Categoria: História

  • História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    História do Hockey no Gelo Olímpico Feminino

    Bem distante do início da história do hockey no gelo masculino nas Olimpíadas, que aconteceu em 1920, ainda na edição de verão, o hockey no gelo feminino só adentrou a competição em 1998, nas olimpíadas de inverno de Nagano, no Japão.

    Apesar de 24 anos de história ainda não ser muito tempo, as conquistas realizadas pelas atletas no gelo marcaram o esporte. A participação no maior evento esportivo da Terra traz uma visibilidade gigantesca para a qualidade da modalidade e valoriza o trabalho de mulheres incríveis e que até hoje, infelizmente, precisam se auto afirmar constantemente nas arenas e na mídia. 

    A disputa entre os times do Canadá e dos EUA se consagrou durante essas duas décadas. Apenas no ano de 2006 a final não contou com um desses times, quando Canadá disputou o ouro contra a Suécia, levando a melhor por 4-1. O país possui 4 ouros olímpicos, de 6 disputados, os outros dois pertencem aos Estados Unidos.

    https://youtu.be/qBADJx4K5Wk

    Os Estados Unidos ficaram com a medalha de ouro nos anos de 1998, na estreia, e em 2018 na Coreia. 

    A História

    Nagano 1998: o primeiro ouro olímpico 

    Na estreia histórica da modalidade feminina nos Jogos tivemos a primeira edição da grande rivalidade que permearia o hockey internacional nas próximas duas décadas. Em uma competição com seis equipes, os Estados Unidos e o Canadá fizeram uma final que resultou em uma vitória de 3-1 para as americanas, que capturaram o terceiro ouro no esporte para o seu país. Já a batalha pelo bronze ficou com a Finlândia, que venceu a China por 4-1. 

     

    Salt Lake City 2002: o desespero das donas da casa 

    Já nos Jogos de 2002 o hockey feminino olímpico viu o número de seleções aumentar, com a classificação de países como Rússia, Alemanha e Cazaquistão em suas primeiras participações na modalidade. Em uma reedição da final de 1998, as canadenses se vingaram e ganharam o ouro pela primeira vez ao vencerem as americanas por 3-2. O bronze ficou com a Suécia, que venceu a então detentora da medalha, a Finlândia, sua arquirrival nórdica, por 2-1. 

     

    Turim 2006: o milagre sueco

    Mas em 2006, em um desfecho inesperado, a Suécia venceu os Estados Unidos na semifinal durante uma disputa de shootout. Entretanto, a sorte deixou o lado das escandinavas na grande decisão, e o Canadá venceu com facilidade por 4-1. Já o bronze ficou com as americanas, que fizeram 4-0 na Finlândia para completar o conjunto de medalhas olímpicas.

     

    Vancouver 2010: o hockey veio para casa

    Em seguida, em 2010, a estreante da edição foi a Eslováquia, que se classificou pela primeira vez para os Jogos de Inverno. Todavia, a final foi uma reedição dos dois primeiros torneios, com o Canadá vencendo seu terceiro ouro consecutivo por 2-0 contra as americanas. Já o bronze ficou com a Finlândia, que venceu sua grande rival sueca na prorrogação por 3-2. 

     

    A polêmica sobre a competitividade

    Com a clara hegemonia das duas potências do hockey feminino, o Canadá e os Estados Unidos, foi levantada a questão da competitividade do torneio. O então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, insinuou que a existência de duas potências claras no esporte era injusta e que, portanto, a modalidade poderia estar ameaçada. 

     

    Sochi 2014: nasce uma estrela

    Logo, em 2014, a final do torneio foi decidida novamente entre Canadá e Estados Unidos, com as canadenses levando a melhor de novo. Com um gol histórico de Marie-Philip Poulin na prorrogação, as canadenses venceram seu quarto ouro consecutivo. Sochi foram os primeiros Jogos de Poulin, que já era apontada como a grande futura estrela do Canadá. A medalha de bronze foi para a Suíça, que venceu a Suécia por 4-3 em um feito histórico. Com isso, Alina Müller se tornou a jogadora de hockey mais jovem a conquistar uma medalha olímpica, aos 15 anos de idade. 

    Pyeongchang 2018: a doce vingança depois de três derrotas

    Por último, no ano de 2018, pela primeira vez desde o torneio inaugural da modalidade, as americanas venceram o ouro. Ao derrotar as rivais canadenses por 3-2 no shootout, elas conquistaram o segundo ouro olímpico da sua história. Já a medalha de bronze ficou com a Finlândia, que venceu o Comitê Olímpico Russo por 3-2. 

    Pequim 2022

    E a batalha entre as duas grandes nações olímpicas da modalidade promete nesta edição. Os primeiros jogos de hockey no gelo feminino das Olimpíadas de inverno de Pequim 2022 começam dia 3 de fevereiro, com a fase preliminar de grupos. A agenda dos jogos de hockey no gelo feminino pode ser lida no site oficial da IIHF

     

    *Texto escrito por Marina Garcez e Taíssa Lopes

  • Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Todo ano olímpico a expectativa é ver nossas estrelas da NHL no gelo, disputando a medalha dourada em suas respectivas seleções. Para 2022, deixaram a gente sonhar: era o momento de ver Sidney Crosby ao lado de Connor McDavid. Auston Matthews ao lado de Johnny Gaudreau. E uma verdadeira salada mista das linhas que estamos acostumados a acompanhar. 

    Deixaram a gente sonhar, mas infelizmente a COVID-19 acabou com a alegria do fã de esporte e, por causa do aumento de casos e dos jogos adiados, a NHL desistiu de permitir a ida dos seus atletas para Beijing 2022. Assim, mais uma vez, acompanharemos os jogos sem as grandes estrelas da Liga. 

    Entretanto, quando falamos de hockey olímpico, falamos de muito mais do que só a NHL. Falamos de quando o esporte era apenas amador, de nomes que subiram ao pódio em meio a boicotes e crises políticas. Falamos de mulheres brilhando no gelo, e uma das maiores rivalidades da história, disputada medalha a medalha. Hoje, vamos conhecer um pouco do outro lado brilhante da história do esporte. 

    Estreia nos jogos

    O hockey no gelo (masculino) fez a sua estreia nos jogos em uma Olimpíada de verão! Sua estréia foi nos jogos de Antuérpia em 1920, três anos após a criação da NHL em 1917. Entretanto, foi apenas em 1924, nos jogos de Chamonix, na França,  que o esporte passou seu programa para os jogos de inverno. Outra curiosidade é que o Canadá foi o medalhista de ouro em ambas as edições.

    Já a modalidade feminina demorou décadas até enfim ser considerada olímpica em 1998, em Nagano, no Japão. E, desde então, as seleções femininas de Estados Unidos e Canadá travam uma verdadeira batalha pela medalha de ouro a cada 4 anos.  

    O hockey olímpico e a URSS:  Red Machine

    Durante o período da Guerra Fria, os esportes foram um dos artifícios que o governo soviético encontrou para fazer propaganda do seu regime. Dessa forma, eles investiram em diversas modalidades em que a URSS tinham domínio para levar ao mundo ocidental as forças ideológicas que eles estavam construindo. Dentre eles, o hockey.

    O hockey da forma como conhecemos hoje surgiu no Canadá. Na Rússia, a modalidade que era mais praticada recebe o nome de bandy, onde os jogadores usam uma bola de borracha no lugar do disco e, geralmente, em lagos congelados e arenas outdoor.

    O Ice Hockey, ou Hockey canadense como foi chamado, chegou à Rússia quando o país já fazia parte da União Soviética. Oficiais do governo tiveram contato com o esporte em 1945. Em uma visita ao Reino Unido, durante um tour do time de futebol FC Dynamo Moscow,  tiveram a ideia de criar uma seleção competitiva de hockey.

    Foi responsabilidade de Anatoli Tarasov transformar um grupo de jovens jogadores de Bandy em uma seleção de Ice Hockey consistente e competitiva. Para isso, Tarasov, que era apaixonado por balé, desenvolveu uma técnica da qual os jogadores “dançavam” no gelo se posicionando onde o disco estaria, formando um jogo diagonal em oposição ao linear apresentado pelo Canadá.

    Com uma disciplina digna das escolas de dança russas e treinando 11 meses no ano, mesmo quando não havia gelo, Tarasov liderou uma seleção que dominou o cenário do hockey internacional. A estreia da URSS em jogos olímpicos aconteceu nos Jogos de Cortina d’Ampezzo 1956 e mudou de vez o curso da história olímpica do hockey. Em um cenário que antes era dominado pelo Canadá, agora a URSS foi em busca desse domínio esportivo-político e conquistou entre 1963 a 1972, três medalhas de ouro olímpicas e 9 campeonatos mundiais. Ao total, foram 9 medalhas de ouro em jogos olímpicos para a URSS. 

    O Miracle on Ice

    Talvez o jogo de hockey mais famoso em jogos olímpicos seja o Miracle on Ice. Na semifinal das olimpíadas de Lake Placid, em 1980, a seleção americana entrou no gelo com seus atletas universitários para enfrentar a União Soviética no seu auge. E, apesar de todas as probabilidades, os Estados Unidos não apenas venceu esse jogo de virada, como também conquistou a medalha dourada naquele ano. 

    Na década de 80, os jogadores da NHL não podiam competir em jogos olímpicos pelo critério do amadorismo que existia nas regras olímpicas. Dessa forma, as principais estrelas norte-americanas, em sua maioria canadenses, ficavam de fora da competição.

    Dizer que a rivalidade EUA x Rússia no hockey não tem origens políticas também não seria correto. Os Estados Unidos levaram uma medalha de ouro olímpica vencendo a URSS,  em plena década de 1980, o que sem sombra de dúvidas teve um respaldo político. Entretanto, para aqueles atletas, as questões políticas foram as que menos importaram no momento do jogo.

    Os Estados Unidos chegavam àquela olimpíada com uma seleção de hockey recém-formada. Jovens jogadores, em sua maioria, universitários, que até um ano antes estavam acostumados a competirem entre si e não a formarem um time único para defender o seu país.

    Essa seleção americana, apesar de nenhum de seus jogadores atuarem na NHL profissionalmente, foi a abertura que a Confederação Americana de Hockey teve para expandir a NHL nos Estados Unidos e a formar uma nova forma de jogar hockey. 

    Sochi 2014: foi bom vê-los, NHL

    Se em 2014 alguém contasse a Sidney Crosby que aquela seria a sua última olimpíada em anos, ele teria comemorado ainda mais a medalha dourada. Mas as olimpíadas de Sochi entraram para a história não apenas porque foi a última com a presença de jogadores da NHL, como também a que deu origem a todo o escândalo de doping da Rússia que viria a estourar depois. No hockey, tivemos o Canadá vencendo a medalha dourada tanto no masculino quanto no feminino. 

    A final feminina entrou para a história quando, pela primeira vez em jogos olímpicos, precisou de um overtime para Canadá e Estados Unidos definirem um vencedor. Perdendo por 2 a 0, foi apenas no terceiro período que a seleção canadense, com gols de Brianne Jenner e Marie-Philip Poulin respectivamente, iriam empatar o confronto. E foi Poulin quem marcou o gol da vitória, no overtime, dando a medalha dourada para o Canadá. 

    No masculino, por outro lado, não faltavam nomes estrelados dentre as seleções como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr, Mats Zuccarello, entre outros.  A final, disputada entre Canadá e Suécia, teve um resultado positivo para a seleção canadense. Com Sidney Crosby usando o C, Carey Price no gol e diversos outros grandes nomes no gelo, o masculino também conquistou a medalha dourada. Dessa forma, na última participação de jogadores da NHL em jogos olímpicos, o Canadá mostrou porque ainda é considerado o país do hockey.

    Olimpíadas de PyeongChang 2018

    Em 2018, o fã do hockey pode curtir uma campanha interessante tanto no masculino quanto no feminino. Sem os jogadores da NHL, Estados Unidos e Canadá ficaram de fora da final do masculinho e uma zebra aconteceu: a seleção da Alemanha disputou a final pela primeira vez, contra os atletas olímpicos da Rússia. A seleção germânica ficou com a medalha de prata, enquanto que os atletas olímpicos da Rússia conquistaram o ouro pela primeira vez desde a dissolução da União Soviética. 

    Mas, apesar do hockey masculino ter sido um campeonato interessante de assistir, a grande estrela da última olimpíada foi a modalidade feminina. O primeiro destaque foi a histórica seleção da Coreia unificada. Por serem o país sede, as jogadoras do norte e do sul disputaram, pela primeira vez, um campeonato juntas. E não foi surpresa para ninguém que as seleções dos Estados Unidos e do Canadá disputaram a final. As canadenses eram as favoritas depois de terem levado a medalha de ouro para casa nas últimas quatro olimpíadas, mas as americanas não desistiram e conquistaram a medalha dourada em 2018 pela primeira vez desde a estreia da modalidade nos jogos, em 1998. 

    Sem os jogadores da NHL nas olimpíadas, sem dúvidas poderemos ver mais zebras e reviravoltas em 2022. 

    Para mais curiosidades olímpicas, confira a nossa série 10 for 10,  em que relembramos diversos fatos importantes do hockey na última década, incluindo as olimpíadas de 2010 e 2014.

     

    Imagem: Reprodução/sportsnet.com 

  • Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    O Montreal Canadiens volta pela primeira vez em 102 anos para um jogo na cidade de Seattle. Da última vez que os Habs pisaram no Pacific Northwest americano, não era a covid que assolava o mundo, mas a gripe espanhola. Em 1919, apesar das orientações do departamento de saúde, as arquibancadas lotaram de pessoas usando máscaras para assistir à final da World Series. A decisão, no entanto, nunca teve desfecho.

    Estima-se que a gripe espanhol tenha matado pelo menos 50 milhões de pessoas de 1918 a 1919. A covid-19 registra hoje quase 5 milhões de mortes pelo mundo. 100 anos se passaram, muita coisa aconteceu na história da humanidade, do hockey e da NHL. Em 1918 a Liga tinha menos de um ano de existência e Montreal ainda iria conquistar seu glorioso legado no esporte. 

    Em 2021, mais de um ano após o mundo atingir o estágio de pandemia e com a vacinação em países como Estados Unidos e Canadá, chegando em 57% e 73% da população imunizada, respectivamente, a vida começa a retomar uma certa normalidade. A circulação de pessoas entre os dois países volta agora no mês de novembro, com novas regras sanitárias, obviamente. Além disso, as arenas de hockey voltaram a receber público nessa temporada, e assim como em 1919, máscaras serão obrigatórias.

    Diferentemente daquele ano, um dos times mais velhos da liga chega à “cidade esmeralda”, como Seattle é conhecida, para enfrentar a mais nova franquia da NHL. Há cem anos, o time da casa se chamava Metropolitans, o de hoje, Kraken. Na época, a Final da Stanley Cup estava empatada entre as duas equipes, mas o sexto e último jogo precisou ser cancelado quando a gripe atingiu ambos os times. 

    Por esse motivo, considerou-se Montreal e Seattle ambos campeões por empate. Mas infelizmente, alguns de seus jogadores não resistiram à doença. Seattle nunca mais chegou perto de uma Final, e alguns anos depois se despediu de seu time na Liga. Em 2021, o Seattle Kraken chegou ao gelo como o 32º time da NHL. Será que teremos Seattle contra Montreal em uma final da Stanley Cup em um futuro próximo? 

    Só assistindo essa temporada para saber. 

    Começando pela noite de terça-feira, 26, às 23:00, 102 anos depois, quando a cidade do estado de Washington volta a receber um dos original six e o rival dos Metropolitans daquela final. 

    Foto: Reprodução/MyNorthwest

  • A história das mulheres no hockey

    A história das mulheres no hockey

    Quem vê o hockey feminino hoje não imagina há quanto tempo as mulheres lutam por isso. Os primeiros casos documentados foram no Canadá na década de 1890, quando algumas mulheres se juntaram e competiram em nível universitário. A Women’s Hockey Association alega que a cidade de Ottawa, em Ontário, sediou o primeiro jogo em 1891. 

    O início

    A filha de Lord Stanley de Preston, Lady Isobel Stanley, foi pioneira no jogo feminino. Ela teria sido inclusive uma das primeiras a ser fotografada usando puck e stick na pista de gelo natural em Rideau Hall, na cidade de Ottawa, no Canadá. Stanley, o sexto Governador Geral do Canadá, forneceu o gelo para os jogos de hockey feminino. Para isso, transformou um grande gramado em Rideau Hall em uma pista. O governador é mais conhecido por sua contribuição ao troféu que mais tarde seria referido como Stanley Cup. Lord Stanley, além disso, desempenhou um papel significativo no desenvolvimento e crescimento do hockey das mulheres canadenses.

    Na década de 1890, o hockey feminino foi introduzido no nível universitário. A equipe feminina da McGill University estreou, assim, em 1894. A Universidade de Toronto e a Queen’s University, em Kingston, Ontário, também foram algumas das primeiras universidades canadenses a apresentar equipes femininas de hockey. Em 1920, Lady Isabella Brenda Meredith, de Montreal, doou a Lady Meredith Cup. Este seria o primeiro campeonato de hockey no Canadá a ser disputado entre mulheres.

    Na mesma época, o hockey feminino finalmente chegou aos EUA. Em 1916, foi organizado um torneio internacional em Cleveland, Ohio. O torneio contou com equipes femininas canadenses e americanas. 

    A princípio, os árbitros no jogos femininos eram do sexo masculino. Quando as mulheres caíam no gelo, esperava-se que o árbitro masculino as ajudasse a se levantar. Até 1914, as mulheres jogadores no oeste do Canadá deveriam usar saias longas.

    Mulheres na história

    Em 1927, Elizabeth Graham usou uma máscara de esgrima para supostamente proteger os dentes após um tratamento odontológico recente. Assim, ela se tornou pioneira no uso da máscara. Depois disso, em 1930, o goleiro Clint Benedict do Montreal Maroons, usou uma máscara para proteger o nariz quebrado, tornando-se o primeiro goleiro a usar uma na NHL. No entanto, o uso da máscara só foi se tornar popular em 1959. A partir de então, o goleiro Jacques Plante passou a usá-la regularmente durante os jogos.

    Abigail “Abby” Hoffman, medalhista de ouro no evento de 880 jardas nos Jogos da Commonwealth de 1966, também fez seu nome no hockey. Ela cortou o cabelo curto e fingiu ser um garoto para jogar com o St. Catharines Teepees em uma liga de meninos. Uma vez descoberto que Hoffman estava disfarçada, a história fez manchetes em todo o mundo. Uma decisão da Suprema Corte de Ontário impediu-a de participar. Embora seus pais tenham desafiado a regra “somente meninos” da liga, a política foi mantida pelo tribunal da província. Nos últimos anos, Hoffman ajudaria a organizar um campeonato nacional de hockey feminino (com representação de cada província). 

    Em 1994, Leslie Castle fez parte do movimento que levou Minnesota a se tornar o primeiro estado a reconhecer o hockey feminino como esporte universitário. Sendo assim, é considerada a avó do hockey feminino em Minnesota.

    Em 2011, Lexi Peters tornou-se a primeira jogadora a participar de um videogame de hockey, no EA Sports NHL 12. Isso porque, após uma sugestão de seu pai, Peters escreveu uma carta para a empresa perguntando por que não existiam personagens femininas. David Littman, o principal produtor do jogo, recebeu permissão dos advogados da NHL e da EA para incluir Lexi Peters. A EA Sports, então, informou Lexi que eles a teriam como a jogadora “padrão” do jogo, que os jogadores poderiam personalizar.

    Hockey na atualidade

    Muitas ligas foram criadas e dissolvidas desde 1890. A mais recente sendo a CWHL (Canadian Women’s Hockey League) que teve seu fim anunciado em março deste ano. Com isso a NWHL (National Women’s Hockey League) anunciou equipes de expansão aprovadas em Toronto e Montreal. Essa Liga foi fundada em 2015 nos EUA como a primeira liga de hockey profissional feminino que pagava um salário. Contudo, a notícia não agradou muito, já que as jogadoras lutam por salários melhores, segurança e melhores condições de trabalho.

    Como resultado, as jogadoras se uniram e criaram a PWHPA (Professional Women’s Hockey Players Association). Essa associação busca tanto melhores condições de trabalho quanto maior inclusão das mulheres no mundo do hockey. Recentemente o New York Rangers anunciou uma iniciativa no hockey feminino para jovens.

  • A influência da Disney na criação do Anaheim Ducks

    A influência da Disney na criação do Anaheim Ducks

    Foi no início da década de 1990 que o hockey teve seu “boom” nos Estados Unidos. Figuras como Wayne Gretzky e a expansão da NHL, com times como Tampa Bay, foram grandes influenciadoras no acontecimento. Assim, o esporte começou a ter mais legitimidade, após anos sob estado “cult” entre os norte-americanos. O Anaheim Ducks teve seu início exatamente neste contexto. 

    Dois fatores foram suficientes para um acontecimento grandioso: um empresário da Disney e seu amor pelo hockey. Consequentemente, o mais novo time da Califórnia acabou por sair das telas da televisão e foi parar diretamente nos rinques da NHL. Desta forma, os Ducks fizeram, na temporada 1993/94, seu debut na maior Liga de hockey do mundo. E, assim, automaticamente, fizeram história e o nome da franquia no esporte. 

    A história dos Ducks foi uma transição de negócios que combinou a indústria cinematográfica, marketing de marca e um esporte profissional em crescimento na América. Tal qual, tinha tudo para dar errado, mas acabou sendo uma das maiores e melhores jogadas da Liga.

    A criação dos Mighty Ducks da Disney

    Michael Eisner, diretor executivo da Disney na época, era apaixonado por hockey. Desta forma, cresceu acompanhando os Rangers durante a sua infância em Nova Iorque. Mas Eisner não era só um simples cidadão americano que amava o esporte. Ele também tinha um dos maiores cargos em uma das maiores companhias de entretenimento do mundo.

    A época de expansão da NHL, por conseguinte, foi também a década de ouro da Disney. A companhia construiu parques como a Disneyland Paris e Disney’s Hollywood Studios. Além disso, adquiriram companhias de televisão como ABC, ESPN e Miramar. Também produziram mais filmes do que jamais haviam antes. Um deles foi o maior filme de hockey elaborado atualmente para crianças: The Mighty Ducks. Em uma entrevista à revista Times, Eisner contou que a franquia já havia produzido filmes com temática de vários tipos de esporte. Por isso, um filme sobre hockey, no início do crescimento do esporte nos EUA parecia uma ótima ideia a sair do papel. 

    Original cast do filme The Mighty Ducks. Foto: Reprodução/cosmopolitan.com

    E foi. O filme arrecadou cerca de 50 milhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, apesar de não ter sido tão bem aclamado pela crítica. 

    O filme se tornou popular entre crianças do mundo todo que eram fãs de hockey. Assim, uma nova franquia da Disney nascia, gerando mais dois filmes: D2 e D3 – Mighty Ducks. Futuramente, devido ao sucesso, foi criada também uma séria de animação. Esta também se chamava Mighty Ducks e foi transmitida pela ABC, em 1997, contando com 26 episódios e uma temporada. Contudo, além de todo o sucesso cinematográfico, a Disney tinha planos muito maiores para a franquia de filmes. 

    O Anaheim Ducks da NHL

    Os Mighty Ducks não foram criados com a intenção de, futuramente, desenvolver um time real de hockey. Porém, o sucesso de bilheteria do filme foi um fator essencial para que a Disney acreditasse que um time na NHL seria muito lucrativo. Tanto para a Liga, quanto para a companhia. Portanto, o filme acabou sendo também uma pesquisa de mercado, que testou todas essas alternativas.

    A equipe Mighty Ducks na NHL apresentava uma série de promoções para o time e a companhia. Além da publicidade, a cidade de Anaheim, cotada desde o início para ser casa do time, e a NHL tinham muito o que ganhar neste acordo. O estímulo para criar a equipe foi a sinergia de marketing que a maioria das marcas deseja, na qual ambos parceiros ganham, tanto exposição quanto receita, enquanto a marca Mighty Ducks fosse sucedida. 

    Para a NHL, os benefícios eram óbvios. Trazer o gigante do entretenimento mundial para a Liga, com uma base de fãs sólida, seria uma jogada e tanto. A Liga ainda tentava se estabelecer no quesito fan base no continente americano e no mundo. Assim, tendo o marketing da Disney ao seu favor faria com que as coisas acelerassem muito mais. Por outro lado, a esperança da Disney com a construção do time em Anaheim era tornar esta um destino turístico. Com a Disneylândia localizada na cidade, e a expansão da Disney, a companhia só tinha a ganhar com o investimento. 

    Então, no ano de 1993, os Mighty Ducks of Anaheim foram criados. No momento da criação, a equipe foi sediada na Anaheim Arena – que foi apelidada de “The Pond” (“a lagoa”), devido ao nome do time. A arena foi fundada em julho de 1993, e ficava a uma pequena distância da Disneylândia.

    A estréia dos Ducks na Liga

    O time fez seu debut na NHL em outubro de 1993, mesmo ano de sua criação. A Disney proporcionou aos telespectadores um show de abertura de 15 minutos. Esta contou com performances de músicas hit da franquia e a junção dos filmes mais clássicos da companhia na época. Posteriormente, o primeiro jogo da equipe foi disputado contra os Red Wings. Infelizmente, os Ducks acabaram perdendo para a equipe de Detroit. Porém, a vitória do time de Anaheim veio dois jogos depois, contra os Oilers. Assim, em casa, os Ducks venceram o time do Canadá por 4 a 3. 

    Cerimônia de abertura dos Mighty Ducks de Anaheim na NHL.

    Apesar de não terem ganhado uma Stanley Cup em seu primeiro ano na Liga, os Ducks tiveram bom rendimento durante a temporada 1993/94. Primordialmente com 71 pontos, a equipe teve um total de 33 vitórias, sendo 19 delas fora de casa. Foi um recorde surpreendente para um time de apenas um ano na NHL. Além disso, a média de público na casa do time na primeiro temporada na liga era de 16.989 espectadores (98% da capacidade).

    Fora do rinque, porém, as coisas eram diferentes. As mercadorias dos Mighty Ducks superavam qualquer time na NHL. Assim, cerca de 80% das vendas de produtos da Liga eram proporcionadas pelos Ducks. 

    A parceria, no entanto, começou a se desgastar após alguns anos. Desta forma, em 2005, com a saída de Michael Eisner da companhia, a Disney acabou vendendo os Mighty Ducks Anaheim. Depois disso, tiveram o nome reformado: a partir do ano de 2005, o time passou a se chamar Anaheim Ducks. Assim como a Arena que, comprada pela Honda, se tornou Honda Center. Por consequência, em 2007 o time acabou conquistando sua primeira Stanley Cup na história. 

    O legado da Disney no esporte

    Apesar da parceria entre Disney e NHL não ter sido vitalícia, a companhia trouxe um enorme legado para a Liga. A Liga Nacional de Hockey não era tão conhecida antes da década de 1990. Portanto, o investimento de marketing da Disney, principalmente na equipe de Anaheim, trouxe um grande montante em vendas de produtos para a NHL. Assim como trouxe muitos fãs leais, que foram afetados pelo filme e são apaixonados pelo esporte até os dias de hoje.

    O investimento da Disney acabou tornando a NHL mais famosa. Com o passar dos anos, um país que antes era dominado por futebol americano e basquete, acabou sendo conquistado também pelo hockey. As equipes profissionais, posteriormente, também passaram a investir em feitos que influenciassem o processo. Seja em mídia, centros de esportes para incentivar crianças a praticar, ou em produtos.

    Desde então, a NHL vem aos poucos tentando conquistar de vez os norte-americanos. Não só estes, mas também públicos internacionais. A Liga vem tentando provar que o esporte é tão digno de audiência e paixão quanto o futebol. Este último tem a maior audiência mundial.

    Basta agora torcer para que o mundo separe um lugar em seu coração para o hockey, assim como tem um lugar para outros esportes, e para a própria Disney. E que o esporte tenha o reconhecimento que merece.

    Foto: Reprodução/CBSsports.com