Autor: Juh Guedes

  • Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Momentos históricos do hockey em Jogos Olímpicos

    Todo ano olímpico a expectativa é ver nossas estrelas da NHL no gelo, disputando a medalha dourada em suas respectivas seleções. Para 2022, deixaram a gente sonhar: era o momento de ver Sidney Crosby ao lado de Connor McDavid. Auston Matthews ao lado de Johnny Gaudreau. E uma verdadeira salada mista das linhas que estamos acostumados a acompanhar. 

    Deixaram a gente sonhar, mas infelizmente a COVID-19 acabou com a alegria do fã de esporte e, por causa do aumento de casos e dos jogos adiados, a NHL desistiu de permitir a ida dos seus atletas para Beijing 2022. Assim, mais uma vez, acompanharemos os jogos sem as grandes estrelas da Liga. 

    Entretanto, quando falamos de hockey olímpico, falamos de muito mais do que só a NHL. Falamos de quando o esporte era apenas amador, de nomes que subiram ao pódio em meio a boicotes e crises políticas. Falamos de mulheres brilhando no gelo, e uma das maiores rivalidades da história, disputada medalha a medalha. Hoje, vamos conhecer um pouco do outro lado brilhante da história do esporte. 

    Estreia nos jogos

    O hockey no gelo (masculino) fez a sua estreia nos jogos em uma Olimpíada de verão! Sua estréia foi nos jogos de Antuérpia em 1920, três anos após a criação da NHL em 1917. Entretanto, foi apenas em 1924, nos jogos de Chamonix, na França,  que o esporte passou seu programa para os jogos de inverno. Outra curiosidade é que o Canadá foi o medalhista de ouro em ambas as edições.

    Já a modalidade feminina demorou décadas até enfim ser considerada olímpica em 1998, em Nagano, no Japão. E, desde então, as seleções femininas de Estados Unidos e Canadá travam uma verdadeira batalha pela medalha de ouro a cada 4 anos.  

    O hockey olímpico e a URSS:  Red Machine

    Durante o período da Guerra Fria, os esportes foram um dos artifícios que o governo soviético encontrou para fazer propaganda do seu regime. Dessa forma, eles investiram em diversas modalidades em que a URSS tinham domínio para levar ao mundo ocidental as forças ideológicas que eles estavam construindo. Dentre eles, o hockey.

    O hockey da forma como conhecemos hoje surgiu no Canadá. Na Rússia, a modalidade que era mais praticada recebe o nome de bandy, onde os jogadores usam uma bola de borracha no lugar do disco e, geralmente, em lagos congelados e arenas outdoor.

    O Ice Hockey, ou Hockey canadense como foi chamado, chegou à Rússia quando o país já fazia parte da União Soviética. Oficiais do governo tiveram contato com o esporte em 1945. Em uma visita ao Reino Unido, durante um tour do time de futebol FC Dynamo Moscow,  tiveram a ideia de criar uma seleção competitiva de hockey.

    Foi responsabilidade de Anatoli Tarasov transformar um grupo de jovens jogadores de Bandy em uma seleção de Ice Hockey consistente e competitiva. Para isso, Tarasov, que era apaixonado por balé, desenvolveu uma técnica da qual os jogadores “dançavam” no gelo se posicionando onde o disco estaria, formando um jogo diagonal em oposição ao linear apresentado pelo Canadá.

    Com uma disciplina digna das escolas de dança russas e treinando 11 meses no ano, mesmo quando não havia gelo, Tarasov liderou uma seleção que dominou o cenário do hockey internacional. A estreia da URSS em jogos olímpicos aconteceu nos Jogos de Cortina d’Ampezzo 1956 e mudou de vez o curso da história olímpica do hockey. Em um cenário que antes era dominado pelo Canadá, agora a URSS foi em busca desse domínio esportivo-político e conquistou entre 1963 a 1972, três medalhas de ouro olímpicas e 9 campeonatos mundiais. Ao total, foram 9 medalhas de ouro em jogos olímpicos para a URSS. 

    O Miracle on Ice

    Talvez o jogo de hockey mais famoso em jogos olímpicos seja o Miracle on Ice. Na semifinal das olimpíadas de Lake Placid, em 1980, a seleção americana entrou no gelo com seus atletas universitários para enfrentar a União Soviética no seu auge. E, apesar de todas as probabilidades, os Estados Unidos não apenas venceu esse jogo de virada, como também conquistou a medalha dourada naquele ano. 

    Na década de 80, os jogadores da NHL não podiam competir em jogos olímpicos pelo critério do amadorismo que existia nas regras olímpicas. Dessa forma, as principais estrelas norte-americanas, em sua maioria canadenses, ficavam de fora da competição.

    Dizer que a rivalidade EUA x Rússia no hockey não tem origens políticas também não seria correto. Os Estados Unidos levaram uma medalha de ouro olímpica vencendo a URSS,  em plena década de 1980, o que sem sombra de dúvidas teve um respaldo político. Entretanto, para aqueles atletas, as questões políticas foram as que menos importaram no momento do jogo.

    Os Estados Unidos chegavam àquela olimpíada com uma seleção de hockey recém-formada. Jovens jogadores, em sua maioria, universitários, que até um ano antes estavam acostumados a competirem entre si e não a formarem um time único para defender o seu país.

    Essa seleção americana, apesar de nenhum de seus jogadores atuarem na NHL profissionalmente, foi a abertura que a Confederação Americana de Hockey teve para expandir a NHL nos Estados Unidos e a formar uma nova forma de jogar hockey. 

    Sochi 2014: foi bom vê-los, NHL

    Se em 2014 alguém contasse a Sidney Crosby que aquela seria a sua última olimpíada em anos, ele teria comemorado ainda mais a medalha dourada. Mas as olimpíadas de Sochi entraram para a história não apenas porque foi a última com a presença de jogadores da NHL, como também a que deu origem a todo o escândalo de doping da Rússia que viria a estourar depois. No hockey, tivemos o Canadá vencendo a medalha dourada tanto no masculino quanto no feminino. 

    A final feminina entrou para a história quando, pela primeira vez em jogos olímpicos, precisou de um overtime para Canadá e Estados Unidos definirem um vencedor. Perdendo por 2 a 0, foi apenas no terceiro período que a seleção canadense, com gols de Brianne Jenner e Marie-Philip Poulin respectivamente, iriam empatar o confronto. E foi Poulin quem marcou o gol da vitória, no overtime, dando a medalha dourada para o Canadá. 

    No masculino, por outro lado, não faltavam nomes estrelados dentre as seleções como Sidney Crosby, Gabriel Landeskog, Jonathan Toews, Roman Josi, Tuukka Rask, Vladimir Tarasenko, Zdeno Chara, Joe Pavelski, Jaromir Jagr, Mats Zuccarello, entre outros.  A final, disputada entre Canadá e Suécia, teve um resultado positivo para a seleção canadense. Com Sidney Crosby usando o C, Carey Price no gol e diversos outros grandes nomes no gelo, o masculino também conquistou a medalha dourada. Dessa forma, na última participação de jogadores da NHL em jogos olímpicos, o Canadá mostrou porque ainda é considerado o país do hockey.

    Olimpíadas de PyeongChang 2018

    Em 2018, o fã do hockey pode curtir uma campanha interessante tanto no masculino quanto no feminino. Sem os jogadores da NHL, Estados Unidos e Canadá ficaram de fora da final do masculinho e uma zebra aconteceu: a seleção da Alemanha disputou a final pela primeira vez, contra os atletas olímpicos da Rússia. A seleção germânica ficou com a medalha de prata, enquanto que os atletas olímpicos da Rússia conquistaram o ouro pela primeira vez desde a dissolução da União Soviética. 

    Mas, apesar do hockey masculino ter sido um campeonato interessante de assistir, a grande estrela da última olimpíada foi a modalidade feminina. O primeiro destaque foi a histórica seleção da Coreia unificada. Por serem o país sede, as jogadoras do norte e do sul disputaram, pela primeira vez, um campeonato juntas. E não foi surpresa para ninguém que as seleções dos Estados Unidos e do Canadá disputaram a final. As canadenses eram as favoritas depois de terem levado a medalha de ouro para casa nas últimas quatro olimpíadas, mas as americanas não desistiram e conquistaram a medalha dourada em 2018 pela primeira vez desde a estreia da modalidade nos jogos, em 1998. 

    Sem os jogadores da NHL nas olimpíadas, sem dúvidas poderemos ver mais zebras e reviravoltas em 2022. 

    Para mais curiosidades olímpicas, confira a nossa série 10 for 10,  em que relembramos diversos fatos importantes do hockey na última década, incluindo as olimpíadas de 2010 e 2014.

     

    Imagem: Reprodução/sportsnet.com 

  • GM dos Ducks afastado após denúncias

    GM dos Ducks afastado após denúncias

    Pelo visto a NHL resolveu aproveitar o momento e lavar toda a roupa suja nos setores administrativos dos times. Dessa vez, o Anaheim Ducks anunciou na última terça-feira (9) que afastou o General Manager e vice-presidente executivo Bob Murray de seu cargo. Em nota, o time afirmou que o motivo do afastamento foi acusações de conduta profissional imprópria, e que convocaram a firma Sheppard Mullin para realizar uma investigação independente. Assim, o clube colocou Bob Murray em licença administrativa e alocou Jeff Solomon como GM interino.

    Aparentemente não foi um evento isolado que fez os Ducks tomarem essa decisão. Uma fonte veio a público denunciar o que ele chamou de “cultura abusiva” com os funcionários. Inicialmente, a reclamação foi sobre abuso verbal. Ainda não há novas informações sobre o caso, mas após as primeiras entrevistas já haviam evidências o suficiente que Murray não estava apto para o cargo. O time também anunciou que só terão mais informações após o final das investigações. 

    Ainda que de forma tímida, após os eventos envolvendo o Blackhawks, os times da NHL estão começando a olhar para suas equipes internas e eliminar problemas que possam vir a surgir. A liga havia enviado um comunicado aos clubes no dia 28 de outubro, reforçando a necessidade de reportar qualquer conduta imprópria e como fazê-lo. Anaheim não foi o primeiro e, com certeza, não será o único time a denunciar comportamentos abusivos dentro da sua equipe. Por fim, cabe ao fã do hockey assistir de camarote o desenrolar de mais uma história envolvendo a “cultura abusiva” no esporte. 

    Foto: Reprodução NHL.com

  • Kyle Beach e a negligência da NHL

    Kyle Beach e a negligência da NHL

    Alerta: Este texto contém conteúdo sensível sobre abuso sexual. O NHeLas considera parte da sua responsabilidade jornalística trazer para nossos leitores, em português, o relato de Kyle Beach e o escândalo de abuso sexual envolvendo o Chicago Blackhawks.

    Na última quarta-feira (27), o atleta sobrevivente do escândalo de abuso sexual no Chicago Blackhawks em 2010, até então identificado como John Doe no processo contra seu ex-time, revelou sua identidade. Kyle Beach teve no programa da TSN (Canadá), SportsCentre, espaço para falar sobre o caso publicamente pela primeira vez em onze anos.

    Em maio deste ano, o jogador entrou com um processo contra o Blackhawks alegando que ele e mais um ex-membro do elenco do vencedor da Stanley Cup de 2010 haviam sido abusados sexualmente por Brad Aldrich, então técnico de vídeo da equipe.  

    O ato contra Beach teria acontecido em San Jose, quando a equipe de Chicago viajou diretamente para a cidade após a vitória no segundo round sobre o Vancouver Canucks. O time teve quatro dias de folga antes do início da série seguinte.

    Segundo as conclusões da investigação, o jogador denunciou as ações de Aldrich para Paul Vincent, na época skills coach, pouco antes do início da Final da Conferência Oeste. Vincent levou o caso para o Presidente do time John McDonough, o GM Stan Bowman, o Vice-Presidente de Operções Al MacIsaac e o técnico de habilidades mentais James Gary. Vincent declarou publicamente em reportagens da TSN desde a abertura do processo que alertou os líderes do time na época que eles deveriam preencher uma denúncia junto à polícia de Chicago. A sugestão, no entanto, foi fortemente refutada. 

    Um segundo processo contra os Blackhawks, este por John Doe 2, acusa a organização de ter dado boas referências de Aldrich a futuros empregadores após sua demissão. Dentre essas organizações, uma equipe de ensino médio contratou Aldrich para trabalhar na equipe técnica. Em 2014, Aldrich cumpriu 9 meses de prisão por ter cometido crimes sexuais contra estudantes entre 16 e 18 anos. John Doe 2 estava entre suas vítimas. Hoje, ele está listado como um criminoso sexual registrado no estado de Michigan.

    A entrevista completa de Kyle Beach para a TSN pode ser lida em inglês. Alguns trechos e falas do jogador estarão presentes neste texto.

    Posicionamento oficial da NHL

    Após as atualizações sobre o caso, Gary Bettman, comissário da NHL, publicou uma declaração nas redes sociais da Liga. É a primeira vez que Bettman fala publicamente sobre o caso e, ainda assim, apenas endossou a decisão do Florida Panthers em desligar Joel Quenneville, técnico dos Blackhawks em 2010, após ficar claro seu envolvimento no caso.

    A tradução:

    “A National Hockey League concorda com a decisão desta noite por Joel Quenneville para renunciar às suas funções como treinador principal do Florida Panthers. Em seu antigo papel como treinador principal do Chicago Blackhawks, o Sr. Quenneville estava entre vários ex-membros da liderança sênior do grupo que lidou mal com a denúncia de assédio sexual em 2010 do ex-jogador Kyle Beach contra o então técnico de vídeo do clube, Brad Aldrich. E, após uma reunião com o Sr. Quenneville, que ocorreu nesta tarde em meu escritório, todas as partes concordaram que não era mais apropriado que ele continuasse a servir como treinador principal de Florida.

    “Eu admiro Kyle Beach por sua coragem em se apresentar, estou chocado que ele foi tão mal apoiado ao fazer sua afirmação inicial e então os 11 anos que se seguiram, e sinto muito por tudo o que ele suportou.

    “Agradecemos à organização dos Panthers por trabalhar conosco para garantir que um processo minucioso fosse seguido. Dado o resultado, não há necessidade de qualquer ação adicional por parte da NHL em relação ao Sr. Quenneville desta vez. No entanto, se ele desejar entrar novamente na Liga em alguma capacidade no futuro, exigirei uma reunião com ele com antecedência a fim de determinar as condições apropriadas sob as quais tais novos empregos possam ocorrer.”

    O trecho que mais chama atenção é o final. Apesar da declaração afirmar que os Panthers tomaram a decisão correta, no final Bettman deixa claro que a Liga não fechou as portas para Quenneville. Mais uma vez, levanta-se o questionamento de quem a NHL de fato quer proteger: seus jogadores, especialmente os mais jovens, ou nomes antigos que continuam, repetidamente, se envolvendo em polêmicas na Liga. 

    Mas esta não foi a única declaração publicada pela NHL. Outro nome envolvido no processo foi o de Kevin Cheveldayoff. Na época, o atual GM dos Jets era GM Assistente de Chicago e, apesar de ter estado presente na reunião sobre o caso de Beach em maio de 2010, a Liga entendeu que não era responsabilidade dele decidir qual seria a forma correta de lidar com a denúncia. 

    Assim, a NHL soltou na última sexta-feira (30) uma nota sobre Cheveldayoff, decidindo que, após as investigações, e uma conversa com Gary Bettman, o comissário entendeu que ele não fazia parte dos líderes e não cabia a ele a decisão.

    Abaixo, um trecho traduzido da nota oficial da NHL sobre Kevin Cheveldayoff.

    “Como está no relatório da Jenner & Block, a análise subsequente da Liga esta semana e a entrevista de hoje com Cheveldayoff deixam claro a participação de Cheveldayoff em 23 de maio de 2010, a reunião envolvendo líderes seniores da equipe de administração dos Blackhawks foi extremamente limitada em escopo e conteúdo. Na verdade, durante a investigação, a maioria dos participantes da reunião de 23 de maio não se lembrava inicialmente de que Cheveldayoff estava mesmo presente.

    “Como GM Assistente na época, Cheveldayoff, que se reportava diretamente a Stan Bowman, era o oficial do Clube com a classificação mais baixa na sala, e sua posição não incluía responsabilidades de supervisão sobre a equipe técnica do clube. Ele foi um dos últimos a ser incluído na reunião; ele descobriu sobre o  assunto pela primeira vez na presença de seu chefe (o então GM Stan Bowman), o chefe de seu chefe (então CEO John McDonough) e o treinador principal (Joel  Quenneville); quem era o superior direto de Brad Aldrich; ele tinha familiaridade limitada com o pessoal envolvido; e ele era essencialmente um observador do discussão de possíveis próximos passos, cuja discussão, aparentemente, terminou com Cheveldayoff acreditando que o assunto seria investigado.”

    Frente aos novos relatórios da Jenner & Block, contratada do próprio Chicago Blackhawks para conduzir uma investigação independente, também nesta semana, Stan Bowman renunciou à posição de GM em Chicago. Bowman declarou que sua decisão veio após entender que ele não deveria ser uma distração para o time. Em uma declaração publicada pelos Hawks, Bowman tira de si mesmo a responsabilidade por não ter dado a devida atenção para a denúncia, como podemos ler no trecho traduzido abaixo.

    “Onze anos atrás, quando atuava em meu primeiro ano como gerente geral, fui alertado sobre um possível comportamento inadequado de um treinador de vídeo que envolvia um jogador. Comuniquei prontamente o assunto ao então presidente e CEO, que se comprometeu a cuidar do assunto. Fiquei sabendo este ano que o comportamento impróprio envolvia uma grave denúncia de agressão sexual. Eu confiei na orientação de meu superior para que ele tomasse as medidas adequadas. Olhando para trás, agora sabendo que ele não lidou com o assunto prontamente, lamento presumir que ele o faria.”

    Na última quinta-feira (28), Rocky Wirtz, dono do Chicago Blackhawks, enviou uma carta ao Hockey Hall of Fame solicitando que o nome de Brad Aldrich fosse removido da Stanley Cup. No documento, Wirtz deixa implícito que a organização sabia das denúncias e que elas foram o motivo do desligamento do técnico ainda em 2010. Entretanto, Wirtz também assume a responsabilidade do clube não ter agido de forma correta na época.

    Por fim, a declaração oficial do Chicago Blackhawks em seu perfil no Twitter publicada na quarta-feira (27) se desculpa com Kyle Beach por não ter buscado as ações necessárias frente à denúncia, e anuncia que o clube está promovendo mudanças na organização, incluindo uma nova equipe frente executiva e de liderança.

    “Em primeiro lugar, gostaríamos de reconhecer e elogiar a coragem de Kyle Beach em se apresentar. Como uma organização, o Chicago Blackhawks reitera nossas mais profundas desculpas a ele pelo que ele passou e pela falha da organização em responder prontamente quando ele bravamente trouxe este assunto à luz em 2010. Era indesculpável para os então executivos da Organização Blackhawks para atrasar a tomada de medidas em relação à má conduta sexual relatada.

    “Nenhum jogo de playoff ou campeonato é mais importante do que proteger nossos jogadores e pessoal de comportamento predatório. Os Blackhawks implementaram inúmeras mudanças e melhorias dentro da organização, incluindo a contratação de uma nova equipe de liderança que está comprometida em vencer campeonatos ao mesmo tempo em que segue os mais altos padrões éticos, profissionais e atléticos.”

    Um apelo à NHL

    Na entrevista da última semana, Kyle Beach, que hoje joga na Alemanha, revelou-se John Doe do caso e concedeu declarações importantes e comoventes. Ele apelou mais uma vez para que a NHL não deixasse os responsáveis impunes. Ele também alertou da importância de denunciar casos de abusos sexuais e citou outros casos no esporte como o da equipe de ginástica dos EUA

    “É um grande passo para mim. No meu processo de recuperação, processar o que aconteceu e verdadeiramente lidar com os problemas que tenho em consequência disso. Por mim, eu queria seguir em frente e colocar meu nome, para ser sincero, já está exposto, os detalhes foram bem precisos no relatório e foi tudo descoberto, mas mais que isso, eu sou um sobrevivente e sei que não estou sozinho, e sei que não sou o único homem ou mulher e enterrei isso por onze anos e me destruiu de dentro para fora. E eu quero que todo mundo saiba que no mundo dos esportes e no mundo, você não está sozinho. Se isso aconteceu com você, você deve falar sobre. Porque tem um sistema de apoio. Como Sheldon Kennedy, US Gymnastics, USA Soccer. Tem um sistema de apoio e pessoas que estão com você e eu espero que todo esse processo possa fazer uma mudança sistemática para ter certeza que isso não aconteça de novo. Porque não me afetou apenas como um jovem adulto mas também afetou [outros atletas e] crianças porque não foi lidado da maneira correta.”

    Após deixar a NHL em 2010 sem que os Hawks divulgassem o motivo da sua saída, em julho de 2012, Brad Aldrich se candidatou para uma posição na Miami University, em Ohio. Quando perguntado do porque ter deixado a NHL, o técnico apenas disse que se sentia esgotado com o ritmo de trabalho da Liga. 

    Assim, Aldrich também deixou repentinamente sua posição na Miami University, em Ohio, em 2012, apenas quatro meses depois de ter entrado no programa. A universidade está investigando a passagem do técnico pela equipe. 

    Posteriormente, Brad Aldrich entrou para a equipe técnica de uma escola de ensino médio em Houghton, Michigan. Um indivíduo, identificado como John Doe 2 no segundo processo contra os Blackhawks, alegou que Aldrich teria abusado sexualmente dele em março de 2013, quando tinha apenas 16 anos. Em dezembro de 2013, na sua segunda passagem como voluntário pela equipe, Aldrich enfim se declarou culpado das acusações de conduta sexual criminosa com um adolescente. 

    Perguntado sobre o que diria para o garoto, Kyle Beach se emocionou. E no que talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis da entrevista, Beach pediu desculpas por não ter feito mais na época e deixou o convite para caso ele queira entrar em contato. 

    “Eu sinto muito. Lamento não ter feito mais, quando podia, para garantir que não acontecesse com ele. Para protegê-lo. Mas também queria agradecer a ele. Porque quando eu decidi, depois que um colega de equipe me perguntou sobre isso quando eu estava jogando no exterior, eu decidi pesquisar o nome de Brad Aldrich no Google e foi quando descobri sobre o indivíduo de Michigan, o time de Michigan. E por causa do que aconteceu com ele, isso me deu o poder e o senso de urgência para agir, para garantir que isso não acontecesse com mais ninguém. Então, sinto muito e obrigado. E espero que em algum momento no futuro, se ele estiver aberto a isso, eu adoraria conhecê-lo. Porque, infelizmente, compartilhamos algo em comum – [que] fará parte de nós pelo resto de nossas vidas.”

    É inclusiva para quem?

    Kyle também fez um apelo à NHL que foi impossível não lembrar do projeto de inclusão hockey is for everyone. Beach deixou claro em suas palavras a quem a Liga está de fato incluindo ao ignorar denúncias e protegendo nomes, quando empregos de grande patente continuam sendo designados às mesmas pessoas. 

    “A NHL é inclusiva, a NHL inclui todos e eles me decepcionaram e decepcionaram outros também. Mas eles continuaram tentando proteger o nome em cima da saúde e bem-estar das pessoas que colocam suas vidas todos os dias para fazer da NHL o que ela é. Eu espero que Garry Bettman leve isso à sério e ele faça as diligências, que converse não apenas com eles mas com Stan Bowman, John McDonough e todo mundo que tenha informações antes dele tomar sua decisão. Porque eu já me decepcionei, não iriam investigar por mim, então porque fariam agora?”

    Segundo diversos relatos, após os boatos se espalharem no vestiário em 2010, piadas de cunho homofóbico foram conferidas aos jogadores vítimas de Aldrich. Onze anos se passaram desde que o fato aconteceu, mas a cultura do esporte ainda resiste nos acordos de cavalheiros. Em obter resultados dos jogos apesar da saúde de seus atletas. As discussões acerca de saúde mental, inclusão, homofobia e racismo ainda estão presentes na Liga, mas talvez, seja hora dos times repensarem essas ações e da NHL começar, de fato, a punir aqueles envolvidos em episódios de assédio, preconceito etc.

    Entretanto, como pudemos ver das declarações sobre o caso da Liga e dos times em que membros envolvidos do caso de Kyle Beach ainda trabalham, o resultado no gelo segue sendo mais importante do que os atletas sobre ele.  Apesar do processo estar em andamento desde maio, apenas agora, em outubro, que os envolvidos foram afastados de seus cargos. Foi preciso uma investigação externa para que levassem as acusações a sério, revelando serem muito mais graves do que o escritório dos Hawks imaginava em 2010. 

    E, obviamente, fica a pergunta que vai assombrar a comunidade do hockey por alguns anos: Se as medidas corretas tivessem sido tomadas na época, teriam havido menos vítimas? 

    A cultura tóxica do esporte

    Não é a primeira vez que relatamos casos de abuso de poder de técnicos na NHL. Em novembro de 2019, acompanhamos as denúncias de injúria racial de Akim Aliu contra Bill Peters que levou a relato de abusos físicos do técnico a outros jogadores. Além dele, Mike Babcock foi demitido do Toronto Maple Leafs e em seguida, denúncias de abusos psicológicos contra Mitch Marner em temporadas anteriores vieram à tona. 

    É sabido que comportamentos de abusos de poder são frequentes no mundo do hockey. E, com receio de prejudicar suas carreiras, jogadores se calam. O tempo passa, técnicos seguem impunes, mudam para outros empregos e seguem tendo o mesmo comportamento. 

    O caso de Kyle Beach se torna ainda mais grave pela natureza do abuso. E, principalmente, porque ele não se calou. Ele buscou ajuda e foi ignorado por aqueles que ele foi ensinado a confiar. Pior do que isso, a equipe de líderes do Chicago Blackhawks falhou com vários outros garotos que conviveram com Aldrich. 

    Assim, o caso afeta não apenas um jogador, mas também jovens e adolescentes que posteriormente sofreram as consequências de Aldrich não ter recebido a punição necessária. Pelo contrário, em nome da vitória a qualquer custo, o técnico de vídeo seguiu com sua carreira e afetou a vida de ainda mais jovens. 

    Há um ditado que diz “antes tarde do que nunca”. Mas, neste caso, o “tarde” carrega um preço muito alto, com inumeráveis consequências que poderiam ter sido evitadas caso uma só pessoa tivesse feito a escolha certa. 

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    Escute o apelo de Kyle Beach de que a vítima não está sozinha. Caso você ou alguém que você conheça tenha passado por uma situação de abuso sexual, denuncie. Aqui estão alguns números e contatos para informar e auxiliar sobreviventes. 

    • A Fundação ABRINQ tem um canal disque denúncia com informações do procedimento correto para fazer a denúncia e quais números se deve ligar. 
    • A Página oficial do Mee Too Brasil, que trouxe para o país o movimento que começou no exterior para incentivar mulheres a denunciar abusos sexuais em ambientes de trabalho. 
    • A Unicef tem um aplicativo do Projeto Proteja Brasil, que facilita a busca por informações. 

    Disque 100. Denuncie. 

    Foto: Reprodução/cnn.com

  • Prévia 2021-22: Divisão Pacífica

    Prévia 2021-22: Divisão Pacífica

    Se pudéssemos escolher uma palavra para definir a Divisão Pacífica, esta seria (re)construção. Primeiramente é preciso citar a volta da NHL para Seattle com a estreia do Kraken como 32ª franquia da liga. Em seguida, voltamos nossos olhos para times que vêm dependendo dos seus jovens jogadores e a esperança de uma temporada mais consistente. 

    É claro que sempre tem a expectativa do Oilers com Connor McDavid e Leon Draisaitl, assim como o time de Vancouver com Elias Pettersson e Quinn Hughes. Talentos individuais empolgam o torcedor em acompanhar a divisão. Mas, quando se trata dos seus times, a Pacífica está longe de ser a divisão mais emocionante.

    Vamos conhecer um pouco do que esperar dessas equipes para 2021-22?

    Este é o segundo texto de nossas prévias divisionais para a temporada regular da NHL. Vocês podem conferir a prévia para a Divisão Central aqui.

    Anaheim Ducks

    Para o desespero dos torcedores, o processo de reconstrução dos Ducks parece estar longe de chegar ao fim. Um dos indícios para isso é a renovação da equipe com o capitão Ryan Getzlaf para sua 17ª temporada com o intuito de manter sua figura de liderança no vestiário. Dessa forma, o foco da equipe ainda está nos seus jovens forwards, em especial na linha Trevor Zegras, Max Comtois e Alexander Volkov. 

    Os Ducks estão empenhados em amadurecer seus jovens jogadores antes de pensarem em uma troca de liderança. É claro que, agora que suas estrelas em ascensão não são mais rookies, a expectativa é que os Ducks apresentem um time mais entrosado e constante. Entretanto, ainda precisarão enfrentar dois pontos importantes: o powerplay e o número de gols. Afinal, o hockey ainda se vence marcando e não com uma baixa média de idade no banco. 

    Calgary Flames

    Após não chegarem aos playoffs na temporada anterior e a perda do capitão Mark Giordano para Seattle, os Flames chegam para 2021-22 com alguns desafios e muitos questionamentos. A equipe terá o técnico Darryl Sutter, que substituiu Geoff Ward em março, desde a pré-temporada e pode se beneficiar da experiência do treinador vencedor de duas Stanley Cups (Los Angeles Kings em 2012 e 2014). Entretanto, precisará mostrar um entrosamento melhor no gelo se quiser chegar na pós-temporada este ano.

    Um ponto forte da equipe é a boa forma dos forwards Matthew Tkachuk e Johnny Gaudreau. Na temporada anterior, Gaudreau conquistou 49 pontos (19 gols e 30 assistências) em 56 jogos, enquanto Tkachuk marcou 43 (16 gols e 27 assistências). Porém, se por um lado estes jogadores trazem esperança dentro do gelo, eles também podem ser um pesadelo para o GM. Isso porque esta é a última temporada dos contratos de Matthew Tkachuk e Johnny Gaudreau que, hoje, somam 13,75 milhões de dólares contra o cap. Ou seja, ambos os jogadores têm interesse em crescer no gelo para que o próximo contrato também cresça. 

    Entretanto, a equipe conquistou nomes de peso nessa intertemporada. Um deles foi Blake Coleman, que chega do Tampa Bay Lightning com um contrato de seis anos. O jogador ajudou o time da Flórida a conquistar a sua segunda Stanley Cup seguida e, sem dúvidas, deseja trazer o sucesso para o norte. 

    Edmonton Oilers

    Os Oilers seguem um time intrigante de se acompanhar. Se por um lado a equipe tem uma das melhores duplas de forwards, por outro, o time segue sem conseguir provar o valor de seus garotos de ouro. Isso porque é incontestável que a equipe se classifique como um dos melhores após a temporada regular. Em 2020-21, o time de Edmonton teve uma campanha de 35-19-2, porém, foi varrido dos playoffs pelo Winnipeg Jets, que estava longe de ser um dos favoritos. 

    Também na temporada anterior, os Oilers tiveram o melhor powerplay na temporada regular e se colocaram em nono quando se trata de penalty kill. Porém, boa parte do problema da equipe é contar apenas com seus jogadores top de linha. Connor McDavid e Leon Draisaitl são os melhores forwards da liga e este posto parece estar longe de ser substituído. Entretanto, ao olhar para o restante do roster, em especial quando se trata de defesa, Edmonton se torna uma grande interrogação, com jogos muito bons ou jogos extremamente ruins. 

    Nesta offseason a equipe não fez grandes alterações, não modificando, assim, o estilo de jogo dos Oilers. Entretanto, ao contrário da última temporada reduzida devido à pandemia de COVID-19, o time de Edmonton vai enfrentar seus outros companheiros de divisão e não apenas as equipes canadenses. Assim, um adversário em potencial que pode estragar o sonho do primeiro lugar da divisão é o Vegas Golden Knights que ainda não conheceu uma temporada ruim. Ainda sobre os Oilers, podemos criar expectativas para jogos recheados de gols. O poder ofensivo, que já era forte, teve a adição de Tyler Benson, Warren Foegele, Ryan McLeod, e Brendan Perlini. Dessa forma, a equipe conta com pelo menos seis jogadores com uma média de 20 gols ou mais na temporada. 

    Los Angeles Kings

    Depois de duas Stanley Cups no currículo, os Kings vêm lutando temporada atrás de temporada para voltarem à nata da NHL. Não é novidade para ninguém que já há alguns anos a equipe está fazendo o seu rebuild. A grande questão é: quando essa reconstrução vai dar resultado? Para 2021-22, os Kings trouxeram os forwards Phillip Danault e Viktor Arvidsson para complementar o elenco. 

    Além disso, a grande expectativa do torcedor está nos jovens talentos que tiveram pouco ou nenhum tempo de gelo na liga e que podem estrear nesta temporada. Dentre eles os defensores, Mikey Anderson e Tobias Björnfot, os forwards Gabriel Vilardi, Jaret Anderson-Dolan e a expectativa da participação dos prospects Quinton Byfield, Alex Turcotte e Arthur Kaliyev em algum momento da temporada. 

    Com tudo o que sabemos sobre a Divisão Pacífica, há grandes chances dos Kings conseguirem se classificar para os playoffs. Mas talvez, seja a hora da franquia avaliar suas estratégias de mudanças e buscar alternativas a curto prazo para terem um melhor resultado no gelo. 

    San Jose Sharks

    Ainda falando sobre times que estão se reconstruindo, os Sharks mais uma vez chegam a uma temporada com um ponto de interrogação. A maior parte do seu cap está ocupado com jogadores 30+, dentre eles Evander Kane, que está afastado por tempo indeterminado enquanto a NHL investiga diversas acusações sobre o jogador. Além dele, os Sharks também estão com os contratos de Erik Karlsson, Brent Burns, Marc-Édouard Vlasic, Logan Couture e o buyout de Martin Jones ocupando seu cap. Nenhum destes jogadores estão ficando mais novos e, sem espaço no cap, a franquia pode ter dificuldade de convocar novos talentos para o seu roster.

    Porém, pode haver uma luz no fim do túnel para o time da Califórnia. Nomes como o defensor Tomas Hertl, de apenas 22 anos, estão começando a aparecer. Entretanto, esta é a última temporada do contrato de Hertl e, assim, os Sharks precisam abrir espaço salarial se quiserem assegurar uma das suas novas estrelas. No gol, a vaga também está em aberto. A equipe assinou com James Reimer nessa offseason, e o goleiro deve revezar as redes com Adin Hill.

    Sem dúvidas, o maior desafio desta temporada para o time de San Jose não será no gelo. Para trazer resultados, a equipe precisará mexer nos bolsos e talvez arriscar perder alguma nova estrela enquanto contratos cheios de no-movement clauses ainda seguem válidos. Para o torcedor, muita paciência para acompanhar essa dança das cadeiras enquanto as redes adversárias seguem vazias. 

    Seattle Kraken

    Sem dúvidas, a grande expectativa para esta temporada é o novo time de Seattle. A franquia, que chega com uma nova proposta de organização, teve a oportunidade de montar uma equipe experiente. A grande dúvida acerca do Kraken é se eles irão conseguir igualar (ou superar) a temporada de estreia dos Golden Knights em 2017. E, com expectativas tão altas, surpresas podem acontecer. 

    Seattle apostou em jogadores veteranos como os forwards Brandon Tanev e Yanni Gourde, e os defensores Mark Giordano e Jamie Oleksiak para formar a base do seu time. Porém, não se esqueceu de jogadores mais novos que já fizeram boas temporadas na NHL como Haydn Fleury e Alex Wennberg.

    Entretanto, a grande questão é saber como estes jogadores vão se entrosar no gelo. Com planos de fazer uma boa temporada de estreia, Dave Hakstol terá que fazer um excelente trabalho atrás do banco. A verdade é: ou veremos uma excelente temporada de estreia, ou um péssimo desempenho enquanto começam a colocar ordem na casa. 

    Vancouver Canucks

    No último domingo (3), Vancouver renovou o contrato com dois dos seus jogadores que fizeram a diferença nas últimas temporadas: Elias Pettersson e Quinn Hughes. Entretanto, apesar de ambos terem sido finalistas do Calder Trophy nas respectivas temporadas de estreia, 2020-21 não foi a melhor fase para Pettersson ou Hughes. O primeiro perdeu os últimos trinta jogos da temporada com uma lesão no punho, enquanto Hughes parece ter tido problemas com sua dupla no gelo desde que Travis Hamonic se afastou por problemas pessoais. Para a 2021-22, os Canucks dependem da volta destes dois jogadores para sua melhor forma. 

    Entretanto, um time não é feito por dois jogadores. O time de Vancouver foi ao mercado nesta offseason buscando aprimorar a sua defesa. Assim, Oliver Ekman-Larsson (ARI) chegou em julho junto com Tucker Poolman (WPG) como promessa de uma nova linha de defesa. Nas redes, Thatcher Demko e Jaroslav Halak irão revesar a posição.

    O objetivo dos Canucks para esta temporada é seguir investindo nos seus prospects e chegar aos playoffs. O time vem fazendo uma renovação do roster a partir do draft há alguns anos e, nomes como Pettersson, Hughes e Brock Boeser são exemplos de que a estratégia está dando certo. Agora, eles precisam começar a colher resultados. 

    Vegas Golden Knights

    O Vegas Golden Knights ainda não sabe o que é ter uma temporada ruim. Porém, parte do motivo para o seu sucesso nas últimas duas temporadas foi a dupla de goleiros Robin Lehner e Marc-André Fleury. Com a ida do segundo para o Chicago Blackhawks, Vegas pode precisar de alguns jogos para se adaptar com a ausência do atual vencedor do Vezina. Não que o time esteja ruim nas redes, pois Laurent Brossoit chega do Winnipeg Jets com uma SV% de .918. Sem dúvidas esta transição não irá demorar. 

    Mas então o que Vegas precisa melhorar para 2021-22? Para começar, é preciso fazer melhorias no seu powerplay. Contra o Montreal Canadiens nas semifinais, foi justamente essa deficiência que os tirou da disputa pela Stanley Cup. Porém, o acréscimo de Evgenii Dadonov e Nolan Patrick ao roster sem dúvidas vai melhorar o poder ofensivo do time. Dadonov marcou 25 gols no powerplay pelo Florida Panthers enquanto Patrick, que ficou boa parte da temporada anterior fora do gelo, tem tudo para jogar em frente ao gol ao lado de Mark Stone. 

    Não há dúvidas de que Vegas chega a mais uma temporada pronto para conquistar sua vaga nos playoffs. Com uma equipe constante, decisiva e sem um adversário mais forte na divisão, o passe para a pós-temporada é apenas uma questão de tempo. Mas será que este é o ano que veremos os Golden Knights com uma Stanley Cup? Ou talvez não ser mais o “calouro” da NHL provoque uma pressão ainda maior em um time que não sabe lidar com ela?

  • O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    Não existe um fã de romance que não tenha ouvido falar de “O Acordo”. Ou, se não conhece o livro, já viu algum TikTok sobre Off-Campus ou até mesmo algum vídeo fanmade no Twitter. O fato é: essa série atraiu muita gente para acompanhar hockey, especialmente aqui no Brasil. Venha conferir com a gente a resenha do primeiro livro do Clube do Livro NHeLas (#LeiaComNHeLas)

    Sinopse oficial: Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Mas, embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quando o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto. Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha.

    Tudo o que Garrett Graham quer é se formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo a que tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz com que Hannah e Garrett precisem repensar os termos de seu acordo.

    Classificação: +18

    O fenômeno Garrett Graham 

    Os livros não são lançamentos. “O Acordo” chegou ao Brasil em 2016 e, de lá para cá, trouxe ainda mais torcedores para o esporte. Mas o que faz dessa série tão especial? Primeiramente, podemos apontar a narrativa envolvente. O cenário universitário leva o leitor para dentro da Briar University, transitando em prédios, salas de aulas, dormitórios e arenas de hockey. Em segundo lugar, temos dois protagonistas narradores que te envolvem desde o primeiro capítulo. 

    Hannah Wells é estudante de música e, como muitas garotas, começa a se interessar por um colega de turma. O problema é: não é qualquer colega de turma. Ele é Justin Kohl, estrela do time de futebol americano. E Hannah não faz ideia de como conversar com o garoto. Porém, não é típico de Hannah se interessar por alguém. Ela já teve outros relacionamentos, mas um trauma que passou na adolescência a fez questionar todos os seus interesses românticos. 

    Garrett Graham é a estrela do time de hockey. É seu primeiro ano como capitão e tudo que ele quer é conquistar o campeonato. Entretanto, justo na sua vez de cursar Ética Filosófica, a universidade troca os professores. Enquanto o antigo professor dava notas para os alunos atletas, a professora atual parecia cobrar o triplo. Garrett tirou uma nota baixa na prova e, se não recuperar, ficará de fora do seu campeonato. Ele só vê uma solução para seu dilema: convencer Hannah Wells a te dar aulas particulares.

    O relacionamento dos dois cresce de forma natural. É palpável a cumplicidade que eles criam um com o outro. A dinâmica dos dois personagens é, sem dúvidas, o ponto alto do livro. Um relacionamento saudável que raramente vemos em outros livros de romance e, talvez, o que faz “O Acordo” ser considerado o melhor livro da série pelos fãs.

    Hockey: plano de fundo?

    Mas e o hockey? Nós temos o dilema de Garrett com o time, alguns poucos jogos e o background do protagonista com seu pai ex-estrela da NHL. A autora, Elle Kennedy, fez algumas mudanças de licença poética quando se trata do esporte. A maior delas talvez seja a questão do Draft. Na realidade, jogadores universitários não podem assinar contratos profissionais enquanto alunos atletas, mesmo se forem draftados antes de entrarem na faculdade. Muitos, inclusive, desistem da graduação para irem para a NHL, enquanto outros optam por adiar seu contrato em um ou dois anos. Raros casos de atletas que concluíram os estudos antes de ir para a liga. 

    Entretanto, é inegável como que esta série influenciou no público do esporte. Em quatro anos, o número de fãs do esporte nas redes sociais triplicou. Quando perguntamos de onde as pessoas conhecem o hockey, para boa parte a resposta é Off-Campus. Em todas as redes sociais os fãs divulgam os livros, discutem quais jogadores poderiam ser os protagonistas e se interessam em conhecer cada vez mais a NHL. 

    Garrett Graham provocou um fenômeno midiático imprevisível e curioso. Você pode não gostar de romance, ter opiniões diversas sobre a história e até mesmo cobrar um pouco mais de hockey no enredo. Porém, Off-Campus se tornou uma porta de entrada que parece que não vai se fechar tão cedo. 

    Onde Encontrar

    O Acordo” e toda a série Off-Campus (Amores Imperfeitos), além do spin-off Briar U foram publicados no Brasil pela Editora Paralela. Também é possível encontrar o primeiro livro da série em inglês (“The Deal”) de graça na Amazon

    Nota

    As notas foram somadas e esta é a média da avaliação da equipe.

    Hockeynômetro: 2,5

    Estrelas: 4,5

    Confira também a playlist do iPod da Hannah que elaboramos em conjunto com as integrantes do nosso Clube:

    A leitura do próximo mês já foi definida: Pucked, da Helena Hunting. Confira nas nossas redes sociais todas as informações e venha ler com a gente! 

  • Após offer sheet, Kotkaniemi assina com  Hurricanes

    Após offer sheet, Kotkaniemi assina com Hurricanes

    Aquela história de que “o mundo não gira, ele capota”, poderia muito bem definir a relação entre o Carolina Hurricanes e o Montreal Canadiens. Isso porque, dois anos depois de Montreal oferecer uma offer sheet a Sebastian Aho, os Canes deram o troco e enviaram uma oferta ao atacante Jesperi Kotkaniemi. Após Montreal não fazer a contraproposta na janela de 7 dias, Kotkaniemi assinou oficialmente com o time da Carolina do Norte no último sábado (4). Essa é a primeira vez desde 2007 que uma franquia não cobre uma offer sheet

    A terceira escolha do draft de 2018 chega a Carolina em um contrato de um ano por 6,1 milhões de dólares. Em troca, os Habs recebem as escolhas de primeira e segunda rodada dos Hurricanes no NHL Draft de 2022. 

    Sem dúvidas, Kotkaniemi vai encaixar bem no time ofensivo da equipe de Raleigh. O jovem jogador tem 20 pontos na última temporada regular e 8 pontos durante os 19 jogos de playoffs que participou. Assim, ele deve assumir uma posição ao lado de Sebastian Aho e Teuvo Teravainen ou até mesmo com Vincent Trocheck e Martin Necas. Todavia, com o elenco recheado de jovens talentos, o técnico Rod Brind’Amour não vai ter problemas em ajustar suas linhas para a nova temporada. 

    Na manhã deste domingo (5), Don Waddell, GM dos Hurricanes, anunciou que Kotkaniemi deve jogar na próxima temporada como left-winger. Essa não é a primeira vez que a equipe articula um center na posição. 

    Apesar de uma offseason com muitas idas e vindas e até mesmo uma contratatação questionável, o Carolina Hurricanes está investindo em novos talentos na liga. Assim, espera-se que em breve possamos ver essa equipe ir ainda mais longe na disputa pela Stanley Cup. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Arizona Coyotes pode ficar sem arena para temporada 2022-23

    Arizona Coyotes pode ficar sem arena para temporada 2022-23

    Na última quinta-feira (19) o Arizona Coyotes recebeu uma notícia desagradável. A prefeitura de Glendale, AZ, (cidade onde hoje é a casa dos Yotes) decidiu não renovar com a franquia o acordo sobre uso da Gila River Arena. Em um comunicado no Twitter oficial da cidade, a prefeitura justificou sua decisão visto interesse em promover eventos maiores e de maior impacto para a região. 

    Em seu comunicado, Kevin Phelps, administrador da cidade, agradeceu à NHL e aos Coyotes pelos últimos anos. Ele também reforçou que não foi uma decisão de última hora, pelo contrário, o assunto já era discutido entre empresários, economistas e a administração da arena. Isso porque, para os próximos anos, a prefeitura anunciou mudanças no distrito esportivo a partir de um investimento que já acontece há três anos.

    O Arizona Coyotes, por sua vez, publicou um pronunciamento do atual presidente e CEO, Xavier A. Gutierrez, manifestando descontentamento com a decisão. Para ele, essa decisão unilateral da prefeitura de Glendale apenas vai prejudicar pequenos empresários e os moradores. Ele também deixou em aberto o interesse em negociar a extensão do contrato de locação. Por outro lado, Gutierrez também sinalizou o interesse em buscar uma arena a longo prazo na região de forma que a equipe não precise ser realocada, ou, se for, que permaneça no estado. 

    Falência, realocação e burocracias

    Os problemas administrativos do Arizona Coyotes não são de hoje. Em 2009, o então presidente do Phoenix Coyotes, Jerry Moyes, declarou falência mesmo com a NHL administrando a franquia. A intenção de Moyes era vender a franquia para um bilionário canadense que iria realocar a equipe para o Canadá. No entanto, a NHL interviu e o caso foi parar no tribunal de falência em Phoenix. Assim, o juiz determinou que ia contra as regras da Liga essa venda e a própria NHL cobriu a oferta se tornando a administradora dos Yotes.

    Nessa época, a NHL fez uma parceria com a prefeitura de Glendale em que a cidade arcou com parte dos prejuízos com a intenção de não realocar a franquia. Porém, a busca por um comprador para a equipe e suas burocracias duraram anos. Foi apenas em agosto de 2013 que a compra da franquia foi finalizada. A Renaissance Sports & Entertainment (RS&E) aceitou o acordo da Liga que exigia a permanência da franquia em Glendale por pelo menos cinco anos.

    Entretanto, em 2019 o time mais uma vez foi vendido. O empresário Alex Meruelo se tornou o sócio majoritário da franquia, além de ser o primeiro hispânico a ser dono de uma franquia na NHL. Na época, Maruelo se mostrou disposto a mudanças e, mais uma vez, houve a esperança que a equipe se tornaria competitiva.

    Bom terreno, péssimo negócio

    A presença de um time da NHL no Arizona trouxe o esporte para o estado. Exemplo disso é o próprio Auston Matthews. A estrela do Toronto Maple Leafs cresceu em Scottsdale, AZ, e foi ali que começou a desenvolver seu jogo. Entretanto, mesmo sendo grato às suas origens, Matthews foi fazer sua carreira em outra franquia. Assim, se por um lado a equipe trazia resultados sociais, suas conquistas no gelo sempre estiveram aquém das promessas. 

    Com a compra do time por Maruelo, aliado aos contratos de Phil Kessel e Taylor Hall (hoje no Bruins), a esperança da equipe era apresentar um hockey diferente na temporada 2019-20. Porém, antes que tivessem tempo de modificar seu estilo de jogo, a pandemia pela COVID-19 veio reduzir a temporada regular. Quando a NHL enfim retornou na bolha, os Yotes se beneficiaram do novo formato, disputando a rodada qualificatória e eliminando o Nashville Predators para alcançar o primeiro round. Entretanto, a equipe perdeu a série seguinte para o Colorado Avalanche por 4 jogos a 1 e ficou de fora do resto da disputa. 

    O tempo passou, a equipe segue não se mostrando competitiva e, dessa vez, parece que a própria prefeitura de Glendale desistiu de insistir em uma franquia que não lhe traz lucros maiores. O encerramento deste contrato vai fazer com que os Yotes assumam seus problemas. Assim, precisarão definir se sua casa é mesmo no Arizona ou talvez é hora de tentar um novo mercado.

    E, caso eles precisem de novas ideias, o NHeLas já tem um plano guardado desde 2018 para Maruelo, Gutierrez e toda a equipe dos Coyotes. Por fim, nós queremos ouvir a opinião do leitor: o Arizona Coyotes permanece em Glendale (e no Arizona) ou será que veremos essa franquia mais uma vez em uma nova cidade? 

    Foto: Reprodução/CBS Sports

  • Luke Prokop é o primeiro jogador sob contrato na NHL a publicamente se assumir homossexual

    Luke Prokop é o primeiro jogador sob contrato na NHL a publicamente se assumir homossexual

    Nesta segunda-feira (19) de manhã os fãs do hockey foram surpreendidos com uma notícia inédita para o esporte. Luke Prokop, prospect do Nashville Predators, assumiu publicamente ser homossexual. Além disso, o atleta também contou que além dos familiares, seu agente e a própria gerência dos Predators já sabiam da sua opção sexual desde o ano passado. 

    Para o defensor de 19 anos, finalmente falar abertamente sobre sua sexualidade teve impacto até mesmo na sua performance no gelo. Isso porque ele diz ter trazido uma confiança maior para o seu jogo. “Ser capaz de realmente ser quem eu sou. Este é o melhor que eu já me senti no verão e acho que grande parte disso é devido a esse processo de me assumir”, conta o jogador na entrevista para Pierre LeBrun, do The Athletic.

    Prokop também publicou uma mensagem nas suas redes sociais que rapidamente foi compartilhada por diversos jogadores da liga e também outros times além dos Predators. Ligas como a WHL, na qual Luke jogava até a pausa pela pandemia do COVID-19, e a NWHL também se manifestaram em apoio ao jogador. 

    Nos perfis oficiais da NHL, Gary Bettman também publicou um apoio a Prokop. Na mensagem, o comissário agradece o jogador pela sua coragem e diz que a liga fará de tudo para lhe assegurar um ambiente seguro para jogar. Na publicação Bettman deixa em aberto um convite para outros atletas, comissão técnica e demais envolvidos na liga que possam também vir à público. 

    Ainda há um longo caminho a se percorrer

    A decisão Luke Prokop de tornar pública a sua opção sexual aconteceu um mês após o jogador da NFL, Carl Nassib, também vir a público assumir a sua sexualidade e se tornar o primeiro jogador em atividade da Liga de Futebol Americano abertamente homossexual. Agora, foi a vez do hockey, e a de Prokop fazer história, mais uma vez visando a importância dessa representatividade nos esportes. 

    Prokop contou que teve o apoio de seus colegas no Calgary Hitmen, assim como da comissão técnica da equipe e que, por enquanto, todos lhe apoiaram. A equipe também se manifestou em apoio ao jogador nas redes sociais. 

    Entretanto, apesar das mensagens positivas dos times e de diversos jogadores, sabemos que a realidade é bem diferente do que aparenta nas mídias sociais. Mesmo com mensagens de apoio de diversas contas, no perfil da NHL também tiveram algumas mensagens de ódio, além de alguns torcedores preocupados com a segurança do jogador.

    Sabemos que a NHL vem buscando em seu discurso criar um ambiente seguro para as diversidades. Prokop deve jogar mais algum tempo na liga júnior antes de seguir para a NHL e, sem dúvidas, ele chegará ao profissional com um desafio muito maior do que qualquer outro jogador já enfrentou. Mesmo com o apoio da equipe que o draftou, o cenário do hockey profissional ainda está longe de estar pronto para receber Luke. Assim, talvez não seja apenas o jogador que continuará desenvolvendo para que ele chegue à NHL. 

    Foto: Reprodução/theathletic.com

  • NWHL anuncia parceria com instituição em apoio à comunidade LGBTQIA+

    NWHL anuncia parceria com instituição em apoio à comunidade LGBTQIA+

    No mês do orgulho LGBTQIA+, a NWHL dá mais um passo para criar um ambiente esportivo plural e diversificado. Foi anunciado na última quarta-feira (16) uma parceria entre a liga e a Athlete Ally, um grupo sem fins lucrativos voltado para promover e proporcionar um ambiente seguro para a comunidade LGBTQIA+ dentro dos esportes. 

    Fundada pelo ex-triatleta americano Chris Mosier em 2011, a Athlete Ally tem como princípio erradicar a homofobia e transfobia nos esportes e provocar a comunidade esportiva a criar, divulgar e liderar ações que defendam a comunidade LGBTQIA+. 

    Não é surpresa para ninguém que, dentro do hockey feminino, existam membros ativos dessa comunidade. Em 2016 a NWHL se tornou a primeira liga profissional a implementar uma política de inclusão dos atletas trangêneros. Agora, ela se aproxima da Athete Ally com o intuito de atualizar e melhorar as suas políticas de inclusão para a sétima temporada.

    Essa é a segunda parceria da liga com instituições que apoiam a comunidade LGBTQIA+. Também em 2016 a NWHL se tornou parceira da You Can Play, uma campanha de ativismo social para erradicar a homofobia nos ambientes esportivos, instituição essa que colabora anualmente com o Pride Night da liga. 

    Foto: Reprodução/ nwhl.zone

  • Minnesota coloca três universidades no Frozen Four

    Minnesota coloca três universidades no Frozen Four

    O Frozen Four masculino, etapa final do campeonato de hockey universitário da NCAA, acontece nos dias 8 e 10 de abril. Porém, antes mesmo da semifinais, já temos algumas histórias interessantes para destacar. Dentre elas, a surpresa de que, pela primeira vez desde 2007, nenhum dos líderes regionais avançaram para as semifinais. 

    O campeonato regional deste ano, o primeiro desde 2019, aconteceu entre os dias 26 e 28 de março. A princípio, dezesseis times disputariam as quatro vagas das finais. Entertanto, devido ao protocolo de COVID-19 da competição, as universidades de Michigan e Notre Dame ficaram de fora da disputa. Curiosadamente, das quatro univsersidades que se classificaram para as finais, três são de Minnesota. São elas Minnesota State, St. Cloud State, Massachussets e Minnesota Duluth.

    O caminho pelo regional

    No primeiro round, Minnesota State venceu Quinnipiac por 4 a 3 no overtime; St. Cloud State, por sua vez, venceu a Universidade de Boston por 6 a 2. Minnesota Duluth passou para as quartas sem jogar, uma vez que seu jogo contra o Michigan foi cancelado pelo protocolo de COVID. Por fim, Massachussetts garantiu sua vaga nas quartas ao vencer por 5 a 1 a Lake Superior St. 

    As quartas de final trouxeram mais surpresas. Minnesota State passou a Universidade de Minnesota por 4 a 1, enquanto St. Cloud State enfrentou a Boston College, vencendo por 4 a 1. A UMass, por sua vez, venceu por 4 a 0 Bemidji State. Mas, sem dúvidas, o confronto mais interessante do campeonato foi a vitória da Minnesota Duluth por 3 a 2 contra a North Dakota, no quinto overtime.

    Bulldogs se classificam com recordes

    A UMD fez história dois anos atrás, da última vez que um Frozen Four foi disputado. Isso porque eles conquistaram pela segunda vez seguida o campeonato naquele ano. Agora, os Bulldogs mostram que estão dispostos a conquistar o título mais uma vez.

    Na noite de 27 de março, a equipe conquistou a vitória sobre North Dakota na quinta prorrogação. Por conta dos períodos extras, a partida se tornou a mais longa da história da NCAA, com 142 minutos e 13 segundos. Dessa forma, Minnesota Duluth se tornou a primeira equipe desde 2008 a chegar ao Frozen Four em quatro temporadas seguidas. 

    O autor do gol da vitória foi Luke Mylymok, que entrou para a história da NCAA ao marcar o terceiro da equipe. Porém, o jogo já estava emocionante muito antes dos overtimes. Isso porque o placar foi aberto apenas no terceiro período pelos Bulldogs.

    Em 5 minutos no período, o center Jackson Cates e o winger Cole Koepke deram a vantagem de dois gols para Duluth. Entretanto, North Dakota empatou o jogo faltando dois minutos para acabar o período. Collin Adams e Jordam Kawaguchi fizeram os dois gols para forçar o overtime. Sem dúvidas, nenhum deles esperava que esse tempo extra seria tão longo.

    Minnesota Duluth enfrenta a U Mass na quinta-feira (08), buscando mais uma vez chegar à final do Frozen Four. Na outra semifinal, temos uma disputa interestadual entre Minnesota State e St. Cloud State disputando a outra vaga. 

    A final do Frozen Four será em Pittsburgh, na PPG Paints Arena, no sábado (10). As três partidas estarão disponíveis no ESPN Play, com as transmissões em inglês para assinantes dos canais ESPN.

    Foto: Reprodução/Duluth News Tribune.