Na última segunda-feira postamos no NHeLas um texto sobre as mudanças que a Liga precisa passar. Ontem, o ex-jogador do Calgary Flames e um dos personagens da nossa matéria, Akim Aliu, se reuniu com o comissionário da NHL, Gerry Bettman, para discutir suas alegações sobre o comportamento de técnicos na Liga. Isto porque na semana passada, o jogador usou o seu Twitter pessoal para acusar Bill Peters, ex-técnico dos Flames, de injuria racial quando ambos competiam pelo time da AHL Rockford IceHogs .
Aliu não entrou em detalhes sobre o que foi discutido na reunião, mas disse à imprensa que está entusiasmado com as perspectivas de mudanças. Por outro lado, a NHL publicou na sua página do Twitter sua declaração sobre a reunião. Bettman declarou que a Liga e o jogador chegaram à conclusão que lutam pelo mesmo objetivo: que o hockey seja um esporte aberto e inclusivo em todos os níveis.
NHL statement from Commissioner Gary Bettman and Deputy Commissioner Bill Daly. pic.twitter.com/3qE8SK60W5
Outro técnico que teve seu nome envolvido em polêmicas na última semana foi Mike Babcock. Demitido do Toronto Maple Leafs no dia 20 de Novembro, jogadores e ex-jogadores que já trabalharam com o técnico estão usando as redes sociais e buscando a imprensa para relatar casos de abusos praticados por Babcock.
Hey Mike Babcock… [Eles] te abandonam porque você é um péssimo ser humano. Você é um técnico comum com um ego inflado. Finalmente conseguiu o que você merece… O mundo do hockey está em êxtase!
Mike Commodore
Outro jogador que também se posicionou a respeito do trabalho com Babcock foi o ex-defensor Chris Chelios. No episódio do podcast Spittin’ Chiclets de segunda-feira (2), o ex-jogador dos Red Wings contou sobre um “incidente” que aconteceu durante a série contra Nashville nos playoffs de 2012. Conforme o jogador, Babcock teria ofendido verbalmente outro ex-jogador, o atacante Johan Franzen.
Algumas das coisas que ele (Babcock) disse a ele (Franzen) no banco, eu não sei o que ele disse a ele atrás de portas fechadas cara a cara, mas ele o agrediu verbalmente durante o jogo no banco. Chegou ao ponto em que ninguém realmente sabia que o coitado do Johan estava sofrendo com a concussão e a depressão. Ele simplesmente surtou e teve um colapso nervoso, não apenas no banco, mas depois do jogo em uma das salas de Nashville.
Chris Chelios para o poadcast Spittin’ Chiclets
Procurado pela mídia Sueca, Johan Frazen declarou que Babcock é o pior ser humano que ele já conheceu. O ex-Red Wings se aposentou em 2015 após ser diagnosticado com a Síndrome da Concussão, ocasionada por diversas lesões na cabeça. Embora não tenha sido confirmado, parte dos motivos da sua condição de saúde teria sido o comportamento do técnico. Sendo assim, para Frazen, o incidente em 2012 é apenas a ponta do iceberg de várias situações que precisou lidar com o técnico na sua carreira.
Técnico assistente Marc Crawford afastado do Chicago Blackhawks
Aparentemente os casos de abuso na NHL estão apenas começando a surgir e mais técnicos estão sendo afastados do cargo. Dessa vez, o técnico assistente dos Hawks, Marc Crawford, foi afastado da organização, pois está em investigação a respeito de uma acusação de agressão.
O ex-jogador Sean Avery acusou Crawford de tê-lo chutado durante um jogo na temporada de 2006-07, quando jogava pelo Los Angeles Kings e Crawford era seu técnico. Avery contou ao New York Post que Crawford o agrediu pelas costas após uma penalidade por too many man no gelo. Entretanto, para o jogador, a agressão foi uma forma de retaliação por um incidente que aconteceu em um treino alguns dias antes.
Isto aconteceu logo depois de eu estragar uma jogada e mandei o puck para a direção errada, que acabou acertando a cabeça de Crawford e ele precisou de seis pontos no corte.
Avery ao New York Post
Outro jogador que também diz ter sofrido agressões de Crawford foi o ex-jogador de Calgary, Brent Sopel. Ele relatou também ao podcast Spittin’ Chiclets que foi abusado fisicamente pelo técnico quando jogava pelo Ottawa Senators.
Após estas alegações, podemos esperar que mais ex-jogadores, ou até mesmo atuais Nhelers, poderão se pronunciar sobre mais casos de abusos físicos e psicológicos na Liga. Por parte da NHL, talvez esteja iniciando um movimento interno para que ocorra uma mudança de comportamento.
Atualmente, a NHL possui 31 equipes espalhadas por diversas cidades do Canadá e Estados Unidos. O cenário e distribuição atual, no entanto, nem sempre foi assim. Trocas de cidade, expansões e extinções de times ocorrem na Liga desde a sua fundação. Muitos dos times que conhecemos hoje vieram de cidades totalmente diferentes das quais estamos acostumadas. Por isso, o NHeLas trás uma lista com os principais times realocados nos últimos 100 anos.
Atlanta Thrashers
Logo do Atlanta Thrashers Fonte: gettyimages
Os Thrashers iniciaram sua história na NHL em 1999, na cidade de Atlanta (Georgia). O time surgiu em uma expansão da liga com outros três times (Predators, Blue Jackets e Wild) e jogou por anos na atual State Farm Arena. A criação da nova franquia marcou a volta da NHL para a Georgia. O estado não possuía um time desde a década de 1980, quando o Atlanta Flames foi realocado para Calgary, se tornando, então, o Calgary Flames.
Durante a sua estadia em Atlanta, os Thrashers fizeram parte da Divisão Sudeste da Conferência Leste. Posteriormente, essa divisão seria extinta, deixando cada conferência da Liga com apenas duas divisões. De todas as temporadas que o time disputou pela NHL, em apenas uma se classificou para os playoffs, em 2006-2007. No entanto, foram eliminados pelos Rangers nos quatro primeiros jogos.
Ao final da temporada 2010, começaram a surgir boatos sobre diversos grupos que demonstraram interesse na compra dos Thrashers. Porém, em 2011, após diversas especulações – além das dívidas criadas ao longo dos 12 anos de existência da equipe – seus donos majoritários informaram que o Atlanta Thrashers havia sido comprado pelo grupo canadense True North Sports & Entertainment. Sendo assim, acabou sendo realocado para Winnipeg, se tornando o Winnipeg Jets, que disputam atualmente na Conferência Oeste.
Atlanta Flames
Logo do Atlanta Flames. Fonte: sportslogo.net
O Atlanta Flames foi o primeiro time de hockey da NHL a se instalar na cidade de Atlanta, antes mesmo dos Thrashers. Eles fizeram parte da Liga de 1972 a 1980, disputando na West Division (esta que, mais tarde, se tornaria a Divisão Metropolitana). Em suas oito temporadas na NHL, tinham como casa o Omni Coliseum.
O time surgiu junto com os Islanders, na expansão da NHL na década de 1970. Além disso, foi nomeado em homenagem aos acontecimentos em Atlanta durante a Guerra Civil norte-americana, onde foi alvo de diversos ataques. Os Flames eram uma equipe com rendimento modesto no gelo e se classificaram para os playoffs em seis das oito temporadas que disputaram. Porém, nunca avançaram o suficiente para chegar às finais. Eric Vail foi um dos seu top scorers, com 174 gols marcados. Tom Lysiak, no entanto, assumiu a posição de jogador a marcar mais pontos no time, com 431 no total.
A partir da temporada 1977-1978, o time começou a declinar. A média de público, que antes era de cerca de 12,200 pessoas, passou para 10,000. Acabou gerando, desta forma, especulações sobre a realocação do time. Enfim, em 21 de maio de 1980, os boatos se tornam realidade e o time foi vendido por 16 milhões para investidores canadenses, sendo realocado para Calgary e, por fim, se tornando o Calgary Flames.
Hartford Whalers
Logo dos Hartford Whalers. Fonte: reddit.com
Os Hartford Whalers começaram sua história na Liga Nacional de Hockey na cidade de Hartford, em Connecticut, no ano de 1979. Anteriormente, o time fez parte da World Hockey Association e tinha como localização a cidade de Boston, com o nome de New England Whalers. Porém, com a junção da WHA e NHL, e por ser um dos melhores times da World Hockey League, a equipe foi realocada para Hartford. A partir de então, adquiriu o nome que manteve até uma nova realocação do time, ao fim da década de 1990.
Gordie Howe durante sua breve estadia nos Whalers. Fonte: arenadigest.com
A primeira temporada do time na NHL parecia promissora, com Gordie Howe, Mike Rogers e Dave Keon liderando o time. Porém, eles nunca foram tão bem sucedidos na Liga como na WHL. Ainda assim, em suas 18 temporadas, tiveram uma base de fãs decente que, em sua maioria, vinha de cidades próximas a Hartford. Desde sua formação, o time disputou na Norris Division (atualmente, Divisão Central), que fazia parte da Wales Conference (hoje, Eastern Conference). Em todos os seus anos na NHL, o time fez apenas oito aparições nos playoffs, vencendo apenas uma das séries.
Por se localizarem a apenas 100 km de Boston, e por já terem dividido a mesma arena, os Whalers adquiriram uma forte rivalidade com os Bruins. Os jogos em casa contra Boston atraíam grandes médias de público para os Whalers. O recorde do time contra os Bruins, em todas temporadas em que o time jogou pela NHL, foi de 37–69–12.
No entanto, o time veio ao fim por diversos fatores. O time estava localizado entre Boston e Nova York, que já possuíam fan bases fiéis aos seus times. A maior parte de suas vendas vinha quando os Islanders, Bruins ou Rangers disputavam as partidas em Hartford. Em 1996, Peter Karmanos anunciou que, se o time não tivesse uma média de 11.000 tickets vendidos na temporada 1996-1997, a equipe seria realocada. Desta forma, ao fim da season, foi anunciado que os Whalers seriam realocados de forma definitiva para Raleigh, na Carolina do Norte. Ali, por fim, se tornaram o Carolina Hurricanes.
Minnesota North Stars
Logo Minnesota North Stars. Fonte: gettyimages.com
Os North Stars disputaram 26 temporadas pela NHL, de 1967 à 1993, em Bloomington, Minnesota, tendo como casa a arena Met Center.
Dos 26 anos em que fez parte da Liga Nacional de Hockey, o Minnesota fez 15 aparições nos playoffs. Em duas delas, chegou à uma final de Stanley Cup. A primeira, durante a temporada 1980-1981, na qual perderam para os Islanders. A segunda e última aparição nas finais foi somente dez anos depois da primeira, em 1990-1991, quando foram eliminados pelos Penguins.
Após diversas especulações, o time foi realocado para Dallas, no Texas, no ano de 1993. Desta forma, com a mudança, acabou por se tornar o Dallas Stars que conhecemos atualmente.
Quebec Nordiques
Logo Quebec Nordiques. Fonte: gettyimages.com
Os Nordiques existiram por 16 anos na NHL. Anteriormente, a equipe fez parte da WHL, sendo um dos primeiros times a inaugurar a liga. Porém, com a junção desta e da NHL, o time passou a compor a Liga Nacional de Hockey em 1979. A equipe de Quebec disputava pela Adams Division, da Wales Conference (futuramente, a Adams Division tornou-se a Divisão Atlântica). O nome se deu pelo fato de serem o time que ficava mais ao norte, dentre todos os da Liga. Posteriormente, quando começaram a fazer parte da NHL, o nome prevaleceu.
A primeira temporada do time na Liga Nacional de Hockey não foi nada produtiva, tendo terminado em último lugar da divisão. Nas restantes, o time teve seus altos e baixos. Durante a década de 1980, venceram seu primeiro título de Divisão, na temporada 1985-1986, porém, logo após acabaram sendo eliminados pelos Whalers nos playoffs. Em seguida, em 1986-1987, o time voltou a enfrentar os Whalers e venceu a série sobre o time de Hartford. Entretanto, foram eliminados novamente na pós-temporada, dessa vez pelos Canadiens. Já ao fim da década, em 1989-1990, Guy Lafleur veio para completar a equipe, porém, faz uma de suas piores temporadas na NHL, marcando apenas 24 gols em 98 jogos. O time atingiu a pior marca de sua história, terminando a season com apenas 31 pontos.
Na temporada 1994-1995, após serem eliminados nos playoffs pelos Rangers, e com o acúmulo de dívidas e empecilhos que o time encontrava para se manter em Quebec, o COMSAT Entertainment Group acabou comprando a franquia. Desta forma, o time foi realocado para Denver, no Colorado, se tornando, por fim, o Colorado Avalanche.
O começo de temporada da NHL costuma ser recheado de surpresas. Esse ano, por exemplo, era esperado que o Edmonton Oilers não tivesse nenhum resultado diferente.
Porém, o time que terminou a temporada passada em sétimo lugar na Divisão Pacífica tem mostrado um começo de temporada um pouco diferente. Em nossa análise, mostraremos quais as diferenças do time do ano passado com o time atual.
Primeiramente, é importante ressaltar uma das mudanças fundamentais. A chegada do novo técnico David Tippet e principalmente a do General Manager Ken Holland.
Contudo, o time não teve grandes mudanças em seu elenco. Em nosso texto sobre previsões de cada divisão, destacamos algumas novas aquisições. Vale ressaltar a chegada do goleiro Mike Smith, ex-Flames, que reveza com o goleiro Mikko Koskinen.
Comparando temporadas
Comparando esse início de temporada do Edmonton Oilers com a do ano passado, o time de Alberta acumulava o recorde de 15-12-2 após 29 jogos corridos. Com isso, somavam 32 pontos.
Hoje, acumulam 17 vitórias, nove derrotas e três derrotas em OT/SO, no mesmo período de jogos, com 37 pontos. A dupla Connor McDavid e Leon Draisaitl já acumulam 50 pontos em menos de 30 jogos. O último recorde foi quando Wayne Gretzky e Jarri Kurri fizeram o mesmo, em 1984-1985.
Mas então, o que mudou em relação ao ano passado? É possível apontar alguns fatores. McDavid e Draisaitl continuam sendo os principais atacantes, sendo possível afirmar que, sem eles, o time perderia toda sua estrutura.
Entretanto, a troca de técnico está sendo fundamental nesse processo de melhoria. Tippet é conhecido por ser um técnico defensivo e, de fato, a defesa melhorou. Porém, ele afirmou que seu método é na verdade ganhar com o elenco que ele possui. Com isso, melhorar o que era ruim, usando as mesmas peças.
No caso dos Oilers, o que era considerado ruim era o penalty kill e o powerplay. O time agora está fazendo mais gols, pois arrisca mais shots. Isso é fundamental, e contrasta com a antiga filosofia do time.
Vale também destacar a adição de Ethan Bear, que passou o verão treinando com afiliada da AHL, Bakersfield Condors. Quando ele substituiu o defensor Joel Persson, lesionado na época, Bear foi autor de dois gols contra Winnipeg Jets. Atualmente, ele está na linha com Darnell Nurse.
A Divisão Pacífica
Por outro lado, a divisão no qual Edmonton Oilers está também pode ser um motivo para o sucesso do time. Por conta da instabilidade dos outros times da mesma divisão, não é difícil um time consistente como os Oilers se ressaltarem. Como exemplo temos o San Jose Sharks, que teve um começo de temporada horrível, com um recorde de 4-10-1.
Calgary Flames e Vegas Golden Knights, por sua vez, começaram muito bem, porém caíram de nível drasticamente. Já o Arizona Coyotes, com uma excelente defesa frente às redes, encontra-se atualmente no segundo lugar da divisão, algo que certamente não era esperado. Ou seja, essa consistência nas vitórias tem sido uma grande aliada para o sucesso dos Oilers.
A maior questão é saber como será daqui para frente. Atualmente, o Edmonton Oilers são um time razoável, com bons goleiros e excelente penalty kill/powerplay. Ano passado, eles eram um time ruim, com grandes estrelas, mas que pecavam em outras categorias. Resta saber se o time continuará tendo um equilíbrio conforme o desenrolar da temporada, e se conseguirão enfim a tão almejada vaga nos playoffs.
O hockey é um esporte tradicionalista na sua essência. Quando falamos isso, incluímos uma mentalidade cheia de preconceitos ainda presente na comunidade. Além disso, a famosa “hockey culture” ainda exige de seus atletas comportamentos que não cabem mais nos dias atuais. Conformar-se com qualquer coisa que um técnico diga, aceitar comportamentos abusivos e se contentar com pedidos internos de desculpas não devem acontecer em um esporte moderno.
Nas últimas semanas, torcedores, atletas e representantes da mídia começaram a se mostrar dispostos a provocar mudanças e trazer a NHL para o século XXI. Tudo começou com a demissão do comentarista Don Cherry no dia 9 de novembro após ter feito comentários xenofóbicos durante o programa Coach’s Corner da SportsNet.
A ação da emissora após as críticas ao Don Cherry provocara reações que levaram a mais dois casos que tinha sido encobertos pelos próprios times e demais entidades da Liga. O primeiro, a demissão de Mike Babcock pelo Toronto Maple Leafs no dia 20 de novembro, o que permitiu a divulgação de um relatório expondo uma lista que Babcock obrigou o então rookie, Mitch Marner, a fazer dos seus colegas que ele acreditava serem os menos produtivos do time. Mais tarde, o ex-técnico dos Leafs compartilhou a lista com demais jogadores.
Além de Babcock, outro nome vinculado a polêmicas foi o agora ex-treinador do Calgary Flames, Bill Peters. O ex-jogador Akim Aliu acusou Peters de ter praticado injuria racial há dez anos, quando ambos eram parte do time da AHL Rockford IceHogs. Mas o caso de Peters se agravou quando foi descoberto que, no seu tempo com os Hurricanes, ele chegou a abusar fisicamente de um jogador que teve sua identidade protegida.
Estes casos estão ainda apenas no início das investigações. No entanto, muita coisa já se pode dizer tanto sobre Babcock, quanto sobre Peters, além, é claro, de diversas outras histórias de técnicos em ligas menores que abusam fisicamente e psicologicamente de seus atletas. Essas ações foram por muito tempo lidas apenas como “cultura de vestiário”, algo que existe em diversos esportes. Ainda está muito cedo para dizer que teremos de fato uma mudança na cultura do hockey. Mas uma coisa é certa: o ponta-pé inicial foi dado.
Caso Don Cherry
Cherry já vinha sendo criticado por comentários polêmicos desde a temporada passada. Tudo começou quando o comentarista e ex-técnico do Boston Bruins chamou jogadores do Carolina Hurricanes de Bunch of Jerks (Bando de Idiotas) por comemorarem suas vitórias na PNC Arena, as famosas surges.
Na intertemporada, a SportsNet questionou a permanência de Cherry no Coach’s Corner, uma vez que sua audiência começava a reclamar dos comentários polêmicos. Mesmo assim, resolveram renovar seu contrato, afinal, polêmica também traz audiência. Mas o “tudo por audiência” mudou no dia 9 de Novembro, quando disse que os imigrantes no Canadá aproveitam as coisas boas do país, mas não exercem patriotismo. Ele fazia uma referência às homenagens aos veteranos da Primeira Guerra Mundial, comemorado no dia 11 de novembro.
Don Cherry, aos 85 anos, não enxergou seu comentário como xenofóbico, pelo contrário. Ao ser questionado se iria se desculpar, o comentarista disse que havia sido apenas patriota. Por outro lado, a SportsNet publicou uma nota dizendo que os comentários de Cherry eram ofensivos e não representavam os valores da emissora.
Caso Mike Babcock
O Toronto Maple Leafs não teve um bom início de temporada. O time estava com mais derrotas do que vitórias, incluindo cinco derrotas seguidas no tempo regular sob comando de Babcock. Estes números eram exatamente o que os Leafs precisavam passa assinar a carta de demissão do técnico no dia 20 de novembro. Apenas um pretexto, que só iria ser conhecimento do público dias depois.
A cultura de vestiário nos esportes é algo que por muito tempo era secreto. Todo mundo sabia que acontecia, mas ninguém falava a respeito. Técnicos, em uma posição de poder, se sentem no direito de humilhar, agredir física e psicologicamente e praticar os mais mais diversos tipos de abusos contra os seus atletas. No hockey, esta cultura também está vinculada ao machismo. Promove-se uma ideia de que jogadores de hockey são fortes o suficiente para aguentar qualquer coisa. Apesar de ser conhecimento geral que muitos destes atletas jogam machucados, outras coisas também acontecem nos vestiários que são encobertas pelos envolvidos.
I heard about this Babcock story when it happened, but I didn’t want to bring it up until I could confirm it was true.
O caso de Mike Babcock veio à tona assim que sua carta de demissão foi assinada. Isso aconteceu porque um relatório da temporada 2016-2017 foi liberado à imprensa, confirmando um boato que já existia. Na temporada de rookie de Mitch Marner, Babcock, insatisfeito com o desempenho do atleta, o chamou em uma reunião de portas fechadas e pediu que o jovem jogador fizesse uma lista com os colegas de time que acreditava ser os que menos se empenhavam no gelo.
Na época, Marner obedeceu o treinador, afinal, tinha acabado de chegar à NHL. Entretanto, Babcock mostrou esta lista para os jogadores que estavam na parte debaixo dela, mesmo que o último colocado tenha sido o próprio Marner.
Quando o caso explodiu nas últimas semanas, Marner foi pego de surpresa. Pela primeira vez o jogador falou a respeito para a TSN, contando que no final, ele se sentiu sortudo ao ter colegas de time que o apoiaram e que nenhum dos demais jogadores da lista guardam rancor de algo que não tinha sido culpa dele. Ele também disse que, por ter acontecido tanto tempo atrás, nem se lembrava mais do fato. A entrevista do jogador pode ser assistida, em inglês, aqui.
Mike Babcock acumula reclamações sobre suas condutas éticas quase tanto quanto acumula vitórias. Sendo assim, pode-se até mesmo questionar se o polêmico contrato inflacionado assinado por Marner em setembro também não estaria relacionado com transgressões que o jogador de 22 anos sabia que precisaria enfrentar sob o comando do técnico. Enfim, é possível dizer que o Toronto Maple Leafs finalmente se livrou de um problema. É hora de, quem sabe, mostrar no gelo o quanto estão aliviados.
Caso Bill Peters
O caso de Bill Peters é ainda mais complicado do que o de Babcock. Mesmo uma semana depois, fica difícil prever quais serão as consequências palpáveis do acontecido. No dia 25 de novembro, cinco dias após a demissão do ex-técnico de Toronto, o ex-jogador do Rockford IceHogs, Akim Aliu, publicou no seu Twitter que não estava surpreso com a notícia. Afirmou que já tinha vivenciado, há dez anos, uma situação de racismo dentro do vestiário que foi abafada pelas organizações.
Not very surprising the things we’re hearing about Babcock. Apple doesn’t fall far from the Tree, same sort of deal with his protege in YYC. Dropped the N bomb several times towards me in the dressing room in my rookie year because he didn’t like my choice of music. First one to
admit I rebelled against him. Wouldn’t you? And instead of remedying the situation, he wrote a letter to John McDonough and Stan Bowman to have me sent down to the ECHL. 20 year old on pace for 20 goals in his first pro year with zero PP/PK time was off to a great start in his
Após os tweets, não precisou de muito para descobrirem que as alegações eram sobre o então técnico do Calgary Flames, Bill Peters. O fato havia acontecido no vestiário do time afiliado do Chicago Blackhawks, Rockford IceHogs. No caso, Aliu relata que o treinador repetidas vezes cometeu injuria racial por causa do gosto musical do então prospect do Hawks. Por fim, ao se rebelar, teve como resposta uma passagem só de ida para as ligas menores.
Após as alegações, o GM dos Flames, Brad Treliving, anunciou uma investigação a respeito do caso. Como consequência, na sexta (29), Peters entregou a sua carta de demissão. Além disso, deixou outra carta se retratando com o GM e a organização dos Flames.
Sobre o caso, o Chicago Blackhawks declarou que apenas tomou conhecimento do fato esta semana. Além disso, afirmou que Aliu nunca entrou em contato com a organização para reportar o ocorrido. Por outro lado, o jogador usou novamente a sua rede social para dizer que não irá fazer nenhum comentário público sobre a situação, mas que aceitou o convite da NHL para discutir o assunto. A Liga, por sua vez, apenas falou sobre as reuniões já agendadas.
Entretanto, o caso de Akim Aliu não é o único que Peters vai ter que explicar. O treinador esteve à frente do Carolina Hurricanes entre as temporadas 2014-15 e 2017-18. Durante este tempo, ele não conseguiu muitas conquistas, e ele com certeza, não era adorado no vestiário. Um ex-jogador dos Canes aproveitou a declaração de Aliu e também usou o seu twitter para acusar Peters, dessa vez, de agressão.
Michal Jordan declarou que Peters agrediu ele e mais um jogador que não foi identificado durante um jogo. E, posteriormente, o técnico agiu como se não tivesse feito nada de errado. Na quarta-feira (27), antes do jogo contra o New York Rangers, o atual técnico do Carolina Hurricanes, Rod Brind’Amour, que já estava na organização como parte da equipe técnica quando Peters estava à frente do time, confirmou que de fato aconteceu a agressão. Além disso, afirmou que os jogadores levaram à administração, que, enfim, tomou a atitude que ele considerava a correta.
Entretanto, Brind’Amour fez a seguinte declaração ao The Athletic:
Os jogadores têm medo de se manifestar e, para ser sincero com você, todo mundo sob o treinador, o gerente, eles têm medo de se manifestar, porque existe uma grande lacuna na estrutura de poder nisso. Eu acho que os jogadores têm muito mais poder agora, e eles percebem isso. Eu acho importante que eles falem sobre o que acham importante porque os tempos mudaram. Eles definitivamente têm mais poder e precisam se manifestar.
Rod Brind’Amour
Ron Francis, GM de Carolina na época, declarou que, de fato, jogadores o procuraram. Afirmou ter levado aos donos a acusação para que as providencias fossem tomadas. No entanto, não iria comentar mais sobre o assunto uma vez que ainda havia uma investigação em curso.
Talvez, as mudanças que a Liga e o hockey, como esporte, precisam para começar a mudar sejam estas pequenas grandes atitudes de coragem que jogadores como Aliu e Jordan tomaram na última semana. Uma nova forma de enxergar o relacionamento treinador-jogador, para formar uma verdadeira equipe com um objetivo em comum. Como disse o técnico dos Canes, os tempos mudaram, e está mais do que na hora da NHL mudar também.
A CHL (Champions Hockey League) está contando os dias para dezembro. Nos dias 3 e 10 de dezembro os oito melhores times estarão disputando as quartas de final dos playoffs. Que começou essa semana movimentando o cenário do hockey europeu.
A CHL conta com 32 times de 13 ligas diferentes, ou seja, de 13 países. A disputa acontece entre os meses de agosto e fevereiro, anualmente. Os países participantes são: Suécia, Suíça, Alemanha, Finlândia, República Tcheca, Áustria, Belarus, Reino Unido, França, Eslováquia, Noruega, Polônia e Dinamarca. Eles disputam um lugar no ranking para que os seus melhores times possam entrar no torneio.
Como funciona
Cada liga pode mandar até cinco times, de acordo com a sua própria classificação. O número exato de quantos times cada liga pode enviar é determinado de acordo com o ranking da CHL. Ou seja, quanto melhor o desempenho dos times de uma determinada liga, mais pontos essa liga terá na CHL e, consequentemente, mais times ela poderá enviar.
Esses 32 times são separados em oito grupos, cada um formado por quatro times que disputam ao todo 125 jogos (contando com os playoffs), divididos entre em casa e na estrada. No entanto, apenas dois times de cada grupo se classificam para a próxima fase, os playoffs. Se, por acaso, dois times de algum grupo estiverem empatados, o desempate é feito através de um confronto direto. Nesse caso, a equipe empatada que tiver o melhor resultado ao comparar o número de pontos, a diferença de gols e os gols marcados contra a outra equipe empatada, será classificada. Caso o empate seja entre mais de dois times, um subgrupo é criado e então o processo acima é aplicado.
Para ir os playoffs, as duas equipes com maior pontuação de cada grupo são classificadas. Cada grupo disputa dois jogos (em casa e na estrada) e aquele que tiver mais pontos passa para a próxima fase. Ou seja, a pontuação é feita com o placar agregado até as semifinais, uma vez que a final é disputada em um jogo único. Os playoffs são divididos em quatro fases: rodada dos 16, quartas de final, semifinal e final.
Caso ocorra da pontuação empatar ao final do segundo jogo, os times precisam desempatar por meio de um overtime e shootout. No OT, os times disputam 10 minutos de morte súbita em um jogo de 3 on 3, até que um gol seja marcado. Se nenhum gol for marcado, então os times decidem em um shootout de cinco shoots cada.
Playoffs
Este ano seis times já tem o que comemorar! Os jogadores dos times Augsburger Panther (Alemanha), EHC Biel-Bienne (Suíça), Fäjestad Kalstad (Suécia), Mountfield HK (República Tcheca), Lausanne HC (Suíça) e Yunost Minsk (Belarus), certamente já entraram pra história. Pela primeira vez, eles chegaram até a rodada dos 16. Além deles, os playoffs contam com a participação de: Red Bull Munich (Alemanha), HC Pinsel (República Tcheca), Skellefteå AIK (Suécia), Djurgården Stockholm (Suécia), Tappara Tampere (Finlândia), EV Zug (Suíça) e SC Bern Adler Mannheim (Alemanha). Também estão na disputa Luleå Hockey (Suécia), que levou o título em 2015, e o atual campeão, o Frölunda Indians (Suécia).
Entretanto somente oito times passam para as quartas de final, com o primeiro jogo marcado para o dia 3 de dezembro. Foram classificados os times Mountfield HK, EV Zug, Frölunda Indians, EHC Biel-Bienne, Djurgården Stockholm, Red Bull Munich, Lausanne HC e Luleå Hockey. Eles se enfrentarão na esperança de passar para as semifinais, que serão disputadas em janeiro de 2020. A final está marcada para o dia 4 de fevereiro de 2020. Para mais informações acesse o site da CHL aqui.
Neste último final de semana aconteceu o Induction Weekend 2019. O evento foi promovido pelo Hockey Hall of Fame (HHOF) para a apresentação dos novos membros: Guy Carbonneau, Vaclav Nedomansky, Hayley Wickenheiser, Sergei Zubov, Jim Rutherford e Jerry York. Com duração de quatro dias, o evento teve início na sexta (15) com o Hall of Fame Game e terminou na segunda (18) com o evento de gala. Nesse dia, houve a introdução da classe de 2019. Além disso, as festividades contaram também com um Q&A com os homenageados e com o Legends Classic.
O jogo de abertura foi entre os times Toronto Maple Leafs e Boston Bruins, na arena Scotiabank em Toronto, Canadá. A partida, que terminou em 4-2 para os Bruins, contou com cobertura completa do NHeLas diretamente de Toronto. É possível ver os vídeos da partida nos destaques do nosso instagram.
Legends Classic
O domingo foi reservado para o Legends Classic, o jogo entre as lendas do hockey. Os jogadores foram divididos em duas equipes, Sudin e Lindstrom. O primeiro time contou com o próprio Mats Sudin como capitão e Andrew Raycrift como goleiro. Os outros jogadores eram: Nik Antropov, Wendel Clark, Carlo Colaiacovo, Mike Gartner, Al Lafrate, Tomas Kaberle, Eric Lindros, Bryan McCabe, Dmitri Mironov, Fredrik Modin, Marie-Philip Poulin, Steve Thomas e Hayley Wickenheiser. Como treinadores, tivemos Anders Hedberg e Jim Rutherford.
Do outro lado, o time Lindstrom contou com Nicklas Lidstrom como capitão e Marty Turco como goleiro. O time ainda contou com Lanny McDonald e Jerry York como treinadores. Para o restante do time foram: Guy Carbonneau, Dino Ciccarelli, Jayna Hefford, Nick Kypreos, Joe Kocur, Igor Larionov, Brenden Morrow, Larry Murphy, Rob Ray, Wade Redden, Stephane Richer, Jeremy Roenick, Ryan Smyth e Sergei Zubov.
Como de costume, os jogos entre as estrelas do hockey são de confraternização e era exatamente esse o clima entre os jogadores. Os capitães chegaram juntos a arena uma hora antes da partida, enquanto conversavam amigavelmente. Enquanto isso, as três mulheres da partida dividiram o vestiário mesmo sendo de times opostos.
O Legends Classic tem um formato diferente de partida, ele consiste em dois períodos e um shootout. Após uma cerimônia pré-jogo para a homenagem dos novos membros do HHOF, eles foram se preparar para a partida. Com gols de Cammalleri e Smyth (dois cada), de Kocur, Richer, Lidstrom e Ciccarelli, o time Lidstrom caminhava para a vitória. Sendo assim, foi exatamente isso que fizeram no shootout, dessa vez com gols de Zubov, Hefford, Lidstrom e Smyth.
Por outro lado, o time Sundin contou com gols de Clark e Sundin (dois cada), Wickenheiser, Poulin, Iafrate e Antropov, nos dois períodos. Durante o shootout, Wickenheiser e Sundin marcaram novamente, mas, desta vez, contaram também com um gol de Thomas. O placar da noite, enfim, ficou 12-11 para o time Lidstrom.
Na última noite, aconteceu enfim a cerimônia de indução dos novos membros. Além da presença dos grandes homenageados da noite, vimos outras lendas do hockey e membros das classes anteriores. Em discursos emocionantes, os homenageados lembraram de suas carreiras no esporte – não somente na NHL, mas no começo de tudo, quando iniciaram na escola. Alguns ainda lembraram das trocas e adaptações nos times em que passaram, além é claro de agradecer as pessoas que foram importantes durante todos esses anos.
A emoção foi tanta que Vaclav Nedomanskey esqueceu de agradecer algumas pessoas durante a sua fala. Após o discurso de Guy Carbonneau, a jogadora Hayley Wickenheiser, última a discursar, chamou Nedomanskey para que enfim pudesse finalizar seus agradecimentos. Os elogios aos homenageados eram infinitos nas entrevistas durante o red carpet com outros jogadores e membros. Eles lembraram como era jogar junto, do companheirismo e como era estar no gelo com os homenageados. Entre jogos, comemorações e lembranças, esse fim de semana certamente foi de muita emoção para a classe de 2019.
Os torcedores do New York Islanders têm motivos de sobra para sorrir. O time vem em uma maré boa e conta com um streak de 13 pontos consecutivos. Ao todo, os Isles participaram de 17 jogos nesta temporada, conquistando 13 vitórias e um overtime. No entanto, o destaque mesmo vai para as dez vitórias consecutivas, um feito histórico para o time que não conseguia isso há mais de 37 anos. Curiosamente, nenhum dos jogadores atualmente ativos nos Islanders eram nascidos ainda. Apesar de ter perdido para o Pittsburgh Penguins no 11º jogo, o time conseguiu dar a volta por cima e voltar à série de vitórias.
Dez vitórias seguidas
Tudo começou na partida do dia 12 de outubro, entre os Isles e o Florida Panthers, no Nassau Coliseum na cidade de Nova York. O time da casa venceu os Panthers em um shootout por 3-2, no qual o goleiro Semyon Varlamov fez 35 incríveis defesas. Posteriormente, o time conquistou vitórias contra St. Louis Blues, Winnipeg Jets, Columbus Blue Jackets, Arizona Coyotes, Tampa Bay Lightning, Buffalos Sabres e duas vezes contra Ottawa Senators.
Um dos grandes destaques é o goleiro Varlamov. Anteriormente free agent, chegou em New York nesta temporada. O russo tem feito incríveis defesas e, com isso, tem mostrado ser uma peça importante nessas vitórias. Da mesma forma, Mathew Barzal, jovem de 22 anos, tem se mostrado importante ao liderar as estatísticas do time com oito gols, oito assistências e 16 pontos.
A série de vitórias tem mostrado ser benéfica porque ela representou momentos de estreias para os jogadores. O jogador Nick Leddy entrou para a história do time ao se tornar o primeiro defensor a marcar um pênalti. Outro jogador que também teve estreia foi Cole Bardreau, center que marcou o seu primeiro gol na NHL num jogo contra os Senators. Por sua vez, o center Derick Brassard também teve uma série boa, marcando cinco gols em cinco jogos consecutivos. Como resultado, essa foi a maior série na carreira do jogador.
No dia 07 de novembro, no entanto, os Isles viram sua série de vitórias chegar ao fim. Foi em uma partida disputada no Barclays Center, na cidade de New York, contra os Penguins. O jogo estava indo bem, já que o time da casa havia marcado um gol no primeiro período, logo nos primeiros segundos – cortesia de Casey Cizikas. Posteriormente, aumentaram a vantagem com gols de Cal Clutterbuck e Adam Pelech no segundo período.
Entretanto, aconteceu o que ninguém esperava. Os Penguins conseguiram não somente marcar um gol, como empatar a partida. O primeiro a balançar a rede foi Jared McCann com menos de dois minutos do terceiro período. Seguido de Bryan Rust aos 06:16 e de Evgeni Malkin, aos 08:48. Depois disso, os goleiros conseguiram segurar as pontas, mas não teve jeito, foi necessário ir para OT. Com pouco mais de três minutos, Rust fez o seu segundo gol da noite e fechou o placar com 4-3 para o time visitante.
O jogo seguinte foi contra os Panthers. Dessa vez, Thomas Greiss foi o responsável pelo gol e fez 37 defesas, deixando passar somente um puck. Os Islanders conseguiram marcar dois gols, com Barzal abrindo o placar no primeiro período e Scott Mayfield conseguindo virar após o time da Flórida ter empatado.
No jogo do último dia 13 (quarta), foi a vez do Toronto Maple Leafs fazer os Islanders suarem. A partida foi acirrada e o time precisou manter a guarda para não perder. Com dois gols de Anthony Beauvillier, um gol e duas assistências de Brassard, um gol e uma assistência de Barzal e, por fim, Cizikas marcando o gol da vitória, o time venceu por 5-4. O goleiro Varlamov conseguiu defender 23 dos 27 shots dos Leafs.
Essa não é a primeira vez que o time consegue esse feito. A primeira vez, e a mais importante na história do time, foi na temporada 1981-82. Os Isles tiveram a sua melhor temporada na história da franquia e foram líderes na Liga com 118 pontos, sete a mais que o segundo colocado, o Edmonton Oilers. Naquele ano, eles tiveram uma série de 15 vitórias consecutivas entre os dias 21 de janeiro a 20 de fevereiro. Não somente isso, eles ganharam pela terceira vez consecutiva a Stanley Cup após varrer o Vancouver Canucks.
Na temporada seguinte, eles fizeram novamente. Desta vez o time de New York venceu oito vezes consecutivas. Posteriormente, eles ganharam a sua quarta Stanley Cup. Alguns anos depois, durante a temporada 1989-90, eles tiveram uma série de nove vitórias consecutivas. Naquele ano eles conseguiram novamente ir para os playoffs, mas foram eliminados pelo rival New York Rangers.
Essa série de vitórias tem dado um gás para o time. Resta descobrir se eles irão conseguir manter essa série boa e garantir a tão disputada vaga nos playoffs. Ou até mesmo quem sabe fazer que nem seus antecessores e conquistarem a Stanley Cup. De uma coisa o fã do esporte tem certeza: o mundo do hockey é imprevisível e só aguardando para descobrir.
Quem pensa que vida de jogador de hockey é fácil está enganado. É necessário muito preparo físico e emocional para aguentar a correria do dia-a-dia dentro de um time da NHL. Em muitos desses casos, os jogadores precisam sair da arena, ir direto para o aeroporto pegar um voo de horas, para depois chegar em casa e aí sim poder dormir. Portanto, na maioria das vezes os jogadores só conseguem concluir essa rotina as 4 da manhã. O maior detalhe é que no dia seguinte tem que treinar porque já tem outro jogo marcado.
É pensando nessa correria que Jonathan Toews do Chicago Blackhawks, com a ajuda de especialistas criou o que ficou conhecido como “Toews Schedule”. Um calendário de jogos pensado na saúde e bem-estar do jogador. A verdade é que a correria cobra o seu preço todos os dias nos corpos dos jogadores. Eles estão cansados o que pode resultar num empenho razoável no gelo e muitas lesões. Com o passar da temporada esse cansaço vai acumulando e a situação vai piorando. Em uma conversa com o The Athletic, o jogador explicou um pouco sobre esse calendário e pode falar o porquê ele criou o mesmo. Para mais informações você pode ler a matéria em inglês aqui.
Como funciona?
Atualmente o calendário da NHL é separado em três etapas: pre-season, regular season e playoffs. A pre-season em geral acontece nas duas últimas semanas de setembro e tem uma média de seis a oito jogos. Esses jogos são os que permitem os treinadores a avaliar os novos jogadores, tanto os novos draftados quanto os que foram trocados. Também servem para avaliar a dinâmica do time em relação aos novos jogadores. É nos confrontos da pre-season que as equipes costumam ser divididas e é comum que os principais jogadores do time não participem de todos os jogos.
Na regular season já é diferente. Cada equipe joga 82 jogos onde são divididos em 41 em casa e 41 na estrada. Esses 82 jogos são divididos da seguinte forma: quatro ou cinco jogos contra cada time da mesma divisão, três jogos contra cada equipe de outra divisão porém da mesma conferência e ao menos dois jogos contra cada equipe da outra conferência. Desta maneira cada equipe da NHL joga ao menos uma vez em cada arena. Esses 82 jogos são distribuídos de uma forma que um time não jogue contra o mesmo duas vezes seguidas.
Ao todo são 31 equipes atualmente na Liga, dessas equipes apenas 16 se classificam para os playoffs. Os playoffs são divididos em três rounds além da final. Cada time precisa ganhar quatro da série melhor de 7 jogos, ou seja, quem ganhar primeiro quatro confrontos, passa para o próximo round. Esses jogos são divididos entre casa e estrada, a equipe que tiver mais vantagem tem o direito de ter mais jogos em casa. Desta forma uma equipe é capaz de jogar até 53 jogos na estrada.
Toews Schedule
A proposta de Jonathan Toews não é mexer na quantidade de jogos, mas sim em como esses jogos ficam organizados. Muitas equipes costumam jogar fora de casa e voltar para casa no mesmo dia porque tem jogo marcado para o dia seguinte. Nessa proposta, os jogos foram divididos da seguinte forma: seis jogos contra cada equipe da mesma divisão, três jogos contra os times da mesma conferência mas divisão diferente e um jogo contra cada time da outra conferência.
Assim, restariam jogos extras para alguns times, um ou dois jogos extras entre as conferências e alguns jogos extras para a conferência Oeste. A grande diferença entre o calendário atual e o proposto por Toews seria a organização dos jogos. A sugestão é de que os jogos contra cada equipe seja organizado de maneira mais agrupada. Como por exemplo os jogos entre a mesma divisão que são três em casa e três na estrada. Os três em casa seriam jogados na mesma semana e no meio da temporada as equipes se enfrentariam do mesmo modo na casa do adversário.
Desta maneira a equipe acabaria por viajar menos e descansar mais, em alguns casos, as viagens caíriam pela metade. O canadense defende que com o novo calendário os jogadores poderiam descansar mais o que resultaria em melhores partidas. A ideia é que os jogadores teriam melhor desempenho e menos lesões. Ele também defende que com a diminuição das viagens as equipes gastariam menos e o planeta agradeceria com a diminuição da emissão de carbono (CO2) por parte dos aviões.
Por que não é viável?
A ideia do jogador é interessante, no entanto quando a NHL organiza o calendário, eles levam em consideração várias pontos que a proposta publicada no The Athletic não fez. A disponibilidade das arenas é uma delas. As arenas utilizadas para os jogos também são usadas por outros esportes, concertos de música entre outros eventos. Três jogos seguidos acabaria por atrapalhar esses outros eventos que já estão marcados. Outro ponto a ser levado em consideração é o marketing. A Liga diz já ter pensando em algumas dessas ideias ao longo dos anos, porém os times preferem variedade. O marketing é melhor movimentado quando os jogadores estrelas visitam as cidades com mais frequência.
As redes de televisão também precisam ser levadas em consideração, pois elas dividem as grades entre o hockey e outras programações. Se acontecer de não conseguirem transmitir os dois, elas terão que preferir os de maiores audiências. A logística por trás do calendário é muito mais complexa do que se imagina. É necessário organizar 82 jogos entre os 31 times da Liga, ao total são 1.271 jogos onde 480 são entre conferências. E este número poderá aumentar na temporada 20-21, quando o time de Seattle foi oficialmente introduzido à Liga.
Desses 1.271 é necessário levar em consideração data, local e horário para cada um deles, sem contar as datas comemorativas e os possíveis contratempos. Da mesma forma cada time precisa fazer a própria logística para a temporada, já que os mesmos precisam viajar para chegar nas cidades que irão jogar.
Em suma, apesar do calendário proposto por Toews parecer uma boa ideia, ele não é viável para NHL na forma como foi idealizado para a matéria em questão. Em outras palavras, a complexidade do calendário é grande e tentar ajustar ele para diminuir as viagens é complicado. Muitos pontos, no entanto, podem ser aproveitados pelos profissionais que montam o calendário se a Liga optar por pequenas mudanças que otimizem o tempo e as viagens no futuro. A discussão foi levantada e gerou repercussão. Basta saber agora o que a Liga vai decidir para a próxima temporada, já que vem time novo por aí.
O projeto visa aproximação da Liga com os fãs internacionais. Estas partidas são válidas pela temporada regular na NHL, mas ocorrem na Europa, permitindo que vários jogadores tenham a chance de competir em seu país Natal.
Lightning 5, Sabres 3
Apesar do Sabres ter feito 43 disparos ao gol no total, os esforços não foram o bastante para que pudesse ganhar a segunda partida. Sam Reinhart, autor de dois gols na sexta, fez o primeiro gol da partida, aos 9:30 minutos do primeiro período.
Entretanto, Tampa respondeu quando faltavam 3 minutos para o término do terceiro período. Pat Maroon recebeu o puck de Yanni Gourd, no power play, e enterrou para as redes.
Dessa forma acabou o primeiro período, com ambas as equipes jogando bem. Porém, Buffalo Sabres estava melhor no jogo, pois oferecia mais perigo na zona de defesa de Tampa.
Em outro power play, o sueco Victor Hedman virou o jogo para Tampa, deixando o placar em 2-1. O defensor já tinha feito fez uma assist na sexta-feira, marcando definitivamente sua presença na Global Series em casa.
Pat Maroon fez seu segundo gol da noite e ampliou a vantagem para o time da Flórida, quando faltava apenas 3 segundos para acabar o período. Carter Hutton, goleiro do Sabres, conseguiu defender o puck duas vezes, mas não o suficiente para o terceiro rebote ao gol.
Já no terceiro período, outro sueco marcou um gol: dessa vez, Victor Olofsson fez o segundo para os Sabres, aos 4:14 minutos. Foi o primeiro gol em even strength da temporada para ele, e o sétimo da temporada. Mas isso não foi o bastante para a força ofensiva do Tampa. Yanni Gourde ampliou, aos 10:14, e Mathieu Joseph fez mais um poucos minutos depois.
O capitão do Sabres, Jack Eichel, conseguiu descontar ao fazer um gol faltando apenas 38 segundos para terminar a partida. O placar final foi de 5 a 3 para o Tampa.
Integração fez diferença para os resultados
Em suma, o jogo, de certa forma, foi similar ao de sexta-feira. Ambos os times contavam com o melhor de seus goleiros, e é importante ressaltar que a atmosfera de estar em outro país, por muitos dias, ajudou na integração entre os jogadores.
Contudo para o Sabres, definitivamente mais poderoso ofensivamente, essa integração não foi o bastante para uma vitória. Por mais que tenha sido uma experiência única, o que de fato aconteceu foi a perda de pontos importantes para um rival da divisão.
Por fim, Sabres aumentou sua sequência de derrotas em 0-4-1, e na quarta jogarão contra Carolina Hurricanes em casa. Já o Lightning joga contra o New York Rangers, na próxima quinta em Tampa, vindo de duas vitórias.
Nesta sexta-feira (08), Buffalo Sabres e Tampa Bay Lightning disputaram a primeira partida pela Global Series que, este ano, acontece na cidade de Estocolmo, na Suécia. Deste modo, os dois jogos serão os de número 12º e 13º da temporada regular da NHL que foram disputados na Suécia. Dessa forma, também se tornaram o 11º e o 12º jogos, de times da NHL, disputados no Ericsson Globe, em Estocolmo.
O projeto visa aproximação da Liga com os fãs internacionais. No começo de outubro, Chicago Blackhawks e Philadelphia Flyers jogaram em Praga, na República Tcheca. Além disso, a Global Series serve como uma forma dos próprios jogadores europeus se sentirem em casa.
Vale notar que no Sabres, o defensor Rasmus Dahlin, os forwards Marcus Johansson, Victor Olofsson, Johan Larsson e o goleiro Linus Ullmark são da Suécia. Já no Tampa, apenas Victor Hedman é de origem sueca.
Lightning 3, Sabres 2
O começo da temporada 19-20 do Tampa Bay Lightning não começou bem. O time, que ganhou o Presidents’ Trophy na temporada passada, possuía um recorde de 7-5-2, contra 9-5-2 do Sabres.
Porém, contra o Buffalo, foi possível ver um time bem mais organizado e efetivo: o gol veio no primeiro período, aos 03:19. Em uma jogada com Brayden Point, Nikita Kucherov disparou para as redes de Linus Ullmark e abriu o placar para Tampa.
Aos 16:14, Alex Killorn fez o segundo gol dos Bolts. Entretanto, quem foi ovacionado pelo público foi Victor Hedman, autor da assistência do gol e nativo da cidade de Ornskoldsvik, na Suécia.
Tampa Bay cometeu poucos erros no gelo enquanto Sabres deixava passes importantes incompletos, perdendo jogadas importantes e dando assim, a oportunidade de contra-ataques para os Bolts.
Contudo, quando faltavam 4:17 para o término do primeiro período, Sam Reinhart descontou para os Sabres. O gol inicialmente foi anulado por ter se originado de um lance de high sticking, mas essa decisão mudou após uma revisão de vídeo.
Vladimir Sobotka, jogador do Sabres, teve de ser retirado do rinque por conta de uma lesão no quadril, após colidir com Kucherov.
Após o gol de Reinhart, Sabres cresceram no jogo, oferecendo perigo a Andrei Vasilevskiy sempre que podiam. Mesmo assim, Yanni Gourde ampliou o placar para o time de Tampa aos 07:45 do terceiro período.
Mas Sam Reinhart fez o segundo gol dos Sabres aos 11:30 do terceiro período. Nos últimos dez minutos de jogo, o time de Buffalo conseguiu se sobressair no gelo, mas não foi o suficiente para levar o confronto para o overtime.
Enfim, o jogo terminou, com um placar apertado de 3-2. Andrei Vasilevskiy fez 20 defesas dos 22 de Buffalo enquanto Linus Ullmark completou 31 defesas, contra 34 shots de Tampa. Apesar do resultado, os Sabres têm a chance de ganhar a segunda partida, neste sábado (09), às 15:00 horas.