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  • A nova franquia Vegas Golden Knights

    A nova franquia Vegas Golden Knights

    Duas décadas após sua última expansão, em 2017 a NHL enfim decidiu agraciar seus torcedores com um novo time. Indo contra todo os indicativos, a liga fez uma de suas manobras mais ousadas: tornou Las Vegas a casa da futura equipe.

    Mesmo com os diversos problemas que poderia encontrar no caminho, o Vegas Golden Knights veio ao mundo oficialmente no ano de 2017, e mostrou que não seria apenas mais um simples time de expansão.

    Em mais um texto do especial “10 for 10“, a história da equipe de Vegas e como ela se tornou, em tão pouco tempo, uma das melhores da NHL.

    Viva Las Vegas

    Apesar de nunca ter sido sede de um time de hockey, a NHL e a cidade de Las Vegas já eram familiares entre si. Uma amizade que ambos mantêm desde 1991, quando Vegas sediou o primeiro outdoor game da Liga, e que permanece até hoje, com a cidade sediando o NHL Awards anualmente. 

    No entanto, os rumores de que Las Vegas teria um time para chamar de seu vieram apenas em 2014. Isso porque teve início a construção de uma futura arena na Las Vegas Strip, apesar de a própria NHL negar as informações. Em novembro do mesmo ano, outro rumor cresceu entre a comunidade do hockey, afirmando que a Liga havia selecionando o empresário Bill Foley e a família Maloof (antigos donos do Sacramento Kings, da NBA) para serem proprietários de um time em Las Vegas. 

    Cedendo aos pedidos, em dezembro o conselho de governadores da NHL permitiu que Foley realizasse uma campanha para detectar o interesse de um possível time em Las Vegas, embora Gary Bettman, comissário da NHL, tenha alertado a mídia para que não tornasse o acontecimento em algo maior do que realmente era.

    A campanha dos ingressos se iniciou em fevereiro de 2015, e teve mais sucesso do que o esperado. Em seu primeiro dia e meio, 5.000 depósitos para ingressos foram realizados, atingindo sua meta de 10.000 depósitos em abril do mesmo ano. Assim, devido ao grande êxito da campanha, a NHL abriu oficialmente a janela para que possíveis proprietários pudessem licitar o futuro time de expansão da Liga. 

    Dois pedidos de expansão foram apresentados: a oferta de Foley, para um time em Las Vegas, e outra da empresa Quebecor, que traria de volta o Quebec Nordiques em uma nova arena na cidade de Quebec. Em agosto de 2015, ambos avançaram para a segunda fase do processo de expansão. Posteriormente, também foram para a Fase 3, na qual uma das ofertas seria escolhida.

    Porém, em 22 de junho de 2016, a oferta de Quebec foi descartada e, consequentemente, Foley acabou trazendo a NHL para Las Vegas. O time se tornou a primeira equipe profissional a ter sede na cidade e, por conseguinte, o primeiro time de expansão da Liga Nacional de Hockey desde o ano 2000.

    Com vocês, Vegas Golden Knights

    Após todas as burocracias serem acertadas, Foley se comprometeu em pagar uma taxa de 500 milhões de dólares para a NHL e, enfim, pôde iniciar o processo de contratação da equipe que faria parte do time de Vegas. George McPhee, antigo General Manager do Washington Capitals, foi um dos primeiros contratados, e se tornou o primeiro GM da franquia. 

    O time veio a receber um nome ao fim do ano de 2016. Até o momento da cerimônia de revelação, acreditava-se que este seria escolhido dentre três opções: Black Knights, Desert Knights e Golden Knights. Por fim, após muitas especulações, a equipe de Las Vegas anunciou através de cerimônia nas dependências da T-Mobile Arena (futura casa do time) em 22 de junho do mesmo ano que, oficialmente, se chamaria Vegas Golden Knights.

    Era notável que, por ter se formado na Academia Militar West Point, Foley desejava que o nome tivesse a palavra Knight (em português, cavaleiro), como homenagem ao mascote da Academia pela qual se formou. Ele ainda completou afirmando que a palavra foi selecionada porque “cavaleiros são os defensores do reino e protegem aqueles que não podem se defender […], são a classe guerreira de elite.”

    Em seguida, o time ainda afirmou que suas cores seriam cinza-aço, dourado, vermelho e preto, justificando que o motivo da escolha era refletir na comunidade de Las Vegas:

    “Cinza-aço representa força e durabilidade. Nevada é o maior produtor de ouro dos Estados Unidos, é um metal precioso de alto valor e é uma cor vista no terreno de Las Vegas. O vermelho vem do horizonte de Las Vegas, do deserto e da beleza dos cânions de Red Rock; vermelho também é uma cor associada à prontidão para servir. E o preto representa poder e intensidade.”

    O logo também referiu-se diretamente à palavra Knight. O capacete remete ao que os cavaleiros medievais tinham o costume de usar em suas lutas, tendo a cor dourada presente para consolidar ainda mais a paleta e o nome da equipe.

    Para representar a cidade de Las Vegas, o time decidiu incluir no próprio logotipo a letra “V”. Os logotipos secundários também homenageiam a cidade, incluindo as espadas que criam a estrela do símbolo “Bem-vindo a Las Vegas”.

    Por fim, Foley afirmou que “o nome e logotipo do Vegas Golden Knights incorporam esta grande cidade e a missão da equipe.” Continuou ainda informando que seu desejo seria que “quando as pessoas virem [o logotipo], queremos que digam ‘Esses caras nunca desistem. Esses caras vão vencer.’ ”

    O draft de expansão

    Em 1 de março de 2017, a equipe finalizou os pagamentos da taxa de expansão, e tornou-se elegível para iniciar, de maneira formal, suas operações. A primeira manobra do time foi assinar um contrato entry-level de três anos com o center Reid Duke – atualmente, o jogador ainda é um prospect de Vegas.

    Em seguida, anunciou a contratação de Gerrard Gallant, em abril de 2017, para ser o primeiro treinador da franquia. Ainda informou que também havia feito afiliações com dois farm teams: Chicago Wolves (AHL) e Quad City Mallards (ECHL). Assim, a equipe poderia desenvolver melhor uma futura base de jogadores importantes.

    O time deu continuidade na contratação de seus futuros jogadores no Draft de Expansão do mesmo ano. O evento aconteceu em 21 de junho de 2017, durante o NHL Awards. Na ocasião, Vegas tinha o direito de selecionar um jogador disponível de cada uma das 30 equipes da Liga. 

    Antes disso, a NHL criou algumas regras, para que o novo time de expansão e também os demais times da Liga não saíssem prejudicados. Uma destas permitia que cada time poderia proteger sete atacantes, três defensores e um goleiro. Ou, se fosse da vontade da equipe em questão, um goleiro e oito jogadores, independentemente de suas posições. Também foi permitido que apenas jogadores com dois ou mais anos de experiência na NHL ou AHL participassem da seleção. 

    O combinado era que os times enviassem a lista com os jogadores que não participariam da expansão até o dia 17 de junho. Dos 30 jogadores selecionados pela equipe, pelo menos vinte deveriam estar sob contrato para a temporada 2017-18. Outra exigência da NHL foi que, dentro de suas escolhas, os Golden Knights deveriam selecionar, pelo menos, quatorze atacantes, nove defensores e três goleiros. 

    Assim, o Draft de expansão aconteceu. O primeiro jogador a ser selecionado pelo time foi Calvin Pickard, do Colorado Avalanche. Apesar de a equipe de Las Vegas ter selecionado 30 jogadores, alguns acabaram se destacando mais na época. Entre eles, o goleiro Marc-Andre Fleury, que veio para o time dias após conquistar sua segunda Stanley Cup na década com o Pittsburgh Penguins. Outros nomes notáveis foram James Neal (Nashville Predators), William Karlsson (Columbus Blue Jackets), David Perron (St. Louis Blues) e Erik Haula (Minnesota Wild). 

    Pouco depois, em julho, os Golden Knights participaram do NHL Draft de 2017. Com a quinta escolha geral, a equipe selecionou Cody Glass. Mais tarde, com a 13ª e 15ª escolhas, os Golden Knights selecionaram, respectivamente, Nick Suzuki e Erik Brannstrom. 

    Primeira temporada, e sucesso imediato

    Com um time já formado, a equipe fez sua estreia na NHL em um jogo contra o Dallas Stars, garantindo sua primeira vitória na Liga. Infelizmente, o início da jornada do time não foi tão alegre quanto Vegas desejava. A cidade ficou arrasada quando, em 1 de outubro de 2017, cinquenta e oito pessoas foram vítimas de uma massacre, que ocorreu durante um festival country.

    Após o ocorrido, a cidade inteiro promoveu o movimento Vegas Strong, com a intenção de mostrar que, mesmo com a tragédia, estando unidos seria a melhor forma de enfrentar a dor pela qual passaram. Os Golden Knights não foram diferentes dos demais moradores de sua casa. Durante o jogo contra os Stars, a equipe homenageou as 58 vítimas com um discurso emocionanete do capitão do time na época, Deryk Engelland. A fala reforçou a necessidade de enfrentarem isso juntos, e que a equipe faria o possível para ajudar.

    Mais tarde, durante o último jogo da equipe em casa na temporada regular, em 31 de março, Vegas voltou a reforçar seu apoio ao ocorrido. Foi pendurada na T-Mobile Arena um grande banner, que homenageou as 58 vítimas do ataque através de 58 estrelas. A intenção foi que, mesmo com o passar dos anos, todos pudessem olhar para o banner e lembrar das cinquenta e oito vidas que se foram precocemente.

    Após disputar sua nona partida, a equipe de Las Vegas enfim bateu seu primeiro recorde histórico: tornou-se o primeiro time de expansão na história da NHL a iniciar sua temporada inaugural vencendo oito de seus nove primeiros jogos. Mesmo tendo iniciado a temporada com um déficit de goleiros devido a lesões, conseguiu manter-se como uma das melhores da temporada 2017-18.

    Com a chegada de 2018, o sucesso do Vegas Golden Knights apenas aumentou. Em 1 de fevereiro, o time quebrou outro recorde, tornando-se a equipe de expansão com mais vitórias em menos de 54 jogos, após vencer sua 34ª partida. Já no dia 21, o time garantiu outro marco histórico, sendo a equipe de expansão com mais pontos (84) em sua temporada inaugural. 

    Após uma grande temporada regular, os Golden Knights garantiram a tão almejada vaga aos playoffs em 26 de março de 2018. Desta forma, Vegas se tornou a primeira franquia da NHL desde o Edmonton Oilers e o Hartford Whalers, em 1979, a ir para os playoffs em sua temporada de estreia. 

    O time venceu sua primeira série nos playoffs, contra os Kings, tornando-se a primeiraexpansão a conquistar o feito em sua primeira temporada. Depois, derrotaram o San Jose Sharks e, seguidamente, o Winnipeg Jets, já na Final de Conferência. Os Golden Knights garantiram sua primeira ida a uma Final da Stanley Cup em seu primeiro ano de existência. Porém, a equipe não teve o desfecho que almejava, sendo derrotada pelo Washington Capitals em cinco jogos. 

    Ainda assim, para um time de expansão, e que fazia sua estreia da Liga Nacional de Hockey, o Vegas Golden Knights chegou muito longe. Foi neste momento que deixou de ser apenas a nova aquisição da NHL e se tornou uma das equipes mais fortes na competição. Desde então, eles têm provado isso a cada temporada, apesar de ainda não terem repedido a empreitada até uma Final da Stanley Cup. 

    Podemos anotar em nossas agendas que 2018 não terá sido a última vez em que vimos os Golden Knights chegando perto de sua primeira taça. O time possui um elenco espetacular. Elenco este que já provou o quanto pode fazer pela equipe, e o quanto quer fazer com que o momento de levantar a Stanley Cup chegue o mais rápido possível para o Vegas. 

    Foto: Reprodução/Twitter do Vegas Golden Knights

  • Com shutout no Jogo 7, Golden Knights avançam para Finais de Conferência

    Com shutout no Jogo 7, Golden Knights avançam para Finais de Conferência

    O Vegas Golden Knights entrou na competição como um dos favoritos à Stanley Cup. Após chegar perto do título em 2018, o time tem mostrado mais potencial a cada jogo, dando indícios cada vez mais claros de que a sua busca pelo título está longe de chegar ao fim. 

    Após derrotar o Chicago Blackhawks no primeiro round dos playoffs, Vegas, por fim, classificou-se para a segunda etapa da competição. Tendo o Vancouver Canucks como seu oponente na série, a equipe de Las Vegas entendeu que o desafio de avançar para a Final da Conferência Oeste não seria fácil.

    Com um time repleto de novos talentos, os Canucks entraram no segundo round com a intenção de uma disputa de igual para igual contra a equipe estadunidense. Mas, após sete jogos intensos, a série chegou ao fim na sexta (4), e o desfecho foi um adeus do time canadense para a competição.

    Bate e volta de vitórias contra Vancouver

    Logo na primeira partida contra Vancouver, os Golden Knights já provaram que sua estadia na pós-temporada não seria curta. Com uma derrota por 5-0, a única possibilidade para os Canucks seria focar em um melhor desempenho na segunda partida. Usando essa filosofia, equipe canadense conseguiu entrar bem no segundo jogo e sair com a vantagem sobre oponente. 

    Com a série empatada, os dois times vão para o Jogo 3 em busca de vantagem. Mas quem acabou saindo à frente do placar foi o Vegas Golden Knights. Com a falta de finalizações a gol dos Canucks na partida, os Golden Knights mantiveram a vantagem. Por fim, o time de Nevada venceu o confronto e garantiu a vantagem de 2 a 1 na série. Vale ressaltar que, em apenas três jogos da rodada, Robin Lehner conseguiu dois shutouts, mantendo grande desempenho na rede de Vegas.

    A breve decaída do Vegas Golden Knights

    Em relação a tentativas a gol, o Jogo 4 talvez tenha sido a partida em que os dois times mais disputaram de igual para igual. Apesar do grande hype que o time manteve nos 4 primeiros jogos, a quinta partida trouxe a queda do desempenho do Vegas na série. Após 20 minutos sem nenhuma finalização a gol de ambos os lados, foi Shea Theodore quem marcou o primeiro dos Golden Knights na partida, durante o segundo período. Mas o time viu a vantagem se esvair 24 segundos depois, quando os Canucks empataram. Para fechar de vez o confronto, Vancouver marcou o segundo último período, garantindo a vitória. 

    No Jogo 6, Vancouver conseguiu manter o mesmo ritmo da quinta partida. Algo necessário pois, se os Golden Knights vencessem o jogo, os Canucks diriam adeus aos playoffs. Mas ao marcar com Jake Virtanen, aos 2:50 do primeiro período, os Canucks mostraram que estavam longe de se despedir da competição. Sem gols no segundo tempo, foi o próprio Vancouver quem voltou à partida no último período mostrando dominância, e marcando mais três gols. 

    Novamente um empate na série.

    Por mais que a vitória tenha sido de Vancouver nos jogos cinco e seis, foi Vegas quem teve mais shots on goal e, de certa forma, dominou as partidas por muito tempo. Ou seja, foi notável o quanto os Canucks souberam aproveitar muito bem suas oportunidades em jogo para finalizar as jogadas e, assim, manterem-se na competição. 

    Enfim, Golden Knights na Final da Conferência Oeste

    Por ser um Jogo 7, e a série estar empaada, esperavasse na partida um grande desempenho para ambos os lados. Porém, a queda dos Canucks foi notável: no primeiro período, o time disparou apenas duas vezes ao gol, contra 11 tiros de Vegas.

    Novamente, na segunda etapa do jogo, ambas as equipes mantém o placar em zero a zero, e Vegas mantém a dominância de SOG, diminuindo apenas por um disparo em comparação ao primeiro período. Finalmente, no terceiro, as coisas começaram a se desenvolver quando Shea Theodore abriu o placar para Vegas em um gol no power play. Aqui, os Canucks começaram a tentar entrar na partida, criando mais tentativas a gol. 

    Mas quando os Golden Knights marcaram o segundo, com Alex Tuch e logo em seguida o terceiro, com Paul Stastny, as chances do time canadense conseguir um empate eram quase nulas. A partir daí, a única coisa necessária para Vegas era segurar a liderança. 

    Seis segundos após o terceiro gol da partida, o apito final soou. Depois de sete jogos, o Vegas Golden Knights se classificou para a Final de Conferência pela segunda vez em sua história na NHL. 

    Atuações notáveis da série

    Vancouver não apenas contou com o grande desempenho de seus veteranos, mas também com o talento dos jogadores mais novos. Bo Horvat, capitão da equipe, foi o responsável pela maior parte dos gols feitos pelos Canucks, juntamente de Elias Petterson e J.T. Miller. Os dois últimos não só participaram de grande parte das finalizações do time, como também realizaram a maior parte das assistências aos gols.

    Destaque também para Quinn Hughes, que mostrou outra vez ser um jogador completo no gelo; além de exercer seu papel na zona defensiva com êxito, também participou de muitas jogadas a gol da equipe. Dessa forma, acabou se tornando o líder em assistências dos Canucks nos playoffs.

    Apesar de a classificação para a Final de Conferência não ter vindo em 2020 para Vancouver, oportunidades futuras não faltarão, pois o time possui um grande elenco suficientemente capaz de alcançar o feito.

    Quando falamos de atuações destaques do Vegas Golden Knights, é necessário falar de Shea Theodore. O jogador não só é o líder em assistências do time (10), como também é o segundo atleta da equipe que mais finalizou a gol. Ele ficou atrás apenas de Alex Tuch. Claramente, um grande reforço para a equipe de Nevada nos playoffs, e que pode ser um dos responsáveis a levar o time a conquistar seu primeiro título.

    Mark Stone, Alex Tuch e Reilly Smith também foram grandes adições na zona ofensiva do Vegas no round, sempre se fazendo presentes em grande parte das jogadas e nos momentos mais necessários. 

    O que esperar da série contra o Dallas Stars

    Algo que ficou extremamente perceptivo em apenas um jogo da Final de Conferência é que o Dallas Stars que Vegas enfrentou na temporada regular e Round Robin não é o mesmo time que a equipe encontrou nesta série dos playoffs.

    Após muita frustração, o time do Texas enfim encontrou seu estilo de jogo, e o tem executado muito bem, com a ajuda de diversos jogadores mais novos como Miro Heiskanen, Roope Hintz e Denis Gurianov. A equipe tem produzido cedo nas partidas, e em consequência, acaba sendo a primeira a marcar gols. 

    Então, se Vegas conseguir sobreviver a esta pressão inicial imposta pelo time, e não desperdiçar as tentativas a gol, as chances de avançar para a Final da Stanley Cup são grandes. Com jogadores como Shea Theodore fazendo um ótimo desempenho no ataque, e Robin Lehner em uma de suas melhores fases no gol, o time tem grandes oportunidades de evoluir cada vez mais na competição.

    A série contra o Dallas Stars iniciou no último domingo (6), e contou com a primeira vitória dos Stars. No Jogo 2, na terça-feira, os Golden Knights devolveram o shutout e empataram a série. Ainda há muito a ser disputado pela frente, o que nos resta é aguardar os próximos capítulos. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • No overtime, Stars se classificam para Final da Conferência Oeste

    No overtime, Stars se classificam para Final da Conferência Oeste

    O Dallas Stars iniciou a série contra o Colorado Avalanche com o pé direito. Após derrotar o Calgary Flames no primeiro round, o time partiu para a próxima etapa dos playoffs com grande confiança. Somado a isso, o time mostrou também um estilo de jogo diferenciado do que vinha apresentando nos últimos tempos.

    Estilo de jogo este que, por fim, parou um dos ataque mais rápidos da NHL e, assim, garantiu à equipe uma classificação para a Final da Conferência Oeste. 

    A série chegou ao fim na última sexta (4), após sete jogos intensos. Ela trouxe grandes atuações, com direito a chuva de gols e recordes conquistados. Portanto, aqui vai um recap dos melhores momentos da série, e, por fim, o que esperar do Dallas Stars na próxima etapa da competição.

    Um Dallas Stars diferente

    Não é surpresa alguma que Dallas não era um dos principais favoritos a conquistar a Stanley Cup.

    Com um estilo de jogo muitas vezes instável, os Stars sofriam com tentativas a gol desperdiçadas, e falta de desempenho de seus principais jogadores. Num geral, muitas vezes o time não parecia ter sintonia, algo que era extremamente preocupante, e que poderia resultar em uma eliminação precoce dos playoffs. 

    Mas as coisas pareceram mudar na série contra Calgary, principalmente nos últimos jogos. Quando a equipe de Dallas soube aproveitar as oportunidades no gelo, o resultado imediato foi a classificação para o segundo round. Assim, o time que antes era visto como o menos favorito à taça, passou a ser a equipe que poderia dar trabalho para o Colorado Avalanche

    Tudo que o time precisou para mostrar ao que veio foi o primeiro jogo da série, que foi acompanhado de de ótimas atuações de seus veteranos. Quando os jogadores mais importantes do time elaboram grandes jogadas e mostram todo seu desempenho no gelo, é de se esperar que os Stars não queiram fazer apenas um breve passeio pelo segundo round. 

    No jogo dois, os Stars mantiveram o ritmo. Apesar do Avalanche ter sido o primeiro a abrir o placar, foi Dallas quem assumiu as rédeas e ditou o ritmo da partida depois disso.

    A um passo (ou jogo) da classificação

    Após grandes atuações, os Stars enfrentaram seu primeiro empecilho no terceiro jogo da série. Apesar de marcar com Seguin no primeiro período, e assumir a vantagem, o time diminuiu seu desempenho na segunda etapa da partida. Um minuto após o primeiro gol do Dallas, o Avalanche marcou seu primeiro e, partir daí, dominou completamente a partida. Com gols de Zadorov, Burakovsky e Landeskog, o Colorado assumiu a vantagem e, assim, mostrou o porque tinha um dos melhores e mais proveitosos ataques da NHL. O time de Denver diminuiu a vantagem dos Stars na série, ficando atrás por apenas um jogo. 

    Todavia, a vitória do Colorado Avalanche no terceiro jogo não foi o suficiente para desmotivar o Dallas Stars. Mesmo com os dois gols do Avalanche na segunda etapa do Jogo 4, os Stars ainda lideravam o placar e se mantinham confiantes. Por fim, com gols de Hintz e Gurianov no terceiro período, o Dallas deu sua cartada final e garantiu a vantagem. Vantagem esta que continuou, mesmo após o Avalanche ter aumentando seu desempenho na partida, e, consequentemente, marcado mais dois gols.

    Mais uma partida do round que chegou ao fim, mais uma vitória e grande aproveitamento do Dallas Stars. Em quatro confrontos, a equipe mostrou exatamente o estilo de jogo que todos esperavam dos Stars: um jogo de início rápido, eficiente e efetivo. A pressão que o time impôs ao Avalanche nos primeiros minutos de cada uma das partidas foi o que os levou a vitória em cada confronto. Ao fim do Jogo 4, a única coisa que separava o Dallas Stars da classificação era uma vitória. 

    No entanto, a queda no desempenho e falta de sincronia de certas linhas, acabou dando um prejuízo desnecessário ao time do Texas na competição. 

    A decaída dos Stars, e wake-up call do Avalanche

    Faltando apenas um jogo para que a equipe garantisse a vaga na Final da Conferência Oeste, era de se esperar que Dallas mantivesse o bom desempenho. Mas, para a infelicidade dos fãs dos Stars, não foi dessa maneira que as coisas aconteceram.

    O Avalanche, que vinha de diversos desfalques desde o início da série, acabou somando mais um com Pavel Francouz, inapto para assumir a rede do time. Assim, Michael Hutchinson, terceiro goleiro do time, passou a assumir a posição.

    Hutchinson não disputava pelos Avs desde março de 2020. A essa altura do campeonato, poderia ser um empecilho a mais para o time. No entanto, tudo pareceu dar certo, e Colorado venceu sua segunda partida no round.

    No Jogo 6, Dallas iniciou o primeiro período com ótimo desempenho, criando mais oportunidades a gol do que o rival. Como consequência, foi o primeiro a marcar, aos 17:35 minutos do primeiro período, com Miro Heiskanen. No entanto, faltando apenas 30 segundos para o fim dos primeiros 20 minutos da partida, o Avalanche igualou o placar. O time de Denver voltou a marcar no segundo, aumentando ainda mais a vantagem. 

    Quando Rantanen e MacKinnon marcaram no terceiro período, era de se esperar que Dallas não conseguiria a classificação naquela noite. Apesar de ter ido mais chances, os Stars se viram derrotados mais uma vez pelo Colorado Avalanche. 

    O time que antes possuía vantagem de 3 a 1, e grandes chances de passar de forma rápida para a próxima fase da competição, viu o oponente acordar na disputa, superar as adversidades e aproveitar muito bem cada chance para empatar a série.  

    Destino de Dallas: enfim, a Final da Conferência Oeste

    Os Stars mostraram o quanto queriam a vitória logo no início do Jogo 7, ao marcarem no terceiro minuto do primeiro período. A cortesia ficou por conta de Radulov, que fez o gol durante o primeiro power play do time na partida. No entanto, acabaram perdendo a vantagem no placar quando Namestnikov e Burakovsky marcaram para o Avalanche.

    No segundo período, a atuação dos jogadores novatos foi essencial para colocar os Stars de volta no jogo. Joel Kiviranta, que havia disputado apenas dois jogos de playoffs por Dallas anteriormente, entrou na partida e marcou seu primeiro, e segundo com os Stars. No entanto, a alegria do time do Texas durou apenas até quando Nazem Kadri marcou, dando a liderança a Colorado pela primeira vez no jogo. 

    Até aqui, Dallas se manteve estável na partida, mas presenciou Colorado criando mais chances de gol. O time precisou segurar as pontas para não deixar o time de Denver aproveitar as brechas em jogo e marcar. Por isso, colocando em prática outra vez a mentalidade rápida que adquiriram nos playoffs, os Stars não perderam tempo ao marcar no início da terceira etapa.

    Com empate na partida, Namestnikov voltou a colocar o Avalanche na frente. Novamente, Dallas viu sua vida sendo salva pela grande atuação de suas estrelas mais novas. Com assistência de Heiskanen e Hintz, Kiviranta colocou o puck no fundo da rede e foi o responsável por manter s Stars na competição. Ao fim do tempo regulamentar, o placar era 3-3.

    Com suas melhores peças em jogo, os dois times entraram em gelo para disputar o overtime. Pelo desempenho apresentado no início da prorrogação, as apostas estavam com o Colorado Avalanche, que conseguiu elaborar cinco tentativas a gol contra uma dos Stars. 

    Mas Dallas foi contra as probabilidades. Se Kiviranta havia garantido o overtime para o time, era justo que fosse o rookie que garantisse também a passagem para a próxima fase. O finlandês marcou no oitavo minuto da prorrogação e, assim, direcionou os Stars diretamente para a Final da Conferência Oeste. A equipe não alcançava este feito desde 2008. 

    Atuações de destaque na série 

    É difícil falar de apenas uma atuação notável por parte do Colorado Avalanche durante a série. O time de Denver soube explorar muito bem todos os seus jogadores, e é isso que acaba colocando a equipe entre as melhores. Mesmo perdendo peças importantes ao longo do caminho, a equipe fez quase o impossível com o elenco restante para se manter na disputa.

    Nathan MacKinnon sempre será digno de destaque pelas grandes atuações em gelo que propicia ao fã de hockey. Mas, para que o canadense marque, existe um time inteiro que se envolve nas jogadas, da zona defensiva à ofensiva. Mikko Rantanen, juntamente com Cale Makar e Gabriel Landeskog, foram os principais responsáveis por trás das principais tentativas a gol do time. Não só neste round, mas nos jogos anteriores.

    Nazem Kadri também foi peça importante no time, e um dos jogadores que mais finalizou no gol, com Rantanen logo atrás. Andre Burakovsky também teve grande desempenho, ocupando o segundo lugar em gols marcados no time (junto de Rantanen), e se tornando o responsável por colocar o Avalanche na disputa diversas vezes durante a série.

    Makar também merece reconhecimento por, não apenas exercer muito bem sua posição na zona defensiva, mas também por participar constantemente no ataque do time.

    Por sua vez, o Dallas Stars por fim mostrou um tipo de jogo que era esperado do time há anos, composto de jogadas rápidas e certeiras. Tudo isso, somado a um estilo de jogar mais físico e presente no gelo, foi o que resultou na classificação do time para a próxima fase da competição. 

    Mesmo com todos estes fatores, Dallas contou com muitas atuações pontuais e importantes. Miro Heiskeinen, que é um dos defensores do time que mais se fez presente também na linha ofensiva, mostrou novamente o quanto é um jogador completo. Ele participou de grande parte das jogadas a gol dos Stars nos playoffs, ocupando assim o segundo lugar em pontos e o primeiro em assistências no geral da competição.

    A linha principal do time, formada por Seguin, Benn e Radulov também voltou a fazer grandes atuações. Os três jogadores não só marcaram quando foi necessário, mas também deram assistências para muitas das jogadas do time a gol.

    A menção honrosa vai para Joel Kiviranta, que se tornou o herói mais improvável do Dallas Stars nos playoffs. Após disputar dois jogos pelo time, o finlandês entrou no Jogo 7 contra o Avalanche e apresentou um dos melhores desempenhos da partida. Além de ter se adaptado bem a equipe, o jogador apareceu e mostrou desempenho consistente no momento certo. Kiviranta se tornou o sétimo jogador na história da NHL a marcar um hat-trick durante um Jogo 7, sendo o único rookie da lista.

    O que esperar de Dallas Stars e Vegas Golden Knights

    O Vegas Golden Knights já mostrou que possui muita vontade e as peças essenciais para levar o time até a Final da Stanley Cup. Jogadores como Alex Tuch, Shea Theadore e Mark Stone, tem mostrado ser grandes adições no ataque do time de Las Vegas. Tudo isso, somado à grande eficiência por parte de Reilly Smith na elaboração das jogadas, e um ótimo desempenho no gol com Robin Lehner, a equipe possui altas chances de passar por Dallas e ir para o destino final da competição. 

    Portanto, será necessário que os Stars não só continuem fazendo de seu jogo físico uma constante no gelo durante a rodada, mas que também saibam priorizar e entender quais jogadores podem acabar facilitando a vida do time. Os jogadores mais novos, como Roope Hintz, Miro Heiskanen e Denis Gurianov, tem mostrado serem grandes adições na zona ofensiva e finalizando a gol. 

    Seguin, Benn e Radulov provaram no segundo round que, quando conseguem trabalhar bem, o time todo acaba seguindo o ritmo. Portanto, é de extrema importância que a linha principal continue em harmonia, e marcando de fato presença no gelo. Dessa maneira, as chances do Dallas de chegar à Final após 21 anos são grandes.

    Rick Bowness, técnico do time, pareceu pensar o mesmo, quando falou sobre seus principais jogadores na coletiva após o primeiro jogo contra o Avalanche. “Quando essa linha marca um gol inicial como esse, é enorme, e então você simplesmente tem que deixá-los ir. Não vamos a lugar nenhum sem nossos melhores jogadores.”

    O primeiro jogo da série entre Dallas Stars e Vegas Golden Knights acontece neste domingo (06), às 21 horas. Se as atuações de ambos os times até aqui foram um indicativo de como será o round, podemos com certeza esperar por grandes jogos.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • NHL anuncia iniciativas de combate ao racismo

    NHL anuncia iniciativas de combate ao racismo

    Nesta quinta-feira (3), a NHL anunciou iniciativas de combate ao racismo na liga e também para acelerar a inclusão de minorias no hockey.

    Essas iniciativas vieram de uma demanda dos próprios jogadores. Na semana passada, eles decidiram não jogar por dois dias em protesto, contestando a brutalidade policial contra negros nos Estados Unidos. 

    Dessa forma, a NHL e os membros dos clubes, junto com a Associação de Jogadores (NHLPA) comprometeram-se com uma série de outras iniciativas específicas.

    As iniciativas em conjunto com a NHLPA

    A NHL e a NHLPA trabalharão em conjunto com a Hockey Diversity Alliance (HDA), aliança formada por jogadores e ex-jogadores negros da NHL. Com o propósito de lutar contra o racismo no hockey, essa parceria visa em estabelecer e administrar um programa de desenvolvimento do esporte desde sua base. O intuito é fornecer orientação e desenvolvimento de habilidades para meninos e meninas BIPOC (sigla para black, indigenous and person of color; em português, negros, indígenas e pessoas não-brancas) em Toronto.

    A NHL e a NHLPA estão planejando um treinamento obrigatório de inclusão e diversidade para todos os jogadores da liga. Esse treinamento será conduzido durante o training camp e a primeira parte da temporada 2020-21. Os membros da equipe da NHLPA receberão o mesmo treinamento de inclusão e diversidade que os jogadores.

    Todos os funcionários da Liga participarão de uma experiência de aprendizagem de inclusão, conduzida por Bill Proudman da White Men as Full Diversity Partners (WMFDP). Sua educação será focada no antirracismo, no preconceito inconsciente, nas dimensões de identidade, sobre microagressões e competência cultural.

    A NHL trabalhará com seus parceiros de longa data no Thurgood Marshall College Fund para capacitar a próxima geração de líderes de justiça racial. Por meio de uma parceria com o Center for Justice Research da Texas Southern University, a NHL fornecerá apoio financeiro para as pesquisas da Universidade. 

    Educar os fãs da NHL também continuará sendo feito, a partir de guias sobre a importância de refletir sobre o racismo e de ser antirracista. Isso também será feito a partir da amplificação das vozes dos jogadores, ex-jogadores e de prospects da Liga. 

    Ainda, em um nível relacionado às equipes e seus funcionários, a Liga continuará a acolher uma série de “Courageous Conversations”. As “Conversas Corajosas”, em tradução livre, são conversas relacionadas a raça, equidade, diversidade e inclusão. Esta plataforma fornece um lugar no qual as pessoas das equipes podem mergulhar e falar sobre privilégio, do preconceito inconsciente além de abraçar a diferença, assim tornando-se ainda mais um aliado.

    Em suma, as Conversas Corajosas são o início do processo de autorreflexão. As conversas estão sendo conduzidas por Kim Davis e Brian Blake, Diretor Sênior de Diversidade e Inclusão da NHL. Por fim, a Liga iniciará um programa semelhante para os treinadores e gerentes gerais.

    Quem lidera a mudança 

    A NHL formou o Conselho de Inclusão Executiva (EIC). O Conselho é co-presidido pela proprietária do Buffalo Sabres coreana americana Kim Pegula e o Comissário da NHL Gary Bettman. Seu empenho será em liderar um pensamento mais inclusivo em todo o ecossistema do hockey. O EIC promoverá a inclusão e a diversidade do esporte, identificando oportunidades para mudanças positivas e desenvolvendo etapas de ação.

    PK Subban, junto com Anson Carter, ex-jogadores da NHL e ex-jogadoras das seleções femininas de hockey fazem parte da Players Inclusion Committee (PIC). Além disso, existem ainda mais dois comitês – o Fan Inclusion Committee (FIC) e o Youth Hockey Inclusion Committee (YHIC). Tais comitês desenvolverão soluções orientadas para a ação que impactam positivamente o acesso, oportunidade e experiências que grupos sub-representados têm no jogo – e nos negócios – do hockey.

    Por meio do NHL / NHLPA Industry Growth Fund, investimentos financeiros significativos estão sendo feitos para fazer crescer o esporte de hockey nível juvenil em comunidades de cor. Vários clubes já estão acessando o IGF para ajudar a apoiar iniciativas de diversidade no hockey, enquanto outros estão planejando fazê-lo.

    A Liga também fornecerá financiamento, conforme necessário, para apoiar novas iniciativas que tragam mais pessoas não-brancas para o esporte. O objetivo é encorajar mais participação em todos os níveis do jogo – incluindo a criação de um canal para o desenvolvimento de jogadores de hockey de elite.

    Iniciativas já existentes e que continuarão 

    O Comitê Consultivo de Hockey Feminino da NHL e da NHLPA – lançado em 2019 – continuará a se concentrar no crescimento do hockey feminino. Portanto, é importante garantir que todas as meninas e mulheres jovens possam experimentar as oportunidades e benefícios que jogar e arbitrar nosso esporte oferece.

    Além de avaliar a programação feminina atual, elaborar estratégias de divulgação e hospedar uma sessão educacional para jogadores das seleções canadense e americana sobre racismo, crescimento e inclusão, o comitê fez uma parceria com a NHL Coaches’ Association. O objetivo é aumentar o número de treinadoras participando do Programa de Mentoreamento de Treinadores anual da NHLCA. Dessa forma, espera-se criar mais oportunidades para treinadoras de todos os 32 mercados da NHL.

    Por fim, O Comitê está atualmente trabalhando em uma série de artigos que examina a experiência feminina no hockey e destaca modelos em todos os níveis do esporte.

    No início de 2020, a NHL conduziu a primeira avaliação independente dos programas de hockey juvenil Hockey Is For Everyone. Embora a Liga esteja necessariamente navegando nas incertezas do cenário do hockey juvenil na atual pandemia, ela continua comprometida em explorar o desenvolvimento de uma coalizão mais ampla de organizações juvenis e amadoras de hockey que apoiam grupos marginalizados e sub-representados.

    Para saber mais sobre as iniciativas e ler todas, acesse o site da NHL (em inglês).

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Flyers forçam Jogo 7 após grande atuação de Hart

    Flyers forçam Jogo 7 após grande atuação de Hart

    O Jogo 6 entre Flyers e Islanders poderia ter sido o fim da série que decide quem enfrenta o Tampa na final da Conferências Leste. A possível classificação do New York Islanders estava a poucos minutos de acontecer, não fosse por Carter Hart, o jovem goleiro do Philadelphia Flyers. O jogador, de apenas 22 anos, defendeu para seu time um total de 49 shots. Dessa forma, Hart garantiu não somente a primeira estrela do jogo, mas também um overtime, quando o time da Filadélfia superou os Isles com um gol de Ivan Provorov, garantindo o Jogo 7. 

    Entretanto, essa não foi a primeira partida que o goleiro se destacou na série. Anteriormente, no Jogo 5, Hart realizou um feito parecido ao defender 29 arremessos e garantir a vitória que os Flyers tanto precisava. Em ambos os jogos, a partida acabou sendo decidida na prorrogação. 

    Aos evitar a eliminação, os Flyers ainda garantiram um recorde na NHL. Isso porque eles se tornaram o oitavo time na história da liga a evitar uma eliminação em jogos consecutivos através do overtime.

    A influência de Carter Hart na série

    O time de Nova York começou em vantagem, ganhando a primeira partida e, em seguida, conquistando os Jogos 3 e 4. Sendo assim, eles só precisavam ganhar o próximo confronto para garantiriam a sua classificação. Em todos os jogos da série o Islanders detiveram a vantagem sob o gelo e o maior domínio do puck, atacando mais o seu adversário do que o oposto.

    No entanto, os Isles viram a sua vantagem diminuir pouco a pouco. Os Flyers podem não demonstrar tanto domínio no gelo como o time de Nova York, mas Carter Hart tem compensado essa falha. Se não fosse pelo goleiro, a diferença de gols na série poderia estar muito maior. Isso porque a porcentagem de defesas feitas por Carter teve um aumento nessa pós temporada. Atualmente o goleiro conta com um percentual de .929 diferente da temporada regular que foi .914. 

    Esse progresso de Hart é algo comum entre os goleiros, afinal o jogador ainda é jovem e está em processo de adaptação à NHL. Apesar de ter estreado no Flyers em 2018, Hart não participou nem de 50 jogos em cada temporada, sendo essa sua primeira atuação nos playoffs da Stanley Cup. Ao todo, Carter participou de 13 jogos, conquistando a vitória em nove.

    Assim, com uma carreira toda pela frente, o goleiro começou a ser um nome de peso dentro do time. Durante a última partida, Hart se tornou o segundo jogador dos Flyers a ter o maior número de gols salvos numa fase eliminatória, parando 49 dos 53 tiros a gol do New York Islanders. 

    Os demais jogadores dos Flyers podem não ter um desempenho tão forte, especialmente durante os power plays. Dessa forma, o time tem muito o que melhorar se quiser continuar na corrida pela Stanley Cup. No entanto, a chance de se classificar ainda existe.

    Entretanto, os Isles têm se mostrado um time forte nesta temporada, com um ataque jovem com nomes de peso como Mat Barzal e Anthony Beauvillier, sendo considerado um dos favoritos a continuar avançando nos playoffs. Porém, os Islanders eliminaram o Florida Panthers ainda na fase qualifiers e em seguida o Washington Capitals em apenas cinco jogos. Construindo um bom jogo, o time continua no caminho para a classificação e possui altas chances de conquistar a vitória.

    Presença especial

    A vitória do time no Jogo 6 não foi o único motivo que tornou a noite especial. O atacante Oskar Lindblom, que estava longe dos jogos desde dezembro de 2019, quando foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, fez o seu retorno ao gelo na partida. Lindblom enfrentou um câncer raro, uma espécie de tumor nos ossos, e ficou longe do gelo para fazer o tratamento. O jovem de 24 anos foi com a equipe para a bolha em Toronto e era frequentemente visto marcando presença nos jogos e no vestiário do time. O jogador estava sempre dando apoio aos seus colegas do mesmo modo que recebia apoio e carinho da comunidade do hockey.

    Sempre positivo, Oskar mostrou estar indo bem em seu tratamento e sem dúvida o jogador não via a hora de voltar ao gelo. Após concluir o tratamento no dia 2 de julho, quando a NHL já estava se planejando para retomar os jogos no atual formato, Lindblom não demorou a manifestar o desejo de encontrando seu time em Toronto e voltar a treinar com a equipe ainda no início de Agosto. 

    Menos de um mês depois, e nove meses após ter sido diagnosticado, o tão aguardado retorno ao gelo enfim aconteceu. Sem dúvidas uma noite inesquecível para os fãs dos Flyers. 

    Agora, o tão aguardado Jogo 7 está agendado para o sábado, 5 de setembro. Sendo assim, quem vencer esse confronto irá se classificar para a decisão da Conferência Leste, onde enfrenta o Tampa Bay Lightning na briga pela vaga na Final da Stanley Cup.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Lightning alcança novos recordes em vitória sobre os Bruins

    Lightning alcança novos recordes em vitória sobre os Bruins

    O Tampa Bay Lightning continua mostrando a sua força nos playoffs. Após uma série cheia de recordes e surpresas contra o Columbus Blue Jackets, o Lightning teve como adversário um dos finalistas da temporada passada, o Boston Bruins. Enquanto o time de Boston vinha de uma série contra o Carolina Hurricanes e uma baixa um tanto polêmica do goleiro Tuukka Rask

    Isso porque o goleiro optou por encerrar sua temporada mais cedo e retornar para sua família por questões pessoais. No entanto, mesmo tendo conhecimento do motivo, nem todos os fãs viram isso com bons olhos.

    Após o time de Tampa liderar a série em 3-1 e ganhar a quinta partida, muitos torcedores foram às redes sociais culpar o goleiro pela eliminação. Mesmo após duas semanas de sua saída e o time ter ganho a série contra os Canes, alguns fãs não ficaram felizes e decidiram responsabilizar o jogador, que não estava no gelo neste round.

    Apesar de ser um time forte e ter tido uma vantagem com a primeira vitória da série, os Bruins não conseguiram se manter constantes no gelo, diferentemente de seus adversários.

    O jogo dos Bolts era simples, porém eficaz. Eles podiam não ter tantos chutes a gol, mas tinham boas oportunidades e foi exatamente esse o seu diferencial na série. Não foi uma caminhada fácil, afinal os Ursos não queriam dizer adeus à chance de uma Stanley Cup, por isso foram necessário alguns overtimes em dois jogos para Tampa garantir a vaga na próxima fase.

    Uma vitória com recordes

    O Lightning tinha linhas sólidas que combinavam entre si e estavam bastante sincronizadas, criando ótimas oportunidades para seus pontuadores. Não somente isso, a defesa da equipe ia muito bem, dificultando para o time de Boston passar por eles e, consequentemente, marcar gols. Tampa ainda contava com um excelente goleiro, que foi peça-chave para evitar tantos gols de seu oponente.

    Em resumo, o Lightning se mostrou um time completo e um forte adversário para seu próximo rival. 

    No ataque, o time contou com Ondrej Palat, Brayden Point, Nikita Kucherov e Anthony Cirelli, que juntos conseguiam criar boas oportunidades para marcar. Palat, inclusive, foi um grande destaque para Tampa e na série. Ele conseguiu ampliar a sua sequência de gols, assim entrando para a história da franquia ao alcançar a marca de maior número de gols em partidas consecutivas numa pós-temporada. 

    Seu companheiro de linha, Point, também não fica pra trás. Ele não somente aumentou seus gols esperados, mas também, consequentemente, sua porcentagem de tiros, ficando agora com 18%. Point também conseguiu manter a sua série de pontos em seis jogos, assim aumentando tanto as chances do time quanto as suas estatísticas individuais.

    A defesa de Tampa merece destaque também. Victor Hedman, responsável pelo gol da vitória no último jogo, tem sido uma verdadeira arma para o time. O defensor tem cinco gols em 45 shots, e alta pontuação nos playoffs. Ele também entrou para a história da franquia ao se tornar o terceiro defensor nos últimos 10 anos a marcar um gol numa série que precisou de vários overtimes.

    No entanto, Point não teria conseguido tal feito sem seus companheiros de posição. Com nomes como Mikhail Sergachev, Kevin Shattenkirk, Zach Bogosian, Erik Cernak, Ryan McDonagh e Luke Schenn o Lightning tem um elenco de peso. Para que Hedman tivesse oportunidades de fazer gols, seus colegas tiveram um trabalho e tanto para formar uma defesa sólida. Dessa forma, também ajudaram a criar essas oportunidades.

    Andrei Vasilevskiy, um verdadeiro muro para Tampa

    No gol, o time contava com um goleiro de elite. Andrei Vasilevskiy foi também uma das grandes armas do Lightning.

    O goleiro participou de 13 jogos nesta pós-temporada, perdendo apenas três. Ele tem um percentual de defesas de 0.931, com 147 shots defendidos e apenas 10 gols sofridos. Em sua última partida foram 45 defesas bem sucedidas, o maior número de gols defendidos por ele em uma partida durante essa série.

    Dos dois times, os Bruins foram os que tiveram mais shots a gol. No entanto não contavam que fosse tão difícil passar o puck por Vasilevskiy. Do outro lado, Jaroslav Halak e Dan Vladar combinados sofreram 169 shots com 19 deles balançando a rede, sete em uma única partida.

    Para a próxima rodada, a má notícia para o torcedor de Tampa é que Kucherov se lesionou no último jogo e ainda não tem previsão de volta. Contudo, Stamkos pode retornar ainda nesses playoffs.

    Com a classificação, essa se torna a quarta vez em seis anos que o Lightning conquista a vaga numa final de Conferência. Como outros times ainda disputam a segunda vaga, não se sabe quando e nem quem será se seu próximo adversário. Resta aguardar como ficará a briga entre New York Islanders e Philadelphia Flyers nos próximos dias.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Nova temporada da KHL começa em setembro

    Nova temporada da KHL começa em setembro

    A Kontinental Hockey League é considerada a segunda melhor liga de hockey no gelo do mundo, e é composta majoritariamente por times russos. A KHL anunciou a pausa da temporada de 2019-20 no dia 12 de março, por conta da pandemia de COVID-19. Logo depois, no dia 25 do mesmo mês, o presidente da KHL, Alexey Morozov, confirmou que a temporada seria encerrada sem um campeão definido.

    Todavia, no dia 27 de maio foi anunciado que a nova temporada da KHL teria início no dia 2 de setembro, data decidida com a Federação Russa de Hockey. No entanto, essa data de início dependeria da situação de saúde pública em relação a pandemia de coronavírus e das restrições nas regiões da Rússia e nas outras nações da KHL.

    De acordo com Morozov, um total de 116 jogadores KHL tiveram resultado positivo para o novo coronavírus. Destes, 54 já se recuperaram e voltaram a treinar. Os sintomas, porém, eram leves e eles estavam todos sob constante observação dos médicos de seus clubes.

    Como funcionará o calendário novo da KHL?

    Os jogos terão inicio do dia 2 de setembro, nesta quarta-feira. A primeira fase irá até o dia 27 de fevereiro, e serão no total 142 dias de jogos. A competição foi reduzida para 23 equipes após o Admiral Vladivostok ter anunciado sua retirada, visando um hiato de temporada devido ao coronavírus ter afetado a situação financeira do clube.

    Os 23 clubes jogarão 60 partidas: duas vezes entre si (44 partidas), de 8 a 10 vezes com times de sua própria divisão e de 6 a 8 vezes com times da divisão vizinha de sua conferência. No total, serão 690 partidas na primeira fase.

    Devido à mudança no número de equipes concorrentes, e com o objetivo de amenizar eventuais problemas logísticos, há mudanças na composição de cada divisão. O Torpedo retorna à Conferência Leste após uma temporada, e Sibir muda-se para a Divisão de Chernyshev. No Oeste, Dinamo Riga e Dynamo Moscow se juntarão à Divisão Tarasov no lugar de Sochi e Vityaz.

    Vale ressaltar que este calendário estará de acordo com as pausas para as etapas do Eurotour, torneio anual de hockey aberto apenas às seleções masculinas da República Tcheca, Finlândia, Rússia e Suécia que será realizado de 2 a 9 de novembro (na Finlândia), de 14 a 20 de dezembro (na Rússia), de 8 de fevereiro a 15 (na Suécia). Por fim, estão planejadas ainda pausas para o All-Star Game da KHL, em Riga (22-24 de janeiro).

    O início dos playoffs está previsto para 2 de março de 2021 e a sétima partida da série final da Copa Gagarin, caso seja necessária, será no dia 30 de abril.

    Torcedores poderão assistir aos jogos – nas arenas

    Diferentemente da NHL, a KHL permitiu a entrada de torcedores nas arenas para assistir às partidas. Entretanto, o mesmo será feito de forma restrita, a fim de evitar o contágio do novo coronavírus. Primeiramente, não serão todas as arenas que permitirão espectadores. No Cazaquistão, Cherepovets e Novosibirsk não terão torcedores em casa.

    De acordo com os regulamentos russos, os ingressos podem ser vendidos desde que os fãs estejam sentados a pelo menos 1,5 m de distância. Também há um limite para o número de ingressos disponíveis para venda e não haverá ingressos a serem comprados na arena no dia do jogo. 

    É possível ler mais sobre detalhes do calendário no site oficial da KHL (em inglês).

    Foto: KHL.com/Reprodução

  • Draft Class de 2016: onde estão

    Draft Class de 2016: onde estão

    Depois de uma temporada tão ruim que entrou para a história, o Toronto Maple Leafs foi agraciado com a primeira escolha na loteria de 2016. A última vez que isso havia acontecido fora em 1985, quando a equipe canadense selecionou Wendel Clark. O prospect a ser selecionado em 2016, entretanto, era um americano que figurava em primeiro na lista de patinadores europeus. 

    Além de Auston Matthews, a lista dos top prospects incluía Patrik Laine e Jesse Puljujarvi na Europa e Pierre-Luc Dubois, Matthew Tkachuk e Alex Nylander na América do Norte. Quer saber mais sobre os principais nomes escolhidos em 2016? Vem com a gente!

    AUSTON MATTHEWS, C, TORONTO MAPLE LEAFS (#1 overall): de rei do deserto a superstar de Toronto (Alexa, toca Bigodin Finin)

    Filho de uma mexicana e produto do deserto do Arizona, o caminho de Matthews até o hockey foi inusitado. Depois de se apaixonar pelos Coyotes, o esporte ganhou espaço com o jovem americano, que desistiu do baseball de vez e foi jogar no USA Hockey National Development Team (USNTDT), em Michigan. Após dois anos de programa, o center tinha dois claros caminhos na sua frente: jogar hockey universitário ou trilhar o caminho do major juniors indo para a Western Hockey League (WHL). 

    Matthews, entretanto, escolheu uma via diferente. Como ele perdeu a data limite do draft de 2015 por poucos dias, o americano completou 18 anos no início de seu ano de elegibilidade. Isso possibilitou que ele fizesse uma coisa rara para norte-americanos prestes a serem draftados: jogar profissionalmente antes da NHL. O Zurich Lions, da liga suíça, foi a equipe escolhida e Matthews chegou ao draft com a experiência de já ter jogado com “gente grande”.

    Ao ser chamado no palco quando Toronto fez a primeira escolha em 2016, ele reacendeu a chama da esperança na cidade. Além disso, a seleção de um latino com a primeira escolha foi um passo, ainda que tímido, importante para a representatividade na NHL. Afinal, quantos garotos de origem latina se inspiram ao ver um rapaz como eles marcando gols e sendo um All-Star na televisão? Em sua primeira temporada, Matthews chegou aos playoffs, fez 69 pontos e marcou 40 gols. Quando a temporada terminou ninguém se surpreendeu quando o rookie que marcou quatro gols em sua partida inaugural na liga  ganhou o troféu Calder.

    Ainda que Matthews já seja um superstar na NHL e jogue no maior mercado do esporte, as críticas continuam. Isso porque o seu Toronto Maple Leafs ainda não chegou ao segundo round dos playoffs, tendo inclusive sendo eliminado na fase de play-in neste ano. Todavia, o americano continua colecionando recordes e atualmente tem 285 pontos em 282 partidas, isto é, somando mais do que um ponto por jogo. Em fevereiro de 2019 Matthews estendeu seu compromisso com os Leafs por cinco anos, com um salário anual de mais de 11.6 milhões de dólares.

    PATRIK LAINE, RW, WINNIPEG JETS (#2 overall): um gamer finlandês em Winnipeg (mas não era lá que a Wi-Fi era ruim?)

    Os finlandeses são conhecidos por terem um humor… digamos, peculiar. A segunda escolha de 2016 prova que isso é de fato uma verdade. Dono das melhores frases provenientes de entrevistas, Laine jogou como goleiro durante muito tempo na infância antes de decidir que gostava mais de fazer gols e não tentar defendê-los. O finlandês cresceu jogando pelo Tappara da SM-Liiga, time do qual foi draftado pelo Winnipeg Jets. 

    Diferentemente de muitos europeus, Laine não precisou de mais tempo para se adaptar. Sua carreira na NHL iniciou-se imediatamente. Em sua primeira temporada, Laine anotou 64  pontos e as comparações com o seu ídolo, Alexander Ovechkin, começaram a surgir, devido ao tiro rápido e perigoso do finlandês. No ano seguinte, Laine fez 70 pontos, sendo que 44 destes foram gols. Entretanto, durante sua terceira temporada na liga, quando seu contrato estava prestes a ser renovado, o finlandês pontuou apenas 50 pontos. 

    A sua queda em rendimento fez com que ele, ao contrário de seus companheiros Kyle Connor e Nikolaj Ehlers, recebesse uma extensão de apenas dois anos, que foi assinada apenas em setembro de 2019, quando Laine já havia inclusive ido para a Suíça treinar com o SC Bern para aguardar o resultado das negociações entre o clube e os seus representantes. Além de fornecer entretenimento no gelo, o finlandês também dá entrevistas memoráveis e não tem medo de falar a verdade. Afinal, ele foi totalmente honesto quando disse que não escreveu o artigo supostamente de sua autoria no Player’s Tribune, afirmando ter apenas dado uma entrevista para a publicação.

    PIERRE-LUC DUBOIS, C, COLUMBUS BLUE JACKETS (#3 overall): nasce uma estrela em Columbus, Ohio

    O canadense iniciou sua carreira no major juniors, no Cape Breton Screaming Eagles da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Embora tenha sido ranqueado em primeiro no ranking dos patinadores norte-americanos, a decisão de Columbus ao escolhê-lo no lugar de Jesse Puljujarvi gerou estranhamento e críticas. Atualmente, entretanto, é certo que o clube de Ohio está rindo à toa com a sua decisão. Uma curiosidade é que o Draft de 2016 foi no 18º aniversário do center.

    Dubois retornou ao major juniors por mais um ano depois do seu draft, e foi trocado no meio da temporada para o Blainville-Boisbriand Armada. Quando chegou a Columbus, o canadense começou a temporada jogando entre Artemi Panarin e Josh Anderson. Ainda no seu primeiro ano na liga, Dubois quebrou um recorde da franquia, de maior pontuação por um rookie. Com a ajuda de um hat trick em março de 2018, o canadense chegou a 48 pontos no ano. 

    Com uma equipe se desfazendo ao seu redor, Dubois viu seu papel na equipe aumentar cada vez mais. Atualmente o canadense é definitivamente o 1C da equipe, e tem se mostrado capaz de dar conta do recado. Afinal, nos dois anos seguintes Dubois fez 64 e 49 pontos em 82 e 70 partidas, respectivamente. Além disso, nos últimos playoffs o canadense foi uma das figuras mais importantes para o Columbus Blue Jackets, e se tornou talvez o homem mais odiado de Toronto. O GM dos Jackets não terá a vantagem na negociação desse contrato. 

    JESSE PULJUJARVI, RW, EDMONTON OILERS (#4 overall): Chiarelli’s interlude – outro top prospect que se desperdiçou

    Depois de duras críticas quando o finlandês foi descartado por Columbus, o Edmonton Oilers escolheu o winger com a quarta pick daquele ano. Revelado pelo Karpat da SM-Liiga, Puljujarvi era um dos principais prospects de 2016 e o terceiro no ranking de patinadores europeus. Assim como Laine, Puljujarvi já começou a carreira profissional na América do Norte disputando partidas para o seu clube da NHL. Entretanto, o desempenho do finlandês não convenceu a torcida nem a comissão técnica, e ele foi mandado para o Bakersfield Condors da American Hockey League (AHL) depois de apenas 28 jogos. 

    Na AHL, Puljujarvi marcou 12 gols e 16 assistências em 39 jogos. Os altos e baixos entre NHL e AHL nos próximos dois anos foram prejudiciais para o desenvolvimento do winger. Além disso, ele precisou fazer uma cirurgia nos dois quadris, que o tirou do final da temporada 2018-19. Com o relacionamento cada vez mais frio entre jogador e clube, o finlandês decidiu voltar para a sua terra natal quando se tornou um restricted free agent. Atualmente, embora os Oilers detenham seus direitos na NHL, Puljujarvi atua pelo Karpat da SM-Liiga.

    MATTHEW TKACHUK, LW, CALGARY FLAMES (#6 overall): esse pitbull pode não ser o Mr. Worldwide, mas ele definitivamente é o Mr. Calgary

    Ame-o ou odeie-o, mas falem dele. Tal como Boston tem carinho pelo comportamento de Brad Marchand no gelo, Calgary faz o mesmo com Tkachuk. Briguento e tenaz, o winger americano incita diversas emoções não só nos torcedores, mas também nos jogadores dos outros times. Afinal, quem não se lembra de toda a situação com Drew Doughty, defensor do Los Angeles Kings?

    Filho de um ex-jogador da NHL, Tkachuk decidiu seguir os passos do pai, Keith. Assim como a maioria dos americanos, fez parte da equipe de desenvolvimento da USA Hockey, onde jogou com Auston Matthews, dentre outros atletas americanos. Quando se formou no colegial, desistiu da carreira universitária para jogar no London Knights da Ontario Hockey League (OHL), ao lado de Mitch Marner, onde foi campeão da Memorial Cup no seu ano de elegibilidade. 

    Em Calgary, Tkachuk fez sucesso imediato com a torcida e gerou a rejeição dos adversários. Em seu primeiro ano na Liga, ele fez 48 pontos. No ano seguinte, 49. Entretanto, no terceiro e último ano de seu entry-level contract, o winger fez 77 pontos e se firmou como um dos principais nomes do elenco dos Flames. A importância de Tkachuk para a equipe também fez com que ele recebesse um dos As do time. 

    O americano também tem a tendência a se envolver com polêmicas, especialmente devido à agressividade que apresenta no gelo e é carinhosamente chamado de “peste” pelas torcidas rivais. Indisciplinas à parte, Tkachuk é uma peça central para Calgary e seu contrato de 7 milhões anuais, assinado em 2019, deixa isso bem claro. 

    CLAYTON KELLER, RW, ARIZONA COYOTES (#7 overall): alguém que não ficaria deslocado no núcleo “roça” de uma novela das seis (mas que eu gostaria que jogasse no meu time)

    Outro produto do USNTDP, Keller optou pela NCAA (National College Athletic Association) e o hockey universitário da Boston University. Por Boston, foi líder de gols e assistências no seu ano de estreia e acabou por ser coroado o rookie do ano do Hockey East em 2017. Sua estreia na NHL veio depois que a temporada universitária terminou, quando ele assinou o contrato profissional. Em três partidas disputadas, Keller teve duas assistências.

    O primeiro ano de fato do americano na NHL contou com a quebra de vários recordes da franquia. Ele foi o primeiro rookie a marcar nove gols em um mês desde Teemu Selanne em 1993, além disso foi o primeiro a pontuar 15 vezes em um único mês desde Selanne e Keith Tkachuk em 1993. Com 55 pontos, Keller ultrapassou o recorde da franquia de maior pontos por um rookie, que até então era de Peter Muller. Ele foi o rookie do mês em duas oportunidades, outubro e março.

    Ao terminar a temporada com 42 assistências e 62 pontos, Keller foi escolhido como um dos finalistas do Calder Trophy, mas perdeu para Mat Barzal. O americano ainda não conseguiu replicar o sucesso de sua temporada de estreia, mas fez boas campanhas pelos Coyotes. Em setembro de 2019, Keller estendeu seu compromisso com Arizona por mais oito anos, com um salário anual de cerca de 7.1 milhões de dólares anuais. 

    ALEX DEBRINCAT, LW, CHICAGO BLACKHAWKS (#39 overall): Acho que vi um gatinho (Remix) – Kitty in the Windy City

    O americano começou a carreira no Erie Otters da OHL, onde jogou ao lado de Connor McDavid e Dylan Strome, atual companheiro de Blackhawks de DeBrincat. Apesar de ter sido um prolífico pontuador na sua carreira de major juniors, DeBrincat caiu para o segundo round por seu tamanho: hoje, aos 22 anos, ele tem 1,70 de altura e pesa cerca de 75 kg. Ele foi selecionado pelo multicampeão Chicago Blackhawks, que pôde esperar que o americano se desenvolvesse mais ainda na OHL antes de se profissionalizar.

    DeBrincat estreou pelos Hawks em 2017 e seu primeiro gol foi marcado contra Carey Price do Montreal Canadiens. O jogador terminou sua primeira temporada profissional com 52 pontos em 82 jogos e foi o Blackhawk mais jovem a receber o prêmio de jogador do ano no time. Além disso, ele igualou o recorde de maior número de hat tricks feitos por um jogador nascido nos EUA em uma temporada de estreia na NHL, com três marcados.

    Nos dois anos seguintes DeBrincat se tornou cada vez mais importante durante o processo de renovação do elenco dos Hawks. Em três temporadas e 284 partidas disputadas, ele soma 173 pontos. Em outubro do ano passado o americano renovou seu contrato com a equipe de Chicago por mais três anos, com salário de 6.4 milhões anuais.

    CARTER HART, G, PHILADELPHIA FLYERS (#48 overall): o salvador da Filadélfia no século XXI veio no formato de um príncipe da Disney das antigas

    Quando Ron Hextall escolheu o goleiro do Everett Silvertips da WHL no segundo round de 2016, ele sabia que o jovem canadense tinha potencial. Hart foi para o draft figurando no primeiro lugar no ranking de goleiros norte-americanos, e foi o primeiro a ser selecionado naquele ano. Nos dois anos após o draft, Hart passou ganhando experiência na WHL ele foi eleito o jogador da liga em 2016-17 e duas vezes o melhor goleiro, fato inédito. Ele encerrou sua carreira no major juniors com um dos melhores percentuais da história e um ouro pelo Canadá no World Juniors.

    Em 2018 a hora que a torcida dos Flyers aguardava ansiosamente aconteceu, e Hart iniciou sua carreira profissional no Lehigh Valley Phantoms da AHL. Embora ele tenha demorado um pouco para se firmar com o ritmo do hockey profissional, Hart logo se tornou o titular da posição e em dezembro de 2018 foi chamado para atuar pelo Flyers na NHL. O resto é história. Ainda na sua primeira temporada na liga, Hart figurou entre os rookies em destaque mais de uma vez e terminou o ano com uma porcentagem de defesas de .917.

    Na sua segunda temporada, o canadense continuou jogando muito bem, mas sua boa forma se tornou especialmente impressionante na volta após a paralisação. Hart já quebrou recordes da franquia, conseguindo shutouts consecutivas na série contra Montreal e igualando Bernie Parent e Michael Leighton. Ele também foi o mais jovem a fazê-lo e apenas o quarto com menos de 23 anos a conseguir tal feito. Depois de mandar seu ídolo de infância, Carey Price, para casa de mãos abanando, Hart trouxe de volta a discussão acerca dele próprio ser o herdeiro do legado de Price. 

    Além disso, com apenas dois anos de hockey profissional de experiência, o goleiro já demonstra ter uma maturidade para além de seus 22 anos. Tudo indica que Carter Hart pode ser o nome que levará Philadelphia à Terra Prometida, coisa que nem Hextall conseguiu fazer. Então, quem sabe, poderemos um dia discutir se o seu nome irá figurar no alto do Wells Fargo Center juntamente com o das outras lendas da equipe da Pensilvânia, inclusive o próprio Parent. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Alexander Nylander, LW, Buffalo Sabres (#8 overall): o irmão de William e filho de Michael foi trocado para os Blackhawks em 2019. 

    Mikhail Sergachev, D, Montreal Canadiens (#9 overall): o defensor russo foi a peça de retorno na troca que levou Jonathan Drouin do Tampa Bay Lightning ao Montreal Canadiens Será que rolou um arrependimento quando a defesa deles passou a incluir Karl Alzner e seu contrato hor-ro-ro-so?

    Charlie McAvoy, D, Boston Bruins (#14 overall): o jovem defensor tem sido peça importante para os Bruins nas campanhas da equipe tanto na temporada regular quanto nos playoffs.

    Jakob Chychrun, D, Arizona Coyotes (#16 overall): apesar de uma lesão séria no joelho, a extensão contratual do jogador com os Coyotes mostra que o time pretende contar com ele nos planos a longo prazo.

    Dante Fabbro, D, Nashville Predators (#17 overall): mais um defensor para Nashville. Será que a equipe do Tennessee cria esses meninos em árvore?

    Dillon Dube, C, Calgary Flames (#56 overall): o canadense foi a grande revelação dos playoffs de 2020 para o Calgary Flames. 

    Adam Fox, D, Calgary Flames (#66 overall): os direitos desse ex-aluno da Universidade de Harvard foram de Calgary para Carolina até chegarem em Nova York. Isso porque o jogador, torcedor de infância dos Rangers, se recusou a jogar por outro clube. (Esta que vos fala não julga, pois se tivesse a opção de escolher entre morar em Calgary, Raleigh ou NYC, a resposta seria a mesma de Fox)

  • John Scott, o capitão improvável do All-Star Game

    John Scott, o capitão improvável do All-Star Game

    A NHL é conhecida pelo jogo físico, as famosas brigas do hockey e jogadores que fizeram carreiras conquistando estatísticas nesse confrontos. Um destes jogadores foi John Scott. O ex-jogador é um dos enforcers mais famosos que teve uma carreira reduzida na NHL. Isso porque Scott teve apenas 286 aparições na Liga, dos quais somou cerca de 500 minutos de penalidade. Por outro lado, marcou apenas 11 pontos em sua carreira. Contudo, mesmo com números baixos, ele conseguiu a façanha de ser capitão de um time no All Star Game. 

    Neste capítulo do 10 for 10 contamos a história do jogador que, apesar de não ter brilhado em sua trajetória no esporte, brilhou no All-Star Game de 2016 após ser o campeão de votação para capitão do Time da Divisão Pacífica. 

    A carreira de John Scott

    John Scott nasceu em Edmonton, Alberta, porém cresceu em Ontário, como torcedor do Boston Bruins. Quando criança, ele almejava ser igual o defensor dos Bruins, Ray Bourque.

    Bourque foi um lendário defensor de hockey, cinco vezes vencedor do Norris Trophy e com o maior recorde de gols, assistências e pontos por um defensor.

    Contudo, sendo um jogador não-drafrado, Scott começou a jogar hockey pela universidade Michigan Tech. Como um defensor enforcer, Scott marcou 19 pontos com 347 minutos de penalidade em seu tempo com os Huskies.

    Basicamente, a marca dos enforcers na NHL é a de brigar e agitar os jogos como forma de intimidar o time adversário. Considerada uma “classe” antes muito necessária no hockey, atualmente, existem poucos jogadores assim na liga, já que habilidade e dinâmica vem crescendo como características mais atraentes para os espectadores. 

    O primeiro time de John Scott na NHL foi o Minnesota Wild. Ele jogava pelo Houston Aeros, time da AHL afiliado do Wild, quando foi chamado para a equipe princiapal. Na temporada de 2006-07, Scott assinou seu primeiro contrato entry level e sua primeira partida foi contra o Detroit Red Wings. 

    Após dois anos com o Wild, ele foi para o Chicago Blackhawks, após se tornar free agent. Em sua carreira, Scott passou por outros cinco times: New York Rangers, San Jose Sharks, Buffalo Sabres, Arizona Coyotes e Montreal Canadiens.

    Como característica dos enforcers, Scott já foi suspenso alguns jogos na NHL. Em outubro de 2013, quando jogava pelo Sabres, Scott foi suspenso sete jogos por um contato ilegal na cabeça de Loui Eriksson. Hits na cabeça se tornaram ilegais na NHL desde 2011.

    Outra briga famosa do jogador aconteceu em 2014. Isso porque, em seu tempo com o San José Sharks, Scott saiu do banco imediatamente para brigar com Jackman, do Anaheim Ducks. Por esse motivo ele foi suspenso por quatro jogos. 

    O All Star Game de 2016

    Na temporada 2015-16, em 2 de janeiro de 2016, Scott foi anunciado como o vencedor da votação dos fãs do NHL All-Star Game, que aconteceria em Nashvillle. Ele foi votado capitão da Divisão do Pacífica da Conferência Oeste, numa campanha histórica, visto que normalmente os melhores jogadores são selecionados pelo público para representar seus times.

    Scott foi quem teve o maior número de votos, apesar de ter registrado apenas 1 ponto em 11 jogos disputados com os Coyotes, uma vez que Scott passou grande parte da temporada como um healthy scratch. Muitos compararam essa situação com a de Rory Fitzpatrick em 2007, uma vez que os fãs votaram em um jogador que não seria convencionalmente escolhido como um All-Star.

    Entretanto, essa não foi uma tarefa fácil. Após os jogos, jornalista confirmaram que a NHL tentou sabotar a campanha de capitão do All-Star Game de John Scott.

    A liga, junto ao Arizona Coyotes, pediram que Scott não fosse participar dos jogos de exibição. O próprio afirmou que não merecia jogar no evento e pediu para que os torcedores votassem em outros jogadores. Por fim, quando ele foi finalmente declarado campeão, Scott decidiu jogar.

    Contudo, em 15 de janeiro de 2016, Scott foi negociado para o Montreal Canadiens junto com outros três jogadores. Logo após essa negociação, o Canadiens imediatamente enviaram-no para seu então afiliado da AHL, o St. John’s IceCaps. 

    O então gerente geral do Arizona, Don Maloney, insistiu que a troca foi apenas um movimento empresarial e não uma tentativa de manter Scott fora do jogo All-Star. Surgiram especulações de que Scott seria potencialmente considerado inelegível para fazer parte da equipe All-Star por causa de sua mudança para uma lista da AHL e para uma equipe da NHL na divisão do Atlântico. 

    Entretanto, apesar das alegações, no dia 19 de janeiro Scott foi oficialmente declarado pela NHL como o capitão da Divisão do Pacífico no All-Star Game de 2016. 

    A campanha no All-Star Game

    Sua passagem o All-Star Game foi memorável. Scott marcou dois gols na semifinal do torneio, levando sua equipe para a final. Posteriormente, o jogador contribuiu para que a  Divisão Pacífica saísse vitoriosa no evento.

    Ele então foi nomeado All-Star Game MVP, apesar de não ter sido incluído na votação. Assim, quando ele foi excluído, fãs, jogadores como Henrik Lundqvist e contas oficiais de outros times da Liga, como a do Ottawa Senators, Philadelphia Flyers, Vancouver Canucks e Edmonton Oilers fizeram uma hashtag “#VoteMVPScott” para que Scott fosse de fato incluído na campanha de MVP.

    Diante desse massivo apoio, a NHL concedeu o título a Scott. Por fim, o capacete de Scott no jogo All-Star foi enviado para o Hockey Hall of Fame, em Toronto.

    Consequências

    Voltando para o time afiliado do Canadiens, St. John’s IceCaps, ele foi convocado para jogar pelo Habs no dia 3 de abril de 2016. Esta foi sua primeira vez na NHL desde 31 de dezembro de 2015. Em 7 de dezembro de 2016, Scott anunciou sua aposentadoria do hockey em um artigo no The Players’ Tribune.

    A fim de evitar campanhas parecidas, a NHL criou uma nova regra: atualmente, jogadores machucados ou que transferidos para a AHL não poderão ser nomeados capitães do All Star Game. Isso porque a brincadeira de nomear um jogador não tão famoso surgiu da premissa dos fãs de mostrarem como os jogos de exibição não são levados à sério. Contudo, ao possibilitar um jogador menos promissor ou com uma carreira curta como a de Scott ter seu momento de estrela, mostra como o hockey tem um poder de união, já que ele foi ovacionado pelos seus colegas de gelo. Dessa maneira, também podemos ver como pequenas peças são fundamentais e podem ocasionar momentos únicos na história da NHL. 

  • Jogadores da NHL tomam frente no adiamento de jogos

    Jogadores da NHL tomam frente no adiamento de jogos

    Motivados pela decisão de atletas da NBA e de outras grandes ligas esportivas norte-americanas, os jogadores da NHL decidiram agir e solicitaram à liga que os jogos de quinta e sexta-feira fossem adiados, em solidariedade e protesto contra a brutalidade policial nos E.U.A.

    A declaração veio ontem (27), no ínicio da noite, após muitos jogadores se sentirem motivados pela posição dos jogadores na NBA de não realizar os jogos de quarta-feira, paralisando os playoffs na liga. Assim, os representantes da NHLPA se reuniram com Gary Bettman e expressaram a necessidade de adiar os jogos dos playoffs da Stanley Cup. A própria NHL apoiou a decisão dos jogadores, e decidiu remarcar as partidas.

    Os jogadores e a NHL afirmaram na declaração que “as comunidades negras e pardas continuam enfrentando experiências reais e dolorosas.” Também expressaram que é preciso reconhecer que “muito trabalho ainda precisa ser feito antes que possamos desempenhar um papel apropriado em uma discussão centrada na diversidade, inclusão e justiça social”. 

    Por fim, disseram que entendem que as várias tragédias envolvendo pessoas negras mundialmente exigem que esse momento seja reconhecido.

    “A NHL e NHLPA estão comprometidas em trabalhar para promover ambientes mais inclusivos e acolhedores em nossas arenas, escritórios e além.”

    Mais tarde, os jogadores dos times restantes nos playoffs participaram de coletivas de imprensa para abordar o assunto. Nas equipes da Conferência Leste, participaram apenas os capitães do Boston Bruins, New York Islanders e Philadelphia Flyers, além do defensor do Tampa Bay Lightning, Kevin Shattenkirk. Já na Conferência Oeste, Ryan Reaves, Pierre Bellemare, Nazem Kadri e Jason Dickinson tomaram a frente da coletiva, apoiados por todos os demais jogadores dos quatro times que ocuparam a sala. 

    Durante a coletiva, Reaves disse que acordou com mensagens de Shattenkirk e Bo Horvart, do Vancouver Canucks, abordando o assunto. Segundo ele, “é mais poderoso que tenha começado com jogadores brancos de outros times querendo conversar.”

    Continuou também falando sobre a importância da declaração feita pela NHLPA, “a declaração que eles fizeram é algo que vai durar. Esses dois dias não vão resolver nada, mas as conversas e as declarações feitas são muito poderosas, especialmente vindo desta liga.”

    Nazem Kadri deu continuidade, afirmando que, para que a mudança seja feita. “No futuro, toda a liga precisa estar envolvida, e não apenas uma ou duas pessoas.”

    De acordo com a NHL, os quatro jogos, que deveriam ser disputados na quinta e sexta-feira, acontecerão este sábado (29). O restante das partidas do segundo round serão ajustadas de acordo com o acontecimento dos jogos a seguir.

    Foto: Reprodução/Twitter Colorado Avalanche