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  • Retorno da NHL e acordos financeiros entre liga e NHLPA seguem indefinidos

    Retorno da NHL e acordos financeiros entre liga e NHLPA seguem indefinidos

    1º de janeiro está cada vez mais perto, mas o retorno da NHL para a temporada 2020-21 parece cada vez mais distante. No meio de discussões sobre jogos externos, protocolos de segurança, uma nova divisão canadense e uma segunda onda de COVID-19 chegando com força nos Estados Unidos e Canadá, donos de times da liga enviaram novamente um novo pedido de adiamento do salário dos jogadores, meses depois do último acordo do tipo aprovado. 

    Em junho de 2020 a NHL e a NHLPA assinaram uma extensão do CBA (Collective Bargaining Agreement, o acordo coletivo da liga) chamada de Memorando de entendimento, ou MOU. Neste documento, ambas as partes acordaram um novo adiamento de parte do salário dos jogadores diante dos acontecimentos do ano. A união dos atletas alegou compreender o momento de incertezas e a situação que os donos dos times estão enfrentando, com a proibição de venda de ingressos e todo o restante que ocorreu devido à pandemia. 

    No entanto, daquele mês até o início de dezembro deste ano muita coisa aconteceu, ou deixou de acontecer. A liga percebeu que a queda nos lucros para 2021 em diante será ainda maior do que estimava. Isso porque espera-se uma temporada mais curta e possivelmente sem venda de ingressos, ou com acesso ao público nos jogos drasticamente reduzido.

    Assim, o conselho executivo da NHL voltou a recorrer aos jogadores mas, até o momento, as solicitações foram ignoradas ou rejeitadas. Enquanto isso, janeiro se aproxima e não temos uma decisão concreta dos próximos passos da liga. 

    O que a NHL e seus times pensam a respeito?

    Gary Bettman, comissário da NHL, afirma que não há qualquer intenção de renegociar os termos acordados alguns meses atrás. No entanto, tenta-se buscar soluções que funcionem para ambas as partes, já que o documento acordado em junho não se sustenta mais.

    Sem uma resposta ainda, o cabo de guerra entre a NHL e a NHLPA continua. Contudo, surgiram debates online de que se a situação fosse o contrário, a liga não olharia essa tentativa de negociação com bons olhos, então por que a união deveria fazê-lo? 

    Dessa forma, janeiro já está virando fevereiro em uma possível data de retorno. Mas até o momento o plano idealizado é de que o puck drop aconteça por volta do dia 15 do primeiro mês de 2021. No mais tardar 1º de fevereiro. Para que isso aconteça, é necessário que jogadores passem por quarentenas retornando para os estados dos seus times, caso venham da Europa ou saindo dos EUA e indo para o Canadá. 

    Além disso, com as fronteiras fechadas, uma divisão canadense entrou em questão para possibilitar uma logística melhor dos jogos da próxima temporada. Isso porque, apesar de mais curta, o objetivo é de uma agenda com 56 ou 52 jogos no calendário regular.

    A cereja do bolo são as discussões sobre possíveis jogos externos para possibilitar acesso dos fãs mantendo distanciamento social. Entretanto, o tema parece estar dividindo os times com diferentes leis estaduais e número de fãs que atendem as partidas, sem falar dos custos milionários para construir arenas externas. 

    Certamente, assuntos não faltam na pauta de reuniões dos executivos do esporte. E o embate financeiro não colabora para a retomada dos jogos. Vamos acompanhar de perto as próximas decisões, com os dedos cruzados para um retorno da NHL seguro.

    Foto: Reprodução/ctvnews.ca

  • Draft Class de 2019: quem são

    Draft Class de 2019: quem são

    Chegando ao final da década, o NHL Draft de 2019 trouxe a chance para duas equipes escolherem jovens atletas que pudessem se tornar franchise players. Jack Hughes, americano, e Kaapo Kakko, finlandês, lideravam o ranking norte-americano e europeu, respectivamente, e já eram certeza no top 3 daquele ano. 


    A seleção aconteceu em Vancouver, e contemplou o New Jersey Devils, pela segunda vez em três anos, com a primeira escolha. O top 3 contou ainda com New York Rangers e o Chicago Blackhawks. Além disso, a quarta escolha, pertencente ao Ottawa Senators, equipe detentora do pior resultado na temporada anterior, foi automaticamente para o Colorado Avalanche. Isso se deu como condição da troca que levou Matt Duchene aos Sens em 2017.

    Jack Hughes, C, New Jersey Devils: uma rara vitória para os filhos do meio (#1 overall)

    O nome Hughes já era conhecido no meio do hockey, pois o irmão mais velho de Jack, Quinn, foi selecionado por Vancouver no ano anterior. Entretanto, diferentemente do defensor do Vancouver Canucks e também de seu irmão caçula, Luke, o Hughes do meio é um center. Draftado diretamente do United States National Team Development Program (USNTDP), o americano chegou perto de bater o recorde de Auston Matthews na equipe durante seu primeiro ano.

    Já durante o seu ano de elegibilidade, Hughes bateu o recorde absoluto de pontos no USNTDP, com 190. Assim, o calouro ultrapassou a marca de Clayton Keller (hoje jogador do Arizona Coyotes). Após ser a primeira escolha de Jersey no draft, Hughes assinou seu contrato profissional sem mesmo atuar no hockey universitário ou major juniors. Pelo contrário, ele foi diretamente para a NHL. Seu primeiro gol na Liga veio contra o irmão, em uma vitória de 1-0 dos Devils sobre os Canucks. Embora o center tenha sofrido com lesões e marcado apenas 21 pontos em seu primeiro ano, os flashes de talento que ele demonstrou são uma fonte de esperança para a torcida de New Jersey. 

    Kaapo Kakko, RW, New York Rangers: o messias de Manhattan (#2 overall)

    O finlandês começou a carreira no TPS da SM-Liiga, onde marcou 38 pontos em 45 partidas em seu ano de elegibilidade. Além disso, Kakko ganhou medalha de ouro nas três competições da International Ice Hockey Federation (IIHF), o mundial sub-18, o World Juniors Championship e o World Championship. O winger é o jogador mais jovem a conseguir tal feito.

    Após ser selecionado em segundo lugar pela equipe de Nova York, ele assinou seu contrato em julho de 2019. A estreia na NHL veio em outubro do mesmo ano, assim como seu primeiro gol. Kakko foi o segundo jogador nascido no século XXI a marcar um gol na liga, já que o recorde havia sido estabelecido pelo também finlandês Ville Heinola horas antes. 

    Kirby Dach, C, Chicago Blackhawks (#3 overall)

    O canadense iniciou sua carreia no major juniors pelo Saskatoon Blades da Western Hockey League (WHL). Durante sua primeira temporada completa, em 2017/2018, ele marcou 46 pontos em 52 partidas. Já no seu ano de elegibilidade para o draft, o center marcou 73 pontos em 62 jogos, terminando a temporada em terceiro lugar no ranking de patinadores norte-americanos. Selecionado em terceiro pelos Blackhawks, o canadense marcou seu primeiro gol na NHL contra Marc-André Fleury e seu Vegas Golden Knights em outubro de 2019.

    Bowen Byram, D, Colorado Avalanche (#4 overall)

    Ranqueado em segundo dentre os patinadores norte-americanos, Byram também iniciou a carreira na WHL, com o Vancouver Giants. Em seu ano de elegibilidade ele marcou 27 pontos em 60 jogos. Nos dois anos seguintes ele marcou 71 e 52 pontos em 67 e 50 partidas, respectivamente. Além disso, conquistou o ouro do World Junior Championship em 2020 com o Canadá. Espera-se que Byram possa formar uma dupla com Cale Makar no futuro, dessa forma contribuindo para muitas campanhas do Colorado Avalanche ao lado de Nathan MacKinnon e companhia. 

    Alex Turcotte, C, Los Angeles Kings (#5 overall)

    Outro produto do USNTDP, Turcotte foi draftado pelos Kings em quinto lugar em 2019 depois de se encontrar em quarto no ranking de patinadores norte-americanos. Em seguida foi jogar hockey universitário da National College Athletic Association (NCAA) pela Universidade de Wisconsin, onde marcou 26 pontos em 29 partidas. Com o fim da temporada universitária, Turcotte assinou com os Kings em março de 2020, mas não chegou a disputar partidas pela equipe. 

    Cole Caufield, RW, Montreal Canadiens (#15 overall)

    O pequeno americano também fez parte do USNTDP, tendo feito história ao marcar 105 gols pela equipe e passar o recorde de Phil Kessel (estabelecido entre 2003 e 2005). Caufield terminou sua temporada de elegibilidade com 72 gols em 64 partidas, com uma média de 1.56 pontos por partida. Depois do draft, no qual foi selecionado por Montreal, o winger iniciou sua carreira universitária com a Universidade de Wisconsin, onde somou 36 pontos em 36 partidas durante o seu primeiro ano na NCAA. Caufield, ao contrário do seu ex-colega de equipe, pretende jogar pelo menos mais uma temporada com os Badgers. 

    Menções honrosas:

    Moritz Seider, D, Detroit Red Wings (#6 overall): uma das surpresas no primeiro round, o defensor alemão está atualmente na Swedish Hockey League, atuando pelo Rogle BK, devido à pandemia do COVID-19 e suas implicações na Deutsche Eishockey Liga (DEL), a liga alemã de hockey, que atrasou seu início. 

    Dylan Cozens, C, Buffalo Sabres (#7 overall): o canadense terminou sua carreira na WHL com 223 pontos em 179 partidas, além de ter ganhado medalha de ouro com o Canadá no WJC de 2020. 

    Trevor Zegras, C, Anaheim Ducks (#9 overall): o americano marcou 117 pontos pelo USNTDP em seu ano de elegibilidade e competiu por um ano na NCAA pela Boston University antes de assinar seu contrato profissional com os Ducks.

    Spencer Knight, G, Florida Panthers (#13 overall): atualmente o goleiro americano atua na NCAA, pela Boston College. Knight foi o primeiro goleiro na história que os Panthers escolheram no round inaugural do NHL Draft.

    Cam York, D, Philadelphia Flyers (#14 overall): outro produto do USNTDP, York atualmente joga na Universidade de Michigan, onde fez 16 pontos em 30 partidas durante a sua primeira temporada.

  • A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    “Milagres acontecem”.

    Essa foi uma das frases mais proferidas pelo fã de hockey após assistir o St. Louis Blues na temporada 2018/19. No entanto, ‘milagre’ talvez não seja o termo ideal para se referir a ocasião. ‘Trabalho árduo’ são as palavras corretas. 

    De underdogs, ocupando o último lugar na tabela, o time de St. Louis escalou para as primeiras posições da divisão central, eliminou quatro grandes times nos playoffs e, assim, garantiu a primeira Stanley Cup desde sua criação, em 1967.

    Mas a jornada percorrida pelo time foi longa e cheia de desafios. E conquistas assim precisam ser documentadas.

    Portanto, em mais uma edição do “10 for 10”, vamos falar sobre como o St. Louis Blues, mesmo diante de um cenário nada propício, derrubou seus obstáculos e se tornou o campeão da Stanley Cup 2019.

    A pré-temporada dos Blues

    Após uma temporada 2017/18 devastadora, o St. Louis Blues sabia que algumas mudanças precisariam ser realizadas para que o desempenho da equipe melhorasse na próxima. 

    Sem a classificação para os playoffs de 2018, a equipe deu início às novas contratações mais cedo. Em maio do mesmo ano, o time anunciou Mike Van Ryn como seu novo técnico assistente, após Darryl Sydor, que ocupava o cargo, não ter renovado o contrato com os Blues por motivos familiares. 

    No entanto, essa não foi a única aquisição do time durante a pré temporada. David Perron, que havia saído dos Blues em 2017 para disputar uma temporada com o novo time de expansão da época, o Vegas Golden Knights, acabou voltando para a equipe de St. Louis. 

    Dessa vez, o jogador assinou um contrato que garantiu sua estadia no time por mais 4 temporadas. Tyler Bozak também veio para reforçar a equipe durante a free agency de 2018, assim como Patrick Maroon e Jordan Binnington, em contrato de duas vias. 

    Mas a trade com o Buffalo Sabres, onde o St. Louis acabou adquirindo Ryan O’Reilly, foi uma das mais rentáveis contratações para a equipe. Isso porque, na temporada 2018/19, o jogador se mostraria um grande reforço para o ataque dos Blues e se tornaria peça importante na conquista da Stanley Cup em 2019. 

    Porém, inicialmente, as importantes contratações na pré-temporada não pareceram ser o suficiente para ajudar no desempenho do St. Louis.

    A temporada  

    O start dos Blues na temporada 2018/19 não foi o melhor já feito pelo time. Após a derrota para o Winnipeg Jets em sua estréia, a equipe viu seu desempenho cair drasticamente no primeiro mês da competição. Do 10 jogos disputados em outubro, o time se saiu vitorioso em apenas três. Assim, adquiriu 4 derrotas em tempo regular e outras três em overtime, somando apenas nove pontos na tabela.

    Em novembro, o time ainda parecia não ver a luz no fim do túnel. Foram 14 jogos disputados que resultaram, por fim, em apenas seis vitórias. Os placares extensos das derrotas apenas reforçaram ainda mais a decaída de desempenho da equipe.

    E a demissão do técnico, Mike Yeo, ao fim do mês apenas ressaltou a má fase dos Blues. Como solução imediata, o time optou por promover Craig Berube, que atuava como técnico assistente da equipe desde 2017, para a posição de técnico interino da equipe. 

    Mesmo com problemas internos e polêmicas que giravam em torno do time de St. Louis, Berube tentou ao máximo guiar os Blues em outra direção. Uma que, futuramente, pudesse resultar em um melhor desempenho da equipe. E apesar de não terem sido gigantes,  as mudanças realizadas pelo novo técnico começaram a ser notadas em dezembro. 

    O número de derrotas, apesar de não ter sido o ideal, acabou não ultrapassando a quantidade de vitórias. Uma diferença se compararmos com o desempenho da equipe no mês anterior. E dessa forma, após 37 jogos disputados, o St. Louis finalizou 2018 com 34 pontos. Número que não colocou os Blues no topo da tabela, mas que foi o suficiente para mostrar que, talvez, Berube pudesse mudar o destino da equipe em 2019.

    A grande virada

    E foi o que aconteceu. Das 11 partidas que o time disputou em janeiro de 2019, sete resultaram em vitórias. Além disso, a equipe sofreu apenas quatro derrotas em tempo regular e uma em overtime. 

    Um dos principais fatores a influenciar positivamente no desempenho dos Blues foi Jordan Binnington. O goleiro, que assinou um contrato de duas vias com o time em julho de 2018, não havia disputado tantas partidas com a equipe até o momento, já que Jake Allen ainda ocupava a posição de goleiro titular. 

    Mas a chegada de Berube acabou se mostrando uma oportunidade para Binnington, que foi chamado para o time após os Blues terem iniciado janeiro com o pior recorde da temporada. E o sucesso do jogador foi imediato: das 7 partidas em que iniciou nas redes dos Blues no mês, o goleiro venceu cinco. 

    Em fevereiro, notando seu grande desempenho, Berube optou por continuar com Binnington nas redes. E o sucesso do time continuou a prevalecer, pois dos 14 jogos disputados no mês, os Blues saíram-se vitoriosos em 12. Assim, somando apenas duas derrotas (uma em tempo regular e outra em overtime), o time conquistou seu melhor recorde em toda a temporada. 

    Apesar da leve decaída em março, o St. Louis ainda conseguiu se manter perto da zona de classificação para os playoffs, com 8 vitórias em 15 jogos. Em abril, o time continuou o bom desempenho. Tal qual que garantiu à equipe uma boa posição na tabela.

    Com o Fim da temporada regular eapós os 82 jogos mais desafiadores da história do St. Louis Blues, uma colocação no último lugar da tabela, e outras reviravoltas, a equipe se classificou para os playoffs ocupando o terceiro lugar na divisão central e quinto na conferência oeste, com 99 pontos. 

    Enfim, os playoffs

    Devido a instabilidade na temporada regular, muito se especulava que talvez o St. Louis acabasse não avançando não competição. Mas novamente os Blues mostraram que o trabalho árduo desenvolvido pela equipe acabaria trazendo recompensas.

    O primeiro adversário dos Blues nos playoffs foi o Winnipeg Jets, que finalizou a temporada uma posição acima dos Blues na Conferência Oeste. E, por terem vantagem, o St. Louis precisou viajar para o Canadá para a disputa dos dois primeiros jogos.

    Jogar na casa dos Jets não foi um fator intimidador para os Blues, que venceu as duas primeiras do round. No entanto, o oponente retaliou e venceu os jogos 3 e 4 na casa do St. Louis. Mas a vitória na quinta partida colocou os Blues ainda mais perto de uma classificação. 

    Dessa forma, o time de St. Louis precisaria apenas de uma vitória para garantir a ida ao segundo round. E foi o que aconteceu – com a vitória no jogos seis, os Blues avançaram portanto para a próxima etapa da competição.

    No segundo round, o oponente do time foi o Dallas Stars. Apesar de vencer a primeira partida em casa, os Blues foram derrotados no jogo 2 pelos Stars. E a vitória no jogo três também não foi o suficiente, já que o Dallas acabou se saindo vitorioso nas duas partidas seguinte e, dessa forma, assumiu a liderança do round.

    No entanto, a vitória dos Blues no jogo seis deixou a série empatada. Ou seja, seria tudo ou nada para a equipe de St. Louis a partir daqui. E após 3 períodos regulares, e dois overtimes, foram os Blues que levaram a melhor. Assim, o time acabou se classificando para a Final da Conferência Oeste e teria como adversário o San Jose Sharks. 

    O round contra os Sharks não apresentou tantos desafios como o anterior. Mesmo com a derrota para o oponente no primeiro jogo, os Blues venceram a segunda partida e empataram a série. No entanto, voltaram a serem derrotados pelos Sharks no jogo três, entregando outra a vantagem para o San Jose.

    Mas a vitória na quarta partida deu uma nova perspectiva ao St. Louis, que continuou com a sequência de vitórias nos três jogos seguintes. Assim, ao vencer quatro partidas, os Blues venceram o round e, por fim, atingiram o objetivo principal da temporada: ir para a final da Stanley Cup. 

    Campeões da Conferência Oeste, o último desafio dos Blues na conquista pela taça era o confronto contra os Bruins. Foto: Reprodução/nhl.com

    Um passo mais perto

    Boston Bruins e seu grande desempenho. Isso era o que separava o St. Louis Blues da sua primeira Stanley Cup Final. 

    Se classificando para os playoffs na terceira posição overall da Liga, os Bruins contavam com um dos ataques mais eficientes da NHL. E por isso, o St. Louis entendia que as dificuldades que enfrentaria nesse round seriam muito maiores do que as anteriores. Dificuldade que se mostrou presente logo no primeiro jogo da Final, onde o Boston acabou vencendo o St. Louis por 4 a 2 no TD Garden. 

    Os Blues retaliaram ao vencer a segunda partida em overtime, ainda na casa dos Bruins. E mesmo com a derrota em casa no jogo três, não se mostraram abalados, saindo-se vitoriosos nas partidas quatro e cinco. Mas novamente o Boston colocou um empecilho no caminho ao vencer o jogo seis. Assim, o round precisou de uma sétima partida.

    Tudo ou nada. Esse é significado dos jogos 7 em uma Final da Stanley Cup. E aqui, as derrotas, má fase e todos os acontecimentos da temporada serviram como combustível para os Blues no último jogo da competição. Não existia alguém que quisesse mais a vitória do que o St. Louis naquele momento, algo que se mostrou visível no gelo.

    Por fim, campeões da Stanley Cup 2018

    A vantagem obtida pelos Bruins fez com que o jogo sete acontecesse no TD Garden, casa da equipe. Mas o fator não assustou os Blues, pois foi a equipe quem abriu o placar da partida aos 16:47 do primeiro período com O’Rielly. Pietrângelo seguiu o exemplo do companheiro de time e aumentou o placar para os Blues ainda na primeira etapa do jogo. 

    Com a não reação do Boston, os Blues assumiram o restante do controle da partida, fazendo mais dois gols. Portanto, após três períodos, 7 partidas da Final e 4 rounds vitoriosos anteriormente, o apito final soou no TD Garden e oficializou o St. Louis Blues como campeão da Stanley Cup 2018.

    O time comemorando a conquista da taça pela primeira vez. Foto: Reprodução/nhl.com

    A primeira do time em mais de 50 anos de história na NHL. Uma vitória marcada por uma das maiores reviravoltas já feitas por um time da Liga, e que consagrou o St. Louis como uma das melhores equipes da NHL. Ryan O’Reilly, que foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelos Blues, foi o jogador quem levou Conn Smythe Trophy como MVP dos playoffs.

    Após a vitória em Boston, o time viajou para St. Louis, onde comemorou a conquista em parade que contou com a presença de cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas da cidade. A conquista da taça foi simbólica e importante, já que o último time profissional de St. Louis a conquistar um troféu foram os Cardinals, em 2011. 

    A conquista da Stanley Cup foi um marco, divisor de águas e contou muito sobre quem é o St. Louis Blues. Novamente, ‘milagre’ não é palavra certa para se referir ao que aconteceu com o time em 2019. A vitória foi fruto de muito trabalho e perseverança da parte da equipe, mesmo quando nada se encontrava a seu favor.

    Por isso, como bons fãs do esporte, torcemos para que o espírito de equipe do St. Louis prevaleça e traga mais frutos para o time como os de 2019. 

  • O caso Akim Aliu e as consequências na NHL

    O caso Akim Aliu e as consequências na NHL

    Em 2019, o mundo do hockey se surpreendeu após Akim Aliu alegar que Bill Peters, na época técnico do Calgary Flames, desrespeitou Aliu referindo a ele por injúrias raciais. O caso aconteceu quando os dois estavam no Rockford IceHogs, da AHL. Ao invés de ser amparado na época, Aliu foi silenciado pela liga e nunca mais teve uma chance na NHL após tal incidente. Peters se demitiu do Calgary Flames quatro dias após as alegações no ano passado. 

    O hockey, por ser um esporte extremamente tradicional, carrega alguns valores que são inadequados nos dias de hoje. Valores estes que usualmente se confundem com virtudes, como por exemplo, o sexismo e o racismo. Contudo, tais valores vão se modificando com o passar dos anos, e eles são apenas reflexos da sociedade atual.

    Neste texto, relembramos os acontecimentos de 2019 e propomos uma reflexão sobre as poucas mudanças que ocorreram após um ano desde as denúncias.

    A história de Akim Aliu

    Akim Aliu é filho de pai nigeriano, Tai, e mãe Ucraniana, Larissa. Quando Aliu tinha 7 anos, a família se mudou para o Canadá. Considerado muito talentoso no gelo, Aliu começou a jogar pelo Windsor Spitfires na OHL. Contudo, a carreira dele seria marcada por incidentes disciplinares, mais tarde revelados pelo próprio como acontecimentos ligados a sua cor e etnia. 

    Na temporada de 2005-06 da OHL, a primeira de Aliu, ele se envolveu em uma briga com Steve Downie. Downie fez um cross-check no rosto do jogador, o que fez com que ele perdesse alguns dentes. Em seu texto para o Players Tribune “Hockey is Not For Everyone”, Aliu disse que Downie fez isso pois Akim é negro, “Ele olhou para mim e viu um menino negro com um sotaque estranho – e não gostou de mim por causa disso. Fui atacado por causa da cor da minha pele. Eu sabia na época. E eu sei disso ainda mais agora.”

    Por conta desse incidente, Aliu solicitou uma troca e foi para o Sudbury Wolves. Ele foi ranqueado como o 5° melhor prospect de 2007, no entanto, foi escolhido pelo Chicago Blackhawks no segundo round em 57° lugar, muito por conta dos incidentes em gelo oriundos de um jovem que se rebelou contra um sistema racista. 

    Por fim, a carreira profissional do canadense foi marcada pela passagem em diversos times, tanto na NHL quanto na AHL. Em 2012, ele assinou pelo Calgary Flames, mas a última equipe em que ele jogou foi HC Litvínov, da principal liga Tcheca

    Os precendentes: demissões de Don Cherry e Mike Babcock

    O famoso comentarista de hockey Don Cherry foi demitido quase um ano atrás, no dia 9 de novembro de 2019. Cherry é uma das figuras mais icônicas e polêmicas do hockey no Canadá, protagonista de falas preconceituosas e controversas. Durante o Coach’s Corner, famoso programa de análise de hockey, Cherry fez comentários que sugeriam que os imigrantes canadenses se beneficiam dos sacrifícios de veteranos e não usavam a remembrance poppy (flor de papoula que demonstra respeito às pessoas que serviram pelo seu país). Assim, reproduzimos aqui as polêmicas palavras do comentarista:

    “Vocês que vêm aqui … vocês amam nosso estilo de vida, vocês amam nosso leite e mel, pelo menos vocês podem pagar alguns dólares por uma poppy ou algo assim … Esses caras pagaram por sua viagem, da vida que você gosta no Canadá, esses caras pagaram o preço mais alto.”

    Esse comentário foi um basta nas falas intolerantes de Don Cherry. Após muitas críticas ao redor da comunidade do hockey, a Sportsnet o demitiu dois dias depois. Contudo, essa ação só foi o começo de uma sequência de fatos que essa demissão acarretaria para a NHL e o hockey.

    No dia 20 de novembro, o Toronto Maple Leafs demitiu o então técnico da equipe Mike Babcock, inicialmente pela performance a desejar que o time canadense apresentava no gelo. Alguns dias depois, ressurgiu uma narrativa de que Babcock havia mandado um rookie dos Leafs, até então sem nome divulgado, fizesse uma lista sobre quem não se esforçava na equipe. Esse calouro era ninguém menos que Mitch Marner, um dos principais jogadores da equipe. 

    Contudo, o caso se agravou quando revelaram que Babcock foi além de solicitar a controversa tarefa: ele havia mostrado essa lista para os companheiros de equipe do então novato Marner. Posteriormente, o right winger disse que por conta do apoio de seus companheiros, não houve nenhum sentimento de rancor entre eles. 

    Tal demissão e o fato publicado em seguida que abriu as portas para o caso de Peters e Aliu. 

    Bill Peters e a injúria racial contra Akim Aliu

    No dia 25 de novembro, Akim Aliu postou em seu perfil do Twitter que Bill Peters em diversas ocasiões referiu-se a ele por diversas expressões racistas em inglês. Após Aliu se rebelar, novamente sem apoio dos colegas ou do seu time, ele foi mandado para o time afiliado. 

    Aliu disse que teve uma situação que aconteceu de manhã, após um treino, quando ele estava comandando o som do vestiário. 

    “Akim, estou cansado de você colocar esse som de “n-word” teriam sido suas exatas palavras. Peters, na época treinador do IceHogs, referia-se à seleção de música hip-hop de Aliu.

    “Ele então saiu como se nada tivesse acontecido. (No vestiário) ficou um silêncio mortal. Eu apenas sentei na minha cabine, não disse uma palavra” lembrou Aliu sobre o ocorrido.

    Dois colegas de time na época confirmaram que o evento aconteceu. O então capitão da equipe do IceHogs, Jake Dowell, confrontou Peters sobre o incidente no escritório do treinador. Dowell não quis comentar, na época, sobre o ocorrido. Mas disse que cooperaria em qualquer investigação conduzida pela NHL ou pelo Flames.

    Aliu ainda disse que Peters o chamou para seu escritório, todavia, não para se desculpar. “Sabe, estou farto dessa música de merda de “n-word”. É todo dia. De agora em diante, precisamos tocar músicas diferentes.” 

    Muitos se questionaram sobre a demora de Akim para falar sobre este assunto, que ao longo dos anos se tornou cada vez mais importante. Aliu citou o exemplo de Colin Kaepernick, que não teve outra chance de atuar na NFL quando virou free agent após ter se ajoelhado em 2016 em protesto contra a brutalidade policial contra negros nos Estados Unidos.

    Aliu disse que se arrepende de não ter confrontado Peters naquela época. Ele ainda afirmou que sua carreira terminou antes mesmo de começar e que perdoaria Peters se ele tivesse se desculpado na reunião. 

    “Não há muito que você possa fazer ou me dizer que eu não possa aceitar um pedido de desculpas,” disse Aliu. “Mas ele não era homem o suficiente para se desculpar comigo e seguir em frente.”

    As consequências na NHL

    Bill Peters assinou a carta de demissão e foi dispensado após um breve período de investigação sobre o caso. Além disso, ele fez um pedido de desculpas para o GM, Treviling, e não para Aliu, no qual admitiu ter feito tais comentários. 

    Na época do ocorrido, escrevemos sobre a declaração de Gary Bettman, onde ele se mostrou disposto a ter um ambiente mais aberto à ocorridos como esse. Entre algumas iniciativas, havia a de uma plataforma de comunicação sobre esses problemas, uma política de tolerância zero e um programa anual de inclusão e conscientização.

    Todos sabemos que a pandemia de COVID-19 veio para acabar com muitas expectativas para a temporada de 2020. Apesar da Stanley Cup ter acontecido, a temporada foi suspensa em março, sem muitas mudanças sociais e sobre diversidade como esperando.

    Entretanto, 2020 foi um ano importante para os grupos sociais marginalizados dos Estados Unidos. Afinal, o movimento Black Lives Matter, após George Floyd, um homem negro, ter sido morto afixiado por um policial branco, causou comoção em várias cidades do país e do mundo colocando em foco a questão racial e a violência policial. 

    Contudo, quando esse fato aconteceu, a NHL foi a última das quatro grandes ligas americanas (NBA, NFL, MLB e NHL) a reconhecer o ocorrido. Além disso, como o campeonato estava na fase de playoffs, a liga só parou os jogos por conta de uma demanda dos jogadores que viram a importância da apoio das ligas esportivas a esse movimento. 

    Após isso ter acontecido, Akim Aliu, em conjunto com Evander Kane, criaram a Hockey Diversity Alliance. Primeiramente, a HDA estava unida com a NHL. Essa organização trouxe diversas demandas de inclusão e antirracismo. Porém, foi anunciando que eles se desligariam da liga, já que a mesma falhou em cumprir com as ações demandadas.

    As mudanças ainda não se concretizaram. No entanto, com a temporada suspensa, não haveria como elas ocorrerem. Ainda com algumas incertezas no calendário, é esperado que as práticas de conscientização e diversidade na NHL sejam feitas durante os próximos anos. 

  • Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Central

    Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Central

    A nova coleção retrô da NHL foi divulgada oficialmente na última segunda-feira (16). Apesar de alguns modelos como do Penguins e do Golden Knight terem sido vazados anteriormente, agora temos os modelos oficiais das jerseys de cada time.

    Como falamos anteriormente, a coleção Reverse Retro teve como inspiração modelos dos uniformes de décadas desde 1940 a 2000. Cada time buscou em uma jersey antiga um conceito, trazendo elementos para suas cores e uniformes atuais. 

    Por último mas não menos importante, o NHeLas trás um olhar mais próximo para os modelos da Divisão Central. Entenda quais foram as inspirações por trás de cada novo desing. Essa nova coleção estará disponível à partir do dia 1/12.

    Dallas Stars

    O campeão da conferência Oeste deste ano teve a sua Reverse Retro inspirada no uniforme da temporada de 1999-98, quando conquistaram a sua primeira e, até então, única Stanley Cup.

    Naquele ano, os Stars levantaram a taça em suas cores verde, branco e prata, as cores já conhecidas e amadas dos fãs. Assim, nessa coleção eles trazem suas cores tradicionais e a lembrança da história do time com sua única vitória da taça.

    A jersey retrô tem alguns detalhes novos: na manga, o formato do estado do Texas com uma estrela verde e detalhes em prata; o formato de estrela no peitoral da camisa na cor prata brilhante.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Colorado Avalanche

    O Colorado Avalanche buscou para sua camisa retrô as suas origens no extinto Quebec Nordiques. O time antecessor de Colorado, que homenageava o gelado norte canadense, tinha como cores principais o azul, branco e vermelho.

    Quando deixou a Cidade de Quebec, a equipe ganhou novas cores: um azul mais acinzentado e o vinho. A Reverse Retro do Avalanche trouxe justamente o desenho clássico do uniforme dos Nordiques. O logo de iglu e a flor-de-lis, símbolo da herança francesa no Canadá, são representados nas cores atuais do time.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Chicago Blackhawks

    A temporada do Chicago Blackhawks deixou a desejar, mas não se pode dizer o mesmo da sua nova jersey para a coleção Reverse Retro. Como um dos Original Six, os Hawks tinham algumas opções para o seu modelo, entretanto, optaram por um design simples e tradicional.

    A base preta e detalhes em vermelho e branco trouxeram para 2021 um desejo de retorno aos anos dourados da equipe. No entanto, esse modelo dividiu a opinião dos fãs no lançamento e gerou polêmica.

    A equipe sofreu algumas críticas por falta originalidade na escolha do design. Mais ainda, o logo do time trouxe a tona o debate sobre e identidade visual dos Blackhawks e se a equipe deveria alterá-la logo.

    Foto do Twitter oficial da Blackhawks Store

    St. Louis Blues

    As cores da Reverse Retro dos Blues vêm da época em que Wayne Gretzky jogava pelo time, na temporada de 1995-96. Era um time repleto de estrelas que usavam vermelho, azul e amarelo, um pouco mais extravagante que o time que conhecemos hoje.

    Para a jersey retrô, inverteu-se o azul predominante daquele uniforme colocando o vermelho como cor principal. Para os detalhes, ficaram as cores também vibrantes amarelo e azul. Na manga há uma trombeta azul escura com o nome do time, diferente do logo que conhecemos hoje. A equipe quis inovar, sem esquecer as suas origens e, sobretudo, buscando nas suas antigas estrelas a inspiração para brilhar novamente na próxima temporada.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Minnesota Wild

    O Wild tem logo interessante. Se você olhar por alguns minutos, já começa a juntar as peças que lembram um animal feroz. Nele está representado o estado de Minnesota, seus rios, montanhas e a estrela do norte, que teve bastante evidência nessa coleção.

    O time escolheu homenagear outra equipe que já jogou em Minnesota: o Minnesota North Stars (transferido para Dallas em 1993). Em sua Reverse Retro, o Wild fez um bom trabalho modernizando seu passado. O tradicional o verde floresta e os detalhes em vermelho na jersey do time, deram espaço para cores claras e limpas para completar o jogo visual. Com listras nas laterais na cor amarela, verde em contraste do branco límpido, o logo foi centralizado e modificado pelas cores do time antecessor.

    Os fãs do “estado do hockey” abraçaram com graça sua antiga nova jersey e já se preparam para vesti-la na próxima temporada. 

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Nashville Predators

    Para os Predators, a Reverse Retro veio em amarelo e azul em memória da sua estreia na NHL em 1998. Na coleção da Adidas que valoriza tanto o passado como o futuro, eles misturam as cores e nos dão o logo ecundário do crânio com dentes de sabre.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Winnipeg Jets

    Os Jets buscaram sua inspiração em outro Winnipeg Jets, o time da cidade que estreou em 1972 na extinta World Hockey Association (WHA). Dessa forma, a franquia trouxe o antigo logo e cores de forma sutil, fazendo uma homenagem aos Jets originais.

    Assim, a nova jersey tem como cor predominante o cinza, com detalhes em azul marinho e braco. O logo segue o mesmo modelo usado pela equipe no Heritage Classic do ano passado, modificando apenas a paleta de cores. Questinou-se por que os Jets não se inspiraram no Atlanta Thrashers, time anterior a mesma franquia do hoje Winnipeg Jets. Porém, a equipe escolheu homenagear seu homônimo pelos anos de glória que o time teve na cidade ao ganhar três vezes a Taça AVCO.

    Além disso, na dança de cadeiras da NHL, o antigo Jets é hoje o Arizona Coyotes. Só podemos imaginar a confusão que seria se ambos os times escolhessem homenagear os Jets da WHA.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Texto sob supervisão da editora-chefe Juh Guedes.

    Foto: Reprodução/Instagram da NHL

  • Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Pacífica

    Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Pacífica

    A tão esperada coleção Reverse Retro da NHL foi divulgada oficialmente no dia 16 de novembro. Apesar de alguns modelos como dos Penguins e dos Golden Knights terem sido vazados anteriormente, agora temos os designs oficiais das jerseys de cada time. A inspiração para esta coleção foram os uniformes das décadas passadas; cada time buscou em uma camisa antiga um conceito, trazendo elementos para suas cores e uniformes atuais. 

    O NHeLas traz os modelos da Divisão Pacífica e conta quais foram as inspirações por trás dos novos designs. Esta coleção estará disponível para compra na loja oficial da NHL a partir do dia 1° de dezembro.

    Anaheim Ducks

    Imagem: Twitter/Anaheim Ducks

    O Anaheim Ducks traz uma nova versão da “Wild Wing Breakoutjersey, o primeiro 3° modelo da coleção do time. Ainda que tenha se tornado uma tradição da franquia, ela só foi utilizada em três jogos dos Mighty Ducks na temporada de 1995-96. Em 2021, ela volta para os vestiários da equipe em um novo design, mais moderno e com as cores trocadas: o verde piscina toma conta dos detalhes e o branco se torna maioria no tecido.

    https://twitter.com/AnaheimDucks/status/1328352129334079490?s=20

    Arizona Coyotes

    Imagem: Reddit

    O Arizona Coyotes traz uma nova versão de uma de suas camisas utilizadas entre as temporadas de 1998-99 e 2002-03 — época em que ainda eram Phoenix Coyotes. Nela, a logo alternativa do time, o “Peyote Coyote”, que mostra somente a cabeça do coiote que faz parte da primeira logo da equipe: o “Kachina Coyote”. 

    Na próxima temporada da NHL, vamos ver os Yotes vestindo este mesmo modelo, mas com o roxo tomando conta da maior parte do tecido, no lugar do verde.

    Calgary Flames

    Imagem: Reprodução Modificada/NHL Uniforms

    O “Flaming Horse” está de volta! A jersey utilizada pelo Calgary Flames na temporada de 1998-99 voltará a ser utilizada pelos seus jogadores — agora com um design mais sofisticado. A camisa “Ol’ Blasty” foi o primeiro uniforme preto dos Flaming C’s e marcou história: ela foi lançada em 1998 como terceiro modelo e foi promovida a uniforme principal de visitante entre os anos de 2000 e 2003. 

    Edmonton Oilers

    Imagem: Reprodução Modificada/NHL Uniforms

    O Edmonton Oilers recupera o seu primeiro uniforme na NHL: o clássico branco com listras — que agora aparecem em ordem diferente da versão original, fazendo jus ao nome Reverse Retro da coleção. Mesmo sem muitas mudanças, os Oilers conseguiram trazer mais estilo e modernidade à nova jersey da equipe. 

    Los Angeles Kings

    Imagem: NHLUniforms

    O Los Angeles Kings traz à nova temporada uma camisa baseada no modelo visitante de 1989. Antes com as cores preto e branco, em 2021 veremos a equipe jogando com uma mescla das cores características da cidade de L.A.: roxo e amarelo.

    San Jose Sharks

    Imagem: Reprodução Modificada/NHL Uniforms

    A nova jersey do San Jose Sharks é inspirada no modelo utilizado em 1998, com a maioria do tecido em azul e detalhes em cinza. No entanto, os Sharks fizeram inverteram as cores: em vez do azul em sua maioridade, vê-se o cinza fazendo este papel; e o azul toma conta dos detalhes do mais novo uniforme Reverse Retro. 

    Vancouver Canucks

    Imagem: Reprodução Modificada/NHL Uniforms

    O Vancouver Canucks traz de volta a camisa com o estilo gradiente, remetendo ao modelo de uniforme utilizado pela equipe em 2001. A única grande mudança é nas cores: os Nucks agora vestem sua paleta original, verde e azul.

    Vegas Golden Knights

    Imagem: Icethetics

    A jersey do Vegas Golden Knights na coleção Rreverse Retro traz o segundo logo do time como principal. As duas espadas cruzadas e a estrela de Las Vegas pela primeira vez dominam o centro do uniforme, enquanto o logo do time estampa os ombros.

    Como o time tem apenas três anos de história, a influência para esse design vem de outra equipe, de 22 anos atrás (1995). O modelo é um tributo ao Las Vegas Thunder — time que acabou em 1999 após 6 anos de atuação numa liga menor também já extinta nos Estados Unidos, a International Hockey League.

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • Novos uniformes Reverse Retro da Divisão Metropolitana

    Novos uniformes Reverse Retro da Divisão Metropolitana

    Coleção nova para toda a liga, a Reverse Retro da Adidas chegou oficialmente nessa segunda (16), mas veio gerando comentários nas redes sociais desde o vazamento de alguns modelos dos novos uniformes em outubro. Assim, mesmo sem a certeza do retorno da NHL dia 1º de janeiro ou não, já sabemos que as partidas da próxima temporada serão mais coloridas e cheias de nostalgia. 

    A divisão Metropolitana veio trazendo designs homenageando momentos marcantes, símbolos importantes e temporadas com jogadores históricos de cada time. Alguns modelos foram criticados, enquanto outros já ganharam o coração das torcidas. E é claro que a equipe do NHeLas não ficaria de fora. Confira os detalhes das novas jerseys da Divisão Metropolitana.  

    Washington Capitals

    Fonte: Reprodução/NHL

    Inspirada nos uniformes de 1997, mas em tons modernos de vermelho e azul marinho, essa nova camisa traz o capitólio de Washington DC, prédio que serve de centro legislativo do Estado americano. Outro símbolo presente é a famosa águia que adornava a camisa quando o time chegou nas finais de conferência daquele ano, terminando em terceiro lugar. A escolha foi muito elogiada por trazer de volta a screaming eagle tão emblemática na história do Capitals. Assim, uma mistura correta entre o retrô e as cores da equipe, objetivo da coleção da Adidas. 

    “O reverse retro dos Capitals deveria provavelmente ser a camisa principal deles, ou pelo menos ser a alternativa integral”.

    Pittsburgh Penguins

    Fonte: Twitter/penguins

    O novo uniforme dos Penguins é um tributo a 1997, quando o time chegou às quartas de final com a extinta divisão Nordeste. Dessa forma a blusa traz o pinguim patinando na manga e o nome da cidade na diagonal na frente do uniforme, similar ao modelo usado entre 1992 e 1997 pela equipe, e popularmente conhecido como Gin and Juice, clipe onde o rapper Snoop Dogg veste a camisa. “Um clássico de Pittsburgh”, declararam em uma postagem na página oficial no Instagram, “de Lemieux e Jagr até Crosby e Malkin, os paralelos são intermináveis”. 

    https://twitter.com/theliammalone/status/1328368289102389248?s=20
    “Esses adidas x NHL uniformes Reverse Retro estão impressionantes. O dos Penguins não está nem mesmo no top 10. […] Eu quero todos”.

    New York Rangers

    Fonte: Twitter/NYRangers

    Os tempos saudosos de Wayne Gretzky na Big Apple fazem um retorno com os Rangers estampando a estátua da Liberdade na nova coleção. Inspirada na camisa alternativa de 1996, ano em que o jogador entrou para o time, nos mesmos tons de azul escuro e vermelho. O design dos NYR foi bem recebido pelos torcedores, de tal forma que estão visualizando um Madison Square Garden todo vestido de Lady Liberty + 13 Lafreniere. A pandemia pode não permitir que isso aconteça, mas sonhar não custa. 

    “Isso + Liberty jersey = beijo do Chef”

    Philadelphia Flyers

    Fonte: Reprodução/NHL

    A famosa Legion of Doom encontra as cores laranja e preto. Uma homenagem às camisas de 1995, usadas pela linha de Eric Lindros, John LeClair e Mikael Renberg, com a fonte utilizada nos anos 1980, mas tudo com uma repaginada digna dos tempos modernos. Inesperadamente, o modelo foi um dos primeiros a vazar na internet, o que estragou um pouco a surpresa para os fãs. Entretanto a Adidas, a NHL e o Flyers ignoraram esse fato e divulgaram o modelo oficial juntamente aos outros times. 

    Fonte: Reprodução/NHL

    New York Islanders 

    Fonte: Reprodução/NHL

    Os Islanders investiram em trazer de volta para a ilha a glória de quatro Stanley Cups consecutivas nos anos 1980, mas sem muita inovação comparado com os uniformes atuais da equipe. Os torcedores da ilha queriam mesmo era o pescador fantasmagórico estampando o modelo, porém não foi dessa vez. No entanto, ainda trazem o intuito da campanha, uma leve repaginada em um look clássico na história de Nova Iorque, só que em um azul mais escuro. 

    “A camisa atual do NY Islanders x A camisa Reverse Retro do NY Islanders”. Fonte: Twitter/carsonjones39

    New Jersey Devils

    Fonte: Twitter/NJDevils

    Vai ser natal a temporada inteira em Nova Jersey. Os Devils optaram por adaptar as cores dos uniformes de 1982, quando eles se mudaram pela segunda vez e finalmente chegaram em NJ. Depois de passarem pelo Kansas e o Colorado, por fim nasceram os Devils. “Do verde escuro de Pine Barrens nasceu o Devil” comentaram na página oficial no Instagram, uma alusão ao remanescente ecossistema de pinheiros na costa do Atlântico que se estende por sete municípios de Nova Jersey. Com toda a certeza, vermelho e verde vão marcar o gelo nos jogos especiais da equipe, uma temporada festiva e cheia de comemoração é o que qualquer torcedor do New Jersey deseja pro ano que vem. 

    “Feliz Natal mesmo!!!” – Fonte: Twitter/DevilsState

    Columbus Blue Jackets

    Fonte: Reprodução/nhluniforms

    Os Blue Jackets resolveram chocar de vermelho pela primeira vez na história da equipe. Trazendo de volta o tom usado nos detalhes dos uniformes de inauguração do time nos anos 2000,  dessa vez sem poupar na inserção da cor, e com a logo da mesma época estampada na frente da camisa. Assim, o CBJ optou no entanto por substituir o mascote, Stinger, no ombro por um canhão e o nome do time. 

    Fonte: Twitter/BlueJacketsNHL

    Carolina Hurricanes 

    Fonte: Reprodução/NHL

    Ao som da antiga música tema, Brass Bonanza, o Carolina Hurricanes vai trazer de volta seus tempos de Hartford Whalers. Com a baleia usada de logotipo de 1979-1985 na crest, e os mesmos tons de azul e verde do Whalers dos anos 80 a 90, a escolha do modelo gerou comentários nas redes sociais e está dividindo opiniões dos fãs. Muitos questionaram a importância de trazer a história do time que saiu de Connecticut e se mudou pra Carolina do Norte, enquanto outros afirmam terem gostado do tributo. 

    https://twitter.com/timeric4256/status/1328354055291346947?s=20
    “Os fãs dos Canes de 2017 até agora estão [dizendo] “leve meu dinheiro”. Mas os fãs verdadeiros desde o começo sabem que isso não é retrô Canes. Nos deem um look da Carolina. Superem Hartford”.

    As camisas estarão a venda à partir do dia primeiro de dezembro e entrarão no gelo na próxima temporada. Uma coisa é certa, mesmo sem NHL em novembro, esse lançamento trouxe a liga e os times para o centro das conversas e de volta para o holofote da mídia. 

    Mas e vocês, o que acharam das novas jerseys

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Atlântica

    Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Atlântica

    A tão esperada coleção de Jerseys retrôs da NHL finalmente teve as fotos liberadas nesta segunda-feira (16). Apesar de alguns modelos como dos Penguins e dos Golden Knights terem vazados anteriormente, agora temos os modelos oficiais das jerseys de cada time, tal qual os detalhes contido em cada uma delas.

    A inspiração para essa coleção foram os modelos retrôs dos uniformes, a maioria sendo da década de 90. Assim, cada time buscou em uma camisa antiga um conceito que marcou sua história e seus fãs, trazendo elementos já consagrados para suas cores e uniformes atuais.

    Neste texto, o NHeLas traz os modelos da Divisão Atlântica e conta quais foram as inspirações por trás dos novos design. Esta nova coleção estará disponível para compra no site da ADIDAS norte americana e canadense, além do site oficial da loja da NHL à partir do dia 01 de dezembro.

    Boston Bruins

    A especulação sobre o possível vazamento da camisa dos Bruins foi um assunto recorrente nas últimas semanas. Entretanto, o retorno da jersey dourada era certo, afinal, a última vez que usaram esta cor foi no Winter Classic de 2010, e em algumas partidas da temporada 2009-10. Ontem, com a enfim confirmação da Adidas, vimos que os fãs poderão adquirir enfim a camisa dourada.

    O uniforme inspirado na antiga camisa branca usada na Final da Stanley Cup de 1988 e 1990 ganhou a tradicional cor amarela tão característica dos Bruins. O logotipo da cabeça de urso é usado nos ombros e as faixas seguem em preto e branco nas mangas.

    https://twitter.com/NHLBruins/status/1328374833172934656/photo/2
    Fonte: twitter/NHLBruins

    Buffalo Sabres

    A jersey escolhida foi inspirada na originalmente preta e vermelha dos anos 2000. O que mudou foram as cores, adequadas aos tons atuais que o time anunciou em agosto deste ano: azul royal e ouro. Nos ombros, o logotipo escolhido foi a cabeça de búfalo, e no centro usaram as espadas de sabre cruzadas. No corpo, mais perto da barra, foi incluso listras com o nome do time.

    https://twitter.com/BuffaloSabres/status/1328402175224111106/photo/1
    Fonte: twitter/BuffaloSabres

    Detroit Red Wings

    História e tradição são conceitos extremamente importantes para este time, que hoje está longe dos seus anos dourados. Dessa forma, foi especulado que os Red Wings trariam o preto na sua versão retrô mas, com as imagens que eles mesmos soltaram na semana passada, isso não aconteceu.

    A camisa retrô é inspirada no uniforme de 1998, trocando as cores da manga de vermelho para prata. Este design se baseia muito na versão que os Red Wings usaram para vencer sua 9º Stanley Cup, em 1998.

    https://twitter.com/DetroitRedWings/status/1328356519633694720/photo/2
    Fonte: twitter/DetroitRedWings

    Florida Panthers

    Nas fotos liberadas pela Adidas, vemos que a nova jersey dos Panthers tem uma combinação de cores moderna, seguindo a linha visual que alteraram em 2016. Dessa maneira, o modelo foi inspirado no de 1996, época de maior sucesso na história da franquia, quando chegaram à disputa da Stanley Cup no seu terceiro ano de existência.

    Este visual retrô inclui as listras na manga em diagonal, formando pontas e o logotipo de palmeiras nos ombros. A pantera tão característica do time está igual à original de 1996.

    https://twitter.com/FlaPanthersPR/status/1328353394331889665/photo/1
    Fonte: twitter/FlaPanthersPR

    Montreal Canadiens

    Uma das maiores equipes já formadas na NHL usou da sua lendária camisa vermelha de 1976 para a criação desta versão retrô, mostrando que, às vezes, o melhor é ir pelo design mais simples.

    Montreal simplesmente mudou o corpo de vermelho para azul e deixou esta jersey clássica e muito desejável para todo fã de NHL.

    https://twitter.com/CanadiensMTL/status/1328368701398278145/photo/1
    Fonte: twitter/CanadiensMTL

    Ottawa Senators

    A versão retrô dos Senators homenageia a camisa inaugural que usaram de 1992 a 2007. O que muda é um ajuste de cor, incluindo o vermelho para que desta forma, reflita a cara que marca usa atualmente. O logotipo segue em 2D, apresentado pelo time em setembro deste ano.

    https://twitter.com/Senators/status/1328357918614425600/photo/4
    Fonte: twitter/Senators

    Tampa Bay Lightning

     O Lightning vem com a versão repaginada da camisa que ganhou seu primeiro título em 2004, com a atualização do azul que usou para levar seu segundo título em 2020.

    Sem dúvida, um uniforme que mexe com o emocional de qualquer fã do time, e será um lembrete diário dos momentos de glória já conquistados. Além disso, um diferencial foi a volta do brasão antigo com a logotipo em 2D.

    Fonte: twitter/ShopTBLsports

    Toronto Maple Leafs

    A jersey dos Maple Leafs é uma mistura de duas temporadas: ao mesmo tempo que traz o logotipo principal com a folha de bordo de 11 pontas usada em 1969-70, também incorporaram as listras inspiradas na camisa de 1970-71.

    A escolha da cor cinza foi uma homenagem ao prata usado na camisa do Centennial Classic em 2017. Dessa forma, o novo design foi uma mistura de homenagens, que representa a tradição que Toronto tem nesta liga.

    https://twitter.com/MapleLeafs/status/1328382541267660800/photo/2
    Fonte: twitter/MapleLeafs

    Sem dúvida, os modelos da Divisão Atlântica vieram ricos em memória, mas sem esquecer o toque contemporâneo. Não deixe de comentar se pretende comprar alguma dessas jerseys, e qual a sua favorita! Amanhã traremos mais detalhes sobre as novas camisas de outra divisão.

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • Nos bastidores da bolha

    Nos bastidores da bolha

    Costuma-se dizer, mesmo que de brincadeira, que onde menos se espera “sempre tem um brasileiro.” Sorte a nossa quando este brasileiro em questão também é fã de hockey e nos permite espiar por trás da cortina e acompanhar de perto os bastidores da NHL.

    Jefferson Mizuno, 35, é natural de São Paulo, mas hoje mora em Toronto, no Canadá. Ele integrou uma das equipes mais cruciais para o funcionamento da bolha da Conferência Leste da NHL durante os Playoffs da Stanley Cup, e contou um pouco de sua experiência trabalhando lá.

    Se você nos acompanhou durante os últimos meses no Instagram, deve ter visto alguns dos registros feitos por este “insider” nas primeiras duas rodadas da pós-temporada. (Caso contrário, aproveite para nos seguir agora mesmo e não perder mais nenhum conteúdo exclusivo!)

    Jefferson chegou no Canadá há alguns meses, no meio da pandemia. “Eu consegui entrar porque tenho o documento de residência. Quando cheguei aqui, comecei a trabalhar em construção, aquelas coisas” ele contou. Mas logo um anúncio de vaga para cleaner na Scotiabank Arena chamou sua atenção no WhatsApp. “Achei estranho, porque ia começar a Stanley Cup lá. Eu apliquei e foi muito fácil, eles me ligaram e eu já comecei a trabalhar.”

    A princípio, Jeff não imaginava que trabalharia no centro da operação montada pela NHL para o trazer o hockey de volta após a pausa que encerrou a temporada regular. “Eu não sabia que ia trabalhar lá no meio mesmo, no coração da coisa,” ele relembrou a surpresa ao descobrir que ia ver de perto o esporte e o time que tanto gostava.

    “Comecei a acompanhar (hockey) desde 2015, e virei um fã dos Leafs. Eu nunca pensei que eu ia gostar de um esporte assim, ainda mais hockey que, pelo menos pra gente ali no Brasil, é uma coisa tão distante.”

    Jeff em frente ao logo do Toronto Maple Leafs (Foto cortesia de Jefferson Mizuno)

    A função em si era de limpeza. Os protocolos para o retorno da liga previam um ambiente em constante desinfecção para evitar a propagação do novo coronavírus. Isso significava, em suma, passar álcool em tudo, o tempo todo. 

    “Tinha umas coisinhas que eram desnecessárias, mas o verdadeiro serviço nosso era entrar nos bancos de reservas, no final de cada período, e dar uma geral lá. Ali sim eu acho que era importante — porque o pessoal cospe no chão, sua — e dentro dos vestiários.”

    Quando aceitou o trabalho, Jeff não ficou tão preocupado com o risco de exposição ao vírus. Apesar de poder sair da bolha, diferentemente dos jogadores e outros funcionários dos times, por exemplo, os trabalhadores da equipe de limpeza também eram constantemente testados. “A gente já ficou sabendo que teria que fazer exame todos os dias lá, então isso já era um alívio; tinha dias que eu tinha que fazer dois turnos e cheguei a fazer três exames no mesmo dia.”, relembra.

    “Pela organização que eu vi lá dentro, aqui na bolha de Toronto, eu vi que realmente ia ser difícil acontecer alguma coisa. Mesmo a gente, que sai, volta pra casa, o resultado (do teste) saía em 40 minutos. Na hora já pegava, cortava, via as pessoas que estavam junto também.”

    Além disso, Jeff contou como funcionava a proteção da arena. “Os protocolos de segurança eram de outro planeta. Ninguém entra, era impossível. E lá dentro também ninguém podia ficar perto um do outro, aonde você ia tinha marcações, no chão, e pouquíssima gente trabalhando.”

    Jeff trabalhando na limpeza de um dos bancos antes dos jogadores retornarem. (Captura de tela de um episódio de “Inside The Bubble“/NHL)

    Todo o cuidado refletiu no sucesso da NHL em concluir a temporada 2019-20 e coroar um vencedor da Stanley Cup sem registrar nenhum caso de COVID-19 entre os jogadores participantes. No entanto, talvez por pouco este esforço não foi por água abaixo ainda nas rodadas iniciais.

    “Essa é bomba.” Uma de quantas que nunca iremos descobrir? “O motorista dos Flyers estava com COVID, só que isso aí foi abafado e ninguém falou, né? Aí fizeram o teste com todos os jogadores que estavam no ônibus, com todo mundo. E, ainda bem, não deu nada. Mas o motorista falhou no teste, no caso, aí ele teve que ir pra casa. Perdeu o job, mas que bom que não contaminou ninguém!”

    O acesso aos jogadores era mínimo durante as horas de trabalho na bolha. Os funcionários não tinham autorização para ter algum contato ou conversar, “mas a gente sempre falava um ‘oi’, ‘bom dia’, e eles respondiam na medida do possível.

    “Aliás, o Crosby é o mais gente boa,” Jeff recordou o encontro com o capitão do Pittsburgh Penguins. “Teve um jogo contra Montreal, não lembro qual foi… e ele é sempre o último a entrar no gelo e o último a sair. Eu fiquei esperando ele sair porque (pensei que aquela seria) minha única oportunidade, era o único jogo (dos Penguins) que eu ia fazer. Então ele passou e eu troquei umas duas palavrinhas com ele, e ele foi muito atencioso, mesmo estando puto porque tinha perdido o jogo.”

    Mesmo que as interações com os jogadores dentro da bolha fossem limitadas, a equipe de limpeza estava sempre por perto e ao dispor. Aonde quer que fossem e no que quer que encostassem, era preciso higienizar logo em seguida.

    “A gente era meio que babá deles nesse sentido. E os garotos são mimados, hein?”

    Para Jeff, o sentimento de trabalhar na casa do Toronto Maple Leafs, ver o time que gosta de perto era também a realização de um sonho. “Todo mundo encarava como um trabalho mesmo, ‘tem que ir lá limpar o banco; tem que fazer hora extra; , tem que limpar o vestiário dos Leafs’ — que é um saco porque é todo de carpete, então passar o aspirador lá é fogo, e é gigante o vestiário -, mas pra mim era ‘que legal, vamo lá cara!’ Porque você entrar no gelo, ver os jogadores de perto assim, eu estava num sonho, e principalmente sendo (em Toronto).”

    A emoção, no entanto, quase custou sua vaga ainda na rodada de Qualifiers.

    “Deve ter sido o Jogo 4 de Leafs e Columbus Blue Jackets. (Tanto que Toronto estava) usando o vestiário dos Raptors, porque ele não era o mandante. Quando foi pro segundo período, eu estava lá porque eu estava limpando — quando eles saem do gelo tem que limpar porque fica cheio de gelo no chão e tem que passar um pano pra não ficar molhado. Quando eles estavam voltando eu falei um ‘vamo aê, pra cima dos caras, let’s go boys!’ E o Nylander até gritou também ‘yeah, let’s fucking go!’ (Eu respondi ainda) ‘yeah, man, let’s go!’ Eu comecei a bater na parede assim, não sei o que deu (risos).

    O momento de torcedor não durou muito, mas foi o suficiente para chamar a atenção de um oficial que estava por lá. “Ele falou ‘cara, você não pode fazer isso aqui. Vai que os jogadores estão concentrados e eles perdem a concentração e tropeçam e caem… eu não quero você aqui embaixo mais.’ Chegou meu supervisor, falou comigo e eu perguntei (se já podia ir embora.) Eu pensei que tinha sido demitido.”

    Por sorte, a fama de torcedor apaixonado salvou o emprego de nosso insider.

    “Aí falaram que eu era brasileiro, (que estava) acostumado com futebol.” Além disso,  o fato de que estava fazendo o seu melhor trabalho foi decisivo para que Jeff continuasse na equipe, afinal, ele queria participar de tudo que fosse possível. 

    “Tudo o que era escala que ninguém queria fazer eu me oferecia, porque eu queria estar lá. Então eles quiseram me manter e ‘passaram um pano’, mas quase que eu dancei.”

    A motivação “extra” na volta para o período final, entretanto, parece que surtiu efeito nos jogadores de Toronto. A equipe superou um déficit de três gols, vencendo no overtime e forçando o Jogo 5 na série.

    “Aquele jogo ninguém acreditava. Eu assisti ali embaixo, do lado dos zambonis, e foi uma festa lá, parecia que tinha ganhado a Stanley Cup,” ele lembrou. Infelizmente, o resultado não ecoou na partida seguinte, que resultou na eliminação do time da casa. “Não é fácil ser o fã do Leafs não, mas quando eu escolhi eu já sabia.”

    Só podemos imaginar se o resultado seria outro caso Jeff estivesse lá no Jogo 5 para oferecer algumas palavras de incentivo ao time.

    Um dos gols utilizados em partidas (Foto cortesia de Jefferson Mizuno)

    Com Toronto já fora da competição, e sem poder vibrar e comemorar ao lado do gelo, Jeff aproveitou um momento único para demonstrar sua torcida e lealdade a seu time, mesmo que em silêncio. “Eu dei uma encarada no Marchand, que era o meu sonho! Quando eu vi ele passando, os Bruins estavam voltando (do gelo), e eles tinham ganhado o jogo. Ele passou e eu olhei pra ele e dei uma encarada (risos).”

    Apesar da rivalidade, Boston foi uma equipe que marcou positivamente sua experiência na bolha. “O time dos Bruins é sensacional. Quando eles entram no gelo, arrepia. No vestiário, a gritaria que eles arrumam lá não é brincadeira. Eles começam a bater os sticks no chão, e o pessoal no outro vestiário escuta porque eles estão ali na porta. O vestiário dos Raptors e dos Leafs estão perto um do outro, então eles intimidam mesmo.” 

    Após um jogo entre Boston e Carolina no primeiro round, não foi o barulho feito pela equipe que surpreendeu Jeff, mas sim o tamanho de um jogador em particular. “(Os jogadores dos Bruins estavam) saindo, e a gente esperando pra limpar o vestiário. Eles estavam de terno e tudo, passando pelo pessoal. E eu me distraí, olhei pro outro lado, e quando eu olho de novo eu vejo, na minha altura, só uma bunda. Quando eu olho pra cima é o Chara! Ele é gigante, é impressionante a altura do cara.”

    Foram muitos momentos marcantes e experiências únicas que Jeff passou na bolha, mas suas memórias não foram tudo que ele levou de seu tempo trabalhando lá.

    “No começo, (os registros eram) totalmente liberado, podia tirar foto, podia assistir aos jogos,” Jeff contou sobre a liberdade que tinha para postar conteúdo de dentro da bolha. “Aí depois eles proibiram, proibiu foto, vídeo, só que eu continuei clandestinamente (risos) porque foi mais forte que eu.”

    O NHeLas e seus seguidores agradecem!

    E os souvenirs não ficaram restritos ao rolo da câmera. Pucks, sticks, entre outros objetos deixados para trás pelos times agora são parte da coleção pessoal de hockey memorabilia de Jeff. 

    “Estou redecorando a minha casa (risos). Eles estavam deixando tudo lá, principalmente quando foi acabando. Ficou muita coisa pra trás e, como a gente era da limpeza, ou joga fora ou pega. Sticks eu tenho um do Weber, e por sorte achei um inteiro, porque o cara quebra tudo com aqueles slapshots dele! Achei um sobrevivente,” Ele relatou, contente.

    Durante o segundo round, todos na bolha de Toronto se preparavam para encerrar as atividades por lá. Isso porque as Finais de Conferência e Final da Stanley Cup seriam disputadas todas em Edmonton. 

    Jeff sentiu que, como estava quase no fim do período de trabalho, os responsáveis e supervisores das equipes, e a própria NHL, estavam preocupados com os funcionários que tinham cada vez mais tempo livre, já que o número de equipes e jogos era reduzido a essa altura da competição. Isso resultou numa restrição das liberdades que os trabalhadores tinham lá dentro. 

    “Como estava acabando, eles ficaram com medo do pessoal relaxar. Antes tinha oito times e depois tinha dois só, então tinha bastante tempo vago. Começaram a ficar bem no nosso pé, mas a gente fez o nosso serviço lá direitinho. O que eles bateram na tecla mesmo foi para não assistir os jogos lá em cima mais, na arquibancada, acho que porque (pegaram um funcionário dormindo lá).

    “Mas deu certo, e no final foi muito legal também! Estava todo mundo muito orgulhoso e o pessoal da NHL, o tratamento que eles davam pra gente lá era sensacional, eles reconheciam ali que a gente estava na linha de frente.” 

    A liga de fato não poupou elogios e agradecimentos a todos os trabalhadores que possibilitaram a execução destes playoffs. Na série de vídeos produzidos durante os jogos, “Inside the Bubble”, esse sentimento fica bem claro.

    Já estamos a menos de 50 dias para uma possível data de início da nova temporada, no entanto a NHL ainda não confirmou detalhes sobre seus planos para 2021. Especula-se que os times voltem a jogar em suas respectivas arenas, sem fãs, e que o calendário vise reduzir o risco de exposição ao vírus para os jogadores.

    Cogita-se também realinhar as divisões de modo a trabalhar com as restrições de viagem entre Estados Unidos e Canadá, e ainda não foi descartada a possibilidade de bolhas em diferentes cidades, em um primeiro momento. É difícil prever a evolução da pandemia nos próximos meses, e a liga espera chegar à melhor solução para realizar uma temporada em segurança. 

    Sobre suas expectativas para a próxima temporada, Jeff afirmou que não sabe o que esperar, “mas provavelmente acho que eles vão manter o mesmo protocolo.” Uma coisa é certa, se houver outra oportunidade em Toronto de trabalhar dentro da bolha, a NHL pode contar com ele.

    “Com certeza! É muito legal ver as coisas acontecendo, eu sempre gostei dos bastidores, o por trás das câmeras. Você ver como funcionam as coisas, acho que a paixão pelo esporte só aumenta.”

  • O caso Mitchell Miller e o posicionamento dos Coyotes

    O caso Mitchell Miller e o posicionamento dos Coyotes

    Após um ano turbulento e repleto de remarcações em seu calendário, a NHL por fim realizou o Draft 2020. E como em todos os anos, o evento é visto pelos times como uma oportunidade de modificar seu roster. Tudo isso sempre com o objetivo final em mente: a conquista da Stanley Cup ao fim da temporada.

    Com o Arizona Coyotes não foi diferente. Já fazem alguns anos que a equipe vem passando por uma grande transição. Dessa forma, reforçar o time com novos talentos é essencial para se manter estável na temporada. Mas não se pode negar que a equipe de Arizona falhou ao selecionar Mitchell Miller no Draft, mesmo após conhecimento sobre suas ações, que vão contra todos os princípios que o time prega. 

    No entanto, após a polêmica ter gerado diversas críticas à sua conduta, os Yotes voltaram atrás e optaram por dispensar o futuro prospect. Assim, colocou-se em pauta novamente a discussão sobre o quão longe as equipes de hockey vão para escolher seus talentos, deixando para trás as promessas de serem aliados na mudança positiva da cultura do hockey. 

    O ocorrido

    Não é de hoje que o Arizona Coyotes tem passado por algumas turbulências. Entre trades, demissões e outros escândalos, o time tem tentado manter-se estável da melhor forma possível. Dessa forma, com a decaída drástica do desenvolvimento da equipe nos últimos anos, o Draft acaba sendo uma forma de reconstruir o time através de novos talentos. 

    Apesar das poucas escolhas no Draft 2020, devido a polêmica da violação das regras dos testes pré combine, a equipe manteve 5 dos seus draft picks. Tais quais foram distribuídos do round 4 ao 5. E após as análises feitas pelos scouts, o time deu início a sua participação no evento selecionando Mitchell Miller, um defensor dos programas de hockey juniores dos Estados Unidos.

    A princípio, a escolha fez sentido. Isso porque, para reconstruir a equipe, seria necessário também investir em defensores com potencial para colocar o time em jogo outra vez. Mas o que ninguém esperava era que, por trás de todo o talento, Miller possuía um passado repleto de ações vergonhosas. 

    Alguns dias após o Draft, o Arizona Central, versão virtual do jornal The Arizona Republic,  publicou uma matéria afirmando que, há quatro anos atrás, o possível futuro jogador dos Yotes havia sido condenado por cometer bullying, racismo e violência física contra um antigo colega de classe. 

    Entenda o caso

    Em 2016, Miller acabou admitindo seus atos em um tribunal juvenil de Ohio. Ele afirmou no julgamento que foi responsável por intimidar a vítima, Isaiah Meyer-Crothers, a lamber um doce que ele e outro menino haviam limpado em um mictório do banheiro da escola em que estudavam. Devido ao abuso, Isaiah precisou executar testes para hepatite, HIV e DSTs, mas felizmente, de acordo com relatório policial, todos tiveram o resultado negativo. Além disso, a própria vítima e outras testemunhas afirmaram que Miller insultou e agrediu Isaiah constantemente por anos, sempre dirigindo-se a ele através de termos racistas e ofensivos. 

    Miller e Hunter McKie, também responsável pelos atos, ficaram sob supervisão do Tribunal de Menores na época, sem ter qualquer tipo de contato com a vítima. Além disso, serviram 25 horas de serviço comunitário, pagaram as custas judiciais e deveriam escrever cartas de desculpas à vítima e à escola onde estudaram.

    Atualmente, devido a grande repercussão do caso, Miller se desculpou através de cartas oficiais com todos os times da NHL. No entanto, não demonstrou remorso ou vontade de oferecer um pedido de desculpa para aquele que mais sofreu com suas ações: Isaiah.

    As críticas por parte da comunidade do hockey

    Após as denúncias virem à tona, o Arizona Coyotes foi gravemente criticado pela mídia e por fãs por escolher Miller no Draft. E as coisas pioraram ainda mais para a equipe quando descobriu-se que os Yotes tinham total conhecimento das ações cometidas pelo futuro prospect

    As críticas foram feitas devida a controvérsia cometida pelo Arizona. Isso porque o time já afirmou diversas vezes sobre sua vontade e responsabilidade de contribuir para que a cultura do hockey mude de forma positiva. Ou seja, draftar Miller, tendo conhecimento de seus atos, vai contra todos os princípio que a nova gerência do time prega. 

    Ken Campbell, do Sports Illustrated, também questionou fortemente a decisão da equipe. Ele afirmou que, apesar dos Yotes terem tomado a decisão de draftar o jogador, era também bastante problemático que outros times também tivessem estudado a possibilidade fazer o mesmo:

    “Há justificadamente muita indignação lá fora com a publicação da história de hoje sobre Miller. E ao conversar com os olheiros, esta é uma história que é conhecida nos círculos do hockey há algum tempo. Na verdade, Miller foi elogiado por muitos pelo o que fez e por se posicionar. E enquanto os Coyotes estão sendo enterrados em uma avalanche de má imprensa por isso, o fato é que há muitas outras pessoas no mundo do hockey que estavam dispostas a permitir Miller em suas equipes e em suas organizações, mesmo após o ocorrido.”

    Os posicionamentos do Arizona

    Em um primeiro posicionamento oficial da equipe, feito através do CEO do time, Xavier Gutierrez, o Arizona Coyotes tentou justificar o porque seria importante ter Miller no time.

    “Nossa missão fundamental é garantir um ambiente seguro – seja nas escolas, em nossa comunidade, nas pistas de gelo ou no local de trabalho – livre de bullying e racismo. Quando soubemos da história de Mitchell, teria sido fácil para nós demiti-lo – muitas equipes o fizeram.  Em vez disso, sentimos que era nossa responsabilidade fazer parte da solução de uma maneira real – não apenas dizendo e fazendo as coisas certas nós mesmos, mas garantindo que os outros também sejam”, diz o comunicado.

    Gutierrez ainda continuou dizendo que, de acordo com as políticas do time em relação à inclusão e diversidade, eles acreditam que estão “na melhor posição para orientar Mitchell a se tornar um líder para esta causa e prevenir o bullying e o racismo agora e no futuro.”  O CEO da equipe finalizou o comunicado afirmando que gostaria de fornecer a Miller os recursos necessários para sua mudança e crescimento.

    “Como organização, deixamos nossas expectativas muito claras para ele. Estamos dispostos a trabalhar com Mitchell e colocar no tempo, esforço e energia e fornecer-lhe os recursos e plataforma necessários para enfrentar o bullying e o racismo. Isto não é uma história sobre desculpas ou justificativas.  É uma história sobre reflexão, crescimento e impacto na comunidade. Um verdadeiro líder encontra maneiras de cada pessoa contribuir para a solução.  Todos nós precisamos ser parte da solução.”

    No entanto, mesmo com o pronunciamento e justificativa, a equipe de Arizona continuou sendo duramente criticada pela decisão. Principalmente após o relato da família de Isaiah, afirmando que o futuro prospect nunca se desculpou pessoalmente por todo o trauma que causou a vítima. 

    “Todo mundo acha que ele é tão legal por ir para a NHL, mas eu não vejo como alguém pode ser legal quando você implica com uma pessoa e a intimida a vida toda”, afirmou Isaiah ao Arizona Central.

    Após algumas conversas com a família Meyer-Crothers, e melhor entendimento sobre a situação, o Arizona por fim mudou seu o posicionamento. Assim, através de um comunicado oficial feito na quarta feira (29), afirmou que a melhor escolha para o time foi romper vínculos com Mitchell Miller.

    “Decidimos renunciar aos direitos de Mitchell Miller, com efeito imediato”, confirmou Xavier Gutierrez. O CEO ainda disse que o time não tolera esse comportamento, mas que sua intenção inicial era fazer que Mitchell se tornasse responsável pelos seus atos e aprendesse com eles.

    “Antes de selecionar Mitchell no Draft da NHL, estávamos cientes de que um incidente de bullying ocorreu em 2016. Não toleramos esse tipo de comportamento. Mas abraçamos isso como um momento de ensino para trabalhar com Mitchell para torná-lo responsável por suas ações e dar-lhe uma oportunidade de ser um líder em esforços anti-bullying e antirracismo. Aprendemos mais sobre todo o assunto, e mais importante, o impacto que teve em Isaiah e na família Meyer-Crothers. O que aprendemos não está alinhado com os valores fundamentais e visão de nossa organização e leva à nossa decisão de renunciar aos nossos direitos.”

    Chayka finalizou o comunicado dizendo que “Em nome da propriedade Arizona Coyotes e de toda a nossa organização, gostaria de pedir desculpas a Isaiah e à família Meyer-Crothers. Estamos construindo uma franquia modelo dentro e fora do gelo. Por isso, faremos a coisa certa para Isaiah e a família Meyer-Crothers, nossos fãs e nossos parceiros. O Sr. Miller agora é um agente livre e pode perseguir seu sonho de se tornar um jogador da NHL em outro lugar.”

    “Existe uma vítima aqui fora”

    Muitos costumam ter em seus pensamentos o antigo ditado “garotos sempre serão garotos” para justificar certas ações. Em muitos casos, os atos de ódio e violência acabam sendo ignorados pois, na visão dessas pessoas, tudo pode ser justificado com a frase acima.

    E, assim, esses mesmos indivíduos acabam anulando o sofrimento e traumas que as vítimas ainda enfrentam ou terão de enfrentar pelo resto de suas vidas. Isaiah é apenas um dos muitos adolescentes que precisam lidar com os comentários de que o que aconteceu com ele não passou de apenas uma brincadeira entre colegas. 

    Em nota direcionada ao Arizona Coyotes, a mãe de Isaiah, Joni Meyer-Crothers, afirma que o fato de o time ter escolhido alguém que nunca se desculpou com seu filho pelo trauma acometido era humilhante. 

    “Eu respeito a afirmação que ele enviou cartas de desculpa para todas as equipes da NHL. Mas não faria sentido se ele verdadeiramente sentisse remorso para enviar uma carta para o garoto que ele brutalmente intimidou tanto mentalmente quanto fisicamente? É uma surpresa que ele tenha enviado a todas as equipes da NHL uma carta, porque isso era para o seu próprio bem? Por mais que torçamos para que Mitchell eventualmente veja o dano que cometeu ao nosso filho, não vimos nenhum remorso. Mais uma vez, o incidente que continuou ao longo dos anos prejudicou [Isaiah] mentalmente de maneira significativa e sua organização está mais preocupada com Mitchell e seu sucesso no hockey. Na minha opinião, isso é fazer parte do problema. Há uma vítima lá fora que estava e ainda está nas mãos de sua 111ª escolha.”

    O Arizona Coyotes possui grandes ideais que afirmam o quanto o time se importa com a diversidade no hockey. E em tempos como os que vivemos atualmente, a decisão do time em liberar Miller é muito importante. Mesmo tendo sido feita sob pressão, ela prova que a equipe ainda se importa com melhorias positivas na comunidade do hockey. 

    Muitos questionaram sobre o quanto a decisão afetaria a carreira de Miller. Mas e a vida de Isaiah? Porquê a preocupação com a vítima sempre acaba sendo colocada em segundo lugar em casos como esses?

    A resposta é simples: o preconceito ainda não é visto como um problema por muitos. Mas deveria. É uma problemática séria demais para ser tratada com tanto descaso. Muitos na comunidade do hockey entendem isso. Agora é necessário que os demais também entendam e façam sua parte. 

    O que resta fazer é torcer para que comportamentos como os de Miller sejam cada vez mais escassos para que pessoas como Isaiah não sofram com o trauma pelo resto de suas vidas. E se a comunidade do hockey passar a se posicionar como os Coyotes em outras ocasiões, em algum momento a mudança vem, mesmo que devagar. 

    Foto: Reprodução/Matt Kartozian-USA Today