Autor: Jessica Nascimento

  • Q&A com Kaleigh Fratkin: a defensora do ano da NWHL

    Q&A com Kaleigh Fratkin: a defensora do ano da NWHL

    Falar sobre a carreira de um jogador canadense é uma das coisas que mais fazemos aqui no NHeLas. Afinal, o hockey e o Canadá andam de mãos dadas desde sempre. Mas hoje chegou a vez de fazer algo relativamente novo para nós. Chegou a vez de falarmos sobre a carreira de uma jogadora de hockey feminino. A maior defensora da história da NWHL, Kaleigh Fratkin do Boston Pride.

    Nascida na cidade de Burnaby, na Columbia Britânica, no Canadá, Kaleigh vem de uma família de atletas e começou a sua carreira no esporte ainda muito nova. Competindo em diversos esportes, a atleta colecionou conquistas por onde passou. Adepta a diversas modalidades ao mesmo tempo, Fratkin praticava futebol, lacrosse, patinação artistística e, claro, hockey.

    No futebol, Kaleigh ajudou o seu time a conquistar o Campeonato Provincial de 2008 e foi nomeada MVP em 2010. Quanto ao lacrosse, a atleta conquistou  o Campeonato Provincial com seu time em 2009. Hoje, além de jogar hockey, ela também trabalha com marketing para a Under Armour.

    Kaleigh com suas parceiras do Boston Pride. (Foto: Michelle Jay/NWHL)

    Kaleigh Fratkin, a jogadora de hockey

    No mundo do hockey, a defensora quebrou barreiras.

    Fratkin participou três vezes do Team Canada Development Camp entre 2006 e 2009. Nesse mesmo período, em 2007 e 2008, ela fez parte do time canadense Sub-18 numa série de três jogos contra o time dos EUA. Em 2009, a canadense também ajudou sua seleção a ganhar a medalha de prata no IIHF World Women’s U18 Championship. Ainda conquistou três vezes consecutivas o campeonato nacional canadense com o Team BC (British Columbia), entre 2008 e 2010, e participou dos Jogos de Inverno do Canadá. 

    Em 2010, Fratkin entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a jogar no British Columbia Midget Major League, ingressando no Vancouver North West Giants, um time masculino de hockey. Ela não somente foi a primeira mulher como também ajudou o time a conquistar o 2010 Provincial Championship e foi nomeada finalista do BC Athlete of the Year.

    Na temporada 2010-11, Kaleigh começou a jogar na NCAA pela Boston University, apesar de não ter tido um início tão marcante, os seus dois últimos anos mostraram do que a atleta é feita. Durante a temporada 2012-13 ela bloqueou 56 shots, se classificando a segunda melhor da liga.

    Na temporada seguinte, em 2013-14, em seu ano sênior, foi nomeada Capitã Assistente e marcou 26 assistências, quatro gols e 30 pontos. Também em sua última temporada, Fratkin foi nomeada para a New England Division I All-Star e Hockey East First-Team All-Star. Em seus quatro anos com o time, foram 66 pontos marcados, com 9 gols e 57 assistências. 

    Após terminar sua carreira na NCAA, a jogadora foi selecionada como 5º escolha no draft da CWHL pelo Boston Blades, onde conquistou 8 pontos (1 gol e 7 assistências) na temporada regular. Naquele ano, a jogadora teve motivos em dobro para comemorar: seu time foi para os playoffs e conquistou a Clarkson Cup de 2015. Enquanto a seleção canadense Sub-22, da qual fazia parte, foi para a National Cup, conquistando a medalha de ouro.

    Na temporada seguinte, a defensora teve uma mudança de ambiente ao ingressar como a primeira canadense na NWHL. Em 2015-16 ela começou no Connecticut Whale participando de 18 jogos e marcando 17 pontos (cinco gols e 12 assistências).

    Nessa mesma temporada, ela foi emprestada para o Boston Pride junto com mais duas jogadoras de seu time e assim participou do primeiro 2015 Women’s Winter Classic da NWHL. Fratkin também foi convidada a participar do primeiro NWHL All-Star Game e terminou a temporada como a defensora com mais pontos na liga. 

    Na temporada seguinte, em 2016-17, a jogadora assinou com o New York Riveters, onde jogou somente uma temporada, e também participou do NWHL All-Star Game. Em sua terceira temporada na liga, em 2017-18, a jogadora assinou com o Boston Pride, time em que permanece até hoje.

    Nas três temporadas com o Pride, a jogadora já marcou cinco gols e 32 assistências, somando 37 pontos. Em 2020, foi nomeada para o NWHL Defensor of the Year e pela terceira vez para o NWHL All-Star Game, onde ganhou o Slalom Hardest Shot Competition (tiro mais forte). A defensora já renovou com a liga em breve poderemos vê-la brilhar novamente no gelo. 

    [Esta entrevista foi traduzida e editada para maior clareza]

    Durante o high school você também jogava lacrosse e futebol, como você decidiu que queria então seguir carreira no hockey?

    Desde cedo meus pais me incentivaram a praticar muitos esportes. Durante o ensino médio, eu competi muito no futebol, lacrosse e patinação artística (muitas pessoas não sabem que eu patinei em alto nível por bastante tempo). Por fim eu decidi seguir carreira no hockey porque eu amava muito o esporte. Era meu sonho jogar na NCAA e me formar com um diploma de uma universidade dos EUA. Meus dois irmãos mais velhos também iam jogar hockey universitário na NCAA e eu queria seguir seus passos.

    Você foi a primeira mulher a entrar para a British Columbia Midget Major League, como foi quebrar essa barreira para as mulheres que viriam a seguir?

    Ser a primeira mulher a jogar Major Midget Hockey na Columbia Britânica foi bem incrível. Naquela temporada, eu joguei com e contra alguns jogadores bem notáveis. Foi especial ser considerada para aquela mesma classe. Quebrar aquelas barreiras é algo de que me orgulho muito. Na época, eu não entendia muito bem o impacto que estava tendo na geração mais nova de jogadoras de hockey feminino em BC, e só anos mais tarde eu fui perceber o impacto. Eu dei o exemplo para jogadoras mulheres. Não importa seu gênero, tamanho/estatura, ou o que quer que seja, que se você é bom o suficiente, você pode jogar

    Como foi fazer parte de tantos momentos históricos para a NWHL, como o Women’s Winter Classic de 2015?

    Fazer parte de muitos momentos históricos na NWHL gerou algumas experiências inacreditáveis em minha carreira profissional. Oportunidades como ser emprestada para o Pride na temporada 1 para o Outdoor Classic foi um dos momentos mais especiais. Eu lembro de estar patinando durante o aquecimento no Gillette Stadium encarando o telão o tempo todo. Eu estava encantada pelo lugar onde eu estava e por quão legal era a atmosfera. Uma coisa que eu nunca vou esquecer.

    Você esteve com a NWHL desde o início da Liga. Como foi ver o nascimento dela e a forma com que ela vem ganhando espaço na modalidade?

    Como membra original na NWHL, eu tive a oportunidade de ver o crescimento tremendo que a liga teve em 5 anos. Do primeiro jogo disputado no Chelsea Piers até a temporada 5, eu vi o impacto imediato que a NWHL tem tido na geração mais nova de jogadoras mulheres. Eu tenho muito orgulho dos passos que a liga tem dado e continua dando. Jogadoras entrando na universidade têm a oportunidade de jogar profissionalmente quando suas carreiras universitárias acabarem por causa da NWHL. Eu não tinha isso quando entrei na universidade. Estou ansiosa para ver a liga continuar a crescer e ver onde ela vai estar daqui muitos anos.

    Você vai para a sua sexta temporada com a NWHL após ter jogado em três times diferentes, em cidades diferentes. Como é a experiência de jogar em diferentes cidades por diferentes times?

    Preciso dizer que dos 3 times da NWHL em que eu joguei, jogar para o Boston Pride tem sido o meu favorito!! Sem desconsiderar meu tempo com o Whale e as Riveters, porque também foi muito especial, mas Boston se tornou minha segunda casa. Do meu tempo na universidade até virar profissional, tem algo nos fãs de Boston e na Warrior Arena que é a cereja do bolo. Eu espero que a gente possa jogar em frente dos nossos fãs algum dia em breve! #famintapelacup

    Kaleigh durante o 2020 NWHL All-Star. (Foto: Michelle Jay/NWHL)

    Você é a defensora com a maior pontuação na história da NWHL. Como foi ser nomeada Defender of the Year e vencer o Slalom Hardest Shot Competition?

    Vencer a competição de Hardest Shot (tiro mais forte) no NWHL All-Star Weekend em Boston foi surpreendente. Eu estava, na verdade, bem doente no dia anterior à competição de habilidades. Eu nem pensei que seria capaz de participar, então foi um bom jeito de terminar o dia! Ter sido selecionada a defensora do ano foi especial para mim. Tem uma tonelada de defensoras talentosas na NWHL e qualquer uma mereceria o prêmio então eu fico feliz e me sinto honrada de ter sido escolhida.

    Assim como outras jogadoras, você divide seu tempo entre ser jogadora profissional e ter um emprego fora do gelo. Como você equilibra suas duas profissões?

    Equilibrar duas carreiras profissionais definitivamente tem seus desafios, mas (é) algo que me orgulho de poder fazer. Ainda que eu adoraria só jogar hockey como única profissão, a realidade é que ainda não estamos lá como esporte. Sendo este o caso, eu amo meu outro emprego. Eu trabalho no marketing da Under Armour. É um emprego como nenhum outro, em que eu tenho a chance de mesclar minha paixão por esportes e moda. Eu trabalho com atletas todo dia e me apoio em minhas experiências como atleta profissional o tempo todo no meu trabalho. Sou grata e sortuda pela UA e o suporte deles em ambas as minhas carreiras.

    Você já participou da Nations Cup e da Women’s World Championship da IIHF. Como é a atmosfera de participar de campeonatos mundiais representando o seu país?

    Representar o Canadá em qualquer palco é uma honra absoluta. Sempre que você tem a oportunidade de usar a folha de bordo no peito, é especial. Definitivamente tem uma pressão que vem com representar a sua nação, mas é algo que eu pude fazer diversas vezes e sou grata por isso. O Campeonato Mundial na Alemanha foi um bem divertido! Apesar de ter perdido o jogo pela medalha de ouro para os EUA, minha família estava lá assistindo, o que tornou tudo ainda mais especial ter o apoio deles.

    Com a final da Isobel Cup cancelado, como você tem feito para se preparar para a próxima temporada da Liga?

    Meu treinamento de intertemporada está finalmente em curso e em pleno vigor. Eu tenho um programa de verão que estou seguindo para fortalecimento fora do gelo e condicionamento e trabalho em habilidades no gelo durante a semana. Na intertemporada eu tento estar no gelo o máximo que posso. Então estou focando em patinar 4 vezes por semana. Meu plano é intensificar (o treino) no gelo quando estiver mais perto de setembro.

    Foto: Michelle Jay/NWHL

  • NHL e NHLPA entram em acordo para retorno da temporada

    NHL e NHLPA entram em acordo para retorno da temporada

    A volta da NHL está mais próxima do que imaginamos. Ou pelo menos é isso que diz o cronograma da Liga. Com o início Fase 3 marcado para o dia 13 de julho, o retorno da temporada chega mais perto a cada dia, com os times competindo no gelo ainda no inicio de agosto.

    Após inúmeras reuniões da NHL com a NHLPA, ambas as partes entraram num acordo para uma extensão do CBA (acordo trabalhista entre liga e jogadores) e o retorno dos jogos para o dia 1º de agosto. Dessa forma, a Liga espera dar início às disputas da pós-temporada e, consequentemente, finalizar o calendário 2019-20. 

    O acordo realizado entre a NHL e a NHLPA não somente garantiu a volta da temporada mas também uma extensão de contrato entre as duas partes. O CBA foi estendido para mais quatro anos, finalizando em 2025-26. Entre algumas definições do acordo, ficou estabelecido um teto salarial praticamente estático nas próximas temporadas, bem como o retorno dos NHLers às Olimpíadas de Inverno (pendente acordo com o COI e a IIHF).

    Foram determinados também novos protocolos para as Fases 3 e 4, além do formato dos jogos e as datas para que os mesmos comecem. Com datas que ainda serão confirmadas, foi determinado que no dia 11 de agosto inicie o primeiro round dos playoffs, com o segundo iniciando no dia 25 de agosto.

    As finais de Conferência deverão acontecer no dia 8 de setembro, com a final marcada para os dias 22 de setembro ou 4 de outubro. No entanto essas datas serão confirmadas de acordo com o avanço dos jogos. 

    Casos confirmados

    Um mês após o início da Fase 2 e com mais de dois mil testes realizados, a Liga informou na última semana que ao todo foram confirmados 35 casos entre os jogadores. 23 destes foram testes realizados em participantes do protocolo da Fase 2, e 12 de jogadores que não participaram.

    Sem revelar identidades dos jogadores com teste positivo, a NHL informou que o protocolo em vigor será o mesmo para as fases seguintes. Em caso de resultado positivo para COVID-19 o jogador será colocado em isolamento por no mínimo 10 dias e será realizado um novo teste para a confirmação do mesmo.

    O jogador poderá retornar ao gelo após 72h sem nenhum sintoma ou após dois resultados negativos num intervalo de 24h. Em nenhuma das fases está autorizado revelar a identidade dos infectados, e qualquer pessoa que tiver contato com o alguém infectado deverá informar a equipe médica. 

    Assim como já foi informado anteriormente, o retorno ao gelo em qualquer uma das fases deverá ser voluntário. No entanto, o jogador deverá informar o time por escrito, até as 17h ET de segunda-feira (13), caso não queira participar ou não possa devido a alguma condição médica. O jogador que optar por não participar não será punido de qualquer forma, desde que siga o protocolo.

    Fase 3

    Com alguns protocolos determinados pela NHL, as Fases 3 e 4 são as mais aguardadas pela Liga e também as mais rigorosas. A Fase 3, os training camps para os times, está marcada para o dia 13 de julho, segunda-feira.

    A terceira fase consiste no retorno ao gelo dos 24 clubes que se classificaram para a pós-temporada, e agora os times que antes treinavam em pequenos grupos poderão treinar com todos os jogadores juntos.

    Para que os jogadores possam retornar ao gelo, foi determinado que os mesmos deverão ser testados para COVID-19 com 48h de antecedência ao retorno e a cada dois dias após isso. A mesma regra vale para os demais funcionários do time, que só após o teste poderão ter contato direto com os jogadores.

    Os times não terão limite de jogadores nos treinos, entretanto eles não podem ter mais de 30 jogadores no elenco, apesar do número de goleiros ser ilimitado. As equipes também não podem ter nenhum jogador novo na escalação, ou seja, somente os jogadores que já faziam parte do time antes da pausa pela pandemia poderão participar.

    Qualquer jogador que entrar para o time através de uma troca ou novo contrato não poderá jogar nesses playoffs com o novo time.

    Fase 4

    As 24 equipes serão divididas em duas cidades de acordo com as suas Conferências. Serão 16 equipes disputando no esquema melhor-de-5, enquanto os top-4 de cada Conferência disputam o round-robin para determinar a classificação dos playoffs.

    As cidades escolhidas foram Toronto e Edmonton, no Canadá. Ficou decidido que as 12 equipes da Conferência Leste jogarão em Toronto, enquanto as 12 equipes da Conferência Oeste jogarão em Edmonton. Para as Finais de Conferência e a Final da Stanley Cup, a cidade-sede escolhida foi Edmonton.

    Durante a quarta fase, os testes continuarão sendo realizados de 48 em 48 horas nos jogadores, funcionários dos times e funcionários das arenas que receberão os jogos. Esses testes serão feitos três vezes durante os sete dias anteriores à viagem para as hub cities. Após isso, os testes serão diários, além da verificação de temperatura.

    Diferentemente da fase anterior, agora os times estão limitados a 52 funcionários incluindo jogadores, técnicos e executivos. Serão atribuídos quartos separados para cada jogador, com os mesmos podendo circular pelas zonas seguras. No entanto, estes não podem ir aos quartos uns dos outros e deverão manter um distanciamento social mínimo.

    Será necessário uma autorização prévia antes de qualquer jogador deixar a zona segura. O descumprimento das regras resultará numa quarentena obrigatória de 10 a 14 dias, podendo até mesmo ser retirados da Fase 4. As equipes também poderão ser penalizadas caso quebrem os protocolos impostos, podendo ser multados e/ou perder a escolha no draft.

    Familiares foram liberados para se juntar aos participantes das Finais de Conferência e da Final do campeonato. 

    Calendário dos jogos eliminatórios (Foto: Reprodução/nhl.com)

    Os jogos eliminatórios acontecerão durante os 10 primeiros dias do mês de agosto, a partir do dia 1°. Serão até seis jogos por dia, divididos entre as conferências Leste e Oeste.

    Os horários dos jogos serão intercalados, e os fãs terão maratonas diárias de jogos durante esse período. Os jogos do round-robin estão marcados para iniciar no dia 2 de agosto, com partidas de ambas as Conferências. 

    Todas as estatísticas, desde a rodada qualificatória, serão contabilizadas como de jogos de playoffs. Esses stats serão incluídos normalmente e considerados para qualquer tipo de pontuação e recorde pessoal ou da equipe.

    A segunda fase da loteria do draft será realizada entre os 8 times que não se classificarem para o primeiro round dos playoffs. A equipe sorteada terá a primeira escolha, e os 7 times restantes serão organizados de acordo com a ordem inversa da classificação final da temporada. O NHL Draft de 2020 está marcado para os dias 9 e 10 de outubro.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Toronto Six apresenta uniforme para estreia na NWHL

    Toronto Six apresenta uniforme para estreia na NWHL

    Os fãs da NWHL têm um novo motivo para comemorar. Após anunciar sua primeira expansão para o Canadá, o Toronto Six, novo time da Liga fez o tão aguardado anúncio das suas cores e uniformes para jogos em casa e fora de casa.

    As cores usadas não foram surpresa, afinal, quando anunciaram o nome da equipe, apresentaram também o logo e as cores que representam o time. 

    O Toronto Six, que já tinha anunciado anteriormente cinco jogadoras e parte da equipe administrativa, ao decorrer do mês fez o anúncio de sua General Manager e assinou mais contratos, incluindo jogadoras que participaram do draft 2020 da NWHL.

    A GM escolhida para o time já é uma veterana no hockey feminino, a co-fundadora da CWHL e ex-goleira Amanda Cronin. Mandy, como é conhecida, era GM do Buffalo Beauts na última temporada, quando foi convidada a ser a primeira GM do novo time.  

    Escolha do nome

    No dia 22 de abril, logo após a NWHL divulgar a expansão, o time de Toronto lançou em seu site uma pesquisa onde os fãs estariam sugerindo nomes com os melhores indo para uma votação pública. Alguns dias depois, através de sua página oficial no Twitter, o time  compartilhou quais nomes iriam para a votação popular para que enfim pudessem definir o grande escolhido.

    Em maio, com a votação encerrada, a nova franquia anunciou seu nome Toronto Six, que além de ser uma homenagem a um dos apelidos da cidade, também é uma referência ao esporte. O design do logo foi criado pela M Style Marketing, mesma empresa que criou as camisas para os All-Star Games em Minnesota, Boston e Nashville.

    A logo do time são as letras “TO” que juntam também formam o número seis, com uma folha de bordo dentro, o símbolo do país. O time decidiu adotar as cores vermelho e ouro: o ouro simboliza a região de Golden Horseshoe em Ontário. A cor também simboliza o alto padrão estabelecido por todos no hockey feminino canadense, modalidade pela qual o país é referência. 

    O uniforme

    Pouco mais de um mês após o lançamento do nome, foi a vez do público conhecer como será o uniforme de Toronto. Com três modelos diferentes, o time decidiu homenagear não somente sua cidade como a própria NWHL.

    Divididas entre jogos em casa, jogos fora e uma versão “alternativa”, as jerseys não foram a única novidade na loja do time. Os Six também lançaram outros produtos com a logo do time para que os fãs já possam adquirir. 

    Para os jogos em casa foi escolhida a camisa vermelha. Numa forma de homenagear o Canadá, foram utilizadas as cores do país e da bandeira. Para os detalhes foi escolhid o preto e o ouro que já fazem parte da paleta do time. Enquanto isso, para a jersey visitante a cor predominante é preta, com detalhes vermelho e ouro. 

    Para a jersey alternativa o time optou por pelo fundo branco com folhas de bordo dando um toque especial. O design também possui seis listras douradas nas mangas e nas meias que representam tanto o fato de Toronto ser o sexto time da Liga quanto a sua estréia na sexta temporada.

    Todos os modelos têm o símbolo do time em destaque com a bandeira canadense em um ombro e o símbolo “6IX” no outro. Todas elas também possuem a gola em detalhe dourado representando o Golden Horseshoe (Ferradura Dourada, literalmento) da área à qual Toronto faz parte. 

    Com o time cada dia que passa tomando forma e assinando com novas jogadoras, as expectativas para a nova temporada da NWHL estão em alta. Apesar de ainda não ter divulgado onde será seu rink, os preparativos andam a todo vapor e logo mais o público poderá ver o novato da Liga fazendo a sua estreia no gelo. 

    Foto: Reprodução twitter/@TheTorontoSix

  • Q&A with Allie Thunstrom

    Q&A with Allie Thunstrom

    Since 2019, NHeLas has also been producing content on women’s hockey. The sport is changing and, to follow this process, we must know the characters behind it.

    That is why on this day we are very excited to announce a very special partnership the site has recently forged with the NWHL. (Yes, you’re reading this right!)

    Supported by representatives of the National Women’s Hockey League, we will interview players about their experiences with the sport and what it means to be a woman in hockey.

    These interviews will be part of Women’s Hockey Column on our website, a project that has been going on for months and built through articles already available on the website (in Portuguese), in order to bring you the best content on the sport, news about the NWHL, the importance of women’s hockey and more!

    In this article, the inaugurating piece of our partnership with the NWHL, we interviewed the forward Allie Thunstrom of the Minnesota Whitecaps.

    She is co-MVP of the 2019-20 season, Isobel Cup winner and Four Nations Cup medalist with the American national team. 

    Who is Allie Thunstrom?

    Allie Thunstrom’s career was marked by multi-sportsmanship. Born in Maplewood, Minnesota, USA, Allie began her career in hockey when she was still in high school at North St. Paul High.

    Back then she collected records scoring 228 goals, 122 assists and 350 points. Those numbers resulted in the achievement of the Minnesota Ms. Hockey Award in 2006. Thunstrom also won awards in soccer and softball during her high school years.

    However, the records don’t stop there.

    While at Boston College, Allie had not only a hockey scholarship, but she also competed in softball. In four college seasons, from 2006-07, she took part in 141 games, scoring 86 goals, 53 assists and 139 points, with a 22 goals effort in her last season. Allie also won the Hockey East All Star three times.

    In 2010, the player took part in the Four Nations Cup, conquering a silver medal as part of the US National Team. In the same year Thunstrom signed her first contract with the Whitecaps, her team to this day.

    However, the Minnesota team remained an independent one for many years, joining the NWHL only in 2018. In its first season the Whitecaps debuted with a bang, winning their first Isobel Cup.

    In 2012, Allie decided to try out for a new sport. Hence, the athlete took to training speed skating, even taking part in several competitions. During that period she had to adapt to a new way of sliding through the ice.

    Her return to competitive hockey with the US National Team was during the 2015 Four Nations Cup, where she won gold. 

    Recently the player renewed her contract for her third season with the Whitecaps. She currently divides her time between the ice and her career as a field product specialist at the company Ergodyne.

    For many years you have also had a career as a speedskater. How did you get into the sport?

    In a unique, roundabout way! I still had a year of eligibility left for college softball at Boston College when I made the U.S. National Team in hockey for the first time. As a result, I ended up having to leave school to train full-time for hockey. Then I ended up getting cut from the National Team in January or February and I was kind of lost. I didn’t have hockey anymore and I was missing softball. Keep in mind, this was still a few years before the start of the NWHL.

    So I was trying to figure out what to do and my mom suggested trying speedskating. So we found a “Try Speedskating” clinic nearby and I went on a random Tuesday night. From there, the gentleman who taught the club encouraged me to try it for real. So I ended up joining a club in Minnesota and the rest is kind of history. It was a long road to being able to compete. It’s a very different stride and very different technique. So as much as I hoped it would be an easy transition, it was far from it.

    How does speedskating compare to hockey?

    It’s incredibly different. Probably the biggest and most obvious difference is the team vs individual part. In hockey, you are part of a puzzle, trying to put all the right pieces together to win games. In speedskating, it’s just you. There are no other pieces you have to think about or interface with. In hockey, you play for your teammates and the greater good of the team, but in speedskating your results don’t really affect anyone else other than you.  Other than that, the technique and skill is very different. In hockey, quick bursts and agility are equally, if not more important, than maximum speed. In speedskating it’s all about stride efficiency and max speed. It doesn’t matter how quick you are off the line if you don’t skate an efficient, and fast, lap. Some of the fastest speedskaters move their legs the slowest – but the amount of power generated in each stroke is intense.  

    Do you still practice speed skating even after joining the Whitecaps?

    Not very often. Every now and then if I have some free time I might hit the ice with my former speedskating coaches and teammates but I’m certainly not training for it. It utilizes different muscles, so jumping back and forth isn’t as seamless as it would appear. I have a pretty intense schedule as it is and I want to make sure I am at my best for our games so I try not to do anything that would interfere with my ability to play. 

    You recently won the 2020 NWHL Foundation Award. What is it like to be part of this hockey program and to visit schools? How do you feel being a role model for young athletes that want to pursue a career in the sport?

    This is probably one of my favorite parts of playing professional hockey for the Whitecaps. Being able to connect with young kids and be a role model is a really amazing experience and something I don’t take lightly. I want to show kids that it’s important to have dreams and show them how to work towards them. It’s so important to also understand that your dreams can change along the way, and sometimes you end up somewhere you never thought possible – and that’s okay too. I haven’t had the smoothest ride to get to where I am today and I wouldn’t change that for the world. If my experiences can help someone else see the world differently and encourage them to keep trying, then it’s worth every second. 

    It’s also incredibly important because when I was younger, my dreams were not “reality” because there was no professional women’s hockey. There was minimal college hockey, and no Olympic hockey until 1998 (when I was 10). Plenty of people told me to set my sights on something more realistic – something that was within reach. While I understand why, I want to do the opposite and encourage every young girl and boy to fight for their dreams and never give up. Just because you can’t see it right now, doesn’t mean it won’t be there in the future. And even if you end up on a different path in the future, the journey will have been worth every step.

    You’ve been to the NWHL All-Star Weekend in both of your seasons in the league. Can you tell us about being part of these events and recently winning the Fastest Skater competition during the All-Star Skills Challenge?

    Being selected as an All-Star has been an absolute honor and a very humbling experience. To be able to play with and against the best in the league is definitely an incredible experience. You gain so much respect for these players – like Jillian Dempsey, McKenna Brand, Kaleigh Fratkin, Madson Packer, Taylor Accursi, Marie-Jo Pelletier, Shannon Doyle, Rebecca Morse, Kate Leary, Kiira Dosdall-Arena, and the list goes on. After you battle against them so much, it’s really fun to get to play with them and get to know them off the ice. We’re all super competitive but All-Star Weekend is always so much more than just the game and skills competition. It brings out the best in everyone and it’s a really great time.


    With the Isobel Cup Final cancelled, you and the Whitecaps remain the reigning champions of the NWHL. Could you describe what it was like winning in your first season in the league and being nominated this season’s MVP?

    It’s been an absolute whirlwind couple of years playing on the Whitecaps in the NWHL. I have been part of the Whitecaps since I graduated in 2010 when we were part of the WWHL. That league folded and we were not invited to join the CWHL. So for the better part of a decade, we were playing exhibition games against college teams and a few CWHL or NWHL opponents. Then we finally got to be part of the league last season, which was so much more than I ever expected and was so special just because of the road we had taken to get there. Then to win the Isobel Cup at the end, it was really a storybook ending.

    The immense joy and support that we got from the entire State of Minnesota and our fans was what really propelled our success in year one. We obviously had a tremendously talented roster but the journey to get to the NWHL and finally getting to be part of a professional league was just so special. It’s hard to describe what it felt like getting to play and it took a little bit of pressure off because we were so genuinely excited to have the opportunity that anything beyond that was just icing on the cake. I remember walking onto the ice for our very first home game and it was sold out and LOUD. I got a little teary-eyed. And then it continued the whole season…just incredible.

    This season was a little different. We weren’t the new kids on the block anymore and we knew we had a reputation to uphold. There were expectations, and we weren’t just happy to be there anymore. We definitely took some bumps along the way in finding our stride. We started out the year with a 9-2 win, just to follow it up a day later with an overtime loss. That trend continued into December, but then we banded together and figured out the team we wanted and knew we could be. And from there it was fun. Really, really fun. We found our game and we played it pretty well. To be named a Co-MVP is really a testament to our entire team finding that stride. We were clicking and good things were happening. It was a culmination of all the pieces coming together.

    My linemates, Jonna Curtis and Meaghan Pezon deserved that accolade just as much as I did. And of course our defense and Amanda Leveille. We don’t win games without their stellar play. While considered an individual honor, it really is a team award and one I happily share with every player on our roster.

    How do you find balance between being a professional hockey player and your life off the ice?

    I love being busy and on the go, so for me, it has never been too much of an issue. I do have a job that requires a bit of travel, but I am usually able to schedule my trips around team obligations. I am also able to lean on my speedskating background to stay on top of workouts when I am on my own.

    I also am incredibly fortunate to have an employer that not only supports me, but encourages me to pursue my athletic dreams and goals. My colleagues come to games and follow our season. I work as a field product specialist for a manufacturer of safety and industrial PPE, Ergodyne. So I spend a lot of my time on jobsites and with customers helping them mitigate their safety hazards and risks. I definitely love what I do, so it’s really awesome to be able to pursue both of my passions and have support on both sides.

    We are aware that the women’s hockey world is not easy. How do you see the sport’s growth currently?

    There is a lot of great growth and exposure right now. The biggest thing for women’s hockey and women’s sports in general is the visibility and right now, there are a lot of eyes on our sport. That is a good thing. The number of people that know about our game and the NWHL is growing significantly. This season we were able to sell out games in Boston and Minnesota, and there was a huge crowd at a unique outdoor game in Buffalo. On Twitch we surpassed 8 million views. That was huge, exceeding our expectations. It’s been an exciting year to see how the Twitch channel has really opened up access to the league and the number of new fans we have.  The NWHL Open Ice weekly talk show on Twitch was also a big hit.

    Our sponsorships over the last year were the most in league history by far, and players benefit from a 50-50 split of revenue from league partnerships. The Boston Pride and the Toronto Six were acquired by individual owners, and I know more teams will be sold in the future. That’s massive for our league and for women’s hockey. It’s just been really fun to be part of it.

    Allie Thunstrom playing against the Boston Pride (Photo: Michelle Jay/NWHL)

    These are very unusual times for all of us. How was your routine affected particularly in training and conditioning, and how have you been dealing with it?

    For everyone, this pandemic has been difficult emotionally and physically. I could never compare it to the tragedies and what many others have gone through. Since you’re asking about my personal routine, I’ll talk about that.

    In a matter of days, like everyone else, I went from having a pretty standard day of going to work, hitting the gym or getting on the ice to not being able to really leave the house. It’s been difficult to maintain the same level of fitness since there is no access to ice and my gym ‘equipment’ is very limited. All I have is one set of 45-pound dumbbells! But I have been doing the best I can with what I’ve got. I run, inline skate, and bike as much as I can. I have definitely decided that I need to have a home gym in the future!

    I definitely miss being on the ice competing with my teammates, but I also understand the health crisis and want to continue to do my part to protect my neighbors, loved ones, friends, and everyone around me. So while it is definitely a bit lonelier than I am used to, I’m thankful for virtual platforms that allow us to stay connected and keep in touch. It won’t be like this forever, so we have to make the most of it and take care of each other.

    Photo: Michele Jay/NWHL

  • NHL dá inicio à Fase 2 e anuncia Fase 3 do plano de retorno

    NHL dá inicio à Fase 2 e anuncia Fase 3 do plano de retorno

    Em novo anúncio, a NHL informou uma data para mais uma fase do plano de retorno ao gelo. Já tendo dado início à Fase 2 do protocolo, a Liga agora informou a data da Fase 3 numa tentativa de finalizar a temporada 2019-20 com um campeão.

    Outras ligas profissionais de hockey, optaram por cancelar suas temporadas, como a o caso da AHL

    Ainda no final de maio, a Liga fez um pronunciamento informando o encerramento da temporada regular. No entanto, eles anunciaram um plano com diversas fases para que os playoffs pudessem acontecer. Incluindo novos procedimentos para a loteria do draft 2020.

    Ao todo foram quase três meses de reuniões, planejamento e especulações entre a NHL e a NHLPA para que isso fosse possível. Em seu anúncio, no mês passado, a Liga também informou como irá funcionar os playoffs da temporada atual, caso o mesmo seja possível.

    As fases do retorno 

    Ainda em seu comunicado, a NHL informou que o retorno ao gelo seria gradual e para isso eles o dividiram em fases. Para que a próxima fase fosse possível a primeira teria que entrar em vigor e assim por diante.

    Foi exatamente assim que a NHL anunciou o início da Fase 2 no dia 8 de junho. Esta consiste em pequenos grupos de no máximo seis jogadores podendo treinar juntos. Ela também aponta que o número de funcionários nas arenas deve estar reduzido e são necessários agendamentos para que os números de pessoas no local não seja excedido.

    Os jogadores devem voltar de forma voluntária e todos tem que passar por exame de saúde. 

    Apenas uma semana depois, no dia 11 de junho a Liga anunciou uma data para o início da Fase 3. Nesta, os 24 times que estão classificados para a pós-temporada poderão retornar ao training camp a partir de 10 de julho. A partir de então, aguardarão a data da Fase 4, etapa final que consiste no retorno total dos jogos.

    Apesar de tudo ser um teste e a Liga informar que vem pensando em todas as etapas com cuidado, muitos jogadores mostram preocupação com o retorno dos jogos. A NHLPA tem participado ativamente de cada decisão por parte da NHL e tem estado de acordo. Restando somente que tudo dê certo para que a Liga consiga enfim finalizar a temporada.

    Especulações e mudanças

    A temporada estava programada para terminar no dia 4 de abril, com os playoffs começando apenas dois dias depois, no dia 6. No entanto, com o primeiro caso positivo do novo coronavírus aparecendo na NBA, a Liga então decidiu que o melhor era pausar a temporada por precaução. Entretanto, os países norte americanos entraram em quarentena e com isso o tempo de pausa foi prolongado.  

    Inicialmente muito se foi especulado com a pausa da NHL, que ainda contava com 189 jogos para acontecer. Desde de jogos sem público aos playoffs com os times da maneira que estava a tabela no momento da pausa, a NHL estudava a melhor maneira possível para que a temporada chegasse ao fim sem muito dano.

    Com a pausa da temporada, posteriormente a Liga precisou anunciar o também adiamento do Draft 2020 e do NHL Awards, que aconteceriam em junho deste ano. 

    Não somente a pausa afetou o calendário da temporada, ela também afetou as arenas e consequentemente os funcionários destas. Sem os jogos e sem saber quando esses jogos iriam acontecer, ficou em aberto como ficariam os salários dos funcionários. Essa questão gerou uma polêmica na Liga quando alguns times anunciaram que não iriam pagar os mesmos.

    A partir daí, vimos uma comoção no mundo do hockey, com vaquinhas online sendo criadas para ajudar nesses pagamentos, além é claro de doações dos próprios jogadores. Com isso, muitos times acabaram se pronunciando sobre o assunto e informando publicamente como lidariam com a situação.

    Foto: Reprodução / Twitter @EdmontonOilers

  • Q&A com Allie Thunstrom: uma carreira de pluri-esportividade

    Q&A com Allie Thunstrom: uma carreira de pluri-esportividade

    Desde o ano passado, o NHeLas tem se preocupado em trazer conteúdo também sobre o hockey feminino. O esporte está mudando e, para acompanharmos essa mudança, é fundamental conhecermos os personagens por trás dela.

    Por isso, oficializamos hoje uma parceria muito especial que o site conquistou no último mês com a National Women’s Hockey League. (Isso mesmo, a NWHL).

    Com o apoio de representantes da liga profissional de hockey feminino, vamos entrevistar jogadoras sobre suas experiências com o esporte e o que é ser mulher no hockey.

    Estas entrevistas serão parte da Coluna de Hockey Feminino em nosso site, um projeto que vem sendo trabalhado há meses, construído através de outros textos já disponíveis no site, para trazer para vocês o melhor conteúdo sobre a modalidade, notícias sobre a NWHL, importância do hockey feminino e muito mais!

    Nesse texto, o primeiro em parceria com a NWHL, entrevistamos a atacante Allie Thunstrom do Minnesota Whitecaps.

    A jogadora é co-MVP da temporada 2019-20, vencedora da Isobel Cup e medalhista da Four Nations Cup com a seleção americana. 

    Quem é Allie Thunstrom? 

    A carreira de Allie Thunstrom foi marcada por uma pluri-esportividade. Nascida em Maplewood, no estado de Minnesota nos Estados Unidos, Allie iniciou sua carreira no esporte ainda no high school pelo North St. Paul High.

    Nesse período, ela acumulou recordes, marcando um total de 228 gols, 122 assistências e 350 pontos. Estes números resultaram na conquista do Minnesota Ms. Hockey Award em 2006. Thunstrom também conquistou prêmios de futebol e softbol nos anos de high school.

    No entanto, os recordes não param por aí.

    Durante seu tempo com a Boston College, Allie ganhou bolsa para jogar hockey, mas também chegou a competir no softbol. Em suas quatro temporadas universitárias, começando em 2006-07, ela participou de 141 jogos, nos quais somou 86 gols (22 somente em sua última temporada), 53 assistências e 139 pontos. Allie também conquistou o Hockey East All-Star três vezes.

    Em 2010, a jogadora participou da Four Nations Cup conquistando a medalha de prata com a seleção dos EUA. No mesmo ano, Thunstrom assinou seu primeiro contrato com os Whitecaps, time que permanece até hoje.

    Entretanto, a equipe de Minnesota permaneceu por muitos anos como um time independente, entrando para a NWHL somente em 2018. Em sua primeira temporada na liga, os Whitecaps fizeram uma grande estreia e conquistaram sua primeira Isobel Cup.

    Em 2012, Allie resolveu que era hora de tentar um novo esporte. Por isso, a atleta começou a treinar patinação de velocidade, chegando inclusive a participar de diversas competições. Nesse período, ela precisou se adaptar a uma nova forma de deslizar no gelo. 

    Retornando a competir no hockey pela seleção americana, a jogadora voltou à Four Nations Cup em 2015, desta vez conquistando a medalha de ouro.  

    Recentemente, Allie Thunstrom renovou para a sua terceira temporada com os Whitecaps. Atualmente, ela divide seu tempo entre o gelo e sua carreira como especialista em produtos de campo na Ergodyne. 

    [Esta entrevista foi traduzida e editada para maior clareza]

    Por muitos anos você se dedicou à carreira como patinadora de velocidade. Como se interessou pela modalidade?

    De uma maneira única e indireta! Eu ainda tinha um ano de elegibilidade para o softbol na Boston College quando integrei a seleção nacional dos EUA no hockey pela primeira vez. Como resultado, acabei tendo que deixar a escola para treinar em tempo integral no hockey. Logo depois acabei sendo cortada da seleção, em janeiro ou fevereiro, e fiquei meio perdida. Eu não tinha mais o hockey e sentia falta do softbol. Lembrando sempre que isso ocorreu alguns anos antes do início da NWHL.

    Então, eu estava tentando descobrir o que fazer e minha mãe sugeriu tentar patinação de velocidade. Por isso encontramos uma clínica “Try Speedskating” nas proximidades e eu fui em uma terça à noite qualquer. A partir daí, o senhor que ensinava no clube me incentivou a experimentar a modalidade de verdade. Desta forma, acabei ingressando em um clube em Minnesota e o resto é história. Foi um longo caminho para conseguir  competir. A passada é muito diferente e se trata de uma técnica muito diferente. Então, por mais que eu esperasse uma transição fácil, estava longe disso.

    Como ela se compara ao hockey?

    É incrivelmente diferente. A maior e mais óbvia diferença é provavelmente aquela entre as partes em equipe e individual. No hockey, você faz parte de um quebra-cabeça, tentando juntar todas as peças corretamente para vencer os jogos. Na patinação de velocidade, é só você. Não há outras peças com as quais você tenha que pensar ou interagir. No hockey, você joga pelos seus companheiros de equipe e pelo bem maior de todos, mas na patinação de velocidade seus resultados realmente não afetam ninguém além de você. Fora isso, a técnica e habilidade são muito diferentes. No hockey, rajadas rápidas e agilidade são igualmente, senão mais importantes, que a velocidade máxima. Na patinação de velocidade, trata-se de eficiência de passada e velocidade máxima. Não importa a rapidez com que você está fora da linha (de partida) se não patinar em uma volta eficiente e rápida. Alguns dos patinadores de velocidade mais rápidos movem as pernas mais lentamente – mas a quantidade de energia gerada em cada passada é intensa.

    Você ainda pratica patinação de velocidade mesmo após ingressar no Whitecaps?

    Não muito frequentemente. De vez em quando, se eu tenho algum tempo livre, posso entrar no gelo com meus ex-treinadores e colegas de patinação de velocidade, mas certamente não estou treinando para isso. (A modalidade) utiliza músculos diferentes, portanto, passar de um para outro não é tão fácil quanto parece. Tenho um cronograma bastante intenso e quero garantir que estou no meu melhor para os nossos jogos, por isso tento não fazer nada que interfira com a minha capacidade de jogar.

    Você ganhou o 2020 NWHL Foundation Award recentemente. Como é fazer parte deste programa de hockey e visitar escolas? Como você se sente sendo um exemplo para as jovens atletas que desejam seguir uma carreira no esporte?

    Esta é provavelmente uma das minhas partes favoritas de jogar hockey profissional no Whitecaps. Ser capaz de conectar-me com crianças pequenas e ser um exemplo é uma experiência realmente incrível e algo que não encaro de forma leviana. Quero mostrar às crianças que é importante ter sonhos e mostrar-lhes como ir em busca deles. É muito importante entender também que seus sonhos podem mudar ao longo do caminho e, às vezes, você acaba em algum lugar que nunca pensou ser possível – e está tudo bem também. Não tive o caminho mais tranquilo para chegar onde estou hoje e não mudaria isso por nada no mundo. Se minhas experiências podem ajudar alguém a ver o mundo de maneira diferente e incentivá-lo a continuar tentando, cada segundo valeu a pena. Também é extremamente importante porque, quando eu era mais jovem, meus sonhos não eram “realidade” porque não havia hockey profissional feminino. Havia o mínimo de hockey universitário e nenhum hockey olímpico até 1998 (quando eu tinha 10 anos). Muitas pessoas me disseram para focar em algo mais realista – algo que estava ao meu alcance. Enquanto entendo o porquê, quero fazer o oposto e incentivar cada menina e menino a lutarem por seus sonhos e nunca desistirem. Só porque você não pode vê-lo agora, não significa que não estará lá no futuro. E mesmo se você seguir um caminho diferente no futuro, a jornada terá valido cada passo.

    Você participou do All-Star Weekend da NWHL nas duas temporadas da liga. Pode nos contar como foi participar desses eventos e ganhar recentemente a competição de patinadora mais rápida durante o All-Star Skills Challenge?

    Ser selecionada como All-Star foi uma honra absoluta e uma experiência que me trouxe humildade. Ser capaz de jogar com e contra os melhores da liga é definitivamente uma experiência incrível. Você ganha tanto respeito por essas jogadoras – como Jillian Dempsey, McKenna Brand, Kaleigh Fratkin, Madison Packer, Taylor Accursi, Marie-Jo Pelletier, Shannon Doyle, Rebecca Morse, Kate Leary, Kiira Dosdall-Arena e a lista continua. Depois de lutar tanto contra elas, é realmente divertido brincar com elas e conhecê-las no gelo. Somos todas super competitivas, mas o All-Star Weekend é sempre muito mais do que apenas a competição de jogos e habilidades. Traz o melhor de todos e é realmente um ótimo momento.

    Com a final da Isobel Cup cancelada, você e os Whitecaps continuam os campeões da NWHL. Poderia descrever como foi vencer em sua primeira temporada na liga e ser nomeada MVP desta temporada?

    Fazem dois agitados anos que jogamos nos Whitecaps na NWHL. Faço parte dos Whitecaps desde que me formei em 2010, quando fazíamos parte da WWHL. Essa liga foi encerrada e não fomos convidados a participar da CWHL. Então, durante quase uma década, estávamos jogando jogos de exibição contra equipes de faculdade e alguns adversários da CWHL ou da NWHL. Finalmente, passamos a fazer parte da liga na última temporada, o que foi muito mais do que eu esperava e foi tão especial apenas por causa do caminho que tínhamos trilhado para chegar lá. Então vencer a Isobel Cup no fim, foi realmente um final digno de contos de fadas. 

    A imensa alegria e apoio que recebemos de todo o estado de Minnesota e de nossos fãs foi o que realmente impulsionou nosso sucesso no primeiro ano. Obviamente, tínhamos uma equipe tremendamente talentosa, mas a jornada para chegar à NWHL e finalmente fazer parte de uma liga profissional foi muito especial. É difícil descrever como foi finalmente jogar e isso tirou um pouco da pressão, porque estávamos realmente entusiasmadas por ter a oportunidade, e qualquer coisa além disso seria a cereja do bolo. Lembro-me de entrar no gelo para o nosso primeiro jogo em casa, que teve seus ingressos esgotados, e com uma torcida que fazia barulho. Eu fiquei com os olhos marejados. E então continuou daquele jeito a temporada inteira … simplesmente incrível.

    Esta (última) temporada foi um pouco diferente. Não éramos mais as novatas e sabíamos que tínhamos uma reputação a defender. Havia expectativas e não estávamos mais apenas felizes em participar. Nós definitivamente tivemos algumas dificuldades ao longo do caminho para encontrar nosso passo. Começamos o ano com uma vitória por 9 a 2, apenas para perder no overtime no dia seguinte. Essa tendência continuou em dezembro, mas então nos unimos e descobrimos o time que queríamos e sabíamos que poderíamos ser. E a partir daí foi divertido. Muito, muito divertido. Encontramos o nosso jogo e jogamos muito bem. Ser nomeada Co-MVP é realmente um testemunho de toda a nossa equipe ter encontrado esse ritmo. Estávamos clicando e coisas boas estavam acontecendo. Foi o culminar de todas as peças reunidas.

    Minhas colegas de linha, Jonna Curtis e Meaghan Pezon, mereciam essa honra tanto quanto eu. E, claro, nossa defesa e Amanda Leveille. Não ganhamos partidas sem o seu jogo estelar. Embora seja considerada uma honra individual, é realmente um prêmio de equipe e que eu fico feliz em compartilhar com todas as jogadoras de nossa lista.

    Como você encontra o equilíbrio entre ser uma jogadora de hockey profissional e sua vida fora do gelo?

    Eu amo estar ocupada e em movimento, portanto, para mim, nunca foi um problema. Tenho um trabalho que exige um pouco de viagens, mas geralmente consigo agendá-las de acordo com as obrigações da equipe. Eu também sou capaz de me apoiar no meu background de patinação de velocidade para ficar em dia com os treinos quando estou sozinha.

    Também tenho a grande sorte de ter um empregador que não apenas me apoia, como também me incentiva a seguir meus sonhos e objetivos atléticos. Meus colegas vêm aos jogos e acompanham nossa temporada. Trabalho como especialista em produtos de campo para um fabricante de EPIs industriais e de segurança, Ergodyne. Portanto, passo muito do meu tempo em locais de trabalho e com os clientes ajudando-os a reduzir os riscos e perigos de segurança. Definitivamente adoro o que faço, por isso é realmente incrível poder ir atrás das minhas duas paixões e ter apoio de ambos os lados.

    Estamos cientes de que o mundo do hockey feminino não é fácil. Como você vê o crescimento do esporte atualmente?

    Há muito crescimento e exposição no momento. A maior coisa para o hóquei feminino e o esporte feminino em geral é a visibilidade e, no momento, há muitos olhos em nosso esporte. Isso é uma coisa boa. O número de pessoas que conhecem o nosso jogo e a NWHL estão crescendo significativamente. Nesta temporada, conseguimos esgotar jogos em Boston e Minnesota, e havia uma multidão enorme em um único jogo ao ar livre em Buffalo. No Twitch, superamos 8 milhões de visualizações. Isso foi enorme, superando nossas expectativas. Foi um ano emocionante ao vermos como o canal Twitch realmente abriu o acesso à liga e o número de novos fãs que temos. O talk show semanal da NWHL Open Ice no Twitch também foi um grande sucesso.

    Nossos patrocínios ao longo do ano passado foram os que mais se destacaram na história da liga, e as jogadoras se beneficiam de uma divisão de receita de 50/50 de parcerias da liga. O Boston Pride e o Toronto Six foram adquiridos por proprietários individuais e sei que mais equipes serão vendidas no futuro. Isso é gigantesco para a nossa liga e para o hockey feminino. Tem sido muito divertido fazer parte disso.

    Allie Thunstrom em uma partida contra o Boston Pride (Foto: Michelle Jay/NWHL)

    Estes são tempos muito incomuns para todos nós. Como sua rotina foi afetada principalmente no treinamento e condicionamento, e como você tem lidado com isso?

    Para todos, essa pandemia tem sido difícil tanto emocional quanto fisicamente. Eu nunca poderia compará-la com as tragédias e com o que muitos outros passaram. Como você está perguntando sobre minha rotina pessoal, vou falar sobre isso.

    Em questão de dias, como todo mundo, passei de um dia bastante normal onde eu ia trabalhar, à academia ou patinar, para realmente não poder sair de casa. Tem sido difícil manter o mesmo nível de condicionamento físico, já que não há acesso ao gelo e o “equipamento” de academia que tenho é muito limitado. Tudo o que tenho é um conjunto de halteres de 45 libras (aproximadamente 20,5 kg)! Mas tenho feito o melhor que posso com o que possuo. Eu corro, ando de patins e de bicicleta o máximo que posso. Decidi que definitivamente preciso ter uma academia em casa no futuro!

    Definitivamente, sinto falta de estar no gelo competindo com minhas colegas de equipe, mas também entendo a crise da saúde e quero continuar fazendo minha parte para proteger meus vizinhos, entes queridos, amigos e todos ao meu redor. Portanto, embora seja definitivamente um pouco mais solitário do que estou acostumada, sou grata pelas plataformas virtuais que nos permitem permanecer conectados e manter contato. Não vai ser assim para sempre, então temos que aproveitar ao máximo e cuidar um do outro. 

    Fotos: Michelle Jay/NWHL 

    Texto sob supervisão da editora chefe Juh Guedes

  • Dobradinha canadense em Sochi 2014

    Dobradinha canadense em Sochi 2014

    O ano de 2014 chegou e, junto com ele, as Olimpíadas de Inverno. Desta vez, o país sede foi a Rússia, mais precisamente em Sochi. Como de costume os Jogos de Inverno aconteceram em fevereiro, e essas Olimpíadas ficaram marcadas, não somente por ter sido a última em que jogadores da NHL puderam participar, como também pelo escândalo de doping que traria consequências anos depois. 

    Escolhida como sede em 2007, as Olimpíadas na Rússia foram a mais cara já realizada. O país estourou o orçamento original de 12 bilhões de dólares em mais de quatro vezes, somando 51 bilhões de dólares gastos na preparação e realização do evento. Em uma das edições mais memoráveis dos Jogos Olímpicos de Inverno, acredita-se que bateram recorde de transmissão ao alcançar um público de 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo. 

    Ao todo, foram 98 competições, divididas em 15 modalidades de 7 esportes. Um total de 88 países participantes e 2.871 atletas. Dessa forma, o número de pessoas envolvidas na realização dos jogos fez com que o evento se tornasse a maior edição das Olimpíadas de Inverno até aquele ano. 

    O país anfitrião foi o campeão de medalhas. A Rússia conquistou ao todo 29 medalhas, destas 11 de ouro, nove de prata e nove de bronze. Em seguida ficou a Noruega com 26 medalhas, e o Canadá em terceiro lugar, com 25 medalhas.

    Entretanto o que não esperávamos é que um ano depois viria a público um enorme escândalo de doping protagonizado pela Rússia.

    Pouco após as Olimpíadas, surgiram boatos de adulteração de exames pelo país sede. Em 2015 esse boato foi confirmado através um relatório que alegava manipulação por parte do país nos exames de seus atletas. Com isso, se iniciou uma investigação que resultou com o Comitê Olímpico Internacional punindo o país e desclassificando o mesmo em diversas modalidades.

    A Rússia perdeu diversas medalhas em vários eventos, e está banida de participar de competições internacionais e sediar eventos internacionais até 2023. Entre estas medalhas, 13 são das Olimpíadas de 2014 e, por isso a Rússia saiu do top-3 e os Estados Unidos subiu para terceiro lugar com 9 medalhas de ouro. 

    Cerimônia de Abertura

    A cerimônia de abertura aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2014, no estádio Fisht Olympic, construído especialmente para a cerimônia. Com um público de 40 mil pessoas, o evento contou com aproximadamente duas mil celebridades. Em uma pré-cerimônia, a dupla t.A.T.u e o coral Ministry of Internal Affairs se apresentaram dando início aos eventos. 

    A apresentação utilizou o alfabeto russo,  apresentando ao público mundial as letras do idioma e o mesmo era ligado a referências de grandes nomes russos e pontos turísticos. O hino nacional foi cantando por um coral de 240 voluntários usando roupas que tinham como referência as cores da bandeira russa.

    Com vários elementos da cultura russa, incluindo performances baseadas em livros russos, a cerimônia contou com diversas homenagens e, em seguida, o presidente Vladimir Putin declarou o início dos jogos.   

    Vladislav Tretiak, ex-goleiro da seleção russa. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    A bandeira dos jogos foi entregue por oito porta-bandeiras e o hino dos jogos olímpicos foi cantando em russo pela cantora de ópera Anna Netrebko.

    A famosa tenista Maria Sharapova foi a responsável por levar a tocha olímpica ao estádio. Para a corrida final, um ex-jogador de hockey foi o responsável em levar a tocha para acender o caldeirão olímpico. Desta vez, o escolhido foi o ex-goleiro da seleção Vladislav Tretiak, atual presidente da Federação Russa de Hockey no Gelo. 

    Modalidade Feminina 

    A competição feminina daquele ano entrou pra história da modalidade quando, pela primeira vez, a final precisou ir para overtime. Novamente, as seleções foram divididas em dois grupos de quatro equipes. Canadá, EUA, Suíça e Finlândia ficaram no grupo A, enquanto o grupo B era composto pelas equipes da Rússia, Suécia, Alemanha e Japão. 

    Seleção feminina canadense com a sua medalha de ouro. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Para as seleções norte americanas, foi um replay das Olimpíadas de 2010. Ambas as seleções rivais declaradas corriam atrás do ouro. O Canadá queria sua quarta medalha consecutiva enquanto os EUA queriam sua primeira medalha de ouro olímpica desde 1998.

    Com jogadoras já conhecidas pelo público, ambas as seleções ganharam com uma boa margem de gols de seus adversários na primeira fase. Com jogadoras como Hilary Knight, Alex Carpenter, Brianna Decker e Kendall Coyne Schofield, a seleção dos EUA marcou 14 gols em apenas três jogos. A seleção canadense marcou 11 gols em três jogos com alguns deles sendo pelas estrelas Marie-Philip Poulin, Hayley Wickenheiser, Meghan Agosta-Marciano e Rebecca Johnston. 

    A final, novamente o clássico entre EUA e Canadá, foi acirrada. Para completar o cenário, o Canadá ainda não sabia, mas iria ver novamente Poulin brilhar no gelo.

    Em uma partida mais tensa que a final de 2010, ambos os times brigavam pela tão desejada medalha. A seleção dos EUA saiu na frente com um gol de Meghan Duggan, abrindo o placar no segundo período. Este foi seguido de um gol da central Carpenter, que deixou o placar 2 a 0.

    Entretanto, a seleção canadense não desistiu e no final do terceiro período conseguiu marcar dois gols: o primeiro de Brianne Jenner e o segundo de Poulin.

    O empate não deu outra alternativa a não ser um overtime. Foi quando Marie-Philip impressionou a torcida e brilhou outra vez. A responsável pelo gol da vitória da Olimpíada anterior mostrou por que estava ali e marcou novamente o gol dae ouro para a sua seleção.

    Assim a equipe feminina do Canadá se consagrou com a quarta medalha olímpica de ouro.

    Modalidade Masculina

    Enquanto a equipe canadense também viu um replay do último torneio, para a equipe do EUA não se pode dizer o mesmo.

    A quantidade de equipe e grupos seguiu o padrão do evento anterior, três grupo com quatro seleções cada, totalizando 12 países. Equipes como a do Canadá e do EUA eram compostas 100% por jogadores da NHL, enquanto a seleção da Suécia, que conquistou a prata, tinha somente um jogador que não pertencia a Liga norte-americana. 

    Com nomes como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr e Mats Zuccarello, o gelo olímpico estava bem recheado de estrelas.

    O evento também contou com jogadores que apesar de não estarem na Liga na época, já tinham brilhado e um dia voltariam a brilhar, como Alexander Radulov e Ilya Kovalchuk.

    Com pelo menos 50% de jogadores da NHL, as seleções da Rússia, Eslováquia, Finlândia, República Tcheca e Suíça também tinha equipes bem representadas e deram duro fazendo o que sabem melhor: dar um show no gelo.

    Infelizmente para estas seleções, mesmo com tantas estrelas, a disputa foi forte.

    As seleções de Noruega, Áustria, Eslováquia e Suíça não conseguiram se classificar para a fase final. Com a disputa ainda mais acirrada para as equipes restantes, os jogadores tiveram que redobrar o esforço, o que não foi suficiente para que Eslovênia, Letônia, República Tcheca e a anfitriã Rússia continuassem na disputa das semifinais.   

    Suécia e Canadá venceram nas semifinais e foram para a grande partida em busca do ouro, enquanto a seleção dos EUA e da Finlândia disputavam a medalha de bronze.

    Para a Finlândia, foi a oportunidade perfeita para mostrar seu valor, e o time conquistou o terceiro lugar no torneio com uma vitória por 5 a 0.

    Partida final entre as seleções do Canadá e da Suécia. (Foto: Reprodução/olympic.org)

    Na final, mais uma vez ficou claro por que o Canadá é chamado de país do hockey.

    Com Carey Price na rede e gols dos atacantes Jonathan Toews, Chris Kunitz e do capitão Sidney Crosby, a seleção norte-americana deu um show e garantiu sua nona medalha de ouro olímpica, e a quarta conquista seguida.

    O jogador finlandês Teemu Selanne foi eleito MVP do torneio, enquanto Price ganhou como melhor goleiro, Phil Kessel, melhor atacante e Erik Karlsson, melhor defensor.

    Essa foi a última vez que os fãs puderam assistir a jogadores da NHL brilharem nas Olimpíadas de Inverno. A Liga baniu a participação de seus atletas no último evento, em PyeongChang 2018, e ainda não há um acordo sobre a próxima edição.

    Já na modalidade feminina, muitas das jogadoras continuam na ativa e é possível vê-las brilhar no gelo tanto nas Ligas Europeias quanto na NWHL e na PWHPA, a Associação com a qual as jogadoras viajam a América do Norte promovendo o esporte.   

    Foto: Reprodução/olympic.org 

  • A venda dos Yotes

    A venda dos Yotes

    O ano de 2019 foi bem movimentado para o Arizona Coyotes, desde a compra da equipe pelo primeiro proprietário hispânico da NHL, Alex Meruelo a trades como a do jogador Taylor Hall e Phill Kessel. O time do Arizona tem dado duro para conseguir voltar aos trilhos e participar da corrida para a tão sonhada Stanley Cup. No entanto essa não foi a primeira vez que o time precisou fazer grandes mudanças para se reerguer. Eles ainda não imaginavam, mas em 2008 a equipe começou a passar por problemas financeiros chegando inclusive a declarar falência e precisando que a NHL interferisse no curso do time. Infelizmente as coisas não se resolveram de maneira rápida. Da falência a venda e, posteriormente, mudança no nome, o time teve alguns anos conturbados até a conclusão da venda em 2013.

    Como tudo começou

    Tudo começou com boatos. O até então Phoenix Coyotes se viu nos holofotes quando os boatos de que o time estava com problemas financeiros começaram a surgir ainda em dezembro de 2008. A equipe, que ficava localizada em Glendale desde de 2003, estava com muitas dívidas e não tinha como arcar com elas. Com isso, a NHL precisou assumir esses débitos, fazendo com que o comissário da Liga, Gary Bettman, e o vice-presidente, Bill Daly, assumissem as rédeas e minimizassem os boatos. Entretanto o que ninguém sabia é que Jerry Moyes, o até então proprietário da equipe, já havia passado o controle operacional para a Liga. 

    Bettman e Daly - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / thehockeynews.com 

    Em maio de 2009 Moyes se viu obrigado a declarar falência e tentar vender o time. Sua intenção era vender para Jim Balsillie, um bilionário canadense que queria realocar a equipe para Hamilton, Ontario. Entretanto a venda foi barrada pela NHL e então se iniciou o processo para determinar o destino dos Coyotes através do tribunal de falência em Phoenix. Foi somente em setembro que essa briga chegou ao fim. Com a única contra oferta sendo da NHL, o juiz do caso determinou que a venda ia contra as regras da Liga. Assim se iniciaram os quatros anos em que a NHL seguiria como dona dos Coyotes. 

    Logo após a NHL comprar a equipe eles começaram a procurar potenciais novo compradores. Para isso fizeram um acordo com a cidade de Glendale no Arizona para que então começassem a trabalhar com dois potenciais novos donos, os Reinsdorf e Ice Edge. Apesar de Reinsdorf ter tido aprovação da cidade para a aquisição e Ice Edge ter assinado um termo de intenção de compra, ambos desistiram e a NHL voltou à estaca zero. Em seguida a Liga decidiu mudar a equipe de volta para Winnipeg, seu local de origem. No entanto a cidade de Glendale concordou em financiar as perdas dando mais tempo para a NHL achar um novo comprador.

    Mais tempo e mais confusão depois, algumas empresas se interessaram na compra do time mas algo sempre acontecia e a venda dava errado. Enquanto isso a cidade continuava a lutar para que os Coyotes permanecessem ali, de certa forma dando mais tempo para a NHL encontrar um comprador. 

    Finalmente a venda

    Em agosto de 2011 um grupo liderado pelo ex-CEO do San Jose Sharks, Greg Jamison mostrou interesse em comprar o time e mantê-lo no Arizona. No entanto outro grupo também mostrou interesse e a cidade começou as negociações. Após não chegarem em nenhuma resolução, em maio de 2012 a NHL assinou um acordo provisório com Jamison e esperava que enfim pudesse pôr um fim nas buscas por um comprador. Entretanto surgiram obstáculos também conhecidos como burocracias. O desenrolar dessas burocracias duraram meses e no dia 31 de janeiro de 2013 a NHL se viu novamente iniciando a busca por um comprador. 

    O que eles não sabiam é que esta busca estava chegando ao seu tão sonhado fim. Em maio de 2013 um novo grupo foi formado para comprar os Coyotes. Desta vez a Renaissance Sports & Entertainment (RS&E) mostrou interesse em comprar o time por 225 milhões de dólares e um acordo que exigia manter a cidade de Glendale o lar dos Coyotes. A Liga, que já estava cansada dessa luta, declarou então que caso a venda não fosse concluída os Coyotes diriam adeus ao Arizona e chamariam Seattle de lar. 

    Prefeito de Glandale - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / glendalestar.com

    Desta vez o fim da busca estava próximo. Em julho o Conselho da cidade votou por 4-3 e decidiu aceitar o acordo da RS&E para a venda do time. Com isso a cidade garantiu a equipe por no mínimo 5 anos e uma concessão máxima para mais de 15 anos, além da mudança do nome da equipe de Phoenix Coyotes para Arizona Coyotes. Em agosto de 2013 a NHL enfim aprovou a venda da equipe para a RS&E e assim chegou ao fim a busca pelo dono ideal.

  • Tudo o que rolou no draft 2020 da NWHL

    Tudo o que rolou no draft 2020 da NWHL

    Nos últimos dias 28 e 29 de abril aconteceu o draft 2020 da NWHL. Através do twitter oficial da Liga, foram feitos anúncios ao vivo da escolha de cada time. Para isso foram utilizados vídeos de convidados de honra como Florence Schelling, a primeira mulher GM no hockey masculino, jogadores da NHL e profissionais de outros esportes. O evento que começou a ser transmitido na noite de terça-feira (28), teve em sua abertura uma mensagem da vice-comissária da NWHL, Michelle Pircad. Além de uma dedicação do evento pela diretora executiva da NWHLPA, Anya Packer.

    Antes do início do draft as equipes de Boston e Toronto fizeram uma troca, mudando suas escolhas dos rounds. Assim, a ordem ficou da seguinte maneira:

    1º Round: Boston, Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Toronto

    2º Round: Connecticut, Toronto, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston

    3º Round: Connecticut, Buffalo, Toronto, Metropolitan, Minnesota, Boston

    4º Round: Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Toronto, Minnesota, Boston

    5º Round: Connecticut, Buffalo, Connecticut, Minnesota, Boston, Boston

    Top 3 

    Conforme divulgado anteriormente, a estreante de Toronto teria direito a primeira escolha do draft geral com as escolhas seguintes seguindo a ordem de classificação na temporada regular. No entanto, a terça começou com uma troca do time com o Boston Pride que pegou a primeira e a quinta escolha de Toronto em troca de uma para este ano e duas para o draft 2021.

    Através de um vídeo do apresentador da ESPN John Buccigross a primeira escolha geral foi anunciada, e o Boston Pride draftou a jogadora Sammy Davis da Boston University. A atacante natural de Massachusetts no EUA, atuava como capitã e é líder de pontuação da sua equipe, assim se tornando a estrela de seu time. Ela marcou 42 gols nas duas últimas temporadas, posteriormente a jogadora concordou em assinar com a equipe de Boston.

    Em segundo lugar foi selecionada a também atacante Kayla Friesen da Clarkson University pelo Connecticut Whale. A jogadora natural de Winnipeg no Canadá jogou somente uma temporada pela Clarkson após 3 temporadas pela St. Cloud State University. Em sua temporada pela Clarkson a canadense marcou 10 gols e 20 assistências, assim somando 30 pontos no total. Para estar fazendo o anúncio a convidada da vez foi a estrela da WNBA Jasmine Thomas.

    Enquanto para a terceira escolha foi a vez do Hockey Hall of Famer e 3º escolha geral da NHL no draft 1983, Pat LaFontaine fazer as honras.  A goleira Carly Jackson da University of Maine foi selecionada pelo Buffalo Beauts assim fechando o top 3 do draft. A jogadora natural do Canadá possui um percentual de .934 tiros salvos nesta última temporada. Foram 3.029 defesas e 45 vitórias somadas durantes suas quatro temporadas no Maine.

    Outras escolhas

    O primeiro dia foi marcado também pela escolha de mais nove atletas durante o primeiro e segundo round. Essas jogadoras, assim como as três primeiras, foram anunciadas por meio de vídeos ao vivo.  Sendo assim, o restante das escolhas ficou da seguinte forma:

    4º Saroya Tinker, D, Yale — Metropolitan Riveters

    5º Alex Woken, F, Minnesota — Minnesota Whitecaps

    6º Jaycee Gebhard, F, Robert Morris — Toronto

    7º Victoria Howran, D, New Hampshire — Connecticut Whale

    8º Amy Curlew, F, Cornell — Toronto

    9º Codie Cross, D, Northeastern — Buffalo Beauts

    10º Delaney Belinskas, F, Boston College — Metropolitan Riveters

    11º Patti Marshall, D, Minnesota — Minnesota Whitecaps

    12º Tereza Vanišova, F, Maine — Boston Pride

    Enquanto o segundo dia foi marcado pelo terceiro, quarto e quinto round que seguiram o mesmo formato do dia anterior. No entanto o destaque do segundo dia vai para a terceira escolha dos Beauts e 14º escolha geral. Isso porque a atacante Autumn MacDougall da University of Alberta teve uma convocação histórica ao ser a primeira jogadora da USports a ser draftada. Entretanto a canadense natural da Nova Scotia não é a primeira da Liga a participar da NWHL, outras jogadoras da USports já fizeram parte da Liga feminina porém não participaram do draft. A atacante marcou 17 gols em sua última temporada, sendo 10 deles em power plays

    O restante das jogadoras selecionadas ficou da seguinte forma:

    13º Savannah Rennie, F, Syracuse — Connecticut Whale 

    14º Autumn MacDougall, F, University of Alberta — Buffalo Beauts

    15º Erin Locke, F, York — Toronto

    16º Tera Hofmann, G, Yale — Metropolitan Riveters

    17º Presley Norby, F, Wisconsin — Minnesota Whitecaps

    18º Taylor Wenczkowski, F, UNH — Boston Pride

    19. Amanda Conway, F, Norwich — Connecticut Whale

    20º Kelly O’Sullivan, D, Adrian College — Buffalo Beauts

    21º Bridgette Prentiss, F, Franklin Pierce — Metropolitan Riveters

    22º Natalie Marcuzzi, F, RMU — Toronto

    23º Haley Mack, F, Bemidji State — Minnesota Whitecaps

    24º Taylor Turnquist, D, Clarkson — Boston Pride

    25º Nicole Guagliardo, F, Adrian College — Connecticut Whale

    26º Logan Land, D, RIT — Buffalo Beauts

    27º Maddie Bishop, F, Sacred Heart — Connecticut Whale

    28º Maddie Rowe, D/F, Wisconsin — Minnesota Whitecaps

    29º Meghara McManus, F, UNH — Boston Pride

    30º Paige Capistran, D, Northeastern — Boston Pride

  • O Draft 2020 da NWHL

    O Draft 2020 da NWHL

    No último domingo (26) a NWHL anunciou o seu draft de uma maneira um tanto diferente. Marcado para os dias 28 e 29 de abril, o draft da liga feminina de hockey irá acontecer remotamente pelo Twitter. As rodadas,que foram divididas entre duas no primeiro dia e as três restantes no dia seguinte, contará com a participação de todos os seis times da Liga, incluindo o novato de Toronto. Ao final, serão totalizadas 30 escolhas no geral.

    Como irá funcionar?

    O draft deste ano será diferente de várias formas, não somente pelo modo como ele irá acontecer mas também pelas jogadoras que irão participar. Anteriormente, os times recrutavam jogadoras antes do último ano do ensino médio ou, como no draft 2018, no meio do último ano. Para esse ano os times poderão escolher jogadoras universitárias, ou seja, todas aquelas que se enquadram nas qualificações e se inscreveram. 

    O draft feminino, assim como o da NHL, dá total liberdade para a jogadora assinar caso ela queira ou não com o time que foi selecionado. Dessa forma, o contrato pode ser assinado logo após o draft, porém os times tem liberdade para fazer negociações antes do início do mesmo. 

    Por ser o time mais novo, Toronto terá direito a primeira escolha e os times restantes ficaram definidos de acordo com a classificação final da temporada regular. No entanto, para o quinto round, o Connecticut Whale terá direito a duas escolhas devido uma troca com o Metropolitan Riveters na temporada 2018-19. Com isso, as escolhas ficaram definidas da seguinte forma: 

    • round: Toronto, Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston
    • round: Connecticut, Toronto, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston
    • round: Connecticut, Buffalo, Toronto, Metropolitan, Minnesota, Boston
    • round: Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Toronto, Minnesota, Boston
    • round: Connecticut, Buffalo, Connecticut, Minnesota, Toronto, Boston

    A chegada de Toronto

    Na última quarta-feira (22), o dia começou com uma bela notícia para os fãs da NWHL. A Liga que, antes possuía somente cinco times, agora conta com uma nova cidade. Em uma expansão inesperada para o público, o novo time não somente é uma novidade como também um inovação para a Liga feminina, isso porque ele é o primeiro que não está localizado nos EUA. O novo time, que ainda não possui nome, fica localizado em Toronto no Canadá e marca uma nova era para a NWHL que antes era uma Liga composta somente por times estadunidenses.  

    Em seu anuncio por meio das redes sociais, a NWHL também anunciou quais eram as primeiras jogadoras e parte da equipe administrativa. A equipe tem a CEO e co-fundadora da Boynton Brennan Builders, a ex-capitão de hockey feminino Johanna Neilson Boynton como líder do grupo de proprietários. A ex-treinadora da CWHL e da Brown Universaty, Margaret “Digit” Murphy, como a presidente da equipe e a executiva do beisebol Tyler Tumminia como presidente do clube.  

    No gelo, as primeiras jogadoras a assinar são as defensoras Kristen Barbara e Emma Greco, as atacante Shiann Darkangelo e Taylor Woods e a goleira Elaine Chuli.

    Foto: Reprodução/usatoday.com