Categoria: Análise

  • Makar x Hughes: Quem são os possíveis finalistas do Calder Trophy

    Makar x Hughes: Quem são os possíveis finalistas do Calder Trophy

    O Calder Trophy, troféu destinado ao melhor novato da Liga, não deve trazer grandes surpresas esse ano. O rookie que tem maior destaque é, sem dúvida, Cale Makar, defensor do Colorado Avalanche. Entretanto, Quinn Hughes do Vancouver Canucks tem ganhado destaque nas últimas semanas. Provavelmente, o prêmio ficará entre um dos dois defensores, pois ambos vêm apresentando boas estatísticas e se tornando indispensáveis para seus times.

    Mas nomes como Victor Olofsson (Buffalo Sabres) e Nick Suzuki (Montreal Canadiens) também são bastante comentados pelos especialistas. Em um prêmio que o que conta são os votos dos writers da NHL, isso pode ser o diferencial ao final da temporada. Dois dos três finalistas já estão definidos, mas quem será que vai para o NHL Awards este ano? Pensando nisso, levantamos os possíveis finalistas para o troféu.

    Cale Makar – Colorado Avalanche

    Desde que estreou na NHL em 15 de abril de 2019, Makar vem se mostrando um jogador diferenciado. No seu primeiro jogo na Liga já marcou o primeiro gol, tornando-se o primeiro defensor a marcar um gol em sua estreia. Entretanto, como entrou na Liga durante os playoffs, a temporada 2019-20 é oficialmente a sua temporada de rookie, o que o torna elegível para o Calder Trophy.

    Até dezembro, Cale era o único candidato possível para levar o prêmio. Entretanto, após sofrer uma lesão e desfalcar o time por alguns jogos, a corrida pelo troféu se tornou interessante. Makar já quebrou diversos recordes para o Colorado Avalanche essa temporada e, com 53 jogos no gelo, soma 45 pontos, destes, 12 são gols. Cale Makar está mudando a forma do Avalanche jogar e se mostrando, sem dúvidas, essencial para o time.

    Quinn Hughes – Vancouver Canucks

    Quinn Hughes é o terceiro rookie seguido do Vancouver Canucks a ser considerado provável finalista do Calder Trophy. O time teve Brock Boeser como finalista em 2018 e, em 2019, Elias Peterson levou o prêmio. Sem dúvida, o trio é um dos mais promissores na NHL.

    Quinn fez sua estreia na NHL em 28 de março contra o Los Angeles Kings, coletando um ponto após dar uma assistência para Brock Boeser. Mas assim como Cale Makar, tem como sua temporada de estreia em 19-20. Ao todo, Quinn já soma 49 pontos em 60 jogos. A diferença que o defensor fez para os Canucks é visível, uma vez que, ao lado de Boeser e Petterson, ajudou a equipe a modificar sua forma de jogar. Vancouver hoje está na terceira posição na Divisão Pacífica, apenas 4 pontos atrás do Vegas, primeiro colocado.

    Igor Shesterkin – New York Rangers

    Outro forte candidato para ser um dos finalistas do Calder deste ano é o russo Igor Shesterkin. O goleiro do New York Rangers estreou pelo time em 7 de janeiro, fazendo 29 defesas na vitória dos Rangers contra o Avalanche por 5 a 3. O jogador de 24 anos, que é citado como o sucessor de Lundqvist, ainda não tem desempenho o suficiente para ser comparado aos líderes da Liga. Entretanto, dos dez jogos que esteve frente às redes, Shesterkin conquistou 9 vitórias. Com mais tempo de gelo, o russo pode ser exatamente o que os Rangers precisam para conquistar a tão sonhada vaga nos playoffs. Além disso, o jovem jogador pode ser ser o início da tão esperada renovação na equipe. Sem dúvida, um jogador para se prestar atenção. 

    Nick Suzuki – Montreal Canadiens

    O rookie dos Habs é o primeiro jogador do ataque que entra nessa lista. O forward, draftado em 2017 pelo Vegas Golden Knights, chegou ao Montreal na troca de Max Pacioretty antes da temporada 2018-19. Sua estreia na NHL foi em 3 de outubro de 2019, na derrota para o Carolina Hurricanes por 4 a 3, na abertura da temporada 2019-20. Apesar de ter marcado no shootout contra os Canes, o primeiro gol de Suzuki veio marcar o seu primeiro gol na Liga no dia 17 de outubro, na vitória de 4 a 0 contra o Wild.

    Em 65 jogos, Suzuki soma 40 pontos, destes, 13 são gols. Ele está empatado em 3º em número de gols entre os calouros, apesar de ter menos tempo no gelo. Sem dúvida, o center é um dos jogadores que está trazendo as mudanças que o Habs há muito precisava. A disputa para uma vaga nos playoffs ainda está em aberto, mas, com dez pontos atrás do último lugar para o wild card, muito provável que o time de Montreal fique mais um ano de fora da pós-temporada. Entretanto, os resultados individuais de Suzuki impressionam e pode fazer com que ele seja um dos finalistas do Calder Trophy. 

    Victor Olofsson – Buffalo Sabres

    O Buffalo Sabres não vai muito bem na temporada. Atualmente, ocupam a 24ª colocação na tabela com 66 pontos, mas isso não impediu o rookie Victor Olofsson de chamar atenção para si mesmo. Olofsson fez a sua estreia na NHL no final da temporada 2018-19. Nesta temporada, o sueco esteve presente em 47 jogos e soma 40 pontos, sendo 19 gols. Sendo assim, o forward está empatado em terceiro em números de gols entre os novatos. Voltando de lesão, se mantiver seu ritmo de jogo, pode entrar na lista dos finalistas para o Calder Trophy. 

    A temporada 2019-20 não está sendo produtiva para os rookies. Quinn Hughes e Cale Makar impressionam, mas a terceira vaga entre os finalistas ainda está aberta. Entretanto, nomes como Martin Necas (Canes), Elvis Merzlikins (Blue Jackets), Adam Fox (Rangers), Dominik Kubalik (Blackhawks) e Danis Gurianov (Stars) ainda podem nos surpreender nessa reta final de temporada e ser o terceiro candidato nessa disputa entre Hughes e Makar. 

  • Possíveis candidatos ao Norris Trophy

    Possíveis candidatos ao Norris Trophy

    O James Norris Memorial Trophy foi estabelecido na temporada 1953-54, concedido ao principal defensor da temporada. Os candidatos, no geral, são escolhidos pela Professional Hockey Writers’ Association (PHWA). Desta forma, se o jogador demonstra a maior habilidade geral na posição durante a temporada, acaba levando, por fim, o troféu na cerimônia do NHL Awards. 

    Anteriormente, o vencedor da temporada 2018-19 foi Mark Giordano, do Calgary Flames, devido ao destaque que apresentou na defesa ao longo de toda a temporada regular e playoffs. Portanto, baseado nos nomes já citados pela própria NHL, e nas opiniões do próprio NHeLas, trouxemos um top 5 dos possíveis candidatos ao Norris Trophy este ano. 

    John Carlsson

    John Carlsson, do Washington Capitals, é um dos favoritos ao Norris Trophy nesta temporada.
    John Carlsson é um dos favoritos ao Norris Trophy nesta temporada.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    Não é mistério para ninguém a temporada espetacular que John Carlsson está tendo. Atualmente, o jogador possui 67 pontos em apenas 56 jogos. Ele também foi o primeiro defensor da NHL em muito tempo a atingir, nesta temporada, 50 pontos em 40 partidas disputadas ou menos. O recorde não era quebrado desde Paul Coffey, em 1994-95. 

    Apesar de ser dominante em sua posição em várias estatísticas na Liga, Carlsson também em um dos líderes dos Capitals dentro (e fora) do gelo. Ele lidera a equipe em ice-time, assists e é grande responsável pela boa campanha do time até o momento. Atualmente, Washington é o líder da Divisão Metropolitana com 77 pontos e ocupa a 3ª posição overall da NHL. 

    Desta maneira, grande parte do desenvolvimento do time durante a temporada é devido ao papel que o defensor desenvolve na equipe, juntamente de Ovechkin e companhia. Carlsson é um jogador que se prepara para todas as situações dentro do rinque, e não apenas na defesa do time — papel que exerce de forma exemplar e, sem sombra de dúvidas, é um dos defensores mais completos da Liga.

    As estatísticas provam isso: hoje, o defensor é líder em assistências (52) e pontos (67) nos Capitals. Em gols, ocupa a 6ª posição no time, com quinze registrados, e a primeira entre os jogadores de defesa.

    Carlsson é um dos favoritos ao prêmio pela Professional Hockey Writers’ Association. Ele pode ser o primeiro jogador do Washington a levar o Norris desde Rod Langway, que conquistou o troféu de 1982 a 1984.

    Roman Josi (Nashville Predators)

    Roman Josi é um dos principais líderes do Nashville dentro e fora do gelo.
    Roman Josi é um dos principais líderes do Nashville dentro (e fora) do gelo.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    Atualmente, Roman Josi possui 55 pontos em 55 jogos. E apesar de, no momento, os Predators não fazerem sua melhor temporada, o capitão tem sido a peça essencial que mantém o time seguindo. Além de ser um líder para o elenco no do gelo, ele também lidera os Preds em assistências (41) e em pontos (55). Já em gols, o defensor ocupa a 3ª posição na equipe, com 14. 

    No entanto, apesar de não ter uma posição ofensiva ativa em todos os jogos do Nashville, Josi ainda assim tenta se manter a par de todas as situações que ocorrem na partida. Não só como defensor, mas também como o jogador que participa e também arma as jogadas essenciais e que, ainda assim, volta para a sua posição de origem e a exerce da melhor maneira possível. O momento que os Predators estão enfrentando pede um defensor completo e que possa jogar em todas as situações. 

    Porém, as chances dele defensor concorrer ao Norris podem vir a aumentar. Isso tudo caso o Nashville consiga manter uma sequência de vitórias mais consistente nessa segunda parte da temporada. Todavia, o jogador continua como um dos mais cotados candidatos para o prêmio pela PHWA. Resta aos fãs dos Preds torcerem para que o suíço continue elevando suas estatísticas e jogo dentro do rink.

    Alex Pietrangelo (St. Louis Blues)

    O capitão do St. Louis Alex Pietrangelo foi um dos responsáveis pela reviravolta do time no início de 2019.
    O capitão do St. Louis foi um dos responsáveis pela reviravolta do time no início de 2019. Foto: Reprodução/ Claus Andersen/Getty Images

    O capitão do St. Louis Blues também é um dos favoritos a levar o troféu. O time não fez apenas uma ótima campanha na temporada passada, que resultou na primeira Stanley Cup da equipe. Nesta temporada, os Blues continuaram no ritmo em que terminaram a anterior e, atualmente, lideram a Conferência Oeste em pontos (73) e ocupam a 5ª posição overall da Liga. 

    Pietrangelo tem sido uma das peças principais no desempenho do time na Liga, principalmente nesta temporada. Como um dos líderes da defesa da equipe, o jogador possui grande combinação de habilidade e força que, juntamente ao restante dos defensores dos Blues, ajuda a bloquear as melhores linhas da NHL e participar ativamente de todas as jogadas do time. Atualmente, Pietrangelo possui 13 gols, 31 assistências e ocupa o 4º lugar em pontos (44) na equipe de St. Louis. 

    Apesar do desempenho do time ter decaído levemente nessa segunda metade da temporada, o capitão ainda é um dos responsáveis por manter os Blues na mira dos playoffs. Seguidamente, na pós-temporada, vai ser uma das peças essenciais por manter a defesa acordada e produzindo para que, desta forma, as chances de St. Louis trazer mais uma Stanley Cup para casa sejam maiores. 

    Victor Hedman (Tampa Bay Lightning)

    Victor Hedman é um dos líderes da defesa do Tampa Bay Lightning.
    Victor Hedman é um dos líderes da defesa do Tampa Bay Lightning.
    Foto: Reprodução/nhl.com

    O defensor do Tampa Bay Lightning é um dos favoritos ao Norris Trophy há bastante tempo. Finalista em 2017 e 2018, o sueco conquistou o troféu neste último pela grande temporada que fez junto de Tampa. 

    Pelo seu estilo de jogo ao longo dos anos, Hedman se tornou um dos melhores defensores da Liga. E na temporada 2019-20, não é diferente. Porém, apesar do desempenho de Tampa ter decaído este ano, o jogador continua como um dos líderes da defesa da equipe e em várias outras situações no rinque. 

    Atualmente, Hedman fica atrás apenas de Kucherov em assistências (37) e é o 4º jogador do time com mais pontos (46). No entanto, apesar de não ter marcados muitos gols nesta temporada (apenas nove), ele lidera em ice-time. A média do jogador no gelo por partida é de 23:48 minutos. 

    Hedman não é um dos mais cotados a levar o prêmio nesta temporada. No entanto, ainda temos um pouco menos de 2 meses para que o jogador cresça mais no jogo e ajude o Lightning em sua recuperação. 

    Cale Makar (Colorado Avalanche)

    Cale Makar tem se tornado peça essencial para o sucesso do Colorado Avalanche e forte candidato ao Norris Trophy.
    Makar tem se tornado peça essencial para o sucesso do Colorado Avalanche
    Foto: Reprodução/ftw.usatoday.com

    Desde que começou a atuar pelo Avalanche nos playoffs do ano passado, Makar tem se mostrado peça essencial para o sucesso do time atualmente. Quando Colorado sofreu com as lesões em seus principais jogadores no início da temporada atual, Makar foi rapidamente escalado para ajudar na primeira linha juntamente de Nathan Mackinnon. 

    O defensor tem se mostrado cada vez mais um jogador completo e de extrema importância para o time. Atualmente, o canadense fica apenas atrás de Mackinnon em assistências (30) e pontos (42). Desta forma prova que não apenas é um dos melhores na própria posição, mas que também faz um bom trabalho em outras funções. 

    Seu jogo ofensivo no gelo e sua participação ativa em todas as jogadas do time apenas provam o quanto Makar tem se desenvolvido cada vez mais no jogo. Logo, não será surpresa se o jogador acabar como um dos finalistas do prêmio. Assim, torcemos para que seu desempenho na temporada continue crescendo.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Possíveis candidatos ao Vezina Trophy

    Possíveis candidatos ao Vezina Trophy

    O Vezina Trophy é o troféu dado ao melhor goleiro da temporada regular. Um dos prêmios mais históricos da NHL, antigamente ele era entregue ao goleiro que tivesse a melhor média de gols cedidos (GAA). Agora, ele é simplesmente dado ao melhor goleiro da Liga, sendo possível basear esse critério de acordo com a vitórias, ou com o save percentage (SV%) do jogador, além da própria GAA.

    Diferentemente dos outros prêmios, definidos pela Professional Hockey Writer’s Association (PWHA), o Vezina Trophy é votado por todos os 31 General Managers da NHL.

    O último vencedor foi Andrei Vasilevskiy, do Tampa Bay Lightning. Com a temporada na reta final, resolvemos mostrar quais os principais goleiros no radar do Vezina Trophy este ano.

    Connor Hellebuyck (Winnipeg Jets)

    Connor Hellebuyck, candidato ao Vezina Trophy
    Connor Hellebuyck, principal nome na disputa pelo Vezina Trophy (Foto: John E. Sokolowski/USA TODAY Sports)

    Primeiramente, o americano Connor Hellebuyck, do Winnipeg Jets, é considerado o favorito para levar o Vezina. Este seria seu primeiro prêmio na carreira.

    Era de se esperar que o Winnipeg Jets sofresse nessa temporada, afinal muitos de seus defensores foram embora do time na offseason. Jacob Trouba foi trocado, e Tyler Myers e Ben Chiarot viraram free agents e acabaram não renovando com o Jets.

    Entretanto, graças a Hellebuyck, os Jets estão conseguindo ter uma temporada boa, apesar de tais fraquezas. De todos os goleiros, Hellebuyck foi quem mais teve partidas em 2019-20. Ele jogou 42 jogos, até agora. O recorde dele à frente das redes é de 22-16-5, juntamente com uma SV% de .919 e um GAA de 2.71.

    Comparando com os outros goleiros, essas estatísticas não parecem tão boas, já que há outros com porcentagens melhores. Porém, é necessário considerar também que os Jets têm em média poucos riscos ofensivos.

    Além disso, o que realmente destaca o americano dos demais é que, por estar em um time no qual a defesa é fraca, seus esforços para parar pucks são mais do que necessários e são impressionantes. Por isso, comparando com os demais, ele é de fato um dos maiores favoritos a faturar o troféu.

    Darcy Kuemper (Arizona Coyotes)

    Foto: Christian Petersen/Getty Images

    O Arizona Coyotes possui um recorde de 27-21-7 (61 pontos) e está atualmente atrás, por 4 pontos, do primeiro lugar na Divisão Pacífica. O time pode finalmente terminar o jejum de playoffs após 7 anos, e muito se deve aos esforços do goleiro canadense Darcy Kuemper.

    Kuemper jogou 25 partidas, das quais ele saiu vitorioso em 15 e perdeu 8. O SV% dele é de .929 e a média de gols cedidos, 2.17 por jogo. Juntamente com o goleiro reserva Anti Raanta, os dois têm 147 gols sofridos, ficando em 3° lugar na divisão. Além disso, ambos tiveram 2 shutouts consecutivos, algo que não acontecia desde 2012.

    Kuemper teve sua temporada espetacular brevemente interrompida ao ficar de fora de alguns jogos por conta de uma lesão. Entretanto, ele é esperado para voltar nas próximas partidas, e o Coyotes precisam de seu goleiro titular para conseguirem garantir definitivamente seu lugar nos playoffs. E mesmo assim, com essa lesão, Darcy Kuemper não saiu do radar do Vezina Trophy e ainda é um dos grandes favoritos.

    Ben Bishop (Dallas Stars)

    Foto: Jerome Miron/USA TODAY Sports

    Ben Bishop aparece pelo segundo ano consecutivo como um possível candidato ao Vezina. Mas, diferentemente do ano passado, Bishop parece ter mais chances de faturar o prêmio nesta temporada.

    Isso porque ele se encontra atualmente com uma média de SV% em .925%, a 5° melhor da Liga. Seu recorde, em 36 jogos, é de 18-11-4 e a média de gols cedidos é de 2.36. O que fez Bishop perder ano passado para Andrei Vasilevskiy foi o fato do russo ter tido mais vitórias (39) em mais jogos (53), enquanto o americano disputou 46 jogos e ganhou 27.

    Vale ressaltar que os GMs estão cada vez mais valorizando um bom trabalho em conjunto aos goleiros backups do que simplesmente um goleiro que possua todo o trabalho sozinho, então a possibilidade de Bishop ganhar mesmo tendo jogado menos que os demais é real.

    Ele é, estatisticamente, um dos melhores em sua posição. Justamente por ser o mais velho da lista, com 33 anos, e ainda com bons números que o equiparam aos demais finalistas mais jovens, já seria digno de levar o troféu.

    Mas, diferentemente do ano passado, a votação para o prêmio poderá ser mais acirrada, fazendo com que Bishop talvez não leve o Vezina por muito pouco.

    Andrei Vasilevskiy (Tampa Bay Lightning)

    Andrei Vasilevskiy, candidato ao Vezina Trophy
    Foto: Icon Sportswire/Getty Images

    O atual campeão do Vezina Trophy lidera a NHL com 26 vitórias. Após ter ganhado o troféu na temporada de 2018-2019, com 39 vitórias em 53 jogos, o começo de temporada do russo não foi dos melhores.

    Antes do Natal, o SV% e os gols cedidos de Vasilevskiy não entravam no top 30 dos goleiros da Liga. Ele tinha uma porcentagem de .822 e, de 135 shots encarados, 24 foram gols. Estas são características consideradas medianas para um goleiro de elite.

    Todavia, um mês depois, Vasilevskiy pareceu ter mudado o rumo das coisas. Ele ainda não perdeu em tempo regulamentar desde o dia 14 de dezembro, e um dos principais motivos do Tampa Bay Lightning ter virado o jogo foi por conta dele. Suas estatísticas estão boas, com um SV% de .917 e uma média de 2.53 gols cedidos. Seu recorde é de 27 vitórias e 9 derrotas.

    Mesmo com muito talento à frente, com bons defensores e atacantes, Vasilevskiy não pode ser desconsiderado dessa lista. Afinal, sem ele, Tampa não teria conseguido 10 vitórias consecutivas e nem ter se recuperado de um péssimo começo de temporada.

    Tuukka Rask (Boston Bruins)

    Foto: Bruce Bennett/Getty Images

    Tuukka Rask poderia faturar o segundo Vezina Trophy de sua carreira essa temporada. Isso porque, aos 32 anos, Rask é um dos goleiros mais consistentes da Liga e também é muito responsável pela boa temporada que o Boston Bruins faz.

    Seu recorde até agora é de 19 vitórias e somente 4 derrotas em tempo regulamentar. Com isso, ele tem um SV% de .929% e a GAA de 2.15.

    Porém, Tuukka Rask está fora dos rinques desde 14 de janeiro, por conta de uma concussão. Antes da lesão, ele deixou entrar apenas 2 gols ou menos por partida em 6 jogos. O finlandês tem a característica de conseguir permanecer calmo em momentos de muita pressão, quando enfrenta muitos shots perigosos em sua direção.

    Dessa forma, mesmo não sendo considerado um dos grandes favoritos ao prêmio, não citar ele nessa lista seria um erro, pois somente o fato de ter apenas 4 derrotas em tempo regulamentar mostra o porquê dele ser considerado um goleiro de elite.

    Foto: PR_NHL/Twitter

  • NHL anuncia jogadores do time da década

    NHL anuncia jogadores do time da década

    A NHL anunciou na noite de sexta feira (24) o time da década da Liga. Os jogadores foram elegidos por um painel de General Managers da NHL, escritores do site da Liga, equipe de operações de hockey, e por jornalistas/comentaristas da NBC, Sports Net e TVA Sports. Por fim, o critério para a escolha, tanto para o primeiro quanto para o segundo time, foi baseado no desempenho que cada um dos atletas teve na última década. De campeonatos vencidos, a MVP e recordes na Liga, os jogadores do primeiro time foram os mais vitoriosos nos últimos 10 anos, somando portanto, juntos, treze Stanley Cups conquistadas. 

    Os times 

    O primeiro time ficou decidido como sendo o seguinte: Sidney Crosby, Patrick Kane, Alex Ovechkin, Duncan Keith, Drew Doughty e Marc-Andre Fleury. Crosby, center do Pittsburgh Penguins, e Fleury, hoje goleiros dos Vegas Golden Knights, ganharam dois campeonatos consecutivos (2016 e 2017) na última década com os Pens. Já Keith e Kane, do Chicago Blackhawks, conquistaram a taça em 2010, 2013 e 2015. 

    Doughty, defensor do L.A. Kings, venceu a Stanley Cup duas vezes com o time de Los Angeles, em 2012 e 2014. E por fim, Ovechkin, forward do Washington Capitals, ajudou o time na conquista de seu primeiro campeonato na NHL, em 2018. 

    Todos os jogadores escolhidos foram peças essenciais em seus times na conquista da Stanley Cup, e  grandes responsáveis por quebra de recordes na Liga. Patrick Kane, que está participando do NHL All-Star 2020, afirmou que “era uma grande honra” fazer parte da equipe.

    Dez anos é muito tempo para se desenvolver como um bom jogador e esta é uma homenagem a mim mesmo e também as equipes em que joguei. Eu joguei em alguns times incríveis. Tenho muita sorte que algumas de nossas eliminatórias resultaram em cinco finais de conferência, três Stanley Cups e alguns ótimos anos. Então, sim, é definitivamente uma grande honra.

    Kane, para o nhl.com

    Seguidamente, a Liga também decidiu o segundo time da década, ficando, por fim, com a seguinte escalação: Evgeni Malkin (Penguins), Steve Stamkos (Tampa Bay), Erik Karlsson (Sharks), Patrice Bergeron e Zdeno Chara (Bruins) e Henrik Lundqvist (Rangers). Eles somam, em conjunto, um número menor de Stanley Cup (4), tendo Malkin ganhado dois campeonatos com os Pens, e Bergeron e Chara adquirido um cada com o Boston. Stamkos, Lundqvist e Karlsson não somam nenhuma taça, mas assim como os demais, também foram peças essenciais frente às lideranças de suas equipes para o sucesso nos últimos anos. 

    Sobre as escolhas:

    Ao escolher o time da década, a NHL levou em consideração não só as conquistas de campeonatos de cada um dos jogadores. Para isso, também foi importante o quanto cada um fez a diferença dentro do gelo nos últimos 10 anos. 

    Crosby conquistou, na última década um total de 1.25 pontos por jogo. Desta maneira, ele é o líder entre jogadores com, no mínimo, 400 jogos disputados. Sendo um dos melhores jogadores defensivos da Liga, o canadense adquiriu, nos últimos 10 anos, 788 pontos em 630 jogos, ficando apenas atrás de Patrick Kane. Além disso, o jogador também conquistou um Hart  e Art Ross Trophy, na temporada 2013/14, e o Conn Smythe Trophy, sendo votado como MVP dos playoffs de 2016 e 2017. Conquistas merecidas por todo seu empenho nos últimos 10 anos, e por ser grande influência na conquista dos dois campeonatos consecutivos do Pittsburgh. 

    Kane não fica atrás. Ele é o líder em pontos na década, e o segundo em playoff points, com 109 em 111 jogos. Por fim, o jogador, que adquiriu 1.000 pontos em sua carreira no início desta semana, conquistou um Conn Smythe Trophy em 2013, e um Hart e Art Ross Trophy na campanha 2015/16. Sem sombra de dúvidas, foi uma das melhores adições dos Hawks nos últimos tempos, Sem dúvida um dos responsáveis pelo sucesso do time na década, que venceu três vezes a Stanley Cup. 

    O companheiro de time de Kane, Duncan Keith, teve o mesmo efeito na equipe. Seu talento e participação dentro do rink foram grandes responsáveis pelos três campeonatos conquistados pelo Chicago. Sua grande campanha pelo time durante a conquista das três Cups foi o suficiente para que ele levasse o Conn Smythe Trophy em 2015. 

    Ovechkin foi o líder em gols da década, e o terceiro em pontos, ficando, desta forma, apenas atrás de Crosby e Kane. Mas foi a maneira que cresceu como jogador nos últimos dez anos que o tornou parte do grupo. Além do jogo ofensivo e todos os gols marcados, ele também aprendeu a defender muito mais, principalmente em 2017, quando os Caps ganharam sua primeira Stanley Cup e fizeram uma temporada espetacular. 

    Doughty ficou em sétimo lugar na década entre defensores com mais pontos, tendo adquirido 439 em 772 jogos, e é o segundo com mais ice time nos últimos dez anos (20.571:15). Nos playoffs de 2012, Doughty tinha 16 pontos, e um tempo médio no gelo de 26:09. Já em 2014, acumulou 18 pontos em 28:45 de ice time nas pós temporada de 2014. As grandes campanhas do jogador foram essenciais para ajudar os Kings a conquistar dois campeonatos num intervalo de apenas dois anos. 

    Fleury não só ajudou na conquista das duas Stanley Cups do Pittsburgh durante a década, como também foi grande responsável pelo sucesso dos Vegas Golden Knights na temporada 2017/18, quando o time, em sua season inaugural, foi para Stanley Cup Final. Ele foi o líder em goleiros com mais vitórias nos últimos 10 anos (322), o segundo em stars (543), e o quinto em shutouts (43), conquistas que, seguidamente,  o tornaram um dos melhores goleiros dos últimos anos na NHL. 

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • A dança das cadeiras dos técnicos na temporada 2019-20

    A dança das cadeiras dos técnicos na temporada 2019-20

    Poderíamos estar falando do Brasileirão, mas é da NHL mesmo. Afinal, apenas três dos técnicos treinam os mesmos times desde a temporada 2015/2016: Jon Cooper (Tampa), Paul Maurice (Winnipeg) e Jeff Blashill (Detroit). Em um esporte tão tradicionalista quanto o hockey isto é um fato tanto quanto estranho. Afinal, a lealdade é muito prezada tanto pelos jogadores quanto pela equipe administrativa dos times. 

    Assim, para te ajudar a entender esse troca-troca decidimos fazer uma lista compreendendo os dispensados, quem os substituiu e para onde foram. Relaxe, coloque Another One Bites the Dust para tocar e torça para nenhum outro técnico ser demitido antes de você terminar de ler essa lista. 

    Mike Babcock, Toronto Maple Leafs

    Juntamente com Joel Quenneville, demitido por Chicago na última temporada, Babcock era talvez o técnico mais condecorado em atividade. Campeão da Stanley Cup em 2008 com o Detroit Red Wings, o canadense ainda levou seu país natal a dois ouros olímpicos consecutivos: Vancouver em 2010 e Sochi em 2014. Quando Toronto desbancou o Buffalo Sabres para contratá-lo, a franquia precisava desesperadamente deixar o espírito perdedor de lado e voltar a ser uma equipe competitiva. 

    Depois de draftar nomes importantes como William Nylander, Mitch Marner e Auston Matthews e contratar o superstar John Tavares na free agency, a janela dos Leafs se abriu. Neste novembro a situação no vestiário se tornou insustentável, e Babcock foi demitido no meio de uma série de derrotas da equipe de Toronto. Seu substituto foi Sheldon Keefe, que já vinha batendo na porta da NHL há algum tempo, especialmente depois de ganhar o título da AHL (American Hockey League) com o Toronto Marlies.

    Com a saída de Babcock mais notícias envolvendo seu comportamento difícil e teimosia escaparam nos veículos canadenses. Dentre elas uma situação onde ele ordenou que Marner, que na época era um calouro na Liga, listasse seus colegas de equipe mais “preguiçosos”. Quando o jovem atleta cumpriu a ordem (depois de muita pressão), Babcock supostamente notificou todos aqueles que ele havia listado como preguiçosos.

     Já tratando-se de estratégias, o canadense foi muito criticado por não “encurtar o banco” durante os jogos de playoffs. Além disso, a equipe amargou uma eliminação no primeiro round pelo terceiro ano consecutivo. Este fato também contribuiu para que Kyle Dubas demitisse seu técnico após uma série de derrotas.

    Bill Peters, Calgary Flames

    À época que ela aconteceu, em 2018, a saída repentina de Peters do Carolina Hurricanes para o Calgary Flames repercutiu por toda a Liga. Isto porque o canadense ainda tinha mais um ano em seu contrato com os Canes. Na época, a equipe da Carolina do Norte estava passando por uma reformulação que envolveu a saída de seu general manager de longa data, Ron Francis.

    No Canadá, Peters decepcionouno primeiro round dos playoffs do ano passado, quando Calgary foi eliminado pelo Colorado Avalanche em 5 jogos. A partir de então, começou a se questionar os métodos do técnico. Entretanto, a real motivação por trás de sua saída vai muito além da insatisfação por um desempenho na pós-temporada.

    No final de novembro o jogador Akim Aliu virou o mundo do hockey de cabeça para baixo quando alegou que o técnico havia proferido injúrias raciais contra ele no vestiário, na época que treinava o Rockford IceHogs da AHL. O fato aconteceu na temporada 2009/2010, por conta da escolha de música que o atleta havia feito. Além deste episódio, outra situação envolvendo Peters veio à tona, desta vez durante sua empreitada nos Canes. O técnico foi acusado de ter chutado jogadores da equipe no banco durante um jogo. 

    Peters pediu demissão dos Flames em uma carta, onde admitiu ter usado uma injúria racial com Aliu. O canadense foi substituído no comando de Calgary por Geoff Ward, que se tornou o técnico interino da equipe de Alberta. 

    Peter DeBoer, San Jose Sharks

    Diferentemente das situações acima, a estadia de DeBoer no comando dos Sharks terminou em uma nota positiva, sem escândalos. Contratado em maio de 2015, o técnico teve números positivos (198-129-34) e uma ida à final da Stanley Cup, que a equipe californiana perdeu para o Pittsburgh Penguins em 2016. Na última temporada, os Sharks foram até a final da conferência Oeste, perdendo para os eventuais campeões St. Louis Blues.

    DeBoer não ficou muito tempo desempregado, pois já foi contratado para substituir Gerard Gallant no comando do Vegas Golden Knights. Após a construção de uma rivalidade desde a chegada da equipe do deserto na Liga será interessante ver o técnico tentar conquistar a torcida da Sin City

    Gerard Gallant, Vegas Golden Knights

    Durante o mês de dezembro de 2016 tivemos uma das cenas mais inusitadas daquela temporada. Afinal, quem não se lembra de quando o Florida Panthers demitiu Gallant e o fez esperar por um táxi ao invés de deixá-lo pegar uma carona para o aeroporto com o ônibus da equipe?

    Após ser contratado como o primeiro técnico da franquia de Vegas, Gallant riu por último. Além de ver sua equipe fazer uma campanha histórica até a final da Stanley Cup, o técnico venceu o troféu Jack Adams de técnico do ano no NHL Awards de 2018. Mas como todo conto de fadas, este também teve um fim. Após o fim da lua de mel e uma aparente estagnação da equipe, Gallant foi demitido no início de 2020 e substituído por Pete DeBoer no comando dos Golden Knights.

    Jack Montgomery, Dallas Stars

    O americano foi contratado por Dallas após a aposentadoria de Ken Hitchcock em 2018, depois de cinco temporadas na Universidade de Denver. Com seu comando, a equipe chegou à semifinal da conferência Oeste nos últimos playoffs, tendo sido eliminada pelos futuros campeões St. Louis Blues. 

    Cercada de mistério, a saída repentina de Montgomery do banco da equipe texana causou furor quando foi anunciada. Nem mesmo os jogadores dos Stars entenderam a situação. Enfim, quando o GM Jim Nill comunicou a demissão de Montgomery por “conduta antiprofissional”, muito se especulou se poderia se referir a situações similares às de Peters e Babcock. 

    Entretanto, o ex-técnico dos Stars deu entrada em uma clínica de reabilitação no mês seguinte à sua demissão, chamando a situação de o pontapé inicial que ele precisava para buscar tratamento. Montgomery foi substituído no comando do Dallas por seu assistente Rick Bowness, que tem extensa experiência como técnico na Liga, tendo atuado em cinco equipes entre 1988 e 2003.

    Peter Laviolette, Nashville Predators

    Quatro dias após o GM David Poile dar uma entrevista onde afirmou que mudanças na comissão técnica não estavam nos seus planos, o técnico foi demitido. Laviolette deixou a posição com um histórico de 248-143-60, incluindo uma aparição na final da Stanley Cup em 2017, quando os Preds perderam para Pittsburgh.

    Conhecido por seu temperamento explosivo, já haviam rumores de que o técnico havia perdido o vestiário da equipe do Tennessee, que estava em penúltimo lugar na sua divisão. Laviolette foi substituído por John Hynes, que havia sido demitido do New Jersey Devils.

    John Hynes, New Jersey Devils

    Após uma off-season movimentada, haviam muitas expectativas acerca da temporada que os Devils teriam. Afinal, a equipe draftou Jack Hughes, adquiriu PK Subban e iniciou a temporada com o MVP de 2018, Taylor Hall. Entretanto, os resultados foram decepcionando a torcida, que passou a se questionar se não seria mais viável para a equipe vender na deadline e contar com uma boa escolha em um draft que promete ter muita profundidade de talentos.

    Com o histórico de 9-13-4 e 22 pontos, a equipe fazia a segunda pior campanha da Liga. Consequentemente, ao trocarem Taylor Hall para o Arizona Coyotes, os Devils se comprometeram com o tank. Desta forma, a situação com o técnico se tornou insustentável, assim como com seu GM Ray Shero. Ambos foram mandados embora. Hynes foi substituído por seu assistente Alain Nesreddine temporariamente, mas já encontrou um novo desafio: treinar o Nashville Predators.

    (Foto: New York Times.com/Reprodução)

  • Auston Matthews: da seleção americana ao estrelato

    Auston Matthews: da seleção americana ao estrelato

    Na última quarta-feira (08) o jogador Auston Matthews teve motivos para comemorar. Apesar de seu time, o Toronto Maple Leafs, ter perdido a partida contra o Winnipeg Jets, o capitão alternativo entrou para a história da NHL. Isso porque Matthews se tornou o sexto jogador dos Leafs a marcar 30 gols em quatro ou mais temporadas consecutivas. Além disso, o jogador é o primeiro da franquia a conseguir o feito nas suas primeiras quatro temporadas na Liga e o 15º na história da NHL.

    O jovem de 22 anos tem sido uma excelente aposta para o Leafs. Além de ter tido uma carreira promissora com os juniores, o jogador tem quebrado recordes por onde passa. Marcas estas não somente em seu próprio time como também na NHL. Auston tem mostrado um belo desempenho no gelo e as suas estatísticas não mentem, afinal, ele também se mostra capaz de quebrar os próprios recordes. O jogador tem conseguido marcar ao menos 30 gols em cada uma de suas temporadas, incluindo aquelas que por algum motivo precisou perder jogos. Não somente isso, ele tem conseguido realizar o feito cada vez mais rápido desde a sua estreia. Dessa forma, tem se superado a cada temporada.

    Número de jogos que o jogador atingiu a marca do 30º gol (Foto: Reprodução/@nhlonnbcsports)

    O começo

    Apesar de ter sido selecionado no draft de 2012 na Liga WHL, Auston preferiu iniciar a sua carreira no hockey pelo U.S. National Development Team da Liga USHL na temporada 2013-14. Naquela mesma temporada, ele jogou no campeonato sub-17 pela seleção americana. Assim, chamou a atenção dos olheiros da NHL, já de olho em suas estatísticas da época. Em sua segunda temporada no programa, o jogador bateu recorde ao terminar em primeiro lugar em pontos, com 116 pontos (55 gols e 61 assistências). Superando Patrick Kane e Jack Eichel, donos dos recordes anteriores. 

    Dessa forma, o jogador começou a colecionar prêmios, além das medalhas de ouro com a seleção nos anos de 2014 e 2015. Auston Matthews também ganhou como MVP, scoring leader e o troféu Bob Johnson por sua excelência em competições internacionais. Após seu tempo com o programa de desenvolvimento dos EUA, Matthews não pode se candidatar ao draft, uma vez que sua data de nascimento passava da data limite para o draft daquele ano. Com isso, enquanto aguardava o draft do ano seguinte, o center recebeu uma proposta para jogar na Suíça pelo time ZSC Lions da Liga NLA. Com o time suíço, o Auston conquistou prêmios como Rising Star Award e NLA Media Most Improved Player.

    Matthews durante a sua temporada com o time ZSC Lions da Liga NLA. (Foto: Reprodução/NHL.com)

    Primeira escolha no draft

    No ano seguinte, em 2016, Matthews pode enfim se candidatar ao draft. Dessa forma, as especulações se o jogador seria o primeiro a ser escolhido começaram meses antes, uma vez que Auston já vinha sendo observado pela NHL. No dia 24 de junho, as especulações chegaram ao fim quando o nome de Matthews foi chamado pelo Toronto Maple Leafs, em primeiro lugar, se tornando o primeiro americano desde Patrick Kane em 2007 a ser a melhor escolha. Posteriormente o jogador assinou um contrato com o time, dando início a sua carreira na NHL naquele mesmo ano. 

    Fazendo jus às expectativas, em sua estréia no dia 12 de outubro de 2016, o jogador entrou para a história ao marcar quatro gols. Esse recorde só foi quebrado duas vezes antes na história da Liga pelos jogadores Joe Malone e Harry Hyland, onde cada um fez cinco gols no dia 19 de dezembro de 1917, o primeiro jogo na história da NHL. Após a sua estréia a jersey com seu nome foi colocada a venda e rapidamente se tornou a mais vendida na NHL. Posteriormente, em dezembro, o jogador ganhou como NHL’s Rookie of the Month após fazer 12 pontos e oito gols em apenas 12 jogos. 

    Carreira de recordes

    Embora Matthews seja o dono do recorde nos Leafs por ser o primeiro a conquistar 30 gols em suas primeiras quatro temporadas, o jogador também quebrou recordes em cada uma dessas temporadas. Em sua temporada de estreia, mais precisamente no dia 28 de março de 2017, Auston marcou o seu 35º gol. Dessa forma, quebrou o recorde de mais gols marcados por um rookie, que anteriormente pertencia a Wendel Clark.

    Posteriormente Auston quebrou o recorde da franquia de mais pontos de uma temporada ao marcar seu 39º gol e 67º ponto, se tornando assim, o rookie de nacionalidade americana a marcar mais gols. Ao marcar seu 40º gol poucos dias depois, Matthews se tornou o segundo rookie com mais gols desde o bloqueio de 2004-05. Além disso, passou a ser ser o quarto adolescente na história da NHL a bater o recorde. Naquele mesmo ano o jogador conquistou o troféu Calder Memorial, assim se tornando o primeiro jogador dos Leafs a receber o troféu em 50 anos. 

    Na temporada seguinte Auston Matthews não obteve o mesmo desempenho. Isso porque ele se lesionou algumas vezes ao longo da temporada, ficando fora por 20 jogos ao todo. Mesmo com uma temporada mais fraca, Matthews ainda assim conseguiu marcar 34 gols e conquistou uma média de mais de um ponto por jogo na temporada regular. O time de Toronto até chegou a ir para os playoffs, porém foi eliminado no primeiro round.

    Diferentemente na temporada 2018-19, Matthews voltou com tudo e já começou brilhando ao marcar cinco gols e três assistências em apenas três jogos. Como resultado, ele foi nomeado a primeira estrela da semana na NHL. Continuando com a quebrar recordes, o jogador marcou mais quatro gols nos dois jogos seguintes, dando um total de 12 pontos em cinco jogos. Assim, se tornou o jogador mais jovem na história da Liga a marcar múltiplos pontos em cinco jogos no início da temporada, recorde que pertencia a Wayne Gretzky em 1983. 

    Ainda em 2018-19, o center se lesionou e precisou ficar de fora por quatro semanas, porém nem isso foi o suficiente para impedir a estrela de Matthews brilhar. Após retornar ao gelo foi eleito pela primeira vez capitão da Divisão Atlântica dos jogos All-Star 2019, entretanto, essa foi a terceira vez que participava do evento. O jogador também renovou seu contrato com o time para mais cinco anos no valor de 11.634 milhões de dólares por ano.

    Mais tarde, naquele mesmo ano, no dia 14 de fevereiro marcou o seu 100º e 101º gol na NHL. Dessa forma, se tornou o terceiro Maple Leafs a atingir o marco mais rápido. Apenas alguns dias depois, o jogador marcou seu 30º gol da temporada. Ao realizar o feito, Matthews passou a ser o primeiro jogador na história do time a marcar 30 gols em cada uma das três primeiras temporadas.

    Durante a temporada 2018-19 com seu time Toronto Maple Leafs (Foto: Reprodução/NHL.com)

    Temporada atual

    Com o início da temporada atual, Auston Matthews foi então nomeado como capitão alternativo dos Leafs. No entanto, essa não foi o único motivo de alegria para o jogador. No dia 03 de outubro, no primeiro jogo da temporada para o time de Toronto, Matthews marcou dois gols. Desta maneira, ele entrou para a história da NHL ao ser o quarto jogador a marcar em cada um dos quatro primeiros jogos de cada temporada. Neste mesmo jogo, ele ficou em terceiro lugar da Liga com 116 gols em 215 jogos desde a sua estreia em 2016. Naquela semana, o jogador foi nomeado em terceiro lugar para a estrela da semana na NHL.

    No último dia 08 de janeiro, Matthews entrou para história novamente ao marcar seu 30° e 31º gol da temporada pela quarta temporada consecutiva ficando atrás apenas de Alex Ovechkin, o capitão do Washington Capitals. Os dois juntos se tornaram os únicos jogadores na ativa que marcaram tal recorde. 

    Apesar do time ter se envolvido em polêmicas na intertemporada e não ter tido um bom início de temporada, Auston tem corrido atrás e mostrado ser um jogador nível MVP. O seu tempo no gelo aumentou e, consequentemente, ele tem conseguido mostrar maior desempenho. O jogador é líder em pontuação do seu time com um total de 54 pontos. Além do primeiro lugar em gols (31), Auston também aparece em segundo lugar como jogador com mais assistências (23).

    Todas estas marcas foram alcançadas em apenas 45 jogos. Entretanto, chegou a este número de pontos em menor tempo, sendo assim, sua menor marca na carreira desde 2016. Ao todo, desde o início da sua carreira na NHL, o jogador já contabiliza 142 gols em 257 jogos, sendo que estamos apenas na metade da temporada atual. Ou seja, Auston Matthews é capaz de superar a si mesmo e bater seu próprio recorde de 2016-17 de 40 gols. Sendo assim, acompanhar o jovem americano no gelo se torna uma tarefa interessante, uma vez que só temos que aguardar para descobrir quais serão os próximos recordes que ele irá quebrar. 

    Foto: Reprodução/Patrick Gorski-USA TODAY Sports

  • A ascensão do Colorado Avalanche na temporada 2019/20

    A ascensão do Colorado Avalanche na temporada 2019/20

    O Colorado Avalanche começou a temporada 2019/20 voando. Quebras de recordes, aproveitamento do time no gelo, uma equipe de grande qualidade. Todos foram feitos necessários para que, desta forma, a equipe de Denver tivesse um dos melhores inícios de temporada de toda a sua história na NHL. Por isso, o NHeLas resolveu contar um pouquinho do desempenho do time na Liga até o momento atual, e como isso tudo pode acabar levando Colorado diretamente aos playoffs. 

    Melhor início de temporada

    O Avalanche não iniciou a década da melhor forma que uma equipe deseja. Se excluirmos os playoffs de 2010, até o ano de 2017, o time classificou-se apenas mais uma vez para a pós temporada, em 2013/14. As 3 temporadas que se seguiram, no entanto, não foram de grande sucesso para a equipe, que chegou ao último lugar no ranking da Liga em 2016/17. 

    Porém, desde a temporada 2017/18, o time só tem avançado, e após alguns anos voltou, por fim, a fazer parte da lista das equipes mais prováveis a irem aos playoffs e disputarem a final da Stanley Cup. E isso se dá, atualmente, pelo início extraordinário que o time teve nesta temporada. A equipe deu start na season 2019/20 com um streak de 5 vitórias consecutivas. Desta forma, se tornou um dos 5 times na Liga a ficarem invictos por 2 ou mais jogos. 

    A série de vitórias seguidas foi quebrada na partida do time contra Pittsburgh, onde a equipe de Denver perdeu no OT. No entanto, o Avalanche acabou vencendo as duas partidas que se seguiram, e o streak terminou de fato apenas quando o time foi derrotado pelo St. Louis, no dia 21 de Outubro. Até o jogo contra os Blues, o time possuía 7 vitórias, e uma derrota em OT. 

    Mesmo com a derrota, o Colorado Avalanche continuou a fazer um grande início de temporada, sendo esta a 3º melhor na história da equipe na Liga. Até o fim do mês de outubro, dos 12 jogos que disputou, o time perdeu 4 destes, adquirindo 18 pontos. Porém, ainda sim não foram o suficiente para abalar seu desempenho, já que seguiram permanecendo no 3º lugar do ranking geral da Liga. 

    Breve decaída e recuperação do time

    Se Outubro foi um mês de grande vitórias para o Avalanche, Novembro acabou por desestruturar um pouco o embalo da equipe. As coisas ficaram ainda mais difíceis com as baixas por lesões que o time sofreu, sendo Mikko Rantanen e Gabriel Landeskog duas delas. As duas derrotas que aconteceram nos últimos 2 jogos de Outubro, somadas às 3 adquiridas nos três primeiros jogos do time no mês, trouxeram desequilíbrio a equipe. Desta forma, no dia 7 de novembro, a equipe passou a ocupar a 12º posição no ranking geral da NHL, com apenas 20 pontos.

    Porém, melhoraram gradualmente para Colorado. No dia 21 de Novembro, o time ocupava a 5ª posição no super sixteen da Liga. Apesar de ter decido para a 11ª posição ao fim de novembro, devido à escalada de alguns times na lista, Dezembro foi um mês produtivo para eles. Assim, Colorado voltou ao top 5 da Liga nos últimos dias do ano, passando a ocupar a 4ª posição no ranking geral com 50 pontos, encerrando 2019 com um recorde de 23-13-4.   

    Jogadores destaque nesta temporada:

    Apesar de ter um dos melhores elencos da Liga atualmente, o Avalanche possui jogadores que vem fazendo cada vez mais diferença a cada temporada. Nathan Mackinnon é um deles. Desde 2013, o center têm sido peça chave na equipe. Sendo um dos jogadores mais rápidos da Liga não demorou muito para que ele se tornasse essencial para o sucesso de Colorado. E nesta temporada não está sendo diferente. Até então, o canadense é o líder disparado do Avalanche em pontos, com 65 registrados. Ele também lidera o ranking do time em gols (26) e assistências. No ranking geral da Liga, ele ocupa, por fim, a terceira posição em maior número de pontos e é o 4º jogador com mais gols. 

    Cale Makar é outro jogador a ser levado em consideração. Com as lesões de jogadores essenciais para a primeira linha da equipe, o Colorado Avalanche precisou fazer algumas mudanças necessárias para que o time seguisse pontuando. Makar foi a escolha certa. Desta maneira, junto com Mackinnon, acabou sendo um jogador de extrema importância para a ascensão de Colorado na Liga. No entanto, apesar de estar ainda em sua primeira temporada regular, o nativo de Calgary deu start em sua carreira quebrando recordes. Assim, se tornou o primeiro rookie de Colorado a marcar 18 gols em 18 jogos. Atualmente, o canadense é o 3º jogador da equipe de Denver a ter mais pontos registrados nessa temporada. Em relação a assistências, ele ocupa, por fim, a 2ª posição no ranking do time, somando 23. 

    Juntando-se aos dois citados anteriormente, Mikko Rantanen também faz parte da lista de jogadores essenciais para o sucesso da equipe. Apesar da lesão, que o levou a ficar afastado do início da temporada, o finlandês foi e tem sido peça importante para a linha ofensiva do time e ascensão de Colorado na tabela. Atualmente, ele é o segundo jogador com mais gols no time (15) e o 3º com mais pontos registrados (31). Por fim, se formos levar em conta o desempenho de Rantanen nos playoffs da temporada passada, não existem dúvidas de que o jogador irá se destacar e levar o time à frente. 

    Nazem Kadri também tem sido importante na equipe desde sua trade em julho de 2019. Com as diversas lesões que o Colorado Avalanche enfrentou no início da temporada, Kadri precisou ser um dos líderes do time no gelo. E continua sendo, pois é o segundo na equipe (empatado com Rantanen), atualmente, com mais saldo de gols (15) e o 5º com mais pontos (27). 

    Chances nos playoffs

    Atualmente, o Colorado Avalanche ocupa o 3º lugar na Conferência Oeste, com 54 pontos e 8º time da Liga com mais pontos. Se os playoffs acontecessem hoje, o time garantiria uma vaga ocupando, por fim,  o terceiro lugar na divisão. Mas até abril, ainda existem muitas partidas a serem disputadas, e outras coisas a serem levadas em consideração.

    No entanto, o Avalanche possui um dos melhores elencos da NHL ultimamente. Destes que possuem talento de sobra para levar a equipe até a pós temporada. Jogadores que vem quebrando recordes, se mostrando cada vez melhores no gelo, e que conversam muito bem entre si. 

    Um ponto positivo é que, apesar das estrelas do time serem essenciais no seu desenvolvimento, Colorado já provou que seus jogadores mais jovens dão conta do recado. E talvez essa seja a peça chave do time, ter uma equipe que se adapta muito bem ao que é necessário, sem contar com apenas um jogador para fazer o trabalho. 

    Com o jogo que vem desempenhando atualmente, e se manter o ritmo, as chances de vermos o time de Denver disputando os playoffs são cada vez maiores. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é lockout?

    A princípio, pode-se dizer que o lockout, locaute em português, de 2004-2005 foi o maior exemplo de disputa trabalhista que se teve na história dos esportes americanos. Ao contrário de uma greve, lockout é quando os empregadores deixam de oferecer as condições necessárias para seus empregados trabalharem, visando mudanças em algum acordo coletivo. O nome vem da expressão “lock out” em inglês, que significa deixar alguém trancado do lado de fora de algum lugar. 

    Tais mudanças são, portanto, impostas à força laboral, que não recebe o pagamento correspondente ao tempo de paralisação. No Brasil esta prática é proibida por Lei. As mudanças que vimos na estruturação dos contratos assinados nos últimos anos pelos atletas da NHL os resguardam de eventual lockout, pois recebem grande parte do salário em bônus, que não é afetado por paralisação. 

    Como ocorre?

    Primeiramente, já ocorreram quatro lockouts na história da NHL.

    O primeiro foi o de 1992, que adiou 30 jogos da temporada 1991-1992. O segundo, em 1994, que encurtou os jogos da temporada em 48. O terceiro resultou no cancelamento da temporada de 2004-2005. E a mais recente foi a de 2012-2013, que também encurtou os jogos da temporada a 48. 

    No caso da NHL, um lockout acontece quando os clubes e o sindicato de jogadores discordam acerca dos tópicos a serem incluídos em um novo acordo coletivo (CBA, Collective Bargaining Agreement, em inglês) de uma forma que beneficie as duas partes.

    O lockout da temporada 2004-2005

    O tempo de duração do lockout foi de 10 meses e 6 dias a partir de 16 de setembro de 2004, um dia após a convenção coletiva de trabalho (CBA) entre a NHL e a NHLPA (National Hockey League Players Association, Associação de Jogadores da Liga Nacional de Hóquei em português) de 1994–95 ter expirado.

    A NHL, liderada pelo comissário Gary Bettman, tentou convencer os jogadores a aceitarem uma estrutura salarial vinculando os salários dos jogadores às receitas da liga, garantindo aos clubes o que a liga chamava de segurança de custo.

    Em 20 de julho de 2004, a liga apresentou ao NHLPA seis conceitos para garantir a segurança dos custos. Muitos consideraram os conceitos flexíveis e bons, contudo a NHLPA achou que tais condições favoreceriam times de maior mercado.

    Com isso, o sindicato dos jogadores rejeitou cada um dos seis conceitos apresentados pela NHL. Foi alegado que todos eles continham algum tipo de teto salarial.

    Depois de muitas propostas apresentadas, refutadas e desmentidas, a associação de jogadores ratificou o acordo com 87% de seus membros votando a favor. Em 21 de julho, foram definidos:

    • O teto salarial seria ajustado a cada ano para garantir aos jogadores 54% da receita total da NHL. E também haveria um piso salarial.
    • Haveria um limite de US $ 39 milhões no primeiro ano da CBA.

    O lockout de 2012-2013

    Os proprietários das franquias de times da NHL, junto com o comissário Gary Bettman, declararam um lockout dos membros da NHLPA. O lockout começou dia 15 de setembro de 2012 e terminou dia 06 de janeiro de 2013.

    Os donos das franquias exigiam uma parcela maior da receita gerada pela liga. Além disso, queriam limites maiores nos contratos dos jogadores, entre outros. A NHLPA não estava disposta lutar contra o teto salarial da liga. Assim também, eles aceitaram receber 57% menos da receita da liga.

    Entretanto, os dois lados ainda discordavam de muitos outras condições existentes. E com isso, surgia a possibilidade de parar novamente uma temporada inteira para que os termos fossem ajustados.

    Mas conforme as 16 horas de negociações passavam, finalmente foram decididos os novos termos da CBA:

    • Um limite máximo de 8 anos de contrato aos jogadores
    • Um piso salarial de 44 milhões e um teto salarial de 60 milhões
    • Uma variação máxima de 50% nos salários ao longo de um contrato
    • Aceitação obrigatória de prêmios de arbitragem sob $ 3,5 milhões, sem realinhamento
    • E um período de tempo para o buy out de contratos que não se enquadram no teto salarial.

    O risco de um lockout atual

    Visto que em 2022 fará 10 anos desde o último CBA definido, novos termos terão de ser discutidos e novas questões serão levantadas.

    No entanto, tanto a NHL quanto a NHLPA têm a oportunidade de encerrar com o contrato dia 1 de setembro de 2019.

    Diante disso, é possível definir que os jogadores estão insatisfeitos com o atual CBA. Foi sugerido que se estendesse o atual CBA para mais três anos de duração em troca de Olimpíadas. Muitos recusaram.

    Um dos maiores problemas atualmente relatados pelos jogadores foi o “escrow“. Basicamente, retira-se do salário de cada jogador uma faixa de 10 a 30% caso o lucro do time seja baixo do esperado.

    Os jogadores também reivindicam a participação nas Olimpíadas de Inverno. Em 2014 eles puderam participar, em 2018 não. A NHL não ficaria feliz de ceder 2 semanas da temporada para a participação.

    Entretanto, as Olimpíadas de Inverno de 2022 acontecerão na China, em Pequim. E a perspectiva de ver a equipe nacional de hóquei no gelo da China seria uma tremenda oportunidade de crescimento para o esporte como um todo no país. E como já dito antes em nosso site, o capitão do Washington Capitals, Alexander Ovechkin, foi denominado embaixador da liga na China e nesta offseason viajou para lá.

    Por mais que seja um assunto complicado, muitos jogadores na verdade não querem que o lockout aconteça. Porém, se a história se repetir, veremos mais uma nova paralisação.

    Foto: Jared Wickerham/Getty Images

  • Como a falta de regras pode arriscar a vida dos jogadores pós-NHL

    Como a falta de regras pode arriscar a vida dos jogadores pós-NHL

    É do consentimento de todo o fã de hockey que o esporte é bastante diferente dos demais. Parte disso são devido às brigas dentro dos rinques de gelo. Estas, que são regularizadas e podem acontecer dentro do período regular de jogo, só tem fim quando um dos jogadores cai no chão. Nesse momento, o árbitro tem de apartar ambos. Constantemente, tem sido assim desde que o esporte existe. Muitos se deslocam até a arena e esperam por momentos como esse, que acabam deixando o jogo “mais interessante”.

    No entanto, brigas violentas podem causar sérias contusões que vêm a se manifestar na vida do jogador mais tarde, geralmente após a NHL. Atualmente, existem diversos exemplos de atletas do hockey que vieram a sentir as consequências de uma carreira repleta de knockouts. No fim, a carreira termina da pior forma possível.

    A consequência da fama de tough guy no rinque

    Um destes jogador é o ex-right winger do St. Louis Blues, Todd Ewen. A princípio, ele teve seu primeiro episódio de brawls dentro de um rinque com apenas 21 anos. Na ocasião, no entanto, ele deixou um dos jogadores do Red Wings definitivamente inconsciente. Assim, criou uma reputação para si mesmo. Da mesma maneira que distribuía socos e golpes, levava alguns muitos. De certa forma, foi o suficiente para que pudessem causar maiores consequências para sua saúde num futuro não muito distante.

    Porém, apesar da violência frequente experienciada pelos torcedores dentro das arenas de hockey, a política da NHL em relações às contusões dos jogadores, principalmente na época em que Ewen atuava, início dos anos 90, era completamente escassa. Frequentemente, não incentivava nem os próprios jogadores a procurar ajuda, nem as regras das brawls em jogo.

    Ewen se aposentou em 1998, após 11 temporadas atuando na NHL. Inicialmente, os sintomas (relatados mais tarde por sua esposa) se resumiam a breves lapsos de perda de memória. Com o tempo, acabaram evoluindo para algo maior. Seguidamente, a raiva constante, que nunca havia sido presente fora do rinque. No entanto, foi sua esposa, Kelli, quem começou a notar a mudança de comportamento no marido. Ela continha agressões que ela nunca havia presenciado antes. Posteriormente a isso, um dos piores episódios foi quando Todd tentou enforcar a esposa em sua própria casa. A polícia, portanto, precisou intervir.

    A partir de então, naquele período, a raiva e as agressões foram substituídas por um estado grave de depressão e reclusão. Enfim, após tantos episódios como os anteriores, ele confessou à esposa algo que desconfiava há algum tempo: que talvez pudesse ter adquirido Encefalopatia Traumática Crônica, a CTE.

    Encefalopatia Traumática Crônica, CTE

    A CTE é uma condição neurodegenerativa. Grande parte dos especialistas na área acredita que seja desenvolvida devido ao traumatismo craniano repetitivo. A pesquisa sobre a doença se concentrou, na maior parte do tempo, em jogadores de futebol americano. Porém, após alguns episódios, foi descoberta também em jogadores de hockey. Isso se deve às diversas contusões que acabam por atingir a área cerebral dos atletas.

    Da mesma forma, em 2010, outro ex-jogador da NHL, Probert, do Red Wings (o mesmo que se envolveu na brawl com Ewen, citada a cima), também foi diagnosticado com CTE. Devido ao trauma, veio a falecer em 2010. No entanto, sua morte foi após falecimentos de outros ex-jogadores também da Liga Nacional de Hockey. Estes todos com idade inferior a 40 anos e diagnosticados com CTE.

    Devido aos casos anteriores, em 2013, alguns jogadores da NHL lançaram uma ação coletiva na justiça contra a liga. O motivo foi a negligência desta com as contusões de traumatismo craniano, adquiridas durante as brawls nos rinques.

    Simultaneamente, Todd soube da tal petição, mas decidiu não se envolver. No entanto, dois anos depois, o ex-right-winger do St. Louis Blues cometeu suicídio, no porão de sua casa.

    Vídeo do “The Atlantic” sobre o impacto das contusões de Todd Ewen.

    A CTE e o Hockey

    Lesões no cérebro causadas por golpes vêm sendo estudadas há anos, principalmente nas ligas de esportes. Por isso, a esposa de Todd decidiu enviar o cérebro do falecido marido para o Centro de Contusões Canadenses. O diagnóstico foi feito pela médica Lili-Naz Hazrati. Porém, o resultado terminou por trazer notícias desesperadoras: à princípio, Ewen não possuía CTE.

    Desta maneira, a NHL resolveu usar o diagnóstico da médica canadense para se defender contra a ação dos jogadores, que ainda estava em andamento. Os advogados da liga afirmaram que Todd tirou a própria vida por pensar que tinha CTE. Assim, alertar seus jogadores sobre a doença poderia vir a causar pânico e teria a possibilidade de os atletas também tirarem suas próprias vidas. Eles contrataram 19 peritos, com Hazrati dentre eles. Estes, em seus depoimentos, declararam ter dúvidas sobre a CTE ter ligação com os golpes das brawls nas arenas.

    A ciência da CTE ainda é bastante contestada. Atualmente, a doença só pode ser diagnosticada postumamente. Porém, como a maioria dos casos foram diagnosticados em atletas, a comunidade científica teme pelos jogadores de certas ligas de esportes. Por fim, ainda com dúvidas, a esposa de Todd Ewen enviou o cérebro do marido para ser testado novamente. Desta vez, em um Centro Médico Neurológico de Boston. Ao fim de 2018, a responsável por refazer os testes no cérebro de Ewen, a médica Ann McKee (especialista mundial em CTE), declarou que, de fato, Todd possuía CTE.

    No mesmo ano, cerca de 140 ex-jogadores da NHL já haviam se juntado à ação contra a liga. Mas o status da ação acabou sendo negado, devido aos conflitos entre as leis estaduais aplicáveis. Desta forma, a NHL acabou oferecendo um acordo para os jogadores. O acordo chegou a até 22 mil dólares para cada, e cerca de 75 mil dólares para despesas médicas. De acordo com um advogado que representa os jogadores na ação, a tendência é que a maioria deles acabe aceitando o acordo.

    Posição da NHL

    Apesar de diversos casos de CTE terem sido diagnosticados em jogadores de hockey, a NHL ainda nega o link entre as contusões durante o jogo com a CTE. Desde a última década, a liga tem se preocupado em certas ocasiões com a saúde dos jogadores no rinque. As brigas não aparentam ser tão agressivas quanto costumavam ser, além de haver mais regras dentro do jogo em relação a golpes na cabeça.

    Foi levado a tribunal a possibilidade de os golpes direcionados a região cerebral serem cortados do jogo. Mas o comissionário da NHL, Gary Bettman, diz que isso significaria uma crise. Jogadores maiores destinariam os golpes a jogadores menores durante a partida, levando à penalidade. Por fim, ele considera que, desta forma não haveriam mais colisões de corpos entre os jogadores. E isto é algo que os fãs consideram uma parte emocionante do jogo.

    Porém, enquanto a liga continua a negar a possibilidade do CTE estar ligado às lesões de traumatismo craniano em prol da diversão do jogo, diversos jogadores podem estar adquirindo a doença. Muitos provavelmente irão sofrer as consequências dos sintomas devastadores futuramente. Os jogadores fazem a liga, e é necessário que a NHL tome precauções com a saúde destes.

    A geração atual e a próxima de atletas de hockey seria eternamente grata. E, consequentemente, acabariam sendo salvos de terminarem no mesmo caminho em que Ewen terminou.

    Foto: Reprodução/thehockeynews.com

  • Top 5 momentos marcantes: Conferência Leste

    Top 5 momentos marcantes: Conferência Leste

    Já falamos de vários momentos marcantes na história da NHL. Inclusive fizemos um top 5 da Conferência Oeste. Agora chegou a vez de relembramos os cinco momentos especiais que a Conferência Leste nos presenteou.

    The Easter Epic

    A partida que iniciou no dia 18 de abril de 1987 só foi terminar nas primeiras horas do dia 19. Naquele ano, era domingo de páscoa. Os times Washington Capitals e New York Islanders se enfrentaram no jogo 7. Dessa vez, em Capital Centre, no estado de Maryland. Por um lado, dos Capitals, os jogadores Mike Gartner e Grant Martin marcaram gols no primeiro e segundo período. Enquanto os Islanders foram os jogadores Patrick Flatley e Bryan Trottier que marcaram no segundo e terceiro período, respectivamente. Ao fim do terceiro período o placar estava empatado em 2-2. Assim, não teve jeito e o jogo foi para overtime

    Foram necessários quatro períodos de overtime para enfim um dos times marcarem. Os jogadores já estavam cansados. O jogo foi instável durante os primeiros oito minutos do 4OT, afinal aquele já era o sétimo período. Enquanto os Islanders tinham conseguido cinco shots, o Capitals só tinha conseguido um. Os times tinham muito em jogo. Já que quem vencesse a partida iria para o próximo round enquanto o outro iria para casa. Aos 8:47, Pat LaFontaine aproveitou uma passe recebido e mandou o puck para a rede. Com isso, fim de jogo e vitória do time de New York. Atualmente a partida está entre as dez mais longas da história da NHL. Porém, foi o primeiro jogo 7 desde 1968 a precisar de mais de uma hora extra. Sendo assim, foi o único jogo de playoffs em sua temporada que ultrapassou um período de prorrogação.

    Miracle at Molson

    No dia 09 de maio de 2002, o Carolina Hurricanes enfrentava o Montreal Canadiens em mais uma partida da série dos playoffs. A partida aconteceu no Molson Centre em Montreal, Quebec. Era o jogo 4 da série que estava 2-1 para os Habs. Até então, o time da casa estava ganhando de 3-0. Já estava no terceiro período quando veio uma penalidade para o jogador de Montreal. 

    Foram apenas dois minutos de 5 on 3, mas foi o suficiente para os Canes marcarem um gol. Sean Hill aproveitou a chance e abriu o placar para seu time. Menos de dez minutos depois foi a vez de Bates Battaglia. O placar agora estava 3-2, e restava pouco para acabar a partida. Surpreendentemente, faltando apenas 41 segundos para o fim do jogo, Erik Cole deu um rebote num shot de Ron Francis e marcou o gol de empate. Com os Canes conseguindo empatar a partida, foi necessário ir para o overtime e desempatar o jogo.

    Aos 3:14 aconteceu mais um momento histórico na partida. Niclas Wallin fez pela primeira vez o que ficou conhecido como a sua “arma secreta”. Essa foi o primeiro de múltiplos gols em OT na sua carreira. Wallin marcou o gol e Canes empatou a série em 2-2. Por fim, o time da Carolina ganhou a série por 4-2, assim avançando para o próximo round.

    Duelo de hat-tricks

    No dia 04 de maio de 2009, os times Pittsburgh Penguins e Washington Capitals se enfrentaram no segundo jogo da semifinal da Conferência Leste. A partida que foi ganha pelos Capitals por 4-3 entrou para a história do hockey. Isso porque Alex Ovechkin e Sidney Crosby fizeram um hat-trick cada. Assim, tornaram essa noite inesquecível para os fãs do esporte. O responsável por abrir o placar da noite foi Crosby no primeiro período. O canadense aproveitou um passe de Kris Letang durante o power play e marcou o primeiro gol.

    No início do segundo período foi a vez de Ovi marcar seu primeiro gol. Em seguida, ainda no segundo período tivemos novamente um gol de Crosby e ao final do período um gol de David Steckel. Finalizando o placar em 2-2. O terceiro período, por conseguinte, foi bem animado. Com Ovi marcando seu segundo gol num power play e, em menos de três minutos depois, marcou seu terceiro gol. A emoção tomou conta dos torcedores e portanto teve uma chuva de chapéus vermelhos no gelo. Crosby chegou a reclamar com o árbitro sobre a demora para continuar o jogo. No último minuto da partida, Sid the Kid marcou também seu terceiro gol durante um power play. Apesar da derrota nessa partida, os Penguins ganharam a série por 4-3 e posteriormente foram os campeões da Stanley Cup.

    Bruins vs fãs

    Há quase 40 anos, em 23 de dezembro de 1979, Mike Milbury, um defensor do Boston Bruins, entrou em uma briga com um fã do New York Rangers. Isso resultou em todos os jogadores passando por cima do vidro das arquibancadas para entrar na briga. Com exceção de um jogador do Bruins.

    O incidente aconteceu após a vitória dos Bruins de 4-3. A briga iniciou após Phil Esposito, dos Rangers, bater seu stick no gelo e ir para o vestiário depois de não conseguir converter uma briga nos últimos segundos da partida. Com Esposito fora do gelo, quem acabou levando um soco foi Ulf Nilsson dos Rangers, que mais cedo na partida havia batido em Al Secord, autor do soco.

    Como resultado, começou uma briga entre os jogadores que rapidamente passou para a arquibancada, após John Kaptain, fã dos Rangers, atingir um jogador dos Bruins. Kaptain pegou o bastão do jogador. Terry O’Reilly, ao ver isso, foi o primeiro jogador a passar por cima do vidro. Ao total foram dezoito jogadores brigando nas arquibancadas. Ao final da confusão, três jogadores foram suspensos. Além disso, precisaram reinstalar o vidro da arena e até mesmo os fãs processaram os jogadores. No entanto, os jogadores seguiram suas carreiras normais e com isso a briga entrou para a história da NHL.

    Briga entre fãs e os jogadores do Boston Bruins. (Foto: Reprodução / nytimes.com)

    Jaromir Jagr conquista stick de ouro

    Na temporada 2016-17 Jaromir Jagr entrou para a história novamente. Dessa vez, o jogador se tornou o segundo na história da NHL a fazer 1.888 pontos em sua lendária carreira. O ponto histórico aconteceu após Jagr fazer uma assistência que ajudou seu time a marcar um gol contra o Boston Bruins. Mike Matheson disparou o puck para a rede, que bateu na parte de trás de Jagr e depois atingiu Tuukka Rask. O jogador Aleskander Barkov conseguiu atingir o puck que bateu na trave e entrou no gol.

    Após uma breve revisão, o jogo foi interrompido e o capitão do time, Derek MacKenzie, presenteou Jaromir com um stick de ouro. Foi uma forma de comemorar sua grande conquista. Na época, Jagr tinha feito 23 temporadas na NHL, sendo 1.663 jogos e 1.888 pontos.

    Foto: Reprodução / newsobserver.com