Autor: Cristiane Andrade

  • Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Conhecendo a NCAA, a responsável pelo College Hockey

    Tanto no hockey no gelo, como em outros esportes, muitos dos talentos das Ligas Principais acabam saindo de times universitários. Jonathan Toews, Johnny Gaudreau e Quinn Hughes são apenas alguns exemplos, dentro da NHL, que fizeram seu estrelato na Universidade e vieram parar diretamente dentro da Liga Nacional de Hockey.

    Mas em qual liga jogam esses times universitários? Para abrigar todos estes talentos, existe a NCAA,  associação responsável pelo acontecimento de campeonatos de diversas modalidades esportivas, em Universidades dos Estados Unidos e Canadá. Uma destas sendo o hockey no gelo, que tem grande presença na organização e forma diversos atletas profissionais. 

    Mas a Liga Universitária é muito maior do que apenas essa descrição. Por isso, nós separamos alguns tópicos importantes para explicar para vocês como ela funciona.

    O que é a NCAA?

    A NCAA é a sigla para National Collegiate Athletic Association. Ou seja, é uma organização que regula atletas de diversas instituições universitárias na América do Norte. Além disso, é responsável por organizar os eventos esportivos e campeonatos que ocorrem entre essas universidades. Atualmente, cerca de 400 mil estudantes-atletas universitários fazem parte da NCAA e competem anualmente em diversas modalidades esportivas oferecidas pelas Universidades que a compõe.

    O esporte universitário surgiu na América do Norte ao final do século 19 de forma amadora, sem maiores regulamentações. No entanto, com o passar do tempo, questões em relação a segurança dos atletas universitários começaram a ser levantadas pelas próprias Instituições. 

    E então, no início do século 20, o Chanceler da Universidade de New York, Henry MacCracken, organizou uma reunião entre 13 Universidades para debater sobre mudanças em relação ao assunto. A partir desse encontro surgiu então a Associação Atlética Intercolegial dos Estados Unidos (IAAUS). Essa associação é estabelecida oficialmente em 1906. Em 2010, por fim, a IAAUS passou a se chamar Associação Atlética Nacional Universitária (NCAA), nome este que carrega até os dias de hoje.

    Após alguns problemas de crise financeira e má gestão, a NCAA foi crescendo e ganhando reconhecimento. Desta forma, passou a criar cada vez mais campeonatos para as modalidades esportivas. E, portanto, precisou se discernir em três divisões: D-I, D-II e D-III. Da Divisão I e II, fazem parte as Universidades que cedem bolsa aos estudantes-atletas. E por fim, a  Divisão III abriga as Instituições Superiores que não oferecem bolsa aos atletas, apenas a oportunidade de jogar pelo time universitário. 

    Atualmente, existem 26 modalidades esportivas abrangidas pela NCAA. Entre estas se encontra o Hockey no Gelo. O esporte está presente nas 3 divisões criadas pela associação, com campeonatos anuais tanto de times universitários masculinos, quanto de times universitários femininos. O torneio de hockey universitário mais conhecido da NCAA é o Frozen Four, que atrai diversos torcedores da América do Norte, como também de todo o mundo. 

    O Ice Hockey 

    O hockey universitário existe desde o fim do século 19 na América do Norte. Malcolm Chace, calouro da Universidade de Brown, e Robert Wrenn (Harvard), ao disputarem um torneio de polo no gelo em Ontário, acabaram conhecendo membros do Victoria Hockey Club, um dos primeiros times de hockey amador do Canadá. Seguidamente, os estudantes foram convidados a visitar Montreal, sede do clube, para aprender um pouco mais sobre as regras do esporte. Em outra visita ao Canadá, Chace e Wrenn levam diversos amigos consigo, estes que também se apaixonam pelo esporte.

    A partir disso, ambos voltaram para suas respectivas Universidades, impulsionados assim a fundarem times universitários de ice hockey. Instituições como Harvard e Brown foram pioneiras na criação das equipes. E, no período de uma década, diversas Universidades da América do Norte já possuíam times formados. Anteriormente, o hockey era um esporte mais apreciado na  região da Nova Inglaterra. No entanto, ao fim do século 19, as Universidades do meio-oeste também passaram a criar programas para abranger o esporte; tanto as de grande porte (U. Minnesota, por exemplo), como as menores, estabelecendo assim campeonatos de hockey universitário de nível inferior. 

    A falta de rinks de gelo disponíveis foi uma grande preocupação para boa parte destas Instituições, que se questionavam se deveriam iniciar um programa próprio de hockey no gelo ou continuar apoiando as equipes que já haviam se formado e jogavam geralmente em rinks de gelo abertos ao público, próximos às Instituições. Portanto, após diversas discussões, a Universidade de Princeton criou a primeira arena de ice hockey universitário, o Hobey Baker Memorial Rink, em 1923. 

    No entanto, as coisas tornaram-se mais profissionais para o hockey universitário ao fim da década de 40. Em 1948, a NCAA  integrou o hockey no gelo à organização, e passa a realizar os campeonatos da modalidade esportiva (o Frozen Four sendo um dos principais). Após esse período, o hockey universitário ganhou mais incentivo, crescendo cada vez mais em popularidade na América do Norte.

    As divisões

    Para melhor organização, a NCAA optou por dividir as Universidades em três grandes grupos. Assim como nos demais esportes, o hockey universitário também se encaixa nessas divisões da organização. Estas que são a Divisão I, Divisão II e Divisão III. 

    Atualmente, a NCAA possui campeonatos apenas para as Divisões I e III. Porém, os times que compõem a Divisão II acabam por disputar partidas entre os times das conferências que fazem parte da desta. Eles também competem em alguns campeonatos regionais (fora da NCAA).

    Assim como nos outros esportes, os programas de hockey das universidades, que fazem parte das Divisões I e II, oferecem bolsas de estudo aos seus atletas. Porém, estes precisam atingir alguns quesitos para jogar pelos times destas universidades. Quesitos estes que juntos formam a elegibilidade do aluno para disputar na sua equipe universitária. 

    Para isso, é necessário que os estudantes-atletas possuam high scores nos SATs (acima de 900). Além disso, é importante que se mantenham com notas acima da média durante seu período na instituição de ensino superior. Assim, cumprindo todos os requisitos, o jogador se torna elegível para competir pelo time de hockey da universidade que frequenta.

    Atualmente, cerca de 138 Instituições, distribuídas nas três divisões da NCAA, ofertam o programa de hockey no gelo masculino. Já o programa de hockey feminino conta com 93 universidades, estas que são distribuídas na Divisão I e III.

    Divisão I

    A Divisão I é o nível mais alto de atletismo universitário que compõe a NCAA. As Universidades desta divisão geralmente possuem orçamentos maiores, instalações mais elaboradas, entre outros requisitos. Desta forma, acabam por fim distribuindo bolsas de atletismo e atraindo diversos futuros prospects das principais Ligas norte americanas. 

    A Divisão I do hockey masculino conta, atualmente, com 60 Universidades, divididas em seis conferências. Estas que são a Hockey East (da qual a Boston College e Boston University fazem parte), a NCHC (Universidade de Denver), WCHA, ECAC Hockey (Universidades da Ivy League, como Harvard, Yale), Big Ten (Michigan, Wisconsin e North Dakota) e a Atlantic Hockey (Bentley). 

    Já a Divisão I do hockey feminino conta com cinco conferências: a College Hockey America, ECAC Hockey, Hockey East, New England Women’s Hockey Alliance e Western Collegiate Hockey Association. 

    Divisão II

    A Divisão II da NCAA é uma divisão de nível intermediário. As universidades que a compõe tendem a ser as Instituições Públicas e algumas privadas. Cerca de 133 universidades da Divisão II tem menos de 2.499 estudantes. Apenas 12 instituições têm mais do que 15 mil alunos. Ou seja, a maioria das Instituições de Ensino Superior que fazem parte da D-II são as de menor porte.

    Assim como na D-I, os atletas que jogam nos times de hockey da Divisão II possuem bolsa escolar, e só a mantém se atingem os requisitos de elegibilidade. No entanto, a NCAA não fornece um campeonato para os times que fazem parte desta divisão. Isso se dá pelo fato de esta possuir apenas uma conferência atualmente: a Northwest-10.

    Divisão III

    Por fim, a Divisão III é formada pelas universidades que optaram por não oferecer bolsas de atletismo a seus alunos-atletas. Atualmente, cerca de 40% dos estudantes-atletas da NCAA competem pela D-III. 

    Na Divisão III de hockey masculino existem 74 times. Estes que são divididos em 9 conferências – a Commonwealth Coast e a Massachusetts State College Athletic são alguns exemplos. 

    Já a Divisão III de hockey feminino conta com 52 equipes, distribuídas em sete conferências. Estas que são a Colonial Hockey Conference, a ECAC West, Minnesota Intercollegiate Athletic Conference, New England Hockey Conference, New England Small College Athletic Conference, Northern Collegiate Hockey Association e a Wisconsin Intercollegiate Athletic Conference. 

    Ice Hockey Universitário Feminino

    Apesar da integração pela NCAA ter sido feito apenas no início da década de 2000, nos anos 70 já existiam diversos times femininos de hockey amadores nas universidades norte americanas. 

    O primeiro time de hockey feminino foi criado pela Universidade De Brown, em 1965. Seguidamente, algumas outras instituições da Ivy League, como Cornell, Yale e Princeton, seguiram o exemplo, instituindo equipes em suas Universidades. Assim, com a criação destas equipes universitárias, em 1976 a Brown finalmente veio a sediar o primeiro torneio feminino de Hockey no Gelo.

    E após diversas discussões sobre o preconceito sofrido pelas atletas em diversas Universidades norte americanas, a NCAA, por fim, passa a integrar os times femininos de hockey no gelo à organização em 2001. 

    O campeonato feminino da Divisão I é um torneio que conta com apenas 8 equipes, tendo partidas de eliminação única. Assim, por temporada, os times que a compõe disputam mais de 30 jogos. As finais e semifinais são chamadas de Women’s Frozen Four, nome que foi inspirado no do Campeonato Masculino da Divisão I. Ao fim do torneio, a melhor jogadora da Divisão I feminina recebe o prêmio Patty Kazmaier, que tem o nome como uma homenagem a ex atleta campeã do time de hockey feminino de Princeton.

    O campeonato da Divisão III abriga 9 equipes, e é um torneio de eliminação única. Por fim, os times da Universidade de Minnesota Duluth e Universidade de Wisconsin possuem grande presença no campeonato, devido ao grande número de conquistas no Frozen Four Feminino.

    Ice Hockey Universitário Masculino

    O hóquei no gelo masculino foi a primeira modalidade do esporte a ser instituída pela NCAA, ao fim dos anos 40. Assim como na modalidade feminina, a masculina também possui campeonatos apenas para a Divisão I e III. 

    O campeonato da Divisão I conta com 16 equipes. Estas que são definidas a partir de disputas entre os times das conferências da divisão. Assim como no campeonato feminino, os jogos são de eliminação única. E por fim, os 16 times classificados para disputar o campeonato são divididos em 4 categorias; cada categoria conta com 4 equipes.

    As semifinais e finais, que definem anualmente o campeão da Divisão I, são conhecidas como Frozen Four. Atualmente, o time com mais vitórias no Frozen Four é a equipe da Universidade de Michigan que, até então, possui 9 campeonatos. Logo atrás ficam a Universidade de Denver e North Dakota, com 8 campeonatos cada. Wisconsin, que também é uma Instituição de peso no campeonato, possui 7 vitórias no Frozen Four. 

    O campeonato da Divisão III não é tão conhecido quanto o Frozen Four. No entanto, é formado por 12 times, estes que também definidos a partir de disputas entre as equipes das conferências. Assim como os demais, ele possui partidas de eliminação única, que levam os times a final. Atualmente, a Universidade com mais vitórias no torneio da D-III é a Middlebury, com 8 campeonatos. 

    Frozen Four

    O Frozen Four é a competição final do campeonato de hockey universitário da Divisão I, onde a NCAA coroa seu campeão nacional todos os anos. Os dois jogos de semifinal, e a própria final, são disputados em três dias, no período da primavera norte-americana.

    A competição existe há 72 anos, desde que a NCAA incluiu o hockey nos programas de atletismo universitário. Em 2003, o campeonato aderiu o formato de 16 times: são 4 regionais, e dentro de cada regional constam 4 equipes. Por fim, os vencedores de cada uma dessas regionais acabam avançando para as Finais do Frozen Four. 

    Com o passar do tempo, e os talentos que vinham se revelando no College Hockey, o Frozen Four se tornou bem mais do que apenas uma final de campeonato universitário. São estádios lotados com fãs, e um espírito esportivo gigante que domina os torcedores durante os três dias em que o evento acontece. 

    O campeão atual da Frozen Four é o Minnesota Duluth, que fez uma extraordinária campanha back to back no campeonato e, desta forma, venceu as finais de 2018 e 2019. A maior vencedora do Frozen Four, em todos os anos de história do esporte na NCAA, é a Universidade de Michigan. Esta que possui um dos programas mais famosos de hockey universitário para os seus atletas, e já trouxe muitos destes para dentro da NHL. Atualmente, Quinn Hughes, do Vancouver Canucks, é um destes. 

    Wisconsin também tem grande destaque, por já ter sido campeã de 7 campeonatos (ocupa o 4º lugar no ranking de times com mais Frozen Four). No Draft 2019, três escolhas do first round foram alunos-atletas da Universidade: Cole Caufield, Alex Truscotte e Owen Lindmark. Dos três, Truscotte já assinou contrato com o L.A. Kings e deve estrear no profissional na temporada 2020-21. Outro atleta de Wisconsin que entrará para o profissional na temporada 2020-21 é K’André Miller, que já assinou contrato com o New York Rangers.

    O Frozen Four ganhou tanta importância nos últimos anos que despertou o olhar emissoras televisivas. Atualmente, a ESPN passa todos os jogos do Frozen Four e vem transmitindo este há 27 temporadas. Assim, o esporte acaba atraindo cada vez mais o olhar de fãs intrigados que querem descobrir quais serão os próximos talentos que irão garantir um ticket direto para a NHL. 

    Portanto, a menção honrosa de hoje é um RIP pelo fim do campeonato, que precisou ser cancelado devido a pandemia Covid-19. Porém, a boa notícia é que, no ano que vem, teremos mais Frozen Four. E, se tudo der certo, a próxima cidade a sediar o evento será Detroit, que abrigaria a final do campeonato este ano.

    Por fim, só nos resta uma coisa: esperar ansiosos pelo próximo campeonato. 

  • Hockey Hall of Fame anuncia classe de 2020

    Hockey Hall of Fame anuncia classe de 2020

    O Hockey Hall of Fame anunciou seus novos membros na última quarta feira (24). Ao todo, foram seis novas indicações em duas categorias: Jogadores e Builder

    A classe de 2020 contou com grandes nomes do mundo do hockey. À categoria jogadores, os indicados foram Jarome Iginla, Marian Hossa, Kim St-Pierre, Doug Wilson, e Kevin Lowe. E por fim, juntando-se a eles, entra na lista na categoria Builder, o executivo Ken Holland. 

    O presidente do Hockey Hall Of Fame, Lanny MacDonald, informou em um comunicado à imprensa que é um honra ver estes novos nomes integrando o HHOF:

    “O Hall da Fama do Hockey se orgulha de receber essas lendas do hóquei como membros de honra. Suas contribuições para o jogo de hóquei estão bem documentadas e sua eleição para o Hall da Fama do Hóquei é ricamente merecida.” 

    Os indicados

    Jarome Iginla

    Ter Jarome Iginla na Classe de 2020 do HHOF não é nenhuma surpresa: o jogador disputou 1.554 jogos na NHL e fez história no Calgary Flames. Foram duas décadas na Liga Nacional de Hockey. Destes 20 anos, durante quinze vestiu a jersey do Calgary, sendo inclusive capitão do time. Atualmente, ele é o líder em pontos na história da franquia, com 1.219. 

    Foi não só um dos melhores forwards do Calgary, mas como também um dos melhores jogadores da NHL na posição. Foi vencedor de dois troféus Rocket Richard, um Ted Lindsay Award, do Art Ross Award, do King Clancy e participou do NHL All Star por 6 vezes. Além disso, o jogador nativo de Alberta, representou o Canadá em muitos níveis. Assim, acabou por vencer dois World Junior Championships, um World Championship, uma Copa do Mundo de Hockey e, por fim, tem duas medalhas olímpicas de Ouro. 

    Marian Hossa

    Hossa começou sua carreira com os Senators, em 1997, mas foi com os Blackhawks que o jogador atingiu o ápice de sua carreira. Na última década, ele acabou se tornando peça essencial nos três campeonatos conquistados pelo Chicago. Tanto nos playoffs, quanto na temporada regular, Hossa foi uma grande adição na equipe que fez dos Hawks uma dinastia nos últimos 10 anos. 

    No cenário internacional, o jogador representou a Eslováquia em oito campeonatos mundiais e participou quatro vezes dos Jogos Olímpicos. Por fim, finalizou sua carreira em Chicago em 2017, com 1.309 jogos disputados e 1.134 pontos 

    Kim St-Pierre

    De todos os indicados ao HHOF, Kim St-Pierre foi a única mulher a compor o squad. A goleira disputou 83 jogos com a jersey do Canadá, tendo adquirido 29 shutouts e diversas medalhas internacionais: três nas Olimpíadas, quatro em campeonatos mundiais e uma na Four Nations Cup. Por fim, quando jogou pelo Montreal Stars, da CWHL, venceu a Clarkson Cups duas vezes e foi a melhor goleira da Liga por duas temporadas consecutivas. 

    Doug Wilson

    Apesar de ter feito, e estar fazendo atualmente, um grande trabalho como General Manager do San Jose Sharks, Doug Wilson foi indicado ao Hockey Hall Of Fame na categoria jogador. Das 16 temporadas que disputou pela NHL, quatorze destas foram com com os Blackhawks. Em toda a sua carreira, o defensor somou 827 pontos e se tornou um dos 20 melhores defensores da Liga, faturando também um Norris Trophy Award na década de 80. 

    Kevin Lowe

    Após muitos anos assistindo muitos de seus ex companheiros de time serem indicados ao Hockey Hall Of Fame, Kevin Lowe finalmente viu sua espera chegar ao fim este ano. O ex-defensor dos Oilers, ao lado de Messier e Gretzky, foi peça essencial em quatro conquistas dos Oilers à Stanley Cup durante as décadas 80 e 90. Seguidamente, Lowe veio a ganhar mais um campeonato em 1994, porém desta vez jogando com o New York Rangers. 

    Por seu espírito de liderança dentro e fora do gelo, o defensor ganhou o King Clancy Memorial Trophy em 1990. Além disso, também participou do NHL All Star sete vezes. 

    Ken Holland

    Ken Holland foi o único da classe de 2020 a ser indicado na categoria Builder. Ele ocupou o posto de General Manager dos Red Wings por 22 temporadas, e ganhou três Stanley Cups com o time. Durante a sua estadia no Detroit, a equipe ganhou mais jogos de temporada regular e playoffs (1.044) do que qualquer outra equipe na NHL. Uma grande carreira e digna de uma indicação ao HHOF.

    Votação e Eventos

    Devido ao COVID-19, o painel de 18 eleitores que votou para escolher os novos membros do HHOF se encontrou virtualmente no início desta semana, para que a eleição não fosse adiada e, assim, pudesse ser feita de uma maneira mais segura para todos.

    De acordo com Lanny MacDonald, a Celebração de Indução do HHOF de 2020 está adiada para o dia 16 de novembro de 2020, em Toronto. A celebração conta tradicionalmente com um jogo anual, organizado pelo Toronto Maple Leafs, a apresentação dos indicados ao Hall e um evento de gala. Porém, devido a pandemia, o evento pode vir a ser adiado. Provavelmente, até o final de agosto, a organização do HHOF dará mais informações referentes a celebração, e informará sobre novas datas, caso o evento necessite ser adiado.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • A conquista da Stanley Cup de 2014 pelos Kings

    A conquista da Stanley Cup de 2014 pelos Kings

    Treze de junho de 2014. Para muitas pessoas, um dia qualquer. No entanto, para os Kings e seus fãs, um dia que entrou para a história. Desde o início da década até então, foram 5 temporadas na NHL, das quais o torcedor de Los Angeles teve a felicidade de ver seu time duas vezes campeão da Stanley Cup.

    Para este “10 for 10”, o vamos abordar e relembrar a grande trajetória do LA Kings até a vitória que deu ao time a segunda Stanley Cup de sua história. 

    A temporada

    O início da temporada 2013-14 foi marcado por grandes mudanças na NHL, como a nova estrutura das divisões da Liga. No entanto, os Kings não foram tão afetados com o realinhamento.

    Os Kings acabaram por estrear relativamente bem na nova temporada. O time venceu o primeiro jogo, fora de casa, contra o Minnesota Wild, mas acabou perdendo os dois que se seguiram. Assim seguiu a equipe durante todo o mês de outubro, tendo um bom rendimento e se mantendo em posições razoáveis no ranking da Liga.

    Novembro trouxe as melhores performances de LA na temporada regular. O time perdeu apenas duas partidas no tempo regulamentar, tendo 2 derrotas em overtime e outras duas em shootout. Foram estas derrotas que acabaram rendendo pontos para a equipe se manter na zona de playoffs. 

    Ao fim do ano de 2013, os Kings possuíam 54 pontos em 41 jogos, com uma média de 2 gols por partida. O bom desenvolvimento fez com que, desta forma, o time iniciasse 2014 sendo parte dos 3 primeiros colocados da Divisão Pacífica.

    Porém, o mês de janeiro do novo ano acabou sendo frustrante para a equipe e seus fãs. Los Angeles somou 8 derrotas em tempo regulamentar, e outras duas em SO. Portanto, ao fim do mês, a equipe teve apenas um aumento de 12 pontos em relação ao 54 que possuía no início de janeiro. 

    As coisas passam a melhorar para a equipe em fevereiro e março de 2014. O ataque dos Kings, composto por Tyler Toffoli e Tanner Pearson, conseguiu se manter estável e, por fim, acabou levando o time a 94 pontos ao fim de março, com 14 vitórias em 20 jogos. 

    A temporada regular chegou ao fim para Los Angeles em 12 de abril de 2014, e com passagem direta para a pós-temporada. A equipe finalizou com 100 pontos (décima colocação geral), no 3º lugar da Divisão Pacífica e ocupando a sexta posição na Conferência Oeste.

    Apesar de ter apresentado um desenvolvimento razoável ao longo da temporada, o ritmo dos Kings mudou drasticamente para melhor nos playoffs. Sem dúvidas, isso influenciou na vitória do segundo campeonato na história da equipe.

    Os playoffs

    O primeiro adversário dos Kings na pós-temporada foi o San Jose Sharks. O time de San Jose também vinha de uma grande temporada, terminando no segundo lugar da Divisão Pacífica.

    Era senso comum que os Kings teriam um grande desafio pela frente, o que se confirmou na série. O time de Los Angeles foi derrotado nas três primeiras partidas do round, sendo duas destas em casa e com grande domínio dos jogos por parte dos Sharks. 

    O Jogo 4 era decisivo para os Kings. O placar das três partidas anteriores e o ritmo de jogo apontavam a equipe de San Jose como a favorita para a vitória da disputa. No entanto, contando com um elenco cheio de talentos, os Kings souberam virar o jogo por completo.

    O time venceu a quarta partida do round e, assim, forçou um Jogo 5 em casa – no qual também saiu vitorioso. Assim, o round avançou para uma 6ª partida, que também contou com uma vitória dos Kings.

    No Jogo 7, com a série empatada, a equipe vencedora estaria classificada para a próxima fase. Após toda a reviravolta, os Kings, por fim, venceram a partida e garantiram sua vaga para o segundo round dos playoffs.

    Posteriormente, o Los Angeles enfrentou o Anaheim Ducks. Os Kings venceram as duas primeiras partidas em Anaheim, com a primeira terminando na prorrogação. No entanto, o rendimento do time acabou decaindo, e assim, acabaram por serem derrotados nos Jogos 3 e 4, em casa.

    Na quinta partida, os Kings voltaram para Anaheim, porém acabaram acumulando outra derrota. Desta forma, o Ducks lideravam então a série, precisando de uma vitória para avançar. Porém, no Jogo 6, LA voltou a vencer e, com a vitória também no Jogo 7, o time, por fim, avançou para a final da Conferência Oeste.

    O penúltimo adversário de Los Angeles era o Chicago Blackhawks, que vinha de dois campeonatos conquistados desde 2010 – um destes na temporada anterior. Os Kings viajaram para Chicago para a primeira disputa da série, e acabaram sendo derrotados pelo time da casa. No entanto, os Kings venceram as três partidas que se seguiram, duas destas na Califórnia.

    Ao perderem o Jogo 5, o confronto avançou para mais uma partida – esta que os Kings também perderam para os Hawks. Por fim, com a série empatada, ambos os times se encontram para um Jogo 7.

    A Final do Oeste em 2014 foi disputada até o último período e não faltou talento em nenhum dos lados no que muito consideram uma das melhores séries de playoffs nos últimos anos. Para a felicidade dos torcedores de Los Angeles, a equipe derrotou o então atual Chicago e, pela segunda vez na década, garantiu uma passagem para a Final da Stanley Cup.

    O último desafio dos Kings até troféu era o New York Rangers. Essa era a primeira vez desde 1981 que times de Nova York e Los Angeles se encontravam em uma final no nível profissional, quando New York Yankees e Los Angeles Dodgers se enfrentaram na World Series (MLB).

    Os Rangers também vinham de uma ótima temporada regular e nos playoffs. Porém, isso não foi problema para Los Angeles. A equipe acabou vencendo os dois primeiros jogos em casa, ambos no overtime. Seguidamente, também venceu o terceiro em Nova York. No entanto, com a derrota na quarta partida, os Rangers acabam forçando um jogo cinco na rodada final.

    LA Kings campeão 

    O Jogo 5 aconteceu no Staples Center – casa da equipe de Los Angeles. Por vir de três vitórias no round, os Kings precisavam apenas ganhar esta partida para serem coroados campeões de 2014. 

    Justin Williams abriu o placar para Los Angeles logo no primeiro período. No entanto, os Rangers se recuperaram, marcando dois gols no segundo período da partida.

    Em seguida, Marian Gaborik acabou deixando tudo igual para os Kings, levando o jogo para a prorrogação. Após um período extra inteiro, ambos os times se encaminharam para um segundo OT, no qual, aos 14:43, Alec Martinez colocou fim à partida ao levar o puck para o fundo da rede. 

    Assim, em casa, o Los Angeles Kings se consagrou campeão da Stanley Cup pela segunda vez na década e na história do time. Dustin Brown, capitão da equipe, levantou a taça diante de um Staples Center lotado de torcedores dos Kings.

    O troféu Conn Smythe foi para Justin Williams, de LA, considerado o jogador mais valioso nos playoffs. Outros destaques do elenco foram Anze Kopitar, que liderou a pós-temporada em pontos (26); e Marian Gaborik, jogador com mais gols nos playoffs (14).

    Por fim, a equipe comemorou a conquista com um desfile nas ruas de Los Angeles, que contou com cerca de 300 mil fãs.

    O Los Angeles Kings teve uma das melhores equipes da primeira metade da década. O time soube trabalhar em conjunto e, por isso, como recompensa teve seu nome marcado na Stanley Cup duas vezes em três anos. 

    Atualmente, o time não passa por uma de suas melhores fases. Serão necessários talvez anos de reconstrução para que a equipe volte ao protagonismo na Liga. Portanto, nos resta relembrar as suas conquistas e torcer para que, nos próximos 10 anos, os Kings possam coroar sua torcida com mais algumas Stanley Cups.

  • Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Racismo no Hockey: O silêncio não é mais uma opção

    Há duas semanas George Floyd foi morto por um policial branco, Derek Chauvin, de forma brutal, enquanto pedia por socorro diversas vezes. A morte de Floyd gerou diversos protestos em várias cidades dos EUA e do mundo contra o racismo e a violência policial sofrida pela comunidade negra. 

    Todo este acontecimento, somado as denúncias de abuso sofridas pelo jogador Akim Aliu (que vieram à tona em novembro), fizeram surgir diversas questões sobre o racismo no hockey. A maior parte delas em torno da postura assumida pela própria NHL diante de tais absurdos. Além disso,  o silêncio ensurdecedor da maior parte dos jogadores da Liga foi bastante criticado. 

    E então, após todas as observações, passamos a nos perguntar: o hockey é mesmo para todos?

    Infelizmente, a resposta para essa pergunta ainda é não. E por que é não? Porque ainda falta representatividade e aceitação desta pela comunidade do hockey, que apesar de já estarmos no século XXI, tem seus valores pautados em uma cultura excludente. 

    Primeiramente, precisamos começar este texto ressaltando algo muito importante: O hockey ainda possui uma cultura muito forte baseada em valores do século passado, que acompanham o esporte desde seus primórdios. E apesar desta, em alguns momentos, influenciar de forma positiva no esporte, fazendo com que este seja diferente dos demais, ela também se torna excludente. O texto de Akim Aliu, postado no The Players Tribune no dia 19 de maio, apesar de serem palavras difíceis de digerir, aborda muito a parte negativa do que essa cultura do esporte acaba trazendo. 

    Muito mais do que a NHL

    Akim retrata, claramente, todo o preconceito que sofreu durante não só sua passagem na NHL, mas também nos juniores. Dessa forma, acredito que seja importante iniciar a reflexão por aqui. Crianças absorvem tudo que o que escutam, e se desenvolvem sendo um reflexo de tudo que as foi ensinado desde o dia em que nasceram. A partir do momento em que alguém as ensina que pessoas negras não merecem estar dentro do hockey, e o discurso se torna contínuo nos ambientes em que frequentam, a probabilidade de elas o repetirem é enorme. 

    Essas crianças saem do Pee-Wee hockey para os juniores, passam pelo College Hockey e chegam até a NHL ainda escutando e reproduzindo o mesmo discurso, que continua a ser reforçado por muitos a sua volta. Adquirem também a consciência de que o abuso de poder e discriminação que executam é o correto. E então, futuramente, quando nos deparamos com relatos como os de Akim Aliu e Evander Kane, as coisas voltam novamente a fazer sentido. Esses relatos contam claramente o preconceito racial que estes jogadores sofreram dentro de vestiários, por parte de colegas de time, devido a cor da pele que possuem. Discriminação essa que ainda sofrem exercendo seu trabalho dentro do gelo, e que na maioria das vezes passa impune. Portanto, isso tudo volta a nos provar um outro ponto: a NHL ainda não aceitou por completo a diversidade e representatividade que o hockey tanto precisa. 

    É muito importante citar que o hockey é um reflexo da sociedade em que vivemos. Essa que ainda é extremamente racista. Ainda existem pessoas no mundo que não entendem que qualquer tipo de discriminação por raça, cor, gênero e sexualidade não são mais bem vindas no século 21. É necessário esquecer esses atos baseados em ódio no passado, para que apenas assim todos possamos evoluir, e deixar, por fim, qualquer tipo de preconceito para trás. 

    Todavia não podemos esquecer do papel da NHL na causa. Por ser uma Liga que já se declarou abertamente contra qualquer tipo de preconceito, criando um programa que tem o intuito de fazer com que todos sejam bem vindos ao hockey, é papel da mesma agir de acordo com as diretrizes que prega. Desta forma, mostrar que a inclusão proposta vai muito além de apenas trazer visibilidade para estas causas durante o black history month. O racismo no hockey não acontece apenas durante um mês. Ele se faz presente sempre, dos juniores ao profissional. É visível. Os relatos dos jogadores não mentem. 

    Posição dos atletas

    Mesmo com as diretrizes da Liga ser inclusiva, ainda assim, notamos a falta de engajamento e empatia de jogadores e de muitos torcedores com a causa. Quando as acusações de Aliu vieram a público, acumularam-se dias até que a Liga se manifestasse com uma nota de repúdio aos atos. Mas além de uma nota de repúdio, e o envolvimento com a causa apenas durante um mês do ano, nada mais foi feito. 

    Um jogador que dedicou, e ainda dedica, grande parte de sua vida ao hockey, teve coragem o suficiente para vir a público relatar os abusos e racismo que sofreu durante a sua jornada no esporte e, em troca, obteve o silêncio de muitos times e colegas. E o silêncio nessas horas é ensurdecedor. Deve ser gritante quando se olha para trás, e nota-se que a maior parte da comunidade do hockey, que prometeu estar ali por você, virou as costas para todo o sofrimento e humilhação feitos apenas devido a cor da sua própria pele. E isso é errado de tantas formas.

    Por isso é de extrema importância que os jogadores brancos da NHL se pronunciem. Que mostrem aos seus times e torcedores o quanto a conduta racista é errada e precisa ser desprezada e condenada. Existem pessoas que fazem destas figuras os seus ídolos, que os assistem e seguem em mídias sociais. E se partir deles a iniciativa de influenciar de maneira positiva àqueles que os acompanham, e, desta forma, outros acabarem fazendo o mesmo, a mudança finalmente passa a acontecer. 

    George Floyd: a brasa de uma fogueira

    Mas ao falar de esporte não podemos esquecer que tudo está dentro de um contexto. Quando ocorrem acontecimentos de tamanha grandiosidade como os protestos neste exato momento nos EUA, que envolve injustiça e discriminação com uma comunidade que a Liga declarou que apoia, o silêncio volta a ser gigantesco. Ele volta a dizer coisas que não foram ditas, e que passam a ficar claras. Esta é a hora de falar, de se posicionar, pois em momentos como estes o silêncio pode ser conivente com o lado que não é certo. 

    Alguns jogadores da NHL, que entendem seus privilégios como brancos dentro da sociedade e do esporte, tomaram a iniciativa de finalmente quebrar o silêncio. A primeira  mensagem foi feita por Nolan Patrick, no Instagram, se sensibilizando com a morte de George Floyd, no dia do ocorrido. A partir disso, tivemos os tweets de Evander Kane que acabaram movimentando Logan Couture, Blake Wheeler e outros jogadores a virem a público explanar suas condolências e indignação com o sistema racista em que vivemos. E quando um jogador de alto escalão fala, outros também acabam sendo inspirados com a necessidade de expressar, dando assim mais voz à luta. Uma importante ação, mas que não deve ser ovacionada, pois é obrigação destes, como seres humanos e influenciadores, apontar e condenar a discriminação racial.

    https://twitter.com/Logancouture/status/1266808775140237312?s=20

    No dia 31 de maio, às 23:24 (horário de Brasília), a NHL finalmente veio a público se pronunciar e repudiar os atos racistas. Afirmou também que irá trabalhar mais para que hajam mudanças em relação às discriminações ainda propagadas no esporte. E por fim, encorajaram os jogadores e clubes a usarem suas plataformas e privilégios para ajudarem na mudança.

    E um destes passos em relação à mudança finalmente foi dado. Na manhã de ontem (08), sob a liderança de Akim Aliu e Evander Kane foi criada a Hockey Diversity Alliance. Contando também com a participação de Matt Dumba, Wayne Simmonds, Trevor Daley, Chris Stewart e Joel Ward, a iniciativa vem com a intenção de promover diversidade no hockey e erradicar o racismo presente no esporte. No pronunciamento, os jogadores voltaram a anunciar que querem não só trazer mudanças positivas para o hockey, mas também para a sociedade. 

    O comitê, formado apenas por homens, fez surgir alguns questionamentos sobre o porquê de não existirem também mulheres negras sendo representantes. Saroya Tinker, jogadora do Metropolitan Riveters, da NWHL, foi a primeira a se manifestar em relação ao assunto. E seguidamente, revelou em seu twitter que Evander Kane havia entrado em contato para que fosse feita a integração de mulheres no comitê. Outro grande passo em relação a mudança. 

    Alguns dos posicionamentos, como por exemplo os de Jonathan Toews, Tyler Seguin, e Patrice Bergeron, mostraram a sinceridade nas palavras dos jogadores e ações tomadas que valem a pena serem destacadas (mas não louvadas). 

    Toews direcionou suas palavras a todas as pessoas brancas, que possuem privilégios devido a cor de sua pele. Foi pontual ao defender os protestos, e o porquê de serem necessários da maneira que estão acontecendo. Por fim, o capitão dos Hawks usou suas plataformas para pedir que seus seguidores, e torcedores do clube, abram os olhos para o racismo e usem a suas vozes para dar um novo rumo a esta situação: um rumo melhor. 

    Tyler Seguin usou de seu Instagram e Twitter, no domingo, para compartilhar algumas palavras. O jogador demonstrou sua repulsa com os atos racistas crescentes na América e se comprometeu a ser uma voz aliada na luta contra a discriminação racial. Mas o mais surpreendente foi o ver o jogador participar de um dos protestos que ocorreram em Dallas, TX. A cidade, localizada em um dos estados mais segregantes dos EUA, parou neste mesmo dia em uma silenciosa homenagem a George Floyd.

    https://twitter.com/tseguinofficial/status/1268679325076918272?s=20

    Já Patrice Bergeron, por não ter nenhum tipo de mídia social, utilizou as dos Bruins para se posicionar. Ele lamentou a morte de George Floyd, e a de tantas antes dele, que ocorreram de forma injusta em função da sociedade racista em que vivemos. No entanto, Bergeron foi além das palavras e doou 25 mil dólares para duas instituições nos EUA e Canadá que lutam contra a discriminação racial. 

    Três jogadores brancos, e alguns outros, vieram a público utilizar suas plataformas, com milhares de seguidores, para serem aliados na luta contra o racismo. E a importância de fazerem isso é absurda. Principalmente no hockey, onde muitas pessoas ainda se recusam a falar sobre o racismo e a reconhecê-lo. 

    Racismo é pauta no hockey

    Em uma entrevista para o The Athletic, Evander Kane ressaltou que muitos ainda não enxergam que o racismo seja um problema no hockey e o quanto ele afeta a vida dos jogadores negros que disputam pela Liga Nacional de Hockey. 

    “Pessoas acabam dizendo ‘você está procurando’ e ‘você está procurando algo que não existe, é besteira.’ Não é dessa maneira para mim, ou para nós. […] Muitas pessoas gostam de fingir que isso não acontece. Que isso não existe. E esse é o problema.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Ele também voltou a ressaltar na entrevista que muitos dos jogadores negros da NHL pensam da mesma forma. No entanto, a discussão sobre o assunto quase nunca acaba pública por medo das consequências as quais estão destinados. Seja o risco de ter um contrato terminado, ou não ser chamado dos minors para o profissional. O medo de ter a carreira sabotada sempre se encontra presente.

    “Como minoria, há mais a se levar em conta para nós. Não importa quantas vezes as pessoas queiram, digam que somos todos iguais e somos todos uma equipe…Ainda não somos tratados da mesma forma. E não apenas no hockey, mas no mundo, que é algo pelo qual estamos lutando: sermos tratados como iguais e obter oportunidades iguais.”

    Evander Kane, para o The Athletic

    Kane voltou a dizer que a melhor maneira de a comunidade do hockey ser uma aliada na luta contra o racismo é conversar sobre as questões raciais presentes no esporte. Aprender com aqueles que têm sofrido com o peso da discriminação na pele todos os dias, usar suas próprias plataformas para serem vozes. E após muito tempo, isso felizmente está acontecendo. 

    Ontem à tarde, a própria comunidade do hockey se reuniu em um vídeo, publicado pelo jornalista Anson Carter, com o intuito de utilizar as vozes de grandes nomes no mundo do hockey para fortalecer a luta contra o racismo. O vídeo, onde, juntos, todos pronunciam a frase “Você não precisa se parecer com George Floyd para entender que o que aconteceu com ele está errado”, contou com a presença de nomes como Henrik Lundqvist, Patrick Kane, Sidney Crosby, Quinn Hughes, Angela James, Leon Draisaitl e outros mais. 

    https://twitter.com/ansoncarterla/status/1268948428077359104?s=21

    Pronunciamentos são importantes, principalmente vindo de pessoas tão reconhecidas na Liga. Mas mais do que apenas notas de repúdio, este é o momento de agir, aprender, e fazer mais do que apenas um texto, ou postar uma tela preta nas redes sociais. É o momento de usar esta influência para fazer com que o jogo vire. 

    “A primeira coisa que você precisa entender é que as pessoas são mais preocupadas em parecer uma boa pessoa do que ser uma boa pessoa. Sim, eu disse ontem algo bom, mas é sobre ser um boa pessoa e dar os próximos passos. É falar com nossa equipe e pessoas que trabalham com nossa equipe sobre o próximo passo. O que fizemos foi bom, mas não é o suficiente. É [preciso] chegar e entender. Eu entendo a essência, mas quero saber mais sobre o fundo deste mundo e a sociedade com a qual os negros têm que conviver, mas não se sentem confortáveis em estar.”

    Tyler Seguin, para o The Athletic

    Falta de espaço da Liga

    Atualmente, menos de 10% dos jogadores profissionais da Liga são negros. Portanto é preciso entender que existe uma problemática neste número. O problema é muito maior do que apenas o incentivo para a prática do esporte, e envolve questões sociais muito maiores e profundas. Mas, ainda sim, seria muito bem-vindo se a NHL se envolvesse mais com a diversidade no hockey. Se existisse um maior envolvimento com as minorias do que apenas um mês ou uma noite. 

    Criação de programas, apoio e envolvimento com a causa precisam se tornar coisas presentes no rule book da NHL. Entender que uma iniciativa que tenha o intuito de contar a história dos negros no esporte precisa ser feita com os jogadores negros. Pessoas que possuem o lugar de fala e irão retratar melhor do que ninguém suas experiências. Por fim, tomar a iniciativa de fazer com que esses jogadores falem abertamente sobre a discriminação que sofreram devido a cor da sua pele, e mostrar para seus torcedores que essa conduta é completamente errônea, e não deve se prolongar. 

    No entanto, apesar de a iniciativa ter sido feita, ainda é difícil aceitar que, em décadas de existência, a NHL só tenha iniciado o Black History Month há 2 anos. É importante contar as histórias de jogadores como Willie O’Ree, e todos os outros que vieram depois dele. As pessoas passam a gostar de um esporte quando se identificam com este. E como um jovem negro irá se identificar com um esporte o qual não possui representação alguma da sua comunidade? 

    O racismo no hockey é sim um reflexo da sociedade em que vivemos. Mas é necessário que a NHL, como maior Liga de hockey no mundo, admita que existe um problema no fato de que os jogadores negros presentes na Liga sejam menos do que a soma dos dedos de duas mãos juntas. É necessário investimentos por parte da NHL, e de jogadores que possuem grande influência, nas comunidades, para que assim possam existir mais grandes influências no hockey como PK Subban, Evander Kane, Ryan Reaves e Anthony Duclair.

    É preciso que a Liga entenda o seu alcance, quantas pessoas se inspiram em seus jogadores, e seja parte da mudança. Mudar a consciência e o posicionamento de um adulto muitas vezes é difícil, mas a sua influência pode alcançar a próxima geração de futuros jogadores de hockey que, atualmente, são crianças e estão em fase de aprendizado. Elas se inspiram em seus ídolos. E se estes nomes começarem a espalhar a mensagem da importância da representatividade, as coisas podem começar a finalmente caminhar para frente. 

    O hockey é um esporte incrível. Existe uma comunidade inteira de torcedores apaixonados e engajados com seus times e com todos que já fizeram parte do hockey. Mas ainda existe uma cultura que acaba censurando e que é seletiva. Ainda existe o fato gritante de que 80% dos jogadores da NHL são brancos. E coisas assim não são apenas mera coincidência. Histórias como a de Akiu Alim não são as únicas. 

    Atualmente, o hockey não é para todo mundo. Mas pode ser. Alguém só precisa dar o primeiro passo em direção a mudança para que, só assim, esteja claro que o hockey é para quem quiser ser parte do hockey. 

    Foto: Reprodução/espn.com

  • NHL adia jogos internacionais de 2020

    NHL adia jogos internacionais de 2020

    A NHL fez um anúncio na manhã desta sexta-feira (20), juntamente da Associação de Jogadores da Liga Nacional de Hockey (NHLPA). Segundo o posicionamento de ambas as entidades, os jogos internacionais da Liga, previstos para 2020, precisaram ser postergados.

    Com o restante da temporada 2019-20 em hiato indefinido, os jogos da Global Series não possuem data definida para acontecer futuramente. A Liga tem monitorado a situação de perto, junto de médicos especialistas, e existem conversas sobre a temporada 2020-21 iniciar ao final de dezembro, mas nada oficial. Por enquanto, a NHL espera que a situação mundial em relação à COVID-19 se estabilize. Assim, decisões definitivas em relação à volta dos jogos poderão enfim ser tomadas. 

    A NHL e a Associação de Jogadores também reforçaram que continuam comprometidas em divulgar a presença da Liga no cenário internacional, mas que os planos ficarão para 2021.

    “A NHLPA e a NHL continuam comprometidas em manter e aumentar nossa presença internacional. Esperamos que nossos fãs no exterior entendam a necessidade de adiar os jogos de 2020, mas estamos ansiosos para voltar com eles em 2021.”

    Nota oficial no site da NHL

    O primeiro jogo da Global Series deste ano estava programado para acontecer em Praga, na República Tcheca. A partida seria disputada entre Boston Bruins e Nashville Predators, que abririam suas temporadas e a da NHL. Os dois times pretendiam também completar seus training camps na Alemanha e Suíça, onde disputariam partidas com clubes locais. 

    Seguidamente, o Colorado Avalanche e o Columbus Blue Jackets tinham, ambos, duas partidas, também da temporada 2020-21, programadas para serem disputadas na Finlândia.  

    A NHL também tinha a intenção de agendar eventos na China, onde tem tentado estabelecer maior presença há algum tempo, para a temporada 2020-21. No entanto, voltou a afirmar que, no momento atual, tudo está incerto devido a crise gerada pela pandemia.  

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    Três temporadas. Esse foi o tempo necessário para o Chicago Blackhawks conquistar duas Stanley Cups. O time, que foi vencedor da taça em 2010, provou que o sucesso da equipe ainda estava intacto quando levantou a cup pela 5ª vez após mais uma grande temporada.

    E grandes temporadas, repletas de grandes vitórias, merecem ser revisitadas. Por isso, em mais um texto do especial “10 for 10”, nós damos início ao ano de 2013 relembrando os melhores momentos da conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    O caminho até os playoffs

    Os Blackhawks, assim como os demais times da NHL, não iniciaram a temporada 2012/13 da melhor maneira. Isso porque, ainda durante a pré temporada, a season foi cancelada devido ao lockout. Este que teve início em Setembro de 2012 e se prolongou até Janeiro de 2013. Desta forma, a temporada, que tinha 82 jogos marcados no calendário, foi reduzida a 48 partidas.

    A season foi limitada a apenas jogos de conferência e divisão. Por fim, os Hawks não jogaram com nenhum time da Conferência Leste. Ou seja, durante a temporada regular, o time apenas jogou contra equipes da Conferência Oeste (da qual faz parte). A equipe disputou 3 jogos contra times que não pertenciam a sua divisão (Central). Porém, contra a Divisão Central, os Hawks acabaram por disputar mais partidas. Foram 4 jogos contra os Red Wings e Blue Jackets, e mais 5 contra os Predators e Blues.

    Em janeiro, quando a temporada teve seu start, o time fez uma de suas melhores estréias na NHL em anos. Se mantiveram invictos por 24 jogos, perdendo apenas em SO em 3 destas partidas. No início de março, a equipe havia se tornado um dos melhores times da temporada. Liderava as tabelas e contava com um elenco de jogadores que foram protagonistas de grandes partidas ao longo de toda a temporada.

    Por fim, a season é foi finalizada em 31 de março de 2013. Os Blackhawks terminaram a temporada com record de 36-7-5, sendo este um dos melhores da temporada 2012/13. A equipe liderou a Divisão Central e a Conferência Oeste com 77 pontos. A última, portanto, resultando na conquista do Presidents’ Trophy, por ter sido o time que mais pontuou durante a temporada.

    Assim, os Hawks garantem sua passagem aos playoffs, levando na mala o brinde de serem um dos favoritos à taça.

    Os playoffs

    Era a quinta vez consecutiva que o time se classificava para os playoffs. E por serem vencedores do Presidents Trophy, a equipe tinha, portanto, a vantagem do home-ice. E o primeiro adversário do time na pós-temporada foi o Minnesota Wild. O Chicago venceu os dois primeiros jogos em casa, no United Center. No entanto, acaba perdendo o jogo 3 no Xcel Energy Center, casa do seu oponente. O Chicago volta a vencer o 4º jogo também em Minnesota, e ao levar a vitória no jogo 5, acabam se classificando para a próxima etapa.

    Enfrentar os Red Wings no 2º round não foi uma tarefa fácil. O Hawks venceu o primeiro jogo em casa, mas acabou perdendo os outros três que se seguiram. Destas derrotas, uma delas foi em casa, e as outras duas foram na Joe Louis Arena, lar do Detroit. Assim, o Chicago precisaria vencer o jogo 4 para avançar o round para uma 5ª partida. E foi o que aconteceu. O time volta para casa e vence o jogo 5 diante de seus torcedores, e em Detroit, conquista a vitória  do jogo 6. Por fim, disputando o jogo 7 no United Center, os Hawks levam a melhor e avançam para a tão esperada Conferência Final.

    Aqui, o adversário era o L.A. Kings. Novamente, os Hawks levam a vitória nos dois primeiros jogos, disputados em casa. Perdem a próxima partida, mas acabam vencendo o jogo 4. Na 5ª partida, que acabou indo para OT, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede e finaliza o jogo, garantindo assim a vitória dos Hawks e uma passagem para o último round.

    Finais da Stanley Cup. O último adversário dos Hawks era o Boston Bruins. O time, que vinha de um 4º lugar na Conferência Leste, também seria um oponente de peso para o Chicago. Ainda sim, conseguiram conquistar uma vitória por 4 a 3 sobre os Bruins no primeiro jogo do round. No entanto, acabaram derrotados pelo time de Boston nos próximos dois jogos. Na 4ª partida, o time se recupera e as coisas só melhoram.

    Chicago Blackhawks campeão

    Apesar da vitória no jogo 4 e 5, uma 6ª partida precisou ser disputada. Isso porque, caso o Boston vencesse o jogo 6, o round seria empatado, e o round avançaria para um jogo 7. Ou seja, nada era garantido, e o Chicago precisava, portanto, da vitória no 6º jogo para levar o campeonato.

    A sexta, e que viria a ser a última, partida, foi disputada na casa dos Bruins, o TD Garden, diante da maioria dos torcedores do Boston. Com um gol dos Bruins no primeiro período, e um dos Hawks no segundo, a partida reinicia empatada no terceiro.

    Todavia, ao fim do último período, após gols de ambos os times, a partida empata novamente. Qualquer um dos times poderia sair do gelo campeão. No entanto, quem leva a melhor é o Chicago, quando Dave Bolland coloca o puck no fundo da rede e, assim, aumenta a vantagem dos Hawks.

    O apito final é soado. E após uma das temporadas mais intensas dos últimos anos da NHL, o Chicago Blackhawks se torna o campeão da Stanley Cup 2013. O segundo título do time na década, mas a 5ª vez em que tem seu nome marcado na taça em toda a sua história. 

    O time se tornou a 8ª equipe da NHL a vencer o Presidents Trophy e a Stanley Cup na mesma temporada. Após uma grande temporada, Patrick Kane acaba levando o troféu  Conn Smythe Trophy como o MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. Assim, ele se torna o primeiro forward estadunidense a levar o troféu. A vitória também fez Joel Quenneville se tornasse o único técnico ativo na NHL a conquistar duas Stanley Cups. 

    Após a entrega da taça em Boston, o time volta para Chicago, onde celebra, junto de seus torcedores, a vitória do campeonato em uma Parade que lotou as ruas da cidade das cores do time. 

    Um ótimo início de década para o Chicago, ninguém pode negar. As coisas voltam a ficar mais interessantes na temporada 2014/15, mas isso é história para outro texto.

  • Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Desde que a pandemia do novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, muitas ligas esportivas mundiais precisaram pausar suas atividades.

    A NHL não foi diferente.

    Além de suspender a própria temporada, a Liga adiou eventos como o NHL Awards e o NHL Scouting Combine. Até mesmo o próprio NHL Draft de 2020, que aconteceria em Junho deste ano, ainda não tem uma nova data definida.

    Com toda a tecnologia disponível no mundo, é possível pensar em alternativas para fazer com que o Draft aconteça, mas de forma a não colocar em risco a segurança dos envolvidos.

    O home office se tornou uma realidade para muitos, e a NHL já possui experiência com o evento à distância. Portanto, considerar a possibilidade deste ser transmitido do computador ou tablet de cada participante, por exemplo, não seria algo de outro mundo.

    Existem diversas possibilidades para a realização do evento caso a Liga utilize a tecnologia. Por isso, resolvemos pesquisar mais sobre e trazer algumas alternativas sobre como ele poderia ser realizado em tempos de combate à COVID-19.

    Plataformas Online

    Não é de hoje que a internet vem reinventando o mundo com as diversas plataformas online para a realização de videoconferências. Do skype aos serviços criados pelo próprio Google; existem diversas alternativas para transmissão e realização de eventos, mesmo em tempos como estes, em que as pessoas não podem se reunir fisicamente.

    A dinâmica é diferente da reunião presencial. No entanto, a sua essência se mantém, que é manter o contato com as pessoas, mesmo que todas estejam a quilômetros de distância uma das outras.

    Estas plataformas de videoconferências muitas vezes acabam abrangendo até, ou mais, de 100 pessoas em uma chamada. Assim, permitindo a participação e interação de diversos indivíduos uns com os outros. 

    As próprias mídias sociais, como Instagram, Twitter, Facebook, também possuem as suas ferramentas de vídeo ao vivo para todos os seus seguidores. As “lives“, por exemplo, permitem que o dono da conta se comunique em tempo real com seus seguidores e também convoque outra pessoa para participar desta junto com ela.

    Diversos times da NHL, por exemplo, tem abusado do recurso desde o início da quarentena. Desta forma, eles possibilitam que os jogadores participem destas e conversem com o torcedor em tempo real. 

    No entanto, pensando em um possível cenário de que o Draft tenha de acontecer de forma on-line, existem algumas plataformas que a Liga poderia utilizar para que o evento se realizasse, e destacamos algumas a seguir. 

    Zoom

    O Zoom Meetings é uma ferramenta para a realização de vídeoconferências. Ela suporta reuniões de até 500 pessoas e webinars (formato destinado a públicos maiores), que podem contar com um público de até 10 mil pessoas.

    O serviço funciona da seguinte forma: o administrador cria uma sala de reunião e envia o convite desta, via e-mail ou link, para todos os participantes. Não é necessário criar uma conta no site. Basta apenas acessar o URL e informar seu próprio nome. 

    Além das conversas em tempo real, a plataforma oferece um chat, para quem optar por não ligar o áudio ou vídeo da chamada, transferência de arquivos, compartilhamento de tela. Também possibilita que você grave a conversa (com o consentimento de todos), para que, seguidamente, possa disponibilizar em outras plataformas para aqueles que não puderam acompanhar. 

    É uma ferramenta que pode ser considerada e estudada pela NHL como uma forma de realizar o Draft. Na modalidade paga e webinar, o Zoom abriga cerca de 10.000 participantes nas calls. Desta forma, além dos GMs dos clubes e os responsáveis pela Liga, grande parte dos prospects poderia acessar a call e acompanhar tudo de casa ao vivo. Os próprios canais da Liga poderiam disponibilizar um vídeo ao vivo de todo o evento, transmitindo assim para todos os seus seguidores em todo o mundo. 

    Skype

    De todas as plataformas citadas aqui, o Skype talvez seja um dos mais famosos e o pioneiro na criação das videoconferências. Também é um serviço de chamada de áudio e vídeo, criado pela Microsoft, que está disponível na versão aplicativo (tanto para celular, quanto para o computador) e na própria web, sem que o usuário precise fazer o download.

    Geralmente, a modalidade do Skype que a maioria de nós utiliza abrange até 50 pessoas em uma chamada. Por exemplo, neste caso, se a NHL optasse pelo uso da ferramenta, o Draft contaria apenas com a participação do comissário da Liga e GMs dos clubes. Seguidamente, fazendo a gravação da chamada, o evento poderia ser divulgado em outros canais de comunicação. 

    No entanto, a ferramenta criou uma versão empresarial, há alguns anos: o Skype for Business. Nesta modalidade, uma ligação pode contar com a presença de até 250 pessoas por vídeo ou áudio.

    Por mais que seja um número maior, ainda sim a plataforma não suportaria todos os prospects, muito menos os fãs da Liga.

    Ela poderia ser considerada caso a NHL opte pelo evento não ser aberto ao público. Assim, poderiam existir outras maneiras de as próprias equipes da Liga disponibilizarem o evento mais tarde, para que o público pudesse ficar a par dos acontecimentos. 

    ezTalks

    O ezTalks é uma ferramenta muito parecida com o Zoom de certa forma. Possui a maior parte dos comandos de áudio, vídeo, compartilhamento e gravação de tela, e etc. A modalidade webinar seria a mais indicada para a realização de qualquer evento, já que abriga até 10 mil pessoas em apenas uma reunião. 

    A plataforma oferece alguns hardwares, como cameras, microfones, etc., para melhorar cada vez mais a experiência dos meetings. Portanto, a NHL poderia aproveitar também esses recursos para que o evento fosse transmitido para mais pessoas.

    Microsoft Teams

    O Teams é outra criação da Microsoft para a comunicação on-line. A modalidade gratuita da ferramenta oferece a criação de vídeo conferências que podem abranger até 250 pessoas. Além disso, oferece também os recursos de compartilhamento de tela e edição colaborativa dos aplicativos da Microsoft. 

    Ou seja, se for uma opção, a Liga pode se reunir com poucas pessoas de cada time, apenas os responsáveis. E desta forma, resolver e decidir sobre os prospects que cada time irá escolher. 

    Os próprios canais de comunicação da NHL, e dos próprios times, podem verificar maneiras de transmitir para os torcedores o evento. Desta forma, é neste momento que entram as mídias sociais. 

    Os serviços das mídias sociais

    Nos últimos anos, a NHL tem utilizado de forma abundante dos serviços das mídias sociais. Posts, Lives, Stories, e IGTV são recursos que, não só a Liga, mas os canais de comunicação dos próprios times têm usado de forma frequente. Principalmente nos últimos dias, já que o restante dos jogos da temporada foram suspensos. São lives e videoconferências com os jogadores, vídeos gravados por estes, mas repostados pela própria Liga, com o intuito de manter o torcedor informado até mesmo na quarentena. 

    Por fim, não seria uma opção a se descartar o fato de a Liga optar usar uma transmissão ao vivo no Instagram, por exemplo, a escolha de cada time no Draft. Para que isso acontecesse, GMs e os demais responsáveis precisariam se encontrar antes e deixar as coisas definidas, já que vídeos ao vivo do Instagram, por exemplo, possibilitam que apenas duas pessoas por vez em uma Live. 

    O Twitter, YouTube e Facebook funcionam da mesma forma. Caso os serviços fossem escolhidos, seria necessário ter apenas um mediador diante da câmera anunciando as escolhas dos times. 

    Caso não optem pela opção ao vivo, existem diversas outras maneiras de disponibilizar as vídeo conferências em IGTV, e até mesmo no canal do YouTube da Liga. 

    Portanto, não faltam opções de ferramentas on-line para possibilitar a execução do Draft. Mesmo que este acontece de longe, com cada participante em sua casa. A NHL apenas precisa ponderar quais destas podem vir a ser mais benéficas para a sua execução.

    Quais ferramentas vocês indicariam? Contem para nós nos comentários.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    Quarenta e cinco anos. Esse foi o tempo necessário para o L.A. Kings faturar sua primeira Stanley Cup. Guiados pelo capitão Dustin Brown e companhia, a equipe eliminou todos os seus adversários e, por fim, conquistou o prêmio cobiçado há anos. Um dos dois que os Kings vieram a conquistar durante a década. 

    No entanto, as maiores conquistas dos times na NHL só foram construídas a partir de muito trabalho e dedicação no gelo. Não foi diferente com os Kings. Portanto, em mais um texto do especial 10 for 10, contamos para vocês sobre a trajetória de Los Angeles até a conquista da Stanley Cup.

    O caminho até os playoffs

    A offseason de Los Angeles, que antecedeu a temporada 2011-12, foi bastante calma. Por ter cedido a first round pick para o Edmonton Oilers em uma troca, que ocorreu em fevereiro de 2011, o time acabou não tendo sua escolha da primeira rodada do Draft 2011.

    A equipe recebeu dos Oilers o jogador Dustin Penner, e cedeu ao time de Edmonton aquele que seria a 19th overall pick. Por fim, os Kings também precisaram ceder na negociação uma 3rd round pick condicional no Draft 2012, e o jogador Colten Telbert. 

    Finalmente, os Kings iniciaram a nova temporada, e em grande estilo. O time viajou para a Suécia e estreou em 2011-12 na capital do país, Estocolmo. A partida foi disputada contra os Rangers, no dia 7 de Outubro, na Ericsson Globe Arena.

    Ao final do jogo, os Kings derrotaram New York em um placar de 3 a 2. Seguidamente, o time continuou os jogos na Europa, desta vez contra os Sabres. A partida aconteceu no dia seguinte, em Berlim, na Alemanha. No entanto, quem saiu vitorioso no jogo foram os adversários de Los Angeles, com uma vitória de 4 a 2 sobre o time da Califórnia. 

    Após a estreia na Europa, o time registrou um ótimo ritmo durante todo outubro na temporada. Com uma campanha de 6-3-2, a equipe se manteve em boas posições na Liga durante todo o mês.

    No entanto, é em dezembro que as coisas ficaram turbulentas para os Kings. A equipe acaba demitindo seu técnico, Terry Murray, no início do mês, e foi John Stevens quem assumiu a posição como técnico interino. 

    Todavia, no dia 20 de dezembro, os Kings acabaram liberando Stevens e contratando Darryl Sutter para assumir o comando da equipe. A partir do comando de Sutter, o time venceu a maior parte das partidas até o final do ano, perdendo apenas duas em um shoutout e overtime. Ao fim do mês, Los Angeles terminava o ano com 44 pontos registrados na tabela.

    Há um mês do fim da temporada regular, os Kings ocupavam a décima posição na Conferência Oeste, a apenas 2 posições de uma vaga nos playoffs.

    A defesa e goaltending do time se destacaram durante toda a temporada, com grandes atuações de Drew Doughty e Jonathan Quick. O ataque da equipe também possuía diversos talentos, mas o time ainda falhava em encontrar consistência no gelo. 

    No entanto, ao final de março, seus jogadores ofensivos finalmente pareceram se encaixar para marcar os gols que fizeram falta ao início do ano.

    Desta forma, os Kings finalizaram a temporada regular em terceiro lugar na Divisão Pacífica e em oitavo na Conferência Oeste. Por fim, com 95 pontos, o time garante sua passagem para os playoffs com um elenco de grande peso na bagagem e muitas chances de chegar à final.

    Os playoffs

    Era a terceira classificação consecutiva dos Kings para os playoffs. O primeiro adversário do time foi o Vancouver Canucks, que havia feito uma grande temporada regular. No entanto, bastaram cinco jogos, com apenas um vencido pelos Canucks, para o time de Los Angeles eliminar a equipe de Vancouver.

    Os Kings venceram os dois primeiros jogos em casa, e o terceiro na Rogers Arena. Seguidamente, acabaram por perder o Jogo 4 para o Vancouver. Por fim conquistaram a vitória no Jogo 5 e classificaram-se para o segundo round com quatro vitórias sobre o Canucks.

    O segundo oponente de L.A. nos playoffs foi o St. Louis Blues, que finalizou a temporada regular ocupando a segunda posição no ranking da Conferência Oeste. No entanto, a sorte do time de Missouri não foi a mesma nos playoffs.

    Os Kings iniciaram a série jogando na casa dos Blues, vencendo os dois jogos disputados no Enterprise Center (casa do St. Louis). Seguidamente, vencerau os jogos três e quatro em casa e, por fim, com a “varrida”, garantiram a ida para a próxima rodada.

    Já na Final da Conferência Oeste, os Kings se encontravam cada vez mais perto do seu objetivo. Porém, ainda tinham mais um desafio pela frente: eliminar o Phoenix Coyotes (hoje, Arizona Coyotes).

    Phoenix terminou a temporada regular ocupando o terceiro lugar na Conferência Oeste, então era de se esperar que fosse um forte adversário para Los Angeles. Mas as coisas nos playoffs são muito diferentes. O time venceu 4 dos cinco jogos e descolou uma passagem diretamente para a Final.

    Assim, os Kings partiram para New Jersey com o intuito de disputar a última fase da competição contra os Devils. Talvez essa tenha sido uma das séries mais complicadas que o time de Los Angeles precisou enfrentar durante os playoffs.

    Como os Devils tinham vantagem de home ice, os dois primeiros jogos aconteceram em New Jersey. No entanto, não foi o suficiente para intimidar os Kings, que vencram os dois confrontos disputados no Prudential Center em overtime.

    Os dois jogos seguintes aconteceram em Los Angeles. O terceiro terminou com vitória para os Kings. Porém, ao perderem a quarta partida para os Devils, o round avançou para um Jogo 5, no qual os Devils também saíram vitoriosos. 

    Kings Campeão

    Com a vitória dos Devils nos Jogos 4 e 5, foi necessário acontecer um Jogo 6, que ocorreu no dia 11 de junho de 2012. Partida esta em que o New Jersey recebeu os Kings em sua casa.

    Após o primeiro gol de L.A., que saiu no primeiro período pelas mãos do capitão da equipe, Dustin Brown, os Kings decolaram no jogo.

    Por fim, após 6 gols, 3 períodos e uma temporada sensacional, o Los Angeles Kings se tornou o campeão da Stanley Cup de 2012. Após 47 longos anos, o time finalmente trouxe para Los Angeles o primeiro título em toda a história do clube na NHL. Além disso, foi também a primeira aparição do time em uma Stanley Cup Final desde 1993. 

    Jonathan Quick foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelo time. Devido a sua performance no gelo, ele foi eleito MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. O jogador chegou ao final da competição com uma save percentage de .946% (segundo melhor da liga) e foi o goleiro com mais vitórias, todas as 16 do time nos playoffs.

    Dustin Brown, capitão da equipe, foi o líder em pontos (20), gols (8) e assistências (12) na competição pela Stanley Cup. Ao lado dele, seu companheiro de equipe, Anze Kopitar, também liderou, registrando o mesmo número de gols e assistências. 

    O time, por fim, trouxe o troféu para casa, onde comemorou com um grande desfile na cidade, no dia 14 de junho. As ruas de Los Angeles ficaram lotadas de fãs da equipe, que saíram de casa para comemorar junto com os jogadores o tão esperado título dos Kings. 

    Não poderia existir um jeito melhor para o time de Los Angeles começar a década. O  ano de 2012 foi apenas o início de uma década de grandes conquistas para os Kings e vitórias que entraram para a história da equipe.

  • NCAA cancela campeonatos devido ao Coronavírus

    NCAA cancela campeonatos devido ao Coronavírus

    Devido a propagação do Covid-19, diversos eventos esportivos no mundo todo tem sido adiados. Inclusive os campeonatos das próprias Universidades dos E.U.A, este que se encontra em estado de emergência devido a pandemia. 

    Por isso, os campeonatos de hockey no gelo masculino e feminino da NCAA, que durariam até a primavera (dos Estados Unidos), precisaram ser cancelados pelo resto da temporada. Assim, não apenas os torneios de ice hockey são suspensos como também os demais campeonatos de outras modalidades das universidades. Portanto, o Frozen Four 2020, que é um dos eventos onde a própria NHL observa futuros talentos que possam vir a compor seus times futuramente, também deixa de acontecer. 

    A decisão foi tomada pelo presidente da NCAA, Mark Emmert, juntamente do conselho de governadores da associação. O cancelamento destas atividades faz parte de uma das principais medidas de prevenção tomadas pelo mundo inteiro: evitar aglomerações. A finalidade é impedir que o vírus se espalhe e propague-se cada vez mais. Assim, os torcedores que adquiriram seus ingressos para os jogos cancelados serão reembolsados nos próximos dias.

    Seguidamente, também foram banidos a recruta de atletas até, pelo menos, 15 de abril. As Universidades também foram aconselhadas a suspender visitas de todos os tipos para recrutas durante este período. Desta forma, estas ações podem ser feitas através de ligações, e-mails ou de qualquer outra maneira que não seja presencial. 

    Elegibilidade dos atletas 

    Quando a NCAA cancelou os campeonatos restantes da temporada 2019/20, gerou-se grande preocupação em relação a elegibilidade dos atletas nas universidades. No entanto, a Associação resolveu tomar medidas que não prejudicasse nenhum dos jogadores. 

    Desta forma, a elegibilidade do restante da temporada, dos atletas da Divisão I e III, é cancelada. Porém, foi cedida elegibilidade extra para aqueles que desejarem disputar mais um ano pela NCAA, tanto se optarem por continuarem na Universidade ou irem para a Grad School. Assim, nenhum dos atletas perde um ano de sua elegibilidade e esta acaba sendo uma maneira de recompensá-los pelo restante da temporada que foi perdida.

    A NCAA ainda ressaltou que outros detalhes em relação ao cancelamento da elegibilidade desta temporada serão abordados nos próximos dias. Apesar das medidas, muitos ainda se perguntam como ficará a situação os universitários que se formariam ao fim da temporada, e se eles teriam também mais um ano de elegibilidade.

    De acordo com as regras da associação em relação ao assunto,  caso o aluno-atleta apareça em 30% da temporada ou ultrapasse o meio desta, será considerado um ano de elegibilidade. No entanto, ainda não houve um pronunciamento da NCAA em relação aos formandos. 

    Foto: Reprodução/Jeffrey T. Barnes

  • Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Antes da Liga ser suspensa por causa do Coronavirus, tivemos um dos eventos mais legais da temporada. Isso porque o dia internacional da mulher foi cheio de surpresas na NHL. A Liga transmitiu pela primeira vez dois jogos compostos apenas por equipes femininas. Do broadcast ao controle de câmeras, foram elas quem dominaram a noite. 

    No entanto, elas não só dominaram como também fizeram história no esporte. Sendo assim, resaltamos ambas as transmissões e explicar a importância destes eventos para a inclusão das mulheres no mundo esportivo. 

    As mulheres assumem o controle

    No dia 16 de fevereiro, a NBC anunciou através de um comunicado oficial que, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, iria recrutar apenas mulheres para transmitir e produzir o jogo entre Chicago Blackhawks e St. Louis Blues. 

    A partida ocorreu no domingo (8). Estúdio, sidelines e backstage, por fim, ficaram pequenos diante de tamanho talento. A equipe foi composta por Kathryn Tappen (apresentadora no estúdio), Jen Botterill (âncora no estúdio), Kate Scott (play-by-play), Kendall Coyne (analista do jogo no gelo) e AJ Mleczko (analista da partida). A produção do jogo também contou com Rene Hatlelid (produtora) e Lisa Seltzer (diretora). 

    Ao longo da transmissão da partida, diversas mulheres que deixaram sua marca no esporte foram homenageadas. A intenção da NBC com o evento é tentar cada vez mais “inspirar as futuras gerações de mulheres a se destacarem no gelo e nos bastidores”. 

    Todavia, apesar de estarem participando da primeira transmissão apenas com mulheres, algumas destas profissionais já são conhecidas por seu trabalho no mundo do hockey. A apresentadora Kathryn Tappen é um exemplo, tendo transmitido diversos jogos da NHL nos estúdios da NBC. A jornalista afirmou ao próprio site que, embora já tenha participado do broadcast de diversos jogos, nunca teve a oportunidade de fazer parte de uma equipe que contasse apenas com o público feminino. 

    “Transmito (jogos) há 17 anos, mas a primeira transmissão que fiz com uma produtora foi apenas há dois anos atrás. O fato de celebrarmos o Dia Internacional da Mulher com uma equipe feminina de transmissão e produção me diz até onde chegamos em um tempo muito curto. Esperamos que nossa transmissão ajude a inspirar as jovens que assistem a seguir seus sonhos, porque provamos que tudo é possível e tenho orgulho de fazer parte disso.”

    Kathryn Tappen para o site da NBC. 

    No entanto, a NBC não foi a única a dar o controle do espaço para as mulheres no dia oito. A Sportsnet, por fim, também resolveu aderir a ideia e teve o jogo do Calgary Flames e Vegas Golden Nights também produzido e transmitido por uma equipe formada por apenas mulheres. Equipe esta composta por Christine Simpson (apresentadora), Leah Hextall (play-by-play), e Cassie Campbell-Pascall (analista do jogo) e o restante do time que faz tudo acontecer atrás das câmeras. 

    Os comentários em relação a transmissão

    Apesar de diversas pessoas na comunidade do hockey acharem a ideia de um broadcast feminino mais do que bem vindo, muitas pessoas ainda sim se mostraram contrárias a participação das mulheres nas transmissões do dia oito. Diversos comentários sexistas foram profanados nas postagens das emissoras sobre o evento nas redes sociais, sendo estes críticas nada construtivas em relação ao trabalho impecável feito pelas mulheres.

    Porém, apesar dos comentários negativos e ofensivos, diversos profissionais da área vieram a público defender a iniciativa das emissoras. Seguidamente, muitos destes, inclusive as próprias profissionais envolvidas nas transmissões, ressaltaram a importância de eventos como este em um esporte como o hockey.

    AJ Mleczko, que foi a analista de jogo da partida entre Blackhawks e Blues, fez questão de ressaltar para o site da NHL a necessidade de ver as mulheres ocuparem espaços no esporte e a partir daí, novas portas possam se abrir.

    “É significativo por causa da visibilidade que fornece. Para as pessoas sentadas em casa assistindo nós três aqui, e [Tappen] e [Botterill] no estúdio, vendo mulheres falando sobre hockey do jeito que falamos – estamos muito preparadas e educadas neste jogo – […]. Para quem está sentado em casa [assistindo], meninos, meninas, homens, mulheres, saindo da faculdade, seja o que for, permite que eles entendam que há mais oportunidades. Talvez eles optem por não seguir esse caminho, mas a mídia está aberta a homens, mulheres, qualquer pessoa e a visibilidade é a maior parte.”

    Mleczko para a NHL.

    Linda Cohn, jornalista da ESPN, também veio, em meio de suas mídias sociais, explanar sua felicidade ao ver as mulheres tendo oportunidades como estas no mundo esportivo. Todavia, ressalta também que não deveria ser algo que venha a acontecer apenas uma vez ao ano. 

    Seguidamente, em uma das páginas da NBC Sports, Laura Oakmin (apresentadora da NFL na Fox) também veio a público falar sobre o quão importante era ver mulheres quebrando barreiras. Principalmente no mundo dos esportes, que ainda é bastante hostil com o público feminino. 

    Após os jogos, Kendall Coyne, que também participou da transmissão feita pela NBC. A jogadora disse que se sentia honrada em fazer parte de uma equipe cheia de profissionais tão talentosas. 

    Por último, Mark Lazerus, correspondente dos Blackhawks no The Athletic, apontou o outro lado da história. Sendo homem e jornalista, viu a transmissão dos jogos com outra perspectiva. Para ele, este tipo de ação representa uma nova porta de oportunidades aberta para as meninas da nova geração no mundo do hockey. 

    Todos os dias, diversas mulheres no mundo do esporte sofrem assédio durante o exercício da profissão, questionando o trabalho delas apenas pelo seu gênero. Dentre estes comentários de mau gosto, existem diversos questionamentos sobre quais seriam as motivações por elas estarem ali, mas não levam em consideração que a profissional está ali pelo esporte.

    Geralmente, os comentários nas redes sociais questionam se, este interesse seria de fato é pelo esporte ou teria outra motivação por trás. Isso porque, aparentemente, a nossa sociedade machista persiste na ideia de que mulheres ainda são as vilãs e estão em busca de relacionamentos do qual podem tirar vantagens. 

    Mas esta ideia da Idade Média não cabe mais ao século 21. Cada vez mais as mulheres vem conquistando o seu espaço em cargos de grande importância em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, eventos como estes são necessários em mais do que apenas um dia do ano. 

    A presença de mais mulheres no mundo esportivo é essencial para uma maior equidade de gêneros dentro e fora das arenas. O trabalho destas jornalistas cada vez mais estão em destaque e se incomoda tanta gente assim, é porque elas estão fazendo o trabalho direito. E, ao contrário do que estes comentários maldosos dizem, a motivação dessas profissionais é de cobrir o hockey da melhor forma possível, levando informações corretas e de boa qualidade para os fãs do esporte. 

    Portanto, está na hora de cada vez mais mulheres estarem a frente de transmissões esportivas, reportagens, entrevistas, podcasts  e demais cargos no mundo do esporte.

    Foto: Reprodução/nhl.com