Autor: Marina Garcez

  • Draft Class de 2013: onde estão

    Draft Class de 2013: onde estão

    O draft de 2013 aconteceu na cidade de Newark, em New Jersey. A janela de elegibilidade para a seleção ia até 15 de setembro de 1995, com Nathan MacKinnon sendo um dos atletas mais jovens disponíveis. O top 3 seria composto por Colorado Avalanche, detentor da primeira escolha, seguido por Florida Panthers e Tampa Bay Lightning. 

    Embora nenhum defensor tenha sido escolhido no top 3, o primeiro do ranking de patinadores norte-americanos daquele ano foi o estadunidense Seth Jones, que atuava no Portland Winterhawks da Western Hockey League (WHL). Já na Europa o primeiro ranqueado fora Aleksander Barkov, finlandês do Tappara da SM-liiga. 

    NATHAN MACKINNON, C, COLORADO AVALANCHE (#1 overall): o Top Dogg do Colorado

    O center, que atualmente dispensa apresentações, foi a segunda primeira escolha da pequena Cole Harbour, cidade na região metropolitana de Halifax, Nova Escócia. Oito anos antes, Sidney Crosby havia sido escolhido primeiro pelo Pittsburgh Penguins, e MacKinnon cresceu tendo o conterrâneo como seu ídolo maior. O atleta também seguiu os passos de Crosby ao optar pelo internato Shattuck St. Mary’s em Minnesota, que possui um importante programa de hockey, onde estudou e jogou por dois anos.

    A carreira de Nathan antes da NHL teve seu ápice nos anos em que o canadense defendeu a equipe da Quebec Major Juniors Hockey League (QMJHL) de sua cidade natal, o Halifax Mooseheads. Aos dezesseis anos o jogador conseguiu se destacar em uma liga com atletas de 18 e 19 anos, que tinham mais experiência e mais maturidade física do que ele. No seu ano de elegibilidade para o draft, os Mooseheads foram campeões da Memorial Cup, troféu da Canadian Hockey League (CHL) e MacKinnon foi selecionado como MVP.

    A primeira temporada do center na NHL resultou em um Calder Trophy e a experiência de uma rodada de playoffs. Entretanto, nas temporadas seguintes o canadense fez 38, 52 e 53 pontos, respectivamente, e o seu Colorado Avalanche teve atuações tenebrosas que incluíram a pior campanha da história da Liga. Ainda assim, no final de 2016, o jogador estendeu seu compromisso com os Avs por mais sete anos, com um salário anual de cerca de 6,3 milhões de dólares por ano.

    Com o início da temporada 2017/2018, MacKinnon passou a produzir como um MVP, fazendo 97 pontos e se tornando finalista do Hart Trophy. Já no ano seguinte o center aumentou sua pontuação, com 99 pontos, e chegou até o segundo round dos playoffs com os Avs. Antes da paralisação causada pelo COVID-19, o canadense havia feito 93 pontos em 63 jogos, se mantendo entre os favoritos para o Hart Trophy. 

    ALEKSANDER BARKOV, C, FLORIDA PANTHERS (#2 overall): Panther King

    O finlandês, que possui ascendência russa, iniciou sua carreira no Tappara da SM-liiga em 2011, quando se tornou o mais jovem a pontuar na liga finlandesa. Embora o atleta tenha tido sua temporada de elegibilidade encerrada por uma lesão, ele manteve seu ranking de melhor patinador europeu. Dessa forma, foi escolhido em segundo pelo Florida Panthers.

    Apesar de um início promissor, as primeiras temporadas de Barkov na Liga resultaram em pontuações medianas, com 24 e 36 pontos. Entretanto, conforme o center foi desenvolvendo seu jogo, sua ofensividade acompanhou esta evolução. Embora seja conhecido por seu jogo dúplice, por ser altamente competente na zona defensiva, o finlandês foi encontrando cada vez mais sucesso no placar.

    No início da temporada 2018/2019 Barkov foi nomeado capitão do Florida Panthers, um verdadeiro marco para a jovem carreira do center. Além disso, o finlandês passou a figurar cada vez mais nas listas de prováveis indicados e até mesmo ganhadores do Selke Trophy, dado ao melhor jogador defensivo da NHL. Em junho de 2019 Barkov venceu seu primeiro troféu, o Lady Byng Memorial Trophy, para aquele que teve o maior espírito desportivo e conduta positiva no gelo.

    JONATHAN DROUIN, LW, TAMPA BAY LIGHTNING (#3 overall): de garoto problema a queridinho da sua cidade natal

    O quebecois Drouin foi companheiro de Nathan MacKinnon no Halifax Mooseheads e ganhou a Memorial Cup de 2013 com ele. Além disso, o winger foi eleito o jogador do ano da CHL na temporada 2012/2013. Após ser escolhido em terceiro pelo Tampa Bay Lightning em 2013, Drouin fez parte do training camp da equipe, mas foi cortado no início da temporada, retornando ao Halifax Mooseheads e à QMJHL para adquirir mais experiência.

    O jogador fez sua estreia na NHL em outubro de 2014 e disputou 70 partidas naquela temporada. Entretanto, no ano seguinte lesões fizeram com que ele competisse em pouquíssimos jogos e no início de 2016 o winger foi enviado ao Syracuse Crunch da American Hockey League (AHL) sem previsão de retorno à Liga. Insatisfeito com a situação, seu empresário informou à imprensa que Drouin havia pedido para ser trocado em novembro de 2015. A situação do canadense no clube ficou cada vez mais complicada quando ele não se apresentou ao Crunch e foi suspenso sem receber salário.

    Drouin se apresentou à equipe apenas três meses depois, em março de 2016, participando de quase um mês das atividades na AHL. No início de abril ele retornou aos Bolts, participando do final da temporada e da campanha nos playoffs daquele ano. Mesmo com uma boa campanha em 2016/2017, a relação do canadense com a administração do clube já não era a mesma desde o ano anterior. Assim, na intertemporada de 2018 o winger foi trocado para o Montreal Canadiens em uma transação que levou o jovem defensor Mikhail Sergachev ao Lightning. Nos Habs, o jogador assinou um contrato de seis anos avaliado em 33 milhões de dólares.

    SETH JONES, D, NASHVILLE PREDATORS (#4 overall): de coadjuvante em Music City a estrela em Cowtown

    Filho de um jogador de basquete profissional, Jones tomou gosto pelo hockey durante sua infância em Denver, no Colorado. Durante a adolescência, o defensor fez parte do United States National Team Development Program (USNTDP) e dois anos depois ele precisou optar entre jogar na Western Hockey League (WHL) ou competir no hockey universitário. Embora houvesse a expectativa de que ele decidisse pela University of North Dakota, Jones optou pelo Portland Winterhawks da WHL, perdendo sua elegibilidade universitária.

    Embora tenha perdido para o Halifax Mooseheads de MacKinnon e Drouin na final, o defensor terminou a temporada como o primeiro do ranking de patinadores da América do Norte. Ainda assim, o americano foi selecionado apenas em quarto pelo Nashville Predators. Embora Jones tenha estreado na NHL imediatamente após ser draftado, algo que raramente ocorre com jogadores da sua posição, o jovem defensor não encontrou espaço em uma defesa com tantos nomes importantes quanto a de Nashville. 

    Por isso, em janeiro de 2016 os Preds trocaram Jones por Ryan Johansen, um center, e o americano foi mandado para o Columbus Blue Jackets. Em Ohio, onde o defensor passou a ter mais espaço, o jogo de Jones floresceu. Nas temporadas seguintes ele se transformou não apenas no principal d-man da sua equipe, como em um nome importante na sua posição em toda a Liga. Atualmente o americano é parte essencial da blue line dos Jackets e costuma ser o jogador com mais tempo de gelo nas partidas da equipe. 

    JOSH MORRISSEY, D, WINNIPEG JETS (#13 overall): o último dos defensores (em Winnipeg)

    O defensor canadense iniciou sua carreira na WHL com o Prince Albert Raiders na temporada 2010/2011, equipe que defendia quando foi draftado por Winnipeg em 2013. Na temporada 2014/2015 Morrissey foi trocado para o Kelowna Rockets, onde venceu o campeonato da WHL e chegou à final da Memorial Cup. Embora ele tenha disputado algumas partidas pelo St. John IceCaps da AHL em 2014, foi só na temporada 2015-16 o jogador só passou a defender a equipe do Manitoba Moose, novo afiliado dos Jets,  em tempo integral.

    Morrissey fez sua estreia na NHL em março de 2016 e se tornou uma figura frequente no plantel de Winnipeg a partir da temporada seguinte. Com o êxodo de nomes importantes da blue line dos Jets, como Jacob Trouba e Dustin Byfuglien, o canadense se tornou ainda mais importante para a sua equipe. Por isso, na pré-temporada de 2019 ele estendeu seu compromisso com os Jets por mais oito anos, com um salário de 6,25 milhões anuais.

    ANDRE BURAKOVSKY, LW, WASHINGTON CAPITALS (#23 overall): adeus, Capitólio. Olá, Montanhas Rochosas. 

    A estreia profissional do sueco ocorreu na temporada 2011/2012 com o Malmo Redhawks, na liga que funciona como a segunda divisão do hockey na Suécia. Embora ele tenha sido draftado pelo SKA Saint Petersburg da Kontinental Hockey League (KHL) em 2012, Burakovsky permaneceu em seu país natal durante seu ano de elegibilidade para o draft da NHL. 

    Após ser escolhido pelo Washington Capitals o winger optou por jogar na Ontario Hockey League (OHL), onde defendeu o Erie Otters e jogou ao lado de Connor McDavid. O sueco estreou pelos Caps na temporada seguinte, onde atuou por cinco anos. Durante sua jornada na capital americana Burakovsky sofreu muitas críticas por não corresponder às expectativas que existiam sobre ele. 

    Com uma média de 30 e poucos pontos por temporada, o winger foi perdendo cada vez mais espaço na equipe. Entretanto, foi peça importante na trajetória da equipe até a conquista da Stanley Cup em 2018. Na intertemporada de 2019 o sueco foi trocado para o Colorado Avalanche, onde viu sua carreira se revitalizar e chegou à marca inédita de 45 pontos em apenas 58 jogos, alcançando os vinte gols pela primeira vez na carreira.

    JAKE GUENTZEL, C, PITTSBURGH PENGUINS (#77 overall): modo playoffs – carregando

    Diferentemente dos top prospects americanos, Guentzel não fez parte do USNTDP e jogou pela sua escola de ensino médio no torneio estadual de Minnesota, estado onde cresceu. Após finalizar o colegial o jogador optou por defender a Universidade de Nebraska Omaha, onde estudou e jogou durante três anos. Sua estreia profissional ocorreu em 2016 com o Wilkes-Barre/Scranton Penguins da AHL, e o primeiro jogo do winger na NHL foi em novembro daquele mesmo ano.

    Mesmo não tendo o pedigree de ter sido selecionado no primeiro round, tampouco no segundo, Guentzel mostrou sua importância para a equipe de Pittsburgh quando foi uma das peças mais importantes na conquista da Stanley Cup em 2017. Com 21 pontos na pós-temporada, Guentzel igualou o recorde de pontuação de um rookie nos playoffs da Liga. 

    Na temporada seguinte o americano marcou os mesmos 21 pontos em menos da metade dos jogos, mas em 2018/2019 seu aproveitamento (assim como o da equipe) caiu nos playoffs. Em 2019/2020 Guentzel sofreu uma lesão no ombro que o tiraria do rinque de quatro a seis meses, mas a paralisação da Liga devido ao COVID-19 pode significar que ele esteja pronto assim que a NHL retornar. Nesta temporada o americano soma 43 pontos em 39 jogos.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Elias Lindholm, C, Carolina Hurricanes (#5 overall): foi trocado para o Calgary Flames juntamente com Noah Hanifin na transação que levou Dougie Hamilton e Micheal Ferland a Raleigh.

    Bo Horvat, C, Vancouver Canucks (#9 overall): se tornou o capitão da equipe que defende no início da temporada 2019/2020 em uma cerimônia emocionante.

    Max Domi, C, Phoenix Coyotes (#12 overall): venceu a Memorial Cup com o London Knights na companhia de Mitch Marner e foi trocado para o Montreal Canadiens em 2018, com Alex Galchenyuk sendo mandado para os Yotes.

    Jason Dickinson, C, Dallas Stars (#29 overall): desde que passou a fazer parte do plantel da equipe texana, o canadense passou a ser uma figura de liderança na equipe e é tido como o sucessor natural de Jamie Benn, atual capitão dos Stars.

    Brett Pesce, D, Carolina Hurricanes (#66 overall): o defensor foi parte importante da campanha dos Canes nos playoffs do ano passado, quando a equipe chegou na final da sua conferência. Também é uma figura de liderança importante para a equipe de Raleigh.

    Juuse Saros, G, Nashville Predatos (#99 overall): tido como o sucessor do compatriota Pekka Rinne, Saros vem adquirindo cada vez mais experiência na NHL, tendo disputado 31 partidas na temporada 2019/2020.

  • Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Há duas semanas, o mundo do hockey foi surpreendido mais uma vez (será que, a esse ponto, deveríamos nos surpreender?) com um chat privado entre jogadores vazado na internet. Brendan Leipsic, até então jogador do Washington Capitals, seu irmão e outros amigos – também jogadores ou ex-jogadores de ligas menores – acharam normal depreciar mulheres, incluindo esposas e namoradas de colegas de times.

    Além das mulheres, Leipsic e companhia também ofenderam colegas de times e até jogadores de outras franquias em suas conversas. Quando descoberto, Leipsic precisou fazer uma nota de desculpas. Mas sejamos sinceras, aquela nota não foi ele quem escreveu e com certeza ele não está arrependido.

    A pior parte é ver gente “passando pano” dizendo que ele teve sua “privacidade invadida”. Oi? E as fotos que eles compartilharam nas conversas? 

    Bem, se você é desse tipo de pessoa que acha que ele está certo, talvez seja interessante ler um pouco deste Manual. 

    Meu privilégio, minhas regras

    Esse caso, que não é o primeiro e certamente não será o último, leva-nos a tentar entender como funciona a mente desses jogadores.

    Imagina só como é ser um homem branco, de origem privilegiada e jogar um esporte elitizado? Provavelmente significa sim que eu poderia falar abertamente das minhas conquistas amorosas como objetos. Ou melhor, sexuais, porque ninguém ali falou de relacionamento sério. 

    “Ora, se desde a infância fui colocado em um pedestal porque era modestamente melhor do que as outras crianças em um jogo no gelo, isso significa que eu realmente tenho o direito de me safar das tentativas de pessoas invejosas que gostariam de me ver falhar!” Afinal, fazer parte do 1% de um esporte competitivo é uma coisa a ser celebrada. “Todos os homens gostariam de estar no meu lugar e todas as mulheres me desejam.” Engraçado que esse tipo de pensamento sempre vem de homem, não é?

    Falar de assuntos alheios ao coronavírus enquanto estamos no meio de uma pandemia sem precedentes parece tolice. Mas a ausência de esportes para nos distrair fez com que uma conversa entre amigos tomasse proporções gigantescas.

    Se você vem de uma cidade pequena ou tem familiares que moram em uma, sabe como funcionam as coisas. Todo mundo conhece todo mundo. Alguns moradores têm um status diferenciado, seja pelo cargo que ocupam ou pelo dinheiro que têm em suas contas bancárias.

    A comunidade do hockey é como uma cidade pequena. Ou você já jogou com fulano, ou conhece quem já tenha jogado com ele. Não existe isso de não se conhecer, mesmo que não seja amigo íntimo, dificilmente as coisas passam despercebidas. 

    No caso de Leipsic, contudo, a situação é ainda mais grave. Veja bem, Winnipeg tem pouco mais de 750 mil habitantes e é uma das maiores cidades do Canadá. Contudo, ao mesmo tempo muitas coisas funcionam como uma cidade pequena.

    Quando rapazes conhecidos por muita gente mostram sua pior faceta, há de se esperar uma resposta da sociedade em que vivem. Afinal, muita gente estudou com eles ou conhece seus pais ou até mesmo jogou hockey na infância com um deles.

    O que nos leva a pensar: quando foi que alguém virou para esses meninos e falou que por serem minimamente competentes em um esporte, eles teriam o direito de menosprezar outros seres humanos? Será que eles estavam falando coisas assim de mim só porque eu emprestei um lápis para um deles na aula de Química no primeiro ano do colegial?

    Atletas de alto rendimento são tratados de forma diferente do que eu e você. Especialmente se eles são homens e mais ainda se são brancos. Isso acontece não só no Brasil, como no Canadá e eu desconfio que até em Papua Nova Guiné. (Ou talvez não por lá, confesso que não me dei ao trabalho de confirmar essa afirmação.)

    Mas será que ser acima da média em um mero jogo faz com que alguém seja automaticamente melhor do que uma pessoa que não tem inclinações esportivas? Ora, se eu sou boa em xadrez (meramente uma hipótese, já que nunca joguei xadrez na vida) eu sou uma nerd, mas se Fulano é bom em futebol ele merece ter o mundo aos seus pés? 

    Módulo 1: Como não ser um babaca 101

    Já que o programa de formação destes jovens jogadores de hockey não trouxe o módulo Como Não Ser Um Babaca 101, eu quero ensinar um pouco para vocês hoje. Esse é um curso essencial na formação de todo jovem enquanto transita para a vida adulta.

    Aliás, esta parece ser uma carência de currículo comum a outros lugares, já que alguns dos escândalos envolvendo atletas do esporte (e não estou falando só do hockey, mas de muitos outros também) são particularmente tenebrosos.

    Longe de mim generalizar todo jogador de hockey como um babaca, pelo contrário, acho que eles são, em sua grande maioria, caras bem legais que têm penteados duvidosos e sorrisos banguelas. Entretanto sei reconhecer que o esporte tende a ser um ambiente hostil não só para mulheres, assim como para pessoas LGBT e demais minorias. 

    Afinal, você torcedora que se identifica como mulher, quantas vezes não foi questionada se gostava de determinada equipe apenas por causa da aparência de seus jogadores? Diferenças de gênero por acaso fazem com que uma pessoa entenda melhor o que é Corsi?

    Eu, particularmente, acho muito engraçado como a minha feminilidade me impede de saber como funcionam as penalidades da NHL, assim como saber quem foi a escolha do terceiro round que o Atlanta Thrashers fez em seu último draft (foi Julian Melchiori, caso você não saiba). Como Não Ser Um Babaca 101 me parece ser uma necessidade na grade curricular não apenas dos atletas, mas também de muitos de seus torcedores. 

    O resumo da ópera é: ser bom em uma coisa não te dá um passe livre para ser um babaca.

    Muito menos para falar coisas absurdas de pessoas inocentes que estão apenas vivendo suas vidas e sendo felizes. Misoginia não é engraçado, racismo não é engraçado, xenofobia não é engraçado, homofobia não é engraçado. E ser um babaca também não.

    Para concluir nosso módulo introdutório de Como Não Ser um Babaca 101, eu decidi trazer algumas sugestões para jovens atletas que estão sem o que fazer na quarentena, já que não têm filho para trocar as fraldas ou ajudar com o dever de casa, a fim de evitar que eles percam tempo falando absurdos em grupos de conversas. Vejamos:

    1. Ler um livro que não envolva hockey, esporte, autoajuda ou que tenha figuras (caso você viva em uma caverna e não saiba o que são livros, estamos abertas a indicar boas leituras);
    2. Treinar coreografias do Tik Tok (além de ser uma atividade física divertida, vai te fazer usar a criatividade para algo melhor do que ofensas gratuitas);
    3. Aprender a tocar violão e fazer uma live só com o repertório do Nickelback (acho que essa só funciona para canadenses – ou para o vestiário do Carolina Hurricanes);
    4. Tricotar botinhas no formato de patins para seus pets; (ou, se não tem um pet, arrume um. Vai ser uma boa companhia e você vai aprender como é cuidar de alguma coisa que pode te ensinar o que é amizade de verdade);
    5. Escreva um livro (tenho certeza que você tem mais para contar do que com quem você dormiu no verão de 2011);
    6. Literalmente qualquer coisa que não envolva comentários asquerosos e preconceituosos.

    Se mesmo com tantas opções de coisas para fazer o jovem atleta ainda decidir ser um babaca, ele merece sim sofrer as consequências por isso. Como a pessoa adulta que é. Afinal, jogar hockey em alto nível pode ser a realização de um sonho de criança, mas o mundo em que vivemos é o mundo dos adultos.

    Lembrem-se sempre: não é legal ser babaca, então não seja um. Eu juro que é bem fácil, é só você tentar, ou melhor, não ser. 

  • Draft Class de 2012: onde estão

    Draft Class de 2012: onde estão

    Diferentemente de anos anteriores, assim como os que viriam a seguir, o draft de 2012 não teve um top3 de encher os olhos. Na verdade, é possível dizer que seus jogadores mais importantes foram pinçados no decorrer do evento. A first pick foi, pelo terceiro ano consecutivo, do Edmonton Oilers, que optou selecionar um atacante pela terceira vez. 

    O draft de 2012 aconteceu em 22 e 23 de junho daquele ano, na cidade de Pittsburgh. O ano marcou a última vez em que apenas os cinco piores times participaram da loteria, fazendo Edmonton pular da segunda posição para a primeira. Vamos analisar, além do top3, alguns dos principais nomes que saíram da seleção deste ano.

    NAIL YAKUPOV, RW, EDMONTON OILERS (#1 overall): de volta à minha terra

    O russo começou sua carreira no time de sua cidade natal, Reaktor Nizhnekamsk, na liga juvenil da Rússia. Aos 16 anos o jogador foi selecionado pelo Sarnia Sting da Ontario Hockey League (OHL), no Import Draft (a forma como atletas estrangeiros são escolhidos) da Canadian Hockey League (CHL). No decorrer de seu ano de estreia pela equipe, Yakupov se destacou. Além disso, foi o primeiro jogador da história do Sting a ganhar o troféu de rookie do ano. 

    Ranqueado como o primeiro patinador da América do Norte, Yakupov foi selecionado com a primeira escolha e já assinou um contrato com os Oilers. Entretanto, embora o clube desejasse que o russo voltasse à OHL durante o lockout de 2012, o atleta decidiu jogar em seu país natal. Ocorre que o acordo entre a CHL e a NHL impede que um atleta com contrato e idade para jogar major juniors atue fora de uma das duas ligas. 

    Assim, por irregularidades junto à IIHF, o russo retornou ao Sarnia Sting momentaneamente, antes de receber permissão da Hockey Canada para voltar à KHL. Em janeiro de 2013, com o fim do lockout, Yakupov voltou aos Oilers, marcando seu primeiro gol contra o San Jose Sharks. Na temporada reduzida o russo marcou 31 pontos em 48 jogos, mas seu desempenho nos anos seguintes gerou insatisfação no clube canadense. 

    Depois de campanhas modestas com Edmonton, em 2016 ele foi trocado para o St. Louis Blues, onde não teve números bons e sofreu uma lesão no joelho que encerrou sua temporada. Por falta de interesse da equipe de Missouri, o russo se tornou um unrestricted free agent em 2017. Ele então assinou um contrato de um ano com o Colorado Avalanche por menos de um milhão de dólares. Ao ser novamente um UFA no ano seguinte, Yakupov decidiu retornar à KHL, desta vez para atuar pelo SKA St. Petersburg, onde joga até hoje. 

    RYAN MURRAY, D, COLUMBUS BLUE JACKETS (#2 overall): Mr. Glass de Ohio

    O defensor canadense passou sua carreira no major juniors atuando pelo Everett Silvertips da Western Hockey League (WHL), de 2008 a 2013. Murray foi peça importante da defesa do time, tendo sido inclusive nomeado capitão no início de seu terceiro ano. Às vésperas do draft, o jogador era o segundo no ranking da América do Norte, tendo sido escolhido por Columbus com a segunda escolha. 

    Murray assinou seu primeiro contrato profissional após o draft, em 2012. Entretanto, uma lesão em novembro do mesmo ano o tiraram do resto da temporada da WHL e, consequentemente, da NHL. Aqui começaria um histórico de lesões que o perseguiriam durante sua carreira. O defensor estreou contra o Calgary Flames e marcou seu primeiro gol contra o Toronto Maple Leafs.

    Em suas cinco primeiras temporadas Murray perdeu cerca de 35% das partidas que poderia ter disputado. O atleta já sofreu lesões no joelho, fratura na mão, dentre outras contusões na carreira de sete anos. Em 2016 a equipe de Ohio estendeu seu compromisso com o defensor por mais dois anos, com um contrato avaliado em 5.65 milhões de dólares. Entretanto, em 2018, o histórico do canadense pesou e ele assinou apenas uma qualifying offer no valor de pouco mais de 800 mil dólares.

    ALEX GALCHENYUK, LW, MONTREAL CANADIENS (#3 overall): o viajante das quatro divisões

    Assim como Yakupov, Galchenyuk também jogou no Sarnia Sting da OHL e foi selecionado em terceiro pelo Montreal Canadiens. Durante o lockout de 2012, o americano (que tem origem bielorrussa) retornou à equipe de juniors, marcando 27 gols e 34 assistências em apenas 33 jogos. Desta forma, Galchenyuk chegou a Montreal com muitas expectativas sobre seus ombros. O clube se trata de um original six e tem uma das torcidas mais fanáticas do hockey.

    Seu primeiro gol foi contra o Florida Panthers e o atleta terminou a temporada com 27 pontos em 48 jogos, uma campanha respeitável para um rookie. Os anos seguintes foram feitos de altos e baixos para o jogador. Ele passou por lesões e problemas pessoais que fizeram com que o americano sempre estivesse cercado de rumores sobre uma possível troca. Depois de marcar 20 e 30 gols em temporadas consecutivas, o rendimento ofensivo do winger caiu. 

    Além disso, o clube desejava que o atleta passasse a atuar como center, gerando muita resistência de sua parte. O desgaste entre jogador e time resultou na troca com o Arizona Coyotes em 2018, que enviou Max Domi para Montreal. Com 41 pontos em 72 partidas, Galchenyuk foi trocado na off-season seguinte para o Pittsburgh Penguins, onde não obteve muito sucesso. Após menos de um ano com o clube, ele foi enviado para o Minnesota Wild na troca que levou Jason Zucker aos Pens.

    MORGAN RIELLY, D, TORONTO MAPLE LEAFS (#5 overall): a primeira peça do quebra-cabeças 

    A postura do defensor canadense transmite a maturidade de um verdadeiro veterano. Rielly, com seus sete anos de NHL, é uma das principais estrelas da equipe de Toronto. Antes de estrear como profissional, o atleta jogava pelo Moose Jaw Warriors da WHL, mas uma lesão séria no joelho impediu que ele jogasse grande parte de sua temporada de elegibilidade. Mesmo assim, ele foi ranqueado em quinto lugar entre os patinadores norte-americanos e foi escolhido justamente em quinto pelo  Toronto.

    Com o lockout bloqueando o início da temporada na NHL, Rielly fez sua estreia profissional pelo Toronto Marlies da American Hockey League (AHL) em 2012. Seu primeiro jogo na Liga ocorreu apenas na temporada seguinte, contra o Ottawa Senators. Embora os Leafs tenham tido campanhas complicadas até a chegada de Auston Matthews, o defensor sempre foi visto como parte do futuro da equipe, adquirindo inclusive um papel importante de liderança.

    Em 2016 o canadense estendeu seu contrato com Toronto por mais seis anos, por cerca de cinco milhões anuais. No mesmo ano, a equipe foi rejuvenescida com a chegada de Matthews e Mitch Marner, e Rielly se consolidou como o 1D do time. Os 72 pontos que ele fez na temporada 2018-2019 marcaram a primeira vez desde 1980 que um defensor atingiu esta marca pelo clube. 

    Entretanto, apesar do sucesso na Liga, Rielly se envolveu em uma polêmica em março de 2019. Um microfone da transmissão captou o defensor supostamente usando um termo homofóbico. Após uma investigação, a NHL constatou que não havia passado de um mal entendido. Rielly, por sua vez, participou da Parada do Orgulho Gay de Toronto em 2019, juntamente com o GM Kyle Dubas.

    FILIP FORSBERG, LW, WASHINGTON CAPITALS (#11 overall): a invasão sueca na Music Row 

    Depois de se destacar em competições juniores pela seleção sueca, Forsberg chegou ao draft ranqueado como o melhor atacante da Europa. Assim, foi selecionado pelo Washington Capitals em 11º e assinou seu contrato no development camp daquele mesmo ano. O sueco foi emprestado para o Leksands IF, equipe que o revelou. Assim, ajudou o time a ser promovido para a Swedish Hockey League (SHL) novamente.

    Porém, em abril de 2013 o jogador foi trocado para o Nashville Predators por Martin Erat e Michael Latta. Após o fim da temporada sueca, ele fez o seu primeiro jogo pelos Preds contra o Detroit Red Wings. O sueco estreou na temporada 2012/2013 e passou o ano seguinte alternando atuações entre os Preds e o seu time da AHL, o Milwaukee Admirals. Entretanto, a partir da temporada 2014/2015 Forsberg se tornou uma peça importante para o ataque de Nashville. O jogador foi inclusive um dos representantes da equipe no All Star Game de 2015.

    Forsberg passou a ter números expressivos, especialmente no quesito gols, sendo inclusive o primeiro jogador da história da franquia a marcar dois hat tricks em uma mesma temporada. Após duas temporadas com mais de 30 gols, o sueco passou a fazer parte do grupo de liderança da equipe, recebendo um A. Atualmente, o jogador está nos anos finais do contrato de seis anos que assinou em 2016, avaliado em 6 milhões anuais.

    ANDREI VASILEVSKIY, G, TAMPA BAY LIGHTNING (#19 overall): “Big Cat” to the Rescue

    Goleiros raramente são selecionados no primeiro round, mas desde o draft Vasilevskiy já demonstrou que era diferente da maioria. Ranqueado como o primeiro goleiro europeu, o russo iniciou sua carreira no Salavat Yulaev Ufa da KHL, assinando seu primeiro contrato com o Lightning apenas em 2014.

    Embora seu início na América do Norte, jogando pelo Syracuse Crunch da AHL, tenha sido positivo, em setembro de 2015 o russo passou por um problema de saúde. O goleiro teve um coágulo sanguíneo retirado das proximidades de sua clavícula e ficou alguns meses afastado do rinque enquanto se recuperava.

    Com números extremamente positivos, Vasilevskiy se tornou um dos pilares da forte equipe de Tampa, com uma SV% de .919 e média de 2.55 gols concedidos. Além de ter sido um All Star por três anos consecutivos, 2018, 2019 e 2020, o russo ganhou o Vezina Trophy, dado ao melhor goleiro da Liga, no NHL Awards de 2019. Na última temporada ele assinou um novo contrato com o Lightning que se estende até 2027/2028 por cerca de 9.5 milhões anuais.

    SHAYNE GOSTISBEHERE, D, PHILADELPHIA FLYERS (#78 overall): o fantasma do Wells Fargo Center

    Natural da Flórida, o defensor americano começou no hockey através do programa infanto-juvenil do Florida Panthers, tendo optado pela carreira universitária após terminar o ensino médio. Com a equipe da Union College, Gostisbehere ganhou o Frozen Four, campeonato nacional das equipes universitárias, se destacando como uma das estrelas da sua equipe.

    Embora o defensor tenha iniciado sua carreira profissional em 2014 na AHL, ele sofreu uma lesão no ligamento cruzado  no início da temporada, encerrando sua participação naquele ano. Na temporada seguinte, o americano começou jogando pelo Lehigh Valley Phantoms, mas após o primeiro mês na AHL foi acionado pelos Flyers para jogar na NHL.

    Com uma temporada memorável que incluiu uma streak de 15 jogos pontuando, o defensor foi um dos finalistas do Calder Trophy. Embora sua campanha tenha sido significativa, Gostisbehere perdeu o prêmio para Artemi Panarin. Em 2017 o americano assinou um contrato de seis anos, avaliado em aproximadamente 4.5 milhões anuais.

    Conhecido por seu estilo extremamente ofensivo, o defensor é um tópico sensível para a torcida de Philadelphia, que se tornou cada vez mais frustrada com suas atuações. Isto porque Gostisbehere conseguiu replicar a performance de seu ano de estreia apenas uma vez e, consequentemente, é um nome que sempre faz parte de rumores de trocas com outras equipes.

    MATT MURRAY, G, PITTSBURGH PENGUINS (#83 overall): o novato sensação do bicampeonato

    O goleiro canadense jogou os quatro anos de elegibilidade da OHL pelo Sault St. Marie Greyhounds, terminando sua carreira no major juniors com uma SV% de .921. Já no sistema do Pittsburgh Penguins, Murray estreou pelo Wilkes-Barre Scranton Penguins após o fim de sua temporada da AHL e, no ano seguinte, teve a impressionante SV% de .941 em 40 jogos disputados.

    A estreia de Murray na NHL se deu em dezembro de 2015, mas o início de sua história na franquia se deu em fevereiro do ano seguinte, quando ele atuou em nove partidas da temporada regular. Com uma campanha impecável, o canadense se tornou o titular do gol dos Penguins na campanha de 2016 e foi apenas o sexto goleiro rookie desde 1976 a começar uma partida nas finais. 

    Campeão da Stanley Cup, Murray foi se apossando da titularidade do gol de Pittsburgh, e por pouco o canadense não foi um dos finalistas do Calder Trophy. Isto porque ele não havia jogado o número de partidas necessário para ser tido como rookie no ano anterior, apesar de ter sido o titular em uma porção considerável da pós temporada. Ao final de 2016/2017, Murray foi novamente campeão da Stanley Cup, curiosamente ganhando nos dois anos com status de novato.

    Com a ida de Marc-André Fleury para o Vegas Golden Knights no draft de expansão (2017), o canadense se fixou como o titular absoluto dos Penguins. Seus números de carreira são SV% de .914 e uma média de 2.67 gols sofridos. O goleiro está no terceiro e último ano de seu contrato, avaliado em 3.75 milhões anuais.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Hampus Lindholm, D, Anaheim Ducks (#6)

    Revelado pelo Rögle BK da SHL, Lindholm também foi campeão no mundial de 2018 pela seleção da Suécia.

    Matt Dumba, D, Minnesota Wild (#7)

    Conforme foi adquirindo experiência na NHL, Dumba se tornou o parceiro de defesa de Ryan Suter, mas constantemente tem seu nome vinculado em rumores de trocas.

    Jacob Trouba D, Winnipeg Jets (#9) – atualmente jogador do New York Rangers

    O defensor se recusou a assinar uma extensão com os Jets, e teve seus direitos trocados de Winnipeg para o New York Rangers.

    Tom Wilson, RW, Washington Capitals (#16)

    Apesar dos (inúmeros) problemas disciplinares, Wilson foi peça importante na campanha vitoriosa do Washington Capitals em 2018.

    Teuvo Teravainen, LW, Chicago Blackhawks (#18) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Campeão da Stanley Cup por Chicago, o finlandês passou a ser uma figura importante do elenco do Carolina Hurricanes após ser trocado para a equipe.

    Frederik Andersen, G, Anaheim Ducks (#87) – atualmente jogador do Toronto Maple Leafs

    Por não ter chegado a um acordo com o Carolina Hurricanes, time que o draftou em 2010, o dinamarquês se inscreveu novamente para o draft de 2012, sendo selecionado por Anaheim, onde começou sua carreira na NHL.

    Connor Hellebuyck, G, Winnipeg Jets (#130)

    Finalista do Vezina Trophy em 2018, o goleiro americano estava entre os nomes mais cotados para o troféu deste ano, antes da paralisação da Liga.

    (Foto: SarniaSting.com/Reprodução)

  • O lockout de 2012 e suas repercussões

    O lockout de 2012 e suas repercussões

    Com o final da temporada 2011-12, o Collective Bargaining Agreement (CBA) entre a NHL e a NHL Players’ Association (NHLPA), que fora estabelecido após o lockout de 2004, chegou ao fim. Assim, as duas entidades iniciaram as negociações para estabelecer um novo acordo coletivo. Entretanto, após o prazo de negociações findar-se, as partes não chegaram um acordo, o que gerou uma nova paralisação da Liga.

    O que é um lockout (locaute)?

    O lockout tem a sua origem semântica na expressão inglesa “to lock out“, que significa “trancar para fora”. Ele nada mais é do que um fechamento patronal.

    Isto porque sua origem vem de uma disputa industrial entre os empregadores e seus trabalhadores, em uma situação em que o patrão impede os seus funcionários de terem acesso ao seu trabalho, seja deixando-os de fora do local onde exercem sua função laboral ou deixando de aceitar o que é oferecido.

    Enquanto a greve é um direito do trabalhador, o lockout é uma prática proibida em muitos países, inclusive no Brasil. A razão para esta proibição reside no fato de ser considerada uma ofensa à liberdade de trabalho, pois é um mecanismo pelo qual o empregador pressiona seus funcionários, visando que eles cedam em algum aspecto da relação trabalhista.

    Contexto histórico dos lockouts nos esportes

    A existência de paradas forçadas das atividades não é uma exclusividade da NHL. As três outras grandes ligas profissionais norte-americanas, NBA, NFL e MLB, passaram pela mesma situação em diversos momentos. A principal fonte de discussão é, sem dúvidas, a divisão da receita entre os donos dos clubes e os atletas que atuam na Liga. 

    Antes dos anos 1990, as paradas nas ligas esportivas eram, em sua maioria, greves. Entretanto, conforme a comercialização dos esportes enquanto produtos, além da expansão para outros mercados e as assinaturas de contratos estratosféricos com as emissoras de televisão, a situação passou a mudar. 

    Os donos dos clubes perceberam que era financeiramente mais viável promover o lockout do que ficar a mercê de uma greve. Desta forma, o fardo econômico passava para os atletas. Com isso, esta prática ficou mais comum, viabilizando que os donos ficassem com a maior parte da receita dos clubes. 

    Quando a NHL teve lockouts?

    O primeiro foi na temporada 1994-95, pouco tempo após Gary Bettman ter se tornado comissário da Liga.

    Bettman tinha como objetivo estabelecer o chamado luxury tax, penalizando equipes com folhas salariais excessivamente robustas. Em janeiro de 1995, após mais de cem dias, as duas partes chegaram a um acordo. Isso foi visto como uma vitória para os donos dos clubes, mas os salários altos persistiram. 

    Com alegações de que os salários exorbitantes fizeram com que a Liga perdesse quase 2 bilhões de dólares, ocorreu outro lockout em 2004-05. A temporada foi cancelada e o salary cap (teto salarial), foi instaurado, estabelecendo o máximo que um time poderia gastar com sua folha salarial. Este mecanismo também implementou o salary floor, que determina o mínimo que uma equipe poderia gastar.

    Fatores que resultaram no lockout de 2012?

    O principal fator de discórdia entre a NHLPA e os proprietários dos clubes era a proporção com a qual a receita anual seria dividida.

    Entre 2005-06 e 2011-12 a receita anual foi de 2.2 bilhões para 3.3 bilhões, o que fazia com que os jogadores tivessem um grande aumento nos salários, já que a média foi de 1.46 milhões em 2005 para 2.17 milhões em 2011. Além disso, foi assinado um acordo de televisão valorizado em quase 2 bilhões para 10 anos. 

    Entretanto, o aumento na receita, o teto salarial e o limite nos salários dos novatos não fizeram com que a Liga operasse inteiramente de uma forma saudável. Mesmo com essas limitações os jogadores ainda tinham 57 por cento da receita, enquanto os donos ficavam com 43 por cento.

    A título de comparação, após os lockouts de 2011 na NFL e na NBA, os donos da primeira retinham 53 por cento da receita, e os da liga de basquete tinham direito a 50 por cento.

    Outra causa importante foi a estrutura de mercados, pois havia uma diferença enorme entre os clubes em termos de saúde financeira. Mercados grandes como Montreal, Nova York e Toronto correspondiam a oitenta por cento da receita da Liga, enquanto 13 dos 30 clubes perderam dinheiro em 2011-12.

    Além da questão financeira, a localização também contava pontos, já que hockey era infinitamente mais popular no Canadá do que no sul dos Estados Unidos, por exemplo. 

    O que os atletas fizeram durante a parada?

    Enquanto parte dos jogadores permaneceram na América do Norte para participar das negociações entre a NHLPA e a Liga, muitos foram explorar outros mercados enquanto esperavam pelo retorno da NHL.

    Evgeni Malkin e Alex Ovechkin retornaram para as equipes russas que os revelaram, Metallurg Magnitogorsk e Dynamo Moscow, respectivamente, parte da Kontinental Hockey League (KHL). 

    Outro destino procurado pelos atletas foi a Suíça. Lá, Patrick Kane e Tyler Seguin atuaram pelo EHC Biel, Patrice Bergeron pelo HC Lugano, John Tavares pelo Bern e Joe Thornton pelo Davos.

    Na Suécia, Gabriel Landeskog atuou pelo Djurgarden, Matt Duchene pelo Frolunda e Anze Kopitar pelo Allsvenskan. Jamie Benn e Claude Giroux, por sua vez, foram para a Alemanha, enquanto Jaromir Jagr e Zdeno Chara atuaram na liga tcheca. 

    Aqueles que permaneceram em solo norte-americano passaram a se reunir para treinos informais, já que todas as atividades relativas à  Liga estavam obrigatoriamente suspensa.

    Além disso, foram organizadas partidas beneficentes. A Champs for Charity, trazia jogadores do elenco do Chicago Blackhawks contra uma equipe formada por atletas de outros times. As doações foram destinadas a Ronald McDonald House Charities da região.

    No feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, quase 30 NHLers jogaram em Atlantic City e arrecadaram cerca de 500 mil dólares para ajudar vítimas do Furacão Sandy. Outras partidas de destaque também aconteceram em Toronto e Minneapolis.

    As partes chegam a um acordo

    O centro do acordo foi a divisão igual da receita entre donos e jogadores na proporção de 50% para cada um, tal como a NBA. Outra inovação foi a limitação da duração dos contratos. Antes, os termos não previam limite e passaram a ter prazo máximo de sete ou oito anos, a depender da situação.

    Uma previsão que não foi incluída no CBA é a participação dos jogadores nas Olimpíadas e embora eles tenham feito parte dos jogos de 2014 em Sochi, a participação em 2018 foi vetada pelos donos.

    Outras mudanças incluíram o salário mínimo da Liga, além das suspensões de mais de cinco jogos passarem a ser submetidas para um árbitro neutro e não ao comissário. Por fim, foi instaurado um novo sistema para a loteria do draft. Este passou a incluir todas as equipes que não se classificaram para a pós-temporada.

    O acordo celebrado tem a duração de dez anos, findando-se em 2021-22, com a possibilidade de uma das partes romper o acordo em setembro de 2019, o que não aconteceu.

  • Draft Class de 2011: onde estão

    Draft Class de 2011: onde estão

    A loteria de 2011 foi vencida pelo New Jersey Devils, que subiu no ranking da seleção até a quarta posição. Entretanto, a primeira escolha, por sua vez, ficou com o Edmonton Oilers pelo segundo ano consecutivo. No ano anterior a equipe havia selecionado Taylor Hall com a first pick, mas o canadense teve sua temporada encerrada prematuramente devido a uma lesão.  

    Antes do draft, que aconteceu no final de semana dos dias 24 e 25 de junho em Minnesota, os três nomes mais cotados para a primeira escolha eram Ryan Nugent-Hopkins, center do Red Deer Rebels da Western Hockey League (WHL), Gabriel Landeskog, left wing do Kitchener Rangers da Ontario Hockey League (OHL) e Adam Larsson do Skelleftea da Swedish Hockey League (SHL).

    Seja pelo desempenho no gelo ou as transações que os envolveram, os atletas da classe de 2011 tiveram um grande impacto na NHL. Assim, vamos falar um pouco mais sobre os principais nomes que foram selecionados naquele ano. 

    RYAN NUGENT-HOPKINS, C, EDMONTON OILERS (#1 overall): o último dos kid liners

    O center canadense iniciou sua carreira na WHL na temporada 2008/2009, marcando seis pontos em cinco jogos como jogador underage. Na temporada seguinte, Nugent-Hopkins anotou 24 gols e 41 assistências em 67 jogos, o que lhe rendeu o prêmio de rookie do ano da liga. Em junho de 2011 o canadense foi selecionado pelo Edmonton Oilers com a primeira escolha do draft, assinando seu primeiro contrato profissional poucos dias depois. Na sua temporada de estreia, RNH marcou 18 gols e 34 assistências, tendo sido indicado ao prêmio de rookie do ano. 

    Em Edmonton, ele muitas vezes fez parte da chamada kid line com Jordan Eberle e Taylor Hall, selecionados nos dois anos anteriores pela equipe de Alberta. Ao final da temporada 2012/2013, reduzida pelo lockout, os Oilers anunciaram que Nugent-Hopkins precisaria fazer uma cirurgia no ombro. Naquela mesma intertemporada o center estendeu seu compromisso com Edmonton por mais sete anos, custando 6 milhões anuais. 

    Desde então o canadense foi selecionado para o All-Star Game e representou seu país no mundial da IIHF. Com a chegada de Connor McDavid e as mudanças no elenco dos Oilers, Nugent-Hopkins passou a atuar também como left wing na linha de McDavid. Embora não tenha se tornado uma estrela, o canadense é conhecido por seu jogo constante, sendo uma peça secundária importante em sua equipe. Atualmente ele conta com 169 gols e 274 assistências, somando 443 pontos em 604 partidas.

    GABRIEL LANDESKOG, LW, COLORADO AVALANCHE (#2 overall): o príncipe sueco das Montanhas Rochosas

    Embora o jogador seja sueco, Landeskog mudou-se para o Canadá com 16 anos para atuar pelo Kitchener Rangers da OHL. Durante a temporada 2010/2011 o winger foi nomeado capitão da equipe, se tornando o primeiro europeu na história da franquia a assumir o C. Landeskog terminou a temporada que antecedeu seu draft  com 37 gols em 53 jogos. 

    No draft o sueco foi selecionado pelo Colorado Avalanche, assinando seu primeiro contrato profissional logo em seguida. Uma das razões pelas quais Landeskog estreou na NHL imediatamente pode ter sido o chão salarial, já que seu contrato ajudaria a equipe americana a atingir o valor mínimo exigido pela Liga. Entretanto, o sueco excedeu as expectativas e sua campanha de estreia lhe rendeu o Calder, prêmio oferecido ao rookie do ano, após marcar 52 pontos.

    Na temporada seguinte Landeskog quebrou um recorde que pertencia a Sidney Crosby, o de jogador mais jovem a se tornar capitão de sua equipe. Com 19 anos, nove meses e 13 dias à época. Entretanto, o sueco perdeu esta honraria quando Connor McDavid se tornou capitão dos Oilers em 2016. Desde sua estreia na NHL Landeskog desenvolveu seu jogo, se tornando uma peça indispensável para a equipe de Denver no gelo e fora dele. 

    Com o aumento da competitividade de seu time, o sueco passou a se destacar ainda mais, formando uma das melhores linhas da Liga com Nathan MacKinnon e Mikko Rantanen. No cenário internacional, Landeskog foi medalha de prata pela Suécia nas Olimpíadas de Sochi em 2014, além de ganhar o ouro do mundial da IIHF em duas ocasiões, em 2013 e 2017. Enquanto isso, na NHL o sueco soma 198 gols e 262 assistências, totalizando 460 pontos em 633 jogos.

    JONATHAN HUBERDEAU, LW, FLORIDA PANTHERS (#3 overall): bonjour, Florida

    O jogador começou sua carreira no major juniors defendendo o Saint John Sea Dogs da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL) em 2009. Na temporada que antecedeu o draft, 2010/2011, ele marcou 43 gols e 62 assistências em 67 jogos, o que lhe colocou no top 3 de patinadores norte-americanos no ranking dos olheiros. Além disso, o canadense foi campeão da Memorial Cup daquele ano, sendo peça importante para a conquista de sua equipe. 

    Embora Huberdeau tenha sido draftado em 2011 pelos Panthers, ele disputou apenas partidas da pré-temporada de 2011/2012 antes de retornar à sua equipe da QMJHL. No ano seguinte, entretanto, o jogador passou a integrar o elenco do Florida Panthers após o término do lockout de 2012. Após marcar 14 gols e 17 assistências em 48 jogos (tratava-se de uma temporada reduzida), Huberdeau foi o ganhador do Calder no NHL Awards daquele ano.

    Desde então o winger vem tendo uma posição de destaque na equipe da Flórida, especialmente na primeira linha do time juntamente com Aleksander Barkov. Em 2016 Huberdeau assinou um novo contrato com os Panthers, por um salário de aproximadamente 5,9 milhões anuais por seis anos. Além disso, em novembro de 2019 o canadense passou Stephen Weiss e atualmente é detentor do recorde de mais assistências na história da franquia. Em 536 partidas, Huberdeau tem 148 gols e 289 assistência, somando 437 pontos.

    SEAN COUTURIER, C, PHILADELPHIA FLYERS (#6 overall): o banguela de Broad Street

    Em sua primeira temporada na QMJHL Couturier fez parte da campanha vitoriosa do Drummondville Voltigeurs, que venceu a competição. No ano seguinte, 2009/2010,  o center venceu o prêmio de maior pontuador da Q, sendo o jogador com o menor número de pontos a vencê-lo na história do troféu. Já em seu ano de elegibilidade, o canadense contraiu mononucleose, doença esta que não diminuiu sua efetividade no gelo, já que ele teve a mesma quantia de pontos do ano anterior em menos partidas.

    A escolha usada por Philadelphia para selecioná-lo era na verdade do Columbus Blue Jackets, tendo sido adquirida na troca que levou Jeff Carter para Ohio e trouxe Jakub Voracek para Philly. Em seu início de carreira com os Flyers, o center tinha um papel mais defensivo, especialmente no penalty kill da equipe. Sua importância para o time veio à tona especialmente no duelo entre os Flyers e os seus arquirrivais Pittsburgh Penguins nos playoffs de 2012. Couturier, que tinha 19 anos à época, foi encarregado com a tarefa de anular Evgeni Malkin, então vencedor do Art Ross. 

    Ainda que tenha desenvolvido uma reputação como um center defensivo, o canadense só começou a desenvolver sua ofensa quando passou a atuar na primeira linha dos Flyers, com Claude Giroux e Jakub Voracek. Desde então Couturier tem sido destaque entre os centrais da Liga, e conquistou sua primeira indicação ao Selke em 2018. O canadense soma 402 pontos em 647 partidas.

    JOHN GIBSON, G, ANAHEIM DUCKS (#39 overall): um pato que voa solo

    Como é de praxe para os atletas americanos, o goleiro fez parte do USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Durante o programa Gibson fez um compromisso com a Universidade de Michigan, tradicional pelo hockey universitário. Entretanto, o jogador decidiu abrir mão de sua elegibilidade perante a NCAA para jogar pelo Kitchener Rangers da OHL.

    Gibson fez sua estreia profissional pelo Norfolk Admirals da American Hockey League (AHL) em abril de 2013, depois de jogar por mais dois anos na OHL. No mesmo mês do ano seguinte, o goleiro participou de sua primeira partida na NHL, substituindo o então goleiro dos Ducks, Frederik Andersen, e conseguindo um shutout. Durante a pós-temporada daquele ano Gibson também conseguiu um shutout na sua estreia, em uma partida contra o Los Angeles Kings.

    O americano disputou a vaga de titular do gol de Anaheim com Andersen até o dinamarquês ser trocado para o Toronto Maple Leafs, em 2016. Dois anos depois, os Ducks estenderam o contrato de Gibson por mais oito anos, com um salário de 6,4 milhões anuais. Em 287 partidas, o goleiro tem uma porcentagem de .918, com uma média de 2.53 gols sofridos por jogo e 19 shutouts. Gibson foi selecionado como All-Star em 2016 e 2019, além de ter sido o recipiente do troféu William M. Jennings, para o goleiro que, em pelo menos 25 partidas, sofreu a menor quantidade de gols.

    NIKITA KUCHEROV,  RW, TAMPA BAY LIGHTNING (#58 overall): um superstar russo em Tampa Bay

    O russo iniciou sua carreira profissional no CSKA Moscou da Kontinental Hockey League (KHL), onde atuou até 2012. Com a finalidade de se acostumar com as diferenças na América do Norte, o winger passou a atuar na QMJHL com o Quebec Rampants e depois com o Rouyn-Noranda Huskies. Na temporada 2013/2014, após uma breve passagem pelo Syracuse Crunch da AHL, o russo estreou na NHL em 2013, marcando seu primeiro gol contra Henrik Lundqvist do New York Rangers.

    Após uma primeira temporada tímida, com apenas 18 pontos, Kucherov desabrochou ofensivamente, marcando 65, 66 e 85 nos três anos seguintes. Na temporada 2017/2018, o winger conseguiu atingir a marca dos 100 pontos, superada no ano seguinte, quando alcançou 128. Embora Kucherov tenha um desempenho estelar durante a temporada regular, suas atuações na pós-temporada já foram alvos de críticas, especialmente após o Lightning ser varrido pelo Columbus Blue Jackets nos  playoffs em 2019.

    Entretanto, o russo já tem uma prateleira de troféus invejável. Foi ganhador do Art Ross, Hart Memorial e Ted Lindsay em 2019. Além disso, Kucherov já representou Tampa Bay em três All-Star Games diferentes, em 2017, 2018 e 2019. O russo tem impressionantes 547 pontos (221 gols e 326 assistências) em 515 jogos em sua carreira na NHL.

    JOHNNY GAUDREAU, LW, CALGARY FLAMES (#104 overall): Johnny Hockey em chamas

    Ao contrário de Gibson, por exemplo, o pequeno winger apelidado de Johnny Hockey não fez parte do programa de desenvolvimento da USA Hockey. Gaudreau jogou sua temporada de elegibilidade para o draft com o Dubuque Fighting Saints, da United States Hockey League (USHL). Ele foi selecionado apenas no quarto round pelos Flames, além de ter sido o menor atleta a ser escolhido por uma das equipes, com aproximadamente 1,68 de altura. 

    Após terminar o colegial, Gaudreau fez parte do training camp dos Flames e, em seguida, iniciou sua carreira universitária. Enquanto calouro do Boston College Eagles, Johnny Hockey marcou 21 gols e 23 assistências em 44 jogos, liderando em pontuação os outros calouros. Gaudreau foi parte importante para o título nacional dos Eagles, além de ter recebido o prêmio de MVP do torneio. Além disso, ele contribuiu para a vitória de BC no tradicional Beanpot, torneio entre as universidades da região de Boston, do qual também foi MVP.

    Nos dois anos seguintes Gaudreau se tornou a verdadeira estrela da equipe, fazendo com que, em 2014, ele se tornasse o vencedor do troféu Hobey Baker, dado ao melhor jogador universitário da NCAA. Logo após o final da temporada universitária o americano assinou seu primeiro contrato profissional com Calgary. Nos Flames ele se tornou a estrela da equipe, com pontuações indo dos 61 aos 99 pontos, marca esta alcançada no último ano. 

    Gaudreau estendeu seu compromisso com o time de Alberta em outubro de 2016, após longas discussões contratuais que fizeram com que ele perdesse o training camp. Calgary teria Johnny Hockey por mais seis anos, com um salário anual de cerca de 6.75 milhões. Em sua carreira na NHL Gaudreau tem 445 pontos (151 gols e 294 assistências) em 464 partidas.

    Menções honrosas: 

    Adam Larsson, D, New Jersey Devils (#4) – atualmente jogador do Edmonton Oilers

    Larsson foi trocado por Taylor Hall (Oilers) na intertemporada de 2016, causando revolta no Twitter.

    Mika Zibanejad, C, Ottawa Senators (#6) – atualmente jogador do New York Rangers

    Pouco antes da temporada ser interrompida devido à pandemia do novo coronavírus, Zibanejad fez história na NHL ao marcar cinco gols em uma única partida.

    Mark Scheifele, C, Winnipeg Jets (#7) 

    Scheifele foi a primeira escolha dos relocados Jets, quando a equipe retornou para Winnipeg, deixando de ser o Atlanta Thrashers.

    Dougie Hamilton, D, Boston Bruins (#8) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Antes de virar peça importante para a blue line  dos Canes, Hamilton jogou por três temporadas em Calgary.

    Brandon Saad, C, Chicago Blackhawks (#43) 

    O atleta foi campeão da Stanley Cup em duas ocasiões diferentes pelos Hawks, antes de ser trocado para Columbus. Em 2017 retornou a Chicago através de uma troca que mandou Artemi Panarin para os Blue Jackets.

    William Karlsson, C, Anaheim Ducks (#53) – atualmente jogador do Vegas Golden Knights 

    O sueco foi exposto ao draft de expansão em 2017, quando era jogador do Columbus Blue Jackets. Em Vegas, Karlsson entrou no ponto alto de sua carreira e passou a atuar como o 1C dos Knights, chegando à final da Stanley Cup no primeiro ano da franquia.

    Vincent Trocheck, C, Florida Panthers (#64) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    O americano representou os Panthers no All-Star Game de 2017. Na trade deadline de 2020 foi trocado para Carolina por Erik Haula, Lucas Wallmark, dentre outras peças.

    Jordan Binnington, G, St. Louis Blues (#88)

    O goleiro, em seu primeiro ano na NHL, foi peça chave para a conquista da primeira Stanley Cup da história da franquia de Missouri.

  • Draft Class de 2010: onde estão

    Draft Class de 2010: onde estão

    O primeiro draft da década aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, e deu o pontapé inicial para o que poderia ter sido uma dinastia para o Edmonton Oilers. Isso porque, durante os anos 2010, a equipe canadense teve nada mais do que quatro primeiras escolhas nos drafts. Entretanto, esta tão esperada hegemonia dos Oilers não aconteceu. 

    Por outro lado, o draft de 2010 nos apresentou jogadores que viriam a se tornar verdadeiras estrelas. Todo ano temos aquelas promessas que, quando chegam à NHL, não atingem o desempenho esperado ou demoram anos para adequar seu jogo ao nível profissional. Isso acontece porque no draft os jogadores escolhidos têm apenas 18 anos e uma carreira inteira pela frente. 

    Em 2010, as três primeiras escolhas foram Taylor Hall, Tyler Seguin e Erik Gudbranson. Além deles, conhecemos nomes como Vladmir Tarasenko, Evgeny Kuznetsov e Phillip Grubauer, que foram campeões com suas equipes. Por outro lado, tivemos John Klingberg, que não era considerado uma estrela no draft, mas com o passar dos anos passaram e o jogador se tornou uma peça fundamental no Dallas Stars. 

    Dessa forma, relembramos nomes que foram selecionados naquele ano e que hoje são verdadeiros ídolos do esporte.

    Taylor Hall: wunderkind, garoto problema e MVP (#1 overall, Edmonton Oilers)

    A primeira escolha daquela noite foi Taylor Hall, right winger canadense que foi escolhido do Windsor Spitfires da Ontario Hockey League (OHL). Hall estava ranqueado em segundo lugar entre os jogadores de linha norte-americanos. Entretanto, seus dois títulos consecutivos da Memorial Cup, dos quais foi MVP em ambas as ocasiões, levaram a equipe de Alberta a escolhê-lo.

    Após chegar em Edmonton com pompa, Hall foi nomeado All-Star em 2011, mas sua primeira temporada na Liga foi encerrada após o canadense lesionar seu tornozelo no final de uma briga contra Derek Dorsett. Com isso, a temporada de 22 gols e 20 assistências em 65 jogos não foi o bastante para o atleta chegar até os finalistas do Calder Trophy (melhor novato). 

    Em 2012, por sua vez, o winger teve sua temporada encerrada após a constatação de que ele precisaria de uma cirurgia no ombro. No período desde que fora draftado, Hall viu sua equipe ter a primeira escolha três vezes, selecionando Ryan Nugent-Hopkins, Nail Yakupov e Connor McDavid. Neste meio tempo, rumores de que Hall teria um comportamento problemático no vestiário e fora das arenas passaram a circular.

    Contudo, a chegada de McDavid colocou o canadense em um lugar inédito, o de liderança e mentoria, já que o atual capitão dos Oilers viveu com Hall durante o seu primeiro ano na Liga. O choque veio quando, em junho de 2016, Hall foi trocado para o New Jersey Devils por Adam Larsson.

    Em Newark, o winger encontrou sucesso com a equipe dos Devils e foi para os playoffs pela primeira vez em sua na carreira. Após uma temporada de destaque, em 2018 ele conquistou o Hart Trophy de MVP da temporada regular da NHL. Todavia, o projeto dos Devils não obteve o resultado esperado nas duas temporadas seguintes, o que fez com que Hall se tornasse um alvo para outras equipes. Prestes a se tornar free agent, o winger foi trocado para o Arizona Coyotes em dezembro de 2019.

    Tyler Seguin: das festas para o rodeio (#2 overall, Boston Bruins)

    O center canadense foi selecionado do Plymouth Whalers da OHL com a escolha que o Boston Bruins recebeu de Toronto quando trocaram Phil Kessel. Em seu primeiro ano na Liga, Seguin participou do All Star Weekend, marcou 22 pontos e conquistou a Stanley Cup.

    Depois de não ser relacionado durante os dois primeiros rounds dos playoffs daquele ano, Seguin estreou contra o Tampa Bay Lightning. Aos 19 anos o canadense se tornou o primeiro adolescente a anotar quatro pontos em um jogo da pós-temporada desde Trevor Linden, do Vancouver Canucks, em 1989.

    Em 2012, durante o lockout, Seguin defendeu o EHC Biel da Suíça enquanto a temporada da NHL estava suspensa. Após o retorno da Liga, o Boston Bruins chegou à final da Stanley Cup, perdendo para o Chicago Blackhawks. Com esses playoffs vieram as polêmicas, e Seguin foi inclusive cortado de um jogo por perder o café da manhã da equipe. 

    Na intertemporada de 2013, Seguin foi trocado para o Dallas Stars, onde atua até hoje. Desde que estreou pela equipe, o canadense já marcou 510 pontos, mas a equipe texana foi para os playoffs em apenas três ocasiões (2013/2014; 2015/2016; 2018/2019). Em setembro de 2018 Seguin assinou uma extensão contratual de oito anos, avaliada em quase 80 milhões de dólares.

    Jeff Skinner: em busca pelo fim da mediocridade (#5 overall, Carolina Hurricanes)

    O left winger foi escolhido do Kitchener Rangers da OHL e estreou profissionalmente contra o Minnesota Wild. Durante o All Star Game de 2011 Skinner substituiu Sidney Crosby e, na época, se tornou o jogador mais jovem a participar do evento. No final da sua temporada de estreia, o canadense venceu o Calder Memorial Trophy, desbancando Logan Couture e Michael Grabner.

    Depois do sucesso de sua primeira temporada, Skinner assinou sua renovação em 2012, por mais de 34 milhões em seis anos. Entretanto, sua produção foi muitas vezes interrompida por diversas concussões, que inclusive causaram preocupação acerca da longevidade da carreira do winger. Depois de oito temporadas, sendo duas como alternate captain, o canadense foi trocado para o Buffalo Sabres em 2018.

    No ano seguinte ele estendeu seu compromisso com a equipe por mais oito anos, pela bagatela de 9 milhões por temporada. É importante mencionar que Skinner nunca jogou nos playoffs da NHL, nem durante a época nos Canes quanto em Buffalo. Foi apenas após troca de Skinner que Carolina começou a renovar sua equipe.

    Vladimir Tarasenko: da Sibéria para o meio-oeste (16th overall, St. Louis Blues)

    O russo foi draftado em 16º no primeiro round pelo St. Louis Blues, diretamente do Sibir Novosibirsk da Kontinental Hockey League (KHL). Um ano antes ele havia sido o novato revelação na primeira temporada da história da KHL. 

    Em janeiro de 2012 o atleta foi trocado da equipe que o revelou para o SKA Petersburg e em junho daquele ano anunciou que iria para a América do Norte. Entretanto, com o lockout, que atrasou a temporada da NHL, o atleta participou dos 48 jogos do St. Louis Blues na temporada reduzida, marcando um gol em seu primeiro jogo na Liga, contra o Detroit Red Wings. 

    Desde seu début na Liga, o russo já teve duas temporadas com pelo menos 30 gols nos últimos cinco anos, feito compartilhado com seu compatriota Alexander Ovechkin. Em junho de 2019, após um período atuações questionadas e muitos rumores de trocas, o atleta venceu a Stanley Cup, primeira vez da franquia de St. Louis.

    Evgeny Kuznetsov: o exorcista de Penguins (26th overall, Washington Capitals)

    O russo foi selecionado do Traktor Chelyabinsk da KHL no primeiro round de 2010, mas estreou pela equipe da capital americana apenas em 2014. Seu primeiro gol da temporada regular foi contra o Los Angeles Kings, em março do mesmo ano, enquanto o seu primeiro feito nos playoffs ocorreu contra o New York Islanders. Na temporada de 2015/2016 o russo substituiu seu capitão, Ovechkin, no All Star Game.

    No verão de 2017 o center estendeu seu compromisso com os Capitals por mais oito anos, com um salário de 7,8 milhões de dólares anuais. Na pós-temporada inaugural de seu novo contrato, Kuznetsov levou a equipe de DC à terra prometida, protagonizando um dos momentos mais icônicos da era moderna da NHL.

    “Os demônios foram exorcizados”, uma das narrações mais icônicas da última década na NHL, quando os Capitals finalmente foram para as finais da Conferência com o gol de Kuznetsov, derrotando os então campeões Pittsburgh Penguins

    Na campanha da conquista da Stanley Cup em 2018 o atleta liderou sua equipe em pontos, com 32 (12 gols e 20 assistências) nos playoffs. Embora tenha tido uma atuação importantíssima durante a pós-temporada daquele ano, Kuznetsov ficou em segundo lugar na votação do Conn Smythe (troféu para o MVP dos playoffs), que foi dado a Ovechkin. 

    Philipp Grubauer: o goleiro do futuro (112th overall, Washington Capitals)

    O alemão iniciou sua carreira na equipe de sua cidade natal, o Starbulls Rosenheim, mas em 2008 se mudou para a América do Norte, onde foi jogar no Belleville Bulls da OHL. Embora tenha sido o reserva em sua primeira temporada, o goleiro conseguiu atingir a titularidade no ano seguinte, possibilitando que fosse mais notado pelos olheiros dos times da NHL. 

    Após ser draftado no quarto round, o Grubauer foi trocado dos Bulls para o Kingston Frontenacs, e no início da temporada da OHL assinou seu contrato com o Washington Capitals. Depois de 38 jogos com a equipe junior, o alemão contraiu mononucleose, terminando sua carreira na OHL, devido à idade de elegibilidade. 

    Na temporada seguinte Grubauer retornou aos Capitals, sendo enviado para o afiliado da equipe na East Coast Hockey League (ECHL), o Reading Royals. Posteriormente o jogador transitou entre a ECHL e a AHL, tendo se firmado como goleiro da NHL apenas em 2017, quando iniciou a temporada sendo reserva de Braden Holtby.

    Em 2018 o alemão se firmou como titular nos últimos 16 jogos da temporada regular, assim como no início dos playoffs, e foi parte importantíssima da conquista da Stanley Cup. Ele substituiu Holtby quando o goleiro titular não estava tendo grandes atuações. Após a conquista do troféu o goleiro foi trocado para o Colorado Avalanche juntamente com Brooks Orpik, preenchendo o vácuo no plantel emergente da equipe da Conferência Central. Em Denver espera-se que o arqueiro seja a espinha dorsal da defesa de uma possível dinastia que conta com Nathan MacKinnon e Cale Makar. 

    John Klingberg: de escolha no quinto round para a realeza dos Stars (131th overall, Dallas Stars)

    O sueco estreou profissionalmente pelo Frolunda HC da Swedish Hockey League (SHL) em 2010, depois de ter iniciado na base do Lerums BK. Em maio de 2011 o defensor assinou seu contrato com o Dallas Stars e foi emprestado ao Jokerit da liga finlandesa, tendo retornado a Suécia na metade da temporada, desta vez para o Skelleftea AIK. 

    No ano seguinte, foi emprestado ao Frolunda HC, onde anotou 11 gols e 17 assistências, totalizando 28 pontos em 50 jogos. Com a eliminação da equipe sueca dos playoffs, o defensor se juntou ao Texas Stars da American Hockey League (AHL) para os jogos restantes. Já em 2014, Klingberg iniciou sua temporada na AHL, mas logo em novembro estreou na NHL contra o Arizona Coyotes.

    Sua primeira ida aos playoffs com a equipe texana foi em 2016, quando anotou um gol e três assistências em 13 jogos, já que sua equipe foi eliminada no segundo round. Em 2018 o defensor representou sua equipe no All Star Game da temporada, na qual atingiu a marca de 67 pontos em 82 jogos.

    Desde então o jogador se posicionou como um dos mais importantes defensores da Liga, estando sempre nas discussões acerca de prováveis candidatos ao Norris Trophy, prêmio de melhor defensor da temporada regular. Além disso, Klingberg também é um dos jogadores de liderança fora do gelo no Dallas Stars, conquistando uma posição importante dentro do vestiário.

    Foto: Reprodução/sportsnet.ca

  • A dança das cadeiras dos técnicos na temporada 2019-20

    A dança das cadeiras dos técnicos na temporada 2019-20

    Poderíamos estar falando do Brasileirão, mas é da NHL mesmo. Afinal, apenas três dos técnicos treinam os mesmos times desde a temporada 2015/2016: Jon Cooper (Tampa), Paul Maurice (Winnipeg) e Jeff Blashill (Detroit). Em um esporte tão tradicionalista quanto o hockey isto é um fato tanto quanto estranho. Afinal, a lealdade é muito prezada tanto pelos jogadores quanto pela equipe administrativa dos times. 

    Assim, para te ajudar a entender esse troca-troca decidimos fazer uma lista compreendendo os dispensados, quem os substituiu e para onde foram. Relaxe, coloque Another One Bites the Dust para tocar e torça para nenhum outro técnico ser demitido antes de você terminar de ler essa lista. 

    Mike Babcock, Toronto Maple Leafs

    Juntamente com Joel Quenneville, demitido por Chicago na última temporada, Babcock era talvez o técnico mais condecorado em atividade. Campeão da Stanley Cup em 2008 com o Detroit Red Wings, o canadense ainda levou seu país natal a dois ouros olímpicos consecutivos: Vancouver em 2010 e Sochi em 2014. Quando Toronto desbancou o Buffalo Sabres para contratá-lo, a franquia precisava desesperadamente deixar o espírito perdedor de lado e voltar a ser uma equipe competitiva. 

    Depois de draftar nomes importantes como William Nylander, Mitch Marner e Auston Matthews e contratar o superstar John Tavares na free agency, a janela dos Leafs se abriu. Neste novembro a situação no vestiário se tornou insustentável, e Babcock foi demitido no meio de uma série de derrotas da equipe de Toronto. Seu substituto foi Sheldon Keefe, que já vinha batendo na porta da NHL há algum tempo, especialmente depois de ganhar o título da AHL (American Hockey League) com o Toronto Marlies.

    Com a saída de Babcock mais notícias envolvendo seu comportamento difícil e teimosia escaparam nos veículos canadenses. Dentre elas uma situação onde ele ordenou que Marner, que na época era um calouro na Liga, listasse seus colegas de equipe mais “preguiçosos”. Quando o jovem atleta cumpriu a ordem (depois de muita pressão), Babcock supostamente notificou todos aqueles que ele havia listado como preguiçosos.

     Já tratando-se de estratégias, o canadense foi muito criticado por não “encurtar o banco” durante os jogos de playoffs. Além disso, a equipe amargou uma eliminação no primeiro round pelo terceiro ano consecutivo. Este fato também contribuiu para que Kyle Dubas demitisse seu técnico após uma série de derrotas.

    Bill Peters, Calgary Flames

    À época que ela aconteceu, em 2018, a saída repentina de Peters do Carolina Hurricanes para o Calgary Flames repercutiu por toda a Liga. Isto porque o canadense ainda tinha mais um ano em seu contrato com os Canes. Na época, a equipe da Carolina do Norte estava passando por uma reformulação que envolveu a saída de seu general manager de longa data, Ron Francis.

    No Canadá, Peters decepcionouno primeiro round dos playoffs do ano passado, quando Calgary foi eliminado pelo Colorado Avalanche em 5 jogos. A partir de então, começou a se questionar os métodos do técnico. Entretanto, a real motivação por trás de sua saída vai muito além da insatisfação por um desempenho na pós-temporada.

    No final de novembro o jogador Akim Aliu virou o mundo do hockey de cabeça para baixo quando alegou que o técnico havia proferido injúrias raciais contra ele no vestiário, na época que treinava o Rockford IceHogs da AHL. O fato aconteceu na temporada 2009/2010, por conta da escolha de música que o atleta havia feito. Além deste episódio, outra situação envolvendo Peters veio à tona, desta vez durante sua empreitada nos Canes. O técnico foi acusado de ter chutado jogadores da equipe no banco durante um jogo. 

    Peters pediu demissão dos Flames em uma carta, onde admitiu ter usado uma injúria racial com Aliu. O canadense foi substituído no comando de Calgary por Geoff Ward, que se tornou o técnico interino da equipe de Alberta. 

    Peter DeBoer, San Jose Sharks

    Diferentemente das situações acima, a estadia de DeBoer no comando dos Sharks terminou em uma nota positiva, sem escândalos. Contratado em maio de 2015, o técnico teve números positivos (198-129-34) e uma ida à final da Stanley Cup, que a equipe californiana perdeu para o Pittsburgh Penguins em 2016. Na última temporada, os Sharks foram até a final da conferência Oeste, perdendo para os eventuais campeões St. Louis Blues.

    DeBoer não ficou muito tempo desempregado, pois já foi contratado para substituir Gerard Gallant no comando do Vegas Golden Knights. Após a construção de uma rivalidade desde a chegada da equipe do deserto na Liga será interessante ver o técnico tentar conquistar a torcida da Sin City

    Gerard Gallant, Vegas Golden Knights

    Durante o mês de dezembro de 2016 tivemos uma das cenas mais inusitadas daquela temporada. Afinal, quem não se lembra de quando o Florida Panthers demitiu Gallant e o fez esperar por um táxi ao invés de deixá-lo pegar uma carona para o aeroporto com o ônibus da equipe?

    Após ser contratado como o primeiro técnico da franquia de Vegas, Gallant riu por último. Além de ver sua equipe fazer uma campanha histórica até a final da Stanley Cup, o técnico venceu o troféu Jack Adams de técnico do ano no NHL Awards de 2018. Mas como todo conto de fadas, este também teve um fim. Após o fim da lua de mel e uma aparente estagnação da equipe, Gallant foi demitido no início de 2020 e substituído por Pete DeBoer no comando dos Golden Knights.

    Jack Montgomery, Dallas Stars

    O americano foi contratado por Dallas após a aposentadoria de Ken Hitchcock em 2018, depois de cinco temporadas na Universidade de Denver. Com seu comando, a equipe chegou à semifinal da conferência Oeste nos últimos playoffs, tendo sido eliminada pelos futuros campeões St. Louis Blues. 

    Cercada de mistério, a saída repentina de Montgomery do banco da equipe texana causou furor quando foi anunciada. Nem mesmo os jogadores dos Stars entenderam a situação. Enfim, quando o GM Jim Nill comunicou a demissão de Montgomery por “conduta antiprofissional”, muito se especulou se poderia se referir a situações similares às de Peters e Babcock. 

    Entretanto, o ex-técnico dos Stars deu entrada em uma clínica de reabilitação no mês seguinte à sua demissão, chamando a situação de o pontapé inicial que ele precisava para buscar tratamento. Montgomery foi substituído no comando do Dallas por seu assistente Rick Bowness, que tem extensa experiência como técnico na Liga, tendo atuado em cinco equipes entre 1988 e 2003.

    Peter Laviolette, Nashville Predators

    Quatro dias após o GM David Poile dar uma entrevista onde afirmou que mudanças na comissão técnica não estavam nos seus planos, o técnico foi demitido. Laviolette deixou a posição com um histórico de 248-143-60, incluindo uma aparição na final da Stanley Cup em 2017, quando os Preds perderam para Pittsburgh.

    Conhecido por seu temperamento explosivo, já haviam rumores de que o técnico havia perdido o vestiário da equipe do Tennessee, que estava em penúltimo lugar na sua divisão. Laviolette foi substituído por John Hynes, que havia sido demitido do New Jersey Devils.

    John Hynes, New Jersey Devils

    Após uma off-season movimentada, haviam muitas expectativas acerca da temporada que os Devils teriam. Afinal, a equipe draftou Jack Hughes, adquiriu PK Subban e iniciou a temporada com o MVP de 2018, Taylor Hall. Entretanto, os resultados foram decepcionando a torcida, que passou a se questionar se não seria mais viável para a equipe vender na deadline e contar com uma boa escolha em um draft que promete ter muita profundidade de talentos.

    Com o histórico de 9-13-4 e 22 pontos, a equipe fazia a segunda pior campanha da Liga. Consequentemente, ao trocarem Taylor Hall para o Arizona Coyotes, os Devils se comprometeram com o tank. Desta forma, a situação com o técnico se tornou insustentável, assim como com seu GM Ray Shero. Ambos foram mandados embora. Hynes foi substituído por seu assistente Alain Nesreddine temporariamente, mas já encontrou um novo desafio: treinar o Nashville Predators.

    (Foto: New York Times.com/Reprodução)

  • Foi dada a largada no novo capítulo da Rivalry Series

    Foi dada a largada no novo capítulo da Rivalry Series

    Em preparação para o mundial de 2020, as seleções de hockey feminino de Estados Unidos e Canadá se enfrentam como parte do Rivalry Series. Serão dois jogos em dezembro, durante o recesso de fim de ano da NCAA (National College Athletes Association). Ontem (14) as duas equipes se enfrentaram em Hartford, Connecticut, com vitória das americanas em solo estadunidense. 

    Desta forma, a segunda partida será no Canadá, na terça-feira (17) em Moncton, New Brunswick. Além disso, as atletas se enfrentarão em fevereiro de 2020, nos dias 03 (Victoria, British Columbia), 05 (Vancouver, British Columbia) e 08 (Anaheim, Califórnia). As duas últimas partidas acontecerão em arenas de equipes da NHL.

    Novas caras na seleção americana

    A equipe estadunidense conta com 17 integrantes do plantel que conquistou o ouro no Mundial de 2019, com nomes como Cayla Barnes, Kacey Bellamy, Megan Bozek, Sydney Brodt, Dani Cameranesi, Alex Carpenter, Alex Cavallini, Jesse Compher, Kendall Coyne Schofield, Megan Keller, Amanda Kessel, Hilary Knight, Emily Matheson, Annie Pankowski, Kelly Pannek, Maddie Rooney e Lee Stecklein.

    Entretanto, tivemos diversas estreantes na seleção, como Kelly Browne da Boston College, Natalie Buchbinder, Britta Curl e Abby Roque da University of Wisconsin, Clair DeGeorge da Bemidji State e Aerin Frankel da Northeastern University.

    Dez estados estão representados, com Minnesota contando com cinco nativas e Illinois, Massachusetts e Nova York com três cada. Além deles, Califórnia, Michigan e Wisconsin têm duas atletas. Por sua vez, Alaska, Idaho e North Dakota contam com uma representante cada.

    Canadá aposta na experiência

    As canadenses convocaram um grupo experiente, com 14 veteranas da Rivalry Series de fevereiro, com Victoria Bach, Ann-Sophie Bettez, Renata Fast, Laura Fortino, Brianne Jenner, Rebecca Johnston, Genevieve Lacasse, Jocelyne Larocque, Emerance Maschmeyer, Sarah Nurse, Marie-Philip Poulin, Jillian Saulnier, Natalie Spooner e Blayre Turnbull.

    Ademais, o plantel inclui 18 atletas que conquistaram a medalha de bronze neste ano em Espoo, na Finlândia. Dentre elas, Bettez, Jaime Bourbonnais, Emily Clark, Melodie Daoust, Fast, Fortino, Loren Gabel, Johnston, Lacasse, Larocque, Maschmeyer, Nurse, Poulin, Saulnier, Spooner, Turnbull, Micah Zandee-Hart.

    Primeiro Jogo: EUA 4-1 Canadá

    No primeiro período, com Coyne Schofield na penalty box por hooking, a canadense Bach abriu o placar no power play em Hartfort, com assistências de Bourbonnais e Daoust. Logo em seguida, com Gabel (cross-checking) e Saulnier (slashing) servindo suas penalidades, as americanas conseguiram empatar a partida na vantagem numérica, ainda que Britta Curl (slashing) também estivesse na penalty box. Megan Keller marcou, com assistências de Pankowski e Matheson. O Canadá, por fim, ficou desfalcado mais uma vez durante o período, quando Turnbull foi penalizada por cross-checking.

    Em seguida, a virada veio com Amanda Kessel, no final do segundo período, durante um power play para as americanas. O feito foi assistido por Kelly Panek e Alex Carpenter. Durante a segunda parte da partida tivemos uma penalidade americana (Kacey Bellamy, por interference) e três canadenses (Daoust, roughing; Gabel, roughing; Mikkelson, roughing).

    No terceiro e último período, os EUA ampliaram a vantagem, com Abby Roque fazendo o terceiro gol da equipe, com assistências de Britta Curl e Lee Stecklein. A equipe ainda marcou seu último e quarto gol pouco mais de um minuto depois, com Alex Carpenter assistida por Amanda Kessel e Kelly Pannek. Por fim, Megan Keller foi penalizada por roughing e cedeu um power play de 19 segundos para o Canadá. Entretanto, a partida já havia sido decidida e os EUA conquistaram a vitória. 

    Após esta vitória por 4-1, as americanas viajam ao Canadá para um novo confronto nesta terça-feira em Moncton, New Brunswick. 

    (Foto: CBC.ca/Reprodução)

  • Nathan MacKinnon: da primeira escolha do draft ao primeiro escalão da NHL

    Nathan MacKinnon: da primeira escolha do draft ao primeiro escalão da NHL

    Quando Joe Sakic draftou o segundo nativo mais conhecido da pacata cidade de Cole Harbour, Nova Scotia, ele esperava um center de qualidade para sua equipe. Entretanto, é improvável que o dirigente pudesse prever o quão importante Nathan MacKinnon se tornaria para o Colorado Avalanche no final da década. 

    A primeira escolha de 2013, MacKinnon foi selecionado do Halifax Mooseheads da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL), equipe com a qual foi campeão da Memorial Cup, troféu máximo do major juniors canadense. Foi a primeira vez desde 2005 que Cole Harbour figurou como cidade natal da primeira escolha do draft da Liga. Naquele ano, o ídolo de infância de Nathan foi draftado, o então jogador da QMJHL Sidney Crosby, foi selecionado pelo Pittsburgh Penguins. 

    De uma rookie season premiada a alguns anos na média

    Nathan MacKinnon posa com seu Calder Memorial Trophy, de rookie do ano, no NHL Awards de 2014, em Las Vegas (Fonte: CBS Denver/Reprodução)

    O canadense estreou na NHL pouco mais de um mês após completar 18 anos e foi parte importante de uma campanha que levou o Avalanche aos playoffs naquele ano. À época a equipe ainda contava com nomes como o atual MVP e campeão Ryan O’Reilly e o center veterano Matt Duchene, além do defensor Tyson Barrie, trocado na última off-season.

    Durante seu primeiro ano na Liga, MacKinnon anotou 63 pontos, sendo 24 gols e 39 assistências nos 82 jogos que participou. Por esta campanha ele ganhou o Calder Trophy, prêmio de melhor rookie da temporada. Entretanto, os anos que sucederam não foram nada espetaculares. Vamos conferir:

    (Fonte: NHL.com)

    No seu segundo ano de NHL, MacKinnon marcou apenas 38 pontos em 64 jogos enquanto o Avalanche iniciava um declínio que levaria a equipe a se tornar uma das piores da história da Liga. O atleta então teve atuações medianas em duas temporadas com 52 e 53 pontos, respectivamente. Campanhas respeitáveis para sua idade na época, mas estava longe de ser um superstar. Assim, quando seu entry-level contract terminou, na off-season de 2016, o canadense assinou uma extensão de sete anos, avaliada em cerca de 44 milhões de dólares. 

    O MVP com o melhor contrato da NHL

    Nathan MacKinnon em um faceoff contra Connor McDavid, do Edmonton Oilers (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    Com um salário anual de cerca de 6,3 milhões por ano, MacKinnon tem o melhor custo-benefício na Liga, onde espaço na folha salarial se tornou um bem muito valioso. Quando analisamos os atletas que têm rendimentos semelhantes, como por exemplo Sean Monahan e Mark Sheifele, nenhum deles produz ou tem status de estrela como o de Colorado. 

    (Fonte: CapFriendly.com)

    Dentre os contratos comparáveis, o mais próximo de MacKinnon no quesito star power é, definitivamente, o center do Panthers, Aleksander Barkov. O finlandês  atualmente tem se destacado na Liga por seu jogo defensivo e ofensivo, se tornando um nome permanente entre os favoritos para o Selke Trophy. Entretanto, Barkov atua na Flórida, onde jogadores tradicionalmente aceitam contratos menos valiosos devido aos benefícios fiscais do estado. 

    Declarações polêmicas sobre seu contrato team-friendly

    Nathan MacKinnon comemora com os companheiros de equipe Gabriel Landeskog e Mikko Rantanen (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    O seu primeiro contrato pós-restricted free agency, gerou polêmica recentemente após uma declaração feita pelo canadense à revista Forbes. Na ocasião, MacKinnon deu a entender que aceitou um desconto quando foi renegociar seu atual contrato. Além disso, o atleta afirma que daria outro desconto para continuar com o grupo dos Avs e vencer com seus companheiros de equipe. Isto foi interpretado como uma indireta à situação de equipes como Toronto, que têm grande porcentagem de sua folha salarial comprometida aos salários de suas estrelas.

    Entretanto, em uma entrevista pós-jogo, MacKinnon retificou seus comentários. Ele afirmou que seu contrato não foi um desconto à época da assinatura, e sim justo para o que ele produziu nos três primeiros anos de sua carreira.

    Desta forma, como podemos ver nas suas stats, MacKinnon começou a produzir como um MVP apenas na temporada 2017/2018, quando fez 97 pontos e foi um finalista do Hart Trophy, vencido por Taylor Hall. Na temporada seguinte, quando o Avalanche chegou ao segundo round dos playoffs, ele fez 99 pontos e se estabeleceu sonoramente como um superstar

    (Fonte: NHL.com)

    The MacCale Show: a parceria com o jovem defensor elevou o center às estrelas de novembro

    Nathan MacKinnon e Cale Makar em ação (Fonte: NHL.com/Reprodução)

    A volta da NHL trouxe baixas importantes para o Colorado Avalanche. Primeiro Mikko Rantanen que sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo e depois o capitão da equipe Gabriel Landeskog, que também ficou de fora por uma lower body injury. Coincidentemente, os dois formam a poderosa primeira linha da equipe de Denver com Nathan MacKinnon. Entretanto, na falta das duas estrelas, um atleta em especial se destacou por sua proeza ofensiva. Cale Makar, o rookie que já está quebrando recordes, tem combinado com MacKinnon para produzir pontos para os Avs desde o início da temporada.

    Essa tendência continuou no mês de novembro, quando MacKinnon foi o segundo maior pontuador da Liga, com 10 gols e 15 assistências em 14 jogos. Ele liderou o Avalanche em oito vitórias no mês, ainda que o time não estivesse contando com Rantanen ou Landeskog. O canadense pontuou em 10 dos 14 jogos que disputou e terminou o mês em uma streak de pontos em sete jogos. 

    Equipe de sucesso

    Atualmente o center dos Avs é o quarto no ranking de maiores pontuadores da temporada da NHL. Além disso, seu novembro foi o mês mais produtivo de um jogador da franquia desde que Joe Sakic, atual GM do clube, fez 26 pontos em 13 jogos no mês de março de 2000, quando MacKinnon tinha apenas 4 anos. 

    Assim como Nathan MacKinnon, Cale Makar tem se destacado e foi eleito o rookie do mês de novembro. Os dois canadenses foram peças importantes para que o Colorado Avalanche não perdesse ritmo de jogo enquanto alguns de seus maiores pontuadores estavam lesionados. Além dos dois, os goleiros também foram parcela importante para o sucesso da equipe.

    Dessa forma, o Colorado Avalanche vem apresentando uma consistência de jogo necessária para buscar sua vaga na pós temporada. A depth da equipe, ou seja, os jogadores que não são necessariamente estrelas, também vem apresentando o desempenho de uma equipe que aos poucos vem se moldando como uma boa candidata para levar a Stanley Cup. Agora nos resta saber se a equipe consegue manter esse ritmo e impressionar nos playoffs

  • St. Louis Blues fazem visita oficial à Casa Branca

    St. Louis Blues fazem visita oficial à Casa Branca

    Um dos ápices do patriotismo americano é, sem dúvida, o esporte. É por essa, dentre outras razões, que uma visita à Casa Branca para conhecer o presidente em ofício se tornou uma tradição entre os times campeões nos Estados Unidos, como uma forma de honrá-los após a conquista de seus respectivos títulos. Os atuais campeões, St. Louis Blues, fizeram a sua visita oficial nesta terça-feira (15). Mas, se as visitas não passam de uma formalidade, por que o assunto se tornou um tópico tão divisor entre os fãs de esportes? 

    A história das visitas ao Presidente

    O Boston Celtics com John F. Kennedy no Salão Oval em 1963. (Foto: RollingStone.com/Reprodução)

    Embora pareça um fenômeno relativamente recente, a primeira visita data do século XIX, quando, em 1865, Andrew Johnson recebeu o Brooklyn Atlantics e o Washington Nationals, times de beisebol amadores da época. Posteriormente, Ulysses S. Grant recebeu o primeiro time profissional, o Cincinnati Red Stockings, em 1869. Em se tratando de campeões, existem informações de que os primeiros campeões do World Series a realizar a visita foram os Washington Senators, de 1924. 

    Quanto aos atletas de NBA, o primeiro time convidado à residência presidencial foi o Boston Celtics de 1963, pelo presidente Kennedy, um nativo de Massachusetts. Há também registro de visitas feitas ao presidente Ford em 1976 (time de basquete masculino da Universidade de Indiana) e a Jimmy Carter em 1980 (Pittsburgh Steelers e Pittsburgh Pirates), que nada mais foram que visitas pontuais. Foi durante o governo Reagan, entretanto, que as visitas se tornaram uma tradição. 

    Ainda assim, o primeiro time de hóquei a participar foi o Pittsburgh Penguins, campeão da NHL em 1991, durante o governo de George H. W. Bush. Desde então, a visita à Casa Branca se tornou pro forma no calendário dos times vencedores, que visitaram os presidentes Clinton, George W. Bush e Obama neste meio tempo. Este último, inclusive, teve a oportunidade de receber os Blackhawks de sua nativa Chicago por três vezes enquanto estava no cargo.

    Polêmicas dos dois últimos campeões

    A visita dos campeões da temporada 2017/2018, o Washington Capitals, foi polêmica (Foto: NHL.com/Reprodução)

    O primeiro time campeão durante o governo de Trump, o Pittsburgh Penguins, realizou sua visita sob protestos de muitos fãs em outubro de 2017. Os Penguins alegaram que não passava de uma formalidade e um meio para que os atletas sejam honrados pelo presidente, independentemente de suas convicções políticas.

    Na temporada passada, a ida do Washington Capitals à residência presidencial foi regada de polêmicas. Isto porque dois dos integrantes do elenco campeão, o goleiro Braden Holtby e o ala direito Brett Connolly, recusaram o convite do presidente Trump. 

    Não é a primeira vez que um atleta da NHL recusou o convite, pois o goleiro Tim Thomas não fez parte da comitiva dos Bruins campeões que visitaram Obama em Janeiro de 2012. Desta forma, os dois atletas canadenses não foram os primeiros a se recusarem a encontrar com o Presidente em exercício.

    Em oportunidades anteriores, considerando a negativa dos atletas, Trump retirou o convite em alguns dos casos, como ocorreu com o Golden State Warriors da NBA e o Philadelphia Eagles da NFL. No caso dos Warriors, estes mantiveram sua viagem a Washington DC, onde se encontraram com o ex-presidente Obama para uma ação com crianças da cidade natal de Kevin Durant, que é da região.

    Atuais campeões honrados em cerimônia pública

    A banda da Marinha toca “Gloria”, lema de vitória dos Blues

    Diferentemente do ano anterior, nenhum dos atletas recusou o convite, que foi aceito de uma forma uniforme pelo vestiário. Além da presença massiva do elenco dos Blues, a visita também contou com uma cerimônia pública. Nessa ocasião, o Presidente Trump falou com a imprensa na companhia dos campeões, o que não ocorreu durante a visita dos Caps.

    Ademais, a jovem Laila Anderson, uma espécie de mascote da campanha dos Blues, também participou do momento solene, cujas homenagens incluíram a banda da Marinha tocando a canção “Gloria”. 

    Foto: NHL.com/Reprodução