Autor: Marina Garcez

  • Caos na Trade Deadline da NHL

    Caos na Trade Deadline da NHL

    O que é a trade deadline?

    Trata-se da data limite para trocas de jogadores dentro de uma temporada. Depois da data pré-estabelecida, que o acordo coletivo da NHL estabelece que deve ser a 40 dias corridos do final da temporada regular, nenhum jogador poderá ser trocado até a intertemporada. Devido aos adiamentos de partidas em virtude da pandemia, a trade deadline desse ano ocorreu na última segunda-feira (21). Para saber mais sobre os anos anteriores, o NHeLas tem artigos sobre 2021, 2020 e 2018.

    Aquele em que Gritty perde seu melhor amigo

    Durante mais de uma década os cabelos e barba ruiva de Claude Giroux foram sinônimo do Philadelphia Flyers. Draftado em 2006, o canadense chegou à equipe principal em fevereiro de 2008 e tornou-se peça fixa do elenco de Broad Street na temporada seguinte. Giroux tornou-se capitão da equipe da Filadélfia em 2013, na primeira temporada após o lockout de 2012. Alguns dias antes da trade deadline deste ano ele foi mandado para o Florida Panthers, em um gesto comum oferecido a veteranos que estão no final de um contrato em uma equipe não competitiva, para ter uma chance de disputar a sonhada Stanley Cup. 

    As trocas da Divisão Atlântica

    Além de Giroux, cujo pacote de retorno para a Filadélfia incluiu Owen Tippett, os Panthers também adquiriram o defensor Ben Chariot do Montreal Canadiens, além de terem trocado Frank Vatrano para o New York Rangers e adquirido Robert Hagg do Buffalo Sabres. A equipe da Flórida está apostando muitas fichas nessa pós-temporada. O outro time floridiano e atuais bicampeões,Tampa Bay Lightning, adquiriram Brandon Hagel e algumas picks do Chicago Blackhawks em troca de Taylor Raddysh, Boris Katchouk e picks, além do veterano Riley Nash, que estava em Arizona. 

    O Ottawa Senators, por sua vez, adquiriu Travis Hamonic de Vancouver e Mathieu Joseph de Tampa. Além disso, enviou Joshua Brown para Boston com uma pick em troca de Zach Senyshyn. Os Bruins também adquiriram o defensor Hampus Lindholm, do Anaheim Ducks, em troca de John Moore, Urho Vaakanainen e algumas picks. Ademais, o Montreal Canadiens enviou Artturi Lehkonen para o Colorado Avalanche em troca de Justin Barron e uma pick. Já o Toronto Maple Leafs adquiriu Mark Giordano e Colin Blackwell do Seattle Kraken, além de ter mandado o defensor Travis Dermott para Vancouver.

    As trocas da Divisão Metropolitana

    O Pittsburgh Penguins adquiriu o defensor Nathan Beaulieu do Winnipeg Jets, assim como o atacante Rickard Rakell, do Anaheim Ducks. Nesta última transação os jogadores Dominik Simon, Zach Aston-Reese (para a tristeza da autora que vos fala) e Calle Clang foram para a Califórnia. Além de trocar Giroux, os Flyers também enviaram Justin Braun para o New York Rangers. A equipe da Big Apple também adquiriu Andrew Copp, do Winnipeg Jets, e Tyler Motte, do Vancouver Canucks. O Washington Capitals também se movimentou, adquirindo seu ex-jogador Marcus Johansson, que estava no Seattle Kraken, e Johan Larsson de Arizona. Por fim, uma troca tripla com Columbus Blue Jackets e Florida Panthers resultou na ida de Max Domi para o Carolina Hurricanes

    As trocas da Divisão Central

    A primeira troca na semana que antecedeu a trade deadline foi a ida de Josh Manson, originalmente do Anaheim Ducks, para o Colorado Avalanche. A equipe de Denver também mandou Tyson Jost para o Minnesota Wild em troca de Nico Sturm, além de acrescentar Lekhonen ao seu elenco, vindo dos Habs, e Andrew Cogliano, do San Jose Sharks. O Wild, por sua vez, adquiriu Nicolas Deslauriers e Jacob Middleton dos Sharks, e Marc-André Fleury do Chicago Blackhawks. Além disso, o St. Louis Blues adquiriu Nick Leddy e Luke Witkowski, vindos de Detroit, em troca de Oskar Sundqvist, Jake Walman e uma pick. Por fim, o Winnipeg Jets adquiriu Mason Appleton, do Seattle Kraken e o Dallas Stars adquiriu Vladislav Namestnikov dos Red Wings.

    As trocas da Divisão Pacífica

    A primeira grande troca veio mais de um mês antes da trade deadline, quando o Calgary Flames adquiriu Tyler Toffoli do Montreal Canadiens. A equipe de Alberta posteriormente adquiriu Calle Järnkrok do Seattle Kraken e Ryan Carpenter, do Chicago Blackhawks. O LA Kings adquiriu o defensor Troy Stecher, do Detroit Red Wings, e o San Jose Sharks adquiriu o goleiro Kaapo Kähkönen do Minnesota Wild. Por fim, o Edmonton Oilers adquiriu Derrick Brassard dos Flyers e Brett Kulak dos Habs. 

    A polêmica envolvendo a troca de Evgeni Dadonov

    https://twitter.com/friedgehnic/status/1506101774532423681?s=24

    Uma das últimas transferências anunciadas foi a troca de Evgeni Dadonov para o Anaheim Ducks, vindo do Vegas Golden Knights por alguns contratos de Long Term Injury Reserve (LTIR). O maior objetivo da troca, do ponto de vista de Vegas, era se livrar de um salário alto para reativar jogadores que estavam no Injury Reserve e cujos rendimentos precisariam passar a contabilizar para o total do teto salarial. 

    Entretanto, no início da noite de segunda-feira começaram a surgir informações sobre algo de errado na transação. Ocorre que, segundo apurado por diversos jornalistas, quando Dadonov foi trocado de Ottawa para Vegas em julho do ano passado, seu contrato assinado no ano anterior com a equipe canadense incluía uma cláusula de não-movimento modificada. Isto é, Dadonov tinha uma lista de 10 equipes para as quais não poderia ser trocado. De acordo com informações obtidas pelo The Athletic, Anaheim era uma delas. 

    Assim, a troca não foi processada e está sendo investigada por oficiais da NHL. Há uma confusão acerca da responsabilidade pelo erro, já que a troca não poderia ter sido processada por violar a lista que estava estabelecida no contrato do atleta. Como a lista foi entregue aos Senators quando ele ainda era integrante da franquia, existe a possibilidade da equipe não ter encaminhado o documento para Vegas quando a troca entre as duas equipes ocorreu. 

    Entretanto, por ser uma informação importante no contrato, além de se tratar de informação pública em sites como o Cap Friendly, restam dúvidas sobre quem recairia a responsabilidade pela situação, se foi omissão por parte dos Golden Knights, erro de Ottawa ao não encaminhar a lista ou se até mesmo o agente de Dadonov deveria ter fornecido ele mesmo a lista após a troca.

    ATUALIZAÇÃO: De acordo com o pronunciamento abaixo, a NHL cancelou a troca entre as equipes de Vegas e Anaheim, transação essa que envolvia o jogador Evgeni Dadonov, sob a justificativa de que a lista de não-troca do atleta não foi respeitada pelos Golden Knights, o que invalida a movimentação.

  • Uma resposta à guerra na Ucrânia

    Uma resposta à guerra na Ucrânia

    O assunto do momento, aquele do qual não podemos escapar por nada neste mundo, é a guerra na Ucrânia. Desde que as forças russas invadiram o território ucraniano no dia 24 de fevereiro, o que configura uma violação do direito internacional, os olhares do mundo se voltaram para o Leste Europeu. 

    Muito embora as ofensivas russas já tivessem ocorrido anteriormente, quando o exército de Vladimir Putin adentrou a região da Crimeia, as novas tentativas de subjugar a soberania da Ucrânia tiveram uma resposta bem diferente desta vez. O seu impacto foi sentido na economia, na política e, é claro, nos esportes

    Uma questão de dinheiro

    O resultado político do conflito reverberou na escalada das sanções contra o governo russo, em especial ao presidente do país e seu grupo de oligarcas. Com isso, as movimentações financeiras envolvendo dinheiro russo foram bloqueadas, como, por exemplo, através da exclusão da Rússia no SWIFT, mecanismo de pagamentos internacionais. Até mesmo países que historicamente não costumam se posicionar em situações de conflito, como a Suíça, adotaram essas medidas. 

    Um resultado imediato do efeito financeiro das sanções, especialmente em relação aos oligarcas próximos ao presidente russo, foi a do Chelsea FC. O proprietário do clube inglês é o oligarca russo Roman Abramovich, que adquiriu o time de Londres há quase 20 anos e foi parte fundamental no estabelecimento dos Blues como uma das potências do futebol internacional. Abramovich primeiramente tentou transferir o comando da equipe para um fundo beneficente, mas com a escalada das sanções o russo finalmente colocou o clube à venda, mostrando que os oligarcas de fato estão sentindo os efeitos das medidas.

    O efeito nos esportes

    A questão financeira e o clamor do público repercutiram no esporte mundial. A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) cancelou seu contrato com os organizadores do Grande Prêmio da Rússia, que normalmente ocorre em Sochi. Ainda nos esportes automobilísticos, a equipe de Fórmula 1 Haas cortou vínculo com seu maior patrocinador, a empresa russa Uralkali, comandada pelo oligarca Dimitri Mazepin. O time ainda demitiu seu piloto russo, Nikita Mazepin, filho do ex-patrocinador. 

    No futebol, a FIFA retirou a Rússia das eliminatórias da Copa do Catar depois de diversas manifestações das federações da Polônia, Suécia e Chéquia afirmando que se recusariam a jogar contra os russos. Ainda assim, a manda-chuva do futebol só excluiu a seleção russa após forte pressão da comunidade do futebol internacional. Já no vôlei, a Rússia deixará de ser sede do próximo mundial, que ocorreria em agosto, e os times do país foram suspensos de torneios internacionais

    Na patinação no gelo, russos e bielorrussos foram impedidos de competir internacionalmente por tempo indeterminado. A mesma punição também ocorreu em esportes como atletismo, basquete e até mesmo alguns torneios de tênis. Neste último caso, é importante lembrarmos que o atual número 1 do mundo no esporte é um russo, o tenista Daniil Medvedev. 

    Mas e o hockey?

    A Federação Internacional do Hockey no Gelo (IIHF, sigla em inglês) anunciou no dia 28 de fevereiro que as federações da Rússia e de Belarus não participarão de nenhuma das suas competições neste ano. Além disso, o World Junior Championship de 2023 deixará de ser em território russo e não contará com as equipes russas e bielorrussas. Entretanto, o calendário da federação ainda conta com São Petersburgo como a sede do mundial masculino de hockey de 2023.

    Na Kontinental Hockey League (KHL), equipes como a finlandesa Jokerit e a letã Dinamo Riga desistiram da competição após a invasão russa. O Jokerit abriu mão de jogar os playoffs da Gagarin Cup, para os quais já estava classificado. Atualmente as únicas equipes não russas na KHL são o Barys Nur-Sultan do Cazaquistão, o Dinamo Minsk de Belarus e o Kunlun Red Star da China. 

    Além disso, atletas de outros países tiveram pressa para deixar os clubes que defendiam na Rússia, inclusive ex-jogadores da NHL. Dentre eles Markus Granlund, Geoff Platt, Nick Shore, Kenny Agostino e Shane Price, dentre outros. A NHL anunciou ontem que suspendeu suas negociações com a KHL e informou aos seus clubes que eles deveriam cortar quaisquer comunicações com agências e organizações baseadas na Rússia

    Os reflexos na nova geração de jogadores

    A atual situação geopolítica terá impacto desde aos possíveis contratos de jovens russos que já foram draftados até aqueles que são apenas prospects. Na primeira hipótese, a falta de comunicação e o rompimento de conversas e negociações entre a NHL e seus clubes em relação à KHL e suas respectivas equipes tornará eventuais negociações e mudanças ainda mais difíceis. Pense na forma como Evgeni Malkin deixou a equipe que o formou para ir para Pittsburgh e multiplique isso pelo impacto causado pelo conflito atual.

    Entretanto, quando o agente Dan Milstein anunciou que a Canadian Hockey League (CHL) tinha como objetivo banir do import draft aqueles atletas que eram russos ou bielorrussos, fomos confrontados com uma discussão importante. Até que ponto atletas, neste caso de adolescentes de 16 e 17 anos, podem ser punidos pelas atitudes daqueles, homens adultos sexagenários, que governam seus países?

    Milstein é agente de atletas russos importantes na NHL, como Andrei Vasilevskiy e Nikita Kucherov do Tampa Bay Lightning. A CHL não anunciou publicamente que não consideraria russos e bielorrussos no import draft deste ano, mas cancelou a série entre Canadá e Rússia que ocorreria neste ano. Acerca do import draft, o órgão canadense informou que anunciaria o formato do draft de estrangeiros posteriormente. Além disso, a ESPN+ anunciou que não irá transmitir os playoffs da KHL. 

    Ovechkin e seus laços com o Kremlin

    O capitão e principal jogador do Washington Capitals é uma estrela na capital americana, mas seu brilho é ainda maior na sua terra natal, a Rússia. Um dos principais nomes do esporte russo em geral, Alexander Ovechkin é o grande jogador de uma geração vitoriosa do esporte favorito do presidente Vladimir Putin. O jogador externaliza seu apoio pelo presidente russo há muito tempo, inclusive através de postagens em suas redes sociais.

    Quando a Rússia ocupou e posteriormente anexou a região da Crimeia em 2014, por exemplo, Ovechkin fez um post onde pedia para que as crianças ucranianas fossem salvas do fascismo. O entusiasmo de Ovechkin para com o seu presidente também apareceu na iniciativa de 2017, o Putin Team, do qual faziam parte outros jogadores como Evgeni Malkin e Ilya Kovalchuk, além de outras personalidades russas. De acordo com o Kremlin, o Putin Team não foi criado por Ovechkin.

    Mas o ativismo político do atleta vai além de sua persona pública. Em 2016, quando Ovechkin se casou com Anastasia Shubskaya, filha do oligarca Kirill Shubsky, o casal recebeu um presente de casamento de Putin. O relacionamento próximo do jogador com Putin não é nenhuma novidade, com Ovechkin inclusive afirmando que tem o número de telefone do líder de seu país. 

    Após a invasão russa à Ucrânia, Ovechkin foi questionado sobre o conflito, mas não elaborou muito além de um comentário evasivo sobre paz. Um comercial popular de Ovechkin com seu companheiro de equipe Nicklas Backstrom foi retirado de circulação. Além disso, a empresa de materiais esportivos CCM tirou os materiais promocionais que incluíam o capitão dos Caps e outros jogadores russos.

    Os demais jogadores russos

    Muito embora uma grande parcela da discussão se centre em Ovechkin e sua relação próxima com o presidente russo, ele não é o único representante da Rússia. A NHL possui 41 jogadores russos atualmente, espalhados em vários de seus times. O único atleta a se manifestar publicamente, além do próprio Ovechkin, foi o defensor Nikita Zadorov, do Calgary Flames. Zadorov fez um post no seu Instagram pedindo um fim à guerra.

    O vocabulário utilizado por Zadorov chamou a atenção, já que o nome oficial dado pelo governo russo à invasão é “Operação Especial”. Além disso, foi aprovada uma lei no país que determina uma pena de até 15 anos de prisão para quem usar expressões como “guerra” ou “invasão” para se referir ao conflito na Ucrânia. Desta forma, Zadorov pode passar a ser boicotado pela federação em eventos futuros, além de correr riscos se retornar ao seu próprio país. 

    Nem mesmo atletas como Artemi Panarin, que já havia tecido críticas ferrenhas a Putin e demonstrado apoio ao principal opositor do presidente, Alexei Navalny, se manifestaram. A resposta do Kremlin às críticas resultou em um afastamento provisório do jogador do New York Rangers, depois que ele foi acusado de cometer atos de violência contra uma mulher quando ainda jogava na KHL. Quanto à invasão na Ucrânia, Panarin manteve o silêncio.

    Algumas considerações finais

    Por serem cidadãos de um governo opressor como o da Rússia, onde pessoas são presas e até mortas por se manifestarem contra o Kremlin, é compreensível que muitos desses atletas prefiram o silêncio. De acordo com Milstein, que é agente de muitos dos russos na NHL, seus clientes estão sendo alvo de mensagens xenofóbicas tanto nas redes sociais quanto ao vivo. Milstein é ucraniano e se mudou do país com o fim da União Soviética, no início dos anos 90. 

    Milstein delineou com clareza o porquê da grande maioria dos russos se manterem em silêncio. Por serem figuras públicas, qualquer comentário negativo sobre o governo russo chamaria a atenção do Kremlin. Entretanto, a grande maioria destes jogadores deixaram suas famílias para trás na Rússia e ser abertamente contrário a um regime autoritário poderia significar colocar seus entes queridos em perigo

    Na última newsletter Hockey With Love, a (nossa amiga pessoal) Gaby foi certeira ao apontar o quão intrínseca a xenofobia é dentro do mundo do hockey. Afinal, ela nos pergunta, por que exigimos um posicionamento apenas dos jogadores russos? Ninguém pergunta aos jogadores canadenses (brancos) a sua opinião sobre as violações de direitos indígenas no Canadá, tampouco aos americanos que já visitaram a Casa Branca sobre a agenda política dos presidentes que a ocupavam. Os demais europeus, como os suecos e dinamarqueses, também não são questionados sobre a situação dos direitos humanos em seus países

    Muitas vezes, porque vivemos, em teoria, em uma democracia liberal com a nossa liberdade de expressão salvaguardada pelo, supostamente, porto seguro do Estado democrático de direito, perdemos o parâmetro de como os governos opressores operam. Aqueles que estão, dia após dia, em público protestando contra essa guerra nas ruas de Moscou, São Petersburgo e demais cidades russas são pessoas extremamente corajosas. Mas, com a integridade física de sua família na linha, você poderia afirmar com convicção que teria coragem para fazer o mesmo? 

     

    Foto: reprodução/eurosport.com

  • Da procrastinação ao hockey olímpico

    Da procrastinação ao hockey olímpico

    Era uma manhã de sábado em pleno fevereiro e eu estava entediada em casa, provavelmente procrastinando ao invés de fazer algum trabalho de Direito do Trabalho II ou Processo Civil IV. O ano era 2014 e as Olimpíadas de Inverno de Sochi estavam a pleno vapor, mas confesso que na época eu não estava ligando muito para isso. Minha principal preocupação naquele momento era se a universidade francesa para a qual eu havia me candidatado aceitaria me receber para um intercâmbio ou não (spoiler: ela me aceitou e eu me mudei para Paris em setembro daquele mesmo ano). 

    Foi assim que meu irmão, que não fazia ideia da ansiedade que dominava meus pensamentos, me chamou para assistir uma partida de esporte na televisão do quarto dele.  “É hockey no gelo”, ele me disse, “não faço a menor ideia de quem são esses caras, mas se é Estados Unidos contra Rússia, então deve ser divertido”. Quando eu me sentei na frente da TV eu não fazia ideia que estaria vendo possivelmente a última aparição olímpica de grandes nomes daquele esporte (obrigada, Bettman e COVID-19) e nem que aquele momento teria um impacto tão grande na minha vida.

    A partida já estava no segundo período, e o gol solitário no placar era de Pavel Datsyuk.  Entre comentários sobre os sobrenomes complicados e a falta de dentes em certos jogadores, todos feitos pelo meu irmão (n/a: Alexander Ovechkin viria a se tornar o jogador favorito dele, que torce para o Washington Capitals), eu fiquei em transe devido à rapidez do jogo e a fluidez com a qual os jogadores deslizavam pelo gelo da Arena Bolshoi. 

    Embora eu tenha crescido assistindo The Mighty Ducks e me lembre muito bem da febre dos Super Patos, o esporte nunca havia inspirado muitas emoções em mim. Naquela manhã, quando eu vi a seleção americana empatar e virar a partida, assim como a Rússia forçar o shootout, isso mudou. Phil Kessel fez a jogada que levou ao gol de empate marcado por Cam Fowler, e eu mal sabia que o Kessel mais velho ainda me traria muitas alegrias enquanto torcedora. 

    Joe Pavelski virou para os americanos, com uma assistência de Patrick Kane, enquanto Datsyuk igualou o placar com seu segundo gol. Depois de um gol anulado pela arbitragem de vídeo, em razão do gol ter sido tirado do lugar, a partida foi para a prorrogação. Como grandes entusiastas de esportes e prorrogações com gol de ouro, eu e meu irmão assistimos àquele overtime com apreensão e um friozinho na barriga. 

    Entretanto, ninguém conseguiu marcar e a equipe foi para o que a narração descreveu como shootout, ou seja, algo semelhante a uma cobrança de pênaltis. Intrigadíssima pelo fato de um mesmo cobrador poder ter várias tentativas, eu assisti a uma performance de gala de TJ Oshie, um então jovem atacante do St. Louis Blues. Os americanos saíram vitoriosos no confronto e se catapultaram para a primeira posição de seu grupo.

    A partir daquele momento eu fiquei completamente obcecada pelo esporte e acompanhei todas as partidas, televisionadas no Brasil ou não. Um momento particularmente memorável foi a gambiarra que eu organizei com meu notebook velho apoiado em um banquinho de madeira, o cabo HDMI e a televisão do meu irmão para conseguir assistir à semifinal entre Canadá e Estados Unidos. Eu provavelmente deveria estar estudando ou fazendo algum trabalho chato sobre Controle de Constitucionalidade? Acredito que sim, mas no final tudo deu certo mesmo assim. 

    Naquele ano também assisti à final feminina com muita empolgação, pois se tratava de uma reedição da rivalidade histórica entre Estados Unidos e Canadá. Com uma atuação de gala de Marie Philip Poulin, eu fiquei extremamente feliz quando as canadenses venceram a partida. Afinal, é sempre mais divertido quando os Estados Unidos perdem. 

    Com o fim da competição eu passei a pesquisar mais sobre o esporte e busquei formas de assistir a NHL. A primeira partida que vi ao vivo foi a da Stadium Series de 2014, do Pittsburgh Penguins contra o Chicago Blackhawks no Soldier Field. Depois de alguns jogos de Sochi, a familiaridade com alguns dos nomes nas duas equipes fez com que eu me interessasse em assistir essa partida em específico. 

    Aquela Stadium Series, juntamente com a comédia romântica “Ela é Demais para Mim” (2010), definiram a minha escolha por um time. Na minha cabeça não havia nada mais hilário do que um time de hockey no gelo que tinha seu nome em homenagem aos pinguins, meus animais favoritos. Sorte a minha, que vi meu time vencer duas Stanley Cups consecutivas em 2016 e 2017. 

    As Olimpíadas de Sochi de 2014 me tornaram uma fã de hockey e mudaram muita coisa na minha vida. Por causa daquela partida eu tive o interesse e a curiosidade de ir ao mundial da International Ice Hockey Federation (IIHF) em Praga e também ver os Capitals logo antes de vencerem a Stanley Cup na incrível atmosfera do Bell Centre, em Montreal. Também pude ver a Stanley Cup ao vivo, além de viver a experiência de sentar no vidro em uma partida profissional dos Baby Penguins, onde também se iniciou meu relacionamento de amor e ódio com Tristan Jarry (que dura até hoje, inclusive). 

    E, finalmente, sem aquele EUA x Rússia eu não teria feito as amizades que o NHeLas me trouxe. Pela primeira vez enquanto torcedora eu me senti de fato acolhida por um grupo de mulheres que buscam sempre apoiar umas às outras e promover a diversidade neste esporte tão branco e hipermasculinizado. No NHeLas fiz amizades que levarei comigo para toda a minha vida, para muito além deste projeto tão especial. Por isso eu não me canso de falar: Спасибо, Сочи e muito obrigada por existirem, Jogos Olímpicos.

  • Prévia do All-Star Game 2022

    Prévia do All-Star Game 2022

    Ei, NHL, desce uma chuva de glitter aí! O All-Star Game da temporada 2021/2022, primeiro desde o início da pandemia da COVID-19, será realizado em Las Vegas no final de semana dos dias 04 e 05 de fevereiro. As luzes da Cidade do Pecado vão brilhar para as estrelas do hockey. 

    Pela primeira vez na história da franquia, o Vegas Golden Knights será o anfitrião do evento, e promete trazer um verdadeiro espetáculo para dentro da T-Mobile Arena. Na sexta-feira (04) será realizado o evento de habilidades, com disputas de velocidade, habilidade, precisão e força física. Já a partida em si, disputada na modalidade 3-on-3, será realizada no sábado (05).

    Os capitães foram escolhidos através do voto dos torcedores, com uma votação que durou de 11 de dezembro de 2021 a 06 de janeiro de 2022. O roster inicial foi anunciado em 13 de janeiro deste ano, com os “Last Men In”, jogadores selecionados pelo público para compor o elenco. 

    Já os técnicos selecionados foram Rod Brind’Amour, do Carolina Hurricanes, para a Divisão Metropolitana, Andrew Brunette, do Florida Panthers, para o time da Divisão Atlântica, Jared Bednar, do Colorado Avalanche, para a Divisão Central, e Peter DeBoer, do Vegas Golden Knights, para a Divisão Pacífica.

    A EQUIPE DA DIVISÃO METROPOLITANA

    Jogador Equipe
    Sebastian Aho Carolina Hurricanes
    Claude Giroux Philadelphia Flyers
    Jake Guentzel* Pittsburgh Penguins
    Jack Hughes New Jersey Devils
    Chris Kreider New York Rangers
    Alex Ovechkin (C) Washington Capitals
    Adam Fox New York Rangers
    Adam Pelech New York Islanders
    Zach Werenski Columbus Blue Jackets
    Frederik Andersen Carolina Hurricanes
    Tristan Jarry Pittsburgh Penguins 

    Dentre os escolhidos, Guentzel, Hughes, Fox e Pelech farão sua estreia no evento, tendo sido selecionados como All Stars pela primeira vez neste ano. Por outro lado, o mais veterano no elenco é Alex Ovechkin, que participa de seu oitavo ASG.

    *votado na modalidade Last Men In

    A EQUIPE DA DIVISÃO ATLÂNTICA

    Jogador Equipe
    Drake Batherson Ottawa Senators
    Patrice Bergeron Boston Bruins
    Jonathan Huberdeau Florida Panthers
    Dylan Larkin Detroit Red Wings
    Auston Matthews (C) Toronto Maple Leafs
    Steven Stamkos* Tampa Bay Lightning
    Nick Suzuki Montreal Canadiens
    Rasmus Dahlin Buffalo Sabres
    Victor Hedman Tampa Bay Lightning
    Jack Campbell Toronto Maple Leafs
    Andrei Vasilevskiy Tampa Bay Lightning

    Dentre os escolhidos, Batherson, Suzuki, Dahlin e Campbell farão sua estreia no evento, tendo sido selecionados como All Stars pela primeira vez neste ano. Por outro lado, o mais veterano no elenco é Steven Stamkos, que participa de seu sétimo ASG.

    *votado na modalidade Last Men In

    A EQUIPE DA DIVISÃO CENTRAL

    Jogador Equipe
    Kyle Connor Winnipeg Jets
    Alex DeBrincat Chicago Blackhawks
    Nazem Kadri* Colorado Avalanche
    Kirill Kaprizov Minnesota Wild
    Clayton Keller Arizona Coyotes
    Jordan Kyrou St. Louis Blues
    Nathan MacKinnon (C) Colorado Avalanche
    Joe Pavelski Dallas Stars
    Cale Makar Colorado Avalanche
    Juuse Saros Nashville Predators
    Cam Talbot Minnesota Wild

    Dentre os escolhidos, Connor, DeBrincat, Kadri, Kaprizov, Kyrou, Makar, Saros e Talbot farão sua estreia no evento, tendo sido selecionados como All Stars pela primeira vez neste ano. Por outro lado, os mais veteranos no elenco são Nathan MacKinnon e Joe Pavelski, que participam de seu quarto ASG.

    *votado na modalidade Last Men In

    A EQUIPE DA DIVISÃO PACÍFICA

    Jogador Equipe
    Leon Draisaitl Edmonton Oilers
    Jordan Eberle Seattle Kraken
    Johnny Gaudreau Calgary Flames
    Adrian Kempe Los Angeles Kings
    Connor McDavid (C) Edmonton Oilers
    Timo Meier San Jose Sharks
    Mark Stone Vegas Golden Knights
    Troy Terry* Anaheim Ducks
    Alex Pietrangelo Vegas Golden Knights
    John Gibson Anaheim Ducks
    Thatcher Demko Vancouver Canucks

    Dentre os escolhidos, Kempe, Meier, Stone, Terry e Demko farão sua estreia no evento, tendo sido selecionados como All Stars pela primeira vez neste ano. Por outro lado, o mais veterano no elenco é Connor McDavid, que participa de seu quinto ASG. 

    *votado na modalidade Last Men In

    A TRANSMISSÃO NO BRASIL

    No Brasil o All Star Game de 2022 terá transmissão dos canais Disney através do Star+. A competição de habilidades ocorrerá na sexta-feira, dia 04, às 21h30 horário de Brasília, enquanto o jogo será no sábado, dia 05, às 17h30.

    Foto: NHL.com/Reprodução

  • Sobre liberdade de expressão, preconceito e outras reflexões

    Sobre liberdade de expressão, preconceito e outras reflexões

    Na primeira semana do ano foi noticiado que um jogador de hockey de 19 anos, Keegan Mitchell do Sherwood Metros, havia sido suspenso por ter violado a política de mídias sociais da liga Hockey P.E.I. (Prince Edward Island). De acordo com o relato do próprio jogador, um de seus companheiros de equipe foi vítima de comentários racistas — mais precisamente anti-asiáticos —, por parte de um dos adversários do Kensington Vipers. 

    Em resposta à situação, Mitchell confrontou o jogador e deu-lhe um slashing nas pernas, motivo pelo qual recebeu uma punição — justa, segundo o próprio jogador —, de duas partidas pelo ato violento. Embora exista nas regras a previsão de uma suspensão automática de cinco jogos para casos de racismo, segundo estabelecido pelo Hockey Canada, tal punição só pode ser aplicada se a equipe de arbitragem ouvir este tipo de ofensa. 

    No caso em tela, isto não ocorreu, o que gerou um sentimento de insatisfação em Mitchell. Assim, o jogador fez uma reclamação pública quanto à decisão em suas redes sociais, o que violaria o código de mídias sociais da organização. A punição, nestes casos, não tem um prazo específico. Esta não foi a primeira vez que uma situação semelhante aconteceu em partidas da Hockey P.E.I.

    Em novembro, o jogador Mark Connors foi vítima de outro episódio racista em uma partida organizada na região. O atleta declarou que acredita que a organização responsável está demorando demais nos procedimentos investigativos do caso. Quanto maior o lapso temporal, como bem sabemos, maiores as chances de impunidade em casos assim. 

    Por isso convido você para uma reflexão sobre as nuances do limite entre a liberdade de expressão do jogador do Sherwood Metros frente às políticas da liga do qual ele participa. Do outro lado, uma questão que vive sempre na sombra não só do hockey, bem como da maioria dos esportes: o racismo. 

    De acordo com o dicionário de Oxford, “liberdade de expressão” significa “o direito de um indivíduo manifestar quaisquer opiniões em público”. Nos Estados Unidos ela está presente na famigerada primeira emenda da Constituição Americana, enquanto no Brasil figura no artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal de 1988. No Canadá, onde os fatos narrados ocorreram, ela está prevista na seção 2(b) da  Carta Canadense de Direitos e Liberdades.

    A razão histórica deste direito é especialmente atrelada à existência de uma imprensa livre, possibilitando que os jornalistas forneçam notícias sem a influência de grupos políticos ou do governo. Entretanto, tal proteção também contribui para que o indivíduo consiga obter a verdade através de uma troca honesta de ideias, bem como atingir sua dignidade humana através do pensamento individual de cada um. 

    Existem, é claro, limites. No caso do Canadá, campanhas de ódio estão incluídas entre as razões pelas quais a liberdade de expressão pode ser limitada, com o intuito de proteger indivíduos ou grupos que correriam riscos por conta da situação. Isto me leva ao segundo tópico presente na história: o racismo. 

    No caso em tela, o jogador da equipe de Sherwood foi vítima de comentários anti-asiáticos, cuja incidência cresceu de forma alarmante especialmente depois do início da pandemia do COVID-19, cujos primeiros casos iniciaram-se na China. Nos Estados Unidos, por exemplo, os crimes de ódio e ataques contra asiáticos incluíram diversas formas de violência e até mesmo um tiroteio em Atlanta que deixou oito mortos em março do ano passado. 

    Tratando-se do hockey, não é segredo para ninguém que o esporte é majoritariamente branco, e que as decisões envolvendo suas ligas são tomadas, em sua esmagadora maioria , por homens brancos de meia idade que possuem laços, sejam eles profissionais ou familiares, com outros homens em situações semelhantes de poder no mundo do hockey. 

    Com isso, episódios envolvendo racismo — como recentemente na Ucrânia —, continuam acontecendo no esporte. Além disso, situações envolvendo xenofobia e homofobia acontecem  na NHL, fazendo um contraste com o slogan “Hockey is for everyone”. Se o objetivo de implementar campanhas de inclusão e erradicar o bullying e o preconceito no esporte, por que uma manifestação de descontentamento com a forma como uma investigação foi conduzida é censurada?

    Veja bem, não posso afirmar que os comentários de Mitchell foram bem construídos ou tampouco que seus argumentos foram baseados em insultos ou ofensas, tendo em vista que não encontrei evidência dos tais posts em nenhum lugar. Entretanto, é necessário discutir a necessidade de uma mudança de paradigma na forma como a comunidade do hockey lida com este tipo de situação.

    As repercussões da impunidade estão muito claras em casos como o de Kyle Beach [n/a: alerta de gatilho se você for acessar esta reportagem], onde todos, ou ao menos quase todos os envolvidos colocaram a conquista da Stanley Cup acima da integridade física e psicológica de um ser humano. Muito embora a responsabilização tenha sido alcançada, ainda que mais de uma década depois do fato, o caminho até chegar neste ponto foi doloroso e vitimizou mais jovens.

    A masculinidade tóxica dos esportes profissionais faz com que ninguém queira se pronunciar sobre comportamentos abusivos. No hockey, este sentimento é ainda mais perceptível, com a ideia de que os jogadores são quase robôs, que só pensam em colocar o puck no fundo do gol e em mais nada. Eles dirigem os mesmos carros, usam os mesmos ternos e se casam com as mesmas mulheres, têm 2.5 filhos e se tornam parte do front office  ou da imprensa depois da aposentadoria. 

    O sistema expurga quaisquer resquícios de humanidade, fazendo com que esses jogadores sejam apenas máquinas que servem para um propósito acumulativo nas organizações às quais pertencem [n/a: a nossa querida Gaby (@hockeynuisance) falou sobre isso no episódio do podcast no qual conversamos com ela, que você pode ouvir aqui no original e aqui na versão em português]. Expressar personalidade, portanto, torna-se tabu. Ao mesmo tempo, os jogadores são ensinados a colocar a necessidade de vencer acima de tudo, inclusive de possíveis valores morais. 

    No vídeo acima, por exemplo, temos Connor McDavid dando uma resposta sobre a possível contratação de Evander Kane por parte da equipe da qual ele é capitão, o Edmonton Oilers. Precisamos notar também que a grande maioria das pessoas que acompanham a Liga têm McDavid também como o melhor jogador em atividade e a principal e mais importante face do esporte. Ele é basicamente o cartão de visitas da NHL enquanto liga e do hockey no gelo enquanto esporte.

    Ao diminuir as preocupações da torcida acerca da possibilidade de terem um indivíduo que apresentou um cartão de vacinas falso e está sendo investigado por várias formas de abuso e violência contra sua ex-esposa (uma das alegações é a de que o jogador supostamente a ameaçou com uma arma de fogo), McDavid demonstra não ter empatia. Afinal, foi justamente a necessidade de colocar o sucesso do time acima da dignidade de uma vítima que gerou 11 anos de impunidade com relação ao Chicago Blackhawks.

    Então, retornando ao caso que abriu este artigo, poder criticar abertamente uma situação com a finalidade de evitar a impunidade não seria uma coisa positiva? O objetivo não é, portanto, alcançar alguma forma de responsabilização? Além disso, como podemos esperar que seja construída uma cultura positiva quando o órgão que deveria proteger e investigar reprime questionamentos? 

    O direito de poder se expressar livremente é uma das grandes conquistas do Estado democrático de direito. Por isso, utilizá-lo para promover a inclusão de grupos minoritários e promover os direitos humanos é concretizar ainda mais a sua função social dentro da democracia, visando, acima de tudo, a dignidade da pessoa humana. 

    Ele torna-se, portanto, uma ferramenta de mudança muito importante. Porém, até que o cultivo de empatia e o fim da impunidade atinjam o hockey em cheio, o slogan “Hockey is for everyone” não vai deixar de ser apenas uma tentativa de capitalizar em cima de grupos minoritários, sem gerar impacto real nas suas comunidades. 

     

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

  • Surtos de COVID adiantam pausa de Natal e encerram o sonho olímpico da NHL

    Surtos de COVID adiantam pausa de Natal e encerram o sonho olímpico da NHL

    Com a variante omicron se espalhando rapidamente pela Europa, bem como pela América do Norte e o resto do mundo, a situação na NHL não poderia ser diferente. Em dezembro equipes como o Colorado Avalanche, o Calgary Flames e o Florida Panthers foram obrigadas a pausarem as suas atividades devido a surtos de COVID em integrantes das organizações, sejam eles jogadores, da comissão técnica ou demais funcionários. 

    A pausa dos jogos

    Como consequência, em 18 de dezembro a NHL estabeleceu um novo protocolo de COVID, mais restritivo e até então previsto de ser revisto em janeiro. As medidas constatadas no novo protocolo incluíam testagem diária, medidas de isolamento social e restrições de circulação para os jogadores quando eles não estiverem em casa, no hotel ou no gelo. 

    Entretanto, os surtos não pararam. Apenas na segunda quinzena de dezembro, a NHL pausou as atividades de Columbus Blue Jackets, Montreal Canadiens, Boston Bruins, Nashville Predators, Detroit Red Wings e Toronto Maple Leafs, além dos já citados Avalanche, Flames e Panthers. 

    Em razãp do alastramento da doença nas equipes e o decorrente adiamento de diversos dias de partidas, na segunda-feira dia 20 de dezembro a Liga anunciou que interromperia a temporada dois dias antes da data planejada para a pausa de Natal. De acordo com o planejado, os jogos irão retornar no dia 27 de dezembro. 

    É importante lembrar que a NHL teve uma adesão altíssima à vacinação. Apenas um único jogador, o canadense Tyler Bertuzzi do Detroit Red Wings, persistiu em recusar o imunizante. 

    O fim do sonho olímpico

    O alto número de adiamentos em decorrência dos surtos de COVID nos times resultou em uma notícia muito triste para os atletas que sonhavam com Pequim 2022. Devido às diversas infecções em muitas equipes diferentes, a NHL decidiu abrir mão de liberar seus jogadores para a competição internacional.

    A promessa, incluída no último acordo coletivo, envolvia uma condição que estipulava que uma eventual participação não poderia prejudicar a temporada da Liga. Desta forma, a NHL pretende usar as semanas correspondentes à pausa olímpica para fazer as partidas adiadas.

    O capitão da seleção canadense na última conquista de ouro para o país, Sidney Crosby, falou sobre estar desapontado com a situação. Em declaração durante essa semana, Crosby falou sobre a situação de jogadores importantes que ainda não tiveram a oportunidade de defender seus países na competição. 

    Nomes como Connor McDavid e Nathan MacKinnon no Canadá, Auston Matthews nos Estados Unidos e Leon Draisaitl na Alemanha, são estrelas na NHL mas ainda não disputaram Olimpíadas. Para eles, Milão-Cortina 2026 ainda é uma opção. Por outro lado, Crosby pode não ter a mesma sorte, já que “Sid the Kid” terá 38 anos quando os próximos jogos acontecerem. 

     

    Foto: Reprodução/Japan Times

  • Team Trans disputa partidas após a Trans Awareness Week

    Team Trans disputa partidas após a Trans Awareness Week

    Na última semana, entre os dias 13 e 19 de novembro, tivemos a Transgender Awareness Week, movimento criado para visibilizar as questões da população transgênera e sua comunidade em geral. Ontem, dia 20, comemorou-se o Dia da Lembrança Transgênera (TDOR, na sigla em inglês), para honrar as pessoas perdidas pela violência à comunidade. 

     

    Em comemoração às datas, o Team Trans compete na Friendship Series contra a Madison Gay Hockey Association. Inaugurado em 2019, o time começou em partidas contra o Boston Pride, da PHF. Acredita-se que o Team Trans seja a única equipe esportiva formada inteiramente por pessoas transgêneras nos Estados Unidos. 

     

    Neste final de semana o time enfrenta a Madison Gay Hockey Association, que se autodenomina “maior associação queer de hockey no mundo”. Jogadores do Team Trans viajaram de diversos lugares para a partida, dentre eles EUA, Canadá e Japão, com todas as suas despesas pagas através de doações. 

     

    Durante tempos em que falamos muito sobre representatividade e com o slogan “Hockey é para todos” vendido pela NHL, iniciativas como a do Team Trans são fundamentais para a construção de um esporte mais inclusivo e receptivo a todos, todas e todes. 

     

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

     

  • O caos em torno de Evander Kane

    O caos em torno de Evander Kane

    A carreira de Evander Kane, muito embora bem sucedida no gelo, não é estranha às turbulências. Afinal, o jogador já teve problemas de relacionamento com seus companheiros de time no Winnipeg Jets, foi processado por crimes sexuais em Buffalo e depois teve o caso arquivado e também processado por supostamente não cumprir um acordo financeiro depois que uma ex-parceira supostamente interrompeu uma gravidez sob sua orientação. 

    O canadense já passou pelas equipes do Atlanta Thrashers (que o draftou), Winnipeg Jets, Buffalo Sabres e San Jose Sharks. Nessas equipes ele atingiu 769 partidas na NHL, com 264 gols e 242 assistências em 13 anos de carreira. Entretanto, 2021 trouxe mais confusões envolvendo o jogador, que resultaram em sua suspensão por 21 jogos.

    KANE DECLARA FALÊNCIA

    No início deste ano foi reportado pelo The Athletic que o jogador teria uma dívida de mais de 27 milhões de dólares. Além disso, seria polo passivo em pelo menos seis procedimentos jurídicos e administrativos diferentes envolvendo instituições financeiras. Por causa das dívidas, o atleta havia declarado falência na corte federal de San Jose. Segundo as informações apuradas, a fonte do endividamento incluía milhões em dívidas de jogo, indenizações processuais e despesas de sete dependentes. 

    AS ACUSAÇÕES FEITAS PELA ESPOSA DO JOGADOR

    Em julho, através de posts em suas redes sociais, a esposa do canadense, Anna, fez fortes alegações contra Kane. Primeiramente ela afirmou que ele a havia deixado com os dois filhos pequenos para tirar férias na Europa. De acordo com ela, a casa da família estava sendo tomada pelo banco neste período. Porém, foram as informações alegadas por Anna acerca do principal motivo do endividamento do jogador que mobilizaram a NHL. Segundo ela, seu marido apostava nos próprios jogos. Kane negou tais afirmações.

    Após uma investigação conduzida pela Liga em conjunto com o escritório Patterson Belknap Webb & Tyler LPP, as acusações de que Kane “entregava” jogos não tiveram evidências que apontassem que aquilo que foi dito fosse verdade. Entretanto, esta não foi a única das acusações, já que Anna Kane também acusou o marido de abusos sexuais e violência doméstica, requerendo uma medida protetiva na justiça para manter o jogador a determinada distância dela e de sua filha. 

    A VIOLAÇÃO DO PROTOCOLO DE COVID-19

    A mais recente confusão na qual Kane se envolveu fez com que ele fosse suspenso por 21 jogos na NHL. Muito embora a informação oficial declare que ele foi suspenso por violar os protocolos de COVID-19 da NHL e da NHLPA, a ESPN apurou que o motivo pode ter sido a apresentação de um certificado de vacina falso. O primeiro jogo para o qual Kane poderá estar disponível será a partida de 30 de novembro de 2021, contra o New Jersey Devils.

    E AGORA?

    Segundo uma reportagem da Forbes, o contrato do jogador não pode ser anulado pelo San Jose Sharks, mesmo com todas as questões extra-gelo. Isso porque não existiu uma quebra material do contrato dele, já que, em teoria, ele poderia continuar exercendo os serviços lá estabelecidos, no caso, jogar hockey. O uso de um cartão de vacinação falso tampouco permite que os Sharks terminem o contrato por conta da cláusula moral. Afinal, seria muito difícil ter esse argumento acatado por um juiz ou árbitro, muito embora mentir sobre seu status de vacinação seja objetivamente uma coisa errada. 

    Evander Kane está no quarto ano de um contrato que tem sete de duração, avaliado em 49 milhões de dólares, com uma cláusula modificada de não-troca. Devido a este item contratual, o jogador envia uma lista de três times para os quais ele poderá ser trocado. Com mais três anos de um valor anual de sete milhões de dólares, Kane não é uma moeda de troca fácil para os Sharks, e a cláusula que limita para quais times ele pode ser transferido diminui ainda mais as possibilidades de mercado para San Jose. Com a questão da vacinação e dos protocolos de COVID-19 em prática, a falta de conformidade com as regras sanitárias dificultam mais ainda a vida dos Sharks.

  • Jessica Platt anuncia aposentadoria

    Jessica Platt anuncia aposentadoria

    Nesta sexta-feira, 10, a jogadora de hockey Jessica Platt anunciou o fim de sua carreira. A canadense fez história ao se tornar a primeira mulher trans a jogar na agora extinta Canadian Women’s Hockey League (CWHL), na qual defendia o Toronto Furies. Ela foi apenas a segunda pessoa competindo em uma liga feminina a se declarar trans, após o jogador Harrison Browne se tornar o primeiro na então National Women’s Hockey League (NWHL).

    A trajetória até a carreira profissional

    A canadense cresceu em Sarnia, na província de Ontário, uma cidade conhecida por sua equipe de major juniors, o Sarnia Stingers. A atleta cresceu assistindo a jogos dos Stingers, além de ter frequentado um colégio católico da cidade e jogado hockey por ele, inclusive tendo a oportunidade de treinar no rinque da equipe da Ontario Hockey League (OHL). 

    As questões sobre sua identidade de gênero começaram a surgir durante o ensino médio. Platt decidiu iniciar o tratamento de reposição hormonal após o fim do colegial. A canadense começou sua transição médica em 2012, e se formou na Wilfrid Laurier University em 2014. O caminho até a CWHL incluiu uma passagem pela Lambton Ladies Hockey League até ser draftada em 2016 pelo Toronto Furies, na 61ª posição. 

    Fazendo história em Toronto e a vida pós CWHL

    Platt foi draftada inicialmente como defensora em 2016 e fez quatro aparições em sua primeira temporada na CWHL. Na sua segunda temporada ela migrou de posição, se tornando atacante, e teve 27 aparições na temporada. Neste mesmo ano, em janeiro de 2018, ela fez um post em seu Instagram onde revelava que era uma mulher trans. Apenas meses depois, a canadense foi eleita uma das mulheres mais influentes de seu país.

    Platt disputou mais uma temporada pelo Toronto Furies, em 2018/2019, antes da equipe se desfazer, com o fim da CWHL. No ano seguinte ela se juntou à Professional Women’s Hockey Players Association (PWHPA). A trajetória da jogadora virou capítulo de um livro escrito pelo célebre jornalista Bob McKenzie, “Everyday Hockey Heroes Volume II”, com o título “Simply A Hockey Player” (simplesmente uma jogadora de hockey, em tradução livre). 

    Jessica Platt e seu caminho até o hockey profissional são um exemplo, tendo em vista que ela foi apenas a segunda pessoa trans a disputar uma liga profissional de hockey na América do Norte, depois do também canadense Harrison Browne. Sua contribuição à comunidade LGBTQIA+ ficará para sempre marcada na história do esporte. Assim, o NHeLas deseja uma excelente aposentadoria à agora ex-jogadora e também muito sucesso em seus futuros projetos.

    Foto: Reprodução/Sportsnet.ca

  • Lituânia, Eslováquia e Dinamarca se classificam para as Olimpíadas

    Lituânia, Eslováquia e Dinamarca se classificam para as Olimpíadas

    Neste domingo (29), três dos representantes europeus do hockey masculino já marcaram seu bilhete para as Olimpíadas de Inverno de Pequim em 2022. Lituânia, Eslováquia e Dinamarca conquistaram a classificação nas eliminatórias da International Ice Hockey Federation (IIHF). Embora a NHL ainda não tenha confirmado a ida de seus jogadores para a competição internacional, muitos deles ajudaram suas seleções a conquistarem a vaga.

    A Lituânia foi a primeira classificada, com uma vitória de 2-1 sobre a França, e competirá nos jogos olímpicos pela quinta vez em seis edições, já que perdeu os últimos jogos, em 2018. Atuando em casa, na Arena Riga, Rihards Bukarts e Miks Indrasis anotaram gols pela equipe. O gol da França foi marcado por Stephane da Costa no final da partida e com certeza gerou palpitações na torcida local. O ponto, no entanto, não foi o bastante para tirar a classificação da Lituânia.

    Ademais, a Eslováquia também se classificou no gelo de casa, em Bratislava. Em uma partida contra Belarus, os eslovacos venceram por 2-1 com um gol de empty net de Libor Hudacek. Com as emoções à flor da pele, o defensor belarusso Sergei Sapego aplicou um checking por trás no eslovaco Juraj Slafkovsky e foi expulso da partida com 4:05 minutos. Ainda assim, a equipe de Belarus foi competitiva, mas não resistiu ao ataque eslovaco. 

    Por fim, a Dinamarca venceu os também escandinavos da Noruega por 2-0. Com essa vitória, os dinamarqueses se classificaram para os jogos de inverno pela primeira vez desde 1946, ou seja, em 75 anos. Contando com atuações de destaque de Frederik Storm, que fez o gol da vitória, e do goleiro Sebastian Dahm, que fez 26 defesas, a Dinamarca realizou um feito histórico. 

    Após as classificações de hoje os grupos para os Jogos Olímpicos de Pequim já estão definidos:

    (Fonte: IIHF.com/ Reprodução)

    O hockey olímpico começará no dia 04 de fevereiro e terá sua final no dia 20 de fevereiro. As arenas oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 são o Beijing National Indoor Stadium e a Wukesong Arena.

    Foto: Reprodução/Reuters