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  • Dobradinha canadense em Sochi 2014

    Dobradinha canadense em Sochi 2014

    O ano de 2014 chegou e, junto com ele, as Olimpíadas de Inverno. Desta vez, o país sede foi a Rússia, mais precisamente em Sochi. Como de costume os Jogos de Inverno aconteceram em fevereiro, e essas Olimpíadas ficaram marcadas, não somente por ter sido a última em que jogadores da NHL puderam participar, como também pelo escândalo de doping que traria consequências anos depois. 

    Escolhida como sede em 2007, as Olimpíadas na Rússia foram a mais cara já realizada. O país estourou o orçamento original de 12 bilhões de dólares em mais de quatro vezes, somando 51 bilhões de dólares gastos na preparação e realização do evento. Em uma das edições mais memoráveis dos Jogos Olímpicos de Inverno, acredita-se que bateram recorde de transmissão ao alcançar um público de 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo. 

    Ao todo, foram 98 competições, divididas em 15 modalidades de 7 esportes. Um total de 88 países participantes e 2.871 atletas. Dessa forma, o número de pessoas envolvidas na realização dos jogos fez com que o evento se tornasse a maior edição das Olimpíadas de Inverno até aquele ano. 

    O país anfitrião foi o campeão de medalhas. A Rússia conquistou ao todo 29 medalhas, destas 11 de ouro, nove de prata e nove de bronze. Em seguida ficou a Noruega com 26 medalhas, e o Canadá em terceiro lugar, com 25 medalhas.

    Entretanto o que não esperávamos é que um ano depois viria a público um enorme escândalo de doping protagonizado pela Rússia.

    Pouco após as Olimpíadas, surgiram boatos de adulteração de exames pelo país sede. Em 2015 esse boato foi confirmado através um relatório que alegava manipulação por parte do país nos exames de seus atletas. Com isso, se iniciou uma investigação que resultou com o Comitê Olímpico Internacional punindo o país e desclassificando o mesmo em diversas modalidades.

    A Rússia perdeu diversas medalhas em vários eventos, e está banida de participar de competições internacionais e sediar eventos internacionais até 2023. Entre estas medalhas, 13 são das Olimpíadas de 2014 e, por isso a Rússia saiu do top-3 e os Estados Unidos subiu para terceiro lugar com 9 medalhas de ouro. 

    Cerimônia de Abertura

    A cerimônia de abertura aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2014, no estádio Fisht Olympic, construído especialmente para a cerimônia. Com um público de 40 mil pessoas, o evento contou com aproximadamente duas mil celebridades. Em uma pré-cerimônia, a dupla t.A.T.u e o coral Ministry of Internal Affairs se apresentaram dando início aos eventos. 

    A apresentação utilizou o alfabeto russo,  apresentando ao público mundial as letras do idioma e o mesmo era ligado a referências de grandes nomes russos e pontos turísticos. O hino nacional foi cantando por um coral de 240 voluntários usando roupas que tinham como referência as cores da bandeira russa.

    Com vários elementos da cultura russa, incluindo performances baseadas em livros russos, a cerimônia contou com diversas homenagens e, em seguida, o presidente Vladimir Putin declarou o início dos jogos.   

    Vladislav Tretiak, ex-goleiro da seleção russa. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    A bandeira dos jogos foi entregue por oito porta-bandeiras e o hino dos jogos olímpicos foi cantando em russo pela cantora de ópera Anna Netrebko.

    A famosa tenista Maria Sharapova foi a responsável por levar a tocha olímpica ao estádio. Para a corrida final, um ex-jogador de hockey foi o responsável em levar a tocha para acender o caldeirão olímpico. Desta vez, o escolhido foi o ex-goleiro da seleção Vladislav Tretiak, atual presidente da Federação Russa de Hockey no Gelo. 

    Modalidade Feminina 

    A competição feminina daquele ano entrou pra história da modalidade quando, pela primeira vez, a final precisou ir para overtime. Novamente, as seleções foram divididas em dois grupos de quatro equipes. Canadá, EUA, Suíça e Finlândia ficaram no grupo A, enquanto o grupo B era composto pelas equipes da Rússia, Suécia, Alemanha e Japão. 

    Seleção feminina canadense com a sua medalha de ouro. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Para as seleções norte americanas, foi um replay das Olimpíadas de 2010. Ambas as seleções rivais declaradas corriam atrás do ouro. O Canadá queria sua quarta medalha consecutiva enquanto os EUA queriam sua primeira medalha de ouro olímpica desde 1998.

    Com jogadoras já conhecidas pelo público, ambas as seleções ganharam com uma boa margem de gols de seus adversários na primeira fase. Com jogadoras como Hilary Knight, Alex Carpenter, Brianna Decker e Kendall Coyne Schofield, a seleção dos EUA marcou 14 gols em apenas três jogos. A seleção canadense marcou 11 gols em três jogos com alguns deles sendo pelas estrelas Marie-Philip Poulin, Hayley Wickenheiser, Meghan Agosta-Marciano e Rebecca Johnston. 

    A final, novamente o clássico entre EUA e Canadá, foi acirrada. Para completar o cenário, o Canadá ainda não sabia, mas iria ver novamente Poulin brilhar no gelo.

    Em uma partida mais tensa que a final de 2010, ambos os times brigavam pela tão desejada medalha. A seleção dos EUA saiu na frente com um gol de Meghan Duggan, abrindo o placar no segundo período. Este foi seguido de um gol da central Carpenter, que deixou o placar 2 a 0.

    Entretanto, a seleção canadense não desistiu e no final do terceiro período conseguiu marcar dois gols: o primeiro de Brianne Jenner e o segundo de Poulin.

    O empate não deu outra alternativa a não ser um overtime. Foi quando Marie-Philip impressionou a torcida e brilhou outra vez. A responsável pelo gol da vitória da Olimpíada anterior mostrou por que estava ali e marcou novamente o gol dae ouro para a sua seleção.

    Assim a equipe feminina do Canadá se consagrou com a quarta medalha olímpica de ouro.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe canadense também viu um replay do último torneio, para a equipe do EUA não se pode dizer o mesmo.

    A quantidade de equipe e grupos seguiu o padrão do evento anterior, três grupo com quatro seleções cada, totalizando 12 países. Equipes como a do Canadá e do EUA eram compostas 100% por jogadores da NHL, enquanto a seleção da Suécia, que conquistou a prata, tinha somente um jogador que não pertencia a Liga norte-americana. 

    Com nomes como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr e Mats Zuccarello, o gelo olímpico estava bem recheado de estrelas.

    O evento também contou com jogadores que apesar de não estarem na Liga na época, já tinham brilhado e um dia voltariam a brilhar, como Alexander Radulov e Ilya Kovalchuk.

    Com pelo menos 50% de jogadores da NHL, as seleções da Rússia, Eslováquia, Finlândia, República Tcheca e Suíça também tinha equipes bem representadas e deram duro fazendo o que sabem melhor: dar um show no gelo.

    Infelizmente para estas seleções, mesmo com tantas estrelas, a disputa foi forte.

    As seleções de Noruega, Áustria, Eslováquia e Suíça não conseguiram se classificar para a fase final. Com a disputa ainda mais acirrada para as equipes restantes, os jogadores tiveram que redobrar o esforço, o que não foi suficiente para que Eslovênia, Letônia, República Tcheca e a anfitriã Rússia continuassem na disputa das semifinais.   

    Suécia e Canadá venceram nas semifinais e foram para a grande partida em busca do ouro, enquanto a seleção dos EUA e da Finlândia disputavam a medalha de bronze.

    Para a Finlândia, foi a oportunidade perfeita para mostrar seu valor, e o time conquistou o terceiro lugar no torneio com uma vitória por 5 a 0.

    Partida final entre as seleções do Canadá e da Suécia. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Na final, mais uma vez ficou claro por que o Canadá é chamado de país do hockey.

    Com Carey Price na rede e gols dos atacantes Jonathan Toews, Chris Kunitz e do capitão Sidney Crosby, a seleção norte-americana deu um show e garantiu sua nona medalha de ouro olímpica, e a quarta conquista seguida.

    O jogador finlandês Teemu Selanne foi eleito MVP do torneio, enquanto Price ganhou como melhor goleiro, Phil Kessel, melhor atacante e Erik Karlsson, melhor defensor.

    Essa foi a última vez que os fãs puderam assistir a jogadores da NHL brilharem nas Olimpíadas de Inverno. A Liga baniu a participação de seus atletas no último evento, em PyeongChang 2018, e ainda não há um acordo sobre a próxima edição.

    Já na modalidade feminina, muitas das jogadoras continuam na ativa e é possível vê-las brilhar no gelo tanto nas Ligas Europeias quanto na NWHL e na PWHPA, a Associação com a qual as jogadoras viajam a América do Norte promovendo o esporte.   

    Foto: Reprodução/olympic.org 

  • Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Há duas semanas George Floyd foi morto por um policial branco, Derek Chauvin, de forma brutal, enquanto pedia por socorro diversas vezes. A morte de Floyd gerou diversos protestos em várias cidades dos EUA e do mundo contra o racismo e a violência policial sofrida pela comunidade negra. 

    Todo este acontecimento, somado as denúncias de abuso sofridas pelo jogador Akim Aliu (que vieram à tona em novembro), fizeram surgir diversas questões sobre o racismo no hockey. A maior parte delas em torno da postura assumida pela própria NHL diante de tais absurdos. Além disso,  o silêncio ensurdecedor da maior parte dos jogadores da Liga foi bastante criticado. 

    E então, após todas as observações, passamos a nos perguntar: o hockey é mesmo para todos?

    Infelizmente, a resposta para essa pergunta ainda é não. E por que é não? Porque ainda falta representatividade e aceitação desta pela comunidade do hockey, que apesar de já estarmos no século XXI, tem seus valores pautados em uma cultura excludente. 

    Primeiramente, precisamos começar este texto ressaltando algo muito importante: O hockey ainda possui uma cultura muito forte baseada em valores do século passado, que acompanham o esporte desde seus primórdios. E apesar desta, em alguns momentos, influenciar de forma positiva no esporte, fazendo com que este seja diferente dos demais, ela também se torna excludente. O texto de Akim Aliu, postado no The Players Tribune no dia 19 de maio, apesar de serem palavras difíceis de digerir, aborda muito a parte negativa do que essa cultura do esporte acaba trazendo. 

    Muito mais do que a NHL

    Akim retrata, claramente, todo o preconceito que sofreu durante não só sua passagem na NHL, mas também nos juniores. Dessa forma, acredito que seja importante iniciar a reflexão por aqui. Crianças absorvem tudo que o que escutam, e se desenvolvem sendo um reflexo de tudo que as foi ensinado desde o dia em que nasceram. A partir do momento em que alguém as ensina que pessoas negras não merecem estar dentro do hockey, e o discurso se torna contínuo nos ambientes em que frequentam, a probabilidade de elas o repetirem é enorme. 

    Essas crianças saem do Pee-Wee hockey para os juniores, passam pelo College Hockey e chegam até a NHL ainda escutando e reproduzindo o mesmo discurso, que continua a ser reforçado por muitos a sua volta. Adquirem também a consciência de que o abuso de poder e discriminação que executam é o correto. E então, futuramente, quando nos deparamos com relatos como os de Akim Aliu e Evander Kane, as coisas voltam novamente a fazer sentido. Esses relatos contam claramente o preconceito racial que estes jogadores sofreram dentro de vestiários, por parte de colegas de time, devido a cor da pele que possuem. Discriminação essa que ainda sofrem exercendo seu trabalho dentro do gelo, e que na maioria das vezes passa impune. Portanto, isso tudo volta a nos provar um outro ponto: a NHL ainda não aceitou por completo a diversidade e representatividade que o hockey tanto precisa. 

    É muito importante citar que o hockey é um reflexo da sociedade em que vivemos. Essa que ainda é extremamente racista. Ainda existem pessoas no mundo que não entendem que qualquer tipo de discriminação por raça, cor, gênero e sexualidade não são mais bem vindas no século 21. É necessário esquecer esses atos baseados em ódio no passado, para que apenas assim todos possamos evoluir, e deixar, por fim, qualquer tipo de preconceito para trás. 

    Todavia não podemos esquecer do papel da NHL na causa. Por ser uma Liga que já se declarou abertamente contra qualquer tipo de preconceito, criando um programa que tem o intuito de fazer com que todos sejam bem vindos ao hockey, é papel da mesma agir de acordo com as diretrizes que prega. Desta forma, mostrar que a inclusão proposta vai muito além de apenas trazer visibilidade para estas causas durante o black history month. O racismo no hockey não acontece apenas durante um mês. Ele se faz presente sempre, dos juniores ao profissional. É visível. Os relatos dos jogadores não mentem. 

    Posição dos atletas

    Mesmo com as diretrizes da Liga ser inclusiva, ainda assim, notamos a falta de engajamento e empatia de jogadores e de muitos torcedores com a causa. Quando as acusações de Aliu vieram a público, acumularam-se dias até que a Liga se manifestasse com uma nota de repúdio aos atos. Mas além de uma nota de repúdio, e o envolvimento com a causa apenas durante um mês do ano, nada mais foi feito. 

    Um jogador que dedicou, e ainda dedica, grande parte de sua vida ao hockey, teve coragem o suficiente para vir a público relatar os abusos e racismo que sofreu durante a sua jornada no esporte e, em troca, obteve o silêncio de muitos times e colegas. E o silêncio nessas horas é ensurdecedor. Deve ser gritante quando se olha para trás, e nota-se que a maior parte da comunidade do hockey, que prometeu estar ali por você, virou as costas para todo o sofrimento e humilhação feitos apenas devido a cor da sua própria pele. E isso é errado de tantas formas.

    Por isso é de extrema importância que os jogadores brancos da NHL se pronunciem. Que mostrem aos seus times e torcedores o quanto a conduta racista é errada e precisa ser desprezada e condenada. Existem pessoas que fazem destas figuras os seus ídolos, que os assistem e seguem em mídias sociais. E se partir deles a iniciativa de influenciar de maneira positiva àqueles que os acompanham, e, desta forma, outros acabarem fazendo o mesmo, a mudança finalmente passa a acontecer. 

    George Floyd: a brasa de uma fogueira

    Mas ao falar de esporte não podemos esquecer que tudo está dentro de um contexto. Quando ocorrem acontecimentos de tamanha grandiosidade como os protestos neste exato momento nos EUA, que envolve injustiça e discriminação com uma comunidade que a Liga declarou que apoia, o silêncio volta a ser gigantesco. Ele volta a dizer coisas que não foram ditas, e que passam a ficar claras. Esta é a hora de falar, de se posicionar, pois em momentos como estes o silêncio pode ser conivente com o lado que não é certo. 

    Alguns jogadores da NHL, que entendem seus privilégios como brancos dentro da sociedade e do esporte, tomaram a iniciativa de finalmente quebrar o silêncio. A primeira  mensagem foi feita por Nolan Patrick, no Instagram, se sensibilizando com a morte de George Floyd, no dia do ocorrido. A partir disso, tivemos os tweets de Evander Kane que acabaram movimentando Logan Couture, Blake Wheeler e outros jogadores a virem a público explanar suas condolências e indignação com o sistema racista em que vivemos. E quando um jogador de alto escalão fala, outros também acabam sendo inspirados com a necessidade de expressar, dando assim mais voz à luta. Uma importante ação, mas que não deve ser ovacionada, pois é obrigação destes, como seres humanos e influenciadores, apontar e condenar a discriminação racial.

    https://twitter.com/Logancouture/status/1266808775140237312?s=20

    No dia 31 de maio, às 23:24 (horário de Brasília), a NHL finalmente veio a público se pronunciar e repudiar os atos racistas. Afirmou também que irá trabalhar mais para que hajam mudanças em relação às discriminações ainda propagadas no esporte. E por fim, encorajaram os jogadores e clubes a usarem suas plataformas e privilégios para ajudarem na mudança.

    E um destes passos em relação à mudança finalmente foi dado. Na manhã de ontem (08), sob a liderança de Akim Aliu e Evander Kane foi criada a Hockey Diversity Alliance. Contando também com a participação de Matt Dumba, Wayne Simmonds, Trevor Daley, Chris Stewart e Joel Ward, a iniciativa vem com a intenção de promover diversidade no hockey e erradicar o racismo presente no esporte. No pronunciamento, os jogadores voltaram a anunciar que querem não só trazer mudanças positivas para o hockey, mas também para a sociedade. 

    O comitê, formado apenas por homens, fez surgir alguns questionamentos sobre o porquê de não existirem também mulheres negras sendo representantes. Saroya Tinker, jogadora do Metropolitan Riveters, da NWHL, foi a primeira a se manifestar em relação ao assunto. E seguidamente, revelou em seu twitter que Evander Kane havia entrado em contato para que fosse feita a integração de mulheres no comitê. Outro grande passo em relação a mudança. 

    Alguns dos posicionamentos, como por exemplo os de Jonathan Toews, Tyler Seguin, e Patrice Bergeron, mostraram a sinceridade nas palavras dos jogadores e ações tomadas que valem a pena serem destacadas (mas não louvadas). 

    Toews direcionou suas palavras a todas as pessoas brancas, que possuem privilégios devido a cor de sua pele. Foi pontual ao defender os protestos, e o porquê de serem necessários da maneira que estão acontecendo. Por fim, o capitão dos Hawks usou suas plataformas para pedir que seus seguidores, e torcedores do clube, abram os olhos para o racismo e usem a suas vozes para dar um novo rumo a esta situação: um rumo melhor. 

    Tyler Seguin usou de seu Instagram e Twitter, no domingo, para compartilhar algumas palavras. O jogador demonstrou sua repulsa com os atos racistas crescentes na América e se comprometeu a ser uma voz aliada na luta contra a discriminação racial. Mas o mais surpreendente foi o ver o jogador participar de um dos protestos que ocorreram em Dallas, TX. A cidade, localizada em um dos estados mais segregantes dos EUA, parou neste mesmo dia em uma silenciosa homenagem a George Floyd.

    https://twitter.com/tseguinofficial/status/1268679325076918272?s=20

    Já Patrice Bergeron, por não ter nenhum tipo de mídia social, utilizou as dos Bruins para se posicionar. Ele lamentou a morte de George Floyd, e a de tantas antes dele, que ocorreram de forma injusta em função da sociedade racista em que vivemos. No entanto, Bergeron foi além das palavras e doou 25 mil dólares para duas instituições nos EUA e Canadá que lutam contra a discriminação racial. 

    Três jogadores brancos, e alguns outros, vieram a público utilizar suas plataformas, com milhares de seguidores, para serem aliados na luta contra o racismo. E a importância de fazerem isso é absurda. Principalmente no hockey, onde muitas pessoas ainda se recusam a falar sobre o racismo e a reconhecê-lo. 

    Racismo é pauta no hockey

    Em uma entrevista para o The Athletic, Evander Kane ressaltou que muitos ainda não enxergam que o racismo seja um problema no hockey e o quanto ele afeta a vida dos jogadores negros que disputam pela Liga Nacional de Hockey. 

    “Pessoas acabam dizendo ‘você está procurando’ e ‘você está procurando algo que não existe, é besteira.’ Não é dessa maneira para mim, ou para nós. […] Muitas pessoas gostam de fingir que isso não acontece. Que isso não existe. E esse é o problema.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Ele também voltou a ressaltar na entrevista que muitos dos jogadores negros da NHL pensam da mesma forma. No entanto, a discussão sobre o assunto quase nunca acaba pública por medo das consequências as quais estão destinados. Seja o risco de ter um contrato terminado, ou não ser chamado dos minors para o profissional. O medo de ter a carreira sabotada sempre se encontra presente.

    “Como minoria, há mais a se levar em conta para nós. Não importa quantas vezes as pessoas queiram, digam que somos todos iguais e somos todos uma equipe…Ainda não somos tratados da mesma forma. E não apenas no hockey, mas no mundo, que é algo pelo qual estamos lutando: sermos tratados como iguais e obter oportunidades iguais.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Kane voltou a dizer que a melhor maneira de a comunidade do hockey ser uma aliada na luta contra o racismo é conversar sobre as questões raciais presentes no esporte. Aprender com aqueles que têm sofrido com o peso da discriminação na pele todos os dias, usar suas próprias plataformas para serem vozes. E após muito tempo, isso felizmente está acontecendo. 

    Ontem à tarde, a própria comunidade do hockey se reuniu em um vídeo, publicado pelo jornalista Anson Carter, com o intuito de utilizar as vozes de grandes nomes no mundo do hockey para fortalecer a luta contra o racismo. O vídeo, onde, juntos, todos pronunciam a frase “Você não precisa se parecer com George Floyd para entender que o que aconteceu com ele está errado”, contou com a presença de nomes como Henrik Lundqvist, Patrick Kane, Sidney Crosby, Quinn Hughes, Angela James, Leon Draisaitl e outros mais. 

    https://twitter.com/ansoncarterla/status/1268948428077359104?s=21

    Pronunciamentos são importantes, principalmente vindo de pessoas tão reconhecidas na Liga. Mas mais do que apenas notas de repúdio, este é o momento de agir, aprender, e fazer mais do que apenas um texto, ou postar uma tela preta nas redes sociais. É o momento de usar esta influência para fazer com que o jogo vire. 

    “A primeira coisa que você precisa entender é que as pessoas são mais preocupadas em parecer uma boa pessoa do que ser uma boa pessoa. Sim, eu disse ontem algo bom, mas é sobre ser um boa pessoa e dar os próximos passos. É falar com nossa equipe e pessoas que trabalham com nossa equipe sobre o próximo passo. O que fizemos foi bom, mas não é o suficiente. É [preciso] chegar e entender. Eu entendo a essência, mas quero saber mais sobre o fundo deste mundo e a sociedade com a qual os negros têm que conviver, mas não se sentem confortáveis em estar.”

    Tyler Seguin, para o The Athletic

    Falta de espaço da Liga

    Atualmente, menos de 10% dos jogadores profissionais da Liga são negros. Portanto é preciso entender que existe uma problemática neste número. O problema é muito maior do que apenas o incentivo para a prática do esporte, e envolve questões sociais muito maiores e profundas. Mas, ainda sim, seria muito bem-vindo se a NHL se envolvesse mais com a diversidade no hockey. Se existisse um maior envolvimento com as minorias do que apenas um mês ou uma noite. 

    Criação de programas, apoio e envolvimento com a causa precisam se tornar coisas presentes no rule book da NHL. Entender que uma iniciativa que tenha o intuito de contar a história dos negros no esporte precisa ser feita com os jogadores negros. Pessoas que possuem o lugar de fala e irão retratar melhor do que ninguém suas experiências. Por fim, tomar a iniciativa de fazer com que esses jogadores falem abertamente sobre a discriminação que sofreram devido a cor da sua pele, e mostrar para seus torcedores que essa conduta é completamente errônea, e não deve se prolongar. 

    No entanto, apesar de a iniciativa ter sido feita, ainda é difícil aceitar que, em décadas de existência, a NHL só tenha iniciado o Black History Month há 2 anos. É importante contar as histórias de jogadores como Willie O’Ree, e todos os outros que vieram depois dele. As pessoas passam a gostar de um esporte quando se identificam com este. E como um jovem negro irá se identificar com um esporte o qual não possui representação alguma da sua comunidade? 

    O racismo no hockey é sim um reflexo da sociedade em que vivemos. Mas é necessário que a NHL, como maior Liga de hockey no mundo, admita que existe um problema no fato de que os jogadores negros presentes na Liga sejam menos do que a soma dos dedos de duas mãos juntas. É necessário investimentos por parte da NHL, e de jogadores que possuem grande influência, nas comunidades, para que assim possam existir mais grandes influências no hockey como PK Subban, Evander Kane, Ryan Reaves e Anthony Duclair.

    É preciso que a Liga entenda o seu alcance, quantas pessoas se inspiram em seus jogadores, e seja parte da mudança. Mudar a consciência e o posicionamento de um adulto muitas vezes é difícil, mas a sua influência pode alcançar a próxima geração de futuros jogadores de hockey que, atualmente, são crianças e estão em fase de aprendizado. Elas se inspiram em seus ídolos. E se estes nomes começarem a espalhar a mensagem da importância da representatividade, as coisas podem começar a finalmente caminhar para frente. 

    O hockey é um esporte incrível. Existe uma comunidade inteira de torcedores apaixonados e engajados com seus times e com todos que já fizeram parte do hockey. Mas ainda existe uma cultura que acaba censurando e que é seletiva. Ainda existe o fato gritante de que 80% dos jogadores da NHL são brancos. E coisas assim não são apenas mera coincidência. Histórias como a de Akiu Alim não são as únicas. 

    Atualmente, o hockey não é para todo mundo. Mas pode ser. Alguém só precisa dar o primeiro passo em direção a mudança para que, só assim, esteja claro que o hockey é para quem quiser ser parte do hockey. 

    Foto: Reprodução/espn.com

  • Draft Class de 2013: onde estão

    Draft Class de 2013: onde estão

    O draft de 2013 aconteceu na cidade de Newark, em New Jersey. A janela de elegibilidade para a seleção ia até 15 de setembro de 1995, com Nathan MacKinnon sendo um dos atletas mais jovens disponíveis. O top 3 seria composto por Colorado Avalanche, detentor da primeira escolha, seguido por Florida Panthers e Tampa Bay Lightning. 

    Embora nenhum defensor tenha sido escolhido no top 3, o primeiro do ranking de patinadores norte-americanos daquele ano foi o estadunidense Seth Jones, que atuava no Portland Winterhawks da Western Hockey League (WHL). Já na Europa o primeiro ranqueado fora Aleksander Barkov, finlandês do Tappara da SM-liiga. 

    NATHAN MACKINNON, C, COLORADO AVALANCHE (#1 overall): o Top Dogg do Colorado

    O center, que atualmente dispensa apresentações, foi a segunda primeira escolha da pequena Cole Harbour, cidade na região metropolitana de Halifax, Nova Escócia. Oito anos antes, Sidney Crosby havia sido escolhido primeiro pelo Pittsburgh Penguins, e MacKinnon cresceu tendo o conterrâneo como seu ídolo maior. O atleta também seguiu os passos de Crosby ao optar pelo internato Shattuck St. Mary’s em Minnesota, que possui um importante programa de hockey, onde estudou e jogou por dois anos.

    A carreira de Nathan antes da NHL teve seu ápice nos anos em que o canadense defendeu a equipe da Quebec Major Juniors Hockey League (QMJHL) de sua cidade natal, o Halifax Mooseheads. Aos dezesseis anos o jogador conseguiu se destacar em uma liga com atletas de 18 e 19 anos, que tinham mais experiência e mais maturidade física do que ele. No seu ano de elegibilidade para o draft, os Mooseheads foram campeões da Memorial Cup, troféu da Canadian Hockey League (CHL) e MacKinnon foi selecionado como MVP.

    A primeira temporada do center na NHL resultou em um Calder Trophy e a experiência de uma rodada de playoffs. Entretanto, nas temporadas seguintes o canadense fez 38, 52 e 53 pontos, respectivamente, e o seu Colorado Avalanche teve atuações tenebrosas que incluíram a pior campanha da história da Liga. Ainda assim, no final de 2016, o jogador estendeu seu compromisso com os Avs por mais sete anos, com um salário anual de cerca de 6,3 milhões de dólares por ano.

    Com o início da temporada 2017/2018, MacKinnon passou a produzir como um MVP, fazendo 97 pontos e se tornando finalista do Hart Trophy. Já no ano seguinte o center aumentou sua pontuação, com 99 pontos, e chegou até o segundo round dos playoffs com os Avs. Antes da paralisação causada pelo COVID-19, o canadense havia feito 93 pontos em 63 jogos, se mantendo entre os favoritos para o Hart Trophy. 

    ALEKSANDER BARKOV, C, FLORIDA PANTHERS (#2 overall): Panther King

    O finlandês, que possui ascendência russa, iniciou sua carreira no Tappara da SM-liiga em 2011, quando se tornou o mais jovem a pontuar na liga finlandesa. Embora o atleta tenha tido sua temporada de elegibilidade encerrada por uma lesão, ele manteve seu ranking de melhor patinador europeu. Dessa forma, foi escolhido em segundo pelo Florida Panthers.

    Apesar de um início promissor, as primeiras temporadas de Barkov na Liga resultaram em pontuações medianas, com 24 e 36 pontos. Entretanto, conforme o center foi desenvolvendo seu jogo, sua ofensividade acompanhou esta evolução. Embora seja conhecido por seu jogo dúplice, por ser altamente competente na zona defensiva, o finlandês foi encontrando cada vez mais sucesso no placar.

    No início da temporada 2018/2019 Barkov foi nomeado capitão do Florida Panthers, um verdadeiro marco para a jovem carreira do center. Além disso, o finlandês passou a figurar cada vez mais nas listas de prováveis indicados e até mesmo ganhadores do Selke Trophy, dado ao melhor jogador defensivo da NHL. Em junho de 2019 Barkov venceu seu primeiro troféu, o Lady Byng Memorial Trophy, para aquele que teve o maior espírito desportivo e conduta positiva no gelo.

    JONATHAN DROUIN, LW, TAMPA BAY LIGHTNING (#3 overall): de garoto problema a queridinho da sua cidade natal

    O quebecois Drouin foi companheiro de Nathan MacKinnon no Halifax Mooseheads e ganhou a Memorial Cup de 2013 com ele. Além disso, o winger foi eleito o jogador do ano da CHL na temporada 2012/2013. Após ser escolhido em terceiro pelo Tampa Bay Lightning em 2013, Drouin fez parte do training camp da equipe, mas foi cortado no início da temporada, retornando ao Halifax Mooseheads e à QMJHL para adquirir mais experiência.

    O jogador fez sua estreia na NHL em outubro de 2014 e disputou 70 partidas naquela temporada. Entretanto, no ano seguinte lesões fizeram com que ele competisse em pouquíssimos jogos e no início de 2016 o winger foi enviado ao Syracuse Crunch da American Hockey League (AHL) sem previsão de retorno à Liga. Insatisfeito com a situação, seu empresário informou à imprensa que Drouin havia pedido para ser trocado em novembro de 2015. A situação do canadense no clube ficou cada vez mais complicada quando ele não se apresentou ao Crunch e foi suspenso sem receber salário.

    Drouin se apresentou à equipe apenas três meses depois, em março de 2016, participando de quase um mês das atividades na AHL. No início de abril ele retornou aos Bolts, participando do final da temporada e da campanha nos playoffs daquele ano. Mesmo com uma boa campanha em 2016/2017, a relação do canadense com a administração do clube já não era a mesma desde o ano anterior. Assim, na intertemporada de 2018 o winger foi trocado para o Montreal Canadiens em uma transação que levou o jovem defensor Mikhail Sergachev ao Lightning. Nos Habs, o jogador assinou um contrato de seis anos avaliado em 33 milhões de dólares.

    SETH JONES, D, NASHVILLE PREDATORS (#4 overall): de coadjuvante em Music City a estrela em Cowtown

    Filho de um jogador de basquete profissional, Jones tomou gosto pelo hockey durante sua infância em Denver, no Colorado. Durante a adolescência, o defensor fez parte do United States National Team Development Program (USNTDP) e dois anos depois ele precisou optar entre jogar na Western Hockey League (WHL) ou competir no hockey universitário. Embora houvesse a expectativa de que ele decidisse pela University of North Dakota, Jones optou pelo Portland Winterhawks da WHL, perdendo sua elegibilidade universitária.

    Embora tenha perdido para o Halifax Mooseheads de MacKinnon e Drouin na final, o defensor terminou a temporada como o primeiro do ranking de patinadores da América do Norte. Ainda assim, o americano foi selecionado apenas em quarto pelo Nashville Predators. Embora Jones tenha estreado na NHL imediatamente após ser draftado, algo que raramente ocorre com jogadores da sua posição, o jovem defensor não encontrou espaço em uma defesa com tantos nomes importantes quanto a de Nashville. 

    Por isso, em janeiro de 2016 os Preds trocaram Jones por Ryan Johansen, um center, e o americano foi mandado para o Columbus Blue Jackets. Em Ohio, onde o defensor passou a ter mais espaço, o jogo de Jones floresceu. Nas temporadas seguintes ele se transformou não apenas no principal d-man da sua equipe, como em um nome importante na sua posição em toda a Liga. Atualmente o americano é parte essencial da blue line dos Jackets e costuma ser o jogador com mais tempo de gelo nas partidas da equipe. 

    JOSH MORRISSEY, D, WINNIPEG JETS (#13 overall): o último dos defensores (em Winnipeg)

    O defensor canadense iniciou sua carreira na WHL com o Prince Albert Raiders na temporada 2010/2011, equipe que defendia quando foi draftado por Winnipeg em 2013. Na temporada 2014/2015 Morrissey foi trocado para o Kelowna Rockets, onde venceu o campeonato da WHL e chegou à final da Memorial Cup. Embora ele tenha disputado algumas partidas pelo St. John IceCaps da AHL em 2014, foi só na temporada 2015-16 o jogador só passou a defender a equipe do Manitoba Moose, novo afiliado dos Jets,  em tempo integral.

    Morrissey fez sua estreia na NHL em março de 2016 e se tornou uma figura frequente no plantel de Winnipeg a partir da temporada seguinte. Com o êxodo de nomes importantes da blue line dos Jets, como Jacob Trouba e Dustin Byfuglien, o canadense se tornou ainda mais importante para a sua equipe. Por isso, na pré-temporada de 2019 ele estendeu seu compromisso com os Jets por mais oito anos, com um salário de 6,25 milhões anuais.

    ANDRE BURAKOVSKY, LW, WASHINGTON CAPITALS (#23 overall): adeus, Capitólio. Olá, Montanhas Rochosas. 

    A estreia profissional do sueco ocorreu na temporada 2011/2012 com o Malmo Redhawks, na liga que funciona como a segunda divisão do hockey na Suécia. Embora ele tenha sido draftado pelo SKA Saint Petersburg da Kontinental Hockey League (KHL) em 2012, Burakovsky permaneceu em seu país natal durante seu ano de elegibilidade para o draft da NHL. 

    Após ser escolhido pelo Washington Capitals o winger optou por jogar na Ontario Hockey League (OHL), onde defendeu o Erie Otters e jogou ao lado de Connor McDavid. O sueco estreou pelos Caps na temporada seguinte, onde atuou por cinco anos. Durante sua jornada na capital americana Burakovsky sofreu muitas críticas por não corresponder às expectativas que existiam sobre ele. 

    Com uma média de 30 e poucos pontos por temporada, o winger foi perdendo cada vez mais espaço na equipe. Entretanto, foi peça importante na trajetória da equipe até a conquista da Stanley Cup em 2018. Na intertemporada de 2019 o sueco foi trocado para o Colorado Avalanche, onde viu sua carreira se revitalizar e chegou à marca inédita de 45 pontos em apenas 58 jogos, alcançando os vinte gols pela primeira vez na carreira.

    JAKE GUENTZEL, C, PITTSBURGH PENGUINS (#77 overall): modo playoffs – carregando

    Diferentemente dos top prospects americanos, Guentzel não fez parte do USNTDP e jogou pela sua escola de ensino médio no torneio estadual de Minnesota, estado onde cresceu. Após finalizar o colegial o jogador optou por defender a Universidade de Nebraska Omaha, onde estudou e jogou durante três anos. Sua estreia profissional ocorreu em 2016 com o Wilkes-Barre/Scranton Penguins da AHL, e o primeiro jogo do winger na NHL foi em novembro daquele mesmo ano.

    Mesmo não tendo o pedigree de ter sido selecionado no primeiro round, tampouco no segundo, Guentzel mostrou sua importância para a equipe de Pittsburgh quando foi uma das peças mais importantes na conquista da Stanley Cup em 2017. Com 21 pontos na pós-temporada, Guentzel igualou o recorde de pontuação de um rookie nos playoffs da Liga. 

    Na temporada seguinte o americano marcou os mesmos 21 pontos em menos da metade dos jogos, mas em 2018/2019 seu aproveitamento (assim como o da equipe) caiu nos playoffs. Em 2019/2020 Guentzel sofreu uma lesão no ombro que o tiraria do rinque de quatro a seis meses, mas a paralisação da Liga devido ao COVID-19 pode significar que ele esteja pronto assim que a NHL retornar. Nesta temporada o americano soma 43 pontos em 39 jogos.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Elias Lindholm, C, Carolina Hurricanes (#5 overall): foi trocado para o Calgary Flames juntamente com Noah Hanifin na transação que levou Dougie Hamilton e Micheal Ferland a Raleigh.

    Bo Horvat, C, Vancouver Canucks (#9 overall): se tornou o capitão da equipe que defende no início da temporada 2019/2020 em uma cerimônia emocionante.

    Max Domi, C, Phoenix Coyotes (#12 overall): venceu a Memorial Cup com o London Knights na companhia de Mitch Marner e foi trocado para o Montreal Canadiens em 2018, com Alex Galchenyuk sendo mandado para os Yotes.

    Jason Dickinson, C, Dallas Stars (#29 overall): desde que passou a fazer parte do plantel da equipe texana, o canadense passou a ser uma figura de liderança na equipe e é tido como o sucessor natural de Jamie Benn, atual capitão dos Stars.

    Brett Pesce, D, Carolina Hurricanes (#66 overall): o defensor foi parte importante da campanha dos Canes nos playoffs do ano passado, quando a equipe chegou na final da sua conferência. Também é uma figura de liderança importante para a equipe de Raleigh.

    Juuse Saros, G, Nashville Predatos (#99 overall): tido como o sucessor do compatriota Pekka Rinne, Saros vem adquirindo cada vez mais experiência na NHL, tendo disputado 31 partidas na temporada 2019/2020.

  • Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Em meio a tantos textos sobre NHL, às vezes esquecemos que boa parte das histórios do hockey não estão na principal liga. Para relembrar momentos curiosos, às vezes é preciso esquecer a NHL um pouquinho e olhar para ligas menores, como a Ontário Hockey League. Que o hockey é um esporte familiar, passado de pai (ou mãe) para filhos, todo mundo sabe. Mas, eventualmente, essas relações familiares nos trazem histórias mais interessantes, como a que vamos explorar neste texto.

    A troca

    Em dezembro de 2013, um curioso caso de trocas aconteceu na OHL.

    Warren Rychel, então GM do Windsor Spitfires, envolveu seu filho Kerby Rychel, em uma troca que só iria trazer resultados para a equipe nas temporadas seguintes. Kerby, junto com o defenssor Nick Ebert, foram enviados para o Guelph Storm em troca do asa esquerda Brody Milne e mais oito picks distribuídos entre os drafts de 2014, 2015, 2017 e 2018.

    Para Kerby e Elbert, o acordo os levou até a final da Memorial Cup pelo Storm naquele ano. Kerby Rychel marcou um total de 51 pontos nos 32 jogos da temporada regular e mais 11 gols nos 20 jogos dos playoffs, enquanto Ebert terminou a temporada com 33 pontos em 38 jogos, além pontos durante os playoffs.

    Para o Windsor Spitfires, Milne conquistou 15 pontos em 40 jogos, mas não permaneceu no time quando a temporada chegou ao fim. Entretanto, as escolhas nos drafts permitiram que os Spitfires se reeinventassem. 

    No draft de 2017, os Spitfires, com a pick de Guelph, adquiriram o atacante finlandês Julius Nättinin. O jogador foi um dos principais responsáveis, após marcar 4 pontos na final, na conqusita pelo Windsor Spifires da Memorial Cup de 2017.

    É claro que os Spitfires gostariam de ter conqusitado um título com Kerby no elenco, entretanto, envolvê-lo na troca em 2013 talvez tenha sido o passo que o time precisava para a conquista de 2017.

    Para Kerby, entretanto, foi a chance de competir nos playoffs em seu último ano no torneio júnior. Ele pôde disputar uma chave decisiva, além de conquistar a Memorial Cup naquela mesma temporada, ainda que com o Guelph Storm. 

    Foto: Reprodução http://www.hometownhockey.ca/

  • Vegas anuncia nome e logo de afiliado na AHL

    Vegas anuncia nome e logo de afiliado na AHL

    Nesta quinta-feira, 28 de maio, o Vegas Golden Knights deu boas vindas ao seu novo time afiliado da AHL. A principal liga de desenvolvimento de jogadores para a NHL apresentou o nome e o logo de seu mais novo membro, o Henderson Silver Knights, baseada na cidade de Henderson, a 26km de Las Vegas. 

    O anúncio foi feito pelo presidente e CEO do Vegas Golden Knights, Bill Foley, em um programa ao vivo de uma hora na KSNV NBC Las Vegas, que também foi transmitido pelas contas do time no Facebook, Twitter, YouTube e Twitch.

    Em fevereiro de 2020, o Vegas Golden Knights anunciou que compraria a equipe afiliada do St. Louis Blues, o San Antonio Rampage. Contudo, o anúncio da identidade do time só foi finalmente divulgados após três meses.  

    A temporada de inauguração será a de 2020-21. A casa dos Silver Knights será a Orleans Arena, localizada no Orleans Hotel and Casino.

    Em 19 de maio de 2020, a cidade de Henderson aprovou um contrato de projeto com a SK Arena, LLC (SK Arena), uma afiliada do Vegas Golden Knights. Dessa forma, avanços no design e construção poderão ocorrer para substituir o Henderson Pavilion até a construção da Orleans Arena ser concluída.

    O logo

    Fonte: https://hendersonsilverknights.com/

    É possível notar algumas semelhanças entre os logos do VGK e seu afiliado.

    No site oficial do time, existe um detalhamento interessante sobre a origem dessa identidade.

    Composto por uma cabeça de cavalo com um capacete em forma de H, inicial da cidade de Henderson, vale ressaltar que as origens medievais do nome da equipe se conectam com as mesmas origens do time principal, Vegas Golden Knights. 

    “O cavalo desempenhou um papel vital na jornada de um cavaleiro para se tornar elite, ajudando nos treinos do cavaleiro, nos aprimoramento das habilidades e no desenvolvimento como todo. Portanto, como o principal afiliado do Vegas Golden Knights, o Henderson Silver Knights se encontra em uma posição idêntica: a de ajudar na jornada de um cavaleiro a se tornar um guerreiro de elite.

    “O cavaleiro a cavalo é um dos símbolos mais intimidantes. Um oponente verdadeiramente temível, o cavaleiro em seu cavalo adotou a mentalidade de sempre avançar e nunca recuar.”

    O time optou por seguir pelas mesmas três cores principais que a equipe da NHL: prata, ouro e preto. Diferentemente de Vegas, no entanto, os Silver Knights não levam o vermelho também em sua identidade.

    “Enfim, os olhos dourados homenageiam o clube em Las Vegas. Os olhos do Silver Knights estão sempre focados em avançar para o nível principal, o Vegas Golden Knights.

    “Além disso, o estado de Nevada também conhecido como Silver State, abriga a maior população de cavalos selvagens do país.”

    Foto: Reprodução NHL.com

  • Novos procedimentos na Loteria do NHL Draft de 2020

    Novos procedimentos na Loteria do NHL Draft de 2020

    A NHL se pronunciou nesta terça-feira (26) sobre seu planejamento para a retomada dos jogos da temporada 2019-20. Além da confirmação do modelo de 24 equipes na pós-temporada, a Liga divulgou também como planeja realizar a loteria do draft de 2020, que determina a ordem das primeiras 15 escolhas no evento.

    Segundo o anúncio do comissário Gary Bettman, o sorteio envolverá as sete equipes já eliminadas com o fim da temporada regular, mais as oito que perderem na Rodada Qualificatória (Qualfying Round) dos playoffs.

    O protocolo estabelece de três a seis sorteios a serem realizados em uma ou duas fases. A possibilidade de uma segunda fase depende dos resultados da primeira.

    A primeira fase está marcada para o dia 26 de junho, antes da Rodada Qualificatória (no caso dela realmente acontecer). Serão feitos três sorteios envolvendo as sete equipes não qualificadas para a pós-temporada, mais as oito posições a serem preenchidas pelas eliminadas no Qualifying Round. Estes oito times serão representados como “escolhas não-atribuídas”.

    Os três sorteios definirão, respectivamente, as 1ª, 2ª e 3ª escolhas do NHL Draft de 2020. Se uma das oito potenciais eliminadas da Rodada Qualificatória for sorteada nesta primeira fase, um novo sorteio será realizado entre estas equipes, após a definição de cada uma delas.

    As chances de vitória na loteria dos sete times já eliminados (listadas abaixo) são baseadas em seu aproveitamento de pontos até o momento da pausa da temporada regular, em 12 de março. A cada sorteio, a probabilidade aumenta proporcionalmente para cada equipe.

    Probabilidade de cada time vencer o primeiro sorteio (percentual de aproveitamento de pontos entre parênteses):

    • Detroit Red Wings (27,5%): 18,5% para a primeira escolha
    • Ottawa Senators (43,7%): 13,5%
    • Ottawa Senators (do San Jose Sharks, 45%): 11,5%
    • Los Angeles Kings (45,7%): 9,5%
    • Anaheim Ducks (47,2%): 8,5%
    • New Jersey Devils (49,3%): 7,5%*
    • Buffalo Sabres (49,3%): 6,5%*
    • Time do Qualifying Round A: 6,0%
    • Time do Qualifying Round B: 5,0%
    • Time do Qualifying Round C: 3,5%
    • Time do Qualifying Round D: 3,0%
    • Time do Qualifying Round E: 2,5%
    • Time do Qualifying Round F: 2,0%
    • Time do Qualifying Round G: 1,5%
    • Time do Qualifying Round H: 1,0%

    *Os Devils recebem chances maiores que os Sabres pois tiveram um percentual menor de vitórias no tempo regulamentar em relação às em prorrogação (respectivamente 34,8% e 40,6% para cada time)

    Caso as três primeiras escolhas fiquem entre sete últimos colocados da temporada regular, não haverá segunda fase. Dessa forma, os quatro times restantes entre os eliminados receberão as escolhas de 4 a 7, em ordem inversa de seu aproveitamento de pontos na temporada regular. Por fim, as escolhas de 8 a 15 serão distribuídas ao final da Rodada Qualificatória às equipes eliminadas, também seguindo a ordem inversa de aproveitamento de pontos.

    A segunda fase da loteria, se necessária, acontece entre o Qualifying Round e a primeira rodada dos Playoffs da Stanley Cup. O número de sorteios neste segundo evento será determinado pela quantidade de times classificados para a pós-temporada que ganharem um sorteio na primeira fase.

    Para cada time do Qualifying Round (não-atribuído) que vencer uma das três primeiras escolhas, um sorteio da segunda fase será conduzido entre as equipes eliminadas restantes. As chances para cada uma das equipes do Qualifing Round no primeiro sorteio da segunda fase da loteria são de 12,5%.

    No caso de três equipes da Rodada Qualificatória vencerem os primeiros sorteios, as escolhas de 4 a 15 serão distribuídas entre as sete últimas colocadas, na ordem inversa de aproveitamento de pontos na temporada regular.

    Caso uma ou duas equipes vençam na primeira fase, qualquer um dos últimos sete times receberá a respectiva escolha da equipe sorteada, respeitando a ordem inversa de aproveitamento de pontos.

    Percentual de aproveitamento de pontos para as 16 equipes disputando a Rodada Qualificatória:

    • Montreal Canadiens: 50%
    • Chicago Blackhawks: 51,4%
    • Arizona Coyotes: 52,9%
    • Minnesota Wild: 55,8%
    • Winnipeg Jets: 56,3%
    • Calgary Flames: 56,4%
    • New York Rangers: 56,4%
    • Vancouver Canucks: 56,5%
    • Nashville Predators: 56,5%
    • Florida Panthers: 56,5%
    • Columbus Blue Jackets: 57,9%
    • Toronto Maple Leafs: 57,9%
    • Edmonton Oilers: 58,5%
    • New York Islanders: 58,8%
    • Carolina Hurricanes: 59,6%
    • Pittsburgh Penguins: 62,3%

    As quatro equipes no topo de cada conferência, bem como as oito que avançarem para o primeiro round dos playoffs, não participam da loteria do NHL Draft. Com a esperada conclusão da pós-temporada, a ordem das escolhas restantes será definida de acordo com a classificação final de cada um dos 16 participantes.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • NHL oficializa novo formato para pós-temporada

    NHL oficializa novo formato para pós-temporada

    No dia 12 de março de 2020 a NHL anunciou que pausaria a temporada regular de 2019-20, por conta da pandemia de COVID-19. Desde então, a Liga vem explorando diferentes opções que possibilitem um retorno seguro e justo para a realização de um novo formato para a pós-temporada, e a conclusão do atual campeonato, com um time vencedor da Stanley Cup.

    Após mais de dois meses de reuniões e especulações, tivemos uma confirmação de um plano para o retorno dos jogos. O anúncio aconteceu na tarde de terça (26), em uma conferência realizada pelo comissário da NHL Gary Bettman.

    Primeiramente, Bettman anunciou que o protocolo foi decidido em uma votação em conjunto da Associação de Jogadores na NHL (NHLPA). Vale ressaltar que com o novo formato, a temporada regular foi oficialmente encerrada, ainda com 189 jogos a serem disputados.

    O torneio de pós-temporada contará com as 12 melhores equipes de cada conferência, baseadas no aproveitamento de pontos de cada uma calculados com base na campanha de todas as equipes até o momento da pausa.

    As quatro melhores times de cada conferência avançam automaticamente para a primeira rodada tradicional de 16 equipes. Entretanto, em cada conferência, as quatro equipes jogarão uma vez entre si para determinar a ordem de classificação que definirá sua posição no bracket.

    O top 4 no Leste definido conta com Boston Bruins, Tampa Bay Lightning, Washington Capitals e Philadelphia Flyers. No Oeste, temos St. Louis Blues, Colorado Avalanche, Vegas Golden Knights e Dallas Stars.

    Nota-se que três times da Divisão Central e apenas um da Pacífica compõem o top 4 no Oeste. Caso a Liga optasse por um formato divisional, em vez de baseado nas conferências, a posição de Dallas seria ocupada pelo Edmonton Oilers.

    Os demais times, nas posições de 5 a 12 da tabela, participarão de uma espécio de eliminatórias, em séries “melhor de 5”. Este momento foi chamado de Rodada Qualificatória (Qualifying Round). A NHL ainda vai decidir se ele contará propriamente como playoffs, para efeitos de registro e estatísticas (indiviuais e coletivas).

    Os duelos da Rodada Qualificatória foram divididos da seguinte forma:

    Conferência Leste

    • Pittsburgh Penguins (nº5) x Montreal Canadiens (nº12)
    • Carolina Hurricanes (nº6) x New York Rangers (nº11)
    • New York Islanders (nº7) x Florida Panthers (nº10)
    • Toronto Maple Leafs (nº8) x Columbus Blue Jackets (nº9)

    Conferência Oeste

    • Edmonton Oilers (nº5) x Chicago Blackhawks (nº12)
    • Nashville Predators (nº6) x Arizona Coyotes (nº11)
    • Vancouver Canucks (nº7) x Minnesota Wild (nº10)
    • Calgary Flames (nº8) x Winnipeg Jets (nº9)

    Este formato marca a volta do Arizona Coyotes aos playoffs após 12 anos, assim como o Edmonton Oilers, pela segunda vez após 14 anos. Vancouver Canucks e Florida Panthers voltam aos playoffs após 5 e 6 anos, respectivamente. Sete equipes estão eliminadas, sendo elas o Buffalo Sabres (fora dos playoffs desde 2011), New Jersey Devils, Anaheim Ducks, Los Angeles Kings, San Jose Sharks,  Ottawa Senators e o Detroit Red Wings. Por fim, a primeira parte do draft acontece no dia 26.

    Segundo Bettman, ainda, os confrontos dos playoffs das primeira e segundas rodada podem ser “melhor de cinco” ou “melhor de sete”, algo ainda a ser definido. No entanto, as finais de cada conferência e a Final da Stanley Cup continuarão séries de até sete jogos.

    Como era de se esperar, o formato não agradou a todos, já que alguns times viram suas chances de chegar aos playoffs crescer consideravelmente. Ao mesmo tempo, equipes que caminhavam quase que seguras de sua vaga entre os top 16, poderão ser eliminadas antes do primeiro round. Sobre isso, Gary Bettman, na conferência, afirmou que:

    “(…) Acreditamos que construímos um plano geral que inclui todas as equipes que, por uma questão prática, poderiam ter se qualificado para os playoffs quando a temporada foi interrompida, e esse plano produzirá um digno campeão da Stanley Cup. (…)”

    Apesar da NHL ter encontrado um plano aparentemente sólido para a pós-temporada, há outras questões mais importantes em jogo, principalmente quanto a segurança e saúde dos jogadores. Bettman disse que essas são as principais questões da NHL no momento:

    “A saúde e a segurança de nossos jogadores, treinadores, equipe de suporte essencial e nossas comunidades são fundamentais, embora nada esteja isento de riscos. Garantir a saúde e a segurança foi essencial para todo o nosso planejamento até agora e continuará sendo”

    Até então, não foram definidas datas certas para o início de todo esse processo, incluindo training camps e por consequência os próprios playoffs. A linha do tempo para cada fase do plano de retorno da NHL está atrelada à evolução da pandemia nestes tempos incertos.

    Da mesma forma, não temos a localização certa para a realização desta pós-temporada, porém a lista de possíveis sedes já foi determinada. A liga espera poder contar com duas Hub Cities, isto é, “cidades centrais” que serviriam de localização neutra para receber todos os jogos de cada conferência, bem como a finalem uma delas.

    A lista de potenciais cidades, determinada pela NHL, conta com Chicago, Columbus, Dallas, Edmonton, Las Vegas, Los Angeles, Minneapolis/St. Paul, Pittsburgh, Toronto e Vancouver. É fundamental que as cidades escolhidas tenham baixos indices de COVID-19 ou que a situação esteja bem controlada no momento que os jogos retornarem.

    Como dito antes, Bettman informou que a segurança, higiene e precaução são aspectos fundamentais para que a volta ocorra de fato. Durante o campeonato, as equipes terão um limite de 50 funcionários em suas respectivas hub cities. Assim, um pequeno número de funcionários de suporte também será permitido nas arenas.

    Bettman afirmou que um sistema largo de testes será implantado em cada cidade, o que demanda também uma alta disponibilidade destes na comunidade escolhida.

    Todavia, todo o planejamento é só um primeiro passo no longo processo de retorno do esporte. Esta semana, a NHL publicou também uma série de pontos-chave em seu protocolo de retorno do esporte, especificamente para a Fase 2 do processo, o período de transição “pós-autoquarentena”.

    No que diz respeito à próxima temporada, Bettman apenas afirmou que a Liga espera realizá-la em sua integridade, mas ela pode ter o começo adiado para até o início de janeiro.

    Autoridades de saúde e governamentais terão a aprovação final em qualquer caminho que a NHL decidir tomar. A Liga ainda leva em consideração o tempo de isolamento que será demandado de atletas retornando do estrangeiro, assim como a burocracia necessária em cada caso. Ainda há cidades e regiões com mais problemas e com proibições sobre locomoção.

    O estado de calamidade em que Nova York se encontra, por exemplo, fez com que Henrik Lundvist preferisse continuar em sua cidade natal, a Suécia. Em uma reportagem para um site Sueco, Lundqvist disse que “ainda há muito a concordar, já que somente o básico foi determinado. Dada a localização em Nova York, fico em casa. E acho que a maioria dos suecos também.”

    A conferência de Gary Bettman e a confirmação dos playoffs podem ser conferidas na íntegra no site oficial da NHL.

    Foto: Reprodução/Sportsnet

  • O que mudou com a reforma das Conferências em 2013?

    O que mudou com a reforma das Conferências em 2013?

    A NHL foi fundada em 1917 e desde então é considerada a maior liga de hockey no mundo. Ao longo de seus 107 anos houveram muitas transformações. Desde a adição de novos times à realocações. Uma coisa que também mudou bastante foi o formato da Liga e suas conferências e divisões.

    Em nosso mais novo texto da série 10 for 10, analisamos o histórico das conferências da NHL e principalmente tudo o que culminou a mais nova mudança, ocorrida em 2013.

    Primeiras mudanças

    No início da liga existiam vários times que eventualmente foram extintos ou simplesmente realocados. Entretanto, houve um grupo de equipes que ficou intacto, conhecido como o Original Six e composto por Boston Bruins, Detroit Red Wings, New York Rangers, Chicago Blackhawks, Montreal Canadiens e Toronto Maple Leafs

    A liga permaneceu com esses times até 1967, passando 25 temporadas com apenas 6 equipes. Nessa época, a NHL era criticada por ter um sistema de playoffs muito fácil, já que os quatro principais times da temporada regular avançavam. 

    Exemplo playoffs antes de qualquer mudança de conferências
    Reprodução: Last Word on Hockey

    Todas as séries eram melhor de sete, com o primeiro lugar da tabela disputando contra o terceiro lugar. O segundo lugar jogava com o quarto. Assim, os dois vencedores disputavam a final da Stanley Cup. A primeira menção de Conferências veio com a expansão de times em 1967-1971, eventualmente mudando o antigo sistema. As novas equipes adicionadas foram o Philadelphia Flyers, o Los Angeles Kings, o St. Louis Blues, o Minnesota North Stars, o Pittsburgh Penguins e o Oakland Seals.

    Entretanto, ao contrário do que seria lógico geograficamente, os novos times foram alocados na Conferência Oeste mesmo não pertencendo a parte Oeste dos Estados Unidos. Dessa forma, as novas equipes disputavam os playoffs contra os times já existentes, posicionados na Conferência Leste. 

    As quatro melhores equipes de cada Conferência se qualificavam para os playoffs, sendo essencial que uma equipe do Leste enfrentasse uma equipe do Oeste nas finais da Copa Stanley.

    Em 1970 dois times foram adicionados: Buffalo Sabres e Vancouver Canucks. Com a chegada dessas novas equipes, a NHL decidiu realinhar suas divisões. A divisão Leste foi formada por Boston Bruins, New York Rangers, Montreal Canadiens, Toronto Maple Leafs, Buffalo Sabres, Vancouver Canucks e Detroit Red Wings.

    Já a Conferência Oeste tinha Chicago Blackhawks, St. Louis Blues, Philadelphia Flyers, Minnesota North Stars, Los Angeles Kings, Pittsburgh Penguins e California Golden Seals.

    Com o passar dos anos, novos times foram criados. As conferências sofreram poucas mudanças, sendo a mais significativa em 1974-1975. Foram, enfim, criadas divisões dentro das Conferências. Desta vez, as referências geográficas foram removidas. 

    Foi criada a Prince of Wales Conference, servindo como a Conferência Leste e a Clarence Campbell Conference sendo a Conferência Oeste. As divisões, por sua vez, se chamavam Adams Division e Norris Division do lado Leste e Patrick division and Smythe division no lado Oeste.

    Nos anos seguintes, houveram algumas mudanças pequenas que permenaceram por alguns anos até serem alteradas novamente. Quando Gary Bettman virou o comissário da NHL em 1994, houve uma das mais radicais mudanças da liga. 

    Com a chegada de Battman como Comissário da NHL, os termos Prince of Wales Conference e Clarence Campbell Conference foram deixados de lado para virarem as Conferências Leste e Oeste. Os novos nomes das Divisões foram Nordeste, Atlântico, Central, e Pacífico. Em 1998, ainda foram acrescentadas mais duas divisões, chamadas de Noroeste e Sudeste.

    Desde 1994, as oito melhores equipes de cada conferência disputavam os playoffs, com os vencedores da divisão sendo garantidos com as melhores equipes da tabela, mas que não se classificaram (ou seja, os wildcards). 

    A mudança em 2013

    Primeiramente, após a realocação do Atlanta Trashers para Winnipeg, um novo formato de playoffs foi sugerido pela NHLPA. Contudo, essa proposta foi rejeitada em 2012. A segunda proposta, dessa vez aprovada em 2013, fez com que o Winnipeg Jets fosse para a Conferência Oeste. O Detroit Red Wings e o Columbus Blue Jackets, que se encontravam na Conferência Oeste, mudaram para a Conferência Leste, como parte do realinhamento de 2013.

    O novo realinhamento mistura a essência da rivalidade de divisão antiga dos anos 80 com a conferência de “seeds”, parecido com a da NFL. A intenção de Bettman foi de simplificar o hockey e tentar dar mais sentido as localizações das equipes.

    O novo formato foi aprovado dia 13 de março de 2013, para ser implementado na temporada de 2013-2014. A liga, então, anunciou os nomes das divisões em 19 de julho de 20013: as duas divisões de oito equipes na Conferência Leste seriam a Divisão Atlântica e a Divisão Metropolitana, e as duas divisões de sete equipes na Conferência Oeste seriam a Divisão Central e Divisão do Pacífico.

    Mapa Divisões Após as mudança conferências em 2013
    Reprodução: NHL.com

    Então, o formato dos playoffs virou o que conhecemos atualmente. Os três primeiro times da tabela das Divisões se classificam para os playoffs, totalizando 12 times, e as 4 ultimas vagas são do Wild Card, da Conferência Leste e Oeste. Isso permite ter até 5 times da mesma Divisão nos playoffs, por exemplo.

    A mudança nas Conferências ajudou os fãs do Detroit Red Wings e do Columbus Blue Jackets a terem menos conflitos de horários, já que estando na Conferência Oeste os times disputam muito mais vezes em horários tardios, de acordo com o fuso horário do oeste do Estados Unidos. 

    Apesar dessa mudança ter recebido, a princípio, críticas por conta da saída de um time do Original Six de uma Conferência onde possuía uma rivalidade histórica com o Chicago Blackhawks, é necessário ressaltar como essas mudanças são importantes para a Liga como um todo, já que viagens longas e distantes são menos frequentes, além da acessibilidade dos fãs que tem mais chances de assistirem suas estrelas favoritas jogando em sua cidade.

    A próxima mudança esperada será quando o time de Seattle, ainda sem nome, estrear na Liga. O Arizona Coyotes mudará de lugar e será movido para a Divisão Central, dando seu lugar no Pacífico para Seattle. Com isso, as Conferências ficarão cada vez mais adequadas geograficamente. Tais mudanças são sempre necessárias, mesmo que algumas sejam radicais. Elas podem melhorar o conforto dos jogadores, a logística das partidas, e possibilita uma diversidade e improbabilidade nos playoffs, tornando tudo mais empolgante. 

  • Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Como Não Ser Um Babaca 101: um manual prático

    Há duas semanas, o mundo do hockey foi surpreendido mais uma vez (será que, a esse ponto, deveríamos nos surpreender?) com um chat privado entre jogadores vazado na internet. Brendan Leipsic, até então jogador do Washington Capitals, seu irmão e outros amigos – também jogadores ou ex-jogadores de ligas menores – acharam normal depreciar mulheres, incluindo esposas e namoradas de colegas de times.

    Além das mulheres, Leipsic e companhia também ofenderam colegas de times e até jogadores de outras franquias em suas conversas. Quando descoberto, Leipsic precisou fazer uma nota de desculpas. Mas sejamos sinceras, aquela nota não foi ele quem escreveu e com certeza ele não está arrependido.

    A pior parte é ver gente “passando pano” dizendo que ele teve sua “privacidade invadida”. Oi? E as fotos que eles compartilharam nas conversas? 

    Bem, se você é desse tipo de pessoa que acha que ele está certo, talvez seja interessante ler um pouco deste Manual. 

    Meu privilégio, minhas regras

    Esse caso, que não é o primeiro e certamente não será o último, leva-nos a tentar entender como funciona a mente desses jogadores.

    Imagina só como é ser um homem branco, de origem privilegiada e jogar um esporte elitizado? Provavelmente significa sim que eu poderia falar abertamente das minhas conquistas amorosas como objetos. Ou melhor, sexuais, porque ninguém ali falou de relacionamento sério. 

    “Ora, se desde a infância fui colocado em um pedestal porque era modestamente melhor do que as outras crianças em um jogo no gelo, isso significa que eu realmente tenho o direito de me safar das tentativas de pessoas invejosas que gostariam de me ver falhar!” Afinal, fazer parte do 1% de um esporte competitivo é uma coisa a ser celebrada. “Todos os homens gostariam de estar no meu lugar e todas as mulheres me desejam.” Engraçado que esse tipo de pensamento sempre vem de homem, não é?

    Falar de assuntos alheios ao coronavírus enquanto estamos no meio de uma pandemia sem precedentes parece tolice. Mas a ausência de esportes para nos distrair fez com que uma conversa entre amigos tomasse proporções gigantescas.

    Se você vem de uma cidade pequena ou tem familiares que moram em uma, sabe como funcionam as coisas. Todo mundo conhece todo mundo. Alguns moradores têm um status diferenciado, seja pelo cargo que ocupam ou pelo dinheiro que têm em suas contas bancárias.

    A comunidade do hockey é como uma cidade pequena. Ou você já jogou com fulano, ou conhece quem já tenha jogado com ele. Não existe isso de não se conhecer, mesmo que não seja amigo íntimo, dificilmente as coisas passam despercebidas. 

    No caso de Leipsic, contudo, a situação é ainda mais grave. Veja bem, Winnipeg tem pouco mais de 750 mil habitantes e é uma das maiores cidades do Canadá. Contudo, ao mesmo tempo muitas coisas funcionam como uma cidade pequena.

    Quando rapazes conhecidos por muita gente mostram sua pior faceta, há de se esperar uma resposta da sociedade em que vivem. Afinal, muita gente estudou com eles ou conhece seus pais ou até mesmo jogou hockey na infância com um deles.

    O que nos leva a pensar: quando foi que alguém virou para esses meninos e falou que por serem minimamente competentes em um esporte, eles teriam o direito de menosprezar outros seres humanos? Será que eles estavam falando coisas assim de mim só porque eu emprestei um lápis para um deles na aula de Química no primeiro ano do colegial?

    Atletas de alto rendimento são tratados de forma diferente do que eu e você. Especialmente se eles são homens e mais ainda se são brancos. Isso acontece não só no Brasil, como no Canadá e eu desconfio que até em Papua Nova Guiné. (Ou talvez não por lá, confesso que não me dei ao trabalho de confirmar essa afirmação.)

    Mas será que ser acima da média em um mero jogo faz com que alguém seja automaticamente melhor do que uma pessoa que não tem inclinações esportivas? Ora, se eu sou boa em xadrez (meramente uma hipótese, já que nunca joguei xadrez na vida) eu sou uma nerd, mas se Fulano é bom em futebol ele merece ter o mundo aos seus pés? 

    Módulo 1: Como não ser um babaca 101

    Já que o programa de formação destes jovens jogadores de hockey não trouxe o módulo Como Não Ser Um Babaca 101, eu quero ensinar um pouco para vocês hoje. Esse é um curso essencial na formação de todo jovem enquanto transita para a vida adulta.

    Aliás, esta parece ser uma carência de currículo comum a outros lugares, já que alguns dos escândalos envolvendo atletas do esporte (e não estou falando só do hockey, mas de muitos outros também) são particularmente tenebrosos.

    Longe de mim generalizar todo jogador de hockey como um babaca, pelo contrário, acho que eles são, em sua grande maioria, caras bem legais que têm penteados duvidosos e sorrisos banguelas. Entretanto sei reconhecer que o esporte tende a ser um ambiente hostil não só para mulheres, assim como para pessoas LGBT e demais minorias. 

    Afinal, você torcedora que se identifica como mulher, quantas vezes não foi questionada se gostava de determinada equipe apenas por causa da aparência de seus jogadores? Diferenças de gênero por acaso fazem com que uma pessoa entenda melhor o que é Corsi?

    Eu, particularmente, acho muito engraçado como a minha feminilidade me impede de saber como funcionam as penalidades da NHL, assim como saber quem foi a escolha do terceiro round que o Atlanta Thrashers fez em seu último draft (foi Julian Melchiori, caso você não saiba). Como Não Ser Um Babaca 101 me parece ser uma necessidade na grade curricular não apenas dos atletas, mas também de muitos de seus torcedores. 

    O resumo da ópera é: ser bom em uma coisa não te dá um passe livre para ser um babaca.

    Muito menos para falar coisas absurdas de pessoas inocentes que estão apenas vivendo suas vidas e sendo felizes. Misoginia não é engraçado, racismo não é engraçado, xenofobia não é engraçado, homofobia não é engraçado. E ser um babaca também não.

    Para concluir nosso módulo introdutório de Como Não Ser um Babaca 101, eu decidi trazer algumas sugestões para jovens atletas que estão sem o que fazer na quarentena, já que não têm filho para trocar as fraldas ou ajudar com o dever de casa, a fim de evitar que eles percam tempo falando absurdos em grupos de conversas. Vejamos:

    1. Ler um livro que não envolva hockey, esporte, autoajuda ou que tenha figuras (caso você viva em uma caverna e não saiba o que são livros, estamos abertas a indicar boas leituras);
    2. Treinar coreografias do Tik Tok (além de ser uma atividade física divertida, vai te fazer usar a criatividade para algo melhor do que ofensas gratuitas);
    3. Aprender a tocar violão e fazer uma live só com o repertório do Nickelback (acho que essa só funciona para canadenses – ou para o vestiário do Carolina Hurricanes);
    4. Tricotar botinhas no formato de patins para seus pets; (ou, se não tem um pet, arrume um. Vai ser uma boa companhia e você vai aprender como é cuidar de alguma coisa que pode te ensinar o que é amizade de verdade);
    5. Escreva um livro (tenho certeza que você tem mais para contar do que com quem você dormiu no verão de 2011);
    6. Literalmente qualquer coisa que não envolva comentários asquerosos e preconceituosos.

    Se mesmo com tantas opções de coisas para fazer o jovem atleta ainda decidir ser um babaca, ele merece sim sofrer as consequências por isso. Como a pessoa adulta que é. Afinal, jogar hockey em alto nível pode ser a realização de um sonho de criança, mas o mundo em que vivemos é o mundo dos adultos.

    Lembrem-se sempre: não é legal ser babaca, então não seja um. Eu juro que é bem fácil, é só você tentar, ou melhor, não ser. 

  • Saudade do que não vivemos

    Saudade do que não vivemos

    Maio de dois mil e vinte. Eu deveria estar surtando, tentando cobrir todos os jogos dos playoffs. Uma escala louca misturada com a tensão de ver meu time avançando fase por fase. A aposta que faço todo ano com minhas amigas e os planos que eu já tinha feito quando vencesse o bracket, acertando a final entre Vegas Golden Knights e Philadelphia Flyers. 

    Talvez eu devesse ter sido menos ousada nesse palpite que fiz em meados de dezembro, quando ainda achávamos que 2020 seria “o nosso ano”. Ou talvez devêssemos culpar os Blues. Depois daquela Stanley Cup o mundo nunca mais foi o mesmo. 

    A verdade é que todo e qualquer planejamento que fizemos não existe mais. O mundo é outro e precisamos rever nossa forma de trabalhar, criar e viver.

    Mitch Marner deu uma entrevista para o The Score falando sobre a possível impovável volta da NHL e gostei do quanto ele foi sensato: “ se for para voltar, estarei pronto. Mas e se alguém adoecer? E se alguém morrer?”

    Confesso que estou me perguntando a mesma coisa todos os dias, Marner.

    Por mais que seja difícil ficar sem hockey, e que o tempo pareça não passar quando não temos nenhuma outra forma de nos distrair que não seja livros e Netflix, a hora é de ficar em paz. (Ou melhor, eu espero que vocês estejam se distraindo, porque além de não assistir a um jogo de hockey que não seja de 1980, eu também estou com saudades da Netflix. Mas isso é tema para outro texto).

    Por causa disso, resolvi escrever esse texto, totalmente opinativo e baseado apenas nas vozes da minha cabeça, com alguns palpites do que poderiam ter sido esse playoffs.

    (Se você está aqui procurando especulações reais e um possível bracket, veio ao lugar errado. Aqui, irei brevemente falar de alguns times improváveis e fatos interessantes que poderiam – ou não – acontecer. Mas prometo não insistir na minha final maravilhosa que seria Vegas x Flyers – e se de fato a temporada NHL for cancelada, podemos concordar que essa foi a Stanley Cup Final de 2020 e ninguém lembra que os Blues existem. Combinado?)

    Primeiro Round

    Chegamos aqui nos perguntando: como é mesmo um jogo de hockey? Saudades do barulho dos patins no gelo, de acordar de madrugada assustada com a chamada “HOCKEY FANS GEAR UP” na NHL.tv durante um Canucks x Sharks às 2 da manhã, e de “tretar” no twitter porque algum jogador que eu gosto se envolveu em uma briga com um “famosinho”. 

    Aliás, no primeiro round nós com certeza iríamos nos envolver em briga. Ainda tem muito time jogando, alguns jogadores já nervosinhos e o sonho pelo Jogo 7 – e manter nossas apostas vivas – permanece. 

    Será que Toronto sairia na primeira rodada de novo? Se é que eles chegariam aos playoffs esse ano, não é? (Perdão, torcedores dos Leafs, nada contra o time de vocês, mas como dizia aquele ditado brasileiro bem antigo: the zoeira never ends).

    Ao invés de ficar pensando no “e se”, venho aqui sugerir algumas atividades para tomar o lugar do Primeiro Round dos playoffs: contar quantos ladrilhos tem na parede do seu banheiro (confesso que nunca contei o meu, mas por algum motivo que nunca entendi, lá tem uma letra T no meio dos ladrilhos coloridos randomizados); talvez seja interessante arrumar um pet, ou, se você tem um pet, tirar um tempo do seu dia para ficar com ele. Animais são ótimas companhias para o tédio, até porque eles raramente nos deixam no tédio.

    (Meu cachorro, por exemplo, inventou agora de bater panela às 2 da manhã. Alguém claramente esqueceu de passar para ele os horários do panelaço.)

    A verdade é: estamos com saudade daquela emoção dos playoffs, de que ainda não é possível prever o que vai acontecer nos jogos seguintes. Um pouco parecido com como estamos agora. 

    Segundo Round

    Nessa etapa, eu já estaria surtando. Como cobrir tantos jogos pelo amor de Deus? Já nem saberia mais se era Jogo 4 ou Jogo 5, cada confronto com uma história diferente, torcendo para o seu time ganhar logo os primeiros quatro jogos e ir descansado para a Final de Conferência.

    Mas ao mesmo tempo, a tensão pela possibilidade deles descansarem demais e não terem o mesmo desempenho que fizeram até ali (Canes eu ainda estou triste). 

    Chegando aqui, já saberíamos qual (ou quem) seria a “zoeira” dos Playoffs 2020, os jogadores que estariam se destacando e até mesmo aqueles que estreariam na pós-temporada.

    Não sei vocês, mas depois de um ano de novatos a meu ver tão “pobre”, em que o Calder está mais do que decidido entre Quinn Hughes e Cale Makar, eu poderia assistir a novos talentos se destacando. Ou até mesmo a algum jogador veterano batendo outro recorde. Nesse ponto, qualquer coisa que envolva hockey eu já estaria feliz. 

    Em vez disso, a gente está se estressando com essa máscara de insira aqui o material de sua escolha, que vamos falar a verdade: impossível respirar direito com esse troço. Se você é que nem eu e tem um tipo de alergia, começa a espirrar e todo mundo em volta acha que é o bonito do vírus e a gente tem que ficar: “não se preocupa, é insira aqui sua ite”.

    Ainda assim, eu queria uma máscara com a cara do Gritty, ou até mesmo uma com o logo do meu time. Infelizmente não temos isso por aqui, mas usar a máscara é o mais importante nesse momento, viu galera?

    Terceiro round – AKA Finais de Conferência

    Com apenas quatro times na disputa, é a hora de começar as apostas de verdade. Seu bracket ou está inteiro, ou já foi ladeira abaixo por uma zebra que NINGUÉM pensou que aconteceria. Mas, independentemente disso, é a hora das apostas. Ou, se seu time ainda está na disputa, é a hora das promessas.

    Quem aqui não prometeu ficar sem chocolate se o time ganhasse? Ou até mesmo disputou com um amigo que vestiria a jersey do rival em um cenário que você tinha certeza que não iria acontecer. 

    A verdade é: nas Finais de Conferência só existem dois tipos de torcedores: aquele totalmente sem unhas de tanto passar nervoso rezando para seu time vencer, e aquele que está aqui apenas para ver o circo pegar fogo.

    Todo mundo quer um Jogo 7 com duplo OT e um gol apenas nos últimos segundos. Já não importa mais a hora que você está dormindo, porque o importante é não perder nenhum tiro a gol.

    Infelizmente os tweets do seu time não servem como atestado para faltar ao trabalho/escola. Mas tudo bem, playoffs só tem uma vez no ano, não é mesmo?

    Porém, sem a Final de Conferência, sem escola para ir no dia seguinte e trabalhando de casa, dormir também não está sendo uma opção. Então aqui vão algumas tarefas que você pode fazer às 2 da manhã, sem sono e entediado: começar a ler uma série com no mínimo 17 livros; aprender sobre planejamento e tentar criar uma rotina que você sabe que vai dar errado na primeira semana; assistir a mais de 500 TikToks e dormir com o celular jogado na cama e “I’m Just a Kid” na cabeça.

    Se você gosta de ser produtivo, por outro lado, é a hora de tirar da gaveta aquele projeto que você sempre quis fazer mas tinha outras prioridades. Ou melhor, no seu horário habitual ainda tem trabalho e outros compromissos, mas às 2 da manhã é um bom horário para começar a escrever um livro ou talvez fazer um roteiro para um podcast. 

    Stanley Cup Final

    Vamos ser sinceros, se você chegou até aqui, deve estar extremamente entediado ou então, como eu, resolveu tirar um tempo das obrigações que parecem se acumular mais ainda agora que “rotina” é apenas um conceito abstrato. 

    Nesse ponto dos playoffs, as apostas estão em nível máximo. Apenas dois times restam na disputa, e a chance de seu time estar entre eles já é bem menor. Bom, eu falei que não iria usar o meu palpite aqui, mas como ainda acho que uma final Vegas x Flyers seria sensacional, vou usar esses dois times como modelo.

    Nesse momento, você pode ser anti-Flyers, mas não exatamente pró-Vegas, ou ainda torcer para Philadelphia e ter simpatia pelo “caçula” da NHL. Eu confesso que seria a pessoa que só quer um Jogo 7 porque ainda não está pronta para dizer adeus ao hockey até outubro.

    (Nesse momento as lágrimas escorrem ao pensar que estamos sem hockey desde março). 

    O vencedor para nós aqui não importa muito, apenas queremos curtir os últimos segundo possíveis e, se ganharmos algum dinheiro (ou o que quer que seja a sua aposta – eu já apostei até fanfic), melhor ainda. 

    Mas, infelizmente, não temos a Stanley Cup para apostar. Então, o que podemos fazer com essa saudade de hockey que não vai embora?

    Podemos maratonar os vídeos do canal do NHeLas e colocar em dia aquele vídeo de fevereiro que você ainda não teve tempo de terminar de assistir.

    (Aí você aproveita e já manda o link do canal para o amigo que te prometeu que esse ano começava a ver hockey mas que, sem playoffs, está se contentando apenas com a volta da Bundesliga).

    Outra opção é ir ao nosso Twitter e votar do Big NHeLas Brasil, já que até sem reality show estamos agora.

    Também podemos procurar algum livro de estatística ou história do hockey. Não é porque não temos novidade, que não podemos consumir o esporte. Eu estou lendo The Boys of Winter do Wayne Coffey e recomendo.

    Se você é daqueles que gostam de videogame, sempre é possível organizar um campeonato de NHL20. Ou até mesmo chamar os amigos no Skype e jogar Gartic com tema de hockey. Boa sorte para vocês que vão tentar adivinhar que aquele traço oval esquisito que seu amigo vai desenhar na verdade é um puck.

    Enfim, sabemos que a quarentena não está sendo fácil para ninguém. A NHL não confirmar se irá ou não cancelar está deixando todo mundo, incluindo os jogadores, aflitos.

    O melhor que podemos fazer é ter paciência. Em breve tudo isso vai passar e nosso esporte estará de volta. Enquanto isso, já vamos pensando no que vocês contarão para seus filhos quando eles perguntarem porque não existe campeão da Stanley Cup de 2020. Eu vou dizer que os Blues roubaram a taça e, como não devolveram, tiveram que cancelar o hockey naquele ano. 

    Foto: Reprodução https://se.stageright.com/project-gallery/t-mobile-arena/