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  • Uma resposta à guerra na Ucrânia

    Uma resposta à guerra na Ucrânia

    O assunto do momento, aquele do qual não podemos escapar por nada neste mundo, é a guerra na Ucrânia. Desde que as forças russas invadiram o território ucraniano no dia 24 de fevereiro, o que configura uma violação do direito internacional, os olhares do mundo se voltaram para o Leste Europeu. 

    Muito embora as ofensivas russas já tivessem ocorrido anteriormente, quando o exército de Vladimir Putin adentrou a região da Crimeia, as novas tentativas de subjugar a soberania da Ucrânia tiveram uma resposta bem diferente desta vez. O seu impacto foi sentido na economia, na política e, é claro, nos esportes

    Uma questão de dinheiro

    O resultado político do conflito reverberou na escalada das sanções contra o governo russo, em especial ao presidente do país e seu grupo de oligarcas. Com isso, as movimentações financeiras envolvendo dinheiro russo foram bloqueadas, como, por exemplo, através da exclusão da Rússia no SWIFT, mecanismo de pagamentos internacionais. Até mesmo países que historicamente não costumam se posicionar em situações de conflito, como a Suíça, adotaram essas medidas. 

    Um resultado imediato do efeito financeiro das sanções, especialmente em relação aos oligarcas próximos ao presidente russo, foi a do Chelsea FC. O proprietário do clube inglês é o oligarca russo Roman Abramovich, que adquiriu o time de Londres há quase 20 anos e foi parte fundamental no estabelecimento dos Blues como uma das potências do futebol internacional. Abramovich primeiramente tentou transferir o comando da equipe para um fundo beneficente, mas com a escalada das sanções o russo finalmente colocou o clube à venda, mostrando que os oligarcas de fato estão sentindo os efeitos das medidas.

    O efeito nos esportes

    A questão financeira e o clamor do público repercutiram no esporte mundial. A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) cancelou seu contrato com os organizadores do Grande Prêmio da Rússia, que normalmente ocorre em Sochi. Ainda nos esportes automobilísticos, a equipe de Fórmula 1 Haas cortou vínculo com seu maior patrocinador, a empresa russa Uralkali, comandada pelo oligarca Dimitri Mazepin. O time ainda demitiu seu piloto russo, Nikita Mazepin, filho do ex-patrocinador. 

    No futebol, a FIFA retirou a Rússia das eliminatórias da Copa do Catar depois de diversas manifestações das federações da Polônia, Suécia e Chéquia afirmando que se recusariam a jogar contra os russos. Ainda assim, a manda-chuva do futebol só excluiu a seleção russa após forte pressão da comunidade do futebol internacional. Já no vôlei, a Rússia deixará de ser sede do próximo mundial, que ocorreria em agosto, e os times do país foram suspensos de torneios internacionais

    Na patinação no gelo, russos e bielorrussos foram impedidos de competir internacionalmente por tempo indeterminado. A mesma punição também ocorreu em esportes como atletismo, basquete e até mesmo alguns torneios de tênis. Neste último caso, é importante lembrarmos que o atual número 1 do mundo no esporte é um russo, o tenista Daniil Medvedev. 

    Mas e o hockey?

    A Federação Internacional do Hockey no Gelo (IIHF, sigla em inglês) anunciou no dia 28 de fevereiro que as federações da Rússia e de Belarus não participarão de nenhuma das suas competições neste ano. Além disso, o World Junior Championship de 2023 deixará de ser em território russo e não contará com as equipes russas e bielorrussas. Entretanto, o calendário da federação ainda conta com São Petersburgo como a sede do mundial masculino de hockey de 2023.

    Na Kontinental Hockey League (KHL), equipes como a finlandesa Jokerit e a letã Dinamo Riga desistiram da competição após a invasão russa. O Jokerit abriu mão de jogar os playoffs da Gagarin Cup, para os quais já estava classificado. Atualmente as únicas equipes não russas na KHL são o Barys Nur-Sultan do Cazaquistão, o Dinamo Minsk de Belarus e o Kunlun Red Star da China. 

    Além disso, atletas de outros países tiveram pressa para deixar os clubes que defendiam na Rússia, inclusive ex-jogadores da NHL. Dentre eles Markus Granlund, Geoff Platt, Nick Shore, Kenny Agostino e Shane Price, dentre outros. A NHL anunciou ontem que suspendeu suas negociações com a KHL e informou aos seus clubes que eles deveriam cortar quaisquer comunicações com agências e organizações baseadas na Rússia

    Os reflexos na nova geração de jogadores

    A atual situação geopolítica terá impacto desde aos possíveis contratos de jovens russos que já foram draftados até aqueles que são apenas prospects. Na primeira hipótese, a falta de comunicação e o rompimento de conversas e negociações entre a NHL e seus clubes em relação à KHL e suas respectivas equipes tornará eventuais negociações e mudanças ainda mais difíceis. Pense na forma como Evgeni Malkin deixou a equipe que o formou para ir para Pittsburgh e multiplique isso pelo impacto causado pelo conflito atual.

    Entretanto, quando o agente Dan Milstein anunciou que a Canadian Hockey League (CHL) tinha como objetivo banir do import draft aqueles atletas que eram russos ou bielorrussos, fomos confrontados com uma discussão importante. Até que ponto atletas, neste caso de adolescentes de 16 e 17 anos, podem ser punidos pelas atitudes daqueles, homens adultos sexagenários, que governam seus países?

    Milstein é agente de atletas russos importantes na NHL, como Andrei Vasilevskiy e Nikita Kucherov do Tampa Bay Lightning. A CHL não anunciou publicamente que não consideraria russos e bielorrussos no import draft deste ano, mas cancelou a série entre Canadá e Rússia que ocorreria neste ano. Acerca do import draft, o órgão canadense informou que anunciaria o formato do draft de estrangeiros posteriormente. Além disso, a ESPN+ anunciou que não irá transmitir os playoffs da KHL. 

    Ovechkin e seus laços com o Kremlin

    O capitão e principal jogador do Washington Capitals é uma estrela na capital americana, mas seu brilho é ainda maior na sua terra natal, a Rússia. Um dos principais nomes do esporte russo em geral, Alexander Ovechkin é o grande jogador de uma geração vitoriosa do esporte favorito do presidente Vladimir Putin. O jogador externaliza seu apoio pelo presidente russo há muito tempo, inclusive através de postagens em suas redes sociais.

    Quando a Rússia ocupou e posteriormente anexou a região da Crimeia em 2014, por exemplo, Ovechkin fez um post onde pedia para que as crianças ucranianas fossem salvas do fascismo. O entusiasmo de Ovechkin para com o seu presidente também apareceu na iniciativa de 2017, o Putin Team, do qual faziam parte outros jogadores como Evgeni Malkin e Ilya Kovalchuk, além de outras personalidades russas. De acordo com o Kremlin, o Putin Team não foi criado por Ovechkin.

    Mas o ativismo político do atleta vai além de sua persona pública. Em 2016, quando Ovechkin se casou com Anastasia Shubskaya, filha do oligarca Kirill Shubsky, o casal recebeu um presente de casamento de Putin. O relacionamento próximo do jogador com Putin não é nenhuma novidade, com Ovechkin inclusive afirmando que tem o número de telefone do líder de seu país. 

    Após a invasão russa à Ucrânia, Ovechkin foi questionado sobre o conflito, mas não elaborou muito além de um comentário evasivo sobre paz. Um comercial popular de Ovechkin com seu companheiro de equipe Nicklas Backstrom foi retirado de circulação. Além disso, a empresa de materiais esportivos CCM tirou os materiais promocionais que incluíam o capitão dos Caps e outros jogadores russos.

    Os demais jogadores russos

    Muito embora uma grande parcela da discussão se centre em Ovechkin e sua relação próxima com o presidente russo, ele não é o único representante da Rússia. A NHL possui 41 jogadores russos atualmente, espalhados em vários de seus times. O único atleta a se manifestar publicamente, além do próprio Ovechkin, foi o defensor Nikita Zadorov, do Calgary Flames. Zadorov fez um post no seu Instagram pedindo um fim à guerra.

    O vocabulário utilizado por Zadorov chamou a atenção, já que o nome oficial dado pelo governo russo à invasão é “Operação Especial”. Além disso, foi aprovada uma lei no país que determina uma pena de até 15 anos de prisão para quem usar expressões como “guerra” ou “invasão” para se referir ao conflito na Ucrânia. Desta forma, Zadorov pode passar a ser boicotado pela federação em eventos futuros, além de correr riscos se retornar ao seu próprio país. 

    Nem mesmo atletas como Artemi Panarin, que já havia tecido críticas ferrenhas a Putin e demonstrado apoio ao principal opositor do presidente, Alexei Navalny, se manifestaram. A resposta do Kremlin às críticas resultou em um afastamento provisório do jogador do New York Rangers, depois que ele foi acusado de cometer atos de violência contra uma mulher quando ainda jogava na KHL. Quanto à invasão na Ucrânia, Panarin manteve o silêncio.

    Algumas considerações finais

    Por serem cidadãos de um governo opressor como o da Rússia, onde pessoas são presas e até mortas por se manifestarem contra o Kremlin, é compreensível que muitos desses atletas prefiram o silêncio. De acordo com Milstein, que é agente de muitos dos russos na NHL, seus clientes estão sendo alvo de mensagens xenofóbicas tanto nas redes sociais quanto ao vivo. Milstein é ucraniano e se mudou do país com o fim da União Soviética, no início dos anos 90. 

    Milstein delineou com clareza o porquê da grande maioria dos russos se manterem em silêncio. Por serem figuras públicas, qualquer comentário negativo sobre o governo russo chamaria a atenção do Kremlin. Entretanto, a grande maioria destes jogadores deixaram suas famílias para trás na Rússia e ser abertamente contrário a um regime autoritário poderia significar colocar seus entes queridos em perigo

    Na última newsletter Hockey With Love, a (nossa amiga pessoal) Gaby foi certeira ao apontar o quão intrínseca a xenofobia é dentro do mundo do hockey. Afinal, ela nos pergunta, por que exigimos um posicionamento apenas dos jogadores russos? Ninguém pergunta aos jogadores canadenses (brancos) a sua opinião sobre as violações de direitos indígenas no Canadá, tampouco aos americanos que já visitaram a Casa Branca sobre a agenda política dos presidentes que a ocupavam. Os demais europeus, como os suecos e dinamarqueses, também não são questionados sobre a situação dos direitos humanos em seus países

    Muitas vezes, porque vivemos, em teoria, em uma democracia liberal com a nossa liberdade de expressão salvaguardada pelo, supostamente, porto seguro do Estado democrático de direito, perdemos o parâmetro de como os governos opressores operam. Aqueles que estão, dia após dia, em público protestando contra essa guerra nas ruas de Moscou, São Petersburgo e demais cidades russas são pessoas extremamente corajosas. Mas, com a integridade física de sua família na linha, você poderia afirmar com convicção que teria coragem para fazer o mesmo? 

     

    Foto: reprodução/eurosport.com

  • Surtos de COVID adiantam pausa de Natal e encerram o sonho olímpico da NHL

    Surtos de COVID adiantam pausa de Natal e encerram o sonho olímpico da NHL

    Com a variante omicron se espalhando rapidamente pela Europa, bem como pela América do Norte e o resto do mundo, a situação na NHL não poderia ser diferente. Em dezembro equipes como o Colorado Avalanche, o Calgary Flames e o Florida Panthers foram obrigadas a pausarem as suas atividades devido a surtos de COVID em integrantes das organizações, sejam eles jogadores, da comissão técnica ou demais funcionários. 

    A pausa dos jogos

    Como consequência, em 18 de dezembro a NHL estabeleceu um novo protocolo de COVID, mais restritivo e até então previsto de ser revisto em janeiro. As medidas constatadas no novo protocolo incluíam testagem diária, medidas de isolamento social e restrições de circulação para os jogadores quando eles não estiverem em casa, no hotel ou no gelo. 

    Entretanto, os surtos não pararam. Apenas na segunda quinzena de dezembro, a NHL pausou as atividades de Columbus Blue Jackets, Montreal Canadiens, Boston Bruins, Nashville Predators, Detroit Red Wings e Toronto Maple Leafs, além dos já citados Avalanche, Flames e Panthers. 

    Em razãp do alastramento da doença nas equipes e o decorrente adiamento de diversos dias de partidas, na segunda-feira dia 20 de dezembro a Liga anunciou que interromperia a temporada dois dias antes da data planejada para a pausa de Natal. De acordo com o planejado, os jogos irão retornar no dia 27 de dezembro. 

    É importante lembrar que a NHL teve uma adesão altíssima à vacinação. Apenas um único jogador, o canadense Tyler Bertuzzi do Detroit Red Wings, persistiu em recusar o imunizante. 

    O fim do sonho olímpico

    O alto número de adiamentos em decorrência dos surtos de COVID nos times resultou em uma notícia muito triste para os atletas que sonhavam com Pequim 2022. Devido às diversas infecções em muitas equipes diferentes, a NHL decidiu abrir mão de liberar seus jogadores para a competição internacional.

    A promessa, incluída no último acordo coletivo, envolvia uma condição que estipulava que uma eventual participação não poderia prejudicar a temporada da Liga. Desta forma, a NHL pretende usar as semanas correspondentes à pausa olímpica para fazer as partidas adiadas.

    O capitão da seleção canadense na última conquista de ouro para o país, Sidney Crosby, falou sobre estar desapontado com a situação. Em declaração durante essa semana, Crosby falou sobre a situação de jogadores importantes que ainda não tiveram a oportunidade de defender seus países na competição. 

    Nomes como Connor McDavid e Nathan MacKinnon no Canadá, Auston Matthews nos Estados Unidos e Leon Draisaitl na Alemanha, são estrelas na NHL mas ainda não disputaram Olimpíadas. Para eles, Milão-Cortina 2026 ainda é uma opção. Por outro lado, Crosby pode não ter a mesma sorte, já que “Sid the Kid” terá 38 anos quando os próximos jogos acontecerem. 

     

    Foto: Reprodução/Japan Times

  • GM dos Ducks afastado após denúncias

    GM dos Ducks afastado após denúncias

    Pelo visto a NHL resolveu aproveitar o momento e lavar toda a roupa suja nos setores administrativos dos times. Dessa vez, o Anaheim Ducks anunciou na última terça-feira (9) que afastou o General Manager e vice-presidente executivo Bob Murray de seu cargo. Em nota, o time afirmou que o motivo do afastamento foi acusações de conduta profissional imprópria, e que convocaram a firma Sheppard Mullin para realizar uma investigação independente. Assim, o clube colocou Bob Murray em licença administrativa e alocou Jeff Solomon como GM interino.

    Aparentemente não foi um evento isolado que fez os Ducks tomarem essa decisão. Uma fonte veio a público denunciar o que ele chamou de “cultura abusiva” com os funcionários. Inicialmente, a reclamação foi sobre abuso verbal. Ainda não há novas informações sobre o caso, mas após as primeiras entrevistas já haviam evidências o suficiente que Murray não estava apto para o cargo. O time também anunciou que só terão mais informações após o final das investigações. 

    Ainda que de forma tímida, após os eventos envolvendo o Blackhawks, os times da NHL estão começando a olhar para suas equipes internas e eliminar problemas que possam vir a surgir. A liga havia enviado um comunicado aos clubes no dia 28 de outubro, reforçando a necessidade de reportar qualquer conduta imprópria e como fazê-lo. Anaheim não foi o primeiro e, com certeza, não será o único time a denunciar comportamentos abusivos dentro da sua equipe. Por fim, cabe ao fã do hockey assistir de camarote o desenrolar de mais uma história envolvendo a “cultura abusiva” no esporte. 

    Foto: Reprodução NHL.com

  • Jack Eichel é trocado para Vegas

    Jack Eichel é trocado para Vegas

    Na última quinta-feira (04) Jack Eichel finalmente foi trocado pelo Buffalo Sabres e já se encaminha para seu novo time da NHL. O drama de Eichel se aproxima de seu desfecho, dessa vez com um capítulo muito bem vindo pelo jogador. Isso porque, após meses de insatisfação e incertezas, o center se tornou o mais novo morador de Las Vegas. Além de Eichel, o Vegas Golden Knights recebe uma escolha da terceira rodada do draft de 2023. Enquanto isso, o time de Buffalo recebe uma escolha da primeira rodada do draft de 2022, uma escolha na segunda rodada do draft de 2023, além dos atacantes Peyton Krebs e Alex Tuch.

    Tudo começou ainda no dia 7 de março, quando em uma partida contra o New York Islanders o jogador teve uma hérnia de disco no pescoço. Alguns dias depois, Jack procurou um especialista independente, que então sugeriu algo inédito para um jogador: uma substituição artificial de disco.

    A partir desta data se iniciou a saga de Jack, já que os Sabres não diziam ao certo qual seria seu destino. Posteriormente, em abril, o time então determinou que o center ficaria de fora pelo resto da temporada e retornaria para a temporada 2021-22. Isso porque ambas as partes não concordavam quanto ao tratamento a ser seguido. 

    Com a temporada seguinte prestes a começar, a situação de Eichel foi tomando proporções maiores, em setembro deste ano o jogador não passou nos testes físicos e perdeu o seu título de capitão. Assim iniciando a corrida midiática para descobrir qual seria a sua nova equipe.

    O novo time do jogador inclusive já anunciou ser a favor da cirurgia de Eichel. Agora com a história se finalizando, o norte americano terá sua nova equipe cobrindo o seu contrato de oito anos e 80 milhões de dólares. O jogador está atualmente em seu sétimo ano na NHL e no quarto ano deste seu último contrato assinado.

    Foto: Reprodução / thedailygoalhorn.com

  • Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    O mundo do hockey está bem atento com as acusações e repercussão do caso de Kyle Beach divulgado na última semana. Na sexta-feira (29) a TSN soltou uma notícia na qual Kyle afirma que o diretor executivo da NHLPA, Don Fehr, não alertou a USA Hockey, órgão nacional responsável pelo esporte, sobre as acusações contra Brad Aldrich.

    Em 2011, durante o Campeonato Mundial Feminino Sub-18, o agente Ross Gurney afirmou que contatou Fehr com uma acusação séria contra o ex-técnico de vídeo do Chicago Blackhawks, Brad Aldrich. Gurney informou que seu cliente Kyle Beach fora abusado sexualmente por Aldrich. Assim, ele esperava que a USA Hockey fosse alertada sobre a ocorrência deste ato violento. 

    “Meu objetivo ao ligar para a PA foi de alertar a USA Hockey”, disse Gurney. “Isso é o que eu fui orientado a fazer pelo Kyle.”

    Com a chance dessa história estourar na mídia, Beach foi encaminhado para o psicólogo e administrador do Programa de Assistência ao Jogador da NHL/NHLPA, Dr. Brian Shaw. Ele teria saído da consulta garantido de que a USA Hockey saberia que Aldrich é um predador sexual, afinal ele trabalhou na equipe dos EUA durante o Campeonato Sub-18 de 2011. O certo, pelo menos, era investigar as acusações de cunho tão sério.

    Aparentemente essa “promessa” de alertar a equipe americana foi somente uma forma de abafar o caso e calar Kyle. Após este ocorrido, o jogador não recebeu mais suporte nenhum da NHLPA. Kyle fez questão de frisar que, se Don Fehr e o Dr. Shaw tivessem feito “o que deveriam fazer, então aquele adolescente de Michigan provavelmente não seria abusado sexualmente”.

    Para quem não sabe, Aldrich foi autorizado a se demitir dos Blackhawks no verão de 2010, e ele passou a ser técnico de Hockey em Houghton, Michigan. Em 2013, ele foi condenado por agredir sexualmente um jogador de 16 anos de seu time e condenado a nove meses de prisão (isso mesmo caro leitor, somente nove meses de prisão) e 60 meses de liberdade condicional.

    Ainda falando sobre a responsabilidade do D.E. Don Fehr, Gurney lembrou em sua entrevista que Fehr respondeu que “conhecia pessoas no USA Hockey, que a NHLPA investigaria a situação e que a NHLPA poderia oferecer todo suporte necessário.”

    Com o assunto explodindo na mídia na quarta-feira passada (27), Dom soltou um comunicado onde afirma que mandou Kyle Beach para o Dr. Shaw em 2010 e que o sistema falhou em dar suporte e apoiar Beach em seu momento vulnerável e de necessidade. Ainda afirmou que como o jogador comunicou o ocorrido a um dos médicos da NHLPA, e mesmo sendo um programa confidencial entre jogador e médico, uma atitude por parte da entidade NHLPA deveria ter existido, mostrando assim que fracassaram em tentar resolver esta situação.

    Esta declaração só expôs como um assunto sério foi deixado de lado em meio a um esporte que já é considerado extremamente machista. Agora que a NHLPA acordou em meio a estas acusações, esperamos que atitudes sejam tomadas e que a Liga desenvolva programas que realmente possam ajudar todas estas vítimas que passam por situações parecidas e ainda não conseguiram fazer com que suas vozes fossem ouvidas.

     

    Ontem (01) no fim do dia a NHLPA soltou uma nota na qual Don Fehr recomendou uma investigação independente. Esta, segundo a nota, seria iniciada por um advogado externo para revisar a resposta da NHLPA ao caso de Beach.

    Para finalizar, depois de contar sua história em rede nacional na semana passada, Kyle pediu para que Don Fehr fosse demitido de seu cargo na NHLPA.

    Nas palavras de Beach, “não sei como ele pôde estar no comando se é isso que ele vai fazer quando um jogador vier até você e lhe contar algo, seja abuso, seja drogas, seja qualquer coisa. Ele deveria proteger os jogadores e eu sei que ele não me protegeu”.

     

    Foto: Reprodução/mystateline.com

  • Kyle Beach e a negligência da NHL

    Kyle Beach e a negligência da NHL

    Alerta: Este texto contém conteúdo sensível sobre abuso sexual. O NHeLas considera parte da sua responsabilidade jornalística trazer para nossos leitores, em português, o relato de Kyle Beach e o escândalo de abuso sexual envolvendo o Chicago Blackhawks.

    Na última quarta-feira (27), o atleta sobrevivente do escândalo de abuso sexual no Chicago Blackhawks em 2010, até então identificado como John Doe no processo contra seu ex-time, revelou sua identidade. Kyle Beach teve no programa da TSN (Canadá), SportsCentre, espaço para falar sobre o caso publicamente pela primeira vez em onze anos.

    Em maio deste ano, o jogador entrou com um processo contra o Blackhawks alegando que ele e mais um ex-membro do elenco do vencedor da Stanley Cup de 2010 haviam sido abusados sexualmente por Brad Aldrich, então técnico de vídeo da equipe.  

    O ato contra Beach teria acontecido em San Jose, quando a equipe de Chicago viajou diretamente para a cidade após a vitória no segundo round sobre o Vancouver Canucks. O time teve quatro dias de folga antes do início da série seguinte.

    Segundo as conclusões da investigação, o jogador denunciou as ações de Aldrich para Paul Vincent, na época skills coach, pouco antes do início da Final da Conferência Oeste. Vincent levou o caso para o Presidente do time John McDonough, o GM Stan Bowman, o Vice-Presidente de Operções Al MacIsaac e o técnico de habilidades mentais James Gary. Vincent declarou publicamente em reportagens da TSN desde a abertura do processo que alertou os líderes do time na época que eles deveriam preencher uma denúncia junto à polícia de Chicago. A sugestão, no entanto, foi fortemente refutada. 

    Um segundo processo contra os Blackhawks, este por John Doe 2, acusa a organização de ter dado boas referências de Aldrich a futuros empregadores após sua demissão. Dentre essas organizações, uma equipe de ensino médio contratou Aldrich para trabalhar na equipe técnica. Em 2014, Aldrich cumpriu 9 meses de prisão por ter cometido crimes sexuais contra estudantes entre 16 e 18 anos. John Doe 2 estava entre suas vítimas. Hoje, ele está listado como um criminoso sexual registrado no estado de Michigan.

    A entrevista completa de Kyle Beach para a TSN pode ser lida em inglês. Alguns trechos e falas do jogador estarão presentes neste texto.

    Posicionamento oficial da NHL

    Após as atualizações sobre o caso, Gary Bettman, comissário da NHL, publicou uma declaração nas redes sociais da Liga. É a primeira vez que Bettman fala publicamente sobre o caso e, ainda assim, apenas endossou a decisão do Florida Panthers em desligar Joel Quenneville, técnico dos Blackhawks em 2010, após ficar claro seu envolvimento no caso.

    A tradução:

    “A National Hockey League concorda com a decisão desta noite por Joel Quenneville para renunciar às suas funções como treinador principal do Florida Panthers. Em seu antigo papel como treinador principal do Chicago Blackhawks, o Sr. Quenneville estava entre vários ex-membros da liderança sênior do grupo que lidou mal com a denúncia de assédio sexual em 2010 do ex-jogador Kyle Beach contra o então técnico de vídeo do clube, Brad Aldrich. E, após uma reunião com o Sr. Quenneville, que ocorreu nesta tarde em meu escritório, todas as partes concordaram que não era mais apropriado que ele continuasse a servir como treinador principal de Florida.

    “Eu admiro Kyle Beach por sua coragem em se apresentar, estou chocado que ele foi tão mal apoiado ao fazer sua afirmação inicial e então os 11 anos que se seguiram, e sinto muito por tudo o que ele suportou.

    “Agradecemos à organização dos Panthers por trabalhar conosco para garantir que um processo minucioso fosse seguido. Dado o resultado, não há necessidade de qualquer ação adicional por parte da NHL em relação ao Sr. Quenneville desta vez. No entanto, se ele desejar entrar novamente na Liga em alguma capacidade no futuro, exigirei uma reunião com ele com antecedência a fim de determinar as condições apropriadas sob as quais tais novos empregos possam ocorrer.”

    O trecho que mais chama atenção é o final. Apesar da declaração afirmar que os Panthers tomaram a decisão correta, no final Bettman deixa claro que a Liga não fechou as portas para Quenneville. Mais uma vez, levanta-se o questionamento de quem a NHL de fato quer proteger: seus jogadores, especialmente os mais jovens, ou nomes antigos que continuam, repetidamente, se envolvendo em polêmicas na Liga. 

    Mas esta não foi a única declaração publicada pela NHL. Outro nome envolvido no processo foi o de Kevin Cheveldayoff. Na época, o atual GM dos Jets era GM Assistente de Chicago e, apesar de ter estado presente na reunião sobre o caso de Beach em maio de 2010, a Liga entendeu que não era responsabilidade dele decidir qual seria a forma correta de lidar com a denúncia. 

    Assim, a NHL soltou na última sexta-feira (30) uma nota sobre Cheveldayoff, decidindo que, após as investigações, e uma conversa com Gary Bettman, o comissário entendeu que ele não fazia parte dos líderes e não cabia a ele a decisão.

    Abaixo, um trecho traduzido da nota oficial da NHL sobre Kevin Cheveldayoff.

    “Como está no relatório da Jenner & Block, a análise subsequente da Liga esta semana e a entrevista de hoje com Cheveldayoff deixam claro a participação de Cheveldayoff em 23 de maio de 2010, a reunião envolvendo líderes seniores da equipe de administração dos Blackhawks foi extremamente limitada em escopo e conteúdo. Na verdade, durante a investigação, a maioria dos participantes da reunião de 23 de maio não se lembrava inicialmente de que Cheveldayoff estava mesmo presente.

    “Como GM Assistente na época, Cheveldayoff, que se reportava diretamente a Stan Bowman, era o oficial do Clube com a classificação mais baixa na sala, e sua posição não incluía responsabilidades de supervisão sobre a equipe técnica do clube. Ele foi um dos últimos a ser incluído na reunião; ele descobriu sobre o  assunto pela primeira vez na presença de seu chefe (o então GM Stan Bowman), o chefe de seu chefe (então CEO John McDonough) e o treinador principal (Joel  Quenneville); quem era o superior direto de Brad Aldrich; ele tinha familiaridade limitada com o pessoal envolvido; e ele era essencialmente um observador do discussão de possíveis próximos passos, cuja discussão, aparentemente, terminou com Cheveldayoff acreditando que o assunto seria investigado.”

    Frente aos novos relatórios da Jenner & Block, contratada do próprio Chicago Blackhawks para conduzir uma investigação independente, também nesta semana, Stan Bowman renunciou à posição de GM em Chicago. Bowman declarou que sua decisão veio após entender que ele não deveria ser uma distração para o time. Em uma declaração publicada pelos Hawks, Bowman tira de si mesmo a responsabilidade por não ter dado a devida atenção para a denúncia, como podemos ler no trecho traduzido abaixo.

    “Onze anos atrás, quando atuava em meu primeiro ano como gerente geral, fui alertado sobre um possível comportamento inadequado de um treinador de vídeo que envolvia um jogador. Comuniquei prontamente o assunto ao então presidente e CEO, que se comprometeu a cuidar do assunto. Fiquei sabendo este ano que o comportamento impróprio envolvia uma grave denúncia de agressão sexual. Eu confiei na orientação de meu superior para que ele tomasse as medidas adequadas. Olhando para trás, agora sabendo que ele não lidou com o assunto prontamente, lamento presumir que ele o faria.”

    Na última quinta-feira (28), Rocky Wirtz, dono do Chicago Blackhawks, enviou uma carta ao Hockey Hall of Fame solicitando que o nome de Brad Aldrich fosse removido da Stanley Cup. No documento, Wirtz deixa implícito que a organização sabia das denúncias e que elas foram o motivo do desligamento do técnico ainda em 2010. Entretanto, Wirtz também assume a responsabilidade do clube não ter agido de forma correta na época.

    Por fim, a declaração oficial do Chicago Blackhawks em seu perfil no Twitter publicada na quarta-feira (27) se desculpa com Kyle Beach por não ter buscado as ações necessárias frente à denúncia, e anuncia que o clube está promovendo mudanças na organização, incluindo uma nova equipe frente executiva e de liderança.

    “Em primeiro lugar, gostaríamos de reconhecer e elogiar a coragem de Kyle Beach em se apresentar. Como uma organização, o Chicago Blackhawks reitera nossas mais profundas desculpas a ele pelo que ele passou e pela falha da organização em responder prontamente quando ele bravamente trouxe este assunto à luz em 2010. Era indesculpável para os então executivos da Organização Blackhawks para atrasar a tomada de medidas em relação à má conduta sexual relatada.

    “Nenhum jogo de playoff ou campeonato é mais importante do que proteger nossos jogadores e pessoal de comportamento predatório. Os Blackhawks implementaram inúmeras mudanças e melhorias dentro da organização, incluindo a contratação de uma nova equipe de liderança que está comprometida em vencer campeonatos ao mesmo tempo em que segue os mais altos padrões éticos, profissionais e atléticos.”

    Um apelo à NHL

    Na entrevista da última semana, Kyle Beach, que hoje joga na Alemanha, revelou-se John Doe do caso e concedeu declarações importantes e comoventes. Ele apelou mais uma vez para que a NHL não deixasse os responsáveis impunes. Ele também alertou da importância de denunciar casos de abusos sexuais e citou outros casos no esporte como o da equipe de ginástica dos EUA

    “É um grande passo para mim. No meu processo de recuperação, processar o que aconteceu e verdadeiramente lidar com os problemas que tenho em consequência disso. Por mim, eu queria seguir em frente e colocar meu nome, para ser sincero, já está exposto, os detalhes foram bem precisos no relatório e foi tudo descoberto, mas mais que isso, eu sou um sobrevivente e sei que não estou sozinho, e sei que não sou o único homem ou mulher e enterrei isso por onze anos e me destruiu de dentro para fora. E eu quero que todo mundo saiba que no mundo dos esportes e no mundo, você não está sozinho. Se isso aconteceu com você, você deve falar sobre. Porque tem um sistema de apoio. Como Sheldon Kennedy, US Gymnastics, USA Soccer. Tem um sistema de apoio e pessoas que estão com você e eu espero que todo esse processo possa fazer uma mudança sistemática para ter certeza que isso não aconteça de novo. Porque não me afetou apenas como um jovem adulto mas também afetou [outros atletas e] crianças porque não foi lidado da maneira correta.”

    Após deixar a NHL em 2010 sem que os Hawks divulgassem o motivo da sua saída, em julho de 2012, Brad Aldrich se candidatou para uma posição na Miami University, em Ohio. Quando perguntado do porque ter deixado a NHL, o técnico apenas disse que se sentia esgotado com o ritmo de trabalho da Liga. 

    Assim, Aldrich também deixou repentinamente sua posição na Miami University, em Ohio, em 2012, apenas quatro meses depois de ter entrado no programa. A universidade está investigando a passagem do técnico pela equipe. 

    Posteriormente, Brad Aldrich entrou para a equipe técnica de uma escola de ensino médio em Houghton, Michigan. Um indivíduo, identificado como John Doe 2 no segundo processo contra os Blackhawks, alegou que Aldrich teria abusado sexualmente dele em março de 2013, quando tinha apenas 16 anos. Em dezembro de 2013, na sua segunda passagem como voluntário pela equipe, Aldrich enfim se declarou culpado das acusações de conduta sexual criminosa com um adolescente. 

    Perguntado sobre o que diria para o garoto, Kyle Beach se emocionou. E no que talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis da entrevista, Beach pediu desculpas por não ter feito mais na época e deixou o convite para caso ele queira entrar em contato. 

    “Eu sinto muito. Lamento não ter feito mais, quando podia, para garantir que não acontecesse com ele. Para protegê-lo. Mas também queria agradecer a ele. Porque quando eu decidi, depois que um colega de equipe me perguntou sobre isso quando eu estava jogando no exterior, eu decidi pesquisar o nome de Brad Aldrich no Google e foi quando descobri sobre o indivíduo de Michigan, o time de Michigan. E por causa do que aconteceu com ele, isso me deu o poder e o senso de urgência para agir, para garantir que isso não acontecesse com mais ninguém. Então, sinto muito e obrigado. E espero que em algum momento no futuro, se ele estiver aberto a isso, eu adoraria conhecê-lo. Porque, infelizmente, compartilhamos algo em comum – [que] fará parte de nós pelo resto de nossas vidas.”

    É inclusiva para quem?

    Kyle também fez um apelo à NHL que foi impossível não lembrar do projeto de inclusão hockey is for everyone. Beach deixou claro em suas palavras a quem a Liga está de fato incluindo ao ignorar denúncias e protegendo nomes, quando empregos de grande patente continuam sendo designados às mesmas pessoas. 

    “A NHL é inclusiva, a NHL inclui todos e eles me decepcionaram e decepcionaram outros também. Mas eles continuaram tentando proteger o nome em cima da saúde e bem-estar das pessoas que colocam suas vidas todos os dias para fazer da NHL o que ela é. Eu espero que Garry Bettman leve isso à sério e ele faça as diligências, que converse não apenas com eles mas com Stan Bowman, John McDonough e todo mundo que tenha informações antes dele tomar sua decisão. Porque eu já me decepcionei, não iriam investigar por mim, então porque fariam agora?”

    Segundo diversos relatos, após os boatos se espalharem no vestiário em 2010, piadas de cunho homofóbico foram conferidas aos jogadores vítimas de Aldrich. Onze anos se passaram desde que o fato aconteceu, mas a cultura do esporte ainda resiste nos acordos de cavalheiros. Em obter resultados dos jogos apesar da saúde de seus atletas. As discussões acerca de saúde mental, inclusão, homofobia e racismo ainda estão presentes na Liga, mas talvez, seja hora dos times repensarem essas ações e da NHL começar, de fato, a punir aqueles envolvidos em episódios de assédio, preconceito etc.

    Entretanto, como pudemos ver das declarações sobre o caso da Liga e dos times em que membros envolvidos do caso de Kyle Beach ainda trabalham, o resultado no gelo segue sendo mais importante do que os atletas sobre ele.  Apesar do processo estar em andamento desde maio, apenas agora, em outubro, que os envolvidos foram afastados de seus cargos. Foi preciso uma investigação externa para que levassem as acusações a sério, revelando serem muito mais graves do que o escritório dos Hawks imaginava em 2010. 

    E, obviamente, fica a pergunta que vai assombrar a comunidade do hockey por alguns anos: Se as medidas corretas tivessem sido tomadas na época, teriam havido menos vítimas? 

    A cultura tóxica do esporte

    Não é a primeira vez que relatamos casos de abuso de poder de técnicos na NHL. Em novembro de 2019, acompanhamos as denúncias de injúria racial de Akim Aliu contra Bill Peters que levou a relato de abusos físicos do técnico a outros jogadores. Além dele, Mike Babcock foi demitido do Toronto Maple Leafs e em seguida, denúncias de abusos psicológicos contra Mitch Marner em temporadas anteriores vieram à tona. 

    É sabido que comportamentos de abusos de poder são frequentes no mundo do hockey. E, com receio de prejudicar suas carreiras, jogadores se calam. O tempo passa, técnicos seguem impunes, mudam para outros empregos e seguem tendo o mesmo comportamento. 

    O caso de Kyle Beach se torna ainda mais grave pela natureza do abuso. E, principalmente, porque ele não se calou. Ele buscou ajuda e foi ignorado por aqueles que ele foi ensinado a confiar. Pior do que isso, a equipe de líderes do Chicago Blackhawks falhou com vários outros garotos que conviveram com Aldrich. 

    Assim, o caso afeta não apenas um jogador, mas também jovens e adolescentes que posteriormente sofreram as consequências de Aldrich não ter recebido a punição necessária. Pelo contrário, em nome da vitória a qualquer custo, o técnico de vídeo seguiu com sua carreira e afetou a vida de ainda mais jovens. 

    Há um ditado que diz “antes tarde do que nunca”. Mas, neste caso, o “tarde” carrega um preço muito alto, com inumeráveis consequências que poderiam ter sido evitadas caso uma só pessoa tivesse feito a escolha certa. 

     .          .          .

    Escute o apelo de Kyle Beach de que a vítima não está sozinha. Caso você ou alguém que você conheça tenha passado por uma situação de abuso sexual, denuncie. Aqui estão alguns números e contatos para informar e auxiliar sobreviventes. 

    • A Fundação ABRINQ tem um canal disque denúncia com informações do procedimento correto para fazer a denúncia e quais números se deve ligar. 
    • A Página oficial do Mee Too Brasil, que trouxe para o país o movimento que começou no exterior para incentivar mulheres a denunciar abusos sexuais em ambientes de trabalho. 
    • A Unicef tem um aplicativo do Projeto Proteja Brasil, que facilita a busca por informações. 

    Disque 100. Denuncie. 

    Foto: Reprodução/cnn.com

  • Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    O Montreal Canadiens volta pela primeira vez em 102 anos para um jogo na cidade de Seattle. Da última vez que os Habs pisaram no Pacific Northwest americano, não era a covid que assolava o mundo, mas a gripe espanhola. Em 1919, apesar das orientações do departamento de saúde, as arquibancadas lotaram de pessoas usando máscaras para assistir à final da World Series. A decisão, no entanto, nunca teve desfecho.

    Estima-se que a gripe espanhol tenha matado pelo menos 50 milhões de pessoas de 1918 a 1919. A covid-19 registra hoje quase 5 milhões de mortes pelo mundo. 100 anos se passaram, muita coisa aconteceu na história da humanidade, do hockey e da NHL. Em 1918 a Liga tinha menos de um ano de existência e Montreal ainda iria conquistar seu glorioso legado no esporte. 

    Em 2021, mais de um ano após o mundo atingir o estágio de pandemia e com a vacinação em países como Estados Unidos e Canadá, chegando em 57% e 73% da população imunizada, respectivamente, a vida começa a retomar uma certa normalidade. A circulação de pessoas entre os dois países volta agora no mês de novembro, com novas regras sanitárias, obviamente. Além disso, as arenas de hockey voltaram a receber público nessa temporada, e assim como em 1919, máscaras serão obrigatórias.

    Diferentemente daquele ano, um dos times mais velhos da liga chega à “cidade esmeralda”, como Seattle é conhecida, para enfrentar a mais nova franquia da NHL. Há cem anos, o time da casa se chamava Metropolitans, o de hoje, Kraken. Na época, a Final da Stanley Cup estava empatada entre as duas equipes, mas o sexto e último jogo precisou ser cancelado quando a gripe atingiu ambos os times. 

    Por esse motivo, considerou-se Montreal e Seattle ambos campeões por empate. Mas infelizmente, alguns de seus jogadores não resistiram à doença. Seattle nunca mais chegou perto de uma Final, e alguns anos depois se despediu de seu time na Liga. Em 2021, o Seattle Kraken chegou ao gelo como o 32º time da NHL. Será que teremos Seattle contra Montreal em uma final da Stanley Cup em um futuro próximo? 

    Só assistindo essa temporada para saber. 

    Começando pela noite de terça-feira, 26, às 23:00, 102 anos depois, quando a cidade do estado de Washington volta a receber um dos original six e o rival dos Metropolitans daquela final. 

    Foto: Reprodução/MyNorthwest

  • Seattle Kraken estreia oficialmente na NHL

    Seattle Kraken estreia oficialmente na NHL

    Na terça-feira (12) o Seattle Kraken jogou sua primeira partida na temporada regular da NHL contra o Vegas Golden Knights, em Las Vegas. O 32º time da Liga se juntou à Divisão Pacífica para a temporada 2021-22 e já chegou levantando opiniões.

    O jogo número um da equipe foi o segundo da noite de estreia da temporada de hockey, logo após a cerimônia em que o Tampa Bay Lightning hasteou a bandeira de vencedor da Stanley Cup, no jogo contra Pittsburgh Penguins. Como o Kraken ainda não inaugurou sua nova casa, vai jogar o primeiro mês da temporada no gelo dos adversários. A equipe também havia realizado algumas partidas na casa de seus parceiros da WHL, a liga júnior do noroeste pacífico dos EUA e Canadá. 

    Por isso, o primeiro jogo aconteceu na T-Mobile Arena, no estado de Nevada. Assim, como todo evento em Las Vegas, foi um show de luzes e entretenimento. Já no pré-jogo quem estava na arena pôde presenciar uma projeção instigante do monstro marinho sendo queimado pelo cavaleiro (knight) do deserto. Uma previsão do que aconteceria logo depois ou então somente confiança extra dos donos da casa. 

    O elenco

    A primeira equipe da história da franquia contou com o goleiro Philipp Grubauer, os atacantes Jordan Eberle, Ryan Donato, Brandon Tanev, Nathan Bastian, Jared McCann, Riley Sheahan, Jaden Scwartz, Alex Wennberg, Morgan Geekie, Joonas Donskoi e Marcus Johansson. Além dos defensores Haydn Fleury, Mark Giordano, Adam Larsson, Jamie Oleksiak, Vince Dunn e Jeremy Lauzon. 

    O jogo

    Logo no início do primeiro tempo, aos 3:10, Max Pacioretty fez o primeiro para Vegas. Menos de três minutos depois, Jonathan Marchessault marcou o segundo. Nesse início, tivemos um time estreante ainda confuso e assíncrono no gelo, errando passes e não conseguindo converter shots em gols.   

    https://twitter.com/goodstacegal/status/1448122069456199686?s=20

    No início do segundo tempo, aos 6:43, Max Pacioretty fez seu segundo da noite e marcou 3-0 para o time da casa. Mas na outra metade do período o monstro marinho finalmente saiu de sua caverna e começou a acertar na rede. Ryan Donato marcou o primeiro gol da história da franquia, e logo foi seguido por Jared McCann. Como em quase qualquer jogo da NHL, sempre é possível tudo mudar. O período terminou em 3-2 para os Golden Knights.

    No último tempo, os acontecimentos rolaram por volta dos 8 minutos iniciais. Morgan Geekie fez seu primeiro gol no novo time, empatando a partida em 3-3. Mas logo foi seguido por Chandler Stephenson, que aos 8:33 fez o gol da vitória para os donos da casa. Em um turnover mal realizado pelo time de expansão, Vegas conseguiu tomar posse do puck e finalizar o primeiro jogo do Kraken com uma vitória em cima dos novatos por 4-3, mesmo após a impressionante recuperação dos estreantes no segundo e início do terceiro períodos.

    Assim, dando a Vegas a “vantagem” de terem vencido seu jogo de estreia na liga, como último time de expansão antes de Seattle, o rookie vai carregar o peso de superar ou não a primeira temporada dos Knights.  

    Ainda tem muito por vir

    Mas esse foi só o primeiro de muitos jogos que Seattle ainda vai jogar nesta temporada, e no futuro. Pela primeira vez em quase dois anos, teremos uma temporada regular de 82 jogos por time, com direito a transmissão de todas as partidas pelo serviço de streaming da Disney Star+.

    Estamos animadas para ver o que esse sea monster ainda vai capturar em seu ano de estreia na liga, certamente assistiremos a todos os jogos para acompanhar de perto a libertação do Kraken. 

    https://twitter.com/mafepavanello/status/1448132997387931649

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Prévia 2021-22: Divisão Metropolitana

    Prévia 2021-22: Divisão Metropolitana

    Estamos de volta com as prévias da temporada de 2021-22 que terá o primeiro puck drop dia 12 de outubro. Depois de quase dois anos afligidos por uma pandemia, que ainda está entre nós, a temporada já se inicia com duas boas notícias para os fãs de hockey. 

    Primeiramente, teremos de volta um cronograma completo, com 1.312 jogos regulares, além de todos os eventos como o Winter Classic e o All-Star Weekend. E para a alegria do fã brasileiro, o serviço de streaming Star+ vai exibir todas as partidas, isso mesmo, o irmão do Disney+ vai transmitir mais de mil jogos para usuários da América Latina. 

    Agora que já passamos pelas divisões Central, Pacífica e Atlântica, veremos o que podemos esperar da tão competitiva Divisão Metropolitana. Já que teremos a chance de assistir atentamente a tantos jogos, melhor ficar de olho desde já no que os times da Metro poderão nos oferecer. 

    Carolina Hurricanes

    Carolina fez algumas escolhas polêmicas na offseason, mexeu bastante no time e o resultado disso tudo ainda teremos que descobrir. De acordo com a jornalista do The Athletic Sara Civian, o time é a wild card da divisão, sem o defensor Dougie Hamilton, que foi para o New Jersey Devils e com contratações como Jesperi Kotkaniemi, Tony DeAngelo – este basicamente jogado fora pelos Rangers devido às atitudes do atleta –, os goleiros Frederik Andersen e Antti Raanta, os defensores Brendan Smith e Ian Cole e o atacante Josh Leivo, é esperar para ver o que os Canes vão se organizar para fazer nessa temporada.

    Columbus Blue Jackets

    Na temporada passada o time terminou em último na divisão da qual fez parte, ficando atrás até do Detroit Red Wings. Mas o time está passando por um período de reestruturação e deve ainda sofrer um pouco nessa fase de adaptação e mudanças. Alguns dos nomes que os Blue Jackets assinaram contrato foram Zach Werenski, Gavin Bayreuther, Boone Jenner, Eric Robinson e Sean Kuraly. 

    Com uma divisão tão competitiva é difícil que a visão de Jarmo Kekalainen, general manager da equipe, se manifeste tão rapidamente. Mas ficaremos de olho em Ohio assim mesmo.

    New Jersey Devils

    Let’s go to Jersey é algo que ninguém nunca falou. Mas os Devils estão com uma equipe de jogadores bem novos e aparentam estar tentando construir algo sólido e que resulte em alguma coisa, então é provável que um olho nosso precise estar ciente do que rola por lá. 

    Dougie Hamilton chegou dos Canes pela bagatela de 9 milhões de dólares anuais, por sete anos. Além dele, chegam também os esforços do goleiro Jonathan Bernier, de Ryan Graves, Tomas Tatar e dos atacantes Brian Flynn, Janne Kuokkanen e Chase De Leo. 

    Certamente é uma equipe com bastante potencial de crescimento, conforme os jogadores mais novos conseguem se desenvolver e melhorar suas performances na Liga. 

    New York Islanders

    Os Isles estão há duas temporadas chegando perto e morrendo na praia, ou pelo menos, na praia ao lado. Mas o time parece dedicado a fazer o esforço de dentro e fora do gelo se converterem na tão almejada Stanley Cup. 

    Apesar de terem perdido jogadores importantes nessa offseason, como Nick Leddy e Jordan Eberle (este último foi agarrado pelos tentáculos do Kraken e levado para Seattle), mantiveram boa parte do time do ano anterior. Também renovaram nomes importantes como Andy Greene, Anthony Beauvillier, Casey Cizikas, Kyle Palmieri e Ilya Sorokin, além de anunciarem a contratação de Zach Parise e Zdeno Chara, que volta ao seu primeiro time da NHL depois de 20 anos. 

    Certamente é um time focado em trazer a taça para Ilha, com jogadores experientes e bastante química entre eles. É considerado um dos fortes para pelo menos levarem o troféu da divisão. 

    New York Rangers

    Nome eles tem. Brincadeira, tem potencial também. Mas vamos precisar que eles entreguem mais do que um Madison Square Garden lotado e deem tudo de si na temporada regular, assim quem sabe consigam chegar aos playoffs, e de lá a gente vê… 

    Durante a free agency assinaram com Patrick Nemeth, Jarred Tinordi, Dryden Hunt, Filip Chytil, Greg McKegg e Barclay Goodrow. Além disso, o time renovou com o goleiro Igor Shesterkin. Do que vai sair de Manhattan só saberemos mesmo acompanhando todos os jogos no Star+. 

    Philadelphia Flyers

    Na Filadélfia, Carter Hart e Joel Farabee assinaram contratos de extensão. Além deles a equipe assinou também com Derick Brassard, Nate Thompson, Ryan Fitzgerald, Gerald Mayhew, Keith Yandle, Adam Clendening, Nick Seeler, e com as escolhas controversas de Martin Jones e Rasmus Ristolainen. 

    Com as novas adições talvez saiam melhor do que na temporada passada, mas de qualquer modo não devem fazer feio no gelo. 

    Pittsburgh Penguins

    Brandon Tanev foi fisgado pelo anzol destinado ao sea monster e precisou se realocar para a Divisão Pacífica. Além dele, os Penguins disseram adeus a Jared McCann e Cody Ceci. Por outro lado, eles assinaram com Brock McGinn, Danton Heinen, Taylor Fedun, Evan Rodrigues e com o goleiro Louis Domingue. 

    No entanto, a franquia começará 2021-22 sem Sidney Crosby e Evgeni Malkin, o que certamente não conta a seu favor. Talvez seja o momento dos Penguins investirem em novos talentos no gelo, enquanto dois de seus principais jogadores (que já estão se aproximando de finais de carreira) nem poderão sair dos vestiários. Vai ser difícil para eles se estabelecerem de forma segura na temporada e na divisão, mas veremos como irão se sair com os desafios que já estão traçados antes mesmo do apito inicial. 

    Washington Capitals

    O gol de D.C. permanece excelente com Ilya Samsonov e Vitek Vanecek. Os Capitals garantiram ainda a renovação contratual do capitão Alex Ovechkin e assinaram com Michael Vecchione, Hunter Shepard, Lucas Johansen, Matt Irwin e Dylan McIltrath.

    É uma equipe que está envelhecendo, e não exatamente buscando mudar para um roster mais novo e da geração Z. Mas a experiência ainda conta demais na NHL, então não estão atrás das outras equipes da divisão. E mesmo preferindo não mexer em time que está ganhando, quase sempre, tem boas chances de ir longe na competição. 

    Com toda certeza não desgrudaremos nossos olhos do que esses velhinhos provarão que conseguem fazer. 

    Mas e você?

    O que espera dessa parruda divisão? Fácil não vai ser pra ninguém e estamos ansiosas para assistirmos a jogos de um calendário regular extenso e com muito hockey para melhorar nossas noites. 

  • Prévia 2021-22: Divisão Atlântica

    Prévia 2021-22: Divisão Atlântica

    Uma das divisões mais difíceis, se não a mais difícil da NHL, a Divisão Atlântica tem alguns dos principais candidatos à Stanley Cup da temporada 2021-22, e outros times que procuram provar que são autênticos e estão vivos no campeonato.

    Uma palavra que define o que podemos esperar desta divisão é competitividade. Com o atual campeão, Tampa Bay Lightning, defendendo seu troféu, podemos esperar embates interessantes contra o Montreal Canadiens (vice-campeões), Toronto Maple Leafs, Florida Panthers e Boston Bruins. Estes principais times aproveitaram a offseason e tentaram organizar a casa com contratações pontuais que podem trazer resultados interessantes na temporada regular.

    Vamos descobrir um pouco mais o que podemos esperar destas equipes na temporada 2021-22! Vale lembrar que este é nosso terceiro texto referente às prévias divisionais para a temporada regular da NHL. Não deixe de conferir a prévia da Divisão Central e Divisão Pacífica.

    Boston Bruins

    Os Bruins estiveram presentes em playoffs em cada uma das últimas cinco temporadas e ganharam pelo menos uma rodada em quatro desses anos. Eles terminaram em terceiro na disputada Divisão Leste na última temporada, vecendo o Washington Capitals na primeira rodada antes de perder em seis jogos para o New York Islanders. Grande parte da equipe dos Bruins permanece intacta, com algumas exceções importantes. O atacante David Krejci foi para casa para jogar na República Tcheca, e o goleiro Tuukka Rask está fora de temporada (e sem contrato) enquanto se recupera de uma cirurgia no quadril. Ambos os veteranos tiveram impacto em Boston e, para compensar suas perdas, o time precisará de bom desempenho do recém-contratado Taylor Hall e da nova adição, Nick Foligno, bem como do novo goleiro nº 1 e ex-Sabres Linus Ullmark.

    A defesa de Boston não é a mais eficaz no jogo. No entanto, o técnico Bruce Cassidy encontrou um equilíbrio sólido para este grupo jovem, e seus atacantes são defensivamente responsáveis ​​o suficiente. Eles têm uma unidade capaz e talentosa de atacantes, mas a forma como estes se saírem nesta temporada pode ser a diferença entre ganhar a última vaga da pós-temporada e lutar pelo título da divisão. De qualquer forma, os Bruins são um time praticamente garantido nos playoffs.

    Buffalo Sabres

    Se você quiser ver como um time pode chegar, infelizmente, ao fundo do poço, basta olhar para os resultados dos Sabres na última década. A franquia por várias reinicializações e reconstruções e ainda assim permaneceram em desvantagem contra quase todas as equipes que enfrentarem nesta última temporada. O GM de Buffalo, Kevyn Adams, e o agora técnico principal, Don Granato, não têm uma disponibilidade grande de orçamento para trabalhar. Porém, eles têm algumas peças essenciais, incluindo o defensor Rasmus Dahlin e a primeira escolha do NHL Draft de 2021, Owen Power (Universidade de Michigan). Os dois, um dia, poderiam formar um primeiro par de defesa de elite. Um dia, mas não por ora.

    Por enquanto, a lista dos Sabres é como um acampamento de verão de jovens jogadores em desenvolvimento (como Dylan Cozens, Casey Middlestadt) e veteranos em ação não negociáveis ​​(Jeff Skinner, Kyle Okposo). No gol, eles deixaram o goleiro titular Linus Ullmark partir para um rival de divisão, os Bruins. No seu lugar, um combo de Aaron Dell, de 32 anos, e um veterano Craig Anderson, de 40, que jogou apenas quatro jogos em 2021. Este é apenas o estágio inicial de uma reconstrução longa e difícil. (#dor)

    É triste dizer, especialmente quando se trata de uma cidade esportiva que merece mais, mas Buffalo quase certamente ainda será um péssimo time em 2021-22. Adams pode criar boas expectativas para o futuro do time quando negociar o descontente center estrela Jack Eichel, mas ele não pode agitar uma varinha mágica e transformar limões em limonada. Simplesmente não é tão fácil para organizações bem-sucedidas superarem as dificuldades, muito menos uma franquia como Buffalo e sua pobre história recente de tentar construir algo de valor. Mesmo que você veja a luz no fim do túnel para os Sabres, deve presumir que mais dor está por vir para os fãs desta franquia.

    Detroit Red Wings

    Apenas os Sharks, Sabres, Ducks e Blue Jackets ganharam menos jogos do que Detroit na temporada passada. Dezenove vitórias em 56 jogos foram uma indicação clara de quão longe os Wings ainda precisam ir para se tornarem uma verdadeira ameaça nos playoffs. Mas isso não significa que o GM Steve Yzerman não melhorou sua equipe; ele adquiriu o finalista do Calder Trophy de 2021, Alex Nedeljkovic, dos Hurricanes, e trouxe o veterano blueliner Nick Leddy do New York Islanders. Ainda conta com a sexta escolha geral de 2019, o D-man Moritz Seider. Juntos, Leddy e Nedeljkovic tornam a defesa de Detroit bem melhor, mas ainda não são bons o suficiente para marcar algumas das feras da divisão. Sem contar o desfalque de Tyler Bertuzzi, que se negou a se vacinarcontra a COVID-19. O atacante provavelmente perderá todos os jogos realizados no Canadá, segundo as leis do país, além de parte de seu salário.

    Lenta e conscientemente, Yzerman tornou seu elenco mais jovem – Detroit tem apenas dois atacantes com mais de 28 anos. No entanto, a difícil estrada à frente para os Wings é uma luta que eventualmente todas as grandes equipes enfrentam conforme a geração vencedora se aposenta e um novo ciclo competitivo começa. Detroit pode e deve ganhar mais jogos do que em 2021, mas provavelmente não será o suficiente para colocá-los em uma vaga nos playoffs.

    Florida Panthers

    Os Panthers terminaram em segundo lugar na improvisada Divisão Central no ano passado, e mostraram que possuem fôlego para chegar longe no campeonato. O GM Bill Zito só reafirmou o quão em ascensão está a equipe quando acrescentou ao poder de fogo do time o ala direito de 25 anos, duas vezes artilheiro de 25 gols, Sam Reinhart, de Buffalo. Além dele, o time assinou com o barbudo e imponente Joe Thornton para reforçar sua quarta linha. A Flórida já tinha um dos melhores grupos de produção de gols da liga. Adicionar Reinhart, e também obter uma temporada completa do ex-pivô do Flames, Sam Bennett, só o tornará mais potente.

    A defesa dos Panthers é um tanto subestimada, especialmente considerando que eles disputaram 21 jogos no ano passado sem o astro Aaron Ekblad. Além disso, o goleiro Sergei Bobrovsky não teve uma temporada ideal, embora ele tenha melhorado suas estatísticas em em relação à primeira temporada com Florida

    Apesar de tudo, o time parece uma potência e estão prontos para passar e causar sérios danos nos adversários nos playoffs. Eles enfrentarão seus rivais de estado em Tampa para chegar a esse ponto, mas possuem a habilidade, o equilíbrio e o treinamento para fazer isso. Poderemos ver disputas interessantes chegando ao sul da Flórida este ano.

    Montreal Canadiens

    Os Habs tiveram uma campanha de playoffs memorável na última temporada, vencendo três oponentes antes de perder a final da Stanley Cup para o Lightning. Mas não devemos esquecer que, antes desse grande feito, Montreal não impressionava exatamente na temporada regular. A equipe terminou o ano com apenas 24 vitórias em 56 jogos, duas a menos que o quinto colocado Calgary Flames (que perdeu os playoffs porque tiveram apenas três derrotas na prorrogação/pênaltis, enquanto os Canadiens tiveram 11).

    Os Canadiens passaram por mudanças significativas nesta offseason, perdendo o atacante e terceiro escolhido na classificação geral de 2018, Jesperi Kotkaniemi, para uma offer sheet dos Canes, e o valioso atacante Corey Perry para os Bolts. Eles também precisam enfrentar o ano sem o capitão Shea Weber, que provavelmente perderá toda a temporada regular com uma lesão no tornozelo esquerdo. Além disso, Montreal começa o ano sem o atacante Paul Byron (fora até janeiro de 2022) após uma cirurgia no quadril neste verão, e o goleiro Carey Price que além de estar se recuperando de uma lesão no joelho, estará fora da temporada por motivos pessoais por tempo indeterminado.

    Essas são grandes perdas, e embora o GM Marc Bergevin os tenha substituído pelos atacantes veteranos Christian Dvorak e Mike Hoffman (o último jogador dos quais também começará o ano nos bastidores com uma lesão na parte inferior do corpo fora da temporada). Os desfalques podem se revelar como um grande obstáculo para Montreal se qualificar para os playoffs.

    É possível que os Canadiens continuem com o ímpeto que tiveram na pós-temporada do ano passado. No entanto, eles estão em uma divisão mais difícil desta vez e podem não ter profundidade de elenco suficiente para superar e tentar uma sequência de playoffs mais longa. Pode ser a última semana ou duas do calendário de 82 jogos, mas, em qualquer caso, Montreal provavelmente lutará contra Toronto e Boston pelas duas últimas vagas nos playoffs do Atlântico durante toda a temporada.

    Ottawa Senators

    Após fracassar durante grande parte do início da temporada regular de 2021, os Senators ficaram mais fortes e terminaram o ano com uma campanha 8-2-1. Eles agora têm uma base de jogadores impressionante, com jovens estrelas em desenvolvimento, como o atacante Tim Stützle e o defensor Thomas Chabot, e apenas dois de seus jogadores têm mais de 30 anos. Isso é uma ótima notícia.

    A notícia não tão boa é que Ottawa permitiu a marca de 189 gols sofridos. Apenas três times da liga permitiram mais. O GM de Ottawa, Pierre Dorion, ajudou seus defensores com a adição do ex-Golden Knights Nick Holden. Mas sejamos francos, ele não será o catalisador para melhorias suficientes a ponto de colocar os Senators em uma posição de playoffs. E depois de sua campanha abaixo da média em 2021, o goleiro Matt Murray provavelmente não se recuperará o suficiente para colocá-los na parte de cima da tabela na divisão.

    Ottawa terá um percentual de vitórias melhor do que na temporada passada? É muito provável que sim. Os playoffs são um objetivo longe demais para eles nesta temporada? Também é provável que sim. Mas tudo o que os fãs dos Sens querem ver é um progresso significativo no time e provavelmente o verão nesta temporada. O progresso, entretanto, é lento e nada linear, mas em mais um ou dois anos, os Sens serão uma força a ser enfrentada na NHL.

    Tampa Bay Lightning

    Como todos os campeões da Stanley Cup, o Lightning perdeu parte de suas peças-chaves por motivos de limite de salário. Elevar o teto salarial na temporada passada funcionou bem para o time, mas isso os forçou a se separar de muitos jogadores importantes nesta offseason. Mais especificamente, todos de sua estelar terceira linha. No entanto, o GM Julien BriseBois mais uma vez complementou sua lista com know-how veterano (incluindo o ex-astro do Canadiens/Stars/Ducks, Corey Perry, e o D-man Zach Bogosian, que retorna dos Leafs para outra temporada com os Bolts), e ele ainda tem um dos seis melhores grupos de atacantes da NHL e um tremendo grupo de defensores. Sem contar que possuem um dos melhores goleiros da liga, Andrei Vasilevskiy, que está chegando no seu auge aos 27 anos.

    Não tenha dúvidas, o Lightning será excelente nesta temporada e provavelmente estará entre os favoritos para ganhar sua terceira Stanley Cup consecutiva. Alguma equipe, eventualmente, será capaz de derrotá-los, mas isso pode levar um bom tempo para acontecer.

    Toronto Maple Leafs

    A esta altura, a maioria dos seres conscientes têm conhecimento da forma sombria como a temporada anterior de Toronto terminou. Não poderia ter sido pior e não poderia ter vindo das mãos de um rival mais odiado, neste caso, o Montreal Canadiens. Mas, por pior que fosse, não diminui o fato de que os Leafs foram um dos times mais dominantes da temporada regular no ano passado. Eles tiveram o quinto ataque mais produtivo da NHL (186 gols marcados) e obtiveram um ótimo trabalho no gol com Jack Campbell, a caminho de se tornar a sétima defesa mais eficaz na franquia (148 gols contra).

    Apesar de algumas mudanças notáveis ​​na lista de jogadores, o GM dos Leafs, Kyle Dubas, mais uma vez colocou sua equipe em uma posição para jogar bem nesta temporada. A competição por posições existe principalmente com os wingers, embora a batalha mais importante possa ser entre Campbell e o UFA recém-assinado, Petr Mrazek. Se os dois goleiros continuarem saudáveis, Toronto pode ter um número impressionante nas redes, mesmo que ambos atuem em turnos. O treinador principal, Sheldon Keefe, deve escalar o mais preparado, mas também deve misturar suas vagas de titular em jogos consecutivos, e isso pode deixar Mrazek e Campbell saudáveis ​​e prontos para atuar na pós-temporada.

    Chegar aos playoffs pode ser mais difícil para o Toronto agora que eles estão em uma divisão mais competitiva, mas não há como eles vacilarem e aceitarem estar do lado de fora da pós-temporada levando em consideração o elenco que possuem em casa. Auston Matthews ainda joga lá. Mitch Marner e William Nylander ainda fazem mágica por lá. John Tavares é uma peça crucial e ativa na equipe e e eles ainda possuem uma defesa acima da média trabalhando por lá também. É uma equipe que ficará bem até a chegada dos playoffs, mas haverá uma pressão incrível sobre eles quando chegarem. E se as coisas derem errado na pós-temporada, podem acreditar que olharemos para um elenco muito diferente dos Leafs no próximo ano.