Autor: Nathália Juliana

  • Mundial de Hockey Júnior  IIHF termina com ouro para o Canadá

    Mundial de Hockey Júnior IIHF termina com ouro para o Canadá

    O Mundial de Hockey Júnior aconteceu entre os dias 26 de dezembro e 05 de janeiro, em Ostrava e Trinec, na República Tcheca. Neste domingo (05) tivemos a final e a disputa pelo terceiro lugar.

    Diferentemente do Mundial de Hockey que ocorre após o fim da temporada, o IIHF World Junior Championship não é recheado de estrelas, mas sim de jovens elegíveis para o draft de 2020, ou que já possuem contratos com times da NHL, porém que ainda estão sendo testados em seus afiliadas.

    O campeonato serve como uma forma de ver como os principais prospects jogam, principalmente em equipe. Para os olheiros da NHL, isso é crucial para que jogadores sejam draftados ou incluídos nas suas respectivas equipes após resultados considerados satisfatórios na competição.

    Canadá 4, Rússia 3

    A princípio, a partida foi muito acirrada entre as duas equipes. A equipe do Canadá havia perdido de 6-0 nas fases de grupo para a mesma Rússia. Por isso, os jovens teriam de dar o melhor de si no rinque. Além disso, ganhar esse jogo era uma questão de honra para os rivais de gelo.

    Todavia, os russos não planejavam deixar esse caminho fácil. O primeiro período foi sem gols. Entretanto, no segundo período, a Rússia ganhava de 2-1, com gols de Nikita Alexandrov (STL) e Grigori Denisenko (FLA). O único a marcar para o Canadá foi Dylan Cozens (BUF).

    No terceiro período, a Rússia aumentou o placar, deixando então 3-1. O autor do gol foi Maxim Sorkin. O que parecia um jogo terminado, sem chances de reviravoltas se transformou graças ao capitão canadense, Barret Hayton (ARZ).

    24 horas antes da Final, Hayton não estava confirmado para o jogo. Na partida contra a Finlândia ele se machucou e seu estado parecia ser grave. Contudo, Hayton não poderia deixar o time sem seu capitão. Após avaliação da equipe médica, Hayton recebeu o OK para jogar a final.

    Sua presença no gelo foi fundamental para a reação do Canadá. Após Connor McMichael ter feito o segundo gol do país, Hayton foi quem marcou o gol de empate durante um power play, quando faltavam 8 minutos para o término da partida.

    O gol da vitória veio com menos de 4 minutos para o final do jogo. Empatado em 3-3, Akil Thomas foi atrás do puck quando ele chegava ao topo da linha do gol. Ele conseguiu fazer um backhand, lançando-o até as redes de Amir Miftakhov.

    Assim, ele deu ao Canadá uma dramática vitória no clássico entre Canadá-Rússia no World Juniors. Foi o único gol de Thomas, que é prospect do LA Kings, na competição. Entretanto foi suficiente, já que foi o gol da vitória do time canadense, que faturou a 18° medalha de ouro da história do país.

    Suécia 3, Finlândia 2 (3° Lugar)

    Após serem eliminados pela Rússia, a Suécia teve a chance de conquistar a medalha de bronze do Mundial contra a Finlândia. Porém, jogar contra os campeões do ouro de 2018 não seria tarefa fácil.

    A equipe possui jogadores excelentes, como por exemplo Justus Annunen (COL), Patrik Puistola (CAR) e Kristian Tanus. Portanto, derrotá-los seria uma tarefa complicada. Do outro lado, a Suécia contava com nomes como Samuel Fagemo (LAK), Nils Hoglander (VAN) e Rasmus Sandin (TOR).

    No primeiro período, apesar da equipe da Suécia ter tido o primeiro power play da partida, quem abriu o placar foi a Finlândia. Kim Nousiainen (LAK) deu uma volta pela rede e lançou para Patrick Puistola (CAR), que enterrou para as redes do goleiro Hugo Alnefelt (TBL).

    Entretanto, após 3 minutos, o defensor Rasmus Sandin abriu o placar para os suecos. Em uma jogada no power play, o tiro de Sandin passou pelas redes de Annunen. Porém, logo após um turnover de Nils Hoglander, a Finlândia marcou e novamente lideraram o placar, por 2-1.

    No segundo e no terceiro período, a Suécia dominou a partida. Graças a seu goleiro Anelfelt, que fez defesas cruciais, a equipe ganhou de 3-2 com gols de Samuel Fagemo e Linus Oberg.

    Fagemo terminou o World Juniors sendo o jogador com mais pontos e gols, 13 e 8 respectivamente. Hoglander ficou em terceiro lugar, com 11 pontos e 5 gols, e em quinto lugar, mais um jogador suéco, dessa vez o defensor Sandin, com 10 pontos, 3 gols e 7 assistências.

    Principais jogadores do Mundial

    Alexis Lafrenière

    Considerado um dos melhores prospects desde Connor McDavid, já era de ser esperar que o canadense Alexis Lafrenière fosse nomeado melhor forward e MVP do torneio. Se espera que Lafrenière seja a 1ª pick no draft em junho.

    Ele perdeu 2 jogos devido a uma lesão na perna, entretanto voltou a tempo para a conquista do ouro. Na competição, marcou 10 pontos (4 gols, 6 assistências) em apenas 5 jogos. Na partida contra a Rússia fez 2 assistências.

    Por outro lado, Lafrenière, jogando pelo Rimouski Oceanic na QMJHL, atualmente tem 23 gols e 47 assistências em 32 jogos. Ele se destaca pela grande habilidade de manusear o taco, mesmo em situações complicadas.

    Barrett Hayton (ARZ)

    Barrett Hayton, prospect do Arizona Coyotes e capitão do Canadá, no Mundial de Hockey Júnior

    Barrett Hayton, prospect do Arizona Coyotes, foi o capitão do Canadá. Ele terminou a competição com 12 pontos (6 gols, 6 assistências), e foi autor do empate que acenderia a potência da jovem equipe.

    Todavia sua presença na final foi decidida no dia, devido a uma lesão. Mesmo assim, com incríveis 20 minutos no gelo, Hayton demonstrou persistência ao liderar seu time a uns dos maiores comebacks da história do Hockey.

    Samuel Fagemo (LAK)

    Samuel Fagemo, prospect do Los Angeles Kings

    Samuel Fagemo foi o principal artilheiro da competição e também quem mais pontuou. Foram 8 gols, 5 assistências, totalizando 13 pontos. Esta foi a primeira vez desde 2000 quem um sueco liderou os pontos do torneio.

    Atualmente, ele joga no Frolunda HC na SHL por empréstimo do Kings. Certamente os grandes resultados no Mundial de Junior trarão chances para jovem jogador brilhar na NHL.

    Alexander Romanov (MTL)

    Alexander Romanov, defensor russo prospect do Montreal Canadiens

    Alexander Romanov, prospect do Montreal Canadiens, foi sem dúvidas um dos melhores defensores da competição. Ele terminou o torneio com 1 gol e 5 assistências, porém, a sua presença no rinque foi crucial para que a Rússia tivesse a disciplina e conseguisse brigar de igual para igual na final.

    Os Montreal Canadiens já declararam que pretendem incluir o jovem de 18 anos em seu elenco no ano que vem. Romanov atualmente joga na KHL pelo CSKA Moscow.

    Rasmus Sandin (TOR)

    Rasmus Sandin, prospect do Toronto Maple Leafs

    Da mesma forma que Romanov, o sueco Rasmus Sandin foi considerado um dos melhores defensores do torneio. Seu recorde na competição é impecável, com 3 gols e 7 assistências, e suas habilidades defensivas ajudaram sua equipe a ganhar o Bronze contra a Finlândia.

    Sandin já jogou 6 partidas pelo Toronto Maple Leafs e atualmente está no afiliado deles na AHL, o Toronto Marlies. É esperado que o sueco, já conhecido pelo técnico do Leafs Sheldon Keefe, definitivamente apareça em mais jogos após grande campanha no Mundial.

    Joel Hofer (STL)

    Joel Hofer, prospect do St. Louis Blues, no Mundial de Hockey Júnior

    O goleiro do Canadá foi considerado o melhor do torneio. Para que o Canadá ganhasse a final, suas defesas foram cruciais para a permanência de um empate, principalmente com a quantidade de penalty kills que o Canadá teve de matar logo no final da partida.

    Ele fez 35 defesas na partida final e terminou o WJC com cinco vitórias e um shutout em seis jogos. Ele liderou a porcentagem de defesas com 0,939 e média de 1,60 gols sofridos.

    Todas as stats do torneio podem ser encontradas no site da IIHF.

    Fotos: IIHF.com/Reprodução

  • No Mundial Feminino Sub-18, Estados Unidos ganha ouro

    No Mundial Feminino Sub-18, Estados Unidos ganha ouro

    Nesta quinta-feira (02), aconteceu a final do Campeonato Mundial Feminino de Hóquei no Gelo IIHF Sub-18 2019-2020 em Bratislava, Eslováquia. A partida, decidida entre os Estados Unidos e o Canadá, foi decidida no overtime, com vitória das americanas por 2 a 1.

    Essa foi a 8° vez que a equipe americana ganhou o ouro, seu último sendo em 2018. Igualmente, há um ano atrás, quem ganhou o ouro em OT foi a equipe canadense. O bronze ficou na mão das russas, que venceram por 6 a 1 a seleção finlandesa.

    Os elencos, compostos por jogadoras entre 16 a 18 anos, jogam em sua maioria para universidades. Ainda que as atletas tivessem pouca experiência em campeonatos mundiais, elas tiveram a frieza de jogadoras experientes ao fazerem um jogo de igual a igual.

    A campanha até a final

    As americanas tiveram um bom desempenho nas nas fases preliminares do IIHF Sub-18. Os Estados Unidos ganharam todos os jogos contra as outras seleções, perdendo apenas para o Canadá por 2 a 1. Por outro lado, as rivais canadenses fizeram uma campanha invicta. Chegaram a final com grandes expectativas mas foram derrotadas justamente pelas americanas.

    EUA 2, Canadá 1 (OT)

    De antemão, o jogo foi acirrado para as duas equipes. O primeiro gol saiu no final do primeiro período, aos 5:22 minutos. A defensora dos Estados Unidos Haley Winn (Clarkson University) armou a jogada ao segurar o puck, depois da tentativa de posse do time Canadense. Logo depois, ela lançou o puck para o stick de Abbey Murphy, que lançou para as redes de Ève Gascon (Collège Esther-Blondin).

    https://twitter.com/WSportHilites/status/1212825048437927937
    Gol de Abbey Murphy.

    Por outro lado, logo no final do primeiro período, Canadá trouxe perigo quando Jenna Buglioni (Greater Vancouver) teve chance de marcar em enquanto estavam em desvantagem númerica. Entretanto, o puck parou nas mãos da goleira dos Estados Unidos, Skylar Vetter (University of Minnesota).

    Já no segundo período, também apresentou boas chances para as duas equipes. O Estados Unidos fez 10 shots contra 7 das canadenses. No entanto, o empate veio no terceiro período, após o power play das canadenses.

    Ann-Frederik Naud (John Abbott College) lançou o puck para Sarah Paul (Pursuit of Excellence), que estava sozinha em frente à Gascon. Assim sendo, aos 5:38, o jogo estava empatado. Após outras boas chances, o jogo logo iria para o overtime.

    https://twitter.com/WSportHilites/status/1212844172526444544
    Gol de Sarah Paul.

    Kiara Zanon (Penn State University) foi a autora do gol da vitória no overtime. Na jogada em conjunto com a capitã Maggie Nicholson (Minnetonka High School) , elas forçaram um turnover na área defensiva e ambas encararam a goleira do Canadá. Em um 2 contra 1, bastou Nicholson ter lançado o puck para o stick de Zanon para que ela enterrasse nas redes de Gascon, trazendo assim, a vitória.

    Dessa forma, a equipe americana saiu vitoriosa após uma campanha memorável no IIHF Sub-18. Assim, esta foi o 5° ouro em 6 anos para a equipe americana.

    Por fim, Skylar Vetter foi eleita a melhor jogadora dos EUA no jogo, e a medalha de ouro do Campeonato Mundial Feminino da IIHF foi decidida na prorrogação pela 6° vez e pelo 2° ano consecutivo.

    Foto: Team Usa/Reprodução

  • Patrick Kane alcança marca histórica de Wayne Gretzky

    Patrick Kane alcança marca histórica de Wayne Gretzky

    Na noite de sábado (21), o Chicago Blackhawks venceu de forma épica o Colorado Avalanche. A princípio, o time ía perdendo por 3-1. No entanto, o time reagiu de forma eficaz e conseguiu a vitória por 5-3, com direito a gol de Patrick Kane. Entretanto, o time ainda amargura o sexto lugar da Divisão Central, fazendo novamente uma campanha pobre para um time de elite.

    Mesmo estando nessa fase péssima, isso não impediu que a maior estrela do time, Patrick Kane, continuasse a estabelecer recordes. Foi justamente isso que aconteceu quando ele marcou o 20° gol da temporada, contra o time de Denver. 

    O recorde

    Com essa marca, Kane entrou para uma seleta lista de jogadores que alcançaram pelo menos 20 gols por temporadas consecutivas. Logo, com 13 temporadas consecutivas, ele se tornou apenas o 11° jogador da história da NHL a ter esse recorde, igualando-se com Wayne Gretzky.

    Por outro lado, apenas um outro jogador em atividade aparece nessa lista: Alexander Ovechkin (com 15 temporadas consecutivas). De resto, são jogadores que já se aposentaram: Mats Sundin (17), Jaromir Jagr (17), Marcel Dionne (17), Mike Gartner (15) e Michel Goulet (14).

    Desde 2010, Patrick Kane tem liderado a NHL em pontos. Ovechkin aparece em terceiro lugar. Se Kane mantiver-se saudável, ele poderá continuar no passo de marcar 20 gols pelo resto de sua carreira. A menor quantidade de gols que ele fez até agora foi 21, quando ele era rookie

    Liderados atualmente por Jeremy Collinton, o time de Chicago parece, no entanto, não encaixar no sistema do técnico. Como resultado disso, o time está há oito pontos do Wild Card. Vale ressaltar que o time de Illinois está há duas temporadas sem ir para os playoffs.

    Em conclusão, Patrick Kane possui uma carreira sólida nessas treze temporadas, mantendo uma consistência impressionante. Em seus últimos cinco jogos, Kane tem dez pontos. Para que a equipe possa sonhar com uma vaga nos playoffs, certamente precisarão de seu principal jogador.

     Foto: Reprodução/NHL.com

  • Os possíveis destinos de Taylor Hall, estrela dos Devils

    Os possíveis destinos de Taylor Hall, estrela dos Devils

    Nas últimas semanas, diversos rumores sobre a possível saída de Taylor Hall do New Jersey Devils vêm se destacando na mídia. Devido a mais um péssimo início de temporada, a estrela do New Jersey Devils estaria procurando uma nova casa ainda nessa temporada.

    Na semana passada, John Hynes, até então técnico do New Jersey Devils, foi demitido. Essa demissão parecia ter sido um alívio, uma esperança para, quem sabe, as coisas melhorarem para a equipe.

    Contudo, desde que Alain Nasreddine assumiu o time, os Devils perderam dois jogos, sendo um deles no OT. Claramente ainda é cedo para que o desempenho de Nasreddine seja avaliado, porém a situação atual do time ainda é alarmante, principalmente para sua maior estrela.

    Taylor Hall chegou ao time em 2016, vindo do Edmonton Oilers. Nos Devils, ele ganhou o primeiro Hart Trophy da franquia. Além disso, foi o principal responsável por levar o time aos primeiros playoffs desde 2012, na temporada 2017-2018.

    O maior desejo de Hall, como de qualquer atleta na NHL, é de jogar os playoffs e ganhar a Stanley Cup. Em sua carreira, o canadense de 28 anos tem apenas cinco jogos de playoffs disputados.

    Visto que Hall se torna free agent em 2020, rumores sobre seu destino têm surgindo com muita intensidade. Alguns afirmam que essa troca ocorrerá ainda esta semana.

    Alguns times demonstraram interesse em Taylor Hall ou, pelo menos, é o que dizem os rumores. Sendo assim, levantamos quais os pontos positivos, negativos e as dificuldades desse possível negócio.

    Colorado Avalanche

    Joe Sakic, ex-jogador do Colorado Avalanche, é o GM do time. (Foto: RJ Sangosti)

    O Colorado Avalanche possui ótimos forwards. A combinação de Gabriel Landeskog, Mikko Rantanen e Nathan MacKinnon é uma das melhores na Liga, sem dúvida. Entretanto, Landeskog e Rantanen sofreram lesões que os deixaram fora por algumas semanas.

    Mesmo com a falta de jogadores importantes, a segunda linha, composta por JT Compher, Andre Burakovsky e Joonas Donskoi, conseguiu um desempenho satisfatório no gelo. Com eles, o time produziu 26 gols e somou 62 pontos em 29 jogos.

    As novas aquisições do Avalanche estão mostrando boa adaptação no time, e talvez esse seja um ponto importante a considerar para uma possível chegada de Hall. Burakovsky foi adquirido do Washington Capitals e já marcou 12 gols. Outro jogador que também vem mostrando resultados positivos é Donskoi, adquirido dos Sharks, que apresenta boas estatísticas. Atualmente é o terceiro colocado da equipe na lista de pontos, com 22. Isso nos mostra que o time não depende de somente uma linha para ter resultados bons.

    A adição de Taylor Hall ao elenco poderia trazer o poder ofensivo que o time precisa para poder chegar em uma final de Stanley Cup. Mas a chegada de Hall implicaria em menos minutos no gelo de Burakovsky e Donskoi, que estão dando resultado exatamente por terem mais tempo jogando do que tinham em suas antigas equipes.

    Ray Shero, GM dos Devils, poderia querer uma combinação de algum prospect de alto nível (Bowen Byram, por exemplo, considerado um dos melhores prospects da farm system do Avalanche), somado a draft picks e/ou outro jogador do elenco atual. Contudo, Joe Sakic, GM do time, só teria interesse nisso se Taylor Hall assinasse por longo prazo.

    Então, entramos na parte mais complexa desse cenário. Muitos contratos vencerão nos próximos anos. A começar pelo contrato do goleiro Philipp Grubauer e do capitão Landeskog. Grubauer recebe, atualmente, 3.3 milhões e Landeskog, 5.1 milhões. Manter estes contratos é algo fundamental, pois Grubauer nas redes é um dos diferenciais que o Avalanche adquiriu nos anos em que ficou de fora da pós-temporada.   Além do goleiro, Landeskog é essencial na primeira linha e, acima de tudo, é o capitão da equipe.

    Outro jogador que precisa pensar no cap para oferecer um futuro contrato é Cale Makar. O defensor, que já é candidato ao Calder Trophy, torna-se RFA em 2021. Dessa forma, ele poderia muito bem pedir um salário idêntico ao de Thomas Chabot, do Ottawa Senators, que assinou por 8 milhões nessa offseason.

    Sem dúvida, estas questões precisam ser levadas em conta pelo time frente a esse possível cenário de Taylor Hall no Colorado Avalanche. Adicionado ao elenco, com certeza o time de Denver viraria um candidato à Stanley Cup. Entretanto, sacrificar alguns dos melhores jogadores da talvez melhor farm system da Liga soa arriscado se Hall não estiver disposto a assinar um contrato longo.

    Montreal Canadiens

    Marc Bergevin, GM dos Habs. (Foto: TVA Sports)

    Por mais arriscado que seja assinar com um jogador de 28 anos, fazer isso com Taylor Hall talvez não seja má ideia para o Montreal Canadiens. Apesar da pouca experiência nos playoffs, Hall continua sendo um dos melhores jogadores de elite da NHL. Ele possui habilidades importantes, como a de redirecionar jogadas e finalizar. Dessa forma, sua capacidade de matar jogadas, lançado pucks às redes, seria de bom grado para um time que notavelmente peca nesse quesito.

    Além disso, a franquia de Quebec há muito tempo não possui um jogador no ataque que seja a estrela do time. Taylor Hall certamente é o tipo de jogador que transformaria qualquer equipe, em ambos os sentidos. Ele seria a cara da franquia e ajudaria o time com suas habilidades. 

    Embora Marc Bergevin, GM dos Habs, tenha admitido que procura uma estrela para seu time, esta não é a maior prioridade neste momento.

    Com uma média de quatro gols permitidos por jogo, a defesa dos Habs possui defensores veteranos, como Shea Weber e Jeffy Petry. Muito dos motivos para que a defesa seja fraca é por conta deles, que são facilmente alcançados no rinque por outros jogadores mais rápidos e ágeis. 

    Um dos principais prospects dos Habs é um defensor, Cole Fleury. Ele seria a esperança de uma melhora, todavia, só ele não basta para que a defesa do time de Montreal tome forma..  

    Montreal possui o espaço necessário no cap, caso eles procurem uma negociação como a de Mark Stone, mandado para Vegas Golden Knights. Após ser trocado do Ottawa Senators, ele assinou um contrato de oito anos por 8 milhões. Atualmente, os Canadiens têm exatamente 8 milhões de cap space.

    Um cenário para esta troca seria mandar Cole Caufield (que ainda não tem contrato assinado pois joga esta temporada pela Universidade de Wisconsin), Charles Hudon e mais uma escolha da segunda rodada por Hall e mais um jogador mediano dos Devils. Outros prospects importantes que poderiam ser envolvidos na troca seriam Ryan Suzuki, Ryan Poehling e Josh Brook.

    Ainda assim, Taylor Hall não é defensor. Porém, ele possui habilidades defensivas razoáveis. Isso poderia trazer benefícios para o time. A presença de um forte atacante mudaria o cenário dos Habs, ao ser fatal na hora de matar jogos que poderiam ser ganhos caso alguém fizesse o gol na hora certa. Hall, sem dúvida, seria esse jogador. 

    Enfim, Bergevin precisaria agir, afinal, há uma certa emergência para os Canadiens ir aos playoffs. O melhor prazo seria por agora, pois há chances de que, na deadline de 1º de julho, outros times irão atrás e a disputa por Hall ficará mais concorrida. 

    Menção honrosa: Edmonton Oilers

    Este rumor talvez soe um pouco improvável, pois Taylor Hall jogou no Oilers por cinco temporadas. Além disso, o cap space dos Oilers é de aproximadamente 1 milhão. Então, quais seriam os motivos para que os Oilers recorressem a ele?

    O Oilers tem tido uma temporada 2019-2020 relativamente boa. Porém, o time ainda depende da linha composta por Connor McDavid e Leon Draisaitl. A adição de Taylor Hall nesta line up poderia equilibrar o time, além de dividir a responsabilidade ofensiva, que está atualmente concentrada em McDavid e Draisaitl. 

    Para que esta troca ocorresse, Ken Holland, GM do Oilers, teria de ser criativo para criar espaço no cap. Uma das possibilidades seria mandar três bons jogadores da afiliada Bakersfield Condors e Jesse Pulijujarvi para New Jersey Devils, em troca de Taylor Hall e de mais um jogador mediano.

    A seleção da primeira rodada no draft de 2020 talvez seja o que os Oilers possuam de mais valioso no momento. Porém, há muito risco em disponibilizar as escolhas em uma troca pelo veterano Hall. Este é definitivamente um risco que Holland não quer correr, ainda mais em seu primeiro ano de exercício. 

    A permanência no New Jersey Devils

    Para que os Devils possam ir aos playoffs, eles precisariam vencer 35 jogos dos 55 que restam até o final da temporada. Isso é uma tarefa difícil, não só para eles, como para qualquer time da Liga. O St. Louis Blues conseguiu algo parecido, mas nunca é bom se basear nas exceções.

    O New Jersey Devils não precisa de somente um jogador para ganhar a Stanley Cup. O que os Devils precisam vai muito além disso, a começar por um técnico propriamente dito. Ademais, precisam ainda retirar algumas peças do elenco e um goleiro melhor.

    Mas e se o time conseguisse tudo isso? Afinal de contas, o elenco possui bons nomes. Além de veteranos como PK Subban, Wayne Simmonds e Nikita Gusev, Jack Hughes, first round pick, poderia ser a cara de uma nova reconstrução, em conjunto com os prospects Ty Smith, Nico Hischier e alguns picks altos do draft de 2020. Entretanto, esse processo poderia levar em média três a quatro anos, com os jogadores mais jovens ainda se desenvolvendo.

    Apesar da permanência de Hall nos Devils soar incoerente após termos listado as vantagens de uma possível troca, existem motivos para isso. Pensando em um novo rebuild, ele poderia assinar um contrato não tão longo e caro. Com um outro técnico, outras perspectivas. Se então, o time conseguisse ter nenhuma melhora, a troca seria feita. 

    Algo é certo: com Hall indo embora, que é o rosto da franquia, o New Jersey Devils ou iria a declínio, ou iria melhorar. Um caso recente, que pode servir como parâmetro, foi o de John Tavares. 

    Após a maior estrela do New York Islanders sair, o time conseguiu ir aos playoffs após duas temporadas de fora. Muito disso se deve, também, ao técnico Barry Trotz, que ganhou a primeira cup da franquia do Washington Capitals.

    Contudo, a frustração de não poder dar o seu melhor e continuar em um lugar no qual avanços não são visíveis, podem fazer com que Hall de fato seja trocado.  

    Foto: Bruce Bennett/Getty Images

  • Edmonton Oilers: um novo time, com as mesmas peças

    Edmonton Oilers: um novo time, com as mesmas peças

    O começo de temporada da NHL costuma ser recheado de surpresas. Esse ano, por exemplo, era esperado que o Edmonton Oilers não tivesse nenhum resultado diferente.

    Porém, o time que terminou a temporada passada em sétimo lugar na Divisão Pacífica tem mostrado um começo de temporada um pouco diferente. Em nossa análise, mostraremos quais as diferenças do time do ano passado com o time atual.

    Primeiramente, é importante ressaltar uma das mudanças fundamentais. A chegada do novo técnico David Tippet e principalmente a do General Manager Ken Holland.

    Contudo, o time não teve grandes mudanças em seu elenco. Em nosso texto sobre previsões de cada divisão, destacamos algumas novas aquisições. Vale ressaltar a chegada do goleiro Mike Smith, ex-Flames, que reveza com o goleiro Mikko Koskinen.

    Comparando temporadas

    Comparando esse início de temporada do Edmonton Oilers com a do ano passado, o time de Alberta acumulava o recorde de 15-12-2 após 29 jogos corridos. Com isso, somavam 32 pontos.

    Hoje, acumulam 17 vitórias, nove derrotas e três derrotas em OT/SO, no mesmo período de jogos, com 37 pontos. A dupla Connor McDavid e Leon Draisaitl já acumulam 50 pontos em menos de 30 jogos. O último recorde foi quando Wayne Gretzky e Jarri Kurri fizeram o mesmo, em 1984-1985.

    Mas então, o que mudou em relação ao ano passado? É possível apontar alguns fatores. McDavid e Draisaitl continuam sendo os principais atacantes, sendo possível afirmar que, sem eles, o time perderia toda sua estrutura.

    Entretanto, a troca de técnico está sendo fundamental nesse processo de melhoria. Tippet é conhecido por ser um técnico defensivo e, de fato, a defesa melhorou. Porém, ele afirmou que seu método é na verdade ganhar com o elenco que ele possui. Com isso, melhorar o que era ruim, usando as mesmas peças.

    No caso dos Oilers, o que era considerado ruim era o penalty kill e o powerplay. O time agora está fazendo mais gols, pois arrisca mais shots. Isso é fundamental, e contrasta com a antiga filosofia do time.

    Vale também destacar a adição de Ethan Bear, que passou o verão treinando com afiliada da AHL, Bakersfield Condors. Quando ele substituiu o defensor Joel Persson, lesionado na época, Bear foi autor de dois gols contra Winnipeg Jets. Atualmente, ele está na linha com Darnell Nurse.

    A Divisão Pacífica

    Por outro lado, a divisão no qual Edmonton Oilers está também pode ser um motivo para o sucesso do time. Por conta da instabilidade dos outros times da mesma divisão, não é difícil um time consistente como os Oilers se ressaltarem. Como exemplo temos o San Jose Sharks, que teve um começo de temporada horrível, com um recorde de 4-10-1.

    Calgary Flames e Vegas Golden Knights, por sua vez, começaram muito bem, porém caíram de nível drasticamente. Já o Arizona Coyotes, com uma excelente defesa frente às redes, encontra-se atualmente no segundo lugar da divisão, algo que certamente não era esperado. Ou seja, essa consistência nas vitórias tem sido uma grande aliada para o sucesso dos Oilers.

    A maior questão é saber como será daqui para frente. Atualmente, o Edmonton Oilers são um time razoável, com bons goleiros e excelente penalty kill/powerplay. Ano passado, eles eram um time ruim, com grandes estrelas, mas que pecavam em outras categorias. Resta saber se o time continuará tendo um equilíbrio conforme o desenrolar da temporada, e se conseguirão enfim a tão almejada vaga nos playoffs.

  • Global Series termina com segunda vitória de Tampa Bay

    Global Series termina com segunda vitória de Tampa Bay

    Neste sábado (09), Buffalo Sabres e Tampa Bay Lightning disputaram a segunda partida pela Global Series que, este ano, aconteceu na cidade de Estocolmo, na Suécia. Na sexta-feira, o Tampa Bay saiu vitorioso na primeira disputa.

    O projeto visa aproximação da Liga com os fãs internacionais. Estas partidas são válidas pela temporada regular na NHL, mas ocorrem na Europa, permitindo que vários jogadores tenham a chance de competir em seu país Natal.

    Lightning 5, Sabres 3

    Apesar do Sabres ter feito 43 disparos ao gol no total, os esforços não foram o bastante para que pudesse ganhar a segunda partida. Sam Reinhart, autor de dois gols na sexta, fez o primeiro gol da partida, aos 9:30 minutos do primeiro período.

    Entretanto, Tampa respondeu quando faltavam 3 minutos para o término do terceiro período. Pat Maroon recebeu o puck de Yanni Gourd, no power play, e enterrou para as redes.

    Dessa forma acabou o primeiro período, com ambas as equipes jogando bem. Porém, Buffalo Sabres estava melhor no jogo, pois oferecia mais perigo na zona de defesa de Tampa.

    Em outro power play, o sueco Victor Hedman virou o jogo para Tampa, deixando o placar em 2-1. O defensor já tinha feito fez uma assist na sexta-feira, marcando definitivamente sua presença na Global Series em casa.

    Pat Maroon fez seu segundo gol da noite e ampliou a vantagem para o time da Flórida, quando faltava apenas 3 segundos para acabar o período. Carter Hutton, goleiro do Sabres, conseguiu defender o puck duas vezes, mas não o suficiente para o terceiro rebote ao gol.

    Já no terceiro período, outro sueco marcou um gol: dessa vez, Victor Olofsson fez o segundo para os Sabres, aos 4:14 minutos. Foi o primeiro gol em even strength da temporada para ele, e o sétimo da temporada. Mas isso não foi o bastante para a força ofensiva do Tampa. Yanni Gourde ampliou, aos 10:14, e Mathieu Joseph fez mais um poucos minutos depois.

    O capitão do Sabres, Jack Eichel, conseguiu descontar ao fazer um gol faltando apenas 38 segundos para terminar a partida. O placar final foi de 5 a 3 para o Tampa.

    Integração fez diferença para os resultados

    Em suma, o jogo, de certa forma, foi similar ao de sexta-feira. Ambos os times contavam com o melhor de seus goleiros, e é importante ressaltar que a atmosfera de estar em outro país, por muitos dias, ajudou na integração entre os jogadores.

    Contudo para o Sabres, definitivamente mais poderoso ofensivamente, essa integração não foi o bastante para uma vitória. Por mais que tenha sido uma experiência única, o que de fato aconteceu foi a perda de pontos importantes para um rival da divisão.

    Por fim, Sabres aumentou sua sequência de derrotas em 0-4-1, e na quarta jogarão contra Carolina Hurricanes em casa. Já o Lightning joga contra o New York Rangers, na próxima quinta em Tampa, vindo de duas vitórias.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Sabres e Lightning jogam Global Series na Suécia

    Sabres e Lightning jogam Global Series na Suécia

    Nesta sexta-feira (08), Buffalo Sabres e Tampa Bay Lightning disputaram a primeira partida pela Global Series que, este ano, acontece na cidade de Estocolmo, na Suécia. Deste modo, os dois jogos serão os de número 12º e 13º da temporada regular da NHL que foram disputados na Suécia. Dessa forma, também se tornaram o 11º e o 12º jogos, de times da NHL, disputados no Ericsson Globe, em Estocolmo.

    O projeto visa aproximação da Liga com os fãs internacionais. No começo de outubro, Chicago Blackhawks e Philadelphia Flyers jogaram em Praga, na República Tcheca. Além disso, a Global Series serve como uma forma dos próprios jogadores europeus se sentirem em casa.

    Vale notar que no Sabres, o defensor Rasmus Dahlin, os forwards Marcus Johansson, Victor Olofsson, Johan Larsson e o goleiro Linus Ullmark são da Suécia. Já no Tampa, apenas Victor Hedman é de origem sueca.

    Lightning 3, Sabres 2

    O começo da temporada 19-20 do Tampa Bay Lightning não começou bem. O time, que ganhou o Presidents’ Trophy na temporada passada, possuía um recorde de 7-5-2, contra 9-5-2 do Sabres.

    Porém, contra o Buffalo, foi possível ver um time bem mais organizado e efetivo: o gol veio no primeiro período, aos 03:19. Em uma jogada com Brayden Point, Nikita Kucherov disparou para as redes de Linus Ullmark e abriu o placar para Tampa.

    Aos 16:14, Alex Killorn fez o segundo gol dos Bolts. Entretanto, quem foi ovacionado pelo público foi Victor Hedman, autor da assistência do gol e nativo da cidade de Ornskoldsvik, na Suécia.

    Tampa Bay cometeu poucos erros no gelo enquanto Sabres deixava passes importantes incompletos, perdendo jogadas importantes e dando assim, a oportunidade de contra-ataques para os Bolts.

    Contudo, quando faltavam 4:17 para o término do primeiro período, Sam Reinhart descontou para os Sabres. O gol inicialmente foi anulado por ter se originado de um lance de high sticking, mas essa decisão mudou após uma revisão de vídeo.

    Vladimir Sobotka, jogador do Sabres, teve de ser retirado do rinque por conta de uma lesão no quadril, após colidir com Kucherov.

    Após o gol de Reinhart, Sabres cresceram no jogo, oferecendo perigo a Andrei Vasilevskiy sempre que podiam. Mesmo assim, Yanni Gourde ampliou o placar para o time de Tampa aos 07:45 do terceiro período.

    Mas Sam Reinhart fez o segundo gol dos Sabres aos 11:30 do terceiro período. Nos últimos dez minutos de jogo, o time de Buffalo conseguiu se sobressair no gelo, mas não foi o suficiente para levar o confronto para o overtime.

    Enfim, o jogo terminou, com um placar apertado de 3-2. Andrei Vasilevskiy fez 20 defesas dos 22 de Buffalo enquanto Linus Ullmark completou 31 defesas, contra 34 shots de Tampa. Apesar do resultado, os Sabres têm a chance de ganhar a segunda partida, neste sábado (09), às 15:00 horas.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Os jogadores de hockey e suas superstições

    Os jogadores de hockey e suas superstições

    Que o hockey é um esporte cheio de superstições todo mundo sabe. Mas, para alguns jogadores, essas superstições se tornam rotinas levadas à sério antes dos jogos. Eles acreditam que, para que possam ter um bom desempenho no gelo, precisam recorrer a curiosas táticas. São elas costumes adotados antes ou depois dos jogos, acreditando que isso possa dar uma diferença no resultado final e também para a forma de jogar . Para os nhelers, isso são somente hábitos rotineiros, entretanto, para quem está de fora, tais hábitos parecem mais rituais supersticiosos. 

    Talvez a mais clássica superstição na NHL, seja a de não tocar em taças a não ser que que você tenha conquistado. Essa é levada a sério por basicamente todos na Liga, e raramente algum jogador é visto tentando desafiar. Alguns jogadores não gostam nem de estar no mesmo lugar com a Stanley Cup, evitando ainda mais uma suposta maldição. 

    Entretanto, ao ganhar, cada jogador tem o direito de passar um dia com a cup e fazer exatamente o que quiserem com ela. 

    Mas não é só esse hábito das taças que torna curiosos esses hábitos. Times e jogadores levam essas superstições à sério, e algumas chegam a ser tão rotineiros, que os atletas tratam como apenas mais uma ação do dia a dia. 

    Falar com a trave do gol

    Patrick Roy, atual técnico do Quebec Remparts, foi um goleiro excepcional. Considerado como um dos maiores goleiros da Liga, ele tem em seu currículo duas cups com o Montreal Canadiens e duas também com o Colorado Avalanche.  Apesar de ser conhecido por suas conquistas, Roy também é conhecido por ter, na época em que jogava, um hábito curioso: ele falava com as traves do gol. E, como se este fato já não fosse curioso o suficiente, o goleiro ele ainda afirmava que as traves respondiam! Roy contava que essa conversa ajudava ele a melhorar durante o jogo, e que isso fazia com que a trave ficasse do lado dele. Dessa forma, o goleiro contou ao The Hockey Writers um pouco sobre esses diálogos:

    “Por favor, me ajudem. Eu dava direções para elas (as traves). Elas estavam sempre comigo. Elas me respondiam. Algumas noites, elas falavam “bing”. Mas em outras noites, elas tinham noites ruins também”

    Ser o último a sair do rinque durante o aquecimento

    Um hábito mais comum do que parece, é ser o último a sair do gelo durante o aquecimento. O mais famoso a ter este hábito é Tyler Seguin, center do Dallas Stars.  Entretanto, ele não é único com essa esquisita mania. Mark Scheifele, do Winnipeg Jets, também possui esse hábito. Por este motivo que, em alguns jogos contra o Winnipeg Jets, Seguin e Scheifele, disputam, para que seja resolvido de uma forma justa, uma partida de pedra, papel e tesoura. Quem perde, é o primeiro a sair do gelo deixando assim o colega com sua querida superstição.  

    Não pisar no logo do vestiário

    Foto por Chris Gordon

    Um das maiores superstições dentre os times da NHL  é da proibição de se pisar no logo do time no vestiário. Essa supertição é tão antiga, que não é possível datar a sua oriegem.  O que sabemos é que nhelers tendem a reagirem quando qualquer um pisa nos sagrados logos, muitas vezes até com raiva quando alguém, mesmo sem querer,  acaba por pisar. Entretanto, boas notícias para os mais supersticiosos: por muita reclamação e a contestável falta de lógica para que algo tão importante como o logo de um time esteja posicionado no chão, muitos vestuários atualmente foram renovados e seus logos foram realocados para o teto.

    A lenda dos polvos

    Jogar polvos no rinque durante os playoffs era um hábito comum entre os fãs do Detroit Red Wings. Isso porque, em 1952, durante a corrida dos playoffs do Detroit Red Wings, dois irmãos de Detroit, Pete and Jerry Cusimano, jogaram no rinque um polvo. Os oitos tentáculos do animal significava quantos jogos o time tinha que ganhar para que saíssem vitoriosos e com a Cup. Na épocae, a Liga possuía somente 6 times, portanto as regras da disputa pela Cupera diferente. Aconteciam dois confrontos de melhor-de-sete e quem ganhasse 8 jogos era o campeão. 

    Naquele ano, os Red Wings foram campeões após varrerem o time adversário, Montreal Canadiens. E desde então, esse costume virou uma tradição entre os fãs. E é uma das mais famosas superstições.

    Por mais inusitado que tal ato possa parecer, fato é que ele ainda não saiu do hábito dos fãs, se tornando uma tradição importante para a torcida dos Red Wings. Por mais que nos recentes anos o Detroit Red Wings não tenha tido muito sucesso, é possível achar vídeos de 2010 com o mesmo gesto se repetindo: 

    Fã jogando um polvo no rinque.

    Os bagres de Nashville Predators

    Marc-Andre Fleury, quando ainda era jogador do Pittsburgh Penguins, retirando um bagre do rinque. Foto: Post-Gazette Visuals

    Baseado na celebração dos polvos de Detroit, os torcedores do Nashville Predators adotaram um costume semelhante, porém com outra vítima. Dessa vez, quem é jogado ao rinque são bagres. O primeiro incidente foi em 2003, mas naquele ano, o time não foi às finais. Dessa forma, o costume permaneceu, e em 2017, quando a franquia finalmente foi para a primeira final de Stanley Cup da sua história, bagres foram mais uma vez arremessados ao gelo durante os jogos.  Apesar da popular brincadeira, isso não foi visto com bons olhos pelos seguranças e foi possível ver um fã sendo preso em Pittsburgh por tal gesto.

    Hábitos alimentares pré-jogos

    Todos os jogadores possuem uma comida favorita para sua refeição pré-jogo. Alguns gostam de macarrão, outros de frango, alguns de ambos. Alguns preferem apenas de um simples café. Essas rotinas fazem parte da alimentação pré-completição de todo atleta. Entretando, alguns nhelers usam desse artifício como algum tipo de supertição. Como é o caso do  capitão do Washington Capitals Alexander Ovechkin. Com um menu baseado em carboidratos, Ovie sempre pede o mesmo prato nos jogos em casa de um restaurante local. Frango com parmesão, macarrão, pão e quatro molhos separados – alfredo, de carne, marsala de cogumelos e marinara. 

    Já Johnny Gaudreau, do Calgary Flames, prefere um macarrão mais simples. Extremamente simples. Sem molho, ou tempero, apenas a massa. O capitão do Pittsburgh Penguins, Sidney Crosby, costuma comer apenas um sanduíche de manteiga de amendoim com geléia. Campeão de duas cups, é difícil argumentar que tal ritual não tenha funcionado. 

    Bônus: Barbas dos Playoffs

    Um hábito comum nos playoffs, que muitas vezes são verdadeiras superstições,  são as barbas que crescem e não são aparadas.. Não se sabe a origem para este costume, mas o fato é que mesmo os jogadores mais jovens, que muitas vezes as barbas nem crescem tanto assim ao longo dos meses, deixam os pelos faciais enquanto estão competindo nos playoffs. Uma das possíveis razões para este hábito, é a associação o cabelo à força física, presente nas mais diversas culturas ao redor do globo. Entretanto, a explicação mais provável é que esta superstição tenha se tornado tão enraizada no esporte, que os jogadores continuam deixando suas barbas crescerem apenas como um mero hábito.

    Foto: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports

  • Divisão Atlântica: previsões da temporada 2019/20

    Divisão Atlântica: previsões da temporada 2019/20

    Prever como um time vai se sair na temporada nem sempre é possível e sempre há surpresas. Mas com o intuito de entender um pouco mais das divisões, o NHeLas trás um dossiê sobre a temporada 2019-2020. Previsões sobre as divisões Metropolitana, Central e Pacífica já saíram. Vamos conferir nossa análise sobre a Divisão Atlântica?

    Boston Bruins

    O defensor Charlie McAvoy reassinou com o Boston Bruins por 3 anos.
    O defensor Charlie McAvoy reassinou com o Boston Bruins por três anos.

    Na temporada passada, o Boston Bruins chegou à final da Stanley Cup pela 16ª vez na história da franquia. Porém, perderam para o St. Louis Blues no jogo 7, por 4 a 1. Com o sucesso da temporada anterior, os Bruins não se preocuparam em mexer demais no seu elenco para temporada 19-20.

    Charlie McAvoy e Brandon Carlo, alguns dos destaques do elenco, estavam pendentes para assinarem o novo contrato. Porém, os Bruins renovaram com os dois jogadores que se tornaram RFAs na intertemporada. Por outro lado, outros jogadores foram trocados, como Marcus Johansson e Noel Acciari.

    Com o atual técnico Bruce Cassidy indo para sua terceira temporada comandando os ursos, espera-se que o time dispute com o Tampa Bay Lightning pelo primeiro lugar na Divisão Atlântica. O trabalho do técnico vem dando resultados e, com o elenco já integrado, os Bruins têm tudo para continuar consistente.

    Por fim, se tratando de playoffs, os Bruins podem ser fortes favoritos à levantar a Stanley Cup este ano. Mesmo com um elenco não tão jovem, não seria surpresa se eles aparecessem novamente em uma final, afinal, contam com bons nomes já em integração há anos.

    Buffalo Sabres

    Ralph Krueger, novo técnico do Buffalo Sabres, disse que está motivado a levar o Sabres para os playoffs. Divisão Atlântica
    Ralph Krueger, novo técnico do Buffalo Sabres, disse que está motivado a levar os Sabres para os playoffs.

    O Buffalo Sabres começou a temporada passada muito bem. Entretanto, decaíram e não conseguiram se levantar. Ao final da temporada, ficaram apenas no sexto lugar da divisão.

    Contudo, foi o time que mais fez mudanças na offseason. Com a adição dos forwards Marcus Johansson e Jimmy Vesey, e também dos defensores Henri Jokiharju e Andrew Hammond, os Sabres poderão ter um equilíbrio e quem sabe sonhar com uma vaga nos playoffs.

    Além disso, Jeff Skinner, adquirido após uma troca com o Carolina Hurricanes em 2018-2019, renovou por oito anos. Assim, os Sabres garantiram uma grande força ofensiva por um bom tempo, já que o forward vem de um recorde na carreira de 40 gols.

    Mas tudo isso vai depender do goleiro Carter Hutton manter uma boa percentagem de saves e ajudar seus colegas de time. Como a Divisão Atlântica é muito competitiva, a disputa será acirrada.

    Detroit Red Wings

    Steve Yzerman volta para o Detroit Red Wings, agora como General Manager. Divisão Atlântica
    Steve Yzerman volta para o Detroit Red Wings, agora como General Manager.

    O Detroit Red Wings vem de sua terceira temporada consecutiva sem a chance de conquistar uma vaga nos playoffs, depois de quase 20 anos com vaga garantida.

    Jeff Blashill vai para sua quinta temporada como técnico do time. Todavia, é a terceira temporada sem alcançar bons resultados. Certamente, na temporada de 2019-2020 isso não irá mudar magicamente, principalmente porque o time não fez muitas mudanças em seu elenco.

    No entanto, após a chegada de Steve Yzerman, ex-GM do Tampa Bay Lightning, Adam Erne e Valtteri Filppula também assinaram com o Red Wings. Junto com Dylan Larkin, eles poderão oferecer uma boa força ofensiva.

    A defesa, por outro lado, é um dos maiores problemas do time. Considerada a sétima pior da Liga, o time optou por não mexer e manteve a mesma. Portanto, enquanto o time de Michigan continuar insistindo nos mesmos erros, as perspectivas é que seu desempenho no gelo não mude.

    Florida Panthers

    Sergei Brobovsky assinou com o Florida Panthers. Divisão Atlântica
    Sergei Brobovsky assinou com o Florida Panthers.

    O Florida Panthers com certeza será um dos times mais interessantes a se acompanhar da Divisão Atlântica. Isso porque, na offseason, fez mudanças importantes.

    Após a aposentadoria de Roberto Luongo, os Panthers logo foram atrás de um bom reforço frente às redes. O novo goleiro escolhido foi Sergei Brobovsky, destaque na última temporada com o CBJ. Brobovsky assinou por oito anos e pode trazer uma segurança importante na defesa.

    Anton Stralman foi outro reforço contratado pelo Florida. O defensor assinou por três anos. Na temporada passada, ele manteve uma atuação constante no Tampa, ajudando o time a seguir para os playoffs. Stralman possui experiência em pós-temporada e a expectativa é que traga bons resultados aos Panthers. 

    Além disso, os Panthers também contrataram um novo técnico. Joel Quenneville, ganhador de três Stanley Cups com o Chicago Blackhawks, trará toda sua experiência na Liga para certamente colocar os Panthers no caminho para os playoffs.

    Com essas mudanças, podemos esperar um novo Florida Panthers. Sem dúvida, é um time para ficar de olho ao longo da temporada, já que eles podem surpreender.

    Montréal Canadiens

    Nick Suzuki, um dos jovens prospects que poderá trazer grande força ofensiva para os Habs.
    Nick Suzuki, um dos jovens prospects que poderá trazer grande força ofensiva para os Habs.

    O Montréal Canadiens ficou de fora dos playoffs por uma diferença de três pontos na corrida do wildcard. Após ver seus sonhos indo embora mais cedo do que o esperado, os Habs começaram a se mexer.

    Para a temporada de 2019-2020, o time de Montreal poderão contar com algum de seus prospects. Nick Suzuki, adquirido via troca com o Vegas Golden Knights, começará a temporada atuando pelos Canadiens. O jogador canadense tem tido resultados bons nos treinamentos e na preseason e vem de uma boa temporada no afiliado da OHL, tendo marcado 42 pontos, 16 gols e 26 assists.

    Jesperi Kotkaniemi vem para sua segunda temporada na NHL e também trará uma grande força no centro do rinque, como já demonstrou na temporada passada. Outro jogador que precisamos ficar de olho nessa temporada é Jonathan Drouin, que depois de duas temporadas nos Habs sem grandes destaques, precisa melhorar seu jogo defensivo para que finalmente consiga alcançar seu potencial.

    O goleiro Corey Price, talvez um dos maiores destaques dos Habs, deve continuar com boas atuações frente às redes. O que poderia preocupar são os jogadores defensivos na sua frente e, nesse quesito, o time de Montreal não fez alterações na intertemporada.

    Em suma, a previsão é que o Canadiens lute por uma vaga no wildcard novamente, com chances de conseguir, desde que mantenham o equilíbrio.

    Ottawa Senators

    Thomas Chabot, um dos melhores defensores da liga, assinou uma extensão de 8 anos com o Senators. Divisão Atlântica
    Thomas Chabot, um dos melhores defensores da liga, assinou uma extensão de oito anos com os Senators.

    O Ottawa Senators foi um dos piores times da temporada de 2018-2019 por conta de trocas malfeitas e mal planejadas, deixando o time frágil e sem seus melhores jogadores. Portanto, sabemos que uma reconstrução demorará. Na temporada passada, o time ficou em oitavo lugar na Divisão Atlântica e em último lugar geral, com 64 pontos. Em 2019-2020, as previsões não são otimistas, mesmo com mudanças importantes.

    O forward Colin White e o defensor Thomas Chabot, importantes jogadores, renovaram contratos. Chabot, inclusive, renovou por oito anos, garantindo uma defesa forte para o time canadense. Brady Tkachuk também renovou seu contrato e continua no time, oferecendo também grande força ofensiva.

    Contudo, o time ainda precisa ajeitar todo o resto. A defesa de Ottawa ainda é considerada uma das piores da liga. No entanto, novos jogadores começaram a chegar para a possível mudança de cenário. O defensor Nikita Zaitsev veio de uma troca com o Toronto Maple Leafs para dar uma nova cara na defesa do time. Por outro lado, Ottawa assinou o contrato de entrada com o defensor Lassi Thomson, selecionado no 19ª pick do NHL Draft 2019. Ainda não é certo que ele irá estrear na Liga no início da temporada, mas sem dúvidas é um nome para ficar se olho.

    Para a próxima temporada, é esperado um Senators um pouco melhor que o do ano passado. Entretanto, justamente pelas novas peças ainda em integração com o time, não é possível prever quão longe o time pode chegar.

    Tampa Bay Lightning

    Brayden Point vem de uma temporada incrível, com 41 gols, 51 assists e 92 pontos. Divisão Atlântica
    Brayden Point, reassinado com os Bolts por três anos, vem de uma temporada incrível, com 41 gols, 51 assists e 92 pontos.

    O Tampa Bay Lightning, ao mesmo tempo que fez a melhor temporada da história da franquia ao ganhar 62 jogos e perder apenas 16, foi o único time da história a ganhar o Presidents Trophy e ser varrido no primeiro round. Isso se deve a duas coisas: um possível relaxamento dos jogadores do time e a defesa que teve mais baixos do que altos nos playoffs.

    Na temporada de 2019-2020, os problemas de defesa parecem ter sido resolvidos. O time trouxe Luke Schenn e Kevin Shattenkirk, ambos defensores, cujo foco é prevenir gols ao invés de tentar fazê-los. Brayden Point, importante RFA da temporada passada, assinou uma extensão de três anos com o Tampa Bay, garantindo assim uma grande força ofensiva junto com Steven Stamkos e Nikita Kucherov.

    O vencedor do Vezina Trophy de 2019, Andrei Vasilevsky, também foi outro nome importante que reassinou. Seu contrato de extensão é de oito anos e, com isso, o time de Tampa assegura a sua proteção nas redes. O goleiro Curtis McElhinney também chega do Carolina Hurricanes para revezar as redes com Vasilevskiy, após boa temporada no ex-time.

    Por outro lado, o ganhador da Stanley Cup de 2019 com o St. Louis Blues, Pat Maroon, assinou um contrato de um ano com os Bolts.

    Em conclusão, a previsão é que o Tampa Bay Lightning tem tudo para chegar longe. O time da Divisão Atlântica terminou a temporada regular com 128 pontos. Os problemas que impediram o time de ir longe na pós temporada, a princípio, serão sanados com as adições novas. Com isso, Tampa Bay pode começar a nova temporada com o pé direito e ir ainda mais longe no campeonato.

    Toronto Maple Leafs

    Após diversos boatos, Mitch Marner reassinou com o time da Divisão Atlântica Toronto Maple Leafs por 6 anos.
    Após diversos boatos, Mitch Marner reassinou com o Toronto Maple Leafs por seis anos.

    A Divisão Atlântica é uma das divisões mais competitivas da Liga, justamente por conter alguns dos times mais bem equipados e competitivos. Sempre se espera um bom desempenho de seus times, mesmo que no último ano as vagas dos playoffs não tenham mudado muito.

    O Toronto Maple Leafs definitivamente se encaixa em tais características. Mitch Marner, John Tavares e Auston Matthews continuarão servindo como a força de ataque letal dos Leafs. Juntos, os três jogadores marcaram mais de 100 gols na temporada passada.

    Tyson Barrie, adquirido via troca do Colorado Avalanche, se juntará a Morgan Rielly na defesa, e os dois poderão ser uma das maiores duplas defensivas da liga. Porém, os Leafs perderam um de seus melhores forwards, Nazim Kadri, que foi trocado para os Avs no lugar de Barrie.

    Porém, os Leafs também renovaram contratos. Kasperi Kapanen assinou por mais três anos. Mitch Marner foi outro nome que também renovou com o time. Depois de muita negociação, Marner assinou um contrato de seis anos. Dessa forma, os torcedores do time canadense não precisarão se preocupar com seus principais atacantes.

    Dessa forma, os Leafs têm tudo para chegarem longe, garantindo uma vaga nos playoffs novamente. Sem dúvida, o time de Toronto entrará na briga pela liderança da Divisão ao lado de Boston e Tampa. Será que teremos novamente Bruins x Leafs na primeira rodada dos playoffs? Vamos aguardar.

    Imagens: Reprodução/NHL.com

  • O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é um lockout e quais as chances de acontecer de novo?

    O que é lockout?

    A princípio, pode-se dizer que o lockout, locaute em português, de 2004-2005 foi o maior exemplo de disputa trabalhista que se teve na história dos esportes americanos. Ao contrário de uma greve, lockout é quando os empregadores deixam de oferecer as condições necessárias para seus empregados trabalharem, visando mudanças em algum acordo coletivo. O nome vem da expressão “lock out” em inglês, que significa deixar alguém trancado do lado de fora de algum lugar. 

    Tais mudanças são, portanto, impostas à força laboral, que não recebe o pagamento correspondente ao tempo de paralisação. No Brasil esta prática é proibida por Lei. As mudanças que vimos na estruturação dos contratos assinados nos últimos anos pelos atletas da NHL os resguardam de eventual lockout, pois recebem grande parte do salário em bônus, que não é afetado por paralisação. 

    Como ocorre?

    Primeiramente, já ocorreram quatro lockouts na história da NHL.

    O primeiro foi o de 1992, que adiou 30 jogos da temporada 1991-1992. O segundo, em 1994, que encurtou os jogos da temporada em 48. O terceiro resultou no cancelamento da temporada de 2004-2005. E a mais recente foi a de 2012-2013, que também encurtou os jogos da temporada a 48. 

    No caso da NHL, um lockout acontece quando os clubes e o sindicato de jogadores discordam acerca dos tópicos a serem incluídos em um novo acordo coletivo (CBA, Collective Bargaining Agreement, em inglês) de uma forma que beneficie as duas partes.

    O lockout da temporada 2004-2005

    O tempo de duração do lockout foi de 10 meses e 6 dias a partir de 16 de setembro de 2004, um dia após a convenção coletiva de trabalho (CBA) entre a NHL e a NHLPA (National Hockey League Players Association, Associação de Jogadores da Liga Nacional de Hóquei em português) de 1994–95 ter expirado.

    A NHL, liderada pelo comissário Gary Bettman, tentou convencer os jogadores a aceitarem uma estrutura salarial vinculando os salários dos jogadores às receitas da liga, garantindo aos clubes o que a liga chamava de segurança de custo.

    Em 20 de julho de 2004, a liga apresentou ao NHLPA seis conceitos para garantir a segurança dos custos. Muitos consideraram os conceitos flexíveis e bons, contudo a NHLPA achou que tais condições favoreceriam times de maior mercado.

    Com isso, o sindicato dos jogadores rejeitou cada um dos seis conceitos apresentados pela NHL. Foi alegado que todos eles continham algum tipo de teto salarial.

    Depois de muitas propostas apresentadas, refutadas e desmentidas, a associação de jogadores ratificou o acordo com 87% de seus membros votando a favor. Em 21 de julho, foram definidos:

    • O teto salarial seria ajustado a cada ano para garantir aos jogadores 54% da receita total da NHL. E também haveria um piso salarial.
    • Haveria um limite de US $ 39 milhões no primeiro ano da CBA.

    O lockout de 2012-2013

    Os proprietários das franquias de times da NHL, junto com o comissário Gary Bettman, declararam um lockout dos membros da NHLPA. O lockout começou dia 15 de setembro de 2012 e terminou dia 06 de janeiro de 2013.

    Os donos das franquias exigiam uma parcela maior da receita gerada pela liga. Além disso, queriam limites maiores nos contratos dos jogadores, entre outros. A NHLPA não estava disposta lutar contra o teto salarial da liga. Assim também, eles aceitaram receber 57% menos da receita da liga.

    Entretanto, os dois lados ainda discordavam de muitos outras condições existentes. E com isso, surgia a possibilidade de parar novamente uma temporada inteira para que os termos fossem ajustados.

    Mas conforme as 16 horas de negociações passavam, finalmente foram decididos os novos termos da CBA:

    • Um limite máximo de 8 anos de contrato aos jogadores
    • Um piso salarial de 44 milhões e um teto salarial de 60 milhões
    • Uma variação máxima de 50% nos salários ao longo de um contrato
    • Aceitação obrigatória de prêmios de arbitragem sob $ 3,5 milhões, sem realinhamento
    • E um período de tempo para o buy out de contratos que não se enquadram no teto salarial.

    O risco de um lockout atual

    Visto que em 2022 fará 10 anos desde o último CBA definido, novos termos terão de ser discutidos e novas questões serão levantadas.

    No entanto, tanto a NHL quanto a NHLPA têm a oportunidade de encerrar com o contrato dia 1 de setembro de 2019.

    Diante disso, é possível definir que os jogadores estão insatisfeitos com o atual CBA. Foi sugerido que se estendesse o atual CBA para mais três anos de duração em troca de Olimpíadas. Muitos recusaram.

    Um dos maiores problemas atualmente relatados pelos jogadores foi o “escrow“. Basicamente, retira-se do salário de cada jogador uma faixa de 10 a 30% caso o lucro do time seja baixo do esperado.

    Os jogadores também reivindicam a participação nas Olimpíadas de Inverno. Em 2014 eles puderam participar, em 2018 não. A NHL não ficaria feliz de ceder 2 semanas da temporada para a participação.

    Entretanto, as Olimpíadas de Inverno de 2022 acontecerão na China, em Pequim. E a perspectiva de ver a equipe nacional de hóquei no gelo da China seria uma tremenda oportunidade de crescimento para o esporte como um todo no país. E como já dito antes em nosso site, o capitão do Washington Capitals, Alexander Ovechkin, foi denominado embaixador da liga na China e nesta offseason viajou para lá.

    Por mais que seja um assunto complicado, muitos jogadores na verdade não querem que o lockout aconteça. Porém, se a história se repetir, veremos mais uma nova paralisação.

    Foto: Jared Wickerham/Getty Images