Não é segredo para que ninguém que o Washington Capitals formou um dos melhores elencos da NHL ao longo dos anos. Liderados por Ovechkin, a equipe conseguiu encontrar a química necessária que a permite exibir um dos estilos de jogo mais atrativos da Liga.
Times assim merecem carimbar seu nome na Stanley Cup. Após muito tentar, e chegando perto algumas vezes, o ano de 2018 recompensou os Capitals no melhor estilo possível: trazendo o maior troféu da NHL como presente para o time. O primeiro da franquia desde sua criação, em 1974.
No entanto, a conquista da taça não se deu por acaso: foi a consequência de uma grande temporada executada pelo time. E grandes feitos devem ser eternizados em palavras.
Em mais um texto do especial 10 for 10, inauguramos o ano de 2018 contando a história por trás da conquista da Stanley Cup pelo Washington Capitals.
A pré-temporada dos Capitals
Após uma fresca eliminação dos playoffs da temporada 2016-17, Brian Maclellan, GM do Washington, sabia que era necessário arrumar a casa para garantir êxito na nova season que já batia à porta. Para isso, foi preciso desembolsar alguns dólares com o intuito de manter as principais estrelas do elenco, como Evgeny Kuznetsov e TJ Oshie.
No entanto, para não extrapolar o teto salarial da liga, os Capitals precisaram abrir mão de muitos outros jogadores, algo que acabou gerando muitas críticas por parte da imprensa à Maclellan, questionando se as assinaturas destes contratos teriam sido boas negociações.
O time deixou as críticas para trás e deu início a sua escala de jogos na pré-temporada. Porém, o resultado das partidas não foi o que os Capitals esperavam. Das oito partidas disputadas, o time conseguiu garantir a vitória em somente duas.
Apesar de serem apenas jogos de pré-temporada, os críticos do esporte ainda comentavam se Washington realmente seria capaz de superar o déficit da temporada passada e avançar na competição, ou se o pesadelo de alguns meses atrás se repetiria.
A temporada regular
Apesar das adversidades, a equipe por fim fez sua estreia na temporada 2017-18.
O início não foi nada agradável. Após as vitórias nos dois primeiros jogos, o Washington assistiu seu rendimento decair drasticamente: dos doze jogos disputados naquele mês, seis resultaram em derrotas no tempo regular.
Tendo somado apenas cinco vitórias no primeiro mês da competição, e adquirindo um total de 11 pontos, os Capitals precisaram iniciar o mês de novembro de uma maneira diferente. E um diferente com cara de algo muito melhor.
Dos 14 jogos disputados, o time venceu nove, 7 destes em casa. Assim, a equipe voltou a adquirir mais confiança em seu próprio jogo, enfim mostrando o desempenho que se esperava dos Capitals há bastante tempo. Em dezembro, o time apenas confirmou que o seu sucesso veio para ficar, vencendo 10 das 14 partidas disputadas no mês, somando um total de 51 pontos que os manteve no topo da tabela.
Novo ano, ainda mais êxito para o time de Washington. Em janeiro de 2018, a equipe conquistou seis vitórias em 10 jogos, e apenas duas derrotas em overtime. Estas que ainda resultaram em um ponto cada para a equipe.
Porém em fevereiro, o time se deparou com mais uma pedra no caminho. Apesar do número de derrotas em tempo regulamentar (6) não ter ultrapassado o número de derrotas na tabela (6), a equipe viu seu desempenho cair outra vez. As derrotas, que resultaram em grandes placares para seus oponentes, registraram o maior percentual de gols sofridos que o Washington teve durante a temporada 2017-18.
No entanto, ainda sim conseguiram registrar um total 14 pontos, mantendo-se na zona de classificação para os playoffs.
Em março, a tempestade que parecia tomar conta da equipe chega ao fim, e as boas atuações retornam. Foram 10 vitórias conquistadas em 14 jogos, grandes atuações por parte dos goleiros Holtby e Grubauer. O ótimo desempenho resultou em dois shutouts para Grubauer, enquanto Holtby registrou 1.
Com a entrada do mês de abril, o Washington por fim finalizou a temporada regular 2017-18. Adquirindo 105 pontos na tabela, o time venceu a Divisão Metropolitana pela terceira vez consecutiva e ocupou a sexta posição no overall da Liga.
Portanto, com a passagem do time já garantida para a pós-temporada, agora restava apenas acompanhar o seu desfecho na competição.
Destino: os playoffs
O primeiro desafio dos Capitals nos playoffs foi o confronto contra o Columbus Blue Jackets. Assim como na temporada regular, Washington não iniciou sua estadia na pós-temporada da melhor maneira, tendo perdido as duas primeiras partidas da série em casa.
Porém, a equipe se redimiu ao vencer as duas partidas seguintes em Ohio e, na sequência, ampliou a vantagem na própria arena mais duas vezes. Com as vitórias da partidas cinco e seis, o time da capital americana derrotou o Columbus em 4 jogos e avançou para a próxima etapa.
Com a classificação para o segundo round em mãos, agora restava aos Capitals derrotar o atual campeão na época, o Pittsburgh Penguins, para seguir na competição.
O confronto se tornou ainda mais importante para Washington devido à eliminação na temporada passada pelo próprio Pittsburgh, coincidentemente também no segundo round. Ou seja, essa era a chance que os Caps possuiam de se redimir pelos erros passados e provar que mereciam um lugar na Final.
Apesar da derrota para o oponente na primeira partida da série, Washington recuperou-se para vencer os dois jogos seguintes. No entanto, os Penguins se colocam outra vez na competição ao vencer a quarta partida, empatando assim o round. A vitória conquistada no quinto jogo deu novamente a vantagem aos Capitals, e os aproximam ainda mais da classificação.
A casa lotada do Pittsburgh no Jogo 6 não foi o suficiente para assustar o Washington. Após três períodos regulares e um overtime, os Caps levaram a melhor, e após 20 anos, se classificam para a Final de Conferência.
So close yet so far
Um round. Era isso que separava os Capitals da Final da Stanley Cup. Tendo como oponente o Tampa Bay Lightning, o time entendia que o desafio não seria nada fácil. Foi por isso que, já no primeiro jogo, os Capitals decidiram ditar o ritmo da série, ganhando a partida e saindo em vantagem. Tal qual que acaba se estendendo com a vitória no segundo jogo.
Porém, a boa fase do time de Washington acabou decaindo no jogo três. A partir daqui, o time viu o oponente empatar a série e, em sequência, colocar-se à frente, garantindo vitória em três partidas. Portanto, o Jogo 6 seria tudo ou nada para o Washington.
A equipe voltou então para casa. Apesar de Tampa Bay ter se mostrado um grande desafio, os Capitals, usando como combustível o apoio da própria torcida, conseguiram dominar grande parte da partida. Assim, após três períodos, a equipe venceu a partida e deixou o round empatado.
Não existe Jogo 7 de uma Final de Conferência sem emoção, e foi exatamente isso que os Capitals proporcionaram aos fãs de hockey. Mostrando dominância nos três períodos, o Washington Capitals marcou quatro gols, venceu a partida e, após 20 anos, faz história ao se classificar para a Final da Stanley Cup.
Após três rounds vitoriosos, o último desafio do Washington Capitals seria o Vegas Golden Knights. O time acabou sendo surpreendido, e foi derrotado na primeira partida em um placar de 6 a 2 para seu oponente. No entanto, apesar de mostrar grande desempenho, essa seria a única vitória do Vegas na série. Os Capitals venceram a segunda partida na casa dos Golden Knights, e as outras duas seguintes em sua arena.
Por fim, campeões da Stanley Cup
Uma vitória era o que bastava para que Washington levantasse a Stanley Cup. Com isso em mente, assim como o apoio do seus torcedores, o time viajou para Las Vegas com intuito de finalizar a série no quinto jogo e garantir o troféu tão esperado pela equipe.
Após um período inteiro sem marcar, Jakob Vrana abriu o placar para Washington no início do segundo tempo. Com o gol de Nate Schmidt para Vegas empatando a partida, o capitão, Alex Ovechkin, se viu na obrigação de mudar o jogo, e colocou seu time à frente do placar novamente. Mesmo com os Golden Knights marcando mais duas vezes na segunda etapa, foram os Capitals quem mostraram dominância no restante da partida.
Devante-Smith Pelly colocou o time no jogo outra vez, logo no início do terceiro e, em seguida, seu companheiro de equipe, Lars Eller, fez o mesmo, deixando os Capitals à frente do placar pela terceira vez.
Faltando menos de oito minutos para o fim do jogo, a única coisa que Washington precisava fazer era segurar o placar, e foi isso o que aconteceu.
Assim, após oito longos minutos, o juiz apitou o fim da partida, e diante de uma T-Mobile Arena lotada, o Washington Capitals se tornou campeão da Stanley Cup. Um marco para a equipe, que conquistou o primeiro troféu de sua história.
Alex Ovechkin foi quem faturou o Conn Smythe Award, considerado portanto o MVP dos playoffs. Título merecido, já que o capitão foi uma peça essencial na conquista do time. Além de líder em gols, o jogador ainda foi o segundo com mais assistênciaspelo time nos playoffs, ficando atrás apenas de Kuznetsov.
Após a vitória em Vegas, era o momento do time comemorar o merecido campeonato. Eles voltaram para casa com o troféu e celebraram em grande estilo: um desfile que levou cerca de 1 milhão de fãs às ruas de Washington, e nos trouxe memórias históricas (é quase impossível esquecer Ovechkin e companhia celebrando em uma fonte em Georgetown Waterfront).
Este foi o único título que o time conquistou na década, mas a quantidade de títulos não diminui o grande elenco que Washington formou ao longo dos anos, e que ainda tem muito potencial para novas conquistas. Se depender da vontade de Alex Ovechkin e companhia, ainda veremos o time levantar outra Cup.
O draft class de 2017 trouxe nomes que, ainda nas suas primeiras temporadas, se tornaram estrelas na NHL. Apesar da equipe do Colorado Avalanche ter tido a histórica pior temporada da franquia, suas chances para ganhar a primeira escolha do draft foram em vão e os Avs acabaram por selecionar em quarto. Entretanto, do outro lado dos Estados Unidos, o Philadelphia Flyers (depois de quase conquistar uma vaga nos playoffs) saltou da esperada 13ª posição para fazer a segunda escolha da noite. A cerimônia aconteceu em Chicago e muita gente selecionada lá já está deixando sua marca nos livros da NHL. Vem com a gente conferir!
NICO HISCHIER, C, NEW JERSEY DEVILS (#1 overall): The shore is alive with the sound of hockey
Nativo de uma pequena cidade na Suíça, Hischier começou a praticar o esporte com seu irmão mais velho na equipe do EHC Visp. Conforme crescia, o suíço passou a se destacar pelo seu talento. Na temporada 2015/2016 ele foi promovido para o SC Bern, equipe da liga suíça e afiliado do Visp. Em seguida, Hischier foi selecionado no Import Draft da Canadian Hockey League (CHL), pelo Halifax Mooseheads da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL).
Na Nova Escócia, o suíço foi destaque da equipe do Mooseheads, tendo sido o rookie do ano e ganhador do prêmio de melhor prospect da QMJHL. Depois de um World Junior Championship forte em 2017, Hischier subiu nos rankings dos prospects, sendo elencado em segundo lugar. Ao ser selecionado pelos Devils no draft de 2017, se tornou o suíço draftado mais alto e primeiro a ser escolhido com a first pick. Depois de uma pré-temporada positiva, o center entrou para o roster dos Devils e logo se viu em uma linha com Taylor Hall.
Com a temporada prolífica do winger canadense, que inclusive venceu o troféu Hart de MVP daquele ano, a presença de Hischier na primeira linha ajudou New Jersey a chegar nos playoffs. Desde então, o suíço tem sido peça chave no rebuild do time. Seu desempenho foi recompensado com uma extensão de sete anos, um ano antes de seu contrato entry level expirar. Hischier terá um salário de 7.25 milhões de dólares a partir da próxima temporada. Atualmente o center suíço conta com 135 pontos em 209 partidas disputadas na NHL.
NOLAN PATRICK, C, PHILADELPHIA FLYERS (#2 overall): De promessa que ainda não se concretizou a azarão da Philadelphia
Acho que não estou sozinha quando falo que o #2 overall de 2017 precisa, acima de tudo, de um bom banho de sal grosso. Tido como o prospect mais importante do seu draft por anos, o canadense se viu caindo para a segunda posição em Chicago depois de uma temporada com poucas aparições no major juniors. Vindo de uma família de atletas, Patrick começou no Brandon Wheat Kings da Western Hockey League, bem próximo da sua cidade natal, Winnipeg.
Embora já estivesse no radar dos olheiros, foi a temporada 2015/2016 que colocou Patrick como o possível (e provável) top prospect do seu draft. Juntamente com Ivan Provorov, recém draftado pelos Flyers em 2015, o center foi campeão da WHL e chegou às finais da Memorial Cup. Embora Patrick tenha terminado o ano com 102 pontos em 72 partidas, foi ali que seus problemas com uma hérnia causada pelo esporte começaram. Na off-season o jogador fez sua primeira cirurgia para corrigir o problema, e foi revelado que ele havia se lesionado antes mesmo dos playoffs começarem.
Nomeado capitão dos Wheat Kings na temporada seguinte, o canadense iniciou seu ano de elegibilidade com muitas expectativas. Entretanto, complicações da hérnia fizeram com que ele tivesse apenas 33 aparições em partidas da sua equipe. Ainda assim, ele terminou o ano em primeiro lugar no ranking de prospects e foi selecionado pelo Philadelphia Flyers em segundo no draft. A incerteza acerca da saúde de Patrick veio à tona quando foi revelado que ele havia feito outra cirurgia reparadora da hérnia, e por isso o jogador não participou do prospect camp dos Flyers.
Patrick ganhou uma vaga na equipe dos Flyers naquela temporada e terminou sua modesta campanha com 30 pontos em 73 partidas. Nos playoffs daquele ano o jogador foi um dos principais nomes da sua equipe no confronto contra o arquirrival Pittsburgh Penguins, mas a equipe de Philly foi eliminada em seis jogos. A segunda temporada do center na NHL teve números basicamente iguais à primeira, mas o atleta novamente se viu fora de muitos jogos após hits em sua cabeça.
Em setembro de 2019 Philadelphia tornou pública a informação de que o jogador havia sido diagnosticado com uma síndrome crônica que causa enxaquecas, razão pela qual o canadense não atuou nesta temporada, nem mesmo no retorno da Liga após a paralisação pelo COVID-19. Atualmente, Patrick é um restricted free agent e seu próximo contrato, bem como seu status de saúde, ainda são uma incógnita. (A autora pergunta a você, caro leitor: quanto custa enviar alguns – ou vários – pacotes de sal grosso para o Wells Fargo Center? #FreeNolan)
MIRO HEISKANEN, D, DALLAS STARS (#3 overall): O xerifão do Sul, proprietário do Texas inteiro
O finlandês começou sua carreira no clube de sua cidade natal, o Espoo Blues, mas logo se juntou ao HIFK, pelo qual fez sua estreia profissional na Liiga aos 17 anos, durante seu ano de elegibilidade. Apesar da tenra idade, Heiskanen jogou no primeiro par de defesa e terminou a temporada como o defensor europeu mais bem ranqueado entre os prospects. O defensor foi, então, selecionado pelo Dallas Stars com a terceira escolha.
Mesmo assinando seu contrato com Dallas logo após o draft, Heiskanen foi emprestado ao HIFK. Lá ele marcou 23 pontos em 30 partidas, mais do que dobrando sua produção do ano anterior. O finlandês estreou diretamente na NHL, sem passar por um período de adaptação na American Hockey League (AHL) como a maioria dos defensores europeus. Este fato, por si só, já aponta o quão especial é o defensor, que foi o segundo mais jovem de sua posição a marcar na história da franquia.
Heiskanen continuou em ascensão, tendo sido o escolhido para representar sua equipe no All Star Game de 2019, com stats consideráveis dentre o ranking dos rookies. Com a equipe do Texas marcando presença nos playoffs de 2019, o finlandês se tornou o terceiro defensor com menos de 20 anos a marcar dois gols em um jogo de pós-temporada. Com uma maturidade além do comum, o finlandês deu esperanças à torcida dos Stars, que durante tanto tempo teve em John Klingberg sua única estrela na blue line. Em sua segunda temporada regular na Liga o atleta teve um aproveitamento bom, pontuando 35 vezes em 68 partidas.
Entretanto, foi no retorno após a paralisação que Heiskanen desabrochou de vez, e se colocou na discussão para o Conn Smythe de MVP da pós-temporada. Em 26 partidas, o finlandês tem 26 pontos, um aproveitamento surpreendente para alguém, não só da sua posição como da sua idade. Não é exagero falar que, se Dallas tivesse conquistado a Stanley Cup de 2020, o jovem defensor seria um dos principais nomes cotados para a honraria de MVP. A carreira de Heiskanen está apenas começando, mas já podemos afirmar que ele se firmará como um dos grandes defensores na história de sua equipe e, quem sabe, da Liga como um todo.
CALE MAKAR, D, COLORADO AVALANCHE (#4 overall): BB couve, florescendo no Colorado
Embora tenha sido selecionado no draft da WHL pelo Medicine Hat Tigers, o defensor canadense optou pelo hockey universitário da National Collegiate Athletic Association (NCAA). Após seu draft em 2017, Makar iniciou sua carreira universitária pela University of Massachusetts-Amherst. Na NCAA o jovem defensor desabrochou como um wunderkind na blue line da sua equipe, sendo o ganhador do Hobey Baker, troféu de melhor jogador, da liga universitária.
Ao final de sua segunda temporada, entretanto, Makar já sentia-se pronto para a NHL. Por isso, em abril de 2019 ele assinou seu contrato com o Colorado Avalanche, fazendo sua estreia profissional no jogo três do primeiro round dos playoffs daquele ano. Makar chegou na Liga com um bang, marcando um gol em sua primeira oportunidade. Mesmo com a eliminação dos Avs no segundo round, o canadense já havia deixado sua marca no coração da torcida.
Com a troca de Tyson Barrie na off-season de 2019, o lugar de Makar como quarterback do power play de Colorado já estava certo. As expectativas com relação à campanha do jovem defensor eram grandes, e podemos falar que elas foram atingidas e, quiçá, superadas. Makar se tornou o segundo defensor do Avalanche a fazer 18 pontos em 18 jogos em novembro de 2019, mas uma lesão o deixou de fora de algumas partidas. Ele terminou a temporada com 50 pontos em 57 jogos.
Dinâmico e tenaz, o canadense continuou jogando em alto nível e quebrando recordes na pós-temporada. Makar terminou a campanha com seu Avalanche no segundo round, tendo uma média de um ponto por jogo. Para coroar sua primeira temporada completa na Liga, o defensor recebeu o Calder Trophy. Makar esteve em todas as fichas de votação e nenhum dos consultados o colocou em uma posição abaixo do segundo lugar. O canadense já é uma estrela com apenas 21 anos, e seu talento com certeza trará muitas alegrias para os torcedores dos Avs.
ELIAS PETTERSSON, C, VANCOUVER CANUCKS (#5 overall): O encantador de orcas, que veio libertar os Canucks do sofrimento (será?)
Os deuses do hockey sorriram para Vancouver quando a equipe canadense escolheu o center sueco com a quinta escolha (após perder mais uma loteria do draft). Pettersson começou sua carreira no Timra IK, da segunda liga mais importante da Suécia. Entretanto, logo antes de seu draft ele assinou um contrato de três anos com o Vaxjo Lakers da Swedish Hockey League (SHL). Ranqueado em segundo dentre os patinadores europeus, o sueco foi selecionado pelos Canucks.
Embora ainda fosse tido como um jogador junior, ele teve uma temporada de estreia avassaladora na SHL. Com 56 pontos em 44 jogos, o center quebrou o recorde (de 40 anos!) de maior pontuação por um jogador jovem na liga. Nos playoffs não foi diferente, com 19 pontos em 13 partidas, Pettersson foi o MVP do time e venceu o campeonato sueco. Além disso, ele agraciou a internet com a tradicional sessão de fotos feita pelo MVP, afinal o sueco foi o verdadeiro golden boy da SHL naquela temporada. (Aqui a autora gostaria de dizer que, na opinião dela, ele deveria fazer o mesmo, só que com tinta prata, caso um dia ganhe o Conn Smythe)
Pettersson já marcou seu primeiro gol na Liga durante a sua estreia, contra o Calgary Flames. A presença do center no elenco dos Canucks trouxe de volta a esperança ao torcedor. A química de Pettersson com o winger Brock Boeser também foi parte considerável da adaptação rápida do sueco à NHL. Em sua primeira temporada, ele marcou 66 pontos em 71 partidas e venceu o Calder Trophy de melhor rookie, conquistando o coração de Vancouver.
A temporada seguinte tinha tudo para ser ainda melhor não fosse a paralisação, já que o jogador havia atingido o mesmo número de pontos do ano anterior, em menos jogos. Na pós-temporada pela primeira vez neste ano, o sueco marcou 18 pontos em 17 partidas. Tudo indica que a jornada de Pettersson enquanto superstar da NHL está apenas no início, o que fará com que a conferência do Pacífico seja destaque nos próximos anos.
NICK SUZUKI, C, VEGAS GOLDEN KNIGHTS (#13 overall): (atualmente do Montreal Canadiens): the Hab way of life!
O canadense iniciou sua carreira no major juniors no Owen Sound Attack da Ontario Hockey League (OHL). Com números que fizeram com que ele se destacasse, o jogador foi escolhido em 13º com uma das várias escolhas que Vegas teve no primeiro round de 2017. Considerando que o center ainda precisava se desenvolver mais, ele foi retornado à sua equipe da OHL, onde bateu a marca de 100 pontos.
Na intertemporada de 2018 Suzuki foi trocado para o Montreal Canadiens juntamente com Tomas Tatar, com Max Pacioretty indo para o Golden Knights. Ainda assim, o canadense jogou seu ano draft+2 na OHL, sendo trocado do Sound Attack para o Guelph Storm depois de 30 partidas. A chegada definitiva do jogador à NHL ocorreu apenas na última temporada.
Em 71 partidas, Suzuki anotou 41 pontos em uma equipe marcada pela inconstância. Entretanto, nos playoffs o jovem center teve um desempenho satisfatório, anotando sete pontos em 10 partidas. Com o movimento de reconstrução do elenco dos Habs, Suzuki encontrará ainda mais espaço para se desenvolver em um jogador de qualidade.
ROBERT THOMAS, C, ST. LOUIS BLUES (#20 overall): Não, não é o vocalista do Matchbox Twenty (Alexa, toca Unwell)
Ser homônimo de um rockstar é mais um dos fatores que fazem o center canadense se destacar dentre seus colegas. A carreira de Thomas se iniciou na OHL, com a potência do London Knights e uma campanha bem sucedida que culminou na vitória da Memorial Cup. Por ter sido seu primeiro ano na liga junior, o center fez apenas 15 pontos em 40 partidas.
Após três anos na OHL, Thomas estreou por St. Louis na temporada 2018/2019, fazendo 33 pontos em 70 partidas. Aos 19 anos ele fez história ao ajudar a equipe a chegar nas finais da conferência, dando duas assistências no jogo sete. Apesar de sua pouca idade e das lesões, Thomas foi importante na campanha vitoriosa dos Blues, e consagrou-se campeão da Stanley Cup.
MENÇÕES HONROSAS:
Cody Glass, C, Vegas Golden Knights (#6 overall): o center canadense foi a primeira escolha da história da franquia do Vegas Golden Knights.
Lias Andersson, C, New York Rangers (#7 overall): o sueco ficou conhecido no Twitter quando jogou a sua medalha de prata para a plateia após a cerimônia de premiação do World Juniors. Embora ele tenha sido um prospect muito visado antes do seu draft, suas relações com o New York Rangers, equipe que o selecionou, esfriaram consideravelmente e ele retornou à Suécia.
Martin Necas, C, Carolina Hurricanes (#12 overall): o jovem tcheco faz parte do jovem elenco dos Canes e já demonstra que poderá ser uma peça valiosa da equipe.
Erik Brannstrom, D, Vegas Golden Knights (#15 overall): o prospect sueco foi fator determinante na troca que levou Mark Stone para o Vegas Golden Knights. Atualmente joga no Belleville Senators, afiliado de Ottawa na AHL.
Kailer Yamamoto, RW, Edmonton Oilers (#22 overall): o pequeno winger aprendeu a patinar com a mãe de Tyler Johnson, do Tampa Bay Lightning. Ele vem, aos poucos, ganhando espaço no elenco do Edmonton Oilers.
Morgan Frost, C, Philadelphia Flyers (#27 overall): apesar de alguns probleminhas disciplinares, Frost foi destaque do Sault St. Marie Greyhounds e, posteriormente, do Lehigh Valley Phantoms, afiliado dos Flyers na AHL.
Sem dúvidas, a última década foi recheada de sucessos para a equipe de Sidney Crosby. Ao vencerem a Stanley Cup de 2016, Pittsburgh provou todo o trabalho e talento dos seus jogadores. Porém, o time não se conformou em conquistar um título e, no ano seguinte, chegou novamente aos playoffs como um dos grandes favoritos.
Assim, a equipe confirmou seu potencial ao conquistar novamente a Cup em 2017 em um back to back que cravou a dinastia comandada por Sidney Crosby e Evgeni Malkin nos Penguins. Nesta edição do 10 for 10 contamos um pouco como foi a segunda conquista da Stanley Cup pelo time, em 2016-2017.
Temporada regular
Os Penguins não fizeram grandes mudanças durante a offseason. O técnico Mike Sullivan assinou a extensão de seu contrato por mais três anos. Na trade deadline, Pittsburgh adquiriu os defensores Ron Hainsey e Mark Streit por meio de troca. Assim, o time potencializou sua defesa após Kris Letang sofrer uma lesão no final da temporada poucas semanas antes do início dos playoffs.
A estreia do Pittsburgh Penguins na temporada regular foi no dia 13 de outubro, em uma vitória no shootout contra os rivais Washington Capitals. A temporada de 2016-2017 começou favorável para a equipe da Pensilvânia, pois nos 10 primeiros jogos, o time já tinha conquistado 5 pontos. No mês de dezembro, os Penguins conquistaram uma impressionante marca de 26 pontos em 15 jogos. Assim, eles estavam cotados a levar o segundo Presidents Trophy da história do time. O capitão Sidney Crosby liderou a equipe com 89 pontos, ficando em segundo lugar no campeonato, e conquistou o Troféu Rocket Richard com 44 gols. Já Phil Kessel liderou em assistências, somando 47 ao todo.
Por fim, o Pittsburgh Penguins terminou em segundo lugar no campeonato com 111 pontos, com a temporada regular sendo concluída em 9 de abril. O President’s Trophy não veio, contudo, essa pontuação lhes deu a vantagem de gelo em casa na série.
Playoffs
Dizer que os Penguins não eram favoritos a ganhar novamente a Stanley Cup seria um erro. Contudo, o caminho não foi nada fácil. O elenco, basicamente o mesmo do ano anterior, não trouxe grandes surpresas. Entretanto, Marc Andre-Fleury, goleiro que foi uma das estrelas da primeira cup, trocou de titularidade com o então rookie Matt Murray. Todavia, ainda no primeiro round contra o Columbus Blue Jackets, Murray machucou-se durante o aquecimento antes do início do primeiro jogo, forçando Marc-Andre Fleury a iniciar a partida. Com a vantagem de começar os dois primeiros jogos em casa, os Penguins facilmente derrotaram os Blue Jackets em cinco jogos.
O próximo adversário foi o Washington Capitals, sendo esta a décima série entre as equipes e a segunda vez no qual eles se encontraram no segundo round. Pittsburgh venceu oito das nove séries anteriores, incluindo o confronto do ano anterior, terminado em seis jogos. Dessa vez não foi diferente. Assim, os Penguins derrotaram os Capitals em sete jogos, mesmo após Washington ter empatado a série em 3-3. Porém, em uma série no qual uma equipe estava faminta pela vitória e cansada de perder, contra outra que poderia ter a chance de levantar novamente a taça, qualquer coisa estava sujeita a acontecer. Por fim, no jogo sete, Marc-Andre Fleury parou todos os 29 shots e Bryan Rust marcou o gol da vitória para derrotar os Capitals por 2 a 0 e avançar para a Final da Conferência pelo segundo ano consecutivo.
A Final de Conferência foi disputadas contra o Ottawa Senators. Este foi o quinto confronto em playoffs entre essas equipes, com Pittsburgh vencendo três das quatro séries anteriores. A última vez em que eles se encontraram havia sido na Semifinal da Conferência em 2013, quando Pittsburgh venceu em cinco jogos. Esta também foi a segunda aparição consecutiva em Finais de Conferência para Pittsburgh, que derrotou o Tampa Bay Lightning no ano anterior em sete jogos. Já Ottawa tinha chegado à Final da Conferência em 2007, quando derrotaram o Buffalo Sabres em cinco jogos. No primeiro jogo, os Senators ganharam a partida após Bobby Ryan marcar no overtime, dando à equipe uma vantagem de 1-0 na série. Entretanto, no jogo seguinte, quem marcou foi Phil Kessel em uma vitória dos Penguins por 1-0.
No primeiro período do jogo três, os Sens marcaram quatro vezes, incluindo três gols em um período de menos de três minutos, levando-os a uma vitória por 5–1. Matt Murray fez 24 defesas após ter voltado de lesão, em seu primeiro jogo de playoff. Assim, ele garantiu uma vitória de 3–2 para Pittsburgh no jogo quarto. Já no cinco, suas 26 defesas foram vitais para a vitória por 7-0 contra os Sens. Então, os Penguins conseguiram a liderança de 3-2 na série. Entretanto, quem ganhou o jogo seis foram os Senators, forçando um jogo sete.
Assim, a decisão de quem iria para a final foi um tudo ou nada. Chris Kunitz e Mark Stone marcaram para os Sens com 20 segundos de diferença no segundo período. Posteriormente, Justin Schultz e Ryan Dzingel empataram a partida em 2 a 2. Dessa forma, o jogo foi para overtime. A decisão, entretanto, ficou para o segundo tempo do overtime. Kunitz marcou seu segundo gol no jogo, que enviou Pittsburgh às finais pelo segundo ano consecutivo.
Pittsburgh Penguins campeão
No Oeste, quem se garantiu na final foi o Nashville Predators. Esta foi a primeira aparição na Final da Stanley Cup de Nashville em seus 19 anos de história.
Durante a offseason, Nashville trocou o defensor e capitão do time de longa data Shea Weber para Montreal pelo defensor P. K. Subban. Na temporada regular, Nashville fez 94 pontos, posicionado em segundo lugar no wild card na Conferência Oeste, e foi o 16º time geral e último colocado nos playoffs.
Após 2 jogos, Pittsburgh Penguins possuía uma vantagem de 2 a 0 em cima dos Predators. Entretanto, a equipe reagiu e ganhou os jogo 3 e 4 em casa. Com a série empatada, a disputa pela Cup ficou ainda mais fervorosa. No jogo 5, os Penguins ganharam de Nashville por 6-0. O então rookie Matt Murray se tornou o primeiro novato desde Cam Ward em 2006 a conseguir um shutout nas finais da Stanley Cup.
Enfim, bastava apenas um jogo para que o Pittsburgh Penguins conquistasse novamente a Stanley Cup. E Patric Hornqvist foi o autor do gol da vitória, ao mandar o puck para as redes do veterano Pekka Rinne. Faltavam menos de 2 minutos para o término do jogo no terceiro período, quando Hornqvist foi o herói da noite. Posteriormente, Carl Sevelin ainda fez um gol de Empty Net, selando enfim a vitória por 2-0.
Os Penguins, que derrotaram o San Jose Sharks na final da temporada anterior, conquistaram assim a sua quinta taça. Nenhum outro time da NHL ganhou tanto neste período, e nenhum outro time havia levado consecutivamente a Stanley Cup desde as vitórias do Detroit Red Wings em 1997 e 1998.
Esta Stanley Cup foi a terceira para Crosby, capitão dos Penguins, que também ganhou seu segundo Troféu Conn Smythe consecutivo como o melhor jogador dos playoffs. Crosby marcou 27 pontos nos playoffs, com oito gols e 19 assistências. Dessa forma, Crosby e sua equipe se firmaram no mundo da NHL e mostraram todo o talento e poder que possuem.
Duas décadas após sua última expansão, em 2017 a NHL enfim decidiu agraciar seus torcedores com um novo time. Indo contra todo os indicativos, a liga fez uma de suas manobras mais ousadas: tornou Las Vegas a casa da futura equipe.
Mesmo com os diversos problemas que poderia encontrar no caminho, o Vegas Golden Knights veio ao mundo oficialmente no ano de 2017, e mostrou que não seria apenas mais um simples time de expansão.
Em mais um texto do especial “10 for 10“, a história da equipe de Vegas e como ela se tornou, em tão pouco tempo, uma das melhores da NHL.
“Viva Las Vegas“
Apesar de nunca ter sido sede de um time de hockey, a NHL e a cidade de Las Vegas já eram familiares entre si. Uma amizade que ambos mantêm desde 1991, quando Vegas sediou o primeiro outdoor game da Liga, e que permanece até hoje, com a cidade sediando o NHL Awards anualmente.
No entanto, os rumores de que Las Vegas teria um time para chamar de seu vieram apenas em 2014. Isso porque teve início a construção de uma futura arena na Las Vegas Strip, apesar de a própria NHL negar as informações. Em novembro do mesmo ano, outro rumor cresceu entre a comunidade do hockey, afirmando que a Liga havia selecionando o empresário Bill Foley e a família Maloof (antigos donos do Sacramento Kings, da NBA) para serem proprietários de um time em Las Vegas.
Cedendo aos pedidos, em dezembro o conselho de governadores da NHL permitiu que Foley realizasse uma campanha para detectar o interesse de um possível time em Las Vegas, embora Gary Bettman, comissário da NHL, tenha alertado a mídia para que não tornasse o acontecimento em algo maior do que realmente era.
A campanha dos ingressos se iniciou em fevereiro de 2015, e teve mais sucesso do que o esperado. Em seu primeiro dia e meio, 5.000 depósitos para ingressos foram realizados, atingindo sua meta de 10.000 depósitos em abril do mesmo ano. Assim, devido ao grande êxito da campanha, a NHL abriu oficialmente a janela para que possíveis proprietários pudessem licitar o futuro time de expansão da Liga.
Dois pedidos de expansão foram apresentados: a oferta de Foley, para um time em Las Vegas, e outra da empresa Quebecor, que traria de volta o Quebec Nordiques em uma nova arena na cidade de Quebec. Em agosto de 2015, ambos avançaram para a segunda fase do processo de expansão. Posteriormente, também foram para a Fase 3, na qual uma das ofertas seria escolhida.
Porém, em 22 de junho de 2016, a oferta de Quebec foi descartada e, consequentemente, Foley acabou trazendo a NHL para Las Vegas. O time se tornou a primeira equipe profissional a ter sede na cidade e, por conseguinte, o primeiro time de expansão da Liga Nacional de Hockey desde o ano 2000.
Com vocês, Vegas Golden Knights
Após todas as burocracias serem acertadas, Foley se comprometeu em pagar uma taxa de 500 milhões de dólares para a NHL e, enfim, pôde iniciar o processo de contratação da equipe que faria parte do time de Vegas. George McPhee, antigo General Manager do Washington Capitals, foi um dos primeiros contratados, e se tornou o primeiro GM da franquia.
O time veio a receber um nome ao fim do ano de 2016. Até o momento da cerimônia de revelação, acreditava-se que este seria escolhido dentre três opções: Black Knights, Desert Knights e Golden Knights. Por fim, após muitas especulações, a equipe de Las Vegas anunciou através de cerimônia nas dependências da T-Mobile Arena (futura casa do time) em 22 de junho do mesmo ano que, oficialmente, se chamaria Vegas Golden Knights.
Era notável que, por ter se formado na Academia Militar West Point, Foley desejava que o nome tivesse a palavra Knight (em português, cavaleiro), como homenagem ao mascote da Academia pela qual se formou. Ele ainda completou afirmando que a palavra foi selecionada porque “cavaleiros são os defensores do reino e protegem aqueles que não podem se defender […], são a classe guerreira de elite.”
Em seguida, o time ainda afirmou que suas cores seriam cinza-aço, dourado, vermelho e preto, justificando que o motivo da escolha era refletir na comunidade de Las Vegas:
“Cinza-aço representa força e durabilidade. Nevada é o maior produtor de ouro dos Estados Unidos, é um metal precioso de alto valor e é uma cor vista no terreno de Las Vegas.O vermelho vem do horizonte de Las Vegas, do deserto e da beleza dos cânions de Red Rock; vermelho também é uma cor associada à prontidão para servir. E o preto representa poder e intensidade.”
O logo também referiu-se diretamente à palavra Knight. O capacete remete ao que os cavaleiros medievais tinham o costume de usar em suas lutas, tendo a cor dourada presente para consolidar ainda mais a paleta e o nome da equipe.
Para representar a cidade de Las Vegas, o time decidiu incluir no próprio logotipo a letra “V”. Os logotipos secundários também homenageiam a cidade, incluindo as espadas que criam a estrela do símbolo “Bem-vindo a Las Vegas”.
— Vegas Golden Knights (@GoldenKnights) June 21, 2017
Por fim, Foley afirmou que “o nome e logotipo do Vegas Golden Knights incorporam esta grande cidade e a missão da equipe.” Continuou ainda informando que seu desejo seria que “quando as pessoas virem [o logotipo], queremos que digam ‘Esses caras nunca desistem. Esses caras vão vencer.’ ”
O draft de expansão
Em 1 de março de 2017, a equipe finalizou os pagamentos da taxa de expansão, e tornou-se elegível para iniciar, de maneira formal, suas operações. A primeira manobra do time foi assinar um contrato entry-level de três anos com o center Reid Duke – atualmente, o jogador ainda é um prospect de Vegas.
Em seguida, anunciou a contratação de Gerrard Gallant, em abril de 2017, para ser o primeiro treinador da franquia. Ainda informou que também havia feito afiliações com dois farm teams: Chicago Wolves (AHL) e Quad City Mallards (ECHL). Assim, a equipe poderia desenvolver melhor uma futura base de jogadores importantes.
O time deu continuidade na contratação de seus futuros jogadores no Draft de Expansão do mesmo ano. O evento aconteceu em 21 de junho de 2017, durante o NHL Awards. Na ocasião, Vegas tinha o direito de selecionar um jogador disponível de cada uma das 30 equipes da Liga.
Antes disso, a NHL criou algumas regras, para que o novo time de expansão e também os demais times da Liga não saíssem prejudicados. Uma destas permitia que cada time poderia proteger sete atacantes, três defensores e um goleiro. Ou, se fosse da vontade da equipe em questão, um goleiro e oito jogadores, independentemente de suas posições. Também foi permitido que apenas jogadores com dois ou mais anos de experiência na NHL ou AHL participassem da seleção.
O combinado era que os times enviassem a lista com os jogadores que não participariam da expansão até o dia 17 de junho. Dos 30 jogadores selecionados pela equipe, pelo menos vinte deveriam estar sob contrato para a temporada 2017-18. Outra exigência da NHL foi que, dentro de suas escolhas, os Golden Knights deveriam selecionar, pelo menos, quatorze atacantes, nove defensores e três goleiros.
Assim, o Draft de expansão aconteceu. O primeiro jogador a ser selecionado pelo time foi Calvin Pickard, do Colorado Avalanche. Apesar de a equipe de Las Vegas ter selecionado 30 jogadores, alguns acabaram se destacando mais na época. Entre eles, o goleiro Marc-Andre Fleury, que veio para o time dias após conquistar sua segunda Stanley Cup na década com o Pittsburgh Penguins. Outros nomes notáveis foram James Neal (Nashville Predators), William Karlsson (Columbus Blue Jackets), David Perron (St. Louis Blues) e Erik Haula (Minnesota Wild).
Pouco depois, em julho, os Golden Knights participaram do NHL Draft de 2017. Com a quinta escolha geral, a equipe selecionou Cody Glass. Mais tarde, com a 13ª e 15ª escolhas, os Golden Knights selecionaram, respectivamente, Nick Suzuki e Erik Brannstrom.
Primeira temporada, e sucesso imediato
Com um time já formado, a equipe fez sua estreia na NHL em um jogo contra o Dallas Stars, garantindo sua primeira vitória na Liga. Infelizmente, o início da jornada do time não foi tão alegre quanto Vegas desejava. A cidade ficou arrasada quando, em 1 de outubro de 2017, cinquenta e oito pessoas foram vítimas de uma massacre, que ocorreu durante um festival country.
Após o ocorrido, a cidade inteiro promoveu o movimento Vegas Strong, com a intenção de mostrar que, mesmo com a tragédia, estando unidos seria a melhor forma de enfrentar a dor pela qual passaram. Os Golden Knights não foram diferentes dos demais moradores de sua casa. Durante o jogo contra os Stars, a equipe homenageou as 58 vítimas com um discurso emocionanete do capitão do time na época, Deryk Engelland. A fala reforçou a necessidade de enfrentarem isso juntos, e que a equipe faria o possível para ajudar.
Mais tarde, durante o último jogo da equipe em casa na temporada regular, em 31 de março, Vegas voltou a reforçar seu apoio ao ocorrido. Foi pendurada na T-Mobile Arena um grande banner, que homenageou as 58 vítimas do ataque através de 58 estrelas. A intenção foi que, mesmo com o passar dos anos, todos pudessem olhar para o banner e lembrar das cinquenta e oito vidas que se foram precocemente.
— Vegas Golden Knights (@GoldenKnights) April 1, 2018
Após disputar sua nona partida, a equipe de Las Vegas enfim bateu seu primeiro recorde histórico: tornou-se o primeiro time de expansão na história da NHL a iniciar sua temporada inaugural vencendo oito de seus nove primeiros jogos. Mesmo tendo iniciado a temporada com um déficit de goleiros devido a lesões, conseguiu manter-se como uma das melhores da temporada 2017-18.
Com a chegada de 2018, o sucesso do Vegas Golden Knights apenas aumentou. Em 1 de fevereiro, o time quebrou outro recorde, tornando-se a equipe de expansão com mais vitórias em menos de 54 jogos, após vencer sua 34ª partida. Já no dia 21, o time garantiu outro marco histórico, sendo a equipe de expansão com mais pontos (84) em sua temporada inaugural.
Após uma grande temporada regular, os Golden Knights garantiram a tão almejada vaga aos playoffs em 26 de março de 2018. Desta forma, Vegas se tornou a primeira franquia da NHL desde o Edmonton Oilers e o Hartford Whalers, em 1979, a ir para os playoffs em sua temporada de estreia.
O time venceu sua primeira série nos playoffs, contra os Kings, tornando-se a primeiraexpansão a conquistar o feito em sua primeira temporada. Depois, derrotaram o San Jose Sharks e, seguidamente, o Winnipeg Jets, já na Final de Conferência. Os Golden Knights garantiram sua primeira ida a uma Final da Stanley Cup em seu primeiro ano de existência. Porém, a equipe não teve o desfecho que almejava, sendo derrotada pelo Washington Capitals em cinco jogos.
Ainda assim, para um time de expansão, e que fazia sua estreia da Liga Nacional de Hockey, o Vegas Golden Knights chegou muito longe. Foi neste momento que deixou de ser apenas a nova aquisição da NHL e se tornou uma das equipes mais fortes na competição. Desde então, eles têm provado isso a cada temporada, apesar de ainda não terem repedido a empreitada até uma Final da Stanley Cup.
Podemos anotar em nossas agendas que 2018 não terá sido a última vez em que vimos os Golden Knights chegando perto de sua primeira taça. O time possui um elenco espetacular. Elenco este que já provou o quanto pode fazer pela equipe, e o quanto quer fazer com que o momento de levantar a Stanley Cup chegue o mais rápido possível para o Vegas.
Depois de uma temporada tão ruim que entrou para a história, o Toronto Maple Leafs foi agraciado com a primeira escolha na loteria de 2016. A última vez que isso havia acontecido fora em 1985, quando a equipe canadense selecionou Wendel Clark. O prospect a ser selecionado em 2016, entretanto, era um americano que figurava em primeiro na lista de patinadores europeus.
Além de Auston Matthews, a lista dos top prospects incluía Patrik Laine e Jesse Puljujarvi na Europa e Pierre-Luc Dubois, Matthew Tkachuk e Alex Nylander na América do Norte. Quer saber mais sobre os principais nomes escolhidos em 2016? Vem com a gente!
AUSTON MATTHEWS, C, TORONTO MAPLE LEAFS (#1 overall): de rei do deserto a superstar de Toronto (Alexa, toca Bigodin Finin)
Filho de uma mexicana e produto do deserto do Arizona, o caminho de Matthews até o hockey foi inusitado. Depois de se apaixonar pelos Coyotes, o esporte ganhou espaço com o jovem americano, que desistiu do baseball de vez e foi jogar no USA Hockey National Development Team (USNTDT), em Michigan. Após dois anos de programa, o center tinha dois claros caminhos na sua frente: jogar hockey universitário ou trilhar o caminho do major juniors indo para a Western Hockey League (WHL).
Matthews, entretanto, escolheu uma via diferente. Como ele perdeu a data limite do draft de 2015 por poucos dias, o americano completou 18 anos no início de seu ano de elegibilidade. Isso possibilitou que ele fizesse uma coisa rara para norte-americanos prestes a serem draftados: jogar profissionalmente antes da NHL. O Zurich Lions, da liga suíça, foi a equipe escolhida e Matthews chegou ao draft com a experiência de já ter jogado com “gente grande”.
Ao ser chamado no palco quando Toronto fez a primeira escolha em 2016, ele reacendeu a chama da esperança na cidade. Além disso, a seleção de um latino com a primeira escolha foi um passo, ainda que tímido, importante para a representatividade na NHL. Afinal, quantos garotos de origem latina se inspiram ao ver um rapaz como eles marcando gols e sendo um All-Star na televisão? Em sua primeira temporada, Matthews chegou aos playoffs, fez 69 pontos e marcou 40 gols. Quando a temporada terminou ninguém se surpreendeu quando o rookie que marcou quatro gols em sua partida inaugural na liga ganhou o troféu Calder.
Ainda que Matthews já seja um superstar na NHL e jogue no maior mercado do esporte, as críticas continuam. Isso porque o seu Toronto Maple Leafs ainda não chegou ao segundo round dos playoffs, tendo inclusive sendo eliminado na fase de play-in neste ano. Todavia, o americano continua colecionando recordes e atualmente tem 285 pontos em 282 partidas, isto é, somando mais do que um ponto por jogo. Em fevereiro de 2019 Matthews estendeu seu compromisso com os Leafs por cinco anos, com um salário anual de mais de 11.6 milhões de dólares.
PATRIK LAINE, RW, WINNIPEG JETS (#2 overall): um gamer finlandês em Winnipeg (mas não era lá que a Wi-Fi era ruim?)
Os finlandeses são conhecidos por terem um humor… digamos, peculiar. A segunda escolha de 2016 prova que isso é de fato uma verdade. Dono das melhores frases provenientes de entrevistas, Laine jogou como goleiro durante muito tempo na infância antes de decidir que gostava mais de fazer gols e não tentar defendê-los. O finlandês cresceu jogando pelo Tappara da SM-Liiga, time do qual foi draftado pelo Winnipeg Jets.
Diferentemente de muitos europeus, Laine não precisou de mais tempo para se adaptar. Sua carreira na NHL iniciou-se imediatamente. Em sua primeira temporada, Laine anotou 64 pontos e as comparações com o seu ídolo, Alexander Ovechkin, começaram a surgir, devido ao tiro rápido e perigoso do finlandês. No ano seguinte, Laine fez 70 pontos, sendo que 44 destes foram gols. Entretanto, durante sua terceira temporada na liga, quando seu contrato estava prestes a ser renovado, o finlandês pontuou apenas 50 pontos.
A sua queda em rendimento fez com que ele, ao contrário de seus companheiros Kyle Connor e Nikolaj Ehlers, recebesse uma extensão de apenas dois anos, que foi assinada apenas em setembro de 2019, quando Laine já havia inclusive ido para a Suíça treinar com o SC Bern para aguardar o resultado das negociações entre o clube e os seus representantes. Além de fornecer entretenimento no gelo, o finlandês também dá entrevistas memoráveis e não tem medo de falar a verdade. Afinal, ele foi totalmente honesto quando disse que não escreveu o artigo supostamente de sua autoria no Player’s Tribune, afirmando ter apenas dado uma entrevista para a publicação.
PIERRE-LUC DUBOIS, C, COLUMBUS BLUE JACKETS (#3 overall): nasce uma estrela em Columbus, Ohio
O canadense iniciou sua carreira no major juniors, no Cape Breton Screaming Eagles da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Embora tenha sido ranqueado em primeiro no ranking dos patinadores norte-americanos, a decisão de Columbus ao escolhê-lo no lugar de Jesse Puljujarvi gerou estranhamento e críticas. Atualmente, entretanto, é certo que o clube de Ohio está rindo à toa com a sua decisão. Uma curiosidade é que o Draft de 2016 foi no 18º aniversário do center.
Dubois retornou ao major juniors por mais um ano depois do seu draft, e foi trocado no meio da temporada para o Blainville-Boisbriand Armada. Quando chegou a Columbus, o canadense começou a temporada jogando entre Artemi Panarin e Josh Anderson. Ainda no seu primeiro ano na liga, Dubois quebrou um recorde da franquia, de maior pontuação por um rookie. Com a ajuda de um hat trick em março de 2018, o canadense chegou a 48 pontos no ano.
Com uma equipe se desfazendo ao seu redor, Dubois viu seu papel na equipe aumentar cada vez mais. Atualmente o canadense é definitivamente o 1C da equipe, e tem se mostrado capaz de dar conta do recado. Afinal, nos dois anos seguintes Dubois fez 64 e 49 pontos em 82 e 70 partidas, respectivamente. Além disso, nos últimos playoffs o canadense foi uma das figuras mais importantes para o Columbus Blue Jackets, e se tornou talvez o homem mais odiado de Toronto. O GM dos Jackets não terá a vantagem na negociação desse contrato.
JESSE PULJUJARVI, RW, EDMONTON OILERS (#4 overall): Chiarelli’s interlude – outro top prospect que se desperdiçou
Depois de duras críticas quando o finlandês foi descartado por Columbus, o Edmonton Oilers escolheu o winger com a quarta pick daquele ano. Revelado pelo Karpat da SM-Liiga, Puljujarvi era um dos principais prospects de 2016 e o terceiro no ranking de patinadores europeus. Assim como Laine, Puljujarvi já começou a carreira profissional na América do Norte disputando partidas para o seu clube da NHL. Entretanto, o desempenho do finlandês não convenceu a torcida nem a comissão técnica, e ele foi mandado para o Bakersfield Condors da American Hockey League (AHL) depois de apenas 28 jogos.
Na AHL, Puljujarvi marcou 12 gols e 16 assistências em 39 jogos. Os altos e baixos entre NHL e AHL nos próximos dois anos foram prejudiciais para o desenvolvimento do winger. Além disso, ele precisou fazer uma cirurgia nos dois quadris, que o tirou do final da temporada 2018-19. Com o relacionamento cada vez mais frio entre jogador e clube, o finlandês decidiu voltar para a sua terra natal quando se tornou um restricted free agent. Atualmente, embora os Oilers detenham seus direitos na NHL, Puljujarvi atua pelo Karpat da SM-Liiga.
MATTHEW TKACHUK, LW, CALGARY FLAMES (#6 overall): esse pitbull pode não ser o Mr. Worldwide, mas ele definitivamente é o Mr. Calgary
Ame-o ou odeie-o, mas falem dele. Tal como Boston tem carinho pelo comportamento de Brad Marchand no gelo, Calgary faz o mesmo com Tkachuk. Briguento e tenaz, o winger americano incita diversas emoções não só nos torcedores, mas também nos jogadores dos outros times. Afinal, quem não se lembra de toda a situação com Drew Doughty, defensor do Los Angeles Kings?
Filho de um ex-jogador da NHL, Tkachuk decidiu seguir os passos do pai, Keith. Assim como a maioria dos americanos, fez parte da equipe de desenvolvimento da USA Hockey, onde jogou com Auston Matthews, dentre outros atletas americanos. Quando se formou no colegial, desistiu da carreira universitária para jogar no London Knights da Ontario Hockey League (OHL), ao lado de Mitch Marner, onde foi campeão da Memorial Cup no seu ano de elegibilidade.
Em Calgary, Tkachuk fez sucesso imediato com a torcida e gerou a rejeição dos adversários. Em seu primeiro ano na Liga, ele fez 48 pontos. No ano seguinte, 49. Entretanto, no terceiro e último ano de seu entry-level contract, o winger fez 77 pontos e se firmou como um dos principais nomes do elenco dos Flames. A importância de Tkachuk para a equipe também fez com que ele recebesse um dos As do time.
O americano também tem a tendência a se envolver com polêmicas, especialmente devido à agressividade que apresenta no gelo e é carinhosamente chamado de “peste” pelas torcidas rivais. Indisciplinas à parte, Tkachuk é uma peça central para Calgary e seu contrato de 7 milhões anuais, assinado em 2019, deixa isso bem claro.
CLAYTON KELLER, RW, ARIZONA COYOTES (#7 overall): alguém que não ficaria deslocado no núcleo “roça” de uma novela das seis (mas que eu gostaria que jogasse no meu time)
Outro produto do USNTDP, Keller optou pela NCAA (National College Athletic Association) e o hockey universitário da Boston University. Por Boston, foi líder de gols e assistências no seu ano de estreia e acabou por ser coroado o rookie do ano do Hockey East em 2017. Sua estreia na NHL veio depois que a temporada universitária terminou, quando ele assinou o contrato profissional. Em três partidas disputadas, Keller teve duas assistências.
O primeiro ano de fato do americano na NHL contou com a quebra de vários recordes da franquia. Ele foi o primeiro rookie a marcar nove gols em um mês desde Teemu Selanne em 1993, além disso foi o primeiro a pontuar 15 vezes em um único mês desde Selanne e Keith Tkachuk em 1993. Com 55 pontos, Keller ultrapassou o recorde da franquia de maior pontos por um rookie, que até então era de Peter Muller. Ele foi o rookie do mês em duas oportunidades, outubro e março.
Ao terminar a temporada com 42 assistências e 62 pontos, Keller foi escolhido como um dos finalistas do Calder Trophy, mas perdeu para Mat Barzal. O americano ainda não conseguiu replicar o sucesso de sua temporada de estreia, mas fez boas campanhas pelos Coyotes. Em setembro de 2019, Keller estendeu seu compromisso com Arizona por mais oito anos, com um salário anual de cerca de 7.1 milhões de dólares anuais.
ALEX DEBRINCAT, LW, CHICAGO BLACKHAWKS (#39 overall): Acho que vi um gatinho (Remix) – Kitty in the Windy City
O americano começou a carreira no Erie Otters da OHL, onde jogou ao lado de Connor McDavid e Dylan Strome, atual companheiro de Blackhawks de DeBrincat. Apesar de ter sido um prolífico pontuador na sua carreira de major juniors, DeBrincat caiu para o segundo round por seu tamanho: hoje, aos 22 anos, ele tem 1,70 de altura e pesa cerca de 75 kg. Ele foi selecionado pelo multicampeão Chicago Blackhawks, que pôde esperar que o americano se desenvolvesse mais ainda na OHL antes de se profissionalizar.
DeBrincat estreou pelos Hawks em 2017 e seu primeiro gol foi marcado contra Carey Price do Montreal Canadiens. O jogador terminou sua primeira temporada profissional com 52 pontos em 82 jogos e foi o Blackhawk mais jovem a receber o prêmio de jogador do ano no time. Além disso, ele igualou o recorde de maior número de hat tricks feitos por um jogador nascido nos EUA em uma temporada de estreia na NHL, com três marcados.
Nos dois anos seguintes DeBrincat se tornou cada vez mais importante durante o processo de renovação do elenco dos Hawks. Em três temporadas e 284 partidas disputadas, ele soma 173 pontos. Em outubro do ano passado o americano renovou seu contrato com a equipe de Chicago por mais três anos, com salário de 6.4 milhões anuais.
CARTER HART, G, PHILADELPHIA FLYERS (#48 overall): o salvador da Filadélfia no século XXI veio no formato de um príncipe da Disney das antigas
Quando Ron Hextall escolheu o goleiro do Everett Silvertips da WHL no segundo round de 2016, ele sabia que o jovem canadense tinha potencial. Hart foi para o draft figurando no primeiro lugar no ranking de goleiros norte-americanos, e foi o primeiro a ser selecionado naquele ano. Nos dois anos após o draft, Hart passou ganhando experiência na WHL ele foi eleito o jogador da liga em 2016-17 e duas vezes o melhor goleiro, fato inédito. Ele encerrou sua carreira no major juniors com um dos melhores percentuais da história e um ouro pelo Canadá no World Juniors.
Em 2018 a hora que a torcida dos Flyers aguardava ansiosamente aconteceu, e Hart iniciou sua carreira profissional no Lehigh Valley Phantoms da AHL. Embora ele tenha demorado um pouco para se firmar com o ritmo do hockey profissional, Hart logo se tornou o titular da posição e em dezembro de 2018 foi chamado para atuar pelo Flyers na NHL. O resto é história. Ainda na sua primeira temporada na liga, Hart figurou entre os rookies em destaque mais de uma vez e terminou o ano com uma porcentagem de defesas de .917.
Na sua segunda temporada, o canadense continuou jogando muito bem, mas sua boa forma se tornou especialmente impressionante na volta após a paralisação. Hart já quebrou recordes da franquia, conseguindo shutouts consecutivas na série contra Montreal e igualando Bernie Parent e Michael Leighton. Ele também foi o mais jovem a fazê-lo e apenas o quarto com menos de 23 anos a conseguir tal feito. Depois de mandar seu ídolo de infância, Carey Price, para casa de mãos abanando, Hart trouxe de volta a discussão acerca dele próprio ser o herdeiro do legado de Price.
Além disso, com apenas dois anos de hockey profissional de experiência, o goleiro já demonstra ter uma maturidade para além de seus 22 anos. Tudo indica que Carter Hart pode ser o nome que levará Philadelphia à Terra Prometida, coisa que nem Hextall conseguiu fazer. Então, quem sabe, poderemos um dia discutir se o seu nome irá figurar no alto do Wells Fargo Center juntamente com o das outras lendas da equipe da Pensilvânia, inclusive o próprio Parent.
MENÇÕES HONROSAS:
Alexander Nylander, LW, Buffalo Sabres (#8 overall): o irmão de William e filho de Michael foi trocado para os Blackhawks em 2019.
Mikhail Sergachev, D, Montreal Canadiens (#9 overall): o defensor russo foi a peça de retorno na troca que levou Jonathan Drouin do Tampa Bay Lightning ao Montreal Canadiens Será que rolou um arrependimento quando a defesa deles passou a incluir Karl Alzner e seu contrato hor-ro-ro-so?
Charlie McAvoy, D, Boston Bruins (#14 overall): o jovem defensor tem sido peça importante para os Bruins nas campanhas da equipe tanto na temporada regular quanto nos playoffs.
Jakob Chychrun, D, Arizona Coyotes (#16 overall): apesar de uma lesão séria no joelho, a extensão contratual do jogador com os Coyotes mostra que o time pretende contar com ele nos planos a longo prazo.
Dante Fabbro, D, Nashville Predators (#17 overall): mais um defensor para Nashville. Será que a equipe do Tennessee cria esses meninos em árvore?
Dillon Dube, C, Calgary Flames (#56 overall): o canadense foi a grande revelação dos playoffs de 2020 para o Calgary Flames.
Adam Fox, D, Calgary Flames (#66 overall): os direitos desse ex-aluno da Universidade de Harvard foram de Calgary para Carolina até chegarem em Nova York. Isso porque o jogador, torcedor de infância dos Rangers, se recusou a jogar por outro clube. (Esta que vos fala não julga, pois se tivesse a opção de escolher entre morar em Calgary, Raleigh ou NYC, a resposta seria a mesma de Fox)
A NHL é conhecida pelo jogo físico, as famosas brigas do hockey e jogadores que fizeram carreiras conquistando estatísticas nesse confrontos. Um destes jogadores foi John Scott. O ex-jogador é um dos enforcers mais famosos que teve uma carreira reduzida na NHL. Isso porque Scott teve apenas 286 aparições na Liga, dos quais somou cerca de 500 minutos de penalidade. Por outro lado, marcou apenas 11 pontos em sua carreira. Contudo, mesmo com números baixos, ele conseguiu a façanha de ser capitão de um time no All Star Game.
Neste capítulo do 10 for 10 contamos a história do jogador que, apesar de não ter brilhado em sua trajetória no esporte, brilhou no All-Star Game de 2016 após ser o campeão de votação para capitão do Time da Divisão Pacífica.
A carreira de John Scott
John Scott nasceu em Edmonton, Alberta, porém cresceu em Ontário, como torcedor do Boston Bruins. Quando criança, ele almejava ser igual o defensor dos Bruins, Ray Bourque.
Bourque foi um lendário defensor de hockey, cinco vezes vencedor do Norris Trophy e com o maior recorde de gols, assistências e pontos por um defensor.
Contudo, sendo um jogador não-drafrado, Scott começou a jogar hockey pela universidade Michigan Tech. Como um defensor enforcer, Scott marcou 19 pontos com 347 minutos de penalidade em seu tempo com os Huskies.
Basicamente, a marca dos enforcers na NHL é a de brigar e agitar os jogos como forma de intimidar o time adversário. Considerada uma “classe” antes muito necessária no hockey, atualmente, existem poucos jogadores assim na liga, já que habilidade e dinâmica vem crescendo como características mais atraentes para os espectadores.
O primeiro time de John Scott na NHL foi o Minnesota Wild. Ele jogava pelo Houston Aeros, time da AHL afiliado do Wild, quando foi chamado para a equipe princiapal. Na temporada de 2006-07, Scott assinou seu primeiro contrato entry level e sua primeira partida foi contra o Detroit Red Wings.
Após dois anos com o Wild, ele foi para o Chicago Blackhawks, após se tornar free agent. Em sua carreira, Scott passou por outros cinco times: New York Rangers, San Jose Sharks, Buffalo Sabres, Arizona Coyotes e Montreal Canadiens.
Como característica dos enforcers, Scott já foi suspenso alguns jogos na NHL. Em outubro de 2013, quando jogava pelo Sabres, Scott foi suspenso sete jogos por um contato ilegal na cabeça de Loui Eriksson. Hits na cabeça se tornaram ilegais na NHL desde 2011.
Outra briga famosa do jogador aconteceu em 2014. Isso porque, em seu tempo com o San José Sharks, Scott saiu do banco imediatamente para brigar com Jackman, do Anaheim Ducks. Por esse motivo ele foi suspenso por quatro jogos.
O All Star Game de 2016
Na temporada 2015-16, em 2 de janeiro de 2016, Scott foi anunciado como o vencedor da votação dos fãs do NHL All-Star Game, que aconteceria em Nashvillle. Ele foi votado capitão da Divisão do Pacífica da Conferência Oeste, numa campanha histórica, visto que normalmente os melhores jogadores são selecionados pelo público para representar seus times.
Scott foi quem teve o maior número de votos, apesar de ter registrado apenas 1 ponto em 11 jogos disputados com os Coyotes, uma vez que Scott passou grande parte da temporada como um healthy scratch. Muitos compararam essa situação com a de Rory Fitzpatrick em 2007, uma vez que os fãs votaram em um jogador que não seria convencionalmente escolhido como um All-Star.
Entretanto, essa não foi uma tarefa fácil. Após os jogos, jornalista confirmaram que a NHL tentou sabotar a campanha de capitão do All-Star Game de John Scott.
A liga, junto ao Arizona Coyotes, pediram que Scott não fosse participar dos jogos de exibição. O próprio afirmou que não merecia jogar no evento e pediu para que os torcedores votassem em outros jogadores. Por fim, quando ele foi finalmente declarado campeão, Scott decidiu jogar.
Contudo, em 15 de janeiro de 2016, Scott foi negociado para o Montreal Canadiens junto com outros três jogadores. Logo após essa negociação, o Canadiens imediatamente enviaram-no para seu então afiliado da AHL, o St. John’s IceCaps.
O então gerente geral do Arizona, Don Maloney, insistiu que a troca foi apenas um movimento empresarial e não uma tentativa de manter Scott fora do jogo All-Star. Surgiram especulações de que Scott seria potencialmente considerado inelegível para fazer parte da equipe All-Star por causa de sua mudança para uma lista da AHL e para uma equipe da NHL na divisão do Atlântico.
Entretanto, apesar das alegações, no dia 19 de janeiro Scott foi oficialmente declarado pela NHL como o capitão da Divisão do Pacífico no All-Star Game de 2016.
A campanha no All-Star Game
Sua passagem o All-Star Game foi memorável. Scott marcou dois gols na semifinal do torneio, levando sua equipe para a final. Posteriormente, o jogador contribuiu para que a Divisão Pacífica saísse vitoriosa no evento.
Ele então foi nomeado All-Star Game MVP, apesar de não ter sido incluído na votação. Assim, quando ele foi excluído, fãs, jogadores como Henrik Lundqvist e contas oficiais de outros times da Liga, como a do Ottawa Senators, Philadelphia Flyers, Vancouver Canucks e Edmonton Oilers fizeram uma hashtag “#VoteMVPScott” para que Scott fosse de fato incluído na campanha de MVP.
Diante desse massivo apoio, a NHL concedeu o título a Scott. Por fim, o capacete de Scott no jogo All-Star foi enviado para o Hockey Hall of Fame, em Toronto.
Consequências
Voltando para o time afiliado do Canadiens, St. John’s IceCaps, ele foi convocado para jogar pelo Habs no dia 3 de abril de 2016. Esta foi sua primeira vez na NHL desde 31 de dezembro de 2015. Em 7 de dezembro de 2016, Scott anunciou sua aposentadoria do hockey em um artigo no The Players’ Tribune.
A fim de evitar campanhas parecidas, a NHL criou uma nova regra: atualmente, jogadores machucados ou que transferidos para a AHL não poderão ser nomeados capitães do All Star Game. Isso porque a brincadeira de nomear um jogador não tão famoso surgiu da premissa dos fãs de mostrarem como os jogos de exibição não são levados à sério. Contudo, ao possibilitar um jogador menos promissor ou com uma carreira curta como a de Scott ter seu momento de estrela, mostra como o hockey tem um poder de união, já que ele foi ovacionado pelos seus colegas de gelo. Dessa maneira, também podemos ver como pequenas peças são fundamentais e podem ocasionar momentos únicos na história da NHL.
Em 2016, os fãs de hockeyforam presenteados com mais um evento para ver seus jogadores favoritos brilharem. Após um hiato de 12 anos entre as competições, a Copa do Mundo do Hockey da NHL estava de volta para a sua terceira edição.
Com jogos marcados para as duas últimas semanas de setembro, o campeonato contou com quase 100% de jogadores da NHL.
Naquele ano, o Canadá tinha motivos de sobra para sorrir. Além de ser o país anfitrião do evento, a seleção canadense vinha colecionando vitórias em várias competições. Isso porque o Canadá foi o medalhista de ouro das olimpíadas de 2010 e 2014. Eles também contavam com duas vitórias recentes no Mundial da IIHF, incluindo a de maio daquele mesmo ano. Essa vitória foi conquistada durante os playoffs da NHL, sob o comando de Corey Perry.
A Copa do Mundo de Hockey começou em 17 de setembro e teve sua final no dia 29. Ao todo foram oito times participantes, dos quais cinco seleções e dois times all-star, formados pelas estrelas de diversos países que não estavam representados na competição. No entanto, uma dessas equipes tinha um critério diferente.
Enquanto o Time Europa era composto por jogadores dos países que não entraram para o evento, como a Alemanha e a Eslováquia, o Time América do Norte contou com a união dos jogadores do Canadá e dos EUA, que já estavam representados. Este era composto por jogadores com 23 anos ou menos, enquanto as seleções principais eram compostas por jogadores com mais de 24 anos.
As partidas
Separados em dois grupos de quatro equipes cada, o grupo A era composto pelos países Canadá, Estados Unidos, República Tcheca e Time Europa. O grupo B, por sua vez, era composto pelas seleções da Suécia, Rússia, Finlândia e o Time América do Norte. Os membros de cada grupo se enfrentaram entre si, em três jogos cada, para que assim fosse determinado quais times passariam para a próxima fase.
No grupo A, enquanto o Canadá e o Time Europa conquistaram seis e quatro pontos, respectivamente, as seleções da República Tcheca e dos EUA, deram adeus ao evento ainda na primeira fase. Ao mesmo tempo, no grupo B, as seleções da Rússia e da Suécia se classificaram, somando a primeira cinco, e a última, quatro pontos, em oposição ao Time América do Norte e Finlândia que também deixaram o campeonato cedo.
As semifinais
Para as semifinais, foram realizados um jogo cada, sendo um deles entre as seleções canadense e russa se enfrentando em um duelo de gigantes no gelo. A Rússia tinha um elenco de peso com Sergei Bobrovsky no gol, a estrela russa Alexander Ovechkin como capitão, além de Nikita Kucherov, Evgeny Kuznetsov, Evgeni Malkin, Vladimir Tarasenko e Artemi Panarin.
Do mesmo modo, o Canadá também estava recheado de estrelas com Carey Price no gol e Sidney Crosby como capitão. O time canadense ainda contava com Brad Marchand, John Tavares, Corey Perry, Matt Duchene, entre outros.
Ambos os times levaram estrelas de suas seleções para a competição, prometendo um confronto emocionante para o fã do esporte. No entanto, a seleção canadense se deu melhor ao levar a vitória por 5 a 3. Com gols de Crosby, Marchand, Perry e Tavares, a equipe do Canadá garantiu a sua vaga na final da Copa. A seleção russa, apesar de eliminada, teve gols marcados por Kuznetsov, Kucherov e Panarin.
Na outra semifinal, a seleção da Suécia e o Time Europa se enfrentaram para saber quem seria o adversário da seleção anfitriã. Também com elencos de peso, ambas as equipes tinham chances de vencer.
De um lado, o Time Europa contava com os melhores jogadores de diversos países. Com Anže Kopitar como capitão e Jaroslav Halák como goleiro, o time ainda tinha Zdeno Chára, Marián Hossa, Roman Josi, Marián Gáborík, Tomáš Tatar, Mats Zuccarello e Leon Draisaitl.
Do outro lado, a seleção sueca contava com os gêmeos Sedin, com Henrik assumindo a posição de capitão, enquanto Daniel era capitão assistente. O goleiro Henrik Lundqvist, o defensor Erik Karlsson e os atacantes Nicklas Bäckström, Filip Forsberg e Gabe Landeskog também compuseram o elenco.
Numa partida acirrada, o empate foi inevitável e o jogo foi para overtime. Foi nesse momento que Tatar, com uma assistência de Zuccarello e Kopitar, marcou o gol da vitória e garantiu a vaga do Time Europa.
A vitória canadense
Diferente da rodada anterior, a final era num formato melhor de três. No entanto, a seleção do Canadá precisou de apenas dois jogos para garantir a vitória.
Ao todo, a equipe da casa marcou cinco gols, dois de Patrice Bergerone de Brad Marchand, ambos marcando um em cada jogo, além de um gol de Steven Stamkos. O Time Europa deu o seu melhor, mas só conseguiu marcar um gol em cada partida, com Chara e Tatar. Com o resultado da Final, a seleção canadense levou o seu segundo campeonato no ano.
Já para Sidney Crosby, a vitória foi tripla. Além de ter ganho a Stanley Cup daquele ano com o Pittsburgh Penguins, o jogador também foi o líder de pontuação no torneio e nomeado MVP do evento.
Para os fãs do esporte esse foi um momento memorável. A NHL até chegou a avaliar fazer uma quarta edição do evento, porém até hoje nenhuma data foi confirmada.
2016 foi um ano especial para o Pittsburgh Penguins. Aqui marcou-se o início de uma trajetória vitoriosa na década para o time que, assim, carimbou seu nome na história da NHL, e duas temporadas foi tempo suficiente para que tal feito fosse executado.
Guiados por Sidney Crosby e Evgeni Malkin, a equipe de Pittsburgh chegou à Final da Stanley Cup e, em sequência, conquistou o primeiro campeonato desde 2009.
Mas a trajetória, que se estendeu ao momento em que Sidney Crosby levantou a taça em San Jose, é longa. Em mais um texto do especial 10 for 10, trouxemos a jornada do Pittsburgh Penguins até a conquista da Stanley Cup em 2016.
A pré-temporada
Após a eliminação para os Rangers nos playoffs de 2014, os Penguins iniciaram um processo de mudanças significativas. A maior delas foi a demissão do General Manager do time, Ray Shero, que teve seu cargo ocupado por Jim Rutherford. Porém, apesar da troca de GM, a temporada 2014-15 não foi produtiva para a equipe de Pittsburgh, que se viu eliminada novamente dos playoffs pelo mesmo New York Rangers..
No entanto, um ano pode fazer muita diferença para um time. Em 2015, antes do início da temporada seguinte, o time adquiriu dois jogadores que viriam a ser muito importantes para os Penguins. Um deles foi Matt Cullen, que assinou um acordo de apenas uma temporada, e Phil Kessel, que veio para Pittsburgh através de uma troca com o Toronto Maple Leafs.
Seguidamente, o Draft de 2015 acabou não sendo relevante para o time. O Pittsburgh acabou não obtendo nenhuma seleção no primeiro round, devido a uma trade com o Edmonton Oilers. Assim, o first pick do time seria destinado a equipe canadense (mais tarde, os Oilers acabam cedendo a escolha ao New York Islanders, também em uma troca).
Confiante nas mudanças feitas e novas contratações, o time, portanto, se encaminhou para o início da temporada 2015-16.
A temporada regular
O Pittsburgh Penguins fez sua estreia na regular season no dia 8 de outubro, contra o Dallas Stars. No entanto, apesar de perder as três primeiras partidas, o time acabou vencendo sete jogos ao longo do mês. Desta forma, ao fim de outubro, os Penguins possuíam 14 pontos na tabela. No mês de novembro, os Penguins mantiveram um ritmo parecido com o do anterior em relação à vitórias.
Porém, o ritmo de jogo do Pittsburgh acabou enfraquecendo em dezembro. Das 14 partidas disputadas pela equipe no último mês do ano, em apenas 5 o time se saiu vitorioso. Foram sete derrotas em tempo regulamentar, e duas em overtime. Ao fim de dezembro, a equipe havia adquirido somente 12 novos pontos. O ano de 2015 acabou para os Pens com apenas 40 pontos ao todo na NHL.
Todavia, o novo ano acabou trazendo prosperidade para Pittsburgh. O time começou a manter um equilíbrio de vitórias em janeiro, sofrendo apenas duas derrotas em tempo regulamentar durante o mês. Em março, com 96 pontos na tabela, a equipe se tornou uma das favoritas a faturar a Stanley Cup ao fim da temporada.
Com a temporada regular finalizada em abril, o time acabou ocupando o segundo lugar na Conferência Leste e a quarta posição geral na NHL, com 104 pontos. Com sua passagem adquirida para os playoffs, o time colocou na bagagem a forte promessa de trazer para casa sua quarta Stanley Cup.
Os playoffs
Pittsburgh entrou nos playoffs como um dos favoritos à taça. Com as mudanças feitas na pré-temporada, e jogadores como Sidney Crosby, Evgeni Malkin e Phil Kessel em suas melhores fases, o time tinha grandes chances de chegar à final.
No primeiro round, a equipe voltou a reencontrar o New York Rangers. Este que havia eliminado o time de Pittsburgh dos playoffs nas duas últimas temporadas. Devido à vantagem, os Penguins disputaram a primeira partida em casa, e acabaram se saindo vitoriosos do confronto. Entretanto, a equipe acabou perdendo a segunda partida para os Rangers, também em casa, deixando assim a série empatada. Porém, após vencer três jogos seguidos, o time eliminou o New York da competição. Assim, terminaram por avançar para o segundo round dos playoffs
O segundo adversário dos Penguins foi o Washington Capitals.
Após perder a primeira partida da série em Washington, o time se recuperou com uma vitória no segundo jogo. Com a vitória conquistada nas partidas 3 e 4, os Penguins precisavam apenas de mais uma vitória no jogo cinco para garantir a classificação para a próxima etapa.
No entanto, os Capitals acabam atrasando os planos do time de Pittsburgh, vencendo então a partida e levando a série para um jogo seis. Por fim, para a felicidade de seus torcedores, os Penguins vencem a sexta partida, se classificando, para as finais de conferência.
Um round. Era apenas isso, e o Tampa Bay Lightning, que separavam os Penguins da série final. O time de Pittsburgh disputou os dois primeiros jogos da série em casa. Um fator que acabou não influenciando o time de maneira positiva, já que este perdeu o primeiro confronto. No entanto, acabou vencendo a segunda partida em overtime, e a terceira em tempo regular. Assim, garantiram maior vantagem na série.
Tampa Bay volta a liderar o round ao ganhar o jogo 4 e 5, tendo então três vitórias contra duas do Pittsburgh. O jogo seis seria tudo ou nada para os Penguins, pois perder significava o fim da linha para a equipe nos playoffs.A seguir, na casa do Lightning, os Penguins conquistaram a vitória da partida seis, e desta forma, forçaram um jogo sete. Desta vez em Pittsburgh, com um placar de 2 a 1, o time venceu o último confronto da série e, assim, avançou para a tão esperada Final da Stanley Cup.
O último desafio que separava os Penguins da conquista do campeonato era o San Jose Sharks. O time da Califórnia vinha de grandes atuações nos rounds anteriores, e contava com seus top scorers nos playoffs. Não era um desafio fácil para a equipe de Pittsburgh.
A equipe venceu os dois primeiros jogos, disputados em San Jose. Mas, seguidamente, perdeu o terceiro em casa. Ao vencer a quarta partida do round, o Pittsburgh obteve vantagem na série sobre o oponente. Porém, ao vencerem o jogo cinco, os Sharks acabam forçando uma sexta partida. Este jogo poderia resultar em dois caminhos: se a equipe da Califórnia ganhasse, o round ficaria empatado, forçando um jogo 7. No entanto, se os Penguins garantissem a vitória, a série seria finalizada, e a taça, enfim, voltaria para Pittsburgh após 7 anos.
Pittsburgh Penguins campeão
Após a derrota para o San Jose no jogo cinco, os Penguins viajaram para a Califórnia para disputar a sexta, e possivelmente última, partida da Final da Stanley Cup.
Pittsburgh foi o primeiro a abrir o placar, aos 6 minutos do primeiro período. Apesar de Logan Couture ter empatado a partida para os Sharks no segundo tempo, Kris Letang colocou os Penguins na frente um minuto após o gol de San Jose. No terceiro período, Hornqvist acabou marcando o terceiro gol dos Penguins na partida, deixando a vantagem ainda maior para a equipe de Pittsburgh.
Por fim, o final do jogo é anunciado e, na casa dos Sharks, o Pittsburgh Penguinsse tornou o campeão da Stanley Cup 2016.
Diante de um SAP Center lotado de fãs da equipe californiana, Sidney Crosby levantou a segunda taça dos Penguins conquistada em menos de 10 anos, e a quarta na história do time na NHL. Além disso, Crosby também recebeu o Conn Smythe Award, como o jogador mais valioso dos playoffs.
O time então voltou para a Pensilvânia, onde comemorou a vitória juntamente com seus fãs, em um desfile que contou com mais de 400 mil pessoas, vestidas de preto e amarelo, ocupando as ruas de Pittsburgh.
Após alguns anos de desapontamento, enfim um final feliz para a equipe de Pittsburgh, que, sem sombra de dúvidas, foi merecedora deste. Em três temporadas, o time saiu do status de eliminado precocemente dos playoffs para campeão da Stanley Cup.
As mudanças foram cruciais, e acabaram fazendo bem ao Pittsburgh Penguins, já que este foi só o primeiro capítulo da história vitoriosa do time na década.
O NHeLas continua te contando como foi o NHL Draft de 2015 (se você não leu a primeira parte, clique aqui), considerado um dos melhores da história da NHL. Além dos jogadores que trouxemos para vocês na parte I, outros nomes importantes também foram selecionados em Sunrise, Flórida.
MIKKO RANTANEN, RW, COLORADO AVALANCHE (#10 overall): já veio para o Brasil, logo é nosso favorito
Rantanen iniciou a carreira profissional no HC TPS da SM-Liiga, primeira divisão da Finlândia, aos 16 anos. Nos dois anos que seguiram o winger se destacou, chegando ao Draft como o primeiro patinador no ranking europeu. Na Flórida, o finlandês foi selecionado pelo Colorado Avalanche com a décima escolha, assinando seu contrato com o clube americano antes do training camp daquele ano.
Embora tenha impressionado durante o training camp, Rantanen atuou em poucos jogos na NHL antes de ser mandado para a American Hockey League (AHL). O finlandês disputou a temporada 2015-16 e algumas partidas do ano seguinte pelo San Antonio Rampage, antes de voltar aos Avs. Em Denver, o winger teve uma temporada razoável, com respeitáveis 20 gols naquela que ficou conhecida como uma das piores campanhas da história da Liga.
O ano seguinte, entretanto, foi um divisor de águas na carreira de Rantanen. Com 84 pontos em 81 partidas, o finlandês finalmente despontou como uma estrela. Jogando ao lado de Nathan MacKinnon e Gabriel Landeskog, o trio se tornou uma das melhores linhas da NHL já no início da temporada seguinte, 2018-19. Com a ajuda de Rantanen, os Avs chegaram aos playoffs em três temporadas consecutivas, e atualmente são considerados como uma das equipes favoritas.
O altíssimo desempenho do winger fez com que ele tivesse um grande aumento em seu segundo salário. Em 2019 o finlandês assinou um novo contrato, avaliado em 9,25 milhões de dólares por ano. Atualmente, o atleta tem 99 gols e 151 assistências, somando 250 pontos em sua carreira profissional pelo Colorado Avalanche.
MATHEW BARZAL, C, NEW YORK ISLANDERS (#16 overall): o muso do hockey twitter brasileiro
O canadense iniciou sua carreira no major juniors no Seattle Thunderbirds da Western Hockey League (WHL), onde se destacou. Entretanto, equipes como o Boston Bruins (que contou com TRÊS escolhas seguidas naquele ano) optaram por não escolher o center, e ele foi selecionado em 16º pelo New York Islanders.
Embora tenha assinado o contrato com os Isles após o draft, Barzal voltou à WHL para mais uma temporada depois de ser draftado. Sua estreia na NHL só aconteceu na temporada seguinte, em 2016-17, na qual disputou duas partidas antes de ser devolvido aos Thunderbirds. A entrada definitiva do canadense na Liga ocorreu em 2017-18, quando ele impressionou a todos.
O resultado da campanha de estreia de Barzal foi acima das expectativas, vez que ele pontuou 85 vezes em 82 partidas, vencendo o Calder Trophy de melhor rookie. Entretanto, tais números não foram o bastante para chegar aos playoffs com os Isles. O center apenas teve tal experiência em 2018/2019, mas seu desempenho até agora irá dar uma boa dor de cabeça para o New York Islanders quando começarem as negociações de seu próximo contrato.
KYLE CONNOR, LW, WINNIPEG JETS (#17 overall): de Michigan a Manitoba em um ano (ou menos)
Antes do draft, o americano jogou pelo Youngstown Phantoms da USHL. Após ser selecionado pelo Winnipeg Jets no primeiro round de 2015, Connor jogou na Universidade de Michigan por uma temporada, tendo marcado 71 pontos naquele ano. Apesar de ter coletado diversos prêmios e batido recordes por seu desempenho na temporada de calouro, ele perdeu o Hobey Baker, dado ao MVP da NCAA, para Jimmy Vesey da Universidade de Harvard (atualmente jogador do Buffalo Sabres).
Embora Connor tenha assinado seu contrato profissional em abril de 2016, a estreia dele no gelo veio apenas na temporada 2016-17. O americano passou este ano alternando entre aparições pela equipe da NHL e o Manitoba Moose, seu afiliado na AHL. No ano seguinte, Connor disputou apenas quatro partidas na AHL e se tornou um jogador da NHL full time, com 57 pontos em 76 partidas.
Nos dois anos seguintes o winger americano se tornou cada vez mais importante para Winnipeg. Isto porque a equipe tem dificuldades em se tornar um pólo atraente para eventuais free agents e então precisa construir um plantel forte com suas escolhas no Draft. Connor foi definitivamente um tiro certeiro dos Jets, já que marcou 66 pontos em 2018-19 e já havia superado esse número em menos jogos nesta última temporada, somando 73 pontos antes da paralisação. Em setembro de 2019, ele estendeu seu compromisso com os Jets por mais sete anos, com salário de aproximadamente US$7,1 milhões anuais.
THOMAS CHABOT, D, OTTAWA SENATORS (#18 overall): e o fardo que ele carrega nas costas (também conhecido como seu próprio time)
Toda vez que ouvimos as palavras “Com a X escolha, o Ottawa Senators escolhe…” atualmente, um sentimento de pesar toma conta do nossos corações. Afinal, a organização não vem sendo um bom exemplo de, bem, organização. Entretanto, quando esse jovem defensor canadense foi draftado, há cinco anos, as coisas não iam de mal a pior para a equipe da capital do Canadá. Ora, o principal defensor do time era Erik Karlsson (com duas pernas inteiras) e o sueco era o coração pulsante da defesa dos Sens. Assim Chabot teria, em teoria, Karlsson como seu mentor quando chegasse à NHL.
Durante sua carreira no major juniors, o defensor defendeu o Saint-John Sea Dogs da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Mesmo após ser draftado em 2015, Chabot retornou à QMJHL para ganhar mais experiência. Sua estreia profissional aconteceu apenas na temporada 2016-17, quando ele disputou um jogo pelos Senators antes de retornar para os Sea Dogs. No ano seguinte, em 2017/2018, o defensor começou a temporada na AHL, no Belleville Senators. Mas logo o canadense foi chamado para a NHL, tendo completado a temporada com 63 partidas jogadas na Liga.
No ano seguinte, o defensor teve um desempenho muito bom, apesar de sua equipe seguir aos trancos e barrancos. Com 55 pontos, Chabot pontuou no top 10 entre os defensores da NHL. Por conta das mudanças sofridas no elenco de Ottawa, o canadense viu não só o seu tempo no gelo aumentar, como sua emergência como uma das figuras de liderança dentro do vestiário dos Sens. Devido ao seu potencial, Chabot emerge com a possibilidade de ser um dos grandes defensores da Liga no futuro. Assim, em setembro de 2019 ele assinou sua extensão com Ottawa, avaliada em 8 milhões anuais por mais oito anos.
BROCK BOESER, RW, VANCOUVER CANUCKS (#23 overall): Prince Charming em uma aventura pelo Oeste canadense
O americano jogou por times da United States Hockey League (USHL), tendo sido draftado do Waterloo Black Hawks. Diferentemente da maioria de seus compatriotas, ele não fez parte do USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Após ser escolhido pelos Canucks, Boeser foi jogar hockey universitário pela University of North Dakota na National Collegiate Athletic Association (NCAA).
Depois de duas campanhas encorajadoras na NCAA (apesar de uma lesão no pulso que o tirou do gelo por dois meses), Boeser fez sua estreia profissional pelos Canucks no final da temporada 2016-17. O sucesso do americano, entretanto, veio apenas no ano seguinte, quando ele fez 55 pontos em apenas 62 partidas disputadas. Embora tenha perdido quase 20 jogos no final da sua temporada de estreia por conta de uma lesão nas costas, Boeser ainda foi indicado ao Calder Trophy de 2018, que foi vencido por Mat Barzal.
No ano seguinte o americano começou a temporada bem, mas outra lesão, dessa vez em sua virilha, impediu que ele participasse de todos os jogos da temporada 2018-19. Em 69 partidas Boeser somou 59 pontos, sendo eles 26 gols e 30 assistências. No final da intertemporada o winger assinou um bridge contract (isto é, uma extensão curta) com os Canucks por três anos, com salário de aproximadamente 5,8 milhões de dólares anuais. Antes da paralisação pelo COVID-19, o americano havia feito 45 pontos em 57 partidas disputadas nesta temporada.
SEBASTIAN AHO, C, CAROLINA HURRICANES (#35 overall): will the real Sebastian Aho please stand up?
O center começou a sua carreira profissional no Oulun Kärpät da Liiga, primeira divisão finlandesa, na temporada 2013-14. Suas atuações em seu país natal foram impactantes o bastante para que ele fosse colocado no top 20 de patinadores europeus no ranking antes do draft. Ainda assim, Aho só foi selecionado no segundo round, quando o Carolina Hurricanes o selecionou com a 35ª escolha daquela noite. O contrato com a equipe da NHL só foi assinado no ano seguinte, em 2016, quando o finlandês se mudou para a América do Norte.
A partir daí, Aho foi se destacando cada vez mais na equipe que o draftou. Embora tenha um xará sueco, o finlandês de Carolina consegue se destacar como o Sebastian Aho mesmo sendo tímido e uma pessoa de poucas palavras nas entrevistas que concede. Em sua primeira temporada, ele não conseguiu chegar aos 50 pontos, mas a partir do ano seguinte não marcou menos do que 65. Sua temporada mais bem sucedida foi, sem dúvidas, a terceira e última em seu contrato de calouro. Aho fez 85 pontos e foi fundamental na ida do seu time para os playoffs. O problema, todavia, foi na hora de negociar a renovação contratual com os Canes.
Por ter definitivamente sido parte importantíssima do tour de force que foi a última temporada dos Canes, o finlandês foi uma das estrelas da janela de negociações. Afinal, ele nos forneceu o DRAMA (!!!!) de uma offer sheet na intertemporada passada. Além de gols bonitos, Aho definitivamente sabe oferecer entretenimento para a torcida. No final das contas, o center assinou um contrato de cinco anos, diminuindo seu caminho até a free agency, avaliado em pouco mais de 8,4 milhões anuais. Na temporada 2019/2020, Aho fez 66 pontos em 68 partidas disputadas.
MACKENZIE BLACKWOOD, G, NEW JERSEY DEVILS (#42 overall): uma figura importante no próximo capítulo das rivalidades da Metro? Só o tempo dirá.
As traves de New Jersey não são traves quaisquer. Os goleiros que vieram depois do lendário Martin Brodeur sentiram a pressão da posição (embora Cory Schneider tenha tido seus bons momentos no gol dos Devils). Ao draftar Mackenzie Blackwood, primeiro goleiro ranqueado na América do Norte em 2015, os Devils pensaram que talvez seria diferente com o jovem canadense. Não que Blackwood estivesse perto da expectativa de ser um goleiro generacional (essa discussão será retomada no texto de 2016, aguardem!), é claro.
O canadense iniciou sua carreira de major juniors no Barrie Colts da Ontario Hockey League (OHL), onde jogou por três temporadas. A profissionalização veio quando ele se tornou elegível para disputar a AHL, tendo então passado a integrar o elenco do Albany Devils (que eventualmente se tornou o Binghamton Devils) para adquirir experiência. No ano seguinte ele dividiu seu tempo entre a AHL e a East Coast Hockey League (ECHL), onde jogou pelo afiliado dos Devils, Adirondack Thunder.
Em 2018-19, Blackwood começou a temporada na AHL, como esperado. Entretanto, uma lesão de Cory Schneider em dezembro fez com que ele fosse promovido à NHL. Desde então o canadense vem sido revezado com Schneider, já que o último está na metade final da sua carreira. Com 70 partidas disputadas, sendo 64 iniciadas por ele, Blackwood tem um uma porcentagem de defesas de .916 e média de 2,72 gols sofridos por jogo. Considerando o último ano dos Devils, onde ocorreram grande parte destes jogos, ele tem, de fato, potencial para ser um bom goleiro na Liga.
MENÇÕES HONROSAS:
Travis Konecny, RW/C, Philadelphia Flyers (#24 overall): conhecido por sua tenacidade, o canadense teve seu contrato renovado por mais seis anos em 2019. Diferentemente do que acontece com muitos jogadores, Konecny rendeu muito mais após a assinatura do contrato do que no ano que antecedeu esta. Os 5,5 milhões anuais podem se tornar uma pechincha em breve…
Anthony Beauvillier, LW, New York Islanders (#28 overall): aquele que tentou entrosar com a Anna Kendrick no Twitter e virou herói de diversas histórias muito prováveis e verídicas.
Travis Dermott, D, Toronto Maple Leafs (#34 overall): conhecido por sua ofensividade, Dermott jogou no Erie Otters da OHL com Connor McDavid, Dylan Strome e Alex DeBrincat. Além disso, é pai de pets muito fofos.
Brandon Carlo, D, Boston Bruins (#37 overall): junto com Zdeno Chara em 2016-17, ele formou o que é provavelmente uma das defesas mais altas da história da NHL, além de terem quase 20 anos de diferença entre eles.
Roope Hintz, C, Dallas Stars (#49 overall): o finlandês chegou na NHL com um bang!, já que foi muito importante para a sua equipe tanto durante a temporada regular, quanto nos playoffs. Afinal, o center fez cinco gols na campanha dos Stars nos playoffs de 2019.
Quando o Brasil se associou à Federação Internacional de Hockey no Gelo, em 1984, provavelmente não se imaginava o exato rumo que o esporte tomaria aqui nas décadas seguintes. Apesar da menor familiaridade com o gelo, em comparação aos vizinhos ao sul, o país foi o primeiro na América do Sul a se vincular oficialmente à IIHF.
Trinta anos depois, brasileiros competiram pela primeira vez em um torneio internacional oficial de hockey no gelo, organizado pela Federação Mexicana do esporte e sancionado pela IIHF. Sem tradição na modalidade, nem estruturas permanentes disponíveis no país, a equipe brasileira terminou a competição em último lugar entre as cinco participantes, com quatro derrotas e um saldo negativo de 48 gols sofridos.
“Coincidiu com duas cidades, Rio e São Paulo, estarem com uma quadra de gelo e com pessoas que eram do (hockey) inline, ou já tiveram experiência no gelo, treinando de uma forma recorrente” disse Julio Baptista, um dos jogadores que participou desta primeira edição do torneio. “E aí juntou esse pessoal de SP e do Rio e fizemos essa primeira viagem, foi tudo novo. Uma galera que foi com a cara e a coragem de viver uma experiência nova, e foi bacana. A gente precisou passar por 2014 pra entender o que a gente precisava.”
“Depois que todos participaram, eu voltei para o Brasil e a primeira coisa que a gente precisava era de um treinador” recordou Alexandre Capelle, na época dirigente do hockey no gelo pela Confederação Brasileira de Desportos no Gelo.
No ano seguinte, o convite veio novamente para participar do torneio no México. Desta vez, com algum apoio também da CBDG, o país voltou para o segundo ano da competição e alcançou a primeira, e até hoje mais importante conquista brasileira no hockey no gelo: a medalha de bronze.
Para este capítulo do 10 for 10, o NHeLas conversou com o presidente do Brazil Ice Hockey e Federação Paulista de Hockey no Gelo, Alexandre Capelle, o treinador, Jens Hinderlie, e onze atletas da equipe brasileira que participaram do Pan-Americano de Hóquei no Gelo de 2015. Estes atletas são a prova de que é possível ter hockey no gelo no Brasil, e este é um sonho que está apenas começando.
Neste texto, damos voz a esses pioneiros. O NHeLas, acima de tudo, acredita no esporte e nas possibilidades que ele traz. Acredita que se pode quebrar a cultura mono-esportiva no Brasil e incentivar outras práticas, como a do nosso amado hockey. Essas são algumas das recordações daquela equipe sobre o torneio no México; relatos que vão além do jogo, e nos mostram as diversas facetas que uma competição assim pode ter.
(Todas as posições e títulos referem-se a 2015. As entrevistas foram levemente editadas para maior entendimento e clareza)
Bruno Gomes, atacante: Até hoje eu tenho certeza disso: em geral, a gente tinha melhores jogadores de hockey do que todos os outros times. Eles tinham melhores patinadores de gelo, (mas) de todos os jogadores da seleção brasileira, tinha pelo menos uns 10 que já tinham sido campeão mundial, tinha uma história ali de vice-campeão mundial, tinha vários jogadores de roller hockey muito, muito bons. E foi por isso também que a gente conseguiu chegar a esse nível nessa competição.
Luis Roberto Custódio, defensor: Foi um campeonato que deu um ânimo, né? Esse estar no gelo deu um ânimo a mais, e ao mesmo tempo uma tristeza no sentido de ‘por que eu não estava aqui antes?’ Mas foi muito bom, um sonho para todos praticamente, porque mesmo quem já era do gelo, quem tinha um contato maior com o gelo, estava ali, a grande maioria, num primeiro momento com a camisa do Brasil no gelo. Então de alguma forma era realmente um sonho do grupo, para seleção, técnicos…
Allen Ruane, goleiro: É bom esses torneios com todas as equipes da Latin America porque todo mundo é igual, não tem equipes tão fortes ou tão fracas também, nós só precisamos treinar um pouquinho mais.
Henrique Degani, atacante: Engraçado, quando a gente chegou lá, já tinha oito rinques de gelo na Cidade do México, se não me engano. Oficiais. A única coisa que não tinha era alguém que (tivesse) organizado um campeonato, porque todo mundo já podia participar. O meu ponto nem é a falta de quadra aqui no Brasil, o meu ponto é que a gente poderia ter organizado campeonato lá mais cedo ainda, né? A gente não fez nada de diferente, que não tenha sido feito no passado, que levou a gente a jogar esse campeonato.
Pedro Tonietto, goleiro: O sentimento que eu tive esse campeonato inteiro foi incrível. Eu joguei só cinco minutos, contra a Colômbia, num jogo antes do campeonato começar. E por mais que tenha sido só um jogo de ‘pré-temporada’, digamos assim, o fato de colocar a camisa da seleção e pisar no gelo, parece que eu nem sabia patinar mais. Pulei o banco e até chegar lá no gol acho que foram os dez segundos mais lentos da minha vida. Como é em todo jogo em que a gente fica nervoso, depois da primeira defesa as coisas fluem. Mas foi realmente uma experiência incrível, eu acho que nunca vou esquecer daqueles primeiros dez segundos com a camisa da seleção no gelo.
Yan Graciano, atacante: Eles meio que me fizeram o ‘bicho’ da seleção, porque eu era o mais novo, então eu tinha que carregar equipamento, encher água, mas ao mesmo tempo eu lembro que eu tinha 19 ou 18 anos, e, tirando o goleiro, era o que tinha mais experiência no hockey no gelo, então era meio estranho.
Jens Hinderlie, treinador: Eu sei que muitos deles estavam cansados e os quartos tinham esse cheiro horrível de hockey, que é o pior cheiro que há na Terra; equipamento de hockey, luvas, é simplesmente nojento. Eles tinham que colocar aquilo nos quartos e deixar tomando ar todo o equipamento, com os ventiladores… Esse torneio em si tem seu peso e leva um tempo para se preparar, e o pessoal conseguiu fazer isso num curto período, o que foi uma verdadeira prova de seu já bom condicionamento físico, mas também da determinação para aprender. Muitos deles só queriam aprender e isso é meio caminho andado para qualquer coisa.
Equipe do Brasil no Torneio Pan-Americano de Hockey no Gelo em 2015 (Foto cortesia de Alexandre Capelle)
Antes do torneio
Hinderlie: Em 2015, eu resolvi me mudar para o Brasil e, durante o processo, literalmente um mês antes da mudança, minha esposa, Gabriela, entrou em contato com a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo e eles a puseram para falar com o (Alexandre) Capelle. Ela falou para ele da minha paixão pelo hockey e nos colocou em contato. A partir daí, o Capelle e eu começamos a nos falar e basicamente foi assim que começou.
Alexandre Capelle, dirigente do hockey no gelo (CBDG): A gente se conheceu, falei ‘Jens, você não quer ser o treinador?’, ‘Mas de hockey inline?’ e eu falei ‘Não, de hockey no gelo. Vai ter no México de novo, o segundo evento, e gostaria que você fosse como treinador.’
Hinderlie: Eu me mudei para o Brasil e cinco dias depois estava em (Contagem) assistindo a todos esses jogadores de (hockey) inline, e um mês, talvez dois meses mais tarde a gente estava no México e entrou no gelo pela primeira vez. O Capelle tinha uma lista com os caras que estavam interessados, então ele só me pediu para assistir a esses jogadores e eu os vi jogar e fiquei bem impressionado com o nível de habilidade de todo mundo. Eu não cheguei a jogar muito inline na minha vida porque eu cresci em Minnesota e jogava hockey no gelo praticamente em qualquer lugar que eu ia, mas eu fiquei muito admirado com como eles paravam num instante e giravam, e tinham uma boa movimentação lateral… Fifo (Luis Roberto Custódio) foi um jogador pelo qual eu me apaixonei, só a maneira como ele controla o jogo e, mesmo no gelo, ele pode ser um ótimo defensor ou um ótimo atacante. Honestamente, só escolhemos quem achamos que iria ajudar esse time.
Capelle: Em 2015, teve esse campeonato em Minas, o Campeonato Nacional de Hockey, onde estavam as melhores equipes (do Brasil). Se não me engano, tinham 12.Eu conversei com treinadores das equipes (no congresso técnico) dizendo que a gente ia selecionar os atletas e se tivesse alguém interessado, (era para) procurar o Jens para ele fazer a escolha. A maioria foi o pessoal do Rio e de São Paulo, o pessoal que praticava mais o hockey no gelo. Em 2015 a gente tentou levar os melhores atletas, os que tinham experiência no gelo e eram os melhores atletas no Brasil.Tivemos o apoio da Confederação também, tivemos patrocínio da passagem, de uniforme, os treinos e clínicas, as taxas do campeonato, isso tudo a gente conseguiu através do Emílio Strapasson, que era o presidente na época da CBDG. Fica o agradecimento a ele por essa oportunidade da gente conseguir levar os melhores atletas.
Daniel Hämmerle, goleiro: Foi uma ajuda muito significativa que nos possibilitou levar um time bem melhor que a gente levou nos anos anteriores, e a gente conseguiu chegar com uma força muito legal lá, (tanto) que a gente conseguiu trazer medalha. Foi muito significativa a ajuda da CBDG nesse campeonato.
Gomes: O melhor ano que a gente foi, foi quando a gente teve apoio.
Daniel Vannuchi, defensor: Era um sonho começando a se tornar realidade, da gente jogar um campeonato de hockey no gelo, da Confederação ajudar a levar uma equipe competitiva. A maioria dos atletas não tinha experiência com o gelo. A experiência que eu tinha era aqui no hockey no gelo do Rio, mas a quadra era muito pequena, não retrata muito a realidade de como é um campeonato de ice hockey.
A experiência prévia
Ruane: Eu nasci aqui nos Estados Unidos. Minha mãe é brasileira e meu pai é americano. Comecei (a jogar) hockey com onze anos, sempre fui goleiro, no high school, depois faculdade, joguei um pouquinho pro. Mas em 2012, eu fui para o Brasil, eu fui pro Rio, morei lá oito meses e comecei vendo que tinha hockey (no) Brasil. Eu achei o Capelle, outros jogadores, e foi assim.
Hämmerle: Eu patino desde os 10 anos no gelo, eu sou do Rio de Janeiro e tinha uma quadrinha de gelo perto da minha casa, então eu aprendi a patinar lá com 10 anos e nunca parei. Eu decidi jogar hockey e comecei a jogar no gol em 2012. (O Allen) que me ensinou a jogar no gol. Quando eu comecei a jogar hockey ele tava morando no Rio, ele tem família lá, e ele que me ensinou a jogar. Então 2015, eu só jogava no gol há três anos, foi muito em cima da hora.
Graciano: Eu fazia parte da seleção júnior de inline, não a sênior, e na de gelo eu sempre joguei os campeonatos que tinha no Brasil, com o Capelle, mas na época eu estava morando no Estados Unidos, jogando em uma universidade. Eu lembro que eu voltei para o Brasil e o Capelle me chamou. Acabei conhecendo o Jens mesmo no México, mas 99% da equipe eu conhecia do Brasil já.
Tonietto: Para mim foi bem diferente isso tudo porque eu sou gaúcho e moro nos Estados Unidos há algum tempo já, então ninguém tinha ouvido falar de mim. Eu vi o Brasil de 2014, que eles colocaram no YouTube e entrei em contato com o Capelle. A gente já tinha dois goleiros, o Allen e o Daniel, e o Capelle disse ‘olha, não deu pra te colocar no time, ninguém te conhece, ninguém nunca ouviu falar de ti, eu entendo que tu mora nos Estados Unidos, tu joga hockey no gelo todo dia, mas mesmo assim não tem como chamar alguém que não conhece.’ Então eu disse, ‘olha, Capelle, deixa eu ir pra treinar com vocês.’ Foi legal porque eu conheci todo o pessoal lá e, ainda mais que ninguém tinha ouvido falar de mim, todo mundo me recebeu super bem.
Gomes: 2015 acho que a gente chegou quatro, cinco dias antes, se não me engano. A gente ficou concentrado na Vila Olímpica deles, que ficava do lado do rinque de gelo.
Tonietto: Eu acabei indo para um outro lugar, peguei um táxi, o táxi me largou lá, eu estava sem telefone, com todos os meus equipamentos, no meio do nada, no México. Aí eu meio que arranhando o espanhol falei com uma pessoa e ela falou ‘não, não, tem que ir lá num outro lugar, eu te dou uma carona.’ Eu entrei no carro de uma estranha, e ela me largou onde era pra ser, na Vila Olímpica.
Gustavo Tecchio, defensor: Esse espaço que eles cederam para a gente, se não me engano, foi das Olimpíadas que teve no México mesmo. Eles ficaram com o legado das Olimpíadas e eles utilizam para todos os atletas olímpicos deles, tanto que tinha muita gente boa lá de wrestling, judô, que estava tendo campeonato, ginástica artística, o pessoal do vôlei também acho que estavam treinando lá. Então a gente chegou lá e sentiu que a gente foi muito bem tratado e isso acho que pesa positivamente, a gente sempre junto, comendo junto, comida boa, horário pra sair, horário pra voltar, horário ‘pra dormir’.
Julio Baptista, atacante: Nível PANAM mesmo.
Hinderlie: Eu cheguei no aeroporto, conheci o goleiro, Allen Ruane, e alguns dos outros caras, nós pegamos o ônibus para o rinque, fomos direto para o gelo, o Capelle estava lá e já tinha marcado algumas horas de gelo para a gente naquela noite. Não tivemos tanto tempo para nos preparar. A gente tinha literalmente, a princípio, talvez três ou quatro horas de gelo.
Tecchio: E por isso que a gente saiu correndo, acho que a gente treinava de manhã, já se organizava para treinar depois do almoço, já se organizava para treinar no final do dia para estar no gelo o máximo que pudesse e quando chegasse o primeiro jogo, a gente tivesse o mínimo preparo.
Os treinos no México
Degani: Eu lembro que a gente ficava fazendo correria pra treinar em um monte de lugar.
Gomes: É, a gente foi para o shopping, a gente foi para uns quatro, cinco rinques diferentes para treinar. Foi uma semana louca. Todo mundo com vários mundiais de roller nas costas, vários campeonatos mundiais, sul-americanos, com muita experiência no roller hockey e de repente, do nada, a gente estava dentro do gelo. Vários já jogavam, patinavam no gelo, mas nunca competiram em alto nível, e foi legal essa experiência, foi engraçado.
Hinderlie: Assim que a gente percebeu que precisava de mais tempo de gelo, acabamos comprando um monte de horas em lugares diferentes, em vários horários do dia, então a gente precisava percorrer a cidade para chegar nesses outros rinques e usar um ônibus que a Federação Mexicana forneceu.
Custódio: Opa, um micro-ônibus. Vinte caras ‘monstros’ mais as malas ‘monstras’, um em cima do outro, chegava no shopping lá do ‘centrão’ que ninguém acreditava que teria uma pista no terceiro piso, e de repente surge aquela pista gigante.
Tonietto: Era desconfortável ir pro rinque e voltar, mas quando a gente estava no rinque ou quando a gente estava na Vila Olímpica era ótimo. A gente dividia o quarto com quatro pessoas, então a gente estava assistindo às finais da NHL, foi o ano que Tampa perdeu pra Chicago. Eu, que sou torcedor fanático do Tampa, não gostei muito… (risos) A gente assistia hockey, a gente se reunia no restaurante, o Jens conversava com a gente. Quando a gente estava na Vila Olímpica também tinha bastante palestra, a gente fez muito estudo de vídeo, às vezes tinha tempo de ir para a academia, fazer um alongamento, fazer um suporte muscular.
Graciano: Acho que 50% entendia mesmo o que (o Jens) queria fazer, os outros 50% não entendiam nada e dependiam de algum atleta tentar explicar.
Hinderlie: E eu não falava nada de português, o Bruno foi meio que o tradutor para espanhol e português, e um pouco de inglês, então era sempre engraçado porque eu pensava às vezes ‘Estou falando em inglês e muitos deles provavelmente não têm ideia do que eu estou dizendo.’ Foi um tipo de, não sei, sexto sentido ou algo assim que os jogadores conseguiam absorver a magnitude do momento e colocar em prática, talvez nem sabendo se o que eu falava fazia algum sentido para eles. Mas a gente tinha que acordar acho que 4h da manhã para chegar no rinque às 5h30 ou 6h e ninguém estava muito animado com isso. Eles já tinham treinado algumas vezes, eu sei que alguns estavam cansados, com dor, mas da minha perspectiva era só ‘a gente tem que estar no gelo o máximo possível!’ Eu lembro que eu acordei, desci as escadas e eles estavam dormindo nas cadeiras, o Fifo e o Degani, e eu perguntei ‘Vocês estão prontos?’ Eles falaram ‘Não!’ (risos)
Graciano: Os treinos foram bem rigorosos, né? Porque a maioria não sabia patinar direito no gelo, então foi focado mais na patinação do que qualquer outra coisa. Acho que eram duas vezes por dia, duas horas, e acho que o Jens tentou fazer a gente treinar o quanto mais possível, todo dia. Quando acabava os treinos ele tentava achar mais hora para colocar, para tentar meio que correr atrás do prejuízo. Ninguém conseguia patinar, frear, e as regras eram diferentes do inline também, tinha checking, hitting.
Hinderlie: A gente se adaptou e conseguiu incorporar muitas das habilidades e conhecimento do jogo que eu sabia que eram só o básico do hockey. É um jogo completamente diferente do inline.
Vannuchi: Numa quadra oficial grande, a velocidade do jogo é outra, muda totalmente a sensibilidade do patins, então foi muito difícil, foi muito complicado.
Atletas da seleção brasileira reunidos em um dos treinos na Cidade do México (Foto: CBDG)
Hinderlie: Nós treinávamos tiros, antes de tudo a gente precisava parar e girar e aprender como se levantar e cair no gelo. Porque essa é a chave para qualquer iniciante, você tem que aprender a cair porque você tem que aprender como se levantar de uma queda. E o gelo é completamente diferente de estar sobre rodas e sobre patins inline, então frear era muito difícil e levou um tempo para os rapazes entenderem. É claro, você não aprende esse jogo do dia para a noite. Mas quando eles entenderam, acho que assim que voltamos do primeiro jogo, contra o México ‘B’, foi aí que a gente começou a perceber que seríamos um bom time e que a gente poderia jogar esse esporte.
Degani: A gente fazia muita coisa. A gente tinha muito jogo, o conjunto era muito legal, muito bom, mas a gente ainda estava jogando um esporte que era diferente do hockey no gelo. A gente tava jogando o inline sobre o gelo.
Tonietto: Eles tinham o chute, tinham os dangles do pessoal de alto nível, mas não sabiam patinar, não conheciam as regras e como era a cultura do hockey no gelo. E por mais que o meu nível não tava muito alto naquela época, eu conseguia perceber essa diferença do hockey aqui nos Estados Unidos e o hockey que o Brasil tava tentando jogar.
Hinderlie: É uma questão de criar a estrutura para que eles entendessem o básico do gelo, onde estar, o que fazer… e uma vez que eles tinham compreendido, eles podiam desafiar qualquer um que estivesse no nosso nível. Parecia, para mim, que havia mais times com mais coesão, que já tinham jogado no gelo, ou era mais fácil para alguns jogadores (ter acesso ao gelo), e talvez essa seja só a minha impressão, mas, no final, é difícil para um time se estruturar ao longo de seis, sete dias. É um processo, leva tempo para melhorar e construir um time.
Gomes: Quase todos os times tinham jogadores ‘estrangeiros’. A Colômbia, por exemplo, tinha quase todo um time que morava nos Estados Unidos, todos ‘quase gringos’, a Argentina tinha vários também que jogavam fora.
Baptista: Acho que fora o Allen, a gente não tinha nenhuma pessoa de fora.
Tecchio: Mas, como a gente já tinha feito dois amistosos, a gente realmente sentiu que eram equipes muito boas no gelo, tanto Colômbia quanto México ‘B’, que viviam no gelo e tinham condições de estar ali toda semana, e a Colômbia com melhores acessos, acessibilidade que tinha pelas quadras. Percebemos que realmente seria um torneio bem forte pra gente. Contra o México ‘A’ a gente sabia que era dois, três passos que a gente deveria galgar aí no futuro, ainda estamos galgando, não chegamos lá ainda.
Hinderlie: Muito do pessoal jogava defesa no inline, que é um papel mais ofensivo, então entender que o defensor no ice hockey tem que usar bem a visão com o puck, fazer passes. Jogadores como o Zé (José Alexandre Guilardi), Fifo, (Gustavo) Tecchio, (Daniel) Vannuchi, (Marcelo) Campos, todos eles realmente chegaram lá. Eles foram, assim como o Allen, no gol, a grande força do nosso time, foi a nossa defesa e o goleiro. E nós meio que partimos daí, tínhamos o Yan (Graciano), acho que com 19 anos na época, ele era muito jovem e teve shifts muito bons. O (Henrique) Degani foi um jogador bem versátil, marcou alguns gols importantes, o Julio Baptista também estava lá, e ele realmente dava duro em todos os momentos. Como treinador, você só quer que os jogadores saibam que eles têm um potencial maior para atingir e ainda assim, mesmo hoje, eu acho que tem muito potencial com o Brazil Ice Hockey. Então é ajudá-los a entender e ao mesmo tempo falar para eles que é preciso dar 110% em cada shift.
Durante o torneio
Degani: A gente devia ter colocado o Pedro de segundo goleiro e o Daniel na linha.
Hämmerle: (risos) O pessoal brinca porque, como eu comecei patinando no gelo, eu tenho uma patinação legal, minha patinação é razoável, e eu cheguei a jogar na linha muito tempo atrás.
Hinderlie: Você tem um torneio de uma semana, passa muito rápido, e é realmente o único tempo de gelo para eles no ano. Mas todas as peças se juntaram e eles trabalharam muito e mereceram o que conquistaram.
Tonietto: Foi uma experiência para todo mundo, para tentar conhecer o jeito brasileiro de jogar hockey, porque foi realmente a primeira seleção brasileira de hockey no gelo, e cada time tem uma maneira de jogar. Aos poucos a gente foi entendendo a nossa, o que dava certo, o que não dava, mas foi jogo após jogo. Foi uma experiência muito bacana ver o time evoluir daquela maneira.
Degani: Eu lembro que a gente fazia muita falta. O campeonato inteiro a gente fazia muita falta. Acho que a gente fez umas três ou quatro de too many men.
Graciano: (O Allen) foi o que mais passou nervoso jogando.
Ruane: Todo mundo estava feliz porque estava jogando hockey no gelo, eu joguei num nível muito alto aqui e não gosto de perder um jogo. Quando eu perco um jogo eu fico bravo. (risos) Acho que é uma coisa que o pessoal reclama, que eu não tô feliz igual todo mundo. Mas eu não gosto de perder, e todo mundo estava feliz, (ganhando ou perdendo) parece o mesmo não muda muito.
Custódio: Como foi, no meu caso e de muitos, um primeiro momento no gelo competindo de verdade, era a realização de um sonho de criança. Era o sonho em 2015, estar ali no gelo competindo de verdade, e o hockey surge do gelo pra gente, então foi muito legal.
Graciano: Acho que foi a primeira vez para a maioria do time que teve um treinador mesmo, que estava de terno, dando dica sobre tudo, falando o que tinha que fazer, situações de jogo, então acho que a maioria da galera não estava acostumada com isso.
Vannuchi: Foi uma sensação de ser profissional, né? De você estar num alojamento, você tem refeitório, tem toda a estrutura disposta pra você, tinha o Jens de técnico.
Hinderlie: O rinque em si, o Ice Dome, tinha alguns problemas com névoa, então a gente precisava lidar com aquilo, precisava parar o jogo de vez em quando e patinar dando voltas. Mas era um rinque bom, uma estrutura legal. Em qualquer evento esportivo internacional você tem as pessoas torcendo com suas bandeiras, então foi muito legal para esses times ‘B’ mais jovens, porque eles são adolescentes, mas jogam hockey o tempo todo, e para eles competir contra uma equipe nacional como o Brasil eu sei que foi algo importante para aquelas crianças e também para os pais. Era uma atmosfera festiva, para dizer o mínimo.
Tonietto: Tinha uma seleção (brasileira) feminina aquele ano, mas elas não estavam com a CBDG. Então tinha uma certa diferença ali, mas claro, brasileiro é brasileiro e vai torcer para brasileiro, e não foi muita gente, mas tinha uma torcida brasileira legal, a gente gritava, a gente fazia festa. Era muito legal assistir aos jogos do México, os jogos contra o México, porque lotava a arquibancada.
Hämmerle: Lembro que a mãe do Yan e do Leandro (Graciano) estava lá, gritando para caramba. O pessoal da Argentina estava lá, eles levaram time ‘A’, ‘B’ e feminino, então ficava a maior galera lá e a (mãe deles) do lado. (risos)
Hinderlie: A gente teve lideranças fortes, como o Bruno Gomes, eu realmente me apoiei nele bastante naquele primeiro ano porque ele era um jogador mais velho, veterano, que conhecia praticamente todo mundo. Ele mora na Argentina então ele não é um paulista, ele não é um carioca, ele podia meio que fazer essa ponte um pouco.
Hämmerle: Eu lembro muito dos papos do Bruno, das conversas dele, do jeito que ele vinha falar e deixar todo mundo animado antes do jogo. Isso é um papel que ele faz muito bem que eu gosto muito na verdade.
O torneio teve início numa quarta-feira, dia 3 de junho. No segundo jogo do dia, o Brasil fez sua estreia contra o México Sub-17 e venceu por 5-2. Esta foi a primeira vitória na história da competição para a seleção brasileira.
Hinderlie: A gente estava perdendo por 2-0 no começo. Eu acho que tivemos um power play e o puck foi por trás do nosso defensor e eles literalmente tiveram um 2-contra-0 e marcaram o segundo gol. No entanto, conforme a gente se esforçava e batalhava em cada shift, começamos a criar algumas chances, tivemos alguns power plays e marcamos cinco gols sem resposta.
Tonietto: Foi um jogo difícil, aquele time do México era bem novo, eles tinha bastante força, bastante patinação, mas eles não tinham a experiência que os nossos jogadores tinham.
Custódio: A gente tinha uma bagagem já, não eram atletas partindo do zero numa competição. Por um lado ajudou, por outro às vezes atrapalhava, era uma brecada de inline, um giro de inline, enfim… Eu lembro de estar na quadra com um nível de concentração para tudo muito alto e mesmo assim tinha momentos em que a gente acabava fazendo o que era natural para a gente no inline.
Vannuchi: Essa experiência deu uma equilibrada no jogo e fez total diferença. Eu lembro que a gente jogava com muita calma, dava pra ver que a gente, tecnicamente, estava sofrendo para ficar em cima do patins, mas o conjunto era muito bom.
Baptista: Não sei se vocês já pegaram para rever os jogos desse ano, mas nitidamente dá pra ver que é um time de pessoas que não são familiarizadas com o gelo, é uma coisa não tão bonita de se ver, e de repente sai uma jogada de um time bom de hockey. Então acho que a galera estranhou um pouco isso também e foi o que fez a gente vencer, chegar ao gol jogando hockey de uma forma ou de outra; no gelo, mas trazendo coisas do inline. Acho que um outro ponto que diferencia bastante dos outros campeonatos é que como era, para a maioria, a primeira vez de todo mundo ali, todo mundo conseguiu limpar a cabeça e absorver cada coisinha nova que o Jens trazia do gelo. Lembro da gente passar noites vendo e revendo, com planilha, com TV, o que a gente poderia ter feito. Acho que todo mundo limpou literalmente a cabeça e começou a receber e aplicar aquilo.
Tecchio: Mas esse jogo ele chegou pra gente e falou assim ‘Vocês precisam trocar a chavinha, vocês não estão jogando inline. Aqui é gelo. Tratem de abrir a caixa de ferramentas.’
Custódio: E aí você abriu o supercílio. (risos)
Tecchio: (risos) Abriu tudo, né? A gente começou a entender que o checking fazia parte… Ele veio com essa pressão ‘Vocês não estão jogando inline, o contato faz parte.’ A única vantagem que a gente tinha era essa, de ser atletas um pouco mais velhos, com certeza mais velhos, e talvez mais fortes. A gente era mais forte e, claro, a partir do momento que entendeu que podia fazer esse contato a gente acabou ganhando o jogo.
Graciano: A gente segurou mais no físico, porque era uma molecada mesmo do México. Acho que não passavam de 1,75m, eram um monte de criança jogando contra um monte de marmanjo.
Hinderlie: Foi nesse momento que eles entenderam. Levou um período e meio praticamente, mas do segundo até o terceiro período nós dominamos, ficamos em cima deles, e marcamos alguns gols definitivos no power play. Acho que foi nossa linha veterana, Bruno, Johnny (João Henrique Vasconcelos) e Lu (Luis Fernando de Almeida), que mais marcou para a gente.
José Alexandre Guilardi, defensor: Eu acho que esse jogo com o México deu principalmente para a gente a condição de seguir, de participar de fato da competição, porque se a gente tivesse ido mal já nesse primeiro jogo, acho que ia comprometer muito qualquer possibilidade de crescer dentro do campeonato. O fato da gente ter vencido, ter ganho energia e ter surpreendido deu para a gente uma sobrevida e levou a gente até o caminho da medalha, e também nos trouxe muita confiança no Jens. Quando o Jens foi pro vestiário e desceu a lenha na gente e mandou a gente parar de jogar que nem criança e começar a ser jogador de hockey de fato, a gente começou a acreditar no treinador e a coisa funcionou, para o restante da competição também. Acho que isso foi muito interessante desse jogo em específico. E muitas das coisas que o Jens testou durante os treinos e das quais ele tinha só a visão técnica ‘Esse aqui não patina bem, esse aqui não passa bem,’ porque tem as deficiências e tal. Chegou na hora de jogar de fato, a grande maioria, que já tinha muita experiência em quadra e muita noção, conseguiu se sobressair e colocar um jogo de hockey melhor dentro de quadra mesmo sem ter a técnica ideal. Então também mudou aos olhos do Jens, do treinador, a condição dos atletas. Teve até uma reviravolta em termos de linhas e duplas e parceiros logo após esse jogo. Ele conseguiu ver diferente o grupo depois desse jogo, então acho que foi muito importante essa primeira partida para a gente em diversos aspectos. Na verdade, acho que aí foi o grande ponto da medalha. Foi aí nesse jogo que a gente pegou um pedacinho dela já.
Hinderlie: Depois do jogo foi incrível para mim. Eu estava literalmente vivendo em um país estrangeiro há menos de 60 dias e estava ensinando hockey, um esporte que eu cresci jogando em Minnesota, e eu estava no México, treinando esse time, e ver eles cantarem o hino nacional para seu país foi muito emocionante. Até hoje quando eu assisto ainda fico um pouco emocionado, porque foi um momento muito especial. Foi a primeira vitória deles de todas e foi ótimo para eles entenderem que não só eles podiam mudar a história, mas era o começo de tudo relacionado ao hockey naquele jogo, eu acredito. E eu sei que o Capelle ficou muito orgulhoso dos meninos, e todo o esforço que ele havia colocado até então também. Foi um momento muito, muito legal e nós usamos aquilo para vencer mais alguns jogos.
Treinador Jens Hinderlie e jogadores do Brasil no vestiário (cena do documentário ‘Sonhos de Gelo‘/LoonarCity: Jack Davis)
Na manhã seguinte, o Brasil manteve a invencibilidade na competição ao golear a Argentina ‘B’ por 7-0.
Tecchio: Clássico dos clássicos, né? Eles já tinham jogado contra o Brasil em 2014, se não me engano, tinham ganho do Brasil, e talvez não imaginavam que ia acontecer o resultado da forma que aconteceu.
Graciano: Desse jogo eu não lembro bem. Eu lembro que deu confusão, no que deu não sei. (risos) Brasil e Argentina sempre dá alguma confusão.
Hinderlie: Uma coisa que eu percebi logo com esses jogadores foi o fato de que era difícil para eles entender o que era um forecheck. Porque no inline você só está esperando o time voltar e vir até você, e você defende. Ter um forecheck agressivo é algo que a gente ainda tem dificuldade, mas aquele jogo em particular, eu lembro que, porque a gente tinha jogadores grandes, uma vez que eles aprenderam como dar hits e usar o corpo no gelo, isso desgasta o defensor e nós conseguimos ter muitas chances boas, colocar o puck na rede e marcar sete gols. Foi um momento em que eu vi o time começar a se ver como jogadores de ice hockey. Isso foi o que eu falei a semana inteira, o que significava ser um jogador de hockey. Muitos deles estavam lidando com lesões, porque eles nunca tinham recebido checks e isso definitivamente pesa no seu corpo, mas a gente foi o time dominante naquele jogo e conseguiu de fato usar nosso tamanho em nosso favor.
Vannuchi: Foi bem legal esse jogo contra a Argentina porque a gente conseguiu se soltar um pouco mais. Foi um resultado bem importante para construir a confiança da equipe.
Hämmerle: A gente pegou logo o México ‘B’ e depois a Argentina ‘B’, então deu para a gente começar um pouco mais devagar, e devagar que eu digo é pegar uns times mais fáceis no início para poder acostumar com o gelo.
Hinderlie: É um jogo bem simples uma vez que você bloqueia qualquer bobagem que às vezes entra na nossa cabeça quando você tenta fazer demais. Eles conseguiram se manter centrados e jogaram muito bem.
Tonietto: Jogar contra a Argentina é sempre interessante, porque é a rivalidade. Acho que isso existe em todo esporte, no hockey não é diferente. Por mais que a gente seja dois times que estão tentando crescer, tentando achar maneiras de jogar hockey, principalmente em 2015, a gente meio que se ajuda fora do gelo, a gente ainda é meio amigo, mas quando chega na hora do jogo, é jogo. Foi um jogo bom, mas foi um jogo mais fácil, porque o time ‘A’ e o time ‘B’ da Argentina tinham uma grande diferença de nível, então foi mais um ‘jogo de descanso’ entre todos os que a gente tinha. Ainda assim, serviu muito para ver como o time faz gol, quais jogadas dão certo, quais não dão certo, mudar linha, coisas assim que a gente precisa ter essa experiência, jogar contra um time mais fácil, para poder ajeitar as pequenas coisas e poder pegar depois os times mais complicados. Caiu na hora certa, no calendário, o segundo jogo ser contra a Argentina, a gente ganhou dois jogos seguidos e isso levantou a moral do time.
Tecchio: Nesse jogo também, tecnicamente a gente já conseguiu se soltar e viu que era bem mais superior talvez em nível de jogo. Ainda tínhamos nossas deficiências de fundamentos, de patinação e algumas coisas, mas ainda assim a gente conseguiu jogar. Até porque ganhamos de 7 a 0 e acho que podia ter sido até mais. Saímos bem contentes dessa partida.
Hinderlie: Essa foi a minha primeira experiência com (a rivalidade Brasil-Argentina), com certeza, e nos anos seguintes ela se mostrou um pouco mais. Mas foi legal vencê-los e, ironicamente, minha primeira experiência na América do Sul foi na Argentina, numa missão, quando eu tinha 19 anos. Quando eu cheguei lá eles me falavam ‘Boca ou River Plate’, era meio que a moda, e eu sempre tive meio que um amor pela Argentina por causa disso. Aí eu casei com uma brasileira e morei no Brasil e comecei a entender mais a cultura brasileira. Ambos são países ótimos, pessoas ótimas, é claro, mas a rivalidade é bem intensa e foi divertido testemunhar os jogadores se enfrentando e usando dessa rivalidade para jogar no gelo.
Na noite de sexta-feira, 5 de junho, a seleção brasileira sofreu a primeira derrota do torneio para a Colômbia, por 3-0.
Guilardi: A gente tinha empatado com eles num amistoso. Foi 3 a 3.
Gomes: Se não me engano, o amistoso teve que ser parado no meio porque quase terminou em briga.
Hinderlie: Eles estavam tentando se matar. Eles iam para cima dos nossos caras, nós íamos para cima dos caras deles, chegou num ponto em que o técnico da Colômbia e eu só falamos ‘Beleza, a gente precisa parar esse jogo porque vai sair do controle.’
Tecchio: Com certeza contra a Colômbia a nossa expectativa vinha alta. Como a gente tinha ganho esses dois jogos, empatado com eles (no amistoso), falou ‘Bom, vai ser elas com elas, vamos entrar junto com eles.’ Só que daí a gente sentiu que fisicamente o negócio apertou. Contra os meninos do México não tinha muita pressão, Argentina praticamente zero também. Mas contra eles não, contra eles virou aquele jogo de hockey que realmente talvez a gente nunca tivesse tido. Chegava o puck e já tinha um cara em cima de você, então você já tomava um check. Se você estava patinando sem olhar, ‘boom’… Então você não tinha tempo, era um jogo muito rápido, era realmente o que é o hockey no gelo.
Degani: E estava longe, né? Você tinha que receber o passe e ainda estava longe pra caramba do gol.
Tecchio: Ou quando chegava, você estava sozinho, só você e três colombianos chegando já. E eu acho que nesse jogo começou a pesar as pernas de todo mundo. Fisicamente, a gente já estava bem esgotado pela questão de carga horário de treinos, dos amistosos e dos jogos que vinham acontecendo.
Gomes: A gente chegava no banco e pegava no peitoral e tentava abrir e buscar ar porque ninguém conseguia respirar.
Guilardi: Quem estava na defesa percebia que o cansaço estava aumentando na frente e sem recuperação, e nesse jogo da Colômbia a gente sentiu muito. A gente limpou muita sujeira lá atrás. Não tinha muita condição de criar nada porque a gente estava sendo muito pressionado na defesa, então quando a gente pegava o puck, já estava tomando pancada, já estava sem condição de criar. E acho, na minha opinião, que a gente deu uma subidinha na cabeça achando ‘Não, a gente é bom, a gente ganhou aqui, ganhamos aqui, empatou com eles…’
Hämmerle: Mas eles não tinham o jogador principal deles (no amistoso), o capitão, Daniel Echeverri, que era, que é o melhor jogador dos caras.
Guilardi: Um jogador que é um diferencial e chegou na hora de jogar para valer com a gente e ‘apertaram o play’ do rapaz e ele fez valer a condição dele.
Vannuchi: Todos os anos que a Colômbia está com ele, ele leva o time nas costas, ele performa os resultados, então ele é o playmaker da coisa toda e ele realmente fazia diferença.
Tonietto: Esse jogo, na minha opinião, foi o melhor jogo que o Brasil jogou naquele ano, com exceção da medalha de bronze. A gente pegou um time da Colômbia pronto, tinha o número 10 que simplesmente estava destruindo, acho que ele foi, deve ter sido o principal jogador do torneio. E a gente só levou três gols deles. A defesa muito boa, o Allen, nosso goleiro, jogou muito bem, e a gente conseguiu segurar a Colômbia por um bom tempo.
Capelle: Esse jogador realmente fazia a diferença, eu não estou com a súmula aqui, mas, se não me engano, tenho certeza que ele fez os três gols.
Graciano: Eu lembro que a gente só não perdeu por mais porque o nosso goleiro segurou. Acho que era o nosso melhor jogador, ele conseguiu segurar bastante nesse jogo. Esse jogo foi a gente só defendendo, defendendo e indo no contra-ataque.
Hinderlie: Mas naquele jogo nós tivemos chances, tivemos um 5-contra-3 no começo, acho que estávamos perdendo por 2-0 e não conseguimos marcar. E o Daniel Echeverri, número 10 da Colômbia, basicamente tomou controle do jogo e marcou o terceiro no Allen. Nós jogamos forte e eu estava bem orgulhoso dos rapazes e do nosso esforço, mas a gente não conseguia achar um gol, e às vezes isso acontece. Mas no final, a Colômbia acabou vencendo o torneio, então foi um bom feito jogar com um time daquele calibre e que acabou ganhando e derrotando (o México) que, na minha opinião, no quesito habilidade, era o melhor. Nós tivemos oportunidades e não conseguimos convertê-las, porque a gente desafiou bastante a Colômbia. Echeverri tinha bastante o puck e controlava grande parte do jogo, mas quando a gente teve chances e segurou o forecheck, (o goleiro) estava lá para fazer a defesa.
Tonietto: Uma vitória seria muito melhor, mas ainda assim, vindo de duas vitórias, depois segurar a Colômbia no 3 a 0, nossa moral ainda estava muito boa depois do jogo, e o time batalhou muito.
Ruane: Sim, foi bom, mas nossa equipe não fez gol. É difícil ganhar sem gol. Eu não posso fazer gol, é muito difícil. (risos) Mas eu não gosto de perder jogos assim.
Tecchio: Mas a minha visão após o jogo contra a Colômbia, claro a gente perdeu, mas a gente saiu de quadra sabendo que tinha feito um bom jogo, talvez algumas coisas não tinham se ajustado e perdemos… e acho que a gente foi com a mesma confiança contra o México, só que daí o tombo foi um pouquinho maior.
O quarto jogo do Brasil foi contra a seleção principal do México, quase um dia inteiro depois da partida contra a Colômbia. Os brasileiros saíram na frente no placar, mas o time da casa respondeu com força e venceu por 11-1.
Hinderlie: De novo, esse foi um jogo com névoa. O desumidificador não estava funcionando direito o tempo todo e tinha bastante névoa na arena, o gelo estava mais macio do que o devido… mas nós usamos a névoa no começo e marcamos um gol logo na saída de um faceoff, eu acredito, na zona deles.
Custódio: Foi o Degani, na ‘fumaça’.
Graciano: Eu ganhei o faceoff para o Henrique Degani e ele fez o gol.
Hämmerle: Ele falou que chutou e nem conseguia ver o gol direito, de tão embaçado que estava. Eu não sei se foi algum problema de isolamento lá, ficou um nevoeiro absurdo na quadra. A gente falava ‘ó, todo mundo patina em círculos aí para ajudar o negócio a sair’ e aí ficou todo mundo patinando em círculos, e a gente teve que parar para fazer isso umas três, quatro vezes durante o jogo. Foi engraçado, sabe? Todo mundo já super cansado e ainda tinha que ficar patinando em volta. Era bom ao mesmo tempo porque dava uma descansadinha no jogo, mas não ajudou a gente muito, porque os caras descansaram também.
Faceoff entre Brasil e México ‘A’ em meio à névoa (Foto cortesia de Alexandre Capelle)
Hinderlie: O Degani marcou e eles marcaram onze gols depois. Quer dizer, a gente não está no mesmo nível. Eles são 30º no mundo, eu acho. Não tenho certeza hoje, mas na época eles eram.
Baptista: Foi o melhor time do México, na minha opinião, de todos os anos.
Tonietto: A moral estava boa e tudo mais, mas o time do México não era brincadeira. Eles tinham, não lembro se naquele ano ou no seguinte, mas eles tinham ganho um mundial Divisão II ou III, se não me engano. Sei que eles ganharam uns mundiais da IIHF mais ou menos com aquele time que a gente jogou. Era um nível muito acima da gente, o time inteiro treina junto o ano inteiro, todo mundo lá no México, então é bem difícil competir com um time desses quando a maioria dos nossos jogadores estavam aprendendo a patinar no gelo. Mas serviu meio que pra gente acordar e ver que o Brasil ainda tem muito para avançar e que a gente era praticamente o primeiro time que o Brasil teve de hockey no gelo.
Gomes: Se eu não me engano, acho que (o Jens) trocou (de goleiro) quando tomou o terceiro gol seguido. Já no primeiro tempo tomou três gols seguidos e ele tirou, e ele não voltou mais com o Allen.
Tecchio: Três chutes três gols, foi algo assim. A questão da névoa dentro do ginásio às vezes, parecia engraçado para quem estava fora, mas para nós às vezes até ficava meio perigoso, você não via de onde o cara vinha.
Hämmerle: Atrapalha demais, né? Você não consegue ver direito, o puck já vem super rápido pra você ver. Se a iluminação não tá muito boa já atrapalha muito, imagina quando tá foggy.
Tonietto: Eu lembro que o Brasil começou bem no início do primeiro período, mas não tem como, hockey é um jogo pegado, quando começam a jogar o corpo em cima da gente e tudo mais, e pegar a patinação, é bem difícil de correr atrás do jogo. E o México jogou muito bem, também teve isso. É natural também (ter muitas faltas), a pressão começa a subir e a gente estava jogando tão bem, veio de vários jogos que foram muito bons, para depois pegar um time que estava preparado e a gente não conseguiu se aguentar. Então um penalty atrás do outro contra um time que sabe jogar, que sabe patinar, tem um power play muito bem preparado, realmente não ajudou. Não foi que nem o jogo contra a Colômbia que a gente ficou responsável o jogo todo e conseguiu segurar por mais tempo.
Vannuchi: Era basicamente se defender. Eles eram muito fortes, muito consolidados, e esse jogador (Bruno Arroyo), o capitão do México, realmente era um diferencial, ele chamava a responsa. Foi um jogo de muito contato, eu lembro que foi um jogo muito violento
Gomes: Contra o México ‘A’ foi 40 faltas, alguma coisa assim.
Hinderlie: A gente se colocou na penalty kill demais. Provavelmente tivemos o maios número de penalties no torneio, e isso vai acontecer quando você tem jogadores que não sabem dar hit. E sinceramente, a arbitragem no México não era sempre o que talvez devesse ter sido…
Degani: Eu lembro que eles provocavam bastante também.
Tecchio: Eles sabiam que tinham o respaldo da arbitragem.
Gomes: A arbitragem foi ridícula. A gente já jogou campeonato sul-americano e tudo, mas no México foi tanto que a gente decidiu na última vez nunca mais ir também.
Tecchio: Contra o México eu acho que a gente pegou adultos, da nossa idade, caras mais fortes, e aí o negócio pegou mesmo. Foi um jogo de muito contato físico, tanto que isso se prorrogou para 2016 e 2017. A gente teve bons entreveros com eles, mesmo não tendo a mesma qualidade técnica. Mas fisicamente a gente sabia que não ia perder pra eles.
Degani: Eu lembro que uma hora o cara do México foi passar atrás do gol e eu falei ‘Nossa, vou arrebentar esse cara agora.’ Aí ele fez tipo o Sub-Zero, ele fez ‘vup, vup’ e eu não vi nada, só vi borda. Eu não sei pra onde ele foi, até agora estou procurando o cara. (risos)
O jogo da medalha
Diferentemente de outras edições do torneio, em 2015 a competição não contou com uma fase final, e foi definida em turno único. O quinto e último jogo do Brasil foi contra o time ‘A’ da Argentina, uma vitória por 6-1. A equipe brasileira terminou sua participação com nove pontos, ficando em terceiro lugar na classificação geral e conquistando, assim, a medalha de bronze.
Gomes: Essa foi boa, porque eu moro na Argentina e conheço o pessoal. Eles tinham certeza que iam ganhar da gente. Eles tinham certeza. Eu lembro muito bem disso, eles tinham uns gringos que jogavam para eles, muitos jogadores de gelo também, patinavam super bem, mas eles não tinham um time tão bom de jogadores de hockey, ou pelo menos do mesmo nível, e isso fez muita diferença. E a gente jogou muito forte. O quanto a gente derrubou eles no meio do gelo foi impressionante. E o Allen também, nesse jogo ele fechou o gol. Os caras chutavam e até desanimavam de chutar.
Capelle: Eles estavam crentes que iam ganhar, mas esse grupo era muito bom, a gente escolheu no dedo lá em Minas os jogadores, e todos com muita experiência.
Tecchio: Eu lembro que dentro do vestiário já a gente falou ‘Bom, a gente vai para um Brasil e Argentina, acho que é isso que talvez a gente mais espera dentro de um hockey sul-americano. Jogando no gelo ainda contra esses caras, vamos para destruir. Último jogo do campeonato, vamos fazer o que a gente tem que fazer lá.’ E as coisas saíram bem bacanas, acho que foram bons gols ainda.
Tonietto: Pelo que eu percebi, o clima era só ir e dar o nosso melhor, competir. Eu nao lembro como estava a classificação, não lembro se a vitória dava a medalha, mas eu lembro que a nossa mentalidade era ir e jogar o nosso melhor jogo, que é o que a gente pode fazer.
Capelle: Acho que a gente precisava ganhar senão o México ‘B’, pelo saldo de gols, ficaria em terceiro.
Gomes: Deu tudo que no último jogo era Colômbia e México e a gente sabia que era decisivo contra a Argentina, estava definido já.
Graciano: Deu mais briga com a Argentina ‘A’ do que com o ‘B’, o ‘B’ dava só umas discussões, agora com a ‘A’ deu bastante. É sempre legal ganhar (contra a Argentina), principalmente num torneio em que está todo mundo no mesmo barco, tirando o México. Mas jogar contra a Argentina é sempre legal a rivalidade.
Ruane: Acho que é da cultura do brasileiro, tem que ganhar contra a Argentina, todo ano é assim. (risos)
Tonietto: Ganhar da Argentina é ótimo, ganhar do time ‘A’ da Argentina está ficando cada vez mais difícil, todo ano é mais difícil.
Hinderlie: Esse foi um jogo muito bom. Eu tenho quase certeza de que a gente tinha levado em consideração os pontos e sabia que se ganhasse a gente levaria o bronze. Foi similar ao primeiro jogo, contra o México ‘B’, foi surreal, os caras realmente apareceram e continuaram jogando forte durante todo o torneio. Tirando contra o México ‘A’, a gente estava em toda partida e jogamos o nosso jogo. Nesse jogo eu acho que coloquei o Lu, o Degani e o Yan juntos e eles foram super bem. E o Johnny foi uma força consistente com o Bruno o torneio inteiro. Porque o Johnny é nosso principal center, quem disputava o puck e ele ganhou muitos faceoffs para a gente.
Gomes: A gente jogou super bem. A gente terminou esse campeonato e era impressionante a diferença do primeiro jogo amistoso para o último jogo. Impressionante a melhora do time, individual e no todo.
Vannuchi: A experiência jogou para o nosso lado muito bem, então a gente soube lidar com essa intensidade toda do jogo devido à experiência dos jogadores. A gente tinha uma galera já da velha guarda que soube dosar muito bem. Foi o auge. Quando você vê acontecendo, concretizando todo aquele esforço, e uma coisa improvável, né? Quem dava para a gente que a gente ia chegar a conquistar uma medalha de bronze?
Medalha de bronze entregue ao Brasil após o torneio (Foto cortesia de Alexandre Capelle)
Gomes: Sobre essa vitória nossa, acho que foi aí que a gente decidiu que podia ser jogador de gelo e que o hockey brasileiro podia ir para esse lado também, não só roller hockey. Acho que foi muito importante. Quem gosta de hockey, quem ama hockey, a maioria começou vendo e se apaixonando pelo gelo, e foi um sonho estar dentro do gelo, jogando nesse nível. Então foi uma realização para todos.
*Capelle: Eu estava no banco como dirigente e treinador auxiliar do Jens, cuidando do ataque. Fiquei muito feliz no final do jogo e com a importante conquista da medalha de bronze para o Brasil. Foi a primeira medalha que o brasil conquistou num campeonato de hockey no gelo, a primeira de um país sul-americano. Foi maravilhoso. Parabéns a todos os envolvidos.
Hämmerle: Foi sensacional a gente de pé lá no gelo esperando a medalha. Você fica com tanta adrenalina que até esquece das coisas, aí toca o hino e tu chora, muito maneiro.
Tonietto: Eu lembro muito bem a sensação da medalha, sabe? Só estar na fila lá para receber a medalha depois do jogo.
Vannuchi: Foi como se a gente ganhasse o campeonato porque a gente não esperava. A medalha de bronze era uma coisa que parecia longe. E quando você vê que estava acontecendo, esses minutos sempre muito intensos emocionalmente para o atleta, e você saber dosar isso foi a grande diferença da equipe do Brasil. Foi sensacional, a gente indo lá todo mundo no goleiro, todo mundo comemorando, foi algo emocionante, assim, uma comemoração como se fosse um título mesmo.
Depois do torneio
Tonietto: Foi uma festa que eu não imaginava jamais fazer parte disso, sou muito grato de ter incomodado o Capelle para ter ido e fazer parte disso. Foi simplesmente incrível, não tenho nem palavras pra dizer.
Hämmerle: A gente ter conseguido aquela medalha ali foi sensacional, acho que foi a maior conquista da minha vida até hoje, e eu tenho o maior orgulho daquilo. Por mais que eu não tenha jogado, eu estava ali em todos os treinos e eu me empenhei e tava com meus amigos, e foi sensacional. E me fez desenvolver como atleta demais também, porque você tá lá, você tá vendo tudo, você tá participando então você cresce, você cria vínculos mesmo. É muito bom, queria muito voltar no tempo e poder fazer de novo.
Degani: Para a comunidade aqui, brasileira, do hockey foi muito importante esse campeonato. Acho que muita gente que não enxergava o hockey brasileiro como podendo estar presente no cenário mundial, mudou bastante esse conceito. Porque no hockey inline a gente sempre teve conquistas excelentes. A gente teve resultados ótimos, mas mesmo tendo esse respeito no cenário mundial, acho que mesmo dentro do Brasil o fato da gente não ter nenhuma conquista no hockey no gelo, o pessoal falava ‘ah, mas é só inline.’ Acho que para dentro da comunidade brasileira de hockey foi muito importante participar desse campeonato e mais ainda ter ganho essa medalha.
Capelle: Hockey é hockey. É claro que existe uma transição, alguns que podem e jogam no gelo todo dia, outros ficam um ano sem jogar e põem os patins, mas o time evoluiu muito e hoje eu tenho a maior felicidade de ter essa medalha aqui. A gente está no país do futebol, mas uma medalha assim acho que é a mais importante que eu tenho.
Hämmerle: A gente está tentando crescer o esporte, mas tem que ser aos poucos, tem que ter paciência, a gente tem que fazer o que a gente pode e da melhor maneira possível. Daqui a pouco aparecem aí os caras que são melhores que eu, que o Bruno, que o Fifo, o Degani, e vão tomar o nosso lugar, mas alguém tem que começar.
Hinderlie: Foi ótimo ter aquele primeiro torneio de experiência como um time de verdade e eu sinto que muitos dos jogadores achavam que as coisas iam mudar e talvez teria um pouco mais de estrutura e organização, e até hoje isso é difícil, porque não tem um rinque de verdade.
Hämmerle: Hoje a gente está colhendo um pouco dos frutos do que gente fez em 2015. Porque se você for parar pra pensar, o que a gente fez em 2015 não vai trazer frutos em 2016. Nada funciona tão rápido desse jeito.
Hinderlie: Estou animado com o que vai acontecer. Tenho esperança de que como organização a gente possa dar mais oportunidades ao maior número de pessoas possível para jogar esse jogo fantástico. É o melhor esporte coletivo porque você precisa sempre ter certeza de que todos estão na mesma página. Porque se você tem pessoas que são só passageiros e não trabalham junto com o resto, você não vai tem um time de sucesso. Eu acho que o hockey no gelo é um modelo para ajudar as pessoas, no geral, unir todo mundo, porque vivemos em um mundo politizado agora em que tudo é tão dividido e chega a ser repugnante, e eu penso que é ótimo ter um esporte como o hockey, em que você pode colocar tudo de lado e trabalhar em equipe e tentar conquistar algo maior do que você. Isso é o que eu sempre falei para o pessoal, não é sobre você como indivíduo, é sobre o time, sobre todos se unindo e trabalhando duro e usando seus dons e talentos para ajudar o time. Nem todo mundo vai ser um artilheiro, mas você pode entrar no gelo e, se você estiver se movimentando e se esforçando, você pode fazer coisas boas acontecerem, e isso, no final, é o que significa ser um jogador de hockey de sucesso.
*: depoimento editado pós-entrevista, a pedido da fonte.