Categoria: 10 for 10

  • Draft Class de 2010: onde estão

    Draft Class de 2010: onde estão

    O primeiro draft da década aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, e deu o pontapé inicial para o que poderia ter sido uma dinastia para o Edmonton Oilers. Isso porque, durante os anos 2010, a equipe canadense teve nada mais do que quatro primeiras escolhas nos drafts. Entretanto, esta tão esperada hegemonia dos Oilers não aconteceu. 

    Por outro lado, o draft de 2010 nos apresentou jogadores que viriam a se tornar verdadeiras estrelas. Todo ano temos aquelas promessas que, quando chegam à NHL, não atingem o desempenho esperado ou demoram anos para adequar seu jogo ao nível profissional. Isso acontece porque no draft os jogadores escolhidos têm apenas 18 anos e uma carreira inteira pela frente. 

    Em 2010, as três primeiras escolhas foram Taylor Hall, Tyler Seguin e Erik Gudbranson. Além deles, conhecemos nomes como Vladmir Tarasenko, Evgeny Kuznetsov e Phillip Grubauer, que foram campeões com suas equipes. Por outro lado, tivemos John Klingberg, que não era considerado uma estrela no draft, mas com o passar dos anos passaram e o jogador se tornou uma peça fundamental no Dallas Stars. 

    Dessa forma, relembramos nomes que foram selecionados naquele ano e que hoje são verdadeiros ídolos do esporte.

    Taylor Hall: wunderkind, garoto problema e MVP (#1 overall, Edmonton Oilers)

    A primeira escolha daquela noite foi Taylor Hall, right winger canadense que foi escolhido do Windsor Spitfires da Ontario Hockey League (OHL). Hall estava ranqueado em segundo lugar entre os jogadores de linha norte-americanos. Entretanto, seus dois títulos consecutivos da Memorial Cup, dos quais foi MVP em ambas as ocasiões, levaram a equipe de Alberta a escolhê-lo.

    Após chegar em Edmonton com pompa, Hall foi nomeado All-Star em 2011, mas sua primeira temporada na Liga foi encerrada após o canadense lesionar seu tornozelo no final de uma briga contra Derek Dorsett. Com isso, a temporada de 22 gols e 20 assistências em 65 jogos não foi o bastante para o atleta chegar até os finalistas do Calder Trophy (melhor novato). 

    Em 2012, por sua vez, o winger teve sua temporada encerrada após a constatação de que ele precisaria de uma cirurgia no ombro. No período desde que fora draftado, Hall viu sua equipe ter a primeira escolha três vezes, selecionando Ryan Nugent-Hopkins, Nail Yakupov e Connor McDavid. Neste meio tempo, rumores de que Hall teria um comportamento problemático no vestiário e fora das arenas passaram a circular.

    Contudo, a chegada de McDavid colocou o canadense em um lugar inédito, o de liderança e mentoria, já que o atual capitão dos Oilers viveu com Hall durante o seu primeiro ano na Liga. O choque veio quando, em junho de 2016, Hall foi trocado para o New Jersey Devils por Adam Larsson.

    Em Newark, o winger encontrou sucesso com a equipe dos Devils e foi para os playoffs pela primeira vez em sua na carreira. Após uma temporada de destaque, em 2018 ele conquistou o Hart Trophy de MVP da temporada regular da NHL. Todavia, o projeto dos Devils não obteve o resultado esperado nas duas temporadas seguintes, o que fez com que Hall se tornasse um alvo para outras equipes. Prestes a se tornar free agent, o winger foi trocado para o Arizona Coyotes em dezembro de 2019.

    Tyler Seguin: das festas para o rodeio (#2 overall, Boston Bruins)

    O center canadense foi selecionado do Plymouth Whalers da OHL com a escolha que o Boston Bruins recebeu de Toronto quando trocaram Phil Kessel. Em seu primeiro ano na Liga, Seguin participou do All Star Weekend, marcou 22 pontos e conquistou a Stanley Cup.

    Depois de não ser relacionado durante os dois primeiros rounds dos playoffs daquele ano, Seguin estreou contra o Tampa Bay Lightning. Aos 19 anos o canadense se tornou o primeiro adolescente a anotar quatro pontos em um jogo da pós-temporada desde Trevor Linden, do Vancouver Canucks, em 1989.

    Em 2012, durante o lockout, Seguin defendeu o EHC Biel da Suíça enquanto a temporada da NHL estava suspensa. Após o retorno da Liga, o Boston Bruins chegou à final da Stanley Cup, perdendo para o Chicago Blackhawks. Com esses playoffs vieram as polêmicas, e Seguin foi inclusive cortado de um jogo por perder o café da manhã da equipe. 

    Na intertemporada de 2013, Seguin foi trocado para o Dallas Stars, onde atua até hoje. Desde que estreou pela equipe, o canadense já marcou 510 pontos, mas a equipe texana foi para os playoffs em apenas três ocasiões (2013/2014; 2015/2016; 2018/2019). Em setembro de 2018 Seguin assinou uma extensão contratual de oito anos, avaliada em quase 80 milhões de dólares.

    Jeff Skinner: em busca pelo fim da mediocridade (#5 overall, Carolina Hurricanes)

    O left winger foi escolhido do Kitchener Rangers da OHL e estreou profissionalmente contra o Minnesota Wild. Durante o All Star Game de 2011 Skinner substituiu Sidney Crosby e, na época, se tornou o jogador mais jovem a participar do evento. No final da sua temporada de estreia, o canadense venceu o Calder Memorial Trophy, desbancando Logan Couture e Michael Grabner.

    Depois do sucesso de sua primeira temporada, Skinner assinou sua renovação em 2012, por mais de 34 milhões em seis anos. Entretanto, sua produção foi muitas vezes interrompida por diversas concussões, que inclusive causaram preocupação acerca da longevidade da carreira do winger. Depois de oito temporadas, sendo duas como alternate captain, o canadense foi trocado para o Buffalo Sabres em 2018.

    No ano seguinte ele estendeu seu compromisso com a equipe por mais oito anos, pela bagatela de 9 milhões por temporada. É importante mencionar que Skinner nunca jogou nos playoffs da NHL, nem durante a época nos Canes quanto em Buffalo. Foi apenas após troca de Skinner que Carolina começou a renovar sua equipe.

    Vladimir Tarasenko: da Sibéria para o meio-oeste (16th overall, St. Louis Blues)

    O russo foi draftado em 16º no primeiro round pelo St. Louis Blues, diretamente do Sibir Novosibirsk da Kontinental Hockey League (KHL). Um ano antes ele havia sido o novato revelação na primeira temporada da história da KHL. 

    Em janeiro de 2012 o atleta foi trocado da equipe que o revelou para o SKA Petersburg e em junho daquele ano anunciou que iria para a América do Norte. Entretanto, com o lockout, que atrasou a temporada da NHL, o atleta participou dos 48 jogos do St. Louis Blues na temporada reduzida, marcando um gol em seu primeiro jogo na Liga, contra o Detroit Red Wings. 

    Desde seu début na Liga, o russo já teve duas temporadas com pelo menos 30 gols nos últimos cinco anos, feito compartilhado com seu compatriota Alexander Ovechkin. Em junho de 2019, após um período atuações questionadas e muitos rumores de trocas, o atleta venceu a Stanley Cup, primeira vez da franquia de St. Louis.

    Evgeny Kuznetsov: o exorcista de Penguins (26th overall, Washington Capitals)

    O russo foi selecionado do Traktor Chelyabinsk da KHL no primeiro round de 2010, mas estreou pela equipe da capital americana apenas em 2014. Seu primeiro gol da temporada regular foi contra o Los Angeles Kings, em março do mesmo ano, enquanto o seu primeiro feito nos playoffs ocorreu contra o New York Islanders. Na temporada de 2015/2016 o russo substituiu seu capitão, Ovechkin, no All Star Game.

    No verão de 2017 o center estendeu seu compromisso com os Capitals por mais oito anos, com um salário de 7,8 milhões de dólares anuais. Na pós-temporada inaugural de seu novo contrato, Kuznetsov levou a equipe de DC à terra prometida, protagonizando um dos momentos mais icônicos da era moderna da NHL.

    “Os demônios foram exorcizados”, uma das narrações mais icônicas da última década na NHL, quando os Capitals finalmente foram para as finais da Conferência com o gol de Kuznetsov, derrotando os então campeões Pittsburgh Penguins

    Na campanha da conquista da Stanley Cup em 2018 o atleta liderou sua equipe em pontos, com 32 (12 gols e 20 assistências) nos playoffs. Embora tenha tido uma atuação importantíssima durante a pós-temporada daquele ano, Kuznetsov ficou em segundo lugar na votação do Conn Smythe (troféu para o MVP dos playoffs), que foi dado a Ovechkin. 

    Philipp Grubauer: o goleiro do futuro (112th overall, Washington Capitals)

    O alemão iniciou sua carreira na equipe de sua cidade natal, o Starbulls Rosenheim, mas em 2008 se mudou para a América do Norte, onde foi jogar no Belleville Bulls da OHL. Embora tenha sido o reserva em sua primeira temporada, o goleiro conseguiu atingir a titularidade no ano seguinte, possibilitando que fosse mais notado pelos olheiros dos times da NHL. 

    Após ser draftado no quarto round, o Grubauer foi trocado dos Bulls para o Kingston Frontenacs, e no início da temporada da OHL assinou seu contrato com o Washington Capitals. Depois de 38 jogos com a equipe junior, o alemão contraiu mononucleose, terminando sua carreira na OHL, devido à idade de elegibilidade. 

    Na temporada seguinte Grubauer retornou aos Capitals, sendo enviado para o afiliado da equipe na East Coast Hockey League (ECHL), o Reading Royals. Posteriormente o jogador transitou entre a ECHL e a AHL, tendo se firmado como goleiro da NHL apenas em 2017, quando iniciou a temporada sendo reserva de Braden Holtby.

    Em 2018 o alemão se firmou como titular nos últimos 16 jogos da temporada regular, assim como no início dos playoffs, e foi parte importantíssima da conquista da Stanley Cup. Ele substituiu Holtby quando o goleiro titular não estava tendo grandes atuações. Após a conquista do troféu o goleiro foi trocado para o Colorado Avalanche juntamente com Brooks Orpik, preenchendo o vácuo no plantel emergente da equipe da Conferência Central. Em Denver espera-se que o arqueiro seja a espinha dorsal da defesa de uma possível dinastia que conta com Nathan MacKinnon e Cale Makar. 

    John Klingberg: de escolha no quinto round para a realeza dos Stars (131th overall, Dallas Stars)

    O sueco estreou profissionalmente pelo Frolunda HC da Swedish Hockey League (SHL) em 2010, depois de ter iniciado na base do Lerums BK. Em maio de 2011 o defensor assinou seu contrato com o Dallas Stars e foi emprestado ao Jokerit da liga finlandesa, tendo retornado a Suécia na metade da temporada, desta vez para o Skelleftea AIK. 

    No ano seguinte, foi emprestado ao Frolunda HC, onde anotou 11 gols e 17 assistências, totalizando 28 pontos em 50 jogos. Com a eliminação da equipe sueca dos playoffs, o defensor se juntou ao Texas Stars da American Hockey League (AHL) para os jogos restantes. Já em 2014, Klingberg iniciou sua temporada na AHL, mas logo em novembro estreou na NHL contra o Arizona Coyotes.

    Sua primeira ida aos playoffs com a equipe texana foi em 2016, quando anotou um gol e três assistências em 13 jogos, já que sua equipe foi eliminada no segundo round. Em 2018 o defensor representou sua equipe no All Star Game da temporada, na qual atingiu a marca de 67 pontos em 82 jogos.

    Desde então o jogador se posicionou como um dos mais importantes defensores da Liga, estando sempre nas discussões acerca de prováveis candidatos ao Norris Trophy, prêmio de melhor defensor da temporada regular. Além disso, Klingberg também é um dos jogadores de liderança fora do gelo no Dallas Stars, conquistando uma posição importante dentro do vestiário.

    Foto: Reprodução/sportsnet.ca

  • Canadá recebe as Olimpíadas de Inverno 2010

    Canadá recebe as Olimpíadas de Inverno 2010

    O ano de 2010 trouxe ao Canadá, mais precisamente a Vancouver, os tão esperados Jogos Olimpícos de Inverno. Naquele ano, o Canadá bateu recorde de medalhas de ouro como país sede, se tornando assim, o ano dos esportistas canadenses. Para o hockey, a competição foi lendária, afinal, foi a penúltima vez em que os jogadores da NHL participaram de uma Olimpíada. 

    Essa não foi somente a primeira vez que Vancouver sediou as Olimpíadas, mas também a primeira vez que um país participante da NHL foi sede dos Jogos desde a liberação dos jogadores para o evento em 1998. As expectativas eram altas. Foram 16 dias de evento com 15 modalidades em sete esportes. Ao todo, 2.622 atletas de 82 países.

    No hockey, oito equipes femininas e 12 equipes masculinas, entre estes os jogadores que tanto amamos ver na TV. No total eram 141 jogadores da NHL, incluindo nomes como Sidney Crosby, Alex Ovechkin e Joe Pavelski.  

    Apesar de já ter sediado o evento em outras duas ocasiões anteriores, foi a primeira vez em que o Canadá conquistou o ouro em casa. Das 14 medalhas conquistadas pelo país, duas foram pelas equipes feminina e masculina de hockey. Curiosamente, os dois pódios ficaram iguais, pois, além de ambas as equipes canadenses conquistarem o ouro, as pratas ficaram com a equipe dos EUA e os bronzes com a Finlândia.

    Não é surpresa para ninguém que o hockey é um esporte de extrema importância para o público canadense, exemplo disso foi a final da modalidade masculina que foi marcada para finalizar o evento. Como se precisássemos de prova, a competição final das olimpíadas foi uma das mais assistidas pelo público norte-americano. Estima-se que 26,5 milhões de cidadãos canadenses assistiram ao menos uma parte do jogo final entre Canadá e EUA. A NBC Americana afirma que cerca de 27,6 milhões de pessoas assistiram à final, o maior público já documentado desde o “Milagre no Gelo” em 1980.  

    Cerimônia de Abertura

    Apesar da cerimônia de abertura ser um evento de alegria, naquele ano as coisas foram um pouco diferentes. Isso aconteceu porque o atleta de 21 anos da Geórgia, o luger Nodar Kumaritashvili, sofreu um acidente fatal enquanto treinava, poucas horas antes da cerimônia. Com isso, o evento foi dedicado à morte do jovem e os outros atletas da Georgia só participaram do desfile de delegações.

    A cerimônia contou com homenagens à cultura canadense e a participação dos cantores Nelly Furtado e Bryan Adams, que cantaram uma música feita exclusivamente para os jogos. Dando visibilidade aos pontos fortes do país, o hockey foi representado por patinadores in line que simulavam estar no gelo. O jogador Bobby Orr foi um dos convidados a ajudar a levar a bandeira olímpica para a Guarda Montada Canadense.  

    A jogadora Hayley Wickenheiser foi convidada para ler o juramento do atleta em nome de todos que iriam participar dos jogos, enquanto o lendário Wayne Gretzky foi convidado não somente para acender a tocha olímpica, como também uma segunda pira olímpica fora do estádio. A corrida realizada pelo ex-jogador era para ser uma surpresa para o público, porém horas antes a notícia vazou e o mesmo acabou fazendo a corrida acompanhado por fãs.   

    Wayne Gretzky com a tocha olimpica (Foto: Reprodução / olympic.org)

    Essa foi a segunda corrida feita por Gretzky. A primeira foi durante o revezamento da tocha que acontece antes dos jogos. O revezamento também contou com a participação de Sidney Crosby, Cassie Campbell, Mike Fisher, Vicky Sunohara, Brian Burke, Gordie Howe, Pat Quinn, Donald Gauf, Billy Dawe, Shannon Szabados, Meaghan Mikkelson, Mark Recchi, Trevor Linden, Stan Smyl, Richard Brodeur e Walter Gretzky, pai de Wayne Gretzky. 

    Modalidade Feminina

    A competição feminidade foi separada em dois grupos com quatro equipes cada. As seleções do Canadá, EUA, Suécia, Suíça, Eslováquia, Finlândia, Rússia e China deram um show no gelo. Com nomes já conhecidos pelo público, as expectativas para quem ficaria com o ouro eram grandes. A equipe canadense já contava com duas medalhas de ouro em Olimpíadas, não somente isso, eles contavam com Hayley Wickenheiser, líder de pontuação e MVP das Olimpíadas de 2006. A jogadora, que possui uma carreira estelar, menos de dez anos depois foi homenageada e entrou para o Hockey Hall of Fame com a turma de 2019.

    Enquanto isso, os EUA vinham de uma medalha de bronze quatro anos antes, porém com desejo de mudar isso. Naquele ano estrearam algumas jogadoras que hoje são conhecidas pelo público. A estrela da seleção atual, Hilary Knight fez a sua primeira aparição, aos 20 anos, sendo a mais jovem da equipe em 2010. Outra novidade foram as gêmeas Jocelyne e Monique Lamoureux; pela primeira vez gêmeos jogaram hockey juntos nos Jogos Olímpicos.

    As duas seleções deram um show durante a primeira fase, com o Canadá marcando 41 gols (18 deles em apenas uma partida contra a Eslováquia), enquanto a equipe dos EUA marcou 31 gols. As duas equipes com certeza estavam ali para ganhar.

    Na segunda fase, ambas voltaram a fazer bonito. O Canadá jogou contra a Finlândia na semifinal, e ganhou por 5 a 0. Já os EUA jogaram contra a Suécia e ganhou por 9 a 1. Assim as duas rivais avançaram para a final. Numa partida acirrada em que ambas as equipes deram um show, com dois gols marcados por Marie-Philip Poulin, o Canadá se tornou campeão pela terceira vez seguida.

    Seleção Canadense posa com a medalha de ouro ( Foto: Reprodução / inapcache.boston.com)

    Em seus gols, Poulin contou com a assistência de duas jogadoras, Meghan Agosta e Jennifer Botterill, atualmente já aposentada. Por outro lado Meghan e Marie-Philip continuam na ativa e ainda foram parte do All-Star Weekend 2020.

    Este ano, com o desafio exclusivo das mulheres, o Elite Women’s 3-on-3, algumas das jogadoras que brilharam durante as Olimpíadas puderam brilhar novamente e desta vez no palco da NHL. As canadenses Meghan Agosta e Shannon Szabados ganharam o prêmio Directorate Award, Shannon como melhor goleira e Agosta como melhor atacante, além de ter sido nomeada MVP. Enquanto a americana Molly Engstrom ganhou como melhor defensora.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe feminina no Canadá ainda estava em seu início de medalhas, a equipe masculina já tem outra história. Eles já tinham conquistado 7 medalhas de ouro e estavam caminhando para a oitava. Por outro lado, a equipe dos EUA só possuía duas medalhas de ouro e sete de prata. Curiosamente, nenhuma das equipes conseguiu passar das quartas de final nas Olimpíadas de 2006. Em Vancouver, as seleções foram divididas em três grupos com quatro equipes cada.

    As equipes do Canadá e EUA eram composta 100% por jogadores da NHL. Enquanto isso, as equipes da Rússia, Eslováquia, República Tcheca, Suécia e Finlândia eram composta de cerca de 50% jogadores da Liga. Infelizmente isso não foi o suficiente e a maioria delas não passou das quartas de final. Desta forma, Canadá, EUA, Finlândia e Eslováquia compuseram os confrontos das semifinais, com um hockey para ninguém por defeito.

    As equipes norte americanas ficaram empatadas em gols marcados na primeira fase, cada uma com 14. A equipe da Eslováquia marcou 9 e a finlandesa 10 gols. Na final, a disputa foi intensa. A equipe americana queria a todo custo conquistar o ouro, porém os canadenses queriam seguir os passos do time feminino e também vencer em casa.

    Em uma partida acirrada, os jogadores Jonathan Toews e Corey Perry foram os primeiros a balançar a rede para o Canadá. Em seguida foi a vez de Ryan Kesler e Zach Parise empatarem o jogo para os EUA, não dando outra alternativa a não ser ir para overtime. Foi aí que chegou a vez de “Sid the Kid” brilhar. Aos 7:40 do tempo extra, com uma assistência de Jarome Iginla, o jovem Sidney Crosby mandou o puck direto para a rede e conquistou o ouro para seu país. 

    Sidney Crosby comemorando após marcar o gol da vitória. (Foto: Reprodução / olympic.ca)

    O goleiro americano Ryan Miller foi nomeado MVP, além de ganhar o prêmio Directorate Award como melhor goleiro da competição. Os jogadores Brian Rafalski dos EUA e Jonathan Toews do Canadá ganharam os prêmios de melhor defensor e melhor atacante, respectivamente. Jonathan Toews, Brent Seabrook e Duncan Keith, se tornaram os quarto, quinto e sexto jogadores a ganhar a medalha de ouro olímpica e a Stanley Cup (com o Chicago Blackhawks) no mesmo ano. Patrick Kane se tornou o quarto jogador a ganhar a medalha de prata olímpica e a Stanley Cup no mesmo ano.

    As olimpíadas de 2010 fizeram história, mas foi apenas o início da década para aqueles jogadores. Um evento mágico assistido pelo mundo todo que com certeza nunca será esquecido por aqueles que ali estiveram presentes. Infelizmente para nós fãs, os jogadores da NHL tiveram a participação olímpica revogada para os últimos jogos, e não é certo se eles voltarão a participar em breve. Resta-nos torcer para que isso mude, para que assim possamos vê-los brilhar novamente no gelo durante uma competição tão importante.

  • Blackhawks e a conquista da Stanley Cup em 2010

    Blackhawks e a conquista da Stanley Cup em 2010

    O ano de 2010 marcou o início de mais uma década no hockey. Uma década recheada de vitórias, recordes acumulados e times que fizeram história. O Chicago Blackhawks foi um desses. O time ainda não sabia, mas a vitória na final da Stanley Cup em junho do mesmo ano marcaria o início de uma dinastia estabelecida pela equipe nos dez anos que se seguiram. 

    Comandados por Patrick Kane e Jonathan Toews, os Hawks, por fim, levantaram a 4ª Stanley Cup do time após uma das melhores temporadas feitas pela equipe de Chicago em todos os seus anos de existência. 

    Portanto, no primeiro texto do especial da década “10 for 10”, o NHeLas traz a jornada dos Blackhawks até a conquista do campeonato de 2010, que marcou o início da era de ouro do time Liga. 

    O caminho até os playoffs

    A eliminação dos Hawks na final da Conferência Oeste, na temporada 2008/09, deixou um gosto agridoce no time e no torcedor. Apesar da derrota, a equipe finalmente se viu cada vez mais perto de conquistar uma Stanley Cup em muitos anos. O sucesso do time na temporada também foi motivo suficiente para que surgissem grandes expectativas para o time em 2009/10. 

    No entanto, os Hawks tiveram um off-season turbulenta naquele ano. Foram demissões e trades significativas, lesões e polêmicas que tinha potencial para afetar o desempenho do time na temporada. Esta que estava prestes a bater à porta da equipe. Todavia, algumas novas aquisições foram o suficiente para reestruturar o Chicago antes da estreia do time na season. 

    Iniciada a temporada, era notável que os Blackhawks seriam um dos favoritos a conquistar a taça. O time iniciou o ano de 2010 com um recorde de 27-10-3, subindo, desta forma, para o topo do ranking super sixteen da NHL.

    Em abril, Chicago finaliza a temporada com 112 pontos, sendo esta melhor de toda a sua história em pontos adquiridos. Desta forma, o time se classifica para os playoffs em terceiro lugar na classificação geral da Liga, e  liderando a Divisão. Acaba, por fim, em segundo lugar na Western Conference, ficando assim apenas atrás do San Jose Sharks. 

    Os Blackhawks terminam a regular season como o segundo time da NHL com mais vitórias (52). Tendo uma das melhores defesas da Liga, a equipe lidera ainda em shutouts (11). Patrick Kane foi o jogador que mais adquiriu pontos (88), gols (30), e assistências (58). Por fim, a equipe parte para os playoffs com um dos times mais consistentes e ofensivos da Liga e o objetivo de trazer a taça para Chicago novamente. 

    Os playoffs

    Passada a temporada regular, o primeiro desafio dos Hawks foi enfrentar o Nashville Predators. Mas é apenas após vencer o terceiro jogo, somado a vitória no segundo confronto, que o time se vê avançando na competição. Portanto, com 4 vitórias em 6 jogos, os Hawks, por fim, eliminam os Preds na Bridgestone Arena. Desta forma, a equipe finalmente se classifica para a segunda etapa dos playoffs. 

    No segundo round, os Blackhawks enfrentaram os Canucks. Foi o time do Canadá quem se saiu vitorioso no primeiro confronto entre as equipes. O Chicago volta a vencer os 3 jogos seguintes. No entanto, quando perdem o jogo 5, o round acaba avançando para mais uma partida que, caso os Canucks vencessem, poderia ir para um jogo 7. Mas, para o alívios dos torcedores, os Hawks eliminam seu oponente na sexta partida entre os dois times. Desta forma, avançam por fim para a Final de Conferência. 

    O sonho da Stanley Cup se encontrava cada vez mais perto de se realizar para o Chicago. E não foi tão difícil quanto esperavam. Por fim, o time acaba enfrentando os Sharks e vem a derrotar o time de San Jose em apenas 4 jogos. 

    O último desafio dos Blackhawks era contra o Philadelphia Flyers. Apesar de o time da Filadélfia não ter feito uma grande temporada, o Chicago enfrentou um pouco de dificuldades contra a equipe. Mas foram os Hawks quem levaram a melhor nos dois primeiros confrontos do round, vencendo assim ambas as partidas em casa. Seguidamente, perderam os dois jogos para os Flyers, fazendo com que a competição avançasse para um jogo 5 e 6. O time vence o jogo 5 em casa, e parte para disputar na Filadélfia aquela que poderia ser a última partida do round.

    Blackhawks campeão

    O jogo 6 das finais da Stanley Cup foi disputado no dia 9 de junho de 2010, na antiga casa dos Flyers, o Wachovia Center. E não foi uma partida de nominada fácil. Os Hawks enfrentaram 3 períodos regulares contra o Philadelphia e, devido ao empate, mais um período de overtime. 

    No entanto, aos 4:06 da prorrogação, em uma jogada que deixou até mesmo os espectadores confusos, Patrick Kane marca o gol que torna o Chicago Blackhawks o time vencedor da Stanley Cup de 2010. Os Hawks finalmente levantam, na casa de seu oponente, a quarta Stanley Cup conquistada pela franquia em toda a sua história. 

    Jonathan Toews é quem conquista o MVP, liderando os Hawks em pontos nos playoffs (29). Por fim, o jogador também acabou estabelecendo um recorde na franquia por assistências em playoffs, ao marcar 22 na pós-temporada. Duncan Keith também obteve destaque nos playoffs, sendo o jogador do time com mais ice-time (29:01 por jogo). 

    A festa do time é trazida para casa, onde a equipe comemora com uma parade nas ruas de Chicago, que contou com cerca de 2 milhões de torcedores. 

    A parade do time levou cerca de 2 milhões de torcedores às ruas de Chicago.
    Foto: Reprodução/chicagonow.com

    Esta foi a primeira das três Stanley Cups que o Hawks levantaria da década. Chicago venceu também as finais de 2013 e 2015, somando diversos recordes ao longos dos últimos 10 anos e, por fim, eleito o time da década pela própria NHL. É o marco de uma dinastia vitoriosa da franquia na Liga, após muitos anos. 

    Porém, dez anos depois, o time passa por uma grandes mudanças e renovação. Portanto, resta então aos torcedores esperar e torcer para que a próxima década seja de tantas conquistas como a primeira.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • 10 for 10: uma década em um ano

    10 for 10: uma década em um ano

    Em um ano de hockey vivemos muitas emoções.

    Pré-temporada, estreias, Winter Classic, All-Star Weekend, playoffs, draft. Os eventos se repetem, mas sempre temos novos rostos, novos recordes, novas emoções. Isso porque destacamos apenas os eventos da NHL. Em dez anos então, ainda temos duas ou três Olimpíadas, Mundiais em diversas categoriais, várias medalhas conquistadas e alguns grandes nomes a entrar para a história do esporte.

    Pensando nisso, o NHeLas resolveu organizar um especial relembrando os momentos mais marcantes dos anos 2010 no hockey, ao mesmo tempo em que continuamos com a produção de conteúdo regular em nosso site em 2020 para acompanharmos de perto o ano que marca oficialmente o fim desta década.

    De agora até novembro, publicaremos diversos textos que retratam fatos importantes que entraram para a história em cada ano. Assim, começamos em fevereiro, relembrando o ano de 2010, o capítulo final da primeira década do milênio. A Stanley Cup do Chicago Blackhawks, o draft de Taylor Hall e Tyler Seguin, as Olimpíadas de Inverno em Vancouver, entre outros acontecimentos.

    Com uma equipe de dez mulheres envolvidas na retrospectiva dos últimos dez anos, o especial 10 for 10 irá relembrar cada ano da década em um mês diferente. Quando chegarmos em Novembro com o ano de 2019, teremos uma linha do tempo da década prontinha para começarmos uma nova etapa no esporte. Uma etapa em que vêm sendo propostas mudanças. Uma nova fase da modalidade que cada vez mais demanda novas formas de inclusão, tanto por parte de seus atletas quanto pelos torcedores.

    Com estas novas etapas em mente, o NHeLas irá destacar, em dezembro, fatos que para cada uma de nós foi importante na nossa relação com o hockey. Iremos encerrar a década, e o nosso especial, com uma proposta diferente, levantando não apenas fatos, mas também o porque o hockey é um esporte tão especial para nossa equipe.

    Sendo assim, o #10for10NHeLas é uma forma de relembrarmos estes últimos anos de hockey com vocês, leitores. Uma maneira de mostrar o quanto este esporte, muitas vezes tão incompreendido no nosso país, esteve presente em nossas vidas.

    E vocês, lembram-se de onde estavam dez anos atrás? A NHL já tinha entrado em sua vida? Queremos ouvir também a sua história com o esporte, para juntos embarcarmos nessa viagem ao tempo.