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  • Uma resposta à guerra na Ucrânia

    Uma resposta à guerra na Ucrânia

    O assunto do momento, aquele do qual não podemos escapar por nada neste mundo, é a guerra na Ucrânia. Desde que as forças russas invadiram o território ucraniano no dia 24 de fevereiro, o que configura uma violação do direito internacional, os olhares do mundo se voltaram para o Leste Europeu. 

    Muito embora as ofensivas russas já tivessem ocorrido anteriormente, quando o exército de Vladimir Putin adentrou a região da Crimeia, as novas tentativas de subjugar a soberania da Ucrânia tiveram uma resposta bem diferente desta vez. O seu impacto foi sentido na economia, na política e, é claro, nos esportes

    Uma questão de dinheiro

    O resultado político do conflito reverberou na escalada das sanções contra o governo russo, em especial ao presidente do país e seu grupo de oligarcas. Com isso, as movimentações financeiras envolvendo dinheiro russo foram bloqueadas, como, por exemplo, através da exclusão da Rússia no SWIFT, mecanismo de pagamentos internacionais. Até mesmo países que historicamente não costumam se posicionar em situações de conflito, como a Suíça, adotaram essas medidas. 

    Um resultado imediato do efeito financeiro das sanções, especialmente em relação aos oligarcas próximos ao presidente russo, foi a do Chelsea FC. O proprietário do clube inglês é o oligarca russo Roman Abramovich, que adquiriu o time de Londres há quase 20 anos e foi parte fundamental no estabelecimento dos Blues como uma das potências do futebol internacional. Abramovich primeiramente tentou transferir o comando da equipe para um fundo beneficente, mas com a escalada das sanções o russo finalmente colocou o clube à venda, mostrando que os oligarcas de fato estão sentindo os efeitos das medidas.

    O efeito nos esportes

    A questão financeira e o clamor do público repercutiram no esporte mundial. A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) cancelou seu contrato com os organizadores do Grande Prêmio da Rússia, que normalmente ocorre em Sochi. Ainda nos esportes automobilísticos, a equipe de Fórmula 1 Haas cortou vínculo com seu maior patrocinador, a empresa russa Uralkali, comandada pelo oligarca Dimitri Mazepin. O time ainda demitiu seu piloto russo, Nikita Mazepin, filho do ex-patrocinador. 

    No futebol, a FIFA retirou a Rússia das eliminatórias da Copa do Catar depois de diversas manifestações das federações da Polônia, Suécia e Chéquia afirmando que se recusariam a jogar contra os russos. Ainda assim, a manda-chuva do futebol só excluiu a seleção russa após forte pressão da comunidade do futebol internacional. Já no vôlei, a Rússia deixará de ser sede do próximo mundial, que ocorreria em agosto, e os times do país foram suspensos de torneios internacionais

    Na patinação no gelo, russos e bielorrussos foram impedidos de competir internacionalmente por tempo indeterminado. A mesma punição também ocorreu em esportes como atletismo, basquete e até mesmo alguns torneios de tênis. Neste último caso, é importante lembrarmos que o atual número 1 do mundo no esporte é um russo, o tenista Daniil Medvedev. 

    Mas e o hockey?

    A Federação Internacional do Hockey no Gelo (IIHF, sigla em inglês) anunciou no dia 28 de fevereiro que as federações da Rússia e de Belarus não participarão de nenhuma das suas competições neste ano. Além disso, o World Junior Championship de 2023 deixará de ser em território russo e não contará com as equipes russas e bielorrussas. Entretanto, o calendário da federação ainda conta com São Petersburgo como a sede do mundial masculino de hockey de 2023.

    Na Kontinental Hockey League (KHL), equipes como a finlandesa Jokerit e a letã Dinamo Riga desistiram da competição após a invasão russa. O Jokerit abriu mão de jogar os playoffs da Gagarin Cup, para os quais já estava classificado. Atualmente as únicas equipes não russas na KHL são o Barys Nur-Sultan do Cazaquistão, o Dinamo Minsk de Belarus e o Kunlun Red Star da China. 

    Além disso, atletas de outros países tiveram pressa para deixar os clubes que defendiam na Rússia, inclusive ex-jogadores da NHL. Dentre eles Markus Granlund, Geoff Platt, Nick Shore, Kenny Agostino e Shane Price, dentre outros. A NHL anunciou ontem que suspendeu suas negociações com a KHL e informou aos seus clubes que eles deveriam cortar quaisquer comunicações com agências e organizações baseadas na Rússia

    Os reflexos na nova geração de jogadores

    A atual situação geopolítica terá impacto desde aos possíveis contratos de jovens russos que já foram draftados até aqueles que são apenas prospects. Na primeira hipótese, a falta de comunicação e o rompimento de conversas e negociações entre a NHL e seus clubes em relação à KHL e suas respectivas equipes tornará eventuais negociações e mudanças ainda mais difíceis. Pense na forma como Evgeni Malkin deixou a equipe que o formou para ir para Pittsburgh e multiplique isso pelo impacto causado pelo conflito atual.

    Entretanto, quando o agente Dan Milstein anunciou que a Canadian Hockey League (CHL) tinha como objetivo banir do import draft aqueles atletas que eram russos ou bielorrussos, fomos confrontados com uma discussão importante. Até que ponto atletas, neste caso de adolescentes de 16 e 17 anos, podem ser punidos pelas atitudes daqueles, homens adultos sexagenários, que governam seus países?

    Milstein é agente de atletas russos importantes na NHL, como Andrei Vasilevskiy e Nikita Kucherov do Tampa Bay Lightning. A CHL não anunciou publicamente que não consideraria russos e bielorrussos no import draft deste ano, mas cancelou a série entre Canadá e Rússia que ocorreria neste ano. Acerca do import draft, o órgão canadense informou que anunciaria o formato do draft de estrangeiros posteriormente. Além disso, a ESPN+ anunciou que não irá transmitir os playoffs da KHL. 

    Ovechkin e seus laços com o Kremlin

    O capitão e principal jogador do Washington Capitals é uma estrela na capital americana, mas seu brilho é ainda maior na sua terra natal, a Rússia. Um dos principais nomes do esporte russo em geral, Alexander Ovechkin é o grande jogador de uma geração vitoriosa do esporte favorito do presidente Vladimir Putin. O jogador externaliza seu apoio pelo presidente russo há muito tempo, inclusive através de postagens em suas redes sociais.

    Quando a Rússia ocupou e posteriormente anexou a região da Crimeia em 2014, por exemplo, Ovechkin fez um post onde pedia para que as crianças ucranianas fossem salvas do fascismo. O entusiasmo de Ovechkin para com o seu presidente também apareceu na iniciativa de 2017, o Putin Team, do qual faziam parte outros jogadores como Evgeni Malkin e Ilya Kovalchuk, além de outras personalidades russas. De acordo com o Kremlin, o Putin Team não foi criado por Ovechkin.

    Mas o ativismo político do atleta vai além de sua persona pública. Em 2016, quando Ovechkin se casou com Anastasia Shubskaya, filha do oligarca Kirill Shubsky, o casal recebeu um presente de casamento de Putin. O relacionamento próximo do jogador com Putin não é nenhuma novidade, com Ovechkin inclusive afirmando que tem o número de telefone do líder de seu país. 

    Após a invasão russa à Ucrânia, Ovechkin foi questionado sobre o conflito, mas não elaborou muito além de um comentário evasivo sobre paz. Um comercial popular de Ovechkin com seu companheiro de equipe Nicklas Backstrom foi retirado de circulação. Além disso, a empresa de materiais esportivos CCM tirou os materiais promocionais que incluíam o capitão dos Caps e outros jogadores russos.

    Os demais jogadores russos

    Muito embora uma grande parcela da discussão se centre em Ovechkin e sua relação próxima com o presidente russo, ele não é o único representante da Rússia. A NHL possui 41 jogadores russos atualmente, espalhados em vários de seus times. O único atleta a se manifestar publicamente, além do próprio Ovechkin, foi o defensor Nikita Zadorov, do Calgary Flames. Zadorov fez um post no seu Instagram pedindo um fim à guerra.

    O vocabulário utilizado por Zadorov chamou a atenção, já que o nome oficial dado pelo governo russo à invasão é “Operação Especial”. Além disso, foi aprovada uma lei no país que determina uma pena de até 15 anos de prisão para quem usar expressões como “guerra” ou “invasão” para se referir ao conflito na Ucrânia. Desta forma, Zadorov pode passar a ser boicotado pela federação em eventos futuros, além de correr riscos se retornar ao seu próprio país. 

    Nem mesmo atletas como Artemi Panarin, que já havia tecido críticas ferrenhas a Putin e demonstrado apoio ao principal opositor do presidente, Alexei Navalny, se manifestaram. A resposta do Kremlin às críticas resultou em um afastamento provisório do jogador do New York Rangers, depois que ele foi acusado de cometer atos de violência contra uma mulher quando ainda jogava na KHL. Quanto à invasão na Ucrânia, Panarin manteve o silêncio.

    Algumas considerações finais

    Por serem cidadãos de um governo opressor como o da Rússia, onde pessoas são presas e até mortas por se manifestarem contra o Kremlin, é compreensível que muitos desses atletas prefiram o silêncio. De acordo com Milstein, que é agente de muitos dos russos na NHL, seus clientes estão sendo alvo de mensagens xenofóbicas tanto nas redes sociais quanto ao vivo. Milstein é ucraniano e se mudou do país com o fim da União Soviética, no início dos anos 90. 

    Milstein delineou com clareza o porquê da grande maioria dos russos se manterem em silêncio. Por serem figuras públicas, qualquer comentário negativo sobre o governo russo chamaria a atenção do Kremlin. Entretanto, a grande maioria destes jogadores deixaram suas famílias para trás na Rússia e ser abertamente contrário a um regime autoritário poderia significar colocar seus entes queridos em perigo

    Na última newsletter Hockey With Love, a (nossa amiga pessoal) Gaby foi certeira ao apontar o quão intrínseca a xenofobia é dentro do mundo do hockey. Afinal, ela nos pergunta, por que exigimos um posicionamento apenas dos jogadores russos? Ninguém pergunta aos jogadores canadenses (brancos) a sua opinião sobre as violações de direitos indígenas no Canadá, tampouco aos americanos que já visitaram a Casa Branca sobre a agenda política dos presidentes que a ocupavam. Os demais europeus, como os suecos e dinamarqueses, também não são questionados sobre a situação dos direitos humanos em seus países

    Muitas vezes, porque vivemos, em teoria, em uma democracia liberal com a nossa liberdade de expressão salvaguardada pelo, supostamente, porto seguro do Estado democrático de direito, perdemos o parâmetro de como os governos opressores operam. Aqueles que estão, dia após dia, em público protestando contra essa guerra nas ruas de Moscou, São Petersburgo e demais cidades russas são pessoas extremamente corajosas. Mas, com a integridade física de sua família na linha, você poderia afirmar com convicção que teria coragem para fazer o mesmo? 

     

    Foto: reprodução/eurosport.com

  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 2)

    Você tem alguma lembrança da Stanley Cup de 2002?

    Sim, na verdade eu tenho uma lembrança ótima. Eu me lembro quando eles ganharam, minha mãe me levou até o gelo e ela me pôs nos braços do meu pai e ele ficou me segurando. Eu tinha talvez três, quatro anos. Eu lembro que era tão, tão barulhento. Muitas pessoas, muitas luzes, confete por toda parte. E eu era essa criancinha que estava apavorada, eu só queria ir para casa naquele momento. Você consegue até ver na foto da Stanley Cup em que meu pai está me segurando, todo mundo está sorrindo e eu lá com a cara fechada pensando “onde está minha mamãe, eu quero ir para casa.” Isso é basicamente o que eu lembro daquela Stanley Cup. Mas olhando para trás, quão legal é que eu posso relembrar e me ver numa capa da Sports Illustrated com os Red Wings e a Stanley Cup? É uma daquelas coisas que você não dá muito valor quando é mais novo, mas sinceramente vendo agora, é tão legal que eu tive a chance de fazer aquilo. E poucas pessoas podem dizer que eles estiveram na capa de uma revista Sports Illustrated. Então para mim, essa é uma experiência bacana. Até hoje eu às vezes toco no assunto para me gabar um pouco. (risos) Mas é muito legal porque, olhando agora, era um time tão talentoso, os Red Wings de 2002. Eu acho que eles tinham uns 12 ou 13 Hall of Famers e eu estava literalmente no gelo com todos eles enquanto comemoravam uma taça, e isso é algo que milhões provavelmente já desejaram ter a oportunidade de fazer e eu fui sortudo o suficiente para estar lá. Então é algo super especial.

    Ter esse tipo de coisa num álbum de família é realmente incrível.

    Tem literalmente fotos minhas e do meu pai no gelo com a Stanley Cup em nossos álbuns de família. Eu, na verdade, tenho várias fotos. Quando eles venceram em 1998, meu pai pediu para o dia dele (com a taça) ser perto do final do verão porque eu ia nascer em torno de agosto, setembro. Então quando ele pegou a taça, eu tinha talvez duas semanas de vida. Tem fotos minhas dormindo dentro da Stanley Cup, fazendo todas essas coisas. E aí com a taça de 2002, tem fotos minhas comendo cereais de dentro da taça, e eu tomei banho com ela, fui na piscina com ela. Tem várias fotos muito, muito legais daquela época.

    Você nasceu em um mundo em que seu pai já havia conquistado tanto, e se tornado uma superestrela do hockey. Como foi para você lidar com a pressão e inevitáveis comparações entre você e ele, não apenas no esporte mas também na mídia, tentando ganhar seu próprio reconhecimento enquanto literalmente carregava o nome dele ao mesmo tempo?

    Não é tão fácil. Na minha infância, era algo que realmente me incomodava muitas vezes. Eu nunca sabia, naquela época, se alguém na escola queria ser meu amigo porque eles queriam passar tempo comigo ou porque queriam ingressos ou algo do tipo. Então isso sempre me deixou alerta, mesmo quando criança, sabendo que para confiar de fato em alguém, primeiro eu tinha que conhecê-los de verdade antes de deixá-los entrar em minha vida. Isso é algo que eu de certa forma ainda carrego comigo. Eu sempre tenho um resguardo quando conheço alguém porque não tenho certeza de quais são suas verdadeiras intenções. Enquanto que a maioria das crianças, quando conhecem alguém, começam a conversar na escola e automaticamente se tornam amigos. Mas para mim, era sempre “será que eles querem ser meus amigos ou querem ir em casa ver a Stanley Cup, ou o anel de campeão?” Então isso sempre foi um pouco estranho.

    Aí, quando eu comecei a jogar hockey juvenil, muitas crianças me faziam de alvo por causa do meu sobrenome, eles jogavam um pouco mais sujo, um golpe baixo aqui ou ali. E sempre que eu jogava, tinha um público porque todo mundo estava assistindo ao “filho do cara no Hall da Fama.” Vamos imaginar que tem um torneio com quatro rinques e começam a espalhar que o filho de um Hall of Famer está jogando, eles vão todos assistir àquilo. Felizmente, enquanto eu crescia, eu era sempre um dos maiores pontuadores em um dos melhores times na América do Norte, então era legal e eu aproveitava que tinha alguns olhos a mais virados para mim. Mas quando eu jogava mal, realmente me afetava bastante e, ao longo dos anos, houveram muitas vezes, depois dos jogos, lágrimas na volta para casa porque eu sabia que muitas pessoas estavam me assistindo e eu as decepcionei. E era difícil lidar com aquilo, mas pensando onde estou agora, eu não vejo mais tanto essa pressão.

    Porque se você pensar sobre isso, eu não acho que tenha alguém na história do hockey que ganhou ao todo mais troféus que meu pai ganhou. Ele é como o Dani Alves do hockey no quesito de quantos troféus ele ganhou. Então mesmo se eu fosse ganhar praticamente tudo, eu provavelmente ainda nunca seria capaz de chegar naquele nível, só pela quantidade de troféus que ele ganhou. E está tudo bem. Quer dizer, eu posso ter uma carreira fantástica, eu posso ganhar uma Stanley Cup, uma medalha de ouro nas Olimpíadas, e três Mundiais, e eu ainda não vou ter a carreira que ele teve, mas vencer todas essas coisas ainda é uma carreira tremenda, o que eu acho ótimo. Tem tantos caras que nunca ganham nada disso, mas ainda assim têm grandes carreiras. Quer dizer, obviamente, eu quero ganhar todas essas coisas e eu quero vencê-lo de certa forma. (risos) Mas sendo realista, eu não acho que ninguém nunca vai vencer tantos troféus quanto ele venceu ao longo de sua carreira. Três Stanley Cups, três medalhas olímpicas, cinco Mundiais, seis campeonatos europeus, uma Copa do Mundo, isso é absurdo. Como você tem tempo de ganhar tudo isso? Porque essa é a pergunta que nós deveríamos fazer.

    Eu só sei que eu posso jogar do meu jeito e ter uma grande carreira sem nunca conquistar nada daquilo. Porque eu sei que se eu tiver uma grande carreira, e se eu realizar o que eu quero realizar, e jogar no nível que eu sei que consigo jogar, eu terei uma grande carreira, mesmo que eu não ganhe, sabe, 27 troféus ou algo parecido, o que é uma marca bem alta de se alcançar. Eu estou totalmente bem sendo quem eu sou e jogando no melhor das minhas habilidades e sabendo que se eu atingir o melhor do que eu sou capaz, eu vou ter uma carreira que muitos só podem sonhar em ter, então estou completamente satisfeito com isso.

    Vocês chegam a falar sobre isso, seu pai e você?

    A gente não fala muito sobre as conquistas dele versus qualquer coisa do tipo. Falamos principalmente dele dando dicas, conselhos, apoio, todas essas coisas. Foi até engraçado, a única vez que meio que nos comparamos foi que o primeiro jogo dele na liga russa e o meu primeiro jogo na liga russa foram ambos contra o Spartak Moscow. Então isso foi legal, porque acho que com 40 anos de diferença, o primeiro jogo dele foi contra o Spartak, 40 anos depois o meu primeiro jogo foi contra o Spartak. E eu acho que ele teve (um plus-minus de) -3 em seu primeiro jogo, e eu tive algo como +1, eu não marquei nenhum ponto. Então eu tive direito a me gabar ali porque a minha estreia foi melhor. Mas, no geral, (ele só me dá) dicas. Ele me ajuda, mostrando clipes, mandando capítulos de livros, artigos. Ele é um grande fã de futebol europeu então ele me manda vários artigos sobre diferentes jogadores, sobre sua formação, sobre como eles treinam, seu trabalho. Então eu leio muito isso, o que ele me manda, e principalmente é tão valioso quando nos encontramos e assistimos a um jogo na TV, e ele aponta “esse cara está fazendo isso; quando você pega o disco nessa situação, você pode usar o mesmo movimento, mas você também pode mudar um pouco.” Coisas desse tipo que, é incrível, na minha opinião, ter a oportunidade de falar com alguém assim e aprender enquanto vocês estão sentados no sofá e vendo um jogo de hockey. Eu acho que é uma experiência tão valiosa para mim e eu sempre aproveito quando temos a chance de fazer isso. (É) inacreditável poder sentar com uma das maiores lendas do mundo e só assistir a um jogo e literalmente tê-lo apontando tudo para você. Eu acho que isso é muito legal.

    Qual sua memória favorita relacionada ao hockey?

    Minha lembrança favorita de hockey é quando jogamos contra o SKA nessa última temporada. Era o meu ex-time, eu fiz parte do sistema deles, eles me desenvolveram um pouco e eu saí de lá. Daí eu assinei com o Kunlun e imediatamente sabia que eu queria jogar contra eles porque as coisas não deram muito certo como eu queria lá, a relação era meio difícil. Logo quando eu descobri que tinha um jogo contra eles em São Petersburgo, eu circulei a data no meu calendário. (O Kunlun) nunca tinha vencido o SKA antes e eu sabia que aquele seria o jogo em que íamos vencê-los. Eu me lembro que eles não tinham muitas restrições, então era praticamente uma plateia lotada, e nós acabamos vencendo por 2-1 e eu dei assistência ao gol da vitória. E aquela foi a experiência mais inacreditável. Foi um jogo tão divertido, e um jeito tão legal de acabar. E depois, nós fomos entrevistados para a TV local e foi uma experiência muito legal. Literalmente foi como quando você sonha fazer algo, como um sonho de jogar na NHL ou algo assim. E foi como uma experiência de NHL. Plateia cheia, arena grande, muita energia, grande jogo, bons jogadores, coletiva de imprensa pós-jogo. Tudo aquilo parecia tão real. De volta ao hotel, tinha um filé enorme te esperando no quarto. Tudo foi muito, muito real e inacreditável. É um daqueles sentimentos de que aquele dia é literalmente como você se sente todo dia na NHL. E depois de experimentar aquilo, é como um vício, você quer sentir mais e mais daquilo. É tão inacreditável. Eu só quero sentir aquilo de novo e de novo e de novo. Eu posso falar disso o dia inteiro. Especialmente (jogando) fora de casa, em que você faz um ponto, uma assistência ou um gol, e a torcida inteira começa a te vaiar, fica um silêncio e é a melhor sensação, eu acho.

    Você uma vez publicou em um tweet que, quando criança, tinha medo do telão da arena cair em cima de seu pai. Quais outros medos irracionais ou coisas engraçadas você se lembra de ter naquela época, assistindo ao seu pai jogar quando você era criança?

    Aquele era provavelmente um dos maiores (medos) porque eu vi aquela foto do telão que caiu em Buffalo e para mim era tipo, aquele é o trabalho do meu pai. É onde ele trabalha, é o escritório dele, sabe? E eu pensava “como ele vai conseguir jogar? Será que vai cair em cima dele?” Mas quanto a outros medos, eu realmente não tinha muitos. Na verdade, eu tive um medo. No meu primeiro jogo de hockey, eu não entrei no gelo. Eu não joguei porque fiquei com medo do árbitro. Eu tinha três anos e eu vi aquele homem (com o uniforme) listrado e fiquei apavorado, e eu não joguei aquele jogo. (risos) Eu falei para a minha mãe e meu pai “eu não vou jogar,” e eles me levaram para casa. Foi provavelmente uma coisa que aconteceu uma vez e nunca mais. Mas algo que era meio irracional, todos os companheiros de equipe do meu pai, que era essas superestrelas, do Hall da Fama, e para mim, eles eram só os amigos do meu pai. Eu não os via como superestrelas ou lendas ou nada do tipo. Eles eram só “o tio Stevie,” Steve Yzerman, ou Pavel Datsyuk, praticamente um primo ou algo assim. Pequenas coisas peculiares do gênero, em que a maioria das pessoas estaria se matando para conseguir um autógrafo, mas para mim, era só o amigo esquisito do meu pai que trabalha com ele e que sempre vinha visitar com uma cerveja, então era engraçado. Olhando para trás, é bem engraçado que aquelas pessoas eram só caras normais para mim, enquanto para outras muitas eles são ídolos ou seus heróis.

    Agora que entramos no assunto da NHL, o quanto você acompanha a liga? Você tem um time favorito? E quanto a outros esportes?

    No quesito hockey, eu não tenho um time favorito mesmo. Eu assisto aos jogos, não assisto a muitos. Eu gosto de ver clipes de jogadores, jogadores que eu quero emular e jogadores que cujos movimentos eu quero roubar um pouco. Eu assisto a muitos highlights dos melhores jogadores, vejo o que eles estão fazendo e no dia seguinte tento fazer aquilo no treino, de modo que eu possa praticar aquilo que os faz bem-sucedidos. Mas eu conheço tantas pessoas na NHL e tantos jogadores que é difícil torcer de fato para um time, mas eu acho que torço mais pelas pessoas do que qualquer coisa. Já em outros esportes, no futebol americano, eu sou um grande fã do Detroit Lions, sempre fui fã dos Lions. É duro, eu sou de Detroit, sabe, nós somos um time horrível, sempre perdemos. Mas todo ano, eu sempre vou a alguns jogos. Então eu sou bem fiel nesse sentido, sou um dos caras mais fieis que você vai conhecer em qualquer aspecto, mas eu nunca vou abandonar os Lions. Eu sou um torcedor do Manchester United desde que eu tinha dois anos. Tem uma foto minha vestindo o uniforme do Man United de quando, literalmente, eu acho que tinha um ano. Desde aquela idade, eu tinha um uniforme completo, o meu nome nas costas, número 8. Durante toda a minha vida, eu sempre tive um kit do Man United, sem exceção. No basquete, sempre fui fã do Boston Celtics porque um dos amigos do meu pai costumava trabalhar para o time e ele mandava camisas e bonés autografados para mim. Então, eu vendo aquilo quando criança, aquilo me surpreendeu e eu instantaneamente me tornei um torcedor dos Celtics. E em outros esportes, eu não sou um grande fã na verdade. A nível mundial, eu torço para a Rússia em torneios internacionais, como a Eurocopa e a Copa do Mundo. Ainda não superei o jeito que eles perderam para a Croácia nas quartas da última Copa. Eu torço para os EUA também na Copa do Mundo, mas claramente eles vêm tendo mais dificuldade. E com sorte eles vão virar a situação, eles têm muitos jogadores jovens e bons na Europa agora. Mas é, eu diria que Man United, Lions e Celtics são os meus três principais.

    Quais são as três cidades em que você mais gostaria de jogar? E quais três você tem menos vontade?

    Gostei, ótima pergunta. Top 3 provavelmente é mais um top 2. É intercambiável, em Nova York ou Los Angeles, uma dessas duas cidades. É meu sonho absoluto, provavelmente Nova York é número um porque é Nova York. Ser um atleta e bem-sucedido em Nova York abre tantas portas em diferentes indústrias, especialmente as que me interessam mais, então para mim isso é muito importante. E as três últimas seriam provavelmente Winnipeg, Calgary, Edmonton… E eu posso continuar, Ottawa… (risos) Não é a mesma coisa que Nova York ou Los Angeles. E eu sou um cara de cidade grande, eu gosto de jogar em Moscou por causa disso. Eu realmente acredito que eu jogo bem melhor em uma cidade grande, com um microscópio enorme nas minhas costas e com a oportunidade de fazer tudo pelo que eu sou apaixonado fora do gelo. Jogando em Calgary, você não consegue ir a um bar e conhecer um estilista ou diretor ou algo do tipo, sem ofensas ao povo de Calgary, só não é o polo onde essas coisas acontecem. Enquanto que em Nova York ou Los Angeles, depois de um jogo você pode conhecer alguém interessante e falar sobre fazer talvez uma colaboração ou qualquer coisa para o seu futuro. Para mim isso é realmente algo muito importante.

    Se você pudesse criar um novo time para a NHL, onde ele ficaria?

    Eu acho que um lugar legal para um time poderia ser Houston. Porque eu sei que eles têm um time da NFL, da NBA e da MLB. Acho que eles têm um bom grupo de fãs de esporte, talvez até um time da MLS também. Eles têm uma boa infraestrutura para esportes e torcedores, e boa parte dos times tem sido bem-sucedida nos últimos anos. Então acho que a NHL provavelmente se daria bem lá, já que eles já estão bem consolidados em Dallas. Dallas é competitivo o ano todo, e as pessoas gostam de jogar lá porque o clima é bom, você está no meio do país, então as viagens não são tão difíceis para qualquer lugar. Acredito que Houston seria um bom local para ter um time.

    Falando em franquias de expansão, o que você acha do que Seattle tem feito até agora para lidar com diversidade e inclusão na gestão do hockey e também em sua comunidade, atacando certas questões mesmo antes de começarem a jogar?

    Eu acho muito legal o que eles estão fazendo. Até li em algum lugar que eles estão construindo uma arena ecológica e de forma sustentável, o que é uma coisa que eu apoio muito. Eu realmente acredito na preservação do planeta porque essa é a nossa casa. Não importa o que aconteça, só existe uma Terra. Eu reconheço muito tudo o que eles estão fazendo a respeito disso. E, sinceramente, Seattle é um lugar muito legal. Sempre achei que Seattle fosse um pouco mais vanguardista que outras cidades, e é ótimo ver que eles estão dando o exemplo nessas questões. Não tenho dúvidas de que (o Seattle Kraken) será muito bem-sucedido porque, antes de tudo, é uma cidade incrível. Tem muita gente interessante lá. Tem um grupo grande de pessoas da informática que vivem lá, e normalmente pessoas desse setor são bem ecológicas, são progressivas para criar oportunidades e empregar outras pessoas, e eu acredito que eles vão ter muito, muito sucesso. Realmente espero que comecem a todo vapor, meio que como aconteceu com Vegas. Eu adoraria jogar lá, e, sabe, seria um prazer jogar na mesma cidade de onde o líder do Nirvana era.

    Parte 1 | Parte 2
  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 3)

    Você tem sido bem ativo em prol de direitos humanos no Twitter, de diferentes maneiras. O que te motivou a ser uma pessoa tão aberta nas mídias sociais, esse compromisso de empoderar e defender minorias e criticar o que entendemos como “cultura do hockey”?

    Para mim, é bom senso. Não acho correto marginalizar as pessoas porque você acha que elas são diferentes de você. Eu não cresci com isso na minha família. Não fazíamos esse tipo de coisa e sempre me ensinaram que você precisa respeitar as pessoas e não tratá-las de maneira diferente porque não se parecem com você ou porque não vivem um estilo de vida semelhante ao seu, acho que isso é completamente errado. Então, quando as pessoas me chamam de ativista ou algo assim, não acho que sou um ativista. Só acho que sou alguém que usa o bom senso quando digo essas coisas. Porque, no final, não é certo odiar alguém porque esse alguém é um pouco diferente de você. Quer dizer, para mim, isso me deixa louco às vezes, eu fico sem palavras. Não consigo nem assimilar. Como faz sentido você não gostar de alguém só porque é diferente de você? Na realidade, isso é no mínimo um tesouro. Se todos no mundo fossem iguais, o mundo seria tão chato. É literalmente lindo que haja tantas pessoas diferentes lá fora, você pode falar com tanta gente diferente, aprender sobre suas experiências humanas, e há possibilidades infinitas de tantas conexões e caminhos lindos na vida em que, se eu disser algo no Twitter, não é porque quero ser como Greta Thunberg e ter um discurso que o mundo inteiro ouça. Não, eu só digo isso porque estou realmente perplexo com a forma como algumas pessoas escolhem odiar em vez de amar e, para mim, isso não está certo.

    Mas se as pessoas tomam isso como ativismo, então fico feliz quando recebo essas mensagens de volta e as pessoas dizem “obrigado por se manifestar, eu me sinto visto.” E isso é algo lindo, porque eu sinto que vários atletas se limitam aos esportes. Mas os grandes, as pessoas que são lembradas ao longo da história são as que fizeram uma diferença maior, fora de quadra, do que você fazia quando eles estavam jogando. E isso é algo que eu acho muito importante porque se você tem uma plataforma e você tem um nome ou seguidores ou qualquer coisa, mesmo que seja apenas de boa intenção, e não que você queira ser um ativista ou algo assim, eu ainda acho que você deve buscar isso. Tenho recebido tantas mensagens de pessoas agradecendo e isso realmente aquece meu coração, porque para eu digitar algo, é muito fácil e não demora nada. Mas para eles, significa muito. Eu acho que é lindo e é algo que meu pai uma vez me disse, é um pouco diferente, mas meio que tem a mesma mensagem. Ele disse, “sempre que uma criança ou um fã pede uma foto, ou um autógrafo, aquele momento é um segundo para você, mas dura a vida inteira para eles.” Então é por isso que acho muito importante dispor a todos o seu tempo e, se você vir alguém marginalizado e sendo odiado por ser quem é, isso está errado, e eu não posso suportar isso.

    Você mencionou como gosta de usar sua plataforma para promover direitos humanos no geral. Você gostaria de fazer algo relacionado a isso no futuro, talvez criar uma fundação, isso é algo que te interessa?

    Honestamente, eu nunca pensei muito sobre isso. Mas pensando nisso agora, se eu pudesse fazer algo para ajudar as pessoas, definitivamente estaria aberto para isso, porque no final, é ótimo ser um bom jogador, mas se você realmente não ajudar ninguém, qual o sentido de chegar onde você está? Então, eu adoraria fazer algo como uma organização sem fins lucrativos ou uma instituição de caridade, ou apenas ter clínicas de hockey onde você pode ajudar pessoas assim ou expandir e desenvolver o esporte. Não tenho planos concretos para isso no momento, mas agora que você mencionou, é definitivamente algo que tenho interesse em fazer no futuro.

    Alguma vez você imediatamente chamou a atenção de um companheiro de equipe por algo que você não considerava correto, como usar uma palavra ofensiva ou ter um comportamento misógino?

    Normalmente, isso é muito difícil no vestiário, porque se você disser algo na hora, você se torna o inimigo e eles não vão te ouvir. Então é melhor ir com calma até alguém e dizer algo como “ei, cara, eu realmente não gosto do jeito que você está falando porque isso pode ser interpretado da maneira errada, e você pode realmente ofender alguém.” Isso aconteceu algumas vezes este ano, mas foi principalmente com os russos, que ouviram essas palavras em inglês e não sabiam o que queria dizer. Eles estavam apenas repetindo. É como quando você ouve uma criança dizer um palavrão, ela não sabe o que significa. Ela só está dizendo isso porque ouviu na TV ou porque ouviu a mãe e o pai dizerem. Aqui, houve algumas vezes que caras russos disseram alguma coisa que você simplesmente não ouviria em um vestiário norte-americano. Quando isso aconteceu, eu falei para ele “olha, cara, você realmente não pode sair falando coisas assim, porque isso não está certo. Eu entendo, você não sabe o que quer dizer. Eu entendo que em sua cultura é algo totalmente diferente. Mas se você vai falar inglês e tem aspirações de jogar na América do Norte, isso é algo que você tem que esquecer.”’ Houve outros momentos em que os caras tentaram me mostrar algumas coisas que eu simplesmente não achei certas e eu disse de cara “eu entendo que você quer me mostrar isso, mas não estou interessado” por exemplo, coisas relacionadas a mulheres ou qualquer coisa assim, eu simplesmente digo, “obrigado por oferecer, mas não, eu não estou interessado.” Então é assim que vejo as coisas.

    Você já teve problemas por conta de algo que você disse ou fez que lhe parecia a coisa certa, mas que, como jogador de hockey, não era uma atitude esperada de você?

    Eu nunca tive problemas de fato por falar nada porque eu sinto que sou bom com as minhas palavras, sei quando escolher minhas brigas. E em vestiários, eu realmente não me manifesto nesse quesito porque muitas vezes os caras se sentem ameaçados quando você faz isso. É melhor apenas, como eu disse, de um para um tocar discretamente no assunto. Mas uma vez, quando eu estava jogando na OHL, fiz uma celebração de curling, que na verdade é o tweet fixado no meu Twitter. E foi durante as Olimpíadas, eu marquei um gol, joguei minha luva no gelo e meu companheiro de equipe estava meio que varrendo. E depois disso fiquei no banco pelo resto do período, eu marquei no meu primeiro shift do jogo. No intervalo, o técnico vem até mim, na frente de todo o vestiário, começa a gritar, “como você pode fazer isso? Você é uma vergonha para o jogo, você não pode agir assim, blá, blá, blá.” Ele disse ao meu outro companheiro de equipe “vou mandar você de volta para a Rússia” (risos) você sabe, todas essas coisas. E ele não me colocou muito para jogar no segundo período, daí ficamos atrás no placar, acho que 3-1. Ele me colocou de volta no gelo, acabei conseguindo mais duas assistências. Eu fui a primeira estrela deste jogo. Depois, eles me disseram “vamos falar com você amanhã. Isso não está certo. Sabe, você não está livre porque jogou bem,” e eu pensando “o jogo é para ser divertido.” (risos) No dia seguinte, eu apareço e, da noite para o dia, aquele vídeo viralizou. Passou na ESPN, na TSN. Quase todas as grandes emissoras esportivas, em todos os países que passam hockey.

    Inclusive no Brasil. (risos)

    Sério? É, então acho que realmente rodou o mundo. E nosso próximo jogo, no dia seguinte, acabou esgotando porque tantas pessoas viram o vídeo e compraram ingressos, foi nosso primeiro jogo esgotado em um ano e meio, eu acho. A partir daí, ninguém mais disse nada para mim. Um dos meus treinadores disse “de onde você tirou isso?” Eu disse, “ah, eu vi um time da NFL fazer.” Ele disse “é, bem, nós não somos a NFL.” E eu disse “sim, eu sei, nós ganhamos muito menos dinheiro e muito menos pessoas nos assistem.” (risos) Então eu disse algo assim, e ele não concordou, nem discordou muito, só balançou a cabeça e foi embora. Foi isso, e ninguém nunca mais tocou no assunto. Então foi interessante, foi divertido para mim e muitos caras gostaram. Muitas pessoas gostaram se isso apareceu em tantas plataformas.

    É engraçado, olhamos para a história dos esportes nos Estados Unidos e do futebol americano, beisebol, depois do basquete, todos eles tiveram aquele momento na história em que começaram a se promover de fato, e você vê o quanto o esporte cresce por causa disso. E enquanto isso, o hockey segue ali.

    Exatamente. Eu sempre trago esse exemplo: a NBA e a NHL não eram tão grandes nos anos 80. E suas duas maiores estrelas começaram a jogar ao mesmo tempo, Wayne Gretzky e Michael Jordan. Eles praticamente começaram na mesma geração. Veja o que Michael Jordan fez com o basquete e o que Gretzky fez com o hockey. O basquete está em todo o mundo, enquanto o hockey, ele cresceu. Não vou dizer que não cresceu. Mas não cresceu tanto quanto o basquete. Você olha para um time como o PSG, que tem o logotipo do Jordan em sua camisa, um time de futebol tem a marca do Jordan, enquanto o hockey ainda é apenas hockey. Ele não atingiu de fato o cenário internacional como o basquete, por conta do que Michael Jordan foi capaz de realizar na quadra, mas também fora dela. Ele fez muito.

    Você se preocupa, ao se pronunciar tão abertamente sobre algumas questões, que isso possa impactar suas chances de chegar à NHL?

    Obviamente, isso passa pela minha cabeça. Eles realmente não gostam quando as pessoas se manifestam. Mas, ao mesmo tempo, o que eles não percebem é que, se você olhar para mim, como mencionei, eu tive mais pontos do que muitos caras que estão jogando na NHL agora nesta temporada e em muito menos jogos. É claro que posso jogar nesse nível se meus colegas e contrapartes podem fazê-lo. Mas uma coisa que eles não podem fazer é se você olhar minhas redes sociais, eu tenho muito mais seguidores em todas as minhas plataformas do que, eu diria, a maioria dos jogadores da NHL, e se eu fosse capaz de chegar a esse palco da NHL, eu seria capaz de ganhar muito dinheiro para uma equipe apenas com base nos patrocínios fora do gelo, todas essas coisas diferentes.

    Apenas me coloque na frente de uma câmera e me deixe ser eu mesmo e eu posso literalmente ajudar uma equipe a ganhar muito dinheiro e aumentar sua receita. E se eles entendessem isso, sinto que definitivamente poderia ser algo a me ajudar. Eu acho que um monte de times, por exemplo, você olha para o Lakers, Kyle Kuzma, ele é um jogador mediano. Ele não é uma superestrela. Mas ele traz tantos fãs só com seu jeito de vestir, como ele se veste, sua aura, seu estilo de vida. O mesmo para o Manchester United, eles tinham um jogador chamado Jesse Lingard que não jogou por quase 16 meses, mas ele fazia uma comemoraçãozinha com as mãos, ele tinha produtos com sua marca, movimentos de dança, ele tinha todas essas coisas, e ele tem mais seguidores do que qualquer time da NHL. Ele faz muito dinheiro para o clube porque suas camisas sempre estão entre as mais vendidas, seus produtos são sempre uns dos mais vendidos, mas também sua atividade no Instagram e suas redes sociais atraem tantos fãs de todo o mundo. E eu posso fazer algo assim por qualquer time, mas também quando você olha para esses jovens da minha idade e eles produzem menos do que eu, eu posso produzir no mesmo nível, senão melhor do que esses caras. E eu ainda sou jovem, então com o tempo só posso melhorar todos esses fatores.

    Se eu fosse um time da NHL, eu veria um cara como eu e pensaria “certo, então temos um jogador jovem potencialmente bom que foi capaz de jogar na segunda melhor liga do mundo nessa idade, mas ele também tem um grande número de seguidores, de modo que se o trouxermos e o promovermos, nem precisa ser muito, apenas promovê-lo de leve, ele pode crescer a ponto de se tornar alguém que atrai novos fãs e novos públicos, e nos traz muito dinheiro.” Porque no final das contas é com isso que a maioria das equipes se preocupa, ganhar dinheiro. Portanto, acho que qualquer equipe da NHL só teria a ganhar, e eu ficaria feliz em agarrar qualquer oportunidade, porque obviamente sei que posso jogar neste nível e tenho confiança de que posso fazer tanto o trabalho no gelo quanto fora dele, e eu adoraria fazer isso para qualquer equipe.

    Não é tão difícil, NHL, vamos lá. É o melhor esporte do mundo e ainda consegue ser tão frustrante às vezes.

    Exatamente. É o que eu sempre digo, o hockey é o único esporte em que o melhor produto é de fato o jogo. Você olha para qualquer outro esporte, olha para a NBA, são as brincadeiras fora das quadras. São os jogos em que os ex-namorados de Kylie Jenner estão jogando um contra o outro que têm mais visualizações. Enquanto que aqui, o melhor do nosso esporte é o que está acontecendo no próprio gelo. Todo o resto é incomparável. Você não pode nem compará-lo ao golfe, ou a qualquer outra coisa. É muito pior do que qualquer outro esporte, e isso está prejudicando muito, muito a liga. Mais pessoas merecem assistir ao hockey, mas nunca terão a chance porque não é divertido o suficiente. Não há drama. É basicamente isso.

    Parte 1 | Parte 3
  • Entrevista com Igor Larionov II

    Entrevista com Igor Larionov II

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    No último mês, uma figura chamou mais atenção do que o normal no hockey twitter, com suas atitudes e personalidade peculiares para o jogador de hockey comum. Acontece que Igor Larionov II não tem nada de comum. O nome não é estranho para quem já acompanha o esporte há algum tempo; o jovem jogador é filho de uma das maiores lendas do hockey, Igor Larionov, que venceu três Stanley Cups (1997, 1998 e 2002) com o Detroit Red Wings, além de conquistar diversos títulos a nível mundial no esporte.

    Porém, aos 22 anos, Igor Larionov II dá os primeiros passos de sua carreira profissional enquanto, ao mesmo tempo, conquista uma legião de apoiadores e fãs nas redes sociais, abraçando a comunidade e ecoando vozes que nem sempre vemos representadas no hockey.

    O NHeLas conversou com ele sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 2 | Parte 3)

    Por que não começamos com a sua carreira? Conte para a gente sobre a sua vida no hockey, desde a infância até agora.

    Eu nasci em 1998, em Detroit, Michigan. Meu pai era jogador de hockey, então eu cresci no rinque e conheci muita gente legal que joga hockey e está nesse ramo. Entre os três ou quatro anos, eu corria pela casa com um pequeno taco de hockey. A maioria das crianças brinca com carrinhos ou Legos. Eu sempre tinha um stick e uma bola ou puck comigo. Então foi basicamente assim que eu comecei a jogar. Na infância, eu joguei hockey em Detroit por um tempo e aí minha família se mudou para a Califórnia quando meu pai se aposentou, e eu passei dois anos jogando hockey na Califórnia. Depois disso foi muito difícil encontrar [rinques de] gelo aqui e muitas oportunidades para treinar, então nos mudamos de volta para Michigan, onde havia cerca de 15 rinques em um raio de 10 milhas da minha casa. Isso fez com que fosse muito mais fácil simplesmente ir para o gelo, treinar, trabalhar duro e tudo mais.

    Eu joguei hockey juvenil em Michigan pelos seis anos seguintes, depois disso fui para o major junior, onde joguei na QMJHL na primeira temporada, o que foi uma boa experiência. Mas depois daquele ano recebi uma oferta de Windsor, que ficava a literalmente 30 minutos de carro da minha casa em Michigan. Então essa foi a oportunidade perfeita, porque não é todo dia que você consegue morar em casa e jogar hockey, então aceitei a oferta, tive um ótimo ano e joguei muito bem. Então na temporada seguinte eu tive a oportunidade de ir para Muskegon, porque em Windsor, eles estavam meio que em reconstrução, mas foi meu último ano em Muskegon. Estávamos em rumo ao título, tínhamos uma equipe muito forte. Então fui para Muskegon e tive um ótimo ano, muitas memórias boas. Infelizmente, eu quebrei minha clavícula em um dos últimos jogos da temporada, então minha temporada acabou. Acabamos perdendo as finais da conferência nos playoffs, o que, você sabe, foi chato não poder ajudar a equipe ou jogar, mas foi uma boa experiência jogar em Muskegon. Eu ainda falo com muitos dos caras, muitos dos jogadores são amigos próximos atualmente.

    Depois disso, eu decidi ir para a Rússia. Comecei com o SKA na KHL, estava no camp deles, me falaram que eu consegui uma vaga no time, ótimas notícias, me chamaram para a Seleção Olímpica, basicamente a segunda seleção. Tem a seleção principal na Rússia e aí tem o time olímpico, que são os caras jovens, eles estão te preparando para torneios e eventos futuros. Então eu fui chamado para isso e dois dias antes de eu ter que ir para a seleção olímpica e assinar meu contrato da temporada com o SKA, eu rompi o músculo do glúteo no último dia do training camp. Por causa disso eu basicamente perdi toda a temporada. Quando me recuperei, eu só pude jogar duas partidas, e isso foi só para que eles pudessem me registrar. Eu estava escalado, mas não fui para o gelo, e foi só para que eu ficasse sob contrato na época, porque eles esperavam que em dois meses eu estaria preparado para jogar. Mas, obviamente, dois meses depois o mundo parou por causa da COVID. E eu acabei basicamente não jogando na temporada. 

    Então quando isso aconteceu, eu voltei para Michigan, onde eu estava morando na época, treinei muito, recuperei-me e tive algumas oportunidades de jogar na AHL temporada passada, mas nada estava acontecendo (na liga). Então eu comecei a pensar comigo mesmo “eu não posso tirar dois anos de folga,” não seria bom para o meu desenvolvimento. Foi quando recebi uma ligação do GM do Kunlun (Red Star) falando que eles estavam à procura de jogadores da América do Norte com raízes russas, o que basicamente significa uma pessoa com passaporte russo, porque eles precisam de determinado número de jogadores russos para cada jogo. E eu honestamente só falei “tá bom, quando você quer que eu vá?” E ele falou “que tal em alguns dias?” Assim, em alguns dias eu estava em um voo para Moscou. Eu fui de Detroit, para Chicago, Chicago para Londres, Londres para Moscou. E três ou quatro dias depois eu estava disputando minha primeira partida. Eu assinei um acordo de apenas três jogos pois (o time não tinha) dinheiro para assinar gente com contratos garantidos esse ano por causa dos cortes de orçamento devido à COVID. Depois de três jogos, eu tinha dois pontos e eles acabaram me contratando para o resto do ano. Eu joguei mais duas partidas depois disso, aí eu peguei COVID. Acabei perdendo três semanas com a doença. Não foi tão ruim, tive sintomas bem leves. Mas quando eu voltei, tive problemas com o meu coração e depois de tentar me recuperar, eles basicamente me tiraram do resto da temporada.

    Ainda bem que eu pude voltar aos EUA para receber um tratamento apropriado. Eles basicamente me falaram “tire dois meses de folga, não faça nada, não force seu coração” e eu tive que usar alguns monitores cardíacos por algumas semanas para que eles acompanhassem tudo. Depois que esses dois meses passaram, eles falaram “vai ser como um interruptor. Do nada você irá ganhar sua energia de volta e voltar a se sentir bem de novo, poderá treinar,” e realmente aconteceu como eles disseram que seria. Por dois meses eu me senti muito fadigado, muito cansado, não conseguia fazer nada sem subir meus batimentos cardíacos. E aí quando esses dois meses passaram, boom, eu me senti ótimo. Agora, eu estou treinando há mais de um mês e meio. E, honestamente, sinto-me melhor do que nunca. Eu estou só me preparando para a próxima temporada neste momento.

    Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre jogar hockey na América do Norte versus jogar na Rússia?

    Existe uma diferença considerável entre esses dois países, tanto culturalmente quanto no estilo de jogo. Eu diria que na América do Norte, existe um sistema mais estruturado onde você sabe seu trabalho e todo mundo sabe o seu papel. Mas na Rússia, é meio cada um por si, no qual os caras meio que decidem o que vão fazer, e isso não é necessariamente a melhor coisa. Eu acho que o melhor é quando você pode fazer uma mistura dos dois sistemas, em que as pessoas têm a liberdade para criar, mas também existe uma estrutura e um sistema onde, se você cometer um erro, você sabe que seu colega vai estar lá para te cobrir, porque estão seguindo a mesma ideia que você. Foi muito interessante jogar (na Rússia). Eles basicamente tinham fãs em todo lugar que a gente jogava, o que foi bem estranho considerando os tempos atuais. Foi uma experiência diferente, as cidades, elas não são cidades típicas com hockey profissional como aquelas em que se jogaria na América do Norte. (Nos EUA) são normalmente as maiores cidades da América, você fica em hotéis legais. Lá, existem algumas boas cidades, mas uma vez que você vai para alguns dos times menores, as cidades não são tão legais, eles só têm um restaurante, que era tipo um Burger King ou algo assim, e o hotel era algo (que parecia ter saído) direto dos meus pesadelos, (risos) tem, tipo, sangue nas paredes e mofo no chuveiro, esse tipo de coisa.

    Foi bem peculiar, mas, no fim, foi muito divertido, porque eu sinto que meus colegas de equipe… Nós éramos vários caras da América do Norte e, é aquela coisa, era tão diferente para tantos de nós que, na maior parte do tempo, estávamos só rindo do que se passava. O avião do nosso time era muito, muito estranho. Todo voo tinha um momento em que você sentia o avião descendo lentamente, e no início ficava muito quieto no avião. Mas aí todo mundo começou a se olhar, tirar os fones de ouvido, e então um dos meus colegas sempre começava a gritar “bom, garotos, é assim que a gente vai!” E todo o time começava a rir. Momentos assim, o que, olhando para trás, era aterrorizante como a gente sentia o avião caindo e depois voltando ao normal. Mas só coisas pequenas assim, já que sempre estávamos zoando as coisas ruins. E isso tornou tudo mais divertido, e tornou a experiência mais legal para todos nós. 

    Como eram os protocolos da KHL em comparação ao que vimos da NHL naquele momento?

    Eu acredito que na NHL eles estão sendo testados todos os dias, o que tínhamos eram testagens a cada três dias. Outro diferencial  na NHL é que se algumas pessoas estão doentes, eles basicamente desativam todo o time e ninguém joga até todos se recuperarem, até que todos voltem. Mas para a gente, era totalmente diferente. Se você estivesse doente, você só ia para casa, mas o resto da equipe continuava. Então nós tivemos um momento antes mesmo de eu ter ido para o time em que acho que tínhamos, tipo, 17 caras doentes ao mesmo tempo. Quando eu cheguei lá, quando eu fiquei doente, a gente tinha seis caras doentes ao mesmo tempo. Então foi meio que uma bagunça porque eles não sabiam como lidar de uma forma melhor, como eles fazem (na NHL). Nosso gerente de equipamento ficou doente, e ao invés de ficar em casa, ele foi para o rinque afiar nossos patins. E aí cinco de nós ficaram doentes. Então foi meio estranho por causa disso. Mas, você sabe, é uma cultura diferente, eles fazem as coisas de outra forma lá. Então não posso culpá-los pela forma como o país é administrado, porque é simplesmente o jeito que as coisas são. Mas eu definitivamente acho que eles poderiam ter tido uma abordagem mais cuidadosa. Porque no fim, eu acho que 95% da liga ficou doente. E eu sei que vários jogadores tiveram problemas similares aos meus, onde eles não conseguiram finalizar a temporada porque tinha algo errado. Alguns caras inclusive foram parar no hospital, com respiradores. Então foi uma situação assustadora para muitos de nós, mas ao chegar, eles basicamente falaram para a gente que era 100% certo que iríamos ficar doentes em determinado ponto, então sabíamos os riscos ao participar. 

    Eu acho que na América do Norte você seria processado na hora só por falar isso.

    Você seria. É engraçado, quando eles falaram comigo pela primeira vez, eles falaram “você já teve COVID?” e eu respondi “não.” E eu estava pensando que isso era uma coisa boa. Mas aí eles ficaram tipo “puts, seria melhor se você já tivesse tido, porque aí significaria que você não pegaria de novo” (nota das NHeLas: já foi comprovado que isso não é verdade, então usem máscaras e sigam os protocolos, fãs!) E eu fiquei tipo “oh.” (risos) Eles falaram “dentro das primeiras duas semanas, você provavelmente vai pegar.” Eu consegui durar quase um mês e meio antes de pegar, o que não sei explicar, fui muito, muito sortudo. Mas, basicamente todo mundo que foi para lá pegou, a não ser que a pessoa já tivesse tido no verão. 

    Pensando no futuro, quais os seus planos e expectativas para a próxima temporada? E como é sua rotina na intertemporada, o que você costuma fazer?

    Minha expectativa para a próxima temporada é permanecer na América do Norte, e eu tenho algumas oportunidades de ir para alguns camps ou então já assinar um contrato na AHL direto. Eu sei que muitos dos caras que jogavam na KHL, e que estão na NHL agora, tiveram uma pontuação similar à minha em menos jogos. Então para mim, eu vejo isso e falo “se eles tinham menos pontos que eu, e estão jogando na NHL, eu provavelmente poderia fazer o mesmo.” E eu realmente acredito que, se eu não tivesse meu histórico de lesões, eu estaria lá neste momento. Mas, você sabe, você não pode controlar essas coisas. Obviamente, é difícil às vezes, mas eu sou muito grato pela forma como tudo aconteceu na minha vida até agora. Mas é, eu tenho algumas oportunidades. E eu realmente acho que uma vez que eu tenha a chance de me mostrar, tudo ficará bem.

    Minha rotina, basicamente, o que eu faço é treinar na academia. Geralmente, nessa época do ano, treino três vezes por semana. E aí, quando chega mais perto da temporada, mais ou menos em junho, eu começo a ir quatro vezes na semana, julho, quatro vezes na semana, agosto, quatro vezes na semana. Então, no final de julho eu começo a ir pro gelo duas vezes na semana e continuo fazendo isso, porque não gosto de patinar muito na offseason, sinto que fico muito cansado se patinar demais. Prefiro só trabalhar em construir meu físico, aumentar minha resistência, todas essas coisas diferentes. Porque sinto que quando você tem tudo isso ajustado, e vai para o gelo, sinceramente três semanas antes da temporada começar, eu começo a aumentar o ritmo e patinar quatro ou cinco vezes na semana, e é tudo o que eu preciso para estar pronto, fisicamente. Mas ao mesmo tempo, estou descansado o bastante de modo que não fico muito cansado durante o training camp por conta de tudo isso.

    Qual é a história por trás de você vestir o número 69 e como isso virou praticamente sua marca pessoal? Você acha que vai poder continuar usando esse número no futuro, dependendo de onde sua carreira te levar?

    Esse ano, no Kunlun, a gente não tinha muito dinheiro no meu time da KHL, então eles tinham uma determinada quantidade de camisas pré-selecionadas, e quando estavam falando em assinar comigo, eles me ofereceram uns cinco números diferentes. Três dessas camisas eram grandes demais, então eu não podia usá-las. Elas eram quase do tamanho para goleiro. E aí as duas que eram do meu tamanho eram número 69 e, eu acho, número 52 ou 53, algum número bem sem graça o que, como vocês sabem, eu não gosto de coisas sem graça. Então, naquele momento, eu basicamente percebi que 69 era a melhor opção, além de que, eu tive a oportunidade de impressionar algumas pessoas, o que é sempre divertido. (risos) Eu gosto de fazer coisas criativas, e eu acho que muitas pessoas não usam o número 69 porque é visto de uma forma ruim pela sociedade. Mas eu não vejo nada de ruim com a mensagem que isso passa. Porque, no fim do dia, não há nada de errado com o que isso é, é uma coisa que quase todos os seres humanos fazem.

    Não há nada de tabu nisso na minha mente. Você sabe, muitas pessoas, quando falam de sexo ou algo do tipo, elas acham que tem muito tabu nisso, mas na realidade, quer dizer, está literalmente na Bíblia, sabe, se a gente for voltar tanto no tempo. (risos) Então eu não vejo nada de errado com isso e acho que é uma mensagem positiva, não apenas para ser você mesmo e se divertir, porque muitas pessoas veem seu esporte como um emprego e não um jogo, e eu acredito que você pode considerá-lo as duas coisas porque, no final, se é divertido, eu sinto que você joga melhor e, se você está aproveitando aquele jogo, você joga melhor. Basicamente (o número) me escolheu. Eu não tive muita escolha, mas quando eu descobri que era minha única opção, eu fiquei bem animado porque já vinha querendo fazer algo escandaloso assim havia algum tempo e só teria acontecido se fosse minha única opção. Eu não acredito que teria a coragem de escolher 69 de cem números diferentes ou algo assim.

    Você tem alguma superstição relacionada ao seu jogo? Alguma coisa que você gosta de fazer antes de cada partida?

    Não, na verdade não. Eu acho que eu amarro meu patins esquerdo primeiro, o que seria a única superstição que daria para considerar como tal, mas todo o resto eu sou bem, bem tranquilo, eu me deixo levar. Antes dos jogos, eu não gosto de ficar muito pilhado. Eu gosto de me divertir e aproveitar, brincar. E quando eu faço isso, eu sinto que eu jogo melhor porque não tem absolutamente nenhum nervosismo para mim e eu saio relaxado e confiante, pronto para jogar. Mas quando eu penso demais, fico muito estressado, aí é quando eu me complico. Eu prefiro jogar com base em meus instintos e não no que acontece (na minha cabeça) porque eu sinto que quando a gente pensa muito, começa a duvidar de si mesmo. Enquanto que se você só joga pelos seus instintos, você vai bem melhor. Então quando eu chego no rinque, eu brinco, jogo um pouco de futebol, basquete, futebol americano, você sabe, só para descontrair. Daí eu faço meu aquecimento, o que não é exatamente uma rotina, o mesmo aquecimento, passo a passo. Eu tenho uma certa quantidade de exercícios, mas eu os faço numa ordem diferente. É praticamente isso. Eu entro no gelo, faço os mesmos exercícios e stick handling. Não é uma superstição, eu só estou acostumado a fazer os mesmos exercícios porque eu sei que eles esquentam o meu corpo corretamente. É basicamente assim que eu me preparo, não tem nada de muito especial, é mais tentar aproveitar cada momento disso.

    Não tem uma comida ou roupas especiais?

    Eu sigo uma dieta bem restrita, eu não como muito. Então normalmente antes dos jogos, eu como uma salada, depois um queijo quente com batata doce. Já com roupas, eu gosto de me divertir com isso, não presto tanta atenção, eu visto praticamente qualquer coisa e vejo se cai bem, se eu acho que ficou legal, eu uso. Se houver um código de vestimenta, eu meio que fico bem no limite do código, de modo que eu siga as regras mas ainda faça algo do meu jeito. É o que eu gosto de fazer.

    Não há autoexpressão com um código de vestimenta. É por isso que eu tento seguir um pouco para não arranjar problemas, mas no final eu o faço de forma um pouco diferente.

    Qual carreira você gostaria de seguir se não fosse jogador de hockey? Você pensa sobre a vida pós-hockey e o que você gostaria de fazer depois?

    Sim, eu penso bastante sobre isso. Porque sempre falo para as pessoas, quando me apresento, eu não digo que sou um jogador de hockey. Primeiro, eu digo, por exemplo, eu sou um ser humano, e aí, depois de um tempo, eu conto que sou jogador de hockey, porque eu não quero que elas pensem que aquilo é exatamente quem eu sou. Eu tenho vários interesses, diversas paixões fora (do hockey). Então eu adoraria fazer algo por trás das câmeras. Eu sempre fui um fã de filmes, sempre fui um fã de televisão. Mas quando eu me mudei para LA, alguns meses atrás, eu estava cortando o cabelo num salão em Beverly Hills. E era super sofisticado, vários figurões, eu na verdade estava sentado do lado da Kesha, a cantora, o que foi super, super legal. Mas essa mulher me aborda e pede meus dados, nós começamos a conversar e acontece que ela era a vice-presidente de uma agência de modelos em Los Angeles. Então eu estava conversando com ela, ele pediu meu Instagram e me seguiu, fizemos essa conexão e ela queria que eu fizesse algumas coisas para (a agência), falasse com eles e potencialmente assinasse um contrato. E eu fiquei um pouco assustado porque eu não quero que isso interfira com o hockey, porque muitas vezes, quando você faz qualquer coisa criativa, depois volta ao hockey e as pessoas te olham de um jeito um pouco diferente. E basicamente eu mandei uma DM para ela “vamos dar sequência,” e depois cancelei o envio porque eu não estava confortável fazendo aquilo. Obviamente, é algo que eu gostaria de seguir, se a vice-presidente de uma agência me aborda do nada, eu imagino que seja um bom sinal. Honestamente, eu adoraria retomar isso uma vez que eu tenha me estabelecido ou assinado um contrato, algum tipo de segurança. Eu definitivamente amaria fazer alguma dessas três coisas, algo na indústria do entretenimento, porque eu não gosto muito quando você não pode se expressar e eu sinto que ramo é a oportunidade perfeito em que você pode literalmente ser você mesmo e não ser julgado por isso, (pelo contrário) você é aplaudido, e isso é algo que eu realmente gosto.

    Então você nunca trabalharia num escritório ou coisa do tipo?

    Eu não sou muito bom em ficar sentado o dia todo numa cadeira, sentado num escritório. Quer dizer, talvez, se eu estiver apaixonado por alguma coisa, eu posso tentar fazer isso, mas não é algo que eu vejo em meu futuro. Eu sou extrovertido demais. Eu um dia literalmente acordaria e diria “por que estou fazendo isso?” E aí, você sabe, compraria uma passagem só de ida para a Austrália, e cruzaria o país numa vã, só filmando e fotografando as coisas. Acho que essa é mais a minha cara, e trabalhar num escritório, o que eu não acho que tenha nada de errado, obviamente muitas pessoas têm profissões e ganham dinheiro com isso, muitas pessoas gostam. Mas para mim, é algo que eu não acho que jamais seria capaz de fazer.

    Parte 2 | Parte 3
  • Avangard Omsk ganha a Gagarin Cup pela primeira vez na história

    Avangard Omsk ganha a Gagarin Cup pela primeira vez na história

    Na última quarta feira (28), o HC Avangard Omsk se consagrou campeão da KHL. O time levou para casa a Gagarin Cup pela primeira vez desde sua criação, em 1950. Eles conquistaram a quarta vitória na série melhor-de-sete contra o CSKA Moscou por 1-0.

    O HC Avangard Omsk venceu a série em seis jogos, derrotando um time fortemente favorito do CSKA. A equipe de Moscou havia vencido a última Gagarin Cup, em 2019. Vale lembrar que a final da Gagarin Cup desse ano foi a primeira realizada desde 2019, pois devido à pandemia de COVID-19, a decisão não aconteceu em 2020.

    Primeiro Período

    No final do primeiro período, o gol de Sergey Tolchinsky separou o desempenho das equipes. Isso também firmou sua posição como o maior artilheiro do Avangard nos playoffs, e o colocou no mesmo nível de Konstantin Okulov, do CSKA, na disputa de pontuação na pós-temporada. Os dois jogadores tiveram estatísticas idênticas — 6 gols, 14 assistências, 20 pontos —, embora Okulov tenha jogado dois jogos a menos.

    O CSKA voltou a dar as boas-vindas ao melhor marcador dos playoffs, Maxim Shalunov. Ele perdeu o quinto jogo devido a uma suspensão, mas estava disponível novamente na quarta-feira para substituir Nikita Soshnikov. Shalunov foi suspenso após uma falta sobre Andrei Stas, que também voltou à ação após ter perdido um jogo.

    Uma das coisas mais marcantes da final deste ano foi a mudança de estilo de jogo do CSKA. Na temporada regular, normalmente, os “homens do exército” (como são chamados pela torcida) chegavam em cima do seu adversário, não disparando incansáveis vezes ao gol, mas sim sondando com calma e cuidado até que conseguissem uma oportunidade limpa e bem definida de tiro ao gol. No entanto, em face da defesa extremamente disciplinada de Avangard, algo que ficou mais forte ao longo da série, as coisas tiveram que mudar. De repente, a equipe de Igor Nikitin mostrou maior disposição para atirar os discos na rede o mais rápido possível. Consequentemente, os Hawks viram um aumento significativo no número de disparos bloqueados.

    Essa foi certamente a história do primeiro período. Em termos de defesas, as equipes foram quase iguais, 11 bloqueios para Simon Hrubec, nove para Lars Johansson. Em termos de tentativas, o CSKA teve 25 contra 15 do Avangard. A equipe da casa bloqueou 10 disparos a gol no primeiro período e o visitante procurou defendê-los, fechando todos os cantos de sua rede.

    No entanto, a tática que escolheram não deu certo. Nenhuma das equipes conseguiu criar uma chance realmente grande no primeiro tempo. Assim, pouco antes do intervalo, o Avangard encontrou uma brecha para sair na frente. Oliwer Kaski disparou ao redor da parte de trás da rede de Lars Johansson e passou o disco para Tolchinsky um pouco além do círculo da direita. O ex-jogador do CSKA disparou um tiro que desviou do taco de Sergei Andronov, enganando Johansson, e deu ao Avangard a vantagem na partida.

    Segundo período

    O CSKA quase empatou logo no começo do segundo período. Mat Robinson viu uma chance de abandonar suas funções defensivas e disparou pelo corredor do lado direito, apenas para ver seu chute acertar a trave e quicar em segurança. Foi o mais perto que alguém chegou de marcar no período intermediário. À medida que as tensões aumentavam, as chances eram cada vez mais difíceis de encontrar. Ilya Kovalchuk, capitão do Avangard, quase deu um salto ao roubar o disco de Mario Kempe e criar uma chance, mas o CSKA sobreviveu.

    Terceiro período

    Com a torcida da casa gritando em aprovação a cada jogada bem-sucedida do Avangard – fosse um passe, uma rebatida, um chute ou uma defesa – o time da casa criou mais no terceiro período. Depois de o CSKA ter começado novamente de forma animada, os Hawks responderam com algumas oportunidades claras. Alexander Khokhlachyov quase converteu um ataque de três homens antes de Maxim Goncharov acertar a estrutura da rede enquanto o defensor avançava de uma maneira que lembrou a tentativa anterior de Robinson. Houve outro momento de ansiedade, quando o disparo de ponta-a-ponta de Alexei Bereglazov driblou ao lado da rede, escapando do stick estendido de um atacante da casa pronto para direcioná-lo à rede desprotegida.

    O CSKA também teve suas chances, e o goleiro do Avangard Simon Hrubec assistiu a duas penalidades rápidas que reduziram sua equipe a três patinadores. Denis Zernov e Ville Pokka atacaram os adversários com apenas 12 segundos de diferença; com 4:22 no relógio, Avangard tinha uma grande penalidade para matar e os homens do exército tiveram uma última chance de ouro para salvar o jogo e a temporada.

    No entanto, este foi o momento de Damir Sharipzyanov. Em jogos recentes, o defensor ganhou as manchetes por sua habilidade de pontuação; aqui ele mostrou sua coragem na outra extremidade do gelo. Três tiros bloqueados em rápida sucessão significaram mais de um minuto da vantagem de dois jogadores sem que Hrubec tivesse de fazer uma defesa. Nikitin pediu um tempo, tentando acalmar seus jogadores e planejar a jogada que finalmente desbloquearia a defesa do Avangard. Quase funcionou, mas Hrubec fez uma última grande defesa para manter seu gol intacto.

    Depois que Avangard voltou com força total, o relógio estava firmemente a seu favor. Os Hawks fecharam o gol com sucesso nos minutos restantes antes do uivo final desencadear celebrações selvagens na arena em Balashikha e em casa na Sibéria, onde muitos fãs estavam esperando enquanto o relógio passava da meia-noite, ansiosamente torcendo por seu time.

    Com um jogo cauteloso e ao mesmo tempo emocionante, o Avangard conseguiu manter a vantagem conquistada no primeiro período e se consagrar campeão da KHL pela primeira vez, vingando a derrota de dois anos atrás para este mesmo time do CSKA. Os Hawks fizeram a lição de casa e foram destaque o campeonato todo, finalizaram a temporada com muita eficiência e, por fim, com a faixa de campeão.

    Foto: Reprodução/ Twitter @KHL_eng

  • Playoffs da KHL começam hoje

    Playoffs da KHL começam hoje

    Os playoffs da KHL, liga de hockey formada por equipes da Rússia, Bielorrússia, Letônia, Cazaquistão, Eslováquia, Croácia, Finlândia e China, começam hoje, dia 2 de março. 

    A Conferência Oeste conta com os times Spartak Moscou, CSKA Moscou, Dynamo Moscou, Severstal Cherepovets, Lokomotiv Yaroslavl, Jokerit Helsinki, SKA St. Petersburg e Dinamo Minsk. Já a Conferência Leste conta com os Salavat Yulaev Ufa, Traktor Chelyabinsk, Ak Bars Kazan, Torpedo Nizhny Novgorod, Metallurg Magnitogorsk, Barys Nur-Sultan, Avtomobilist Ecaterimburgo e Avangard Omsk. 

    A disputa das quartas de final qualificatórias para a Gagarin Cup terá início às 11:00 no horário de Brasília. A primeira partida será entre Metallurg e Barys, e logo depois, às 11:30, começam três jogos simultaneamente. SKA St. Petersburg e o Dinamo Minsk se enfrentam em São Petersburgo, enquanto Dynamo Moscou e Severstal Cherepovets vão ao gelo em Moscou, e Avangard Omsk e Avtomobilist se enfrentam em Balashikha, próximo à capital Moscou.

    CSKA Moscou é o líder geral da competição. O time venceu a temporada regular e é o queridinho da vez. Além deles, SKA St. Petersburg e Lokomotiv Yaroslavl também são favoritos ao título. No entanto, o Metallurg, que ficou em terceiro lugar no Leste na temporada regular, traz o aclamado goleiro Vasili Koshechkin. Ele é três vezes medalhista do IIHF World Championship e medalhista olímpico em 2018, consagrando uma equipe experiente e importante na competição. 

    Grande parte dos jogos acontecem em cidades com fuso horário de +6 horas do horário de Brasília. Algumas serão em cidades ainda mais distantes e com fuso de +8 horas. Mesmo com a distância e as longas horas de diferença, ficaremos de olho no que acontece no gelo naquela parte do planeta.

    A agenda oficial dos jogos está no site da liga

    Foto: Reprodução/KHL.ru

  • Artemi Panarin se afasta dos Rangers após denúncia criminal

    Artemi Panarin se afasta dos Rangers após denúncia criminal

    Artemi Panarin, jogador do New York Rangers, anunciou seu afastamento do time após denúncia de agressões a uma mulher em um bar na Letônia. O ato teria ocorrido em em 2011, quando Panarin jogava para o Vityaz na KHL. 

    As alegações foram feitas por seu ex-treinador, o russo e ex-jogador da NHL, Andrei Nazarov. Em seu depoimento para um jornal local, Nazarov conta que após um jogo em que o Vityaz perdeu de 2-0 para o Dinamo Riga, Panarin, que tinha 19 anos na época, saiu com colegas do time para o bar do hotel, na cidade de Riga, Letônia. Lá, ele teria discutido e batido em uma mulher de 18 anos. Nazarov alega que uma investigação foi aberta no país sobre o ocorrido. No entanto, segundo ele, uma fonte indeterminada pagou 40 mil euros para livrar o jogador da continuidade do caso. 

    Contudo, um porta-voz do hotel afirma que nada disso aconteceu e outras fontes alegam que Andrei Nazarov está mentindo. As autoridades locais ainda não se manifestaram sobre o depoimento e alegações. Já o New York Rangers liberou uma nota apoiando o jogador e informando que ajudarão Panarin a identificar a fonte dessas “infundadas alegações.”

    Na mesma nota, Artemi além de negar o ocorrido diz que se trata de uma tentativa de intimidação pelo jogador ter se manifestado publicamente sobre questões políticas russas. 

    Recentemente, o jogador publicou em sua conta pessoal no Instagram uma imagem com a legenda “Soltem Navalny”, principal opositor político de Putin que foi julgado e preso no início deste ano. Nazarov, apoiador do atual presidente russo Vladimir Putin, afirma que Artemi Panarin tem um mau-comportamento sistêmico e que por isso critica Putin frequentemente. 

    O jogador ainda tem família na Rússia e passa seu tempo na intertemporada no país natal.

    Foto: Reprodução/NBC Chicago

  • Nova temporada da KHL começa em setembro

    Nova temporada da KHL começa em setembro

    A Kontinental Hockey League é considerada a segunda melhor liga de hockey no gelo do mundo, e é composta majoritariamente por times russos. A KHL anunciou a pausa da temporada de 2019-20 no dia 12 de março, por conta da pandemia de COVID-19. Logo depois, no dia 25 do mesmo mês, o presidente da KHL, Alexey Morozov, confirmou que a temporada seria encerrada sem um campeão definido.

    Todavia, no dia 27 de maio foi anunciado que a nova temporada da KHL teria início no dia 2 de setembro, data decidida com a Federação Russa de Hockey. No entanto, essa data de início dependeria da situação de saúde pública em relação a pandemia de coronavírus e das restrições nas regiões da Rússia e nas outras nações da KHL.

    De acordo com Morozov, um total de 116 jogadores KHL tiveram resultado positivo para o novo coronavírus. Destes, 54 já se recuperaram e voltaram a treinar. Os sintomas, porém, eram leves e eles estavam todos sob constante observação dos médicos de seus clubes.

    Como funcionará o calendário novo da KHL?

    Os jogos terão inicio do dia 2 de setembro, nesta quarta-feira. A primeira fase irá até o dia 27 de fevereiro, e serão no total 142 dias de jogos. A competição foi reduzida para 23 equipes após o Admiral Vladivostok ter anunciado sua retirada, visando um hiato de temporada devido ao coronavírus ter afetado a situação financeira do clube.

    Os 23 clubes jogarão 60 partidas: duas vezes entre si (44 partidas), de 8 a 10 vezes com times de sua própria divisão e de 6 a 8 vezes com times da divisão vizinha de sua conferência. No total, serão 690 partidas na primeira fase.

    Devido à mudança no número de equipes concorrentes, e com o objetivo de amenizar eventuais problemas logísticos, há mudanças na composição de cada divisão. O Torpedo retorna à Conferência Leste após uma temporada, e Sibir muda-se para a Divisão de Chernyshev. No Oeste, Dinamo Riga e Dynamo Moscow se juntarão à Divisão Tarasov no lugar de Sochi e Vityaz.

    Vale ressaltar que este calendário estará de acordo com as pausas para as etapas do Eurotour, torneio anual de hockey aberto apenas às seleções masculinas da República Tcheca, Finlândia, Rússia e Suécia que será realizado de 2 a 9 de novembro (na Finlândia), de 14 a 20 de dezembro (na Rússia), de 8 de fevereiro a 15 (na Suécia). Por fim, estão planejadas ainda pausas para o All-Star Game da KHL, em Riga (22-24 de janeiro).

    O início dos playoffs está previsto para 2 de março de 2021 e a sétima partida da série final da Copa Gagarin, caso seja necessária, será no dia 30 de abril.

    Torcedores poderão assistir aos jogos – nas arenas

    Diferentemente da NHL, a KHL permitiu a entrada de torcedores nas arenas para assistir às partidas. Entretanto, o mesmo será feito de forma restrita, a fim de evitar o contágio do novo coronavírus. Primeiramente, não serão todas as arenas que permitirão espectadores. No Cazaquistão, Cherepovets e Novosibirsk não terão torcedores em casa.

    De acordo com os regulamentos russos, os ingressos podem ser vendidos desde que os fãs estejam sentados a pelo menos 1,5 m de distância. Também há um limite para o número de ingressos disponíveis para venda e não haverá ingressos a serem comprados na arena no dia do jogo. 

    É possível ler mais sobre detalhes do calendário no site oficial da KHL (em inglês).

    Foto: KHL.com/Reprodução

  • Kovalchuk é o culpado pela situação dos Kings?

    Kovalchuk é o culpado pela situação dos Kings?

    O Los Angeles Kings terminou a temporada passada com uma das melhores defesas da liga. Mesmo que tenham chegado aos playoffs perdendo na primeira rodada para o Vegas Golden Knights. Idealizando alcançar os playoffs na temporada 18-19, os Kings contrataram o ala esquerda russo Ilya Kovalchuk (35). Sendo que o jogador tinha se aposentado da liga em 2013 e até então jogava pelo SKA St. Petersburg na KHL.

    Kovalchuk assinou o seu contrato de retorno à NHL no dia 23 de junho, por 3 anos, com o time de Los Angeles. No momento do contrato e na pré-temporada, o jogador foi elogiado pela sua capacidade de marcar gols. “Ele nos dá um elemento adicional de habilidade e pontuação junto com o desejo de vencer.” disse o vice-presidente e GM dos Kings, Rob Blake, na época.

    O jogador russo liderou a KHL em pontos na temporada passada, marcando 63 pontos e 31 gols. Kovalchuk esteve nas Olímpiadas de PyeongChang 2018, em que ajudou os Atletas Olímpicos da Rússia a conquistar a medalha de ouro. E ainda foi eleito como o MVP dos Jogos Olímpicos. Lembrando que na ocasião, a Rússia não pôde levar seu nome à delegação. Devido a investigação de esquema doping patrocinado pelo próprio país.

    Apesar das boas previsões iniciais, o Los Angels Kings está tendo um início de temporada péssimo. Sendo o último colocado na Liga com apenas 19 pontos. Dos 24 jogos, em 14 deles o Kings permitiu que o time adversário marcasse primeiro, e apenas contra o Rangers no dia 28 de Outubro, conseguiu reverter o placar. Com isso, Kovalchuk é o segundo maior pontuador do time, com 14 pontos em 24 jogos.

    Portanto o time se vê na posição de deixar de sonhar novamente com os playoffs, devido a essas estatísticas negativas. E tentam buscar apenas o direito de fazer a primeira escolha do Draft 2019.

    Os Kings só ganharam dois jogos consecutivos nessa temporada, cada um deles comandado por um técnico diferente. John Stevens foi demitido depois da derrota para o CBJ em 3 de Novembro, e o time promoveu Willie Desjardins como técnico. Quem conseguiu vencer na sua estreia, dia 6 de Novembro contra os Ducks.

    Mas mesmo com tantos resultados negativos, o novo técnico deixou Kovalchuk no banco. E ainda alegou que o jogador não marcava nos últimos nove jogos. Antes do jejum do ala começar, houve uma discussão sobre o estilo de jogo na NHL ter mudado. E isso ser razão para o jogador russo não desenvolver da mesma forma.

    Porém, Kovalchuk não se deixou abater pelas críticas.Ele defendeu que Hockey continua sendo Hockey independente de onde você joga. “O rinque é menor, então tudo é mais rápido. Os melhores jogadores competem aqui. É um bom desafio para mim, pessoalmente, porque é preciso sair da sua zona de conforto de vez em quando e ser ainda melhor. Mesmo com 35 anos, não importa. Você sempre pode ser melhor e aprender alguma coisa”, declarou.

    Ninguém conseguiu compreender o porque Kovalchuk está passando tanto tempo no banco. Inclusive em momentos críticos que os Kings precisariam de um jogador tão versátil no gelo. Além da capacidade de transitar pelo line-up, jogar tanto do lado direito quanto do esquerdo, o jogador tem experiência em finalizações. Esses pontos poderiam fazer uma diferença para o agora longínquo sonho de uma Stanley Cup para os Kings.

  • Kontinental Hockey League

    Kontinental Hockey League

    Uma das principais ligas profissionais de hockey no mundo, a Kontinental Hockey League (KHL) [Континентальная хоккейная лига (КХЛ), em russo] é formada, em sua grande maioria, por países ex-integrantes da antiga União Soviética (URSS) e da China. Em termos de importância, ela é definitivamente a próxima no ranking, depois da NHL. Antes de 2008, a Liga se limitava ao território russo, tendo o nome de Russian Championship League ou Russian Super League, mas após a inclusão de países da ex-URSS, adotou o nome de KHL. 

    Inicialmente, a liga possuía equipes dos seguintes países: Rússia, Belarus, Cazaquistão e Ucrânia. Posteriormente, a partir de 2011 também passaram a contar com representantes da Eslováquia, República Tcheca, Croácia e Finlândia, por exemplo.

    O acidente aéreo que comoveu o mundo do hockey

    O ano de 2011 foi marcante para a história da KHL, considerando a tragédia ocorrida com a equipe do Lokomotiv Yaroslavl. Em 07 de setembro de 2011 o avião que levava a equipe russa, juntamente com os integrantes da comissão técnica, caiu durante a decolagem na cidade de Yaroslavl. O time viajava para Minsk, capital da Bielorrúsia, para o primeiro jogo da temporada 2011/2012 da KHL. 

    Todos que estavam a bordo da aeronave morreram, todos os jogadores do plantel do Lokomotiv, além de quatro jovens da equipe juvenil do clube. O único sobrevivente do acidente foi o mecânico do avião. Em homenagem ao acidente, o dia 07 de setembro passou a ser uma data de luto, ou seja,não foram disputadas partidas na liga até a temporada 2017-18.

    As idas e vindas dos clubes

    Após um ano da sua entrada na KHL, a equipe eslovaca Lev Poprad deixou de existir. O mesmo aconteceu com a tcheca Lev Praha, que participou da liga de 2012-13 até 2014-15. O também eslovaco, Slovan, deixou a KHL em 2019-20 devido a problemas financeiros. A equipe croata do Medveščak entrou na liga em 2013-14 e a deixou alguns anos depois, em 2017-18. 

    Outras equipes que deixaram a liga foram as russas Khimik (2009-10), Lada (2010-11), Dynamo M (2010-11), MVD (2010-11), Lokomotiv (2011-12) Spartak Moscow (2014-15), Atlant (2015-16), Metallurg Novokuznetsk (2017-18), Lada (2018-19), Yugra (2018-19) e Admiral (2020-21). 

    No caso do Spartak Moscow, a saída foi um hiato de um ano por razões financeiras e a equipe retornou à KHL na temporada seguinte. O Admiral entrou em hiato por razões financeiras também durante essa temporada, o que pode ser atribuído à pandemia do COVID-19, que teve um grande impacto no financeiro dos clubes.

    As novas adições à KHL foram o Avtomobilist (2009-10), o UHC Dynamo (2010-11), o Yugra (2010-11), Lokomotiv (2012-13), Admiral (2013-14), Lada Togliatti (2014-15), o finlandês Jokerit (2014-15), HC Sochi (2014-15), Spartak Moscow (2015-16) e o chinês HC Red Star Kunlun (2016-17).

    A KHL atual

    Hoje a Kontinental Hockey League é formada por duas conferências e quatro divisões:

    Os clubes são em sua grande maioria russos (18), mas há representação de outros países, como Belarus, China, Finlândia, Letônia e Cazaquistão, que possuem uma equipe cada. A KHL é tida como a liga mais disputada na Europa e Ásia, bem como a segunda mais importante do mundo, atrás apenas da NHL. A liga europeia tem a terceira maior média de público no Velho Mundo, com mais de seis mil espectadores, além de possuir o recorde de público na Europa, com 5.32 milhões em uma temporada. 

    As divisões levam nomes de ex-jogadores importantes para a história do hockey russo. Vsevolod Bobrov foi jogador do CSKA e VVS, além de ter conquistado o ouro olímpico com a URSS. Anatoli Tarasov, por sua vez, faz parte do Hockey Hall of Fame e é tido como o pai do hockey russo e principal responsável pelos anos de hegemonia da equipe nacional da URSS. 
    Já na conferência Leste, Valeri Kharlamov, integrante do Hockey Hall of Fame, ex-jogador do CSKA e medalhista de ouro pela URSS, também foi homenageado. Por fim, Arkady Chernyshev também recebeu homenagem. O russo foi técnico do Dynamo Moscow e integra o Hall da Fama da Federação Internacional de Hockey no Gelo (IIHF, sigla em inglês).

    O formato da temporada

    Em 2009 foi feita a divisão entre conferências Leste e Oeste. As conferências incluem duas divisões cada e as equipes disputam quatro partidas entre oponentes de divisão (20), três jogos contra rivais de conferência que são da divisão diferente, além de dois jogos contra cada oponente da conferência oposta. A temporada regular possui 62 jogos no total. 
    Ao seu final, 16 times se classificam para os playoffs, sendo oito de cada conferência. As quartas de final da conferência são uma série de cinco partidas, enquanto as séries subsequentes (semifinais, finais da conferência e finais da Gagarin Cup) são melhores de sete partidas. O campeão da última série conquista a almejada Gagarin Cup.

    O troféu

    O campeão dos playoffs da KHL recebe a Gagarin Cup (Кубок Гагарина, em russo). O troféu recebeu esse nome em homenagem ao cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a ir para o espaço, que jogava hockey como goleiro e era um grande entusiasta do esporte.

    https://twitter.com/gilliankemmerer/status/1249311450507640833

    A taça pesa cerca de 18 quilos e é feita de prata com revestimento em ouro. A Gagarin Cup é mais pesada do que a celebrada Stanley Cup, que pesa cerca de 15.5 kg. 
    Além do vencedor dos playoffs, a KHL também premia o melhor clube russo, considerando aquele que se classificou com a posição mais alta. Além disso, o time que possui a melhor pontuação na temporada regular é o vencedor da Continental Cup, o equivalente ao President’s Trophy da NHL.

    Como assistir

    A KHL conta com um sistema de streaming próprio, onde o torcedor pode optar por adquirir os jogos de apenas uma equipe ou da temporada por completo. Ele está disponível para dispositivos Apple e Android, além de Smart TVs. O pacote de uma equipe só custa 1999 rublos (aproximadamente 140 reais) e o pacote da temporada completa custa 2999 rublos (aproximadamente 210 reais). O serviço também possibilita a aquisição do direito a assistir um único jogo. Embora alguns países (como EUA, Canadá e países vizinhos como a Finlândia) tenham restrições geográficas, o Brasil não se encontra neste grupo. É possível, portanto, assinar o serviço daqui. Para mais detalhes sobre como assinar, aqui está a página oficial.

    Q&A com a jornalista Gillian Kemmerer, que cobre a KHL

    Quais as principais diferenças entre a NHL e a KHL?

    A KHL e a NHL convergiram muito na última década. Os talentos vão e voltam entre as ligas, e o tamanho do gelo na KHL tem diminuído. Todas as pistas nas dimensões olímpicas devem ser eliminadas até 2022. Vários nomes conhecidos na NHL, incluindo Bon Hartley, Sergei Fedorov, Dave Nemirovsky, Sergei Zubov e Alexei Kovalev são técnicos na KHL – e essa lista continua. Naturalmente, treinadores importados tendem a trazer ou favorecer um estilo de jogo norte-americano, mas você também vê estilos mais mais sistemáticos e defensivos em alguns dos tradicionais técnicos russos. Há menos brigas no hockey europeu em geral (mas ainda acontece!) e o nível de habilidade é muito alto.

    Como são os fãs da KHL? A liga vai ter público nas arenas essa temporada? 

    A KHL terá torcida nessa temporada, mas as restrições variam de acordo com a cidade e o país. Em algumas arenas, tem um toque de futebol europeu com tambores, bandeiras, e cantos. Os fãs fazem cartazes incríveis e alguns se fantasiam (tem um mago que vem aos jogos de Ufa, e quando Jokerit e Petersburg se enfrentam alguns fãs se vestem como Pedro, o Grande). Tantas cidades da KHL são apaixonadas, e os estádios têm características e tradições únicas. Você pode sentar em uma sauna finlandesa para assistir ao Jokerit na Hartwall Arena, por exemplo.

    Quais as regras para jogadores estrangeiros (“imports”) na KHL e por que elas existem? 

    Um time da KHL (localizado na Rússia) pode escalar até cinco estrangeiros por jogo, e apenas um import goleiro. Times não-russos da KHL devem ter pelo menos dez jogadores do país onde o time está ou da Rússia no elenco (há jogadores que se naturalizam e podem competir como não-estrangeiros). Jogadores de países membros da Comunidade dos Estados Independentes (principalmente porque estão na KHL — Belarus e Cazaquistão) não são considerados imports. Estas regras ajudam a promover o desenvolvimento dos talentos locais.

    Como é o sistema de desenvolvimento de jogadores na KHL?

    Tem duas ligas que ‘alimentam’ a KHL — a JHL (juniores da Rússia) e a VHL (equivalente à AHL da Rússia). Ambas as ligas se tornaram cada vez mais competitivas ao longo do tempo. Algumas equipes da KHL são afiliadas a clubes da JHL/VHL e outras têm seus próprios times. SKA São Petersburgo, por exemplo, tem duas equipes juniores (1946 e Varyagi), bem como uma equipe VHL (Neva).

    É comum ter novas equipes se juntando ou deixando a KHL? Qual foi a última expansão?

    Sim, é comum. A última equipe de expansão foi Kunlun Red Star Beijing. A KHL expressa continuamente o desejo de crescer e frequentemente adiciona equipes fora da Rússia. A Ásia e a Europa são ambas boas apostas para uma expansão futura. 

    Tem algum evento especial durante a temporada, como jogos ao ar livre, jogo das estrelas, premiações? 

    Sim! A KHL sediou alguns jogos espetaculares ao ar livre (inclusive na Praça Vermelha – estrelas do hockey feminino russo jogaram lá na última temporada), e os rivais do exército CSKA-SKA se enfrentaram na Arena Gazprom no aniversário do hockey russo. Eu adoro aquele jogo de aniversário porque a história do hockey soviético é minha paixão, e a arena é inacreditável. O All-Star Weekend acontecerá em Chelyabinsk este ano, uma cidade louca por hockey que será uma grande anfitriã. Há também uma cerimônia de premiação em Barvikha (subúrbio luxuoso de Moscou) que acontece após o término da temporada. A KHL tradicionalmente realiza os ‘World Games’ (a pandemia infelizmente não permitiu no ano passado) – os anfitriões anteriores incluíram Davos, na Suíça e Viena, na Áustria.

    Quais os times favoritos a levantar a taça esse ano? E possíveis azarões?

    Os atuais campeões Avangard, o CSKA Moscow, o Ak Bars Kazan e o SKA Saint Petersburg tem sempre a expectativa de dar um show. Porém liga tem se tornado cada vez mais competitiva e menos previsível, como evidenciado pelo fato de que Avangard ganhou seu primeiro título da KHL na história do clube nesta primavera. Alguns times azarões ​​para assistir incluem Dinamo Riga (eles perderam a pós-temporada 7 vezes, mas agora estão sob o regimento do Hall of Famer Sergei Zubov), Kunlun Red Star (eles vão treinar para a Seleção Chinesa de Pequim 2022) e o Admiral Vladivostok (eles perderam a última temporada devido à COVID e questões financeiras, então é ótimo tê-los de volta).

    Quais são alguns jogadores para prestar atenção nesta temporada? 

    Eu amo assistir aos jovens da Rússia. Eles são o futuro do esporte não apenas em um contexto de KHL e NHL, mas também em termos de hóquei na Rússia em nível nacional. Alguns dos meus talentos em ascensão favoritos incluem Dmitry Ovchinnikov, Matvei Michkov, Kirill Marchenko, Dmitry Voronkov e Danila Yurov.

    Quais são algumas ideias equivocadas que novos fãs costumam ter sobre a KHL?

    O tamanho do gelo é um erro comum. A KHL costumava jogar numa superfície de gelo maior, mas a maioria das equipes agora se converteu para o tamanho da NHL ou um tamanho híbrido finlandês. Outro é que o KHL abrange seis países, não estritamente a Rússia! Belarus, Letônia, China, Cazaquistão e Finlândia têm times na liga – e tenho certeza que mais países participarão com o tempo.

    Tem alguma palavra em russo que o fã de hockey precisa conhecer e que podemos ouvir na transmissão ou ver as equipes tweetando?

    A palavra mais importante para um fã é “shai-by, shai-by!” Shaiba (шайба) tecnicamente significa “disco”, e os frequentadores das arenas entoam “shai-by” (cujo final implica chegar ao disco) quando querem um gol! O hockey é uma língua universal, então mesmo que você não fale russo, você ainda pode amar e apreciar o KHL.