Autor: Marina Garcez

  • Patrick Marleau está de volta ao San Jose Sharks

    Patrick Marleau está de volta ao San Jose Sharks

    O veterano canadense está de volta ao Shark Tank! Após ser trocado pelo Toronto Maple Leafs para o Carolina Hurricanes, a equipe da divisão metropolitana fez o buy out do terceiro e último ano do contrato de Patrick Marleau, que se tornou um free agent. Depois de alguns meses sem contrato, foi confirmado hoje que o atleta estará de volta ao San Jose Sharks para esta temporada 2019/2020. Ela será a 22ª temporada do canadense na NHL, que fez 40 anos de idade em setembro.

    Com um cap hit de 700 mil dólares, pouco mais do que o mínimo exigido pela Liga, Patrick Marleau deve contribuir para o bottom six da equipe californiana. Além disso, o veterano é uma figura importante no quesito liderança, especialmente após a saída de Joe Pavelski para o Dallas Stars. No mais, além das razões desportivas, Marleau visava um retorno à Costa Oeste dos Estados Unidos por motivos familiares, já que sua família reside na Califórnia. 

    De jovem promessa a uma figura de liderança

    Patrick Marleau se destacou na Western Hockey League atuando pelo Seattle Thunderbirds, tendo sido draftado pelo San Jose Sharks em segundo lugar no draft de 1997. Curiosamente a primeira escolha foi Joe Thornton, escolhido pelo Boston Bruins, que viria a ser um companheiro de longa data de Marleau nos Sharks. Como Marleau nasceu na data limite de elegibilidade para o draft no seu ano, ele é possivelmente a pessoa mais jovem a atuar em um jogo da Liga. 

    Ademais, conforme foi ganhando experiência na NHL o canadense se tornou um exemplo em liderança, tendo sido o capitão dos Sharks entre 2003 e 2009. Além disso, o currículo do jogador conta com dois ouros olímpicos (Vancouver em 2010 e Sochi em 2014), além de um ouro na Copa do Mundo de 2004 e um ouro e uma prata em mundiais da IIHF. O item faltante na estante de troféus de Marleau é, sem dúvidas, a Stanley Cup.

    Foi com o troféu em mente que ele deixou os Sharks em 2017 como free agent para assinar com o Toronto Maple Leafs. No Canadá o impacto de Marleau foi para muito além do rinque, já que ele assumiu o papel de mentor para Auston Matthews e Mitch Marner, as duas jovens estrelas da equipe. Ironicamente, os novos contratos dos dois foram a maior razão pela qual o veterano foi trocado, já que seu salário não caberia mais na folha salarial dos Leafs. Após eliminações seguidas para o Boston Bruins mudanças precisaram ser feitas, e Marleau foi trocado para os Hurricanes. 

    Um verdadeiro homem de ferro

    Além de seu talento como jogador, o atleta também é conhecido notoriamente por sua durabilidade e saúde. Afinal, ele detém o recorde da sexta maior sequência de partidas jogadas na história da Liga, e a maior em atividade, com 788 jogos consecutivos. Uma das razões pelas quais San Jose e o atleta assinaram o contrato apenas na quarta-feira (09/10) foi com o intuito de manter a sequência ativa. Isto porque os jogos anteriores não contabilizam como não disputados por Marleau, já que ele não tinha contrato com a equipe. 

    Além de sua iron man streak, Marleau detém diversos recordes na história da franquia californiana. Dentre elas, a liderança em jogos disputados (1.493), gols (508) e pontos (1,082). Por sua versatilidade, já que pode atuar tanto na ala esquerda quanto como central, o veterano será importante na temporada que pode ser um dos últimos suspiros dos Sharks nos playoffs. Com um elenco envelhecido e com longos contratos, as chances de ganharem a primeira Stanley Cup na história da equipe se torna um sonho cada vez mais distante. 

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

  • Divisão Pacífico: Previsão temporada 2019/2020

    Divisão Pacífico: Previsão temporada 2019/2020

    Esse é o terceiro texto da nossa série de previsões para a temporada de 2019/2020. Não deixe de ler sobre a Divisão Metropolitana e Central.

    A divisão do Pacífico está sofrendo uma mudança em sua configuração em relação aos últimos anos. Isto porque as últimas equipes a conquistar a Stanley Cup (Los Angeles, Anaheim e Edmonton) devem acabar na parte de baixo da tabela de classificação. Para os Oilers, não se trata de novidade, já que a equipe canadense teve dificuldade para emplacar boas campanhas neste século. Quanto aos californianos, Kings e Ducks estão passando por um processo de reconstrução, já que a idade chegou para seus elencos vitoriosos.

    No outro pólo temos os Canucks e Coyotes, que devem competir por uma vaga nos playoffs e que já têm suas estrelas do futuro. O San Jose Sharks se encontra no meio do caminho, com um elenco experiente, porém ainda competitivo, mas que nunca ergueu a copa prateada. Com estrelas mais jovens, mas por sua vez mais preparadas, o Calgary Flames é um candidato forte ao título da divisão.

    Por fim, o bebê da liga, Vegas Golden Knights. A equipe de Nevada é um exemplo de sucesso enquanto franquia de expansão, e ainda é favorita para ter uma campanha longa na pós temporada. Com isso em mente, vamos discutir os destaques de cada um dos integrantes da divisão pacífica. 

    ANAHEIM DUCKS

    A equipe californiana perdeu um integrante importante da história da franquia, já que Corey Perry agora é jogador do Dallas Stars. Entretanto, peças jovens e promissoras estão dando continuidade ao processo de remontada do clube. A necessidade de sangue novo também vem dos problemas de saúde de veteranos importantes como Ryan Kesler e Patrick Eaves. Ambos estão fora da temporada com a possibilidade de não atuarem mais no hockey profissional. 

    O center Sam Steel estará em sua segunda temporada como profissional e será peça fundamental no rejuvenecimento do lineup dos Ducks. Além dele, os veteranos Getzlaf e Henrique ainda devem contribuir enquanto centrais. Nas wings temos nomes como Rickard Rakell, Jakob Silfvberg e Troy Terry, que devem contribuir para o ataque da equipe.

    Além disso, prospects como Maxime Comtois devem receber chances durante a temporada. A defesa, por sua vez, perdeu Brandon Montour, trocado para o Buffalo Sabres. No entanto, conta com Cam Fowler, Hampus Lindholm e Josh Manson com bons contratos. No gol, Anaheim tem um dos nomes cotados para competir pelo Vezina, John Gibson, além do experiente Ryan Miller. 

    Os Ducks também têm uma novidade no banco de reservas: o técnico Dallas Eakins. Ele foi promovido do San Diego Seagulls, afiliado da AHL (American Hockey League), no final da temporada. Após a demissão do técnico Randy Carlisle em fevereiro, o GM Bob Murray foi seu substituto de forma interina até a off-season. A missão de Eakins é levar os Ducks de volta aos playoffs, já que na última pós temporada a equipe ficou de fora pela primeira vez desde 2012. 

    ARIZONA COYOTES

    Phil Kessel durante coletiva de imprensa

    Os Yotes tiveram uma off-season movimentada, já que adquiriram Phil Kessel dos Penguins. O winger pode ser o diferencial que faltava na corrida por uma vaga na pós-temporada. Ano passado, a equipe do Arizona terminou a poucos pontos do Colorado Avalanche, último a conseguir uma vaga de wildcard

    Outro jogador que poderá ter um grande impacto no time é Nick Schmaltz, adquirido junto ao Chicago Blackhawks e que teve seu contrato renovado até 2025/2026. O center teve uma lesão no joelho em dezembro que o tirou do resto da temporada, mas tem potencial para ser o central da primeira linha dos Coyotes este ano.

    Além disso, Clayton Keller também renovou com a equipe até 2025/2026, antes de chegar ao status de restricted free agent. O ataque de Arizona ainda conta com nomes como Derek Stepan, Michael Grabner, Christian Dvorak e Brad Richardson. 

    Já na defesa, o capitão Oliver Ekman-Larsson é o principal nome, juntamente com o multicampeão Niklas Hjalmarsson e o jovem Jakob Chychrun. Este último precisa mostrar a que veio, já que teve os primeiros anos de sua carreira profissional atrapalhados por lesões. No gol, os Coyotes contam com a dupla Antti Raanta e Darcy Kuemper. A temporada da equipe também depende muito da atuação e, principalmente, saúde de ambos. 

    CALGARY FLAMES

    A equipe canadense deixou a desejar na última pós-temporada, perdendo para o Colorado Avalanche em cinco partidas. Entretanto, o GM Brad Treliving conseguiu assinar um contrato “razoável” com uma de suas estrelas, o winger Matthew Tkachuk, que era RFA. Ganhando $7 milhões, o americano é o jogador mais bem pago do elenco, recaindo sobre ele uma grande responsabilidade.

    Além disso, nomes como Elias Lindholm, Mikael Backlund e o superstar Johnny Gaudreau, além do competente center Sean Monahan, fazem dos Flames um dos favoritos para conquistar a sua divisão. Outrossim, o bottom six dos Flames deverá ser composto por alguns dos prospects como, por exemplo, Derek Ryan, Dillon Dube, Andrew Mangiapane e Austin Czarnik. A surpresa do training camp foi Tobias Reider, ex-Oilers, que impressionou o clube e assinou contrato de um ano. 

    O capitão Giordano vem da melhor temporada de sua carreira e forma  defesa juntamente com jovens como Noah Hanifin, Ramus Andersson e Oliver Kylington. No gol David Rittich é tido como o titular, mas a equipe trouxe Cam Talbot para compor a dupla de arqueiros e pressionar o tcheco. 

    Além disso, o Calgary Flames e seu arquirrival, o Edmonton Oilers, fizeram parte de uma troca no mínimo curiosa. Milan Lucic e seu contrato monstruoso foram para os Flames (e talvez seu afiliado na AHL), enquanto James Neal foi mandado para Edmonton após uma temporada decepcionante em Calgary.

    EDMONTON OILERS

    Connor McDavid, capitão do Edmonton Oilers

    Durante muito tempo, os erros em Edmonton foram creditados a um nome: Peter Chiarelli. Agora, com Ken Holland à frente, os Oilers precisam se reestabelecer como uma equipe forte o bastante para os playoffs. Para isto, têm em David Tippet um novo técnico. Além disso, Connor McDavid está no segundo ano de seu contrato multimilionário e no auge de sua forma física. Entretanto, a equipe não pode depender apenas dele e de Leon Draisaitl, cujo contrato de 8 milhões parece uma barganha agora que o jogador teve uma temporada de 50 gols. 

    Com Ryan Nugent-Hopkins em seu último ano antes da free agency, a hora dos Oilers investirem em pontuadores secundários é agora. Após o drama envolvendo Jesse Puljujarvi, a equipe de Edmonton espera que James Neal consiga produzir em um novo sistema ao lado de dois dos melhores jogadores da NHL. Além disso, a equipe deve aproveitar os waivers deste início de temporada para conseguir peças para composição de seu elenco sem precisar se desfazer de picks ou prospects.

    Na defesa, nomes como Darnell Nurse, Adam Larsson e Oskar Klefblom serão essenciais, com prospects como Caleb Jones, Ethan Bear e Evan Bouchard correndo para conseguirem uma vaga na equipe. Já no gol, outra troca, ainda que não direta, com os Flames. Enquanto Talbot será um Flame, Mike Smith deverá disputar a vaga da posição com Mikko Koskinen. 

    A temporada tem tudo para ser um divisor de águas na era McDavid, que já se fez transparecer bastante frustrado com a falta de competitividade de sua equipe. Será que ele pedirá para ser trocado caso o time tenha outra temporada decepcionante? Além disso, precisamos de estrelas como McDavid nos playoffs para o bem da NHL, afinal se trata do melhor jogador da atualidade. 

    LOS ANGELES KINGS

    Quando se ganha duas Stanley Cups em três anos, a torcida tende a ser mais permissiva com um elenco envelhecido. No caso dos Kings, que ganharam seu segundo troféu há cinco anos, a paciência já está diminuindo. Com os principais nomes das campanhas vitoriosas já na segunda metade de suas carreiras, o rebuild de LA é mais discreto do que das demais equipes da liga.

    Veteranos como Anze Kopitar, Jeff Carter, Ilya Kovalchuk, Dustin Brown e Tyler Toffoli ainda têm gasolina em seus tanques. Entretanto, o bottom six deverá ter algum nome novo, como Jaret Anderson-Dolan, Rasmus Kupari ou Gabriel Vilardi. A escolha de primeiro round deste ano, Alex Turcotte, irá jogar hockey universitário pela Universidade de Wisconsin, mas pode ser um elemento surpresa interessante quando sua temporada acabar. 

    Além dos prospects, jogadores secundários como Alex Iafallo e Adrian Kempe também precisarão produzir mais. A defesa, liderada por Drew Doughty, também conta com Alec Martinez, cujo nome é frequentemente especulado em trocas, além de Ben Hutton e Joakin Ryan. A equipe californiana fez o buyout do contrato do veterano Dion Phaneuf, que não atuará mais por Los Angeles. Por fim, se os Kings têm qualquer esperança de se classificarem para um lugar na pós-temporada, dependerão de um goleiro saudável e jogando bem. 

    SAN JOSE SHARKS

    Um dos favoritos para liderar a divisão, San Jose vai tentar (mais uma vez) conquistar a Stanley Cup pela primeira vez. A equipe californiana vai ser liderada por seu novo capitão, o experiente Logan Couture, que ganhou o C após a saída de Joe Pavelski, agora jogador do Dallas Stars. Assim como os Kings, muitas das estrelas dos Sharks já entraram na segunda metade de suas carreiras, como Brent Burns, Erik Karlsson e Marc-Édouard Vlasic. Joe Thorton, um caso à parte, já está na terceira reencarnação da sua. 

    A diferença entre as duas equipes da Califórnia é simples: os Kings ganharam nas duas finais das quais participaram. Entretanto, com Couture, Evander Kane, Timo Meier e Tomas Hertl formando o coração ofensivo da equipe por mais vários anos, a janela de vitória de San Jose permanece aberta.

    Além disso, a equipe conta com dois dos defensores mais dinâmicos da NHL, em Burns e Karlsson. Porém, a maior incógnita dos Sharks está no gol, devido às atuações inconstantes do titular Martin Jones, cujo reserva Aaron Dell também não passa muita confiança. Talvez os Sharks consigam conquistar o primeiro campeonato da franquia com todas as peças clicando ao mesmo tempo (e quem sabe com mais uma ajudinha da arbitragem) nesta temporada.

    VANCOUVER CANUCKS

    Elias Pettersson, ganhador do Calder Trophy da temporada 2018/2019

    Quem gosta de assistir hockey com certeza quer ver os Canucks nos playoffs e a razão é simples: Elias Pettersson. O ganhador do Calder, que impressionou a todos em sua primeira temporada, tem tudo para produzir ainda mais este ano, desde que não se machuque. Com o fim da saga com seu RFA mais importante, a equipe canadense renovou com Brock Boeser por três anos, tempo necessário para Vancouver se livrar dos mais de três milhões anuais em penalidades de recaptura com relação ao contrato de Roberto Luongo.

    O grupo de atacantes ainda inclui Bo Horvat, Josh Leivo, Jake Virtanen, Brandon Suter, Tanner Pearson e Loui Eriksson. Além disso, também conta com as adições de nomes como JT Miller e Micheal Ferland. Sven Baertschi, por sua vez, foi posto em waivers às vésperas do início da temporada. Já a defesa agora conta com os free agents Tyler Myers e Jordie Benn, além da temporada de estreia de Quinn Hughes, que é um nome forte para terminar no top3 indicado ao Calder Trophy.

    Por fim, no gol os Canucks contam com Jacob Markstrom, que começou a última temporada em baixa mas terminou em alto nível. Além do sueco, Vancouver tem Thatcher Demko, cujo potencial é ser o arqueiro do futuro do time. Em suma, o time canadense vai competir por vaga nos playoffs, o que complica sua situação é competir com equipes da divisão Central para uma vaga de wildcard

    VEGAS GOLDEN KNIGHTS

    A situação da equipe de Nevada é única entre as franquias jovens. Geralmente estas costumam demorar para conseguir campanhas vitoriosas. Com apenas dois anos na NHL, o currículo de Vegas conta com uma derrota em um jogo seis da final da Stanley Cup e uma derrota duvidosa no primeiro round para o San Jose Sharks. Mesmo com o time apelidado de misfits, por se tratarem dos rejeitos das outras equipes, os Golden Knights conseguiram se firmar como um candidato quase que imediatamente. 

    O top six do time deve jogar junto durante muito tempo, que inclui atacantes como William Karlsson, Mark Stone, Max Pacioretty e Jonathan Marchessault. Além disso, contam com o jovem Alex Tuch e o prospect Cody Glass, escolhido em quinto no Draft de 2017. No mais, peças como Reilly Smith e Paul Statsny também irão contribuir para a equipe.

    A defesa dos Golden Knights tem seu alicerce em Nate Schmidt e Shea Theodore, contando ainda com Brayden McNabb e Nick Holden. O prospect Nic Hague é o principal nome novo na defesa, já que Erik Brannstrom foi mandado para Ottawa na troca por Stone. No gol, Marc-André Fleury é a alma do time e elemento fundamental para uma eventual campanha vitoriosa. Ainda que Vegas tenha perdido nomes como Colin Miller, Erik Haula e Pierre-Edouard Bellemare, a equipe ainda é uma das favoritas para conquistar a sua divisão.

    Fotos: NHL.com/Reprodução

  • Reunião sobre o CBA traz novidades sobre possível lockout

    Reunião sobre o CBA traz novidades sobre possível lockout

    Com a duração do atual CBA (Collective Bargaining Agreement, o acordo coletivo da liga) chegando o fim, surge a possibilidade de um novo lockout. Ocorre que, desde que a liga e a NHLPA (NHL Players’ Association, o sindicato dos jogadores) entrem em um acordo, a paralisação não precisa acontecer. Para que isso ocorra, as duas partes se reúnem com o objetivo de chegar a um consenso sobre as exigências de cada classe. 

    Desta forma, nesta quarta-feira (04) em Chicago, onde está sendo realizado o Media Day da NHL, ocorreu uma reunião com cerca de 50 jogadores e os representantes da NHLPA. Na semana passada a liga teve sua primeira oportunidade de abrir mão do atual CBA, o que não aconteceu, e no próximo dia 15 será a vez dos jogadores. Caso isso aconteça, poderemos ter indícios de que haverá, de fato, um paralisação. 

    O que os jogadores querem?

    Entre as reivindicações, temos a participação dos atletas nas Olimpíadas, já que no ano passado eles foram impedidos de competir nos Jogos de PyeongChang 2018 . Além disso, requerem melhorias nas questões relacionadas à saúde, aposentadoria e possíveis reformas na forma como o segundo contrato profissional é estruturado. 

    A maior de todas, entretanto, é o escrow (garantia, em tradução livre). Isto se trata de um dispositivo contratual presente no CBA que faz com que os atletas recebam de fato apenas 87,5% do seu salário. Os 12,5% restantes vão para a liga, com finalidade de equalizar as receitas em 50-50 para os jogadores e donos, para garantir que a divisão seja igualitária. Para que este dispositivo seja retirado, seria necessário instituir uma luxury tax, implicando em valores diferentes para mercados diferentes. Tal hipótese é improvável.

    Quais são os próximos passos?

    Haverá uma nova reunião na sexta-feira (06) em Nova York, mas a data chave para a NHLPA abrir as negociações para um novo CBA e potencializar um lockout é 15 de setembro. Caso isto ocorra, a paralisação da liga no próximo ano será iminente.

    Iremos atualizar esta reportagem assim que mais informações forem disponibilizadas.

    (Foto: NHLPA.com/Reprodução)

  • Cam Ward anuncia aposentadoria

    Cam Ward anuncia aposentadoria

    Nesta quarta-feira, 28, o goleiro Cam Ward assinou um contrato de apenas um dia com o Carolina Hurricanes. Isto porque ele também anunciou sua aposentadoria, terminando a carreira na equipe que o revelou. Ward foi draftado na 25ª posição do draft de 2002, e passou sua carreira junior no Red Deer Rebels da Western Hockey League. Ao atuar pela WHL, o goleiro apresentou campanhas positivas nos playoffs antes de chegar ao profissional. 

    O canadense, natural de Saskatoon, assinou seu primeiro contrato profissional em 2004, mas jogou seu primeiro ano na American Hockey League (AHL). Tal situação ocorreu porque a temporada de 2004/2005 foi cancelada devido a um lockout. No ano seguinte Ward passou a maior parte do tempo sendo reserva de Martin Gerber, até os playoffs

    A consagração de Ward em sua temporada de estreia

    A campanha da dos Canes nos playoffs de 2006 foi um verdadeiro conto de fadas, com Ward sendo parte fundamental da conquista. Canes começou perdendo para o Montreal Canadiens, mas Ward assumiu o gol e levou a equipe de Raleigh até as finais, contra o Edmonton Oilers. No caminho, Ward ajudou o time da Carolina vencer o New Jersey Devils de seu ídolo, Martin Brodeur, e o Buffalo Sabres. 

    Já nas finais da Stanley Cup, o canadense foi o primeiro goleiro novato a conseguir uma shutout desde Patrick Roy em 1986. Com a vitória dos Hurricanes, Ward se tornou o primeiro goleiro calouro a ganhar o Conn Smythe, troféu de MVP, desde Ron Hextall em 1987. 

    Críticas pelas atuações instáveis e passagem pelos Hawks

    Cam Ward nunca conseguiu replicar sua campanha de MVP outra vez, e foi duramente criticado por não ter constância suas atuações. Além disso, a equipe deixou de aparecer nos playoffs a partir de 2009. Esta foi a última atuação do arqueiro na pós-temporada.

    Depois de 13 anos, Ward deixou os Hurricanes em 01 de julho de 2018, para assinar por um ano com o Chicago Blackhawks, onde não impressionou. Desta forma, aos 35 anos o canadense assinou um contrato de um dia para se aposentar um Cane.

    A carreira de Ward em números

    Jogos disputados701
    Vitórias334
    Porcentagem de defesa.908 %
    Média de gols sofridos2.74
    Shutouts27

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

  • Novas arenas para Calgary Flames e New York Islanders

    Novas arenas para Calgary Flames e New York Islanders

    As duas equipes tiveram suas novas arenas confirmadas nesta off-season. Os Flames irão enfim deixar o Saddledome para trás. Enquanto isso, os Isles finalmente deixarão o Barclays Center de vez.

    BELMONT PARK, NOVA CASA DOS ISLANDERS

    Quando os Islanders firmaram seu acordo para jogar no Barclays Center, já houve controvérsia acerca da distância. Mesmo aqueles que não detestaram a escolha de imediato passaram a odiá-la já na primeira temporada por lá. As reclamações vão desde a visibilidade terrível (afinal, foi projetada para jogos de basquete) até o inusitado carro junto à arquibancada. Ora, será que existia a possibilidade de alguém se sentar ali para assistir alguma partida? Seria uma experiência, no mínimo, divertida. 

    A polêmica foi tão extensa que, na última temporada, a equipe mandou metade de seus jogos em casa na sua antiga arena, o histórico Nassau Coliseum. Com isso, os fãs manifestaram sua vontade de o clube retornar de fato a Long Island. No dia 08 de agosto, o Conselho Imobiliário de Nova York votou, por unanimidade, pela aprovação do projeto que envolve uma nova arena para os Isles. O complexo esportivo e comercial se trata de uma parceria entre a equipe de hockey e o New York Mets, da Major League Baseball (MLB). A previsão é que ele fique pronto a tempo da temporada 2021/2022. 

    CALGARY FLAMES DEIXAM O SADDLEDOME

    A controvérsia da construção de uma nova arena em Calgary foi tão grande, que haviam até rumores de que a equipe poderia deixar a cidade. Tudo isso porque a população não se demonstrou favorável à utilização de dinheiro público para fundar parte da obra. Entretanto, em julho, os Flames e a prefeitura entraram em acordo sobre um novo complexo de entretenimento.

    Segundo o acordado, cada uma das partes fornecerá 275 milhões em dinheiro. Isto gerou críticas na cidade, pois o conselho municipal havia acabado de anunciar cortes de 60 milhões nos serviços públicos. O centro de eventos, que envolverá a arena de hockey, será localizado no bairro de East Victoria Park e deve ser inaugurado para a temporada 2024/2025. 

    SEATTLE CENTER ARENA, O LAR DO PRÓXIMO (E ÚLTIMO?) TIME DE EXPANSÃO

    Na capital do grunge, a Key Arena será reformada e se tornará a Seattle Center Arena. O responsável pela construção, Oak View Group, é o mesmo do Belmont Park, novo lar dos Islanders. O local irá receber a primeira equipe de hockey em Seattle desde que os Metropolitans deixaram de existir. Com sua nova equipe e uma arena moderníssima, Seattle deixará o grunge e o café de lado para se tornar a terra do hockey a partir da temporada 2021/2022. 

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Casos de arbitragem salarial desta off-season

    Casos de arbitragem salarial desta off-season

    Como já explicamos, a arbitragem é uma forma de mediação de conflitos. No caso da NHL, ela é usada para solucionar os entraves nas negociações salariais entre os jogadores que são restricted free agents (RFAs) com direito à arbitragem e seus respectivos clubes. Com uma das mais recheadas classes de RFAs na história da liga, naturalmente tivemos muitos jogadores que entraram com o pedido de arbitragem. 

    A data limite foi dia 05 de julho, com as audiências agendadas entre os dias 20 de julho e 04 de agosto. Embora existam muitos casos agendados, a grande maioria deles é resolvida antes da sessão de arbitragem.

    (É importante lembrar que o contrato two way significa que o atleta recebe um salário menor quando jogar nas ligas inferiores em relação ao seu salário na NHL. O contrato one way, por sua vez, significa que o salário é o mesmo, independentemente da liga.)

    ANAHEIM DUCKS

    A equipe da Califórnia renovou com o center Chase DeLeo, que terá mais um ano na equipe com o salário de $750,000 em um contrato two way.

    BOSTON BRUINS

    O winger Danton Heinen renovou com os Bruins no dia 9 de julho, firmando um contrato de dois anos que foi avaliado em $5.6 milhões.

    BUFFALO SABRES

    Remi Elie fechou um acordo de um ano em 01 de agosto, avaliado em $700,000. Já Jake McCabe assinou por dois anos, avaliado em $5.7 milhões, no dia 03 de agosto. Evan Rodrigues, por sua vez, renovou por um ano, pela quantia de $2 milhões no dia 25 de julho. O caso mais curioso, porém, foi Linus Ullmark, que renovou seu contrato por $1.325 milhão em 02 de agosto durante a audiência de arbitragem, mas antes que o árbitro decidisse um valor.

    CALGARY FLAMES

    Sam Bennett renovou por dois anos, avaliado em $5.1 milhões, e evitou a arbitragem. Ryan Lomberg renovou por um ano, a quantia de $700,000 em 16 de julho. David Rittich também renovou por dois anos, pela quantia de $5.5 milhões. Por fim, Rinat Valiev renovou pela quantia de $700,000 em 16 de julho.

    CAROLINA HURRICANES

    O primeiro caso de arbitragem foi o de Anton Forsberg, no qual o árbitro definiu o salário de $775,000 para o atleta em 04 de agosto. Já com Brock McGinn, ele e o clube evitaram a arbitragem ao acordarem um contrato de dois anos. 

    COLORADO AVALANCHE

    J.T. Compher e o clube entraram em um acordo de quatro anos avaliado em $14 milhões no dia 17 de julho. Além disso, Sheldon Dries e Ryan Graves também assinaram por mais um ano com a equipe de Denver.

    DALLAS STARS 

    Jason Dickinson e o clube texano entraram em acordo para um contrato de dois anos, avaliado em $3 milhões.

    FLORIDA PANTHERS

    MacKenzie Weegar e a equipe de Sunrise tiveram uma audiência de arbitragem, onde o contrato do atleta foi estendido por um ano, mas os detalhes não foram divulgados pelo clube.

    LOS ANGELES KINGS

    Alex Iafallo e os Kings entraram em acordo sobre uma extensão de dois anos, avaliada em $4.85 milhões.

    MONTREAL CANADIENS

    Os Habs estenderam Joel Armia por dois anos, pela quantia de $5.2 milhões, além de terem ampliado o contrato de Charles Hudon por um ano, avaliado em $800,000. Além disso, Artturi Lehkonen também renovou por dois anos, por $4.8 milhões. 

    NASHVILLE PREDATORS

    A equipe do Tennessee estendeu o contrato de Colton Sissons por sete anos, com um valor total de $20 milhões. Já no caso de Rocco Grimaldi (aquele que tem nome de realeza, mas é americano), foi determinado na audiência arbitral que seu contrato seria de um ano e avaliado em $1 milhão.

    NEW JERSEY DEVILS

    A equipe renovou com Will Butcher por três anos, por $11.2 milhão, com Connor Carrick por dois anos e $3 milhões. Além disso, estenderam Mirco Mueller por um ano, $1.4 milhão.

    NEW YORK RANGERS

    Uma das maiores aquisições da off-season foi Jacob Trouba, vindo do Winnipeg Jets. O defensor americano renovou por sete anos e $56 milhões. Pavel Buchnevich também estendeu com os Rangers por dois anos.

    PHILADELPHIA FLYERS

    Scott Laughton e o clube fecharam um acordo por dois anos e $4.6 milhões.

    PITTSBURGH PENGUINS

    A equipe da Pensilvânia renovou com Zach Aston-Reese por dois anos e $2 milhões.

    ST. LOUIS BLUES

    Jordan Binnington assinou um bridge deal depois de vencer a Stanley Cup, avaliado em $8.8 milhões por dois anos. Os Blues também renovaram com Ville Husso por um ano, Zachary Sanford por dois anos e Oskar Sundqvist por quatro anos. No caso de Joel Edmundson, a situação chegou à audiência de arbitragem, quando foi determinado que o contrato seria de $3.1 milhões por um ano. 

    TAMPA BAY LIGHTNING

    Cedric Paquette renovou com o clube da Flórida por dois anos, por $1.65 milhão anualmente.

    VEGAS GOLDEN KNIGHTS

    A equipe de Nevada renovou com Malcom Subban por um ano, com salário de $850,000.

    WASHINGTON CAPITALS

    Chandler Stephenson e os Caps chegaram em um acordo para um contrato de um ano, avaliado em $1.05 milhão. Já no caso de Christian Djoos, o árbitro decidiu por um contrato de um ano, avaliado em $1.25 milhão.

    WINNIPEG JETS

    Neal Pionk recebeu um contrato de dois anos, avaliado em $6 milhões. No caso de Andrew Copp, o árbitro decidiu por um contrato de dois anos, com valor total de $4.65 milhões.

  • Novatos para ficar de olho nessa temporada

    Novatos para ficar de olho nessa temporada

    Nessa off-season, quando falamos de novatos, o assunto se resumiu ao duo Jack Hughes e Kaapo Kakko. Entretanto, vários jovens draftados nos dois anos anteriores devem iniciar seu primeiro ano completo na NHL durante temporada 2019/2020. Quer saber quem são alguns deles? O NHeLas te conta!

    FILIP ZADINA, LW/RW, DETROIT RED WINGS

    O winger tcheco foi selecionado em sexto pela equipe de Michigan no draft do ano passado. Para muitos, a queda dele, ranqueado acima de Jesperi Kotkaniemi e logo abaixo de Brady Tkachuck, não tinha explicação. Contudo, enquanto os outros dois se tornaram peças importantes em suas respectivas equipes, Zadina foi mandado para a American Hockey League (AHL) após nove jogos na NHL. Lá o jogador teve 35 pontos em 59 jogos, rendendo muito menos do que em seus tempos de major junior

    No ano do draft, atuando pelo Halifax Mooseheads da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL), Zadina marcou 82 pontos em 57 jogos. Mas seu jogo não se transportou para o hockey profissional, e ele teve dificuldades de adaptação. Além disso, Detroit está em um momento complicado, no meio da renovação de uma das franquias mais clássicas do esporte. Por isto, com a saída de veteranos, tudo indica que o tcheco pode ganhar mais espaço nos Wings. Além disso, agora a equipe conta com um GM novo, Steve Yzerman. 

    MORGAN FROST, C, PHILADELPHIA FLYERS

    O canadense foi draftado em 27º no ano de 2017, com a escolha que Philly recebeu de St. Louis na troca de Brayden Schenn. Nos dois anos seguintes, o jovem aterrorizou a competição na Ontario Hockey League (OHL) jogando pelo Sault St. Marie Greyhounds. Em 2017/2018 postou 112 pontos em 67 jogos e no ano seguinte 109 pontos em 58 partidas. O canadense dominou completamente a mais forte das três ligas de major junior

    Frost irá se profissionalizar aos 20 anos e tem um caso forte para entrar na terceira linha dos Flyers. Embora provavelmente tenha que se tornar um winger, ele pode ajudar a equipe da Filadélfia a chegar aos playoffs. Ainda assim, discute-se se ele ou Joel Farabee, draftado em 2018, seriam o jogador mais capacitado para este papel. Por ser um ano mais velho (e consequentemente mais experiente), Frost sai na frente para ser uma peça importante na etapa final do rebuilt dos Flyers. 

    ERIK BRANNSTROM, D, OTTAWA SENATORS

    Há quem compare o perfil do jovem defensor com um outro sueco que já defendeu a equipe da capital canadense e eventualmente se tornou seu capitão. O jogador, adquirido na troca que levou Mark Stone para Vegas, é um dos prospects mais promissores da sua posição. Brannstrom fez 28 pontos em 41 jogos pelo Chicago Wolves, da AHL, antes de ser trocado, e pontuou quatro vezes em nove jogos com o Belleville Senators. 

    O sueco com certeza será parte de um futuro muito promissor, se o clube conseguir ser gerenciado da forma correta. Desta forma, a equipe ainda conta com atletas como Thomas Chabot, Colin White e Brady Tkachuk no elenco, que podem ser a base de um time competitivo em alguns anos. Todavia, para isso acontecer precisam contar com um projeto a longo prazo bem elaborado. 

    CODY GLASS, C, VEGAS GOLDEN KNIGHTS

    O center foi a quinta escolha no draft de 2017, o primeiro realizado pela equipe de Nevada. No Portland Winterhawks, da Western Hockey League (WHL), Glass fez 102 pontos em 64 jogos em 2017/2018. No ano seguinte, fez 69 pontos em 38 partidas, além de ter atuado pelo Chicago Wolves da AHL em 22 partidas dos playoffs, marcando 15 pontos. 

    Com a ida de Nick Suzuki para Montreal e Brannstrom para Ottawa, o jovem center se tornou unanimidade como o principal prospect dos Knights. Com Erik Haula indo para o Carolina Hurricanes, Glass pode vir a ter mais espaço na equipe de Vegas, na qual com certeza fará parte de um duo de centrais com William Karlsson por muitos anos. 

    CALE MAKAR, D, COLORADO AVALANCHE

    Mas esse menino já não jogou na liga, NHeLas? Sim, Cale Makar participou dos playoffs da última temporada, mas ainda preenche os requisitos para ser um novato. Isto significa que, em 2019/2020, o defensor canadense poderá inclusive ser indicado ao Calder, troféu para o rookie do ano. Após a troca de Tyson Barrie para Toronto, Makar terá todo o espaço necessário para desenvolver seu jogo.

    O canadense, que marcou seis pontos em dez jogos dos playoffs, vem de uma temporada excelente no hockey universitário. Sua última temporada na UMass-Amherst resultou no Hobey Baker, troféu de melhor jogador da liga. A tenacidade ofensiva do defensor pode colocá-lo no lugar de Barrie na primeira unidade de power play do Avalanche. Além disso, com MacKinnon e Rantanen juntos com ele no gelo, o jovem não terá dificuldades em pontuar na temporada. 

    Qual prospect você mais quer ver nessa próxima temporada? Conta para a gente aqui nos comentários ou nas outras redes sociais!

    Foto: NHL.com/Reprodução

  • Como funciona a unrestricted free agency na NHL?

    Como funciona a unrestricted free agency na NHL?

    Enquanto o Canadá tem o seu maior feriado nacional, a NHL tem uma das datas mais importantes da off-season. Com o período de negociações já aberto, os unrestricted free agents podem assinar contratos no Canada Day. É estabelecido o horário do meio-dia (horário de Nova York) do dia 1º de Julho para a abertura da janela. Até lá, os atletas são livres para renovarem com as equipes que detém seus direitos. 

    O conceito não veio do hockey, do basquete ou do futebol americano, e sim do baseball. O direito à escolha de onde iria jogar foi conquistado pelos jogadores da Major League Baseball (MLB) em 1976. Para adquirir este direito, os atletas tiveram que buscar a via judicial. Assim, eles ingressavam em uma batalha legal contra os donos dos clubes onde jogavam. O pioneiro foi Curt Flood, três vezes All-Star pelo St. Louis Cardinals, e center fielder habilidoso que ajudou sua equipe a conquistar o World Series duas vezes. 

    A origem da free agency

    Em 1969 a MLB ainda tinha a chamada reserve clause. Ela fazia com que o clube tivesse os direitos sobre o atleta que draftou até que decidisse transferir o atleta ou dispensá-lo. Além de ter o poder de trocar, liberar, enviar para os minors ou vender os direitos do jogador para outro clube, sem consultá-lo, essa regra não permitia que o atleta assinasse com um novo clube quando seu contrato expirasse. Isso deixava os jogadores à mercê das vontades dos donos. 

    Quando Flood foi trocado para o Philadelphia Phillies, ele se recusou a se apresentar ao clube. O caso chegou à Suprema Corte dos Estados Unidos, que determinou que embora ele teria o direito de escolher onde jogar, a cláusula em questão não era ilegal. Além disso, afirmaram que a única forma de adquirir o direito seria lei ou por um acordo coletivo. 

    Depois desta decisão, o sindicato dos jogadores de baseball e donos dos clubes chegaram em um acordo para incluir a arbitragem como forma de resolução de disputas. Assim, em 1975, durante uma sessão de arbitragem, Peter Seitz decidiu que todo jogador após um ano sem contrato poderia se tornar um free agent. No ano seguinte, o acordo coletivo da MLB foi emendado para incluir a previsão de que um atleta que jogou seis temporadas teria esse direito.

    Unrestricted free agency na NHL

    Os jogadores só adquiriram a possibilidade de se tornarem free agents com o acordo coletivo de 1995. Entretanto, no último acordo temos a figura do unrestricted free agent (UFA). Ele é aquele que, após anos de experiência profissional, pode escolher para qual clube jogar quando seu contrato expirar.

    Existem quatro  tipos de UFAs na NHL: grupo 3, grupo 5, grupo 6 e UFA em decorrência do draft.

    Grupo 3Jogadores com sete temporadas de experiência profissional ou pelo menos 27 anos de idade quando seu contrato expirar
    Grupo 5Jogadores com 10 ou mais temporadas profissionais, que em seu último ano de salário ganhou menos do que a média sala rial na Liga, caso não tenha virado free agent antes
    Grupo 6 Jogador com 25 ou mais anos, com três de experiência profissional, mas que jogou menos de 80 jogos na NHL (caso for atacante ou defensor) ou menos de 28 jogos na NHL (caso for goleiro)
    UFA em decorrência do draftCaso o jogador não seja mais elegível para o próximo draft e não estiver na lista reserva de algum clube, ele se tornará um UFA

    Embora o acordo coletivo preveja essas várias situações, a forma mais comum de se chegar à unrestricted free agency na NHL é como um jogador do grupo 3. Assim, por seu contrato se encerrar no dia 30 de junho, ele estará livre para assinar um novo contrato com o clube que desejar no dia 1º de Julho. Por coincidir com o feriado de maior repercussão no país, o Canadá volta suas atenções para o frenesi de contratações quando a janela se abre. 

    Em quem ficar de olho nesta segunda-feira

    ARTEMI PANARIN, LW, COLUMBUS BLUE JACKETS/RÚSSIA

    Não é nenhum segredo que o russo iria embora de Ohio ao final de seu contrato, mesmo após a temporada histórica dos Jackets. As maiores apostas para o destino do ganhador do Calder de 2016 são as equipes de Nova York (Rangers e Islanders) e o Florida Panthers, que teriam espaço no cap para o valor pedido por ele. Em 332 jogos na NHL, Panarin tem 116 gols e 204 assistências.

    JOE PAVELSKI, C, SAN JOSE SHARKS/EUA

    Quando começou-se a especular que o capitão dos Sharks deixaria San José, muito se perguntou se não tratava apenas de rumores infundados. Entretanto, Pavelski se reuniu com a equipe do Dallas Stars e do Tampa Bay Lightning, mas parece estar mais próximo da equipe do Texas. O veterano tem 963 jogos, com 355 gols e 406 assistências, todos pela equipe da Califórnia. 

    MATT DUCHENE, C, COLUMBUS BLUE JACKETS/CANADÁ

    O center canadense foi trocado para Columbus em uma trade deadline agitada, e até demonstrou estar disposto a ficar por lá. Todavia, atualmente os dois clubes que estão na frente para assinar com ele são Montreal e Nashville. Em 727 jogos, o canadense tem 232 gols e 315 assistências. 

    ANDERS LEE, LW, NEW YORK ISLANDERS/EUA

    Lee foi um crítico da saída de Tavares da equipe, mas pode ser que siga o mesmo caminho. O capitão dos Isles tem 152 gols e 106 assistências em 425 partidas. As equipes no páreo são Colorado Avalanche, Minnesota Wild, Chicago Blackhawks e, claro, o próprio New York Islanders.

    SERGEI BOBROVSKY, G, COLUMBUS BLUE JACKETS/RÚSSIA

    Não é novidade que Bob estava infeliz em Columbus, tendo inclusive sido punido por indisciplina. O goleiro russo, que já ganhou o Vezina, deve assinar com o Florida Panthers amanhã. Após o anúncio da aposentadoria de Luongo e da troca de James Reimer, podemos cravar que ele será o arqueiro da equipe na próxima temporada. Em 457 jogos, o russo tem uma porcentagem de defesa de .919, uma média de 2.42 gols sofridos por partida e 33 shutouts. 

    Com a extensão de Karlsson assinada, os outros defensores no mercado definitivamente serão beneficiados, especialmente os destros.

    TYLER MYERS, D, WINNIPEG JETS/CANADÁ

    O canadense é grande e destro, dois atributos que são muito visados em defensores. Entretanto, o fato de ter 29 anos e buscar um contrato de sete, podem dissuadir clubes de tentar assiná-lo. Isso porque o custo benefício a partir do meio do contrato pode ser um empecilho devido ao salary cap.

    JAKE GARDINER, D, TORONTO MAPLE LEAFS/EUA

    Embora o defensor tenha tido problemas de saúde por uma lesão nas costas, ele ainda é uma commodity no mercado. Gardiner tem 245 pontos em 551 jogos, e foi peça importante na reconstrução do Toronto Maple Leafs. 

    Além disso, jogadores como Mats Zuccarello, Corey Perry e Gustav Nyquist, todos UFAs, possivelmente terão novas casas amanhã. Não quer perder nenhuma novidade? Se liga na cobertura do NHeLas no Twitter e no Instagram amanhã (01) a partir das 13h!

    (Foto: NHL.com/Reprodução)

  • A semana que antecede o Free Agency Day

    A semana que antecede o Free Agency Day

    Com o dia 1º de julho, que é conhecido como Free Agency Day, chegando, temos uma semana agitada pela frente. Diversas trocas ocorrendo desde o draft até agora, além do período de entrevistas dos free agents. Por fim, o goleiro Roberto Luongo do Florida Panthers anunciou sua aposentadoria do esporte. Vem com a gente que o NHeLas te atualiza!

    As trocas mais impactantes até agora

    O maior nome movido desde o draft foi, definitivamente, o defensor PK Subban. O canadense foi trocado pelo Nashville Predators para o New Jersey Devils por um valor considerado abaixo do mercado. O que contribuiu para a transação foi o salário alto de Subban e a necessidade de os Preds abrirem espaço para o jovem Dante Fabbro. Por outro lado, os Devils ganharam um grande reforço sem precisar se desfazer de peças importantes para o seu futuro. 

    Outro defensor trocado foi Calvin de Haan, do Carolina Hurricanes para o Chicago Blackhawks, em um pacote com Aleksi Saarela. Os Canes, por sua vez, receberam Anton Forsberg e Gustav Forsling. Além isso, os Canes receberam Patrick Marleau e a escolha do primeiro round do ano que vem do Toronto Maple Leafs, além de uma escolha de sétimo round. Em troca, Carolina enviou sua escolha de sexto round de 2020. A escolha dos Leafs tem uma proteção para o top 10, e a transação foi feita para que a equipe canadense abrisse espaço em sua folha salarial para os contratos de seus restricted free agents

    Período de entrevistas para os free agents

    A classe dos free agents desta off season de 2019 é extensa e tem figuras importantes. Especula-se que UFAs (unrestricted free agents) como Artemi Panarin e Sergei Bobrovsky estejam próximos de assinarem com o Florida Panthers. Além disso, temos também Robin Lehner, Matt Duchene, Joe Pavelski, Anders Lee e Tyler Myers. 

    Como aconteceu ano passado, mais notavelmente com John Tavares, os free agents se encontram com as equipes com as quais há interesse mútuo. Durante esta reunião, com jogador e seu empresário, o clube apresenta sua proposta e seu planejamento, além da oferta salarial. O prazo para as entrevistas se iniciou no último domingo (23). Sendo assim, tudo indica que a próxima segunda-feira será agitada! 

    Além dos UFAs, há notícias de que alguns RFAs (restricted free agents) estariam tendo entrevistas com outros clubes. A princípio, esse período antecede quaisquer possíveis offer sheets. A classe de RFAs deste ano tem nomes importantes, como Mitch Marner, Sebastian Aho, Mikko Rantanen, Matthew Tkachuk e Patrik Laine. 

    Roberto Luongo anuncia sua aposentadoria do hóquei

    Nesta tarde de quarta-feira (26), o goleiro do Florida Panthers publicou uma carta aberta anunciando sua aposentadoria. Luongo foi draftado pelo New York Islanders no primeiro round de 1997. No entanto, atuou por apenas uma temporada em Long Island (1999/2000) antes de ser trocado para o Florida Panthers na off season de 2000. O canadense ficou no time por seis anos, até 2006, quando foi trocado para o Vancouver Canucks.  

    Em Vancouver, Luongo se tornou um dos melhores goleiros da NHL. O canadense foi indicado aos principais prêmios do NHL Awards. Por conseqüência, ele ganhou um Mark Messier Leadership Award em 2007 e um William M. Jennings Trophy em 2011. Além disso, foi ainda o capitão dos Canucks de 2008 até 2010, o sétimo goleiro da história a ocupar esta posição. Em 2011, os Canucks venceram o President’s Trophy e chegaram até a final da Stanley Cup, perdendo para o Boston Bruins.

    Internacionalmente, o goleiro representou o Canadá em duas olimpíadas, Vancouver 2010 e Sochi 2014, vencendo dois ouros. Luongo foi titular na conquista de 2010, desbancando Martin Brodeur para o papel. Na trade deadline de 2014, Luongo foi trocado para o Florida Panthers, onde jogou até este ano. O arqueiro encerra sua carreira com 1044 jogos, 489 vitórias e a porcentagem de defesas de .919.

    Foto: NHL.com/Reprodução

  • Hayley Wickenheiser lidera Classe 2019 do Hockey Hall of Fame

    Hayley Wickenheiser lidera Classe 2019 do Hockey Hall of Fame

    Nesta tarde de terça-feira (25), o órgão anunciou os nomes que serão introduzidos no Monte Olímpio do hóquei. O principal nome entre os escolhidos foi o de Hayley Wickenheiser, indubitavelmente a maior jogadora de hóquei de todos os tempos. Além disso, já entra em seu primeiro ano de elegibilidade.

    Como funciona a seleção?

    As três categorias são jogador (player), construtor (builder) e árbitro (referee/linesman). No caso do jogador, é considerada sua importância para o esporte no quesito habilidades, espírito desportivo e contribuições para os times em que atuou. Além disso, o jogador não pode ter atuado profissionalmente ou na sua seleção nacional nos três anos que antecedem sua indicação. 

    O construtor é aquele que, em uma função extra-gelo, contribuiu de alguma forma para o crescimento do esporte. Aqui, se encaixam os técnicos e executivos, por exemplo, podendo estar ativos ou inativos à época da introdução. Por fim, o árbitro é aquele que contribuiu, com suas habilidades enquanto juiz, de uma forma positiva para o esporte. O período de elegibilidade para um árbitro é o mesmo de um jogador, ou seja, três anos. 

    Quem faz essa escolha?

    Os eleitos são escolhidos por um sistema de voto, no qual o Comitê do Hall da Fama determina os selecionados. Sendo assim, cada integrante do Comitê pode indicar uma pessoa em cada categoria durante o procedimento anual. Ademais, podem ser eleitos apenas quatro jogadores e duas jogadoras por ano, além de dois (se não há indicados na categoria de árbitros) ou um na categoria construtores, e, enfim, um árbitro. A classe de 2019 conta com uma jogadora, três jogadores e dois construtores.

    Hayley Wickenheiser, jogadora, Canadá

    Maior nome da história do hóquei feminino, a canadense dispensa apresentações, tendo um currículo que fala por si só. A atleta ganhou quatro medalhas olímpicas de ouro com sua seleção, além de sete ouros em mundiais de hóquei. MVP em duas Olimpíadas (2002 e 2006), Wickenheiser é líder absoluta de seu país. Sendo em gols (168), assistências (211) e pontos (379), com 276 partidas disputadas internacionalmente.

    Além disso, a atleta fez história ao ser a primeira mulher a anotar um ponto em uma liga profissional masculina, quando atuou na Finlândia. Atualmente, Wickenheiser trabalha para o Toronto Maple Leafs, dirigindo o departamento de desenvolvimento de jogadores. 

    Sergei Zubov, jogador, Rússia

    O defensor, cuja carreira profissional foi de 1988 a 2010, ganhou a Stanley Cup duas vezes. Primeiramente, com o New York Rangers em 1994, e a segunda com o Dallas Stars, em 1999. Além das duas equipes, o russo também defendeu o Pittsburgh Penguins e o SKA São Petersburgo na KHL (Kontinental Hockey League).

    Antes de ser draftado pela equipe nova-iorquina, o jogador defendia a equipe do Exército Vermelho, o HC CSKA Moscou. Além das conquistas na NHL, o defensor foi campeão olímpico em 1992, nos jogos de Albertville. Ele encerrou sua carreira com 771 pontos em 1068 jogos na NHL.

    Guy Carbonneau, jogador, Canadá

    O center começou sua carreira na QMJHL (Quebec Major Junior Hockey League), onde defendeu Chicoutimi Saguenéens. Depois de uma temporada de 182 pontos, foi draftado pelo Montréal Canadiens em 1979. Com os Habs, venceu sua primeira Stanley Cup em 1986, e foi o recipiente do Selke nas temporadas 87/88, 88/89 e 91/92.

    Em 1989 foi nomeado capitão da equipe, vencendo a Stanley Cup novamente em 1993, última vez que uma equipe canadense conquistou o título. Posteriormente, em 1994 foi trocado para o St. Louis Blues por Jim Montgomery. Lá jogou por uma temporada antes de assinar com o Dallas Stars. No Texas, venceu sua terceira Stanley Cup, em 1999, e se aposentou em 2000 com 663 pontos em 1318 jogos.

    Václav Nedomanský, jogador, Tchecoslováquia/República Tcheca

    O tcheco ficou conhecido como o primeiro jogador a desertar um dos países da Cortina de Ferro para jogar na América do Norte, em 1974. Jogou por três anos na World Hockey Association (WHA) pelo Toronto Toros e Birmingham Bulls. Por fim, assinou com o Detroit Red Wings em 1977, quando iniciou sua carreira na NHL. Ele ainda defendeu o New York Rangers e o St. Louis Blues antes de se aposentar da Liga em 1983, com 278 pontos em 421 jogos.

    Jim Rutherford, construtor, Canadá

    Embora o canadense tenha tido uma carreira com mais de 400 jogos na NHL como goleiro, sua indicação vem na categoria de construtor. Rutherford teve sucesso como GM, levando o Carolina Hurricanes à primeira Stanley Cup da franquia em 2006. Além disso, foi o arquiteto das conquistas seguidas do Pittsburgh Penguins em 2016 e 2017. 

    Jerry York, construtor, Estados Unidos

    O americano é o maior vencedor do hóquei universitário da NCAA (National Collegiate Athletic Association) ainda em atuação. York venceu quatro títulos com o Boston College e um com o Bowling Green State University, tendo conquistado mais de 1,000 vitórias durante sua carreira. Este feito é especialmente importante considerando que os times universitários jogam até 34 jogos por temporada regular. 

    A cerimônia de introdução irá acontecer no dia 18 de novembro, em Toronto. 

    Foto: Reprodução/TSN.ca