Categoria: 10 for 10

  • A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    Três temporadas. Esse foi o tempo necessário para o Chicago Blackhawks conquistar duas Stanley Cups. O time, que foi vencedor da taça em 2010, provou que o sucesso da equipe ainda estava intacto quando levantou a cup pela 5ª vez após mais uma grande temporada.

    E grandes temporadas, repletas de grandes vitórias, merecem ser revisitadas. Por isso, em mais um texto do especial “10 for 10”, nós damos início ao ano de 2013 relembrando os melhores momentos da conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    O caminho até os playoffs

    Os Blackhawks, assim como os demais times da NHL, não iniciaram a temporada 2012/13 da melhor maneira. Isso porque, ainda durante a pré temporada, a season foi cancelada devido ao lockout. Este que teve início em Setembro de 2012 e se prolongou até Janeiro de 2013. Desta forma, a temporada, que tinha 82 jogos marcados no calendário, foi reduzida a 48 partidas.

    A season foi limitada a apenas jogos de conferência e divisão. Por fim, os Hawks não jogaram com nenhum time da Conferência Leste. Ou seja, durante a temporada regular, o time apenas jogou contra equipes da Conferência Oeste (da qual faz parte). A equipe disputou 3 jogos contra times que não pertenciam a sua divisão (Central). Porém, contra a Divisão Central, os Hawks acabaram por disputar mais partidas. Foram 4 jogos contra os Red Wings e Blue Jackets, e mais 5 contra os Predators e Blues.

    Em janeiro, quando a temporada teve seu start, o time fez uma de suas melhores estréias na NHL em anos. Se mantiveram invictos por 24 jogos, perdendo apenas em SO em 3 destas partidas. No início de março, a equipe havia se tornado um dos melhores times da temporada. Liderava as tabelas e contava com um elenco de jogadores que foram protagonistas de grandes partidas ao longo de toda a temporada.

    Por fim, a season é foi finalizada em 31 de março de 2013. Os Blackhawks terminaram a temporada com record de 36-7-5, sendo este um dos melhores da temporada 2012/13. A equipe liderou a Divisão Central e a Conferência Oeste com 77 pontos. A última, portanto, resultando na conquista do Presidents’ Trophy, por ter sido o time que mais pontuou durante a temporada.

    Assim, os Hawks garantem sua passagem aos playoffs, levando na mala o brinde de serem um dos favoritos à taça.

    Os playoffs

    Era a quinta vez consecutiva que o time se classificava para os playoffs. E por serem vencedores do Presidents Trophy, a equipe tinha, portanto, a vantagem do home-ice. E o primeiro adversário do time na pós-temporada foi o Minnesota Wild. O Chicago venceu os dois primeiros jogos em casa, no United Center. No entanto, acaba perdendo o jogo 3 no Xcel Energy Center, casa do seu oponente. O Chicago volta a vencer o 4º jogo também em Minnesota, e ao levar a vitória no jogo 5, acabam se classificando para a próxima etapa.

    Enfrentar os Red Wings no 2º round não foi uma tarefa fácil. O Hawks venceu o primeiro jogo em casa, mas acabou perdendo os outros três que se seguiram. Destas derrotas, uma delas foi em casa, e as outras duas foram na Joe Louis Arena, lar do Detroit. Assim, o Chicago precisaria vencer o jogo 4 para avançar o round para uma 5ª partida. E foi o que aconteceu. O time volta para casa e vence o jogo 5 diante de seus torcedores, e em Detroit, conquista a vitória  do jogo 6. Por fim, disputando o jogo 7 no United Center, os Hawks levam a melhor e avançam para a tão esperada Conferência Final.

    Aqui, o adversário era o L.A. Kings. Novamente, os Hawks levam a vitória nos dois primeiros jogos, disputados em casa. Perdem a próxima partida, mas acabam vencendo o jogo 4. Na 5ª partida, que acabou indo para OT, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede e finaliza o jogo, garantindo assim a vitória dos Hawks e uma passagem para o último round.

    Finais da Stanley Cup. O último adversário dos Hawks era o Boston Bruins. O time, que vinha de um 4º lugar na Conferência Leste, também seria um oponente de peso para o Chicago. Ainda sim, conseguiram conquistar uma vitória por 4 a 3 sobre os Bruins no primeiro jogo do round. No entanto, acabaram derrotados pelo time de Boston nos próximos dois jogos. Na 4ª partida, o time se recupera e as coisas só melhoram.

    Chicago Blackhawks campeão

    Apesar da vitória no jogo 4 e 5, uma 6ª partida precisou ser disputada. Isso porque, caso o Boston vencesse o jogo 6, o round seria empatado, e o round avançaria para um jogo 7. Ou seja, nada era garantido, e o Chicago precisava, portanto, da vitória no 6º jogo para levar o campeonato.

    A sexta, e que viria a ser a última, partida, foi disputada na casa dos Bruins, o TD Garden, diante da maioria dos torcedores do Boston. Com um gol dos Bruins no primeiro período, e um dos Hawks no segundo, a partida reinicia empatada no terceiro.

    Todavia, ao fim do último período, após gols de ambos os times, a partida empata novamente. Qualquer um dos times poderia sair do gelo campeão. No entanto, quem leva a melhor é o Chicago, quando Dave Bolland coloca o puck no fundo da rede e, assim, aumenta a vantagem dos Hawks.

    O apito final é soado. E após uma das temporadas mais intensas dos últimos anos da NHL, o Chicago Blackhawks se torna o campeão da Stanley Cup 2013. O segundo título do time na década, mas a 5ª vez em que tem seu nome marcado na taça em toda a sua história. 

    O time se tornou a 8ª equipe da NHL a vencer o Presidents Trophy e a Stanley Cup na mesma temporada. Após uma grande temporada, Patrick Kane acaba levando o troféu  Conn Smythe Trophy como o MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. Assim, ele se torna o primeiro forward estadunidense a levar o troféu. A vitória também fez Joel Quenneville se tornasse o único técnico ativo na NHL a conquistar duas Stanley Cups. 

    Após a entrega da taça em Boston, o time volta para Chicago, onde celebra, junto de seus torcedores, a vitória do campeonato em uma Parade que lotou as ruas da cidade das cores do time. 

    Um ótimo início de década para o Chicago, ninguém pode negar. As coisas voltam a ficar mais interessantes na temporada 2014/15, mas isso é história para outro texto.

  • Draft Class de 2012: onde estão

    Draft Class de 2012: onde estão

    Diferentemente de anos anteriores, assim como os que viriam a seguir, o draft de 2012 não teve um top3 de encher os olhos. Na verdade, é possível dizer que seus jogadores mais importantes foram pinçados no decorrer do evento. A first pick foi, pelo terceiro ano consecutivo, do Edmonton Oilers, que optou selecionar um atacante pela terceira vez. 

    O draft de 2012 aconteceu em 22 e 23 de junho daquele ano, na cidade de Pittsburgh. O ano marcou a última vez em que apenas os cinco piores times participaram da loteria, fazendo Edmonton pular da segunda posição para a primeira. Vamos analisar, além do top3, alguns dos principais nomes que saíram da seleção deste ano.

    NAIL YAKUPOV, RW, EDMONTON OILERS (#1 overall): de volta à minha terra

    O russo começou sua carreira no time de sua cidade natal, Reaktor Nizhnekamsk, na liga juvenil da Rússia. Aos 16 anos o jogador foi selecionado pelo Sarnia Sting da Ontario Hockey League (OHL), no Import Draft (a forma como atletas estrangeiros são escolhidos) da Canadian Hockey League (CHL). No decorrer de seu ano de estreia pela equipe, Yakupov se destacou. Além disso, foi o primeiro jogador da história do Sting a ganhar o troféu de rookie do ano. 

    Ranqueado como o primeiro patinador da América do Norte, Yakupov foi selecionado com a primeira escolha e já assinou um contrato com os Oilers. Entretanto, embora o clube desejasse que o russo voltasse à OHL durante o lockout de 2012, o atleta decidiu jogar em seu país natal. Ocorre que o acordo entre a CHL e a NHL impede que um atleta com contrato e idade para jogar major juniors atue fora de uma das duas ligas. 

    Assim, por irregularidades junto à IIHF, o russo retornou ao Sarnia Sting momentaneamente, antes de receber permissão da Hockey Canada para voltar à KHL. Em janeiro de 2013, com o fim do lockout, Yakupov voltou aos Oilers, marcando seu primeiro gol contra o San Jose Sharks. Na temporada reduzida o russo marcou 31 pontos em 48 jogos, mas seu desempenho nos anos seguintes gerou insatisfação no clube canadense. 

    Depois de campanhas modestas com Edmonton, em 2016 ele foi trocado para o St. Louis Blues, onde não teve números bons e sofreu uma lesão no joelho que encerrou sua temporada. Por falta de interesse da equipe de Missouri, o russo se tornou um unrestricted free agent em 2017. Ele então assinou um contrato de um ano com o Colorado Avalanche por menos de um milhão de dólares. Ao ser novamente um UFA no ano seguinte, Yakupov decidiu retornar à KHL, desta vez para atuar pelo SKA St. Petersburg, onde joga até hoje. 

    RYAN MURRAY, D, COLUMBUS BLUE JACKETS (#2 overall): Mr. Glass de Ohio

    O defensor canadense passou sua carreira no major juniors atuando pelo Everett Silvertips da Western Hockey League (WHL), de 2008 a 2013. Murray foi peça importante da defesa do time, tendo sido inclusive nomeado capitão no início de seu terceiro ano. Às vésperas do draft, o jogador era o segundo no ranking da América do Norte, tendo sido escolhido por Columbus com a segunda escolha. 

    Murray assinou seu primeiro contrato profissional após o draft, em 2012. Entretanto, uma lesão em novembro do mesmo ano o tiraram do resto da temporada da WHL e, consequentemente, da NHL. Aqui começaria um histórico de lesões que o perseguiriam durante sua carreira. O defensor estreou contra o Calgary Flames e marcou seu primeiro gol contra o Toronto Maple Leafs.

    Em suas cinco primeiras temporadas Murray perdeu cerca de 35% das partidas que poderia ter disputado. O atleta já sofreu lesões no joelho, fratura na mão, dentre outras contusões na carreira de sete anos. Em 2016 a equipe de Ohio estendeu seu compromisso com o defensor por mais dois anos, com um contrato avaliado em 5.65 milhões de dólares. Entretanto, em 2018, o histórico do canadense pesou e ele assinou apenas uma qualifying offer no valor de pouco mais de 800 mil dólares.

    ALEX GALCHENYUK, LW, MONTREAL CANADIENS (#3 overall): o viajante das quatro divisões

    Assim como Yakupov, Galchenyuk também jogou no Sarnia Sting da OHL e foi selecionado em terceiro pelo Montreal Canadiens. Durante o lockout de 2012, o americano (que tem origem bielorrussa) retornou à equipe de juniors, marcando 27 gols e 34 assistências em apenas 33 jogos. Desta forma, Galchenyuk chegou a Montreal com muitas expectativas sobre seus ombros. O clube se trata de um original six e tem uma das torcidas mais fanáticas do hockey.

    Seu primeiro gol foi contra o Florida Panthers e o atleta terminou a temporada com 27 pontos em 48 jogos, uma campanha respeitável para um rookie. Os anos seguintes foram feitos de altos e baixos para o jogador. Ele passou por lesões e problemas pessoais que fizeram com que o americano sempre estivesse cercado de rumores sobre uma possível troca. Depois de marcar 20 e 30 gols em temporadas consecutivas, o rendimento ofensivo do winger caiu. 

    Além disso, o clube desejava que o atleta passasse a atuar como center, gerando muita resistência de sua parte. O desgaste entre jogador e time resultou na troca com o Arizona Coyotes em 2018, que enviou Max Domi para Montreal. Com 41 pontos em 72 partidas, Galchenyuk foi trocado na off-season seguinte para o Pittsburgh Penguins, onde não obteve muito sucesso. Após menos de um ano com o clube, ele foi enviado para o Minnesota Wild na troca que levou Jason Zucker aos Pens.

    MORGAN RIELLY, D, TORONTO MAPLE LEAFS (#5 overall): a primeira peça do quebra-cabeças 

    A postura do defensor canadense transmite a maturidade de um verdadeiro veterano. Rielly, com seus sete anos de NHL, é uma das principais estrelas da equipe de Toronto. Antes de estrear como profissional, o atleta jogava pelo Moose Jaw Warriors da WHL, mas uma lesão séria no joelho impediu que ele jogasse grande parte de sua temporada de elegibilidade. Mesmo assim, ele foi ranqueado em quinto lugar entre os patinadores norte-americanos e foi escolhido justamente em quinto pelo  Toronto.

    Com o lockout bloqueando o início da temporada na NHL, Rielly fez sua estreia profissional pelo Toronto Marlies da American Hockey League (AHL) em 2012. Seu primeiro jogo na Liga ocorreu apenas na temporada seguinte, contra o Ottawa Senators. Embora os Leafs tenham tido campanhas complicadas até a chegada de Auston Matthews, o defensor sempre foi visto como parte do futuro da equipe, adquirindo inclusive um papel importante de liderança.

    Em 2016 o canadense estendeu seu contrato com Toronto por mais seis anos, por cerca de cinco milhões anuais. No mesmo ano, a equipe foi rejuvenescida com a chegada de Matthews e Mitch Marner, e Rielly se consolidou como o 1D do time. Os 72 pontos que ele fez na temporada 2018-2019 marcaram a primeira vez desde 1980 que um defensor atingiu esta marca pelo clube. 

    Entretanto, apesar do sucesso na Liga, Rielly se envolveu em uma polêmica em março de 2019. Um microfone da transmissão captou o defensor supostamente usando um termo homofóbico. Após uma investigação, a NHL constatou que não havia passado de um mal entendido. Rielly, por sua vez, participou da Parada do Orgulho Gay de Toronto em 2019, juntamente com o GM Kyle Dubas.

    FILIP FORSBERG, LW, WASHINGTON CAPITALS (#11 overall): a invasão sueca na Music Row 

    Depois de se destacar em competições juniores pela seleção sueca, Forsberg chegou ao draft ranqueado como o melhor atacante da Europa. Assim, foi selecionado pelo Washington Capitals em 11º e assinou seu contrato no development camp daquele mesmo ano. O sueco foi emprestado para o Leksands IF, equipe que o revelou. Assim, ajudou o time a ser promovido para a Swedish Hockey League (SHL) novamente.

    Porém, em abril de 2013 o jogador foi trocado para o Nashville Predators por Martin Erat e Michael Latta. Após o fim da temporada sueca, ele fez o seu primeiro jogo pelos Preds contra o Detroit Red Wings. O sueco estreou na temporada 2012/2013 e passou o ano seguinte alternando atuações entre os Preds e o seu time da AHL, o Milwaukee Admirals. Entretanto, a partir da temporada 2014/2015 Forsberg se tornou uma peça importante para o ataque de Nashville. O jogador foi inclusive um dos representantes da equipe no All Star Game de 2015.

    Forsberg passou a ter números expressivos, especialmente no quesito gols, sendo inclusive o primeiro jogador da história da franquia a marcar dois hat tricks em uma mesma temporada. Após duas temporadas com mais de 30 gols, o sueco passou a fazer parte do grupo de liderança da equipe, recebendo um A. Atualmente, o jogador está nos anos finais do contrato de seis anos que assinou em 2016, avaliado em 6 milhões anuais.

    ANDREI VASILEVSKIY, G, TAMPA BAY LIGHTNING (#19 overall): “Big Cat” to the Rescue

    Goleiros raramente são selecionados no primeiro round, mas desde o draft Vasilevskiy já demonstrou que era diferente da maioria. Ranqueado como o primeiro goleiro europeu, o russo iniciou sua carreira no Salavat Yulaev Ufa da KHL, assinando seu primeiro contrato com o Lightning apenas em 2014.

    Embora seu início na América do Norte, jogando pelo Syracuse Crunch da AHL, tenha sido positivo, em setembro de 2015 o russo passou por um problema de saúde. O goleiro teve um coágulo sanguíneo retirado das proximidades de sua clavícula e ficou alguns meses afastado do rinque enquanto se recuperava.

    Com números extremamente positivos, Vasilevskiy se tornou um dos pilares da forte equipe de Tampa, com uma SV% de .919 e média de 2.55 gols concedidos. Além de ter sido um All Star por três anos consecutivos, 2018, 2019 e 2020, o russo ganhou o Vezina Trophy, dado ao melhor goleiro da Liga, no NHL Awards de 2019. Na última temporada ele assinou um novo contrato com o Lightning que se estende até 2027/2028 por cerca de 9.5 milhões anuais.

    SHAYNE GOSTISBEHERE, D, PHILADELPHIA FLYERS (#78 overall): o fantasma do Wells Fargo Center

    Natural da Flórida, o defensor americano começou no hockey através do programa infanto-juvenil do Florida Panthers, tendo optado pela carreira universitária após terminar o ensino médio. Com a equipe da Union College, Gostisbehere ganhou o Frozen Four, campeonato nacional das equipes universitárias, se destacando como uma das estrelas da sua equipe.

    Embora o defensor tenha iniciado sua carreira profissional em 2014 na AHL, ele sofreu uma lesão no ligamento cruzado  no início da temporada, encerrando sua participação naquele ano. Na temporada seguinte, o americano começou jogando pelo Lehigh Valley Phantoms, mas após o primeiro mês na AHL foi acionado pelos Flyers para jogar na NHL.

    Com uma temporada memorável que incluiu uma streak de 15 jogos pontuando, o defensor foi um dos finalistas do Calder Trophy. Embora sua campanha tenha sido significativa, Gostisbehere perdeu o prêmio para Artemi Panarin. Em 2017 o americano assinou um contrato de seis anos, avaliado em aproximadamente 4.5 milhões anuais.

    Conhecido por seu estilo extremamente ofensivo, o defensor é um tópico sensível para a torcida de Philadelphia, que se tornou cada vez mais frustrada com suas atuações. Isto porque Gostisbehere conseguiu replicar a performance de seu ano de estreia apenas uma vez e, consequentemente, é um nome que sempre faz parte de rumores de trocas com outras equipes.

    MATT MURRAY, G, PITTSBURGH PENGUINS (#83 overall): o novato sensação do bicampeonato

    O goleiro canadense jogou os quatro anos de elegibilidade da OHL pelo Sault St. Marie Greyhounds, terminando sua carreira no major juniors com uma SV% de .921. Já no sistema do Pittsburgh Penguins, Murray estreou pelo Wilkes-Barre Scranton Penguins após o fim de sua temporada da AHL e, no ano seguinte, teve a impressionante SV% de .941 em 40 jogos disputados.

    A estreia de Murray na NHL se deu em dezembro de 2015, mas o início de sua história na franquia se deu em fevereiro do ano seguinte, quando ele atuou em nove partidas da temporada regular. Com uma campanha impecável, o canadense se tornou o titular do gol dos Penguins na campanha de 2016 e foi apenas o sexto goleiro rookie desde 1976 a começar uma partida nas finais. 

    Campeão da Stanley Cup, Murray foi se apossando da titularidade do gol de Pittsburgh, e por pouco o canadense não foi um dos finalistas do Calder Trophy. Isto porque ele não havia jogado o número de partidas necessário para ser tido como rookie no ano anterior, apesar de ter sido o titular em uma porção considerável da pós temporada. Ao final de 2016/2017, Murray foi novamente campeão da Stanley Cup, curiosamente ganhando nos dois anos com status de novato.

    Com a ida de Marc-André Fleury para o Vegas Golden Knights no draft de expansão (2017), o canadense se fixou como o titular absoluto dos Penguins. Seus números de carreira são SV% de .914 e uma média de 2.67 gols sofridos. O goleiro está no terceiro e último ano de seu contrato, avaliado em 3.75 milhões anuais.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Hampus Lindholm, D, Anaheim Ducks (#6)

    Revelado pelo Rögle BK da SHL, Lindholm também foi campeão no mundial de 2018 pela seleção da Suécia.

    Matt Dumba, D, Minnesota Wild (#7)

    Conforme foi adquirindo experiência na NHL, Dumba se tornou o parceiro de defesa de Ryan Suter, mas constantemente tem seu nome vinculado em rumores de trocas.

    Jacob Trouba D, Winnipeg Jets (#9) – atualmente jogador do New York Rangers

    O defensor se recusou a assinar uma extensão com os Jets, e teve seus direitos trocados de Winnipeg para o New York Rangers.

    Tom Wilson, RW, Washington Capitals (#16)

    Apesar dos (inúmeros) problemas disciplinares, Wilson foi peça importante na campanha vitoriosa do Washington Capitals em 2018.

    Teuvo Teravainen, LW, Chicago Blackhawks (#18) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Campeão da Stanley Cup por Chicago, o finlandês passou a ser uma figura importante do elenco do Carolina Hurricanes após ser trocado para a equipe.

    Frederik Andersen, G, Anaheim Ducks (#87) – atualmente jogador do Toronto Maple Leafs

    Por não ter chegado a um acordo com o Carolina Hurricanes, time que o draftou em 2010, o dinamarquês se inscreveu novamente para o draft de 2012, sendo selecionado por Anaheim, onde começou sua carreira na NHL.

    Connor Hellebuyck, G, Winnipeg Jets (#130)

    Finalista do Vezina Trophy em 2018, o goleiro americano estava entre os nomes mais cotados para o troféu deste ano, antes da paralisação da Liga.

    (Foto: SarniaSting.com/Reprodução)

  • Sidney Crosby: de lesões ao contrato “eterno” com os Pens

    Sidney Crosby: de lesões ao contrato “eterno” com os Pens

    Nascer no Canadá e jogar hockey é quase um sinônimo. Para Sidney Crosby não foi diferente. O capitão do Pittsburgh Penguins tem jogado hockey por toda a sua vida, sendo considerado um prodígio desde que calçou os patins pela primeira vez. Esse destaque lhe rendeu muitas coisas, dentre ela seus dois apelidos: Sid the Kid e The Next One. Os anos passaram e Crosby continuou a se destacar no gelo, lhe proporcionando ser a primeira escolha no draft de 2005. 

    Sua estréia na NHL aconteceu no dia 5 de outubro daquele mesmo ano. Pouco mais de dois meses depois Sidney se destaca novamente, desta vez sendo nomeado capitão assistente no dia 15 de dezembro de 2005. Esse fato, foi o  início do que seria anos de críticas como o “queridinho da NHL” e sua rivalidade com Alex Ovechkin. 

    Ganhador de três Stanley Cups, uma em 2009 e as outras duas em 2016 e 2017, Crosby coleciona recordes e prêmios durante a sua carreira na NHL. Porém, nem tudo são flores em sua carreira. Conhecido pelo grande desempenho no gelo, Sidney tem sido alvo de hits e brigas desde o início, fazendo com que sua lista de lesões seja tão extensa quanto a de recordes. 

    Entretanto, a temporada 2011-12 trouxe ainda mais evidência para essa lista tão preocupante que marcou para sempre em sua história. Em apenas um ano, o jogador sofreu três concussões que colocou a sua carreira em risco. Enquanto o ano de 2011 foi conturbado para a sua saúde o ano de 2012 foi a volta por cima. Em poucos meses o jogador conseguiu além de mostrar um excelente potencial no gelo também garantir uma extensão de contrato para mais 12 anos.

    O começo de tudo

    O ano de 2011 já começou agitado para Sidney Crosby. No dia 1° de janeiro o jogador sofreu uma concussão, e a partir daí o ano se tornou conturbado para a saúde do jogador. Menos de uma semana depois, Crosby  sofreu uma segunda concussão e, desta vez, se afastando indeterminadamente. Os meses se passaram, no entanto a recuperação do jogador não progrediu muito. Mesmo após mais de seis meses depois, Sid ainda sofria com os sintomas. Chegou ao ponto da mídia especular uma possível aposentadoria e o fim de uma carreira que ainda prometia muito.

    Com relatórios constantes e muitas visitas a especialistas, após sofrer com os sintomas por quase 9 meses, o jogador ainda não tinha previsão de quando retornaria ao gelo. Colocando em dúvida se iria ou não estar treinando com o time em setembro e até mesmo se participaria da temporada seguinte.

    Durante o training camp, o canadense compareceu aos treinos com seus companheiros de equipe. No entanto ainda não possuía a liberação para o treino de contato. Tudo continuava muito incerto. Em outubro, apesar de ainda não estar totalmente liberado para os treinos, o jogador entrou para a escalação como injured reserve. Assim, dando a entender que poderia voltar a qualquer momento. 

    No dia 13 de outubro veio uma notícia boa: o jogador estava enfim liberado para estar participando 100% dos treinos porém ainda permaneceria um bom tempo sem brilhar no gelo. Até que o dia tão aguardado por ele e seus fãs chegaram, “Sid the Kid” estava de volta e dando um show. No dia 21 de novembro de 2011 em uma partida contra o New York Islanders o jogador brilhou no gelo. Com dois gols e duas assistências Crosby mostrou o que faz de melhor e que os 10 meses parados não iam interferir em seu rendimento. 

    Infelizmente, apenas alguns jogos depois, o jogador sofreu outro golpe e precisou ser afastado novamente. Conquistando 12 pontos em oito jogos, o ano acabou com Crosby na lista de jogadores lesionados novamente. 

    A volta por cima

    O capitão dos Penguins permaneceu afastado por mais alguns meses, tomando a decisão que só retornaria ao gelo quando estivesse 100% saudável. Sua volta aconteceu no dia 15 de março de 2012 em uma partida disputada contra o New York Rangers. Mesmo tanto tempo parado, Crosby marcou uma assistência na vitória do Pens por 5 a 2. Dessa forma, esse jogo marcava seu retorno definitivo pelo resto da temporada. 

    Em 2011-12 Crosby participou de apenas 22 jogos na temporada regular, menos da metade do que costuma jogar. Metade até mesmo do que jogou na temporada anterior, que foram 41 jogos durante a temporada regular. No entanto, mesmo com poucos jogos, Sid marcou oito gols e 29 assistências somando 37 pontos, incluindo seu 600º ponto na carreira. 

    Ainda em 2012 os Penguins conquistaram uma vaga nos playoffs, no entanto foram eliminados pelo Philadelphia Flyers num jogo 6 ainda no primeiro round. Porém nem tudo era motivo de tristeza. Poucos meses depois, durante a intertemporada, para a alegria dos fãs, Crosby assinou uma extensão de seu contrato com o time de Pittsburgh. Em seu novo contrato, Sidney solidifica seu lugar nos Penguins até o final de 2024-25 quando terá 37 anos. 

    Como o bom supersticioso que é, o jogador decidiu manter seu teto salarial anual de 8,7 milhões de dólares. Desta forma, Crosby irá receber 104,4 milhões de dólares pelos 12 anos com a equipe. O fato de manter seu teto salarial foi muito bem visto já que isso possibilita seu time  assinar com outros jogadores com salários altos também.  

    A temporada seguinte seria promissora para o canadense, no entanto a Liga entrou em um lockout em 15 de setembro de 2012 e o mesmo só chegou ao fim em janeiro de 2013. Durante os 119 dias de bloqueio, Crosby participou de diversas reuniões entre os proprietários da NHL e a NHLPA (National Hockey League Players Association). Além de ter continuado a treinar e ter participado de jogos de exibição abertos ao público com outros jogadores que não foram jogar na Europa. 

    Crosby e suas lesões

    Sidney Crosby é o que muitos consideram um jogador completo. Ainda hoje, o capitão dos Penguins continua sendo um jogador de destaque na equipe, dessa forma, continua sendo um alvo de hits pesados no gelo.  No documentário “Ice Guardians” lançado em 2016, estima-se que Crosby seja o jogador que mais sofreu lesões na carreira. Inclusive, em um único ano ele sofreu mais lesões que o Wayne Gretzky sofreu em toda a sua carreira. 

    O fato de Crosby ter assinado um contrato mesmo após um ano praticamente parado não foi de surpresa para ninguém. Isso porque todos sabiam que os Penguins fariam o possível para segura-lo no time afinal, o que “Sid the Kid” representa no gelo é o que os times mais temem: um jogador que marca gols e faz assistências de maneira única. Infelizmente, para ele, todo esse sucesso no gelo tem cobrado um preço enorme de sua saúde. Apesar de não ter sofrido com sintomas das concussões igual sofreu em 2011, o jogador tem uma ficha médica bastante considerável. 

    Por isso, seu histórico colabora ao questionarmos: até que ponto é esporte e onde começa a brutalidade desnecessária? O canadense é só mais um nas estatísticas de jogadores lesionados e que levará sequelas disso pelo resto da vida. A NHL até penaliza alguns desses hits e brigas, no entanto, somente isso não é necessário para que essa brutalidade extrema chegue ao fim.  

    Com outras inúmeras concussões e lesões no joelho principalmente, muitos levantaram a hipótese se Sidney Crosby continuaria sua carreira após seu aniversário de 30 anos. Afinal será uma lesão que colocará um fim na carreira do jogador ou ele conseguirá se aposentar enquanto estiver saudável? 

    Foto: Reprodução / cbc.ca

  • O lockout de 2012 e suas repercussões

    O lockout de 2012 e suas repercussões

    Com o final da temporada 2011-12, o Collective Bargaining Agreement (CBA) entre a NHL e a NHL Players’ Association (NHLPA), que fora estabelecido após o lockout de 2004, chegou ao fim. Assim, as duas entidades iniciaram as negociações para estabelecer um novo acordo coletivo. Entretanto, após o prazo de negociações findar-se, as partes não chegaram um acordo, o que gerou uma nova paralisação da Liga.

    O que é um lockout (locaute)?

    O lockout tem a sua origem semântica na expressão inglesa “to lock out“, que significa “trancar para fora”. Ele nada mais é do que um fechamento patronal.

    Isto porque sua origem vem de uma disputa industrial entre os empregadores e seus trabalhadores, em uma situação em que o patrão impede os seus funcionários de terem acesso ao seu trabalho, seja deixando-os de fora do local onde exercem sua função laboral ou deixando de aceitar o que é oferecido.

    Enquanto a greve é um direito do trabalhador, o lockout é uma prática proibida em muitos países, inclusive no Brasil. A razão para esta proibição reside no fato de ser considerada uma ofensa à liberdade de trabalho, pois é um mecanismo pelo qual o empregador pressiona seus funcionários, visando que eles cedam em algum aspecto da relação trabalhista.

    Contexto histórico dos lockouts nos esportes

    A existência de paradas forçadas das atividades não é uma exclusividade da NHL. As três outras grandes ligas profissionais norte-americanas, NBA, NFL e MLB, passaram pela mesma situação em diversos momentos. A principal fonte de discussão é, sem dúvidas, a divisão da receita entre os donos dos clubes e os atletas que atuam na Liga. 

    Antes dos anos 1990, as paradas nas ligas esportivas eram, em sua maioria, greves. Entretanto, conforme a comercialização dos esportes enquanto produtos, além da expansão para outros mercados e as assinaturas de contratos estratosféricos com as emissoras de televisão, a situação passou a mudar. 

    Os donos dos clubes perceberam que era financeiramente mais viável promover o lockout do que ficar a mercê de uma greve. Desta forma, o fardo econômico passava para os atletas. Com isso, esta prática ficou mais comum, viabilizando que os donos ficassem com a maior parte da receita dos clubes. 

    Quando a NHL teve lockouts?

    O primeiro foi na temporada 1994-95, pouco tempo após Gary Bettman ter se tornado comissário da Liga.

    Bettman tinha como objetivo estabelecer o chamado luxury tax, penalizando equipes com folhas salariais excessivamente robustas. Em janeiro de 1995, após mais de cem dias, as duas partes chegaram a um acordo. Isso foi visto como uma vitória para os donos dos clubes, mas os salários altos persistiram. 

    Com alegações de que os salários exorbitantes fizeram com que a Liga perdesse quase 2 bilhões de dólares, ocorreu outro lockout em 2004-05. A temporada foi cancelada e o salary cap (teto salarial), foi instaurado, estabelecendo o máximo que um time poderia gastar com sua folha salarial. Este mecanismo também implementou o salary floor, que determina o mínimo que uma equipe poderia gastar.

    Fatores que resultaram no lockout de 2012?

    O principal fator de discórdia entre a NHLPA e os proprietários dos clubes era a proporção com a qual a receita anual seria dividida.

    Entre 2005-06 e 2011-12 a receita anual foi de 2.2 bilhões para 3.3 bilhões, o que fazia com que os jogadores tivessem um grande aumento nos salários, já que a média foi de 1.46 milhões em 2005 para 2.17 milhões em 2011. Além disso, foi assinado um acordo de televisão valorizado em quase 2 bilhões para 10 anos. 

    Entretanto, o aumento na receita, o teto salarial e o limite nos salários dos novatos não fizeram com que a Liga operasse inteiramente de uma forma saudável. Mesmo com essas limitações os jogadores ainda tinham 57 por cento da receita, enquanto os donos ficavam com 43 por cento.

    A título de comparação, após os lockouts de 2011 na NFL e na NBA, os donos da primeira retinham 53 por cento da receita, e os da liga de basquete tinham direito a 50 por cento.

    Outra causa importante foi a estrutura de mercados, pois havia uma diferença enorme entre os clubes em termos de saúde financeira. Mercados grandes como Montreal, Nova York e Toronto correspondiam a oitenta por cento da receita da Liga, enquanto 13 dos 30 clubes perderam dinheiro em 2011-12.

    Além da questão financeira, a localização também contava pontos, já que hockey era infinitamente mais popular no Canadá do que no sul dos Estados Unidos, por exemplo. 

    O que os atletas fizeram durante a parada?

    Enquanto parte dos jogadores permaneceram na América do Norte para participar das negociações entre a NHLPA e a Liga, muitos foram explorar outros mercados enquanto esperavam pelo retorno da NHL.

    Evgeni Malkin e Alex Ovechkin retornaram para as equipes russas que os revelaram, Metallurg Magnitogorsk e Dynamo Moscow, respectivamente, parte da Kontinental Hockey League (KHL). 

    Outro destino procurado pelos atletas foi a Suíça. Lá, Patrick Kane e Tyler Seguin atuaram pelo EHC Biel, Patrice Bergeron pelo HC Lugano, John Tavares pelo Bern e Joe Thornton pelo Davos.

    Na Suécia, Gabriel Landeskog atuou pelo Djurgarden, Matt Duchene pelo Frolunda e Anze Kopitar pelo Allsvenskan. Jamie Benn e Claude Giroux, por sua vez, foram para a Alemanha, enquanto Jaromir Jagr e Zdeno Chara atuaram na liga tcheca. 

    Aqueles que permaneceram em solo norte-americano passaram a se reunir para treinos informais, já que todas as atividades relativas à  Liga estavam obrigatoriamente suspensa.

    Além disso, foram organizadas partidas beneficentes. A Champs for Charity, trazia jogadores do elenco do Chicago Blackhawks contra uma equipe formada por atletas de outros times. As doações foram destinadas a Ronald McDonald House Charities da região.

    No feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, quase 30 NHLers jogaram em Atlantic City e arrecadaram cerca de 500 mil dólares para ajudar vítimas do Furacão Sandy. Outras partidas de destaque também aconteceram em Toronto e Minneapolis.

    As partes chegam a um acordo

    O centro do acordo foi a divisão igual da receita entre donos e jogadores na proporção de 50% para cada um, tal como a NBA. Outra inovação foi a limitação da duração dos contratos. Antes, os termos não previam limite e passaram a ter prazo máximo de sete ou oito anos, a depender da situação.

    Uma previsão que não foi incluída no CBA é a participação dos jogadores nas Olimpíadas e embora eles tenham feito parte dos jogos de 2014 em Sochi, a participação em 2018 foi vetada pelos donos.

    Outras mudanças incluíram o salário mínimo da Liga, além das suspensões de mais de cinco jogos passarem a ser submetidas para um árbitro neutro e não ao comissário. Por fim, foi instaurado um novo sistema para a loteria do draft. Este passou a incluir todas as equipes que não se classificaram para a pós-temporada.

    O acordo celebrado tem a duração de dez anos, findando-se em 2021-22, com a possibilidade de uma das partes romper o acordo em setembro de 2019, o que não aconteceu.

  • A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    Quarenta e cinco anos. Esse foi o tempo necessário para o L.A. Kings faturar sua primeira Stanley Cup. Guiados pelo capitão Dustin Brown e companhia, a equipe eliminou todos os seus adversários e, por fim, conquistou o prêmio cobiçado há anos. Um dos dois que os Kings vieram a conquistar durante a década. 

    No entanto, as maiores conquistas dos times na NHL só foram construídas a partir de muito trabalho e dedicação no gelo. Não foi diferente com os Kings. Portanto, em mais um texto do especial 10 for 10, contamos para vocês sobre a trajetória de Los Angeles até a conquista da Stanley Cup.

    O caminho até os playoffs

    A offseason de Los Angeles, que antecedeu a temporada 2011-12, foi bastante calma. Por ter cedido a first round pick para o Edmonton Oilers em uma troca, que ocorreu em fevereiro de 2011, o time acabou não tendo sua escolha da primeira rodada do Draft 2011.

    A equipe recebeu dos Oilers o jogador Dustin Penner, e cedeu ao time de Edmonton aquele que seria a 19th overall pick. Por fim, os Kings também precisaram ceder na negociação uma 3rd round pick condicional no Draft 2012, e o jogador Colten Telbert. 

    Finalmente, os Kings iniciaram a nova temporada, e em grande estilo. O time viajou para a Suécia e estreou em 2011-12 na capital do país, Estocolmo. A partida foi disputada contra os Rangers, no dia 7 de Outubro, na Ericsson Globe Arena.

    Ao final do jogo, os Kings derrotaram New York em um placar de 3 a 2. Seguidamente, o time continuou os jogos na Europa, desta vez contra os Sabres. A partida aconteceu no dia seguinte, em Berlim, na Alemanha. No entanto, quem saiu vitorioso no jogo foram os adversários de Los Angeles, com uma vitória de 4 a 2 sobre o time da Califórnia. 

    Após a estreia na Europa, o time registrou um ótimo ritmo durante todo outubro na temporada. Com uma campanha de 6-3-2, a equipe se manteve em boas posições na Liga durante todo o mês.

    No entanto, é em dezembro que as coisas ficaram turbulentas para os Kings. A equipe acaba demitindo seu técnico, Terry Murray, no início do mês, e foi John Stevens quem assumiu a posição como técnico interino. 

    Todavia, no dia 20 de dezembro, os Kings acabaram liberando Stevens e contratando Darryl Sutter para assumir o comando da equipe. A partir do comando de Sutter, o time venceu a maior parte das partidas até o final do ano, perdendo apenas duas em um shoutout e overtime. Ao fim do mês, Los Angeles terminava o ano com 44 pontos registrados na tabela.

    Há um mês do fim da temporada regular, os Kings ocupavam a décima posição na Conferência Oeste, a apenas 2 posições de uma vaga nos playoffs.

    A defesa e goaltending do time se destacaram durante toda a temporada, com grandes atuações de Drew Doughty e Jonathan Quick. O ataque da equipe também possuía diversos talentos, mas o time ainda falhava em encontrar consistência no gelo. 

    No entanto, ao final de março, seus jogadores ofensivos finalmente pareceram se encaixar para marcar os gols que fizeram falta ao início do ano.

    Desta forma, os Kings finalizaram a temporada regular em terceiro lugar na Divisão Pacífica e em oitavo na Conferência Oeste. Por fim, com 95 pontos, o time garante sua passagem para os playoffs com um elenco de grande peso na bagagem e muitas chances de chegar à final.

    Os playoffs

    Era a terceira classificação consecutiva dos Kings para os playoffs. O primeiro adversário do time foi o Vancouver Canucks, que havia feito uma grande temporada regular. No entanto, bastaram cinco jogos, com apenas um vencido pelos Canucks, para o time de Los Angeles eliminar a equipe de Vancouver.

    Os Kings venceram os dois primeiros jogos em casa, e o terceiro na Rogers Arena. Seguidamente, acabaram por perder o Jogo 4 para o Vancouver. Por fim conquistaram a vitória no Jogo 5 e classificaram-se para o segundo round com quatro vitórias sobre o Canucks.

    O segundo oponente de L.A. nos playoffs foi o St. Louis Blues, que finalizou a temporada regular ocupando a segunda posição no ranking da Conferência Oeste. No entanto, a sorte do time de Missouri não foi a mesma nos playoffs.

    Os Kings iniciaram a série jogando na casa dos Blues, vencendo os dois jogos disputados no Enterprise Center (casa do St. Louis). Seguidamente, vencerau os jogos três e quatro em casa e, por fim, com a “varrida”, garantiram a ida para a próxima rodada.

    Já na Final da Conferência Oeste, os Kings se encontravam cada vez mais perto do seu objetivo. Porém, ainda tinham mais um desafio pela frente: eliminar o Phoenix Coyotes (hoje, Arizona Coyotes).

    Phoenix terminou a temporada regular ocupando o terceiro lugar na Conferência Oeste, então era de se esperar que fosse um forte adversário para Los Angeles. Mas as coisas nos playoffs são muito diferentes. O time venceu 4 dos cinco jogos e descolou uma passagem diretamente para a Final.

    Assim, os Kings partiram para New Jersey com o intuito de disputar a última fase da competição contra os Devils. Talvez essa tenha sido uma das séries mais complicadas que o time de Los Angeles precisou enfrentar durante os playoffs.

    Como os Devils tinham vantagem de home ice, os dois primeiros jogos aconteceram em New Jersey. No entanto, não foi o suficiente para intimidar os Kings, que vencram os dois confrontos disputados no Prudential Center em overtime.

    Os dois jogos seguintes aconteceram em Los Angeles. O terceiro terminou com vitória para os Kings. Porém, ao perderem a quarta partida para os Devils, o round avançou para um Jogo 5, no qual os Devils também saíram vitoriosos. 

    Kings Campeão

    Com a vitória dos Devils nos Jogos 4 e 5, foi necessário acontecer um Jogo 6, que ocorreu no dia 11 de junho de 2012. Partida esta em que o New Jersey recebeu os Kings em sua casa.

    Após o primeiro gol de L.A., que saiu no primeiro período pelas mãos do capitão da equipe, Dustin Brown, os Kings decolaram no jogo.

    Por fim, após 6 gols, 3 períodos e uma temporada sensacional, o Los Angeles Kings se tornou o campeão da Stanley Cup de 2012. Após 47 longos anos, o time finalmente trouxe para Los Angeles o primeiro título em toda a história do clube na NHL. Além disso, foi também a primeira aparição do time em uma Stanley Cup Final desde 1993. 

    Jonathan Quick foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelo time. Devido a sua performance no gelo, ele foi eleito MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. O jogador chegou ao final da competição com uma save percentage de .946% (segundo melhor da liga) e foi o goleiro com mais vitórias, todas as 16 do time nos playoffs.

    Dustin Brown, capitão da equipe, foi o líder em pontos (20), gols (8) e assistências (12) na competição pela Stanley Cup. Ao lado dele, seu companheiro de equipe, Anze Kopitar, também liderou, registrando o mesmo número de gols e assistências. 

    O time, por fim, trouxe o troféu para casa, onde comemorou com um grande desfile na cidade, no dia 14 de junho. As ruas de Los Angeles ficaram lotadas de fãs da equipe, que saíram de casa para comemorar junto com os jogadores o tão esperado título dos Kings. 

    Não poderia existir um jeito melhor para o time de Los Angeles começar a década. O  ano de 2012 foi apenas o início de uma década de grandes conquistas para os Kings e vitórias que entraram para a história da equipe.

  • Draft Class de 2011: onde estão

    Draft Class de 2011: onde estão

    A loteria de 2011 foi vencida pelo New Jersey Devils, que subiu no ranking da seleção até a quarta posição. Entretanto, a primeira escolha, por sua vez, ficou com o Edmonton Oilers pelo segundo ano consecutivo. No ano anterior a equipe havia selecionado Taylor Hall com a first pick, mas o canadense teve sua temporada encerrada prematuramente devido a uma lesão.  

    Antes do draft, que aconteceu no final de semana dos dias 24 e 25 de junho em Minnesota, os três nomes mais cotados para a primeira escolha eram Ryan Nugent-Hopkins, center do Red Deer Rebels da Western Hockey League (WHL), Gabriel Landeskog, left wing do Kitchener Rangers da Ontario Hockey League (OHL) e Adam Larsson do Skelleftea da Swedish Hockey League (SHL).

    Seja pelo desempenho no gelo ou as transações que os envolveram, os atletas da classe de 2011 tiveram um grande impacto na NHL. Assim, vamos falar um pouco mais sobre os principais nomes que foram selecionados naquele ano. 

    RYAN NUGENT-HOPKINS, C, EDMONTON OILERS (#1 overall): o último dos kid liners

    O center canadense iniciou sua carreira na WHL na temporada 2008/2009, marcando seis pontos em cinco jogos como jogador underage. Na temporada seguinte, Nugent-Hopkins anotou 24 gols e 41 assistências em 67 jogos, o que lhe rendeu o prêmio de rookie do ano da liga. Em junho de 2011 o canadense foi selecionado pelo Edmonton Oilers com a primeira escolha do draft, assinando seu primeiro contrato profissional poucos dias depois. Na sua temporada de estreia, RNH marcou 18 gols e 34 assistências, tendo sido indicado ao prêmio de rookie do ano. 

    Em Edmonton, ele muitas vezes fez parte da chamada kid line com Jordan Eberle e Taylor Hall, selecionados nos dois anos anteriores pela equipe de Alberta. Ao final da temporada 2012/2013, reduzida pelo lockout, os Oilers anunciaram que Nugent-Hopkins precisaria fazer uma cirurgia no ombro. Naquela mesma intertemporada o center estendeu seu compromisso com Edmonton por mais sete anos, custando 6 milhões anuais. 

    Desde então o canadense foi selecionado para o All-Star Game e representou seu país no mundial da IIHF. Com a chegada de Connor McDavid e as mudanças no elenco dos Oilers, Nugent-Hopkins passou a atuar também como left wing na linha de McDavid. Embora não tenha se tornado uma estrela, o canadense é conhecido por seu jogo constante, sendo uma peça secundária importante em sua equipe. Atualmente ele conta com 169 gols e 274 assistências, somando 443 pontos em 604 partidas.

    GABRIEL LANDESKOG, LW, COLORADO AVALANCHE (#2 overall): o príncipe sueco das Montanhas Rochosas

    Embora o jogador seja sueco, Landeskog mudou-se para o Canadá com 16 anos para atuar pelo Kitchener Rangers da OHL. Durante a temporada 2010/2011 o winger foi nomeado capitão da equipe, se tornando o primeiro europeu na história da franquia a assumir o C. Landeskog terminou a temporada que antecedeu seu draft  com 37 gols em 53 jogos. 

    No draft o sueco foi selecionado pelo Colorado Avalanche, assinando seu primeiro contrato profissional logo em seguida. Uma das razões pelas quais Landeskog estreou na NHL imediatamente pode ter sido o chão salarial, já que seu contrato ajudaria a equipe americana a atingir o valor mínimo exigido pela Liga. Entretanto, o sueco excedeu as expectativas e sua campanha de estreia lhe rendeu o Calder, prêmio oferecido ao rookie do ano, após marcar 52 pontos.

    Na temporada seguinte Landeskog quebrou um recorde que pertencia a Sidney Crosby, o de jogador mais jovem a se tornar capitão de sua equipe. Com 19 anos, nove meses e 13 dias à época. Entretanto, o sueco perdeu esta honraria quando Connor McDavid se tornou capitão dos Oilers em 2016. Desde sua estreia na NHL Landeskog desenvolveu seu jogo, se tornando uma peça indispensável para a equipe de Denver no gelo e fora dele. 

    Com o aumento da competitividade de seu time, o sueco passou a se destacar ainda mais, formando uma das melhores linhas da Liga com Nathan MacKinnon e Mikko Rantanen. No cenário internacional, Landeskog foi medalha de prata pela Suécia nas Olimpíadas de Sochi em 2014, além de ganhar o ouro do mundial da IIHF em duas ocasiões, em 2013 e 2017. Enquanto isso, na NHL o sueco soma 198 gols e 262 assistências, totalizando 460 pontos em 633 jogos.

    JONATHAN HUBERDEAU, LW, FLORIDA PANTHERS (#3 overall): bonjour, Florida

    O jogador começou sua carreira no major juniors defendendo o Saint John Sea Dogs da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL) em 2009. Na temporada que antecedeu o draft, 2010/2011, ele marcou 43 gols e 62 assistências em 67 jogos, o que lhe colocou no top 3 de patinadores norte-americanos no ranking dos olheiros. Além disso, o canadense foi campeão da Memorial Cup daquele ano, sendo peça importante para a conquista de sua equipe. 

    Embora Huberdeau tenha sido draftado em 2011 pelos Panthers, ele disputou apenas partidas da pré-temporada de 2011/2012 antes de retornar à sua equipe da QMJHL. No ano seguinte, entretanto, o jogador passou a integrar o elenco do Florida Panthers após o término do lockout de 2012. Após marcar 14 gols e 17 assistências em 48 jogos (tratava-se de uma temporada reduzida), Huberdeau foi o ganhador do Calder no NHL Awards daquele ano.

    Desde então o winger vem tendo uma posição de destaque na equipe da Flórida, especialmente na primeira linha do time juntamente com Aleksander Barkov. Em 2016 Huberdeau assinou um novo contrato com os Panthers, por um salário de aproximadamente 5,9 milhões anuais por seis anos. Além disso, em novembro de 2019 o canadense passou Stephen Weiss e atualmente é detentor do recorde de mais assistências na história da franquia. Em 536 partidas, Huberdeau tem 148 gols e 289 assistência, somando 437 pontos.

    SEAN COUTURIER, C, PHILADELPHIA FLYERS (#6 overall): o banguela de Broad Street

    Em sua primeira temporada na QMJHL Couturier fez parte da campanha vitoriosa do Drummondville Voltigeurs, que venceu a competição. No ano seguinte, 2009/2010,  o center venceu o prêmio de maior pontuador da Q, sendo o jogador com o menor número de pontos a vencê-lo na história do troféu. Já em seu ano de elegibilidade, o canadense contraiu mononucleose, doença esta que não diminuiu sua efetividade no gelo, já que ele teve a mesma quantia de pontos do ano anterior em menos partidas.

    A escolha usada por Philadelphia para selecioná-lo era na verdade do Columbus Blue Jackets, tendo sido adquirida na troca que levou Jeff Carter para Ohio e trouxe Jakub Voracek para Philly. Em seu início de carreira com os Flyers, o center tinha um papel mais defensivo, especialmente no penalty kill da equipe. Sua importância para o time veio à tona especialmente no duelo entre os Flyers e os seus arquirrivais Pittsburgh Penguins nos playoffs de 2012. Couturier, que tinha 19 anos à época, foi encarregado com a tarefa de anular Evgeni Malkin, então vencedor do Art Ross. 

    Ainda que tenha desenvolvido uma reputação como um center defensivo, o canadense só começou a desenvolver sua ofensa quando passou a atuar na primeira linha dos Flyers, com Claude Giroux e Jakub Voracek. Desde então Couturier tem sido destaque entre os centrais da Liga, e conquistou sua primeira indicação ao Selke em 2018. O canadense soma 402 pontos em 647 partidas.

    JOHN GIBSON, G, ANAHEIM DUCKS (#39 overall): um pato que voa solo

    Como é de praxe para os atletas americanos, o goleiro fez parte do USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Durante o programa Gibson fez um compromisso com a Universidade de Michigan, tradicional pelo hockey universitário. Entretanto, o jogador decidiu abrir mão de sua elegibilidade perante a NCAA para jogar pelo Kitchener Rangers da OHL.

    Gibson fez sua estreia profissional pelo Norfolk Admirals da American Hockey League (AHL) em abril de 2013, depois de jogar por mais dois anos na OHL. No mesmo mês do ano seguinte, o goleiro participou de sua primeira partida na NHL, substituindo o então goleiro dos Ducks, Frederik Andersen, e conseguindo um shutout. Durante a pós-temporada daquele ano Gibson também conseguiu um shutout na sua estreia, em uma partida contra o Los Angeles Kings.

    O americano disputou a vaga de titular do gol de Anaheim com Andersen até o dinamarquês ser trocado para o Toronto Maple Leafs, em 2016. Dois anos depois, os Ducks estenderam o contrato de Gibson por mais oito anos, com um salário de 6,4 milhões anuais. Em 287 partidas, o goleiro tem uma porcentagem de .918, com uma média de 2.53 gols sofridos por jogo e 19 shutouts. Gibson foi selecionado como All-Star em 2016 e 2019, além de ter sido o recipiente do troféu William M. Jennings, para o goleiro que, em pelo menos 25 partidas, sofreu a menor quantidade de gols.

    NIKITA KUCHEROV,  RW, TAMPA BAY LIGHTNING (#58 overall): um superstar russo em Tampa Bay

    O russo iniciou sua carreira profissional no CSKA Moscou da Kontinental Hockey League (KHL), onde atuou até 2012. Com a finalidade de se acostumar com as diferenças na América do Norte, o winger passou a atuar na QMJHL com o Quebec Rampants e depois com o Rouyn-Noranda Huskies. Na temporada 2013/2014, após uma breve passagem pelo Syracuse Crunch da AHL, o russo estreou na NHL em 2013, marcando seu primeiro gol contra Henrik Lundqvist do New York Rangers.

    Após uma primeira temporada tímida, com apenas 18 pontos, Kucherov desabrochou ofensivamente, marcando 65, 66 e 85 nos três anos seguintes. Na temporada 2017/2018, o winger conseguiu atingir a marca dos 100 pontos, superada no ano seguinte, quando alcançou 128. Embora Kucherov tenha um desempenho estelar durante a temporada regular, suas atuações na pós-temporada já foram alvos de críticas, especialmente após o Lightning ser varrido pelo Columbus Blue Jackets nos  playoffs em 2019.

    Entretanto, o russo já tem uma prateleira de troféus invejável. Foi ganhador do Art Ross, Hart Memorial e Ted Lindsay em 2019. Além disso, Kucherov já representou Tampa Bay em três All-Star Games diferentes, em 2017, 2018 e 2019. O russo tem impressionantes 547 pontos (221 gols e 326 assistências) em 515 jogos em sua carreira na NHL.

    JOHNNY GAUDREAU, LW, CALGARY FLAMES (#104 overall): Johnny Hockey em chamas

    Ao contrário de Gibson, por exemplo, o pequeno winger apelidado de Johnny Hockey não fez parte do programa de desenvolvimento da USA Hockey. Gaudreau jogou sua temporada de elegibilidade para o draft com o Dubuque Fighting Saints, da United States Hockey League (USHL). Ele foi selecionado apenas no quarto round pelos Flames, além de ter sido o menor atleta a ser escolhido por uma das equipes, com aproximadamente 1,68 de altura. 

    Após terminar o colegial, Gaudreau fez parte do training camp dos Flames e, em seguida, iniciou sua carreira universitária. Enquanto calouro do Boston College Eagles, Johnny Hockey marcou 21 gols e 23 assistências em 44 jogos, liderando em pontuação os outros calouros. Gaudreau foi parte importante para o título nacional dos Eagles, além de ter recebido o prêmio de MVP do torneio. Além disso, ele contribuiu para a vitória de BC no tradicional Beanpot, torneio entre as universidades da região de Boston, do qual também foi MVP.

    Nos dois anos seguintes Gaudreau se tornou a verdadeira estrela da equipe, fazendo com que, em 2014, ele se tornasse o vencedor do troféu Hobey Baker, dado ao melhor jogador universitário da NCAA. Logo após o final da temporada universitária o americano assinou seu primeiro contrato profissional com Calgary. Nos Flames ele se tornou a estrela da equipe, com pontuações indo dos 61 aos 99 pontos, marca esta alcançada no último ano. 

    Gaudreau estendeu seu compromisso com o time de Alberta em outubro de 2016, após longas discussões contratuais que fizeram com que ele perdesse o training camp. Calgary teria Johnny Hockey por mais seis anos, com um salário anual de cerca de 6.75 milhões. Em sua carreira na NHL Gaudreau tem 445 pontos (151 gols e 294 assistências) em 464 partidas.

    Menções honrosas: 

    Adam Larsson, D, New Jersey Devils (#4) – atualmente jogador do Edmonton Oilers

    Larsson foi trocado por Taylor Hall (Oilers) na intertemporada de 2016, causando revolta no Twitter.

    Mika Zibanejad, C, Ottawa Senators (#6) – atualmente jogador do New York Rangers

    Pouco antes da temporada ser interrompida devido à pandemia do novo coronavírus, Zibanejad fez história na NHL ao marcar cinco gols em uma única partida.

    Mark Scheifele, C, Winnipeg Jets (#7) 

    Scheifele foi a primeira escolha dos relocados Jets, quando a equipe retornou para Winnipeg, deixando de ser o Atlanta Thrashers.

    Dougie Hamilton, D, Boston Bruins (#8) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Antes de virar peça importante para a blue line  dos Canes, Hamilton jogou por três temporadas em Calgary.

    Brandon Saad, C, Chicago Blackhawks (#43) 

    O atleta foi campeão da Stanley Cup em duas ocasiões diferentes pelos Hawks, antes de ser trocado para Columbus. Em 2017 retornou a Chicago através de uma troca que mandou Artemi Panarin para os Blue Jackets.

    William Karlsson, C, Anaheim Ducks (#53) – atualmente jogador do Vegas Golden Knights 

    O sueco foi exposto ao draft de expansão em 2017, quando era jogador do Columbus Blue Jackets. Em Vegas, Karlsson entrou no ponto alto de sua carreira e passou a atuar como o 1C dos Knights, chegando à final da Stanley Cup no primeiro ano da franquia.

    Vincent Trocheck, C, Florida Panthers (#64) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    O americano representou os Panthers no All-Star Game de 2017. Na trade deadline de 2020 foi trocado para Carolina por Erik Haula, Lucas Wallmark, dentre outras peças.

    Jordan Binnington, G, St. Louis Blues (#88)

    O goleiro, em seu primeiro ano na NHL, foi peça chave para a conquista da primeira Stanley Cup da história da franquia de Missouri.

  • Entrevista: Thiago Simões

    Entrevista: Thiago Simões

    Hockey na ESPN Brasil já é uma coisa comum para nós. Aguardamos semanas até o jogo do nosso time ser transmitido e, quando acontece, não perdemos a chance de assistir. Entretanto, as transmissões na TV como temos hoje nem sempre existiu. 

    Em 2010, a ESPN Brasil anunciou a volta do hockey para a grade. Pela primeira vez em 6 anos, o esporte voltava à programação da emissora. Isso porque após a Final da Stanley Cup entre Tampa Bay Lightning e Calgary Flames em 2003-04, quando o time da Flórida conquistou a taça, a Liga entrou em lockout, que durou a temporada inteira. Por coincidência ou não, aquela também foi a última temporada transmitida pela ESPN no Brasil.

    Após este hiato que deixou o telespectador brasileiro órfão do esporte, a temporada 2010-11 chegou para ser transmitida no Brasil. Porém, o esporte só ganhou destaque durante os playoffs, quando os jogos ficam mais competitivos e mais atrativos para os torcedores nacionais. 

    Naquele ano, a final da Stanley Cup foi disputada entre Boston Bruins e Vancouver Canucks, que teve o time de Boston como o grande campeão. Com o destaque que a ESPN Brasil deu para a competição, muitos fãs do hockey aqui no Brasil tiveram a oportunidade de conhecer nosso amado esporte e acompanhar a sua primeira final do campeonato.

    O NHeLas decidiu homenagear as transmissões no canal como parte do 10 for 10 de março, mês em que celebramos e relembramos o ano de 2011.

    Batemos um papo com o Thiago Simões, da ESPN Brasil, que nos contou um pouco da experiência de trabalhar com o hockey no canal e sua relação com o esporte.

    Thiago é jornalista esportivo e, assim como nós, fã de hockey. Ele tem sido um dos defensores da modalidade aqui no Brasil, enxergando o potencial que nosso país tem de atrair cada vez mais fãs para o esporte. Atualmente ele é comentarista na emissora e tem um canal no youtube no qual fala sobre esportes e games.  

    (A transcrição foi editada para maior clareza)

    Antes da estréia no final de 2010, a última transmissão de jogos no Brasil tinha sido a final da Stanley Cup da temporada 2003-04. Como foi passar a transmitir a NHL após tantos anos?

    Para mim foi sensacional, porque eu era um espectador. Eu gravava os jogos na década de 1990, tenho muitos jogos gravados em fitas. Inclusive preciso encontrar essas fitas para transformar tudo em meio digital, né? Mas foi uma sensação maravilhosa, porque além de jornalista, sempre gostei de hockey. As pessoas achavam que eu era louco (por) gostar de hockey. Hoje eu provo totalmente o contrário, é um dos motivos do meu ganha pão.

    Como surgiu o interesse da emissora para passar a transmitir os jogos?

    Não faço ideia, acho que só a televisão vai conseguir responder isso para vocês. Mas o que eu escuto hoje em dia, e que pesa bastante, é o fato da gente ter os quatro (grandes) esportes americanos. É o que enriquece a marca ESPN. Mas não é o posicionamento da empresa, esse é um posicionamento meu. 

    Como aconteciam as transmissões no início?

    As transmissões no início eram um pouco mais simples. De certa forma, existia uma produção muito grande por trás de tudo isso, mas não eram muito diferentes do que a gente encontra hoje em dia. Não tem uma grande diferença. A transmissão no início era um pouco mais crua, a gente não sabia como lidar com o espectador.

    Hoje em dia, a gente já sabe como lidar um pouco mais com o espectador, principalmente o que eles estão afim de escutar. É lógico que a gente tem que manter sempre a didática, acho que isso é muito importante para que as pessoas possam cada vez mais conhecer o hockey. 

    Muitos fãs pediam para as transmissões voltassem ao ar. Como foi enfim atender aos pedidos? 

    No começo, o pessoal ficou bem feliz. A gente tinha um “Mural ESPN”, (na época) não existia redes sociais da forma que é hoje. Até existia rede social, mas o pessoal usava muito o “Mural ESPN”. O pessoal gostava muito, ficava feliz.

    O hockey não é um esporte tão difundido aqui no Brasil, é um esporte muito de nicho então não eram tantas as pessoas que se pronunciavam e entravam no “Mural ESPN”.

    Os playoffs daquele ano ganharam destaque. Como foi essa cobertura? 

    Foi espetacular! A oportunidade de fazer uma primeira final de Stanley Cup. A gente ainda (está) em busca de fazer in loco, quem sabe um dia isso possa acontecer. Não dá pra descrever, eu me emocionei muito, chorei pra caramba. O Ari (Aguiar) também chorou, foi espetacular, sem palavras.

    Tem alguma história curiosa sobre aqueles playoffs?

    Eu não vou lembrar de cabeça, teria que dar uma pesquisada, mas com certeza passar as madrugadas, às vezes passando prorrogações infinitas, sem saber a hora em que ia acabar, era sensacional.

    A gente ficava desesperado, ao mesmo tempo a gente queria que o jogo continuasse, a gente queria que o jogo acabasse. Porque é muito desgastante, a pessoa acha que é simplesmente sentar lá e falar e não é só isso. É muito desgastante para o psicológico ficar duas horas sentado. Imagina no hockey que são pelo menos 2h30 a 3h, numa prorrogação, num jogo totalmente emotivo, que você tem que passar esse tipo de emoção para as pessoas.

    Apesar de ser transmitido há alguns anos, o esporte ainda não tem o mesmo público que as outras ligas americanas aqui no Brasil. Quais as dificuldades enfrentadas no início e os obstáculos que ainda existem?

    Bom, a grande dificuldade eu acho que fica principalmente por ser um esporte de uma cultura totalmente diferente. A gente não tem a mesma cultura de andar sobre patins no gelo. Jogar hockey não é uma coisa comum aqui. Mas aí as pessoas vem me falar “ah, mas o futebol americano também não é praticado aqui.” Sim, mas com uma bola e um parque você consegue jogar futebol americano. Você consegue jogar futebol americano com o seu filho, eu fiz isso, eu estou fazendo nesses dias de quarentena aqui dentro de casa, aqui no corredor a gente fica jogando bola um pro outro.

    No hockey não dá para fazer isso. Você precisa ter um local específico para isso. Eu acho que a dificuldade enfrentada no início era exatamente mostrar que a gente tinha vindo para ocupar um espaço importante na TV, e os obstáculos que ainda existem ficam muito relativos ao preconceito.

    O preconceito não só do pessoal de fora, mas o preconceito também que existe dentro das redações. Praticamente o que se notícia de hockey é briga, é “pontapé”. E a gente sabe que o hockey não é isso, a gente conhece o hockey, e só com tempo a gente vai conseguir mudar (esse estereótipo). Quanto mais vezes passar isso na televisão, mais vezes a gente vai mostrar que não é só briga, e mostrar que a briga é algo cultural.

    Já mostrei isso em alguns vídeos do YouTube, não é tão simples de explicar para as pessoas. Tem pessoas que não gostam de brigar, né? A gente tem que entender isso. Mas quem sabe com o tempo, porque ele tem uma aproximação muito grande com o futebol: ver quem marca mais gols. E eu acho que tem algo que se perdeu muito no futebol, que é a paixão. O hockey tem uma paixão, o jogador se dedica 100%, porque se você não se dedicar 100% você acaba se dando muito mal.

    Como você se preparou para as primeiras transmissões? Teve mudanças neste processo ao longo dos anos? 

    Eu nunca me esqueço da primeira transmissão, em que a gente acabou tendo muitas informações americanas. Temos direito aos game notes, que dá cerca de 90 páginas. Eu lembro que na minha primeira transmissão, não me pergunte qual foi o meu primeiro jogo, porque eu não vou lembrar. É uma coisa que eu deveria saber, né? Mas eu lembro que daquelas 90 páginas, eu transformei em umas 100, 150 para estudar. E aí chegou na transmissão, eu não consegui usar nada daquilo porque a gente se sente totalmente perdido, não sabe nem por onde começar.

    Então eu comecei a filtrar as informações mais importantes, e eu lembro que no início eu trazia muitas curiosidades. Porque o Diogo (Novaes) era um cara que tinha vivido nos Estados Unidos, ele tinha aquela pegada mais Paulo Antunes de conhecer o jogo em si. Eu era apenas uma pessoa que era apaixonado pelo esporte, mas que era jornalista. Então eu trazia um outro viés para transmissões. Da mesma forma que o Diogo trazia muitas informações estatísticas, eu trazia essas curiosidades, e com o passar do primeiro ano, até o segundo, cada um já mesclava um pouco de cada uma (dessas informações).

    Foi basicamente assim que começaram as transmissões de hockey. E com o Ari sempre foi muito mais fácil fazer isso, porque o Ari sempre foi uma pessoa muito aberta para a brincadeira. Com o passar do tempo, vivendo a Liga todos os dias, você acaba de uma certa forma diminuindo o número de estudo, focando no que é mais importante, mas não deixando de lado o fã de esportes que tá aprendendo sobre o hockey.

    Então a minha preocupação hoje em dia é trazer informações bem básicas. Uma metodologia que eu tento utilizar agora que é trazer informações mais básicas, brincar bastante para deixar a transmissão com entretenimento para ver se as pessoas conseguem gostar do esporte. E aí quando chega nas cabeças, final de Conferência, final de temporada, eu já entro no âmbito de estratégia, de estatística. Ou seja, eu tento focar um pouco mais no que o fã do esporte que é hardcore busca. Mas a gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque ao trazer ali informações hardcore e complexas, você afasta as pessoas. 

    Existe algum ritual específico antes de cada transmissão? 

    Não, não tem nenhum ritual. Eu sou muito tranquilo, não tento buscar um ritual para fazer. Que eu me lembre agora não tem nada de específico, só a preparação diária. Geralmente eu estudo de manhã, quando eu acordo. E aí eu dou um respiro, e no final do dia volto a estudar de novo. Começo o estudo vendo jogos anteriores, no meio do estudo pego estatísticas e no final busco notícias mais recentes. Basicamente é isso.

    Qual a maior dificuldade que você tem ao se preparar para cada jogo?

    A maior dificuldade é estar 100% saudável. Quantas vezes a gente já esteve com febre, não esteve com um bom humor e tinha que trazer alegria, né? Porque a gente vende um sonho e às vezes a gente não tá 100% mentalmente, 100% fisicamente. Eu acho que esse é o grande desafio. Às vezes porque a pessoa enxerga a gente na televisão e acha que a gente é aquilo. Mas não, eu sou pai, tenho um filho. O Ari tem família dele, tem as preocupações extras dele. Não cabe aqui falar quais são, mas a gente tem nossas preocupações e, infelizmente, as pessoas deixam isso de lado e acreditam que a gente é exatamente aquilo que aparece.

    Eu principalmente, tento ser a mesma pessoa em todos os ambientes. As meninas (do NHeLas) me conhecem muito bem e elas sabem quem eu sou naturalmente. Eu tento ser da mesma forma no ar, e o Ari também é assim. Mas às vezes não é fácil. Quantas vezes a gente não tem uma dificuldade para fazer uma transmissão por causa de um problema extra? Mas a gente tem que fazer tudo no nosso melhor. A gente recebe para isso, mas é não é nada fácil.

    A liga possui 31 times, como é decidido quais partidas serão transmitidas?

    Eu sento com o responsável pela programação todo mês, a gente recebe uma lista dos jogos que tem disponível, e definimos quais serão. Como é que é feito isso? Você imagina ter que prever qual é o jogo melhor para daqui um mês? Não é nada fácil, né? A gente tem que levar em consideração o posicionamento dos times na tabela. Além disso, como a gente não tem tanta audiência, ficamos refém dos horários disponíveis. 

    Então, como é que funciona: essa semana a gente tem disponibilidade de horário terça-feira às 9 horas da noite, quinta-feira às 10 horas da noite e sábado às 6 horas da noite. A gente tem que saber quais são os melhores jogos que se encaixam nesse horário, e então utilizamos a premissa de quais times estão melhores qualificados e, na segunda forma de analisar, caso não tenha muitos jogos bons, a gente tenta pegar os times mais tradicionais. 

    Às vezes a pessoa reclama “ah, eu não tô vendo o Los Angeles Kings na televisão”. Cara, tem que conciliar… O horário dentro desses horários descritos tem o Los Angeles Kings? Não. O time tá bem? Não. Então fica difícil a gente transmitir o Los Angeles Kings hoje em dia. Da mesma forma que fica difícil a gente transmitir o Detroit Red Wings, porque quanto melhores os jogos que a gente tiver na televisão, melhor pode ser a nossa audiência, e melhor a forma do fã de esporte gostar do esporte.

    Não adianta trazer um jogo dos últimos colocados e ver aquele jogo horroroso. O cara que nunca viu hockey e colocou ali pela primeira vez dançou. É lógico que não existe uma lógica de qual jogo vai ser bom ou ruim. Mas a tendência de você ter um jogo melhor entre equipes que estão melhor na competição é muito maior. Então a gente parte dessa premissa.

    Hoje em dia existe um público bem variado que acompanha o esporte. Como você enxerga a evolução do público do hockey aqui no Brasil?

    Eu acho que a evolução ainda não é grande. Eu luto diariamente nas transmissões, bato de frente com todo mundo na TV para tentar ter espaço. A gente sabe que não é nada fácil. Mas a gente vê uma movimentação muito grande, principalmente de pessoas como vocês, de perfis de hockey. Isso é muito importante para você gerar o engajamento. Mas eu confesso que ultimamente tenho visto muito engajamento de perfis, mas pouco engajamento de pessoas.

    Principalmente nas redes sociais. A gente tem que tomar cuidado também porque redes sociais não serve muito como parâmetro. Às vezes a gente tem essa noção de que rede social é o mundo, mas não. O mundo é muito maior que as redes sociais. Elas servem como um parâmetro que é o da internet, mas não como parâmetro de você julgar o que é audiência ou não.

    A internet facilitou muito a vida do torcedor. Você acha que isso influenciou no aumento do público de 2010 para o público de hoje?

    Com certeza, tanto para o bem como para o mal, né? Porque as pessoas acabam indo buscar mais informações, informações mais coerentes, mas também acabam tendo a opinião delas. E às vezes acabam ultrapassando o limite do respeito, mas isso faz parte das redes sociais.

    Pode ter certeza que influenciou sim o conhecimento. Não digo que fez aumentar o público, porque quem tem interesse vai atrás.

    Como é a interação dos fãs pelas redes sociais? 

    Olha, geralmente é 100% positivo. De vez em quando a gente recebe alguma crítica ou outra, né? Não dá para agradar todo mundo. Mas eu acho que de uma forma geral, o público gosta muito das nossas transmissões. E é o que a gente tenta fazer, então serve como esse parâmetro também, é um feedback para a gente.

    Durante esses últimos 10 anos de transmissão aconteceram muitas finais memoráveis. Qual final foi a mais emocionante?

    Olha, eu acho que todas as finais foram emocionantes. É muito difícil separar uma, pra mim. Eu acho que o dia que o Colorado chegar na final vai ser memorável. Mas eu guardo na mente duas finais.

    Em 2014-15, quando a gente teve (Tampa Bay Lightning) e Chicago Blackhawks foi o ano do nascimento do meu filho, que nasceu em abril. Então vocês imaginam abril, maio e junho como é que foi a minha vida? As vezes eu chegava 2h, 3h da manhã e não conseguia dormir porque tinha que ajudar minha esposa a cuidar do filho. Por mais que ele quisesse só a mãe eu tinha que dar um suporte, então não foi nada fácil pra mim. A grande decisão foi um grande alívio. Foi um ano em que eu chorei muito na Final, eu sou meio chorão mesmo. Foi um ano muito especial por mais uma conquista na minha vida, mas ao mesmo tempo foi uma temporada muito dura porque eu precisei de uma força sobrenatural. 

    E, quando surgiu a temporada 2015-16, talvez tenha sido a que eu mais me emocionei. A final foi um entre Pittsburgh Penguins e San Jose Sharks, porque foi um ano muito complicado para mim, que eu praticamente abandonei as transmissões pra cuidar da minha saúde mental, não foi nada fácil. Não sei como eu ia trabalhar, não sei. O pessoal me deu muita força na época, o Ari principalmente e minha esposa também. Foi uma final que parecia que eu tinha jogado e conquistado o título.

    Porque com saúde mental não se brinca, e até faço um pedido aqui: tomem cuidado, preparem-se para qualquer problema, busquem terapia, busquem psiquiatra. Porque não é brincadeira não, foi um ano bem complexo para mim por causa disso. Então isso fica na história porque serviu de todas as formas para eu evoluir como ser humano, principalmente a minha parte espiritual. E ter conseguido de uma certa forma vencer esse grande desafio, que foi esse problema fora do meu trabalho.

    Graças a Deus hoje estou muito bem, continuamos a luta e, quem sabe, logo logo a gente vai estar 100% curado. Mas tudo acontece na vida uma vez e não é por acaso. Então a final de 2015-16 foi o ápice eu acho, por esse problema extra-campo, “extra-rinque”. Porque não foi nada fácil. Às vezes eu não queria sair da cama, não queria ir trabalhar, mas tinha que ir, né? E vocês me ajudaram muito também, de uma certa forma, a superar tudo isso.

    De onde surgiu o interesse pelo hockey? 

    Bom eu comecei a gostar de hockey na década de 1980. Já faz muitos anos, muitas de vocês nem era nascidas. Sou velhinho, tenho 39, daqui a pouco faço 40. Mas eu sempre gostei de hockey. Infelizmente, quando eu era garoto, eu nunca tive a oportunidade de jogar porque sempre foi um esporte elitizado, o hockey inline. Fui jogar depois de mais velho porque eu tive uma condição melhor financeira, e o que me aproximou muito do hockey foi exatamente o video game.

    O video game foi fundamental para isso, os primeiros jogos da Electronic Arts: NHL 92, 93 e 94. A 94 me marcou muito. Daí uma coisa leva a outra, transmissões da ESPN, revistas, lojas. Nós tínhamos uma loja aqui (em São Paulo), eu nunca me esqueço, no Morumbi Shopping, que vendia camisetas de hockey, de futebol americano. Inclusive eu tinha uma camiseta do Dallas Stars da Starter, comprada em 1995. Paguei uma fortuna nessa camiseta, na época era tipo 500 reais, uma coisa assim.

    Futuramente, podemos esperar jogos de outras ligas de hockey além da NHL e CHL na ESPN?

    Dando um cenário realista, eu acho muito difícil. Porque as transmissões de hockey são muito caras, hoje em dia nós pagamos para transmitir. Nós não temos uma verba que entra por causa do hockey. Mas isso pode mudar, quem sabe? De uma certa forma, como eu já disse, fortalece a marca ESPN como transmissora dos quatro esportes americanos.

    Eu acho que se o esporte crescer, com certeza nós podemos ter a possibilidade de quem sabe transmitir a Kontinental Hockey League. Talvez seja um dos meus grandes sonhos trazer o hockey russo, que é o segundo melhor hockey do mundo. Mas isso depende da audiência, a gente só vai conseguir isso se a audiência crescer. Para audiência crescer, nós dependemos de uma divulgação maior, que não é só de vocês, que é também da televisão. É um trabalho e esforço maior de todo mundo para trazer mais pessoas (para) acompanharem o hockey.

  • A realocação do Atlanta Thrashers

    A realocação do Atlanta Thrashers

    Os rumores da realocação do Atlanta Trashers, antes incertos, tornaram-se verdade quando a equipe foi vendida para a empresa True North Sports & Entertainment.

    O time foi criado em 1997 na cidade de Atlanta, no estado da Geórgia, e começou a jogar 2 anos depois, em 1999. Por conta do baixo número de comparecimento dos torcedores aos jogos, além de problemas financeiros devido a uma administração ruim, a última temporada do Atlanta Trashers foi em 2010- 11.

    Dessa forma, em apenas uma década, a cidade de Atlanta perdia seu segundo time de hockey na era moderna da NHL. Em nosso segundo artigo sobre 2011 para o especial 10 for 10, o NHeLas aborda a trajetória da realocação do Atlanta Thrashers para Winnipeg, em Manitoba, no Canadá. 

    Origens

    A cidade de Atlanta ganhou uma franquia de hockey em 25 de junho de 1997, juntamente com a expansão da NHL para outras quatro equipes, que viriam a ser o Nashville Predators, o Columbus Blue Jackets e o Minnesota Wild. 

    Contudo, o estado de Geórgia já havia tido uma experiência com hockey anteriormente. O Atlanta Flames foi fundado em 1972, entretanto, o time foi realocado para Calgary, no Canadá, em 1980. O primeiro fracasso com os Flames desencorajou a inclusão de hockey no sul dos Estados Unidos por mais de uma década.

    No Draft de 1999, a loteria deixou o recém-chegado Atlanta Thrashers com a segunda escolha em cada rodada. Numa troca de picks com Vancouver, o time acabou escolhendo 1st overall e selecionou Patrik Stefan. Junto dele, Luke Sellars foi selecionado por Atlanta como a 30ª escolha geral, e 2ª no segundo round.

    Os dois viriam a ser grandes decepções na história do draft. A NHL listou Stefan como o pior first round pick de todos os tempos, e Sellars teve apenas uma partida na Liga. Isso foi uma grande surpresa para a mídia do hockey, uma vez que Stefan era considerado um futuro franchise player.

    A primeira partida dos Thrashers foi em 2 de outubro de 1999, com uma derrota por 4 a 1 para o New Jersey Devils. O primeiro gol da franquia foi de autoria do capitão Kelly Buchberger, e a equipe terminou em último lugar na Southeast Division, com um recorde de 14 vitórias, 61 derrotas e sete empates, com um total de 39 pontos. 

    As melhorias só viriam no ano seguinte. Atlanta teve a 2ª escolha geral no Draft da NHL de 2000 e o jogador selecinado foi Dany Heatley, que viria a se tornar um dos melhores jogadores do time. Além disso, a equipe também teve uma ótima pick no Draft de 2001, com a primeira escolha geral, Ilya Kovalchuk. Consequentemente, eles foram nomeados para a equipe All-Rookie da NHL e Heatley recebeu o troféu Calder Memorial.

    Primeiro (e único) playoffs

    A temporada de 2006-07 foi especial para a equipe. Naquele ano, o time possuía grandes expectativas para irem longe no campeonato. Com um time saudável, composto por bons nomes como Marian Hossa e Ilya Kovalchuk, além de um saudável goleiro em Kari Lehtonen, os Thrashers conquistaram sua primeira e única vaga nos playoffs da história da franquia.

    O time venceu o título da Southeast Division com 43 vitórias. Entretanto, nas nas Quartas de Final da Conferência Leste eles foram eliminados pelo New York Rangers, em apenas 4 jogos. 

    Declínio e eventual realocação para o Canadá

    Após alcançarem os playoffs pela primeira vez, os Thrashers não começaram a temporada 2007-08 bem. Eles perderam os 6 primeiros jogos e consequentemente, a demissão do técnico Bob Hartley veio em 17 de outubro de 2007.

    Quem assumiu o cargo de forma provisória foi o GM Don Waddell. No fim daquela temporada, Thrashers terminaram a temporada com apenas 76 pontos, finalizando em 14º na Conferência Leste.

    Ilya Kovalchuk deixaria os Thrashers pelo New Jersey Devils por não conseguir chegar em um acordo salarial. Em 2010, a equipe de Atlanta terminou em 10° na Conferência, com 83 pontos, o que seria o maior número de pontos conquistados em uma temporada regular desde a conquista do título de divisão.

    Ao passo que os anos passavam, o time se encontrava em uma situação difícil. O fracasso no desempenho do time, em conjunto a perdas financeiras e dificuldades, tornava a equipe alvo de frequente rumores de realocação. Alguns destinos mencionados eram Kansas nos EUA, Quebec, Hamilton, ou Winnipeg no Canadá.

    Por fim, em 22 de janeiro de 2011, foi reportado que a equipe havia perdido 130 milhões de dólares nos últimos seis anos. Isso se deu parcialmente a um processo em andamento com Steve Belkin, um dos maiores shareholders do grupo que era dono do time.

    Apesar de ter existido um esforço de grupos locais da cidade de Atlanta para manter a equipe lá, em maio de 2011 finalmente foi anunciada a venda do time ao grupo canadense True North Sports & Entertainment.

    A princípio, o anúncio de um acordo finalizado foi refutado pela liga, que reconheceu apenas a existência de negociações entre as partes. O comissário da NHL, Gary Bettman, era favorável a realocação, e rapidamente foram feitos planos para as mudanças necessárias no Draft daquele ano.

    O grupo tinha a intenção de levar a equipe para Winnipeg revivendo os antigos Jets, que jogaram de 1979 a 1996 na NHL, antes de serem realocados para o Arizona.

    A venda foi reportada em U$ 170 milhões, incluindo uma taxa de U$ 60 milhões pela realocação. A mudança foi enfim oficializada após aprovação unânime do NHL Board of Governors em junho. Diferentemente dos Flames, dessa vez os direitos sobre o nome e logo da equipe ficaram na cidade, com o Atlanta Spirit Group.

    Enfim, os Thrashers se tornaram os Jets, e o Canadá ganhou, pela segunda vez, uma franquia da NHL diretamente de Atlanta.

    Foto: Reprodução Scott Cunnigham/Getty Images

  • A conquista da Stanley Cup pelo Boston Bruins

    A conquista da Stanley Cup pelo Boston Bruins

    Quinze de junho de 2011. Para nós, talvez, apenas mais um dia qualquer no calendário. Para os Bruins, o dia marcava o direito do time de, após 39 anos de espera, finalmente poder dizer “campeões”. A partir daqui, o Boston se estabelecia, por fim, como um dos melhores times da NHL. E dessa forma, iniciava o que seria uma década repleta de vitórias e quebra de recordes. 

    Portanto, dando início aos eventos importantes do ano de 2011, neste novo texto do especial da década o NHeLas aborda a jornada dos Bruins até a conquista do campeonato naquele ano.

    O caminho até os playoffs

    O Boston começa a modificar o seu time visando a Stanley Cup na off season antes da temporada 2010/11. Para isso, eles começam os trabalhos no próprio Draft de 2010, que aconteceu em Los Angeles. Assim, tendo um 2nd round pick overall, o time selecionou Tyler Seguin, com apenas 18 anos, para reforçar a equipe na nova temporada que chegava. 

    Portanto, com as escolhas no Draft, somadas a trades e ajustes feitos na off-season, os Bruins iniciam a temporada 2010/11 com o pé direito. O primeiro jogo do time é disputado em Praga, República Tcheca, contra os Phoenix Coyotes (hoje, Arizona Coyotes). Com uma vitória por 5 a 2, o time de Boston inicia a season mostrando exatamente ao que veio. 

    A equipe iniciou a temporada muito bem. No entanto, ainda assim se viu disputando o primeiro lugar da northeast division com o Montreal Canadiens. Foi apenas ao fim de Dezembro que o time, finalmente, conquista a liderança da Divisão. Por isso, no final do ano, com 45 pontos, a equipe ocupava o grupo dos 16 times prováveis a irem aos playoffs.

    Seguidamente, o resto da temporada não é diferente. Tendo formado um dos times mais ofensivos da Liga, os Bruins continuariam a conquistar grandes sequências de vitórias nos meses que se seguiram. Mesmo com alguns streaks de derrotas, o time ainda permanecia em altas posições nos standings da Liga. Estas, por fim, que indicavam que o passe para a pós temporada estava cada vez mais perto.

    No entanto, é apenas em 27 de março a equipe de Massachusetts finalmente garante sua passagem de ida aos playoffs. Finalizando a temporada ainda como líderes da divisão, o time também ficou em terceiro lugar na Eastern Conference. Desta forma, com 103 pontos, os Bruins terminaram a season  na sétima posição no overall da Liga e com grande chances de chegar às finais da Stanley Cup.

    Os playoffs

    Era a quarta aparição consecutiva que os Bruins faziam nos playoffs da Stanley Cup. Portanto, após tantos anos de espera, o time entra na disputa com sede de vitória. O primeiro desafio da equipe foi o Montreal Canadiens. Sendo arquirrivais, este talvez tenha sido um dos rounds mais intensos dos Bruins na pós temporada

    A série começou desastrosa para os Bruins, que perderam os dois primeiros jogos em casa. No entanto, o time volta a vencer os próximos três jogos, sendo dois destes na casa do Montreal e um no TD Garden. Desta forma, até o jogo 5, os Bruins lideravam a série com 3 vitórias. Porém, a vitória dos Canadiens na sexta partida faz com que o round vá para um jogo 7. Após uma partida exaustiva, a equipe de Boston vence no overtime e, finalmente, se classifica para a segunda etapa da competição. 

    Se o primeiro round havia sido intenso, a segunda etapa dos playoffs foi o contrário. O adversário dos Bruins eram os Flyers, e as equipes disputaram o primeiro jogo da série na casa do Philadelphia. Sem maiores dificuldades, os Bruins vencem o primeiro jogo por 7 a 3. 

    No entanto, os Flyers vem para o segundo confronto completamente diferentes. A partida acaba em empate no tempo regular e, portanto, vai para o overtime. Após 14 minutos de prorrogação, o Boston conquista mais uma vitória na série que acaba colocando o time em vantagem. São necessários mais dois jogos para que os Bruins eliminem os Flyers da competição. Desta forma, a equipe se classifica para a Conferência Final, onde enfrenta o Tampa Bay Lightning. 

    No primeiro jogo da Conferência Final, o Boston tem um fator importante ao seu favor: home ice. Todavia, não é o suficiente para o time da casa adquirir uma vitória. Porém, no jogo 2, ainda em casa, os Bruins viram a partida e vencem o Tampa por 6 a 5. Após a vitória no jogo 3, o Boston volta a perder dois dos três jogos seguintes.

    Por fim, as equipes terminam o jogo 6 com a série empatada, avançando-a para mais uma partida. Mas apesar dos esforços do Lightning, os Bruins levam a vitória do jogo 7 com apenas um gol. Portanto, após 21 anos, o time de Massachussets volta a se classificar para a final e vê a Stanley Cup cada vez mais perto. 

    O último round da competição é disputado contra o Vancouver Canucks, que finalizou a temporada regular com o Presidents Trophy. E são eles quem vencem os dois primeiros jogos e, assim, garantem grande vantagem sobre o Boston. No entanto, os Bruins se recuperam e voltam a vencer os próximos dois jogos, ambos disputados no TD Garden. Entretanto, quando os Canucks vencem o jogo 5 e o Boston volta a conquistar mais uma vitória no jogo 6, a série se vê empatada. Por isso, acabou se tornando necessário um jogo 7. 

    Boston Bruins campeão

    O último jogo da Stanley Cup Finals é disputado em Vancouver, na Rogers Arena, em 15 de junho de 2011. O que aparentava ser um jogo complicado para os Bruins, acabou por fim tendo o final que o time visitante esperava. Patrice Bergeron marca o primeiro do Boston ainda no primeiro tempo. E partir daí, as coisas só melhoram. 

    Por fim, após 3 períodos, quatro gols, e 39 anos de espera, os Bruins vencem a partida e se tornam os campeões da Stanley Cup. O time acaba levantando a taça na casa dos Canucks, se tornando a sexta Stanley Cup conquistada pela equipe em toda a sua história na NHL.

    Os Bruins também se tornam o primeiro time que disputa o jogo 7 fora de casa e adquire um shutout. Por sua performance estelar nos playoffs, é o próprio goleiro dos Bruins, Tim Thomas, quem fatura o Conn Smythe Trophy, sendo o MVP da pós temporada. 

    Os destaques nos playoffs vão para David Krejci, que foi líder da Liga em pontos na pós temporada (23). O jogador também foi líder em gols, marcando, desta forma, 12 em todos os 4 rounds da competição. Atrás dele, do roster dos Bruins, fica Brad Marchand, com 11 gols. 

    A comemoração

    Por fim, após a entrega do troféu, o Boston finalmente traz a Stanley Cup para casa três dias depois do jogo 7, comemorando a conquista em uma Parade nas ruas de Boston. O time percorre cerca de 3 km, acompanhados de uma multidão de cerca de um milhão de pessoas entusiasmadas com a volta de uma taça para a cidade, que não ocorre desde 2007, quando o Boston Red Sox conquista a World Series.

    Ao longo da década, os Bruins não venceriam mais nenhuma taça, chegando nas finais apenas mais duas vezes. Mas o que o Boston deixa para a Liga nos últimos 10 anos é um legado. De jogadores, recordes e conqusitas. Um grande legado de um time que vem se reconstruindo a cada temporada com um único intuito: trazer a taça de volta para a casa. 

    Portanto, aos fãs, resta esperar e torcer para assistir de perto outra vez a história se repetir este ano. 

  • A evolução dos hits na NHL em 10 anos

    A evolução dos hits na NHL em 10 anos

    O hockey é um esporte físico, e essa talvez seja uma de suas maiores e mais marcantes características. Os hits e checks são fundamentais para a dinâmica do esporte. Portanto, a ideia de que os jogadores precisam aturar todo tipo de dor, muito além da física, contribui para a exclusividade do esporte, o que nem sempre é positivo.

    Quando um oponente está com a posse do puck, o jogador tem a liberdade de usar o qualquer parte do corpo para impedir que este continue a jogada. Assim, acaba lançando um “check”, em que se é permitido atingir a área do peito, ombro ou quadril.

    Porém, como todo esporte de contato, existem riscos ao cometer hits e, principalmente, ser atingido por eles. Consequentemente, diversos jogadores, ao fim de sua carreira, acabam exibindo sinais de ETC (Encefalopatia Traumática Crônica), que se dá por lesões repetidas na região cerebral. 

    Para concluir o mês de fevereiro, e os acontecimentos de 2010, no especial 10 for 10, o NHeLas resolveu revisitar um caso de concussão acontecido há 10 anos que acabou mudando a percepção da Liga em relação aos hits e concussões e, por fim, o próprio jogo. 

    O incidente

    No dia 7 de março de 2010, o Pittsburgh Penguins jogava contra o Boston Bruins. No entanto, o que era para ser uma partida tranquila, acabou desencadeando um fato trágico.

    Em uma jogada, Matt Cooke atingiu Marc Savard, jogador dos Bruins, com um golpe na cabeça, gerando neste último uma grave concussão. Esta forçou Savard a perder dois meses de jogos.

    Matt Cooke (Penguins) atinge Marc Savard (Bruins) na cabeça
    Matt Cooke (Penguins) atinge Marc Savard (Bruins) na cabeça

    Cooke afirmou que não pretendia ferir o jogador. Entretanto, Peter Chiarelli, na época GM do Bruins, disse que “foi um golpe muito certeiro na cabeça”. Seguidamente, até mesmo colegas de equipe de Cooke, como Bill Guerin, mostraram-se indignados, afirmando que esse tipo de hit deveria ter alguma penalidade.

    No entanto, o jogador dos Penguins não recebeu penalidade ou suspensão alguma. Na época, a falta de punição recebeu muitas críticas da comunidade do hockey.

    Consequentemente, Savard foi diagnosticado com síndrome pós-concussão durante o resto da temporada regular, perdendo assim os 23 primeiros jogos da temporada de 2010-11.

    Em janeiro de 2011, ele sofreu uma segunda concussão, quando Matt Hunwick, do Colorado Avalanche, o atingiu novamente na região cerebral.

    Duas concussões sérias em 10 meses foram suficientes para que os Bruins encerrassem a temporada de Savard naquele momento. No entanto, mesmo assim, após ganharem a Stanley Cup de 2011, os Bruins pediram à liga que incluísse o nome de Savard na taça. Tal pedido foi concedido, já que o jogador apenas perdeu os jogos devido a lesão.

    Seguidamente, naquele mesmo ano, Chiarelli voltou a afirmar: “com base no que vejo, o que ouço, o que leio e o que me dizem, é muito improvável que Marc jogue novamente”. Isso, por fim, só viria a confirmar  de fato o fim da carreira de Savard na NHL.

    Em 1 de julho de 2015, o contrato de Savard com os Bruins foi incluído na trade de Reilly Smith para o Florida Panthers, em troca de Jimmy Hayes, devido a circunstâncias de teto salarial.

    Futuramente, em junho de 2016, o contrato de Savard acabou por ser negociado com o New Jersey Devils. Este foi acompanhado de uma escolha da segunda rodada no NHL Entry Draft de 2018, em troca de Paul Thompson e Graham Black. Por fim, Savard veio a anunciar formalmente sua aposentadoria apenas em 22 de janeiro de 2018. Assim, passando-se sete anos após disputar seu último jogo na NHL.

    Savard disse, anos depois, que seus sintomas eram o bastante para que ele fosse considerado uma pessoa suicida. Em uma entrevista, que cedeu em 2017, ele acaba mostrando claramente a perspectiva de alguém que sofreu com tais sintomas.

    “Eu já tinha experimentado três ou quatro pequenas concussões antes, mas nada como isso. Esse foi o começo de alguns dias realmente sombrios. É uma parte da minha vida que eu realmente não gosto de lembrar com muita frequência (…) Eu tive essas dores de cabeça terríveis, e qualquer barulho alto ou luz forte foi … quero dizer, é quase indescritível.” Afirmou  Savard para o The Players Tribune.

    A consequência na Liga

    No dia 24 de março de 2010, em resposta ao fato de Cooke não ter sido suspenso, a Liga implementou a Regra 48. A nova regra tinha o intuito de proibir golpes na região cerebral, como o que custou o resto da carreira de Savard. Segundo a regra: 

    48.1 – Um hit lateral em um oponente onde a cabeça é o alvo ou o ponto principal do contato não é permitido.

    48.2 Minor Penalty – Não há minor penalty nessa penalidade.

    48.3 Major Penalty – Ao violar essa regra, um major penalty deve ser assegurado.

    48.6 Multas e suspensões – Qualquer jogador que receba 2 game misconducts sob esta regra, tanto jogos regulares da Liga ou dos playoffs, será suspenso automaticamente para o próximo jogo que sua equipe jogar. 

    Ao anunciar a regra, o comissário da NHL, Gary Bettman, afirmou que “a eliminação desses tipos de hits devem reduzir o número de lesões, incluindo concussões, sem necessariamente afetar a fisicalidade do jogo. (…) Fiquei chateado que não havia nenhum tipo de punição para tais hits (nas regras da Liga).”

    O futuro dos hits

    O assunto sobre os hits e checks violentos, bem como os resultados destes nos jogadores, sempre foi algo pertinente. No entanto, muitos dividem reações, tanto positivas quanto negativas, em relação ao tema. Alguns acham que é preciso banir todos os tipos de hits. Todavia, outros apreciadores do esporte acham tal atitude muito radical. 

    Ainda sim, vale ressaltar que, independentemente do lado defendido, a regra contra os hits na cabeça só existe há 10 anos.

    Muitos ainda temem que regras como esta possam vir a minimizar demais, ou mesmo acabar com os “encontrões” em jogo e, desta forma, eliminando uma característica que faz o hockey se destacar dos demais esportes. Ou seja, acredita-se mesmo que isso tudo possa vir a “dar um fim” à modalidade.

    Entretanto, a intenção da Liga não é de acabar com os hits, ou fazer o esporte perder sua essência. O intuito é demonstrar como isso pode ser diminuído ou feito com cautela. Além disso, é importante fazer com que o jogador pense em seus movimentos e nas consequências destes, mesmo que o hockey seja um esporte extremamente rápido.

    Às vezes, encontros pontuais, nos quais os jogadores precisam sair do jogo imediatamente, acabam sendo melhores para tratar do que os hits cotidianos, que por fim podem trazer danos futuros.

    A implementação da regra foi bem aceita pela comunidade do hockey. Um ano após ser incluída ao rulebook, os GMS disseram que ela é um passo positivo no esforço contínuo de limitar as concussões no jogo.

    A história de Savard nos mostrou como um acontecimento trágico deu início a discussão sobre como diminuir as concussões e a relação do ETC com estas. Porém, a exemplo da história de Todd Ewen, e muitos outros que já passaram pela Liga, é fato que nem todos chegam a se recuperar, ou mesmo sobrevivem às consequências das lesões cerebrais sofridas.

    A Encefalopatia Traumática Crônica é uma doença neurodegenerativa que se dá devido a lesões constantes na região cerebral. Assim, muito se especula a relação desta com os hits que os jogadores sofrem no gelo. 

    Mas como todo assunto dentro de um ambiente cercado de tradicionalismo, muitos pontos são feitos. Trata-se de uma discussão que talvez não tenha lado certo ou lado errado. Porém, é necessário a conscientização para que os riscos sejam conhecidos e, desta forma, menos jogadores sofram no futuro. 

    Savard, ao falar sobre a importância de sua situação ter desencadeado mudanças na Liga:

    “Sim, estou feliz pelo sucesso que levei a algumas mudanças positivas em relação à segurança dos jogadores. Esperançosamente, em algum momento, esses hits estarão totalmente fora do hockey. Mas o aspecto mental do que passei após o golpe foi tão brutal quanto o próprio golpe. A angústia de não saber o que seria da minha vida e minha identidade era pior do que todas as terríveis dores de cabeça. A ansiedade esmagadora que experimentei foi pior do que qualquer osso quebrado.“

    Talvez não haja uma solução pontual sem ser polêmica. O hockey é um esporte constituído essencialmente por esse tipo de contato. Isso, de certa forma, é o que dá a cara à modalidade em si.

    Entretanto, da mesma forma que pensar nas discussões geradas por esses hits fosse impossível anos atrás, é provável que mudanças continuem acontecendo e que, aos poucos, existirá um futuro melhor e mais saudável para os jogadores de hockey.