Autor: Juh Guedes

  • “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    Da última vez que Gordon Bombay (Emilio Estevez) comandou um time de hockey, essa redatora que vos fala ainda não tinha um mês de idade. Como o próprio personagem disse, “it was a life time ago.” Porém, o Disney+ chegou para trazer de volta nossos queridos Mighty Ducks e, é claro, o técnico Bombay. O primeiro episódio do novo seriado “Virando o jogo dos Campeões” estreou hoje (26) no serviço de streaming e é claro que não íamos deixar de trazer para vocês as nossas primeiras impressões.  

    Muita coisa aconteceu dos anos 1990 para cá. O hockey mudou, o entretenimento mudou, até mesmo a forma de exibir seriados mudou. Mas “Virando o jogo dos Campeões” busca no primeiro filme da trilogia o conceito para a serie: Gordon Bombay mais uma vez odeia hockey por ter “fracassado” no esporte (quem assistiu ao segundo filme sabe que ele tentou a carreira profissional, porém por uma lesão precisou se aposentar antes da hora). Agora, ele é dono de um rinque de patinação que está caindo aos pedaços e precisa de fundos para continuar funcionando. 

    Mas, diferentemente da nossa querida trilogia original, a série não trás Bombay como protagonista, e sim Alex (Lauren Graham) e Evan Morrow (Brady Noon). Alex é mãe solteira, faz tudo o que pode e o que não pode para criar Evan, que, aos 12 anos, é cortado do time de hockey Mighty Ducks (sim, o mesmo Mighty Ducks de Bombay, porém agora eles são a estrela do campeonato junior). Alex não aceita essa decisão e propõe ao filho que eles criem um time de hockey para que ele possa jogar. Ou seja, mais uma vez temos um time improvável que busca se encontrar e, possivelmente, surpreender.

    Quem são os novos “mighty ducks”?

    Sim, colocaremos “mighty ducks” entre aspas uma vez que, a princípio, estes personagens não jogarão com os Ducks da série. É um novo time, nomeado ao final do episódio de “Nem Tente” (ou Don’t Bothers em inglês), composto por crianças que buscam no hockey algum tipo de conforto. É um conjunto desajustado de garotos e garotas pré-adolescentes que buscam acolhimento num grupo e no esporte.

    Evan Morrow: O nosso protagonista tem 12 anos, jogou por diversos anos nos Mighty Ducks mas é cortado da equipe por ser baixo demais, lento demais e, possivelmente, por sua mãe, Alex Morrow, não ter o status econômico que o time exige.  

    Nick (Maxell Simkins): Nick ama hockey, mas nunca teve jeito para o esporte. Então ele tem um poadcast sobre o esporte, no qual narra as principais competições dos Ducks. Porém, quando Alex propõe a Evan que eles comecem um novo time com o interesse em jogar e não só ganhar, Nick é o primeiro a aceitar o desafio. 

    Sam (De’Jon Watts): Sam gosta de desafios e não tem medo de se machucar. Evan o desafia a entrar para o time. 

    Koob (Luke Islam): O nosso goleiro é especialista em video game. Nunca deixou um puck passar por ele no jogo online, mas também nunca teve jeito para esportes. Evan e Nick descobrem que ele tem excelente reflexos, habilidade para defesas, e o convidam para ser goleiro dessa nova equipe. 

    Logan (Kiefer O’Reiley): O “mini Nylander” (apelido carinhoso que eu dei para ele), acabou de se mudar de Toronto para a mesma rua que Evan e Nick. O garoto chega vestindo uma jersey dos Leafs, com um patins de primeira linha da Bauer e exibindo a postura de um galã infantil. O problema? Ele é péssimo em hockey. 

    Lauren Gibby (Bella Higginbotham): Ainda não sabemos muito sobre a Lauren, mas ela é uma das garotas do time que aceita o convite de Evan por ter “uma raiva anterior que precisa de uma saída”.

    Maya (Taegen Burns): Também não sabemos muito sobre Maya, seu nome nem sequer aparece no primeiro episódio. Ela era uma das garotas populares da escola, mas decide que entende Evan e aceita participar do time.

    Sofi (Swayam Bhatia): Não sabemos ainda como a Sofi deixa os Ducks, mas ela é uma das amigas mais próximas de Evan. Seus pais colocam toda uma expectativa em cima dela e, apesar de amar hockey, a garota não parece tão entusiasmada. Ela começa a sentir o joelho e apenas Evan nota, um dos motivos que o faz convidá-la para  a nova equipe. 

    Alguns pontos em que a série se afasta dos filmes

    • Diferentemente de Charlie, protagonista infantil do primeiro filme, Evan Morrow tem uma presença maior no enredo. É responsabilidade dele formar o time e também ser responsável por essa equipe de improváveis. 
    • A série tem um tom mais leve e, ao mesmo tempo, mais comédia do que o filme. Como falei no início do texto, muita coisa mudou dos anos 1990 pra cá. Esse novo tom na produção é fundamental para que, mesmo trabalhando a nostalgia dos fãs de Mighty Ducks, trazer a história para um novo público.  
    • Pelo primeiro episódio, Gordon Bombay ainda não teve um papel central, atuando mais como um conselheiro do que técnico. Porém, sem dúvidas nosso técnico favorito vai, mais uma vez, amolecer por essas crianças que amam tanto o esporte quanto ele, mesmo que ele não admita. Emilio Estevez pode não ser mais o galã dos anos 1990, mas ainda tem uma atuação carismática e intrigante. Confesso que estou muito curiosa em saber se vão revelar o que Bombay fez para chegar onde o personagem está agora, odiando tanto o esporte que uma vez amou. 

    O veredito

    Seja você um fã dos filmes, do desenho animado ou, como eu está se envolvendo nesse universo agora, “Virando o Jogo dos Campeões” é uma série divertida e deliciosa de assistir. Lembrando, é claro, que é uma série infantil e, por isso, não deve trazer grantes plot twists e revelações. Teremos hockey, muito hockey pelo que é possível ver do primeiro episódio, mas não esperem grandes atuações no gelo. 

    “Virando o Jogo dos Campeões” é pelo Disney+ e tem novos episódios às sextas-feiras. A série conta com 10 episódios de cerca de 40 minutos cada. O “sextou” do NHeLas será mais interessante pelos próximos dois meses.

    Foto: Reprodução/Disney+

  • Tretiak deixa sua posição na IIHF após decisão do CAS

    Tretiak deixa sua posição na IIHF após decisão do CAS

    Na última quarta-feira (17) a IIHF anunciou que Vladislav Tretiak deixou a sua posição como membro do conselho e dos Comitês da IIHF. Em janeiro, o Tribunal de Arbitragem do Esporte (CAS) decidiu que a Rússia não colaborou com a Agencia Internacional Anti-Doping (WADA). Por isso, apesar da redução da pena de não participar de competições internacionais para até dezembro de 2022, a Rússia também não deve ter representantes nos comitês internacionais. Assim, não haverá a delegação de um substituto para Tretiak e o Conselho da IIHF continua com 12 membros votantes nesse período. 

    A Era Tretiak na IIHF

    Tretiak deixou o cargo que ocupava desde 2012, tendo sido reeleito em 2016. O ex-goleiro da seleção soviética tem três medalhas de ouro olímpicas e dez campeonatos mundiais. Trata-se de um atleta que fez história não apenas no hockey russo mas também na história do hockey mundial. Nos anos 1980, Tretiak era considerado o melhor goleiro da época, temido e respeitado por adversários. Ele foi um dos primeiros membros do Comitê de Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e também ocupou diversos cargos na IIHF. 

    Sobre os motivos que o fizeram deixar a posição, Tretiak comentou que “a Federação Russa de Hockey no Gelo sempre respeitou as decisões das autoridades esportivas internacionais e não deseja exercer pressão adicional sobre seus parceiros de longa data da Federação Internacional de Hóquei no Gelo. Por esta razão, decidi renunciar como membro do Conselho da IIHF. Ao mesmo tempo, continuarei a trabalhar no desenvolvimento do hóquei russo e no fortalecimento de sua posição no cenário internacional.”

    Assim, os atletas da Rússia que comprovarem à WADA que não fazem o uso de substâncias ilegais e não tiveram envolvidos no esquema de doping do país ainda poderão participar das competições sob bandeira neutra. Essa condição não é nova para os atletas russos, já que o mesmo aconteceu nas Olimpiadas de Inverno de 2018. 

    Foto: JANI RAJAMAKI / EUROPHOTO (Reprodução via IIHF.com)

  • Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Antes de entrarmos na resenha da nova série da Netflix, Zero Chill (“Polos Opostos” no Brasil), preciso contar um segredo sobre a equipe NHeLas: a gente adora uma série adolescente. Nem sempre a série é boa. Às vezes é aquele tipo de série que você sabe que é ruim. Porém, continua assistindo do mesmo jeito porque de alguma forma aquilo te prende. Diverte, emociona, faz rir. Quando ficamos sabendo que a Netflix lançaria uma nova produção com hockey, é claro que corremos para assistir e trazer o veredito para vocês. 

    “Mac” MacBentley (Dakota Taylor) recebe uma bolsa para jogar na Hammarstöm Academy, uma academia de hockey no Reino Unido. Assim, toda a sua família se muda para a Inglaterra em busca da promessa de Anton “The Hammer” Hammarstöm (Oscar Skagerberg) de transformar Mac em um jogador profissional. O ex-jogador da NHL contrata Luke (Doug Rao), pai de Mac, para atuar como seu técnico assistente — Luke e Anton haviam jogado juntos no início da sua carreira. Porém, quem não gosta nada dessa mudança é Kayla (Grace Beedie). Isso porque, com a mudança, a irmã gêmea de Mac precisou abandonar o seu parceiro de patinação artística, Jacob (Kenneth Tynan), no Canadá. 

    A série estreou nessa segunda (15) no catálogo da Netflix, com dez episódios de cerca de 30 minutos cada. Apesar de até agora não ter ficado claro por que escolheram a Inglaterra como local onde a série se passa, o sotaque britânico deixa tudo mais cativante. Tem como principal cenário a Arena Hammarström, onde além do rink que os atletas de hockey e patinação dividem também tem uma lanchonete. O espaço em que Sky Tyler (Jade Ma) trabalha reúne algumas das melhores cenas da série. Outro ponto interessante de ressaltar é a idade dos personagens. Eles são adolescentes, com cerca de 15 anos, e ainda estão no início de suas carreiras esportivas. Dessa forma, toda a narrativa gira em torno da dúvida desses jovens atletas em seguir carreira profissional ou se aquela paixão é apenas um hobby. 

    Pontos fortes

    • Seja o hockey ou as apresentações da patinação, o ponto mais alto da série sem dúvida se passa dentro do rink. Muitas cenas dos dois esportes, de forma equilibrada, deixam os fãs dos esportes satisfeitos ao assistir a produção em busca dessas cenas. (Vocês ouviram Spinning Out? Seguimos orfãs dessa série);
    • Mostra-se uma realidade dos bastidores dos esportes e como adolescentes precisam lidar com escolhas que mudam toda a sua carreira;
    • O ritimo da série é muito bom. Mescla momentos emocionantes, engraçados e tensos de forma leve e cativante que te deixa com vontade de assistir até o fim;
    • Tem romance, mas ele não é o ponto principal. As relações de Mac e Kayla, Ava Hammarström (Anastázie Chocolatá) e Anton, e Bear (Jeremias Amoore) e Sam (Leonardo Fontes) estão em primeiro plano. É uma série sobre família e a importância que um núcleo familiar tem na vida de atletas adolescentes, abordado em contextos diferentes em cada núcleo;
    • Apesar de ser uma pontinha bem pequena, temos em Ava todo o preconceito que o hockey feminino ainda enfrenta. A filha do técnico Anton é apaixonada pelo esporte, e tudo que sempre quis foi impressionar o pai no gelo. Porém, foi obrigada pela mãe, a técnica de patinação artística Elina Hammarström (Tanja Ribic), a praticar patinação, uma vez que o hockey é considerado muito violento. O arco da Ava nos faz refletir como, mesmo em uma família que respira esportes de gelo, a ambiguidade e o preconceito com a figura da mulher no hockey ainda é tão presente e que, mesmo ela provando o quanto era uma boa atleta no seu esporte favorito, continuou sendo questionada.  

    Entre altos e baixos

    Primeiramente precisamos ter em mente que a produção teve como publico alvo pré-adolescentes, sendo classificada no catálogo da Netflix como “Infantil”. No entanto, com séries como Julie and The Phantoms, também voltada para o mesmo público, em mente, podemos levantar algumas críticas. A construção dos protagonistas nos faz ter raiva das atitudes de Mac e Kayla em diversos momentos. Ambos são muito egoístas e fica claro que eles são assim pelas escolhas dos pais em sempre priorizarem a possível carreira de Mac no hockey deixando Kayla e seu sonho na patinação em segundo plano. Entretanto, questiono se esses momentos que nos fazem escolher o Team Mac e o Team Kayla não são partes da construção da dicotomia que existe entre o hockey e a patinação artística. 

    Esportes tão diferentes e ainda assim tão próximos pela necessidade de uma habilidade extraordinária em cima dos patins. Essa dualidade me lembra uma entrevista do jogador do Buffalo Sabres, Jeff Skinner. Para quem não sabe, Skinner começou sua carreira no gelo praticando não só hockey como também patinação artistica. Em uma entrevista em 2018, quando ainda jogava pelo Carolina Hurricanes, Skinner mostrou um pouco da sua habilidade artística sobre o gelo e contou como esse passado o ajuda a patinar melhor durante o jogo. 

    Ainda, é preciso ressaltar que os plot twists são fracos e previsíveis, mas em momento algum isso estraga a experiência da série, produzida com a promessa de entreter e divertir o espectador. No final há uma abertura para uma possível segunda temporada, porém, infelizmente, acho difícil a Netflix renovar a série para um novo ano. De qualquer forma, há um final para a história contada na primeira temporada. 

    Veredito 

    Zero Chill é uma série infantil para os fãs de hockey e de patinação artistica. Se você está procurando uma produção leve e curta para se divertir, sem dúvidas essa série é uma boa escolha. Entretanto, não dê play com expectativas de encontrar uma narrativa complexa e diferenciada. E, caso você esteja aqui pelas performances no gelo, tanto o hockey quanto a patinação não deixam a desejar. 

  • NWHL anuncia data para final de temporada

    NWHL anuncia data para final de temporada

    A NWHL anunciou nesta segunda-feira (08) o retorno dos playoffs da Isobel Cup. Os jogos acontecerão nos dias 26 e 27 de março, na Warrior Ice Arena, em Brighton, Massachusetts. Trata-se da arena de treino do Boston Bruins e também casa do time feminino da cidade, o Boston Pride.

    A temporada havia sido suspensa no dia 3 de fevereiro após vários testes positivos de COVID-19 entre as equipes. O retorno só será possível após os protocolos de prevenção do coronavírus terem sido revistos e assumirem um tom mais rigoroso.

    As equipes Metropolitan Riveters e Buffalo Beauts não participarão dessa fase final. Dessa forma, pela classficação de quando a temporada foi pausada, quatro times entram no gelo para disputar o campeonato:

    O novato Toronto Six (1º colocado) enfrenta o Boston Pride (4º colocado) na primeira semifinal na sexta, dia 26, a partir das 18h no Horário de Brasília. Em seguida, às 21h, o Minnesota Whitecaps (2º colocado) disputa a segunda vaga na final contra o Connecticut Whale. Assim, os vencedores de ambos os jogos se enfrentarão no sábado, 27, a partir das 20h, para disputar a grande final da Isobel Cup. 

    Também anunciou-se que a NBCSN irá transmitir os três jogos das finais, fazendo desta a primeira vez que uma grande emissora nos Estados Unidos irá televisionar um campeonato profissional de hockey feminino. No Brasil, será possível acompanhar todos os jogos gratuitamente pelo canal da liga na Twitch.

    Foto: Reprodução/nwhl.zone

  • Gurianov marca quatro gols em virada histórica contra os Flames

    Gurianov marca quatro gols em virada histórica contra os Flames

    Denis Gurianov é um dos jogadores com menos tempo de gelo no Dallas Stars. Mas jogando apenas cerca de 8 minutos do segundo período, o right winger mostrou o seu valor para a equipe.

    O time do Texas liderava a série por 3 jogos a 2 e dependia apenas de uma vitória para avançar para o segundo round. Porém, Dallas perdia por 3 a 0 para Calgary no primeiro período. Então, pelas mãos do jovem jogador russo, Dallas protagonizou um comeback que entrou para a história da NHL. 

    Assim, Gurianov se tornou o segundo rookie na história da liga a marcar 4 gols em playoffs da Stanley Cup, o terceiro jogador na história dos Stars a marcar 5 pontos em uma pós-temporada e apenas o sexto novato a marcar mais de 5 pontos na corrida pela a Stanley Cup.

    Gurianov marcou o seu primeiro gol na NHL em 10 de novembro de 2018, após ser chamado do Texas Stars para um jogo contra o Nashville Predators. Porém, no dia seguinte foi mandado de volta para a AHL. Na temporada 2019-20, Gurianov finalmente teve sua chance de jogar pelo Dallas Stars, fazendo desta sua temporada de rookie

    Apesar de ser preterido por outras estrelas no time, o russo vem se mostrando uma peça fundamental na linha ofensiva dos Stars. Ao longo da temporada regular, Gurianov marcou um total de 29 pontos, sendo desses, 20 gols. O jogador de 23 anos ainda está se adaptando ao ritmo da NHL e, muitas vezes, mostrou-se inseguro no gelo, perdendo jogadas importantes para a equipe.

    Entretanto, isso parece estar mudando com a aproximação do final da sua temporada de estreia. Nessa pós-temporada, Denis Gurianov marcou ao todo 7 pontos em 9 jogos, apesar de ter uma média de apenas 13 minutos por jogo no gelo. Porém, foi no Jogo 6 contra o Calgary Flames que o rookie finalmente mostrou seu valor para a equipe de Dallas.

    O maior comeback em uma pós-temporada

    Em sete minutos de jogo, o Calgary Flames abriu uma vantagem de 3 gols com Mangiapane, Gaudreau e Andersson. Nas redes sociais o time canadense já contava a vitória, buscando forçar um Jogo 7 na série. Porém, as jovens estrelas em ascensão dos Stars tinham outra ideia em mente.

    A virada começou ainda no primeiro período, com um gol de Miro Heiskanen em um power play. O defensor, que vem se mostrando uma figura de peso na linha defensiva dos Stars, recebeu o puck de Perry e diminuiu a diferença no placar. O período terminou ainda com vantagem dos Flames por 3 a 1.

    Entretanto, o segundo período foi a chance de Gurianov brilhar e fechar, não apenas o jogo, como também a série. Com menos de um minuto, o russo recebeu o passe de Heiskanen para fazer o segundo gol dos Stars. E, aparentemente, aprendeu o caminho e não parou mais. Dois minutos depois, o próprio Gurianov empatou o jogo. 

    Então, após mais dois minutos, Gurianov deu uma assistência para Faksa virar o jogo no power play, deixando os Stars pela primeira vez à frente no placar por 4 a 3. O quinto gol veio das mãos de Pavelski, em uma jogada com Heiskanen que deixou o goleiro do Flames sem entender para onde tinha ido o puck. No caso, para dentro da rede. Porém, Gurianov resolveu que 5 a 3 ainda era pouco, e fez o seu primeiro Hat Trick em uma pós temporada aos 15 minutos do segundo período. 

    No terceiro, os jogadores dos Flames pareciam conformados com o resultado. Já Matthew Tkachuk, fora do jogo por conta de uma concussão, passava nervoso na arquibancada. Então aos 9 minutos do último período, Gurianov resolveu que um hat trick era pouco, e marcou seu quarto gol no jogo, fechando assim o placar em 7 a 3 para os Stars. 

    Próximo round

    O Dallas enfrenta agora o Colorado Avalanche na série que começa neste sábado (22), um adversário que passou pelo processo de renovação da equipe há dois anos e vem mostrando resultado. O time do Texas, por outro lado, começa apenas agora a despontar com novos e inexperientes jogadores. Sem dúvida, será uma serie interessante de se acompanhar, com jovens talentos e novas estrelas surgindo na NHL. 

    Foto: Reprodução journaldemontreal.com

  • Svechnikov se lesiona no Jogo 3 contra Boston

    Svechnikov se lesiona no Jogo 3 contra Boston

    Andrei Svechnikov saiu carregado do gelo no final do terceiro período após um encontro com Zdeno Chara. O atacante caiu durante um ataque dos Hurricanes com o joelho direito em um ângulo estranho e está sendo avaliado pela equipe médica de Carolina. Ainda não se sabe a gravidade da lesão, mas provavelmente é o fim dos playoffs para Svech. 

    Após vencer o jogo deste sábado por 3 a 1, Boston lidera a série com duas vitórias. 

    Ambos os times têm lutado por sua vaga no próximo round. Em partidas acirradas os placares teiveram pouca diferença, sendo necessário até mesmo ir para overtime. Na primeira partida algo completamente inesperado aconteceu. Com diversos times dividindo a mesma arena, a utilização da mesma é feita de forma intercalada. Porém a partida que acontecia anteriormente durou mais do que o esperado e foi necessário a remarcar do jogo. 

    Desta forma, a série entre Bruins e Canes iniciou somente no dia seguinte. O Jogo 1 acabou também indo para OT e sendo decidido com um gol de Patrice Bergeron para o time de Boston, durante a segunda prorrogação. Com um jogo marcado para o dia seguinte, novamente ambas as equipes brigavam pela vitória. Com a partida já empatada no terceiro período, Dougie Hamilton com uma assistência de Martin Necas marcou o gol que desempataria e garantiria a vitória para o time da Carolina.

    Sendo assim, a série ainda está em aberto. Apesar de Tuukka Rask ser uma figura importante na defesa dos Bruins, o time de Boston não sentiu a falta do goleiro no terceiro jogo, vencendo sem dificuldades o rival. Jaroslav Halak assumiu a rede para o restante da série, desde a declaração de Rask sobre sua opção por deixar a bolha. Da mesma forma, a equipe não pareceu sentir tanto a falta de Pastrnak, que perde o segundo jogo consecutivo na série.

    Os Canes, por outro lado, podem sentir falta de Svechnikov no ataque. O jogador de apenas 20 anos se tornou uma peça chave na equipe e essa lesão pode desestabilizar o time que ainda estava buscando seu equilíbrio após a pausa. Entretanto, Carolina tem bons jogadores que sempre surpreendem e, apesar da falta de experiência pesar quando se enfrenta um time como os Bruins, a série é grande candidata a chegar a um jogo 7. 

    Foto: Reprodução newsobserver.com

  • Dan Hamhuis anuncia aposentadoria

    Dan Hamhuis anuncia aposentadoria

    Após uma temporada decepcionante para o Nashville Predators, Dan Hamhuis anunciou na última quinta-feira (13) que está pendurando os patins. O defenssor, draftado pelo time do Tennessee em 2001, soma 356 pontos ao longo de seus 16 anos de carreira. Além dos Predators, ele teve passagens pelo Vancouver Canucks e Dallas Stars. 

    Hamhuis, que está com 37 anos, tomou a decisão de se aposentar após a pausa da NHL pela pandemia do novo coronavírus. O agora ex-jogador conta que não houve nenhuma grande comemoração e ele está feliz com a decisão tomada. 

    Carreira na NHL

    Dan Hamhuis foi a 12ª escolha do NHL Draft de 2001 e estreou pela liga na temporada 2003-04. Ele jogou por Nashville e seu afiliado na AHL,  Milwaukee Admirals, até 2010, quando se tornou unrestricted free agent e assinou com Vancouver. Natural de Smithers, na Columbia Britânica, Hamhuis se sentiu em casa ao assinar com os Canucks.

    Com o time de Vancouver, o defensor conquistou dois Presidents’ Trophy seguidos e chegou à Final da Stanley Cup de 2011, quando os Canucks perderam a taça para o Boston Bruins. 

    Em 2016, Hamhuis assinou um contrato de 2 anos com o Dallas Stars, onde jogou 159 jogos e marcou 40 pontos. 

    Ao final do seu contrato com o time do Texas, Hamhuis assinou um contrato de 2 anos com o Predators, retornando, assim, para o time que o draftou. Na sua última temporada na NHL Hamhuis marcou 8 pontos em 60 jogos. 

    Carreira Internacional

    Pela seleção canadense junior, Dan Hamhuis conquistou o bronze e a prata, em 2001 e 2002, respectivamente, em mundiais da IIHF. O defensor também conquistou quatro medalhas no World Championships da IIHF, duas de ouro e duas de prata, entre 2007 e 2015. 

    Em 2014, Dan Hamhuis contribuiu para a conquista do ouro pelo Canadá na Olimpíada de Inverno, em Sochi.

  • Brind’Amour é multado por comentário sobre gol de Charlie Coyle

    Brind’Amour é multado por comentário sobre gol de Charlie Coyle

    A série de Carolina Hurricanes e Boston Bruins começou agitada. O jogo 1, marcado inicialmente para segunda-feira (11), foi adiado para a terça (12) de manhã quando a partida entre CBJ e Tampa precisou ir até o quinto overtime. E, talvez porque nada é por acaso, o jogo entre Canes e Bruins precisou de um segundo overtime para Bergeron marcar o gol que deu ao time de Boston a vitória do primeiro jogo da série. 

    Porém, a vitória de 4 a 3 do Bruins não poderia vir sem polêmica. No segundo período, Charlie Coyle marcou o segundo gol para o Boston após Nick Ritchie dar um toque no puck no ar com sua luva, deslizando diretamente para o stick de Coyle. O time da Carolina pediu revisão da jogada, alegando um hand pass, mas os árbitros negaram e, assim, validaram o gol de Boston. A justificativa foi que Petz Mrazek, goleiro de Canes,  fez a defesa antes do puck chegar à Coyle.

    O lance sem dúvidas contribuiu para o resultado da partida. E, após a derrota por 4 a 3, Rob Brind’Amour, técnico dos Hurricanes, não mediu palavras para demonstrar seu descontentamento com a situação. 

    “É por isso que essa Liga é uma piada. Na minha opinião, essas coisas são cenas de um crime” disse Brind’Amour para Luck DeCock, do The News&Observer.

    Não é de hoje que a NHL é criticada sobre decisões favoráveis para os Bruins em momentos decisivos. Porém, mesmo que a fala do técnico não seja uma acusação nova, Brind’Amour usou termos pesados que  não agradou nada à Liga. Dessa forma, o técnico dos Huricanes recebeu imediatamente uma multa de 25 mil dólares. 

    Mais tarde, Rod Brind’Amour esclareceu a sua fala, explicando que os árbitros não deixaram claro qual havia sido o tipo de jogada antes de Canes solicitar a revisão e, dessa forma, ele ficou sem saber se questionava o hand pass ou interferência do goleiro. Além disso, por causa do pedido de revisão, Canes sofreu uma penalidade por atraso de jogo, permtindo que além do gol, os Bruins levassem um power play. Assim, sem saber qual tipo de jogada deveria revisar, Brind’Amour conta que tentou a sorte. 

    “Eles vieram até mim e eu disse: ‘Se ele tem a posse, é interferência do goleiro. Se ele não tem a posse, é hand pass. É um dos dois. Não sei  qual foi a chamada que vocês fieram no gelo.’  Tudo o que ele precisava fazer era me dizer, ‘Estamos chamando de não posse (por Mrazek).’ Então, teríamos desafiando um glove-hand pass. Se for posse, então interferência do goleiro. Eu disse: ‘Me diga o que está acontecendo no gelo.’ Eles não fariam isso quando eu perguntei: ‘Qual é o problema?’ Então eu tive que jogar uma moeda

    “Eu disse, ‘Qual foi a chamada no gelo?’ e ele disse: ‘Você tem que pedir revisão para um ou para o outro.’ Deveria ser tão fácil. Se eles dissessem que o goleiro tinha (o puck), então é uma decisão fácil. Mas eles não disseram. Não faz sentido. Sei que não éramos o melhor time, mas se esse gol não não fosse válido, nós ganhamos esse jogo? Eu não sei.”

    Foto: Reprodução Getty Image

  • Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Caso Rychel: Hockey é um esporte familiar

    Em meio a tantos textos sobre NHL, às vezes esquecemos que boa parte das histórios do hockey não estão na principal liga. Para relembrar momentos curiosos, às vezes é preciso esquecer a NHL um pouquinho e olhar para ligas menores, como a Ontário Hockey League. Que o hockey é um esporte familiar, passado de pai (ou mãe) para filhos, todo mundo sabe. Mas, eventualmente, essas relações familiares nos trazem histórias mais interessantes, como a que vamos explorar neste texto.

    A troca

    Em dezembro de 2013, um curioso caso de trocas aconteceu na OHL.

    Warren Rychel, então GM do Windsor Spitfires, envolveu seu filho Kerby Rychel, em uma troca que só iria trazer resultados para a equipe nas temporadas seguintes. Kerby, junto com o defenssor Nick Ebert, foram enviados para o Guelph Storm em troca do asa esquerda Brody Milne e mais oito picks distribuídos entre os drafts de 2014, 2015, 2017 e 2018.

    Para Kerby e Elbert, o acordo os levou até a final da Memorial Cup pelo Storm naquele ano. Kerby Rychel marcou um total de 51 pontos nos 32 jogos da temporada regular e mais 11 gols nos 20 jogos dos playoffs, enquanto Ebert terminou a temporada com 33 pontos em 38 jogos, além pontos durante os playoffs.

    Para o Windsor Spitfires, Milne conquistou 15 pontos em 40 jogos, mas não permaneceu no time quando a temporada chegou ao fim. Entretanto, as escolhas nos drafts permitiram que os Spitfires se reeinventassem. 

    No draft de 2017, os Spitfires, com a pick de Guelph, adquiriram o atacante finlandês Julius Nättinin. O jogador foi um dos principais responsáveis, após marcar 4 pontos na final, na conqusita pelo Windsor Spifires da Memorial Cup de 2017.

    É claro que os Spitfires gostariam de ter conqusitado um título com Kerby no elenco, entretanto, envolvê-lo na troca em 2013 talvez tenha sido o passo que o time precisava para a conquista de 2017.

    Para Kerby, entretanto, foi a chance de competir nos playoffs em seu último ano no torneio júnior. Ele pôde disputar uma chave decisiva, além de conquistar a Memorial Cup naquela mesma temporada, ainda que com o Guelph Storm. 

    Foto: Reprodução http://www.hometownhockey.ca/

  • Saudade do que não vivemos

    Saudade do que não vivemos

    Maio de dois mil e vinte. Eu deveria estar surtando, tentando cobrir todos os jogos dos playoffs. Uma escala louca misturada com a tensão de ver meu time avançando fase por fase. A aposta que faço todo ano com minhas amigas e os planos que eu já tinha feito quando vencesse o bracket, acertando a final entre Vegas Golden Knights e Philadelphia Flyers. 

    Talvez eu devesse ter sido menos ousada nesse palpite que fiz em meados de dezembro, quando ainda achávamos que 2020 seria “o nosso ano”. Ou talvez devêssemos culpar os Blues. Depois daquela Stanley Cup o mundo nunca mais foi o mesmo. 

    A verdade é que todo e qualquer planejamento que fizemos não existe mais. O mundo é outro e precisamos rever nossa forma de trabalhar, criar e viver.

    Mitch Marner deu uma entrevista para o The Score falando sobre a possível impovável volta da NHL e gostei do quanto ele foi sensato: “ se for para voltar, estarei pronto. Mas e se alguém adoecer? E se alguém morrer?”

    Confesso que estou me perguntando a mesma coisa todos os dias, Marner.

    Por mais que seja difícil ficar sem hockey, e que o tempo pareça não passar quando não temos nenhuma outra forma de nos distrair que não seja livros e Netflix, a hora é de ficar em paz. (Ou melhor, eu espero que vocês estejam se distraindo, porque além de não assistir a um jogo de hockey que não seja de 1980, eu também estou com saudades da Netflix. Mas isso é tema para outro texto).

    Por causa disso, resolvi escrever esse texto, totalmente opinativo e baseado apenas nas vozes da minha cabeça, com alguns palpites do que poderiam ter sido esse playoffs.

    (Se você está aqui procurando especulações reais e um possível bracket, veio ao lugar errado. Aqui, irei brevemente falar de alguns times improváveis e fatos interessantes que poderiam – ou não – acontecer. Mas prometo não insistir na minha final maravilhosa que seria Vegas x Flyers – e se de fato a temporada NHL for cancelada, podemos concordar que essa foi a Stanley Cup Final de 2020 e ninguém lembra que os Blues existem. Combinado?)

    Primeiro Round

    Chegamos aqui nos perguntando: como é mesmo um jogo de hockey? Saudades do barulho dos patins no gelo, de acordar de madrugada assustada com a chamada “HOCKEY FANS GEAR UP” na NHL.tv durante um Canucks x Sharks às 2 da manhã, e de “tretar” no twitter porque algum jogador que eu gosto se envolveu em uma briga com um “famosinho”. 

    Aliás, no primeiro round nós com certeza iríamos nos envolver em briga. Ainda tem muito time jogando, alguns jogadores já nervosinhos e o sonho pelo Jogo 7 – e manter nossas apostas vivas – permanece. 

    Será que Toronto sairia na primeira rodada de novo? Se é que eles chegariam aos playoffs esse ano, não é? (Perdão, torcedores dos Leafs, nada contra o time de vocês, mas como dizia aquele ditado brasileiro bem antigo: the zoeira never ends).

    Ao invés de ficar pensando no “e se”, venho aqui sugerir algumas atividades para tomar o lugar do Primeiro Round dos playoffs: contar quantos ladrilhos tem na parede do seu banheiro (confesso que nunca contei o meu, mas por algum motivo que nunca entendi, lá tem uma letra T no meio dos ladrilhos coloridos randomizados); talvez seja interessante arrumar um pet, ou, se você tem um pet, tirar um tempo do seu dia para ficar com ele. Animais são ótimas companhias para o tédio, até porque eles raramente nos deixam no tédio.

    (Meu cachorro, por exemplo, inventou agora de bater panela às 2 da manhã. Alguém claramente esqueceu de passar para ele os horários do panelaço.)

    A verdade é: estamos com saudade daquela emoção dos playoffs, de que ainda não é possível prever o que vai acontecer nos jogos seguintes. Um pouco parecido com como estamos agora. 

    Segundo Round

    Nessa etapa, eu já estaria surtando. Como cobrir tantos jogos pelo amor de Deus? Já nem saberia mais se era Jogo 4 ou Jogo 5, cada confronto com uma história diferente, torcendo para o seu time ganhar logo os primeiros quatro jogos e ir descansado para a Final de Conferência.

    Mas ao mesmo tempo, a tensão pela possibilidade deles descansarem demais e não terem o mesmo desempenho que fizeram até ali (Canes eu ainda estou triste). 

    Chegando aqui, já saberíamos qual (ou quem) seria a “zoeira” dos Playoffs 2020, os jogadores que estariam se destacando e até mesmo aqueles que estreariam na pós-temporada.

    Não sei vocês, mas depois de um ano de novatos a meu ver tão “pobre”, em que o Calder está mais do que decidido entre Quinn Hughes e Cale Makar, eu poderia assistir a novos talentos se destacando. Ou até mesmo a algum jogador veterano batendo outro recorde. Nesse ponto, qualquer coisa que envolva hockey eu já estaria feliz. 

    Em vez disso, a gente está se estressando com essa máscara de insira aqui o material de sua escolha, que vamos falar a verdade: impossível respirar direito com esse troço. Se você é que nem eu e tem um tipo de alergia, começa a espirrar e todo mundo em volta acha que é o bonito do vírus e a gente tem que ficar: “não se preocupa, é insira aqui sua ite”.

    Ainda assim, eu queria uma máscara com a cara do Gritty, ou até mesmo uma com o logo do meu time. Infelizmente não temos isso por aqui, mas usar a máscara é o mais importante nesse momento, viu galera?

    Terceiro round – AKA Finais de Conferência

    Com apenas quatro times na disputa, é a hora de começar as apostas de verdade. Seu bracket ou está inteiro, ou já foi ladeira abaixo por uma zebra que NINGUÉM pensou que aconteceria. Mas, independentemente disso, é a hora das apostas. Ou, se seu time ainda está na disputa, é a hora das promessas.

    Quem aqui não prometeu ficar sem chocolate se o time ganhasse? Ou até mesmo disputou com um amigo que vestiria a jersey do rival em um cenário que você tinha certeza que não iria acontecer. 

    A verdade é: nas Finais de Conferência só existem dois tipos de torcedores: aquele totalmente sem unhas de tanto passar nervoso rezando para seu time vencer, e aquele que está aqui apenas para ver o circo pegar fogo.

    Todo mundo quer um Jogo 7 com duplo OT e um gol apenas nos últimos segundos. Já não importa mais a hora que você está dormindo, porque o importante é não perder nenhum tiro a gol.

    Infelizmente os tweets do seu time não servem como atestado para faltar ao trabalho/escola. Mas tudo bem, playoffs só tem uma vez no ano, não é mesmo?

    Porém, sem a Final de Conferência, sem escola para ir no dia seguinte e trabalhando de casa, dormir também não está sendo uma opção. Então aqui vão algumas tarefas que você pode fazer às 2 da manhã, sem sono e entediado: começar a ler uma série com no mínimo 17 livros; aprender sobre planejamento e tentar criar uma rotina que você sabe que vai dar errado na primeira semana; assistir a mais de 500 TikToks e dormir com o celular jogado na cama e “I’m Just a Kid” na cabeça.

    Se você gosta de ser produtivo, por outro lado, é a hora de tirar da gaveta aquele projeto que você sempre quis fazer mas tinha outras prioridades. Ou melhor, no seu horário habitual ainda tem trabalho e outros compromissos, mas às 2 da manhã é um bom horário para começar a escrever um livro ou talvez fazer um roteiro para um podcast. 

    Stanley Cup Final

    Vamos ser sinceros, se você chegou até aqui, deve estar extremamente entediado ou então, como eu, resolveu tirar um tempo das obrigações que parecem se acumular mais ainda agora que “rotina” é apenas um conceito abstrato. 

    Nesse ponto dos playoffs, as apostas estão em nível máximo. Apenas dois times restam na disputa, e a chance de seu time estar entre eles já é bem menor. Bom, eu falei que não iria usar o meu palpite aqui, mas como ainda acho que uma final Vegas x Flyers seria sensacional, vou usar esses dois times como modelo.

    Nesse momento, você pode ser anti-Flyers, mas não exatamente pró-Vegas, ou ainda torcer para Philadelphia e ter simpatia pelo “caçula” da NHL. Eu confesso que seria a pessoa que só quer um Jogo 7 porque ainda não está pronta para dizer adeus ao hockey até outubro.

    (Nesse momento as lágrimas escorrem ao pensar que estamos sem hockey desde março). 

    O vencedor para nós aqui não importa muito, apenas queremos curtir os últimos segundo possíveis e, se ganharmos algum dinheiro (ou o que quer que seja a sua aposta – eu já apostei até fanfic), melhor ainda. 

    Mas, infelizmente, não temos a Stanley Cup para apostar. Então, o que podemos fazer com essa saudade de hockey que não vai embora?

    Podemos maratonar os vídeos do canal do NHeLas e colocar em dia aquele vídeo de fevereiro que você ainda não teve tempo de terminar de assistir.

    (Aí você aproveita e já manda o link do canal para o amigo que te prometeu que esse ano começava a ver hockey mas que, sem playoffs, está se contentando apenas com a volta da Bundesliga).

    Outra opção é ir ao nosso Twitter e votar do Big NHeLas Brasil, já que até sem reality show estamos agora.

    Também podemos procurar algum livro de estatística ou história do hockey. Não é porque não temos novidade, que não podemos consumir o esporte. Eu estou lendo The Boys of Winter do Wayne Coffey e recomendo.

    Se você é daqueles que gostam de videogame, sempre é possível organizar um campeonato de NHL20. Ou até mesmo chamar os amigos no Skype e jogar Gartic com tema de hockey. Boa sorte para vocês que vão tentar adivinhar que aquele traço oval esquisito que seu amigo vai desenhar na verdade é um puck.

    Enfim, sabemos que a quarentena não está sendo fácil para ninguém. A NHL não confirmar se irá ou não cancelar está deixando todo mundo, incluindo os jogadores, aflitos.

    O melhor que podemos fazer é ter paciência. Em breve tudo isso vai passar e nosso esporte estará de volta. Enquanto isso, já vamos pensando no que vocês contarão para seus filhos quando eles perguntarem porque não existe campeão da Stanley Cup de 2020. Eu vou dizer que os Blues roubaram a taça e, como não devolveram, tiveram que cancelar o hockey naquele ano. 

    Foto: Reprodução https://se.stageright.com/project-gallery/t-mobile-arena/