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  • Rússia e seu escândalo no doping

    Rússia e seu escândalo no doping

    Se você está acompanhando as Olimpíadas de Inverno de Pequim, deve ter percebido que um dos países mais tradicionais em esportes olímpicos não está presente. Sim, eu estou falando da Rússia. E você também deve ter percebido que existe uma equipe chamada ROC, que nada mais é do que o Comitê Olímpico Russo.

    O uso dessa abreviação é uma brecha que permite aos atletas russos competirem nas Olimpíadas enquanto seu país está banido dos Jogos por causa de seu escândalo de doping. 

    Agora vamos relembrar como a Rússia chegou nessa situação.

     

    Início das investigações

    O escândalo de doping veio à tona em 2014, após uma investigação de uma rede de TV alemã. Dois anos depois, um relatório encomendado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) encontrou evidências de adulteração nos Jogos de Inverno de Sochi (2014).

    O estudo revelou que houve uso generalizado de drogas para melhorar o desempenho e doping sanguíneo praticado por atletas russos do atletismo. O esquema foi incentivado e acobertado por técnicos, médicos e autoridades estatais e esportivas, aponta esse documento.

    Em 2016, o Dr. Grigory Rodchenkov denunciou o programa estatal de doping da Rússia, revelando uma profunda rede de enganos e fraudes que ele já havia ajudado a facilitar. Essa revelação levou à proibição total da Rússia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 e intensificou o debate sobre a corrupção no esporte.

    Depois de fugir de seu país por medo de retaliação, o Dr. Rodchenkov agora vive uma vida precária nos Estados Unidos.  Ele conta com a proteção de denunciantes e vive com medo de que agentes russos possam um dia bater à sua porta.

    Em uma entrevista concedida a um site americano, ele disse que o COI (Comitê Olímpico Internacional) puniu insuficientemente a Rússia por seu programa de doping patrocinado pelo Estado ao não banir totalmente a Rússia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em Pyeonchang. Além disso, a maioria das 43 proibições “perpétuas” de atletas russos dopados foram anuladas pelo Tribunal Arbitral do Esporte.

    Ademais, a Rússia não aceitou a responsabilidade e procurou retaliar o Dr. Rodchenkov. Autoridades russas assediaram a família do Dr. Rodchenkov, confiscaram sua propriedade e lançaram uma campanha com informações para desacreditá-lo. Três dos atletas russos, condenados culpados, ainda processaram o Dr. Rodchenkov na Suprema Corte do Estado de Nova York por difamação. E o governo russo retaliou o COI e a Agência Mundial Antidoping (WADA) invadindo os computadores do COI e da WADA, divulgando documentos confidenciais e ameaçando punir membros do COI e executivos da WADA.

     

     

    foto: reprodução / uol.com

     

     

    Como funcionavam as práticas de doping dos russos?

    O enorme programa de doping da Rússia, patrocinado pelo Estado, visava encobrir testes de drogas positivos. Um relatório encomendado em 2019 pela WADA por Richard McLaren, um advogado canadense, “descobriu um esquema de doping estatal que envolveu 28 esportes, tanto no verão quanto no inverno, e durou de 2011 a 2015”. Isso inclui adulterar amostras de testes de drogas para encobrir resultados positivos de testes de atletas russos.

    Grigory Rodchenkov, que liderou a manipulação de centenas de testes de drogas para os Jogos Olímpicos de Sochi 2014 na Rússia, descreveu muitas das práticas de acobertamento de doping usadas por autoridades russas ao New York Times.

    O processo começaria com cada atleta no sistema de doping dando uma amostra de urina limpa – “entregue em garrafas de refrigerante, mamadeiras de fórmula infantil e outros recipientes diversos” – antes de usar qualquer droga. Os funcionários então procederam para garantir que, sempre que ocorresse um teste de drogas positivo, a urina contaminada fosse substituída por urina limpa para produzir resultados limpos.

    Em uma operação que ocorria no fim da noite, especialistas russos em antidoping e membros do serviço de inteligência, ilegalmente, substituíram amostras de urina contaminadas por drogas que melhoram o desempenho por urina limpa coletada meses antes, de alguma forma manipulando os frascos supostamente à prova de adulteração que são o padrão no mercado internacional de competições, disse o Dr. Rodchenkov. Durante horas todas as noites, eles trabalharam em um laboratório iluminado por uma única lâmpada, passando garrafas de urina por um buraco do tamanho de uma mão na parede, para estarem prontos para o teste no dia seguinte, disse ele.

    Um observador independente da Agência Mundial Antidoping vigiava as instalações durante o dia, mas os russos podiam fazer seu trabalho durante a noite quando ninguém estava olhando. Rodchenkov foi amplamente mencionado em um relatório da WADA sobre o escândalo de doping russo, que levou à proibição inicial da Associação Internacional de Federações de Atletismo e à eventual renúncia de Rodchenkov.

     

    foto: reprodução/ jnews.uk

    Consequências da descoberta

    Mais de 100 atletas russos foram proibidos de participar das Olimpíadas do Rio de 2016. Os jogos ocorreram logo após a reportagem sobre escândalo de doping patrocinado pelo Estado. 

    O período da reportagem abrangeu dois Jogos Olímpicos: Londres (2012) e Sochi (2014) – e incluiu uma variedade de ações antiéticas, como atletas trocando sistematicamente amostras de urina contaminada, às vezes usando “um buraco na parede nas Olimpíadas de Inverno de Sochi”. 

    Como resultado, a Rússia foi sujeita a uma variedade de punições. Além de ter perdido várias medalhas anteriores e ter seus atletas banidos dos Jogos de Inverno de 2018 pelo Comitê Olímpico Internacional. 

    A WADA determinou que a Rússia não poderia usar sua bandeira, nome, hino ou oficiais em competições por quatro anos. A decisão foi a pena mais severa dada até agora. 

    Essa punição estava relacionada a inconsistências nos dados recuperados pela WADA em janeiro de 2019, do laboratório de Moscou. 

    O comitê de revisão de conformidade da WADA sugeriu sanções porque a Agência Antidopagem Russa falhou em cooperar totalmente durante as investigações no país. 

    No ano passado, o Tribunal de Arbitragem do Esporte cortou a proibição da Rússia pela metade, diminuindo para dois anos, após uma apelação.  

    A proibição termina em 16 de dezembro de 2022. Dito isso, a punição também significa que a Rússia não será representada como um país na Copa do Mundo de 2022. 

    De acordo com um relatório divulgado pelo The Independent, a Rússia será reintegrada após o término do prazo de proibição, se respeitar e observar todas as sanções impostas, pagar suas multas e contribuições e começar a aderir aos regulamentos da WADA. 

     

    O hóquei no gelo não ficou fora dos casos

    foto: reprodução/ thehockeynews.com

    Seis patinadoras da equipe de hóquei feminina olímpica de Sochi, incluindo sua capitã e principal pontuadora, foram banidas das Olimpíadas para sempre pelo COI em 2017.

    A equipe russa que perdeu nas quartas de final em Sochi também foi desclassificada retroativamente como um todo.

    Na época, o COI anunciou essa decisão como parte de suas sanções em andamento contra atletas russos que cometeram violações de doping nos Jogos de Inverno de Sochi.

    “- Inna DYUBANOK, Ekaterina LEBEDEVA, Ekaterina PASHKEVICH, Anna SHIBANOVA, Ekaterina SMOLENTSEVA e Galina SKIBA cometeram violações das regras antidoping de acordo com o Artigo 2 das Regras Antidoping do Comitê Olímpico Internacional aplicáveis aos XXII Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi , em 2014, e são desclassificados dos eventos em que participaram.

    – Os seis atletas são declarados inelegíveis para serem credenciados em qualquer capacidade para todas as edições dos Jogos da Olimpíada e dos Jogos Olímpicos de Inverno subsequentes aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014.”

    A capitã e artilheira Yekaterina Smolentseva, que participou quatro vezes das olimpíadas, estava entre os seis jogadores banidos.

    A Rússia foi a primeira nação a ter 100 atletas desclassificados das Olimpíadas de todos os tempos. O time de hóquei feminino russo foi também o primeiro time em qualquer esporte de qualquer nação a ser desqualificado de uma Olimpíada desde 1948.

     

    O que podemos tirar dessa história

    Atletas são punidos por doping no cenário esportivo internacional o tempo todo, mas a descoberta do extenso sistema de doping da Rússia foi bastante singular. Houve muitos exemplos individuais, mesmo no atletismo americano, como Justin Gatlin, Marion Jones ou Tim Montgomery. Entretanto, nenhum desses casos isolados foi como as fraudes e encobrimentos institucionalizados e patrocinados pelo Estado que foram expostos no escândalo russo. O COI nunca proibiu completamente uma seleção nacional inteira de competir em uma Olimpíada antes como resultado de doping.

    O exemplo mais próximo do que aconteceu com a Rússia, é a seleção da Alemanha Oriental, que competiu de forma independente nas Olimpíadas de 1968 a 1988. Conhecido como Plano Estadual 14.25, foi projetado para ajudar o país comunista a melhor desempenho internacional e proporcionar mais vitórias no maior palco do mundo. “Fomos um grande experimento, um grande teste de campo químico”, disse Ines Geipel, atleta da Alemanha Oriental, sobre o extenso sistema de doping do país. No seu auge, o programa teria empregado mais de 1.500 cientistas.

    Portanto, o enorme esquema de doping organizado pelo governo da Rússia não é o primeiro, mas o COI, IAAF, WADA e outros certamente esperam que seja o último. Com todas as falcatruas e esquemas que foram descobertos e mancham a história do esporte mundial, muitos países se tornaram mais rigorosos com seus atletas e procuram sempre mostrar da forma mais limpa possível, a preparação saudável e justa que fazem para se destacar e vencer nas competições olímpicas. O receio de virar uma vergonha mundial, possivelmente fará com que casos nessa escala não ocorram tão cedo em todo o mundo esportivo.

    Foto: Reprodução/ nbc.com

  • Prévia do Hóquei Masculino nas Olimpíadas de Inverno 2022

    Prévia do Hóquei Masculino nas Olimpíadas de Inverno 2022

    Quatro anos se passaram e chegamos a mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. As Olimpíadas começam oficialmente após a abertura, que ocorreu no dia 04 de fevereiro, e irão até o dia 20. Teremos muitos esportes que não estamos acostumados a acompanhar no dia a dia, como o luge. Porém, o que está garantido é a adrenalina que essas modalidades invernais irão proporcionar, principalmente o hockey!

    Alguns esportes tiveram seu início antes da abertura oficial, como no caso do hockey feminino, onde as mulheres já iniciaram os trabalhos na madrugada do dia 03. 

    No caso dos homens a estreia ficou por conta das seleções ROC (Comitê Olímpico Russo) e da Suíça, que se enfrentam no dia 10 às 04:40 a.m (horário de Brasília).

    Este ano a cidade responsável por sediar os jogos olímpicos é Pequim, que também contará com os jogos paraolímpicos, (caso inédito nos jogos de inverno). Pequim se tornou a maior cidade que já sediou uma edição de jogos olímpicos de inverno, e junto com este feito, teremos o prazer de acompanhar a seleção chinesa novamente no gelo, após 12 anos sem participar de competições de alto nível.

     

    Grupos classificados e formato do torneio

    Este ano teremos 12 seleções na corrida pela medalha de ouro. A classificação destas equipes funcionou da seguinte forma: as oito melhores equipes masculinas mundialmente garantiram uma vaga automática nos jogos. Enquanto que, outras três equipes tiveram que disputar as eliminatórias. Três grupos diferentes de quatro equipes cada, disputaram um round robin de três jogos e o primeiro colocado de cada grupo se garantiu como classificado olímpico.

    A Eslováquia, nona classificada do mundo, conquistou sua vaga com uma vitória por 2 a 1 sobre a Bielorrússia. A Letônia, 10ª do mundo, entrou depois de uma decisão de 2 a 1 sobre a França. E a Dinamarca, classificada em 12º no mundo, se classificou após uma vitória por 2 a 0 sobre a Noruega, com Nikolaj Ehlers marcando o gol classificatório. É a primeira vez que a Dinamarca se classifica para um torneio olímpico masculino de hóquei. Por fim, a última vaga foi preenchida pelo país anfitrião dos jogos.

    Estas doze equipes foram divididas em três grupos com quatro seleções cada, são eles:

    Grupo A: Canadá (1), EUA (6), Alemanha (7), China (32)

    Grupo B: Rússia (2), República Checa (5), Suíça (8), Dinamarca (12)

    Grupo C: Finlândia (3), Suécia (4), Eslováquia (9), Letônia (10)

    Estes grupos foram determinados pelo ranking mundial das equipes hockey masculino. E estes rankings são feitos com base nos resultados dos últimos campeonatos mundiais e das últimas Olimpíadas. Com a pandemia, estes números estão inalterados desde os mundiais de 2019. 

    Para definir quem disputará as medalhas, cada equipe jogará três jogos na fase de grupos, enfrentando os outros em seu grupo uma vez. Quando a rodada preliminar terminar, todas as equipes serão reclassificadas de 1 a 12 para a rodada de medalhas. Os primeiros colocados de cada grupo e o segundo colocado com o melhor registro de pontuação se classificam para as quartas de final, enquanto os outros oito times disputam um jogo da fase classificatória.

    Essas classificações serão baseadas em onde eles terminaram em seu grupo e no número de pontos registrados nas preliminares. Outros critérios de desempate incluem (em ordem) diferencial de gols, maior número de gols marcados e, finalmente, sua classificação IIHF.

    Na rodada de playoff de qualificação, a equipe nº 5 enfrentará a equipe nº 12, a equipe nº 6 enfrentará a equipe nº 11, a equipe nº 7 enfrentará a equipe nº 10 e a equipe nº 8 enfrentará a equipe nº 9. Este é um playoff de eliminação em um jogo único até a disputa da medalha de ouro.

    Para concluir, se uma equipe sofre uma derrota na rodada de qualificação ou nas quartas de final ela está fora da competição. Uma derrota na semifinal e a equipe passa para o jogo da medalha de bronze.

     

    Covid-19 acaba com o sonho NheLers

    Com o avanço da variante Omicrôn pela Europa, Ásia e principalmente América do Norte, a situação da NHL não seria diferente das outras Ligas mundiais. Times como Colocar Avalanche, Flórida Panthers e outros, tiveram seus jogos adiados devido aos casos positivos nas equipes. 

    Em decorrência deste alto número de adiamentos de partidas devido ao surtos nos times, infelizmente tivemos uma triste notícia para os atletas que sonhavam competir em Pequim. Devido às diversas infecções em muitas equipes diferentes, a NHL decidiu abrir mão de liberar seus jogadores para a competição internacional.

    A promessa, incluída no último acordo coletivo, envolvia uma condição que estipulava que uma eventual participação não poderia prejudicar a temporada da Liga. Desta forma, a NHL pretende usar as semanas correspondentes à pausa olímpica para realizar as partidas que foram adiadas.

    Embora não tenhamos a chance de ver Connor McDavid, Auston Matthews e Nathan MacKinnon jogar em sua primeira Olimpíada, o torneio de hóquei masculino em Pequim pode ser uma vitrine para a próxima geração de talentos, como por exemplo, Owen Power, que deve se adequar ao Canadá e Beniers, Sanderson e Faber que estão entre os oito jogadores americanos com menos de 21 anos.

    Entretanto, isto pode ser uma espécie de recomeço para estes jovens jogadores, depois que os juniores mundiais foram cancelados no meio do caminho por causa de preocupações com o avanço do vírus. O mundial foi encerrado cerca de uma semana depois que a NHL decidiu se retirar de Pequim, então a oportunidade roubada tornou-se uma motivação para Beniers, Sanderson, Faber e Commesso se comprometerem com as Olimpíadas.

    Só para relembrarmos, quando a NHL decidiu não enviar jogadores para Pyeongchang em 2018, deu ao atacante  russo Kirill Kaprizov, ao defensor finlandês Miro Heiskanen e ao ala Eeli Tolvanen, e aos atacantes americanos Troy Terry, Ryan Donato e Jordan Greenway oportunidades de se destacar no torneio. Kaprizov e Tolvanen foram o segundo e terceiro artilheiros naquele torneio, enquanto Donato liderou os EUA em gols e Terry em assistências.

     

    Rivalidade já na fase de grupos

    Estas Olimpíadas já irá nos proporcionar fortes emoções na fase grupos, com a disputa entre Canadá e Estados Unidos, programada para acontecer no dia 12 de fevereiro à 00h10 (horário de Brasília). Duas seleções que sempre proporcionam ótimas partidas e mantém a rivalidade aflorada para saber qual o melhor país do continente norte americano na disputa no rink, não poderão contar com as suas grandes estrelas da NHL e sim, apostar nos jovens talentos universitários que estão surgindo. 

    A seleção canadense ainda tem Eric Staal que é de longe o jogador mais experiente e talentoso que se espera participar do torneio: um veterano de quase 1.400 jogos da NHL que jogou pelo Montreal na final da Stanley Cup no verão passado. Ele já é um dos apenas 29 jogadores do Triple Gold Club como vencedores de uma Stanley Cup, uma medalha de ouro olímpica e uma medalha de ouro no campeonato mundial que ajudará o Canadá nesta disputa. Além de Owen Power, que já vem para a competição com grandes expectativas, afinal o jogador foi uma das principais escolhas no Draft da NHL de 2021.

    Já os EUA esperam que um equilíbrio entre jovens estrelas universitárias e profissionais experientes na Liga Americana de Hóquei (NCAA) e na Europa contribua para sua primeira medalha olímpica masculina de hóquei desde 2010.

    Isso significa que Jake Sanderson, de Dakota do Norte, e Matty Beniers, de Michigan, jogam ao lado de ex-jogadores recentes da NHL Kenny Agostino, Steven Kampfer e Aaron Ness. Isso está muito longe de Auston Matthews, Patrick Kane e Seth Jones compartilhando o gelo em como as Olimpíadas deveriam ser, mas as expectativas ainda são altas para que esta seleção chegue longe na disputa do ouro.

     

    Rússia chega como a favorita

    Os russos são novamente os favoritos para ganhar o ouro nesta disputa olímpica em Pequim depois de derrotar a Alemanha na final de 2018, com uma virada histórica que os levou para a prorrogação e graças ao talento vindo da Kontinental Hockey League (KHL), que é considerada o segundo melhor campeonato do planeta em hockey no gelo e que já está com seus jogadores garantidos nesta edição.

    https://twitter.com/khl_eng/status/1485336279999037448

    Desta vez, eles terão que ficar sem Kirill Kaprizov. A estrela do Minnesota Wild é um dos jogadores que precisarão ficar de fora destes jogos olímpicos devido à decisão da National Hockey League (NHL) de não liberar seus jogadores para as disputas na China. Igor Shestorkin e Ilya Sorokin dos Rangers e dos Islanders, respectivamente, também ficarão de fora.

    Na verdade, algumas das principais estrelas de 2018 não estarão nesta edição de 2022. Em vez disso, o ROC (Comitê Olímpico Russo) recorrerá a nomes como Matvei Michkov e Danila Yurov para trazer o ouro para casa. Eles apostarão nos principais talentos que a KHL pode proporcionar à seleção.

    Os russos guerreiros e fisicamente resistentes vão tentar manter as coisas estáveis e seguras na defesa e construir as jogadas a partir daí. Com muitos dos melhores talentos ofensivos faltando por jogarem em equipes dos EUA e do Canadá, podemos esperar a defesa sendo a chave para o ROC ganhar o ouro em Pequim 2022.

    Russian team is the new olympic CHAMPIONS! Golden goal of Ice Hockey

     

    Outras seleções para ficar de olho

    A Finlândia tem uma rica história no hóquei para um país com uma população de apenas 5,53 milhões de pessoas, eles com certeza podem estimular o talento da NHL. De membros do Hall da Fama como Teemu Selanne e Jari Kurri a estrelas atuais como Sebastian Aho e Patrick Lane, eles geralmente não têm problemas em dar ao cenário mundial algo sobre o que falar.  Eles não têm superestrelas como Alex Ovechkin, Sidney Crosby ou Connor McDavid, mas isso não significa que sejam fáceis. O que você sempre pode contar é a ética de trabalho e a mentalidade de nunca desistir de suas partidas (não importa o placar), essa equipe vem como uma força motriz para derrubar seus adversários.

    Desde sua primeira aparição em Oslo nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1952, a Finlândia esteve envolvida em 17 dos últimos 18 Jogos Olímpicos. A única vez que eles não competiram foi em 1956, quando Cortina d’Ampezzo sediou a competição. Porém, eles nunca experimentaram a glória de ganhar o ouro, mas chegaram perto em 1988 e 2006.

    Ao todo, já se passaram 16 anos e três Olimpíadas desde que a Finlândia teve o prazer de jogar o jogo da medalha de ouro. Além de suas duas medalhas de prata, eles têm quatro medalhas de bronze também. Antes do sexto lugar em 2018, eles haviam conquistado três medalhas consecutivas em Olimpíadas e seis das últimas oito. Então, no geral é uma seleção que vem para brigar por medalha este ano.

    https://twitter.com/IIHFHockey/status/1484223496888664065

    Outra seleção que vale prestarmos atenção é a Suécia, que tenta sua primeira medalha desde as Olimpíadas de Sochi em 2014. A equipe sempre foi uma força na competição internacional e teve uma longa lista de sucessos nos Jogos Olímpicos. A seleção ganhou medalhas de ouro em 1994 e 2006, e também tem três medalhas de prata e quatro medalhas de bronze em seu nome. Como mencionado acima, sua medalha mais recente foi em 2014, quando conquistou a prata depois de perder por 3 a 0 para a seleção do Canadá, na disputa do ouro.

    As coisas ficaram um pouco mais complexas para os suecos nessa corrida pelo ouro dos jogos olímpicos pois, nesta segunda-feira (31) a equipe anunciou que dois jogadores defensivos que deveriam estar nas partidas, Emil Djuse e Erik Gustafsson, não participarão mais devido a resultados positivos de covid-19.

    As chances da seleção sueca de lutar por uma medalha estão no mesmo nível de alguns dos outros principais países disputando essas Olimpíadas como Finlândia, Canadá e Alemanha, e eles têm a chance de causar algum incômodo às outras seleções pois está em grupo que com certeza o levará para a próxima fase da disputa. A equipe à se derrotar este ano é a ROC (atual campeã), entretanto, com alguns talentos da SHL, a equipe sueca quer mostrar que pode ser a surpresa da competição.

    https://twitter.com/IIHFHockey/status/1484512073270837254

     

    Onde assistir às Olimpíadas de Inverno

    No Brasil, os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2022 são da Rede Globo. Com isso, as partidas serão televisionadas principalmente no Sport TV. Além disso, os brasileiros podem contar com a plataforma de streaming da emissora, o Globoplay.

    Outra opção é o site oficial dos jogos, onde terá transmissão de todas as 15 modalidades destas Olimpíadas. 

    Para não esquecer, a competição masculina começa no dia 09 de fevereiro com as partidas:

    04:40 ROC x Suíça

    09:10 República Tcheca x Dinamarca

    *Horário de Brasília

     

    Foto: reprodução/ rbth.com

  • História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    Bem distante do início da história do hockey no gelo masculino nas Olimpíadas, que aconteceu em 1920, ainda na edição de verão, o hockey no gelo feminino só adentrou a competição em 1998, nas olimpíadas de inverno de Nagano, no Japão.

    Apesar de 24 anos de história ainda não ser muito tempo, as conquistas realizadas pelas atletas no gelo marcaram o esporte. A participação no maior evento esportivo da Terra traz uma visibilidade gigantesca para a qualidade da modalidade e valoriza o trabalho de mulheres incríveis e que até hoje, infelizmente, precisam se auto afirmar constantemente nas arenas e na mídia. 

    A disputa entre os times do Canadá e dos EUA se consagrou durante essas duas décadas. Apenas no ano de 2006 a final não contou com um desses times, quando Canadá disputou o ouro contra a Suécia, levando a melhor por 4-1. O país possui 4 ouros olímpicos, de 6 disputados, os outros dois pertencem aos Estados Unidos.

    https://youtu.be/qBADJx4K5Wk

    Os Estados Unidos ficaram com a medalha de ouro nos anos de 1998, na estreia, e em 2018 na Coreia. 

    A História

    Nagano 1998: o primeiro ouro olímpico 

    Na estreia histórica da modalidade feminina nos Jogos tivemos a primeira edição da grande rivalidade que permearia o hockey internacional nas próximas duas décadas. Em uma competição com seis equipes, os Estados Unidos e o Canadá fizeram uma final que resultou em uma vitória de 3-1 para as americanas, que capturaram o terceiro ouro no esporte para o seu país. Já a batalha pelo bronze ficou com a Finlândia, que venceu a China por 4-1. 

     

    Salt Lake City 2002: o desespero das donas da casa 

    Já nos Jogos de 2002 o hockey feminino olímpico viu o número de seleções aumentar, com a classificação de países como Rússia, Alemanha e Cazaquistão em suas primeiras participações na modalidade. Em uma reedição da final de 1998, as canadenses se vingaram e ganharam o ouro pela primeira vez ao vencerem as americanas por 3-2. O bronze ficou com a Suécia, que venceu a então detentora da medalha, a Finlândia, sua arquirrival nórdica, por 2-1. 

     

    Turim 2006: o milagre sueco

    Mas em 2006, em um desfecho inesperado, a Suécia venceu os Estados Unidos na semifinal durante uma disputa de shootout. Entretanto, a sorte deixou o lado das escandinavas na grande decisão, e o Canadá venceu com facilidade por 4-1. Já o bronze ficou com as americanas, que fizeram 4-0 na Finlândia para completar o conjunto de medalhas olímpicas.

     

    Vancouver 2010: o hockey veio para casa

    Em seguida, em 2010, a estreante da edição foi a Eslováquia, que se classificou pela primeira vez para os Jogos de Inverno. Todavia, a final foi uma reedição dos dois primeiros torneios, com o Canadá vencendo seu terceiro ouro consecutivo por 2-0 contra as americanas. Já o bronze ficou com a Finlândia, que venceu sua grande rival sueca na prorrogação por 3-2. 

     

    A polêmica sobre a competitividade

    Com a clara hegemonia das duas potências do hockey feminino, o Canadá e os Estados Unidos, foi levantada a questão da competitividade do torneio. O então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, insinuou que a existência de duas potências claras no esporte era injusta e que, portanto, a modalidade poderia estar ameaçada. 

     

    Sochi 2014: nasce uma estrela

    Logo, em 2014, a final do torneio foi decidida novamente entre Canadá e Estados Unidos, com as canadenses levando a melhor de novo. Com um gol histórico de Marie-Philip Poulin na prorrogação, as canadenses venceram seu quarto ouro consecutivo. Sochi foram os primeiros Jogos de Poulin, que já era apontada como a grande futura estrela do Canadá. A medalha de bronze foi para a Suíça, que venceu a Suécia por 4-3 em um feito histórico. Com isso, Alina Müller se tornou a jogadora de hockey mais jovem a conquistar uma medalha olímpica, aos 15 anos de idade. 

    Pyeongchang 2018: a doce vingança depois de três derrotas

    Por último, no ano de 2018, pela primeira vez desde o torneio inaugural da modalidade, as americanas venceram o ouro. Ao derrotar as rivais canadenses por 3-2 no shootout, elas conquistaram o segundo ouro olímpico da sua história. Já a medalha de bronze ficou com a Finlândia, que venceu o Comitê Olímpico Russo por 3-2. 

    Pequim 2022

    E a batalha entre as duas grandes nações olímpicas da modalidade promete nesta edição. Os primeiros jogos de hockey no gelo feminino das Olimpíadas de inverno de Pequim 2022 começam dia 3 de fevereiro, com a fase preliminar de grupos. A agenda dos jogos de hockey no gelo feminino pode ser lida no site oficial da IIHF

     

    *Texto escrito por Marina Garcez e Taíssa Lopes

  • Prévia do Hóquei Feminino nas Olímpiadas de Inverno 2022

    Prévia do Hóquei Feminino nas Olímpiadas de Inverno 2022

    Preparados para passar madrugadas acordados, fãs? Os Jogos Olímpicos de Inverno começam dia 4 e irão até o dia 20 de fevereiro, trazendo bastante adrenalina, esportes diferenciados e o que a gente mais gosta: hockey! 

    No entanto, como sempre, algumas modalidades têm o início das competições antes da data oficial de início, como o curling, o luge e o hóquei no gelo. Todavia, o nosso esporte queridinho terá somente as seleções femininas no gelo antes da cerimônia de abertura. Assim sendo, quem quiser assistir a algumas partidas da rodada preliminar feminina, vai ter que ficar acordado nessa madrugada (3) entre 1:10 e 10:10 da manhã (horário de Brasília)!

    Pequim, que sediará o evento, é a primeira cidade na história a sediar as duas versões dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Mas não só isso, afinal, ela também é a maior cidade a sediar as Olimpíadas de Inverno. Além disso, vai colocar a seleção chinesa de hóquei no gelo no rinque após 12 anos sem competir em alto nível (e será que vai surpreender? Esperamos que sim pois estamos aqui pela zebra).

    A competição feminina terá dez seleções divididas em dois grupos de cinco, sendo eles:

    Grupo A: Canadá, Finlândia, Suíça, Comitê Olímpico Russo (ROC) e Estados Unidos.

    Grupo B: China, República Checa, Dinamarca, Japão e Suécia.

    As quatro melhores equipes passarão para as quartas de final, que acontecerão entre os dias 11 e 12 de fevereiro. Depois disso, no dia 16, teremos os jogos valendo medalhas.

    Primeiras aparições

    Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, teremos representantes da República Checa e da Dinamarca competindo pelo ouro no hóquei no gelo feminino. 

    Mesmo que nunca tenham terminado no top 5 em um mundial, as checas conseguiram garantir a vaga para as Olimpíadas após ganharem as 3 partidas em seu respectivo grupo das qualificatórias.

    Já a Dinamarca conquistou sua vaga com mais  dificuldade. Competindo em um grupo onde a favorita era a Alemanha, as dinamarquesas conseguiram deixar todos boquiabertos ao vencer as alemãs nos últimos 10 minutos do 3° período, garantindo a presença em Pequim.

    Seleção Feminina de Hóquei no Gelo da Dinamarca
    Imagem: Reprodução/CGTN.

    A seleção Chinesa

    Depois das Olimpíadas de 2010, em Vancouver, ninguém nunca mais viu a seleção chinesa competindo em eventos de grande porte. No entanto, as chinesas retornam para o gelo olímpico esse ano, uma vez que a seleção do país sede tem sua vaga garantida. 

    Jogando em casa, a equipe da China é um pouco curiosa. A maioria das jogadoras e dos funcionários já se conhecem muito bem, afinal, trabalham juntos no KRS Vanke Rays, time que compete na Zhenskaya Hockey League (ZhHL), na Rússia, e está atualmente em 4° lugar na competição.

    Além de ter muitas jogadoras mais velhas, a seleção chinesa conta com jovens talentos, como Taylor Lum, que tem 19 anos e é a atleta mais nova no elenco; Kassy Betinol, que antes fazia parte do programa nacional canadense; e Anna Sagedi.

    Vale ficar de olho também na líder Rachel Llanes e no uniforme (e pads) maravilhoso que a seleção chinesa irá usar na competição! 

    A rivalidade norte-americana

    Após ganharem a medalha de ouro na Coréia do Sul em 2018, as americanas estão a caminho do pódio mais uma vez, trazendo toda a garra e força de vontade que já conhecemos. 

    A grande vitória em Pyeongchang levou à dominância contra suas rivais por um bom tempo. As canadenses conseguiram destruir a hegemonia estadunidense ao conquistarem o título do mundial feminino de hóquei no gelo pela 11ª vez em 2021.

    Com a rivalidade pegando fogo (como já era esperado), as duas seleções são as favoritas para levarem o ouro para casa, e são garantia de bons jogos na programação das olimpíadas.

    Para ficar de olho: Mélodie Daoust (CAN), Jamie Lee Rattray (CAN), Brianna Decker (EUA) e Lee Stecklein (USA).

    Onde assistir às Olimpíadas de Inverno

    No Brasil, os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2022 são da Rede Globo. Com isso, as partidas serão televisionadas não somente na Globo, como também no SporTV. Além disso, os brasileiros podem contar com a plataforma de streaming da emissora, o Globoplay.

    Outra opção é o site oficial dos jogos, onde terá transmissão de todas as 15 modalidades das Olimpíadas. 

    A competição começa na madrugada do dia 3 de fevereiro com as seguintes partidas:

    1:10: República Checa x China / Canadá x Suíça

    5:40: Suécia x Japão

    10:10: Finlândia x Estados Unidos

    * Horário de Brasília. 

  • Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Todo ano olímpico a expectativa é ver nossas estrelas da NHL no gelo, disputando a medalha dourada em suas respectivas seleções. Para 2022, deixaram a gente sonhar: era o momento de ver Sidney Crosby ao lado de Connor McDavid. Auston Matthews ao lado de Johnny Gaudreau. E uma verdadeira salada mista das linhas que estamos acostumados a acompanhar. 

    Deixaram a gente sonhar, mas infelizmente a COVID-19 acabou com a alegria do fã de esporte e, por causa do aumento de casos e dos jogos adiados, a NHL desistiu de permitir a ida dos seus atletas para Beijing 2022. Assim, mais uma vez, acompanharemos os jogos sem as grandes estrelas da Liga. 

    Entretanto, quando falamos de hockey olímpico, falamos de muito mais do que só a NHL. Falamos de quando o esporte era apenas amador, de nomes que subiram ao pódio em meio a boicotes e crises políticas. Falamos de mulheres brilhando no gelo, e uma das maiores rivalidades da história, disputada medalha a medalha. Hoje, vamos conhecer um pouco do outro lado brilhante da história do esporte. 

    Estreia nos jogos

    O hockey no gelo (masculino) fez a sua estreia nos jogos em uma Olimpíada de verão! Sua estréia foi nos jogos de Antuérpia em 1920, três anos após a criação da NHL em 1917. Entretanto, foi apenas em 1924, nos jogos de Chamonix, na França,  que o esporte passou seu programa para os jogos de inverno. Outra curiosidade é que o Canadá foi o medalhista de ouro em ambas as edições.

    Já a modalidade feminina demorou décadas até enfim ser considerada olímpica em 1998, em Nagano, no Japão. E, desde então, as seleções femininas de Estados Unidos e Canadá travam uma verdadeira batalha pela medalha de ouro a cada 4 anos.  

    O hockey olímpico e a URSS:  Red Machine

    Durante o período da Guerra Fria, os esportes foram um dos artifícios que o governo soviético encontrou para fazer propaganda do seu regime. Dessa forma, eles investiram em diversas modalidades em que a URSS tinham domínio para levar ao mundo ocidental as forças ideológicas que eles estavam construindo. Dentre eles, o hockey.

    O hockey da forma como conhecemos hoje surgiu no Canadá. Na Rússia, a modalidade que era mais praticada recebe o nome de bandy, onde os jogadores usam uma bola de borracha no lugar do disco e, geralmente, em lagos congelados e arenas outdoor.

    O Ice Hockey, ou Hockey canadense como foi chamado, chegou à Rússia quando o país já fazia parte da União Soviética. Oficiais do governo tiveram contato com o esporte em 1945. Em uma visita ao Reino Unido, durante um tour do time de futebol FC Dynamo Moscow,  tiveram a ideia de criar uma seleção competitiva de hockey.

    Foi responsabilidade de Anatoli Tarasov transformar um grupo de jovens jogadores de Bandy em uma seleção de Ice Hockey consistente e competitiva. Para isso, Tarasov, que era apaixonado por balé, desenvolveu uma técnica da qual os jogadores “dançavam” no gelo se posicionando onde o disco estaria, formando um jogo diagonal em oposição ao linear apresentado pelo Canadá.

    Com uma disciplina digna das escolas de dança russas e treinando 11 meses no ano, mesmo quando não havia gelo, Tarasov liderou uma seleção que dominou o cenário do hockey internacional. A estreia da URSS em jogos olímpicos aconteceu nos Jogos de Cortina d’Ampezzo 1956 e mudou de vez o curso da história olímpica do hockey. Em um cenário que antes era dominado pelo Canadá, agora a URSS foi em busca desse domínio esportivo-político e conquistou entre 1963 a 1972, três medalhas de ouro olímpicas e 9 campeonatos mundiais. Ao total, foram 9 medalhas de ouro em jogos olímpicos para a URSS. 

    O Miracle on Ice

    Talvez o jogo de hockey mais famoso em jogos olímpicos seja o Miracle on Ice. Na semifinal das olimpíadas de Lake Placid, em 1980, a seleção americana entrou no gelo com seus atletas universitários para enfrentar a União Soviética no seu auge. E, apesar de todas as probabilidades, os Estados Unidos não apenas venceu esse jogo de virada, como também conquistou a medalha dourada naquele ano. 

    Na década de 80, os jogadores da NHL não podiam competir em jogos olímpicos pelo critério do amadorismo que existia nas regras olímpicas. Dessa forma, as principais estrelas norte-americanas, em sua maioria canadenses, ficavam de fora da competição.

    Dizer que a rivalidade EUA x Rússia no hockey não tem origens políticas também não seria correto. Os Estados Unidos levaram uma medalha de ouro olímpica vencendo a URSS,  em plena década de 1980, o que sem sombra de dúvidas teve um respaldo político. Entretanto, para aqueles atletas, as questões políticas foram as que menos importaram no momento do jogo.

    Os Estados Unidos chegavam àquela olimpíada com uma seleção de hockey recém-formada. Jovens jogadores, em sua maioria, universitários, que até um ano antes estavam acostumados a competirem entre si e não a formarem um time único para defender o seu país.

    Essa seleção americana, apesar de nenhum de seus jogadores atuarem na NHL profissionalmente, foi a abertura que a Confederação Americana de Hockey teve para expandir a NHL nos Estados Unidos e a formar uma nova forma de jogar hockey. 

    Sochi 2014: foi bom vê-los, NHL

    Se em 2014 alguém contasse a Sidney Crosby que aquela seria a sua última olimpíada em anos, ele teria comemorado ainda mais a medalha dourada. Mas as olimpíadas de Sochi entraram para a história não apenas porque foi a última com a presença de jogadores da NHL, como também a que deu origem a todo o escândalo de doping da Rússia que viria a estourar depois. No hockey, tivemos o Canadá vencendo a medalha dourada tanto no masculino quanto no feminino. 

    A final feminina entrou para a história quando, pela primeira vez em jogos olímpicos, precisou de um overtime para Canadá e Estados Unidos definirem um vencedor. Perdendo por 2 a 0, foi apenas no terceiro período que a seleção canadense, com gols de Brianne Jenner e Marie-Philip Poulin respectivamente, iriam empatar o confronto. E foi Poulin quem marcou o gol da vitória, no overtime, dando a medalha dourada para o Canadá. 

    No masculino, por outro lado, não faltavam nomes estrelados dentre as seleções como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr, Mats Zuccarello, entre outros.  A final, disputada entre Canadá e Suécia, teve um resultado positivo para a seleção canadense. Com Sidney Crosby usando o C, Carey Price no gol e diversos outros grandes nomes no gelo, o masculino também conquistou a medalha dourada. Dessa forma, na última participação de jogadores da NHL em jogos olímpicos, o Canadá mostrou porque ainda é considerado o país do hockey.

    Olimpíadas de PyeongChang 2018

    Em 2018, o fã do hockey pode curtir uma campanha interessante tanto no masculino quanto no feminino. Sem os jogadores da NHL, Estados Unidos e Canadá ficaram de fora da final do masculinho e uma zebra aconteceu: a seleção da Alemanha disputou a final pela primeira vez, contra os atletas olímpicos da Rússia. A seleção germânica ficou com a medalha de prata, enquanto que os atletas olímpicos da Rússia conquistaram o ouro pela primeira vez desde a dissolução da União Soviética. 

    Mas, apesar do hockey masculino ter sido um campeonato interessante de assistir, a grande estrela da última olimpíada foi a modalidade feminina. O primeiro destaque foi a histórica seleção da Coreia unificada. Por serem o país sede, as jogadoras do norte e do sul disputaram, pela primeira vez, um campeonato juntas. E não foi surpresa para ninguém que as seleções dos Estados Unidos e do Canadá disputaram a final. As canadenses eram as favoritas depois de terem levado a medalha de ouro para casa nas últimas quatro olimpíadas, mas as americanas não desistiram e conquistaram a medalha dourada em 2018 pela primeira vez desde a estreia da modalidade nos jogos, em 1998. 

    Sem os jogadores da NHL nas olimpíadas, sem dúvidas poderemos ver mais zebras e reviravoltas em 2022. 

    Para mais curiosidades olímpicas, confira a nossa série 10 for 10,  em que relembramos diversos fatos importantes do hockey na última década, incluindo as olimpíadas de 2010 e 2014.

     

    Imagem: Reprodução/sportsnet.com 

  • Lituânia, Eslováquia e Dinamarca se classificam para as Olimpíadas

    Lituânia, Eslováquia e Dinamarca se classificam para as Olimpíadas

    Neste domingo (29), três dos representantes europeus do hockey masculino já marcaram seu bilhete para as Olimpíadas de Inverno de Pequim em 2022. Lituânia, Eslováquia e Dinamarca conquistaram a classificação nas eliminatórias da International Ice Hockey Federation (IIHF). Embora a NHL ainda não tenha confirmado a ida de seus jogadores para a competição internacional, muitos deles ajudaram suas seleções a conquistarem a vaga.

    A Lituânia foi a primeira classificada, com uma vitória de 2-1 sobre a França, e competirá nos jogos olímpicos pela quinta vez em seis edições, já que perdeu os últimos jogos, em 2018. Atuando em casa, na Arena Riga, Rihards Bukarts e Miks Indrasis anotaram gols pela equipe. O gol da França foi marcado por Stephane da Costa no final da partida e com certeza gerou palpitações na torcida local. O ponto, no entanto, não foi o bastante para tirar a classificação da Lituânia.

    Ademais, a Eslováquia também se classificou no gelo de casa, em Bratislava. Em uma partida contra Belarus, os eslovacos venceram por 2-1 com um gol de empty net de Libor Hudacek. Com as emoções à flor da pele, o defensor belarusso Sergei Sapego aplicou um checking por trás no eslovaco Juraj Slafkovsky e foi expulso da partida com 4:05 minutos. Ainda assim, a equipe de Belarus foi competitiva, mas não resistiu ao ataque eslovaco. 

    Por fim, a Dinamarca venceu os também escandinavos da Noruega por 2-0. Com essa vitória, os dinamarqueses se classificaram para os jogos de inverno pela primeira vez desde 1946, ou seja, em 75 anos. Contando com atuações de destaque de Frederik Storm, que fez o gol da vitória, e do goleiro Sebastian Dahm, que fez 26 defesas, a Dinamarca realizou um feito histórico. 

    Após as classificações de hoje os grupos para os Jogos Olímpicos de Pequim já estão definidos:

    (Fonte: IIHF.com/ Reprodução)

    O hockey olímpico começará no dia 04 de fevereiro e terá sua final no dia 20 de fevereiro. As arenas oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 são o Beijing National Indoor Stadium e a Wukesong Arena.

    Foto: Reprodução/Reuters