Categoria: 10 for 10

  • A conquista da Stanley Cup pelo Chicago Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup pelo Chicago Blackhawks

    Seis temporadas. Foi este o tempo necessário que o Chicago Blackhawks levou para conquistar três Stanley Cups. Isso diz muito sobre o time que os Hawks construíram neste período: consistente, equilibrado e campeão.

    O ano de 2015 teve gosto agridoce para o time de Chicago. Foi a última taça, na década, conquistada pela equipe, mas que foi precedida de uma temporada espetacular e de superação.

    Essa edição do 10 for 10 nos coloca diretamente em 2015 para revisitar a conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    A temporada

    Na pré temporada de 2014-15, os Blackhawks contrataram um novo técnico assistente, Kevin Dineen, com intuito de reforçar a equipe técnica para nova temporada que já batia à porta. Dineen já havia sido colega de time do então head coach dos Hawks, Joel Quenneville, uma das peças essenciais na conquista das duas Stanley Cups anteriores. 

    A equipe estreou na temporada em 9 de outubro contra o Dallas Stars, na casa do oponente e Chicago saiu vitorioso do confronto, começando o ano em uma nota positiva. Posteriormente, o calendário seguiu em um bom ritmo para Chicago e, ao fim de 2014, a equipe possuía um recorde de 25-10-2, encontrando-se, desta forma, na zona de classificação para os playoffs.

    Apesar de estar em boa fase até o momento, o fim de 2014 trouxe notícias trágicas para os Blackhawks: o falecimento do equipment manager da equipe, Clint Reif. O fato abalou toda a equipe, já que Reif era alguém muito querido pela organização. O time acabou fazendo uma homenagem ao falecido funcionário em uma partida contra os Leafs, na qual os jogadores utilizaram as iniciais de Clint em seus capacetes, e a arena inteira fez um minuto de silêncio antes do jogo começar.

    Homenagem do Chicago Blackhawks à Clint Reif

    O ano de 2015 se iniciou para o time com a sua participação no Winter Classic. O jogo foi disputado contra os Capitals, em Washington, diante de um Nationals Park lotado. No entanto, o fim da partida não foi feliz para a equipe visitante, que acabou voltando para Chicago com uma derrota de 3 a 2.

    No restante do mês de janeiro e fevereiro, os Hawks não protagonizam as melhores performances da temporada, e, desta forma, acabam somando muitas derrotas. Porém, em Março, as coisas acabam por se equilibrar, e durante todo o mês, a equipe acabou perdendo apenas 3 jogos. 

    Infelizmente, um mês e alguns dias após a morte de Reif, Chicago recebeu outra notícia fatídica. Steve Montador, ex-jogador da equipe na temporada 2011-12, também veio a falecer, na metade de fevereiro. O jogador era especialmente próximo de Daniel Carcillo, que ainda jogava pelos Hawks naquele ano. Posteriormente, o cérebro do ex-jogador foi estudado e, em suma, descobriu-se que este sofria de CTE, Encefalopatia Traumática Crônica. A doença foi causada pelas fortes concussões que o atleta sofreu durante a carreira, e sua morte abalou a comunidade do hockey. 

    Finalmente, a temporada regular chegou ao fim para o Chicago em 11 de abril de 2015, com uma partida contra o Colorado Avalanche. O time, por fim, finalizou o ano com uma campanha de 48-28-6, ocupando o terceiro lugar na Divisão Central e o quarto na Conferência Oeste, com 102 pontos. Assim, na sétima posição overall da Liga, os Blackhawks partiram para os playoffs e as expectativas eram altas.

    Os Playoffs

    Se formos falar de times que conhecem muito bem os playoffs e a sua dinâmica, esse time é Chicago, principalmente na última década. Após o dois campeonatos conquistados anteriormente, e passando perto em outros anos, os Hawks iniciam sua jornada até a Stanley Cup confiantes de seu potencial, levando este como combustível durante sua estadia na pós-temporada. 

    O primeiro adversário da equipe foi o Nashville Predators. Este que também vinha de uma grande temporada regular, tendo finalizado esta uma posição acima dos Hawks na Divisão Central.

    Chicago ganhou a primeira partida, disputada na casa do adversário, porém perdeu o segundo confronto, também em Nashville. A equipe então voltou para casa, disputando os dois jogos seguintes no United Center e levando a vitória nos dois confrontos. Se vencesse o jogo 5, os Blackhawks passariam diretamente para o segundo round dos playoffs. No entanto, Nashville venceu a quinta partida, levando a série para um jogo seis. Por fim, Chicago saiu vitorioso no sexto confrontro e se classificou para a segunda etapa da competição.

    Desta vez, o oponente era o Minnesota Wild. De todos os confrontos, este foi o que o time menos encontrou resistência. A equipe venceu as duas primeiras partidas diante de sua torcida e, seguidamente, as outras duas disputadas na casa do Minnesota. Após quatro vitórias seguidas, os Blackhawks, por fim, avançaram para as Finais de Conferência. 

    Uma rodada e o Anaheim Ducks. Era apenas isso que separava o Chicago da Final da Stanley Cup. Talvez, esta tenha sido a etapa em que a equipe mais encontrou dificuldades, precisando de todos os sete jogos contra o time de Anaheim. Durante o primeiro jogo do round, os Hawks perderam na casa dos seus adversários. Porém, garantiram uma vitória na segunda partida, deixando assim a série equilibrada. Seguidamente, nos Jogos 3 e 4, Chicago voltou para a casa, novamente perdendo uma partida e vencendo a outra. Com a etapa empatada, os times voltaram para Anaheim, onde os Ducks acabam levando a melhor. Mas, ao vencer o Jogo 6, os Blackhawks forçaram uma sétima partida, e, diante dos fãs do seu oponente, a equipe venceu, encaminhando-se por fim para a Final da Stanley Cup. 

    O destino final do time de Chicago era o confronto contra o Tampa Bay Lightning. Apesar de ter vencido o primeiro confronto, os Hawks acabaram perdendo os dois jogos seguintes, sendo um deles em casa. No entanto, a equipe volta a vencer o Jogo 4 e, em seguida, o Jogo 5. Desta forma, com três vitórias contra duas de Tampa Bay, caso o time vencesse a sexta partida, se consagraria, então, o campeão da Stanley Cup. 

    Blackhawks campeão

    Felizmente para o time da casa, o Jogo 6 aconteceu em Chicago. Aqui, a única coisa que mantia os Hawks longe da Stanley Cup era apenas uma vitória contra Tampa Bay.

    A equipe começou bem. Apesar de nenhum dos times ter marcado no primeiro período da partida, foi a equipe da casa quem deu o pontapé inicial, abrindo o placar com um gol de Duncan Keith. É apenas com este gol que a partida se mantém durante o terceiro período. Por um tempo.

    Aos 14:46 da última etapa do jogo, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede, aumentando mais ainda a vantagem dos Blackhawks. Nos minutos que se seguiram ao fim do jogo, a equipe da casa continuou segurando o placar. 

    Quando a sirene final soou, com o placar de 2 a 0 sobre o Tampa Bay Lightning, e diante de um United Center lotado de torcedores eufóricos, o Chicago Blackhawks foi coroado o campeão da Stanley Cup da temporada 2014-15. 

    Jonathan Toews levantou a Stanley Cup pela terceira vez em cinco anos mas, desta vez, com um gosto especial para o time: das três conquistas, esta foi a primeira em que o capitão ergueu o troféu diante da própria torcida do Chicago Blackhawks. Após a partida, Duncan Keith acabou faturando o Conn Smythe Trophy, eleito o jogador mais valioso (MVP) dos playoffs.

    Além da festa no United Center, o time comemorou com um desfile, que lotou as ruas de Chicago das cores e de torcedores do time, e contou com cerca de 2 milhões de pessoas que comemoraram a conquista junto aos jogadores. 

    2015 marcou o fim de um ciclo para o Chicago. A conquista de três troféus em cinco anos acaba falando muito sobre como a equipe se construiu e reconstruiu neste período, e o porquê levou, merecidamente, o título de melhor equipe da década passada.

    Os Blackhawks não foram perfeitos em boa parte destas temporadas, mas não existe espaço para perfeição completa nos esportes. Há erros e acertos. Às vezes mais uns do que outros. Mas, acima de tudo, existe muito trabalho árduo – o suficiente para que três campeonatos fossem conquistados por Chicago em seis anos, e isso ninguém nunca poderá tirar do time, porque ficou marcado na história. 

    Os últimos anos não têm sido fáceis para os Hawks, e o time tem passado por uma fase de transição. Portanto, como bons fãs do esporte, que possamos lembrar e apreciar essas conquistas e, desta forma, torcer para que, num futuro não muito distante, os Blackhawks voltem a repetir os mesmo êxitos da última década. 

  • Draft Class de 2015: onde estão – PARTE I

    Draft Class de 2015: onde estão – PARTE I

    Poucos drafts, em qualquer liga que seja, têm o impacto que a seleção de 2015 causou na NHL. Encabeçada pelo talento generacional de Connor McDavid, a classe produziu um grande número de grande jogadores. Alguns deles inclusive chegam aos status de superstar ou franchise player, tamanha a sua qualidade. A última vez que um prospect foi tão desejado e esperado pelas equipes no páreo para a primeira escolha havia ocorrido dez anos antes. Na ocasião, em 2005, Sidney Crosby foi draftado por Pittsburgh.

    Com a first pick de 2015, o Edmonton Oilers somava quatro ocasiões em que haviam figurado no topo do draft em uma mesma década. Entretanto, o último nome que a equipe de Alberta havia escolhido, Nail Yakupov, não havia rendido o que se esperava dele. Acrescentar um jogador do calibre de McDavid não implicaria em apenas um aumento na qualidade do plantel. Isso também seria um boost na confiança do torcedor na equipe. Além disso, existe todo o retorno financeiro que ter um superstar proporciona. 

    O resto do top 3 foi completado pelo Buffalo Sabres, cujos fãs levavam cartazes com os dizeres “Tank for McDavid” (afundem por McDavid, em tradução literal) à arena, e pelo Arizona Coyotes. Em um mar de prospects de qualidade, equipes como Boston, que possuía três escolhas seguidas (#13, #14 e #15), tiveram a oportunidade de selecionar peças importantes para o rejuvenescimento de sua equipe. 

    CONNOR MCDAVID, C, EDMONTON OILERS (#1 overall): (Mc)Jesus, superstar

    A carreira de McDavid na Ontario Hockey League (OHL) já começou dando indícios de como seria dali para a frente. Ao ganhar status excepcional, o canadense se juntou ao Erie Otters com 15 anos de idade. Antes disso, McDavid cogitou a possibilidade de não atuar na Canadian Hockey League (CHL). Assim seria elegível para o hockey universitário, onde atuaria pela Boston University. 

    Uma vez nos Otters, o canadense já começou sua carreira junior quebrando recordes de maior pontuação por um novato e foi escolhido o rookie do ano na OHL em 2013. Nos anos seguintes McDavid foi ganhando cada vez mais destaque entre os jovens atletas da CHL e em 2014/2015 foi escolhido capitão da sua equipe. Tido como um futuro franchise player em potencial muito antes de seu draft, a possibilidade de poder escolher McDavid colocou muitos times em polvorosa.

    Em seu ano de elegibilidade o canadense ficou fora de comissão quase dois meses após quebrar a sua mão em uma briga. Ainda assim, o center teve números significativos na temporada regular da OHL. Além disso, foi o vencedor do prêmio Wayne Gretzky 99, dado ao melhor jogador dos playoffs. A trajetória de McDavid no major juniors se encerrou em 2015 com seu draft. O atleta venceu os prêmios de melhor jogador da OHL e da CHL, se tornando o mais premiado da história da Ontario Hockey League.

    Depois de ter sido escolhido por Edmonton, ele assinou seu contrato com o time e fez sua estreia na NHL em outubro de 2015. Entretanto, a campanha de rookie de McDavid foi interrompida após uma partida contra o Philadelphia Flyers. Após uma colisão com um defensor, o center quebrou a clavícula em novembro. McDavid retornou ao gelo apenas em fevereiro, perdendo quatro meses da temporada regular dos Oilers. Ainda assim, o atleta foi um dos finalistas do Calder Memorial Trophy, dado ao rookie do ano, mesmo tendo disputado apenas pouco mais da metade das partidas da sua equipe na temporada. Naquela off-season, o center se tornou o capitão mais jovem da NHL ao receber o C do Edmonton Oilers

    A temporada seguinte foi a guinada para a ascensão de McDavid como um dos melhores, quiçá não o melhor, da Liga. Com uma combinação letal de velocidade e habilidade, o canadense alcançou a marca de 100 pontos ao final de seu segundo ano na NHL. Com 30 gols e 70 assistências, ele venceu o Art Ross Trophy, o Ted Lindsay Award e o Hart Memorial Trophy, além de ter chegado ao segundo round dos playoffs com os Oilers. McDavid foi apenas o décimo atleta a vencer todos os troféus em uma mesma noite na história da Liga. Ainda naquela intertemporada, o canadense estendeu seu compromisso com os Oilers por mais oito anos, passando a ter o maior salário da NHL com 12.5 milhões de dólares anuais. 

    Nos dois anos seguintes McDavid superou sua campanha premiada, anotando 108 e 116 pontos em 2017/2018 e 2018/2019, respectivamente. Entretanto, o desempenho de sua equipe continuou deixando a desejar, apesar do canadense ter Leon Draisaitl (tal qual Sidney Crosby tem Evgeni Malkin) ao seu lado para partilhar a responsabilidade ofensiva dos Oilers. Os resultados decepcionantes fizeram inclusive com que a habilidade de liderar do center tivesse sido posta em xeque. Edmonton teve então mudanças tanto na comissão técnica quanto em seus gestores, com o fim da era Chiarelli no início de 2019. Em 2018 McDavid foi novamente contemplado com o Art Ross e o Ted Lindsay, além de ter sido um All-Star em todos os anos desde 2017. 

    Atualmente o canadense é, sem dúvidas, um dos maiores nomes do esporte e já busca seu espaço no Olimpo dos melhores do hockey. Entretanto, embora McDavid tenha números impressionantes (afinal, o atleta tem 469 pontos em 351 partidas), a falta de campanhas vitoriosas com seu Edmonton Oilers é a grande questão para legado do jovem center na Liga. Todavia, para a sorte de McDavid, o atleta tem apenas 23 anos e uma abundância de talento, talvez ele apenas precise de um empurrãozinho dos deuses do hockey para trazer a Stanley Cup de volta a Edmonton. 

    JACK EICHEL, C, BUFFALO SABRES (#2 overall): o prêmio de consolação na forma de o “faz-tudo” de Buffalo

    Ainda que o jogador que fosse selecionado após Connor McDavid tivesse uma autoestima maior do que a Via Láctea (e a deste second pick chega perto disso), seria difícil competir pelos holofotes com o center canadense. Afinal, o Buffalo Sabres havia abertamente tentado perder o máximo possível para otimizar suas chances de ganhar a primeira escolha daquele ano. 

    Em um ano comum, uma equipe ficaria em êxtase ao ter um atleta como Eichel cair em seu colo com a segunda escolha. Todavia, no draft de 2015 o americano representava nada mais do que o fato de que Buffalo havia perdido a loteria e, consequentemente, a chance de draftar Connor McDavid. Mas posteriormente à sua chegada em Buffalo com uma espécie de complexo de inferioridade em cima dele como uma nuvem tempestuosa, Eichel teve muito sucesso antes de se profissionalizar. 

    Como grande parte dos atletas americanos, ele passou dois anos no USA Hockey National Team Development Program (USNTDP) entre 2012/2013 e 2013/2014. Na temporada seguinte Eichel foi para a NCAA (National Collegiate Athletic Association) jogar hockey universitário com os Terriers da Boston University. Será que em um universo paralelo Eichel e McDavid seriam parceiros de equipe na Boston University ao invés de rivais?

    Antes do draft Eichel venceu o Hobey Baker, prêmio de melhor atleta universitário, o primeiro calouro a ter esta honra desde Paul Kariya em 1993. Após ser escolhido como artilheiro da Hockey East, jogador do ano, calouro do ano e MVP da conferência, dentre outras honras, o americano finalizou a temporada em segundo lugar no ranking dos patinadores norte-americanos. 

    Eichel assinou seu contrato profissional logo após o draft, tendo, assim, encerrado sua carreira universitária. O americano estreou na NHL quebrando recordes, ao se tornar o Sabre mais jovem a marcar um gol, no início de outubro de 2015. O center terminou sua temporada inaugural na Liga somando 56 pontos em 81 partidas, atrás apenas do, então atleta de Buffalo, Ryan O’Reilly.

    A temporada seguinte foi mais curta para o americano, que se lesionou no primeiro jogo e ficou quase três meses fora do rinque. Ainda assim, Eichel terminou o ano com 57 pontos em 61 partidas, superando os números do ano anterior com 20 jogos a menos. Naquela off-season o center também teve seu contrato com Buffalo estendido por mais oito anos, por nada menos do que 10 milhões anuais. 

    Durante a próxima temporada Eichel foi escolhido para o All Star Game de 2018 e aumentou sua produção ofensiva, embora tenha sofrido outra lesão que o fez perder jogos. Ele terminou o ano com 64 pontos em 67 partidas. Antes do início de 2018/2019 o atleta teve duas grandes mudanças em sua jersey: a alteração do número 15 para o 9, que ele usava na BU, além do C que passou a figurar no seu peito. Em 2018/2019 Eichel teve sua melhor campanha até hoje, com 82 pontos em 77 partidas e, no ano seguinte, 78 pontos em 68 partidas. 

    Desde que passou a ser o capitão da equipe, Eichel passou a reclamar cada vez mais do desempenho de sua equipe. A consequência das reclamações públicas? Uma onda de demissões em todo o front office de Buffalo, inclusive do GM Jason Botterill. Neste último junho o americano inclusive afirmou que estava cansado de perder, o que fez com que surgissem rumores sobre o center requisitar uma eventual troca e para onde ele seria enviado

    Atualmente Eichel tem 337 pontos em 354 partidas e é um center importante não apenas para a sua equipe, assim como para o futuro da seleção americana. Entretanto, após Auston Matthews ter despontado como a maior jovem estrela do hockey americano, o capitão dos Sabres ficou, novamente, em segundo plano. 

    DYLAN STROME, C, ARIZONA COYOTES (#3 overall): quando tudo o que precisava era trocar o deserto pela ventania

    Se alguém sabe o que é ser colocado em segundo plano ao dividir os holofotes com Connor McDavid, esse alguém é Dylan Strome, mas o canadense está acostumado com isso. Vindo de uma família de jogadores de hockey, Strome é o segundo dos irmãos a chegar até a NHL. Seu irmão mais velho, Ryan Strome, é jogador do New York Rangers (e ex-companheiro de McDavid nos Oilers), enquanto o mais novo, Matthew Strome, é prospect do Philadelphia Flyers. O center iniciou sua carreira no major juniors em 2013, pelo Erie Otters da OHL. 

    Ainda que McDavid fosse o centro das atenções na equipe, Strome se destacou por sua proficiência no ataque. Afinal, ele venceu o prêmio de maior pontuador tanto da OHL quanto da CHL no seu ano de elegibilidade. Uma das razões pelas quais o atleta foi ranqueado em quarto entre os patinadores da América do Norte foi o seu tamanho e tenacidade, que compensavam as deficiências técnicas claras em sua patinação (algo que é comum a todos os irmãos Strome, que são notoriamente patinadores ruins). 

    Embora o center tenha assinado seu contrato com os Coyotes logo após o draft, ele retornou ao Erie Otters para amadurecer seu jogo. Na OHL ele forjou uma parceria com Alex DeBrincat, estando este em seu ano de elegibilidade para o draft de 2016, e os dois encontraram sucesso juntos. No ano seguinte Strome finalmente fez sua estreia na NHL, mas em novembro Arizona decidiu que ele ainda precisava de mais tempo de major juniors, mandando-o de volta para os Otters. 

    Tendo atingido o limite de idade permitido para competir na CHL, o center finalmente passou a integrar o elenco dos Yotes. Entretanto, depois de um início decepcionante sem pontuar, o canadense foi enviado para o Tucson Roadrunners, afiliado da American Hockey League (AHL). Em 50 partidas na AHL, ele fez 53 pontos e foi escolhido como All Star desta liga. O retorno à NHL se deu apenas em março de 2018 e o center terminou a temporada com os Coyotes. Ao não se classificarem para a pós temporada a equipe retornou Strome aos Roadrunners para a campanha do time nos playoffs da Calder Cup. 

    Embora Strome tenha sido draftado com o pedigree de um top prospect, seu desenvolvimento não estava acontecendo no ritmo esperado por Arizona. Por isso, em novembro de 2018 ele foi trocado, juntamente com Brandon Perlini, para o Chicago Blackhawks, por Nick Schmaltz. A mudança de ares parece ter tido um efeito positivo no canadense, que se reuniu com seu ex-companheiro de OHL, DeBrincat, e o center terminou a sua primeira temporada nos Hawks com 51 pontos em 58 partidas. Atualmente Strome soma 105 pontos em 164 partidas na NHL. 

    MITCH MARNER, C/RW, TORONTO MAPLE LEAFS (#4 overall): vivendo um sonho de infância

    Como (quase) toda criança na Greater Toronto Area (GTA), Mitch Marner cresceu torcendo pelo Toronto Maple Leafs. Embora tenha recebido uma oferta de bolsa da Universidade de Michigan, a carreira do jogador canadense iniciou-se no London Knights da OHL. Por sua estatura pequena e porte físico mais miúdo, Marner gerava dúvidas nos olheiros, que preocupavam-se com seu desenvolvimento. Entretanto, o talento do jovem foi o bastante para que esses questionamentos ficassem em segundo plano, e ele acabou sendo draftado em quarto por seu time do coração.

    Anotando 59 jogos em 64 partidas, Marner ficou em segundo na corrida por rookie do ano da OHL, sendo desbancado apenas por Travis Konecny, então do Ottawa 67’s. Em seu ano de elegibilidade para o draft, o canadense encontrou em Max Domi o parceiro de linha perfeito. Assim, apesar do seu físico, Marner ficou ranqueado entre os melhores patinadores da América do Norte. Escolhido em quarto por Toronto, ele assinou seu contrato imediatamente, mas retornou à OHL para prosseguir com o seu desenvolvimento, tanto físico quanto técnico.

    A temporada seguinte foi como um sonho para o recém-nomeado co-capitão dos Knights. Jogando com Christian Dvorak e Matthew Tkachuk, Marner levou a equipe de London não só ao título da OHL, assim como à Memorial Cup. Ele foi o recipiente do troféu Wayne Gretzky 99, assim como os títulos de MVP e artilheiro das finais da CHL. Não foi uma surpresa quando, no início da temporada 2016/2017, Marner passou a fazer parte do plantel do Toronto Maple Leafs.

    O winger terminou a primeira temporada com 61 pontos em 77 jogos, mesmo tendo contraído mononucleose na segunda parte da temporada. Marner ajudou sua equipe a chegar na pós-temporada, onde os Leafs foram eliminados no primeiro round por Washington. Juntamente com Auston Matthews, o canadense se tornou a face do revival dos Maple Leafs nessa nova era do clube. No ano seguinte Marner terminou a temporada com 69 pontos em 82 jogos, mas sua equipe amargou outra derrota no primeiro round, dessa vez para o Boston Bruins.

    A terceira temporada do atleta na NHL, em 2018/2019, também era a última de seu contrato de novato. Marner anotou 26 gols e 68 assistências, somando 94 pontos em 82 jogos, sua melhor campanha até agora. A pós-temporada chegou com o canadense cheio de polêmicas à sua volta, especialmente pelos comentários feitos por sua assessoria e vazados na imprensa de Toronto. Depois que Matthews estendeu seu contrato, parecia que Marner havia ficado em segundo plano. 

    Entretanto, depois de idas e vindas, time e jogador conseguiram entrar em acordo e o winger teve seu compromisso estendido com os Leafs por mais seis anos, avaliado em cerca de 10.9 milhões anuais. Nesta última temporada o atleta somou 67 pontos em em 59 partidas antes da paralisação pela pandemia do COVID-19. No total, Marner tem 291 pontos em 300 jogos (83 G e 208 A). 

    NOAH HANIFIN, D, CAROLINA HURRICANES (#5 overall): o menino de Boston que foi de Carolina a Calgary

    Hanifin atuou pelo USNTDP por um ano, durante a temporada 2013/2014 antes de iniciar sua carreira universitária aos 17 anos, com os Eagles da Boston College. Com o melhor ranking de um defensor na América do Norte (3º lugar), o americano poderia ter sido draftado em qualquer posição após o top 2 já esperado. Entretanto, foi Carolina que o escolheu na quinta posição, para continuar o processo de rejuvenescimento da sua defesa. 

    Tal como McDavid e Eichel, o defensor estreou na NHL logo após ser draftado. Durante os três anos em que atuou pelos Canes, o americano foi protegido de embates mais complexos, para que seu jogo pudesse se desenvolver no tempo certo até atingir certa maturidade. O americano foi o representante da equipe de Carolina no All Star Game de 2018, a primeira vez que ele foi para o evento. Entretanto, a história de Hanifin com a equipe de Raleigh viu seu fim na intertemporada de 2018. 

    O defensor, juntamente com Elias Lindholm, foi trocado para o Calgary Flames por Dougie Hamilton, Micheal Ferland e os direitos de Adam Fox, prospect que atuava pela Universidade de Harvard. Em Calgary o jogador passou a ter mais responsabilidades, além de um lugar fixo no top 4 da defesa dos Flames, geralmente formando um par com Travis Hamonic. Embora o defensor tenha dado passos largos em seu desenvolvimento, ainda há um bom caminho a se percorrer para que ele se torne um defensor de peso na Liga. 

    Ainda assim, Hanifin tem sido importante como um dos principais nomes da defesa de Calgary. O americano é o atleta da classe de 2015 com mais jogos disputados, 389, com uma boa folga em relação aos dois mais próximos desse número, Eichel (354) e McDavid (351). Atualmente ele soma 138 pontos em 389 jogos e no ano passado seu contrato com os Flames foi estendido por seis anos, avaliado em cerca de 4.95 milhões anuais. 

    IVAN PROVOROV, D, PHILADELPHIA FLYERS (#7 overall): futuro defensor de elite ou espião russo contratado para vigiar o Gritty?

    Com a NHL como seu objetivo final, Provorov se mudou da Rússia para os Estados Unidos alguns anos antes de atingir a idade para jogar no major juniors. Assim, quando foi selecionado para o Brandon Wheat Kings da Western Hockey League (WHL), o russo já havia se familiarizado com a cultura norte-americana, assim como as dimensões do gelo e até mesmo a língua. Em seu ano de elegibilidade o defensor fez 61 pontos em 60 partidas pelos Wheat Kings, sendo selecionado pelos Flyers com a sétima escolha do draft. 

    O russo então assinou seu contrato com a equipe, mas foi retornado à WHL para adquirir mais experiência. A temporada da equipe de Manitoba em 2015/2016 foi quase como um sonho de fadas, já que Brandon venceu o título da WHL e chegou nas finais da Memorial Cup. Entretanto, a equipe não conseguiu vencer sequer uma partida. Ainda assim, Provorov foi selecionado o melhor defensor da WHL naquele ano.

    No ano seguinte o russo conseguiu se firmar na equipe dos Flyers depois de impressionar no training camp. Desde então Provorov não deixou de jogar sequer uma partida pela equipe da Filadélfia. Ao final de sua temporada de estreia, o defensor foi selecionado como o melhor de sua posição na equipe, em premiação interna. Ele terminou sua campanha de rookie com 30 pontos em 82 aparições pelos Flyers. Já em 2017/2018 Provorov jogou os playoffs da NHL pela primeira vez em sua carreira, perdendo para o Pittsburgh Penguins no primeiro round.

    Mesmo com a derrota, o russo se destacou durante a temporada regular, e foi se firmando cada vez mais como o nome do futuro na defesa laranja. Nos playoffs, Provorov jogou com uma lesão relativamente séria no ombro, que dificultava certos movimentos, inclusive a pegada em seu stick. Em 2018/2019 o jogador teve atuações menos constantes, o que gerou preocupação acerca do seu desenvolvimento, mas na última temporada regular ele voltou a produzir e atuar como um top defenseman. Na intertemporada de 2019 os Flyers estenderam o contrato do russo por mais seis anos, com um salário anual de cerca de 6.75 milhões de dólares.

    ZACH WERENSKI, D, COLUMBUS BLUE JACKETS (#8 overall): Big Z chegou com um bang!

    Assim como Eichel e Hanifin, Werenski também fez parte do USNTDP antes de iniciar sua carreira universitária. E assim como os dois nativos de Massachusetts, o defensor americano também optou por uma universidade de seu estado, que no caso dele é a Universidade de Michigan. Após jogar seu ano de elegibilidade na NCAA, Werenski foi a escolha do Columbus Blue Jackets no primeiro round do draft de 2015. 

    Em 2015/2016 o defensor retornou ao Michigan Wolverines para sua segunda temporada com a equipe, e quando esta se finalizou ele assinou seu contrato profissional com os Jackets. Werenski então se juntou ao Lake Erie Monsters da AHL para os playoffs da Calder Cup. O americano ajudou a equipe a conquistar seu primeiro título, com cinco gols e nove assistências na campanha.

    Já a sua temporada de estreia na NHL o defensor fez 47 pontos em 77 jogos, o que lhe rendeu uma indicação ao Calder Memorial Trophy. Nos playoffs daquele ano Werenski sofreu uma lesão particularmente feia na série contra os Penguins. Ao levar um puck no rosto, o americano levou vários pontos e seu olho ficou tão inchado que não abriu mais. A lesão inclusive rendeu uma camiseta com o rosto machucado do defensor, com a renda revertida para a caridade. 

    Em 2018 Werenski participou do seu primeiro All Star Game, representando Columbus juntamente com Seth Jones. Nos playoffs do mesmo ano o defensor lesionou o ombro e, em decorrência da cirurgia necessária, perdeu cerca de seis meses se recuperando. Na off-season de 2019 os Blue Jackets e o americano estenderam o contrato por mais três anos, no valor de 5 milhões de dólares anuais. Em 300 jogos na carreira, o atleta possui 169 pontos. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Pavel Zacha, C, New Jersey Devils (#6 overall): um top prospect da classe de 2015, o tcheco não vingou. Considerando o número e a qualidade dos prospects disponíveis, Jersey fez a escolha errada. Mas como os deuses do hockey às vezes são bondosos, a equipe foi presenteada com dois first overall em um curto espaço de tempo, em 2017 e 2019. 

    Timo Meier, RW, San Jose Sharks (#9 overall): o suíço jogou quatro temporadas na Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL), entre a temporada 2013/2014 e 2015/2016. O atleta tem 157 pontos em 263 partidas e em 2019 assinou um contrato de quatro anos avaliado em 24 milhões de dólares. 

    Lawson Crouse, LW, Florida Panthers (#11 overall): um dos protagonistas do melhor vídeo pré-draft, quando ele comeu uma minhoca, Crouse foi trocado dos Panthers para Arizona pouco mais de um ano após ter sido selecionado pela equipe da Flórida. 

    Jake DeBrusk, LW, Boston Bruins (#14 overall): a única escolha certa dos Bruins em suas três picks seguidas durante o primeiro round de 2015, o canadense tem 120 pontos em 203 partidas e uma final da Stanley Cup no currículo. 

    Colin White, C, Ottawa Senators (#21 overall): outro fruto do USNTDP, o americano jogou pela Boston College do hockey universitário entre 2015 e 2017. Em sua primeira temporada completa na NHL em 2019/2020, ele somou 23 pontos em 61 jogos. 

    Ei, você que chegou até aqui! Se você está se perguntando cadê o Fulano ou o Beltrano, o NHeLas te explica: com o número invejável de jogadores de impacto produzidos por essa classe, achamos melhor dividir esse texto em duas partes. Logo mais teremos a parte dois por aqui, fiquem de olho!

    (Foto: Reprodução/TheAthletic.com)

  • Os Outdoor games de 2014

    Os Outdoor games de 2014

    O hockey praticado atualmente é restrito a uma arena com um rinque de gelo artificialmente construído. Entretanto, a história do hockey mostra que o esporte era originalmente praticado ao ar livre, em rios, lagos e outras superfícies de gelo. Inclusive, o primeiro jogo em uma arena fechada aconteceu somente em 1875, e foi uma novidade para a época.

    O primeiro jogo ao ar livre da NHL na temporada regular aconteceu em 2003, entre  Edmonton Oilers e Montreal Canadiens. Embora o jogo tenha acontecido em temperaturas que chegaram a -19 °C, o espetáculo atraiu mais de 57 mil fãs e foi aclamado como um sucesso. 

    Seja para voltar às origens, ou simplesmente criar a possibilidade de assistir o hockey com outra perspectiva, o fato é que os jogos ao ar livre, ou outdoor games, são um produto diferenciado na NHL. 

    Em mais uma matéria do “10 for 10”, trazemos o caso dos outdoor games de 2014

    Winter Classic de 2014

    Outdoor game - Tor vs Det

    Por causa de um duelo entre duas equipes universitárias de Michigan, a NHL teve o interesse de fazer um Winter Classic naquele estado. Em 11 de dezembro de 2010, os Wolverines, da University of Michigan, venceram a partida ao ar livre contra os Spartans, seus rivais da Michigan State University. O confronto no Michigan Stadium, em Ann Arbor, teve 104.173 espectadores.

    Em 8 de fevereiro de 2012, o Conselho de Regentes da Universidade de Michigan autorizou o diretor atlético Dave Brandon a negociar um contrato com a NHL referente ao Winter Classic. No dia seguinte, a NHL anunciou no Comerica Park que o Classic 2013 aconteceria no Michigan Stadium. Já o Great Lakes Invitational aconteceria no Comerica Park.

    O jogo foi originalmente planejado para acontecer em 1º de janeiro de 2013. Porém foi adiado para o ano seguinte devido ao lockout da NHL em 2012–13.

    O confronto entre os Red Wings e os Maple Leafs, uma rivalidade entre dois Original Six, foi a primeira vez que uma equipe dos Estados Unidos e outra do Canadá se enfrentaram em um outdoor game da NHL.

    A temperatura de – 10 °C não impediu o jogo de ser quente.

    No começo, a partida permaneceu sem gols, até Daniel Alfredsson marcar pelos Red Wings no segundo período. James van Riemsdyk empatou o jogo para Toronto com 37 segundos restantes no relógio. No início do terceiro período, Tyler Bozak deu a Toronto a liderança. Justin Abdelkader então empatou o jogo com 5:22 faltando para acabar.

    O empate levou para o shootout, no qual o gol de Tyler Bozak deu a vitória para o Leafs por 3-2.

    O público presente foi de foi de 105.491 pessoas, até hoje o maior em jogos ao ar livre da NHL. Quando comparado ao 2° maior público presente (o jogo deste ano entre Dallas Stars e Nashville Predators), a diferença ainda é de quase 20 mil pessoas. Revisitando os outdoor games dos últimos anos, a NHL considerou este evento o maior jogo ao ar livre da década, de acordo com diversos jornalistas.

    Stadium Series 2014

    A Stadium Series 2014 foi uma nova série de jogos ao ar livre da NHL que passaram a ser disputados na temporada regular de 2013-14. Naquele ano, foram quatro confrontos diferentes, envolvendo sete equipes: Los Angeles Kings contra Anaheim Ducks no Dodger Stadium, em Los Angeles, em 25 de janeiro de 2014; New Jersey Devils contra New York Rangers no Yankee Stadium, na cidade de Nova York, em 26 de janeiro; New York Islanders contra os Rangers novamente, no Yankee Stadium, em 29 de janeiro; e Pittsburgh Penguins contra Chicago Blackhawks no Soldier Field, em Chicago, em 1 de março de 2014.

    A Stadium Series foi realizada entre os dois outros jogos ao ar livre da temporada: o NHL Winter Classic e o Heritage Classic, em Vancouver, no dia 2 de março.

    Uma novidade que a Liga trouxe na época para o novo evento foi um redesign dos logos de cada equipe envolvida. Como de costume para jogos ao ar livre, os times fizeram uniformes alternativos para as partidas. O detalhe especial estava nos escudos, que ganharam uma versão “3D”.

    Na primeira partida dessa série, o Anaheim Ducks ganhou de 3-0 contra a equipe anfitriã, Los Angeles Kings. Nos dois jogos seguintes, o New York Rangers enfrentou o New Jersey Devils e depois os Islanders, e saiu vitorioso em ambas as partidas, por 7-3 e 2-1, respectivamente. Assim, após a conclusão de seus dois jogos da Stadium Series, os Rangers eram a equipe com mais outdoor games na época, somando quatro.

    Chicago joga um outdoor game

    O quarto e último jogo da NHL Stadium Series 2014 ocorreu em 1º de março de 2014, no Soldier Field, em Chicago. A partida foi entre Pittsburgh Penguins e Chicago Blackhawks. O time da casa derrotou Pittsburgh por 5-1, com Corey Crawford fazendo 31 defesas. Jonathan Toews marcou dois gols pelos Hawks, enquanto os outros três foram marcados por Patrick Sharp, Kris Versteeg e Bryan Bickell. James Neal foi responsável pelo único gol de Pittsburgh. Até hoje, este foi o único jogo ao ar livre que Chicago venceu, mesmo eles sendo a equipe com mais participações atualmente (seis ao todo). 

    2014 Heritage Classic

    O NHL Heritage Classic de 2014 fez parte de uma série de jogos ao ar livre que acontecem tradicionalmente no Canadá, desde 2003, com edições também em 2011, 2016 e 2019. Em 2014 o evento aconteceu no dia 2 de março, no BC Place, em Vancouver e teve o Ottawa Senators enfrentando os Canucks. Entretanto, o Heritage Classic de 2014 foi o primeiro jogo ao ar livre a ser disputado em uma arena tecnicamente considerada fechada, já que o BC Place é um local que possui teto retrátil.

    Devido às duras condições de temperatura, houve um anúncio horas antes do jogo que o teto do BC Place ficaria fechado durante o jogo que contou com 54.194 espectadores presentes.

    Os Canucks conquistaram uma vantagem de 2-0 no primeiro período, com gols de Jason Garrison e Zack Kassian. Então, os Senators marcaram quatro gols, terminando a partida em 4-2. Este foi o último jogo do goleiro Roberto Luogo como jogador dos Canucks, após 8 temporadas no Canadá. 

    2014 foi um ano excepcional para os outdoor games devido a grande quantidade total de partidas: 8 no total. Isso trouxe alguns questionamentos acerca dos eventos, uma vez que a grande quantidade de jogos poderia tirar a magia das partidas ao ar livre. Por outro lado, a possibilidade de mais eventos outdoor permite que mais pessoas possam assistir o hockey dessa forma, já que os ingressos costumam ser concorridos. Além disso, esses eventos grandes possibilitam a expansão do hockey nos Estados Unidos. Esses jogos levam as equipes e o esporte para outros mercados, permitindo que localidades não tão grandes, com times menores, tenham a possibilidade de expor seus talentos e conseguir atrair mais fãs para a modalidade.

  • Draft Class de 2014: onde estão

    Draft Class de 2014: onde estão

    A 52ª edição do NHL Draft ocorreu em 27 e 28 de junho de 2014, no Wells Fargo Center, casa do Philadelphia Flyers. A elegibilidade dos atletas disponíveis para seleção ia daqueles nascidos em 01/01/1994 até 15/09/1996, a data limite estabelecida pelo CBA (Collective Bargain Agreement).

    Quanto a atletas não provenientes da América do Norte, a sua elegibilidade se estendia aos nascidos no ano de 1993. O mesmo se aplica àqueles nascidos depois de junho de 1994 que foram draftados em 2012 mas não assinaram contrato com os clubes que os escolheram.

    Os rankings oficiais estabelecidos pelos olheiros traziam um top 3 dos patinadores norte-americanos, formado pelos canadenses Sam Bennett, Aaron Ekblad e Sam Reinhart. Já os europeus foram ranqueados na seguinte ordem em seu top 3: Kasperi Kapanen, William Nylander e Kevin Fiala. Os goleiros mais bem ranqueados foram Thatcher Demko (América do Norte) e Ville Husso (Europa).

    A primeira escolha foi dada ao Florida Panthers após a loteria do draft. Assim, a equipe de Sunrise pulou da segunda posição para o desejado primeiro lugar.

    AARON EKBLAD, D, FLORIDA PANTHERS (#1 overall): o xerife de Sunrise

    O canadense foi o primeiro defensor a ser escolhido com a primeira escolha do draft desde que o St. Louis Blues optou por Erik Johnson em 2006. Desde então apenas um outro jogador desta posição foi selecionado em primeiro, o sueco Rasmus Dahlin, 1st overall do Buffalo Sabres em 2018.

    Natural de Windsor, na província de Ontário, Ekblad iniciou sua carreira no major juniors com status de jogador excepcional. Isso permitiu que ele passasse a competir na Ontario Hockey League (OHL) com 15 anos. 

    No Barrie Colts, o defensor competiu por três anos, durante os quais se destacou por sua maturidade no gelo e fora dele. Na votação dos técnicos da OHL, Ekblad foi lembrado em diversas categorias no seu ano de elegibilidade para o draft e terminou a temporada 2013-14 ranqueado em segundo lugar entre os patinadores da América do Norte.

    Quando os Panthers foram chamados ao palco na Filadélfia o defensor canadense foi escolhido. A equipe da Flórida visando um 1D que fosse servir à blue line do clube durante muito tempo. 

    Após uma excelente campanha em seu primeiro ano da NHL, Ekblad venceu o Calder Memorial Trophy de melhor novato. O defensor canadense desbancou Mark Stone, então jogador do Ottawa Senators, e Johnny Gaudreau, do Calgary Flames. Embora tenha sofrido com concussões em seus primeiros cinco anos na Liga, Ekblad é parte importante da defesa dos Panthers e é uma das figuras de liderança no vestiário da equipe.

    SAM REINHART, C, BUFFALO SABRES (#2 overall): “não podemos esperar ganhar jogos por 6 a 5”

    Reinhart iniciou sua carreira pelo Kootenay Ice da Western Hockey League (WHL), de onde foi selecionado pelo Buffalo Sabres com a segunda escolha do draft de 2014. Embora o canadense tenha estreado pela equipe americana na temporada 2014-15, ele atuou em apenas nove partidas antes de ser retornado à WHL. Com o fim da temporada do Ice, o center chegou a atuar pelo Rochester Americans da American Hockey League (AHL).

    Entretanto, apesar de ter sido draftado em uma posição alta, o rendimento do jogador é alvo de críticas desde que ele se firmou na NHL. Reinhart não obteve o sucesso que os Sabres esperavam quando o selecionaram, e sua importância na equipe foi diminuindo com o surgimento de outros jogadores no plantel de Buffalo. Atualmente o atleta soma 109 gols e 146 assistências em 400 jogos, totalizando 255 pontos.

    LEON DRAISAITL, C, EDMONTON OILERS (#3 overall): gosto muito de te ver, leãozinho

    Sem dúvidas um forte candidato ao título de melhor jogador da sua classe, o alemão Draisaitl optou por jogar na Canadian Hockey League (CHL), sendo selecionado pelo Prince Albert Raiders da WHL.

    O jogador estreou na temporada 2014-15 e chegou a competir em 37 partidas pela equipe de Alberta antes de ser retornado à WHL. Esta decisão fez com que os Oilers “queimassem” um ano do contrato do alemão. Draisaitl foi trocado para o Kelowna Rockets durante o World Junior Championships de 2015. 

    Após a seu retorno para o major juniors, o jogador levou os Rockets ao título da WHL, que lhes deu acesso à final da Memorial Cup. Apesar da derrota para o Oshawa Generals, o alemão foi nomeado o MVP da competição.

    A primeira temporada de Draisaitl na NHL já foi promissora, com 51 pontos em 72 partidas. No ano seguinte, os Oilers demonstraram que os dias tenebrosos poderiam estar em seu passado, com a química entre diversos de seus jogadores, dentre eles Draisaitl e Connor McDavid

    Nos playoffs da temporada seguinte, 2016-17, a última do seu contrato de calouro, o alemão fez uma campanha memorável com 16 pontos em 13 jogos na primeira aparição dos Oilers na pós-temporada desde 2006.

    Naquela off-season Draisaitl assinou sua extensão com Edmonton, avaliado em cerca de 8.5 milhões anuais por oito anos. O contrato foi criticado na época, pois a situação da folha de pagamento do clube não trazia espaço para otimismo. Além disso, temia-se que o atleta não atingiria um patamar de produção que justificaria o salário. 

    Entretanto, podemos dizer que o alemão superou as expectativas. Os números do jogador falam por si: 77 pontos em 82 jogos em 2016-17; 70 pontos em 78 jogos em 2017-18; 105 pontos em 82 jogos em 2018-19; por fim, os impressionantes 110 pontos em 71 jogos em 2019-20. A produção de Draisaitl poderia ter sido ainda maior, caso a temporada não tivesse sido interrompida pela pandemia de COVID-19

    Chamado de “Gretzky alemão”, o jogador já pode muito bem ser considerado o melhor de sua terra natal a ter jogado hockey. Afinal, Draisaitl foi o primeiro alemão a ganhar o Art Ross Trophy (de maior pontuador na temporada regular), além de ter sido o terceiro atleta dos Oilers a fazê-lo, tendo apenas Wayne Gretzky e Connor McDavid em sua companhia.

    WILLIAM NYLANDER, RW, TORONTO MAPLE LEAFS (#8 overall): de promessa no gelo à ícone fashion

    O sueco Nylander na verdade é natural de Calgary, no Canadá. Isso porque ele e seu irmão, Alex (draftado em 2016), nasceram enquanto o pai deles, Michael Nylander, atuava pelos Flames. Com o hockey no sangue, o winger teve sua estreia profissional ao lado do pai, no Södertälje SK da segunda divisão sueca.

    No seu ano de elegibilidade, ele defendeu o MODO da Swedish Hockey League (SHL) e foi selecionado em oitavo pelo Toronto Maple Leafs, o segundo maior nome draftado no processo de rejuvenescimento da equipe. 

    A temporada seguinte foi dividida entre o MODO Hockey e o Toronto Marlies da AHL, que competiu pelos playoffs da Calder Cup naquele ano. Entretanto, a estreia de Nylander na NHL ocorreu apenas em fevereiro de 2016, jogando 22 partidas naquela temporada.

    Mas o sueco se tornou parte integral do Maple Leafs no ano seguinte, quando passou a atuar na wing de Auston Matthews. Durante a sua primeira temporada completa, Nylander anotou 61 pontos em 81 partidas, e foi parte importante da classificação de Toronto para a pós-temporada. 

    Altamente criticado por não ser tão constante quanto a torcida (e a comissão técnica) desejavam, Nylander ainda não conseguiu passar dos 61 pontos. Outro ponto de polêmica envolvendo o sueco se passou durante suas negociações de contrato. O jogador perdeu quase três meses, além do training camp, quando a diretoria de Toronto e seus representantes não conseguiam chegar a um acordo acerca dos termos da sua extensão. Por fim, ambas as partes concordaram em um vínculo de seis anos por cerca de 6.9 milhões de dólares anuais. Na última temporada Nylander vinha somando pontos com mais frequência do que nos anos anteriores, chegando a 59 em 68 partidas antes da paralisação.

    NIKOLAJ EHLERS, RW, WINNIPEG JETS ( #9 overall): the (next) Great Dane

    Após iniciar sua carreira na Europa, o dinamarquês se mudou para a América do Norte para jogar na Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Depois de uma temporada com o Halifax Mooseheads, o winger recebeu uma boa colocação no ranking de patinadores atuando na América do Norte. Assim, o Winnipeg Jets escolheu Ehlers com a nona pick no draft de 2014.

    Mesmo assinando seu contrato profissional com a equipe de Manitoba depois do draft, o dinamarquês retornou a Halifax para mais um ano na QMJHL. Depois de uma temporada de destaque na liga júnior, Ehlers chegou a ser convocado pelos Jets, mas a equipe foi eliminada dos playoffs antes que ele pudesse contribuir. 

    De 2015-16 para frente o dinamarquês se tornou parte importante da equipe de Winnipeg, e hoje é uma peça fundamental no ataque dos Jets. Ehlers soma 257 pontos em 369 partidas e em outubro de 2017 assinou o contrato que o deixaria mais sete anos na equipe, com uma média salarial de 6 milhões de sólares por ano.

    DYLAN LARKIN, C, DETROIT RED WINGS (#15 overall): hometown boy em busca da glória

    Se alguém perguntasse para o pequeno Dylan “qual escudo você gostaria de usar no peito quando for jogador da NHL?” a resposta com certeza seria a roda alada de Detroit. Natural de Michigan, o americano cresceu torcendo pela equipe que eventualmente o draftou.

    Entretanto, antes da NHL bater à sua porta, Larkin jogou pelo USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Após o draft, o center iniciou sua carreira universitária na Universidade de Michigan, que defendeu por uma temporada.

    Com o fim da campanha de Michigan em 2014-15, Larkin decidiu assinar seu contrato profissional com seu time de infância. Desta forma, ele terminou a temporada no Grand Rapids Griffins da AHL.  A partir do ano seguinte o americano passou a defender a equipe de Detroit em período integral, injetando juventude em um elenco que já havia visto dias melhores.

    Embora Larkin tenha tido um bom primeiro ano na Liga, seu desempenho decaiu junto com a qualidade do hockey apresentado pelos Wings. Ainda assim, ele foi selecionado como NHL All-Star (onde bateu o recorde de patinador mais rápido) e também para a seleção americana, nesta última em mais de uma ocasião.

    O americano estendeu seu compromisso com o Detroit Red Wings por mais cinco anos em 2018, por aproximadamente 6.1 milhões de dólares anuais. Até hoje o center conta com 266 pontos marcados em 389 partidas. Além disso, Larkin não é estranho às redes sociais, onde já viralizou mais de uma vez, em uma ocasião com um vídeo de quando era adolescente e treinava no porão da sua casa, e outra onde participa de um comercial de calças. Por tudo que representa na equipe, além de ter crescido torcedor de Detroit, ele é o nome mais cotado para ser o próximo capitão do time.

    DAVID PASTRNAK, RW, BOSTON BRUINS (#25 overall): o Harry Styles da NHL (se o Harry fosse muito bom no hockey)

    O tcheco Pastrnak mudou-se para a Suécia na temporada 2012-13 para atuar no Södertälje SK da segunda divisão sueca. Lá ficou por dois anos, onde conheceu e jogou ao lado de William Nylander, atualmente seu rival de conferência na NHL. O winger foi então escolhido no final do primeiro round pelo Boston Bruins, que buscava renovar seu plantel. Após 26 partidas na AHL pelo Providence Bruins, o tcheco foi se integrando com a equipe principal.

    Entre 2016-17 e 2018-19 Pastrnak marcou 70, 80 e 81 pontos, e foi se tornando cada vez mais importante para os Bruins. Desde então, o tcheco quebrou diversos recordes da equipe de Massachusetts e, em 2017, teve seu contrato renovado por mais seis anos. Compromisso este que ostenta o cap hit mais curioso da Liga, US$ 6,666,666.

    Além do seu talento no gelo, a personalidade expansiva do winger também contribuiu para a sua popularidade. Desde os ternos de estampa floral até os comerciais de uma famosa rede de quitandas, o tcheco se tornou uma estrela não só em Boston, como em toda a NHL. Na temporada 2019-20, Pastrnak conquistou seu primeiro Rocket Richard Trophy, dado ao maior goleador da Liga. Com 48 gols (e 95 pontos, em apenas 70 jogos), o tcheco se tornou o primeiro Bruin a conquistar tal honraria. 

    BRAYDEN POINT, C, TAMPA BAY LIGHTNING (#79 overall): o menino-raio de Tampa Bay

    O center canadense foi draftado no terceiro round pelo então GM do Lightning, Steve Yzerman. Embora Point tenha tido uma temporada respeitável pelo Moose Jaw Warriors da WHL em seu ano de elegibilidade, ele foi ranqueado apenas em 31º entre os patinadores norte-americanos. Com a direção do clube visando que ele adquirisse mais experiência, o atleta jogou mais dois anos na WHL com os Warriors. Ele também teve uma passagem de nove jogos pelo Syracuse Crunch da AHL entre eles, após Moose Jaw ter sua temporada encerrada.

    A importância de Point no Lightning foi aumentando de forma gradativa. Isto ocorreu especialmente devido ao valor baixo do cap hit do jogador durante seu contrato de novato. Ter o canadense no plantel da equipe permitia mais flexibilidade com relação à montagem do time. Além disso, o rendimento de Point fez com que ele se tornasse de vez uma parte importante do clube, que teve temporadas históricas com a sua presença no elenco. 

    Além de ter sido escolhido para um All-Star Game em 2018, Point soma 262 pontos em 295 partidas na NHL desde o início de sua carreira profissional. Com o fim de seu primeiro contrato, o canadense assinou uma extensão de três anos de duração com o Lightning, avaliada em 6.75 milhões anuais. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Kevin Fiala, LW, Nashville Predators (#11 overall): o suíço era um dos top prospects europeus, mas ainda tem dificuldades em se fixar como uma peça chave em um clube da NHL. Na temporada 2019-20 foi trocado para o Minnesota Wild. 

    Jakub Vrana, LW/RW, Washington Capitals (#13 overall): o tcheco venceu a Stanley Cup com os Capitals em 2018 e forneceu alguns dos melhores momentos da comemoração.

    Robby Fabbri, C, St. Louis Blues (#21 overall): depois de sofrer com diversas lesões de ligamentos, que o deixaram de fora da campanha vitoriosa dos Blues, o atleta foi trocado para o Detroit Red Wings em 2019.

    Kasperi Kapanen, RW, Pittsburgh Penguins (#22 overall): filho de um jogador identificado com a torcida do Philadelphia Flyers (o defensor Sami Kapanen), o winger não teve muitas chances de atuar pelos Penguins antes de ser envolvido na troca que levou Phil Kessel aos Pens. O finlandês é um Maple Leaf desde 2015 e é conhecido por sua rapidez e tenacidade.

    Thatcher Demko, G, Vancouver Canucks (#36 overall): o goleiro americano atuou por três anos na Boston College antes de se profissionalizar. Atualmente ele divide o gol dos Canucks com o sueco Jacob Markstrom. 

    Nathan Walker, C,  Washington Capitals (#89 overall): apesar de ter nascido em Gales, o jogador cresceu na Austrália e foi, portanto, o primeiro atleta do país a ser draftado na NHL. Além disso, Walker foi o primeiro galês e/ou australiano a vencer a Stanley Cup (com os Caps, em 2018), mas não preencheu os requisitos para ter seu nome gravado no troféu. 

  • A conquista da Stanley Cup de 2014 pelos Kings

    A conquista da Stanley Cup de 2014 pelos Kings

    Treze de junho de 2014. Para muitas pessoas, um dia qualquer. No entanto, para os Kings e seus fãs, um dia que entrou para a história. Desde o início da década até então, foram 5 temporadas na NHL, das quais o torcedor de Los Angeles teve a felicidade de ver seu time duas vezes campeão da Stanley Cup.

    Para este “10 for 10”, o vamos abordar e relembrar a grande trajetória do LA Kings até a vitória que deu ao time a segunda Stanley Cup de sua história. 

    A temporada

    O início da temporada 2013-14 foi marcado por grandes mudanças na NHL, como a nova estrutura das divisões da Liga. No entanto, os Kings não foram tão afetados com o realinhamento.

    Os Kings acabaram por estrear relativamente bem na nova temporada. O time venceu o primeiro jogo, fora de casa, contra o Minnesota Wild, mas acabou perdendo os dois que se seguiram. Assim seguiu a equipe durante todo o mês de outubro, tendo um bom rendimento e se mantendo em posições razoáveis no ranking da Liga.

    Novembro trouxe as melhores performances de LA na temporada regular. O time perdeu apenas duas partidas no tempo regulamentar, tendo 2 derrotas em overtime e outras duas em shootout. Foram estas derrotas que acabaram rendendo pontos para a equipe se manter na zona de playoffs. 

    Ao fim do ano de 2013, os Kings possuíam 54 pontos em 41 jogos, com uma média de 2 gols por partida. O bom desenvolvimento fez com que, desta forma, o time iniciasse 2014 sendo parte dos 3 primeiros colocados da Divisão Pacífica.

    Porém, o mês de janeiro do novo ano acabou sendo frustrante para a equipe e seus fãs. Los Angeles somou 8 derrotas em tempo regulamentar, e outras duas em SO. Portanto, ao fim do mês, a equipe teve apenas um aumento de 12 pontos em relação ao 54 que possuía no início de janeiro. 

    As coisas passam a melhorar para a equipe em fevereiro e março de 2014. O ataque dos Kings, composto por Tyler Toffoli e Tanner Pearson, conseguiu se manter estável e, por fim, acabou levando o time a 94 pontos ao fim de março, com 14 vitórias em 20 jogos. 

    A temporada regular chegou ao fim para Los Angeles em 12 de abril de 2014, e com passagem direta para a pós-temporada. A equipe finalizou com 100 pontos (décima colocação geral), no 3º lugar da Divisão Pacífica e ocupando a sexta posição na Conferência Oeste.

    Apesar de ter apresentado um desenvolvimento razoável ao longo da temporada, o ritmo dos Kings mudou drasticamente para melhor nos playoffs. Sem dúvidas, isso influenciou na vitória do segundo campeonato na história da equipe.

    Os playoffs

    O primeiro adversário dos Kings na pós-temporada foi o San Jose Sharks. O time de San Jose também vinha de uma grande temporada, terminando no segundo lugar da Divisão Pacífica.

    Era senso comum que os Kings teriam um grande desafio pela frente, o que se confirmou na série. O time de Los Angeles foi derrotado nas três primeiras partidas do round, sendo duas destas em casa e com grande domínio dos jogos por parte dos Sharks. 

    O Jogo 4 era decisivo para os Kings. O placar das três partidas anteriores e o ritmo de jogo apontavam a equipe de San Jose como a favorita para a vitória da disputa. No entanto, contando com um elenco cheio de talentos, os Kings souberam virar o jogo por completo.

    O time venceu a quarta partida do round e, assim, forçou um Jogo 5 em casa – no qual também saiu vitorioso. Assim, o round avançou para uma 6ª partida, que também contou com uma vitória dos Kings.

    No Jogo 7, com a série empatada, a equipe vencedora estaria classificada para a próxima fase. Após toda a reviravolta, os Kings, por fim, venceram a partida e garantiram sua vaga para o segundo round dos playoffs.

    Posteriormente, o Los Angeles enfrentou o Anaheim Ducks. Os Kings venceram as duas primeiras partidas em Anaheim, com a primeira terminando na prorrogação. No entanto, o rendimento do time acabou decaindo, e assim, acabaram por serem derrotados nos Jogos 3 e 4, em casa.

    Na quinta partida, os Kings voltaram para Anaheim, porém acabaram acumulando outra derrota. Desta forma, o Ducks lideravam então a série, precisando de uma vitória para avançar. Porém, no Jogo 6, LA voltou a vencer e, com a vitória também no Jogo 7, o time, por fim, avançou para a final da Conferência Oeste.

    O penúltimo adversário de Los Angeles era o Chicago Blackhawks, que vinha de dois campeonatos conquistados desde 2010 – um destes na temporada anterior. Os Kings viajaram para Chicago para a primeira disputa da série, e acabaram sendo derrotados pelo time da casa. No entanto, os Kings venceram as três partidas que se seguiram, duas destas na Califórnia.

    Ao perderem o Jogo 5, o confronto avançou para mais uma partida – esta que os Kings também perderam para os Hawks. Por fim, com a série empatada, ambos os times se encontram para um Jogo 7.

    A Final do Oeste em 2014 foi disputada até o último período e não faltou talento em nenhum dos lados no que muito consideram uma das melhores séries de playoffs nos últimos anos. Para a felicidade dos torcedores de Los Angeles, a equipe derrotou o então atual Chicago e, pela segunda vez na década, garantiu uma passagem para a Final da Stanley Cup.

    O último desafio dos Kings até troféu era o New York Rangers. Essa era a primeira vez desde 1981 que times de Nova York e Los Angeles se encontravam em uma final no nível profissional, quando New York Yankees e Los Angeles Dodgers se enfrentaram na World Series (MLB).

    Os Rangers também vinham de uma ótima temporada regular e nos playoffs. Porém, isso não foi problema para Los Angeles. A equipe acabou vencendo os dois primeiros jogos em casa, ambos no overtime. Seguidamente, também venceu o terceiro em Nova York. No entanto, com a derrota na quarta partida, os Rangers acabam forçando um jogo cinco na rodada final.

    LA Kings campeão 

    O Jogo 5 aconteceu no Staples Center – casa da equipe de Los Angeles. Por vir de três vitórias no round, os Kings precisavam apenas ganhar esta partida para serem coroados campeões de 2014. 

    Justin Williams abriu o placar para Los Angeles logo no primeiro período. No entanto, os Rangers se recuperaram, marcando dois gols no segundo período da partida.

    Em seguida, Marian Gaborik acabou deixando tudo igual para os Kings, levando o jogo para a prorrogação. Após um período extra inteiro, ambos os times se encaminharam para um segundo OT, no qual, aos 14:43, Alec Martinez colocou fim à partida ao levar o puck para o fundo da rede. 

    Assim, em casa, o Los Angeles Kings se consagrou campeão da Stanley Cup pela segunda vez na década e na história do time. Dustin Brown, capitão da equipe, levantou a taça diante de um Staples Center lotado de torcedores dos Kings.

    O troféu Conn Smythe foi para Justin Williams, de LA, considerado o jogador mais valioso nos playoffs. Outros destaques do elenco foram Anze Kopitar, que liderou a pós-temporada em pontos (26); e Marian Gaborik, jogador com mais gols nos playoffs (14).

    Por fim, a equipe comemorou a conquista com um desfile nas ruas de Los Angeles, que contou com cerca de 300 mil fãs.

    O Los Angeles Kings teve uma das melhores equipes da primeira metade da década. O time soube trabalhar em conjunto e, por isso, como recompensa teve seu nome marcado na Stanley Cup duas vezes em três anos. 

    Atualmente, o time não passa por uma de suas melhores fases. Serão necessários talvez anos de reconstrução para que a equipe volte ao protagonismo na Liga. Portanto, nos resta relembrar as suas conquistas e torcer para que, nos próximos 10 anos, os Kings possam coroar sua torcida com mais algumas Stanley Cups.

  • Dobradinha canadense em Sochi 2014

    Dobradinha canadense em Sochi 2014

    O ano de 2014 chegou e, junto com ele, as Olimpíadas de Inverno. Desta vez, o país sede foi a Rússia, mais precisamente em Sochi. Como de costume os Jogos de Inverno aconteceram em fevereiro, e essas Olimpíadas ficaram marcadas, não somente por ter sido a última em que jogadores da NHL puderam participar, como também pelo escândalo de doping que traria consequências anos depois. 

    Escolhida como sede em 2007, as Olimpíadas na Rússia foram a mais cara já realizada. O país estourou o orçamento original de 12 bilhões de dólares em mais de quatro vezes, somando 51 bilhões de dólares gastos na preparação e realização do evento. Em uma das edições mais memoráveis dos Jogos Olímpicos de Inverno, acredita-se que bateram recorde de transmissão ao alcançar um público de 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo. 

    Ao todo, foram 98 competições, divididas em 15 modalidades de 7 esportes. Um total de 88 países participantes e 2.871 atletas. Dessa forma, o número de pessoas envolvidas na realização dos jogos fez com que o evento se tornasse a maior edição das Olimpíadas de Inverno até aquele ano. 

    O país anfitrião foi o campeão de medalhas. A Rússia conquistou ao todo 29 medalhas, destas 11 de ouro, nove de prata e nove de bronze. Em seguida ficou a Noruega com 26 medalhas, e o Canadá em terceiro lugar, com 25 medalhas.

    Entretanto o que não esperávamos é que um ano depois viria a público um enorme escândalo de doping protagonizado pela Rússia.

    Pouco após as Olimpíadas, surgiram boatos de adulteração de exames pelo país sede. Em 2015 esse boato foi confirmado através um relatório que alegava manipulação por parte do país nos exames de seus atletas. Com isso, se iniciou uma investigação que resultou com o Comitê Olímpico Internacional punindo o país e desclassificando o mesmo em diversas modalidades.

    A Rússia perdeu diversas medalhas em vários eventos, e está banida de participar de competições internacionais e sediar eventos internacionais até 2023. Entre estas medalhas, 13 são das Olimpíadas de 2014 e, por isso a Rússia saiu do top-3 e os Estados Unidos subiu para terceiro lugar com 9 medalhas de ouro. 

    Cerimônia de Abertura

    A cerimônia de abertura aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2014, no estádio Fisht Olympic, construído especialmente para a cerimônia. Com um público de 40 mil pessoas, o evento contou com aproximadamente duas mil celebridades. Em uma pré-cerimônia, a dupla t.A.T.u e o coral Ministry of Internal Affairs se apresentaram dando início aos eventos. 

    A apresentação utilizou o alfabeto russo,  apresentando ao público mundial as letras do idioma e o mesmo era ligado a referências de grandes nomes russos e pontos turísticos. O hino nacional foi cantando por um coral de 240 voluntários usando roupas que tinham como referência as cores da bandeira russa.

    Com vários elementos da cultura russa, incluindo performances baseadas em livros russos, a cerimônia contou com diversas homenagens e, em seguida, o presidente Vladimir Putin declarou o início dos jogos.   

    Vladislav Tretiak, ex-goleiro da seleção russa. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    A bandeira dos jogos foi entregue por oito porta-bandeiras e o hino dos jogos olímpicos foi cantando em russo pela cantora de ópera Anna Netrebko.

    A famosa tenista Maria Sharapova foi a responsável por levar a tocha olímpica ao estádio. Para a corrida final, um ex-jogador de hockey foi o responsável em levar a tocha para acender o caldeirão olímpico. Desta vez, o escolhido foi o ex-goleiro da seleção Vladislav Tretiak, atual presidente da Federação Russa de Hockey no Gelo. 

    Modalidade Feminina 

    A competição feminina daquele ano entrou pra história da modalidade quando, pela primeira vez, a final precisou ir para overtime. Novamente, as seleções foram divididas em dois grupos de quatro equipes. Canadá, EUA, Suíça e Finlândia ficaram no grupo A, enquanto o grupo B era composto pelas equipes da Rússia, Suécia, Alemanha e Japão. 

    Seleção feminina canadense com a sua medalha de ouro. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Para as seleções norte americanas, foi um replay das Olimpíadas de 2010. Ambas as seleções rivais declaradas corriam atrás do ouro. O Canadá queria sua quarta medalha consecutiva enquanto os EUA queriam sua primeira medalha de ouro olímpica desde 1998.

    Com jogadoras já conhecidas pelo público, ambas as seleções ganharam com uma boa margem de gols de seus adversários na primeira fase. Com jogadoras como Hilary Knight, Alex Carpenter, Brianna Decker e Kendall Coyne Schofield, a seleção dos EUA marcou 14 gols em apenas três jogos. A seleção canadense marcou 11 gols em três jogos com alguns deles sendo pelas estrelas Marie-Philip Poulin, Hayley Wickenheiser, Meghan Agosta-Marciano e Rebecca Johnston. 

    A final, novamente o clássico entre EUA e Canadá, foi acirrada. Para completar o cenário, o Canadá ainda não sabia, mas iria ver novamente Poulin brilhar no gelo.

    Em uma partida mais tensa que a final de 2010, ambos os times brigavam pela tão desejada medalha. A seleção dos EUA saiu na frente com um gol de Meghan Duggan, abrindo o placar no segundo período. Este foi seguido de um gol da central Carpenter, que deixou o placar 2 a 0.

    Entretanto, a seleção canadense não desistiu e no final do terceiro período conseguiu marcar dois gols: o primeiro de Brianne Jenner e o segundo de Poulin.

    O empate não deu outra alternativa a não ser um overtime. Foi quando Marie-Philip impressionou a torcida e brilhou outra vez. A responsável pelo gol da vitória da Olimpíada anterior mostrou por que estava ali e marcou novamente o gol dae ouro para a sua seleção.

    Assim a equipe feminina do Canadá se consagrou com a quarta medalha olímpica de ouro.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe canadense também viu um replay do último torneio, para a equipe do EUA não se pode dizer o mesmo.

    A quantidade de equipe e grupos seguiu o padrão do evento anterior, três grupo com quatro seleções cada, totalizando 12 países. Equipes como a do Canadá e do EUA eram compostas 100% por jogadores da NHL, enquanto a seleção da Suécia, que conquistou a prata, tinha somente um jogador que não pertencia a Liga norte-americana. 

    Com nomes como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr e Mats Zuccarello, o gelo olímpico estava bem recheado de estrelas.

    O evento também contou com jogadores que apesar de não estarem na Liga na época, já tinham brilhado e um dia voltariam a brilhar, como Alexander Radulov e Ilya Kovalchuk.

    Com pelo menos 50% de jogadores da NHL, as seleções da Rússia, Eslováquia, Finlândia, República Tcheca e Suíça também tinha equipes bem representadas e deram duro fazendo o que sabem melhor: dar um show no gelo.

    Infelizmente para estas seleções, mesmo com tantas estrelas, a disputa foi forte.

    As seleções de Noruega, Áustria, Eslováquia e Suíça não conseguiram se classificar para a fase final. Com a disputa ainda mais acirrada para as equipes restantes, os jogadores tiveram que redobrar o esforço, o que não foi suficiente para que Eslovênia, Letônia, República Tcheca e a anfitriã Rússia continuassem na disputa das semifinais.   

    Suécia e Canadá venceram nas semifinais e foram para a grande partida em busca do ouro, enquanto a seleção dos EUA e da Finlândia disputavam a medalha de bronze.

    Para a Finlândia, foi a oportunidade perfeita para mostrar seu valor, e o time conquistou o terceiro lugar no torneio com uma vitória por 5 a 0.

    Partida final entre as seleções do Canadá e da Suécia. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Na final, mais uma vez ficou claro por que o Canadá é chamado de país do hockey.

    Com Carey Price na rede e gols dos atacantes Jonathan Toews, Chris Kunitz e do capitão Sidney Crosby, a seleção norte-americana deu um show e garantiu sua nona medalha de ouro olímpica, e a quarta conquista seguida.

    O jogador finlandês Teemu Selanne foi eleito MVP do torneio, enquanto Price ganhou como melhor goleiro, Phil Kessel, melhor atacante e Erik Karlsson, melhor defensor.

    Essa foi a última vez que os fãs puderam assistir a jogadores da NHL brilharem nas Olimpíadas de Inverno. A Liga baniu a participação de seus atletas no último evento, em PyeongChang 2018, e ainda não há um acordo sobre a próxima edição.

    Já na modalidade feminina, muitas das jogadoras continuam na ativa e é possível vê-las brilhar no gelo tanto nas Ligas Europeias quanto na NWHL e na PWHPA, a Associação com a qual as jogadoras viajam a América do Norte promovendo o esporte.   

    Foto: Reprodução/olympic.org 

  • Draft Class de 2013: onde estão

    Draft Class de 2013: onde estão

    O draft de 2013 aconteceu na cidade de Newark, em New Jersey. A janela de elegibilidade para a seleção ia até 15 de setembro de 1995, com Nathan MacKinnon sendo um dos atletas mais jovens disponíveis. O top 3 seria composto por Colorado Avalanche, detentor da primeira escolha, seguido por Florida Panthers e Tampa Bay Lightning. 

    Embora nenhum defensor tenha sido escolhido no top 3, o primeiro do ranking de patinadores norte-americanos daquele ano foi o estadunidense Seth Jones, que atuava no Portland Winterhawks da Western Hockey League (WHL). Já na Europa o primeiro ranqueado fora Aleksander Barkov, finlandês do Tappara da SM-liiga. 

    NATHAN MACKINNON, C, COLORADO AVALANCHE (#1 overall): o Top Dogg do Colorado

    O center, que atualmente dispensa apresentações, foi a segunda primeira escolha da pequena Cole Harbour, cidade na região metropolitana de Halifax, Nova Escócia. Oito anos antes, Sidney Crosby havia sido escolhido primeiro pelo Pittsburgh Penguins, e MacKinnon cresceu tendo o conterrâneo como seu ídolo maior. O atleta também seguiu os passos de Crosby ao optar pelo internato Shattuck St. Mary’s em Minnesota, que possui um importante programa de hockey, onde estudou e jogou por dois anos.

    A carreira de Nathan antes da NHL teve seu ápice nos anos em que o canadense defendeu a equipe da Quebec Major Juniors Hockey League (QMJHL) de sua cidade natal, o Halifax Mooseheads. Aos dezesseis anos o jogador conseguiu se destacar em uma liga com atletas de 18 e 19 anos, que tinham mais experiência e mais maturidade física do que ele. No seu ano de elegibilidade para o draft, os Mooseheads foram campeões da Memorial Cup, troféu da Canadian Hockey League (CHL) e MacKinnon foi selecionado como MVP.

    A primeira temporada do center na NHL resultou em um Calder Trophy e a experiência de uma rodada de playoffs. Entretanto, nas temporadas seguintes o canadense fez 38, 52 e 53 pontos, respectivamente, e o seu Colorado Avalanche teve atuações tenebrosas que incluíram a pior campanha da história da Liga. Ainda assim, no final de 2016, o jogador estendeu seu compromisso com os Avs por mais sete anos, com um salário anual de cerca de 6,3 milhões de dólares por ano.

    Com o início da temporada 2017/2018, MacKinnon passou a produzir como um MVP, fazendo 97 pontos e se tornando finalista do Hart Trophy. Já no ano seguinte o center aumentou sua pontuação, com 99 pontos, e chegou até o segundo round dos playoffs com os Avs. Antes da paralisação causada pelo COVID-19, o canadense havia feito 93 pontos em 63 jogos, se mantendo entre os favoritos para o Hart Trophy. 

    ALEKSANDER BARKOV, C, FLORIDA PANTHERS (#2 overall): Panther King

    O finlandês, que possui ascendência russa, iniciou sua carreira no Tappara da SM-liiga em 2011, quando se tornou o mais jovem a pontuar na liga finlandesa. Embora o atleta tenha tido sua temporada de elegibilidade encerrada por uma lesão, ele manteve seu ranking de melhor patinador europeu. Dessa forma, foi escolhido em segundo pelo Florida Panthers.

    Apesar de um início promissor, as primeiras temporadas de Barkov na Liga resultaram em pontuações medianas, com 24 e 36 pontos. Entretanto, conforme o center foi desenvolvendo seu jogo, sua ofensividade acompanhou esta evolução. Embora seja conhecido por seu jogo dúplice, por ser altamente competente na zona defensiva, o finlandês foi encontrando cada vez mais sucesso no placar.

    No início da temporada 2018/2019 Barkov foi nomeado capitão do Florida Panthers, um verdadeiro marco para a jovem carreira do center. Além disso, o finlandês passou a figurar cada vez mais nas listas de prováveis indicados e até mesmo ganhadores do Selke Trophy, dado ao melhor jogador defensivo da NHL. Em junho de 2019 Barkov venceu seu primeiro troféu, o Lady Byng Memorial Trophy, para aquele que teve o maior espírito desportivo e conduta positiva no gelo.

    JONATHAN DROUIN, LW, TAMPA BAY LIGHTNING (#3 overall): de garoto problema a queridinho da sua cidade natal

    O quebecois Drouin foi companheiro de Nathan MacKinnon no Halifax Mooseheads e ganhou a Memorial Cup de 2013 com ele. Além disso, o winger foi eleito o jogador do ano da CHL na temporada 2012/2013. Após ser escolhido em terceiro pelo Tampa Bay Lightning em 2013, Drouin fez parte do training camp da equipe, mas foi cortado no início da temporada, retornando ao Halifax Mooseheads e à QMJHL para adquirir mais experiência.

    O jogador fez sua estreia na NHL em outubro de 2014 e disputou 70 partidas naquela temporada. Entretanto, no ano seguinte lesões fizeram com que ele competisse em pouquíssimos jogos e no início de 2016 o winger foi enviado ao Syracuse Crunch da American Hockey League (AHL) sem previsão de retorno à Liga. Insatisfeito com a situação, seu empresário informou à imprensa que Drouin havia pedido para ser trocado em novembro de 2015. A situação do canadense no clube ficou cada vez mais complicada quando ele não se apresentou ao Crunch e foi suspenso sem receber salário.

    Drouin se apresentou à equipe apenas três meses depois, em março de 2016, participando de quase um mês das atividades na AHL. No início de abril ele retornou aos Bolts, participando do final da temporada e da campanha nos playoffs daquele ano. Mesmo com uma boa campanha em 2016/2017, a relação do canadense com a administração do clube já não era a mesma desde o ano anterior. Assim, na intertemporada de 2018 o winger foi trocado para o Montreal Canadiens em uma transação que levou o jovem defensor Mikhail Sergachev ao Lightning. Nos Habs, o jogador assinou um contrato de seis anos avaliado em 33 milhões de dólares.

    SETH JONES, D, NASHVILLE PREDATORS (#4 overall): de coadjuvante em Music City a estrela em Cowtown

    Filho de um jogador de basquete profissional, Jones tomou gosto pelo hockey durante sua infância em Denver, no Colorado. Durante a adolescência, o defensor fez parte do United States National Team Development Program (USNTDP) e dois anos depois ele precisou optar entre jogar na Western Hockey League (WHL) ou competir no hockey universitário. Embora houvesse a expectativa de que ele decidisse pela University of North Dakota, Jones optou pelo Portland Winterhawks da WHL, perdendo sua elegibilidade universitária.

    Embora tenha perdido para o Halifax Mooseheads de MacKinnon e Drouin na final, o defensor terminou a temporada como o primeiro do ranking de patinadores da América do Norte. Ainda assim, o americano foi selecionado apenas em quarto pelo Nashville Predators. Embora Jones tenha estreado na NHL imediatamente após ser draftado, algo que raramente ocorre com jogadores da sua posição, o jovem defensor não encontrou espaço em uma defesa com tantos nomes importantes quanto a de Nashville. 

    Por isso, em janeiro de 2016 os Preds trocaram Jones por Ryan Johansen, um center, e o americano foi mandado para o Columbus Blue Jackets. Em Ohio, onde o defensor passou a ter mais espaço, o jogo de Jones floresceu. Nas temporadas seguintes ele se transformou não apenas no principal d-man da sua equipe, como em um nome importante na sua posição em toda a Liga. Atualmente o americano é parte essencial da blue line dos Jackets e costuma ser o jogador com mais tempo de gelo nas partidas da equipe. 

    JOSH MORRISSEY, D, WINNIPEG JETS (#13 overall): o último dos defensores (em Winnipeg)

    O defensor canadense iniciou sua carreira na WHL com o Prince Albert Raiders na temporada 2010/2011, equipe que defendia quando foi draftado por Winnipeg em 2013. Na temporada 2014/2015 Morrissey foi trocado para o Kelowna Rockets, onde venceu o campeonato da WHL e chegou à final da Memorial Cup. Embora ele tenha disputado algumas partidas pelo St. John IceCaps da AHL em 2014, foi só na temporada 2015-16 o jogador só passou a defender a equipe do Manitoba Moose, novo afiliado dos Jets,  em tempo integral.

    Morrissey fez sua estreia na NHL em março de 2016 e se tornou uma figura frequente no plantel de Winnipeg a partir da temporada seguinte. Com o êxodo de nomes importantes da blue line dos Jets, como Jacob Trouba e Dustin Byfuglien, o canadense se tornou ainda mais importante para a sua equipe. Por isso, na pré-temporada de 2019 ele estendeu seu compromisso com os Jets por mais oito anos, com um salário de 6,25 milhões anuais.

    ANDRE BURAKOVSKY, LW, WASHINGTON CAPITALS (#23 overall): adeus, Capitólio. Olá, Montanhas Rochosas. 

    A estreia profissional do sueco ocorreu na temporada 2011/2012 com o Malmo Redhawks, na liga que funciona como a segunda divisão do hockey na Suécia. Embora ele tenha sido draftado pelo SKA Saint Petersburg da Kontinental Hockey League (KHL) em 2012, Burakovsky permaneceu em seu país natal durante seu ano de elegibilidade para o draft da NHL. 

    Após ser escolhido pelo Washington Capitals o winger optou por jogar na Ontario Hockey League (OHL), onde defendeu o Erie Otters e jogou ao lado de Connor McDavid. O sueco estreou pelos Caps na temporada seguinte, onde atuou por cinco anos. Durante sua jornada na capital americana Burakovsky sofreu muitas críticas por não corresponder às expectativas que existiam sobre ele. 

    Com uma média de 30 e poucos pontos por temporada, o winger foi perdendo cada vez mais espaço na equipe. Entretanto, foi peça importante na trajetória da equipe até a conquista da Stanley Cup em 2018. Na intertemporada de 2019 o sueco foi trocado para o Colorado Avalanche, onde viu sua carreira se revitalizar e chegou à marca inédita de 45 pontos em apenas 58 jogos, alcançando os vinte gols pela primeira vez na carreira.

    JAKE GUENTZEL, C, PITTSBURGH PENGUINS (#77 overall): modo playoffs – carregando

    Diferentemente dos top prospects americanos, Guentzel não fez parte do USNTDP e jogou pela sua escola de ensino médio no torneio estadual de Minnesota, estado onde cresceu. Após finalizar o colegial o jogador optou por defender a Universidade de Nebraska Omaha, onde estudou e jogou durante três anos. Sua estreia profissional ocorreu em 2016 com o Wilkes-Barre/Scranton Penguins da AHL, e o primeiro jogo do winger na NHL foi em novembro daquele mesmo ano.

    Mesmo não tendo o pedigree de ter sido selecionado no primeiro round, tampouco no segundo, Guentzel mostrou sua importância para a equipe de Pittsburgh quando foi uma das peças mais importantes na conquista da Stanley Cup em 2017. Com 21 pontos na pós-temporada, Guentzel igualou o recorde de pontuação de um rookie nos playoffs da Liga. 

    Na temporada seguinte o americano marcou os mesmos 21 pontos em menos da metade dos jogos, mas em 2018/2019 seu aproveitamento (assim como o da equipe) caiu nos playoffs. Em 2019/2020 Guentzel sofreu uma lesão no ombro que o tiraria do rinque de quatro a seis meses, mas a paralisação da Liga devido ao COVID-19 pode significar que ele esteja pronto assim que a NHL retornar. Nesta temporada o americano soma 43 pontos em 39 jogos.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Elias Lindholm, C, Carolina Hurricanes (#5 overall): foi trocado para o Calgary Flames juntamente com Noah Hanifin na transação que levou Dougie Hamilton e Micheal Ferland a Raleigh.

    Bo Horvat, C, Vancouver Canucks (#9 overall): se tornou o capitão da equipe que defende no início da temporada 2019/2020 em uma cerimônia emocionante.

    Max Domi, C, Phoenix Coyotes (#12 overall): venceu a Memorial Cup com o London Knights na companhia de Mitch Marner e foi trocado para o Montreal Canadiens em 2018, com Alex Galchenyuk sendo mandado para os Yotes.

    Jason Dickinson, C, Dallas Stars (#29 overall): desde que passou a fazer parte do plantel da equipe texana, o canadense passou a ser uma figura de liderança na equipe e é tido como o sucessor natural de Jamie Benn, atual capitão dos Stars.

    Brett Pesce, D, Carolina Hurricanes (#66 overall): o defensor foi parte importante da campanha dos Canes nos playoffs do ano passado, quando a equipe chegou na final da sua conferência. Também é uma figura de liderança importante para a equipe de Raleigh.

    Juuse Saros, G, Nashville Predatos (#99 overall): tido como o sucessor do compatriota Pekka Rinne, Saros vem adquirindo cada vez mais experiência na NHL, tendo disputado 31 partidas na temporada 2019/2020.

  • Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Em meio a tantos textos sobre NHL, às vezes esquecemos que boa parte das histórios do hockey não estão na principal liga. Para relembrar momentos curiosos, às vezes é preciso esquecer a NHL um pouquinho e olhar para ligas menores, como a Ontário Hockey League. Que o hockey é um esporte familiar, passado de pai (ou mãe) para filhos, todo mundo sabe. Mas, eventualmente, essas relações familiares nos trazem histórias mais interessantes, como a que vamos explorar neste texto.

    A troca

    Em dezembro de 2013, um curioso caso de trocas aconteceu na OHL.

    Warren Rychel, então GM do Windsor Spitfires, envolveu seu filho Kerby Rychel, em uma troca que só iria trazer resultados para a equipe nas temporadas seguintes. Kerby, junto com o defenssor Nick Ebert, foram enviados para o Guelph Storm em troca do asa esquerda Brody Milne e mais oito picks distribuídos entre os drafts de 2014, 2015, 2017 e 2018.

    Para Kerby e Elbert, o acordo os levou até a final da Memorial Cup pelo Storm naquele ano. Kerby Rychel marcou um total de 51 pontos nos 32 jogos da temporada regular e mais 11 gols nos 20 jogos dos playoffs, enquanto Ebert terminou a temporada com 33 pontos em 38 jogos, além pontos durante os playoffs.

    Para o Windsor Spitfires, Milne conquistou 15 pontos em 40 jogos, mas não permaneceu no time quando a temporada chegou ao fim. Entretanto, as escolhas nos drafts permitiram que os Spitfires se reeinventassem. 

    No draft de 2017, os Spitfires, com a pick de Guelph, adquiriram o atacante finlandês Julius Nättinin. O jogador foi um dos principais responsáveis, após marcar 4 pontos na final, na conqusita pelo Windsor Spifires da Memorial Cup de 2017.

    É claro que os Spitfires gostariam de ter conqusitado um título com Kerby no elenco, entretanto, envolvê-lo na troca em 2013 talvez tenha sido o passo que o time precisava para a conquista de 2017.

    Para Kerby, entretanto, foi a chance de competir nos playoffs em seu último ano no torneio júnior. Ele pôde disputar uma chave decisiva, além de conquistar a Memorial Cup naquela mesma temporada, ainda que com o Guelph Storm. 

    Foto: Reprodução http://www.hometownhockey.ca/

  • O que mudou com a reforma das Conferências em 2013?

    O que mudou com a reforma das Conferências em 2013?

    A NHL foi fundada em 1917 e desde então é considerada a maior liga de hockey no mundo. Ao longo de seus 107 anos houveram muitas transformações. Desde a adição de novos times à realocações. Uma coisa que também mudou bastante foi o formato da Liga e suas conferências e divisões.

    Em nosso mais novo texto da série 10 for 10, analisamos o histórico das conferências da NHL e principalmente tudo o que culminou a mais nova mudança, ocorrida em 2013.

    Primeiras mudanças

    No início da liga existiam vários times que eventualmente foram extintos ou simplesmente realocados. Entretanto, houve um grupo de equipes que ficou intacto, conhecido como o Original Six e composto por Boston Bruins, Detroit Red Wings, New York Rangers, Chicago Blackhawks, Montreal Canadiens e Toronto Maple Leafs

    A liga permaneceu com esses times até 1967, passando 25 temporadas com apenas 6 equipes. Nessa época, a NHL era criticada por ter um sistema de playoffs muito fácil, já que os quatro principais times da temporada regular avançavam. 

    Exemplo playoffs antes de qualquer mudança de conferências
    Reprodução: Last Word on Hockey

    Todas as séries eram melhor de sete, com o primeiro lugar da tabela disputando contra o terceiro lugar. O segundo lugar jogava com o quarto. Assim, os dois vencedores disputavam a final da Stanley Cup. A primeira menção de Conferências veio com a expansão de times em 1967-1971, eventualmente mudando o antigo sistema. As novas equipes adicionadas foram o Philadelphia Flyers, o Los Angeles Kings, o St. Louis Blues, o Minnesota North Stars, o Pittsburgh Penguins e o Oakland Seals.

    Entretanto, ao contrário do que seria lógico geograficamente, os novos times foram alocados na Conferência Oeste mesmo não pertencendo a parte Oeste dos Estados Unidos. Dessa forma, as novas equipes disputavam os playoffs contra os times já existentes, posicionados na Conferência Leste. 

    As quatro melhores equipes de cada Conferência se qualificavam para os playoffs, sendo essencial que uma equipe do Leste enfrentasse uma equipe do Oeste nas finais da Copa Stanley.

    Em 1970 dois times foram adicionados: Buffalo Sabres e Vancouver Canucks. Com a chegada dessas novas equipes, a NHL decidiu realinhar suas divisões. A divisão Leste foi formada por Boston Bruins, New York Rangers, Montreal Canadiens, Toronto Maple Leafs, Buffalo Sabres, Vancouver Canucks e Detroit Red Wings.

    Já a Conferência Oeste tinha Chicago Blackhawks, St. Louis Blues, Philadelphia Flyers, Minnesota North Stars, Los Angeles Kings, Pittsburgh Penguins e California Golden Seals.

    Com o passar dos anos, novos times foram criados. As conferências sofreram poucas mudanças, sendo a mais significativa em 1974-1975. Foram, enfim, criadas divisões dentro das Conferências. Desta vez, as referências geográficas foram removidas. 

    Foi criada a Prince of Wales Conference, servindo como a Conferência Leste e a Clarence Campbell Conference sendo a Conferência Oeste. As divisões, por sua vez, se chamavam Adams Division e Norris Division do lado Leste e Patrick division and Smythe division no lado Oeste.

    Nos anos seguintes, houveram algumas mudanças pequenas que permenaceram por alguns anos até serem alteradas novamente. Quando Gary Bettman virou o comissário da NHL em 1994, houve uma das mais radicais mudanças da liga. 

    Com a chegada de Battman como Comissário da NHL, os termos Prince of Wales Conference e Clarence Campbell Conference foram deixados de lado para virarem as Conferências Leste e Oeste. Os novos nomes das Divisões foram Nordeste, Atlântico, Central, e Pacífico. Em 1998, ainda foram acrescentadas mais duas divisões, chamadas de Noroeste e Sudeste.

    Desde 1994, as oito melhores equipes de cada conferência disputavam os playoffs, com os vencedores da divisão sendo garantidos com as melhores equipes da tabela, mas que não se classificaram (ou seja, os wildcards). 

    A mudança em 2013

    Primeiramente, após a realocação do Atlanta Trashers para Winnipeg, um novo formato de playoffs foi sugerido pela NHLPA. Contudo, essa proposta foi rejeitada em 2012. A segunda proposta, dessa vez aprovada em 2013, fez com que o Winnipeg Jets fosse para a Conferência Oeste. O Detroit Red Wings e o Columbus Blue Jackets, que se encontravam na Conferência Oeste, mudaram para a Conferência Leste, como parte do realinhamento de 2013.

    O novo realinhamento mistura a essência da rivalidade de divisão antiga dos anos 80 com a conferência de “seeds”, parecido com a da NFL. A intenção de Bettman foi de simplificar o hockey e tentar dar mais sentido as localizações das equipes.

    O novo formato foi aprovado dia 13 de março de 2013, para ser implementado na temporada de 2013-2014. A liga, então, anunciou os nomes das divisões em 19 de julho de 20013: as duas divisões de oito equipes na Conferência Leste seriam a Divisão Atlântica e a Divisão Metropolitana, e as duas divisões de sete equipes na Conferência Oeste seriam a Divisão Central e Divisão do Pacífico.

    Mapa Divisões Após as mudança conferências em 2013
    Reprodução: NHL.com

    Então, o formato dos playoffs virou o que conhecemos atualmente. Os três primeiro times da tabela das Divisões se classificam para os playoffs, totalizando 12 times, e as 4 ultimas vagas são do Wild Card, da Conferência Leste e Oeste. Isso permite ter até 5 times da mesma Divisão nos playoffs, por exemplo.

    A mudança nas Conferências ajudou os fãs do Detroit Red Wings e do Columbus Blue Jackets a terem menos conflitos de horários, já que estando na Conferência Oeste os times disputam muito mais vezes em horários tardios, de acordo com o fuso horário do oeste do Estados Unidos. 

    Apesar dessa mudança ter recebido, a princípio, críticas por conta da saída de um time do Original Six de uma Conferência onde possuía uma rivalidade histórica com o Chicago Blackhawks, é necessário ressaltar como essas mudanças são importantes para a Liga como um todo, já que viagens longas e distantes são menos frequentes, além da acessibilidade dos fãs que tem mais chances de assistirem suas estrelas favoritas jogando em sua cidade.

    A próxima mudança esperada será quando o time de Seattle, ainda sem nome, estrear na Liga. O Arizona Coyotes mudará de lugar e será movido para a Divisão Central, dando seu lugar no Pacífico para Seattle. Com isso, as Conferências ficarão cada vez mais adequadas geograficamente. Tais mudanças são sempre necessárias, mesmo que algumas sejam radicais. Elas podem melhorar o conforto dos jogadores, a logística das partidas, e possibilita uma diversidade e improbabilidade nos playoffs, tornando tudo mais empolgante. 

  • A venda dos Yotes

    A venda dos Yotes

    O ano de 2019 foi bem movimentado para o Arizona Coyotes, desde a compra da equipe pelo primeiro proprietário hispânico da NHL, Alex Meruelo a trades como a do jogador Taylor Hall e Phill Kessel. O time do Arizona tem dado duro para conseguir voltar aos trilhos e participar da corrida para a tão sonhada Stanley Cup. No entanto essa não foi a primeira vez que o time precisou fazer grandes mudanças para se reerguer. Eles ainda não imaginavam, mas em 2008 a equipe começou a passar por problemas financeiros chegando inclusive a declarar falência e precisando que a NHL interferisse no curso do time. Infelizmente as coisas não se resolveram de maneira rápida. Da falência a venda e, posteriormente, mudança no nome, o time teve alguns anos conturbados até a conclusão da venda em 2013.

    Como tudo começou

    Tudo começou com boatos. O até então Phoenix Coyotes se viu nos holofotes quando os boatos de que o time estava com problemas financeiros começaram a surgir ainda em dezembro de 2008. A equipe, que ficava localizada em Glendale desde de 2003, estava com muitas dívidas e não tinha como arcar com elas. Com isso, a NHL precisou assumir esses débitos, fazendo com que o comissário da Liga, Gary Bettman, e o vice-presidente, Bill Daly, assumissem as rédeas e minimizassem os boatos. Entretanto o que ninguém sabia é que Jerry Moyes, o até então proprietário da equipe, já havia passado o controle operacional para a Liga. 

    Bettman e Daly - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / thehockeynews.com 

    Em maio de 2009 Moyes se viu obrigado a declarar falência e tentar vender o time. Sua intenção era vender para Jim Balsillie, um bilionário canadense que queria realocar a equipe para Hamilton, Ontario. Entretanto a venda foi barrada pela NHL e então se iniciou o processo para determinar o destino dos Coyotes através do tribunal de falência em Phoenix. Foi somente em setembro que essa briga chegou ao fim. Com a única contra oferta sendo da NHL, o juiz do caso determinou que a venda ia contra as regras da Liga. Assim se iniciaram os quatros anos em que a NHL seguiria como dona dos Coyotes. 

    Logo após a NHL comprar a equipe eles começaram a procurar potenciais novo compradores. Para isso fizeram um acordo com a cidade de Glendale no Arizona para que então começassem a trabalhar com dois potenciais novos donos, os Reinsdorf e Ice Edge. Apesar de Reinsdorf ter tido aprovação da cidade para a aquisição e Ice Edge ter assinado um termo de intenção de compra, ambos desistiram e a NHL voltou à estaca zero. Em seguida a Liga decidiu mudar a equipe de volta para Winnipeg, seu local de origem. No entanto a cidade de Glendale concordou em financiar as perdas dando mais tempo para a NHL achar um novo comprador.

    Mais tempo e mais confusão depois, algumas empresas se interessaram na compra do time mas algo sempre acontecia e a venda dava errado. Enquanto isso a cidade continuava a lutar para que os Coyotes permanecessem ali, de certa forma dando mais tempo para a NHL encontrar um comprador. 

    Finalmente a venda

    Em agosto de 2011 um grupo liderado pelo ex-CEO do San Jose Sharks, Greg Jamison mostrou interesse em comprar o time e mantê-lo no Arizona. No entanto outro grupo também mostrou interesse e a cidade começou as negociações. Após não chegarem em nenhuma resolução, em maio de 2012 a NHL assinou um acordo provisório com Jamison e esperava que enfim pudesse pôr um fim nas buscas por um comprador. Entretanto surgiram obstáculos também conhecidos como burocracias. O desenrolar dessas burocracias duraram meses e no dia 31 de janeiro de 2013 a NHL se viu novamente iniciando a busca por um comprador. 

    O que eles não sabiam é que esta busca estava chegando ao seu tão sonhado fim. Em maio de 2013 um novo grupo foi formado para comprar os Coyotes. Desta vez a Renaissance Sports & Entertainment (RS&E) mostrou interesse em comprar o time por 225 milhões de dólares e um acordo que exigia manter a cidade de Glendale o lar dos Coyotes. A Liga, que já estava cansada dessa luta, declarou então que caso a venda não fosse concluída os Coyotes diriam adeus ao Arizona e chamariam Seattle de lar. 

    Prefeito de Glandale - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / glendalestar.com

    Desta vez o fim da busca estava próximo. Em julho o Conselho da cidade votou por 4-3 e decidiu aceitar o acordo da RS&E para a venda do time. Com isso a cidade garantiu a equipe por no mínimo 5 anos e uma concessão máxima para mais de 15 anos, além da mudança do nome da equipe de Phoenix Coyotes para Arizona Coyotes. Em agosto de 2013 a NHL enfim aprovou a venda da equipe para a RS&E e assim chegou ao fim a busca pelo dono ideal.