneiros na construção dessa história, liderados por homens habilidosos com grande espirito de liderança.

    Infelizmente, todo o pioneirismo da Colored Hockey League foi ignorado ou até mesmo apropriado pelos atletas brancos. Exemplo são equipes exclusivas de brancos que utilizaram inovações e as regras desenvolvidas pela Colored Hockey League e não lhe creditando da maneira correta. Sendo assim, muitos registros dessa contribuição negra para o esporte se perdeu ao longo dos anos.

    Era James Kinney/James Johnston

    Após Williams ter ido para Londres, quem começou a tomar conta da organização da Liga foi James Kinney, um jovem membro da igreja batista. Ele acreditava que os negros naquela época alcançariam status social através de autodisciplina, profissionalismo e trabalho em equipe. Junto com James Robinson Johnston, advogado negro nativo de Nova Scotia com conexões fortes com firmas de direito, a liga começava a ficar forte.

    Ambos cuidavam da imprensa e do funcionamento da equipe, e através da igreja, eles buscavam os jogadores para os times. O Halifax Eureka virou, naquele momento, o carro-chefe da Colored League. Com esse avanço e prestígio, os jogadores negros poderiam competir em conjunto com a Senior League.

    A Senior League, composta pelos times Dartmouth Chebutors, Halifas Crescents e o Halifax Wanderers, era só de jogadores brancos. Por este motivo, os jogadores negros poderiam jogar, conquanto que eles fossem os últimos a utilizar o rinque de gelo artificial.

    Os jogos

    Cartaz anunciando o jogo entre Halifax Eurekas e Africville Sea-Sides

    Os jogadores arcavam com todos os custos dos equipamentos de hockey. Sendo assim, poucos usavam equipamentos de proteção, como capacetes, máscaras e luvas. Não existia substituição de jogadores, ou seja, se algum jogador se machucasse, deveriam esperar até que ele voltasse; se ele não retornasse, o outro time deveria também tirar um jogador do rinque. Foi apenas em 1902 que as substituições começaram a acontecer. O tipo de stick mais comum era dos Mi’kmaqs, feito pelos nativos da região. Como os jogadores não usavam uniformes, era difícil a distinção de jogadores e de equipes.

    Henry Franklyn “Little Braces”, goleiro da equipe negra do Dartmouth Jubilees, tinha um estilo de jogar revolucionário. Ele foi o primeiro goleiro a se abaixar no gelo para defender o seu gol. Atitude esta que era oposta às regras, uma vez que estas determinavam que os goleiros deveriam ficar em pé. E, embora 20 anos depois, a novidade Franklyn tenha sido aceita pelo hockey, o feito foi creditado para os irmãos Lynn e Frank Patrick, atletas brancos que competiam na liga do Pacifico Oeste.

    Por fim, o primeiro jogo entre uma equipe composta somente por negras e uma outra por somente brancos foi realizada em 1900. O West End Rangers jogou contra o Abegweits, da Senior League. O Rangers perdeu por um placar de 5-4.

    O término da Hockey Colored League

    Com a liga crescendo, as coisas pareciam andar na direção certa. James Kinney rapidamente era uma das principais vozes do Orgulho Negro na sociedade de Nova Scotia.

    Entretanto, um conflito entre a prefeitura de Halifax e a comunidade de Africville, predominantemente negra, teve efeitos desastrosos para a Liga. A prefeitura acordou com poderosos donos de ferrovias a expropriação de terras de Africville. Descontentes, os residentes do local propuseram um acordo de compensação. Por fim, Johnston escolheu defender Africville.

    Essa disposição de Johnston causou um efeito cascata, e a retaliação da prefeitura atingiu a Liga. As equipes passaram a ser vistas como inimigas e tudo era feito no sentido de prejudicá-las. Exemplo disso era o tempo no gelo. As equipes começaram a ser privadas de praticar e quando liberavam o rinque, o gelo estava tão gasto que era impossível jogar. Não havia mais convites formais entre os times, sem nenhum tipo de imprensa para anunciar. Assim, a Liga morria lentamente, justamente como os brancos queriam.

    Após o término

    Africville Sea-Sides, time da Coloured Hockey League, em 1922, último ano de existência.
    Africville Sea-Sides, 1922, último ano de existência.

    Todavia, apesar de terem acabado com a Colored Hockey League, jogadores de hockey negros voltariam a jogar hockey, dessa vez sem o envolvimento de Kinney.

    Em 1920, alguns times voltaram e se enfrentaram, agora com as regras de hockey mudadas. O jogo era com 6 homens de cada lado, durante 3 períodos de 20 minutos.

    O Halifax All-Stars jogou contra o Africville Sea-Sides, time composto por muitos veteranos: o mais novo jogador tinha 24 e o mais velho 43 anos. Apesar de começarem vencendo por 3-0, perderam o jogo por 7-4. Duas semanas depois, o Sea-Sides dominaram, e ganharam por 8-2.

    A performance do Sea-Sides demonstrou a qualidades dos jogadores originais da Liga. Mais de 20 anos tinham passado e, mesmo assim, eles conseguiram ganhar de um time bem mais novo.

    Há registros de jogos também em 1929. Em Boston, alguns ex-jogadores das Marítima formaram uma equipe denominada “The Colored Panthers“, que chegou a disputar algumas partidas. A intolerância, o racismo, a crise econômica, entre outros fatores, levaram à descontinuidade definitiva da Liga.

    A existência esquecida

    A história da Colored Hockey League está intrinsecamente ligada à história do racismo no Canadá. Por muito tempo, acreditava-se que o racismo no Canadá era de forma branda ou que basicamente não existia. Entretanto, a história da Liga, que teve que combater diversos problemas para existir, mostra o contrário. O fato da Liga ter sido destruída justamente por problemas raciais demonstra isso.

    Apesar de o Canadá ser um um país multicultural, construído por franceses, ingleses, nativos americanos e negros, a falta de consideração e de reconhecimentos dos primeiros jogadores negros pioneiros de hockey pela NHL e na história do hockey é uma contradição e desvalorização de tais povos.

    “Hoje, não há monumentos para a Colored Hockey League of the Maritimes e alguns poucos livros de hockey reconhecem a Liga. (…) Não há menção no Hockey Hall of Fame do impacto dos negros no desenvolvimento do hockey moderno. Não há referencias das origens negras do Slap Shot ou o estilo inovador do goleiro Franklyn. (…) É como se se a liga nunca tivesse existido. O hockey, hoje, é um esporte mais branco que o inverno Canadense. (…) Entretanto, mesmo assim, sempre existirá um período que chamaremos de Black Ice.” (George e Darril Fosty, no livro Black Ice: The Lost History of the Colored Hockey League of the Maritimes)

    Foto: Black Ice: The Lost History of the Colored Hockey League of the Maritimes, 1895-1925

  • Metal Ligaen

    Metal Ligaen

    A Metal Ligaen é a principal liga de hockey no gelo da Dinamarca. Ela já trocou de nome várias vezes: “Superisligaen”, “Eliteserien”, “Danish Metal”, “Danish ice hockey league”, “AL-Bank Ligaen”, e porfim “Metal Ligaen”.

    A liga é composta por 11 times, e, da sua fundação até hoje, tornou-se uma das melhores ligas na Europa. Atualmente é comparada às de segunda divisão da Suécia e Alemanha. A Metal Ligaen serve mais como uma prévia para dar lugar aos jogadores estrangeiros que querem começar uma carreira na Europa e pretendem viajar para ligas de hockey maiores. No entanto, os jogadores mais velhos também têm seu espaço, e são profissionais de tempo integral na Metal Ligaen.

    História

    Anos atrás a liga era composta por 10 times. Apesar do limite de gastos para a importação de jogadores, diversos times passaram por dificuldades financeiras nos últimos anos. Como resultado, dois times se retiraram da liga, reduzindo o número de equipes ativas para 8. Os lugares disponíveis foram oferecidos a times da segunda base da liga, mas nenhum aceitou a oferta por problemas financeiros

    Em 2016, percebeu-se que limitar os jogadores estrangeiros no elenco de uma equipe era contra as leis da UE e, portanto, o limite foi removido. A temporada de 2016-17 foi a primeira desde 2009 em que um time dinamarquês de hockey no gelo pôde ter uma quantidade ilimitada de jogadores estrangeiros. No mesmo ano a liga estabeleceu um teto salarial.

    A Metal Ligaen é estruturada para que cada time se enfrente 5 vezes. Desde 2014, quando houve a última expansão, as equipes possuem 45 jogos no calendário regular. Normalmente a temporada começa em setembro e acaba em fevereiro do ano seguinte. Os oito melhores times da temporada regular vão para os playoffs. A regra é: o primeiro colocado escolhe seu adversário nas quartas de final, depois o segundo e assim por diante. A equipe vencedora dos playoffs recebe a The Prince Henrick’s Cup.

  • Kontinental Hockey League

    Kontinental Hockey League

    Uma das principais ligas profissionais de hockey no mundo, a Kontinental Hockey League (KHL) [Континентальная хоккейная лига (КХЛ), em russo] é formada, em sua grande maioria, por países ex-integrantes da antiga União Soviética (URSS) e da China. Em termos de importância, ela é definitivamente a próxima no ranking, depois da NHL. Antes de 2008, a Liga se limitava ao território russo, tendo o nome de Russian Championship League ou Russian Super League, mas após a inclusão de países da ex-URSS, adotou o nome de KHL. 

    Inicialmente, a liga possuía equipes dos seguintes países: Rússia, Belarus, Cazaquistão e Ucrânia. Posteriormente, a partir de 2011 também passaram a contar com representantes da Eslováquia, República Tcheca, Croácia e Finlândia, por exemplo.

    O acidente aéreo que comoveu o mundo do hockey

    O ano de 2011 foi marcante para a história da KHL, considerando a tragédia ocorrida com a equipe do Lokomotiv Yaroslavl. Em 07 de setembro de 2011 o avião que levava a equipe russa, juntamente com os integrantes da comissão técnica, caiu durante a decolagem na cidade de Yaroslavl. O time viajava para Minsk, capital da Bielorrúsia, para o primeiro jogo da temporada 2011/2012 da KHL. 

    Todos que estavam a bordo da aeronave morreram, todos os jogadores do plantel do Lokomotiv, além de quatro jovens da equipe juvenil do clube. O único sobrevivente do acidente foi o mecânico do avião. Em homenagem ao acidente, o dia 07 de setembro passou a ser uma data de luto, ou seja,não foram disputadas partidas na liga até a temporada 2017-18.

    As idas e vindas dos clubes

    Após um ano da sua entrada na KHL, a equipe eslovaca Lev Poprad deixou de existir. O mesmo aconteceu com a tcheca Lev Praha, que participou da liga de 2012-13 até 2014-15. O também eslovaco, Slovan, deixou a KHL em 2019-20 devido a problemas financeiros. A equipe croata do Medveščak entrou na liga em 2013-14 e a deixou alguns anos depois, em 2017-18. 

    Outras equipes que deixaram a liga foram as russas Khimik (2009-10), Lada (2010-11), Dynamo M (2010-11), MVD (2010-11), Lokomotiv (2011-12) Spartak Moscow (2014-15), Atlant (2015-16), Metallurg Novokuznetsk (2017-18), Lada (2018-19), Yugra (2018-19) e Admiral (2020-21). 

    No caso do Spartak Moscow, a saída foi um hiato de um ano por razões financeiras e a equipe retornou à KHL na temporada seguinte. O Admiral entrou em hiato por razões financeiras também durante essa temporada, o que pode ser atribuído à pandemia do COVID-19, que teve um grande impacto no financeiro dos clubes.

    As novas adições à KHL foram o Avtomobilist (2009-10), o UHC Dynamo (2010-11), o Yugra (2010-11), Lokomotiv (2012-13), Admiral (2013-14), Lada Togliatti (2014-15), o finlandês Jokerit (2014-15), HC Sochi (2014-15), Spartak Moscow (2015-16) e o chinês HC Red Star Kunlun (2016-17).

    A KHL atual

    Hoje a Kontinental Hockey League é formada por duas conferências e quatro divisões:

    Os clubes são em sua grande maioria russos (18), mas há representação de outros países, como Belarus, China, Finlândia, Letônia e Cazaquistão, que possuem uma equipe cada. A KHL é tida como a liga mais disputada na Europa e Ásia, bem como a segunda mais importante do mundo, atrás apenas da NHL. A liga europeia tem a terceira maior média de público no Velho Mundo, com mais de seis mil espectadores, além de possuir o recorde de público na Europa, com 5.32 milhões em uma temporada. 

    As divisões levam nomes de ex-jogadores importantes para a história do hockey russo. Vsevolod Bobrov foi jogador do CSKA e VVS, além de ter conquistado o ouro olímpico com a URSS. Anatoli Tarasov, por sua vez, faz parte do Hockey Hall of Fame e é tido como o pai do hockey russo e principal responsável pelos anos de hegemonia da equipe nacional da URSS. 
    Já na conferência Leste, Valeri Kharlamov, integrante do Hockey Hall of Fame, ex-jogador do CSKA e medalhista de ouro pela URSS, também foi homenageado. Por fim, Arkady Chernyshev também recebeu homenagem. O russo foi técnico do Dynamo Moscow e integra o Hall da Fama da Federação Internacional de Hockey no Gelo (IIHF, sigla em inglês).

    O formato da temporada

    Em 2009 foi feita a divisão entre conferências Leste e Oeste. As conferências incluem duas divisões cada e as equipes disputam quatro partidas entre oponentes de divisão (20), três jogos contra rivais de conferência que são da divisão diferente, além de dois jogos contra cada oponente da conferência oposta. A temporada regular possui 62 jogos no total. 
    Ao seu final, 16 times se classificam para os playoffs, sendo oito de cada conferência. As quartas de final da conferência são uma série de cinco partidas, enquanto as séries subsequentes (semifinais, finais da conferência e finais da Gagarin Cup) são melhores de sete partidas. O campeão da última série conquista a almejada Gagarin Cup.

    O troféu

    O campeão dos playoffs da KHL recebe a Gagarin Cup (Кубок Гагарина, em russo). O troféu recebeu esse nome em homenagem ao cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a ir para o espaço, que jogava hockey como goleiro e era um grande entusiasta do esporte.

    https://twitter.com/gilliankemmerer/status/1249311450507640833

    A taça pesa cerca de 18 quilos e é feita de prata com revestimento em ouro. A Gagarin Cup é mais pesada do que a celebrada Stanley Cup, que pesa cerca de 15.5 kg. 
    Além do vencedor dos playoffs, a KHL também premia o melhor clube russo, considerando aquele que se classificou com a posição mais alta. Além disso, o time que possui a melhor pontuação na temporada regular é o vencedor da Continental Cup, o equivalente ao President’s Trophy da NHL.

    Como assistir

    A KHL conta com um sistema de streaming próprio, onde o torcedor pode optar por adquirir os jogos de apenas uma equipe ou da temporada por completo. Ele está disponível para dispositivos Apple e Android, além de Smart TVs. O pacote de uma equipe só custa 1999 rublos (aproximadamente 140 reais) e o pacote da temporada completa custa 2999 rublos (aproximadamente 210 reais). O serviço também possibilita a aquisição do direito a assistir um único jogo. Embora alguns países (como EUA, Canadá e países vizinhos como a Finlândia) tenham restrições geográficas, o Brasil não se encontra neste grupo. É possível, portanto, assinar o serviço daqui. Para mais detalhes sobre como assinar, aqui está a página oficial.

    Q&A com a jornalista Gillian Kemmerer, que cobre a KHL

    Quais as principais diferenças entre a NHL e a KHL?

    A KHL e a NHL convergiram muito na última década. Os talentos vão e voltam entre as ligas, e o tamanho do gelo na KHL tem diminuído. Todas as pistas nas dimensões olímpicas devem ser eliminadas até 2022. Vários nomes conhecidos na NHL, incluindo Bon Hartley, Sergei Fedorov, Dave Nemirovsky, Sergei Zubov e Alexei Kovalev são técnicos na KHL – e essa lista continua. Naturalmente, treinadores importados tendem a trazer ou favorecer um estilo de jogo norte-americano, mas você também vê estilos mais mais sistemáticos e defensivos em alguns dos tradicionais técnicos russos. Há menos brigas no hockey europeu em geral (mas ainda acontece!) e o nível de habilidade é muito alto.

    Como são os fãs da KHL? A liga vai ter público nas arenas essa temporada? 

    A KHL terá torcida nessa temporada, mas as restrições variam de acordo com a cidade e o país. Em algumas arenas, tem um toque de futebol europeu com tambores, bandeiras, e cantos. Os fãs fazem cartazes incríveis e alguns se fantasiam (tem um mago que vem aos jogos de Ufa, e quando Jokerit e Petersburg se enfrentam alguns fãs se vestem como Pedro, o Grande). Tantas cidades da KHL são apaixonadas, e os estádios têm características e tradições únicas. Você pode sentar em uma sauna finlandesa para assistir ao Jokerit na Hartwall Arena, por exemplo.

    Quais as regras para jogadores estrangeiros (“imports”) na KHL e por que elas existem? 

    Um time da KHL (localizado na Rússia) pode escalar até cinco estrangeiros por jogo, e apenas um import goleiro. Times não-russos da KHL devem ter pelo menos dez jogadores do país onde o time está ou da Rússia no elenco (há jogadores que se naturalizam e podem competir como não-estrangeiros). Jogadores de países membros da Comunidade dos Estados Independentes (principalmente porque estão na KHL — Belarus e Cazaquistão) não são considerados imports. Estas regras ajudam a promover o desenvolvimento dos talentos locais.

    Como é o sistema de desenvolvimento de jogadores na KHL?

    Tem duas ligas que ‘alimentam’ a KHL — a JHL (juniores da Rússia) e a VHL (equivalente à AHL da Rússia). Ambas as ligas se tornaram cada vez mais competitivas ao longo do tempo. Algumas equipes da KHL são afiliadas a clubes da JHL/VHL e outras têm seus próprios times. SKA São Petersburgo, por exemplo, tem duas equipes juniores (1946 e Varyagi), bem como uma equipe VHL (Neva).

    É comum ter novas equipes se juntando ou deixando a KHL? Qual foi a última expansão?

    Sim, é comum. A última equipe de expansão foi Kunlun Red Star Beijing. A KHL expressa continuamente o desejo de crescer e frequentemente adiciona equipes fora da Rússia. A Ásia e a Europa são ambas boas apostas para uma expansão futura. 

    Tem algum evento especial durante a temporada, como jogos ao ar livre, jogo das estrelas, premiações? 

    Sim! A KHL sediou alguns jogos espetaculares ao ar livre (inclusive na Praça Vermelha – estrelas do hockey feminino russo jogaram lá na última temporada), e os rivais do exército CSKA-SKA se enfrentaram na Arena Gazprom no aniversário do hockey russo. Eu adoro aquele jogo de aniversário porque a história do hockey soviético é minha paixão, e a arena é inacreditável. O All-Star Weekend acontecerá em Chelyabinsk este ano, uma cidade louca por hockey que será uma grande anfitriã. Há também uma cerimônia de premiação em Barvikha (subúrbio luxuoso de Moscou) que acontece após o término da temporada. A KHL tradicionalmente realiza os ‘World Games’ (a pandemia infelizmente não permitiu no ano passado) – os anfitriões anteriores incluíram Davos, na Suíça e Viena, na Áustria.

    Quais os times favoritos a levantar a taça esse ano? E possíveis azarões?

    Os atuais campeões Avangard, o CSKA Moscow, o Ak Bars Kazan e o SKA Saint Petersburg tem sempre a expectativa de dar um show. Porém liga tem se tornado cada vez mais competitiva e menos previsível, como evidenciado pelo fato de que Avangard ganhou seu primeiro título da KHL na história do clube nesta primavera. Alguns times azarões ​​para assistir incluem Dinamo Riga (eles perderam a pós-temporada 7 vezes, mas agora estão sob o regimento do Hall of Famer Sergei Zubov), Kunlun Red Star (eles vão treinar para a Seleção Chinesa de Pequim 2022) e o Admiral Vladivostok (eles perderam a última temporada devido à COVID e questões financeiras, então é ótimo tê-los de volta).

    Quais são alguns jogadores para prestar atenção nesta temporada? 

    Eu amo assistir aos jovens da Rússia. Eles são o futuro do esporte não apenas em um contexto de KHL e NHL, mas também em termos de hóquei na Rússia em nível nacional. Alguns dos meus talentos em ascensão favoritos incluem Dmitry Ovchinnikov, Matvei Michkov, Kirill Marchenko, Dmitry Voronkov e Danila Yurov.

    Quais são algumas ideias equivocadas que novos fãs costumam ter sobre a KHL?

    O tamanho do gelo é um erro comum. A KHL costumava jogar numa superfície de gelo maior, mas a maioria das equipes agora se converteu para o tamanho da NHL ou um tamanho híbrido finlandês. Outro é que o KHL abrange seis países, não estritamente a Rússia! Belarus, Letônia, China, Cazaquistão e Finlândia têm times na liga – e tenho certeza que mais países participarão com o tempo.

    Tem alguma palavra em russo que o fã de hockey precisa conhecer e que podemos ouvir na transmissão ou ver as equipes tweetando?

    A palavra mais importante para um fã é “shai-by, shai-by!” Shaiba (шайба) tecnicamente significa “disco”, e os frequentadores das arenas entoam “shai-by” (cujo final implica chegar ao disco) quando querem um gol! O hockey é uma língua universal, então mesmo que você não fale russo, você ainda pode amar e apreciar o KHL.

  • Swedish Hockey League

    Swedish Hockey League

     Campeonato Sueco de Hóquei no Gelo 

    Dessa vez a liga de destaque será a Swedish Hockey League (SHL), ou se preferirem em sueco: Svenska hockeyligan. A SHL é considerada o melhor e maior campeonato de hockey no gelo da Suécia. A liga teve início no ano de 1975, mas antes de chegar aí tem muita história pra contar!

    Os suecos já eram familiarizados com o hockey desde 1920, quando um cineasta americano, chamado Raul Le Mat introduziu o hockey no país. A partir disso as competições eram limitadas e realizadas em torneios independentes.

    Só em 1952-53 foi usado o título “Campeão Sueco”, para aquele que vencesse o campeonato de maior nível da época, conhecido como 1ª divisão. Em 1955 os membros da 1ª e 2ª divisão se juntaram e em 1957 a união das divisões passou a ser chamada Swedish Elite League ou SEL.

    Mas a temporada inaugural da liga foi apenas em 1975-76, nessa época a série contou com 10 equipes. Desde então, o vencedor dos playoffs recebe o Le Mat Trophy, um troféu de prata que mede 52 cm de altura e pesa mais de 3 kg. É o troféu mais antigo disputado por atletas profissionais na Suécia, além de levar o nome de Le Mat, um dos fundadores da modalidade no país.

    Mais tarde em 1988 foram adicionadas duas equipes a competição e das  12 equipes participantes, as 8 primeiras competiam em playoffs. Ainda houve mais uma troca de nome em 1995, e a liga mudou para Svenca Hockey League.

    Mais tardar em 2001 a liga foi reorganizada, uma vez que até então não tinham fins lucrativos.  A partir da reorganização as atividades esportivas e comerciais foram colocadas na associação. E assim, criando responsabilidades e uma administração mais clara. Esse campeonato é considerado o mais equilibrado de hóquei no mundo, além da liga ter sido a mais popular na Europa em 2012.

    Em 2013, novamente, a liga foi renomeada e agora se chama Sweden Hockey Ligue, que conhecemos até hoje copmo SHL. Já no ano de 2014 houveram mudanças em seu formato, a partir da temporada de 2015-16 foram anunciados 14 times participantes da SHL, o que permanece até hoje.

    O formato da competição hoje é bem parecido com a NHL. Na temporada regular, todos os times se enfrentam pelo menos uma vez, e cada equipe joga 52 partidas. Ao final dessa fase, os seis melhores times são classificados e garantem uma vaga nos playoffs.

    Os 7º, 8º, 9º e 10º colocados disputam as últimas duas vagas na pós-temporada em séries de melhor de três, numa etapa conhecida como play in. Nos playoffs, as oito melhores equipes disputam em séries de melhor de sete pelo título. Enquanto os dois últimos da tabela disputam a Kvalserien com os quatro primeiros da segunda divisão sueca do hockey, a HockeyAllsvenskan, por vagas na temporada seguinte.

    É uma espécie de repescagem para que as equipes da primeira divisão tenham a chance de evitar o rebaixamento, enquanto os melhores da segunda briguem por um lugar com a elite.

  • American Hockey League

    American Hockey League

    A melhor liga de desenvolvimento que abriga 31 equipes, filiadas à NHL.

    A NHL tem todo o crédito que merece, e não nos cansamos de falar, escrever e pesquisar sobre ela! Mas por que não falar sobre tantas outras ligas que existem?

    Hoje o destaque vai para a American Hockey League (AHL), fundada em 1936 pela junção das ligas: The Canadian-American Hockey League (Can-Am League), fundada em 1926 e International Hockey League (IHL), de 1929. Nesse começo a liga tinha franquias em apenas 8 cidades, sendo elas Privodence, New Haven, Philadelphia, Springfield, Syracuse, Pittsburgh, Cleveland e Buffalo.

    Nos primórdios da liga, na década de 40, em 1942 para ser mais específica a AHL realizou um All-Star Game com o intuito de arrecadar fundos para os esforços de guerra nos EUA e Canadá. Por conta dessa ação a franquia de Springfield precisou suspender as operações, uma vez que sua arena foi tomada para uso durante a 2ª Guerra Mundial. Com isso, Eddie Shore (naquela época futuro Hall of Famer e jogador ativo do Boston Bruins) move seus jogadores para Buffalo e assume o controle da franquia.

    Philadelphia Falcons 1942-43

    Com a guerra acontecendo e a liga crescendo, os integrantes tiveram que se adaptar às condições, mudando de franquias e cidades, mas sempre conquistando títulos. Como por exemplo a Calder Cup, troféu disputado anualmente nos playoffs, podemos dizer que é a Stanley Cup da AHL. O Calder Cup, é uma homenagem a Frank Calder, o primeiro presidente da Liga Nacional.

    Em 1959 o Quebec Aces se une a liga e, oficialmente, a AHL tem seu primeiro time canadense. Com o crescimento da liga, cada fase mais times se unindo, em 1995-96 a AHL comemora seu 60º aniversário. De presente a liga é realinhada em 4 divisões (Atlântica, Central, Pacifica e Norte) e 2 conferências.

    A temporada de 2001-02 é considerada a mais memorável da AHL. Primeiro porque alguns ex-alunos da AHL Ace estavam entre as vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro em Nova York. A liga conta agora com 27 times, adicionando 9 equipes, então a geografia da liga precisa ser mudada. A temporada regular havia sido muito competitiva e terminou com 17 equipes separadas por apenas 12 pontos.

    Alem disso, o Chicago Wolves, classificado em 16º lugar na classificação geral conquistou a Calder Cup em sua primeira temporada na AHL. De fato essa foi uma grande temporada para a liga. E foi nesse ano que é considerada a liga de desenvolvimento mais importante na National League!

    Calder Cup celebration of the Chicago Wolves.

    Em 2004 a temporada da NHL sofreu um Lockout, com isso, alguns jovens talentos da liga foram para a AHL. Foi nesse período que o shootout foi reintroduzido para decidir jogos empatados após o OT. E foi aí que a AHL contou com 7,1 milhões de fãs assistindo aos jogos, apenas na America do Norte.

    Ao completar 70 anos, em 2005-06, a liga adotou algumas regras da NHL. Em 2018-19 o Colorado Eagles se junta a AHL, e agora a liga soma 31 equipes. Sendo que 26 delas estão localizados nos Estados Unidos e as quatro restantes, no Canadá. Hoje todos os times da AHL são afiliados de uma franquia da NHL. Como por exemplo o Colorado Eagles, que é filiado ao Colorado Avalanche.

    Para fazer parte da Liga Americana, os jogadores devem ter no mínimo 20 anos, porém a liga tem a liberdade de limitar o número de jogadores profissionais e com experiência durante qualquer jogo. Por exemplo: apenas cinco patinadores podem acumular quatro temporadas completas de jogo, ou então, mais ao nível profissional, mas essa regra não se aplica aos goleiros, que tem permissão para permanecer na AHL por tempo ilimitado.