No começo de março, foi anunciado pela comissária da NWHL, Tyler Tumminia, que a NWHL retornaria às atividades. Inicialmente, a temporada de 2020-21 seria disputada na Herb Brooks Arena, em Lake Placid, Nova York, entre os dias 23 de janeiro e 5 de fevereiro. Cada equipe jogaria cinco partidas, uma contra a outra, antes de um torneio round-robin para a classificação para os playoffs. Os playoffs da Isobel Cup seriam semifinais de um único jogo.
No entanto, a temporada foi cancelada em fevereiro devido a surtos de COVID-19 na bolha. Por isso, o retorno teria de ser diferente. O round-robin foi alterado, fazendo com que apenas as três primeiras equipes se classificassem, com base na porcentagem de pontos na época. Por fim, os dois últimos times, Boston e Buffalo, jogaram uma série de jogos à melhor de três para decidir quem seria o quarto seed nos playoffs.
Assim, Boston Pride se classificou ao derrotar as Beauts, e as semifinais foram definidas, com Boston Pride tendo que encarar Toronto Six e Minnesota contra Connecticut Whale.
Boston Pride 6, Toronto Six 2
Toronto Six, o novo time da expansão que estreou na temporada 2019-20, conseguiu ser o primeiro seed da classificação, após ter derrotado Minnesota e Connecticut no robin round. Toronto, por ser o time mais novo da liga, era considerado o underdog da partida, mesmo com a ótima campanha regular que a equipe teve.
O começo do jogo foi calmo, com algumas poucas chances para os dois lados. Elaine Chuli foi a goleira do Toronto Six, enquanto Lovisa Selander estava nas redes de Boston. Chuli fez belas defesas, até a rookie checa do Pride, Tereza Vanisova, abrir o placar após receber o puck de Mary Parker. Esse foi seu primeiro gol na NWHL.
38 segundos depois, Jillian Dempsey aumentou o saldo de gols quando fez 2-0. Contudo, as Six logo responderiam. Breanne Wilson-Bennet fez o primeiro gol da equipe canandense. A partida, portanto, ainda não estava decidida, e, no geral, Toronto teve mais chances de aumentar o placar nesse primeiro período que o Pride.
The Six are on the board 🚨
Breanne Wilson-Bennett with the goal for Toronto 🇨🇦
No segundo período, Toronto não conseguiu converter o power play. Mallory Souliotis aproveitou a chance e lançou o puck do meio da blue line, que entrou nas redes de Chuli, fazendo então um gol shorthanded que ampliou o placar de Boston por 3-1. Já no final do segundo período, Boston teve um power play. Contudo, em um breakway do Six, Selander teve de fazer uma rápida defesa para evitar o gol shorthanded. Dessa forma, as habilidades de defesa de Selander ditaram o ritmo de jogo, já que ela impediu a equipe adversária de marcar.
Por outro lado, Elaine Chuli não teve a mesma sorte. McKenna Brand marcou o quarto gol da equipe em um rebote da goleira canadense. A equipe de Toronto não conseguiu se organizar para construir uma defesa que parasse os disparos de Boston. Além disso, o ataque mal alcançava as redes, já que Selander parava todos os shots. No terceiro período, Chuli foi substituída por Samantha Ridgewell. Mesmo assim, Sammy Davis e Mary Parker marcaram mais dois gols para o Pride, enquanto Mikyla Grant-Mentis, das Six, fez mais um contra elas. O placar final foi de 6-2, com uma certa facilidade para Boston. Enfim, no final do jogo, Selander fez 23 defesas, enquanto Chuli, de Toronto, parou 19 disparos.
Connecticut Whale 0, Minnesota Whitecaps 7
Apesar de ter levado 7 gols, a equipe de Connecticut deu o melhor de si até o final. A prova disso são os impressionantes 44 disparos ao gol da equipe. Todavia, Amanda Leveille, goleira das Whitecaps, também deu tudo de si e defendeu todos os disparos do jogo.
O primeiro gol das Caps foi aos apenas 6:26 do primeiro periodo. Audra Richards lançou o puck, que estava localizado atrás das redes de Abbie Ives para Haylea Schmid. Assim, Schmid teve apenas de completar a jogada lançando o puck para as redes do Whale.
Contudo, o Whale logo empataria o jogo com um gol de Kayla Friesen. No entanto, o gol de empate de Connecticut foi retirado depois que uma análise de vídeo determinou que o disco não cruzou completamente a linha do gol.
Ainda na primeira etapa, Allie Thunstrom aumentou o placar em um breakway. O jogo seguiria 2-0 até o segundo período, no qual mais três gols foram anotados. Audra Richards marcou 2 gols, enquanto Haley Mack fez um. Liderando por 5-0 até o terceiro período, o Whale teria de ter muita concentração e garra para ir em busca de um resultado mais favorável para que as esperanças da final não cessassem.
Contudo, isso seria muito difícil, já que Leveille estava disposta a enviar sua equipe para a final. No terceiro período, Thunstrom e Richards marcaram mais dois gols. Dessa forma, Richards fez um hat trick faltando 1 minuto para o término da partida. Por fim, Ives fez 24 defesas para o Whale.
Em um jogo relativamente fácil, as Whitecaps conseguiram garantir a vaga na final contra o Boston Pride. O último e único título de Minnesota foi em 2019, enquanto que o único título do Boston Pride foi em 2016. Curiosamente, estes times deveriam ter se enfrentado na final do ano passado, quando esta foi cancelada devido a pandemia de COVID-19.
A final da Isobel Cup será neste sábado, dia 27, às 20 horas do horário de Brasília, com transmissão no canal oficial do Twitch da NWHL.
Em 2019 foi anunciada a criação da PWHPA (em português, Associação de Jogadoras Profissionais de Hockey Feminino) com o objetivo de demandar melhores condições de trabalho e salários justos para as atletas.Dessa forma, a PWHPA também organiza a Secret Dream Gap Tour, com o objetivo de promover a necessidade do aumento da visibilidade do hockey feminino.
Em 2021, os dois jogos programados foram disputados nos dias 27 e 28 de fevereiro.
A primeira partida aconteceu no Protec Ponds Training Center, em New Jersey, entre Minnesota Region (Team Adidas) e New Hampshire Region (Women’s Sports Foundation).
Já o jogo de domingo foi no Madison Square Garden, casa do New York Rangers, onde os dois times se enfrentaram novamente. Essa partida à noite foi histórica por dois fatores principais: o fato de ter sido o primeiro jogo de hockey profissional feminino no Madison Square Garden, e ter sido transmitido em rede nacional, pela ESPN americana.
A principal diferença entre a Secret Dream Gap Tour de 2019-20 para a de 2020-21 foi a troca de alguns patrocinadores, e as dinâmicas dos jogos e equipes.
Enquanto em 2019 a dinâmica da competição foi de playoffs e round robins, além dos nomes das equipes serem os nomes das capitãs dos times, a deste ano adotou nomes dos patrocinadores e um sistema de pontos.
Em 2019-20, ocorreram dois jogos no primeiro dia e dois no segundo e adotou-se um formato estilo playoffs. Nos jogos do segundo dia, os perdedores do dia anterior se enfrentavam em um jogo de consolação e os vencedores se enfrentavam em um jogo final.
No Dream Gap Tour deste ano, as equipes recebem 2 pontos por uma vitória, 1,5 pontos por uma vitória no overtime, 1 ponto por uma vitória nos shootouts, 0,5 pontos por uma derrota na prorrogação ou shootouts e zero pontos por uma derrota. Por fim, pontos adicionais podem ser adquiridos se uma jogadora marca um hat-trick ou um gol short-handed, se uma goleira consegue um shutout ou uma equipe marca cinco ou mais gols.
Os elencos
Kendall Coyne Schofield, Hilary Knight e Hannah Brandt formaram a primeira linha de ataque da equipe Minnesota Region, ou Team Adidas. Dani Cameranesi, Kelly Pannek, Annie Pankowski na segunda linha, Sydney Brodt, Sophia Shaver e Abby Roque na terceira e por último Samantha Donovan e Ryleigh Houston na quarta linha.
Já a defesa contou com Lee Stacklin, Savannah Harmon, Demi Crossman, e Margo Lund.
As goleiras foram Nicole Hensley e Maddie Rooney.
A maioria das jogadoras tiveram passagens na NWHL e ganharam ouro olímpico pela seleção americana de hockey no gelo.
Na equipe New Hampshire Region, ou Women’s Sports Foundation, a primeira linha foi composta por Hayley Scamurra, Brianna Decker e Amanda Kessell. Alexa Gruschow, Gigi Marvin e Haley Skorupa fizeram parte da segunda linha. Chelsey Goldberg, Courtney Turner e Delaney Belinskas foram a terceira e por último Emily Field.
Já na defesa, Megan Keller, Kali Flanagan, Jincy Dunne, Jacquie Greco e Codie Cross. As goleiras foram Alex Cavallini e Katie Burt.
O primeiro jogo
Apesar de não ter tido pessoas na arena devido as politicas de restrições pelo COVID-19, o clima na primeira partida da Secret Dream Gap Tour foi intenso.
O primeiro período não trouxe grandes chances para nenhuma das equipes, e terminou empatado em 0-0. Antes do período acabar, Brianna Decker e Kendall Coyne Schofield trocaram algumas palavras em uma altercação, o que acabou dando uma penalidade para os dois times. Porém, não resultou em nenhum gol.
Portanto, a grande ação viria no final do segundo período, quando Hayley Scamurra, da equipe New Hampshire Region (NHR), abriu o placar com um passe de Gigi Marvin depois de dominar os chutes.
🚨 TEAM WSF GOAL 🚨
Scamurra from Marvin to put NH up over Minnesota 1-0 with under two minutes left in the second period. #NHvsMINpic.twitter.com/u43HnEXbYJ
Contudo, a felicidade durou pouco, já que antes do segundo período terminar, Savannah Harmon empatou o jogo em 1-1. No terceiro período, Coyne Schofield teve uma grande chance de fazer outro gol. Demonstrando sua agilidade, ela recebeu o punk nas beiradas e saiu correndo em direção da goleira Katie Burt.
Entretanto, Burt, conseguiu fazer a defesa. Mesmo assim, a Equipe Adidas sairia na frente minutos depois, com um gol de Ryleigh Houston. Então, a Equipe Adidas rapidamente marcaria mais dois gols. Abby Roque foi quem deixou o placar em 4 a 1.
Vale ressaltar que a jogadora estava alterando em duas linhas: primeiro, com Ryleigh Houston e Sophia Shaver, e segundo, com Sam Donovan e Sydney Brodt.
Por fim, o placar foi de 5-2, com o quinto gol sendo feito por Coyne Schofield. No entanto, Gigi Marvin marcou outro para a equipe New Hampshire Region nos últimos minutos do fim da partida. As goleiras Katie Burt e Nicole Hensley tiveram ótimos desempenhos. Burt defendeu 25 shots de 30 e Hensley 37 de 39.
O segundo jogo
Procurando uma vitória, as jogadoras do New Hampshire Region não deixariam barato a segunda partida, agora na arena do Rangers. Por isso, nos primeiros seis minutos de partida, o NHR fez dois gols rápidos.
Brianna Decker abriu o placar, indo sozinha direto na goleira do Team Adidas, Maddie Rooney. Depois, Decker fingiu um chute antes de deslizar o puck para Amanda Kessel, que marcou o segundo gol.
Todavia, a estrela da noite passada, Abby Roque, diminuiu o placar. Rapidamente ela fez um gol, aumentando a quantidade de pontos que a jogadora fez na competição. Enfim, o primeiro período terminou com um belo gol no five-hole de Haley Skarupa, o que colocou a equipe NHR em vantagem por 3-1 no placar.
Era nítido que a equipe queria ganhar esse jogo a qualquer custo, após o resultado da noite anterior.
Decker with the keep in, Skarupa with the goal. 3-1 NH 🚨 That's Decker's third primary point of the game. pic.twitter.com/jbYqA180iP
No entanto, se o primeiro período foi bem agitado, o segundo foi diferente. Com poucas chances, foi um período em sua maioria quieto. Porém, Codie Cross levou uma penalidade por hooking.
A Equipe Adidas ficou em desvantagem numérica após Kelly Pannek ter cometido um cross-checking e, em seguida, Demi Crossman se juntou a ela na caixa após um holding.
O bom disso para a Equipe Adidas foi que o time adversário não conseguiu marcar nas penalidades. Savannah Harmon marcaria um gol, porém, ele foi anulado após verem que o puck não chegou a cruzar a linha do gol.
Então, Hillary Knight faria o segundo gol do Team Adidas, após lançar um belo passe direto para as redes de Cavalinni.
Mas Brianna Decker tinha outros planos, o que acabou com a alegria das adversárias. Sophia Shaver, do Team Adidas, cometeu um delay of game. Logo depois, Sydney Brodt cometeria outra penalidade, desta vez de too many players.
Assim, em outro 5-contra-3, NHR rapidamente converteu a chance, e Decker marcou. Então, ela marcou o quarto ponto no jogo e o placar ficou 4-2.
Com quatro minutos para o fim do terceiro período, Coyne Schofield ainda marcou o terceiro gol do Team Adidas. Contudo, a vitória foi do New Hampshire Region, que conseguiu aguentar a pressão e triunfou após um jogo difícil.
O primeiro final de semana da Secret Dream Gap Tour acabou com uma vitória para cada time. Os próximos jogos da comeptição serão em Chicago, nos dias 6 e 7 de março.
O Campeonato Mundial de Hockey no Gelo da IIHF está marcado para acontecer entre os dias 21 de maio e 6 de junho. Entretanto, no final de janeiro, o conselho do Mundial anunciou que Belarus não seria mais a anfitriã do evento em conjunto com a Letônia.
A determinação veio após tensões políticas no país aumentarem em agosto do último ano, em contestação à reeleição de Aleksandr Lukashenko, considerado o último ditador na Europa, no poder há 26 anos, pela União Europeia.
A repressão aos protestos contra Lukashenko e a falta de seriedade com a COVID-19 foram alguns dos motivos para transferirem o evento. Portanto, realizou-se uma votação para decidir quem seria o país anfitrião do Mundial de 2021.
Assim, no dia 2 de fevereiro, a IIHF anunciou que a Letônia, cotada para co-sediar o Mundial, passará a ser a única sede do evento. O Conselho da Federação citou os desafios constantes causados pela COVID-19, junto com várias razões técnicas, para sua decisão de manter o torneio em uma única cidade.
Com a incerteza que continua em torno das restrições às viagens internacionais, o Conselho acredita que manter todas as equipes em Riga durante o torneio e evitar o trânsito entre dois países anfitriões é a maneira mais segura e econômica de operar o evento. Enfim, o campeonato continua com sua data de início prevista para o dia 21 de maio e término no dia 6 de junho.
A organização do evento
Todas as 16 equipes participantes, divididas entre Grupo A (Rússia, Suécia, Tchéquia, Suíça, Eslováquia, Dinamarca, Belarus e Grã-Bretanha) e Grupo B (Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Letônia, Noruega, Itália e Cazaquistão) ficarão hospedadas em um hotel.
A arena principal será a Arena Riga, em Riga. Ela receberá o Grupo B, dois jogos das quartas de final, a semifinal e a rodada de medalhas.
O segundo local será o Olympic Sports Centre, que virará uma pista de gelo com capacidade para 6.000 pessoas. Assim, sediará o Grupo A e dois jogos das quartas de final.
A Daugava Ice Rink, a aproximadamente 10 minutos da Arena Riga, servirá como arena de prática, com duas pistas de gelo. A arena está em construção e com conclusão prevista para o final de março.
Evento bolha
A possibilidade do evento ser no formato de bolha, com isolação e o mínimo de exposição a pessoas de fora da organização, é plausível. Porém, será feito somente se necessário. Com as equipes alojadas em um mesmo hotel e os locais de competição da Arena Riga e do Olympic Sports Centre localizados a aproximadamente 150 metros um do outro, a IIHF seria capaz de implementar um conceito de bolha, caso seja preciso.
Por outro lado, se a situação da COVID-19 na Letônia melhorar, será possível permitir torcida presente nos jogos. Cabe à IIHF avaliar essa possibilidade, juntamente com o Comitê Organizador Local em uma data mais próxima do campeonato. Dessa forma, eles já estariam preparados para iniciar uma oferta de ingressos dentro de três dias de aviso prévio da aprovação do governo para hospedar fãs nos locais.
Calendário
O campeonato começará na sexta-feira, dia 21 de maio, com a partida dos países do Grupo B, entre Alemanha e Itália. Posteriormente, a anfitriã Letônia enfrentará o Canadá na Arena Riga.
Já no Grupo A, o primeiro embate será entre a Rússia e a Tchéquia, no Olympic Sports Centre. Enquanto isso, à tarde, Belarus e Eslováquia se enfrentarão. Assim, primeiro dia do Mundial 2021 terá, ao todo, oito das 16 equipes envolvidas.
Para a temporada de 2021, a National Women’s Hockey League e os membros da NWHL Players ’Association (NWHLPA) usarão patches contra o racismo nos uniformes, como parte dos esforços contínuos para a igualdade das 120 jogadoras em todas as seis equipes.
“Quando se trata de acabar com o racismo, acredito que todos têm a responsabilidade pessoal de reconhecer seus próprios preconceitos implícitos. Portanto, ser anti-racista é uma escolha que se faz todos os dias, que se pauta por conversas corajosas” A defensora do Boston Pride Briana Mastel disse sobre a luta contra o racismo. “Nunca é tarde demais para agir para criar uma mudança positiva.”
A diretora executiva da NWHLPA, Anya Packer, complementou que “a NWHLPA está firme na luta contra o racismo de todos os tipos e tem orgulho do legado que nossas jogadoras e ex-alunas BIPOC (sigla para black, indigenous and person of color; em português, negros, indígenas e pessoas não-brancas) criaram no hockey feminino.
“Embora o mundo hoje esteja fragmentado, a NWHLPA continuará a educar nossos atletas, alavancar nossas plataformas e impulsionar ações significativas para tornar o hockey um espaço mais diversificado e inclusivo. Queremos que nossa postura seja clara, por isso temos orgulho de usar os adesivos” afirmou Packer.
A Comissária da NWHL, Tyler Tumminia, também fez uma declaração sobre o assunto:
“A NWHL apoia cada jogador, treinador e membro da equipe em qualquer ação pacífica que eles decidam realizar na luta contra o racismo. Por isso, queríamos que uma mensagem aparecesse a cada segundo de cada jogo nesta temporada. Após uma série de discussões, a Associação de Jogadores sugeriu uma mensagem clara sobre todos os uniformes – End Racism (Acabe com o Racismo). Estamos unidos com as jogadoras nesta iniciativa e em tudo que as equipes e jogadoras da NWHL fazem pela igualdade e representação. Contudo, não se engane: o hockey tem um longo caminho a percorrer e vamos continuar a fazer o trabalho.”
Chance de ser pioneira na luta, de forma ativa
Contudo, outra questão se levanta. Apesar deste ser um passo importante para a luta contra o racismo no hockey, até que ponto isso é um esforço efetivo? Uma boa ideia seria reverter de alguma forma a venda de camisas com este patch e apoiar alguma ONG de Diversidade e Inclusão, ou construir um tipo de comunidade para incluir jovens BIPOC e tornar o esporte de fato inclusivo. A verdade é que o hockey hoje é elitista independentemente de gênero.
Então, a NWHL pode usar essa campanha como oportunidade para ser pioneira sobre questões que assolam a comunidade de pessoas não-brancas, como por exemplo, a luta contra o fim da brutalidade policial. Afinal, a própria NHL abriu mão de tomar rumo sobre tais questões. A campanha de Akim Aliu e da Hockey Diversity Alliance,por exemplo, se desvincularam da liga masculina por falta de interesse da mesma.
Dessa maneira, a NWHL terá um legado muito mais interessante na melhora das injustiças sociais através do esporte.
A noticia e outras citações sobre a iniciativa podem ser lidas, em inglês, no site da NWHL.
Quando Willie O’Ree se tornou o primeiro jogador negro na NHL em 1958, 63 anos atrás, ele teve de enfrentar muitos obstáculos por conta do racismo existente (até hoje) no hockey. Embora ainda seja possível ver poucos jogadores negros em uma liga com quase mil jogadores, o que Willie fez foi algo muito importante, pois possibilitou a abertura da inclusão de tais jogadores que antes eram ignorados.
Por isso, Willie terá sua camisa aposentada pelo Boston Bruins, time pelo qual jogou em sua trajetória na Liga. A cerimônia será no dia 18 de fevereiro, antes do jogo da equipe contra o New Jersey Devils. O’Ree se tornou o primeiro jogador negro na NHL uma década após Jackie Robinson ter sido o primeiro jogador negro a jogar na MLB, a liga profissional de baseball.
O’Ree, atualmente com 85 anos, entrou para o Hall da Fama da NHL em 2018. No mesmo ano, a NHL instituiu o prêmio anual Willie O’Ree Community Hero em sua homenagem. O prêmio é projetado para reconhecer um indivíduo que trabalha para impactar positivamente sua comunidade, cultura ou sociedade por meio do hockey. Enfim, agora, três anos depois, seu número será aposentado pelo Bruins.
“As contribuições de Willie para o hockey transcendem as conquistas no gelo e abriram inúmeras portas para os jogadores que vieram depois dele”, disse o presidente do Bruins, Cam Neely, no anúncio desta terça-feira. “Ele é, sem dúvida, merecedor desta honra.”
“Após quebrar a barreira da cor como um Boston Bruin em 1958 e eventualmente se aposentar do hockey profissional em 1979, Willie se tornou o embaixador definitivo para melhorar a diversidade e inclusão dentro do jogo. No entanto, o mundo inteiro do hockey está eternamente em dívida com Willie por tudo o que ele fez e continua fazendo pelo esporte. Estamos extremamente orgulhosos de aposentar o número de Willie e consolidar seu legado como um dos maiores atletas de Boston. ” completou Charlie Jacobs, CEO do Bruins.
Willie mora atualmente em San Diego, na Califórnia. Sobre a homenagem, ele disse:
“Eu estava sentado no meu quintal (segunda-feira) à tarde, e Cam Neely do Bruins ligou. Eu disse ‘Oi, Cam, como você está?’ Ele disse: “Estou bem, tenho algo especial para lhe contar”. Então, ele disse: ‘Os Bruins vão aposentar seu número.’ Eu disse, ‘Oh meu Deus.’ Eu fiquei sem palavras por alguns segundos. Enfim, estou impressionado e emocionado por ter minha camisa dos Bruins aposentada.”
O atual capitão do Bruins, Patrice Bergeron, proferiu elogios a O’Ree e disse quão importante isso é para o hockey.
“Significa muito”, disse Bergeron. “É merecido e é a coisa certa a se fazer, eu acho. É incrível o impacto que ele teve, quebrando obviamente a barreira da cor, mas também seu trabalho com inclusão e diversidade no hockey há tantos anos. Ele é um grande embaixador e alguém que conheci ao longo dos anos, uma pessoa incrível para conversar (…) Estou muito feliz por ele. “
Por fim, na segunda-feira, a NHL anunciou que todos os jogadores da liga usarão um decalque em seus capacetes com uma foto de O’Ree e a mensagem “celebrando a igualdade”. Os decalques serão usados de 16 de janeiro até o final de fevereiro, que é o Mês da História Negra.
Mais informações sobre a homenagem no site da NHL (em inglês).
O início da temporada será nesta quarta-feira (13), e para que a temporada possa realmente acontecer, a NHL teve de se reinventar, criando novas divisões e realinhando times. Na sequência dos textos sobre as prévias de cada divisão na temporada 2020-21 (Divisão Central, Divisão Norte e Divisão Leste), agora trouxemos nossa prévia sobre a Divisão Oeste.
As coisas ainda parecem incertas para este início de temporada. Columbus Blue Jackets adiou alguns treinos por conta do roster ter sido infectado pelo novo coronavírus, e o Pittsburgh Penguins também precisou cancelar os treinos. No entanto, a princípio, a temporada irá ocorrer normalmente.
Os training camps se iniciaram no dia três de janeiro. Assim, estivemos acompanhando as movimentações ao redor da Liga.
Anaheim Ducks
O futuro do Anaheim Ducks parece próspero. Afinal de contas, Trevor Zegras, um dos maiores nomes do Mundial de Juniores, foi um dos principais nomes na conquista do ouro pelos Estados Unidos. Além disso, a equipe da Califórnia também draftou nomes interessantes como o defensor Jamie Drysdale e Jacob Perreault.
Dito isto, estamos falando do presente. E o presente do Ducks, atualmente, não é tão otimista. A equipe precisa de diversos ajustes. Eles conseguiram ajustar um problema, dentre tantos, ao contratarem Kevin Shattenkirk, que recentemente ganhou uma Stanley Cup com o Tampa Bay Lightning.
Além disso, a Divisão Oeste é extremamente competitiva. Em uma divisão onde pelo menos quatro times já possuem a vaga garantida nos playoffs, a chance dos Ducks conseguirem uma por sorte, atualmente, não é possível. Porém, os torcedores podem se animar com o futuro da franquia.
Arizona Coyotes
Se dependesse somente de goleiro, a equipe do Arizona Coyotes facilmente estaria cotada como um dos times nos playoffs. Afinal, Darcy Kuemper é um ótimo goleiro e inclusive foi cotado ao Vezina Trophy ano passado. Seu backup, Antti Raanta, também fez um ótimo trabalho quando Kuemper se lesionou.
Contudo, os Yotes estão em uma divisão bem forte este ano, e seus problemas defensivos e de ataque acabam pesando para a equipe. Taylor Hall assinou com a equipe ano passado, e apesar de não ter tido grandes números, ele ajudava a dar o ataque ofensivo necessário. Porém, o atacante foi para o Sabres nesta off-season.
Arizona conta com bons nomes como Clayton Keller, Phil Kessel e Conor Garland para o ataque. Ainda, Barret Hayton, o prospect que a equipe selecionou em 2018, pode se mostrar uma boa opção para o ataque se ele se mantiver saudável. Já na defesa, eles têm Jakob Chycrun e Olivier Ekman Larssson que, se saudáveis, poderão continuar sendo bons nomes para o time. Entretanto, de nada vale uma boa defesa se não acompanhada por atacantes que façam gols.
Colorado Avalanche
O Avalanche atualmente é uma equipe cheia de talentos, que mais cedo ou mais tarde ganhará uma Stanley Cup. O elenco de Colorado ainda é composto por grandes nomes como Nathan MacKinnon, Mikko Rantanen, Andre Burakovsky, Gabriel Landeskog. Na defesa, contam com o talento de Cale Makar.
Porém, não só de grandes nomes uma equipe se faz. O resto do elenco, composto por Ryan Graves, Erik Johnson, Samuel Girard e agora Devon Toews, que veio do New York Islanders, mostram como a defesa que antes já era sólida virou letal.
Nazem Kadri foi uma grande adição no ano passado, quando veio do Toronto Maple Leafs. Brandon Saad, veterano que era do Chicago Blackhawks, também acrescentará profundidade e experiência ao time.
Com certeza, a equipe tem chances de ir para os playoffs como grandes favoritos nessa temporada reduzida. Quem sabe, poderão alcançar o sonho da conquista da Stanley Cup.
Los Angeles Kings
O Los Angeles Kings entrou em rebuild. Por isso, não há grandes expectativas da equipe esse ano na Divisão Oeste. Entretanto, o caminho dos Kings no futuro poderá ser brilhante.
Com a segunda pick do primeiro round, eles escolheram Quinton Byfield, cotado para ser um dos melhores centrais da geração dele. Sem grandes mudanças nessa temporada, os veteranos Anze Kopitar e Drew Doughty são esperados a ter o mesmo nível mediano de jogo das temporadas passadas. Jonathan Quick e Cal Petersen são os goleiros da equipe, contudo, o titular ainda será Quick, que não tem tido boas temporadas recentemente.
Não há muitas expectativas para o Kings de agora, e o time não deve ir para os playoffs. Porém, os novos prospects de elite prometem ser a força para que a equipe seja novamente contender em breve.
Minnesota Wild
Apesar do Wild ter conseguido ir para os playoffs na temporada passada, a equipe terá que ser melhor do que Colorado, St. Louis, Arizona e Vegas para conquistar a vaga. Isso, por si, já é a tarefa mais difícil que o time terá de fazer. Porém, talvez, a defesa do Minnesota Wild consiga garantir uma vaga. Jared Spurgeon, Jonas Brodin e Matt Dumba são nomes fundamentais na ótima defesa do Wild.
Nesta offseason, o Wild foi atrás de um novo goleiro para substituir Devan Dubnyk. Então, assinaram com Cam Talbot, que antes jogava com o Calgary Flames. O backup continua sendo Alex Stalock. Resta saber se a dupla Talbot e Stalock será superior a dupla Dubynk e Stalock nesta temporada.
Por fim, o ataque do Wild conta com alguns bons nomes, mas que, no geral, não são exatamente tão fatais no momento em que é preciso ser. Eric Staal foi trocado para o Buffalo Sabres, e quem chegou ao Wild foi Marcus Johansson. Johansson não possuía números tão bons nos Sabres. Contudo, ele é um jogador rápido e, ao lado de Kevin Fiala, ele poderá ser um grande aliado ao time.
San Jose Sharks
A temporada dos Sharks em 2020 foi decepcionante, ainda mais se pensar que em 2019 eles foram para uma Final de Conferência, na qual foram derrotados pelos futuros campeões St. Louis Blues. A previsão é de que nessa temporada atual o Sharks não consiga ir tão longe na Divisão Oeste.
O time possui contratos longos com jogadores veteranos, como os defensores Brent Burns, Marc Edouard Vlasic e Erik Karlsson. Tais jogadores não alcançam o que é esperado deles, ou seja, uma defesa sólida, e o impedimento de gols do time rival. Isso acaba atrapalhando o funcionamento do time. Mesmo assim, Burns e Karlsson talvez ainda sejam os melhores nomes da defesa, ao lado de Mario Ferraro, que provavelmente terá mais destaque no roster.
O goleiro Martin Jones ainda é cotado para ser o titular. Porém, Jones não tem sido o goleiro bom e confiável que ele costumava ser no passado. Por isso, é esperado que Devan Dubnyk, adquirido do Minnesota Wild, faça par com ele, e ambos dividam as redes durante a temporada.
Por fim, o ataque permanece o mesmo. Timo Meier, Thomas Hertl provavelmente serão nomes importantes para o ataque. Já Evander Kane e Logan Couture terão de melhorar e fazer mais gols se quiserem ver seu time indo para os playoffs.
St. Louis Blues
Não é novidade para ninguém que o ex-capitão do Blues, Alex Pietrangelo, foi para o Vegas Golden Knights. Além disso, Jay Bouwmeester anunciou a aposentadoria. Porém, os Blues não sentirão muito esses desfalques.
Torey Krug, antigo defensor dos Bruins, assinou um contrato de sete anos com os Blues. Krug possui ótimas características no ataque ofensivo e no power play. Além dele, a blue line dos Blues conta com Vince Dunn, o jovem defensor da equipe, que assinou por mais um ano. Colton Parayko também é outro D-man de elite, e compõe o elenco da defesa do time. Enfim, Jordan Binnington continuará sendo titular da equipe, já que Jake Allen saiu para o Montreal Canadiens.
Vladimir Tarasenko ainda está se recuperando de uma lesão. Por isso, ele não participará da temporada. Entretanto, nem tudo está perdido, já que o novo capitão Ryan O’Reilly provavelmente será o maior poder ofensivo da equipe nesta temporada. Ao lado dele, temos David Perron e Brayden Schenn. Mike Hoffman assinou um ano com o Blues e na duas temporadas na sua antiga equipe, o Florida Panthers, Hoffman foi um sólido atacante com mais de 30 gols por temporada.
Mesmo a Divisão Oeste sendo bastante competitiva, os Blues certamente alcançarão os playoffs e poderão brigar pela sorte de novamente erguer a Stanley Cup.
Vegas Golden Knights
Vegas entra em sua quarta temporada na NHL como, novamente, favoritos à Stanley Cup no Oeste. Isso porque a equipe possui muitos talentos, tanto ofensivos quanto defensivos.
Alex Pientragelo, que saiu dos Blues, assinou um contrato de sete anos com a equipe de Nevada. Assim, ele oferecerá um ótimo aspecto defensivo, algo em que Vegas pecava um pouco, mesmo tendo um elenco composto por Shea Theodore e Alex Martinez (que foi adquirido dos Kings).
A parte ofensiva da equipe permanece a mesma, basicamente. Mark Stone é um dos maiores nomes da equipe e é esperado que ele continue no ritmo dos outros ótimos anos que ele teve com a equipe. Além disso, Max Pacioretty também é um jogador de elite, que certamente fará um poder ofensivo forte para a equipe.
Robin Lehner irá inevitavelmente susbtituir Marc-André Fleury como goleiro principal, já que este último não é o mesmo jogador de antes. Porém, essa dupla de goleiros é de assustar qualquer um, já que ambos oferecem o suporte e a confiança que um goleiro deveria passar. Não é surpresa que Vegas consiga ir para os playoffs, mostrando novamente como uma nova franquia pode se reinventar com peças de outras equipes.
Na madrugada de terça (05) para quarta feira (06), a final do Mundial Sub-20 de Hockey no Gelo da IIHF de 2021 (ou simplesmente World Juniors) entre Canadá e Estados Unidos aconteceu, e quem saiu vitorioso nessa batalha foram os americanos. Esta foi a quinta medalha de ouro dos Estados Unidos no torneio e a quinta vez nos últimos seis anos que a equipe conquistou medalhas no evento.
Apesar do Canadá ser considerado favorito nessa edição, já que a equipe levou somente quatro gols em seis jogos da competição, foram os Estados Unidos, com sua dominância, que mostrou o por quê dessa rivalidade ser tão histórica.
Contudo, o começo da competição para os americanos não foi tão glorioso. No primeiro dia de partida, contra os russos, Spencer Knight levou quatro gols na vitória russa por 5-3. Porém, as redes foram lacradas depois disso e desde então a equipe conquistou seis vitórias consecutivas e cedeu apenas cinco gols.
Após manter pressão na zona de defesa do Canadá, o primeiro gol dos Estados Unidos, e da partida, saiu aos 12:25 no primeiro período. Alex Turcotte (prospect dos Kings) redirecionou o shot de Drew Helleson (prospect do Avalanche) para as redes de Devon Levi (prospect dos Panthers), goleiro do Canadá.
O gol veio em um momento crucial, já que antes, o Canadá tinha passado 10 minutos fazendo pressão na zona de defesa americana. Knight fez nove defesas, incluído duas no único power play do período. Trevor Zegras (prospect do Anaheim Ducks) aumentou o placar para os Estados Unidos aos 32 segundos do segundo período. Ele recebeu o puck de Arthur Kaliyev e terminou a jogada colotando o disco dentro das redes, em um gol de backhand.
Kaliyev teve outras duas grandes chances de gol quando a equipe foi para o power play. Entretanto, Levi não estava disposto a levar mais nenhum gol. Os canadenses tiveram 15 tiros a gol contra apenas um dos americanos no terceiro período, porém, mesmo com toda essa pressão, o Canadá não conseguiu fazer nenhum gol.
Enfim, com essa vitória, os EUA já venceram quatro dos cinco confrontos com o Canadá na disputa pela medalha de ouro na competição. Apesar disso, o torneio foi bastante acirrado. Principalmente por conta do momento mundial da pandemia, no qual os jovens tiveram de ficar em confinamento, com pouca diversão e tomando os devidos cuidados.
Jogadores destaques
Spencer Knight certamente foi um dos maiores jogadores nesta partida e, em geral, do torneio. O goleiro de Boston College e prospect do Florida Panthers fez incríveis 34 defesas na final. Com isso, ele defendeu todos os tiros do Canadá e conseguiu ter um shutout.
O atacante da equipe dos EUA, Trevor Zegras, foi eleito MVP de todo o World Juniors na noite de terça-feira em Edmonton. Zegras liderou o torneio marcando 18 pontos (sete gols e 11 assistências), incluindo um gol e uma assistência na vitória dos EUA por 2 a 0 sobre o Canadá.
O canadense Devon Levi foi escolhido melhor goleiro do torneio depois de terminar com um recorde de 6-1, média de 0,75 gols marcados e 0,964 percentual de defesas. Os três shutouts de Levi igualaram a maior marca na história do torneio, ao lado do goleiro Spencer Knight da equipe dos EUA neste ano, alcançando a performance de Justin Pogge em 2006.
O prospect do Ottawa Senators, Tim Stützle, foi eleito o melhor atacante do torneio depois de marcar cinco gols e cinco assistências pela Alemanha.
Topi Niemela, da Finlândia, recebeu a honra de melhor defensor deste World Juniors.
Theresa Feaster, pioneira no World Juniors
Feaster recebendo a medalha de ouro (Captura de tela/TSN)
Theresa Feaster se tornou assistente técnica da seleção Sub-20 dos Estados Unidos no ano passado. Além disso, ela também é Diretora de Operações de Hockey para Providence College na NCAA. Ao ganhar a medalha, Feaster conquistou um feito inédito, já que antes nenhuma outra mulher havia ocupado essa posição no World Juniors.
Ela foi contratada sob pedido do técnico da equipe americana, Nate Leaman. De acordo com a assistente técnica, seu sonho é de se tornar General Manager na NHL. Seguindo os passos de ontem, talvez esse sonho esteja mais perto do que nunca.
Theresa é filha de Jay Feaster, ex-GM do Calgary Flames e do Tampa Bay Lightning, time com o qual ele ganhou a Stanley Cup em 2004. Ou seja, seu conhecimento e paixão pelo hockey sempre foi algo trazido e incentivado de casa. Atualmente, ele é o Diretor Executivo de Desenvolvimento de Hockey na Comunidade para o Lightning.
Corações partidos sempre nos proporcionam inspiração para produzir coisas boas. Quem não, dentre as favoritas, tem uma música triste, com uma letra que te faz viajar pelas lembranças e momentos de dor? Ou então, aquele filme em que você sabe que o protagonista morre no final, mas ainda assim não cansa de rever, apenas para revisitar o sentimento mais uma vez? Quem nunca ouviu que as melhores obras de arte foram produzidas em meio ao sofrimento?
Artistas como Van Gogh, escritores como Lord Byron e tantos outros usaram de seus momentos de conflito para produzir obras de arte. Quando olhamos para o esporte, não é diferente. As repetidas frustrações fazem os jogadores sonharem mais alto.
E, quando enfim conquistam a taça, a volta por cima vem com um gostinho mais doce. Assim, foi com esse desejo de enfim deixar as frustrações para trás, que grandes campanhas na temporada regular se tornaram a grande conquista da Stanley Cup. Entretanto, a pressão e o nervosismo de ser um time contender pode surtir o efeito contrário.
O Tampa Bay Lightning teve duas grandes decepções nessa década. A primeira foi quando perderam a Final da Stanley Cup para o Chicago Blackhawks, em 2015. Posteriomente, talvez de uma maneira ainda mais frustrante, em 2019, perderam quatro jogos seguidos no primeiro round contra o Columbus Blue Jackets, logo após uma histórica temporada regular, com 62 vitórias, e serem cotados como um dos favoritos naquela pós-temporada.
As expectativas impostas em um time com grande elenco para ganhar o prêmio acabaram tendo o efeito contrário: quando mais se esperava da equipe, mais eles falharam.
Assim como na vida, muitas expectativas são jogadas em cima de nós. Não corresponder a elas deveria ser algo naturalizado, uma vez que muitas dessas cobranças são projeções dos outros em nós mesmos. Entretanto, essas expectativas fazem com que esqueçamos que, no fim, todos somos seres humanos, e, como tal, não somos perfeitos.
Mas, quando se trata de esportes, as coisas não são tão fáceis assim. Nosso sentido de compreensão parece sumir, ainda mais quando o jogo está 0 a 0 no terceiro período e alguém precisa fazer alguma coisa para sair vencedor. Esquecemos, com muita frequência, de que esses atletas que vemos na TV, tão distantes, são pessoas. Mesmo que tenham habilidades que pareçam ser de outro planeta, eles ainda são, de fato, humanos.
Esse costume de colocá-los no pedestal, e até mesmo enxergarmos atletas como semideuses assim como era na Grécia Antiga, aumenta o abismo entre o jogador e os fãs. Contudo, não consigo deixar de perguntar por que, quando Tampa perdeu os quatro jogos do ano passado, doeu tanto em mim, que até passei mal e não pude ir para a faculdade no dia seguinte? Por que a imagem de Nikita Kucherov olhando de longe enquanto os jogadores do Chicago Blackhawks celebravam o recém-conquistado título ainda dói aos fãs, mesmo em quem acompanha hockey há tão pouco tempo?
E por que eu guardarei com tanto carinho e emoção a sequência de Steven Stamkos fazendo um gol no Jogo 3, quando todos nós tínhamos certeza de que ele não iria participar de nenhum jogo dos playoffs?
Quando a força emocional precisa ser maior do que a força física
Nos playoffs de 2020, Tampa teve um caminho bem complicado para ganhar a final. O primeiro oponente seria o Columbus Blue Jackets, a mesma equipe que há um ano encerrou o sonho do Lightning de brigar pela taça.
Após vencer a série por 4-1, o Boston Bruins seria o próximo adversário, no segundo round. Os rivais de divisão deram trabalho. Mesmo assim, Tampa conseguiu vencer a série em cinco jogos.
O próximo adversário foi o New York Islanders, na Final da Conferência Leste. A equipe, que possui uma das defesas mais apertadas da NHL, não seria um adversário tão fácil. Todavia, Tampa conseguiu vencer a série por 4-2, em seis partidas. Enquanto isso, do outro lado da chave, Dallas Stars vencia o Vegas Golden Knights na Final da Conferência Oeste.
A Final da Stanley Cup seria definida entre Dallas Stars e Tampa Bay Lightning. De um lado, a equipe texana possuía um sistema bem fechado, no qual fazer gols era algo extremamente complicado. Tampa conseguiu passar por tudo isso e ganhou a Stanley Cup em seis jogos, 16 anos após o primeiro título, conquistado em 2004.
Essa conquista foi extraordinária por diferentes aspectos. Primeiramente, pois ela ocorreu no meio de uma pandemia, em uma dinâmica de playoffs um pouco diferente. Os times ficaram isolados em uma bolha, em arenas neutras, o que não dava nenhuma vantagem de se jogar em casa, muito menos contavam com a presença das torcidas que sempre impulsionam a equipe.
Segundo, o capitão da equipe, Steven Stamkos, estava afastado por conta de uma lesão agravada enquanto a temporada estava em pausa. Mesmo assim, ele escreveu um dos momentos mais icônicos do hockey.
No Jogo 3, Steven Stamkos entrou na partida, jogou por 2:47 minutos, fez um gol e logo em seguida saiu. Foi a única aparição dele nos playoffs, o suficiente para que o capitão de Tampa eternizasse seu nome na Stanley Cup após levantá-la frente aos seus colegas de equipe.
Aliás, Stamkos ter feito aquele gol entrou para a história do hockey não somente devido sua lesão, mas sim por tudo o que o capitão estava lidando naquele momento. Em uma entrevista para o Lightning Insider, Stamkos revelou que no primeiro round contra o Columbus Blue Jackets sua esposa Sandra sofreu um aborto espontâneo na 21° semana de gravidez. Por conta disso, ele teve de sair da bolha por um momento para ficar com sua esposa e família em um momento tão delicado.
Acredito que são nesses momentos que a humanidade de um atleta é (finalmente) demonstrada. E são nesses momentos que nós, torcedores, lembramos de que eles não são apenas máquinas supertalentosas. Eles são como nós. Eles sofrem como nós.
Então, é aí que a força emocional dos jogadores precisa ser superior à força física. A força física e a brutalidade são duas características clássicas do nosso bom e velho hockey. E para esses homens, que muito provavelmente cresceram em ambientes no qual demonstrar sentimentos é considerado uma fraqueza, saber lidar com esses sentimentos é mais complicado do que ser um saco de pancadas.
Stamkos, naquele momento, estava lidando com duas coisas cruciais na sua vida. Um momento extremamente complicado e sensível em sua família, e a necessidade de deixar no passado as duas decepções do Tampa Bay Lightning, com a chegada dos playoffs.
Certamente, se Stamkos escolhesse sair da bolha e não participasse mais da pós-temporada, para dar apoio completo para sua esposa, alguns torcedores irracionais não reagiriam bem. Afinal de contas, o próprio Tuukka Rask passou por um momento parecido nos playoffs e saiu da bolha. Com isso, ele recebeu críticas de torcedores e até mesmo da mídia. Entretanto, as expectativas dos jogadores favoritos não são feitas para nós.
Por fim, Stamkos escolheu prosseguir com sua equipe, mesmo não recuperado da lesão. E mesmo não estando 100%, ele entrou no rink e jogou menos de três minutos. Porém, esses três minutos foram o bastante para fazer história, com o único gol no único jogo dos playoffs em que ele jogou.
A complexidade de ser um fã
A nossa ligação com um time vai além do que entendemos. Isso pode soar um pouco dramático e místico demais, mas é uma realidade. Esse sentimento de identificação, amor e frustração é algo que precisa de estudo. Assim, essa tal ligação mística torna esses momentos no hockey inesquecíveis. Ainda mais quando um time conquistou o prêmio nesse momento tão difícil da humanidade, onde temos que lidar com o distanciamento das pessoas por conta do coronavírus.
Eu assisto hockey há quase dois anos. Por isso, a minha curta experiência como torcedora talvez não possa ser equiparada com a de uma pessoa que assiste há anos. Todavia, a experiência de ser fã é uma coisa única. A sensação de dependência e frustração é algo único e universal. É algo que todo torcedor sente. Então de certa forma, existe uma uniformidade na experiência de ser fã.
A dependência que sentimos com jogadores literalmente desconhecidos, nossas esperanças e desesperanças depositadas por nós mesmos a eles, e o nosso amor inexplicável por um clube de hockey.
Talvez eu não saiba exatamente como foi perder a final contra o Blackhawks em 2015, assim como não presenciei a conquista da primeira Cup em 2004. Mas vendo hockey e acompanhando a conquista nesse ano único me fez sentir o que todos os torcedores sentem: orgulho, amor e principalmente respeito por todos os jogadores que tiveram de ultrapassar as próprias barreiras emocionais para conseguir trazer essa Stanley Cup de volta à Flórida.
Em 2019, o mundo do hockey se surpreendeu após Akim Aliu alegar que Bill Peters, na época técnico do Calgary Flames, desrespeitou Aliu referindo a ele por injúrias raciais. O caso aconteceu quando os dois estavam no Rockford IceHogs, da AHL. Ao invés de ser amparado na época, Aliu foi silenciado pela liga e nunca mais teve uma chance na NHL após tal incidente. Peters se demitiu do Calgary Flames quatro dias após as alegações no ano passado.
O hockey, por ser um esporte extremamente tradicional, carrega alguns valores que são inadequados nos dias de hoje. Valores estes que usualmente se confundem com virtudes, como por exemplo, o sexismo e o racismo. Contudo, tais valores vão se modificando com o passar dos anos, e eles são apenas reflexos da sociedade atual.
Neste texto, relembramos os acontecimentos de 2019 e propomos uma reflexão sobre as poucas mudanças que ocorreram após um ano desde as denúncias.
A história de Akim Aliu
Akim Aliu é filho de pai nigeriano, Tai, e mãe Ucraniana, Larissa. Quando Aliu tinha 7 anos, a família se mudou para o Canadá. Considerado muito talentoso no gelo, Aliu começou a jogar pelo Windsor Spitfires na OHL. Contudo, a carreira dele seria marcada por incidentes disciplinares, mais tarde revelados pelo próprio como acontecimentos ligados a sua cor e etnia.
Na temporada de 2005-06 da OHL, a primeira de Aliu, ele se envolveu em uma briga com Steve Downie. Downie fez um cross-check no rosto do jogador, o que fez com que ele perdesse alguns dentes. Em seu texto para o Players Tribune “Hockey is Not For Everyone”, Aliu disse que Downie fez isso pois Akim é negro, “Ele olhou para mim e viu um menino negro com um sotaque estranho – e não gostou de mim por causa disso. Fui atacado por causa da cor da minha pele. Eu sabia na época. E eu sei disso ainda mais agora.”
Por conta desse incidente, Aliu solicitou uma troca e foi para o Sudbury Wolves. Ele foi ranqueado como o 5° melhor prospect de 2007, no entanto, foi escolhido pelo Chicago Blackhawks no segundo round em 57° lugar, muito por conta dos incidentes em gelo oriundos de um jovem que se rebelou contra um sistema racista.
Por fim, a carreira profissional do canadense foi marcada pela passagem em diversos times, tanto na NHL quanto na AHL. Em 2012, ele assinou pelo Calgary Flames, mas a última equipe em que ele jogou foi HC Litvínov, da principal liga Tcheca.
Os precendentes: demissões de Don Cherry e Mike Babcock
O famoso comentarista de hockey Don Cherry foi demitido quase um ano atrás, no dia 9 de novembro de 2019. Cherry é uma das figuras mais icônicas e polêmicas do hockey no Canadá, protagonista de falas preconceituosas e controversas. Durante o Coach’s Corner, famoso programa de análise de hockey, Cherry fez comentários que sugeriam que os imigrantes canadenses se beneficiam dos sacrifícios de veteranos e não usavam a remembrance poppy (flor de papoula que demonstra respeito às pessoas que serviram pelo seu país). Assim, reproduzimos aqui as polêmicas palavras do comentarista:
“Vocês que vêm aqui … vocês amam nosso estilo de vida, vocês amam nosso leite e mel, pelo menos vocês podem pagar alguns dólares por uma poppy ou algo assim … Esses caras pagaram por sua viagem, da vida que você gosta no Canadá, esses caras pagaram o preço mais alto.”
Esse comentário foi um basta nas falas intolerantes de Don Cherry. Após muitas críticas ao redor da comunidade do hockey, a Sportsnet o demitiu dois dias depois. Contudo, essa ação só foi o começo de uma sequência de fatos que essa demissão acarretaria para a NHL e o hockey.
No dia 20 de novembro, o Toronto Maple Leafs demitiu o então técnico da equipe Mike Babcock, inicialmente pela performance a desejar que o time canadense apresentava no gelo. Alguns dias depois, ressurgiu uma narrativa de que Babcock havia mandado um rookie dos Leafs, até então sem nome divulgado, fizesse uma lista sobre quem não se esforçava na equipe. Esse calouro era ninguém menos que Mitch Marner, um dos principais jogadores da equipe.
Contudo, o caso se agravou quando revelaram que Babcock foi além de solicitar a controversa tarefa: ele havia mostrado essa lista para os companheiros de equipe do então novato Marner. Posteriormente, o right winger disse que por conta do apoio de seus companheiros, não houve nenhum sentimento de rancor entre eles.
Tal demissão e o fato publicado em seguida que abriu as portas para o caso de Peters e Aliu.
Bill Peters e a injúria racial contra Akim Aliu
No dia 25 de novembro, Akim Aliu postou em seu perfil do Twitter que Bill Peters em diversas ocasiões referiu-se a ele por diversas expressões racistas em inglês. Após Aliu se rebelar, novamente sem apoio dos colegas ou do seu time, ele foi mandado para o time afiliado.
Aliu disse que teve uma situação que aconteceu de manhã, após um treino, quando ele estava comandando o som do vestiário.
“Akim, estou cansado de você colocar esse som de “n-word” teriam sido suas exatas palavras. Peters, na época treinador do IceHogs, referia-se à seleção de música hip-hop de Aliu.
“Ele então saiu como se nada tivesse acontecido. (No vestiário) ficou um silêncio mortal. Eu apenas sentei na minha cabine, não disse uma palavra” lembrou Aliu sobre o ocorrido.
Dois colegas de time na época confirmaram que o evento aconteceu. O então capitão da equipe do IceHogs, Jake Dowell, confrontou Peters sobre o incidente no escritório do treinador. Dowell não quis comentar, na época, sobre o ocorrido. Mas disse que cooperaria em qualquer investigação conduzida pela NHL ou pelo Flames.
Aliu ainda disse que Peters o chamou para seu escritório, todavia, não para se desculpar. “Sabe, estou farto dessa música de merda de “n-word”. É todo dia. De agora em diante, precisamos tocar músicas diferentes.”
Muitos se questionaram sobre a demora de Akim para falar sobre este assunto, que ao longo dos anos se tornou cada vez mais importante. Aliu citou o exemplo de Colin Kaepernick, que não teve outra chance de atuar na NFL quando virou free agent após ter se ajoelhado em 2016 em protesto contra a brutalidade policial contra negros nos Estados Unidos.
Aliu disse que se arrepende de não ter confrontado Peters naquela época. Ele ainda afirmou que sua carreira terminou antes mesmo de começar e que perdoaria Peters se ele tivesse se desculpado na reunião.
“Não há muito que você possa fazer ou me dizer que eu não possa aceitar um pedido de desculpas,” disse Aliu. “Mas ele não era homem o suficiente para se desculpar comigo e seguir em frente.”
As consequências na NHL
Bill Peters assinou a carta de demissão e foi dispensado após um breve período de investigação sobre o caso. Além disso, ele fez um pedido de desculpas para o GM, Treviling, e não para Aliu, no qual admitiu ter feito tais comentários.
Na época do ocorrido, escrevemos sobre a declaração de Gary Bettman, onde ele se mostrou disposto a ter um ambiente mais aberto à ocorridos como esse. Entre algumas iniciativas, havia a de uma plataforma de comunicação sobre esses problemas, uma política de tolerância zero e um programa anual de inclusão e conscientização.
Todos sabemos que a pandemia de COVID-19 veio para acabar com muitas expectativas para a temporada de 2020. Apesar da Stanley Cup ter acontecido, a temporada foi suspensa em março, sem muitas mudanças sociais e sobre diversidade como esperando.
Entretanto, 2020 foi um ano importante para os grupos sociais marginalizados dos Estados Unidos. Afinal, o movimento Black Lives Matter, após George Floyd, um homem negro, ter sido morto afixiado por um policial branco, causou comoção em várias cidades do país e do mundo colocando em foco a questão racial e a violência policial.
Contudo, quando esse fato aconteceu, a NHL foi a última das quatro grandes ligas americanas (NBA, NFL, MLB e NHL) a reconhecer o ocorrido. Além disso, como o campeonato estava na fase de playoffs, a liga só parou os jogos por conta de uma demanda dos jogadores que viram a importância da apoio das ligas esportivas a esse movimento.
Após isso ter acontecido, Akim Aliu, em conjunto com Evander Kane, criaram a Hockey Diversity Alliance. Primeiramente, a HDA estava unida com a NHL. Essa organização trouxe diversas demandas de inclusão e antirracismo. Porém, foi anunciando que eles se desligariam da liga, já que a mesma falhou em cumprir com as ações demandadas.
As mudanças ainda não se concretizaram. No entanto, com a temporada suspensa, não haveria como elas ocorrerem. Ainda com algumas incertezas no calendário, é esperado que as práticas de conscientização e diversidade na NHL sejam feitas durante os próximos anos.
As Olimpíadas de Inverno de PyeongChang 2018 trouxeram para o hockey uma chance de mostrar ao mundo que o esporte não vive apenas de NHL. Isso porque os jogadores da liga estavam proibidos de ir aos Jogos defender as bandeiras de seus países.
Dessa vez, a Coreia do Sul sediou o evento, mais precisamente na cidade de Pyeongchang. Os Jogos aconteceram em fevereiro, começando no dia 9 de fevereiro e terminando dia 25.
O escândalo de doping que veio a tona em 2017 afetou a participação da Rússia nas competições, já que, como punição, o Comitê Olímpico Russo foi banido de qualquer participação nas Olimpíadas de Inverno de 2018.
Contudo, houve outra forma dos atletas russos competirem nos eventos. Assim, aqueles sem violações anteriores de drogas e com um histórico consistente de testes poderiam competir, sob uma bandeira neutra e denominado como “Atleta Olímpicos da Rússia” (Olympic Athlete from Russia, ou OAR, em inglês).
Segundo os termos do edital do COI (ComitêOlímpico Internacional) nenhum funcionário do governo russo poderia participar dos Jogos. Da mesma forma, a utilização da bandeira russa e execução do hino nacional russo também estavam banidos. No lugar, a bandeira olímpica e o hino olímpico deveriam ser usados quando atletas russos chegassem ao pódio.
Mesmo com toda essa adversidade, além da pressão criada pelos rigorosos exames antidoping, os russos conseguiram faturar a medalha de ouro no hockey no gelo maculino em 2018. Por outro lado, a modalidade feminina se tornou uma das competições mais acirradas daquele Jogos Olímpicos.
Isso porque, diferentemente do masculino, em que a Rússia demonstrou hegemonia no gelo, as seleções do Canadá e Estados Unidos disputaram jogo a jogo quem subiria no lugar mais alto do pódio. Neste texto do especial 10 for 10, relembramos como foram as Olímpiadas de Inverno 2018 nas modalidades masculina e feminina do hockey no gelo.
Cerimônia de abertura
O Estádio Olímpico de Pyeongchang, construído especificamente para os Jogos, foi escolhido para hospedar a cerimônia de abertura das Olímpiadas de Inverno 2018, recebendo atletas do mundo inteiro e acomodando 35.000 pessoas. Os organizadores do evento disseram que a forma pentagonal do Estádio foi escolhida através de uma combinação de formas diferentes, com um círculo, um quadrado e um triângulo, que representam o céu, a terra e a humanidade.
O curioso sobre o Estádio de Pyeongchang é que ele não foi planejado para competições, nem olímpicas nem paraolímpicas, mas sim apenas para realizar a cerimônia de abertura. Dessa forma, o local foi demolido depois da cerimônia.
A principal mensagem da cerimônia foi sobre a paz, paixão, harmonia e convergência. Cinco crianças da província rural de Gangwon participaram da cerimônia, que incluiu um Inmyeonjo (uma criatura mítica com corpo de pássaro e cabeça de humano, criatura que só aparece quando o mundo está em paz). Além disso, a cerimônia contou com outras quatro criaturas míticas, incluindo um tigre branco – protetor animal do espírito da Coreia.
Modalidade Feminina
Foto: Reprodução / cbssports.com
Em 2018, a modalidade feminina foi marcada por duas pequenas mudanças no quadro de países participantes: a primeira com a seleção sul-coreana, que automaticamente se classificou por ser a anfitriã, e teve um pequeno acréscimo no seu quadro de jogadoras. Isso porque a seleção norte-coreana teve autorização para participar juntamente da seleção anfitriã, trazendo pela primeira vez uma seleção unificada das Coreias.
Desta maneira, a seleção coreana expandiu para 35 jogadoras, com 22 participando de cada jogo e três jogadoras norte-coreanas sendo selecionadas pela treinadora. Ao todo, foram 12 jogadoras norte-coreanas se revezando nos jogos.
A outra mudança foi a da seleção russa, que, como na modalidade masculina, as atletas não puderam assumir a sua bandeira. Assim o campeonato seguiu o formato padrão de oito equipes divididas em dois grupos. No grupo A, as seleções do Canadá, Estados Unidos da América, Finlândia e Atletas Olímpicos da Rússia. Já o grupo B foi composto pela Coreia, Japão, Suécia e Suíça.
Sem nenhuma surpresa e com a já conhecida rivalidade, Estados Unidos e Canadá foram as primeiras equipes a se classificar para as semifinais ainda na fase preliminar, criando assim uma expectativa para o público.
Por outro lado, as seleções da Coreia e do Japão disseram adeus a competição, deixando para Finlândia, OAR, Suécia e Suíça competirem entre si durante as quartas de final.
Avançando para as semifinais, os times norte-americanos fizeram um espetáculo no gelo, desta vez contra as equipes da Finlândia e dos Atletas Olímpicos da Rússia. Em somente um jogo cada, ambas as partidas terminaram em 5 a 0, gerando muita expectativa para o clássico feminino Canadá e EUA que se enfrentaria na final. A disputa de bronze ficou para ser disputada entre Finlândia e OAR.
A Final Feminina
A decisão aconteceu no dia 22 de fevereiro. Com nomes já conhecidos pelo público, ambas as seleções chegaram prontas para levar a tão desejada medalha de ouro para casa.
Numa briga acirrada, todo mundo queria ser o primeiro a balançar a rede, e foi a atacante Hilary Knight que o fez, no final do primeiro período. Com assistência de Brianna Decker e Sidney Morin, a seleção estadunidense estabeleceu a primeira vantagem na partida.
Infelizmente para elas, Haley Lyn Irwin e Blayre Turnbull não deixaram que o jogo fosse tão fácil assim e empataram o placar logo no início do segundo período. Em seguida, Marie-Philip Poulin aumentou a vantagem para o lado canadense, com uma ajuda de Meghan Agosta e Melodie Daoust.
Entretanto, a final olímpica entre duas potências do hockey não estava definida ainda. Ao final do terceiro período, Monique Lamoureux, com uma assistência da atacante Kelly Pannek, balançou a rede canadense e empatou a partida garantindo mais tempo para a seleção dos EUA.
Sem outra alternativa, o jogo acabou indo para overtime, que finalizou sem nenhum gol e, portanto, a partida seguiu empatada. Dessa forma, apenas com os pênaltis que foi possível decidir quem levaria a medalha de ouro para casa. Foi assim que a outra metade da dupla Lamoureux, a atacante Jocelyne, balançou a rede e marcou o gol final que garantiria a vitória para a seleção dos Estados Unidos.
Modalidade Masculina
Foto: Reprodução / Harry How
Em três de abril de 2017, a NHL anunciou que seus jogadores não estariam disponíveis para atuar nas Olímpiadas de Inverno 2018. Esta foi a primeira vez desde 1998 que os jogadores da liga ficaram proibidos de participar do torneio olímpico masculino de hockey no gelo.
Isso aconteceu devido a uma discordância entre a NHL, a Federação Internacional de Hockey no Gelo (IIHF) e o IOC sobre qual órgão seria responsável por cobrir o custo de indenizar os jogadores da NHL que participassem dos Jogos.
Embora o COI tenha pago os jogadores da NHL nas Olimpíadas de 2014 em Sochi, com um custo de 14 milhões de dólares, a comissão não estava disposta a fazê-lo novamente em PyeongChang 2018, devido a preocupações de que isso abriria um precedente e outras organizações esportivas profissionais poderiam esperar um tratamento semelhante.
Contudo, Ilya Kovalchuk, que na época jogava no SKA Saint Petersburg (KHL), pôde participar. Kovalchuk foi draftado pelo Atlanta Trashers e havia passado por diversos times na NHL, tendo realizado seu retorno à liga após os Jogos.
Nikita Gusev, Kiril Kaprizov, Igor Shestyorkin, Ilya Sorokin são alguns jogadores que atualmente estão na NHL e que ganharam a medalha de ouro em 2018.
No total, doze países se classificaram para o torneio; oito deles automaticamente pela classificação no mais alto nível das competições da IIHF (Canadá, Rússia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, República Tcheca, Suíça e Eslováquia). A Coreia do Sul qualificou-se automaticamente como anfitriã, enquanto os outros três países (Eslovênia, Alemanha e Noruega) participaram de um mini-torneio em que puderam garantir suas vagas.
Os russos não ganhava uma medalha de ouro no hockey desde 1992. Vale ressaltar que naquela ocasião, o país também não conquistou o ouro como a seleção russa. Isso porque, na época, a recém-separação da União Soviética proporcionou que os seis Estados (Federação Russa, Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e o Uzbequistão) competissem como uma Equipe Unificada.
No caminho até a final, os Atletas Olímpicos da Rússia tiveram de enfrentar a Eslovênia, a Eslováquia e os Estados Unidos nas rodadas preliminares. Com 6 pontos conquistados, a equipe já estava classificada as quartas-de-final, onde enfrentou a Noruega.
A equipe passou com facilidade pela Noruega, com gols de Mikhail Grigorenko, Nikita Gusev, Slava Voynov, Sergey Kalinin, Nikita Nesterov e Ivan Telegin. O único gol que a equipe norueguesa fez foi de autoria de Alexander Bonsaksen. Do outro lado, a Alemanha eliminou a Suécia em um jogo emocionante de OT.
As semifinais então ficaram entre OAR e a República Checa, e Alemanha contra o Canadá. Os russos levaram a melhor, ganhando de 3-0.
Em outro jogo emocionante, resolvido na prorrogação, a Alemanha eliminou a seleção do Canadá. Assim, foi a primeira vez desde a reunificação da Alemanha que eles chegavam a uma final olímpica. Na época, o Canadá sofrer a eliminação para a Alemanha foi algo inesperado, já que era considerado favorito ao título, mesmo sem os jogadores de elite da NHL.
Na semifinal, a seleção canadense saiu perdendo por 4-1, porém, conseguiu deixar o jogo 3-4, com alguma esperança da vitória. Contudo, a equipe Alemã foi superior no jogo e conseguiu conquistar a vaga na final contra os Atletas Olímpicos da Rússia.
A decisão
A final aconteceu no dia 25 de fevereiro. Os russos eram os favoritos devido ao seu grande elenco composto por jogadores da KHL, e de alguns veteranos da NHL. Porém, não se podia subestimar a Alemanha, afinal, eles eliminaram outras potências do hockey, como o Canadá.
Quem abriu o placar do jogo foi Slava Voynov, com assistência de Nikita Gusev (New Jersey Devils). Contudo, Felix Schutz não deixaria assim por muito tempo e marcou após 10 minutos do segundo período, empatando a partida.
Gusev fez o segundo gol da equipe, e o seu primeiro na partida. Com assistência de Kiril Kaprizov (Minnesota Wild), o placar ficou 2-1. Todavia, os alemães não desistiriam tão fácil. Assim, o gol de empate foi feito por Dominik Kahun (Buffalo Sabres).
Jonas Muller marcou o gol da virada da Alemanha, e então, o jogo estava 3-2 para os alemães. Novamente, Gusev marcou, empatando a partida que eventualmente foi para overtime.
Enfim, Kirill Kaprizov foi quem marcou o gol de vitória na prorrogação para os russos. Esta se tornou uma partida histórica, já que a equipe teve de sair de um déficit de 2 gols para enfim levar a medalha. Gusev acabou o torneio como o jogador com mais pontos (12, 4 gols e 8 assistências). As formas com que as duas equipes jogavam, com muita intensidade, também contribuiu para a emoção dessa final.
Recentemente, em um novo CBA, a NHL voltou a permitir a participação de seus jogadores, visando os Jogod de Inverno de Beijing 2022 e Milano Cortina 2026. Contudo, por conta do banimento que agora perdura até 2023, provavelmente veremos os jogadores da Rússia novamente com outro nome.
No entanto, isso não diminuirá a habilidade e talento dos atletas russos possuem, visto o desempenho mostrado em 2018. Muitos jogadores que antes atuavam na KHL agora atuam na NHL, e quem sabe, eles possam sonhar com um bicampeonato em 2022.