Autor: Marina Garcez

  • Draft Class de 2019: quem são

    Draft Class de 2019: quem são

    Chegando ao final da década, o NHL Draft de 2019 trouxe a chance para duas equipes escolherem jovens atletas que pudessem se tornar franchise players. Jack Hughes, americano, e Kaapo Kakko, finlandês, lideravam o ranking norte-americano e europeu, respectivamente, e já eram certeza no top 3 daquele ano. 


    A seleção aconteceu em Vancouver, e contemplou o New Jersey Devils, pela segunda vez em três anos, com a primeira escolha. O top 3 contou ainda com New York Rangers e o Chicago Blackhawks. Além disso, a quarta escolha, pertencente ao Ottawa Senators, equipe detentora do pior resultado na temporada anterior, foi automaticamente para o Colorado Avalanche. Isso se deu como condição da troca que levou Matt Duchene aos Sens em 2017.

    Jack Hughes, C, New Jersey Devils: uma rara vitória para os filhos do meio (#1 overall)

    O nome Hughes já era conhecido no meio do hockey, pois o irmão mais velho de Jack, Quinn, foi selecionado por Vancouver no ano anterior. Entretanto, diferentemente do defensor do Vancouver Canucks e também de seu irmão caçula, Luke, o Hughes do meio é um center. Draftado diretamente do United States National Team Development Program (USNTDP), o americano chegou perto de bater o recorde de Auston Matthews na equipe durante seu primeiro ano.

    Já durante o seu ano de elegibilidade, Hughes bateu o recorde absoluto de pontos no USNTDP, com 190. Assim, o calouro ultrapassou a marca de Clayton Keller (hoje jogador do Arizona Coyotes). Após ser a primeira escolha de Jersey no draft, Hughes assinou seu contrato profissional sem mesmo atuar no hockey universitário ou major juniors. Pelo contrário, ele foi diretamente para a NHL. Seu primeiro gol na Liga veio contra o irmão, em uma vitória de 1-0 dos Devils sobre os Canucks. Embora o center tenha sofrido com lesões e marcado apenas 21 pontos em seu primeiro ano, os flashes de talento que ele demonstrou são uma fonte de esperança para a torcida de New Jersey. 

    Kaapo Kakko, RW, New York Rangers: o messias de Manhattan (#2 overall)

    O finlandês começou a carreira no TPS da SM-Liiga, onde marcou 38 pontos em 45 partidas em seu ano de elegibilidade. Além disso, Kakko ganhou medalha de ouro nas três competições da International Ice Hockey Federation (IIHF), o mundial sub-18, o World Juniors Championship e o World Championship. O winger é o jogador mais jovem a conseguir tal feito.

    Após ser selecionado em segundo lugar pela equipe de Nova York, ele assinou seu contrato em julho de 2019. A estreia na NHL veio em outubro do mesmo ano, assim como seu primeiro gol. Kakko foi o segundo jogador nascido no século XXI a marcar um gol na liga, já que o recorde havia sido estabelecido pelo também finlandês Ville Heinola horas antes. 

    Kirby Dach, C, Chicago Blackhawks (#3 overall)

    O canadense iniciou sua carreia no major juniors pelo Saskatoon Blades da Western Hockey League (WHL). Durante sua primeira temporada completa, em 2017/2018, ele marcou 46 pontos em 52 partidas. Já no seu ano de elegibilidade para o draft, o center marcou 73 pontos em 62 jogos, terminando a temporada em terceiro lugar no ranking de patinadores norte-americanos. Selecionado em terceiro pelos Blackhawks, o canadense marcou seu primeiro gol na NHL contra Marc-André Fleury e seu Vegas Golden Knights em outubro de 2019.

    Bowen Byram, D, Colorado Avalanche (#4 overall)

    Ranqueado em segundo dentre os patinadores norte-americanos, Byram também iniciou a carreira na WHL, com o Vancouver Giants. Em seu ano de elegibilidade ele marcou 27 pontos em 60 jogos. Nos dois anos seguintes ele marcou 71 e 52 pontos em 67 e 50 partidas, respectivamente. Além disso, conquistou o ouro do World Junior Championship em 2020 com o Canadá. Espera-se que Byram possa formar uma dupla com Cale Makar no futuro, dessa forma contribuindo para muitas campanhas do Colorado Avalanche ao lado de Nathan MacKinnon e companhia. 

    Alex Turcotte, C, Los Angeles Kings (#5 overall)

    Outro produto do USNTDP, Turcotte foi draftado pelos Kings em quinto lugar em 2019 depois de se encontrar em quarto no ranking de patinadores norte-americanos. Em seguida foi jogar hockey universitário da National College Athletic Association (NCAA) pela Universidade de Wisconsin, onde marcou 26 pontos em 29 partidas. Com o fim da temporada universitária, Turcotte assinou com os Kings em março de 2020, mas não chegou a disputar partidas pela equipe. 

    Cole Caufield, RW, Montreal Canadiens (#15 overall)

    O pequeno americano também fez parte do USNTDP, tendo feito história ao marcar 105 gols pela equipe e passar o recorde de Phil Kessel (estabelecido entre 2003 e 2005). Caufield terminou sua temporada de elegibilidade com 72 gols em 64 partidas, com uma média de 1.56 pontos por partida. Depois do draft, no qual foi selecionado por Montreal, o winger iniciou sua carreira universitária com a Universidade de Wisconsin, onde somou 36 pontos em 36 partidas durante o seu primeiro ano na NCAA. Caufield, ao contrário do seu ex-colega de equipe, pretende jogar pelo menos mais uma temporada com os Badgers. 

    Menções honrosas:

    Moritz Seider, D, Detroit Red Wings (#6 overall): uma das surpresas no primeiro round, o defensor alemão está atualmente na Swedish Hockey League, atuando pelo Rogle BK, devido à pandemia do COVID-19 e suas implicações na Deutsche Eishockey Liga (DEL), a liga alemã de hockey, que atrasou seu início. 

    Dylan Cozens, C, Buffalo Sabres (#7 overall): o canadense terminou sua carreira na WHL com 223 pontos em 179 partidas, além de ter ganhado medalha de ouro com o Canadá no WJC de 2020. 

    Trevor Zegras, C, Anaheim Ducks (#9 overall): o americano marcou 117 pontos pelo USNTDP em seu ano de elegibilidade e competiu por um ano na NCAA pela Boston University antes de assinar seu contrato profissional com os Ducks.

    Spencer Knight, G, Florida Panthers (#13 overall): atualmente o goleiro americano atua na NCAA, pela Boston College. Knight foi o primeiro goleiro na história que os Panthers escolheram no round inaugural do NHL Draft.

    Cam York, D, Philadelphia Flyers (#14 overall): outro produto do USNTDP, York atualmente joga na Universidade de Michigan, onde fez 16 pontos em 30 partidas durante a sua primeira temporada.

  • Draft Class de 2018: onde estão

    Draft Class de 2018: onde estão

    Três anos após a campanha não-oficial do “Tank for McDavid”, o Buffalo Sabres finalmente foi contemplado com a primeira escolha do draft em 2018.  Esta foi a terceira vez que a equipe do estado de Nova York recebeu o direito de escolher primeiro, depois de 1970 e 1987. Os demais integrantes do top 3 foram as equipes do Carolina Hurricanes e do Montreal Canadiens. 

    Ottawa, tal como Colorado no ano anterior, caiu para a quarta posição ainda que tenha tido uma temporada tenebrosa em 2016/2017. Você tem curiosidade em saber da onde o fulaninho de classe de 2018 brotou? Então vem com a gente saber mais sobre esse draft. 

    RASMUS DAHLIN, D, BUFFALO SABRES (#1 overall)

    O sueco chegou ao draft como a escolha óbvia para a first pick. Dahlin, além de ter sido ranqueado como o melhor prospect europeu, teve a oportunidade de participar dos jogos olímpicos de inverno de 2018. O defensor foi o atleta mais jovem na modalidade naquela edição da competição. Uma das principais razões pelo sueco ter se destacado foi seu jogo ofensivo, que complementa as suas habilidades defensivas. Com comparações a Erik Karlsson e Victor Hedman, ficava claro que a equipe que draftasse Dahlin teria uma peça chave para sua franquia durante muito tempo. 

    Após a seleção de Buffalo, o defensor se tornou o primeiro sueco a ser a first pick desde que o Toronto Maple Leafs draftou Mats Sundin em 1989. Embora sua estreia tenha sido com uma derrota de 4-0, Dahlin se tornou o quinto defensor na história da NHL a marcar 30 pontos em uma temporada. Com 44 pontos depois de seu ano de estreia, o sueco foi um dos finalistas do Calder Memorial Trophy, mas perdeu para o compatriota Elias Petterson. Dahlin ainda está no início de sua trajetória na Liga, mas ao assistirmos suas atuações já fica claro o porquê do sueco ser um dos pilares do rebuild dos Sabres, ao lado de Jack Eichel. 

    ANDREI SVECHNIKOV, RW, CAROLINA HURRICANES (#2 overall)

    O winger foi para a América do Norte após seu irmão, Evgeny, ter sido draftado pelo Detroit Red Wings. Depois de um ano na United State Hockey League (USHL), o russo foi escolhido pelo Barrie Colts no import draft da Canadian Hockey League (CHL). O bom desempenho de Svechnikov na Ontario Hockey League (OHL) fez com que ele fosse ranqueado em primeiro dentre os patinadores do continente norte-americano. Após ter sido selecionado por Carolina no draft, o russo assinou seu contrato profissional com a equipe.

    O efeito Svechnikov se espalhou pela torcida dos Canes durante a temporada de estreia do russo. Além de ter tido uma campanha respeitável enquanto rookie, ele foi uma das faces do movimento de renovação na equipe de Carolina. Na primeira aparição do time na pós-temporada em XX anos, Svechnikov marcou cinco pontos em nove partidas. Logo no início da temporada seguinte o russo se tornou o primeiro a marcar um Michigan (colocar link do vídeo) na NHL, feito que o winger conseguiu repetir alguns meses depois (colocar link também). Atualmente Svechnikov é um dos principais jogadores dos Canes, e tem tudo para se tornar um grande nome na Liga.

    JESPERI KOTKANIEMI, C, MONTREAL CANADIENS (#3 overall)

    Quando Marc Bergevin falou o nome do finlandês, uma das câmeras localizadas na arena focou em um casal de torcedores de Montreal. O choque e irritação na face da torcedora são claros no vídeo, afinal todos os rankings mostravam Filip Zadina como a próxima escolha óbvia. Entretanto, Kotkaniemi foi quem os Habs escolheram para completar o top 3 daquele ano.  Ao estrear contra o Toronto Maple Leafs em 2018, o finlandês se tornou a primeira pessoa nascida em 2000 a disputar uma partida pelas quatro grande ligas (NFL, NBA, MLB e, é claro, NHL). 

    Embora o center tenha tido uma primeira temporada razoável, a pressão de uma torcida grande e apaixonada como a dos Habs fez com que os torcedores se frustrassem com ele. Por não ter se desenvolvido com a rapidez esperada, o finlandês terminou a temporada na American Hockey League (AHL). Atualmente, devido à pandemia do COVID-19, ele encontra-se emprestado ao HC Ässät até o início do training camp da nova temporada. Kotkaniemi soma 42 pontos em 115 jogos.

    BRADY TKACHUK, LW, OTTAWA SENATORS (#4 overall)

    No caso de Tkachuk, o hockey e a NHL correm por suas veias. Filho de Keith Tkachuk e irmão de Matthew Tkachuk, o winger escolheu diferente do irmão. Depois do United States National Development Team Program (USNDTP), ele optou por seguir carreira universitária na National College Athletic Association (NCAA), jogando pela Boston University. O americano terminou o seu ano de elegibilidade no time dos rookies de sua conferência e no segundo lugar do ranking de patinadores da América do Norte.Ao assinar seu contrato com os Sens, Tkachuk abriu mão da carreira universitária. Quando marcou seu primeiro gol, o americano se tornou o integrante de sua família a fazer um gol mais rápido na NHL. 

    Mesmo com lesões e jogando apenas 71 partidas, o winger fez 45 pontos em seu primeiro ano e foi escolhido para o All Star Game. Além disso, seus 22 gols foram o segundo maior número por um rookie, atrás apenas do vencedor do Calder daquele ano, Elias Pettersson. A personalidade e o jogo explosivo de Tkachuk fizeram com que ele se tornasse um ponto de alegria e positividade para a torcida dos Sens, equipe que vive uma crise há um bom tempo. O americano é tão importante para o time da capital canadense que há rumores de que ele pode se tornar o capitão da equipe em breve.

    QUINN HUGHES, D, VANCOUVER CANUCKS (#7 overall)

    O sobrenome Hughes já é conhecido pelas torcidas da NHL. O jovem defensor americano foi draftado da NCAA, onde jogava na Universidade de Michigan. Antes disso, ele fazia parte do USNTDP juntamente com Brady Tkachuk. Hughes chamou a atenção dos olheiros por sua técnica de patinação e habilidades ofensivas, que fizeram com que o Vancouver Canucks usasse sua escolha do primeiro round para selecioná-lo. Afinal, o defensor havia quebrado vários recordes e conseguido números impressionantes na sua temporada de estreia com Michigan. 

    Após o draft, Hughes retornou à universidade para seu segundo ano, e seus números foram ainda mais impactantes. Com cinco gols e 28 assistências em 32 partidas, o americano foi o maior pontuador de sua equipe e conquistou uma indicação ao Hobey Baker, prêmio para o melhor jogador da NCAA durante a temporada. Com a conclusão do calendário de jogos dos Wolverines, Hughes deixou a NCAA e assinou seu contrato profissional com os Canucks. Embora ele tenha estreado na NHL em março de 2019, seu rookie year se iniciou apenas na temporada 2019/2020, devido às regras do contrato de novato. O americano quebrou diversos recordes na franquia dos Canucks e terminou a temporada liderando sua classe de novatos em pontos (53 em 68 partidas), a terceira vez em que um defensor conseguiu este feito. Além disso, Hughes foi votado para participar do All Star Game e no final da temporada foi finalista do Calder Trophy. Ao que tudo indica o jovem defensor americano tem tudo para escrever seu nome dentre os grandes da NHL. 

    Menções honrosas:

    Barrett Hayton (C, Arizona Coyotes, #5 overall): o center canadense veio do Sault St. Marie Greyhounds e se tornou parte permanente do elenco dos Yotes em 2019/2020. Atualmente está emprestado ao Ilves, da liga finlandesa, até o início do training camp. 

    Filip Zadina (RW, Detroi Red Wings, #6 overall): embora o tcheco tenha sido um prospect muito cotado, ele ainda não conquistou seu lugar no time principal de Detroit. Como a equipe está no meio de uma reconstrução é possível que ele se desenvolva com mais calma. 

    Adam Boqvist (D, Chicago Blackhawks, #8 overall): o defensor sueco é parte importante no rebuild do Chicago Blackhawks, e foi draftado do London Knights da OHL, superpotência do major juniors

    Evan Bouchard (D, Edmonton Oilers, #10 overall): o jovem defensor é uma das esperanças para a blue line do Edmonton Oilers. Em sua foto do draft, Bouchard parece um pai de família que não sabe o que é dormir há anos, desde que o filho nasceu. 

    K’Andre Miller (D, New York Rangers, #22 overall); principal prospect da defesa do New York Rangers, Miller optou pela carreira universitária da NCAA, jogando na universidade de Wisconsin por duas temporadas. Em março deste ano ele assinou seu contrato profissional com os Rangers.

  • Tampa Bay Lightning vence Jogo 6 e é o grande campeão da Stanley Cup

    Tampa Bay Lightning vence Jogo 6 e é o grande campeão da Stanley Cup

    Na primeira final da Stanley Cup jogada em Edmonton desde 2006, o grande campeão da noite não foi o time da casa (que nem nos playoffs estava). Aliás pós-temporada essa que ninguém poderia ter previsto acontecer alguns meses atrás, o projeto de Gary Bettman se provou bem sucedido e o comissário da NHL conseguiu coroar um campeão sem nenhum caso de COVID-19 dentro das bolhas. 

    Após muitos anos (e várias temporadas regulares impecáveis), o Tampa Bay Lightning finalmente se consagrou campeão da Stanley Cup. A equipe da Flórida venceu o Dallas Stars em seis jogos e alcançou o maior troféu do hockey pela segunda vez na história da franquia. A última vez que os Bolts venceram havia sido em 2004, com nomes como Vincent Lecavalier e Martin St. Louis no elenco, além de estarem à época sobre o comando de John Tortorella.

    O jogo seis, disputado no Rogers Centre na última segunda-feira (28), foi um clássico exemplo do quão bem o sistema de Tampa funciona. A equipe treinada por Jon Cooper fez uma partida magistral, tanto por mérito do sistema desenvolvido pelo técnico, bem como todo o talento disponível no elenco. Além disso, Dallas era um time claramente desfalcado, ainda que seus jogadores estivessem no gelo, já que muitos deles estavam com lesões que interferiram diretamente em seu desempenho.

    A ESTRADA ATÉ AQUI

    Para o Dallas Stars, chegar na final da Stanley Cup foi como voltar para casa depois de um longo período longe dela. Afinal, o time do Texas não chegava tão longe na pós-temporada desde 2000, quando foram derrotados na final pelo New Jersey Devils. Em seu trajeto, a equipe texana venceu o Calgary Flames, o Colorado Avalanche e o Vegas Golden Knights para sagrar-se campeão da Conferência Oeste

    Já o Tampa Bay Lightning fez sua primeira aparição nas finais desde 2015, quando perdeu para o supercampeão Chicago Blackhawks. A sua campanha foi calcada em sangue e lágrimas após a humilhante eliminação no ano passado, quando foram varridos pelo Columbus Blue Jackets. A campanha da equipe floridiana começou com a vingança para cima dos Jackets, seguida do Boston Bruins e contra o New York Islanders na final da Conferência Leste.

    A SÉRIE EM PERSPECTIVA

    O primeiro jogo foi vencido por Dallas, com gols de Joel Hanley, Jamie Oleksiak, Joel Kiviranta e Jason Dickinson. Do lado de Tampa, Yanni Gourde foi o único a marcar. Já o segundo jogo foi de Tampa, que marcou três vezes no primeiro período, com Brayden Point, Ondrej Palat e Kevin Shattenkirk. Nos dois períodos seguintes Joe Pavelski e Mattias Janmark diminuíram para os Stars, mas a equipe do Texas não conseguiu sequer empatar a partida.

    No terceiro encontro da série Tampa viu seu capitão fazer sua única aparição nos playoffs deste ano. Steven Stamkos conseguiu anotar um gol para dar momentum à sua equipe. Além dele, Nikita Kucherov, Victor Hedman, Point e Palat também marcaram. Do lado de Dallas, Jason Dickinson e Miro Heiskanen diminuíram a diferença no placar. O jogo quatro terminou o tempo regular empatado. Para os Bolts, Point (duas vezes), Gourde e Alex Killorn foram os autores dos gols da equipe. De Dallas, tivemos John Klingberg, Pavelski (duas vezes) e Corey Perry. Na prorrogação Shattenkirk venceu a partida para o Lightning, ampliando a vantagem no confronto para 3 a 1.

    O jogo cinco foi o primeiro no qual Tampa já tinha a real possibilidade de sagrar-se campeã. Entretanto, a partida foi vencida por Dallas com um gol de Perry na prorrogação. Perry ainda fez um gol no tempo regular, além de seu compatriota Pavelski ter empatado a partida no terceiro período. Do lado dos Bolts, Palat e o jovem defensor Mihkail Sergachev foram os autores dos gols. Por fim, chegamos ao jogo seis, partida final da série. A partida foi vencida com facilidade por Tampa, com gols de Point e Blake Coleman. Além disso, Andrei Vasilevsky teve seu primeiro shutout nos playoffs da NHL. 

    PLACAR:

    • JOGO 1 DAL 4 – 1 TBL
    • JOGO 2 DAL 2 – 3 TBL
    • JOGO 3 TBL 5 – 2 DAL 
    • JOGO 4 TBL 5 – 4 DAL (OT)
    • JOGO 5 DAL 3 – 2 TBL (OT)
    • JOGO 6 TBL 2 – 0 DAL 

    DALLAS FRAGMENTADO

    A equipe texana chegou ao quarto round da pós-temporada depois de deixar para trás nomes que iniciaram a temporada como favoritos, como foi o caso do Colorado Avalanche e do Vegas Golden Knights. Entretanto, seu elenco já ostentava sinais de cansaço. O supertrio de Jamie Benn, Alexander Radulov e Tyler Seguin não marcaram sequer um gol nas finais. O center canadense, inclusive, já ostentava diversas lesões em partes diferentes do corpo. 

    Além disso, a equipe teve diversas baixas no final da temporada regular, como Radek Faksa, Blake Comeau e até mesmo Roope Hintz. O goleiro Ben Bishop ficou de fora de grande parte da temporada regular, e participou de apenas três partidas nos playoffs. No quesito ataque, os autores dos seis últimos gols da franquia foram os veteranissimos Joe Pavelski e Corey Perry, que assinaram com Dallas na free agency e vê-los no uniforme victory green ainda causa estranheza. 

    Mesmo assim, ainda que já não esteja mais no seu prime, Pavelski empatou o jogo cinco e fez história, se tornando o maior goleador americano nos playoffs, com 61 gols. Apesar do final triste, o surgimento de talentos como Denis Gurianov e Joel Kiviranta, além de nomes como Miro Heiskanen e Roope Hintz se firmaram como peças importantes da franquia, Dallas pode continuar sonhando com mais campanhas de sucesso no futuro.

    A REVENGE TOUR DOS BOLTS

    A equipe de Tampa entrou nos playoffs deste ano com uma mentalidade bem diferente dos anos anteriores. Depois de serem objeto de piadas quando foram varridos por Columbus no ano passado, o Lightning tinha muito a provar. Afinal, ainda que seu desempenho na temporada regular fosse costumeiramente excelente, a equipe só havia disputado a final da Stanley Cup uma vez com o elenco atual, em 2015. A superioridade trazida pelos Bolts no dia-a-dia parecia ter dificuldade em se traduzir para uma situação de mata-mata. Isto é, até 2020. 

    Além da narrativa coletiva, a equipe também possui muitas jornadas individuais interessantes. Kevin Shattenkirk foi bought out pelo New York Rangers, time que escolheu na free agency por ser torcedor desde a infância. No jogo quatro ele foi o responsável pela vitória no overtime, deixando os Bolts a um jogo da conquista do campeonato. Blake Coleman iniciou a temporada no New Jersey Devils, um dos piores times da Liga, quando foi trocado para Tampa próximo à trade deadline

    Zach Bogosian é outro caso. O defensor teve seu contrato com o Buffalo Sabres terminado após ele ter se recusado a se apresentar no afiliado da equipe da American Hockey League (AHL). Logo após o episódio ele assinou um contrato de um ano com Tampa, avaliado em pouco mais de um milhão de dólares. Um dos principais atrativos que levam atletas a assinarem com os Bolts, além, é claro, da competitividade da equipe, é a questão tributária. Os impostos na Flórida são um fator importante ao atrair free agents que aceitam assinar por menos do que receberiam em outros mercados. 

    Além disso, tal ferramenta é importante nas negociações de extensão contratual com os atletas em momento de renovação. O capitão Steven Stamkos, por exemplo, quando esteve prestes a se tornar um free agent em 2016, aceitou continuar na equipe por um valor menor do que possivelmente ele conseguiria em outros times. Ele, inclusive, foi o maior desfalque da equipe do Lightning nos playoffs, já que estava fora de comissão desde fevereiro. O center canadense esteve no gelo por menos de três minutos nesta pós-temporada, no jogo três das finais, mas mesmo assim deixou sua marca com um gol. Por fim, este elenco campeão dos Bolts tem a presença de Patrick Maroon, que ganhou a Stanley Cup com o St. Louis Blues no ano passado e se tornou o terceiro jogador após a expansão a vencer em dois anos consecutivos, mas por equipes diferentes. 

    O VIKING E A CONQUISTA DE SEU CONN SMYTHE

    Não é de hoje que Victor Hedman é um dos principais nomes dentre os defensores da Liga. Afinal, o sueco foi o finalista do James Norris Memorial Trophy em nada menos do que quatro oportunidades diferentes, conquistando-o em 2018. Nos playoffs deste ano Hedman jogou cerca de 26 minutos por noite, com um leque de outros defensores como seu par. O sueco marcou 10 gols, se tornando o terceiro defensor com mais gols atrás de Paul Coffey e Brian Leetch.

    Discreto como seus demais compatriotas na Liga, o defensor foi apenas o terceiro sueco a ser consagrado o MVP dos playoffs. Apenas Nicklas Lidstrom e Henrik Zetterberg, ambos do Detroit Red Wings, receberam o Conn Smythe. Além disso, Hedman se junta a Brad Richardson, se tornando o segundo atleta na história do Tampa Bay Lightning a ganhar o troféu. 

    Mesmo com Hedman se destacando tanto na blue line dos Bolts, a disputa foi acirrada. Enquanto o sueco teve 70 pontos, que lhe garantiram o Conn Smythe, o center canadense Brayden Point ficou em segundo lugar com 66, apenas quatro pontos a menos. Os outros dois nomes que apareceram nos votos foram o superstar russo Nikita Kucherov e o goleiro Andrei Vasilevsky, sem dúvidas um dos maiores nomes em sua posição atualmente. 

    A votação ficou da seguinte forma:

    Victor Hedman 70 pontos (9-8-1)

    Brayden Point 66 pontos (8-8-2)

    Nikita Kucherov 25 pontos (1-2-14)

    Andrei Vasilevsky 1 ponto (0-0-1)

    A votação foi feita no formato de 5-3-1 pontos para primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente,  e os votos foram submetidos faltando 10 minutos para o final do jogo 6.

    MOMENTOS NOTÁVEIS DAS FINAIS (segundo o NHL.com)

    O primeiro gol da final foi também a primeira vez que o jovem defensor Joel Hanley marcou na NHL, com assistência de Roope Hintz, estrela de Dallas nos playoffs de 2019. 

    A defesa de Anton Khudobin no finalzinho do primeiro jogo, impedindo que Anthony Cirelli empatasse a partida.

    O retorno icônico de Steven Stamkos, capitão de Tampa que esteve fora do rinque desde o início do ano com uma lesão misteriosa. O center canadense entrou na partida, fez um gol e foi embora, jogando apenas 2:47 minutos durante o jogo 3. (O momento favorito da autora que vos fala)

    Depois de ter sido bought out pelo New York Rangers, Kevin Shattenkirk foi para Tampa receber muito menos do que seu valor de mercado. O defensor americano venceu a partida para os Bolts com seu gol na prorrogação do jogo quatro. 

    O gol de Corey Perry na segunda prorrogação do jogo cinco deu esperanças à torcida de Dallas, forçando o jogo seis.

    A cerimônia de premiação foi um pouco diferente, após um pedido do Lightning. Ao invés do capitão, solitário, buscar o troféu junto a Bettman, toda a equipe se reuniu ao redor do pódio onde a Stanley Cup se encontrava. 

    Para finalizar, precisamos falar do momento mais 2020: a falta de vaias a Bettman, devido aos jogos se realizarem em uma arena vazia. Brincadeiras à parte, ver jogadores e comissão técnica ligarem para seus familiares em chamada de vídeo do gelo apenas acrescentou mais uma camada de surrealismo nesta pós-temporada que ficará marcada para sempre na história da NHL. 

    A cobertura NHeLas dos playoffs fica por aqui. Nos vemos em 2021, quem sabe não é a vez do seu time levantar Lord Stanley? 🙂

    (Foto: TampaBay.com/Reprodução)

  • Draft Class de 2017: onde estão

    Draft Class de 2017: onde estão

    O draft class de 2017 trouxe nomes que, ainda nas suas primeiras temporadas, se tornaram estrelas na NHL. Apesar da equipe do Colorado Avalanche ter tido a histórica pior temporada da franquia, suas chances para ganhar a primeira escolha do draft foram em vão e os Avs acabaram por selecionar em quarto. Entretanto, do outro lado dos Estados Unidos, o Philadelphia Flyers (depois de quase conquistar uma vaga nos playoffs) saltou da esperada 13ª posição para fazer a segunda escolha da noite. A cerimônia aconteceu em Chicago e muita gente selecionada lá já está deixando sua marca nos livros da NHL. Vem com a gente conferir!

    NICO HISCHIER, C, NEW JERSEY DEVILS (#1 overall): The shore is alive with the sound of hockey

    Nativo de uma pequena cidade na Suíça, Hischier começou a praticar o esporte com seu irmão mais velho na equipe do EHC Visp. Conforme crescia, o suíço passou a se destacar pelo seu talento. Na temporada 2015/2016 ele foi promovido para o SC Bern, equipe da liga suíça e afiliado do Visp. Em seguida, Hischier foi selecionado no Import Draft da Canadian Hockey League (CHL), pelo Halifax Mooseheads da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). 

    Na Nova Escócia, o suíço foi destaque da equipe do Mooseheads, tendo sido o rookie do ano e ganhador do prêmio de melhor prospect da QMJHL. Depois de um World Junior Championship forte em 2017, Hischier subiu nos rankings dos prospects, sendo elencado em segundo lugar. Ao ser selecionado pelos Devils no draft de 2017, se tornou o suíço draftado mais alto e primeiro a ser escolhido com a first pick.  Depois de uma pré-temporada positiva, o center entrou para o roster dos Devils e logo se viu em uma linha com Taylor Hall. 

    Com a temporada prolífica do winger canadense, que inclusive venceu o troféu Hart de MVP daquele ano, a presença de Hischier na primeira linha ajudou New Jersey a chegar nos playoffs. Desde então, o suíço tem sido peça chave no rebuild do time. Seu desempenho foi recompensado com uma extensão de sete anos, um ano antes de seu contrato entry level expirar. Hischier terá um salário de 7.25 milhões de dólares a partir da próxima temporada. Atualmente o center suíço conta com 135 pontos em 209 partidas disputadas na NHL.

    NOLAN PATRICK, C, PHILADELPHIA FLYERS (#2 overall): De promessa que ainda não se concretizou a azarão da Philadelphia 

    Acho que não estou sozinha quando falo que o #2 overall de 2017 precisa, acima de tudo, de um bom banho de sal grosso. Tido como o prospect mais importante do seu draft por anos, o canadense se viu caindo para a segunda posição em Chicago depois de uma temporada com poucas aparições no major juniors. Vindo de uma família de atletas, Patrick começou no Brandon Wheat Kings da Western Hockey League, bem próximo da sua cidade natal, Winnipeg.

    Embora já estivesse no radar dos olheiros, foi a temporada 2015/2016 que colocou Patrick como o possível (e provável) top prospect do seu draft. Juntamente com Ivan Provorov, recém draftado pelos Flyers em 2015, o center foi campeão da WHL e chegou às finais da Memorial Cup. Embora Patrick tenha terminado o ano com 102 pontos em 72 partidas, foi ali que seus problemas com uma hérnia causada pelo esporte começaram. Na off-season o jogador fez sua primeira cirurgia para corrigir o problema, e foi revelado que ele havia se lesionado antes mesmo dos playoffs começarem. 

    Nomeado capitão dos Wheat Kings na temporada seguinte, o canadense iniciou seu ano de elegibilidade com muitas expectativas. Entretanto, complicações da hérnia fizeram com que ele tivesse apenas 33 aparições em partidas da sua equipe. Ainda assim, ele terminou o ano em primeiro lugar no ranking de prospects e foi selecionado pelo Philadelphia Flyers em segundo no draft. A incerteza acerca da saúde de Patrick veio à tona quando foi revelado que ele havia feito outra cirurgia reparadora da hérnia, e por isso o jogador não participou do prospect camp dos Flyers.

    Patrick ganhou uma vaga na equipe dos Flyers naquela temporada e terminou sua modesta campanha com 30 pontos em 73 partidas. Nos playoffs daquele ano o jogador foi um dos principais nomes da sua equipe no confronto contra o arquirrival Pittsburgh Penguins, mas a equipe de Philly foi eliminada em seis jogos. A segunda temporada do center na NHL teve números basicamente iguais à primeira, mas o atleta novamente se viu fora de muitos jogos após hits em sua cabeça. 

    Em setembro de 2019 Philadelphia tornou pública a informação de que o jogador havia sido diagnosticado com uma síndrome crônica que causa enxaquecas, razão pela qual o canadense não atuou nesta temporada, nem mesmo no retorno da Liga após a paralisação pelo COVID-19. Atualmente, Patrick é um restricted free agent e seu próximo contrato, bem como seu status de saúde, ainda são uma incógnita. (A autora pergunta a você, caro leitor: quanto custa enviar alguns – ou vários – pacotes de sal grosso para o Wells Fargo Center? #FreeNolan)

    MIRO HEISKANEN, D, DALLAS STARS (#3 overall): O xerifão do Sul, proprietário do Texas inteiro 

    O finlandês começou sua carreira no clube de sua cidade natal, o Espoo Blues, mas logo se juntou ao HIFK, pelo qual fez sua estreia profissional na Liiga aos 17 anos, durante seu ano de elegibilidade. Apesar da tenra idade, Heiskanen jogou no primeiro par de defesa e terminou a temporada como o defensor europeu mais bem ranqueado entre os prospects. O defensor foi, então, selecionado pelo Dallas Stars com a terceira escolha.

    Mesmo assinando seu contrato com Dallas logo após o draft, Heiskanen foi emprestado ao HIFK. Lá ele marcou 23 pontos em 30 partidas, mais do que dobrando sua produção do ano anterior. O finlandês estreou diretamente na NHL, sem passar por um período de adaptação na American Hockey League (AHL) como a maioria dos defensores europeus. Este fato, por si só, já aponta o quão especial é o defensor, que foi o segundo mais jovem de sua posição a marcar na história da franquia.

    Heiskanen continuou em ascensão, tendo sido o escolhido para representar sua equipe no All Star Game de 2019, com stats consideráveis dentre o ranking dos rookies. Com a equipe do Texas marcando presença nos playoffs de 2019, o finlandês se tornou o terceiro defensor com menos de 20 anos a marcar dois gols em um jogo de pós-temporada. Com uma maturidade além do comum, o finlandês deu esperanças à torcida dos Stars, que durante tanto tempo teve em John Klingberg sua única estrela na blue line. Em sua segunda temporada regular na Liga o atleta teve um aproveitamento bom, pontuando 35 vezes em 68 partidas. 

    Entretanto, foi no retorno após a paralisação que Heiskanen desabrochou de vez, e se colocou na discussão para o Conn Smythe de MVP da pós-temporada. Em 26 partidas, o finlandês tem 26 pontos, um aproveitamento surpreendente para alguém, não só da sua posição como da sua idade. Não é exagero falar que, se Dallas tivesse conquistado a Stanley Cup de 2020, o jovem defensor seria um dos principais nomes cotados para a honraria de MVP. A carreira de Heiskanen está apenas começando, mas já podemos afirmar que ele se firmará como um dos grandes defensores na história de sua equipe e, quem sabe, da Liga como um todo. 

    CALE MAKAR, D, COLORADO AVALANCHE (#4 overall): BB couve, florescendo no Colorado

    Embora tenha sido selecionado no draft da WHL pelo Medicine Hat Tigers, o defensor canadense optou pelo hockey universitário da National Collegiate Athletic Association (NCAA). Após seu draft em 2017, Makar iniciou sua carreira universitária pela University of Massachusetts-Amherst. Na NCAA o jovem defensor desabrochou como um wunderkind na blue line da sua equipe, sendo o ganhador do Hobey Baker, troféu de melhor jogador, da liga universitária. 

    Ao final de sua segunda temporada, entretanto, Makar já sentia-se pronto para a NHL. Por isso, em abril de 2019 ele assinou seu contrato com o Colorado Avalanche, fazendo sua estreia profissional no jogo três do primeiro round dos playoffs daquele ano. Makar chegou na Liga com um bang, marcando um gol em sua primeira oportunidade. Mesmo com a eliminação dos Avs no segundo round, o canadense já havia deixado sua marca no coração da torcida.

    Com a troca de Tyson Barrie na off-season de 2019, o lugar de Makar como quarterback do power play de Colorado já estava certo. As expectativas com relação à campanha do jovem defensor eram grandes, e podemos falar que elas foram atingidas e, quiçá, superadas. Makar se tornou o segundo defensor do Avalanche a fazer 18 pontos em 18 jogos em novembro de 2019, mas uma lesão o deixou de fora de algumas partidas. Ele terminou a temporada com 50 pontos em 57 jogos.

    Dinâmico e tenaz, o canadense continuou jogando em alto nível e quebrando recordes na pós-temporada. Makar terminou a campanha com seu Avalanche no segundo round, tendo uma média de um ponto por jogo. Para coroar sua primeira temporada completa na Liga, o defensor recebeu o Calder Trophy. Makar esteve em todas as fichas de votação e nenhum dos consultados o colocou em uma posição abaixo do segundo lugar. O canadense já é uma estrela com apenas 21 anos, e seu talento com certeza trará muitas alegrias para os torcedores dos Avs.

    ELIAS PETTERSSON, C, VANCOUVER CANUCKS (#5 overall): O encantador de orcas, que veio libertar os Canucks do sofrimento (será?)

    Os deuses do hockey sorriram para Vancouver quando a equipe canadense escolheu o center sueco com a quinta escolha (após perder mais uma loteria do draft). Pettersson começou sua carreira no Timra IK, da segunda liga mais importante da Suécia. Entretanto, logo antes de seu draft ele assinou um contrato de três anos com o Vaxjo Lakers da Swedish Hockey League (SHL). Ranqueado em segundo dentre os patinadores europeus, o sueco foi selecionado pelos Canucks. 

    Embora ainda fosse tido como um jogador junior, ele teve uma temporada de estreia avassaladora na SHL. Com 56 pontos em 44 jogos, o center quebrou o recorde (de 40 anos!) de maior pontuação por um jogador jovem na liga. Nos playoffs não foi diferente, com 19 pontos em 13 partidas, Pettersson foi o MVP do time e venceu o campeonato sueco. Além disso, ele agraciou a internet com a tradicional sessão de fotos feita pelo MVP, afinal o sueco foi o verdadeiro golden boy da SHL naquela temporada. (Aqui a autora gostaria de dizer que, na opinião dela, ele deveria fazer o mesmo, só que com tinta prata, caso um dia ganhe o Conn Smythe)

    Pettersson já marcou seu primeiro gol na Liga durante a sua estreia, contra o Calgary Flames. A presença do center no elenco dos Canucks trouxe de volta a esperança ao torcedor. A química de Pettersson com o winger Brock Boeser também foi parte considerável da adaptação rápida do sueco à NHL. Em sua primeira temporada, ele marcou 66 pontos em 71 partidas e venceu o Calder Trophy de melhor rookie, conquistando o coração de Vancouver.

    A temporada seguinte tinha tudo para ser ainda melhor não fosse a paralisação, já que o jogador havia atingido o mesmo número de pontos do ano anterior, em menos jogos. Na pós-temporada pela primeira vez neste ano, o sueco marcou 18 pontos em 17 partidas. Tudo indica que a jornada de Pettersson enquanto superstar da NHL está apenas no início, o que fará com que a conferência do Pacífico seja destaque nos próximos anos. 

    NICK SUZUKI, C, VEGAS GOLDEN KNIGHTS (#13 overall): (atualmente do Montreal Canadiens): the Hab way of life!

    O canadense iniciou sua carreira no major juniors no Owen Sound Attack da Ontario Hockey League (OHL). Com números que fizeram com que ele se destacasse, o jogador foi escolhido em 13º com uma das várias escolhas que Vegas teve no primeiro round de 2017. Considerando que o center ainda precisava se desenvolver mais, ele foi retornado à sua equipe da OHL, onde bateu a marca de 100 pontos.

    Na intertemporada de 2018 Suzuki foi trocado para o Montreal Canadiens juntamente com Tomas Tatar, com Max Pacioretty indo para o Golden Knights. Ainda assim, o canadense jogou seu ano draft+2 na OHL, sendo trocado do Sound Attack para o Guelph Storm depois de 30 partidas. A chegada definitiva do jogador à NHL ocorreu apenas na última temporada. 

    Em 71 partidas, Suzuki anotou 41 pontos em uma equipe marcada pela inconstância. Entretanto, nos playoffs o jovem center teve um desempenho satisfatório, anotando sete pontos em 10 partidas. Com o movimento de reconstrução do elenco dos Habs, Suzuki encontrará ainda mais espaço para se desenvolver em um jogador de qualidade.

    ROBERT THOMAS, C, ST. LOUIS BLUES (#20 overall): Não, não é o vocalista do Matchbox Twenty (Alexa, toca Unwell)

    Ser homônimo de um rockstar é mais um dos fatores que fazem o center canadense se destacar dentre seus colegas. A carreira de Thomas se iniciou na OHL, com a potência do London Knights e uma campanha bem sucedida que culminou na vitória da Memorial Cup. Por ter sido seu primeiro ano na liga junior, o center fez apenas 15 pontos em 40 partidas.

    Após três anos na OHL, Thomas estreou por St. Louis na temporada 2018/2019, fazendo 33 pontos em 70 partidas. Aos 19 anos ele fez história ao ajudar a equipe a chegar nas finais da conferência, dando duas assistências no jogo sete. Apesar de sua pouca idade e das lesões, Thomas foi importante na campanha vitoriosa dos Blues, e consagrou-se campeão da Stanley Cup.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Cody Glass, C, Vegas Golden Knights (#6 overall): o center canadense foi a primeira escolha da história da franquia do Vegas Golden Knights. 

    Lias Andersson, C, New York Rangers (#7 overall): o sueco ficou conhecido no Twitter quando jogou a sua medalha de prata para a plateia após a cerimônia de premiação do World Juniors. Embora ele tenha sido um prospect muito visado antes do seu draft, suas relações com o New York Rangers, equipe que o selecionou, esfriaram consideravelmente e ele retornou à Suécia. 

    Martin Necas, C, Carolina Hurricanes (#12 overall): o jovem tcheco faz parte do jovem elenco dos Canes e já demonstra que poderá ser uma peça valiosa da equipe.

    Erik Brannstrom, D, Vegas Golden Knights (#15 overall): o prospect sueco foi fator determinante na troca que levou Mark Stone para o Vegas Golden Knights. Atualmente joga no Belleville Senators, afiliado de Ottawa na AHL.

    Kailer Yamamoto, RW, Edmonton Oilers (#22 overall): o pequeno winger aprendeu a patinar com a mãe de Tyler Johnson, do Tampa Bay Lightning. Ele vem, aos poucos, ganhando espaço no elenco do Edmonton Oilers.

    Morgan Frost, C, Philadelphia Flyers (#27 overall): apesar de alguns probleminhas disciplinares, Frost foi destaque do Sault St. Marie Greyhounds e, posteriormente, do Lehigh Valley Phantoms, afiliado dos Flyers na AHL.

  • Draft Class de 2016: onde estão

    Draft Class de 2016: onde estão

    Depois de uma temporada tão ruim que entrou para a história, o Toronto Maple Leafs foi agraciado com a primeira escolha na loteria de 2016. A última vez que isso havia acontecido fora em 1985, quando a equipe canadense selecionou Wendel Clark. O prospect a ser selecionado em 2016, entretanto, era um americano que figurava em primeiro na lista de patinadores europeus. 

    Além de Auston Matthews, a lista dos top prospects incluía Patrik Laine e Jesse Puljujarvi na Europa e Pierre-Luc Dubois, Matthew Tkachuk e Alex Nylander na América do Norte. Quer saber mais sobre os principais nomes escolhidos em 2016? Vem com a gente!

    AUSTON MATTHEWS, C, TORONTO MAPLE LEAFS (#1 overall): de rei do deserto a superstar de Toronto (Alexa, toca Bigodin Finin)

    Filho de uma mexicana e produto do deserto do Arizona, o caminho de Matthews até o hockey foi inusitado. Depois de se apaixonar pelos Coyotes, o esporte ganhou espaço com o jovem americano, que desistiu do baseball de vez e foi jogar no USA Hockey National Development Team (USNTDT), em Michigan. Após dois anos de programa, o center tinha dois claros caminhos na sua frente: jogar hockey universitário ou trilhar o caminho do major juniors indo para a Western Hockey League (WHL). 

    Matthews, entretanto, escolheu uma via diferente. Como ele perdeu a data limite do draft de 2015 por poucos dias, o americano completou 18 anos no início de seu ano de elegibilidade. Isso possibilitou que ele fizesse uma coisa rara para norte-americanos prestes a serem draftados: jogar profissionalmente antes da NHL. O Zurich Lions, da liga suíça, foi a equipe escolhida e Matthews chegou ao draft com a experiência de já ter jogado com “gente grande”.

    Ao ser chamado no palco quando Toronto fez a primeira escolha em 2016, ele reacendeu a chama da esperança na cidade. Além disso, a seleção de um latino com a primeira escolha foi um passo, ainda que tímido, importante para a representatividade na NHL. Afinal, quantos garotos de origem latina se inspiram ao ver um rapaz como eles marcando gols e sendo um All-Star na televisão? Em sua primeira temporada, Matthews chegou aos playoffs, fez 69 pontos e marcou 40 gols. Quando a temporada terminou ninguém se surpreendeu quando o rookie que marcou quatro gols em sua partida inaugural na liga  ganhou o troféu Calder.

    Ainda que Matthews já seja um superstar na NHL e jogue no maior mercado do esporte, as críticas continuam. Isso porque o seu Toronto Maple Leafs ainda não chegou ao segundo round dos playoffs, tendo inclusive sendo eliminado na fase de play-in neste ano. Todavia, o americano continua colecionando recordes e atualmente tem 285 pontos em 282 partidas, isto é, somando mais do que um ponto por jogo. Em fevereiro de 2019 Matthews estendeu seu compromisso com os Leafs por cinco anos, com um salário anual de mais de 11.6 milhões de dólares.

    PATRIK LAINE, RW, WINNIPEG JETS (#2 overall): um gamer finlandês em Winnipeg (mas não era lá que a Wi-Fi era ruim?)

    Os finlandeses são conhecidos por terem um humor… digamos, peculiar. A segunda escolha de 2016 prova que isso é de fato uma verdade. Dono das melhores frases provenientes de entrevistas, Laine jogou como goleiro durante muito tempo na infância antes de decidir que gostava mais de fazer gols e não tentar defendê-los. O finlandês cresceu jogando pelo Tappara da SM-Liiga, time do qual foi draftado pelo Winnipeg Jets. 

    Diferentemente de muitos europeus, Laine não precisou de mais tempo para se adaptar. Sua carreira na NHL iniciou-se imediatamente. Em sua primeira temporada, Laine anotou 64  pontos e as comparações com o seu ídolo, Alexander Ovechkin, começaram a surgir, devido ao tiro rápido e perigoso do finlandês. No ano seguinte, Laine fez 70 pontos, sendo que 44 destes foram gols. Entretanto, durante sua terceira temporada na liga, quando seu contrato estava prestes a ser renovado, o finlandês pontuou apenas 50 pontos. 

    A sua queda em rendimento fez com que ele, ao contrário de seus companheiros Kyle Connor e Nikolaj Ehlers, recebesse uma extensão de apenas dois anos, que foi assinada apenas em setembro de 2019, quando Laine já havia inclusive ido para a Suíça treinar com o SC Bern para aguardar o resultado das negociações entre o clube e os seus representantes. Além de fornecer entretenimento no gelo, o finlandês também dá entrevistas memoráveis e não tem medo de falar a verdade. Afinal, ele foi totalmente honesto quando disse que não escreveu o artigo supostamente de sua autoria no Player’s Tribune, afirmando ter apenas dado uma entrevista para a publicação.

    PIERRE-LUC DUBOIS, C, COLUMBUS BLUE JACKETS (#3 overall): nasce uma estrela em Columbus, Ohio

    O canadense iniciou sua carreira no major juniors, no Cape Breton Screaming Eagles da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Embora tenha sido ranqueado em primeiro no ranking dos patinadores norte-americanos, a decisão de Columbus ao escolhê-lo no lugar de Jesse Puljujarvi gerou estranhamento e críticas. Atualmente, entretanto, é certo que o clube de Ohio está rindo à toa com a sua decisão. Uma curiosidade é que o Draft de 2016 foi no 18º aniversário do center.

    Dubois retornou ao major juniors por mais um ano depois do seu draft, e foi trocado no meio da temporada para o Blainville-Boisbriand Armada. Quando chegou a Columbus, o canadense começou a temporada jogando entre Artemi Panarin e Josh Anderson. Ainda no seu primeiro ano na liga, Dubois quebrou um recorde da franquia, de maior pontuação por um rookie. Com a ajuda de um hat trick em março de 2018, o canadense chegou a 48 pontos no ano. 

    Com uma equipe se desfazendo ao seu redor, Dubois viu seu papel na equipe aumentar cada vez mais. Atualmente o canadense é definitivamente o 1C da equipe, e tem se mostrado capaz de dar conta do recado. Afinal, nos dois anos seguintes Dubois fez 64 e 49 pontos em 82 e 70 partidas, respectivamente. Além disso, nos últimos playoffs o canadense foi uma das figuras mais importantes para o Columbus Blue Jackets, e se tornou talvez o homem mais odiado de Toronto. O GM dos Jackets não terá a vantagem na negociação desse contrato. 

    JESSE PULJUJARVI, RW, EDMONTON OILERS (#4 overall): Chiarelli’s interlude – outro top prospect que se desperdiçou

    Depois de duras críticas quando o finlandês foi descartado por Columbus, o Edmonton Oilers escolheu o winger com a quarta pick daquele ano. Revelado pelo Karpat da SM-Liiga, Puljujarvi era um dos principais prospects de 2016 e o terceiro no ranking de patinadores europeus. Assim como Laine, Puljujarvi já começou a carreira profissional na América do Norte disputando partidas para o seu clube da NHL. Entretanto, o desempenho do finlandês não convenceu a torcida nem a comissão técnica, e ele foi mandado para o Bakersfield Condors da American Hockey League (AHL) depois de apenas 28 jogos. 

    Na AHL, Puljujarvi marcou 12 gols e 16 assistências em 39 jogos. Os altos e baixos entre NHL e AHL nos próximos dois anos foram prejudiciais para o desenvolvimento do winger. Além disso, ele precisou fazer uma cirurgia nos dois quadris, que o tirou do final da temporada 2018-19. Com o relacionamento cada vez mais frio entre jogador e clube, o finlandês decidiu voltar para a sua terra natal quando se tornou um restricted free agent. Atualmente, embora os Oilers detenham seus direitos na NHL, Puljujarvi atua pelo Karpat da SM-Liiga.

    MATTHEW TKACHUK, LW, CALGARY FLAMES (#6 overall): esse pitbull pode não ser o Mr. Worldwide, mas ele definitivamente é o Mr. Calgary

    Ame-o ou odeie-o, mas falem dele. Tal como Boston tem carinho pelo comportamento de Brad Marchand no gelo, Calgary faz o mesmo com Tkachuk. Briguento e tenaz, o winger americano incita diversas emoções não só nos torcedores, mas também nos jogadores dos outros times. Afinal, quem não se lembra de toda a situação com Drew Doughty, defensor do Los Angeles Kings?

    Filho de um ex-jogador da NHL, Tkachuk decidiu seguir os passos do pai, Keith. Assim como a maioria dos americanos, fez parte da equipe de desenvolvimento da USA Hockey, onde jogou com Auston Matthews, dentre outros atletas americanos. Quando se formou no colegial, desistiu da carreira universitária para jogar no London Knights da Ontario Hockey League (OHL), ao lado de Mitch Marner, onde foi campeão da Memorial Cup no seu ano de elegibilidade. 

    Em Calgary, Tkachuk fez sucesso imediato com a torcida e gerou a rejeição dos adversários. Em seu primeiro ano na Liga, ele fez 48 pontos. No ano seguinte, 49. Entretanto, no terceiro e último ano de seu entry-level contract, o winger fez 77 pontos e se firmou como um dos principais nomes do elenco dos Flames. A importância de Tkachuk para a equipe também fez com que ele recebesse um dos As do time. 

    O americano também tem a tendência a se envolver com polêmicas, especialmente devido à agressividade que apresenta no gelo e é carinhosamente chamado de “peste” pelas torcidas rivais. Indisciplinas à parte, Tkachuk é uma peça central para Calgary e seu contrato de 7 milhões anuais, assinado em 2019, deixa isso bem claro. 

    CLAYTON KELLER, RW, ARIZONA COYOTES (#7 overall): alguém que não ficaria deslocado no núcleo “roça” de uma novela das seis (mas que eu gostaria que jogasse no meu time)

    Outro produto do USNTDP, Keller optou pela NCAA (National College Athletic Association) e o hockey universitário da Boston University. Por Boston, foi líder de gols e assistências no seu ano de estreia e acabou por ser coroado o rookie do ano do Hockey East em 2017. Sua estreia na NHL veio depois que a temporada universitária terminou, quando ele assinou o contrato profissional. Em três partidas disputadas, Keller teve duas assistências.

    O primeiro ano de fato do americano na NHL contou com a quebra de vários recordes da franquia. Ele foi o primeiro rookie a marcar nove gols em um mês desde Teemu Selanne em 1993, além disso foi o primeiro a pontuar 15 vezes em um único mês desde Selanne e Keith Tkachuk em 1993. Com 55 pontos, Keller ultrapassou o recorde da franquia de maior pontos por um rookie, que até então era de Peter Muller. Ele foi o rookie do mês em duas oportunidades, outubro e março.

    Ao terminar a temporada com 42 assistências e 62 pontos, Keller foi escolhido como um dos finalistas do Calder Trophy, mas perdeu para Mat Barzal. O americano ainda não conseguiu replicar o sucesso de sua temporada de estreia, mas fez boas campanhas pelos Coyotes. Em setembro de 2019, Keller estendeu seu compromisso com Arizona por mais oito anos, com um salário anual de cerca de 7.1 milhões de dólares anuais. 

    ALEX DEBRINCAT, LW, CHICAGO BLACKHAWKS (#39 overall): Acho que vi um gatinho (Remix) – Kitty in the Windy City

    O americano começou a carreira no Erie Otters da OHL, onde jogou ao lado de Connor McDavid e Dylan Strome, atual companheiro de Blackhawks de DeBrincat. Apesar de ter sido um prolífico pontuador na sua carreira de major juniors, DeBrincat caiu para o segundo round por seu tamanho: hoje, aos 22 anos, ele tem 1,70 de altura e pesa cerca de 75 kg. Ele foi selecionado pelo multicampeão Chicago Blackhawks, que pôde esperar que o americano se desenvolvesse mais ainda na OHL antes de se profissionalizar.

    DeBrincat estreou pelos Hawks em 2017 e seu primeiro gol foi marcado contra Carey Price do Montreal Canadiens. O jogador terminou sua primeira temporada profissional com 52 pontos em 82 jogos e foi o Blackhawk mais jovem a receber o prêmio de jogador do ano no time. Além disso, ele igualou o recorde de maior número de hat tricks feitos por um jogador nascido nos EUA em uma temporada de estreia na NHL, com três marcados.

    Nos dois anos seguintes DeBrincat se tornou cada vez mais importante durante o processo de renovação do elenco dos Hawks. Em três temporadas e 284 partidas disputadas, ele soma 173 pontos. Em outubro do ano passado o americano renovou seu contrato com a equipe de Chicago por mais três anos, com salário de 6.4 milhões anuais.

    CARTER HART, G, PHILADELPHIA FLYERS (#48 overall): o salvador da Filadélfia no século XXI veio no formato de um príncipe da Disney das antigas

    Quando Ron Hextall escolheu o goleiro do Everett Silvertips da WHL no segundo round de 2016, ele sabia que o jovem canadense tinha potencial. Hart foi para o draft figurando no primeiro lugar no ranking de goleiros norte-americanos, e foi o primeiro a ser selecionado naquele ano. Nos dois anos após o draft, Hart passou ganhando experiência na WHL ele foi eleito o jogador da liga em 2016-17 e duas vezes o melhor goleiro, fato inédito. Ele encerrou sua carreira no major juniors com um dos melhores percentuais da história e um ouro pelo Canadá no World Juniors.

    Em 2018 a hora que a torcida dos Flyers aguardava ansiosamente aconteceu, e Hart iniciou sua carreira profissional no Lehigh Valley Phantoms da AHL. Embora ele tenha demorado um pouco para se firmar com o ritmo do hockey profissional, Hart logo se tornou o titular da posição e em dezembro de 2018 foi chamado para atuar pelo Flyers na NHL. O resto é história. Ainda na sua primeira temporada na liga, Hart figurou entre os rookies em destaque mais de uma vez e terminou o ano com uma porcentagem de defesas de .917.

    Na sua segunda temporada, o canadense continuou jogando muito bem, mas sua boa forma se tornou especialmente impressionante na volta após a paralisação. Hart já quebrou recordes da franquia, conseguindo shutouts consecutivas na série contra Montreal e igualando Bernie Parent e Michael Leighton. Ele também foi o mais jovem a fazê-lo e apenas o quarto com menos de 23 anos a conseguir tal feito. Depois de mandar seu ídolo de infância, Carey Price, para casa de mãos abanando, Hart trouxe de volta a discussão acerca dele próprio ser o herdeiro do legado de Price. 

    Além disso, com apenas dois anos de hockey profissional de experiência, o goleiro já demonstra ter uma maturidade para além de seus 22 anos. Tudo indica que Carter Hart pode ser o nome que levará Philadelphia à Terra Prometida, coisa que nem Hextall conseguiu fazer. Então, quem sabe, poderemos um dia discutir se o seu nome irá figurar no alto do Wells Fargo Center juntamente com o das outras lendas da equipe da Pensilvânia, inclusive o próprio Parent. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Alexander Nylander, LW, Buffalo Sabres (#8 overall): o irmão de William e filho de Michael foi trocado para os Blackhawks em 2019. 

    Mikhail Sergachev, D, Montreal Canadiens (#9 overall): o defensor russo foi a peça de retorno na troca que levou Jonathan Drouin do Tampa Bay Lightning ao Montreal Canadiens Será que rolou um arrependimento quando a defesa deles passou a incluir Karl Alzner e seu contrato hor-ro-ro-so?

    Charlie McAvoy, D, Boston Bruins (#14 overall): o jovem defensor tem sido peça importante para os Bruins nas campanhas da equipe tanto na temporada regular quanto nos playoffs.

    Jakob Chychrun, D, Arizona Coyotes (#16 overall): apesar de uma lesão séria no joelho, a extensão contratual do jogador com os Coyotes mostra que o time pretende contar com ele nos planos a longo prazo.

    Dante Fabbro, D, Nashville Predators (#17 overall): mais um defensor para Nashville. Será que a equipe do Tennessee cria esses meninos em árvore?

    Dillon Dube, C, Calgary Flames (#56 overall): o canadense foi a grande revelação dos playoffs de 2020 para o Calgary Flames. 

    Adam Fox, D, Calgary Flames (#66 overall): os direitos desse ex-aluno da Universidade de Harvard foram de Calgary para Carolina até chegarem em Nova York. Isso porque o jogador, torcedor de infância dos Rangers, se recusou a jogar por outro clube. (Esta que vos fala não julga, pois se tivesse a opção de escolher entre morar em Calgary, Raleigh ou NYC, a resposta seria a mesma de Fox)

  • À bientôt, les Habs. It’s Gritty time!*

    À bientôt, les Habs. It’s Gritty time!*

    *Até mais, Habs. É a hora do Gritty!

    A série entre Philadelphia Flyers e Montreal Canadiens nos trouxe muitas emoções! Embora a equipe da Pensilvânia tenha se classificado como o primeiro seed do quadrangular, os Habs deram trabalho para Philly nos seis jogos que duraram a série. É importante lembrar que há 10 anos, da última vez que Philly chegou na Final da Stanley Cup, a equipe enfrentou justamente os Habs nas finais de conferência. 

    Na noite de 21 de agosto, o sonho da equipe canadense chegou ao fim, ao perderem o último jogo da série e, consequentemente, amargarem sua eliminação dos playoffs da Stanley Cup. Entretanto, o embate entre Flyers e Canadiens nos trouxe algumas histórias interessantes. Vejamos:

    CARTER HART: HERDEIRO NATURAL DE CAREY PRICE?

    O jovem goleiro dos Flyers não é um nome estranho para os holofotes, tendo em vista que chama a atenção da mídia e dos torcedores desde seus tempos de major juniors. Com apenas 22 anos (completados dentro da bolha), Carter Hart já está escrevendo seu nome nos livros de recorde da franquia. Ao conseguir shutouts consecutivas durante a série, ele se tornou o terceiro goleiro do Philadelphia Flyers a alcançar este feito. Assim, Hart se junta ao icônico Bernie Parent (1975) e também a Michael Leighton (2010). 

    Além disso, o goleiro dos Flyers se tornou o segundo goleiro mais jovem a conseguir duas shutouts em partidas consecutivas e o quarto com menos de 23 anos a fazê-lo. Ao enfrentar os Habs, Hart esteve frente a frente com seu ídolo de infância, o superstar Carey Price. O desenvolvimento do jovem canadense dá indícios de que o Flyer pode ser o herdeiro natural de Price na seleção do Canadá. Por fim, a vitória no primeiro round dos playoffs marca a primeira vez que a equipe da Filadélfia prosseguiu para o segundo round desde 2012. 

    BRENDAN GALLAGHER E O DRAMA DO MAXILAR QUEBRADO

    Embora a equipe de Montréal tenha dado trabalho para os Flyers, que eram os favoritos no confronto, os Canadiens sofreram baixas no decorrer da série. O assistente de capitão Brendan Gallagher, por exemplo, teve seu maxilar quebrado depois de uma colisão com o defensor Matt Niskanen, dos Flyers. O winger dos Habs vai precisar de uma cirurgia para corrigir a fratura. 

    Quanto ao defensor de Philly, Niskanen recebeu uma suspensão pelo hit (consequência de um cross-checking) que teve, por fim, a lesão de Gallagher. O técnico dos Flyers (e ex-técnico de Montreal), Alain Vigneault, afirmou que, no momento seguinte à colisão, Gallagher parecia estar bem, pois estava conversando com os demais jogadores no banco. Além disso, Vigneault disse que a culpa não foi de Niskanen, uma vez que Gallagher é bem mais baixo do que os outros jogadores. 

    RESUMÃO DA SÉRIE:

    Jogo 1 PHI 2 -1 MTL; Jogo 2 MTL 5 – 0 PHI; Jogo 3 PHI 1 – 0 MTL; Jogo 4 PHI 2 – 0 MTL; Jogo 5 MTL 5 – 3 PHI; Jogo 6 PHI 3 – 2 MTL

    A grande estrela para a Filadélfia foi, definitivamente, o goleiro Carter Hart. Além disso, nomes já importantes, como o do jovem defensor Ivan Provorov, assim como novas caras, como a de Nicolas Aube-Kubel, figuraram entre os goleadores para os Flyers. Como consequência natural do embate de goleiros, Carey Price também foi, dessa forma, destaque para os Habs e uma das razões pelas quais a equipe de Montreal levou a série até o jogo 6. Entre os pontuadores dos Canadiens tivemos Tomas Tatar e Joel Armia se destacando. 

    (Foto: Reprodução/BarDown.com)

  • Nada de fontes em Long Island, senhor Ovechkin

    Nada de fontes em Long Island, senhor Ovechkin

    Embora a Divisão Metropolitana não tenha a mesma fama de thunderdome que a Central possui, o ressurgimento de franquias importantes fez com que ela se tornasse extremamente competitiva. Afinal ela é casa de equipes em ascensão, como o Philadelphia Flyers e o Carolina Hurricanes (também do New York Rangers, a depender de quem você pergunte). Além disso, também é o lar de nomes importantes, com um histórico vencedor, como o Pittsburgh Penguins e o New Jersey Devils, mas que já viram dias mais áureos. 

    O confronto entre Washington Capitals e New York Islanders representa muito da dicotomia de culturas e backgrounds da Metro. Ora, o veteraníssimo (e já campeão) elenco dos Caps enfrentando o jovem e renovado New York Islanders, que tem uma história tão rica que contou com uma dinastia na década de 1980. Em 2020, esse confronto significa que nós, fãs do esporte, podemos ver Alex Ovechkin, ainda goleador, enfrentar um Mathew Barzal que talvez nem tenha entrado em seu prime

    UM CORE QUE SE DESFAZ? O SURGIMENTO DE SAMSONOV MARCA O FIM DA ERA HOLTBY NO GOL DOS CAPITALS?

    A cup run de Alexander Ovechkin e seu Washington Capitals foi, com certeza, um dos eventos mais memoráveis da história da Liga. Afinal, quem não se lembra do russo e seus companheiros dançando e se banhando nas fontes da capital americana?  Depois de uma temporada regular dos sonhos para John Carlson, o defensor americano foi indicado ao Norris Trophy e é cotado como o favorito para o prêmio. Entretanto, com o surgimento de Ilya Samsonov como o goleiro do futuro da equipe, Braden Holtby deve deixar a equipe na off-season

    Embora Ovie e cia. ainda tenham gasolina no tanque, os gols simplesmente não entravam durante essa série. Além disso, a equipe esteve à beira de ser varrida pelos Islanders no jogo quatro, quando conseguiu uma suada vitória. Nos cinco jogos disputados, a equipe de Washington marcou apenas oito gols, sendo que o Jogo 5, de sua eliminação, foi um shutout para os Isles. Dessa forma, os Caps voltaram para a casa eliminados no primeiro round pelo segundo ano consecutivo.

    POR OUTRO LADO, A JUVENTUDE É A PEÇA CHAVE PARA A CLASSIFICAÇÃO DO NEW YORK ISLANDERS

    Para o torcedor dos Islanders, a única coisa melhor do que ver John Tavares e o seu Toronto Maple Leafs eliminado antes mesmo do primeiro round dos playoffs é chegar ao segundo round deixando um rival da Metro para trás. Assim foi feito pela equipe de Long Island fez com o Washington Capitals. Com um Varlamov inspirado e muita tenacidade dos jogadores jovens, os Isles venceram a série com apenas um jogo a mais além do mínimo necessário.

    Os grandes nomes no embate com os Caps foram, definitivamente, Mat Barzal (para a surpresa de ninguém) e Anthony Beauvillier. Os atletas, draftados juntos em 2015, marcaram mais de uma vez no confronto para ajudar a sua equipe a vencer o round. Além disso, o capitão Anders Lee também foi muito importante para a classificação dos Isles. Outro nome que se destacou foi JG Pageau, trocado do Ottawa Senators para o New York Islanders na última trade deadline. 

    RESUMÃO

    Jogo 1 NYI 4 – 2 WSH; Jogo 2 NYI 5 – 2 WSH; Jogo 3 NYI 2 – 1 WSH (OT); Jogo 4 WSH 3 – 2 NYI; Jogo 5 NYI 4 – 0 WSH

    Os Capitals foram tímidos na série, marcando apenas oito gols no total. Dentre os seus autores se destacaram TJ Oshie e, é claro, Alex Ovechkin. Já os Isles foram muito mais prolíficos com seu ataque, somando 17 gols nas cinco partidas. Entre os goleadores estiveram o capitão Anders Lee, além de Mat Barzal e Anthony Beauvillier.

    (Foto: Reprodução/NewYorkTimes.com)

  • Draft Class de 2015: onde estão – parte II

    Draft Class de 2015: onde estão – parte II

    O NHeLas continua te contando como foi o NHL Draft de 2015 (se você não leu a primeira parte, clique aqui), considerado um dos melhores da história da NHL. Além dos jogadores que trouxemos para vocês na parte I, outros nomes importantes também foram selecionados em Sunrise, Flórida. 

    MIKKO RANTANEN, RW, COLORADO AVALANCHE (#10 overall): já veio para o Brasil, logo é nosso favorito

    Rantanen iniciou a carreira profissional no HC TPS da SM-Liiga, primeira divisão da Finlândia, aos 16 anos. Nos dois anos que seguiram o winger se destacou, chegando ao Draft como o primeiro patinador no ranking europeu. Na Flórida, o finlandês foi selecionado pelo Colorado Avalanche com a décima escolha, assinando seu contrato com o clube americano antes do training camp daquele ano. 

    Embora tenha impressionado durante o training camp, Rantanen atuou em poucos jogos na NHL antes de ser mandado para a American Hockey League (AHL). O finlandês disputou a temporada 2015-16 e algumas partidas do ano seguinte pelo San Antonio Rampage, antes de voltar aos Avs. Em Denver, o winger teve uma temporada razoável, com respeitáveis 20 gols naquela que ficou conhecida como uma das piores campanhas da história da Liga

    O ano seguinte, entretanto, foi um divisor de águas na carreira de Rantanen. Com 84 pontos em 81 partidas, o finlandês finalmente despontou como uma estrela. Jogando ao lado de Nathan MacKinnon e Gabriel Landeskog, o trio se tornou uma das melhores linhas da NHL já no início da temporada seguinte, 2018-19. Com a ajuda de Rantanen, os Avs chegaram aos playoffs em três temporadas consecutivas, e atualmente são considerados como uma das equipes favoritas. 

    O altíssimo desempenho do winger fez com que ele tivesse um grande aumento em seu segundo salário. Em 2019 o finlandês assinou um novo contrato, avaliado em 9,25 milhões de dólares por ano. Atualmente, o atleta tem 99 gols e 151 assistências, somando 250 pontos em sua carreira profissional pelo Colorado Avalanche. 

    MATHEW BARZAL, C, NEW YORK ISLANDERS (#16 overall): o muso do hockey twitter brasileiro

    O canadense iniciou sua carreira no major juniors no Seattle Thunderbirds da Western Hockey League (WHL), onde se destacou. Entretanto, equipes como o Boston Bruins (que contou com TRÊS escolhas seguidas naquele ano) optaram por não escolher o center, e ele foi selecionado em 16º pelo New York Islanders. 

    Embora tenha assinado o contrato com os Isles após o draft, Barzal voltou à WHL para mais uma temporada depois de ser draftado. Sua estreia na NHL só aconteceu na temporada seguinte, em 2016-17, na qual disputou duas partidas antes de ser devolvido aos Thunderbirds. A entrada definitiva do canadense na Liga ocorreu em 2017-18, quando ele impressionou a todos. 

    O resultado da campanha de estreia de Barzal foi acima das expectativas, vez que ele pontuou 85 vezes em 82 partidas, vencendo o Calder Trophy de melhor rookie. Entretanto, tais números não foram o bastante para chegar aos playoffs com os Isles. O center apenas teve tal experiência em 2018/2019, mas seu desempenho até agora irá dar uma boa dor de cabeça para o New York Islanders quando começarem as negociações de seu próximo contrato. 

    KYLE CONNOR, LW, WINNIPEG JETS (#17 overall): de Michigan a Manitoba em um ano (ou menos)

    Antes do draft, o americano jogou pelo Youngstown Phantoms da USHL. Após ser selecionado pelo Winnipeg Jets no primeiro round de 2015, Connor jogou na Universidade de Michigan por uma temporada, tendo marcado 71 pontos naquele ano. Apesar de ter coletado diversos prêmios e batido recordes por seu desempenho na temporada de calouro, ele perdeu o Hobey Baker, dado ao MVP da NCAA, para Jimmy Vesey da Universidade de Harvard (atualmente jogador do Buffalo Sabres).

    Embora Connor tenha assinado seu contrato profissional em abril de 2016, a estreia dele no gelo veio apenas na temporada 2016-17. O americano passou este ano alternando entre aparições pela equipe da NHL e o Manitoba Moose, seu afiliado na AHL. No ano seguinte, Connor disputou apenas quatro partidas na AHL e se tornou um jogador da NHL full time, com 57 pontos em 76 partidas. 

    Nos dois anos seguintes o winger americano se tornou cada vez mais importante para Winnipeg. Isto porque a equipe tem dificuldades em se tornar um pólo atraente para eventuais free agents e então precisa construir um plantel forte com suas escolhas no Draft. Connor foi definitivamente um tiro certeiro dos Jets, já que marcou 66 pontos em 2018-19 e já havia superado esse número em menos jogos nesta última temporada, somando 73 pontos antes da paralisação. Em setembro de 2019, ele estendeu seu compromisso com os Jets por mais sete anos, com salário de aproximadamente US$7,1 milhões anuais.

    THOMAS CHABOT, D, OTTAWA SENATORS (#18 overall): e o fardo que ele carrega nas costas (também conhecido como seu próprio time)

    Toda vez que ouvimos as palavras “Com a X escolha, o Ottawa Senators escolhe…” atualmente, um sentimento de pesar toma conta do nossos corações. Afinal, a organização não vem sendo um bom exemplo de, bem, organização. Entretanto, quando esse jovem defensor canadense foi draftado, há cinco anos, as coisas não iam de mal a pior para a equipe da capital do Canadá. Ora, o principal defensor do time era Erik Karlsson (com duas pernas inteiras) e o sueco era o coração pulsante da defesa dos Sens. Assim Chabot teria, em teoria, Karlsson como seu mentor quando chegasse à NHL. 

    Durante sua carreira no major juniors, o defensor defendeu o Saint-John Sea Dogs da Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Mesmo após ser draftado em 2015, Chabot retornou à QMJHL para ganhar mais experiência. Sua estreia profissional aconteceu apenas na temporada 2016-17, quando ele disputou um jogo pelos Senators antes de retornar para os Sea Dogs. No ano seguinte, em 2017/2018, o defensor começou a temporada na AHL, no Belleville Senators. Mas logo o canadense foi chamado para a NHL, tendo completado a temporada com 63 partidas jogadas na Liga. 

    No ano seguinte, o defensor teve um desempenho muito bom, apesar de sua equipe seguir aos trancos e barrancos. Com 55 pontos, Chabot pontuou no top 10 entre os defensores da NHL. Por conta das mudanças sofridas no elenco de Ottawa, o canadense viu não só o seu tempo no gelo aumentar, como sua emergência como uma das figuras de liderança dentro do vestiário dos Sens. Devido ao seu potencial, Chabot emerge com a possibilidade de ser um dos grandes defensores da Liga no futuro. Assim, em setembro de 2019 ele assinou sua extensão com Ottawa, avaliada em 8 milhões anuais por mais oito anos. 

    BROCK BOESER, RW, VANCOUVER CANUCKS (#23 overall): Prince Charming em uma aventura pelo Oeste canadense

    O americano jogou por times da United States Hockey League (USHL), tendo sido draftado do Waterloo Black Hawks. Diferentemente da maioria de seus compatriotas, ele não fez parte do USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Após ser escolhido pelos Canucks, Boeser foi jogar hockey universitário pela University of North Dakota na National Collegiate Athletic Association (NCAA). 

    Depois de duas campanhas encorajadoras na NCAA (apesar de uma lesão no pulso que o tirou do gelo por dois meses), Boeser fez sua estreia profissional pelos Canucks no final da temporada 2016-17. O sucesso do americano, entretanto, veio apenas no ano seguinte, quando ele fez 55 pontos em apenas 62 partidas disputadas. Embora tenha perdido quase 20 jogos no final da sua temporada de estreia por conta de uma lesão nas costas, Boeser ainda foi indicado ao Calder Trophy de 2018, que foi vencido por Mat Barzal.

    No ano seguinte o americano começou a temporada bem, mas outra lesão, dessa vez em sua virilha, impediu que ele participasse de todos os jogos da temporada 2018-19. Em 69 partidas Boeser somou 59 pontos, sendo eles 26 gols e 30 assistências. No final da intertemporada o winger assinou um bridge contract (isto é, uma extensão curta) com os Canucks por três anos, com salário de aproximadamente 5,8 milhões de dólares anuais. Antes da paralisação pelo COVID-19, o americano havia feito 45 pontos em 57 partidas disputadas nesta temporada. 

    SEBASTIAN AHO, C, CAROLINA HURRICANES (#35 overall): will the real Sebastian Aho please stand up?

    O center começou a sua carreira profissional no Oulun Kärpät da Liiga, primeira divisão finlandesa, na temporada 2013-14. Suas atuações em seu país natal foram impactantes o bastante para que ele fosse colocado no top 20 de patinadores europeus no ranking antes do draft. Ainda assim, Aho só foi selecionado no segundo round, quando o Carolina Hurricanes o selecionou com a 35ª escolha daquela noite. O contrato com a equipe da NHL só foi assinado no ano seguinte, em 2016, quando o finlandês se mudou para a América do Norte.

    A partir daí, Aho foi se destacando cada vez mais na equipe que o draftou. Embora tenha um xará sueco, o finlandês de Carolina consegue se destacar como o Sebastian Aho mesmo sendo tímido e uma pessoa de poucas palavras nas entrevistas que concede. Em sua primeira temporada, ele não conseguiu chegar aos 50 pontos, mas a partir do ano seguinte não marcou menos do que 65. Sua temporada mais bem sucedida foi, sem dúvidas, a terceira e última em seu contrato de calouro. Aho fez 85 pontos e foi fundamental na ida do seu time para os playoffs. O problema, todavia, foi na hora de negociar a renovação contratual com os Canes.

    Por ter definitivamente sido parte importantíssima do tour de force que foi a última temporada dos Canes, o finlandês foi uma das estrelas da janela de negociações. Afinal, ele nos forneceu o DRAMA (!!!!) de uma offer sheet na intertemporada passada. Além de gols bonitos, Aho definitivamente sabe oferecer entretenimento para a torcida. No final das contas, o center assinou um contrato de cinco anos, diminuindo seu caminho até a free agency, avaliado em pouco mais de 8,4 milhões anuais. Na temporada 2019/2020, Aho fez 66 pontos em 68 partidas disputadas. 

    MACKENZIE BLACKWOOD, G, NEW JERSEY DEVILS (#42 overall): uma figura importante no próximo capítulo das rivalidades da Metro? Só o tempo dirá.

    As traves de New Jersey não são traves quaisquer. Os goleiros que vieram depois do lendário Martin Brodeur sentiram a pressão da posição (embora Cory Schneider tenha tido seus bons momentos no gol dos Devils). Ao draftar Mackenzie Blackwood, primeiro goleiro ranqueado na América do Norte em 2015, os Devils pensaram que talvez seria diferente com o jovem canadense. Não que Blackwood estivesse perto da expectativa de ser um goleiro generacional (essa discussão será retomada no texto de 2016, aguardem!), é claro. 

    O canadense iniciou sua carreira de major juniors no Barrie Colts da Ontario Hockey League (OHL), onde jogou por três temporadas. A profissionalização veio quando ele se tornou elegível para disputar a AHL, tendo então passado a integrar o elenco do Albany Devils (que eventualmente se tornou o Binghamton Devils) para adquirir experiência. No ano seguinte ele dividiu seu tempo entre a AHL e a East Coast Hockey League (ECHL), onde jogou pelo afiliado dos Devils, Adirondack Thunder. 

    Em 2018-19, Blackwood começou a temporada na AHL, como esperado. Entretanto, uma lesão de Cory Schneider em dezembro fez com que ele fosse promovido à NHL. Desde então o canadense vem sido revezado com Schneider, já que o último está na metade final da sua carreira. Com 70 partidas disputadas, sendo 64 iniciadas por ele, Blackwood tem um uma porcentagem de defesas de .916 e média de 2,72 gols sofridos por jogo. Considerando o último ano dos Devils, onde ocorreram grande parte destes jogos, ele tem, de fato, potencial para ser um bom goleiro na Liga. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Travis Konecny, RW/C, Philadelphia Flyers (#24 overall): conhecido por sua tenacidade, o canadense teve seu contrato renovado por mais seis anos em 2019. Diferentemente do que acontece com muitos jogadores, Konecny rendeu muito mais após a assinatura do contrato do que no ano que antecedeu esta. Os 5,5 milhões anuais podem se tornar uma pechincha em breve…

    Anthony Beauvillier, LW, New York Islanders (#28 overall): aquele que tentou entrosar com a Anna Kendrick no Twitter e virou herói de diversas histórias muito prováveis e verídicas. 

    Travis Dermott, D, Toronto Maple Leafs (#34 overall): conhecido por sua ofensividade, Dermott jogou no Erie Otters da OHL com Connor McDavid, Dylan Strome e Alex DeBrincat. Além disso, é pai de pets muito fofos.

    Brandon Carlo, D, Boston Bruins (#37 overall): junto com Zdeno Chara em 2016-17, ele formou o que é provavelmente uma das defesas mais altas da história da NHL, além de terem quase 20 anos de diferença entre eles. 

    Roope Hintz, C, Dallas Stars (#49 overall): o finlandês chegou na NHL com um bang!, já que foi muito importante para a sua equipe tanto durante a temporada regular, quanto nos playoffs. Afinal, o center fez cinco gols na campanha dos Stars nos playoffs de 2019.

    Vince Dunn, D, St. Louis Blues (#56 overall): foi campeão da Stanley Cup com os Blues em 2019 com a mandíbula quebrada. O jogador precisou fazer quatro cirurgias na boca, além de implantar cinco novos dentes. 

  • Draft Class de 2015: onde estão – PARTE I

    Draft Class de 2015: onde estão – PARTE I

    Poucos drafts, em qualquer liga que seja, têm o impacto que a seleção de 2015 causou na NHL. Encabeçada pelo talento generacional de Connor McDavid, a classe produziu um grande número de grande jogadores. Alguns deles inclusive chegam aos status de superstar ou franchise player, tamanha a sua qualidade. A última vez que um prospect foi tão desejado e esperado pelas equipes no páreo para a primeira escolha havia ocorrido dez anos antes. Na ocasião, em 2005, Sidney Crosby foi draftado por Pittsburgh.

    Com a first pick de 2015, o Edmonton Oilers somava quatro ocasiões em que haviam figurado no topo do draft em uma mesma década. Entretanto, o último nome que a equipe de Alberta havia escolhido, Nail Yakupov, não havia rendido o que se esperava dele. Acrescentar um jogador do calibre de McDavid não implicaria em apenas um aumento na qualidade do plantel. Isso também seria um boost na confiança do torcedor na equipe. Além disso, existe todo o retorno financeiro que ter um superstar proporciona. 

    O resto do top 3 foi completado pelo Buffalo Sabres, cujos fãs levavam cartazes com os dizeres “Tank for McDavid” (afundem por McDavid, em tradução literal) à arena, e pelo Arizona Coyotes. Em um mar de prospects de qualidade, equipes como Boston, que possuía três escolhas seguidas (#13, #14 e #15), tiveram a oportunidade de selecionar peças importantes para o rejuvenescimento de sua equipe. 

    CONNOR MCDAVID, C, EDMONTON OILERS (#1 overall): (Mc)Jesus, superstar

    A carreira de McDavid na Ontario Hockey League (OHL) já começou dando indícios de como seria dali para a frente. Ao ganhar status excepcional, o canadense se juntou ao Erie Otters com 15 anos de idade. Antes disso, McDavid cogitou a possibilidade de não atuar na Canadian Hockey League (CHL). Assim seria elegível para o hockey universitário, onde atuaria pela Boston University. 

    Uma vez nos Otters, o canadense já começou sua carreira junior quebrando recordes de maior pontuação por um novato e foi escolhido o rookie do ano na OHL em 2013. Nos anos seguintes McDavid foi ganhando cada vez mais destaque entre os jovens atletas da CHL e em 2014/2015 foi escolhido capitão da sua equipe. Tido como um futuro franchise player em potencial muito antes de seu draft, a possibilidade de poder escolher McDavid colocou muitos times em polvorosa.

    Em seu ano de elegibilidade o canadense ficou fora de comissão quase dois meses após quebrar a sua mão em uma briga. Ainda assim, o center teve números significativos na temporada regular da OHL. Além disso, foi o vencedor do prêmio Wayne Gretzky 99, dado ao melhor jogador dos playoffs. A trajetória de McDavid no major juniors se encerrou em 2015 com seu draft. O atleta venceu os prêmios de melhor jogador da OHL e da CHL, se tornando o mais premiado da história da Ontario Hockey League.

    Depois de ter sido escolhido por Edmonton, ele assinou seu contrato com o time e fez sua estreia na NHL em outubro de 2015. Entretanto, a campanha de rookie de McDavid foi interrompida após uma partida contra o Philadelphia Flyers. Após uma colisão com um defensor, o center quebrou a clavícula em novembro. McDavid retornou ao gelo apenas em fevereiro, perdendo quatro meses da temporada regular dos Oilers. Ainda assim, o atleta foi um dos finalistas do Calder Memorial Trophy, dado ao rookie do ano, mesmo tendo disputado apenas pouco mais da metade das partidas da sua equipe na temporada. Naquela off-season, o center se tornou o capitão mais jovem da NHL ao receber o C do Edmonton Oilers

    A temporada seguinte foi a guinada para a ascensão de McDavid como um dos melhores, quiçá não o melhor, da Liga. Com uma combinação letal de velocidade e habilidade, o canadense alcançou a marca de 100 pontos ao final de seu segundo ano na NHL. Com 30 gols e 70 assistências, ele venceu o Art Ross Trophy, o Ted Lindsay Award e o Hart Memorial Trophy, além de ter chegado ao segundo round dos playoffs com os Oilers. McDavid foi apenas o décimo atleta a vencer todos os troféus em uma mesma noite na história da Liga. Ainda naquela intertemporada, o canadense estendeu seu compromisso com os Oilers por mais oito anos, passando a ter o maior salário da NHL com 12.5 milhões de dólares anuais. 

    Nos dois anos seguintes McDavid superou sua campanha premiada, anotando 108 e 116 pontos em 2017/2018 e 2018/2019, respectivamente. Entretanto, o desempenho de sua equipe continuou deixando a desejar, apesar do canadense ter Leon Draisaitl (tal qual Sidney Crosby tem Evgeni Malkin) ao seu lado para partilhar a responsabilidade ofensiva dos Oilers. Os resultados decepcionantes fizeram inclusive com que a habilidade de liderar do center tivesse sido posta em xeque. Edmonton teve então mudanças tanto na comissão técnica quanto em seus gestores, com o fim da era Chiarelli no início de 2019. Em 2018 McDavid foi novamente contemplado com o Art Ross e o Ted Lindsay, além de ter sido um All-Star em todos os anos desde 2017. 

    Atualmente o canadense é, sem dúvidas, um dos maiores nomes do esporte e já busca seu espaço no Olimpo dos melhores do hockey. Entretanto, embora McDavid tenha números impressionantes (afinal, o atleta tem 469 pontos em 351 partidas), a falta de campanhas vitoriosas com seu Edmonton Oilers é a grande questão para legado do jovem center na Liga. Todavia, para a sorte de McDavid, o atleta tem apenas 23 anos e uma abundância de talento, talvez ele apenas precise de um empurrãozinho dos deuses do hockey para trazer a Stanley Cup de volta a Edmonton. 

    JACK EICHEL, C, BUFFALO SABRES (#2 overall): o prêmio de consolação na forma de o “faz-tudo” de Buffalo

    Ainda que o jogador que fosse selecionado após Connor McDavid tivesse uma autoestima maior do que a Via Láctea (e a deste second pick chega perto disso), seria difícil competir pelos holofotes com o center canadense. Afinal, o Buffalo Sabres havia abertamente tentado perder o máximo possível para otimizar suas chances de ganhar a primeira escolha daquele ano. 

    Em um ano comum, uma equipe ficaria em êxtase ao ter um atleta como Eichel cair em seu colo com a segunda escolha. Todavia, no draft de 2015 o americano representava nada mais do que o fato de que Buffalo havia perdido a loteria e, consequentemente, a chance de draftar Connor McDavid. Mas posteriormente à sua chegada em Buffalo com uma espécie de complexo de inferioridade em cima dele como uma nuvem tempestuosa, Eichel teve muito sucesso antes de se profissionalizar. 

    Como grande parte dos atletas americanos, ele passou dois anos no USA Hockey National Team Development Program (USNTDP) entre 2012/2013 e 2013/2014. Na temporada seguinte Eichel foi para a NCAA (National Collegiate Athletic Association) jogar hockey universitário com os Terriers da Boston University. Será que em um universo paralelo Eichel e McDavid seriam parceiros de equipe na Boston University ao invés de rivais?

    Antes do draft Eichel venceu o Hobey Baker, prêmio de melhor atleta universitário, o primeiro calouro a ter esta honra desde Paul Kariya em 1993. Após ser escolhido como artilheiro da Hockey East, jogador do ano, calouro do ano e MVP da conferência, dentre outras honras, o americano finalizou a temporada em segundo lugar no ranking dos patinadores norte-americanos. 

    Eichel assinou seu contrato profissional logo após o draft, tendo, assim, encerrado sua carreira universitária. O americano estreou na NHL quebrando recordes, ao se tornar o Sabre mais jovem a marcar um gol, no início de outubro de 2015. O center terminou sua temporada inaugural na Liga somando 56 pontos em 81 partidas, atrás apenas do, então atleta de Buffalo, Ryan O’Reilly.

    A temporada seguinte foi mais curta para o americano, que se lesionou no primeiro jogo e ficou quase três meses fora do rinque. Ainda assim, Eichel terminou o ano com 57 pontos em 61 partidas, superando os números do ano anterior com 20 jogos a menos. Naquela off-season o center também teve seu contrato com Buffalo estendido por mais oito anos, por nada menos do que 10 milhões anuais. 

    Durante a próxima temporada Eichel foi escolhido para o All Star Game de 2018 e aumentou sua produção ofensiva, embora tenha sofrido outra lesão que o fez perder jogos. Ele terminou o ano com 64 pontos em 67 partidas. Antes do início de 2018/2019 o atleta teve duas grandes mudanças em sua jersey: a alteração do número 15 para o 9, que ele usava na BU, além do C que passou a figurar no seu peito. Em 2018/2019 Eichel teve sua melhor campanha até hoje, com 82 pontos em 77 partidas e, no ano seguinte, 78 pontos em 68 partidas. 

    Desde que passou a ser o capitão da equipe, Eichel passou a reclamar cada vez mais do desempenho de sua equipe. A consequência das reclamações públicas? Uma onda de demissões em todo o front office de Buffalo, inclusive do GM Jason Botterill. Neste último junho o americano inclusive afirmou que estava cansado de perder, o que fez com que surgissem rumores sobre o center requisitar uma eventual troca e para onde ele seria enviado

    Atualmente Eichel tem 337 pontos em 354 partidas e é um center importante não apenas para a sua equipe, assim como para o futuro da seleção americana. Entretanto, após Auston Matthews ter despontado como a maior jovem estrela do hockey americano, o capitão dos Sabres ficou, novamente, em segundo plano. 

    DYLAN STROME, C, ARIZONA COYOTES (#3 overall): quando tudo o que precisava era trocar o deserto pela ventania

    Se alguém sabe o que é ser colocado em segundo plano ao dividir os holofotes com Connor McDavid, esse alguém é Dylan Strome, mas o canadense está acostumado com isso. Vindo de uma família de jogadores de hockey, Strome é o segundo dos irmãos a chegar até a NHL. Seu irmão mais velho, Ryan Strome, é jogador do New York Rangers (e ex-companheiro de McDavid nos Oilers), enquanto o mais novo, Matthew Strome, é prospect do Philadelphia Flyers. O center iniciou sua carreira no major juniors em 2013, pelo Erie Otters da OHL. 

    Ainda que McDavid fosse o centro das atenções na equipe, Strome se destacou por sua proficiência no ataque. Afinal, ele venceu o prêmio de maior pontuador tanto da OHL quanto da CHL no seu ano de elegibilidade. Uma das razões pelas quais o atleta foi ranqueado em quarto entre os patinadores da América do Norte foi o seu tamanho e tenacidade, que compensavam as deficiências técnicas claras em sua patinação (algo que é comum a todos os irmãos Strome, que são notoriamente patinadores ruins). 

    Embora o center tenha assinado seu contrato com os Coyotes logo após o draft, ele retornou ao Erie Otters para amadurecer seu jogo. Na OHL ele forjou uma parceria com Alex DeBrincat, estando este em seu ano de elegibilidade para o draft de 2016, e os dois encontraram sucesso juntos. No ano seguinte Strome finalmente fez sua estreia na NHL, mas em novembro Arizona decidiu que ele ainda precisava de mais tempo de major juniors, mandando-o de volta para os Otters. 

    Tendo atingido o limite de idade permitido para competir na CHL, o center finalmente passou a integrar o elenco dos Yotes. Entretanto, depois de um início decepcionante sem pontuar, o canadense foi enviado para o Tucson Roadrunners, afiliado da American Hockey League (AHL). Em 50 partidas na AHL, ele fez 53 pontos e foi escolhido como All Star desta liga. O retorno à NHL se deu apenas em março de 2018 e o center terminou a temporada com os Coyotes. Ao não se classificarem para a pós temporada a equipe retornou Strome aos Roadrunners para a campanha do time nos playoffs da Calder Cup. 

    Embora Strome tenha sido draftado com o pedigree de um top prospect, seu desenvolvimento não estava acontecendo no ritmo esperado por Arizona. Por isso, em novembro de 2018 ele foi trocado, juntamente com Brandon Perlini, para o Chicago Blackhawks, por Nick Schmaltz. A mudança de ares parece ter tido um efeito positivo no canadense, que se reuniu com seu ex-companheiro de OHL, DeBrincat, e o center terminou a sua primeira temporada nos Hawks com 51 pontos em 58 partidas. Atualmente Strome soma 105 pontos em 164 partidas na NHL. 

    MITCH MARNER, C/RW, TORONTO MAPLE LEAFS (#4 overall): vivendo um sonho de infância

    Como (quase) toda criança na Greater Toronto Area (GTA), Mitch Marner cresceu torcendo pelo Toronto Maple Leafs. Embora tenha recebido uma oferta de bolsa da Universidade de Michigan, a carreira do jogador canadense iniciou-se no London Knights da OHL. Por sua estatura pequena e porte físico mais miúdo, Marner gerava dúvidas nos olheiros, que preocupavam-se com seu desenvolvimento. Entretanto, o talento do jovem foi o bastante para que esses questionamentos ficassem em segundo plano, e ele acabou sendo draftado em quarto por seu time do coração.

    Anotando 59 jogos em 64 partidas, Marner ficou em segundo na corrida por rookie do ano da OHL, sendo desbancado apenas por Travis Konecny, então do Ottawa 67’s. Em seu ano de elegibilidade para o draft, o canadense encontrou em Max Domi o parceiro de linha perfeito. Assim, apesar do seu físico, Marner ficou ranqueado entre os melhores patinadores da América do Norte. Escolhido em quarto por Toronto, ele assinou seu contrato imediatamente, mas retornou à OHL para prosseguir com o seu desenvolvimento, tanto físico quanto técnico.

    A temporada seguinte foi como um sonho para o recém-nomeado co-capitão dos Knights. Jogando com Christian Dvorak e Matthew Tkachuk, Marner levou a equipe de London não só ao título da OHL, assim como à Memorial Cup. Ele foi o recipiente do troféu Wayne Gretzky 99, assim como os títulos de MVP e artilheiro das finais da CHL. Não foi uma surpresa quando, no início da temporada 2016/2017, Marner passou a fazer parte do plantel do Toronto Maple Leafs.

    O winger terminou a primeira temporada com 61 pontos em 77 jogos, mesmo tendo contraído mononucleose na segunda parte da temporada. Marner ajudou sua equipe a chegar na pós-temporada, onde os Leafs foram eliminados no primeiro round por Washington. Juntamente com Auston Matthews, o canadense se tornou a face do revival dos Maple Leafs nessa nova era do clube. No ano seguinte Marner terminou a temporada com 69 pontos em 82 jogos, mas sua equipe amargou outra derrota no primeiro round, dessa vez para o Boston Bruins.

    A terceira temporada do atleta na NHL, em 2018/2019, também era a última de seu contrato de novato. Marner anotou 26 gols e 68 assistências, somando 94 pontos em 82 jogos, sua melhor campanha até agora. A pós-temporada chegou com o canadense cheio de polêmicas à sua volta, especialmente pelos comentários feitos por sua assessoria e vazados na imprensa de Toronto. Depois que Matthews estendeu seu contrato, parecia que Marner havia ficado em segundo plano. 

    Entretanto, depois de idas e vindas, time e jogador conseguiram entrar em acordo e o winger teve seu compromisso estendido com os Leafs por mais seis anos, avaliado em cerca de 10.9 milhões anuais. Nesta última temporada o atleta somou 67 pontos em em 59 partidas antes da paralisação pela pandemia do COVID-19. No total, Marner tem 291 pontos em 300 jogos (83 G e 208 A). 

    NOAH HANIFIN, D, CAROLINA HURRICANES (#5 overall): o menino de Boston que foi de Carolina a Calgary

    Hanifin atuou pelo USNTDP por um ano, durante a temporada 2013/2014 antes de iniciar sua carreira universitária aos 17 anos, com os Eagles da Boston College. Com o melhor ranking de um defensor na América do Norte (3º lugar), o americano poderia ter sido draftado em qualquer posição após o top 2 já esperado. Entretanto, foi Carolina que o escolheu na quinta posição, para continuar o processo de rejuvenescimento da sua defesa. 

    Tal como McDavid e Eichel, o defensor estreou na NHL logo após ser draftado. Durante os três anos em que atuou pelos Canes, o americano foi protegido de embates mais complexos, para que seu jogo pudesse se desenvolver no tempo certo até atingir certa maturidade. O americano foi o representante da equipe de Carolina no All Star Game de 2018, a primeira vez que ele foi para o evento. Entretanto, a história de Hanifin com a equipe de Raleigh viu seu fim na intertemporada de 2018. 

    O defensor, juntamente com Elias Lindholm, foi trocado para o Calgary Flames por Dougie Hamilton, Micheal Ferland e os direitos de Adam Fox, prospect que atuava pela Universidade de Harvard. Em Calgary o jogador passou a ter mais responsabilidades, além de um lugar fixo no top 4 da defesa dos Flames, geralmente formando um par com Travis Hamonic. Embora o defensor tenha dado passos largos em seu desenvolvimento, ainda há um bom caminho a se percorrer para que ele se torne um defensor de peso na Liga. 

    Ainda assim, Hanifin tem sido importante como um dos principais nomes da defesa de Calgary. O americano é o atleta da classe de 2015 com mais jogos disputados, 389, com uma boa folga em relação aos dois mais próximos desse número, Eichel (354) e McDavid (351). Atualmente ele soma 138 pontos em 389 jogos e no ano passado seu contrato com os Flames foi estendido por seis anos, avaliado em cerca de 4.95 milhões anuais. 

    IVAN PROVOROV, D, PHILADELPHIA FLYERS (#7 overall): futuro defensor de elite ou espião russo contratado para vigiar o Gritty?

    Com a NHL como seu objetivo final, Provorov se mudou da Rússia para os Estados Unidos alguns anos antes de atingir a idade para jogar no major juniors. Assim, quando foi selecionado para o Brandon Wheat Kings da Western Hockey League (WHL), o russo já havia se familiarizado com a cultura norte-americana, assim como as dimensões do gelo e até mesmo a língua. Em seu ano de elegibilidade o defensor fez 61 pontos em 60 partidas pelos Wheat Kings, sendo selecionado pelos Flyers com a sétima escolha do draft. 

    O russo então assinou seu contrato com a equipe, mas foi retornado à WHL para adquirir mais experiência. A temporada da equipe de Manitoba em 2015/2016 foi quase como um sonho de fadas, já que Brandon venceu o título da WHL e chegou nas finais da Memorial Cup. Entretanto, a equipe não conseguiu vencer sequer uma partida. Ainda assim, Provorov foi selecionado o melhor defensor da WHL naquele ano.

    No ano seguinte o russo conseguiu se firmar na equipe dos Flyers depois de impressionar no training camp. Desde então Provorov não deixou de jogar sequer uma partida pela equipe da Filadélfia. Ao final de sua temporada de estreia, o defensor foi selecionado como o melhor de sua posição na equipe, em premiação interna. Ele terminou sua campanha de rookie com 30 pontos em 82 aparições pelos Flyers. Já em 2017/2018 Provorov jogou os playoffs da NHL pela primeira vez em sua carreira, perdendo para o Pittsburgh Penguins no primeiro round.

    Mesmo com a derrota, o russo se destacou durante a temporada regular, e foi se firmando cada vez mais como o nome do futuro na defesa laranja. Nos playoffs, Provorov jogou com uma lesão relativamente séria no ombro, que dificultava certos movimentos, inclusive a pegada em seu stick. Em 2018/2019 o jogador teve atuações menos constantes, o que gerou preocupação acerca do seu desenvolvimento, mas na última temporada regular ele voltou a produzir e atuar como um top defenseman. Na intertemporada de 2019 os Flyers estenderam o contrato do russo por mais seis anos, com um salário anual de cerca de 6.75 milhões de dólares.

    ZACH WERENSKI, D, COLUMBUS BLUE JACKETS (#8 overall): Big Z chegou com um bang!

    Assim como Eichel e Hanifin, Werenski também fez parte do USNTDP antes de iniciar sua carreira universitária. E assim como os dois nativos de Massachusetts, o defensor americano também optou por uma universidade de seu estado, que no caso dele é a Universidade de Michigan. Após jogar seu ano de elegibilidade na NCAA, Werenski foi a escolha do Columbus Blue Jackets no primeiro round do draft de 2015. 

    Em 2015/2016 o defensor retornou ao Michigan Wolverines para sua segunda temporada com a equipe, e quando esta se finalizou ele assinou seu contrato profissional com os Jackets. Werenski então se juntou ao Lake Erie Monsters da AHL para os playoffs da Calder Cup. O americano ajudou a equipe a conquistar seu primeiro título, com cinco gols e nove assistências na campanha.

    Já a sua temporada de estreia na NHL o defensor fez 47 pontos em 77 jogos, o que lhe rendeu uma indicação ao Calder Memorial Trophy. Nos playoffs daquele ano Werenski sofreu uma lesão particularmente feia na série contra os Penguins. Ao levar um puck no rosto, o americano levou vários pontos e seu olho ficou tão inchado que não abriu mais. A lesão inclusive rendeu uma camiseta com o rosto machucado do defensor, com a renda revertida para a caridade. 

    Em 2018 Werenski participou do seu primeiro All Star Game, representando Columbus juntamente com Seth Jones. Nos playoffs do mesmo ano o defensor lesionou o ombro e, em decorrência da cirurgia necessária, perdeu cerca de seis meses se recuperando. Na off-season de 2019 os Blue Jackets e o americano estenderam o contrato por mais três anos, no valor de 5 milhões de dólares anuais. Em 300 jogos na carreira, o atleta possui 169 pontos. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Pavel Zacha, C, New Jersey Devils (#6 overall): um top prospect da classe de 2015, o tcheco não vingou. Considerando o número e a qualidade dos prospects disponíveis, Jersey fez a escolha errada. Mas como os deuses do hockey às vezes são bondosos, a equipe foi presenteada com dois first overall em um curto espaço de tempo, em 2017 e 2019. 

    Timo Meier, RW, San Jose Sharks (#9 overall): o suíço jogou quatro temporadas na Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL), entre a temporada 2013/2014 e 2015/2016. O atleta tem 157 pontos em 263 partidas e em 2019 assinou um contrato de quatro anos avaliado em 24 milhões de dólares. 

    Lawson Crouse, LW, Florida Panthers (#11 overall): um dos protagonistas do melhor vídeo pré-draft, quando ele comeu uma minhoca, Crouse foi trocado dos Panthers para Arizona pouco mais de um ano após ter sido selecionado pela equipe da Flórida. 

    Jake DeBrusk, LW, Boston Bruins (#14 overall): a única escolha certa dos Bruins em suas três picks seguidas durante o primeiro round de 2015, o canadense tem 120 pontos em 203 partidas e uma final da Stanley Cup no currículo. 

    Colin White, C, Ottawa Senators (#21 overall): outro fruto do USNTDP, o americano jogou pela Boston College do hockey universitário entre 2015 e 2017. Em sua primeira temporada completa na NHL em 2019/2020, ele somou 23 pontos em 61 jogos. 

    Ei, você que chegou até aqui! Se você está se perguntando cadê o Fulano ou o Beltrano, o NHeLas te explica: com o número invejável de jogadores de impacto produzidos por essa classe, achamos melhor dividir esse texto em duas partes. Logo mais teremos a parte dois por aqui, fiquem de olho!

    (Foto: Reprodução/TheAthletic.com)

  • Draft Class de 2014: onde estão

    Draft Class de 2014: onde estão

    A 52ª edição do NHL Draft ocorreu em 27 e 28 de junho de 2014, no Wells Fargo Center, casa do Philadelphia Flyers. A elegibilidade dos atletas disponíveis para seleção ia daqueles nascidos em 01/01/1994 até 15/09/1996, a data limite estabelecida pelo CBA (Collective Bargain Agreement).

    Quanto a atletas não provenientes da América do Norte, a sua elegibilidade se estendia aos nascidos no ano de 1993. O mesmo se aplica àqueles nascidos depois de junho de 1994 que foram draftados em 2012 mas não assinaram contrato com os clubes que os escolheram.

    Os rankings oficiais estabelecidos pelos olheiros traziam um top 3 dos patinadores norte-americanos, formado pelos canadenses Sam Bennett, Aaron Ekblad e Sam Reinhart. Já os europeus foram ranqueados na seguinte ordem em seu top 3: Kasperi Kapanen, William Nylander e Kevin Fiala. Os goleiros mais bem ranqueados foram Thatcher Demko (América do Norte) e Ville Husso (Europa).

    A primeira escolha foi dada ao Florida Panthers após a loteria do draft. Assim, a equipe de Sunrise pulou da segunda posição para o desejado primeiro lugar.

    AARON EKBLAD, D, FLORIDA PANTHERS (#1 overall): o xerife de Sunrise

    O canadense foi o primeiro defensor a ser escolhido com a primeira escolha do draft desde que o St. Louis Blues optou por Erik Johnson em 2006. Desde então apenas um outro jogador desta posição foi selecionado em primeiro, o sueco Rasmus Dahlin, 1st overall do Buffalo Sabres em 2018.

    Natural de Windsor, na província de Ontário, Ekblad iniciou sua carreira no major juniors com status de jogador excepcional. Isso permitiu que ele passasse a competir na Ontario Hockey League (OHL) com 15 anos. 

    No Barrie Colts, o defensor competiu por três anos, durante os quais se destacou por sua maturidade no gelo e fora dele. Na votação dos técnicos da OHL, Ekblad foi lembrado em diversas categorias no seu ano de elegibilidade para o draft e terminou a temporada 2013-14 ranqueado em segundo lugar entre os patinadores da América do Norte.

    Quando os Panthers foram chamados ao palco na Filadélfia o defensor canadense foi escolhido. A equipe da Flórida visando um 1D que fosse servir à blue line do clube durante muito tempo. 

    Após uma excelente campanha em seu primeiro ano da NHL, Ekblad venceu o Calder Memorial Trophy de melhor novato. O defensor canadense desbancou Mark Stone, então jogador do Ottawa Senators, e Johnny Gaudreau, do Calgary Flames. Embora tenha sofrido com concussões em seus primeiros cinco anos na Liga, Ekblad é parte importante da defesa dos Panthers e é uma das figuras de liderança no vestiário da equipe.

    SAM REINHART, C, BUFFALO SABRES (#2 overall): “não podemos esperar ganhar jogos por 6 a 5”

    Reinhart iniciou sua carreira pelo Kootenay Ice da Western Hockey League (WHL), de onde foi selecionado pelo Buffalo Sabres com a segunda escolha do draft de 2014. Embora o canadense tenha estreado pela equipe americana na temporada 2014-15, ele atuou em apenas nove partidas antes de ser retornado à WHL. Com o fim da temporada do Ice, o center chegou a atuar pelo Rochester Americans da American Hockey League (AHL).

    Entretanto, apesar de ter sido draftado em uma posição alta, o rendimento do jogador é alvo de críticas desde que ele se firmou na NHL. Reinhart não obteve o sucesso que os Sabres esperavam quando o selecionaram, e sua importância na equipe foi diminuindo com o surgimento de outros jogadores no plantel de Buffalo. Atualmente o atleta soma 109 gols e 146 assistências em 400 jogos, totalizando 255 pontos.

    LEON DRAISAITL, C, EDMONTON OILERS (#3 overall): gosto muito de te ver, leãozinho

    Sem dúvidas um forte candidato ao título de melhor jogador da sua classe, o alemão Draisaitl optou por jogar na Canadian Hockey League (CHL), sendo selecionado pelo Prince Albert Raiders da WHL.

    O jogador estreou na temporada 2014-15 e chegou a competir em 37 partidas pela equipe de Alberta antes de ser retornado à WHL. Esta decisão fez com que os Oilers “queimassem” um ano do contrato do alemão. Draisaitl foi trocado para o Kelowna Rockets durante o World Junior Championships de 2015. 

    Após a seu retorno para o major juniors, o jogador levou os Rockets ao título da WHL, que lhes deu acesso à final da Memorial Cup. Apesar da derrota para o Oshawa Generals, o alemão foi nomeado o MVP da competição.

    A primeira temporada de Draisaitl na NHL já foi promissora, com 51 pontos em 72 partidas. No ano seguinte, os Oilers demonstraram que os dias tenebrosos poderiam estar em seu passado, com a química entre diversos de seus jogadores, dentre eles Draisaitl e Connor McDavid

    Nos playoffs da temporada seguinte, 2016-17, a última do seu contrato de calouro, o alemão fez uma campanha memorável com 16 pontos em 13 jogos na primeira aparição dos Oilers na pós-temporada desde 2006.

    Naquela off-season Draisaitl assinou sua extensão com Edmonton, avaliado em cerca de 8.5 milhões anuais por oito anos. O contrato foi criticado na época, pois a situação da folha de pagamento do clube não trazia espaço para otimismo. Além disso, temia-se que o atleta não atingiria um patamar de produção que justificaria o salário. 

    Entretanto, podemos dizer que o alemão superou as expectativas. Os números do jogador falam por si: 77 pontos em 82 jogos em 2016-17; 70 pontos em 78 jogos em 2017-18; 105 pontos em 82 jogos em 2018-19; por fim, os impressionantes 110 pontos em 71 jogos em 2019-20. A produção de Draisaitl poderia ter sido ainda maior, caso a temporada não tivesse sido interrompida pela pandemia de COVID-19

    Chamado de “Gretzky alemão”, o jogador já pode muito bem ser considerado o melhor de sua terra natal a ter jogado hockey. Afinal, Draisaitl foi o primeiro alemão a ganhar o Art Ross Trophy (de maior pontuador na temporada regular), além de ter sido o terceiro atleta dos Oilers a fazê-lo, tendo apenas Wayne Gretzky e Connor McDavid em sua companhia.

    WILLIAM NYLANDER, RW, TORONTO MAPLE LEAFS (#8 overall): de promessa no gelo à ícone fashion

    O sueco Nylander na verdade é natural de Calgary, no Canadá. Isso porque ele e seu irmão, Alex (draftado em 2016), nasceram enquanto o pai deles, Michael Nylander, atuava pelos Flames. Com o hockey no sangue, o winger teve sua estreia profissional ao lado do pai, no Södertälje SK da segunda divisão sueca.

    No seu ano de elegibilidade, ele defendeu o MODO da Swedish Hockey League (SHL) e foi selecionado em oitavo pelo Toronto Maple Leafs, o segundo maior nome draftado no processo de rejuvenescimento da equipe. 

    A temporada seguinte foi dividida entre o MODO Hockey e o Toronto Marlies da AHL, que competiu pelos playoffs da Calder Cup naquele ano. Entretanto, a estreia de Nylander na NHL ocorreu apenas em fevereiro de 2016, jogando 22 partidas naquela temporada.

    Mas o sueco se tornou parte integral do Maple Leafs no ano seguinte, quando passou a atuar na wing de Auston Matthews. Durante a sua primeira temporada completa, Nylander anotou 61 pontos em 81 partidas, e foi parte importante da classificação de Toronto para a pós-temporada. 

    Altamente criticado por não ser tão constante quanto a torcida (e a comissão técnica) desejavam, Nylander ainda não conseguiu passar dos 61 pontos. Outro ponto de polêmica envolvendo o sueco se passou durante suas negociações de contrato. O jogador perdeu quase três meses, além do training camp, quando a diretoria de Toronto e seus representantes não conseguiam chegar a um acordo acerca dos termos da sua extensão. Por fim, ambas as partes concordaram em um vínculo de seis anos por cerca de 6.9 milhões de dólares anuais. Na última temporada Nylander vinha somando pontos com mais frequência do que nos anos anteriores, chegando a 59 em 68 partidas antes da paralisação.

    NIKOLAJ EHLERS, RW, WINNIPEG JETS ( #9 overall): the (next) Great Dane

    Após iniciar sua carreira na Europa, o dinamarquês se mudou para a América do Norte para jogar na Quebec Major Junior Hockey League (QMJHL). Depois de uma temporada com o Halifax Mooseheads, o winger recebeu uma boa colocação no ranking de patinadores atuando na América do Norte. Assim, o Winnipeg Jets escolheu Ehlers com a nona pick no draft de 2014.

    Mesmo assinando seu contrato profissional com a equipe de Manitoba depois do draft, o dinamarquês retornou a Halifax para mais um ano na QMJHL. Depois de uma temporada de destaque na liga júnior, Ehlers chegou a ser convocado pelos Jets, mas a equipe foi eliminada dos playoffs antes que ele pudesse contribuir. 

    De 2015-16 para frente o dinamarquês se tornou parte importante da equipe de Winnipeg, e hoje é uma peça fundamental no ataque dos Jets. Ehlers soma 257 pontos em 369 partidas e em outubro de 2017 assinou o contrato que o deixaria mais sete anos na equipe, com uma média salarial de 6 milhões de sólares por ano.

    DYLAN LARKIN, C, DETROIT RED WINGS (#15 overall): hometown boy em busca da glória

    Se alguém perguntasse para o pequeno Dylan “qual escudo você gostaria de usar no peito quando for jogador da NHL?” a resposta com certeza seria a roda alada de Detroit. Natural de Michigan, o americano cresceu torcendo pela equipe que eventualmente o draftou.

    Entretanto, antes da NHL bater à sua porta, Larkin jogou pelo USA Hockey National Team Development Program (USNTDP). Após o draft, o center iniciou sua carreira universitária na Universidade de Michigan, que defendeu por uma temporada.

    Com o fim da campanha de Michigan em 2014-15, Larkin decidiu assinar seu contrato profissional com seu time de infância. Desta forma, ele terminou a temporada no Grand Rapids Griffins da AHL.  A partir do ano seguinte o americano passou a defender a equipe de Detroit em período integral, injetando juventude em um elenco que já havia visto dias melhores.

    Embora Larkin tenha tido um bom primeiro ano na Liga, seu desempenho decaiu junto com a qualidade do hockey apresentado pelos Wings. Ainda assim, ele foi selecionado como NHL All-Star (onde bateu o recorde de patinador mais rápido) e também para a seleção americana, nesta última em mais de uma ocasião.

    O americano estendeu seu compromisso com o Detroit Red Wings por mais cinco anos em 2018, por aproximadamente 6.1 milhões de dólares anuais. Até hoje o center conta com 266 pontos marcados em 389 partidas. Além disso, Larkin não é estranho às redes sociais, onde já viralizou mais de uma vez, em uma ocasião com um vídeo de quando era adolescente e treinava no porão da sua casa, e outra onde participa de um comercial de calças. Por tudo que representa na equipe, além de ter crescido torcedor de Detroit, ele é o nome mais cotado para ser o próximo capitão do time.

    DAVID PASTRNAK, RW, BOSTON BRUINS (#25 overall): o Harry Styles da NHL (se o Harry fosse muito bom no hockey)

    O tcheco Pastrnak mudou-se para a Suécia na temporada 2012-13 para atuar no Södertälje SK da segunda divisão sueca. Lá ficou por dois anos, onde conheceu e jogou ao lado de William Nylander, atualmente seu rival de conferência na NHL. O winger foi então escolhido no final do primeiro round pelo Boston Bruins, que buscava renovar seu plantel. Após 26 partidas na AHL pelo Providence Bruins, o tcheco foi se integrando com a equipe principal.

    Entre 2016-17 e 2018-19 Pastrnak marcou 70, 80 e 81 pontos, e foi se tornando cada vez mais importante para os Bruins. Desde então, o tcheco quebrou diversos recordes da equipe de Massachusetts e, em 2017, teve seu contrato renovado por mais seis anos. Compromisso este que ostenta o cap hit mais curioso da Liga, US$ 6,666,666.

    Além do seu talento no gelo, a personalidade expansiva do winger também contribuiu para a sua popularidade. Desde os ternos de estampa floral até os comerciais de uma famosa rede de quitandas, o tcheco se tornou uma estrela não só em Boston, como em toda a NHL. Na temporada 2019-20, Pastrnak conquistou seu primeiro Rocket Richard Trophy, dado ao maior goleador da Liga. Com 48 gols (e 95 pontos, em apenas 70 jogos), o tcheco se tornou o primeiro Bruin a conquistar tal honraria. 

    BRAYDEN POINT, C, TAMPA BAY LIGHTNING (#79 overall): o menino-raio de Tampa Bay

    O center canadense foi draftado no terceiro round pelo então GM do Lightning, Steve Yzerman. Embora Point tenha tido uma temporada respeitável pelo Moose Jaw Warriors da WHL em seu ano de elegibilidade, ele foi ranqueado apenas em 31º entre os patinadores norte-americanos. Com a direção do clube visando que ele adquirisse mais experiência, o atleta jogou mais dois anos na WHL com os Warriors. Ele também teve uma passagem de nove jogos pelo Syracuse Crunch da AHL entre eles, após Moose Jaw ter sua temporada encerrada.

    A importância de Point no Lightning foi aumentando de forma gradativa. Isto ocorreu especialmente devido ao valor baixo do cap hit do jogador durante seu contrato de novato. Ter o canadense no plantel da equipe permitia mais flexibilidade com relação à montagem do time. Além disso, o rendimento de Point fez com que ele se tornasse de vez uma parte importante do clube, que teve temporadas históricas com a sua presença no elenco. 

    Além de ter sido escolhido para um All-Star Game em 2018, Point soma 262 pontos em 295 partidas na NHL desde o início de sua carreira profissional. Com o fim de seu primeiro contrato, o canadense assinou uma extensão de três anos de duração com o Lightning, avaliada em 6.75 milhões anuais. 

    MENÇÕES HONROSAS:

    Kevin Fiala, LW, Nashville Predators (#11 overall): o suíço era um dos top prospects europeus, mas ainda tem dificuldades em se fixar como uma peça chave em um clube da NHL. Na temporada 2019-20 foi trocado para o Minnesota Wild. 

    Jakub Vrana, LW/RW, Washington Capitals (#13 overall): o tcheco venceu a Stanley Cup com os Capitals em 2018 e forneceu alguns dos melhores momentos da comemoração.

    Robby Fabbri, C, St. Louis Blues (#21 overall): depois de sofrer com diversas lesões de ligamentos, que o deixaram de fora da campanha vitoriosa dos Blues, o atleta foi trocado para o Detroit Red Wings em 2019.

    Kasperi Kapanen, RW, Pittsburgh Penguins (#22 overall): filho de um jogador identificado com a torcida do Philadelphia Flyers (o defensor Sami Kapanen), o winger não teve muitas chances de atuar pelos Penguins antes de ser envolvido na troca que levou Phil Kessel aos Pens. O finlandês é um Maple Leaf desde 2015 e é conhecido por sua rapidez e tenacidade.

    Thatcher Demko, G, Vancouver Canucks (#36 overall): o goleiro americano atuou por três anos na Boston College antes de se profissionalizar. Atualmente ele divide o gol dos Canucks com o sueco Jacob Markstrom. 

    Nathan Walker, C,  Washington Capitals (#89 overall): apesar de ter nascido em Gales, o jogador cresceu na Austrália e foi, portanto, o primeiro atleta do país a ser draftado na NHL. Além disso, Walker foi o primeiro galês e/ou australiano a vencer a Stanley Cup (com os Caps, em 2018), mas não preencheu os requisitos para ter seu nome gravado no troféu.