Autor: Marina Garcez

  • Como funciona o primeiro contrato profissional na NHL

    Como funciona o primeiro contrato profissional na NHL

    Com o fim de semana do Draft chegando ao fim, surgem dúvidas acerca do futuro dessa nova safra de talentos. O que são entry-level contracts? Jack Hughes vai direito do NTDP (National Team Development Program) para a NHL? Kaapo Kakko virá para a América do Norte para jogar com o New York Rangers na próxima temporada? Vasili Podkolzin conseguirá sair do seu contrato na Rússia ou os Canucks irão precisar esperar dois anos para vê-lo em ação? Para responder estas perguntas, precisamos entender como funcionam os primeiros passos desses jovens na sua carreira profissional.

    Quem pode assinar?

    Todo jogador precisa assinar um entry-level contract (ELC) se ele tem menos de 25 anos de idade. O termo do contrato é variável, podendo ser de um a três anos. Para isso, a idade do atleta quando o termo foi assinado é levada em consideração. Conforme verificamos na tabela abaixo:

    Idade em que o contrato foi assinadoDuração
    18 – 21 anos3 anos
    22 – 23 anos 2 anos
    24 anos1 ano

    A idade válida é aquela até o dia 15 de setembro do ano em que o contrato for assinado. Tal qual a elegibilidade para o Draft, o jogador pode ter vindo do hóquei universitário, do sistema colegial, do major junior da CHL (Canadian Hockey League) ou das ligas europeias, por exemplo.

    Quais são os termos deste contrato?

    Todos os ELCs são two-way contracts, ou seja, têm salários diversos para as diferentes Ligas. O valor máximo pago pela NHL é $925,000 e, no caso da American Hockey League (AHL), $70,000. O contrato, além disso, envolve diversos bônus que podem ser pagos ao atleta. Essa gratificação pode ser pela assinatura do contrato ou pelo alto desempenho durante a temporada.

    O signing bonus, que conta para o valor do atleta no cap, tem como valor máximo $92,500 (correspondendo, portanto, a 10% do valor total do contrato). Além disso, os contratos geralmente trazem bônus por performance. No caso destes, são divididos entre as categorias A e B.

    Quais os requisitos para os bônus de performance?

    A categoria A engloba algumas metas. De início, 20 gols, 35 assistências, 60 pontos. É preciso também estar no top 6 da sua equipe em tempo no gelo entre os atacantes (em pelo menos 42 jogos) e estar no top 6 da sua equipe em +/- (também com ao menos 42 jogos). Por fim, deve ter ao menos 0.73 pontos por jogo (em pelo menos 42 jogos). Cada bônus vale $212,500, podendo chegar a $850,000. Sendo assim, só podem ser recompensadas quatro metas.

    Já a categoria B traz metas mais difíceis com um teto maior, de até 2 milhões de dólares. Elas são: estar no top 10 da Liga em gols, assistências, pontos ou pontos por jogo (pelo menos 42 jogos). Além disso, ganhar o Hart, Selke, Richard, Norris, Vezina ou Conn Smythe. Por fim, estar no primeiro ou no segundo time All-Star da Liga no NHL Awards.

    E o teto salarial, como fica?

    Há a previsão de um espaço de até 7.5% do cap para acomodar os bônus na temporada seguinte à conquista das metas estabelecidas. Caso a somatória dos bônus dos atletas em entry-level contracts passe desse limite, começa a contar contra o teto salarial. Temos um exemplo recente em Toronto, com Matthews, Marner e Nylander em seus ELCs. A somatória das bonificações destes jogadores passou do valor permitido e contou para o teto.

    O que acontece quando um contrato “slide” (desliza)?

    No início de toda temporada se ouve falar da regra dos dez jogos para os novatos. Isto ocorre porque há um mecanismo no CBA (Collective Bargaining Agreement) que estabelece que, antes de atingir dez partidas pela NHL, o jovem atleta pode retornar para sua equipe de origem sem que seja contabilizado o ano de seu contrato. Ficando, assim, como se nunca tivesse atuado como profissional.

    Nesta hipótese, o jogador recebe apenas seu signing bonus durante a off season e retorna ao major junior ou às ligas menores sem receber seu salário. As equipes usam muito desta tática. Com ela, os clubes têm o jogador a um custo controlado durante mais tempo. Ao mesmo tempo permite que o atleta seja testado no profissional para que possa provar que deve ficar ali.

    Além disso, retornar o atleta para as ligas menores pode ser fundamental para o seu desenvolvimento físico e técnico. Para que um contrato “deslize”, o jogador deve ter 18 ou 19 anos quando o contrato foi assinado, desde que não vá fazer 20 anos naquele ano.

    Exemplos desse “slide” do contrato

    No caso de Filip Zadina, no ano passado, antes da temporada 2018-2019. O prospect de Detroit jogava pelo Grand Rapids Griffins, afiliado dos Wings na AHL. Teve seu primeiro ano do contrato “jogado” para esta próxima temporada 2019-2020. Ou seja, o clube de Michigan terá mais tempo até o tcheco chegar à restricted free agency.

    Um exemplo oposto envolveu outro europeu, o alemão Leon Draisaitl. Na temporada 2014-2015, o Edmonton Oilers mandou o atleta de volta à Western Hockey League (WHL) após 37 partidas no profissional. Desta forma, o contrato não deslizou e Draisaitl se tornou, então, RFA depois de dois anos completos com os Oilers.

    Jogadores já “comprometidos” com universidade do sistema NCAA

    No caso daqueles atletas que optam pela via do hóquei universitário, eles não podem assinar contratos, pois sua elegibilidade perante a NCAA (National Collegiate Athletic Association) depende de seu status enquanto amador. Desta forma, os direitos de um clube em relação a um atleta draftado se estendem até 30 dias depois do fim de sua vida acadêmica.

    Os atletas universitários podem assinar contratos depois da trade deadline, desde que sua temporada universitária já tenha acabado. Neste caso, assim como na hipótese dos dez jogos, o clube “queima” um ano do contrato do jogador quando ele é assinado no final da temporada regular.

    Ainda assim, é uma prática muito comum. Recentemente pudemos ver no caso de Quinn Hughes do Vancouver Canucks (Universidade de Michigan) e Cale Makar do Colorado Avalanche (UMass Amherst). O último nem mesmo atuou na temporada regular, mas foi importante para a equipe de Denver nas partidas dos playoffs em que participou.

    E quem não é draftado?

    Em muitos casos, os jogadores não draftados são convidados para participar dos training camps. A partir dali, eventualmente o clube pode oferecer um contrato se gostar do desempenho do atleta. Atletas como Pascal Dupuis e Chris Kunitz, que ganharam a Stanley Cup mais de uma vez e, no caso do último, o ouro olímpico, não foram draftados.

    Com Seattle chegando, como ficam os jovens jogadores em relação ao Draft de expansão?

    Assim como no caso de Vegas, os jogadores em seu primeiro ou segundo ano como profissionais estão isentos do Draft de expansão, ou seja, não precisarão ser protegidos. Além disso, as escolhas de Draft que ainda não assinaram contratos também estão isentos automaticamente, sem a necessidade de constarem entre os atletas protegidos.

    Em 2017, atletas como Connor McDavid (em seu segundo ano como profissional), Auston Matthews e Mitch Marner (ambos calouros do Toronto Maple Leafs) não precisaram de proteção por se encaixarem nesta regra.

  • “PLAY GLORIA!”

    “PLAY GLORIA!”

    Curioso para saber como uma música dos anos 1980 se tornou o hino da campanha do St. Louis Blues pelo título inédito da Stanley Cup? O NHeLas te conta!

    Quem é Gloria?

    A canção foi originalmente lançada pelo cantor italiano Umberto Tozzi em 1979, escrita por ele em parceria com Giancarlo Bigazzi. A letra foi traduzida para o inglês por Jonathan King. Entretanto, o sucesso nos Estados Unidos só aconteceu com um cover feito por uma norte-americana em 1982. A cantora Laura Branigan foi posteriormente indicada ao Grammy pela performance, que passou 36 semanas na parada da Billboard.

    Branigan tem uma conexão improvável com a NHL. Após o sucesso de “Gloria” e sua indicação ao Grammy, ela foi convidada para cantar o hino nacional dos EUA no All Star Game de 1983. Em 2019, contudo, a canção voltou à tona no mundo dos esportes, se tornando um hino improvável para a campanha vitoriosa dos Blues. Infelizmente, Branigan não pôde ver o revival do seu hit, pois faleceu em 2004 aos 52 anos, vítima de um aneurisma.

    Como chegou aos jogadores de St. Louis?


    Os jogadores do St. Louis no bar “The Jacks NYB“, na Filadélfia em 06 de janeiro de 2019

    Em janeiro deste ano, enquanto estavam na Filadélfia para um jogo contra os Flyers, os jogadores Alexander Steen, Joel Edmundson, Robert Bortuzzo, Jaden Schwartz e Robby Fabbri foram a um bar para assistir ao jogo entre Philadelphia Eagles e Chicago Bears com amigos da cidade. Durante o intervalo, os locais pediam para o DJ tocar “Gloria”, e todos no estabelecimento dançavam e cantavam. Fascinados pelo efeito da canção, os jogadores dos Blues decidiram tocá-la também depois de suas vitórias.

    Na noite seguinte, St. Louis venceu com uma shutout e “Gloria” virou um hino instantâneo. Até então, a canção escolhida era “Runaround Sue” de Dion, mas perdeu o lugar para “Gloria”. Nasceu aí o “Play Gloria”, que ecoou no vestiário durante a remontada dos Blues, que chegaram a estar em último lugar na Liga, até chegarem nas finais da Stanley Cup. O bar na Filadélfia, por sua vez, começou a receber os torcedores dos Blues para assistirem à campanha do seu time do coração. Isso porque todos estavam curiosos para visitarem o local onde o fenômeno “Gloria” começou.

    O efeito Gloria

    A vitória dos Blues foi, com razão, comemorada com muitas reproduções de “Gloria”. Separamos alguns vídeos para vocês, como Brett Hull cantando a canção no desfile e a atriz Jenna Fischer comemorando com um bolo temático. Além disso, tanto a torcida no Busch Stadium em St. Louis quanto as bandas Phish e Vampire Weekend também cantaram a música.

    Brett Hull cantando Gloria durante o desfile em St. Louis, no sábado (15)
    A atriz Jenna Fischer comemora (ao som de Glória) com um bolo temático
    A torcida canta Gloria após o final do jogo, no Busch Stadium em St. Louis
    As bandas Phish e Vampire Weekend cantaram Gloria durante seu show em St. Louis, que aconteceu durante o Jogo 7

    Foto: NHL.com/Reprodução

  • Principais candidatos ao Conn Smythe 2019

    Principais candidatos ao Conn Smythe 2019

    Com o Jogo 7 marcado para logo mais, os Capitals passarão o bastão, ou melhor, a Stanley Cup, para outra equipe. Enquanto os Bruins já foram campeões seis vezes, St. Louis tenta o título inédito. No entanto, essa é sua quarta aparição nas finais (a equipe de Missouri também disputou em 1968, 1969 e 1970). Quem são, então, os principais candidatos para o troféu Conn Smythe, de MVP dos playoffs?

    O atual detentor do troféu é Alexander Ovechkin. Além dele, seus últimos vencedores incluem Sidney Crosby (duas vezes), Duncan Keith, Justin Williams, Patrick Kane e Jonathan Quick. Na última campanha vitoriosa de Boston, em 2011, o vencedor foi o goleiro Tim Thomas. Será que teremos outro goleiro MVP? Isso não acontece desde 2012, quando Quick venceu a Stanley Cup com o Los Angeles Kings pela primeira vez.

    É importante ressaltar que um atleta da equipe perdedora só venceu o troféu em cinco ocasiões. Ou seja, o campeão é tradicionalmente votado como MVP pelos jornalistas que cobrem o último jogo das finais. Para este ano, as nossas apostas são as seguintes:

    TUUKKA RASK, G, BOSTON BRUINS

    O finlandês teve seu ressurgimento nessa temporada e se mostrou quase invencível nestes playoffs. O arqueiro, que sempre foi muito criticado por sua inconstância e muito culpado pelo desfecho das finais de 2013, tem feito defesas antológicas e tido atuações magistrais durante a campanha dos Bruins. Ele lidera os playoffs no quesito de menos gols sofridos, com apenas 1.93 e uma porcentagem de .938. No Jogo 6, defendeu 28 de 29 tiros ao gol, o que vai de acordo com seu desempenho espetacular fora de casa, para o qual tem uma porcentagem de .966. É definitivamente o favorito caso Boston vença.

    RYAN O’REILLY, C, ST. LOUIS BLUES

    Quando sua equipe mais precisou dele, o center foi, no linguajar do hóquei, clutch, ou seja, decisivo. Seus dois gols no Jogo 4 ajudaram a equipe de Missouri a igualar a série. Além disso, no Jogo 5 o canadense marcou mais dois pontos. O’Reilly é o líder dos Blues em pontos, com 21. Devido ao seu surgimento como principal arma ofensiva da equipe, com nove pontos nos últimos sete jogos, o jogador afinal surge como principal candidato de St. Louis ao prêmio de MVP.

    TOREY KRUG, D, BOSTON BRUINS

    O pequeno defensor de Boston lidera sua equipe em assistências, com 16, e totaliza 18 pontos na campanha. Desde Ray Bourque, com seus 25 pontos em 1991, nenhum defensor dos Bruins pontuou tanto. O americano é peça chave no esquema tático de sua equipe. Além disso, é também fundamental no power play e bateu um recorde da equipe quando marcou quatro pontos no Jogo 3 das finais.

    JORDAN BINNINGTON, G, ST. LOUIS BLUES

    Sensação durante a temporada, o goleiro novato dos Blues continuou forte na pós-temporada. Ainda que seus números, .911 na porcentagem de defesas e 2.52 gols contra, não sejam tão impressionantes quanto os de Rask, o arqueiro tem sido uma constância para a defesa de St. Louis. A sua melhor atuação foi, de longe, o Jogo 5, quando teve sucesso em 38 de 39 defesas. Após sua temporada surpreendente, Binnington foi indicado ao Calder, troféu que vai para o melhor novato. Sua prioridade, entretanto, é dar a St. Louis sua primeira Stanley Cup.

    BRAD MARCHAND, LW, BOSTON BRUINS

    Existem poucas figuras que são mais polêmicas no hóquei atual que o winger canadense dos Bruins, mas seus números não mentem. Marchand tem 23 pontos em 23 jogos e ainda especula-se que ele está jogando machucado. Ainda assim, ele já marcou dois gols nas finais da Stanley Cup e pelo menos um ponto em quatro dos últimos seis jogos.

    VLADIMIR TARASENKO, RW, ST. LOUIS BLUES

    O winger russo foi pivô de rumores de trocas até a trade deadline. Mesmo assim, foi aumentando sua efetividade na medida em que os Blues passavam de round. Tarasenko teve um ponto em nove dos últimos 12 jogos da equipe de Missouri, inclusive pontuando em todas as partidas da final da conferência Oeste. Com 11 gols, é o segundo em sua equipe, e nessas finais já marcou três vezes em seis jogos.

    PATRICE BERGERON, C, BOSTON BRUINS

    Se Marchand é divisivo, seu center é o completo oposto. Ele é querido por todos da Liga, inclusive os fãs adversários. Empatado na liderança de gols em sua equipe, com nove, o canadense já tem 17 pontos nestes playoffs. Tido como um dos melhores atacantes defensivos do hóquei, Bergeron é importante para a equipe de Boston, tanto no power play quanto no penalty kill.

    JADEN SCHWARTZ, LW, ST. LOUIS BLUES

    O winger foi decisivo na campanha de St. Louis até a chegada nas finais da Stanley Cup, com 16 pontos e 12 gols. Mas, desde então, conseguiu apenas duas assistências em seis jogos. Além disso, não marcou nenhum gol, o que faz com que ele esteja muito longe de vencer o prêmio. Ainda assim, foi peça importante nos outros três rounds durante o caminho percorrido pelos Blues.

    O resultado será revelado depois da conclusão do Jogo 7, que começa às 21h nesta quarta-feira (12). E aí, qual é o seu palpite para o vencedor do Conn Smythe?

  • Como funciona a arbitragem salarial na NHL?

    Como funciona a arbitragem salarial na NHL?

    O mecanismo é utilizado para solucionar controvérsias entre duas partes que não chegam a um acordo entre elas. Assim, um terceiro ouve as duas partes e toma uma decisão da maneira mais imparcial possível. No caso da NHL, esse terceiro é um árbitro credenciado tanto pela Liga quanto pela NHLPA (NHL Players Association, o sindicato dos jogadores). A arbitragem é, portanto, uma maneira muito comum de se resolver negociações salariais.

    Quem pode requerer a arbitragem?

    Tanto o clube quanto o jogador podem usar o mecanismo como uma forma de resolver disputas salariais. O time pode levar um jogador para a arbitragem uma vez em sua carreira. Além disso, não pode requerer uma redução salarial menor do que 15%. Isso se aplica mesmo se o atleta trocar de equipes durante sua carreira profissional. No entanto, uma vez utilizado por um dos clubes para os quais ele jogou, o próximo não poderá fazê-lo. Por fim, os clubes só podem requerer a arbitragem salarial apenas duas vezes por temporada.

    Quanto à elegibilidade dos jogadores, eles precisam necessariamente ser restricted free agents, que explicamos aqui quem são. Também devem seguir a tabela abaixo:

    Idade do atleta no primeiro contratoMínimo de experiência profissional exigida
    18-20 anos4 anos de experiência profissional
    213 anos de experiência profissional
    21-232 anos de experiência profissional
    24+1 ano de experiência profissional

    A questão da experiência profissional é calculada da seguinte forma (também explicado aqui):

    • quando o jogador tem 18 ou 19 anos, ele precisa atuar em dez ou mais jogos da NHL em uma temporada;
    • quando o jogador tem 20 anos ou mais, ganha um ano de experiência jogando 10 ou mais jogos profissionais sob um contrato standard em uma temporada. Aqui também se encaixa o jogador que completa 20 anos entre 16 de Setembro e 31 de Dezembro.

    E como funciona?

    Quando o jogador é elegível para a arbitragem, ele tem o direito a uma audiência perante um árbitro independente. Nessa situação, tanto o atleta quanto o clube enviam suas pretensões salariais. O profissional, então, toma uma decisão. O contrato pode ter a duração de um ou dois anos, o que é decidido pelo clube. Uma vez decidido um valor, já se trata de um contrato oficial, a não ser que o valor passe de $4,084,219. Nesta situação, a equipe tem 48 horas para desistir do acordo e abrir mão dos direitos sobre o jogador. Como resultado, ele se transforma em um unrestricted free agent.

    Ocorre que, a partir do momento que a situação chega no ponto da audiência, o relacionamento entre clube e jogador pode estar tão comprometido ao ponto de ser irreparável. Na audiência, geralmente o time basicamente lista os porquês de não acreditar que o atleta vale o dinheiro que está pedindo. Além disso, a incerteza de um valor complica o planejamento interno do clube, que tem um teto salarial na temporada e deve cumpri-lo. Entretanto, na maioria dos casos, a discussão salarial não chega na audiência arbitral. As duas partes chegam em um acordo antes de ela ser necessária.

    Casos recentes que envolveram arbitragem

    Na última off-season, William Karlsson, center de Vegas, entrou com o pedido de arbitragem salarial. O caso do sueco é peculiar. Ele foi de um jogador bottom six e dispensável em Columbus (a equipe de Ohio abriu mão do jogador no draft de expansão) para a primeira linha dos Golden Knights. Por ter mais minutos no gelo e companheiros de linha com habilidades melhores, a sua produção superou todas as expectativas possíveis. Sendo assim, chegou à marca de 43 gols. Neste caso, felizmente, clube e atleta chegaram em um acordo antes da necessidade de uma audiência.

    Por outro lado, o Ottawa Senators não conseguiu chegar a um acordo com Cody Ceci e Mark Stone antes das datas das audiências. A questão do desgaste entre clube e atleta ficou clara no caso de Stone. O jogador, por fim, foi trocado para Vegas na trade deadline e assinou sua extensão com a equipe de Nevada. Ceci, por sua vez, continua sendo RFA e tendo direito à arbitragem salarial mais uma vez, e o seu futuro ainda é incerto.

  • Afinal, quem são os restricted free agents?

    Afinal, quem são os restricted free agents?

    Com o fim dos contratos de entry level de diversos jogadores das classes dos drafts de 2015 e 2016, a off-season deste ano promete ser agitada. Atletas como Mitch Marner, Brayden Point e Patrik Laine precisarão negociar novos termos para continuarem atuando na NHL. Vamos explicar, então, o contrato de restricted free agent. Por aqui, seguimos na expectativa de uma offer sheet.

    A definição segundo o acordo coletivo em vigor

    De acordo com o item 10.2 do Collective Bargaining Agreement (CBA), que é o acordo coletivo em vigor entre a Liga e o sindicato dos jogadores da NHL (NHLPA), um restricted free agent (RFA) se encaixa em dois grupos de jogadores: Grupo 2 ou Grupo 4. Aqueles que se encontram na primeira opção são RFAs. Isso se deve à falta de experiência profissional necessária para chegar à free agency (trataremos deste assunto em breve aqui no NHeLas). Nesta última etapa, o atleta (finalmente!) tem total autonomia para decidir onde jogar.

    Mesmo assim, há um tempo de experiência necessário para que um atleta se torne RFA. Esse tempo é estabelecido por uma tabela que segue a idade que ele tinha quando seu contrato foi assinado. Para a NHL, a idade do jogador é aquela do dia 15 de Setembro do ano em que o contrato for assinado. Curiosamente, esta mesma data limite impediu que Auston Matthews fosse draftado em 2015, pois seu aniversário de 18 anos foi posterior. Será que ele iria para Buffalo depois de Connor McDavid ser draftado por Edmonton? Nunca saberemos.

    A previsão dos jogadores de Grupo 4, por outro lado, foi colocada para evitar que os clubes perdessem os direitos de jogadores que decidissem jogar na Europa como uma forma de burlar a restricted free agency. Ou seja, para impedir que jogadores, talvez insatisfeitos com quem os draftou, fossem jogar no exterior por alguns anos. Isso permitiria que chegassem à free agency mais rápido e, consequentemente, poderiam escolher onde atuar. Para os efeitos deste artigo, os atletas mencionados se tratam de jogadores do Grupo 2.

    O tempo necessário para status de RFA

    O CBA prevê a seguinte tabela para estabelecer o tempo até a restricted free agency de cada jogador do Grupo 2:

    Idade do primeiro contratoElegível como RFA após
    18-21 anos3 anos de experiência profissional
    22-23 anos 2 anos de experiência profissional
    24 ou mais velho1 ano de experiência profissional

    (Fonte: CBA)

    A questão da experiência profissional funciona da seguinte forma:

    • quando o jogador tem 18 ou 19 anos, ele precisa atuar em dez ou mais jogos da NHL em uma temporada. Por isso, muitos jovens atletas, especialmente aqueles que acabaram de ser draftados, costumam jogar até nove jogos na Liga. Depois, retornam à Canadian Hockey League (CHL) para que o clube não “perca” um ano do contrato se decidir retorná-lo para o major junior. Esse assunto será melhor tratado durante o texto sobre os entry level contracts, o primeiro contrato profissional da NHL. Ainda assim, há clubes que não se importam em “queimar” um ano do contrato. Esse foi o caso de Edmonton com Leon Draisaitl, que foi mandado de volta para a Western Hockey League (WHL) depois de atuar em mais de dez partidas.
    • quando o jogador tem 20 anos ou mais (aqui também se encaixa o jogador que completa 20 anos entre 16 de Setembro e 31 de Dezembro), ganha um ano de experiência jogando dez ou mais jogos profissionais sob um contrato standard em uma temporada. Assim, os jogos nas ligas menores, American Hockey League (AHL) e East Coast Hockey League (ECHL), contam para a sua experiência profissional.

    Como funciona a negociação entre um RFA e sua equipe?

    A partir do momento que um atleta se torna restricted free agent, a equipe que detém seus direitos precisa oferecer uma qualifying offer. Isso significa uma proposta de contrato, para continuar as negociações. Os valores da qualifying offer devem respeitar a tabela abaixo, levando em consideração o salário prévio do atleta.

    Salário prévioO clube deve oferecer
    $660,000 ou menosO clube não pode oferecer menos do que 110% do salário prévio
    $660,001 – $952,380O clube deve oferecer 105% do salário prévio
    $952,381 – $999,999O clube deve oferecer ao menos $1,000,000 em salário
    $1,000,000 ou maisO clube deve oferecer 100% do salário prévio

    (Fonte: CBA)

    As duas partes são livres para negociar um contrato, desde que este se enquadre nas regras salariais do CBA. Na hipótese do time não oferecer uma proposta, o jogador se torna um unrestricted free agent (UFA). No entanto, caso ele receba uma e a rejeite, permanece sendo RFA.

    Uma das maiores sagas da última offseason foi a negociação entre William Nylander e o Toronto Maple Leafs. As conversas se arrastaram por meses até o dia primeiro de dezembro, quando a hashtag #NylanderWatch dominava o Twitter. Mas o que essa data específica significa? A Liga precisa receber o contrato devidamente assinado até às 17h do dia 01/12, horário de Nova York. Dessa forma, o jogador pode atuar pela equipe na temporada que já está em curso.

    RFAs que já assinaram suas extensões contratuais

    O center Auston Matthews, do Toronto Maple Leafs, assinou por mais cinco anos com a equipe canadense, por cerca de 11.634 milhões por ano. Como resultado, o contrato fará com que o americano seja o atleta mais bem pago da equipe. Já em Dallas, o contrato de Esa Lindell causou polêmica. O defensor foi contratado por mais seis anos, pelo salário de 5.8 milhões por ano.

    Outra extensão polêmica foi a de Nick Schmaltz, do Arizona Coyotes. O center, que sofreu uma lesão séria que encurtou sua temporada, assinou um contrato de sete anos por 5.85 milhões anuais. Além disso, há uma cláusula que limita trocas nos últimos três anos.

    Teuvo Teravainen, dos Hurricanes, também teve sua extensão assinada por cinco anos, com valor anual de 5.4 milhões. Por fim, o futuro dos Canucks no gol, Thatcher Demko, assinou um bridge deal de dois anos, por 1.05 milhão por ano. Com esse contrato, mais curto, o jogador tem o intuito de se provar como atleta a fim de ter mais vantagens na próxima negociação.

    Mas e essa história de offer sheet?

    Esse assunto é a vedete da offseason deste ano, justamente pelo altíssimo número de RFAs de alto nível que estão sem contratos. Offer sheet se trata de um contrato oferecido a um RFA por outro time que não aquele que detém os seus direitos. Este documento inclui os termos de um contrato padrão, como duração, salário e bônus. No entanto, um atleta que já assinou uma qualifying offer ou que vai para a arbitragem (outro assunto que abordaremos em post futuro) não pode assinar uma offer sheet.

    As opções do atleta a quem é oferecido uma offer sheet são: aceitar ou rejeitar a mesma. A partir do momento que ela é assinada, o time original é notificado para igualar a oferta ou liberar o jogador. Essa decisão deve ser tomada em, no máximo, sete dias. Além disso, é previsto o no turning back. Isso significa que, a partir do momento em que a offer sheet é assinada, as duas opções são unicamente igualar os termos ou liberar o jogador. Por fim, há previsão de uma no trade clause, caso o time original igualar a oferta. Isso estabelece que o atleta não pode ser trocado por um ano, com o fim de evitar possíveis retaliações.

    E se o jogador for liberado? A equipe original fica no prejuízo? A resposta é não. Se o time se recusar a igualar os termos da offer sheet e perder o jogador, receberá escolhas no draft em contrapartida. As escolhas são estabelecidas segundo uma tabela que leva em consideração o valor do novo contrato. O máximo que uma equipe pode perder são o equivalente a quatro escolhas de primeiro round no draft. Os valores da compensação para 2019 seguem a tabela a seguir:

    Valor anual do salário (AAV)Compensação
    $0 – $1,395,053Sem compensação
    $1,395,054 – $2,113,7161 Escolha de Terceiro Round
    $2,113,717 – $4,227,4371 Escolha de Segundo Round
    $4,227,438 – $6,341,1521 Escolha de Primeiro Round
    1 Escolha de Terceiro Round
    $6,341,153 – $8,454,8711 Escolha de Primeiro Round
    1 Escolha de Segundo Round
    1 Escolha de Terceiro Round
    $8,454,872 – $10,568,5892 Escolhas de Primeiro Round
    1 Escolha de Segundo Round
    1 Escolha de Terceiro Round
    $10,568,590 – ∞4 Escolhas de Primeiro Round

    (Fonte: CapFriendly.com)

    Se é tão simples assim, por que as offer sheets não são mais comuns?

    Ora, é sabido que o hóquei é um esporte muito tradicionalista. Dessa maneira, seus dirigentes têm um acordo de cavalheiros entre eles para que ninguém seja colocado nessa situação. É preciso lembrar que, depois que os Flyers ofereceram uma offer sheet por Shea Weber em 2012, que foi igualada posteriormente por Nashville, as duas equipes não transacionaram entre elas por sete anos, até a trade deadline deste ano.

    Após o lockout de 2012, a única vez em que o mecanismo foi usado envolveu Ryan O’Reilly. O jogador assinou a offer sheet de Calgary, causando um mal estar entre o atleta e o Avalanche, sua equipe original. O canadense eventualmente foi trocado para o Buffalo Sabres. Depois, foi para o St. Louis Blues, equipe com a qual chegou às finais da Stanley Cup deste ano.  

    Com jogadores importantes e de grande impacto na Liga adquirindo o status de RFA, como Mitch Marner e Brayden Point, há especulações de que possam ocorrer eventuais offer sheets. Isso principalmente porque os Leafs e o Tampa Bay Lightning estão em situações complicadas em relação ao salary cap. Ambos precisarão se desfazer de jogadores a fim de ter espaço na folha salarial para suas duas estrelas.

  • Finlândia surpreende favoritos e conquista o ouro no Mundial de Hóquei

    Finlândia surpreende favoritos e conquista o ouro no Mundial de Hóquei

    A equipe nórdica chegou na competição desacreditada. Mesmo assim, eliminou os favoritos Suécia e Rússia, além de ter vencido o Canadá na final, pelo placar de 3-1. Curiosamente, o segundo ouro dos finlandeses na competição também foi na Eslováquia, em 2011. Os russos, por fim, levaram o bronze, vencendo a equipe tcheca pelo placar de 3-2.

    Seleções fortes com surpresas dos playoffs da NHL

    O Mundial de Hóquei costuma ser injusto com as seleções lotadas de estrelas em times competitivos. Isso se deve pois o evento coincide com o auge dos playoffs da NHL. Entretanto, com as surpresas nos dois primeiros rounds deste ano, equipes como Suécia, Rússia e Estados Unidos conseguiram montar um plantel cheio de estrelas.

    A equipe escandinava, inclusive, vinha de duas campanhas bem sucedidas. Havia conquistado o ouro contando com o MVP da competição de 2017, William Nylander. Além dele, os suecos contaram com jogadores importantes como Henrik Lundqvist, Elias Pettersson, Patric Hornqvist e Gabriel Landeskog. No fim, foram eliminados pelos arquirrivais finlandeses nas quartas de final.

    A Rússia, por sua vez, levou estrelas como Alex Ovechkin, Evgeni Malkin, Ilya Kovalchuk, Nikita Kucherov e Andrei Vasilevskiy, dentre outros. O país já é conhecido por sempre levar equipes competitivas para o campeonato. Dessa vez, contou com suas principais estrelas se juntando aos compatriotas logo após eliminação dos playoffs. Mesmo assim, os russos deixaram de ter a presença de atletas como Artemi Panarin, Sergei Bobrovsky e Ivan Provorov. Esses três jogadores estão sem contratos na NHL e, consequentemente, sem a segurança de poderem competir internacionalmente. Os russos também caíram para os finlandeses nas semifinais.

    Rússia perde para Finlândia na semifinal
    Fim de jogo para Rússia na derrota contra a Finlândia na semifinal. (Foto: Reprodução/fhr.ru)

    Prospect Jack Hughes estreia pela equipe adulta dos EUA

    Quanto aos americanos, a sua equipe foi formada por um misto de experiência e juventude, liderados por seu capitão Patrick Kane. A seleção contou com o prospect ranqueado em primeiro lugar entre norte-americanos para o draft deste ano, Jack Hughes. O jogador até começou a competição com a proteção no rosto devido à sua idade. Além disso, figuras importantes e experientes como Ryan Suter, James Van Riemsdyk, Alec Martinez e Cory Schneider fizeram parte da equipe. Também contaram com jovens como Alex DeBrincat, Zach Werenski, Jack Eichel, Noah Hanifin e Colin White. Os americanos perderam para os russos nas quartas de final.

    Ineditismo de equipes não favoritas

    Desde o início da competição, a equipe da Grã-Bretanha ganhou a simpatia do público. O país foi recém promovido para a primeira divisão do hóquei no gelo. Desde suas tradições durante os treinamentos ao canto um tanto quanto não ortodoxo após sua única vitória, os britânicos foram felizes no campeonato. Conseguiram se manter na divisão e, principalmente, rebaixaram sua grande rival, a França.

    Já a Itália chamou a atenção nas redes sociais por outro motivo: sua inabilidade de marcar gols. A equipe da terra da bota só conseguiu chegar ao fundo das redes no jogo contra a Áustria, ganhando por 4-3.

    A Itália perdeu todos os jogos e marcou apenas um gol
    A Itália tentou e conseguiu fazer um único gol na competição. Aqui, é derrotada pela Suíça. (Foto: Reprodução/IIHF)

    Dentre os destaques, temos a República Tcheca. A equipe chegou às semifinais com nomes importantes como Jakub Voracek e Jakub Vrana. Além dos tchecos, a Suíça até sonhou com uma classificação às semis. Vencia o Canadá até o último minuto do confronto, quando Severson levou a partida para a prorrogação e Stone virou o jogo. Os alemães, por sua vez, liderados por Leon Draisaitl, também fizeram boa campanha. No entanto, não conseguiram vencer os tchecos e caíram nas quartas. Ainda participaram da competição a Eslováquia, a Noruega, a Dinamarca e a Letônia.

    Finlândia vive história de Cinderela na conquista do ouro

    Os canadenses sofreram o primeiro baque logo antes do início da competição. John Tavares foi cortado da equipe por lesão. Ainda assim, a equipe contou com jogadores de destaque na NHL, como Mark Stone, Jonathan Marchessault, Sean Couturier e Matt Murray. Mesmo com algumas estrelas, o Canadá passou por alguns apuros. Ficou muito próximo de ser eliminado pela Suíça nas quartas de final. No jogo decisivo contra a Finlândia, o goleiro Murray deixou a desejar e o ataque canadense não conseguiu se impor perante a atuação do goleiro finlandês Kevin Lankinen.

    Desfalcada pela ausência de figuras importantes como Mikko Rantanen, Sebastian Aho e Patrik Laine, todos sem contratos (são restricted free agents) na NHL, a Finlândia chegou na competição desacreditada. Com apenas dois jogadores que atuam na América do Norte, a equipe nórdica teve um desempenho memorável. Desde o dominante prospect Kappo Kakko, ranqueado em primeiro lugar entre os patinadores europeu, à atuação heróica do goleiro Lankinen. O goleiro também é representante de equipes americanas, já que pertence ao Rockford IceHogs, parceiro do Chicago Blackhawks na AHL. Quanto a Kakko, com este ouro, o jovem chegou à vitória em três níveis diferentes: sub-18, sub-20 e adulto.

    Foto de capa: Reprodução/IIHF.com

  • Boston Bruins mais perto do confronto pela Stanley Cup

    Boston Bruins mais perto do confronto pela Stanley Cup

    No confronto entre Boston Bruins e Carolina Hurricanes, que terminou em 2-1, Tuukka Rask continuou na sua campanha informal pelo Conn Smythe. O goleiro fez defesas difíceis e essencialmente fechou o gol da equipe da divisão atlântica. Já os Canes pressionaram, porém não conseguiram passar pelo goleiro finlandês mais de uma vez. Teuvo Teravainen, por exemplo, perdeu mais de uma oportunidade clara de marcar em seu compatriota.

    Começo de jogo eletrizante

    O primeiro período já começou intenso, com Carolina fazendo pressão desde o apito inicial. Com um minuto de jogo, Teravainen atirou no gol vazio, mas acertou o travessão. Em seguida, Brandon Carlo foi punido por delay of game e os Canes foram para o power play. Na vantagem numérica, Micheal Ferland, Nino Niederreiter e Justin Williams tiveram chances, mas não conseguiram converter.

    Tuukka Rask fez defesas dificílimas, pois Carolina atacava incessantemente. O time teve outra chance clara com Sebastian Aho, defendida pelo goleiro de Boston. Logo depois, Torey Krug e Williams se estranharam e receberam penalidades de roughing, levando o jogo para o 4 on 4. No final desta penalidade, os Bruins tiveram uma injeção de energia, com um tiro de Jake DeBrusk, defendido por Curtis McElhinney. Em seguida, o arqueiro canadense fez uma defesa em Marcus Johansson.

    Questionamento da arbitragem por decisões polêmicas

    O primeiro lance polêmico do jogo veio de um gol dos Bruins, que foi anulado pela arbitragem sob a justificativa de goaltender interference. De acordo com a arbitragem, o jogador de Boston teria empurrado o goleiro de Carolina. Assim, interferiu diretamente na possibilidade de defesa. Logo após, o capitão dos Canes foi mandado para a penalty box por holding. Ou seja, ele teria segurado o stick de Krug, com quem já estava se desentendendo desde o início da partida.

    O lance seguinte, que levou o jogo para o 4 on 4, também foi polêmico: uma penalidade de slashing de DeBrusk em Jaccob Slavin. Em seguida, David Krejci acertou Aho no rosto. Isso também levou a uma penalidade, desta vez por high sticking, e a partida foi para o 4 on 3. Na vantagem numérica, Carolina não conseguiu converter, mesmo com as tentativas do defensor Dougie Hamilton.

    Nervos aflorados nos primeiros 20 minutos

    Com o clima esquentando, Niederreiter e Charlie Coyle se estranharam atrás do gol de Rask. Como consequência, o center do Boston Bruins recebeu uma penalidade por roughing. Os dois jogadores foram colegas de equipe durante anos, no Minnesota Wild, de onde foram trocados neste ano. Com os ânimos aflorados, as penalidades continuaram, com Krug indo para o box por roughing e Saku Maenalanen por slashing.

    Carolina teve mais um power play com ritmo alucinante, tendo várias chances negadas por Rask. Dentre elas, um tiro para gol de Slavin e o capitão Williams acertando o travessão. Este último, claramente nervoso, recebeu sua terceira penalidade do jogo ainda no primeiro período, por uma cotovelada em Coyle.

    Bruins saem na frente no segundo período

    A equipe visitante abriu o placar com menos de dois minutos de jogo, com Chris Wagner. Cerca de cinco minutos depois, Marchand marcou no power play, quando Niederreiter cumpria penalidade por high sticking contra Krejci. As chances de Boston continuaram, com Krug atirando para o gol após passe de Johansson. No entanto, nesse momento seu stick quebrou e o puck não foi para a direção do gol.

    Carolina reapareceu na partida com uma chance de Aho, e Rask fez mais uma defesa difícil. O finlandês ainda defendeu um desvio de Jordan Staal, antes de levar um gol de Calvin de Haan, que conseguiu passar o puck entre as pernas do goleiro. A pressão do time da casa continuou, com uma jogada de Teravainen com Andrei Svechnikov, que perdeu por pouco. Patrice Bergeron tentou vencer McElhinney no contra-ataque, mas o goleiro dos Canes fez a defesa. No final do segundo período, o momentum era todo dos Hurricanes.

    Pressão de Canes, muralha de Rask

    Os donos da casa quase empataram o placar com dois minutos do terceiro período, mas Rask defendeu. O jogo estava lá e cá, com os dois times se alternando no ataque. Svechnikov e de Haan tiveram chances, mas o puck mudou de direção e passou do gol. Os Canes continuaram no ataque, mas de Haan cometeu uma penalidade de tripping em Marchand. Assim, os Bruins foram para o power play.

    Os visitantes marcam durante esse power play com Krug, mas a arbitragem anulou o gol por interferência de DeBrusk em McElhinney. A decisão foi questionada pela equipe técnica dos Bruins, mas foi mantido o placar em 2-1. Em seguida, Matt Grzelcyk fez uma penalidade de interferência contra Brock McGinn. No entanto, o power play de Carolina não conseguiu empatar a partida.

    O placar terminou 2-1, com o Boston Bruins abrindo 3-0 no confronto contra os Canes. Agora, eles têm a chance de terminar a série com uma varrida no próximo jogo, que será na quinta-feira (16).

    (Foto: Reprodução/NHL.com)

  • Mundial de Hóquei 2019 tem início na Eslováquia

    Mundial de Hóquei 2019 tem início na Eslováquia

    Teve início nesta sexta-feira (10) o mundial de hóquei da Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF World Championship, em inglês). O evento será sediado nas cidades de Bratislava e Kosice, na Eslováquia, e marca o final das temporadas europeias. Por outro lado, o campeonato normalmente não conta com a presença das grandes estrelas da NHL, que estão ocupadas com os playoffs. Entretanto, especialmente devido às surpresas no primeiro round, as equipes internacionais deste ano contam com mais jogadores que atuam profissionalmente na América do Norte.

    Essa é uma chance de reunir os nacionais de cada país. Além disso, também é uma vitrine para o público norte-americano conhecer atletas que competem nas ligas europeias. Ademais, a edição deste ano conta com dois jovens que serão observados muito de perto. Um é o americano Jack Hughes e o outro, o finlandês Kaapo Kakko. Os dois são os prospects mais bem ranqueados dentre a classe de 2019. Espera-se, por isso, que sejam escolhidos por New Jersey e Nova York como as duas primeiras escolhas do draft.

    Quanto à competição, o grupo A conta com Canadá, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, Eslováquia, Dinamarca, França e Grã-Bretanha. Já o grupo B, por sua vez, traz Suécia, Rússia, República Tcheca, Suíça, Noruega, Letônia, Áustria e Itália. Os favoritos costumam ser Canadá, Suécia, EUA, Finlândia e Rússia. Este ano, no entanto, os finlandeses selecionaram atletas em sua grande maioria da Liga doméstica. Isso os torna mais imprevisíveis e suscetíveis a surpreender.

    As estrelas

    O Canadá vem, pela primeira vez em alguns anos, com uma equipe sem uma grande estrela. John Tavares se lesionou no período de treinos para a competição e não comparecerá. Os destaques da equipe são Mark Stone no ataque, Thomas Chabot na defesa e Carter Hart no gol. Por sua vez, os EUA não abriram mão de suas estrelas. Trouxeram os atacantes Patrick Kane, Jack Eichel e Johnny Gaudreau, assim como os emergentes irmãos Hughes, Quinn na defesa e Jack no ataque. Ainda no grupo A, a Alemanha tem o superstar Leon Draisaitl, além do goleiro Philip Grubauer, agora que este deixou os playoffs.

    Já no grupo B, os suecos chegam na Eslováquia com um time experiente. A primeira linha é comandada pelo novato sensação Elias Pettersson, além de Patric Hornqvist e Oliver Ekman-Larsson. A Rússia, por sua vez, trouxe pesos pesados que deixaram a desejar em suas respectivas equipes, como Malkin, Kucherov e Ovechkin. Já a República Tcheca, confiou seu sucesso nas mãos de Jakub Vrana e Voracek. Além disso, na leva de novos potenciais do hóquei, a Suíça vem se destacando. Especial destaque a Nico Hischier, que foi escolhido em primeiro lugar no Draft de 2017.

    Embora sempre existam vagas para jogadores como Ivan Provorov, William Karlsson, Zach Werenski e Patrik Laine, eles se encontram no aguardo de respostas que correspondam às suas expectativas, pois seus contratos de calouro terminaram. Os russos Artemi Panarin e Sergei Bobrovsky, que serão free agents no dia 01 de julho, também não irão competir. A não participação dos atletas se dá especialmente por medo de se machucar.

    Os jogos no mundial de hóquei no gelo podem ser vistos diretamente pelo canal da IIHF no YouTube .

    Foto: Reprodução/eliteprospects.com

  • Maroon vence Bishop e marca o gol da vitória dos Blues sobre os Stars na 2a prorrogação

    Maroon vence Bishop e marca o gol da vitória dos Blues sobre os Stars na 2a prorrogação

    A partida decisiva entre Dallas Stars e St. Louis Blues foi marcada por uma atuação inesquecível de Ben Bishop. O goleiro fez nada menos do que 52 defesas no jogo em sua cidade natal. Mas foi Patrick Maroon, outro nativo de St. Louis, que levou os Blues à vitória, marcando na segunda prorrogação.

    No tempo regular, St. Louis atacou com intensidade, mas o goleiro de Dallas manteve sua equipe na partida

    O primeiro período foi marcado pela verticalidade dos dois times, que se revezaram no ataque durante os minutos iniciais. Assim como o confronto entre Columbus e Boston no Leste, os goleiros foram o grande destaque no embate entre as equipes da divisão central. Ambos fizeram defesas difíceis no decorrer da série.

    A atuação nos playoffs não foi surpresa para quem acompanhou os goleiros na temporada regular, uma vez que Bishop foi indicado ao troféu Vezina (melhor goleiro) e Jordan Binnington ao troféu Calder (melhor calouro). De início, Binnington defendeu um tiro de Radek Faksa, após Vladimir Tarasenko entregar o puck na zona defensiva de St. Louis.

    Entretanto, a maior chance de Dallas foi em um tiro de Jamie Benn com Binnington já batido, mas a defesa dos Blues tirou. Já na segunda metade do período, Vince Dunn abriu o placar para a equipe da casa, em um descuido da defesa texana. Mesmo com a pressão de St. Louis, nos cinco minutos finais do período Mats Zuccarello empatou para Dallas.

    No retorno após o intervalo, Binnington fez defesas seguidas em Tyler Seguin e Benn. Já no ataque, St. Louis teve chances com David Perron e Colton Parayko, que não conseguiram converter diante do goleiro de Dallas. A melhor chance de virar a partida foi de Roope Hintz, com um wrap around incrível defendido por Binnington. O tempo regular terminou empatado em 1-1, e o Jogo 7 foi para a prorrogação.

    Prorrogação dupla emocionante, com destaque de outro nativo de Missouri

    St. Louis, energizado por sua torcida, iniciou o período fazendo pressão. Bishop foi acionado logo no início com um tiro forte de Edmundson. Os visitantes passaram a maior parte do jogo se defendendo do ritmo alucinante dos Blues. Mesmo assim, foram reanimados por um lance de Andrew Cogliano, que foi defendido por Binnington. Faksa também tentou um tiro ao gol, mas o arqueiro de St. Louis não deixou o puck passar. Ao final da primeira prorrogação, o momentum era todo de Dallas.

    A segunda prorrogação, por sua vez, teve o lance mais emocionante para a torcida de Dallas, pois seu capitão quase se consagrou como herói. Benn fez um lance de wrap around que foi defendido em cima da linha, naquela que seria a última chance clara de Dallas no jogo. Isto porque, aos 14 minutos, Robert Thomas chutou para o gol e Maroon, no rebote, fez o gol que terminou a partida. O jogador, assim, levou seu time de infância às finais da conferência. Com isso, St. Louis conseguiu a vitória sobre Dallas por 2-1 e eliminou a equipe do Texas.

    As finais da Conferência Oeste, entre St. Louis Blues e San Jose Sharks, começam neste sábado (11), com o confronto no SAP Center em San Jose.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Boston Bruins vence Columbus e chega à final da conferência! Já Colorado força Jogo 7 contra San Jose

    Boston Bruins vence Columbus e chega à final da conferência! Já Colorado força Jogo 7 contra San Jose

    A noite de segunda-feira (8) foi marcada por dois jogos decisivos. Primeiro, o Boston Bruins venceu o Columbus Blue Jackets pelo placar de 3-0. Assim, conquistou seu lugar na final da conferência, quando vai enfrentar Carolina. Mas o San Jose Sharks, por sua vez, viu Colorado empatar a série na prorrogação. Foi um final de jogo emocionante que levou o Pepsi Center à loucura.

    Bruins 3, Blue Jackets 0

    A torcida de Columbus manteve a atmosfera elétrica na Nationwide Arena durante todo o jogo. Apesar disso, o time da casa foi eliminado dos playoffs pelo Boston Bruins. A série foi marcada por atuações notáveis dos dois goleiros, que mantiveram o confronto emocionante durante os seis jogos. Entretanto, o destaque da partida de ontem foi Tuukka Rask. Ele fechou o gol e não deu muitas chances para os Blue Jackets, o primeiro dos wild cards a ser eliminado nesta pós-temporada.

    No primeiro período, os dois times mantiveram um ritmo frenético, com várias chances para os dois lados. O primeiro gol foi de um nativo de Ohio, Sean Kuraly dos Bruins. No entanto, a jogada foi anulada após Tortorella desafiá-la por interferência em Bobrovsky. Ainda no último minuto deste período, Bergeron quase abriu o placar para os visitantes, mas acertou a trave.

    Já no segundo período, o goleiro do CBJ continuou em um bom ritmo, com uma defesa difícil em um tiro de Kuraly. Ainda assim, os Bruins abriram o placar com Krejci, que conseguiu furar o goleiro russo de Columbus.

    O terceiro período foi a oportunidade de Tuukka Rask se destacar. Ele fez quatro defesas, inclusive durante um power play de Columbus. Em seguida, Johansson marcou para Boston, ampliando o placar em 2-0. O último gol da noite veio após um erro de defesa de Bjorkstrand, que deixou Backes livre para marcar mais um para os Bruins. Rask continuou com uma atuação impecável e conseguiu o shutout, sendo a cereja do bolo na classificação de Boston para a final da Conferência Leste.

    A série do Boston Bruins na final da Conferência contra o time sensação do Leste, Carolina Hurricanes, começará na quinta-feira (9) em Raleigh.

    Hit polêmico de McAvoy em Anderson gera suspensão de um jogo para o defensor

    Mesmo com as defesas incríveis dos dois goleiros, o destaque da partida foi o hit do defensor McAvoy dos Bruins no atacante Anderson de Columbus. McAvoy acertou o jogador no rosto, fazendo com que este saísse do gelo em direção aos vestiários. Mas o que gerou polêmica foi a punição dada pela arbitragem: apenas dois minutos. Posteriormente, foi anunciado que o defensor teria uma audiência com o departamento de segurança da Liga para discutir o hit. No final da tarde de terça-feira foi anunciado que ele seria suspenso do primeiro jogo contra os Hurricanes.

    A off-season de Columbus deverá ser movimentada

    Por fim, temos a grande pergunta da off-season para os Blue Jackets: eles conseguirão renovar o contrato com suas principais estrelas? Panarin e Bobrovsky, assim como Duchene, serão free agents a partir de julho. Assim, o futuro dos Jackets definitivamente dependerá da possibilidade de conseguirem manter seus talentos no time. Mesmo assim, o GM do time garante que não se arrependeu das trocas que fez na trade deadline, que definitivamente impulsionaram a equipe na campanha histórica que fizeram nesta temporada.

    Sharks 3, Avalanche 4 (OT)

    Em Denver, os Avs receberam os Sharks, que precisavam de apenas uma vitória para chegar à final da Conferência Oeste. Mas a equipe da Califórnia não conseguiu a classificação em cima de MacKinnon e companhia, que empataram a série na prorrogação.

    O primeiro período foi marcado por muitas tentativas de tiros ao gol, com defesas feitas por Grubauer e Jones, além de uma ajuda da trave. Mesmo assim, o tempo acabou com o placar zerado.

    No segundo período, o Avalanche abriu o placar com Jost, assistido por Compher, aos 4 minutos. Os visitantes só empataram 10 minutos depois, com o defensor Vlasic, em uma jogada de Nyquist com Meier. Bednar, técnico de Colorado, desafiou o gol alegando interferência no goleiro, mas não foi atendido pela revisão da arbitragem. No final do período, Compher abriu a vantagem novamente para os Avs. Nos 10 segundos finais, no entanto, Burns empatou a partida mais uma vez.

    Compher marcou seu segundo gol da noite no terceiro período, totalizando três pontos. Mas a vantagem não se manteve até o final do jogo. Vlasic igualou o placar faltando menos de 3 minutos no relógio. A partida foi, então, para a prorrogação. Aqui, Grubauer nem teve tempo para descansar, fazendo uma defesa difícil em Hertl logo no início. Com pouco mais de 2 minutos, o novato Makar fez uma jogada em conjunto com o capitão Landeskog, que marcou e finalizou!

    O jogo decisivo será na Califórnia na quarta-feira

    O Jogo 7 será realizado em San Jose na quarta-feira (08). Ao passo que os Sharks têm uma equipe experiente, com os dois melhores defensores ofensivos da liga, Colorado traz uma injeção de juventude para os playoffs. No jogo decisivo, nomes como MacKinnon e Couture precisam aparecer no placar como as grandes estrelas que são. Além disso, a equipe californiana pode vir a contar com seu capitão, Pavelski, que se lesionou na série contra Vegas e ainda é dúvida.