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  • O lockout de 2012 e suas repercussões

    O lockout de 2012 e suas repercussões

    Com o final da temporada 2011-12, o Collective Bargaining Agreement (CBA) entre a NHL e a NHL Players’ Association (NHLPA), que fora estabelecido após o lockout de 2004, chegou ao fim. Assim, as duas entidades iniciaram as negociações para estabelecer um novo acordo coletivo. Entretanto, após o prazo de negociações findar-se, as partes não chegaram um acordo, o que gerou uma nova paralisação da Liga.

    O que é um lockout (locaute)?

    O lockout tem a sua origem semântica na expressão inglesa “to lock out“, que significa “trancar para fora”. Ele nada mais é do que um fechamento patronal.

    Isto porque sua origem vem de uma disputa industrial entre os empregadores e seus trabalhadores, em uma situação em que o patrão impede os seus funcionários de terem acesso ao seu trabalho, seja deixando-os de fora do local onde exercem sua função laboral ou deixando de aceitar o que é oferecido.

    Enquanto a greve é um direito do trabalhador, o lockout é uma prática proibida em muitos países, inclusive no Brasil. A razão para esta proibição reside no fato de ser considerada uma ofensa à liberdade de trabalho, pois é um mecanismo pelo qual o empregador pressiona seus funcionários, visando que eles cedam em algum aspecto da relação trabalhista.

    Contexto histórico dos lockouts nos esportes

    A existência de paradas forçadas das atividades não é uma exclusividade da NHL. As três outras grandes ligas profissionais norte-americanas, NBA, NFL e MLB, passaram pela mesma situação em diversos momentos. A principal fonte de discussão é, sem dúvidas, a divisão da receita entre os donos dos clubes e os atletas que atuam na Liga. 

    Antes dos anos 1990, as paradas nas ligas esportivas eram, em sua maioria, greves. Entretanto, conforme a comercialização dos esportes enquanto produtos, além da expansão para outros mercados e as assinaturas de contratos estratosféricos com as emissoras de televisão, a situação passou a mudar. 

    Os donos dos clubes perceberam que era financeiramente mais viável promover o lockout do que ficar a mercê de uma greve. Desta forma, o fardo econômico passava para os atletas. Com isso, esta prática ficou mais comum, viabilizando que os donos ficassem com a maior parte da receita dos clubes. 

    Quando a NHL teve lockouts?

    O primeiro foi na temporada 1994-95, pouco tempo após Gary Bettman ter se tornado comissário da Liga.

    Bettman tinha como objetivo estabelecer o chamado luxury tax, penalizando equipes com folhas salariais excessivamente robustas. Em janeiro de 1995, após mais de cem dias, as duas partes chegaram a um acordo. Isso foi visto como uma vitória para os donos dos clubes, mas os salários altos persistiram. 

    Com alegações de que os salários exorbitantes fizeram com que a Liga perdesse quase 2 bilhões de dólares, ocorreu outro lockout em 2004-05. A temporada foi cancelada e o salary cap (teto salarial), foi instaurado, estabelecendo o máximo que um time poderia gastar com sua folha salarial. Este mecanismo também implementou o salary floor, que determina o mínimo que uma equipe poderia gastar.

    Fatores que resultaram no lockout de 2012?

    O principal fator de discórdia entre a NHLPA e os proprietários dos clubes era a proporção com a qual a receita anual seria dividida.

    Entre 2005-06 e 2011-12 a receita anual foi de 2.2 bilhões para 3.3 bilhões, o que fazia com que os jogadores tivessem um grande aumento nos salários, já que a média foi de 1.46 milhões em 2005 para 2.17 milhões em 2011. Além disso, foi assinado um acordo de televisão valorizado em quase 2 bilhões para 10 anos. 

    Entretanto, o aumento na receita, o teto salarial e o limite nos salários dos novatos não fizeram com que a Liga operasse inteiramente de uma forma saudável. Mesmo com essas limitações os jogadores ainda tinham 57 por cento da receita, enquanto os donos ficavam com 43 por cento.

    A título de comparação, após os lockouts de 2011 na NFL e na NBA, os donos da primeira retinham 53 por cento da receita, e os da liga de basquete tinham direito a 50 por cento.

    Outra causa importante foi a estrutura de mercados, pois havia uma diferença enorme entre os clubes em termos de saúde financeira. Mercados grandes como Montreal, Nova York e Toronto correspondiam a oitenta por cento da receita da Liga, enquanto 13 dos 30 clubes perderam dinheiro em 2011-12.

    Além da questão financeira, a localização também contava pontos, já que hockey era infinitamente mais popular no Canadá do que no sul dos Estados Unidos, por exemplo. 

    O que os atletas fizeram durante a parada?

    Enquanto parte dos jogadores permaneceram na América do Norte para participar das negociações entre a NHLPA e a Liga, muitos foram explorar outros mercados enquanto esperavam pelo retorno da NHL.

    Evgeni Malkin e Alex Ovechkin retornaram para as equipes russas que os revelaram, Metallurg Magnitogorsk e Dynamo Moscow, respectivamente, parte da Kontinental Hockey League (KHL). 

    Outro destino procurado pelos atletas foi a Suíça. Lá, Patrick Kane e Tyler Seguin atuaram pelo EHC Biel, Patrice Bergeron pelo HC Lugano, John Tavares pelo Bern e Joe Thornton pelo Davos.

    Na Suécia, Gabriel Landeskog atuou pelo Djurgarden, Matt Duchene pelo Frolunda e Anze Kopitar pelo Allsvenskan. Jamie Benn e Claude Giroux, por sua vez, foram para a Alemanha, enquanto Jaromir Jagr e Zdeno Chara atuaram na liga tcheca. 

    Aqueles que permaneceram em solo norte-americano passaram a se reunir para treinos informais, já que todas as atividades relativas à  Liga estavam obrigatoriamente suspensa.

    Além disso, foram organizadas partidas beneficentes. A Champs for Charity, trazia jogadores do elenco do Chicago Blackhawks contra uma equipe formada por atletas de outros times. As doações foram destinadas a Ronald McDonald House Charities da região.

    No feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, quase 30 NHLers jogaram em Atlantic City e arrecadaram cerca de 500 mil dólares para ajudar vítimas do Furacão Sandy. Outras partidas de destaque também aconteceram em Toronto e Minneapolis.

    As partes chegam a um acordo

    O centro do acordo foi a divisão igual da receita entre donos e jogadores na proporção de 50% para cada um, tal como a NBA. Outra inovação foi a limitação da duração dos contratos. Antes, os termos não previam limite e passaram a ter prazo máximo de sete ou oito anos, a depender da situação.

    Uma previsão que não foi incluída no CBA é a participação dos jogadores nas Olimpíadas e embora eles tenham feito parte dos jogos de 2014 em Sochi, a participação em 2018 foi vetada pelos donos.

    Outras mudanças incluíram o salário mínimo da Liga, além das suspensões de mais de cinco jogos passarem a ser submetidas para um árbitro neutro e não ao comissário. Por fim, foi instaurado um novo sistema para a loteria do draft. Este passou a incluir todas as equipes que não se classificaram para a pós-temporada.

    O acordo celebrado tem a duração de dez anos, findando-se em 2021-22, com a possibilidade de uma das partes romper o acordo em setembro de 2019, o que não aconteceu.

  • Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Desde que a pandemia do novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, muitas ligas esportivas mundiais precisaram pausar suas atividades.

    A NHL não foi diferente.

    Além de suspender a própria temporada, a Liga adiou eventos como o NHL Awards e o NHL Scouting Combine. Até mesmo o próprio NHL Draft de 2020, que aconteceria em Junho deste ano, ainda não tem uma nova data definida.

    Com toda a tecnologia disponível no mundo, é possível pensar em alternativas para fazer com que o Draft aconteça, mas de forma a não colocar em risco a segurança dos envolvidos.

    O home office se tornou uma realidade para muitos, e a NHL já possui experiência com o evento à distância. Portanto, considerar a possibilidade deste ser transmitido do computador ou tablet de cada participante, por exemplo, não seria algo de outro mundo.

    Existem diversas possibilidades para a realização do evento caso a Liga utilize a tecnologia. Por isso, resolvemos pesquisar mais sobre e trazer algumas alternativas sobre como ele poderia ser realizado em tempos de combate à COVID-19.

    Plataformas Online

    Não é de hoje que a internet vem reinventando o mundo com as diversas plataformas online para a realização de videoconferências. Do skype aos serviços criados pelo próprio Google; existem diversas alternativas para transmissão e realização de eventos, mesmo em tempos como estes, em que as pessoas não podem se reunir fisicamente.

    A dinâmica é diferente da reunião presencial. No entanto, a sua essência se mantém, que é manter o contato com as pessoas, mesmo que todas estejam a quilômetros de distância uma das outras.

    Estas plataformas de videoconferências muitas vezes acabam abrangendo até, ou mais, de 100 pessoas em uma chamada. Assim, permitindo a participação e interação de diversos indivíduos uns com os outros. 

    As próprias mídias sociais, como Instagram, Twitter, Facebook, também possuem as suas ferramentas de vídeo ao vivo para todos os seus seguidores. As “lives“, por exemplo, permitem que o dono da conta se comunique em tempo real com seus seguidores e também convoque outra pessoa para participar desta junto com ela.

    Diversos times da NHL, por exemplo, tem abusado do recurso desde o início da quarentena. Desta forma, eles possibilitam que os jogadores participem destas e conversem com o torcedor em tempo real. 

    No entanto, pensando em um possível cenário de que o Draft tenha de acontecer de forma on-line, existem algumas plataformas que a Liga poderia utilizar para que o evento se realizasse, e destacamos algumas a seguir. 

    Zoom

    O Zoom Meetings é uma ferramenta para a realização de vídeoconferências. Ela suporta reuniões de até 500 pessoas e webinars (formato destinado a públicos maiores), que podem contar com um público de até 10 mil pessoas.

    O serviço funciona da seguinte forma: o administrador cria uma sala de reunião e envia o convite desta, via e-mail ou link, para todos os participantes. Não é necessário criar uma conta no site. Basta apenas acessar o URL e informar seu próprio nome. 

    Além das conversas em tempo real, a plataforma oferece um chat, para quem optar por não ligar o áudio ou vídeo da chamada, transferência de arquivos, compartilhamento de tela. Também possibilita que você grave a conversa (com o consentimento de todos), para que, seguidamente, possa disponibilizar em outras plataformas para aqueles que não puderam acompanhar. 

    É uma ferramenta que pode ser considerada e estudada pela NHL como uma forma de realizar o Draft. Na modalidade paga e webinar, o Zoom abriga cerca de 10.000 participantes nas calls. Desta forma, além dos GMs dos clubes e os responsáveis pela Liga, grande parte dos prospects poderia acessar a call e acompanhar tudo de casa ao vivo. Os próprios canais da Liga poderiam disponibilizar um vídeo ao vivo de todo o evento, transmitindo assim para todos os seus seguidores em todo o mundo. 

    Skype

    De todas as plataformas citadas aqui, o Skype talvez seja um dos mais famosos e o pioneiro na criação das videoconferências. Também é um serviço de chamada de áudio e vídeo, criado pela Microsoft, que está disponível na versão aplicativo (tanto para celular, quanto para o computador) e na própria web, sem que o usuário precise fazer o download.

    Geralmente, a modalidade do Skype que a maioria de nós utiliza abrange até 50 pessoas em uma chamada. Por exemplo, neste caso, se a NHL optasse pelo uso da ferramenta, o Draft contaria apenas com a participação do comissário da Liga e GMs dos clubes. Seguidamente, fazendo a gravação da chamada, o evento poderia ser divulgado em outros canais de comunicação. 

    No entanto, a ferramenta criou uma versão empresarial, há alguns anos: o Skype for Business. Nesta modalidade, uma ligação pode contar com a presença de até 250 pessoas por vídeo ou áudio.

    Por mais que seja um número maior, ainda sim a plataforma não suportaria todos os prospects, muito menos os fãs da Liga.

    Ela poderia ser considerada caso a NHL opte pelo evento não ser aberto ao público. Assim, poderiam existir outras maneiras de as próprias equipes da Liga disponibilizarem o evento mais tarde, para que o público pudesse ficar a par dos acontecimentos. 

    ezTalks

    O ezTalks é uma ferramenta muito parecida com o Zoom de certa forma. Possui a maior parte dos comandos de áudio, vídeo, compartilhamento e gravação de tela, e etc. A modalidade webinar seria a mais indicada para a realização de qualquer evento, já que abriga até 10 mil pessoas em apenas uma reunião. 

    A plataforma oferece alguns hardwares, como cameras, microfones, etc., para melhorar cada vez mais a experiência dos meetings. Portanto, a NHL poderia aproveitar também esses recursos para que o evento fosse transmitido para mais pessoas.

    Microsoft Teams

    O Teams é outra criação da Microsoft para a comunicação on-line. A modalidade gratuita da ferramenta oferece a criação de vídeo conferências que podem abranger até 250 pessoas. Além disso, oferece também os recursos de compartilhamento de tela e edição colaborativa dos aplicativos da Microsoft. 

    Ou seja, se for uma opção, a Liga pode se reunir com poucas pessoas de cada time, apenas os responsáveis. E desta forma, resolver e decidir sobre os prospects que cada time irá escolher. 

    Os próprios canais de comunicação da NHL, e dos próprios times, podem verificar maneiras de transmitir para os torcedores o evento. Desta forma, é neste momento que entram as mídias sociais. 

    Os serviços das mídias sociais

    Nos últimos anos, a NHL tem utilizado de forma abundante dos serviços das mídias sociais. Posts, Lives, Stories, e IGTV são recursos que, não só a Liga, mas os canais de comunicação dos próprios times têm usado de forma frequente. Principalmente nos últimos dias, já que o restante dos jogos da temporada foram suspensos. São lives e videoconferências com os jogadores, vídeos gravados por estes, mas repostados pela própria Liga, com o intuito de manter o torcedor informado até mesmo na quarentena. 

    Por fim, não seria uma opção a se descartar o fato de a Liga optar usar uma transmissão ao vivo no Instagram, por exemplo, a escolha de cada time no Draft. Para que isso acontecesse, GMs e os demais responsáveis precisariam se encontrar antes e deixar as coisas definidas, já que vídeos ao vivo do Instagram, por exemplo, possibilitam que apenas duas pessoas por vez em uma Live. 

    O Twitter, YouTube e Facebook funcionam da mesma forma. Caso os serviços fossem escolhidos, seria necessário ter apenas um mediador diante da câmera anunciando as escolhas dos times. 

    Caso não optem pela opção ao vivo, existem diversas outras maneiras de disponibilizar as vídeo conferências em IGTV, e até mesmo no canal do YouTube da Liga. 

    Portanto, não faltam opções de ferramentas on-line para possibilitar a execução do Draft. Mesmo que este acontece de longe, com cada participante em sua casa. A NHL apenas precisa ponderar quais destas podem vir a ser mais benéficas para a sua execução.

    Quais ferramentas vocês indicariam? Contem para nós nos comentários.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • Mundo do hockey se une na prevenção da COVID-19

    Mundo do hockey se une na prevenção da COVID-19

    O mundo está passando por um dos seus piores momentos com a Covid-19. O vírus que assola a humanidade tem atingido todos independente de raça, sexo e até mesmo situação financeira. Pessoas do mundo todo tem lutado contra algo invisível. Hospitais lotados e ruas vazias. Países tem precisado se desdobrar para dar conta de ajudar todos. Infelizmente, isso não é possível, e então a comunidade como um todo precisa se unir e ajudar. É preciso colocar a mão na consciência e não pensar só em si mesmo, afinal, não sabemos o dia de amanhã e muito menos se iremos conseguir passar por tudo isso sem perdas maiores e mais próximas de nós.

    No mundo do hockey as coisas não andam diferentes. Os jogos foram cancelados, funcionários tiveram seus salários cortados ou foram até mesmo demitidos e a temporada 2019-20 está pausada por tempo indeterminado. Ainda não se sabe quando tudo irá voltar ao normal e nem como isso será.

    E é exatamente nesse momento que vemos o hockey ser muito mais que um esporte, muito mais que homens sob o gelo indo atrás de um puck. Homens esses que ganham milhões e não serão atingidos financeiramente como aqueles que dependem de salário em salário para viver. Muitos desses homens inclusive entendem seus privilégios e tem doado dinheiro por causas maiores, seja para ajudar com o salário de outras pessoas ou até mesmo em suplementos para hospitais. Muitos tem ajudado como podem, apesar de às vezes nem parecer muito. No entanto enquanto alguns se solidarizam, outros têm fechado os olhos para as comunidades em que vivem, não se juntando as causas e vivendo em seus mundinhos privilegiados como se a humanidade não estivesse passando por algo tão sério. 

    Uma pandemia que não somente mata as pessoas com a doença, mas que tem quebrado países e empresas. Um momento histórico tem adiado e até mesmo cancelado eventos. 

    Com o mundo precisando de apoio diversos jogadores, times e empresas parceiras têm procurado formas de ajudar suas comunidades. Seja doando máscaras N95 ou oferecendo refeições em restaurantes, o mundo do hockey se uniu e tem mostrado o seu apoio na luta contra o vírus. Desde o início da quarentena em março temos visto mobilizações das mais diversas formas e jeitos. Para manter vocês por dentro de tudo que aconteceu o NHeLas fez uma retrospectiva dessa mobilização.  

    A união faz a força

    • 14/03: Alguns jogadores se uniram para leiloar objetos autografados em parceria com uma organização sem fins lucrativos. Entre eles  estão John Klingberg do Dallas Stars e Jonathan Huberdeau do Florida Panthers. Ambos, assim como outros, doaram jerseys autografadas para o Center for Disaster Philanthropy para ajudar na pesquisa para o Covid-19. A lista completa de jogadores com as ofertas se encontra aqui.
    • 14/03: O Staples Center, lar dos Los Angeles Kings, doou cerca de 3 mil toneladas de alimentos que seriam utilizados em suas instalações para os eventos que estavam agendados. A arena que já costuma doar o que sobra para uma organização sem fim lucrativo que alimenta pessoas em situação de rua, decidiu ajudar o mesmo local. No entanto esse não poderia receber todos os suplementos e indicou o Los Angeles Men’s Mission e Los Angeles Mission que juntos preparam 3.500 refeições por dia.
    • 19/03: Os times Vancouver Canucks, Pittsburgh Penguins, Carolina Hurricanes e Minnesota Wild decidiram seguir o exemplo do Staples Center e também doaram alimentos não utilizados para organizações sem fins lucrativos de suas respectivas cidades.
    • 19/03: Ainda na mesma semana, as equipes Montreal Canadiens, Tampa Bay Lightning e Ilitch Companies, proprietária do Detroit Red Wings, também anunciaram doações dos alimentos não utilizados nas arenas. Enquanto os Canadiens e o Tampa Bay doaram alimentos e bebidas para as organizações sem fins lucrativos de suas regiões, a Ilitch fez uma parceria com a Forgotten Harvest, onde além dos alimentos foram doados 6 mil lenços desinfetantes e 6 mil luvas descartáveis. 

    • 19/03: O goleiro do Washington Capitals, Braden Holtby, e a sua esposa fizeram uma doação mais pessoal. O casal doou 25 mil dólares ao Capital Area Food Bank e iniciou uma campanha online com o objetivo de arrecadar 10 mil dólares para o mês de abril. Posteriormente ao atingir a meta no início de abril o casal decidiu doar mais 25 mil dólares para a causa.
    • 20/03: O GM John Chayka e o presidente e CEO Ahron Cohen, do Arizona Coyotes, se uniram ao governador Doug Ducey para ajudar no St. Mary’s Food Bank em Phoenix. Eles ajudaram a empacotar kits de emergência que foram doados para os necessitados. No final de Março eles anunciaram a doação de 20% de seus salários dos próximos meses. Desta vez as doações foram destinadas ao Arizona Coronavirus Relief Fund e outras organizações que trabalham no combate ao vírus. 
    • 25/03: Em um anúncio feito pelo capitão Steven Stamkos, o Tampa Bay Lightning em conjunto com seus jogadores doou 500 mil refeições para o Feeding Tampa Bay e o Metropolitan Ministries.

    • 25/03: O goleiro Henrik Lundqvist, do New York Rangers, junto com sua esposa, anunciaram uma doação de 100 mil dólares através de sua Fundação. Os fundos foram encaminhados para o Food Bank da cidade de New York e ajudarão na produção de 68 mil refeições para oito mil crianças e suas famílias.
    • 25/03: A Pengula Sports & Entertainment em parceria com as fundações do Buffalo Sabres e o Buffalo Bills da NFL anunciou a doação de pelo menos 1,2 milhões de dólares. Uma parte do dinheiro foi destinado ao Western New York Covid-19 Community Response Fund e uma outra parcela irá para o FeedMore WNY e Rural Outreach Center em East Aurora. O restante da quantia foi direcionado para suporte dos hospitais e seus funcionários. 
    • 27/03: A Brian’s Custom Sports, fabricante de roupa para goleiros decidiu ajudar de forma diferente. A empresa anunciou a confecção de suplementos hospitalares, tais como as roupas utilizadas pelos médicos.
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    • 28/03: O jogador do Montreal Canadiens, Jeff Petry, e sua esposa decidiram se inspirar no jogador da NFL Matthew Stafford. O casal abriu uma conta em dois restaurantes no valor de 2.500 dólares para que os funcionários dos hospitais da região pudessem fazer suas refeições. 
    • 28/03: Uma das principais fabricantes de equipamento de hockey também decidiu inovar e fazer a sua parte. A Bauer Hockey anunciou a fabricação de máscaras profissionais para os médicos que estão tratando os pacientes com o vírus.

    • 28/03: A Budweiser Canadá, parceira da NHL anunciou uma doação de 500 mil dólares para a Cruz Vermelha Canadense. A Labatt Breweries of Canada, empresa responsável pela Budweiser, também anunciou que várias cervejarias passaram a fabricar álcool 70% (hand sanitizer) para distribuir 50 mil garrafas ao Food Bank Canada.
    • 31/03: Os parceiros administrativos do New Jersey Devils, o Harris Blitzer Sports and Entertainment também estão apoiando a causa. Eles doaram uma quantia de seis dígitos para ajudar a Health Emergency Response Fund da RWJBarnabas. A doação ajudará a fornecer equipamento para mais de 35 mil funcionários da área da saúde. Além disso, a empresa que também é proprietária do Prudential Center irá doar mais de 10 mil luvas. Nas doações estão inclusos também 7 mil frascos de álcool 70% e produtos de higiene e limpeza. Porém a ajuda não para por aí, a empresa fez uma parceria com o escritório do prefeito para a doação de gift-cards  para os moradores e também se comprometeu com doações para a cidade da Filadélfia.
    • 01/04: O capitão Jack Eichel, do Buffalo Sabres, também fez a sua parte. Através de sua rede social o jogador anunciou a doação de 5 mil máscaras de EPI em conjunto com a Bauer Hockey. A doação foi destinada para os hospitais do Oeste de New York.

    https://twitter.com/Jackeichel15/status/1245467649653583874
    • 02/04: O goleiro Sergei Bobrovsky, do Florida Panthers, o forward Artemi Panarin, do New York Rangers e o goleiro Semyon Varlamov, do New York Islanders, se uniram e organizaram doações de máscaras N95. Bobrovsky com a ajuda do Florida Panthers Foundation doou 1.500 máscaras para os hospitais do Sul da Flórida. Enquanto Panarin, que está em sua primeira temporada em NY, doou 1.500 máscaras para o Hospital for Special Surgery e Varlamov se uniu aos seus colegas de time e juntos doaram 3.000 máscaras para o Northwell Health Foundation em Long Island.

    • 03/04: O Groupe CH, proprietário do Montreal Canadiens e seu time afiliado na AHL o Laval Rockets se uniu ao La Tablee des Chefs, uma instituição de caridade em Quebec, para juntos alimentarem pessoas necessitadas. A instituição e seus parceiros já fazem trabalhos não somente alimentando quem necessita mas também ajudando jovens a se tornarem chefs. Estima-se que juntos eles consigam preparar 100 mil refeições até o final de junho. Para isso será utilizada também as instalações do Bell Center. Essa é a segunda ação do Groupe CH que no dia 17 de março doaram cerca de 6 toneladas de alimento que haviam sidos encomendados para os eventos na arena.
    • 05/04: A medalhista olímpica e atual estudante de medicina Hayley Wickenheiser, usou a sua rede social para arrecadar EPIs para os hospitais. Através de seu pedido o ator Ryan Reynolds efetuou uma doação e a Canadian Tire, parceira da NHL também. A empresa que ao todo doou 5 milhões de dólares, dividiu a sua doação em compras de equipamentos médicos e organizações que lutam no combate ao vírus.
    • 06/04: O Vegas Golden Knights optou por ajudar de forma diferente. Os jogadores em conjunto com os funcionários do time e a Golden Knights Foundation doaram mais de 7.500 refeições. Essas doações foram destinadas aos médicos, enfermeiros e funcionários dos hospitais da região. A equipe também anunciou a doação de um milhão de dólares para o Covid-19 Response, Relief and Recovery Task Force. 

    • 08/04: A CCM Hockey em conjunto com 24 jogadores doaram 500 mil máscaras cirúrgicas para alguns hospitais no Canadá. Entre esses jogadores estão as estrelas da NHL: Sidney Crosby, Alex Ovechkin, Mat Barzal, Miro Heiskanen e Nathan MacKinnon, assim como algumas estrelas do hockey feminino, entre eles Brianna Decker e Kendall Coyne-Schofield. A doação que deve chegar aos hospitais ainda esse mês está dependendo somente dos insumos ficarem prontos. 

    • 08/04: O Florida Panthers decidiu unir o útil ao agradável e teve uma idéia um tanto diferente. O time criou o “Territorial Trot Virtual 5K”, onde os fãs poderão se cadastrar com uma doação de 10 dólares e competir entre os dias 17 e 20 de abril. Todo o dinheiro arrecadado será encaminhado para a Panthers Foundation e ajudará no combate ao Covid-19. O site também está aceitando outras quantias de doação e o doador ainda pode se inscrever pra receber um puck misterioso autografado. 
    • 09/04: Os jogadores do Edmonton Oilers se uniram para doar 100 mil dólares ao Oilers Entertainment Group. A doação será destinada ao suporte do tratamento do vírus localmente e em Alberta.
    • 13/04: Os proprietários do Chicago Blackhawks e Chicago Bulls abriram as portas do United Center, lar de seus times, para se transformar em centro de logística para recebimento e armazenamento das doações de alimentos e EPIs. 
    • 13/04: A CCM fez um novo anúncio, desta vez a empresa usará a sua fábrica em Montreal para a fabricação de equipamentos individuais de proteção para os profissionais de saúde. A estimativa é que possam ser fabricados cerca de 150 por dia.

    • 13/04: O Anaheim Ducks também anunciou doações de refeições. O time em conjunto dos seus parceiros doará 200 refeições por dia para os profissionais do UCI Medical Center. Não somente isso, a equipe comprará essas refeições de restaurantes locais para ajudar na crise econômica.
    • 13/04: O Ottawa Senators também tem olhado para a sua comunidade. Com a escassez enfrentada pelos hospitais de Ontário, o time iniciou uma campanha de arrecadação. A campanha nomeada de “Shielding Heroes” tem o objetivo de arrecadar 500 mil dólares que serão destinados para a fabricação de EPIs. A Ottawa Senators Foundation em colaboração com a HP Canadá e o LEO Lab fabricarão  esses EPIs. O LEO Lab produzirá cerca de 3.500 unidades por semana usando uma impressora 3D da HP e as mesmas serão doadas para os hospitais da região. 
    • 14/04: A equipe de Seattle ainda nem começou a sua primeira temporada mas já pensa em sua comunidade. O time em conjunto com o Oak View Group doou um milhão de dólares para ajudar no combate da pandemia. Deste valor, 800 mil foram encaminhados para o United Way of King County’s Community Relief Fund. Os 200 mil restantes serão distribuídos para organizações sem fins lucrativos. 

    Foto: Reprodução/unitedcenter.com

  • A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    Quarenta e cinco anos. Esse foi o tempo necessário para o L.A. Kings faturar sua primeira Stanley Cup. Guiados pelo capitão Dustin Brown e companhia, a equipe eliminou todos os seus adversários e, por fim, conquistou o prêmio cobiçado há anos. Um dos dois que os Kings vieram a conquistar durante a década. 

    No entanto, as maiores conquistas dos times na NHL só foram construídas a partir de muito trabalho e dedicação no gelo. Não foi diferente com os Kings. Portanto, em mais um texto do especial 10 for 10, contamos para vocês sobre a trajetória de Los Angeles até a conquista da Stanley Cup.

    O caminho até os playoffs

    A offseason de Los Angeles, que antecedeu a temporada 2011-12, foi bastante calma. Por ter cedido a first round pick para o Edmonton Oilers em uma troca, que ocorreu em fevereiro de 2011, o time acabou não tendo sua escolha da primeira rodada do Draft 2011.

    A equipe recebeu dos Oilers o jogador Dustin Penner, e cedeu ao time de Edmonton aquele que seria a 19th overall pick. Por fim, os Kings também precisaram ceder na negociação uma 3rd round pick condicional no Draft 2012, e o jogador Colten Telbert. 

    Finalmente, os Kings iniciaram a nova temporada, e em grande estilo. O time viajou para a Suécia e estreou em 2011-12 na capital do país, Estocolmo. A partida foi disputada contra os Rangers, no dia 7 de Outubro, na Ericsson Globe Arena.

    Ao final do jogo, os Kings derrotaram New York em um placar de 3 a 2. Seguidamente, o time continuou os jogos na Europa, desta vez contra os Sabres. A partida aconteceu no dia seguinte, em Berlim, na Alemanha. No entanto, quem saiu vitorioso no jogo foram os adversários de Los Angeles, com uma vitória de 4 a 2 sobre o time da Califórnia. 

    Após a estreia na Europa, o time registrou um ótimo ritmo durante todo outubro na temporada. Com uma campanha de 6-3-2, a equipe se manteve em boas posições na Liga durante todo o mês.

    No entanto, é em dezembro que as coisas ficaram turbulentas para os Kings. A equipe acaba demitindo seu técnico, Terry Murray, no início do mês, e foi John Stevens quem assumiu a posição como técnico interino. 

    Todavia, no dia 20 de dezembro, os Kings acabaram liberando Stevens e contratando Darryl Sutter para assumir o comando da equipe. A partir do comando de Sutter, o time venceu a maior parte das partidas até o final do ano, perdendo apenas duas em um shoutout e overtime. Ao fim do mês, Los Angeles terminava o ano com 44 pontos registrados na tabela.

    Há um mês do fim da temporada regular, os Kings ocupavam a décima posição na Conferência Oeste, a apenas 2 posições de uma vaga nos playoffs.

    A defesa e goaltending do time se destacaram durante toda a temporada, com grandes atuações de Drew Doughty e Jonathan Quick. O ataque da equipe também possuía diversos talentos, mas o time ainda falhava em encontrar consistência no gelo. 

    No entanto, ao final de março, seus jogadores ofensivos finalmente pareceram se encaixar para marcar os gols que fizeram falta ao início do ano.

    Desta forma, os Kings finalizaram a temporada regular em terceiro lugar na Divisão Pacífica e em oitavo na Conferência Oeste. Por fim, com 95 pontos, o time garante sua passagem para os playoffs com um elenco de grande peso na bagagem e muitas chances de chegar à final.

    Os playoffs

    Era a terceira classificação consecutiva dos Kings para os playoffs. O primeiro adversário do time foi o Vancouver Canucks, que havia feito uma grande temporada regular. No entanto, bastaram cinco jogos, com apenas um vencido pelos Canucks, para o time de Los Angeles eliminar a equipe de Vancouver.

    Os Kings venceram os dois primeiros jogos em casa, e o terceiro na Rogers Arena. Seguidamente, acabaram por perder o Jogo 4 para o Vancouver. Por fim conquistaram a vitória no Jogo 5 e classificaram-se para o segundo round com quatro vitórias sobre o Canucks.

    O segundo oponente de L.A. nos playoffs foi o St. Louis Blues, que finalizou a temporada regular ocupando a segunda posição no ranking da Conferência Oeste. No entanto, a sorte do time de Missouri não foi a mesma nos playoffs.

    Os Kings iniciaram a série jogando na casa dos Blues, vencendo os dois jogos disputados no Enterprise Center (casa do St. Louis). Seguidamente, vencerau os jogos três e quatro em casa e, por fim, com a “varrida”, garantiram a ida para a próxima rodada.

    Já na Final da Conferência Oeste, os Kings se encontravam cada vez mais perto do seu objetivo. Porém, ainda tinham mais um desafio pela frente: eliminar o Phoenix Coyotes (hoje, Arizona Coyotes).

    Phoenix terminou a temporada regular ocupando o terceiro lugar na Conferência Oeste, então era de se esperar que fosse um forte adversário para Los Angeles. Mas as coisas nos playoffs são muito diferentes. O time venceu 4 dos cinco jogos e descolou uma passagem diretamente para a Final.

    Assim, os Kings partiram para New Jersey com o intuito de disputar a última fase da competição contra os Devils. Talvez essa tenha sido uma das séries mais complicadas que o time de Los Angeles precisou enfrentar durante os playoffs.

    Como os Devils tinham vantagem de home ice, os dois primeiros jogos aconteceram em New Jersey. No entanto, não foi o suficiente para intimidar os Kings, que vencram os dois confrontos disputados no Prudential Center em overtime.

    Os dois jogos seguintes aconteceram em Los Angeles. O terceiro terminou com vitória para os Kings. Porém, ao perderem a quarta partida para os Devils, o round avançou para um Jogo 5, no qual os Devils também saíram vitoriosos. 

    Kings Campeão

    Com a vitória dos Devils nos Jogos 4 e 5, foi necessário acontecer um Jogo 6, que ocorreu no dia 11 de junho de 2012. Partida esta em que o New Jersey recebeu os Kings em sua casa.

    Após o primeiro gol de L.A., que saiu no primeiro período pelas mãos do capitão da equipe, Dustin Brown, os Kings decolaram no jogo.

    Por fim, após 6 gols, 3 períodos e uma temporada sensacional, o Los Angeles Kings se tornou o campeão da Stanley Cup de 2012. Após 47 longos anos, o time finalmente trouxe para Los Angeles o primeiro título em toda a história do clube na NHL. Além disso, foi também a primeira aparição do time em uma Stanley Cup Final desde 1993. 

    Jonathan Quick foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelo time. Devido a sua performance no gelo, ele foi eleito MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. O jogador chegou ao final da competição com uma save percentage de .946% (segundo melhor da liga) e foi o goleiro com mais vitórias, todas as 16 do time nos playoffs.

    Dustin Brown, capitão da equipe, foi o líder em pontos (20), gols (8) e assistências (12) na competição pela Stanley Cup. Ao lado dele, seu companheiro de equipe, Anze Kopitar, também liderou, registrando o mesmo número de gols e assistências. 

    O time, por fim, trouxe o troféu para casa, onde comemorou com um grande desfile na cidade, no dia 14 de junho. As ruas de Los Angeles ficaram lotadas de fãs da equipe, que saíram de casa para comemorar junto com os jogadores o tão esperado título dos Kings. 

    Não poderia existir um jeito melhor para o time de Los Angeles começar a década. O  ano de 2012 foi apenas o início de uma década de grandes conquistas para os Kings e vitórias que entraram para a história da equipe.

  • Draft à distância: nada novo para a NHL

    Draft à distância: nada novo para a NHL

    O Draft da NHL é um dos eventos mais tradicionais da Liga. Isso porque, ele é o principal acesso dos jogadores à NHL, onde conhecemos os novos talentos geracionais de nossas equipes.

    O evento deste ano estava originalmente planejado para ocorrer nos dias 26 e 27 de junho, no Bell Centre, em Montreal, Quebec. Porém, devido ao COVID-19, a temporada da NHL está suspensa. Desde então, eventos como NHL Awards, NHL Combine e NHL Draft também foram adiados, ainda sem definição de nova data. 

    Por conta da pandemia, uma discussão sobre como o draft deste ano aconteceria veio a tona. À primeira vista, o que poderia ser um grande problema para a NHL tornou-se algo que a princípio é fácil de se resolver, já que os Drafts de antigamente não eram presenciais, ou seja, não eram abertos ao público.

    Antes de 1980, o draft da NHL acontecia em hotéis de Montreal ou nos escritórios da Liga, fechados aos fãs. Contudo, em 1980, os Drafts tornaram-se eventos públicos, realizados no Fórum de Montreal (antiga arena dos Canadiens), com mais de 2.500 fãs presentes.

    Em 1985, aconteceu o primeiro Draft fora de Montreal, em Toronto. 

    Drafts à distância

    Desde a implantação do evento presencial, nunca houve outra forma de fazer o draft acontecer. Isso porque os eventos de seleção movimentam e trazem lucro para a cidade sede.

    Isso acaba sendo um grande negócio, pois possui uma logística, muitos hotéis reservados pelas equipes das franquias e fãs que se deslocam para acompanhar o evento. Sendo assim, um possível Draft à distância, seria uma oportunidade lucrativa perdida para a cidade sede deste ano. 

    As chances da NHL voltar ainda são turvas, mesmo com tudo indicando o cancelamento iminente da temporada 2019-20. Se a temporada voltar em maio ou junho, o draft poderá ser adiado e o evento acontecer normalmente de forma presencial. Todavia, se a temporada for de fato cancelada, o Draft possivelmente aconteceria nos dias já planejados, 26 e 27 de Junho. Entretanto, seria realizado por telefone ou virtualmente.

    Nas ligas de hockey juniores, o Draft remoto já acontece. Basicamente, quando é a chance do time de escolher o pick, você anuncia sua escolha por telefone em uma teleconferência. A seleção de Connor McDavid pelo Erie Otters, por exemplo, foi dessa maneira.

    Outra opção que a liga poderia considerar é conduzir o draft em uma arena vazia. Dessa forma, você limita o número de pessoas em Montreal a clientes em potencial, família, funcionários e mídia. Porém, para que isso ocorresse, seria necessário uma baixa significante na pandemia do COVID-19. 

    A NFL (futebol americano) já anunciou que o seu Draft, que acontece este mês, será virtual. Então, não seria surpresa se a NHL adotasse a mesma forma. Contudo, um dos maiores problemas de uma conferência virtual seriam as más-intenções de hackers, que tentariam de alguma forma invadir o Draft da NHL.

    A menos que a NHL possa descobrir uma maneira de fazer isso sem riscos e com uma tecnologia de ponta, são percausos que cabe a Liga se planejar. Afinal, se antes das tecnologias, alguns times já faziam besteira, imagina o caos que interferêncais mal-intencionadas poderia causar. 

    Sendo assim, o Draft de 2020 sem dúvidas entrará para a história. Seu formato será diferente e a NHL precisa buscar alternativas para minimizar os erros. Pensando nisso, contamos uma história curiosa envolvendo a escolha de jovens jogadores para as franquias.

    Buffalo Sabres e o jogador japonês

    Com o draft da NHL sendo fechado ao público, sem presença de mídias e sem o avanço da internet, a confidencialidade dos drafts foi justamente o que possibilitou um jogador inexistente a ser draftado pelo Buffalo Sabres.

    Em 1974, a Liga possuía apenas 18 franquias. Portanto, o recrutamento de jogadores podia estender-se para além de 9 rodadas (isso mudou em 2005, quando foi reduzido a 7 rodadas). Naquele ano, todas as equipes participaram do sorteio por teleconferência ao invés de um sorteio em uma única arena. Isso levou o Draft a ser um processo ainda mais lento e trabalhoso. 

    George “Punch” Imlach, na época gerente geral do Buffalo Sabres, estava cansado do processo tedioso que acontecia pelo telefone. Os jogadores mais importantes eram os selecionados na primeira metade do draft, já que os escolhidos nas rodadas posteriores tinham poucas chances de atuar na NHL. 

    Logo, com a ajuda de Paul Wieland, seu diretor de relações públicas, eles resolveram inventar um jogador a ser draftado. Imlach então usou sua 183ª escolha geral naquele ano para recrutar o japonês Taro Tsujimoto do Tokyo Katanas – uma equipe que não existia, com um nome inventado por Punch, supostamente retirado de uma lista telefônica da área de Buffalo.

    Nos anos 70, os scouts tinham pouco conhecimento de jogadores fora da América do Norte. Embora nenhuma das outras equipes tenha ouvido falar de Tsujimoto ou Tokyo Katanas, o comissário da época, Clarence Campbell, não questionou a escolha de Imlach. Por fim, a NHL registrou o jogador oficialmente. 

    Entretanto, após semanas do registro do jogador, a NHL eventualmente viria a descobrir a piada e declarou que a escolha dos Sabres era inválida. Os registros da NHL ignoram a 183ª escolha em 1974, mas Buffalo ainda a mantém em seus guias de mídia.

    Vale ressaltar que Tsujimoto se tornou uma espécie de piada interna para os fãs do Sabres, e de vez em quando, é possível ver alguém vestindo sua camisa em Buffalo.

    Foto: Reprodução journalmetro.com

  • SC Bern contrata primeira mulher GM no hockey

    SC Bern contrata primeira mulher GM no hockey

    Florence Schelling, ex-goleira da seleção suíça de hockey, foi nomeada hoje 8) como General Manager do SC Bern da Liga Nacional Suíça. Schelling, primeira e única mulher a competir no hockey masculino no país, agora está à frente de mais uma ação pioneira. 

    Ela se tornou a primeira mulher eleita GM de um time de profissional de hockey masculino. Para o SC Bern, a escolha não poderia ser mais acertada. Aos 31 anos, o time acredita que Schelling tem a competências e as habilidades nescessárias para gerir a equipe. 

    Na temporada 2019-20, interrompida em Março devido à pandemia do novo coronavírus, o SC Bern ficou na 9ª colocação de 12 equipes na competição. 

    Caminho até aqui

    Florence Schelling competiu nas Olimpíadas de 2006, 2010, 2014 e 2018 frente ao gol da seleção suíça. A jogadora também teve uma passagem pela CHWL, quando competiu em 2012 pelo Brampton Thunder.

    Sua passagem pelo hockey masculino aconteceu em 2013, quando ela competiu por duas temporadas pelo EHC Bulach. Ela jogou também no nível universitário, nos EUA, pela Northeastern University, e foi finalista do Patty Kazmaier Award em 2012.

    Após este período, ela competiu pelo Linköpings HC, na liga feminina Sueca, enquanto obtia seu mestrado em administração pela Linköping University.

    Schelling aposentou os patins após as Olimpíadas de 2018, entretanto este não foi seu adeus ao hockey. Ela esteve na equipe técnica na seleção sub-18 suíça nos últimos dois anos. Agora, ela enfrenta o novo desafio de levar o SC Bern de volta à elite do hockey europeu. 

    Foto: Reprodução www.en24.news

  • NHL cria novos prêmios para a temporada 19-20

    NHL cria novos prêmios para a temporada 19-20

    A NHL suspendeu a temporada 2019-2020 devido à pandemia do COVID-19 no dia 11 de março. Desde então, muito vem sendo discutido sobre como a temporada será finalizada ou até mesmo se será cancelada. Após terem adiado o Draft de 2020 e o NHL Awards, a Liga resolveu criar prêmios especiais para a temporada incompleta. Dessa forma, a ideia é apresentar novas modalidades e premiar jogadores e times por conquistas não apenas no gelo, mas também fora dele. 

    The Chrissy Teigen Award 

    Esse novo prêmio é uma forma de homenagear as pessoas que trabalham por trás do sucesso dos times. Será destinado ao time com melhor equipe de social midia, avaliando a presença em redes sociais, de forma a expandir o esporte e alcançar públicos mais distantes com um bom engajamento. Os indicados são as equipes do Carolina Hurricanes, Colorado Avalanche e é claro, a equipe por trás do melhor mascote da liga – o Gritty,  Philadelphia Flyers.

    The Kardashian Awards

    Outro prêmio que será incluído esse ano irá homenagear aquele jogador que melhor conseguiu equilibrar a vida no hockey com a família. É claro que a vida na estrada não é fácil. Muito menos a incerteza de se irá permanecer por muito tempo naquela cidade, pois de um dia para outro o jogador pode ser trocado para o outro lado do país. Os indicados a este destaque são Patrick Marleau (PEN), Gabriel Landeskog (AVS) e Austin Watson (NSH).

    The Fashion Week Award

    Que certos jogadores da NHL gostam de colocar estilo próprio nos ternos obrigatórios da Liga a gente já sabe. Mas alguns deles investem mais ainda na própria imagem e aparecem nos jogos com roupas e acessórios dos mais diversos tipos e estampas. Por isso, a NHL resolveu finalmente criar um prêmio oficial para prestigiar o estilo destes jogadores. Neste ano, os indicados serão PK Subban (NJD), Auston Matthews (TOR) e David Pastrnak (BOS).

    The Red Wings Medal 

    Com a temporada parando um mês antes de seu fim, a Liga resolveu propor um prêmio de consolação para o time que teve a pior campanha esse ano. Dessa forma, o Detroit Red Wings receberá uma medalha por ter conquistado apenas 39 pontos em 71  jogos. O número foi tão baixo que o Ottawa Senators, penúltimo colocado, entrou na pausa com 62 pontos com o mesmo número de jogos. O Red Wings já viveu seus momentos de glória, mas a temporada 19-20 pode ser considerada um dos piores momentos na história da franquia. Por isto, eles serão premiados com uma medalha. Afinal, em breve a próxima temporada está aí e, quem sabe, os últimos não serão os primeiros? 

    *Este texto é uma brincadeira de “1º de abril” e não tem compromisso com a verdade. As informações apresentadas são falsas ou estão fora de seu contexto original.

    Foto: Reprodução NHL.com (modificada)

  • Draft Class de 2011: onde estão

    Draft Class de 2011: onde estão

    A loteria de 2011 foi vencida pelo New Jersey Devils, que subiu no ranking da seleção até a quarta posição. Entretanto, a primeira escolha, por sua vez, ficou com o Edmonton Oilers pelo segundo ano consecutivo. No ano anterior a equipe havia selecionado Taylor Hall com a first pick, mas o canadense teve sua temporada encerrada prematuramente devido a uma lesão.  

    Antes do draft, que aconteceu no final de semana dos dias 24 e 25 de junho em Minnesota, os três nomes mais cotados para a primeira escolha eram Ryan Nugent-Hopkins, center do Red Deer Rebels da Western Hockey League (WHL), Gabriel Landeskog, left wing do Kitchener Rangers da Ontario Hockey League (OHL) e Adam Larsson do Skelleftea da Swedish Hockey League (SHL).

    Seja pelo desempenho no gelo ou as transações que os envolveram, os atletas da classe de 2011 tiveram um grande impacto na NHL. Assim, vamos falar um pouco mais sobre os principais nomes que foram selecionados naquele ano. 

    RYAN NUGENT-HOPKINS, C, EDMONTON OILERS (#1 overall): o último dos kid liners

    O center canadense iniciou sua carreira na WHL na temporada 2008/2009, marcando seis pontos em cinco jogos como jogador underage. Na temporada seguinte, Nugent-Hopkins anotou 24 gols e 41 assistências em 67 jogos, o que lhe rendeu o prêmio de rookie do ano da liga. Em junho de 2011 o canadense foi selecionado pelo Edmonton Oilers com a primeira escolha do draft, assinando seu primeiro contrato profissional poucos dias depois. Na sua temporada de estreia, RNH marcou 18 gols e 34 assistências, tendo sido indicado ao prêmio de rookie do ano. 

    Em Edmonton, ele muitas vezes fez parte da chamada kid line com Jordan Eberle e Taylor Hall, selecionados nos dois anos anteriores pela equipe de Alberta. Ao final da temporada 2012/2013, reduzida pelo lockout, os Oilers anunciaram que Nugent-Hopkins precisaria fazer uma cirurgia no ombro. Naquela mesma intertemporada o center estendeu seu compromisso com Edmonton por mais sete anos, custando 6 milhões anuais. 

    Desde então o canadense foi selecionado para o All-Star Game e representou seu país no mundial da IIHF. Com a chegada de Connor McDavid e as mudanças no elenco dos Oilers, Nugent-Hopkins passou a atuar também como left wing na linha de McDavid. Embora não tenha se tornado uma estrela, o canadense é conhecido por seu jogo constante, sendo uma peça secundária importante em sua equipe. Atualmente ele conta com 169 gols e 274 assistências, somando 443 pontos em 604 partidas.

    GABRIEL LANDESKOG, LW, COLORADO AVALANCHE (#2 overall): o príncipe sueco das Montanhas Rochosas

    Embora o jogador seja sueco, Landeskog mudou-se para o Canadá com 16 anos para atuar pelo Kitchener Rangers da OHL. Durante a temporada 2010/2011 o winger foi nomeado capitão da equipe, se tornando o primeiro europeu na história da franquia a assumir o C. Landeskog terminou a temporada que antecedeu seu draft  com 37 gols em 53 jogos. 

    No draft o sueco foi selecionado pelo Colorado Avalanche, assinando seu primeiro contrato profissional logo em seguida. Uma das razões pelas quais Landeskog estreou na NHL imediatamente pode ter sido o chão salarial, já que seu contrato ajudaria a equipe americana a atingir o valor mínimo exigido pela Liga. Entretanto, o sueco excedeu as expectativas e sua campanha de estreia lhe rendeu o Calder, prêmio oferecido ao rookie do ano, após marcar 52 pontos.

    Na temporada seguinte Landeskog quebrou um recorde que pertencia a Sidney Crosby, o de jogador mais jovem a se tornar capitão de sua equipe. Com 19 anos, nove meses e 13 dias à época. Entretanto, o sueco perdeu esta honraria quando Connor McDavid se tornou capitão dos Oilers em 2016. Desde sua estreia na NHL Landeskog desenvolveu seu jogo, se tornando uma peça indispensável para a equipe de Denver no gelo e fora dele. 

    Com o aumento da competitividade de seu time, o sueco passou a se destacar ainda mais, formando uma das melhores linhas da Liga com Nathan MacKinnon e Mikko Rantanen. No cenário internacional, Landeskog foi medalha de prata pela Suécia nas Olimpíadas de Sochi em 2014, além de ganhar o ouro do mundial da IIHF em duas ocasiões, em 2013 e 2017. Enquanto isso, na NHL o sueco soma 198 gols e 262 assistências, totalizando 460 pontos em 633 jogos.

    JONATHAN HUBERDEAU, LW, FLORIDA PANTHERS (#3 overall): bonjour, Florida

    O jogador começou sua carreira no major juniors defendendo o Saint John Sea Dogs da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL) em 2009. Na temporada que antecedeu o draft, 2010/2011, ele marcou 43 gols e 62 assistências em 67 jogos, o que lhe colocou no top 3 de patinadores norte-americanos no ranking dos olheiros. Além disso, o canadense foi campeão da Memorial Cup daquele ano, sendo peça importante para a conquista de sua equipe. 

    Embora Huberdeau tenha sido draftado em 2011 pelos Panthers, ele disputou apenas partidas da pré-temporada de 2011/2012 antes de retornar à sua equipe da QMJHL. No ano seguinte, entretanto, o jogador passou a integrar o elenco do Florida Panthers após o término do lockout de 2012. Após marcar 14 gols e 17 assistências em 48 jogos (tratava-se de uma temporada reduzida), Huberdeau foi o ganhador do Calder no NHL Awards daquele ano.

    Desde então o winger vem tendo uma posição de destaque na equipe da Flórida, especialmente na primeira linha do time juntamente com Aleksander Barkov. Em 2016 Huberdeau assinou um novo contrato com os Panthers, por um salário de aproximadamente 5,9 milhões anuais por seis anos. Além disso, em novembro de 2019 o canadense passou Stephen Weiss e atualmente é detentor do recorde de mais assistências na história da franquia. Em 536 partidas, Huberdeau tem 148 gols e 289 assistência, somando 437 pontos.

    SEAN COUTURIER, C, PHILADELPHIA FLYERS (#6 overall): o banguela de Broad Street

    Em sua primeira temporada na QMJHL Couturier fez parte da campanha vitoriosa do Drummondville Voltigeurs, que venceu a competição. No ano seguinte, 2009/2010,  o center venceu o prêmio de maior pontuador da Q, sendo o jogador com o menor número de pontos a vencê-lo na história do troféu. Já em seu ano de elegibilidade, o canadense contraiu mononucleose, doença esta que não diminuiu sua efetividade no gelo, já que ele teve a mesma quantia de pontos do ano anterior em menos partidas.

    A escolha usada por Philadelphia para selecioná-lo era na verdade do Columbus Blue Jackets, tendo sido adquirida na troca que levou Jeff Carter para Ohio e trouxe Jakub Voracek para Philly. Em seu início de carreira com os Flyers, o center tinha um papel mais defensivo, especialmente no penalty kill da equipe. Sua importância para o time veio à tona especialmente no duelo entre os Flyers e os seus arquirrivais Pittsburgh Penguins nos playoffs de 2012. Couturier, que tinha 19 anos à época, foi encarregado com a tarefa de anular Evgeni Malkin, então vencedor do Art Ross. 

    Ainda que tenha desenvolvido uma reputação como um center defensivo, o canadense só começou a desenvolver sua ofensa quando passou a atuar na primeira linha dos Flyers, com Claude Giroux e Jakub Voracek. Desde então Couturier tem sido destaque entre os centrais da Liga, e conquistou sua primeira indicação ao Selke em 2018. O canadense soma 402 pontos em 647 partidas.

    JOHN GIBSON, G, ANAHEIM DUCKS (#39 overall): um pato que voa solo

    Como é de praxe para os atletas americanos, o goleiro fez parte do USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Durante o programa Gibson fez um compromisso com a Universidade de Michigan, tradicional pelo hockey universitário. Entretanto, o jogador decidiu abrir mão de sua elegibilidade perante a NCAA para jogar pelo Kitchener Rangers da OHL.

    Gibson fez sua estreia profissional pelo Norfolk Admirals da American Hockey League (AHL) em abril de 2013, depois de jogar por mais dois anos na OHL. No mesmo mês do ano seguinte, o goleiro participou de sua primeira partida na NHL, substituindo o então goleiro dos Ducks, Frederik Andersen, e conseguindo um shutout. Durante a pós-temporada daquele ano Gibson também conseguiu um shutout na sua estreia, em uma partida contra o Los Angeles Kings.

    O americano disputou a vaga de titular do gol de Anaheim com Andersen até o dinamarquês ser trocado para o Toronto Maple Leafs, em 2016. Dois anos depois, os Ducks estenderam o contrato de Gibson por mais oito anos, com um salário de 6,4 milhões anuais. Em 287 partidas, o goleiro tem uma porcentagem de .918, com uma média de 2.53 gols sofridos por jogo e 19 shutouts. Gibson foi selecionado como All-Star em 2016 e 2019, além de ter sido o recipiente do troféu William M. Jennings, para o goleiro que, em pelo menos 25 partidas, sofreu a menor quantidade de gols.

    NIKITA KUCHEROV,  RW, TAMPA BAY LIGHTNING (#58 overall): um superstar russo em Tampa Bay

    O russo iniciou sua carreira profissional no CSKA Moscou da Kontinental Hockey League (KHL), onde atuou até 2012. Com a finalidade de se acostumar com as diferenças na América do Norte, o winger passou a atuar na QMJHL com o Quebec Rampants e depois com o Rouyn-Noranda Huskies. Na temporada 2013/2014, após uma breve passagem pelo Syracuse Crunch da AHL, o russo estreou na NHL em 2013, marcando seu primeiro gol contra Henrik Lundqvist do New York Rangers.

    Após uma primeira temporada tímida, com apenas 18 pontos, Kucherov desabrochou ofensivamente, marcando 65, 66 e 85 nos três anos seguintes. Na temporada 2017/2018, o winger conseguiu atingir a marca dos 100 pontos, superada no ano seguinte, quando alcançou 128. Embora Kucherov tenha um desempenho estelar durante a temporada regular, suas atuações na pós-temporada já foram alvos de críticas, especialmente após o Lightning ser varrido pelo Columbus Blue Jackets nos  playoffs em 2019.

    Entretanto, o russo já tem uma prateleira de troféus invejável. Foi ganhador do Art Ross, Hart Memorial e Ted Lindsay em 2019. Além disso, Kucherov já representou Tampa Bay em três All-Star Games diferentes, em 2017, 2018 e 2019. O russo tem impressionantes 547 pontos (221 gols e 326 assistências) em 515 jogos em sua carreira na NHL.

    JOHNNY GAUDREAU, LW, CALGARY FLAMES (#104 overall): Johnny Hockey em chamas

    Ao contrário de Gibson, por exemplo, o pequeno winger apelidado de Johnny Hockey não fez parte do programa de desenvolvimento da USA Hockey. Gaudreau jogou sua temporada de elegibilidade para o draft com o Dubuque Fighting Saints, da United States Hockey League (USHL). Ele foi selecionado apenas no quarto round pelos Flames, além de ter sido o menor atleta a ser escolhido por uma das equipes, com aproximadamente 1,68 de altura. 

    Após terminar o colegial, Gaudreau fez parte do training camp dos Flames e, em seguida, iniciou sua carreira universitária. Enquanto calouro do Boston College Eagles, Johnny Hockey marcou 21 gols e 23 assistências em 44 jogos, liderando em pontuação os outros calouros. Gaudreau foi parte importante para o título nacional dos Eagles, além de ter recebido o prêmio de MVP do torneio. Além disso, ele contribuiu para a vitória de BC no tradicional Beanpot, torneio entre as universidades da região de Boston, do qual também foi MVP.

    Nos dois anos seguintes Gaudreau se tornou a verdadeira estrela da equipe, fazendo com que, em 2014, ele se tornasse o vencedor do troféu Hobey Baker, dado ao melhor jogador universitário da NCAA. Logo após o final da temporada universitária o americano assinou seu primeiro contrato profissional com Calgary. Nos Flames ele se tornou a estrela da equipe, com pontuações indo dos 61 aos 99 pontos, marca esta alcançada no último ano. 

    Gaudreau estendeu seu compromisso com o time de Alberta em outubro de 2016, após longas discussões contratuais que fizeram com que ele perdesse o training camp. Calgary teria Johnny Hockey por mais seis anos, com um salário anual de cerca de 6.75 milhões. Em sua carreira na NHL Gaudreau tem 445 pontos (151 gols e 294 assistências) em 464 partidas.

    Menções honrosas: 

    Adam Larsson, D, New Jersey Devils (#4) – atualmente jogador do Edmonton Oilers

    Larsson foi trocado por Taylor Hall (Oilers) na intertemporada de 2016, causando revolta no Twitter.

    Mika Zibanejad, C, Ottawa Senators (#6) – atualmente jogador do New York Rangers

    Pouco antes da temporada ser interrompida devido à pandemia do novo coronavírus, Zibanejad fez história na NHL ao marcar cinco gols em uma única partida.

    Mark Scheifele, C, Winnipeg Jets (#7) 

    Scheifele foi a primeira escolha dos relocados Jets, quando a equipe retornou para Winnipeg, deixando de ser o Atlanta Thrashers.

    Dougie Hamilton, D, Boston Bruins (#8) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Antes de virar peça importante para a blue line  dos Canes, Hamilton jogou por três temporadas em Calgary.

    Brandon Saad, C, Chicago Blackhawks (#43) 

    O atleta foi campeão da Stanley Cup em duas ocasiões diferentes pelos Hawks, antes de ser trocado para Columbus. Em 2017 retornou a Chicago através de uma troca que mandou Artemi Panarin para os Blue Jackets.

    William Karlsson, C, Anaheim Ducks (#53) – atualmente jogador do Vegas Golden Knights 

    O sueco foi exposto ao draft de expansão em 2017, quando era jogador do Columbus Blue Jackets. Em Vegas, Karlsson entrou no ponto alto de sua carreira e passou a atuar como o 1C dos Knights, chegando à final da Stanley Cup no primeiro ano da franquia.

    Vincent Trocheck, C, Florida Panthers (#64) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    O americano representou os Panthers no All-Star Game de 2017. Na trade deadline de 2020 foi trocado para Carolina por Erik Haula, Lucas Wallmark, dentre outras peças.

    Jordan Binnington, G, St. Louis Blues (#88)

    O goleiro, em seu primeiro ano na NHL, foi peça chave para a conquista da primeira Stanley Cup da história da franquia de Missouri.

  • Entrevista: Thiago Simões

    Entrevista: Thiago Simões

    Hockey na ESPN Brasil já é uma coisa comum para nós. Aguardamos semanas até o jogo do nosso time ser transmitido e, quando acontece, não perdemos a chance de assistir. Entretanto, as transmissões na TV como temos hoje nem sempre existiu. 

    Em 2010, a ESPN Brasil anunciou a volta do hockey para a grade. Pela primeira vez em 6 anos, o esporte voltava à programação da emissora. Isso porque após a Final da Stanley Cup entre Tampa Bay Lightning e Calgary Flames em 2003-04, quando o time da Flórida conquistou a taça, a Liga entrou em lockout, que durou a temporada inteira. Por coincidência ou não, aquela também foi a última temporada transmitida pela ESPN no Brasil.

    Após este hiato que deixou o telespectador brasileiro órfão do esporte, a temporada 2010-11 chegou para ser transmitida no Brasil. Porém, o esporte só ganhou destaque durante os playoffs, quando os jogos ficam mais competitivos e mais atrativos para os torcedores nacionais. 

    Naquele ano, a final da Stanley Cup foi disputada entre Boston Bruins e Vancouver Canucks, que teve o time de Boston como o grande campeão. Com o destaque que a ESPN Brasil deu para a competição, muitos fãs do hockey aqui no Brasil tiveram a oportunidade de conhecer nosso amado esporte e acompanhar a sua primeira final do campeonato.

    O NHeLas decidiu homenagear as transmissões no canal como parte do 10 for 10 de março, mês em que celebramos e relembramos o ano de 2011.

    Batemos um papo com o Thiago Simões, da ESPN Brasil, que nos contou um pouco da experiência de trabalhar com o hockey no canal e sua relação com o esporte.

    Thiago é jornalista esportivo e, assim como nós, fã de hockey. Ele tem sido um dos defensores da modalidade aqui no Brasil, enxergando o potencial que nosso país tem de atrair cada vez mais fãs para o esporte. Atualmente ele é comentarista na emissora e tem um canal no youtube no qual fala sobre esportes e games.  

    (A transcrição foi editada para maior clareza)

    Antes da estréia no final de 2010, a última transmissão de jogos no Brasil tinha sido a final da Stanley Cup da temporada 2003-04. Como foi passar a transmitir a NHL após tantos anos?

    Para mim foi sensacional, porque eu era um espectador. Eu gravava os jogos na década de 1990, tenho muitos jogos gravados em fitas. Inclusive preciso encontrar essas fitas para transformar tudo em meio digital, né? Mas foi uma sensação maravilhosa, porque além de jornalista, sempre gostei de hockey. As pessoas achavam que eu era louco (por) gostar de hockey. Hoje eu provo totalmente o contrário, é um dos motivos do meu ganha pão.

    Como surgiu o interesse da emissora para passar a transmitir os jogos?

    Não faço ideia, acho que só a televisão vai conseguir responder isso para vocês. Mas o que eu escuto hoje em dia, e que pesa bastante, é o fato da gente ter os quatro (grandes) esportes americanos. É o que enriquece a marca ESPN. Mas não é o posicionamento da empresa, esse é um posicionamento meu. 

    Como aconteciam as transmissões no início?

    As transmissões no início eram um pouco mais simples. De certa forma, existia uma produção muito grande por trás de tudo isso, mas não eram muito diferentes do que a gente encontra hoje em dia. Não tem uma grande diferença. A transmissão no início era um pouco mais crua, a gente não sabia como lidar com o espectador.

    Hoje em dia, a gente já sabe como lidar um pouco mais com o espectador, principalmente o que eles estão afim de escutar. É lógico que a gente tem que manter sempre a didática, acho que isso é muito importante para que as pessoas possam cada vez mais conhecer o hockey. 

    Muitos fãs pediam para as transmissões voltassem ao ar. Como foi enfim atender aos pedidos? 

    No começo, o pessoal ficou bem feliz. A gente tinha um “Mural ESPN”, (na época) não existia redes sociais da forma que é hoje. Até existia rede social, mas o pessoal usava muito o “Mural ESPN”. O pessoal gostava muito, ficava feliz.

    O hockey não é um esporte tão difundido aqui no Brasil, é um esporte muito de nicho então não eram tantas as pessoas que se pronunciavam e entravam no “Mural ESPN”.

    Os playoffs daquele ano ganharam destaque. Como foi essa cobertura? 

    Foi espetacular! A oportunidade de fazer uma primeira final de Stanley Cup. A gente ainda (está) em busca de fazer in loco, quem sabe um dia isso possa acontecer. Não dá pra descrever, eu me emocionei muito, chorei pra caramba. O Ari (Aguiar) também chorou, foi espetacular, sem palavras.

    Tem alguma história curiosa sobre aqueles playoffs?

    Eu não vou lembrar de cabeça, teria que dar uma pesquisada, mas com certeza passar as madrugadas, às vezes passando prorrogações infinitas, sem saber a hora em que ia acabar, era sensacional.

    A gente ficava desesperado, ao mesmo tempo a gente queria que o jogo continuasse, a gente queria que o jogo acabasse. Porque é muito desgastante, a pessoa acha que é simplesmente sentar lá e falar e não é só isso. É muito desgastante para o psicológico ficar duas horas sentado. Imagina no hockey que são pelo menos 2h30 a 3h, numa prorrogação, num jogo totalmente emotivo, que você tem que passar esse tipo de emoção para as pessoas.

    Apesar de ser transmitido há alguns anos, o esporte ainda não tem o mesmo público que as outras ligas americanas aqui no Brasil. Quais as dificuldades enfrentadas no início e os obstáculos que ainda existem?

    Bom, a grande dificuldade eu acho que fica principalmente por ser um esporte de uma cultura totalmente diferente. A gente não tem a mesma cultura de andar sobre patins no gelo. Jogar hockey não é uma coisa comum aqui. Mas aí as pessoas vem me falar “ah, mas o futebol americano também não é praticado aqui.” Sim, mas com uma bola e um parque você consegue jogar futebol americano. Você consegue jogar futebol americano com o seu filho, eu fiz isso, eu estou fazendo nesses dias de quarentena aqui dentro de casa, aqui no corredor a gente fica jogando bola um pro outro.

    No hockey não dá para fazer isso. Você precisa ter um local específico para isso. Eu acho que a dificuldade enfrentada no início era exatamente mostrar que a gente tinha vindo para ocupar um espaço importante na TV, e os obstáculos que ainda existem ficam muito relativos ao preconceito.

    O preconceito não só do pessoal de fora, mas o preconceito também que existe dentro das redações. Praticamente o que se notícia de hockey é briga, é “pontapé”. E a gente sabe que o hockey não é isso, a gente conhece o hockey, e só com tempo a gente vai conseguir mudar (esse estereótipo). Quanto mais vezes passar isso na televisão, mais vezes a gente vai mostrar que não é só briga, e mostrar que a briga é algo cultural.

    Já mostrei isso em alguns vídeos do YouTube, não é tão simples de explicar para as pessoas. Tem pessoas que não gostam de brigar, né? A gente tem que entender isso. Mas quem sabe com o tempo, porque ele tem uma aproximação muito grande com o futebol: ver quem marca mais gols. E eu acho que tem algo que se perdeu muito no futebol, que é a paixão. O hockey tem uma paixão, o jogador se dedica 100%, porque se você não se dedicar 100% você acaba se dando muito mal.

    Como você se preparou para as primeiras transmissões? Teve mudanças neste processo ao longo dos anos? 

    Eu nunca me esqueço da primeira transmissão, em que a gente acabou tendo muitas informações americanas. Temos direito aos game notes, que dá cerca de 90 páginas. Eu lembro que na minha primeira transmissão, não me pergunte qual foi o meu primeiro jogo, porque eu não vou lembrar. É uma coisa que eu deveria saber, né? Mas eu lembro que daquelas 90 páginas, eu transformei em umas 100, 150 para estudar. E aí chegou na transmissão, eu não consegui usar nada daquilo porque a gente se sente totalmente perdido, não sabe nem por onde começar.

    Então eu comecei a filtrar as informações mais importantes, e eu lembro que no início eu trazia muitas curiosidades. Porque o Diogo (Novaes) era um cara que tinha vivido nos Estados Unidos, ele tinha aquela pegada mais Paulo Antunes de conhecer o jogo em si. Eu era apenas uma pessoa que era apaixonado pelo esporte, mas que era jornalista. Então eu trazia um outro viés para transmissões. Da mesma forma que o Diogo trazia muitas informações estatísticas, eu trazia essas curiosidades, e com o passar do primeiro ano, até o segundo, cada um já mesclava um pouco de cada uma (dessas informações).

    Foi basicamente assim que começaram as transmissões de hockey. E com o Ari sempre foi muito mais fácil fazer isso, porque o Ari sempre foi uma pessoa muito aberta para a brincadeira. Com o passar do tempo, vivendo a Liga todos os dias, você acaba de uma certa forma diminuindo o número de estudo, focando no que é mais importante, mas não deixando de lado o fã de esportes que tá aprendendo sobre o hockey.

    Então a minha preocupação hoje em dia é trazer informações bem básicas. Uma metodologia que eu tento utilizar agora que é trazer informações mais básicas, brincar bastante para deixar a transmissão com entretenimento para ver se as pessoas conseguem gostar do esporte. E aí quando chega nas cabeças, final de Conferência, final de temporada, eu já entro no âmbito de estratégia, de estatística. Ou seja, eu tento focar um pouco mais no que o fã do esporte que é hardcore busca. Mas a gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque ao trazer ali informações hardcore e complexas, você afasta as pessoas. 

    Existe algum ritual específico antes de cada transmissão? 

    Não, não tem nenhum ritual. Eu sou muito tranquilo, não tento buscar um ritual para fazer. Que eu me lembre agora não tem nada de específico, só a preparação diária. Geralmente eu estudo de manhã, quando eu acordo. E aí eu dou um respiro, e no final do dia volto a estudar de novo. Começo o estudo vendo jogos anteriores, no meio do estudo pego estatísticas e no final busco notícias mais recentes. Basicamente é isso.

    Qual a maior dificuldade que você tem ao se preparar para cada jogo?

    A maior dificuldade é estar 100% saudável. Quantas vezes a gente já esteve com febre, não esteve com um bom humor e tinha que trazer alegria, né? Porque a gente vende um sonho e às vezes a gente não tá 100% mentalmente, 100% fisicamente. Eu acho que esse é o grande desafio. Às vezes porque a pessoa enxerga a gente na televisão e acha que a gente é aquilo. Mas não, eu sou pai, tenho um filho. O Ari tem família dele, tem as preocupações extras dele. Não cabe aqui falar quais são, mas a gente tem nossas preocupações e, infelizmente, as pessoas deixam isso de lado e acreditam que a gente é exatamente aquilo que aparece.

    Eu principalmente, tento ser a mesma pessoa em todos os ambientes. As meninas (do NHeLas) me conhecem muito bem e elas sabem quem eu sou naturalmente. Eu tento ser da mesma forma no ar, e o Ari também é assim. Mas às vezes não é fácil. Quantas vezes a gente não tem uma dificuldade para fazer uma transmissão por causa de um problema extra? Mas a gente tem que fazer tudo no nosso melhor. A gente recebe para isso, mas é não é nada fácil.

    A liga possui 31 times, como é decidido quais partidas serão transmitidas?

    Eu sento com o responsável pela programação todo mês, a gente recebe uma lista dos jogos que tem disponível, e definimos quais serão. Como é que é feito isso? Você imagina ter que prever qual é o jogo melhor para daqui um mês? Não é nada fácil, né? A gente tem que levar em consideração o posicionamento dos times na tabela. Além disso, como a gente não tem tanta audiência, ficamos refém dos horários disponíveis. 

    Então, como é que funciona: essa semana a gente tem disponibilidade de horário terça-feira às 9 horas da noite, quinta-feira às 10 horas da noite e sábado às 6 horas da noite. A gente tem que saber quais são os melhores jogos que se encaixam nesse horário, e então utilizamos a premissa de quais times estão melhores qualificados e, na segunda forma de analisar, caso não tenha muitos jogos bons, a gente tenta pegar os times mais tradicionais. 

    Às vezes a pessoa reclama “ah, eu não tô vendo o Los Angeles Kings na televisão”. Cara, tem que conciliar… O horário dentro desses horários descritos tem o Los Angeles Kings? Não. O time tá bem? Não. Então fica difícil a gente transmitir o Los Angeles Kings hoje em dia. Da mesma forma que fica difícil a gente transmitir o Detroit Red Wings, porque quanto melhores os jogos que a gente tiver na televisão, melhor pode ser a nossa audiência, e melhor a forma do fã de esporte gostar do esporte.

    Não adianta trazer um jogo dos últimos colocados e ver aquele jogo horroroso. O cara que nunca viu hockey e colocou ali pela primeira vez dançou. É lógico que não existe uma lógica de qual jogo vai ser bom ou ruim. Mas a tendência de você ter um jogo melhor entre equipes que estão melhor na competição é muito maior. Então a gente parte dessa premissa.

    Hoje em dia existe um público bem variado que acompanha o esporte. Como você enxerga a evolução do público do hockey aqui no Brasil?

    Eu acho que a evolução ainda não é grande. Eu luto diariamente nas transmissões, bato de frente com todo mundo na TV para tentar ter espaço. A gente sabe que não é nada fácil. Mas a gente vê uma movimentação muito grande, principalmente de pessoas como vocês, de perfis de hockey. Isso é muito importante para você gerar o engajamento. Mas eu confesso que ultimamente tenho visto muito engajamento de perfis, mas pouco engajamento de pessoas.

    Principalmente nas redes sociais. A gente tem que tomar cuidado também porque redes sociais não serve muito como parâmetro. Às vezes a gente tem essa noção de que rede social é o mundo, mas não. O mundo é muito maior que as redes sociais. Elas servem como um parâmetro que é o da internet, mas não como parâmetro de você julgar o que é audiência ou não.

    A internet facilitou muito a vida do torcedor. Você acha que isso influenciou no aumento do público de 2010 para o público de hoje?

    Com certeza, tanto para o bem como para o mal, né? Porque as pessoas acabam indo buscar mais informações, informações mais coerentes, mas também acabam tendo a opinião delas. E às vezes acabam ultrapassando o limite do respeito, mas isso faz parte das redes sociais.

    Pode ter certeza que influenciou sim o conhecimento. Não digo que fez aumentar o público, porque quem tem interesse vai atrás.

    Como é a interação dos fãs pelas redes sociais? 

    Olha, geralmente é 100% positivo. De vez em quando a gente recebe alguma crítica ou outra, né? Não dá para agradar todo mundo. Mas eu acho que de uma forma geral, o público gosta muito das nossas transmissões. E é o que a gente tenta fazer, então serve como esse parâmetro também, é um feedback para a gente.

    Durante esses últimos 10 anos de transmissão aconteceram muitas finais memoráveis. Qual final foi a mais emocionante?

    Olha, eu acho que todas as finais foram emocionantes. É muito difícil separar uma, pra mim. Eu acho que o dia que o Colorado chegar na final vai ser memorável. Mas eu guardo na mente duas finais.

    Em 2014-15, quando a gente teve (Tampa Bay Lightning) e Chicago Blackhawks foi o ano do nascimento do meu filho, que nasceu em abril. Então vocês imaginam abril, maio e junho como é que foi a minha vida? As vezes eu chegava 2h, 3h da manhã e não conseguia dormir porque tinha que ajudar minha esposa a cuidar do filho. Por mais que ele quisesse só a mãe eu tinha que dar um suporte, então não foi nada fácil pra mim. A grande decisão foi um grande alívio. Foi um ano em que eu chorei muito na Final, eu sou meio chorão mesmo. Foi um ano muito especial por mais uma conquista na minha vida, mas ao mesmo tempo foi uma temporada muito dura porque eu precisei de uma força sobrenatural. 

    E, quando surgiu a temporada 2015-16, talvez tenha sido a que eu mais me emocionei. A final foi um entre Pittsburgh Penguins e San Jose Sharks, porque foi um ano muito complicado para mim, que eu praticamente abandonei as transmissões pra cuidar da minha saúde mental, não foi nada fácil. Não sei como eu ia trabalhar, não sei. O pessoal me deu muita força na época, o Ari principalmente e minha esposa também. Foi uma final que parecia que eu tinha jogado e conquistado o título.

    Porque com saúde mental não se brinca, e até faço um pedido aqui: tomem cuidado, preparem-se para qualquer problema, busquem terapia, busquem psiquiatra. Porque não é brincadeira não, foi um ano bem complexo para mim por causa disso. Então isso fica na história porque serviu de todas as formas para eu evoluir como ser humano, principalmente a minha parte espiritual. E ter conseguido de uma certa forma vencer esse grande desafio, que foi esse problema fora do meu trabalho.

    Graças a Deus hoje estou muito bem, continuamos a luta e, quem sabe, logo logo a gente vai estar 100% curado. Mas tudo acontece na vida uma vez e não é por acaso. Então a final de 2015-16 foi o ápice eu acho, por esse problema extra-campo, “extra-rinque”. Porque não foi nada fácil. Às vezes eu não queria sair da cama, não queria ir trabalhar, mas tinha que ir, né? E vocês me ajudaram muito também, de uma certa forma, a superar tudo isso.

    De onde surgiu o interesse pelo hockey? 

    Bom eu comecei a gostar de hockey na década de 1980. Já faz muitos anos, muitas de vocês nem era nascidas. Sou velhinho, tenho 39, daqui a pouco faço 40. Mas eu sempre gostei de hockey. Infelizmente, quando eu era garoto, eu nunca tive a oportunidade de jogar porque sempre foi um esporte elitizado, o hockey inline. Fui jogar depois de mais velho porque eu tive uma condição melhor financeira, e o que me aproximou muito do hockey foi exatamente o video game.

    O video game foi fundamental para isso, os primeiros jogos da Electronic Arts: NHL 92, 93 e 94. A 94 me marcou muito. Daí uma coisa leva a outra, transmissões da ESPN, revistas, lojas. Nós tínhamos uma loja aqui (em São Paulo), eu nunca me esqueço, no Morumbi Shopping, que vendia camisetas de hockey, de futebol americano. Inclusive eu tinha uma camiseta do Dallas Stars da Starter, comprada em 1995. Paguei uma fortuna nessa camiseta, na época era tipo 500 reais, uma coisa assim.

    Futuramente, podemos esperar jogos de outras ligas de hockey além da NHL e CHL na ESPN?

    Dando um cenário realista, eu acho muito difícil. Porque as transmissões de hockey são muito caras, hoje em dia nós pagamos para transmitir. Nós não temos uma verba que entra por causa do hockey. Mas isso pode mudar, quem sabe? De uma certa forma, como eu já disse, fortalece a marca ESPN como transmissora dos quatro esportes americanos.

    Eu acho que se o esporte crescer, com certeza nós podemos ter a possibilidade de quem sabe transmitir a Kontinental Hockey League. Talvez seja um dos meus grandes sonhos trazer o hockey russo, que é o segundo melhor hockey do mundo. Mas isso depende da audiência, a gente só vai conseguir isso se a audiência crescer. Para audiência crescer, nós dependemos de uma divulgação maior, que não é só de vocês, que é também da televisão. É um trabalho e esforço maior de todo mundo para trazer mais pessoas (para) acompanharem o hockey.

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    Monte sua quarentena e te diremos o que assistir

    Quarentena, momento de ficar em casa e cuidar daqueles que amamos. E para se manter entretido, não falta conteúdo. É curso online, vídeo-aula, treinos com amigos fitness, CHEL com os amigos não tão fitness…

    Por esse motivo, decidimos te indicar uma série de vídeos que podem te manter ocupado enquanto a nossa liga favorita não volta. Para isso, monta com a gente a sua quarentena ideal e não se esqueça de compartilhar o resultador e checar o que os outros estão assistindo!