Autor: Cristiane Andrade

  • Women’s Worlds: Canadá conquista o ouro no Mundial Feminino

    Women’s Worlds: Canadá conquista o ouro no Mundial Feminino

    Após mais de 20 dias, e confrontos com três grandes adversários, o Canadá se consagrou campeão do Mundial Feminino da IIHF de 2021, ao derrotar a equipe estadunidense na última terça-feira (31). 

    Desde o início do campeonato, o time canadense feminino mostrou, a partir de sua ótima campanha, que viria a ser um forte candidato à briga pelo título de campeão do mundo. Assim como a equipe estadunidense que, posteriormente, se tornou, um dos adversários mais desafiadores que o Canadá enfrentou durante o torneio.

    Com direito a overtime e gol de Marie-Philip Poulin, a partida na qual os times brigaram pelo ouro foi uma montanha russa de emoções. Por isso, continue lendo para saber mais sobre tudo que aconteceu na final do Women’s Worlds de 2021!

    Recapitulando o round preliminatório

    Além do destaque para o campeão e vice do torneio, a primeira rodada do torneio possibilitou ao fã do esporte a possibilidade de entrar em contato com grandes atuações por parte de times como Alemanha, Japão e República Checa, que saíram vitoriosos da maior parte dos jogos disputados. Destaque para as jogadoras do time checo, que venceram todas 4 partidas que concorrem na etapa. A equipe Finlandesa também apresentou grande desempenho, garantindo 2 grandes vitórias durante o round.

    Apesar da não classificação para a etapa de qualificatórias, o time da Hungria merece menção de honra. Mesmo com as derrotas, a equipe realizou um dos jogos mais produtivos da primeira etapa do campeonato, garantindo uma vitória de 5 a 1 contra a Dinamarca (que foi eliminada também na primeira etapa do torneio), sendo a primeira do time em um Women’s Worlds Hockey. No entanto, mesmo ocupando as últimas colocações, é possível notar um grande avanço nos times e perceber que irão apostar muitas de suas fichas nas olimpíadas de Beijing em 2022.

    Apesar da ocupação na última posição do ranking do torneio, o técnico da equipe dinamarquesa, Peter Elander, destacou que sente orgulho do desempenho da equipe durante grandes equipes como Alemanha e Japão em sua primeira participação no campeonato.

    “Em termos de classificação é decepcionante, mas você olha para a maneira como jogamos contra o Japão, o sexto time do mundo, e como jogamos e desafiamos a Alemanha. Achamos que já sentimos o cheiro de como é jogar aqui. As meninas têm muita vontade de melhorar e o primeiro torneio é sempre difícil. Por isso, pensamos que podemos melhorar nosso jogo já em novembro.”

    Peter Elander para o iihf.com

    As quartas de final

    Após grandes partidas no primeiro round da competição, os jogos das quartas de finais do Women’s Worlds Hockey foram marcados pelas grandes atuações dos favoritos do torneio – Estados Unidos e Canadá.

    Tendo como oponente o Japão, que havia feito ótimas partidas no round pré-eliminatório, os EUA acabou vencendo o jogo em um placar de 10 a 2 contra a equipe japonesa, com grandes atuações das jogadoras Alex Carpenter e Hilary Knight, provando que as chances de a equipe garantir a vitória do campeonato seriam grandes.

    O Canadá também se mostrou um forte adversário contra a Alemanha nas quartas de final, vencendo a partida por 7 a 0 e dominando a maior parte dos três períodos do jogo – com destaque para as jogadoras Natalie Spooner, Marie-Philip Poulin e Melodie Daoust que, além de marcarem a maior parte dos gols do jogo, também foram responsáveis por muitas assistências.

    Em contrapartida, os jogos entre o Comitê Olímpico Russo e Suíça, e também entre Finlândia e República Tcheca tiverem placares mais modestos. Estes que fizeram com as equipes Russa e Finlandesa avançassem para as semifinais para enfrentar as equipes norte-americanas.

    Futuramente, Finlândia e República Tcheca viriam a ser também eliminadas do torneio pelos EUA e Canadá, respectivamente. No entanto, assim como os demais times, mostraram grande desempenho ao longo das partidas e um pouquinho do estilo de jogo que poderemos esperar das equipes nas olimpíadas de inverno em 2022.

    Além disso é importante ressaltar que nenhuma das equipes que disputaram o torneio foi desclassificada dos jogos olímpicos, mesmo com a sua eliminação no Women’s Worlds. Portanto, poderemos acompanhar grandes jogos de hockey nas olímpiadas e também assistir ao desempenho de muitas das equipes que participaram do campeonato mundial feminino esse ano. 

    Forte candidato a conquista do Women’s Worlds

    Antes mesmo do início do campeonato mundial feminino, não era um mistério que, independente da equipe que o enfrentasse, o time canadense seria um forte candidato ao título. E, após derrotar a equipe alemã nas quartas e a Suíça nas semifinais (ambas partidas finalizadas com ótimos placares para o Canadá), já era quase um fato que as chances do time ser campeão mundial eram gigantescas.

    No entanto, o Canadá encontraria um grande empecilho na final: o time dos Estados Unidos. Com grandes nomes no elenco e performances excepcionais no gelo, os EUA também entraram no campeonato com grandes favoritos. Assim, vencer o Japão por 10 a 2 nas quartas de finais, somado a vitória de 3 a 0 contra o grande time da Finlândia, apenas concretizou este fato. Apesar do bom desempenho até o fim do torneio, era visível que o Canadá teria um adversário à altura para brigar pelo título no dia 31 de Agosto. 

    Sendo assim, isso se concretizou logo nos primeiros minutos do jogo da final, onde Alex Carpenter marcou o primeiro gol da partida para o time dos EUA e, em seguida, o segundo aos 12:35 minutos. 

    Mas após a grande dominância no primeiro round, o Canadá entrou na segunda etapa com maior força no jogo. E, como consequência, marcou o primeiro do time com Brianne Jenner, aos 4:13 do segundo, sendo seguida pela colega de equipe, Jamie Lee Rattray, cerca de dois minutos depois. Com isso, o time canadense empatou com os EUA e, por fim, o fã de hockey teve a oportunidade assistir um jogo equilibrado em que ambas as equipes poderiam sair vitoriosas, aumentando ainda mais as expectativas.

    Time Candense é o novo campeão do Women’s Worlds 2021

    Mesmo com as diversas tentativas de gol por parte de ambos os times, o terceiro tempo foi finalizado sem maiores jogadas, fazendo com que a partida se estendesse para uma decisão em overtime, deixando tudo ainda mais contagiante.

    Dessa forma, a decisão final acabou não demorando muito para se concretizar. Após 7 minutos de jogadas a gol de ambos os lados, foi Marie-Philip Poulin quem marcou o gol que trouxe a vitória do campeonato ao Canadá, tendo assistências de Brianne Jenner e Jocelyne Larocque. Com o apito final em Calgary, e após uma trajetória vitoriosa no torneio, o time Canadense Feminino se consagrou o campeão do IIHF Women ‘s World Hockey 2021.

    A partir disso, a equipe garante sua 11ª medalha de ouro no campeonato, sendo a primeira desde a edição de 2012 do torneio. Um feito e tanto! 

    Com a vitória do campeonato pelo Canadá e vice-liderança dos EUA, o restante da colocação entre os times participantes do Women’s Worlds Hockey se deu da seguinte forma:

    Classificação final do Women’s Worlds Hockey. Foto: Reprodução/iihf.com

    Em relação às jogadoras que se destacaram, a organização do campeonato definiu Melodie Daoust, do Canadá,  como a MVP e melhor atacante do torneio. Também juntam-se a ela Anni Keisala, da Finlândia, como melhor goleira, e Lee Stecklein, dos EUA, como melhor defensora.

    World’s Women x Olímpiadas de Inverno 2022: o que esperar?

    O Women’s Worlds Hockey trouxe diversas performances destaques por parte de muitas equipes, muitas conhecidas e outras que estavam fazendo suas estreias – como no caso da Hungria.

    Mesmo com a derrota na primeira etapa do campeonato, é possível que possamos ver maior desempenho da equipe húngara durante as olimpíadas. A Dinamarca também é um grande exemplo – tanto as jogadoras quanto o técnico da equipe afirmaram que o time irá utilizar os meses restantes para os jogos olímpicos com o intuito de desenvolver as jogadoras para que, assim, elas possam competir de igual para igual com grandes nomes do hockey mundial, como Estados Unidos, Canadá e Finlândia.

    Suíça e Japão também foram equipes que mostraram que o time está preparado para o desafio das olimpíadas e que a derrota no World’s servirá como motivação para alcançar uma medalha de ouro. Como o hockey é um esporte bastante improvável em termos de resultados, é possível que equipes que ocuparam posições mais abaixo na tabela venham a se destacar.

    No entanto, é impossível negar o favoritismo de times como Canadá e Estados Unidos. Além de contarem com algumas das melhores jogadoras do mundo atualmente, ambas as equipes contam com diversos recursos que tornarão o seu bom desempenho favorável nos jogos olímpicos, além do fator principal: os anos de experiência.

    Portanto, independente dos times presentes na competição, uma coisa é certa: os times norte-americanos são grandes adversários e continuarão buscando pela estadia no pódio.

    Para nós, o que resta é esperar a próxima edição para, assim, acompanhar novamente mulheres incríveis fazendo sucesso e história no gelo. E falando na próxima edição: qual time vocês acreditam que será o próximo campeão do campeonato? Conta para a gente nos comentários!

  • Tampa Bay Lightning vence Jogo 7 e volta à Final da Stanley Cup

    Tampa Bay Lightning vence Jogo 7 e volta à Final da Stanley Cup

    O favoritismo do Tampa Bay Lightning à conquista da Stanley Cup 2021 nunca foi surpresa. Desde o início da temporada, o time, que conta com uma das melhores frentes ofensivas da NHL, mostrou constantemente que veio reivindicar mais um título para a franquia. E nos playoffs, a situação não foi diferente.

    Enquanto o Lightning fez uma de suas melhores temporadas na liga, o New York Islanders repete a história da temporada anterior ao obter uma eliminação precoce na pós-temporada. Apesar de ter feito boas partidas e executado jogadas excelentes ao longo da temporada regular e playoffs, o time acabou perdendo no jogo sete e deixou outra classificação para as finais escapar.

    No entanto, entre vitórias e derrotas, o último jogo onde Tampa e New York se enfrentaram contou com alguns bons highlights e atuações destaques por parte dos jogadores. Por isso, trouxemos um recap sobre os melhores momentos da partida 7 entre os times e o que esperar da equipe de Tampa Bay na última série dos playoffs da Stanley Cup.

    Primeiro Período

    Série empatada. Chances para ambos os lados recomeçarem (de certa forma) e disputarem o título igualmente.

    Todavia, a última partida do round entre Tampa Bay Lightning e New York Islanders não contou com a euforia presente nos jogos sete. Alguns poucos minutos do primeiro período foram suficientes para que a equipe de Tampa mostrasse sua dominância, a partir da tentativa à gol executada por Alex Killorn. E apesar de Beauvillier responder com outra tentativa para os Islanders, a própria não conseguiu desenvolver o jogo e abrir o placar contra  rival.

    Com 15 shots on goal ainda no primeiro período, a equipe de Tampa mostrou ser dominante e exaltou ainda mais um fato bastante conhecido pelo fã de hockey desde o início da temporada: o time iria brigar pelo título de igual para igual, independente do que custasse.

    Segundo Período

    Se antes existiam dúvidas sobre o favoritismo do Tampa Bay Lightning, os primeiros minutos da segunda etapa da partida mostraram que elas viriam a se tornarem nulas. Aos 01:49 minutos do segundo tempo, Yanni Gourde colocou o puck no fundo da rede e, com isso, abriu o placar e a liderança do Tampa Bay na partida

    Embora os Islanders tenham tido picos de alto desenvolvimento após o gol de Gourde e fim da segunda etapa do jogo, o fator não foi suficiente para que o time marcasse e se igualasse ao rival no placar. 

    No entanto, ambas as equipes ainda contavam com mais 20 minutos de partida ao seu favor e, possivelmente, um overtime.

    Tampa Bay classifica-se para a Final da Stanley Cup pelo segundo ano consecutivo

    Overtime este que nunca aconteceu. 

    A liderança pelo Tampa Bay Lightning no placar havia acabou sendo um fator crucial para o desenvolvimento da equipe de New York no jogo. Mesmo com as dificuldades enfrentadas, o time tentou uma breve dominância no início do último período, ameaçando assim à goleira de Vasilevskiy com uma tentativa de Beauvillier à gol e também vencendo alguns faceoffs, se mantendo cada vez mais presente na zona ofensiva – e perto de um empate.

    Porém, apesar de, ao fim do terceiro período, a equipe Nova Iorquina ter obtido mais tentativas de gol (7 contra 4 ao longo dos 20 últimos minutos), o placar continuou em 1 a 0 para o time da Flórida. 

    Assim, após 60 minutos de jogo, e um New York Islanders bastante parado na partida, o Tampa Bay Lightning se classificou para a sua segunda final de Stanley Cup consecutiva em 7 jogos repletos de dominância ofensiva e defensiva pelo time.

    Come on down to Florida* – será?

    O favoritismo do Tampa Bay Lightning é visível antes mesmo da equipe iniciar sua campanha na temporada 2020/21. E a regular season e playoffs apenas provaram que a equipe continua viva, firme e muito forte na busca pelo segundo título.

    Com um dos melhores ataques da NHL atualmente, o Lightning contará com os grandes reforços para a final, como Nikita Kucherov, Brayden Point, Alex Killorn e Victor Hedman – todos que, além de ocuparem as primeiras posições em números de pontos e gols na liga, tem obtido grande desempenho no gelo nos últimos jogos. Portanto, Montréal terá que bater de frente com um dos melhores ataque e defesa da NHL se quiser garantir seu 25º troféu – e, ainda sim, a tarefa será difícil.

    Mas para o fã de hockey, o mais importante é o entretenimento que apenas uma final da Stanley Cup pode proporcionar – e o fator Tampa Bay Lightning vs Montreal Canadiens deixa tudo ainda mais interessante. Por isso, que os jogos comecem, que o melhor vença e que todos se divirtam.

    *tradução: “venha para a Flórida.”

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Taya Currie é a primeira jogadora mulher escolhida no Draft da OHL

    Taya Currie é a primeira jogadora mulher escolhida no Draft da OHL

    Novamente tivemos a oportunidade de assistir a mulheres incríveis registrando para sempre o seu nome na história do hockey. Dessa vez, uma das maiores façanhas realizadas no esporte nos últimos meses pertence à goleira de 16 anos Taya Currie.

    Na tarde deste sábado (05), a Ontario Hockey League anunciou em seus canais oficiais que a jogadora havia sido a 267ª selecionada do draft da liga. Ela foi uma escolha da equipe Sarnia Sting. Currie se tornou a primeira mulher na história do hockey selecionada para fazer parte do elenco de um time de uma liga major junior a partir do draft.

    Uma carreira repleta de conquistas e que está apenas no início

    Taya Currie já possui um histórico invejável dentro do hockey e que apenas exalta seu talento. Nos últimos 7 anos, a jogadora ocupou a posição de goleira na equipe masculina de hockey AAA Elgin-Middlesex Chiefs. Ela teve êxito a cada momento de sua jornada como jogadora do time, tornando-se parte essencial da equipe nos últimos anos.

    Em uma entrevista ao The Hockey News, um olheiro da OHL, não nomeado, só teve elogios para as habilidades da jogadora. Ele destacou que “sua rapidez é um dos maiores aspectos do seu jogo e que, apesar de possuir estatura pequena, ela mais do que compensa através de seus reflexos na posição do gol”. Por fim, ainda afirmou que Currie é uma “verdadeira lutadora que nunca desiste de jogar, sendo difícil vencê-la em uma fuga”.

    Aluna do equivalente ao segundo ano do Ensino Médio, Taya Currie atualmente é uma atleta multi-esportiva que pratica diferentes modalidades, como rugby e futebol. Assim, ela não se intimida a quebrar expectativas e pressão impostas a ela mesma, seguindo os mesmos passos de suas inspirações, como Shannon Szabados e Manon Rhéaume, que quebraram paradigmas no hockey e, como consequência, marcaram seu nome para sempre na história do esporte. 

    Currie ainda reforçou à Sportsnet que todo o êxito de sua trajetória se deve ao apoio que sempre recebeu da comunidade do hockey que a cerca, incluindo seus oponentes. “Nunca tive experiências ruins. Recebo tanto apoio em torneios dos (próprios) pais, até mesmo dos adversários, que eles me dão um tapinha nas costas quando faço uma boa defesa – é sempre positivo.”

    Todo o apoio se dá a partir do próprio desempenho que a jogadora mostra no gelo, e que deixa a todos surpresos e positivamente impactados. Taya Currie comentou sobre uma experiência no ano passado, quando jogou contra o Chicago Mission. Ela falou sobre a equipe ser uma das melhores presentes na América do Norte, e seu desempenho na partida contra o time. “Na estreia do torneio, que foi na casa deles, eu joguei muito bem. Eu fiquei de cabeça para baixo e (seu técnico principal e ex-NHLer, Yanic Perreault) me disse: ‘Não quero jogar com você de novo.’ ”

    Apesar da OHL ser uma oportunidade incrível para a sua carreira, Currie também relatou que não decidiu quais serão seus próximos passos. Isso porque ela também manteve algumas conversas com universidades com programas de hockey da NCAA.

    Ademais, nota-se que Currie é uma grande aquisição para os Sarnia Sting. Caso ela escolha defender o time, será um importante reforço para a equipe com todo o seu talento e percepção de jogo. Daqui para frente, a probabilidade é que suas oportunidades na liga continuem crescendo e ela possa mostrar cada vez mais seu desempenho e importância para o esporte.

    Um breve resumo sobre o Draft da OHL

    A Ontario Hockey League é uma liga canadense para jogadores de 16 a 21 anos. O Draft da OHL não é muito diferente dos outros drafts que conhecemos. A ordem de escolha é determinada pela ordem inversa de classificação dos times não participantes dos playoffs. Entretanto, como a temporada 2020-21 não aconteceu, devido à pandemia, este ano tivemos a primeira loteria do Draft da OHL. Desde 2001 o evento acontece online o que, sem dúvidas, contribuiu para seu sucesso neste ano. 

    Foram elegíveis para este draft todos os jogadores norte-americanos nascidos em 2005 e jogadores menores de idade que não foram registrados em uma equipe AAA midget de Ontário ou em territórios protegidos pela OHL. 

    Foto: Reprodução/CBC.ca

  • Resumo do 2021 NHL Outdoor Games

    Resumo do 2021 NHL Outdoor Games

    A primeira edição do NHL Outdoor Games aconteceu nos dias 20 e 21 de fevereiro, com uma vista espetacular para o Lake Tahoe, que se estende pela fronteira dos estados Califórnia e Nevada, nos EUA. 

    As partidas, disputadas entre Colorado Avalanche e Vegas Golden Knights (20) e Boston Bruins e Philadelphia Flyers (21), tiveram desfechos inusitados. Foi assim tanto para o fã de hockey, que acompanhou tudo de casa, quanto para os próprios jogadores.

    Por isso, trouxemos um resumo abordando os principais acontecimentos dos confrontos disputados no último fim de semana.

    “Lá vem o sol”

    A paisagem era incrível e a NHL montou uma estrutura especial para as duas partidas. No entanto, a liga teve que se adaptar durante o evento por conta de um empecilho: o Sol. 

    Mesmo com a temperatura baixa, o brilhante sol acabou complicando o desenvolvimento da primeira partida em Lake Tahoe, entre Avalanche e Golden Knights. Com início ao meio-dia no horário local (17h no Horário de Brasília), o jogo precisou ser paralisado após o primeiro período pelas más-condições do gelo.

    Ao fim dos vinte minutos iniciais, concluiu-se que o gelo da estrutura montada em Lake Tahoe estava prejudicando o desenvolvimento da partida e os jogadores. Dessa forma, a NHL informou que faria um intervalo de 30 minutos (12 minutos mais longa) para que a equipe de manutenção pudesse resolver a situação.  

    No entanto, após quase 1 hora de trabalho, percebeu-se que, independentemente do que fosse feito, o sol acabaria atrapalhando o progresso. Assim, as condições do gelo poderiam ficar ainda piores e mais perigosas.

    Com isso, após uma conversa com as equipes, Gary Bettman, comissário da NHL, entrou ao vivo na transmissão da NBC para dar o veredito. Ele informou que, devido às condições do tempo, o jogo entre Colorado e Vegas continuaria mais tarde, às 21h no horário local (2h da manhã de domingo no Horário de Brasília).

    “Nós já fizemos mais de 30 jogos ao ar livre. Esta foi a situação climática mais difícil que já enfrentamos, e o dia está lindo,” disse Bettman à NBC durante o comunicado.

    Com a modificação na grade, ambos os times se retiraram por definitivo e aguardaram a continuação da partida mais tarde, do mesmo ponto em que havia parado.

    Avalanche 3, Golden Knights 2

    Apesar das condições climáticas em Lake Tahoe terem sido o destaque do primeiro dia, a partida entre Avs e Knights deixou claro que, mesmo com os tropeços, a equipe de Colorado ainda está firme e forte na busca pela Stanley Cup.

    O time mostrou dominância no jogo desde o puck drop, assumindo a posse e chegando cada vez mais perto do gol do Vegas. Todo o empenho se mostrou efetivo logo nos primeiros minutos de jogo. O defensor Sam Girard marcou primeiro por Colorado aos 2:58 do primeiro período. 

    Após a metade da primeira etapa, os Golden Knights tentaram emendar alguns contra-ataques e assumirem a posse do puck. No entanto, não foi o suficiente para marcar gols ou parar o ataque incansável do Avalanche. Este continuou a ameaçar diversas vezes a rede de Marc-André Fleury.

    Com o fim do primeiro período, e após a pausa prolongada, ambos os times voltaram ao gelo para disputar a segunda etapa da partida. Colorado até então ainda estava à frente do placar. 

    No início do segundo período, Vegas mostrou que o jogo ainda não estava perdido, e marcou o seu primeiro gol aos 7:37, com Alec Martinez. Todavia, Colorado respondeu logo após com uma finalização de Nathan MacKinnon, aos 11:18, colocando o time à frente do placar novamente. 

    A dominância da equipe de Denver continuou no terceiro período, ao marcarem o terceiro gol da partida com Devon Toews, aos 13:11. Os Golden Knights tentaram entrar no jogo mais uma vez, marcando o seu segundo gol 1 minuto depois, com Alex Tuch. Mas não foi suficiente.

    O Colorado Avalanche segurou o placar até o minuto final, e encerrou a partida com mais uma vitória.

    No entanto, o Vegas Golden Knights ainda se encontra à frente da equipe na tabela da Divisão Oeste, ocupando o segundo lugar com 21 pontos. Os próximos confrontos entre as equipes prometem grande disputa pela primeira colocação, e grandes atuações de ambos os elencos. 

    Bruins 7, Flyers 3

    A partida do domingo entre Boston Bruins e Philadelphia Flyers teve outra narrativa. O sol começava a se pôr quando ambas as equipes entraram no gelo, proporcionando diferentes vistas para os fãs de hockey que assistiram à partida pela televisão. 

    A equipe de Boston chamou a atenção pelos trajes pré-jogo que nos levaram direto para os anos 90, os sete gols marcados pelo time também merecem destaque. 

    A equipe mostrou dominância na partida logo nos primeiros segundos, com um gol de David Pastrnak aos 0:34 segundos do primeiro período. No entanto, como resposta, os Flyers rebateram com um gol de empate feito por Joel Farabee, aos 6:41.

    Ainda no primeiro período, Sean Couturier finalizou outra vez para os Flyers, enquanto Charlie McAvoy marcou o segundo, também dos Bruins, deixando assim a partida empatada.

    Com o início da segunda etapa, também se iniciou a dominância por completo de Boston no jogo. Pastrnak colocou o time à frente com um gol aos 0:46s do segundo período. Mais tarde, o jogador é seguido pelos gols de Charlie Coyle, Trent Frederic e Nick Ritchie, aumentando ainda mais a vantagem da equipe de Boston com 6 gols.

    Apesar dos Flyers terem realizado algumas tentativas de se colocar no jogo outra vez, uma delas com o gol de James van Riemsdyk, aos 12:45 do terceiro período, foram os Bruins que dominaram o restante da partida. O terceiro gol de Pastrnak, aos 17:03, foi o cheque-mate e a garantia da vitória dos Bruins em um placar de 7 a 3 contra os Flyers.

    Com os três gols marcados, Pastrnak completou o décimo hat-trick de sua carreira na NHL, e ajudou Boston a continuar na liderança da Divisão Leste, com 24 pontos. Os Flyers, atualmente, ocupam a terceira posição, com 19 pontos. 

    Foto: Reprodução/Twitter @NHL

  • O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    A nova temporada da NHL está batendo à porta, com início marcado para a próxima quarta-feira (13). Com as restrições impostas pela pandemia de COVID-19, a NHL precisou se adaptar com o intuito de criar um ambiente mais seguro para toda a Liga e comunidade do hockey. Dessa forma, assim como as demais, a Divisão Central da NHL sofreu mudanças para que a temporada pudesse ser iniciada de acordo com os protocolos de segurança. No entanto, com as adições à divisão, os confrontos tendem a ficar ainda mais competitivos e interessantes. 

    Baseado nas movimentações e desempenho dos times, trouxemos um preview sobre como poderá ser a temporada 2020-21 para as equipes da Divisão Central. 

    Carolina Hurricanes

    Aos poucos, o Carolina Hurricanes tem se desenvolvido e mostrado o potencial que sempre buscou. Foi apostando em seus jovens talentos que o time passou a crescer nos rankings, saiu da lanterna e, por fim, tornou-se um dos times mais interessantes da Liga. 

    Com talentos como Sebastian Aho e Andrei Svechnikov no comando ofensivo, os Canes possuem peças importantes para garantir maior sucesso nesta temporada. 

    A adição de Jasper Fast ao time durante a offseason poderá também beneficiar a equipe. Com a sua experiência na NHL, o jogador poderá adicionar mais força ao ataque e criar grandes oportunidades a gol. 

    Já na defesa, Carolina possui forças sólidas em Dougie Hamilton e Jacob Slavin. Por isso, é extremamente importante que a dupla continue fazendo boas atuações para proteger o gol dos Canes contra o ataque de times como o Tampa Bay Lightning, que tem se tornado cada vez mais rápido e ágil. 

    Podemos esperar grandes atuações do Carolina Hurricanes em 2021 e, certamente, uma classificação da equipe aos playoffs. Com um roster repleto de talentos, a estadia da equipe na pós-temporada pode ser extendida. 

    Chicago Blackhawks

    A última década foi repleta de muito sucesso e glória para os Blackhawks. Mas não se pode negar que, nos últimos anos, o desempenho do time caiu drasticamente.

    Com os desfalques de Jonathan Toews e Kirby Dach (que vinha contribuindo positivamente para o desenvolvimento dos Hawks) para esta temporada, o time conta com a liderança de Patrick Kane e Duncan Keith para melhorar sua atuação no gelo. 

    Com a saída de Corey Crawford da equipe, espera-se que Malcolm Subban assuma uma posição mais ativa no gol, tendo como backup Collin Delia. O time ainda conta com a presença de Dylan Strome, Alex DeBrincat, Alex Boqvist e Dominik Kubalik, que tendem a ser ainda mais ativos nessa temporada e no futuro dos Blackhawks. 

    É possível que, liderados por Kane, Chicago possa criar mais oportunidades em jogo e avançar na competição. Mas, por hora, é certo afirmar que o time está em processo de reconstrução, e que pretende investir cada vez mais em seus novos talentos para voltar a sua boa fase.

    Columbus Blue Jackets

    Nos playoffs de 2020, o Columbus Blue Jackets proporcionou ao fã de hockey uma das maiores (literalmente) e melhores partidas da bolha. No entanto, após um round exaustivo contra Tampa Bay, os esforços realizados pela equipe não foram suficientes para mantê-los na competição, e a nuvem de lesões que rondou o time foi a principal responsável.

    Porém, mesmo com os tropeços, os Blue Jackets têm se tornado uma equipe cada vez mais interessante de se acompanhar. Em 2021, com o time mais estável e recuperado, existe uma grande probabilidade de vermos Columbus como destaque dentre os times da Central.

    Zach Werenski e Seth Jones tendem a continuar com o bom trabalho na defesa. Algo importante, já que a zona defensiva do time tenta se estabilizar após a saída de Sergei Bobrovsky. Mas é esperado que Joonas Korpisalo e Elvis Merzlikins continuem mostrando potencial e fazendo defesas importantes.

    Ao reassinar com Pierre Luc-Dubois e Oliver Bjorkstrand, o time garantiu duas peças essenciais em seu ataque. Portanto, espera-se que a dupla, junto de novas adições como Max Domi, montem uma frente ofensiva que possa criar oportunidades constantes para Columbus a cada partida.

    Dallas Stars

    Um dos underdogs da divisão central, o Dallas Stars provou na temporada passada que tem condições (e talento) para avançar na competição. No entanto, a notícia de que seis jogadores e dois membros do staff do time precisaram ser afastados devido a possíveis sintomas de COVID-19 acabou preocupando seus fãs.

    Com a situação estabilizada, Dallas tende a ser um dos favoritos a garantir a primeira posição da Divisão. E a performance da equipe na temporada anterior afirma isso. Os Stars deram início a um estilo de jogo diferente e muito mais eficaz em 2020. Se isso se prolongar, poderemos assistir a ótimas atuações da equipe do Texas no gelo. 

    Mesmo com o desfalque de Tyler Seguin, figuras como Denis Gurianov poderão fazer toda a diferença no ataque de Dallas. Os veteranos, como Alex Radulov e Jamie Benn, também serão figuras importantes para a criação de oportunidades a gol, abrindo assim o espaço para que figuras mais jovens, como Joel Kiviranta, possam influenciar positivamente no desenvolvimento do Dallas. 

    A defesa dos Stars ainda é preocupante, levando em consideração o afastamento de Ben Bishop, devido a uma lesão causada nos playoffs de 2020. Mas, como pudemos assistir anteriormente, Anton Khudobin está mais do que apto para exercer o papel. Para isso, no entanto, é preciso John Klingberg e companhia consigam estabelecer uma defesa mais estabilizada, e que passe segurança ao goleiro. 

    Detroit Red Wings

    Nos últimos anos, o Detroit Red Wings tem enfrentado uma de suas piores fases na NHL. A última temporada foi um exemplo disso, já que a equipe ocupou o último lugar da tabela e apresentou desempenho lamentável. 

    O gol e defesa do time continuam instáveis, e a linha ofensiva precisa de melhor desenvolvimento para criar oportunidades e pontuar. Líderes do time, como Tyler Bertuzzi e Dylan Larkin, tentam fazer este trabalho, mas a fase em que os Red Wings se encontram não parece ajudar.

    Renovação. Essa é a palavra chave para se referir ao futuro do time de Detroit. É improvável que a equipe se destaque nesta temporada, mas prospects como Lucas Raymond, Theodor Niederbach e Elmer Soderblom têm trazido esperança para os próximos anos. É esperado que esse seja o foco dos Red Wings este ano: uma melhor reconstrução pensada para o futuro do time.

    Florida Panthers

    As aquisições feitas pelos Panthers em 2019 apontavam para melhorias no time ainda na temporada 2019-20. Porém, após a pausa em 2020, o desempenho do time decaiu e, assim, a oportunidade de ter sucesso nos playoffs ficou para outro ano.

    Nesta temporada, é esperado que Aleksander Barkov e Jonathan Huberdeau continuem sendo presenças importantes para o ataque da equipe. A aquisição de Anthony Duclair ao fim de 2020 também pode ser um grande reforço para a zona ofensiva dos Panthers. 

    Já na defesa, espera-se que Aaron Ekblad continue estável e que, principalmente, Sergei Bobrovsky consiga um melhor desenvolvimento o gol da equipe. É preciso que o goleiro esteja em boa fase para que, em conjunto com as demais áreas, o time consiga avançar na competição e mostrar seu potencial. 

    Os Panthers não são um dos favoritos à Stanley Cup, mas no hockey tudo é possível. Por agora, o time precisa focar em um maior desenvolvimento para, assim, garantir uma vaga nos playoffs.

    Nashville Predators

    Mesmo com aquisições como as de Matt Duchene, Nashville se viu novamente em uma posição complicada na temporada passada.

    No entanto, a história do time mostra que, quando saudável e forte, os Predators são uma equipe a ser temida. Mas é necessário que seus líderes, como Roman Josi, Filip Forsberg e Ryan Ellis estejam em sua melhor fase. 

    Josi talvez seja uma das figuras mais estáveis do time atualmente, e, como sempre, promete grandes atuações na defesa, juntamente de Ellis — outra peça importante na zona defensiva do Nashville. Pekka Rinne tem apresentado bom desempenho, mas não apresenta grande estabilidade. Portanto, este é um dos pontos em que o Nashville precisa manter a cautela, caso queira avançar na competição. 

    Desde que chegou, Duchene também não apresentou o desenvolvimento esperado pela equipe. Assim, é necessário que ele e Forsberg encontrem química dentro do gelo para que as oportunidades a gol surjam para Nashville. Se a zona ofensiva do time não se desenvolver, a equipe tende a voltar à estaca zero outra vez.

    Tampa Bay Lightning

    Não é mistério que o Tampa Bay Lightning é um dos favoritos à Stanley Cup nesta temporada.

    Porém, a ausência de Nikita Kucherov poderá impactar negativamente o desenvolvimento do time em 2021. Mesmo com Stamkos saudável e em ótima fase, o ataque do Lightning tende a ser afetado com o desfalque. 

    No entanto, um time não é feito de apenas um jogador, e a vitória da Stanley Cup em 2020 pelos Bolts foi a prova disso. Tanto Stamkos, quanto Brayden Point e Ondrej Palat prometem levar o time ainda mais longe na competição. As demais linhas, que contam com Anthony Cirelli e Tyler Johnson também não desapontam, e prometem grandes atuações. 

    Já na defesa, Tampa Bay conta com a liderança de Victor Hedman que, se continuar com a boa fase, tende a oferecer à goleira de Vasilevskiy a melhor proteção possível. 

    É quase certo que o Tampa Bay Lightning garanta sua vaga nos playoffs. A pergunta que não quer calar é: o quanto o time avançará na pós-temporada? Resta-nos acompanhar o desenrolar desta história.

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • Sobre ocupar o segundo lugar – e estar tudo bem

    Sobre ocupar o segundo lugar – e estar tudo bem

    Não é nenhum mistério para quem acompanha a NHL que o Dallas Stars é um dos times underdogs – palavra que muitos associam com “perdedor”, ou “azarado”. Como torcedora, apesar das memórias que o significado da palavra trazem a minha mente, não acho que seja completamente errado se referir a Dallas dessa forma. Em partes, acredito que até o próprio time reconheça as suas falhas e status. 

    Mas, após um ano conturbado, não vim aqui falar apenas do sentido ruim que a palavra traz. Se conseguirmos parar e olhar por outra perspectiva, existe um lado positivo. O lado que nos prova que, apesar da derrota, um underdog nunca desiste de tentar, e de ultrapassar os próprios limites que, não apenas os demais estabeleceram a ele, mas que ele estabeleceu a si mesmo.

    É isso que Dallas tem feito, desafiado a si mesmo a cada temporada, na esperança de alcançar por fim o seu final feliz (uma Stanley Cup, caso ainda reste dúvidas, já que muitas vezes, caro leitor, tenho tendência a ser mais dramática do que o necessário). Por isso, este texto é sobre ocupar o segundo lugar, e porque, por hora, para um time que está encontrando seu caminho de volta, está tudo bem.

    As decepções ensinam mais do que podemos imaginar

    Desde que comecei a acompanhar o hockey em 2018, os Stars tiveram duas decepções, resultado de derrotas. Coincidentemente, ambas nos playoffs. Derrotas que doeram não apenas no torcedor, mas ainda mais no time.

    As decepções tendem a doer ainda mais quando criamos expectativas. Se as coisas estão indo bem, por que não colocá-las em um alto patamar? É algo normal do ser humano. 

    Lá em 2019, após a vitória no primeiro round, não foi diferente com os Stars. Depois de uma temporada difícil, e repleta de obstáculos, a comunidade do hockey considerava quase improvável que o time do Texas avançasse na competição. Ainda mais improvável que chegasse tão longe ao ponto de conquistar sua segunda Stanley Cup. 

    Mas, outra vez, o underdog provou que podia ultrapassar os limites impostos, derrotando assim Nashville e se classificando para a segunda rodada dos playoffs da Stanley Cup de 2019. Do ponto de vista de uma fã, posso garantir para todos vocês que o round contra o St. Louis Blues foi difícil, por falta de uma palavra melhor. 

    No fim, quando o apito final soa, o melhor time acaba ganhando. No hockey, não é apenas o talento que influencia na vitória de uma equipe. O cansaço, condicionamento físico e, principalmente, o timing são fatores cruciais. 

    Aaquele não era o momento do Dallas Stars. Novamente, como fã, a derrota doeu. Lembro de me sentir estranha ao final daquele Jogo 7 contra os Blues em 2019, como se fosse o meu sonho tendo um fim. Mas a derrota não doeu tanto em mim quanto doeu em cada um dos jogadores de Dallas, que trabalharam incansavelmente até o último segundo da partida.

    Em horas como essas, é difícil para o torcedor se colocar no lugar do jogador do seu time, e, por isso, os julgamentos são feitos. Até o momento em que a equipe divulga a lista de lesões dos jogadores nos playoffs.

    Aqui, o nosso coração fica menor, sabendo que tudo que estava ao alcance de cada integrante da equipe foi feito. Inclusive sacrificar-se além dos seus próprios limites, mas essa é uma discussão para outro momento. 

    A derrota foi um balde de água fria para Dallas, que acreditou que o sucesso na corrida dos playoffs seria suficiente. Voltar para casa de mãos vazias não era uma opção que havia sido considerada pelo time a essa altura do campeonato, mas que agora era a realidade.

    No entanto, as decepções ensinam muito sobre quem somos, e fez o mesmo com o Dallas Stars que, ao voltar para o Texas, sentiu que era o momento de aprender sobre si mesmo. Essa era a única forma de entender seus erros para, assim, consertá-los, tentar novamente e ter êxito.

    Exceder as expectativas é a consequência merecida do trabalho árduo

    Mesmo com as lições proporcionadas pela temporada anterior, os Stars não iniciaram 2019-20 da maneira desejada. Contabilizando mais derrotas do que vitórias na tabela, foram meses até que o time atingisse estabilidade na liga e se mantivesse na zona de classificação para os playoffs.

    Mesmo alcançando um bom desempenho em meados do calendário regular, sua instabilidade não tornou o time um dos favoritos a conquistar a Stanley Cup aos olhos de quem acompanha a NHL. 

    Com a pausa devido à Covid-19, a liga se reorganizou, e uma temporada totalmente diferente do que estamos acostumados teve continuidade. Com uma pausa tão grande, a tendência era que times com bom desempenho anteriormente pudessem decair. 

    Apesar do mau desempenho durante o round robin, nós pudemos assistir um Dallas Stars diferente com a volta da NHL. Diferente para melhor. Ao derrotar o Calgary já na primeira etapa, a equipe mostrou que estava ainda mais disposta a batalhar pelo seu lugar na competição.

    No entanto, nós sabemos que vencer o primeiro round dos playoffs não pode ser lido como algo além de vencer o primeiro round dos playoffs. O início da competição é incerto, e até a Final, muitas coisas podem acontecer. 

    Porém, vencer o Colorado Avalanche no segundo round nos fez parar e pensar que, talvez (e apenas talvez), Dallas pudesse avançar consideravelmente na competição. 

    Aqui, presenciamos um Dallas Stars que saiu da sua zona de conforto para tentar uma abordagem diferente e se tornar o time ao qual as pessoas querem assistir. Um Dallas que ataca continuamente desde o primeiro segundo da partida e só descansa quando o apito final soa. Que arrisca com jogadores que, mais tarde, se tornariam figuras essenciais de um elenco que estava redescobrindo o estilo de jogo da equipe. 

    No segundo round, percebemos o quanto o time é importante para as suas grandes lideranças, que souberam se afastar para dar espaço para aqueles que mudariam a história dos Stars nos playoffs de 2020, e colocariam o seu nome escrito na do hockey. Menção honrosa a Denis Gurianov, Anton Khudobin, Joel Kiviranta, e muitos outros que foram cruciais para que o time conseguisse avançar. 

    Se vencer o Colorado Avalanche foi surpreendente, garantir uma vitória na Final de Conferência contra o Vegas Golden Knights fez com que expectativas ainda maiores fossem criadas sobre uma possível vitória da Stanley Cup por Dallas. Esse foi um momento histórico para qualquer pessoa que sempre viu grande potencial no underdog do Sul.

    Foram anos até que os Stars chegassem nessa posição. Em uma temporada tão atípica, que testou muito além dos limites físicos, considerei cada jogador do meu time um vencedor. Vencedores por irem além dos limites estabelecidos por eles mesmos. Vencedores porque ninguém acreditava que Dallas chegaria tão longe na competição.

    Mesmo esperançoso, meu coração de torcedora sabia que, caso o pior viesse acontecer, seria grata por aquela experiência. E o melhor: senti que Dallas seria grato por chegar até aquele momento. Depois de anos remando contra a maré para chegar até a beira mar, colocar os pés na areia já era o suficiente para trazer a melhor sensação do mundo para o time.

    Nada acontece como esperamos – e está tudo bem 

    No entanto, mesmo com o esforço, dedicação, e tudo de mais importante que foi colocado em jogo para garantir o troféu, aquele ainda não era o momento de Dallas. Após seis jogos, o time deu adeus definitivo para a temporada 2019-20 e assistiu ao Tampa Bay Lightning levantar a Stanley Cup – conquista mais do que merecida pela equipe. 

    Como responsável por cobrir o live tweet do dia 27 de setembro no site, eu criei esperanças e também vi meu time ser derrotado diante dos meus olhos. Ao vivo. E doeu. Pela segunda vez. 

    A dor do torcedor se tornou maior por ver a dor nos olhos dos nossos jogadores. Era possível sentir o quanto aquilo era importante para a equipe, e o quanto foi sacrificado para que eles chegassem até aquele momento. 

    Quando se cria expectativas muito altas sobre algo, a queda acaba sendo difícil de superar. E foi. Naquele dia 27 de setembro de 2020 foi muito difícil. 

    Mas quando o caos chegou ao fim, e pude pensar com mais clareza, conclui que, naquele momento, estava tudo bem que, naquela temporada, aquele fosse o fim do Dallas Stars. Então, passei a pensar nas coisas positivas que tudo isso trouxe para o time. 

    Um estilo de jogo ainda melhor, e que mostra a essência dos Stars, diversos recordes que foram ultrapassados, novos talentos descobertos, e quatro rounds dos quais Dallas deveria sentir orgulho. Orgulho por chegar tão longe, e desafiar os seus próprios limites. Orgulho por saber que, no fim, o time fez o que estava ao seu alcance. E acredito que isso seja o mais importante: dar o nosso melhor a partir do que nos é oferecido.

    Confesso que todas essas palavras podem ter soado apenas como um simples apanhado de clichês reunidos em um texto só. Mas o clichê não tira a veracidade do fato de que todas as coisas acontecem quando tem de acontecer. Queira eu, você, os torcedores de Dallas e a própria equipe aceitar ou não. 

    Dallas ainda está se reconstruindo, se reencontrando, e muitas vezes, vai ser difícil aceitar as consequências disso, porque sempre vamos esperar que o melhor aconteça. Essa é uma característica do ser humano – e do fã apaixonado pelo seu time. O Dallas Stars vai se desenvolver, vai mostrar todo o seu potencial, e vai impressionar a todos e a si próprio. O ano de 2020 não era o momento, mas ele ainda vai chegar.  

    Por hora, está tudo bem ocupar o segundo lugar. A vista daqui permite que o Dallas olhe para trás, e veja a caminhada incrível que já percorreu. Mas também possibilita que o time olhe para frente, e veja que o caminho até a Stanley Cup está mais perto do que imaginou. 

  • A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    A conquista da Stanley Cup 2019 pelos Blues

    “Milagres acontecem”.

    Essa foi uma das frases mais proferidas pelo fã de hockey após assistir o St. Louis Blues na temporada 2018/19. No entanto, ‘milagre’ talvez não seja o termo ideal para se referir a ocasião. ‘Trabalho árduo’ são as palavras corretas. 

    De underdogs, ocupando o último lugar na tabela, o time de St. Louis escalou para as primeiras posições da divisão central, eliminou quatro grandes times nos playoffs e, assim, garantiu a primeira Stanley Cup desde sua criação, em 1967.

    Mas a jornada percorrida pelo time foi longa e cheia de desafios. E conquistas assim precisam ser documentadas.

    Portanto, em mais uma edição do “10 for 10”, vamos falar sobre como o St. Louis Blues, mesmo diante de um cenário nada propício, derrubou seus obstáculos e se tornou o campeão da Stanley Cup 2019.

    A pré-temporada dos Blues

    Após uma temporada 2017/18 devastadora, o St. Louis Blues sabia que algumas mudanças precisariam ser realizadas para que o desempenho da equipe melhorasse na próxima. 

    Sem a classificação para os playoffs de 2018, a equipe deu início às novas contratações mais cedo. Em maio do mesmo ano, o time anunciou Mike Van Ryn como seu novo técnico assistente, após Darryl Sydor, que ocupava o cargo, não ter renovado o contrato com os Blues por motivos familiares. 

    No entanto, essa não foi a única aquisição do time durante a pré temporada. David Perron, que havia saído dos Blues em 2017 para disputar uma temporada com o novo time de expansão da época, o Vegas Golden Knights, acabou voltando para a equipe de St. Louis. 

    Dessa vez, o jogador assinou um contrato que garantiu sua estadia no time por mais 4 temporadas. Tyler Bozak também veio para reforçar a equipe durante a free agency de 2018, assim como Patrick Maroon e Jordan Binnington, em contrato de duas vias. 

    Mas a trade com o Buffalo Sabres, onde o St. Louis acabou adquirindo Ryan O’Reilly, foi uma das mais rentáveis contratações para a equipe. Isso porque, na temporada 2018/19, o jogador se mostraria um grande reforço para o ataque dos Blues e se tornaria peça importante na conquista da Stanley Cup em 2019. 

    Porém, inicialmente, as importantes contratações na pré-temporada não pareceram ser o suficiente para ajudar no desempenho do St. Louis.

    A temporada  

    O start dos Blues na temporada 2018/19 não foi o melhor já feito pelo time. Após a derrota para o Winnipeg Jets em sua estréia, a equipe viu seu desempenho cair drasticamente no primeiro mês da competição. Do 10 jogos disputados em outubro, o time se saiu vitorioso em apenas três. Assim, adquiriu 4 derrotas em tempo regular e outras três em overtime, somando apenas nove pontos na tabela.

    Em novembro, o time ainda parecia não ver a luz no fim do túnel. Foram 14 jogos disputados que resultaram, por fim, em apenas seis vitórias. Os placares extensos das derrotas apenas reforçaram ainda mais a decaída de desempenho da equipe.

    E a demissão do técnico, Mike Yeo, ao fim do mês apenas ressaltou a má fase dos Blues. Como solução imediata, o time optou por promover Craig Berube, que atuava como técnico assistente da equipe desde 2017, para a posição de técnico interino da equipe. 

    Mesmo com problemas internos e polêmicas que giravam em torno do time de St. Louis, Berube tentou ao máximo guiar os Blues em outra direção. Uma que, futuramente, pudesse resultar em um melhor desempenho da equipe. E apesar de não terem sido gigantes,  as mudanças realizadas pelo novo técnico começaram a ser notadas em dezembro. 

    O número de derrotas, apesar de não ter sido o ideal, acabou não ultrapassando a quantidade de vitórias. Uma diferença se compararmos com o desempenho da equipe no mês anterior. E dessa forma, após 37 jogos disputados, o St. Louis finalizou 2018 com 34 pontos. Número que não colocou os Blues no topo da tabela, mas que foi o suficiente para mostrar que, talvez, Berube pudesse mudar o destino da equipe em 2019.

    A grande virada

    E foi o que aconteceu. Das 11 partidas que o time disputou em janeiro de 2019, sete resultaram em vitórias. Além disso, a equipe sofreu apenas quatro derrotas em tempo regular e uma em overtime. 

    Um dos principais fatores a influenciar positivamente no desempenho dos Blues foi Jordan Binnington. O goleiro, que assinou um contrato de duas vias com o time em julho de 2018, não havia disputado tantas partidas com a equipe até o momento, já que Jake Allen ainda ocupava a posição de goleiro titular. 

    Mas a chegada de Berube acabou se mostrando uma oportunidade para Binnington, que foi chamado para o time após os Blues terem iniciado janeiro com o pior recorde da temporada. E o sucesso do jogador foi imediato: das 7 partidas em que iniciou nas redes dos Blues no mês, o goleiro venceu cinco. 

    Em fevereiro, notando seu grande desempenho, Berube optou por continuar com Binnington nas redes. E o sucesso do time continuou a prevalecer, pois dos 14 jogos disputados no mês, os Blues saíram-se vitoriosos em 12. Assim, somando apenas duas derrotas (uma em tempo regular e outra em overtime), o time conquistou seu melhor recorde em toda a temporada. 

    Apesar da leve decaída em março, o St. Louis ainda conseguiu se manter perto da zona de classificação para os playoffs, com 8 vitórias em 15 jogos. Em abril, o time continuou o bom desempenho. Tal qual que garantiu à equipe uma boa posição na tabela.

    Com o Fim da temporada regular eapós os 82 jogos mais desafiadores da história do St. Louis Blues, uma colocação no último lugar da tabela, e outras reviravoltas, a equipe se classificou para os playoffs ocupando o terceiro lugar na divisão central e quinto na conferência oeste, com 99 pontos. 

    Enfim, os playoffs

    Devido a instabilidade na temporada regular, muito se especulava que talvez o St. Louis acabasse não avançando não competição. Mas novamente os Blues mostraram que o trabalho árduo desenvolvido pela equipe acabaria trazendo recompensas.

    O primeiro adversário dos Blues nos playoffs foi o Winnipeg Jets, que finalizou a temporada uma posição acima dos Blues na Conferência Oeste. E, por terem vantagem, o St. Louis precisou viajar para o Canadá para a disputa dos dois primeiros jogos.

    Jogar na casa dos Jets não foi um fator intimidador para os Blues, que venceu as duas primeiras do round. No entanto, o oponente retaliou e venceu os jogos 3 e 4 na casa do St. Louis. Mas a vitória na quinta partida colocou os Blues ainda mais perto de uma classificação. 

    Dessa forma, o time de St. Louis precisaria apenas de uma vitória para garantir a ida ao segundo round. E foi o que aconteceu – com a vitória no jogos seis, os Blues avançaram portanto para a próxima etapa da competição.

    No segundo round, o oponente do time foi o Dallas Stars. Apesar de vencer a primeira partida em casa, os Blues foram derrotados no jogo 2 pelos Stars. E a vitória no jogo três também não foi o suficiente, já que o Dallas acabou se saindo vitorioso nas duas partidas seguinte e, dessa forma, assumiu a liderança do round.

    No entanto, a vitória dos Blues no jogo seis deixou a série empatada. Ou seja, seria tudo ou nada para a equipe de St. Louis a partir daqui. E após 3 períodos regulares, e dois overtimes, foram os Blues que levaram a melhor. Assim, o time acabou se classificando para a Final da Conferência Oeste e teria como adversário o San Jose Sharks. 

    O round contra os Sharks não apresentou tantos desafios como o anterior. Mesmo com a derrota para o oponente no primeiro jogo, os Blues venceram a segunda partida e empataram a série. No entanto, voltaram a serem derrotados pelos Sharks no jogo três, entregando outra a vantagem para o San Jose.

    Mas a vitória na quarta partida deu uma nova perspectiva ao St. Louis, que continuou com a sequência de vitórias nos três jogos seguintes. Assim, ao vencer quatro partidas, os Blues venceram o round e, por fim, atingiram o objetivo principal da temporada: ir para a final da Stanley Cup. 

    Campeões da Conferência Oeste, o último desafio dos Blues na conquista pela taça era o confronto contra os Bruins. Foto: Reprodução/nhl.com

    Um passo mais perto

    Boston Bruins e seu grande desempenho. Isso era o que separava o St. Louis Blues da sua primeira Stanley Cup Final. 

    Se classificando para os playoffs na terceira posição overall da Liga, os Bruins contavam com um dos ataques mais eficientes da NHL. E por isso, o St. Louis entendia que as dificuldades que enfrentaria nesse round seriam muito maiores do que as anteriores. Dificuldade que se mostrou presente logo no primeiro jogo da Final, onde o Boston acabou vencendo o St. Louis por 4 a 2 no TD Garden. 

    Os Blues retaliaram ao vencer a segunda partida em overtime, ainda na casa dos Bruins. E mesmo com a derrota em casa no jogo três, não se mostraram abalados, saindo-se vitoriosos nas partidas quatro e cinco. Mas novamente o Boston colocou um empecilho no caminho ao vencer o jogo seis. Assim, o round precisou de uma sétima partida.

    Tudo ou nada. Esse é significado dos jogos 7 em uma Final da Stanley Cup. E aqui, as derrotas, má fase e todos os acontecimentos da temporada serviram como combustível para os Blues no último jogo da competição. Não existia alguém que quisesse mais a vitória do que o St. Louis naquele momento, algo que se mostrou visível no gelo.

    Por fim, campeões da Stanley Cup 2018

    A vantagem obtida pelos Bruins fez com que o jogo sete acontecesse no TD Garden, casa da equipe. Mas o fator não assustou os Blues, pois foi a equipe quem abriu o placar da partida aos 16:47 do primeiro período com O’Rielly. Pietrângelo seguiu o exemplo do companheiro de time e aumentou o placar para os Blues ainda na primeira etapa do jogo. 

    Com a não reação do Boston, os Blues assumiram o restante do controle da partida, fazendo mais dois gols. Portanto, após três períodos, 7 partidas da Final e 4 rounds vitoriosos anteriormente, o apito final soou no TD Garden e oficializou o St. Louis Blues como campeão da Stanley Cup 2018.

    O time comemorando a conquista da taça pela primeira vez. Foto: Reprodução/nhl.com

    A primeira do time em mais de 50 anos de história na NHL. Uma vitória marcada por uma das maiores reviravoltas já feitas por um time da Liga, e que consagrou o St. Louis como uma das melhores equipes da NHL. Ryan O’Reilly, que foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelos Blues, foi o jogador quem levou Conn Smythe Trophy como MVP dos playoffs.

    Após a vitória em Boston, o time viajou para St. Louis, onde comemorou a conquista em parade que contou com a presença de cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas da cidade. A conquista da taça foi simbólica e importante, já que o último time profissional de St. Louis a conquistar um troféu foram os Cardinals, em 2011. 

    A conquista da Stanley Cup foi um marco, divisor de águas e contou muito sobre quem é o St. Louis Blues. Novamente, ‘milagre’ não é palavra certa para se referir ao que aconteceu com o time em 2019. A vitória foi fruto de muito trabalho e perseverança da parte da equipe, mesmo quando nada se encontrava a seu favor.

    Por isso, como bons fãs do esporte, torcemos para que o espírito de equipe do St. Louis prevaleça e traga mais frutos para o time como os de 2019. 

  • O caso Mitchell Miller e o posicionamento dos Coyotes

    O caso Mitchell Miller e o posicionamento dos Coyotes

    Após um ano turbulento e repleto de remarcações em seu calendário, a NHL por fim realizou o Draft 2020. E como em todos os anos, o evento é visto pelos times como uma oportunidade de modificar seu roster. Tudo isso sempre com o objetivo final em mente: a conquista da Stanley Cup ao fim da temporada.

    Com o Arizona Coyotes não foi diferente. Já fazem alguns anos que a equipe vem passando por uma grande transição. Dessa forma, reforçar o time com novos talentos é essencial para se manter estável na temporada. Mas não se pode negar que a equipe de Arizona falhou ao selecionar Mitchell Miller no Draft, mesmo após conhecimento sobre suas ações, que vão contra todos os princípios que o time prega. 

    No entanto, após a polêmica ter gerado diversas críticas à sua conduta, os Yotes voltaram atrás e optaram por dispensar o futuro prospect. Assim, colocou-se em pauta novamente a discussão sobre o quão longe as equipes de hockey vão para escolher seus talentos, deixando para trás as promessas de serem aliados na mudança positiva da cultura do hockey. 

    O ocorrido

    Não é de hoje que o Arizona Coyotes tem passado por algumas turbulências. Entre trades, demissões e outros escândalos, o time tem tentado manter-se estável da melhor forma possível. Dessa forma, com a decaída drástica do desenvolvimento da equipe nos últimos anos, o Draft acaba sendo uma forma de reconstruir o time através de novos talentos. 

    Apesar das poucas escolhas no Draft 2020, devido a polêmica da violação das regras dos testes pré combine, a equipe manteve 5 dos seus draft picks. Tais quais foram distribuídos do round 4 ao 5. E após as análises feitas pelos scouts, o time deu início a sua participação no evento selecionando Mitchell Miller, um defensor dos programas de hockey juniores dos Estados Unidos.

    A princípio, a escolha fez sentido. Isso porque, para reconstruir a equipe, seria necessário também investir em defensores com potencial para colocar o time em jogo outra vez. Mas o que ninguém esperava era que, por trás de todo o talento, Miller possuía um passado repleto de ações vergonhosas. 

    Alguns dias após o Draft, o Arizona Central, versão virtual do jornal The Arizona Republic,  publicou uma matéria afirmando que, há quatro anos atrás, o possível futuro jogador dos Yotes havia sido condenado por cometer bullying, racismo e violência física contra um antigo colega de classe. 

    Entenda o caso

    Em 2016, Miller acabou admitindo seus atos em um tribunal juvenil de Ohio. Ele afirmou no julgamento que foi responsável por intimidar a vítima, Isaiah Meyer-Crothers, a lamber um doce que ele e outro menino haviam limpado em um mictório do banheiro da escola em que estudavam. Devido ao abuso, Isaiah precisou executar testes para hepatite, HIV e DSTs, mas felizmente, de acordo com relatório policial, todos tiveram o resultado negativo. Além disso, a própria vítima e outras testemunhas afirmaram que Miller insultou e agrediu Isaiah constantemente por anos, sempre dirigindo-se a ele através de termos racistas e ofensivos. 

    Miller e Hunter McKie, também responsável pelos atos, ficaram sob supervisão do Tribunal de Menores na época, sem ter qualquer tipo de contato com a vítima. Além disso, serviram 25 horas de serviço comunitário, pagaram as custas judiciais e deveriam escrever cartas de desculpas à vítima e à escola onde estudaram.

    Atualmente, devido a grande repercussão do caso, Miller se desculpou através de cartas oficiais com todos os times da NHL. No entanto, não demonstrou remorso ou vontade de oferecer um pedido de desculpa para aquele que mais sofreu com suas ações: Isaiah.

    As críticas por parte da comunidade do hockey

    Após as denúncias virem à tona, o Arizona Coyotes foi gravemente criticado pela mídia e por fãs por escolher Miller no Draft. E as coisas pioraram ainda mais para a equipe quando descobriu-se que os Yotes tinham total conhecimento das ações cometidas pelo futuro prospect

    As críticas foram feitas devida a controvérsia cometida pelo Arizona. Isso porque o time já afirmou diversas vezes sobre sua vontade e responsabilidade de contribuir para que a cultura do hockey mude de forma positiva. Ou seja, draftar Miller, tendo conhecimento de seus atos, vai contra todos os princípio que a nova gerência do time prega. 

    Ken Campbell, do Sports Illustrated, também questionou fortemente a decisão da equipe. Ele afirmou que, apesar dos Yotes terem tomado a decisão de draftar o jogador, era também bastante problemático que outros times também tivessem estudado a possibilidade fazer o mesmo:

    “Há justificadamente muita indignação lá fora com a publicação da história de hoje sobre Miller. E ao conversar com os olheiros, esta é uma história que é conhecida nos círculos do hockey há algum tempo. Na verdade, Miller foi elogiado por muitos pelo o que fez e por se posicionar. E enquanto os Coyotes estão sendo enterrados em uma avalanche de má imprensa por isso, o fato é que há muitas outras pessoas no mundo do hockey que estavam dispostas a permitir Miller em suas equipes e em suas organizações, mesmo após o ocorrido.”

    Os posicionamentos do Arizona

    Em um primeiro posicionamento oficial da equipe, feito através do CEO do time, Xavier Gutierrez, o Arizona Coyotes tentou justificar o porque seria importante ter Miller no time.

    “Nossa missão fundamental é garantir um ambiente seguro – seja nas escolas, em nossa comunidade, nas pistas de gelo ou no local de trabalho – livre de bullying e racismo. Quando soubemos da história de Mitchell, teria sido fácil para nós demiti-lo – muitas equipes o fizeram.  Em vez disso, sentimos que era nossa responsabilidade fazer parte da solução de uma maneira real – não apenas dizendo e fazendo as coisas certas nós mesmos, mas garantindo que os outros também sejam”, diz o comunicado.

    Gutierrez ainda continuou dizendo que, de acordo com as políticas do time em relação à inclusão e diversidade, eles acreditam que estão “na melhor posição para orientar Mitchell a se tornar um líder para esta causa e prevenir o bullying e o racismo agora e no futuro.”  O CEO da equipe finalizou o comunicado afirmando que gostaria de fornecer a Miller os recursos necessários para sua mudança e crescimento.

    “Como organização, deixamos nossas expectativas muito claras para ele. Estamos dispostos a trabalhar com Mitchell e colocar no tempo, esforço e energia e fornecer-lhe os recursos e plataforma necessários para enfrentar o bullying e o racismo. Isto não é uma história sobre desculpas ou justificativas.  É uma história sobre reflexão, crescimento e impacto na comunidade. Um verdadeiro líder encontra maneiras de cada pessoa contribuir para a solução.  Todos nós precisamos ser parte da solução.”

    No entanto, mesmo com o pronunciamento e justificativa, a equipe de Arizona continuou sendo duramente criticada pela decisão. Principalmente após o relato da família de Isaiah, afirmando que o futuro prospect nunca se desculpou pessoalmente por todo o trauma que causou a vítima. 

    “Todo mundo acha que ele é tão legal por ir para a NHL, mas eu não vejo como alguém pode ser legal quando você implica com uma pessoa e a intimida a vida toda”, afirmou Isaiah ao Arizona Central.

    Após algumas conversas com a família Meyer-Crothers, e melhor entendimento sobre a situação, o Arizona por fim mudou seu o posicionamento. Assim, através de um comunicado oficial feito na quarta feira (29), afirmou que a melhor escolha para o time foi romper vínculos com Mitchell Miller.

    “Decidimos renunciar aos direitos de Mitchell Miller, com efeito imediato”, confirmou Xavier Gutierrez. O CEO ainda disse que o time não tolera esse comportamento, mas que sua intenção inicial era fazer que Mitchell se tornasse responsável pelos seus atos e aprendesse com eles.

    “Antes de selecionar Mitchell no Draft da NHL, estávamos cientes de que um incidente de bullying ocorreu em 2016. Não toleramos esse tipo de comportamento. Mas abraçamos isso como um momento de ensino para trabalhar com Mitchell para torná-lo responsável por suas ações e dar-lhe uma oportunidade de ser um líder em esforços anti-bullying e antirracismo. Aprendemos mais sobre todo o assunto, e mais importante, o impacto que teve em Isaiah e na família Meyer-Crothers. O que aprendemos não está alinhado com os valores fundamentais e visão de nossa organização e leva à nossa decisão de renunciar aos nossos direitos.”

    Chayka finalizou o comunicado dizendo que “Em nome da propriedade Arizona Coyotes e de toda a nossa organização, gostaria de pedir desculpas a Isaiah e à família Meyer-Crothers. Estamos construindo uma franquia modelo dentro e fora do gelo. Por isso, faremos a coisa certa para Isaiah e a família Meyer-Crothers, nossos fãs e nossos parceiros. O Sr. Miller agora é um agente livre e pode perseguir seu sonho de se tornar um jogador da NHL em outro lugar.”

    “Existe uma vítima aqui fora”

    Muitos costumam ter em seus pensamentos o antigo ditado “garotos sempre serão garotos” para justificar certas ações. Em muitos casos, os atos de ódio e violência acabam sendo ignorados pois, na visão dessas pessoas, tudo pode ser justificado com a frase acima.

    E, assim, esses mesmos indivíduos acabam anulando o sofrimento e traumas que as vítimas ainda enfrentam ou terão de enfrentar pelo resto de suas vidas. Isaiah é apenas um dos muitos adolescentes que precisam lidar com os comentários de que o que aconteceu com ele não passou de apenas uma brincadeira entre colegas. 

    Em nota direcionada ao Arizona Coyotes, a mãe de Isaiah, Joni Meyer-Crothers, afirma que o fato de o time ter escolhido alguém que nunca se desculpou com seu filho pelo trauma acometido era humilhante. 

    “Eu respeito a afirmação que ele enviou cartas de desculpa para todas as equipes da NHL. Mas não faria sentido se ele verdadeiramente sentisse remorso para enviar uma carta para o garoto que ele brutalmente intimidou tanto mentalmente quanto fisicamente? É uma surpresa que ele tenha enviado a todas as equipes da NHL uma carta, porque isso era para o seu próprio bem? Por mais que torçamos para que Mitchell eventualmente veja o dano que cometeu ao nosso filho, não vimos nenhum remorso. Mais uma vez, o incidente que continuou ao longo dos anos prejudicou [Isaiah] mentalmente de maneira significativa e sua organização está mais preocupada com Mitchell e seu sucesso no hockey. Na minha opinião, isso é fazer parte do problema. Há uma vítima lá fora que estava e ainda está nas mãos de sua 111ª escolha.”

    O Arizona Coyotes possui grandes ideais que afirmam o quanto o time se importa com a diversidade no hockey. E em tempos como os que vivemos atualmente, a decisão do time em liberar Miller é muito importante. Mesmo tendo sido feita sob pressão, ela prova que a equipe ainda se importa com melhorias positivas na comunidade do hockey. 

    Muitos questionaram sobre o quanto a decisão afetaria a carreira de Miller. Mas e a vida de Isaiah? Porquê a preocupação com a vítima sempre acaba sendo colocada em segundo lugar em casos como esses?

    A resposta é simples: o preconceito ainda não é visto como um problema por muitos. Mas deveria. É uma problemática séria demais para ser tratada com tanto descaso. Muitos na comunidade do hockey entendem isso. Agora é necessário que os demais também entendam e façam sua parte. 

    O que resta fazer é torcer para que comportamentos como os de Miller sejam cada vez mais escassos para que pessoas como Isaiah não sofram com o trauma pelo resto de suas vidas. E se a comunidade do hockey passar a se posicionar como os Coyotes em outras ocasiões, em algum momento a mudança vem, mesmo que devagar. 

    Foto: Reprodução/Matt Kartozian-USA Today

  • A conquista da Stanley Cup pelos Capitals

    A conquista da Stanley Cup pelos Capitals

    Não é segredo para que ninguém que o Washington Capitals formou um dos melhores elencos da NHL ao longo dos anos. Liderados por Ovechkin, a equipe conseguiu encontrar a química necessária que a permite exibir um dos estilos de jogo mais atrativos da Liga.

    Times assim merecem carimbar seu nome na Stanley Cup. Após muito tentar, e chegando perto algumas vezes, o ano de 2018 recompensou os Capitals no melhor estilo possível: trazendo o maior troféu da NHL como presente para o time. O primeiro da franquia desde sua criação, em 1974. 

    No entanto, a conquista da taça não se deu por acaso: foi a consequência de uma grande temporada executada pelo time. E grandes feitos devem ser eternizados em palavras. 

    Em mais um texto do especial 10 for 10, inauguramos o ano de 2018 contando a história por trás da conquista da Stanley Cup pelo Washington Capitals. 

    A pré-temporada dos Capitals

    Após uma fresca eliminação dos playoffs da temporada 2016-17, Brian Maclellan, GM do Washington, sabia que era necessário arrumar a casa para garantir êxito na nova season que já batia à porta. Para isso, foi preciso desembolsar alguns dólares com o intuito de manter as principais estrelas do elenco, como Evgeny Kuznetsov e TJ Oshie.

    No entanto, para não extrapolar o teto salarial da liga, os Capitals precisaram abrir mão de muitos outros jogadores, algo que acabou gerando muitas críticas por parte da imprensa à Maclellan, questionando se as assinaturas destes contratos teriam sido boas negociações. 

    O time deixou as críticas para trás e deu início a sua escala de jogos na pré-temporada. Porém, o resultado das partidas não foi o que os Capitals esperavam. Das oito partidas disputadas, o time conseguiu garantir a vitória em somente duas.

    Apesar de serem apenas jogos de pré-temporada, os críticos do esporte ainda comentavam se Washington realmente seria capaz de superar o déficit da temporada passada e avançar na competição, ou se o pesadelo de alguns meses atrás se repetiria.

    A temporada regular

    Apesar das adversidades, a equipe por fim fez sua estreia na temporada 2017-18.

    O início não foi nada agradável. Após as vitórias nos dois primeiros jogos, o Washington assistiu seu rendimento decair drasticamente: dos doze jogos disputados naquele mês, seis resultaram em derrotas no tempo regular. 

    Tendo somado apenas cinco vitórias no primeiro mês da competição, e adquirindo um total de 11 pontos, os Capitals precisaram iniciar o mês de novembro de uma maneira diferente. E um diferente com cara de algo muito melhor.

    Dos 14 jogos disputados, o time venceu nove, 7 destes em casa. Assim, a equipe voltou a adquirir mais confiança em seu próprio jogo, enfim mostrando o desempenho que se esperava dos Capitals há bastante tempo. Em dezembro, o time apenas confirmou que o seu sucesso veio para ficar, vencendo 10 das 14 partidas disputadas no mês, somando um total de 51 pontos que os manteve no topo da tabela.

    Novo ano, ainda mais êxito para o time de Washington. Em janeiro de 2018, a equipe conquistou seis vitórias em 10 jogos, e apenas duas derrotas em overtime. Estas que ainda resultaram em um ponto cada para a equipe.

    Porém em fevereiro, o time se deparou com mais uma pedra no caminho. Apesar do número de derrotas em tempo regulamentar (6) não ter ultrapassado o número de derrotas na tabela (6), a equipe viu seu desempenho cair outra vez. As derrotas, que resultaram em grandes placares para seus oponentes, registraram o maior percentual de gols sofridos que o Washington teve durante a temporada 2017-18. 

    No entanto, ainda sim conseguiram registrar um total 14 pontos, mantendo-se na zona de classificação para os playoffs

    Em março, a tempestade que parecia tomar conta da equipe chega ao fim, e as boas atuações retornam. Foram 10 vitórias conquistadas em 14 jogos, grandes atuações por parte dos goleiros Holtby e Grubauer. O ótimo desempenho resultou em dois shutouts para Grubauer, enquanto Holtby registrou 1. 

    Com a entrada do mês de abril, o Washington por fim finalizou a temporada regular 2017-18. Adquirindo 105 pontos na tabela, o time venceu a Divisão Metropolitana pela terceira vez consecutiva e ocupou a sexta posição no overall da Liga. 

    Portanto, com a passagem do time já garantida para a pós-temporada, agora restava apenas acompanhar o seu desfecho na competição.

    Destino: os playoffs

    O primeiro desafio dos Capitals nos playoffs foi o confronto contra o Columbus Blue Jackets. Assim como na temporada regular, Washington não iniciou sua estadia na pós-temporada da melhor maneira, tendo perdido as duas primeiras partidas da série em casa. 

    Porém, a equipe se redimiu ao vencer as duas partidas seguintes em Ohio e, na sequência, ampliou a vantagem na própria arena mais duas vezes. Com as vitórias da partidas cinco e seis, o time da capital americana derrotou o Columbus em 4 jogos e avançou para a próxima etapa.

    Com a classificação para o segundo round em mãos, agora restava aos Capitals derrotar o atual campeão na época, o Pittsburgh Penguins, para seguir na competição.

    O confronto se tornou ainda mais importante para Washington devido à eliminação na temporada passada pelo próprio Pittsburgh, coincidentemente também no segundo round. Ou seja, essa era a chance que os Caps possuiam de se redimir pelos erros passados e provar que mereciam um lugar na Final. 

    Apesar da derrota para o oponente na primeira partida da série, Washington recuperou-se para vencer os dois jogos seguintes. No entanto, os Penguins se colocam outra vez na competição ao vencer a quarta partida, empatando assim o round. A vitória conquistada no quinto jogo deu novamente a vantagem aos Capitals, e os aproximam ainda mais da classificação. 

    A casa lotada do Pittsburgh no Jogo 6 não foi o suficiente para assustar o Washington. Após três períodos regulares e um overtime, os Caps levaram a melhor, e após 20 anos, se classificam  para a Final de Conferência. 

    So close yet so far

    Um round. Era isso que separava os Capitals da Final da Stanley Cup. Tendo como oponente o Tampa Bay Lightning, o time entendia que o desafio não seria nada fácil. Foi por isso que, já no primeiro jogo, os Capitals decidiram ditar o ritmo da série, ganhando a partida e saindo em vantagem. Tal qual que acaba se estendendo com a vitória no segundo jogo. 

    Porém, a boa fase do time de Washington acabou decaindo no jogo três. A partir daqui, o time viu o oponente empatar a série e, em sequência, colocar-se à frente, garantindo vitória em três partidas. Portanto, o Jogo 6 seria tudo ou nada para o Washington. 

    A equipe voltou então para casa. Apesar de Tampa Bay ter se mostrado um grande desafio, os Capitals, usando como combustível o apoio da própria torcida, conseguiram dominar grande parte da partida. Assim, após três períodos, a equipe venceu a partida e deixou o round empatado. 

    Não existe Jogo 7 de uma Final de Conferência sem emoção, e foi exatamente isso que os Capitals proporcionaram aos fãs de hockey. Mostrando dominância nos três períodos, o Washington Capitals marcou quatro gols, venceu a partida e, após 20 anos, faz história ao se classificar para a Final da Stanley Cup.

    Após três rounds vitoriosos, o último desafio do Washington Capitals seria o Vegas Golden Knights. O time acabou sendo surpreendido, e foi derrotado na primeira partida em um placar de 6 a 2 para seu oponente. No entanto, apesar de mostrar grande desempenho, essa seria a única vitória do Vegas na série. Os Capitals venceram a segunda partida na casa dos Golden Knights, e as outras duas seguintes em sua arena. 

    Por fim, campeões da Stanley Cup

    Uma vitória era o que bastava para que Washington levantasse a Stanley Cup. Com isso em mente, assim como o apoio do seus torcedores, o time viajou para Las Vegas com intuito de finalizar a série no quinto jogo e garantir o troféu tão esperado pela equipe. 

    Após um período inteiro sem marcar, Jakob Vrana abriu o placar para Washington no início do segundo tempo. Com o gol de Nate Schmidt para Vegas empatando a partida, o capitão, Alex Ovechkin, se viu na obrigação de mudar o jogo, e colocou seu time à frente do placar novamente. Mesmo com os Golden Knights marcando mais duas vezes na segunda etapa, foram os Capitals quem mostraram dominância no restante da partida.

    Devante-Smith Pelly colocou o time no jogo outra vez, logo no início do terceiro e, em seguida, seu companheiro de equipe, Lars Eller, fez o mesmo, deixando os Capitals à frente do placar pela terceira vez. 

    Faltando menos de oito minutos para o fim do jogo, a única coisa que Washington precisava fazer era segurar o placar, e foi isso o que aconteceu.

    Assim, após oito longos minutos, o juiz apitou o fim da partida, e diante de uma T-Mobile Arena lotada, o Washington Capitals se tornou campeão da Stanley Cup. Um marco para a equipe, que conquistou o primeiro troféu de sua história. 

    Alex Ovechkin foi quem faturou o Conn Smythe Award, considerado portanto o MVP dos playoffs. Título merecido, já que o capitão foi uma peça essencial na conquista do time. Além de líder em gols, o jogador ainda foi o segundo com mais assistênciaspelo time nos playoffs, ficando atrás apenas de Kuznetsov. 

    Após a vitória em Vegas, era o momento do time comemorar o merecido campeonato. Eles voltaram para casa com o troféu e celebraram em grande estilo: um desfile que levou cerca de 1 milhão de fãs às ruas de Washington, e nos trouxe memórias históricas (é quase impossível esquecer Ovechkin e companhia celebrando em uma fonte em Georgetown Waterfront).

    Este foi o único título que o time conquistou na década, mas a quantidade de títulos não diminui o grande elenco que Washington formou ao longo dos anos, e que ainda tem muito potencial para novas conquistas. Se depender da vontade de Alex Ovechkin e companhia, ainda veremos o time levantar outra Cup.

  • O que você precisa saber sobre o Draft 2020

    O que você precisa saber sobre o Draft 2020

    Após muitas turbulências e reviravoltas, a temporada 2019/20 da NHL chegou ao seu fim. E com grande êxito por parte das bolhas, assistimos o Tampa Bay Lightning se tornar o novo campeão da Stanley Cup 2020.

    Portanto, o fim da temporada significa uma coisa para o fã de hockey: o Draft. Depois de muitas decisões e medidas criadas pela NHL, o Draft 2020 da Liga enfim acontece hoje, às 20 horas (BRT). 

    E para você que, assim como nós, vai acompanhar o evento, trouxemos um guia com tudo que você precisa saber sobre o Draft desse ano. 

    Um breve resumo sobre o que é o Draft

    Para simplificar, o Draft é um evento organizado pela Liga Nacional de Hockey, com o intuito de dar a oportunidade aos times de selecionarem novos talentos que ainda não fazem parte da NHL.

    O evento conta com 7 rodadas onde, cada um dos 32 times, dependendo de suas transições durante a temporada, tem a oportunidade de escolher seus futuros atletas. Tecnicamente, cada time tem sua chance de selecionar um jogador por round. Mas, ao longo do ano, diversas equipes fazem trades em que, para obter algum jogador, cedem seus Draft picks. E é dessa forma que muitas franquias acabam subindo suas posições na tabela, ou ficam com diversas escolhas em um mesmo round – como foi o caso do Ottawa Senators na temporada passada.

    O Draft normalmente acontece durante o verão norte-americano . No entanto, com a pandemia do COVID-19, a Liga tomou, no início do ano, a decisão de adiar o evento de 2020, com a intenção de prezar pela saúde de todos. 

    Quando a NHL decidiu criar um plano de retorno para suas atividades, o Draft também entrou na pauta. E com tudo que tem acontecido no mundo, a pergunta era a mesma entre todos que acompanham o esporte: como o evento se daria neste ano?

    O Draft deste ano

    Anteriormente, o Draft estava marcado para acontecer em Montreal, Quebec, durante os dias 26 e 27 de junho de 2020. Mas, com a pandemia se alastrando pelos Estados Unidos, e também pelo Canadá, a NHL decidiu adiar, em Março, a temporada 2019/20 e todos os eventos presenciais que ocorreriam durante o ano.

    Todavia, após confirmar a volta da temporada através de um plano de retorno bastante rígido, que contou com as bolhas de Edmonton e Toronto, a Liga entendeu que existiam maneiras de realizar o Draft sem colocar a saúde das equipes e participantes em risco. 

    Após muitas especulações, Gary Bettman confirmou em um comunicado, no dia 11 de setembro deste ano, que o Draft seria realizado de forma virtual em 2020 através de uma videoconferência. Enquanto Gary Bettman se encontrará nos estúdios da NHL Network, em New Jersey, cada time participará do evento de suas instalações, ou lugar de sua preferência. Já os prospects poderão acompanhar o evento do conforto de suas casas. Uma experiência um tanto quanto diferente e inovadora, não apenas para a própria NHL, mas também para os fãs, que acompanharão, pela primeira vez, a solenidade neste formato.

    A intenção da NHL é que, através da tecnologia, eles possam “unir as pessoas na América do Norte e na Europa e dar aos telespectadores uma visão única de dentro [do evento]”. A NBCSN, SN e TVAS transmitirão a primeira rodada, que ocorre hoje (20). Em relação aos demais rounds, será a própria NHL Network que se encarregará de transmitir o evento.

    A loteria 

    Para que a temporada voltasse, a NHL precisou fazer muitas mudanças. Entre estas, elaborar um formato de competição no qual 24 times disputaram a pós-temporada. Deste total, dezesseis equipes, que se encontravam, antes da pausa, em colocações abaixo dos 4 primeiros colocados de cada conferência, foram selecionadas para disputar os Qualifiers. Assim, em 8 séries diferentes, um time saiu vitorioso por série e classificou-se para a próxima etapa, o primeiro round dos playoffs.

    E é aqui que as coisas começaram a acontecer de forma diferente no Draft. Após a criação do formato, ficou definido que os times eliminados nos Qualifiers teriam a mesma oportunidade que as 7 equipes que não foram incluídas no plano de retorno da Liga de disputar pelas primeiras colocações do Draft 2020. Algo que acabou gerando muitos discussões opostas, já que alguns acharam justo, e outros nem tanto. 

    Apesar disso, a NHL continuou com o plano e realizou a primeira fase da Loteria do Draft em 26 de junho de 2020. Aqui, a Liga acabou realizando o sorteio que definiu as 3 primeiras posições. Como dito antes, apenas 15 times participaram da primeira fase, sendo os sete não classificados e os oito que ainda estavam disputando os Qualifiers

    Através do sorteio, ficou definido que a equipe com a primeira seleção overall seria uma das oito equipes que disputaram os qualifiers. Já a segunda posição ficou com o L.A. Kings, enquanto a terceira foi para o Ottawa Senators.

    Como uma equipe dos Qualifiers acabou ficando com uma das três primeiras escolhas, a Liga realizou uma segunda fase da Loteria. Assim, o time selecionado poderia ser definido apenas entre as oito equipes das qualificatórias

    Em 10 de agosto, a NHL realizou então a segunda fase da loteria. Esse é o primeiro Draft onde uma equipe que estava em alguma fase dos playoffs poderia garantir o primeiro lugar overall. Portanto, após o sorteio entre os oito times, ficou definido que, o detentor da primeira seleção geral é o New York Rangers.

    As sete equipes não selecionadas acabaram ficando com as escolhas de nove a quinze, baseadas na ordem inversa da porcentagem de pontos de ambos. Ou seja, os com a menor quantidade de pontos obtiveram as melhores seleções. 

    Punição do Arizona Coyotes

    No início de 2020, vieram a tona denúncias sobre violações das políticas da NHL por parte do Arizona Coyotes. E por isso, em janeiro deste ano, a Liga abriu uma investigação contra o time após suspeitar que a equipe havia convidado alguns jogadores elegíveis ao Draft para realizarem testes físicos de forma secreta. O ato é considerado conduta proibida de acordo com as políticas internas da NHL. E isso se dá porque, de certa forma, o time em questão acaba tendo vantagem sobre os demais no Draft.

    Após uma audiência, em 6 de agosto, a equipe reconheceu a violação e recebeu uma punição. Portanto, devido a má conduta, o time acabou perdendo seu second round pick deste ano, e também uma escolha do primeiro round em 2021.

    Para este ano, a equipe ainda possui mais 4 escolhas que se dão a partir da quarta etapa do evento. Anteriormente, o time possuía uma escolha no primeiro round, porém acabou perdendo para os Devils na trade que envolveu Taylor Hall. Da mesma forma, caso ainda possuísse a escolha, a NHL acabaria excluindo esta do time como punição pela violação. 

    As colocações dos times 

    Após todas as definições e punições, enfim temos as colocações já definidas de cada time no Draft deste ano. No primeiro round, Ottawa Senators e New Jersey são os times que possuem maior quantidade de escolha (três cada). Já em relação a todos os rounds do evento, é o Montreal Canadiens que é o detentor da maior quantidade de picks, com 14. Atrás dele ficam os Senators (13) e os Kings (11).

    Confira na imagem abaixo como ficou a colocação final para o first round:

    Ordem Draft 2020 Primeira Rodada

    As demais colocações e ordem dos rounds restantes vocês podem conferir na página do Draft no site da NHL.

    Foto: Reprodução/nhl.com