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  • A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    “Milagres acontecem”.

    Essa foi uma das frases mais proferidas pelo fã de hockey após assistir o St. Louis Blues na temporada 2018/19. No entanto, ‘milagre’ talvez não seja o termo ideal para se referir a ocasião. ‘Trabalho árduo’ são as palavras corretas. 

    De underdogs, ocupando o último lugar na tabela, o time de St. Louis escalou para as primeiras posições da divisão central, eliminou quatro grandes times nos playoffs e, assim, garantiu a primeira Stanley Cup desde sua criação, em 1967.

    Mas a jornada percorrida pelo time foi longa e cheia de desafios. E conquistas assim precisam ser documentadas.

    Portanto, em mais uma edição do “10 for 10”, vamos falar sobre como o St. Louis Blues, mesmo diante de um cenário nada propício, derrubou seus obstáculos e se tornou o campeão da Stanley Cup 2019.

    A pré-temporada dos Blues

    Após uma temporada 2017/18 devastadora, o St. Louis Blues sabia que algumas mudanças precisariam ser realizadas para que o desempenho da equipe melhorasse na próxima. 

    Sem a classificação para os playoffs de 2018, a equipe deu início às novas contratações mais cedo. Em maio do mesmo ano, o time anunciou Mike Van Ryn como seu novo técnico assistente, após Darryl Sydor, que ocupava o cargo, não ter renovado o contrato com os Blues por motivos familiares. 

    No entanto, essa não foi a única aquisição do time durante a pré temporada. David Perron, que havia saído dos Blues em 2017 para disputar uma temporada com o novo time de expansão da época, o Vegas Golden Knights, acabou voltando para a equipe de St. Louis. 

    Dessa vez, o jogador assinou um contrato que garantiu sua estadia no time por mais 4 temporadas. Tyler Bozak também veio para reforçar a equipe durante a free agency de 2018, assim como Patrick Maroon e Jordan Binnington, em contrato de duas vias. 

    Mas a trade com o Buffalo Sabres, onde o St. Louis acabou adquirindo Ryan O’Reilly, foi uma das mais rentáveis contratações para a equipe. Isso porque, na temporada 2018/19, o jogador se mostraria um grande reforço para o ataque dos Blues e se tornaria peça importante na conquista da Stanley Cup em 2019. 

    Porém, inicialmente, as importantes contratações na pré-temporada não pareceram ser o suficiente para ajudar no desempenho do St. Louis.

    A temporada  

    O start dos Blues na temporada 2018/19 não foi o melhor já feito pelo time. Após a derrota para o Winnipeg Jets em sua estréia, a equipe viu seu desempenho cair drasticamente no primeiro mês da competição. Do 10 jogos disputados em outubro, o time se saiu vitorioso em apenas três. Assim, adquiriu 4 derrotas em tempo regular e outras três em overtime, somando apenas nove pontos na tabela.

    Em novembro, o time ainda parecia não ver a luz no fim do túnel. Foram 14 jogos disputados que resultaram, por fim, em apenas seis vitórias. Os placares extensos das derrotas apenas reforçaram ainda mais a decaída de desempenho da equipe.

    E a demissão do técnico, Mike Yeo, ao fim do mês apenas ressaltou a má fase dos Blues. Como solução imediata, o time optou por promover Craig Berube, que atuava como técnico assistente da equipe desde 2017, para a posição de técnico interino da equipe. 

    Mesmo com problemas internos e polêmicas que giravam em torno do time de St. Louis, Berube tentou ao máximo guiar os Blues em outra direção. Uma que, futuramente, pudesse resultar em um melhor desempenho da equipe. E apesar de não terem sido gigantes,  as mudanças realizadas pelo novo técnico começaram a ser notadas em dezembro. 

    O número de derrotas, apesar de não ter sido o ideal, acabou não ultrapassando a quantidade de vitórias. Uma diferença se compararmos com o desempenho da equipe no mês anterior. E dessa forma, após 37 jogos disputados, o St. Louis finalizou 2018 com 34 pontos. Número que não colocou os Blues no topo da tabela, mas que foi o suficiente para mostrar que, talvez, Berube pudesse mudar o destino da equipe em 2019.

    A grande virada

    E foi o que aconteceu. Das 11 partidas que o time disputou em janeiro de 2019, sete resultaram em vitórias. Além disso, a equipe sofreu apenas quatro derrotas em tempo regular e uma em overtime. 

    Um dos principais fatores a influenciar positivamente no desempenho dos Blues foi Jordan Binnington. O goleiro, que assinou um contrato de duas vias com o time em julho de 2018, não havia disputado tantas partidas com a equipe até o momento, já que Jake Allen ainda ocupava a posição de goleiro titular. 

    Mas a chegada de Berube acabou se mostrando uma oportunidade para Binnington, que foi chamado para o time após os Blues terem iniciado janeiro com o pior recorde da temporada. E o sucesso do jogador foi imediato: das 7 partidas em que iniciou nas redes dos Blues no mês, o goleiro venceu cinco. 

    Em fevereiro, notando seu grande desempenho, Berube optou por continuar com Binnington nas redes. E o sucesso do time continuou a prevalecer, pois dos 14 jogos disputados no mês, os Blues saíram-se vitoriosos em 12. Assim, somando apenas duas derrotas (uma em tempo regular e outra em overtime), o time conquistou seu melhor recorde em toda a temporada. 

    Apesar da leve decaída em março, o St. Louis ainda conseguiu se manter perto da zona de classificação para os playoffs, com 8 vitórias em 15 jogos. Em abril, o time continuou o bom desempenho. Tal qual que garantiu à equipe uma boa posição na tabela.

    Com o Fim da temporada regular eapós os 82 jogos mais desafiadores da história do St. Louis Blues, uma colocação no último lugar da tabela, e outras reviravoltas, a equipe se classificou para os playoffs ocupando o terceiro lugar na divisão central e quinto na conferência oeste, com 99 pontos. 

    Enfim, os playoffs

    Devido a instabilidade na temporada regular, muito se especulava que talvez o St. Louis acabasse não avançando não competição. Mas novamente os Blues mostraram que o trabalho árduo desenvolvido pela equipe acabaria trazendo recompensas.

    O primeiro adversário dos Blues nos playoffs foi o Winnipeg Jets, que finalizou a temporada uma posição acima dos Blues na Conferência Oeste. E, por terem vantagem, o St. Louis precisou viajar para o Canadá para a disputa dos dois primeiros jogos.

    Jogar na casa dos Jets não foi um fator intimidador para os Blues, que venceu as duas primeiras do round. No entanto, o oponente retaliou e venceu os jogos 3 e 4 na casa do St. Louis. Mas a vitória na quinta partida colocou os Blues ainda mais perto de uma classificação. 

    Dessa forma, o time de St. Louis precisaria apenas de uma vitória para garantir a ida ao segundo round. E foi o que aconteceu – com a vitória no jogos seis, os Blues avançaram portanto para a próxima etapa da competição.

    No segundo round, o oponente do time foi o Dallas Stars. Apesar de vencer a primeira partida em casa, os Blues foram derrotados no jogo 2 pelos Stars. E a vitória no jogo três também não foi o suficiente, já que o Dallas acabou se saindo vitorioso nas duas partidas seguinte e, dessa forma, assumiu a liderança do round.

    No entanto, a vitória dos Blues no jogo seis deixou a série empatada. Ou seja, seria tudo ou nada para a equipe de St. Louis a partir daqui. E após 3 períodos regulares, e dois overtimes, foram os Blues que levaram a melhor. Assim, o time acabou se classificando para a Final da Conferência Oeste e teria como adversário o San Jose Sharks. 

    O round contra os Sharks não apresentou tantos desafios como o anterior. Mesmo com a derrota para o oponente no primeiro jogo, os Blues venceram a segunda partida e empataram a série. No entanto, voltaram a serem derrotados pelos Sharks no jogo três, entregando outra a vantagem para o San Jose.

    Mas a vitória na quarta partida deu uma nova perspectiva ao St. Louis, que continuou com a sequência de vitórias nos três jogos seguintes. Assim, ao vencer quatro partidas, os Blues venceram o round e, por fim, atingiram o objetivo principal da temporada: ir para a final da Stanley Cup. 

    Campeões da Conferência Oeste, o último desafio dos Blues na conquista pela taça era o confronto contra os Bruins. Foto: Reprodução/nhl.com

    Um passo mais perto

    Boston Bruins e seu grande desempenho. Isso era o que separava o St. Louis Blues da sua primeira Stanley Cup Final. 

    Se classificando para os playoffs na terceira posição overall da Liga, os Bruins contavam com um dos ataques mais eficientes da NHL. E por isso, o St. Louis entendia que as dificuldades que enfrentaria nesse round seriam muito maiores do que as anteriores. Dificuldade que se mostrou presente logo no primeiro jogo da Final, onde o Boston acabou vencendo o St. Louis por 4 a 2 no TD Garden. 

    Os Blues retaliaram ao vencer a segunda partida em overtime, ainda na casa dos Bruins. E mesmo com a derrota em casa no jogo três, não se mostraram abalados, saindo-se vitoriosos nas partidas quatro e cinco. Mas novamente o Boston colocou um empecilho no caminho ao vencer o jogo seis. Assim, o round precisou de uma sétima partida.

    Tudo ou nada. Esse é significado dos jogos 7 em uma Final da Stanley Cup. E aqui, as derrotas, má fase e todos os acontecimentos da temporada serviram como combustível para os Blues no último jogo da competição. Não existia alguém que quisesse mais a vitória do que o St. Louis naquele momento, algo que se mostrou visível no gelo.

    Por fim, campeões da Stanley Cup 2018

    A vantagem obtida pelos Bruins fez com que o jogo sete acontecesse no TD Garden, casa da equipe. Mas o fator não assustou os Blues, pois foi a equipe quem abriu o placar da partida aos 16:47 do primeiro período com O’Rielly. Pietrângelo seguiu o exemplo do companheiro de time e aumentou o placar para os Blues ainda na primeira etapa do jogo. 

    Com a não reação do Boston, os Blues assumiram o restante do controle da partida, fazendo mais dois gols. Portanto, após três períodos, 7 partidas da Final e 4 rounds vitoriosos anteriormente, o apito final soou no TD Garden e oficializou o St. Louis Blues como campeão da Stanley Cup 2018.

    O time comemorando a conquista da taça pela primeira vez. Foto: Reprodução/nhl.com

    A primeira do time em mais de 50 anos de história na NHL. Uma vitória marcada por uma das maiores reviravoltas já feitas por um time da Liga, e que consagrou o St. Louis como uma das melhores equipes da NHL. Ryan O’Reilly, que foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelos Blues, foi o jogador quem levou Conn Smythe Trophy como MVP dos playoffs.

    Após a vitória em Boston, o time viajou para St. Louis, onde comemorou a conquista em parade que contou com a presença de cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas da cidade. A conquista da taça foi simbólica e importante, já que o último time profissional de St. Louis a conquistar um troféu foram os Cardinals, em 2011. 

    A conquista da Stanley Cup foi um marco, divisor de águas e contou muito sobre quem é o St. Louis Blues. Novamente, ‘milagre’ não é palavra certa para se referir ao que aconteceu com o time em 2019. A vitória foi fruto de muito trabalho e perseverança da parte da equipe, mesmo quando nada se encontrava a seu favor.

    Por isso, como bons fãs do esporte, torcemos para que o espírito de equipe do St. Louis prevaleça e traga mais frutos para o time como os de 2019. 

  • Nos bastidores da bolha

    Nos bastidores da bolha

    Costuma-se dizer, mesmo que de brincadeira, que onde menos se espera “sempre tem um brasileiro.” Sorte a nossa quando este brasileiro em questão também é fã de hockey e nos permite espiar por trás da cortina e acompanhar de perto os bastidores da NHL.

    Jefferson Mizuno, 35, é natural de São Paulo, mas hoje mora em Toronto, no Canadá. Ele integrou uma das equipes mais cruciais para o funcionamento da bolha da Conferência Leste da NHL durante os Playoffs da Stanley Cup, e contou um pouco de sua experiência trabalhando lá.

    Se você nos acompanhou durante os últimos meses no Instagram, deve ter visto alguns dos registros feitos por este “insider” nas primeiras duas rodadas da pós-temporada. (Caso contrário, aproveite para nos seguir agora mesmo e não perder mais nenhum conteúdo exclusivo!)

    Jefferson chegou no Canadá há alguns meses, no meio da pandemia. “Eu consegui entrar porque tenho o documento de residência. Quando cheguei aqui, comecei a trabalhar em construção, aquelas coisas” ele contou. Mas logo um anúncio de vaga para cleaner na Scotiabank Arena chamou sua atenção no WhatsApp. “Achei estranho, porque ia começar a Stanley Cup lá. Eu apliquei e foi muito fácil, eles me ligaram e eu já comecei a trabalhar.”

    A princípio, Jeff não imaginava que trabalharia no centro da operação montada pela NHL para o trazer o hockey de volta após a pausa que encerrou a temporada regular. “Eu não sabia que ia trabalhar lá no meio mesmo, no coração da coisa,” ele relembrou a surpresa ao descobrir que ia ver de perto o esporte e o time que tanto gostava.

    “Comecei a acompanhar (hockey) desde 2015, e virei um fã dos Leafs. Eu nunca pensei que eu ia gostar de um esporte assim, ainda mais hockey que, pelo menos pra gente ali no Brasil, é uma coisa tão distante.”

    Jeff em frente ao logo do Toronto Maple Leafs (Foto cortesia de Jefferson Mizuno)

    A função em si era de limpeza. Os protocolos para o retorno da liga previam um ambiente em constante desinfecção para evitar a propagação do novo coronavírus. Isso significava, em suma, passar álcool em tudo, o tempo todo. 

    “Tinha umas coisinhas que eram desnecessárias, mas o verdadeiro serviço nosso era entrar nos bancos de reservas, no final de cada período, e dar uma geral lá. Ali sim eu acho que era importante — porque o pessoal cospe no chão, sua — e dentro dos vestiários.”

    Quando aceitou o trabalho, Jeff não ficou tão preocupado com o risco de exposição ao vírus. Apesar de poder sair da bolha, diferentemente dos jogadores e outros funcionários dos times, por exemplo, os trabalhadores da equipe de limpeza também eram constantemente testados. “A gente já ficou sabendo que teria que fazer exame todos os dias lá, então isso já era um alívio; tinha dias que eu tinha que fazer dois turnos e cheguei a fazer três exames no mesmo dia.”, relembra.

    “Pela organização que eu vi lá dentro, aqui na bolha de Toronto, eu vi que realmente ia ser difícil acontecer alguma coisa. Mesmo a gente, que sai, volta pra casa, o resultado (do teste) saía em 40 minutos. Na hora já pegava, cortava, via as pessoas que estavam junto também.”

    Além disso, Jeff contou como funcionava a proteção da arena. “Os protocolos de segurança eram de outro planeta. Ninguém entra, era impossível. E lá dentro também ninguém podia ficar perto um do outro, aonde você ia tinha marcações, no chão, e pouquíssima gente trabalhando.”

    Jeff trabalhando na limpeza de um dos bancos antes dos jogadores retornarem. (Captura de tela de um episódio de “Inside The Bubble“/NHL)

    Todo o cuidado refletiu no sucesso da NHL em concluir a temporada 2019-20 e coroar um vencedor da Stanley Cup sem registrar nenhum caso de COVID-19 entre os jogadores participantes. No entanto, talvez por pouco este esforço não foi por água abaixo ainda nas rodadas iniciais.

    “Essa é bomba.” Uma de quantas que nunca iremos descobrir? “O motorista dos Flyers estava com COVID, só que isso aí foi abafado e ninguém falou, né? Aí fizeram o teste com todos os jogadores que estavam no ônibus, com todo mundo. E, ainda bem, não deu nada. Mas o motorista falhou no teste, no caso, aí ele teve que ir pra casa. Perdeu o job, mas que bom que não contaminou ninguém!”

    O acesso aos jogadores era mínimo durante as horas de trabalho na bolha. Os funcionários não tinham autorização para ter algum contato ou conversar, “mas a gente sempre falava um ‘oi’, ‘bom dia’, e eles respondiam na medida do possível.

    “Aliás, o Crosby é o mais gente boa,” Jeff recordou o encontro com o capitão do Pittsburgh Penguins. “Teve um jogo contra Montreal, não lembro qual foi… e ele é sempre o último a entrar no gelo e o último a sair. Eu fiquei esperando ele sair porque (pensei que aquela seria) minha única oportunidade, era o único jogo (dos Penguins) que eu ia fazer. Então ele passou e eu troquei umas duas palavrinhas com ele, e ele foi muito atencioso, mesmo estando puto porque tinha perdido o jogo.”

    Mesmo que as interações com os jogadores dentro da bolha fossem limitadas, a equipe de limpeza estava sempre por perto e ao dispor. Aonde quer que fossem e no que quer que encostassem, era preciso higienizar logo em seguida.

    “A gente era meio que babá deles nesse sentido. E os garotos são mimados, hein?”

    Para Jeff, o sentimento de trabalhar na casa do Toronto Maple Leafs, ver o time que gosta de perto era também a realização de um sonho. “Todo mundo encarava como um trabalho mesmo, ‘tem que ir lá limpar o banco; tem que fazer hora extra; , tem que limpar o vestiário dos Leafs’ — que é um saco porque é todo de carpete, então passar o aspirador lá é fogo, e é gigante o vestiário -, mas pra mim era ‘que legal, vamo lá cara!’ Porque você entrar no gelo, ver os jogadores de perto assim, eu estava num sonho, e principalmente sendo (em Toronto).”

    A emoção, no entanto, quase custou sua vaga ainda na rodada de Qualifiers.

    “Deve ter sido o Jogo 4 de Leafs e Columbus Blue Jackets. (Tanto que Toronto estava) usando o vestiário dos Raptors, porque ele não era o mandante. Quando foi pro segundo período, eu estava lá porque eu estava limpando — quando eles saem do gelo tem que limpar porque fica cheio de gelo no chão e tem que passar um pano pra não ficar molhado. Quando eles estavam voltando eu falei um ‘vamo aê, pra cima dos caras, let’s go boys!’ E o Nylander até gritou também ‘yeah, let’s fucking go!’ (Eu respondi ainda) ‘yeah, man, let’s go!’ Eu comecei a bater na parede assim, não sei o que deu (risos).

    O momento de torcedor não durou muito, mas foi o suficiente para chamar a atenção de um oficial que estava por lá. “Ele falou ‘cara, você não pode fazer isso aqui. Vai que os jogadores estão concentrados e eles perdem a concentração e tropeçam e caem… eu não quero você aqui embaixo mais.’ Chegou meu supervisor, falou comigo e eu perguntei (se já podia ir embora.) Eu pensei que tinha sido demitido.”

    Por sorte, a fama de torcedor apaixonado salvou o emprego de nosso insider.

    “Aí falaram que eu era brasileiro, (que estava) acostumado com futebol.” Além disso,  o fato de que estava fazendo o seu melhor trabalho foi decisivo para que Jeff continuasse na equipe, afinal, ele queria participar de tudo que fosse possível. 

    “Tudo o que era escala que ninguém queria fazer eu me oferecia, porque eu queria estar lá. Então eles quiseram me manter e ‘passaram um pano’, mas quase que eu dancei.”

    A motivação “extra” na volta para o período final, entretanto, parece que surtiu efeito nos jogadores de Toronto. A equipe superou um déficit de três gols, vencendo no overtime e forçando o Jogo 5 na série.

    “Aquele jogo ninguém acreditava. Eu assisti ali embaixo, do lado dos zambonis, e foi uma festa lá, parecia que tinha ganhado a Stanley Cup,” ele lembrou. Infelizmente, o resultado não ecoou na partida seguinte, que resultou na eliminação do time da casa. “Não é fácil ser o fã do Leafs não, mas quando eu escolhi eu já sabia.”

    Só podemos imaginar se o resultado seria outro caso Jeff estivesse lá no Jogo 5 para oferecer algumas palavras de incentivo ao time.

    Um dos gols utilizados em partidas (Foto cortesia de Jefferson Mizuno)

    Com Toronto já fora da competição, e sem poder vibrar e comemorar ao lado do gelo, Jeff aproveitou um momento único para demonstrar sua torcida e lealdade a seu time, mesmo que em silêncio. “Eu dei uma encarada no Marchand, que era o meu sonho! Quando eu vi ele passando, os Bruins estavam voltando (do gelo), e eles tinham ganhado o jogo. Ele passou e eu olhei pra ele e dei uma encarada (risos).”

    Apesar da rivalidade, Boston foi uma equipe que marcou positivamente sua experiência na bolha. “O time dos Bruins é sensacional. Quando eles entram no gelo, arrepia. No vestiário, a gritaria que eles arrumam lá não é brincadeira. Eles começam a bater os sticks no chão, e o pessoal no outro vestiário escuta porque eles estão ali na porta. O vestiário dos Raptors e dos Leafs estão perto um do outro, então eles intimidam mesmo.” 

    Após um jogo entre Boston e Carolina no primeiro round, não foi o barulho feito pela equipe que surpreendeu Jeff, mas sim o tamanho de um jogador em particular. “(Os jogadores dos Bruins estavam) saindo, e a gente esperando pra limpar o vestiário. Eles estavam de terno e tudo, passando pelo pessoal. E eu me distraí, olhei pro outro lado, e quando eu olho de novo eu vejo, na minha altura, só uma bunda. Quando eu olho pra cima é o Chara! Ele é gigante, é impressionante a altura do cara.”

    Foram muitos momentos marcantes e experiências únicas que Jeff passou na bolha, mas suas memórias não foram tudo que ele levou de seu tempo trabalhando lá.

    “No começo, (os registros eram) totalmente liberado, podia tirar foto, podia assistir aos jogos,” Jeff contou sobre a liberdade que tinha para postar conteúdo de dentro da bolha. “Aí depois eles proibiram, proibiu foto, vídeo, só que eu continuei clandestinamente (risos) porque foi mais forte que eu.”

    O NHeLas e seus seguidores agradecem!

    E os souvenirs não ficaram restritos ao rolo da câmera. Pucks, sticks, entre outros objetos deixados para trás pelos times agora são parte da coleção pessoal de hockey memorabilia de Jeff. 

    “Estou redecorando a minha casa (risos). Eles estavam deixando tudo lá, principalmente quando foi acabando. Ficou muita coisa pra trás e, como a gente era da limpeza, ou joga fora ou pega. Sticks eu tenho um do Weber, e por sorte achei um inteiro, porque o cara quebra tudo com aqueles slapshots dele! Achei um sobrevivente,” Ele relatou, contente.

    Durante o segundo round, todos na bolha de Toronto se preparavam para encerrar as atividades por lá. Isso porque as Finais de Conferência e Final da Stanley Cup seriam disputadas todas em Edmonton. 

    Jeff sentiu que, como estava quase no fim do período de trabalho, os responsáveis e supervisores das equipes, e a própria NHL, estavam preocupados com os funcionários que tinham cada vez mais tempo livre, já que o número de equipes e jogos era reduzido a essa altura da competição. Isso resultou numa restrição das liberdades que os trabalhadores tinham lá dentro. 

    “Como estava acabando, eles ficaram com medo do pessoal relaxar. Antes tinha oito times e depois tinha dois só, então tinha bastante tempo vago. Começaram a ficar bem no nosso pé, mas a gente fez o nosso serviço lá direitinho. O que eles bateram na tecla mesmo foi para não assistir os jogos lá em cima mais, na arquibancada, acho que porque (pegaram um funcionário dormindo lá).

    “Mas deu certo, e no final foi muito legal também! Estava todo mundo muito orgulhoso e o pessoal da NHL, o tratamento que eles davam pra gente lá era sensacional, eles reconheciam ali que a gente estava na linha de frente.” 

    A liga de fato não poupou elogios e agradecimentos a todos os trabalhadores que possibilitaram a execução destes playoffs. Na série de vídeos produzidos durante os jogos, “Inside the Bubble”, esse sentimento fica bem claro.

    Já estamos a menos de 50 dias para uma possível data de início da nova temporada, no entanto a NHL ainda não confirmou detalhes sobre seus planos para 2021. Especula-se que os times voltem a jogar em suas respectivas arenas, sem fãs, e que o calendário vise reduzir o risco de exposição ao vírus para os jogadores.

    Cogita-se também realinhar as divisões de modo a trabalhar com as restrições de viagem entre Estados Unidos e Canadá, e ainda não foi descartada a possibilidade de bolhas em diferentes cidades, em um primeiro momento. É difícil prever a evolução da pandemia nos próximos meses, e a liga espera chegar à melhor solução para realizar uma temporada em segurança. 

    Sobre suas expectativas para a próxima temporada, Jeff afirmou que não sabe o que esperar, “mas provavelmente acho que eles vão manter o mesmo protocolo.” Uma coisa é certa, se houver outra oportunidade em Toronto de trabalhar dentro da bolha, a NHL pode contar com ele.

    “Com certeza! É muito legal ver as coisas acontecendo, eu sempre gostei dos bastidores, o por trás das câmeras. Você ver como funcionam as coisas, acho que a paixão pelo esporte só aumenta.”

  • Tampa Bay Lightning na Final após outra decisão em OT

    Tampa Bay Lightning na Final após outra decisão em OT

    No sábado, 19 de setembro, começou a Final da Stanley Cup de 2020, em Edmonton.

    Para chegar à decisão, o Tampa Bay Lightning enfrentou um caminho cheio de percalços. Após o round robin, jogando com os Capitals, Bruins e Flyers, Tampa encarou o Columbus Blue Jackets no primeiro round. Ao contrário do ano passado, os Bolts passaram o time de Ohio por 4 jogos a 1. Posteriormente, jogaram contra a equipe atual vencedora do Presidents’ Trophy, Boston Bruins, que tinha como estrelas David Pastrnak e Brad Marchand, seguindo para a final da Conferência Leste mais uma vez por 4 jogos a 1.

    Por fim, encararam a muralha defensiva do New York Islanders, comandada por Barry Trotz, série essa definida no jogo 6, por 4 jogos a 2. O jogo seis foi resolvido no overtime, novamente, e com isso, Tampa teve no total 185 minutos de overtime nos playoffs, tornando-se o único da história da NHL.

    É notável que a equipe da Flórida tinha muito mais em jogo além de vitórias ou derrotas. Afinal, o fator mental da equipe foi a principal razão de ter avançado para a Final da Stanley Cup deste ano. A última vez que a equipe chegou à decisão foi em 2015, quando perdeu para o Chicago Blackhawks.

    O início da série

    O primeiro jogo do Tampa Bay Lightning e do New York Islanders deu a impressão de que a série poderia ser a primeira desses playoffs a ser concluída após quatro jogos. Tampa entrou no rinque após alguns dias de descanso, enquanto o Islanders passou por um Jogo 7 da série contra o Flyers.

    A vantagem física contribuiu para um Jogo 1 com o placar mais elástico. Isso porque o Tampa ganhou a partida por 8 a 2. Brayden Point e Nikita Kucherov tiveram 5 pontos cada, fazendo com que o russo entrasse em uma seleta lista de jogadores que conquistaram mais mais assistências (20) em menos jogos (19), igualando-se a Jonathan Toews e Sidney Crosby.

    A força do Islanders

    O Tampa venceu o Jogo 2 abrindo uma vantagem de 2 a 0. Contudo, Brayden Point, fundamental no andar da série, lesionou-se e perdeu o terceiro confronto. Assim, os Islanders souberam aproveitar dos espaços deixados pelo atacante.

    Na terceira partida, os Isles terminaram com 5 gols a 2 de Tampa, deixando evidente a falta do jogador canadense. O Jogo 3 foi intenso e estava empatado por 3 a 3 no terceiro período, quando Anthony Beauvillier, autor de 9 gols nos playoffs, fez um passe para Brock Nelson que lançou para as redes de Andrei Vasilevskiy.

    Dessa forma, Tampa levava uma vantagem de 3 jogos a 1 contra os Isles. O Lightning teria a chance de terminar as séries em 5 jogos.

    Entretanto, Barry Trotz e os Islanders não deixariam isso acontecer. A equipe de Nova York saiu em vantagem após Ryan Pulock abrir o placar do jogo no primeiro tempo. Contudo, o defensor Victor Hedman do Tampa marcaria depois, empatando o jogo no segundo tempo. Com o placar em 1 a 1, o jogo iria novamente para overtime. Mas foi apenas no segundo overtime que o Islanders conquistaram a vitória.

    Jordan Eberle recebeu o puck do capitão Anders Lee, e não pensou duas vezes em marcar o gol. Com a série em 3 a 2 para Tampa, a rodada ainda não estava definida.

    No Jogo 6, Jean Gabriel Pageau fez um gol no empty net e os Isles saíram com uma vitória importante, mantendo a série em 2 a 1 para Tampa. O quarto jogo, contudo, aumentaria a vantagem nas séries do Tampa. O retorno de Brayden Point foi fundamental para os Bolts liderarem mais uma vez o placar, levando o confronto por 4 a 1.

    Tampa Bay Lightning campeão da Conferência Leste

    O último jogo estava em aberto, porém foi Tampa quem conseguiu dar um ponto final para a série e conquistar a Conferência Leste. Porém, não de uma forma fácil.

    Após Semyon Varlamov parar os shots do Lightning, o jogo seguiu novamente para overtime. No tempo regulamentar, a partida terminou novamente em 1 a 1, com gols de Devon Toews e Victor Hedman. Diferentemente do jogo anterior, Tampa não demorou muito para decidir a partida. Com apenas 7 minutos, Anthony Cirelli marcou o gol da vitória dos Bolts.

    Apesar de Varlamov ter feito 46 defesas, não foi o bastante para que New York forçasse um jogo 7. Antes disso, Brock Nelson teve sua chance impedida quando Vasilevskiy defendeu um breakaway dele em um penalty kill.

    Assim, os Isles deram adeus ao sonho da Cup após jogarem uma Final de Conferência pela primeira vez desde 1993. A final foi decidida, entre Dallas Stars e Tampa Bay Lightning.

    Fato curioso é que essa final será entre as duas equipes da NHL localizadas mais ao sul dos Estados Unidos, disputada na cidade com um time mais ao norte na liga.

    Vale ressaltar que os Stars também tiveram um caminho complicado até a decisão. Ao terem passado do Colorado Avalanche, grande favorito do Oeste para ganhar a Stanley Cup, a equipe mostrou que veio para a pós-temporada com uma missão. Essa missão é trazer a taça de volta ao Texas.

    Atuações notáveis

    Primeiramente, não podemos ignorar a atuação incrível de Semyon Varlamov, crucial para que os Islanders chegassem às finais de conferência.

    Contudo, o maior destaque do Tampa Bay Lightning foi justamente um ataque poderoso que conseguiu ultrapassar as habilidades de Varlamov. Brayden Point, Nikita Kucherov, Ondrej Palat são os jogadores mais importantes do ataque atualmente, atuando juntos na primeira linha.

    Até o fim do terceiro round, Point possuía nove gols e 25 pontos nos playoffs, marcando gols em momentos cruciais. Já Kucherov liderava os rankings de pontos dos playoffs, com 26. Ele teve seis gols e 20 assistências, o que mostra muito sua capacidade de fazer jogadas e repassar para seus colegas de equipes quando é preciso. Palat, por sua vez, complementa a linha que vem sendo fundamental para o Tampa nessa temporada.

    Na defesa, Victor Hedman e os veteranos Ryan McDonaugh e Kevin Shattenkirk tem feito um bom trabalho de bloquear os disparos e de tirar o puck da zona de defesa. Com isso, o elenco do Tampa é sólido e oferece perigo para qualquer equipe.

    O que esperar da série contra Dallas Stars

    A equipe texana saiu na frente, com uma vitória gigantesca por 4 a 1. O time, comandando por Jamie Benn, está revigorado após um descanso de quase uma semana. Com certeza a série será apertada, já que as duas equipes são extremamente talentosas.

    Os dois goleiros, russos, têm feito um trabalho espetacular. Anton Khudobin simplesmente tem sido um dos melhores jogadores do elenco de Dallas, e Andrei Vasilevskiy já ocupava o mesmo posto em Tampa. Agora, cabe saber quem será melhor (ou quem terá mais sorte) para fazer a equipe ganhar. O ataque de Dallas também não pode ficar para trás, afinal de contas, nomes como Denis Gurianov e Miro Heiskanen são fundamentais. Gurianov tem nove gols e Heiskanen lidera a equipe com 23 pontos.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Dallas Stars vai para a Final da Stanley Cup após 20 anos

    Dallas Stars vai para a Final da Stanley Cup após 20 anos

    Após três rounds dos playoffs, e vinte anos depois da última aparição por lá, o Dallas Stars é um dos finalistas da Stanley Cup. O time, que derrotou o Vegas Golden Knights em cinco jogos na Final da Conferência Oeste, mostrou a que veio e se colocou mais perto ainda do grande prêmio.

    Mesmo com uma temporada regular instável, a equipe do Texas soube aproveitar muito bem suas oportunidades e, consequentemente, levou a melhor sob um dos melhores times da NHL. 

    Aqui vai um resumo com os principais momentos da série entre os dois times, e com uma análise das chances que o Dallas Stars tem de levar a Stanley Cup para casa. 

    Um início incerto

    Os Stars iniciaram o primeiro jogo da Final de Conferência com o pé direito. A equipe começou a partida marcando o primeiro gol com John Klingberg, aos 2:36 do primeiro período. Após abrir o placar, dominou o rival, tornando-se mais ativo na zona ofensiva, e tendo mais tiros a gol. Apesar de Vegas ter tentado reagir em alguns momentos isolados, ao fim dos três períodos foi Dallas que garantiu a vitória com apenas um gol. 

    Porém, a segunda partida contou uma história diferente. Ambas as equipes mantiveram o placar zerado durante o primeiro período. Já na segunda etapa, os Golden Knights decidiram mudar o rumo do jogo, e equipe de Vegas foi para o terceiro período com uma vantagem que, devido ao mau desempenho de Dallas ofensivamente, se manteve até o fim da partida. Com isso Vegas garantiu sua primeira vitória na série. 

    O sucesso inesperado de Dallas

    Mesmo com a série empatada, os Stars não entregaram o jogo. Após a execução de todo o primeiro período sem gols por ambas as partes, eles foram o primeiro a abrir o placar. No entanto, Vegas empatou com Shea Theodore no início do último período.

    Apesar de os Golden Knights terem mais tentativas a gol, e claramente se encontrarem dominando o jogo, os Stars fizeram o que tem feito de melhor durante todos os playoffs: aproveitar muito bem suas pequenas oportunidades.

    A partida precisou der decidida no overtime. Com apenas 31 segundos da prorrogação, um gol de Radulov que encerrou o jogo. Dallas voltou a assumir a vantagem na série, com 2 a 1 sobre o Vegas. 

    A vitória no Jogo 4 deveria ser algo crucial para os Stars. Se o time vencesse a partida, aumentaria a vantagem e, assim, estaria a apenas uma vitória da classificação para a Final da Stanley Cup.

    Apesar de ambas as equipes terem iniciado o primeiro período sem marcar, e Vegas ter aberto o placar na segunda etapa da partida, Dallas não se mostrou abalado. Quatro minutos após o gol do rival, Joe Pavelski acabou marcando o primeiro dos Stars e, em seguida, viu Jamie Benn seguir seus passos. 

    Sem mais finalizações no terceiro período, Dallas venceu a quarta partida da série por 2 a 1.

    Dallas Stars campeão da Conferência Oeste 

    Uma vitória no Jogo 5 poderia significar algo muito importante para Dallas: um time descansado física e mentalmente para enfrentar seu adversário na Final da Stanley Cup. Com vantagem de 3 a 1 na série, uma classificação mais rápida não seria impossível.

    Vegas, no entanto, tornou o trabalho dos Stars muito mais difícil.

    Por ser um time que, nos últimos 3 rounds, criou um estilo de jogo que atacava mais inicialmente, Dallas se viu perdido quando Chandler Stepheson marcou para Vegas na primeira metade do primeiro período. A partir daí, até o fim da primeira e segunda etapa, Dallas teve poucas brechas em jogo para atacar e, consequentemente, menos disparos a gol. 

    Complicando ainda mais a situação do time do Texas, Reilly Smith aumentou a vantagem dos Golden Knights, marcando o segundo do time no jogo no terceiro período. Após 40 minutos ausentes, em que a atuação de Anton Khudobin no gol foi essencial para que a equipe se mantivesse na partida, o ataque do Dallas Stars finalmente começou a reagir. 

    O time passou a entrar mais no jogo, criando mais chances a gol, e após algumas tentativas, Jamie Benn por fim finalizou, colocando Dallas na partida outra vez. Seguindo o gol de Benn, a equipe continuou a pressionar na zona ofensiva, dando trabalho em dobro para o goleiro Robin Lehner e a defesa de Vegas. Ambos a essa altura do campeonato, com toda a pressão de Dallas, tentavam apenas segurar o jogo em 2 a 1. 

    No entanto, bastou que umas das peças chaves dos Stars nos playoffs aparecesse no momento certo para que o jogo tomasse outro rumo. Aos 16 minutos do terceiro período, com passes de Klingberg e Gurianov, Joel Kiviranta marcou para Dallas e empatou a partida. Novamente vimos Kiviranta agindo em momentos essenciais e, pela segunda vez, levando os Stars para overtime em um jogo crucial.

    Não foi necessário muito tempo para que Dallas agisse novamente. Aos 3:36 da prorrogação, Gurianov colocou o puck no fundo da rede, e deu a vitória à equipe. Depois de apenas cinco jogos (o menor número disputado pelos Stars para conseguir uma classificação), o time garantiu sua primeira passagem em 20 anos para a Final da Stanley Cup.

    Atuações notáveis

    Existem algumas atuações de Dallas na série que merecem ser exaltadas. Uma delas é a de Anton Khudobin. Segundo com mais vitórias nos playoffs, o goleiro fez defesas excepcionais durante a série, muito importantes para a permanência dos Stars na competição. Quando a defesa do time não se fez presente, Khudobin segurou as pontas de maneira exemplar durante os cinco jogos. 

    Além do goleiro, o capitão do time, Jamie Benn, também presenteou o torcedor de Dallas com grandes atuações. Sendo um dos principais marcadores do time, Benn se manteve ao máximo na zona ofensiva durante a série, finalizando e também colaborando com assistências. Seu companheiro de linha, Alex Radulov, também foi essencial para o time. Ele não apenas marcou no período regular da partida, como também decidiu para Dallas no overtime

    Por último, é preciso ressaltar o grande desenvolvimento de Denis Gurianov e Joel Kiviranta. Apesar de novos nos playoffs, conseguiram mostrar um estilo de jogo estável e muito eficiente para a equipe, contribuindo com gols e assistências. Outro fator importante é que, apesar da menor quantidade de ice time, ambos os jogadores têm aparecido em momentos cruciais para o time. 

    Na série contra Vegas não foi diferente. Enquanto Kiviranta fez o gol de empate que levou o time ao OT, Denis Gurianov foi responsável por marcar na prorrogação e colocar a equipe na final. Com toda a certeza, se tornaram, em pouco tempo, peças essenciais no elenco vitorioso de Dallas. 

    Já Vegas, apesar de não ter alcançado a classificação, também contou com atuações importantes. Entre estas estão Mark Stone, Reilly Smith, Shea Theodore e Alex Tuch. Os jogadores em questão não fizeram apenas um bom trabalho na série contra Dallas, mas também foram peças essenciais no ataque dos Golden Knights tanto na hora da finalização, quanto na criação de oportunidades. Infelizmente, a ida do time para a Final ficou para outro dia, mas não por falta de talentos no elenco. 

    O que esperar da série contra o Tampa Bay

    Não é surpresa que o Tampa Bay Lightning é um dos principais favoritos ao título. Isso é algo que vem sendo dito desde o início não só dos playoffs, mas da temporada também. Além de ter feito uma ótima temporada regular, o time também tem mostrado exceder as expectativas desde o retorno da NHL. Até o momento, nenhuma série que a equipe disputou chegou a se estender para um Jogo 7, e nomes como Nikita Kucherov, Victor Hedman e Brayden Point vêm sendo responsáveis por isso. 

    Point é o líder em gols na equipe, seguido de Hedman e Palet. O jogador também é o segundo em assistências, ficando atrás apenas de Kucherov. 

    Além disso, também contam com o goleiro, Andrei Vasilevskiy, em uma de suas melhores fases, sendo o mais vitorioso nos playoffs, e o terceiro com melhor média de gols sofridos (1.82). Portanto, são jogadores que têm feito grande diferença, e que podem ser um problema frequente para Dallas. 

    Se os Stars quiserem levar a Stanley Cup para casa, terão que manter o ritmo de jogo de suas últimas partidas, sempre tentando se manter na zona ofensiva e marcar o quanto antes. Além disso, é importante que o time prepare sua defesa muito bem pois, com as atuações que Kucherov e Point tem apresentado nos playoffs, será necessário cobrir todas as brechas possíveis. 

    A Final da Stanley Cup começa neste sábado (19), às 20:30 no horário de Brasília. Os dois times já nos mostraram o que têm de melhor durante toda a pós-temporada, portanto, nos resta agora esperar para ver qual deles sairá vitorioso. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • A nova franquia Vegas Golden Knights

    A nova franquia Vegas Golden Knights

    Duas décadas após sua última expansão, em 2017 a NHL enfim decidiu agraciar seus torcedores com um novo time. Indo contra todo os indicativos, a liga fez uma de suas manobras mais ousadas: tornou Las Vegas a casa da futura equipe.

    Mesmo com os diversos problemas que poderia encontrar no caminho, o Vegas Golden Knights veio ao mundo oficialmente no ano de 2017, e mostrou que não seria apenas mais um simples time de expansão.

    Em mais um texto do especial “10 for 10“, a história da equipe de Vegas e como ela se tornou, em tão pouco tempo, uma das melhores da NHL.

    Viva Las Vegas

    Apesar de nunca ter sido sede de um time de hockey, a NHL e a cidade de Las Vegas já eram familiares entre si. Uma amizade que ambos mantêm desde 1991, quando Vegas sediou o primeiro outdoor game da Liga, e que permanece até hoje, com a cidade sediando o NHL Awards anualmente. 

    No entanto, os rumores de que Las Vegas teria um time para chamar de seu vieram apenas em 2014. Isso porque teve início a construção de uma futura arena na Las Vegas Strip, apesar de a própria NHL negar as informações. Em novembro do mesmo ano, outro rumor cresceu entre a comunidade do hockey, afirmando que a Liga havia selecionando o empresário Bill Foley e a família Maloof (antigos donos do Sacramento Kings, da NBA) para serem proprietários de um time em Las Vegas. 

    Cedendo aos pedidos, em dezembro o conselho de governadores da NHL permitiu que Foley realizasse uma campanha para detectar o interesse de um possível time em Las Vegas, embora Gary Bettman, comissário da NHL, tenha alertado a mídia para que não tornasse o acontecimento em algo maior do que realmente era.

    A campanha dos ingressos se iniciou em fevereiro de 2015, e teve mais sucesso do que o esperado. Em seu primeiro dia e meio, 5.000 depósitos para ingressos foram realizados, atingindo sua meta de 10.000 depósitos em abril do mesmo ano. Assim, devido ao grande êxito da campanha, a NHL abriu oficialmente a janela para que possíveis proprietários pudessem licitar o futuro time de expansão da Liga. 

    Dois pedidos de expansão foram apresentados: a oferta de Foley, para um time em Las Vegas, e outra da empresa Quebecor, que traria de volta o Quebec Nordiques em uma nova arena na cidade de Quebec. Em agosto de 2015, ambos avançaram para a segunda fase do processo de expansão. Posteriormente, também foram para a Fase 3, na qual uma das ofertas seria escolhida.

    Porém, em 22 de junho de 2016, a oferta de Quebec foi descartada e, consequentemente, Foley acabou trazendo a NHL para Las Vegas. O time se tornou a primeira equipe profissional a ter sede na cidade e, por conseguinte, o primeiro time de expansão da Liga Nacional de Hockey desde o ano 2000.

    Com vocês, Vegas Golden Knights

    Após todas as burocracias serem acertadas, Foley se comprometeu em pagar uma taxa de 500 milhões de dólares para a NHL e, enfim, pôde iniciar o processo de contratação da equipe que faria parte do time de Vegas. George McPhee, antigo General Manager do Washington Capitals, foi um dos primeiros contratados, e se tornou o primeiro GM da franquia. 

    O time veio a receber um nome ao fim do ano de 2016. Até o momento da cerimônia de revelação, acreditava-se que este seria escolhido dentre três opções: Black Knights, Desert Knights e Golden Knights. Por fim, após muitas especulações, a equipe de Las Vegas anunciou através de cerimônia nas dependências da T-Mobile Arena (futura casa do time) em 22 de junho do mesmo ano que, oficialmente, se chamaria Vegas Golden Knights.

    Era notável que, por ter se formado na Academia Militar West Point, Foley desejava que o nome tivesse a palavra Knight (em português, cavaleiro), como homenagem ao mascote da Academia pela qual se formou. Ele ainda completou afirmando que a palavra foi selecionada porque “cavaleiros são os defensores do reino e protegem aqueles que não podem se defender […], são a classe guerreira de elite.”

    Em seguida, o time ainda afirmou que suas cores seriam cinza-aço, dourado, vermelho e preto, justificando que o motivo da escolha era refletir na comunidade de Las Vegas:

    “Cinza-aço representa força e durabilidade. Nevada é o maior produtor de ouro dos Estados Unidos, é um metal precioso de alto valor e é uma cor vista no terreno de Las Vegas. O vermelho vem do horizonte de Las Vegas, do deserto e da beleza dos cânions de Red Rock; vermelho também é uma cor associada à prontidão para servir. E o preto representa poder e intensidade.”

    O logo também referiu-se diretamente à palavra Knight. O capacete remete ao que os cavaleiros medievais tinham o costume de usar em suas lutas, tendo a cor dourada presente para consolidar ainda mais a paleta e o nome da equipe.

    Para representar a cidade de Las Vegas, o time decidiu incluir no próprio logotipo a letra “V”. Os logotipos secundários também homenageiam a cidade, incluindo as espadas que criam a estrela do símbolo “Bem-vindo a Las Vegas”.

    Por fim, Foley afirmou que “o nome e logotipo do Vegas Golden Knights incorporam esta grande cidade e a missão da equipe.” Continuou ainda informando que seu desejo seria que “quando as pessoas virem [o logotipo], queremos que digam ‘Esses caras nunca desistem. Esses caras vão vencer.’ ”

    O draft de expansão

    Em 1 de março de 2017, a equipe finalizou os pagamentos da taxa de expansão, e tornou-se elegível para iniciar, de maneira formal, suas operações. A primeira manobra do time foi assinar um contrato entry-level de três anos com o center Reid Duke – atualmente, o jogador ainda é um prospect de Vegas.

    Em seguida, anunciou a contratação de Gerrard Gallant, em abril de 2017, para ser o primeiro treinador da franquia. Ainda informou que também havia feito afiliações com dois farm teams: Chicago Wolves (AHL) e Quad City Mallards (ECHL). Assim, a equipe poderia desenvolver melhor uma futura base de jogadores importantes.

    O time deu continuidade na contratação de seus futuros jogadores no Draft de Expansão do mesmo ano. O evento aconteceu em 21 de junho de 2017, durante o NHL Awards. Na ocasião, Vegas tinha o direito de selecionar um jogador disponível de cada uma das 30 equipes da Liga. 

    Antes disso, a NHL criou algumas regras, para que o novo time de expansão e também os demais times da Liga não saíssem prejudicados. Uma destas permitia que cada time poderia proteger sete atacantes, três defensores e um goleiro. Ou, se fosse da vontade da equipe em questão, um goleiro e oito jogadores, independentemente de suas posições. Também foi permitido que apenas jogadores com dois ou mais anos de experiência na NHL ou AHL participassem da seleção. 

    O combinado era que os times enviassem a lista com os jogadores que não participariam da expansão até o dia 17 de junho. Dos 30 jogadores selecionados pela equipe, pelo menos vinte deveriam estar sob contrato para a temporada 2017-18. Outra exigência da NHL foi que, dentro de suas escolhas, os Golden Knights deveriam selecionar, pelo menos, quatorze atacantes, nove defensores e três goleiros. 

    Assim, o Draft de expansão aconteceu. O primeiro jogador a ser selecionado pelo time foi Calvin Pickard, do Colorado Avalanche. Apesar de a equipe de Las Vegas ter selecionado 30 jogadores, alguns acabaram se destacando mais na época. Entre eles, o goleiro Marc-Andre Fleury, que veio para o time dias após conquistar sua segunda Stanley Cup na década com o Pittsburgh Penguins. Outros nomes notáveis foram James Neal (Nashville Predators), William Karlsson (Columbus Blue Jackets), David Perron (St. Louis Blues) e Erik Haula (Minnesota Wild). 

    Pouco depois, em julho, os Golden Knights participaram do NHL Draft de 2017. Com a quinta escolha geral, a equipe selecionou Cody Glass. Mais tarde, com a 13ª e 15ª escolhas, os Golden Knights selecionaram, respectivamente, Nick Suzuki e Erik Brannstrom. 

    Primeira temporada, e sucesso imediato

    Com um time já formado, a equipe fez sua estreia na NHL em um jogo contra o Dallas Stars, garantindo sua primeira vitória na Liga. Infelizmente, o início da jornada do time não foi tão alegre quanto Vegas desejava. A cidade ficou arrasada quando, em 1 de outubro de 2017, cinquenta e oito pessoas foram vítimas de uma massacre, que ocorreu durante um festival country.

    Após o ocorrido, a cidade inteiro promoveu o movimento Vegas Strong, com a intenção de mostrar que, mesmo com a tragédia, estando unidos seria a melhor forma de enfrentar a dor pela qual passaram. Os Golden Knights não foram diferentes dos demais moradores de sua casa. Durante o jogo contra os Stars, a equipe homenageou as 58 vítimas com um discurso emocionanete do capitão do time na época, Deryk Engelland. A fala reforçou a necessidade de enfrentarem isso juntos, e que a equipe faria o possível para ajudar.

    Mais tarde, durante o último jogo da equipe em casa na temporada regular, em 31 de março, Vegas voltou a reforçar seu apoio ao ocorrido. Foi pendurada na T-Mobile Arena um grande banner, que homenageou as 58 vítimas do ataque através de 58 estrelas. A intenção foi que, mesmo com o passar dos anos, todos pudessem olhar para o banner e lembrar das cinquenta e oito vidas que se foram precocemente.

    Após disputar sua nona partida, a equipe de Las Vegas enfim bateu seu primeiro recorde histórico: tornou-se o primeiro time de expansão na história da NHL a iniciar sua temporada inaugural vencendo oito de seus nove primeiros jogos. Mesmo tendo iniciado a temporada com um déficit de goleiros devido a lesões, conseguiu manter-se como uma das melhores da temporada 2017-18.

    Com a chegada de 2018, o sucesso do Vegas Golden Knights apenas aumentou. Em 1 de fevereiro, o time quebrou outro recorde, tornando-se a equipe de expansão com mais vitórias em menos de 54 jogos, após vencer sua 34ª partida. Já no dia 21, o time garantiu outro marco histórico, sendo a equipe de expansão com mais pontos (84) em sua temporada inaugural. 

    Após uma grande temporada regular, os Golden Knights garantiram a tão almejada vaga aos playoffs em 26 de março de 2018. Desta forma, Vegas se tornou a primeira franquia da NHL desde o Edmonton Oilers e o Hartford Whalers, em 1979, a ir para os playoffs em sua temporada de estreia. 

    O time venceu sua primeira série nos playoffs, contra os Kings, tornando-se a primeiraexpansão a conquistar o feito em sua primeira temporada. Depois, derrotaram o San Jose Sharks e, seguidamente, o Winnipeg Jets, já na Final de Conferência. Os Golden Knights garantiram sua primeira ida a uma Final da Stanley Cup em seu primeiro ano de existência. Porém, a equipe não teve o desfecho que almejava, sendo derrotada pelo Washington Capitals em cinco jogos. 

    Ainda assim, para um time de expansão, e que fazia sua estreia da Liga Nacional de Hockey, o Vegas Golden Knights chegou muito longe. Foi neste momento que deixou de ser apenas a nova aquisição da NHL e se tornou uma das equipes mais fortes na competição. Desde então, eles têm provado isso a cada temporada, apesar de ainda não terem repedido a empreitada até uma Final da Stanley Cup. 

    Podemos anotar em nossas agendas que 2018 não terá sido a última vez em que vimos os Golden Knights chegando perto de sua primeira taça. O time possui um elenco espetacular. Elenco este que já provou o quanto pode fazer pela equipe, e o quanto quer fazer com que o momento de levantar a Stanley Cup chegue o mais rápido possível para o Vegas. 

    Foto: Reprodução/Twitter do Vegas Golden Knights

  • Com shutout no Jogo 7, Golden Knights avançam para Finais de Conferência

    Com shutout no Jogo 7, Golden Knights avançam para Finais de Conferência

    O Vegas Golden Knights entrou na competição como um dos favoritos à Stanley Cup. Após chegar perto do título em 2018, o time tem mostrado mais potencial a cada jogo, dando indícios cada vez mais claros de que a sua busca pelo título está longe de chegar ao fim. 

    Após derrotar o Chicago Blackhawks no primeiro round dos playoffs, Vegas, por fim, classificou-se para a segunda etapa da competição. Tendo o Vancouver Canucks como seu oponente na série, a equipe de Las Vegas entendeu que o desafio de avançar para a Final da Conferência Oeste não seria fácil.

    Com um time repleto de novos talentos, os Canucks entraram no segundo round com a intenção de uma disputa de igual para igual contra a equipe estadunidense. Mas, após sete jogos intensos, a série chegou ao fim na sexta (4), e o desfecho foi um adeus do time canadense para a competição.

    Bate e volta de vitórias contra Vancouver

    Logo na primeira partida contra Vancouver, os Golden Knights já provaram que sua estadia na pós-temporada não seria curta. Com uma derrota por 5-0, a única possibilidade para os Canucks seria focar em um melhor desempenho na segunda partida. Usando essa filosofia, equipe canadense conseguiu entrar bem no segundo jogo e sair com a vantagem sobre oponente. 

    Com a série empatada, os dois times vão para o Jogo 3 em busca de vantagem. Mas quem acabou saindo à frente do placar foi o Vegas Golden Knights. Com a falta de finalizações a gol dos Canucks na partida, os Golden Knights mantiveram a vantagem. Por fim, o time de Nevada venceu o confronto e garantiu a vantagem de 2 a 1 na série. Vale ressaltar que, em apenas três jogos da rodada, Robin Lehner conseguiu dois shutouts, mantendo grande desempenho na rede de Vegas.

    A breve decaída do Vegas Golden Knights

    Em relação a tentativas a gol, o Jogo 4 talvez tenha sido a partida em que os dois times mais disputaram de igual para igual. Apesar do grande hype que o time manteve nos 4 primeiros jogos, a quinta partida trouxe a queda do desempenho do Vegas na série. Após 20 minutos sem nenhuma finalização a gol de ambos os lados, foi Shea Theodore quem marcou o primeiro dos Golden Knights na partida, durante o segundo período. Mas o time viu a vantagem se esvair 24 segundos depois, quando os Canucks empataram. Para fechar de vez o confronto, Vancouver marcou o segundo último período, garantindo a vitória. 

    No Jogo 6, Vancouver conseguiu manter o mesmo ritmo da quinta partida. Algo necessário pois, se os Golden Knights vencessem o jogo, os Canucks diriam adeus aos playoffs. Mas ao marcar com Jake Virtanen, aos 2:50 do primeiro período, os Canucks mostraram que estavam longe de se despedir da competição. Sem gols no segundo tempo, foi o próprio Vancouver quem voltou à partida no último período mostrando dominância, e marcando mais três gols. 

    Novamente um empate na série.

    Por mais que a vitória tenha sido de Vancouver nos jogos cinco e seis, foi Vegas quem teve mais shots on goal e, de certa forma, dominou as partidas por muito tempo. Ou seja, foi notável o quanto os Canucks souberam aproveitar muito bem suas oportunidades em jogo para finalizar as jogadas e, assim, manterem-se na competição. 

    Enfim, Golden Knights na Final da Conferência Oeste

    Por ser um Jogo 7, e a série estar empaada, esperavasse na partida um grande desempenho para ambos os lados. Porém, a queda dos Canucks foi notável: no primeiro período, o time disparou apenas duas vezes ao gol, contra 11 tiros de Vegas.

    Novamente, na segunda etapa do jogo, ambas as equipes mantém o placar em zero a zero, e Vegas mantém a dominância de SOG, diminuindo apenas por um disparo em comparação ao primeiro período. Finalmente, no terceiro, as coisas começaram a se desenvolver quando Shea Theodore abriu o placar para Vegas em um gol no power play. Aqui, os Canucks começaram a tentar entrar na partida, criando mais tentativas a gol. 

    Mas quando os Golden Knights marcaram o segundo, com Alex Tuch e logo em seguida o terceiro, com Paul Stastny, as chances do time canadense conseguir um empate eram quase nulas. A partir daí, a única coisa necessária para Vegas era segurar a liderança. 

    Seis segundos após o terceiro gol da partida, o apito final soou. Depois de sete jogos, o Vegas Golden Knights se classificou para a Final de Conferência pela segunda vez em sua história na NHL. 

    Atuações notáveis da série

    Vancouver não apenas contou com o grande desempenho de seus veteranos, mas também com o talento dos jogadores mais novos. Bo Horvat, capitão da equipe, foi o responsável pela maior parte dos gols feitos pelos Canucks, juntamente de Elias Petterson e J.T. Miller. Os dois últimos não só participaram de grande parte das finalizações do time, como também realizaram a maior parte das assistências aos gols.

    Destaque também para Quinn Hughes, que mostrou outra vez ser um jogador completo no gelo; além de exercer seu papel na zona defensiva com êxito, também participou de muitas jogadas a gol da equipe. Dessa forma, acabou se tornando o líder em assistências dos Canucks nos playoffs.

    Apesar de a classificação para a Final de Conferência não ter vindo em 2020 para Vancouver, oportunidades futuras não faltarão, pois o time possui um grande elenco suficientemente capaz de alcançar o feito.

    Quando falamos de atuações destaques do Vegas Golden Knights, é necessário falar de Shea Theodore. O jogador não só é o líder em assistências do time (10), como também é o segundo atleta da equipe que mais finalizou a gol. Ele ficou atrás apenas de Alex Tuch. Claramente, um grande reforço para a equipe de Nevada nos playoffs, e que pode ser um dos responsáveis a levar o time a conquistar seu primeiro título.

    Mark Stone, Alex Tuch e Reilly Smith também foram grandes adições na zona ofensiva do Vegas no round, sempre se fazendo presentes em grande parte das jogadas e nos momentos mais necessários. 

    O que esperar da série contra o Dallas Stars

    Algo que ficou extremamente perceptivo em apenas um jogo da Final de Conferência é que o Dallas Stars que Vegas enfrentou na temporada regular e Round Robin não é o mesmo time que a equipe encontrou nesta série dos playoffs.

    Após muita frustração, o time do Texas enfim encontrou seu estilo de jogo, e o tem executado muito bem, com a ajuda de diversos jogadores mais novos como Miro Heiskanen, Roope Hintz e Denis Gurianov. A equipe tem produzido cedo nas partidas, e em consequência, acaba sendo a primeira a marcar gols. 

    Então, se Vegas conseguir sobreviver a esta pressão inicial imposta pelo time, e não desperdiçar as tentativas a gol, as chances de avançar para a Final da Stanley Cup são grandes. Com jogadores como Shea Theodore fazendo um ótimo desempenho no ataque, e Robin Lehner em uma de suas melhores fases no gol, o time tem grandes oportunidades de evoluir cada vez mais na competição.

    A série contra o Dallas Stars iniciou no último domingo (6), e contou com a primeira vitória dos Stars. No Jogo 2, na terça-feira, os Golden Knights devolveram o shutout e empataram a série. Ainda há muito a ser disputado pela frente, o que nos resta é aguardar os próximos capítulos. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • No overtime, Stars se classificam para Final da Conferência Oeste

    No overtime, Stars se classificam para Final da Conferência Oeste

    O Dallas Stars iniciou a série contra o Colorado Avalanche com o pé direito. Após derrotar o Calgary Flames no primeiro round, o time partiu para a próxima etapa dos playoffs com grande confiança. Somado a isso, o time mostrou também um estilo de jogo diferenciado do que vinha apresentando nos últimos tempos.

    Estilo de jogo este que, por fim, parou um dos ataque mais rápidos da NHL e, assim, garantiu à equipe uma classificação para a Final da Conferência Oeste. 

    A série chegou ao fim na última sexta (4), após sete jogos intensos. Ela trouxe grandes atuações, com direito a chuva de gols e recordes conquistados. Portanto, aqui vai um recap dos melhores momentos da série, e, por fim, o que esperar do Dallas Stars na próxima etapa da competição.

    Um Dallas Stars diferente

    Não é surpresa alguma que Dallas não era um dos principais favoritos a conquistar a Stanley Cup.

    Com um estilo de jogo muitas vezes instável, os Stars sofriam com tentativas a gol desperdiçadas, e falta de desempenho de seus principais jogadores. Num geral, muitas vezes o time não parecia ter sintonia, algo que era extremamente preocupante, e que poderia resultar em uma eliminação precoce dos playoffs. 

    Mas as coisas pareceram mudar na série contra Calgary, principalmente nos últimos jogos. Quando a equipe de Dallas soube aproveitar as oportunidades no gelo, o resultado imediato foi a classificação para o segundo round. Assim, o time que antes era visto como o menos favorito à taça, passou a ser a equipe que poderia dar trabalho para o Colorado Avalanche

    Tudo que o time precisou para mostrar ao que veio foi o primeiro jogo da série, que foi acompanhado de de ótimas atuações de seus veteranos. Quando os jogadores mais importantes do time elaboram grandes jogadas e mostram todo seu desempenho no gelo, é de se esperar que os Stars não queiram fazer apenas um breve passeio pelo segundo round. 

    No jogo dois, os Stars mantiveram o ritmo. Apesar do Avalanche ter sido o primeiro a abrir o placar, foi Dallas quem assumiu as rédeas e ditou o ritmo da partida depois disso.

    A um passo (ou jogo) da classificação

    Após grandes atuações, os Stars enfrentaram seu primeiro empecilho no terceiro jogo da série. Apesar de marcar com Seguin no primeiro período, e assumir a vantagem, o time diminuiu seu desempenho na segunda etapa da partida. Um minuto após o primeiro gol do Dallas, o Avalanche marcou seu primeiro e, partir daí, dominou completamente a partida. Com gols de Zadorov, Burakovsky e Landeskog, o Colorado assumiu a vantagem e, assim, mostrou o porque tinha um dos melhores e mais proveitosos ataques da NHL. O time de Denver diminuiu a vantagem dos Stars na série, ficando atrás por apenas um jogo. 

    Todavia, a vitória do Colorado Avalanche no terceiro jogo não foi o suficiente para desmotivar o Dallas Stars. Mesmo com os dois gols do Avalanche na segunda etapa do Jogo 4, os Stars ainda lideravam o placar e se mantinham confiantes. Por fim, com gols de Hintz e Gurianov no terceiro período, o Dallas deu sua cartada final e garantiu a vantagem. Vantagem esta que continuou, mesmo após o Avalanche ter aumentando seu desempenho na partida, e, consequentemente, marcado mais dois gols.

    Mais uma partida do round que chegou ao fim, mais uma vitória e grande aproveitamento do Dallas Stars. Em quatro confrontos, a equipe mostrou exatamente o estilo de jogo que todos esperavam dos Stars: um jogo de início rápido, eficiente e efetivo. A pressão que o time impôs ao Avalanche nos primeiros minutos de cada uma das partidas foi o que os levou a vitória em cada confronto. Ao fim do Jogo 4, a única coisa que separava o Dallas Stars da classificação era uma vitória. 

    No entanto, a queda no desempenho e falta de sincronia de certas linhas, acabou dando um prejuízo desnecessário ao time do Texas na competição. 

    A decaída dos Stars, e wake-up call do Avalanche

    Faltando apenas um jogo para que a equipe garantisse a vaga na Final da Conferência Oeste, era de se esperar que Dallas mantivesse o bom desempenho. Mas, para a infelicidade dos fãs dos Stars, não foi dessa maneira que as coisas aconteceram.

    O Avalanche, que vinha de diversos desfalques desde o início da série, acabou somando mais um com Pavel Francouz, inapto para assumir a rede do time. Assim, Michael Hutchinson, terceiro goleiro do time, passou a assumir a posição.

    Hutchinson não disputava pelos Avs desde março de 2020. A essa altura do campeonato, poderia ser um empecilho a mais para o time. No entanto, tudo pareceu dar certo, e Colorado venceu sua segunda partida no round.

    No Jogo 6, Dallas iniciou o primeiro período com ótimo desempenho, criando mais oportunidades a gol do que o rival. Como consequência, foi o primeiro a marcar, aos 17:35 minutos do primeiro período, com Miro Heiskanen. No entanto, faltando apenas 30 segundos para o fim dos primeiros 20 minutos da partida, o Avalanche igualou o placar. O time de Denver voltou a marcar no segundo, aumentando ainda mais a vantagem. 

    Quando Rantanen e MacKinnon marcaram no terceiro período, era de se esperar que Dallas não conseguiria a classificação naquela noite. Apesar de ter ido mais chances, os Stars se viram derrotados mais uma vez pelo Colorado Avalanche. 

    O time que antes possuía vantagem de 3 a 1, e grandes chances de passar de forma rápida para a próxima fase da competição, viu o oponente acordar na disputa, superar as adversidades e aproveitar muito bem cada chance para empatar a série.  

    Destino de Dallas: enfim, a Final da Conferência Oeste

    Os Stars mostraram o quanto queriam a vitória logo no início do Jogo 7, ao marcarem no terceiro minuto do primeiro período. A cortesia ficou por conta de Radulov, que fez o gol durante o primeiro power play do time na partida. No entanto, acabaram perdendo a vantagem no placar quando Namestnikov e Burakovsky marcaram para o Avalanche.

    No segundo período, a atuação dos jogadores novatos foi essencial para colocar os Stars de volta no jogo. Joel Kiviranta, que havia disputado apenas dois jogos de playoffs por Dallas anteriormente, entrou na partida e marcou seu primeiro, e segundo com os Stars. No entanto, a alegria do time do Texas durou apenas até quando Nazem Kadri marcou, dando a liderança a Colorado pela primeira vez no jogo. 

    Até aqui, Dallas se manteve estável na partida, mas presenciou Colorado criando mais chances de gol. O time precisou segurar as pontas para não deixar o time de Denver aproveitar as brechas em jogo e marcar. Por isso, colocando em prática outra vez a mentalidade rápida que adquiriram nos playoffs, os Stars não perderam tempo ao marcar no início da terceira etapa.

    Com empate na partida, Namestnikov voltou a colocar o Avalanche na frente. Novamente, Dallas viu sua vida sendo salva pela grande atuação de suas estrelas mais novas. Com assistência de Heiskanen e Hintz, Kiviranta colocou o puck no fundo da rede e foi o responsável por manter s Stars na competição. Ao fim do tempo regulamentar, o placar era 3-3.

    Com suas melhores peças em jogo, os dois times entraram em gelo para disputar o overtime. Pelo desempenho apresentado no início da prorrogação, as apostas estavam com o Colorado Avalanche, que conseguiu elaborar cinco tentativas a gol contra uma dos Stars. 

    Mas Dallas foi contra as probabilidades. Se Kiviranta havia garantido o overtime para o time, era justo que fosse o rookie que garantisse também a passagem para a próxima fase. O finlandês marcou no oitavo minuto da prorrogação e, assim, direcionou os Stars diretamente para a Final da Conferência Oeste. A equipe não alcançava este feito desde 2008. 

    Atuações de destaque na série 

    É difícil falar de apenas uma atuação notável por parte do Colorado Avalanche durante a série. O time de Denver soube explorar muito bem todos os seus jogadores, e é isso que acaba colocando a equipe entre as melhores. Mesmo perdendo peças importantes ao longo do caminho, a equipe fez quase o impossível com o elenco restante para se manter na disputa.

    Nathan MacKinnon sempre será digno de destaque pelas grandes atuações em gelo que propicia ao fã de hockey. Mas, para que o canadense marque, existe um time inteiro que se envolve nas jogadas, da zona defensiva à ofensiva. Mikko Rantanen, juntamente com Cale Makar e Gabriel Landeskog, foram os principais responsáveis por trás das principais tentativas a gol do time. Não só neste round, mas nos jogos anteriores.

    Nazem Kadri também foi peça importante no time, e um dos jogadores que mais finalizou no gol, com Rantanen logo atrás. Andre Burakovsky também teve grande desempenho, ocupando o segundo lugar em gols marcados no time (junto de Rantanen), e se tornando o responsável por colocar o Avalanche na disputa diversas vezes durante a série.

    Makar também merece reconhecimento por, não apenas exercer muito bem sua posição na zona defensiva, mas também por participar constantemente no ataque do time.

    Por sua vez, o Dallas Stars por fim mostrou um tipo de jogo que era esperado do time há anos, composto de jogadas rápidas e certeiras. Tudo isso, somado a um estilo de jogar mais físico e presente no gelo, foi o que resultou na classificação do time para a próxima fase da competição. 

    Mesmo com todos estes fatores, Dallas contou com muitas atuações pontuais e importantes. Miro Heiskeinen, que é um dos defensores do time que mais se fez presente também na linha ofensiva, mostrou novamente o quanto é um jogador completo. Ele participou de grande parte das jogadas a gol dos Stars nos playoffs, ocupando assim o segundo lugar em pontos e o primeiro em assistências no geral da competição.

    A linha principal do time, formada por Seguin, Benn e Radulov também voltou a fazer grandes atuações. Os três jogadores não só marcaram quando foi necessário, mas também deram assistências para muitas das jogadas do time a gol.

    A menção honrosa vai para Joel Kiviranta, que se tornou o herói mais improvável do Dallas Stars nos playoffs. Após disputar dois jogos pelo time, o finlandês entrou no Jogo 7 contra o Avalanche e apresentou um dos melhores desempenhos da partida. Além de ter se adaptado bem a equipe, o jogador apareceu e mostrou desempenho consistente no momento certo. Kiviranta se tornou o sétimo jogador na história da NHL a marcar um hat-trick durante um Jogo 7, sendo o único rookie da lista.

    O que esperar de Dallas Stars e Vegas Golden Knights

    O Vegas Golden Knights já mostrou que possui muita vontade e as peças essenciais para levar o time até a Final da Stanley Cup. Jogadores como Alex Tuch, Shea Theadore e Mark Stone, tem mostrado ser grandes adições no ataque do time de Las Vegas. Tudo isso, somado à grande eficiência por parte de Reilly Smith na elaboração das jogadas, e um ótimo desempenho no gol com Robin Lehner, a equipe possui altas chances de passar por Dallas e ir para o destino final da competição. 

    Portanto, será necessário que os Stars não só continuem fazendo de seu jogo físico uma constante no gelo durante a rodada, mas que também saibam priorizar e entender quais jogadores podem acabar facilitando a vida do time. Os jogadores mais novos, como Roope Hintz, Miro Heiskanen e Denis Gurianov, tem mostrado serem grandes adições na zona ofensiva e finalizando a gol. 

    Seguin, Benn e Radulov provaram no segundo round que, quando conseguem trabalhar bem, o time todo acaba seguindo o ritmo. Portanto, é de extrema importância que a linha principal continue em harmonia, e marcando de fato presença no gelo. Dessa maneira, as chances do Dallas de chegar à Final após 21 anos são grandes.

    Rick Bowness, técnico do time, pareceu pensar o mesmo, quando falou sobre seus principais jogadores na coletiva após o primeiro jogo contra o Avalanche. “Quando essa linha marca um gol inicial como esse, é enorme, e então você simplesmente tem que deixá-los ir. Não vamos a lugar nenhum sem nossos melhores jogadores.”

    O primeiro jogo da série entre Dallas Stars e Vegas Golden Knights acontece neste domingo (06), às 21 horas. Se as atuações de ambos os times até aqui foram um indicativo de como será o round, podemos com certeza esperar por grandes jogos.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Flyers forçam Jogo 7 após grande atuação de Hart

    Flyers forçam Jogo 7 após grande atuação de Hart

    O Jogo 6 entre Flyers e Islanders poderia ter sido o fim da série que decide quem enfrenta o Tampa na final da Conferências Leste. A possível classificação do New York Islanders estava a poucos minutos de acontecer, não fosse por Carter Hart, o jovem goleiro do Philadelphia Flyers. O jogador, de apenas 22 anos, defendeu para seu time um total de 49 shots. Dessa forma, Hart garantiu não somente a primeira estrela do jogo, mas também um overtime, quando o time da Filadélfia superou os Isles com um gol de Ivan Provorov, garantindo o Jogo 7. 

    Entretanto, essa não foi a primeira partida que o goleiro se destacou na série. Anteriormente, no Jogo 5, Hart realizou um feito parecido ao defender 29 arremessos e garantir a vitória que os Flyers tanto precisava. Em ambos os jogos, a partida acabou sendo decidida na prorrogação. 

    Aos evitar a eliminação, os Flyers ainda garantiram um recorde na NHL. Isso porque eles se tornaram o oitavo time na história da liga a evitar uma eliminação em jogos consecutivos através do overtime.

    A influência de Carter Hart na série

    O time de Nova York começou em vantagem, ganhando a primeira partida e, em seguida, conquistando os Jogos 3 e 4. Sendo assim, eles só precisavam ganhar o próximo confronto para garantiriam a sua classificação. Em todos os jogos da série o Islanders detiveram a vantagem sob o gelo e o maior domínio do puck, atacando mais o seu adversário do que o oposto.

    No entanto, os Isles viram a sua vantagem diminuir pouco a pouco. Os Flyers podem não demonstrar tanto domínio no gelo como o time de Nova York, mas Carter Hart tem compensado essa falha. Se não fosse pelo goleiro, a diferença de gols na série poderia estar muito maior. Isso porque a porcentagem de defesas feitas por Carter teve um aumento nessa pós temporada. Atualmente o goleiro conta com um percentual de .929 diferente da temporada regular que foi .914. 

    Esse progresso de Hart é algo comum entre os goleiros, afinal o jogador ainda é jovem e está em processo de adaptação à NHL. Apesar de ter estreado no Flyers em 2018, Hart não participou nem de 50 jogos em cada temporada, sendo essa sua primeira atuação nos playoffs da Stanley Cup. Ao todo, Carter participou de 13 jogos, conquistando a vitória em nove.

    Assim, com uma carreira toda pela frente, o goleiro começou a ser um nome de peso dentro do time. Durante a última partida, Hart se tornou o segundo jogador dos Flyers a ter o maior número de gols salvos numa fase eliminatória, parando 49 dos 53 tiros a gol do New York Islanders. 

    Os demais jogadores dos Flyers podem não ter um desempenho tão forte, especialmente durante os power plays. Dessa forma, o time tem muito o que melhorar se quiser continuar na corrida pela Stanley Cup. No entanto, a chance de se classificar ainda existe.

    Entretanto, os Isles têm se mostrado um time forte nesta temporada, com um ataque jovem com nomes de peso como Mat Barzal e Anthony Beauvillier, sendo considerado um dos favoritos a continuar avançando nos playoffs. Porém, os Islanders eliminaram o Florida Panthers ainda na fase qualifiers e em seguida o Washington Capitals em apenas cinco jogos. Construindo um bom jogo, o time continua no caminho para a classificação e possui altas chances de conquistar a vitória.

    Presença especial

    A vitória do time no Jogo 6 não foi o único motivo que tornou a noite especial. O atacante Oskar Lindblom, que estava longe dos jogos desde dezembro de 2019, quando foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, fez o seu retorno ao gelo na partida. Lindblom enfrentou um câncer raro, uma espécie de tumor nos ossos, e ficou longe do gelo para fazer o tratamento. O jovem de 24 anos foi com a equipe para a bolha em Toronto e era frequentemente visto marcando presença nos jogos e no vestiário do time. O jogador estava sempre dando apoio aos seus colegas do mesmo modo que recebia apoio e carinho da comunidade do hockey.

    Sempre positivo, Oskar mostrou estar indo bem em seu tratamento e sem dúvida o jogador não via a hora de voltar ao gelo. Após concluir o tratamento no dia 2 de julho, quando a NHL já estava se planejando para retomar os jogos no atual formato, Lindblom não demorou a manifestar o desejo de encontrando seu time em Toronto e voltar a treinar com a equipe ainda no início de Agosto. 

    Menos de um mês depois, e nove meses após ter sido diagnosticado, o tão aguardado retorno ao gelo enfim aconteceu. Sem dúvidas uma noite inesquecível para os fãs dos Flyers. 

    Agora, o tão aguardado Jogo 7 está agendado para o sábado, 5 de setembro. Sendo assim, quem vencer esse confronto irá se classificar para a decisão da Conferência Leste, onde enfrenta o Tampa Bay Lightning na briga pela vaga na Final da Stanley Cup.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Lightning alcança novos recordes em vitória sobre os Bruins

    Lightning alcança novos recordes em vitória sobre os Bruins

    O Tampa Bay Lightning continua mostrando a sua força nos playoffs. Após uma série cheia de recordes e surpresas contra o Columbus Blue Jackets, o Lightning teve como adversário um dos finalistas da temporada passada, o Boston Bruins. Enquanto o time de Boston vinha de uma série contra o Carolina Hurricanes e uma baixa um tanto polêmica do goleiro Tuukka Rask

    Isso porque o goleiro optou por encerrar sua temporada mais cedo e retornar para sua família por questões pessoais. No entanto, mesmo tendo conhecimento do motivo, nem todos os fãs viram isso com bons olhos.

    Após o time de Tampa liderar a série em 3-1 e ganhar a quinta partida, muitos torcedores foram às redes sociais culpar o goleiro pela eliminação. Mesmo após duas semanas de sua saída e o time ter ganho a série contra os Canes, alguns fãs não ficaram felizes e decidiram responsabilizar o jogador, que não estava no gelo neste round.

    Apesar de ser um time forte e ter tido uma vantagem com a primeira vitória da série, os Bruins não conseguiram se manter constantes no gelo, diferentemente de seus adversários.

    O jogo dos Bolts era simples, porém eficaz. Eles podiam não ter tantos chutes a gol, mas tinham boas oportunidades e foi exatamente esse o seu diferencial na série. Não foi uma caminhada fácil, afinal os Ursos não queriam dizer adeus à chance de uma Stanley Cup, por isso foram necessário alguns overtimes em dois jogos para Tampa garantir a vaga na próxima fase.

    Uma vitória com recordes

    O Lightning tinha linhas sólidas que combinavam entre si e estavam bastante sincronizadas, criando ótimas oportunidades para seus pontuadores. Não somente isso, a defesa da equipe ia muito bem, dificultando para o time de Boston passar por eles e, consequentemente, marcar gols. Tampa ainda contava com um excelente goleiro, que foi peça-chave para evitar tantos gols de seu oponente.

    Em resumo, o Lightning se mostrou um time completo e um forte adversário para seu próximo rival. 

    No ataque, o time contou com Ondrej Palat, Brayden Point, Nikita Kucherov e Anthony Cirelli, que juntos conseguiam criar boas oportunidades para marcar. Palat, inclusive, foi um grande destaque para Tampa e na série. Ele conseguiu ampliar a sua sequência de gols, assim entrando para a história da franquia ao alcançar a marca de maior número de gols em partidas consecutivas numa pós-temporada. 

    Seu companheiro de linha, Point, também não fica pra trás. Ele não somente aumentou seus gols esperados, mas também, consequentemente, sua porcentagem de tiros, ficando agora com 18%. Point também conseguiu manter a sua série de pontos em seis jogos, assim aumentando tanto as chances do time quanto as suas estatísticas individuais.

    A defesa de Tampa merece destaque também. Victor Hedman, responsável pelo gol da vitória no último jogo, tem sido uma verdadeira arma para o time. O defensor tem cinco gols em 45 shots, e alta pontuação nos playoffs. Ele também entrou para a história da franquia ao se tornar o terceiro defensor nos últimos 10 anos a marcar um gol numa série que precisou de vários overtimes.

    No entanto, Point não teria conseguido tal feito sem seus companheiros de posição. Com nomes como Mikhail Sergachev, Kevin Shattenkirk, Zach Bogosian, Erik Cernak, Ryan McDonagh e Luke Schenn o Lightning tem um elenco de peso. Para que Hedman tivesse oportunidades de fazer gols, seus colegas tiveram um trabalho e tanto para formar uma defesa sólida. Dessa forma, também ajudaram a criar essas oportunidades.

    Andrei Vasilevskiy, um verdadeiro muro para Tampa

    No gol, o time contava com um goleiro de elite. Andrei Vasilevskiy foi também uma das grandes armas do Lightning.

    O goleiro participou de 13 jogos nesta pós-temporada, perdendo apenas três. Ele tem um percentual de defesas de 0.931, com 147 shots defendidos e apenas 10 gols sofridos. Em sua última partida foram 45 defesas bem sucedidas, o maior número de gols defendidos por ele em uma partida durante essa série.

    Dos dois times, os Bruins foram os que tiveram mais shots a gol. No entanto não contavam que fosse tão difícil passar o puck por Vasilevskiy. Do outro lado, Jaroslav Halak e Dan Vladar combinados sofreram 169 shots com 19 deles balançando a rede, sete em uma única partida.

    Para a próxima rodada, a má notícia para o torcedor de Tampa é que Kucherov se lesionou no último jogo e ainda não tem previsão de volta. Contudo, Stamkos pode retornar ainda nesses playoffs.

    Com a classificação, essa se torna a quarta vez em seis anos que o Lightning conquista a vaga numa final de Conferência. Como outros times ainda disputam a segunda vaga, não se sabe quando e nem quem será se seu próximo adversário. Resta aguardar como ficará a briga entre New York Islanders e Philadelphia Flyers nos próximos dias.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Jogadores da NHL tomam frente no adiamento de jogos

    Jogadores da NHL tomam frente no adiamento de jogos

    Motivados pela decisão de atletas da NBA e de outras grandes ligas esportivas norte-americanas, os jogadores da NHL decidiram agir e solicitaram à liga que os jogos de quinta e sexta-feira fossem adiados, em solidariedade e protesto contra a brutalidade policial nos E.U.A.

    A declaração veio ontem (27), no ínicio da noite, após muitos jogadores se sentirem motivados pela posição dos jogadores na NBA de não realizar os jogos de quarta-feira, paralisando os playoffs na liga. Assim, os representantes da NHLPA se reuniram com Gary Bettman e expressaram a necessidade de adiar os jogos dos playoffs da Stanley Cup. A própria NHL apoiou a decisão dos jogadores, e decidiu remarcar as partidas.

    Os jogadores e a NHL afirmaram na declaração que “as comunidades negras e pardas continuam enfrentando experiências reais e dolorosas.” Também expressaram que é preciso reconhecer que “muito trabalho ainda precisa ser feito antes que possamos desempenhar um papel apropriado em uma discussão centrada na diversidade, inclusão e justiça social”. 

    Por fim, disseram que entendem que as várias tragédias envolvendo pessoas negras mundialmente exigem que esse momento seja reconhecido.

    “A NHL e NHLPA estão comprometidas em trabalhar para promover ambientes mais inclusivos e acolhedores em nossas arenas, escritórios e além.”

    Mais tarde, os jogadores dos times restantes nos playoffs participaram de coletivas de imprensa para abordar o assunto. Nas equipes da Conferência Leste, participaram apenas os capitães do Boston Bruins, New York Islanders e Philadelphia Flyers, além do defensor do Tampa Bay Lightning, Kevin Shattenkirk. Já na Conferência Oeste, Ryan Reaves, Pierre Bellemare, Nazem Kadri e Jason Dickinson tomaram a frente da coletiva, apoiados por todos os demais jogadores dos quatro times que ocuparam a sala. 

    Durante a coletiva, Reaves disse que acordou com mensagens de Shattenkirk e Bo Horvart, do Vancouver Canucks, abordando o assunto. Segundo ele, “é mais poderoso que tenha começado com jogadores brancos de outros times querendo conversar.”

    Continuou também falando sobre a importância da declaração feita pela NHLPA, “a declaração que eles fizeram é algo que vai durar. Esses dois dias não vão resolver nada, mas as conversas e as declarações feitas são muito poderosas, especialmente vindo desta liga.”

    Nazem Kadri deu continuidade, afirmando que, para que a mudança seja feita. “No futuro, toda a liga precisa estar envolvida, e não apenas uma ou duas pessoas.”

    De acordo com a NHL, os quatro jogos, que deveriam ser disputados na quinta e sexta-feira, acontecerão este sábado (29). O restante das partidas do segundo round serão ajustadas de acordo com o acontecimento dos jogos a seguir.

    Foto: Reprodução/Twitter Colorado Avalanche