Chegou a hora de testar sua memória sobre o ano que passou. O que você lembra dos principais acontecimentos no mundo do hockey em 2020?
Responda ao quiz abaixo e compartilhe seus resultados com a gente no Twitter ou no Instagram. Por fim, convide algum amigo para responder às perguntas também!
A NWHL segue trazendo novidades para mostrar que o hockey feminino está cada vez mais ocupando seu espaço. Após anunciar o formato bolha para a próxima temporada, a liga feminina entra novamente para a história. Desta vez, ao anunciar a transmissão da semifinal e da final ao vivo exclusivamente pela NBCSN, nos dias 4 e 5 de fevereiro.
A sexta temporada, que está marcada para acontecer entre os dias 23 de janeiro e 5 de fevereiro em Lake Placid, no estado de Nova York, teve o seu formato adaptado para o mesmo utilizado por outras ligas durante a pandemia do COVID-19. Por isso, a NWHL decidiu aproveitar não somente o formato especial como também o lugar histórico em que a temporada acontecerá para trazer mais visibilidade para a modalidade.
Em um momento marcante para o hockey feminino profissional, a liga e a NBC Sports fizeram um acordo exclusivo para a primeira exibição dos jogos ao vivo em uma rede nacional de TV a cabo nos Estados Unidos. Da mesma forma, a cobertura também estará disponível no país no aplicativo da NBC Sports e no site do canal.
NBC Sports (@NBCSports) and the NWHL have announced that the 2021 Isobel Cup Semifinals and Final will air live exclusively on NBCSN on February 4-5 from historic Herb Brooks Arena in Lake Placid, N.Y.
As boas notícias para a temporada 2020-21 não param por aí, pois a NWHL também anunciou uma parceria com a Stathletes. Trata-se de uma empresa canadense que fornece dados de estatísticas e insights para a NHL e diversas outras ligas no hockey. Em uma tentativa de trazer mais visibilidade, as informações fornecidas pela empresa serão divulgadas em tempo real durante a temporada e os playoffs da NWHL. Assim, parceria é mais um passo que a liga dá em direção ao crescimento do hockey profissional feminino.
Posteriormente a liga ainda anunciou outra parceria para a sexta temporada. Desta vez, foi com a Hyperice, empresa especialista em tecnologia para treinamento e recuperação dos atletas. Desse modo, com essa nova colaboração, as atletas terão acesso aos melhores equipamentos para os treinos nas arenas e até mesmo em casa. Isso deve possibilitar um melhor desempenho dos times no gelo.
Por fim, em busca de maior segurança para as atletas e os profissionais envolvidos na bolha, a liga fez uma parceria com a Univerisdade Yale para a realização de testes de COVID-19. O teste à base de saliva foi desenvolvido pelos pesquisadores da Yale School of Public Health (YSPH). A Food and Drug Administration dos Estados Unidos concedeu uma autorização de uso de emergência, com uso exclusivo para o evento.
Juntamente ao teste de saliva, também haverá testes nasais para uma análise dupla. Dessa forma, espera-se que resultado duplo será benéfico tanto para a NWHL quanto para a Yale Pathology Labs (YPL). Isso porque, em conjunto com a YSPH e o Yale-New Haven Hospital, criaram o teste de saliva e continuam a pesquisa para o aprimoramento do diagnóstico de COVID-19.
Os fãs do hockey feminino já podem comemorar. Nesta quarta-feira (24) a NWHL anunciou um plano para a possível data e formato da sexta temporada da Liga. Utilizando o formato de bolha, a próxima temporada está programada para acontecer de forma reduzida entre os dias 23 de janeiro e 5 de fevereiro em Lake Placid, no estado de Nova York.
“All of the professional players who signed contracts this year for the NWHL season will be compensated in full, despite the condensed game schedule.”https://t.co/EWlz31m8wY
Após ter cancelado a Isobel Cup em 2019-20, os esforços da Liga se voltaram para as preparações da nova temporada, já que a mesma poderia não acontecer da maneira usual devido ao COVID-19.
Poucos dias após o cancelamento a primeira boa notícia sobre a próxima temporada: a sua primeira expansão para o Canadá ganhou nome, o Toronto Six. Em seguida a NWHL anunciou que apesar de não ter uma data definida, a sexta temporada iria começar em janeiro de 2021 para a maior segurança de todos os envolvidos. Daí em diante os times começaram a se preparar, dando continuidade às renovações e novas contratações de jogadoras selecionadas no draft 2020.
Novo formato e nova Comissária
No dia 13 de outubro, a Liga anunciou um novo formato de gerenciamento mais parecido com o formato utilizado na NHL e demais Ligas. Desta forma, a NWHL agora possui uma “unincorporated association” em tradução livre, uma associação não corporativa. Esse modelo de associação não existe no Brasil. No entanto segundo a lei norte-americana é quando um grupo de pessoas se reúne para um propósito em comum criando um vínculo legal entre si. No caso das Ligas eles chamam de Conselho de Governadores e tem um representante de cada equipe. Esse novo formato visa não somente o crescimento da Liga, mas a transparência das decisões tomadas pela Comissária. Com o Conselho, que agora passa a supervisionar o gerenciamento da NWHL, espera-se o alinhamento de interesses, assim como acontece nas demais Ligas.
Com o novo formato a Liga implementou outra mudança, a então Comissária e fundadora da NWHL, Dani Rylan, deixou o cargo para atuar como Presidente do Grupo Original. Em seu novo cargo ela procura proprietários individuais para comprar as franquias ainda pertencentes à Liga (Buffalo Beauts, Connecticut Whale, Minnesota Whitecaps e Metropolitan Riveters). Os times Toronto Six e Boston Pride já possuem donos independentes.
NEWS: The NWHL Adopts New Governance Model and Appoints Tyler Tumminia as Interim Commissioner
Em seu comunicado a Liga também anunciou a ex-presidente do Toronto Six, Tyler Tumminia, como nova Comissária Interina. Apesar de ainda não ser possível ver seus esforços na Liga Feminina de Hockey, Tumminia tem em seu currículo grandes feitos como executiva no esporte. Ela atuou como vice-presidente sênior do Grupo Goldklang, onde era responsável pela operação de cinco times de beisebol da liga secundária.
Temporada 2020-21
Para a próxima temporada a Liga se inspirou na WNBA (Women’s National Basketball Association) e na NSWL (National Women’s Soccer League). Ambas as Ligas tiveram temporadas bem sucedidas, além do aumento nas transmissões e venda de produtos. Visando o mesmo objetivo a NWHL optou não somente pela redução de jogos, como também pelo formato bolha e sem público.
Em seu anúncio com o plano a Liga informou que os jogos acontecerão entre os dias 23 de janeiro e 5 de fevereiro e serão sediados em Lake Placid, Nova York. O lugar ficou conhecido por ter sediado as Olimpíadas de 1980. A arena Herb Brooks, onde os jogos serão realizados leva o nome do técnico conhecido por levar a famosa seleção americana de hockey a conquistar o ouro nas Olimpíadas de 1980 após o jogo contra a URSS, que ficou conhecido como Milagre no Gelo.
Neste formato os seis times viajarão separadamente nos dias 21 e 22 de janeiro e os jogos se iniciarão no dia 23 de janeiro. Cada equipe jogará cinco partidas, uma para cada oponente. Em seguida haverá uma rodada de playoffs, determinando assim os quatro times que seguem para as semifinais da Isobel Cup.
Nas semifinais será disputada apenas uma partida cada, com o time melhor colocado jogando contra o time em quarto lugar. Já o segundo lugar jogará contra o terceiro e os vencedores vão para a final. A final do campeonato será disputada no último dia de bolha, 5 de fevereiro.
Com os protocolos ainda a serem definidos, os testes de COVID-19 fornecidos pelo laboratório de patologia de Yale serão feitos de forma regular. A Liga também informou que apesar da temporada reduzida as jogadoras serão pagas de forma integral. A programação completa, informações sobre transmissões e demais detalhes serão divulgados nas semanas anteriores ao início da temporada.
O plano para a temporada foi realizado em conjunto com a New York State Olympic Regional Development Authority (ORDA). No entanto para que o plano entre em vigor é necessário que a NWHL, a ORDA e o Estado de Nova Iorque entrem em acordo em relação ao plano. O mesmo necessita ser aprovado pela autoridades de saúde regionais e estaduais.
Falar sobre a carreira de um jogador canadense é uma das coisas que mais fazemos aqui no NHeLas. Afinal, o hockey e o Canadá andam de mãos dadas desde sempre. Mas hoje chegou a vez de fazer algo relativamente novo para nós. Chegou a vez de falarmos sobre a carreira de uma jogadora de hockey feminino. A maior defensora da história da NWHL, Kaleigh Fratkin do Boston Pride.
Nascida na cidade de Burnaby, na Columbia Britânica, no Canadá, Kaleigh vem de uma família de atletas e começou a sua carreira no esporte ainda muito nova. Competindo em diversos esportes, a atleta colecionou conquistas por onde passou. Adepta a diversas modalidades ao mesmo tempo, Fratkin praticava futebol, lacrosse, patinação artistística e, claro, hockey.
No futebol, Kaleigh ajudou o seu time a conquistar o Campeonato Provincial de 2008 e foi nomeada MVP em 2010. Quanto ao lacrosse, a atleta conquistou o Campeonato Provincial com seu time em 2009. Hoje, além de jogar hockey, ela também trabalha com marketing para a Under Armour.
Kaleigh com suas parceiras do Boston Pride. (Foto: Michelle Jay/NWHL)
Kaleigh Fratkin, a jogadora de hockey
No mundo do hockey, a defensora quebrou barreiras.
Fratkin participou três vezes do Team Canada Development Camp entre 2006 e 2009. Nesse mesmo período, em 2007 e 2008, ela fez parte do time canadense Sub-18 numa série de três jogos contra o time dos EUA. Em 2009, a canadense também ajudou sua seleção a ganhar a medalha de prata no IIHF World Women’s U18 Championship. Ainda conquistou três vezes consecutivas o campeonato nacional canadense com o Team BC (British Columbia), entre 2008 e 2010, e participou dos Jogos de Inverno do Canadá.
Em 2010, Fratkin entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a jogar no British Columbia Midget Major League, ingressando no Vancouver North West Giants, um time masculino de hockey. Ela não somente foi a primeira mulher como também ajudou o time a conquistar o 2010 Provincial Championship e foi nomeada finalista do BC Athlete of the Year.
Na temporada 2010-11, Kaleigh começou a jogar na NCAA pela Boston University, apesar de não ter tido um início tão marcante, os seus dois últimos anos mostraram do que a atleta é feita. Durante a temporada 2012-13 ela bloqueou 56 shots,se classificando a segunda melhor da liga.
Na temporada seguinte, em 2013-14, em seu ano sênior, foi nomeada Capitã Assistente e marcou 26 assistências, quatro gols e 30 pontos. Também em sua última temporada, Fratkin foi nomeada para a New England Division I All-Star e Hockey East First-Team All-Star. Em seus quatro anos com o time, foram 66 pontos marcados, com 9 gols e 57 assistências.
Após terminar sua carreira na NCAA, a jogadora foi selecionada como 5º escolha no draft da CWHL pelo Boston Blades, onde conquistou 8 pontos (1 gol e 7 assistências) na temporada regular. Naquele ano, a jogadora teve motivos em dobro para comemorar: seu time foi para os playoffs e conquistou a Clarkson Cup de 2015. Enquanto a seleção canadense Sub-22, da qual fazia parte, foi para a National Cup, conquistando a medalha de ouro.
Na temporada seguinte, a defensora teve uma mudança de ambiente ao ingressar como a primeira canadense na NWHL. Em 2015-16 ela começou no Connecticut Whale participando de 18 jogos e marcando 17 pontos (cinco gols e 12 assistências).
Nessa mesma temporada, ela foi emprestada para o Boston Pride junto com mais duas jogadoras de seu time e assim participou do primeiro 2015 Women’s Winter Classic da NWHL. Fratkin também foi convidada a participar do primeiro NWHL All-Star Game e terminou a temporada como a defensora com mais pontos na liga.
Na temporada seguinte, em 2016-17, a jogadora assinou com o New York Riveters, onde jogou somente uma temporada, e também participou do NWHL All-Star Game. Em sua terceira temporada na liga, em 2017-18, a jogadora assinou com o Boston Pride, time em que permanece até hoje.
Nas três temporadas com o Pride, a jogadora já marcou cinco gols e 32 assistências, somando 37 pontos. Em 2020, foi nomeada para o NWHL Defensor of the Year e pela terceira vez para o NWHL All-Star Game, onde ganhou o Slalom Hardest Shot Competition (tiro mais forte). A defensora já renovou com a liga em breve poderemos vê-la brilhar novamente no gelo.
[Esta entrevista foi traduzida e editada para maior clareza]
Durante o high school você também jogava lacrosse e futebol, como você decidiu que queria então seguir carreira no hockey?
Desde cedo meus pais me incentivaram a praticar muitos esportes. Durante o ensino médio, eu competi muito no futebol, lacrosse e patinação artística (muitas pessoas não sabem que eu patinei em alto nível por bastante tempo). Por fim eu decidi seguir carreira no hockey porque eu amava muito o esporte. Era meu sonho jogar na NCAA e me formar com um diploma de uma universidade dos EUA. Meus dois irmãos mais velhos também iam jogar hockey universitário na NCAA e eu queria seguir seus passos.
Você foi a primeira mulher a entrar para a British Columbia Midget Major League, como foi quebrar essa barreira para as mulheres que viriam a seguir?
Ser a primeira mulher a jogar Major Midget Hockey na Columbia Britânica foi bem incrível. Naquela temporada, eu joguei com e contra alguns jogadores bem notáveis. Foi especial ser considerada para aquela mesma classe. Quebrar aquelas barreiras é algo de que me orgulho muito. Na época, eu não entendia muito bem o impacto que estava tendo na geração mais nova de jogadoras de hockey feminino em BC, e só anos mais tarde eu fui perceber o impacto. Eu dei o exemplo para jogadoras mulheres. Não importa seu gênero, tamanho/estatura, ou o que quer que seja, que se você é bom o suficiente, você pode jogar
Como foi fazer parte de tantos momentos históricos para a NWHL, como o Women’s Winter Classic de 2015?
Fazer parte de muitos momentos históricos na NWHL gerou algumas experiências inacreditáveis em minha carreira profissional. Oportunidades como ser emprestada para o Pride na temporada 1 para o Outdoor Classic foi um dos momentos mais especiais. Eu lembro de estar patinando durante o aquecimento no Gillette Stadium encarando o telão o tempo todo. Eu estava encantada pelo lugar onde eu estava e por quão legal era a atmosfera. Uma coisa que eu nunca vou esquecer.
Você esteve com a NWHL desde o início da Liga. Como foi ver o nascimento dela e a forma com que ela vem ganhando espaço na modalidade?
Como membra original na NWHL, eu tive a oportunidade de ver o crescimento tremendo que a liga teve em 5 anos. Do primeiro jogo disputado no Chelsea Piers até a temporada 5, eu vi o impacto imediato que a NWHL tem tido na geração mais nova de jogadoras mulheres. Eu tenho muito orgulho dos passos que a liga tem dado e continua dando. Jogadoras entrando na universidade têm a oportunidade de jogar profissionalmente quando suas carreiras universitárias acabarem por causa da NWHL. Eu não tinha isso quando entrei na universidade. Estou ansiosa para ver a liga continuar a crescer e ver onde ela vai estar daqui muitos anos.
Você vai para a sua sexta temporada com a NWHL após ter jogado em três times diferentes, em cidades diferentes. Como é a experiência de jogar em diferentes cidades por diferentes times?
Preciso dizer que dos 3 times da NWHL em que eu joguei, jogar para o Boston Pride tem sido o meu favorito!! Sem desconsiderar meu tempo com o Whale e as Riveters, porque também foi muito especial, mas Boston se tornou minha segunda casa. Do meu tempo na universidade até virar profissional, tem algo nos fãs de Boston e na Warrior Arena que é a cereja do bolo. Eu espero que a gente possa jogar em frente dos nossos fãs algum dia em breve! #famintapelacup
Kaleigh durante o 2020 NWHL All-Star. (Foto: Michelle Jay/NWHL)
Você é a defensora com a maior pontuação na história da NWHL. Como foi ser nomeada Defender of the Year e vencer o Slalom Hardest Shot Competition?
Vencer a competição de Hardest Shot (tiro mais forte) no NWHL All-Star Weekend em Boston foi surpreendente. Eu estava, na verdade, bem doente no dia anterior à competição de habilidades. Eu nem pensei que seria capaz de participar, então foi um bom jeito de terminar o dia! Ter sido selecionada a defensora do ano foi especial para mim. Tem uma tonelada de defensoras talentosas na NWHL e qualquer uma mereceria o prêmio então eu fico feliz e me sinto honrada de ter sido escolhida.
Assim como outras jogadoras, você divide seu tempo entre ser jogadora profissional e ter um emprego fora do gelo. Como você equilibra suas duas profissões?
Equilibrar duas carreiras profissionais definitivamente tem seus desafios, mas (é) algo que me orgulho de poder fazer. Ainda que eu adoraria só jogar hockey como única profissão, a realidade é que ainda não estamos lá como esporte. Sendo este o caso, eu amo meu outro emprego. Eu trabalho no marketing da Under Armour. É um emprego como nenhum outro, em que eu tenho a chance de mesclar minha paixão por esportes e moda. Eu trabalho com atletas todo dia e me apoio em minhas experiências como atleta profissional o tempo todo no meu trabalho. Sou grata e sortuda pela UA e o suporte deles em ambas as minhas carreiras.
Você já participou da Nations Cup e da Women’s World Championship da IIHF. Como é a atmosfera de participar de campeonatos mundiais representando o seu país?
Representar o Canadá em qualquer palco é uma honra absoluta. Sempre que você tem a oportunidade de usar a folha de bordo no peito, é especial. Definitivamente tem uma pressão que vem com representar a sua nação, mas é algo que eu pude fazer diversas vezes e sou grata por isso. O Campeonato Mundial na Alemanha foi um bem divertido! Apesar de ter perdido o jogo pela medalha de ouro para os EUA, minha família estava lá assistindo, o que tornou tudo ainda mais especial ter o apoio deles.
Com a final da Isobel Cup cancelado, como você tem feito para se preparar para a próxima temporada da Liga?
Meu treinamento de intertemporada está finalmente em curso e em pleno vigor. Eu tenho um programa de verão que estou seguindo para fortalecimento fora do gelo e condicionamento e trabalho em habilidades no gelo durante a semana. Na intertemporada eu tento estar no gelo o máximo que posso. Então estou focando em patinar 4 vezes por semana. Meu plano é intensificar (o treino) no gelo quando estiver mais perto de setembro.
Os fãs da NWHL têm um novo motivo para comemorar. Após anunciar sua primeira expansão para o Canadá, o Toronto Six, novo time da Liga fez o tão aguardado anúncio das suas cores e uniformes para jogos em casa e fora de casa.
As cores usadas não foram surpresa, afinal, quando anunciaram o nome da equipe, apresentaram também o logo e as cores que representam o time.
Introducing the sixth team in the NWHL, and the first in Canada…
O Toronto Six, que já tinha anunciado anteriormente cinco jogadoras e parte da equipe administrativa, ao decorrer do mês fez o anúncio de sua General Manager e assinou mais contratos, incluindo jogadoras que participaram do draft 2020 da NWHL.
A GM escolhida para o time já é uma veterana no hockey feminino, a co-fundadora da CWHL e ex-goleira Amanda Cronin. Mandy, como é conhecida, era GM do Buffalo Beauts na última temporada, quando foi convidada a ser a primeira GM do novo time.
Escolha do nome
No dia 22 de abril, logo após a NWHL divulgar a expansão, o time de Toronto lançou em seu site uma pesquisa onde os fãs estariam sugerindo nomes com os melhores indo para uma votação pública. Alguns dias depois, através de sua página oficial no Twitter, o time compartilhou quais nomes iriam para a votação popular para que enfim pudessem definir o grande escolhido.
We want to thank everyone who participated in the Name the Team poll for our new club.
More than 2,500 fans sent in 300+ different names for Toronto’s team. Among your suggestions: pic.twitter.com/0A8Tjb9Hfs
Em maio, com a votação encerrada, a nova franquia anunciou seu nome Toronto Six, que além de ser uma homenagem a um dos apelidos da cidade, também é uma referência ao esporte. O design do logo foi criado pela M Style Marketing, mesma empresa que criou as camisas para os All-Star Games em Minnesota, Boston e Nashville.
A logo do time são as letras “TO” que juntam também formam o número seis, com uma folha de bordo dentro, o símbolo do país. O time decidiu adotar as cores vermelho e ouro: o ouro simboliza a região de Golden Horseshoe em Ontário. A cor também simboliza o alto padrão estabelecido por todos no hockey feminino canadense, modalidade pela qual o país é referência.
O uniforme
Pouco mais de um mês após o lançamento do nome, foi a vez do público conhecer como será o uniforme de Toronto. Com três modelos diferentes, o time decidiu homenagear não somente sua cidade como a própria NWHL.
Divididas entre jogos em casa, jogos fora e uma versão “alternativa”, as jerseys não foram a única novidade na loja do time. Os Six também lançaram outros produtos com a logo do time para que os fãs já possam adquirir.
Para os jogos em casa foi escolhida a camisa vermelha. Numa forma de homenagear o Canadá, foram utilizadas as cores do país e da bandeira. Para os detalhes foi escolhid o preto e o ouro que já fazem parte da paleta do time. Enquanto isso, para a jersey visitante a cor predominante é preta, com detalhes vermelho e ouro.
Para a jersey alternativa o time optou por pelo fundo branco com folhas de bordo dando um toque especial. O design também possui seis listras douradas nas mangas e nas meias que representam tanto o fato de Toronto ser o sexto time da Liga quanto a sua estréia na sexta temporada.
Todos os modelos têm o símbolo do time em destaque com a bandeira canadense em um ombro e o símbolo “6IX” no outro. Todas elas também possuem a gola em detalhe dourado representando o Golden Horseshoe (Ferradura Dourada, literalmento) da área à qual Toronto faz parte.
Com o time cada dia que passa tomando forma e assinando com novas jogadoras, as expectativas para a nova temporada da NWHL estão em alta. Apesar de ainda não ter divulgado onde será seu rink, os preparativos andam a todo vapor e logo mais o público poderá ver o novato da Liga fazendo a sua estreia no gelo.
Since 2019, NHeLas has also been producing content on women’s hockey. The sport is changing and, to follow this process, we must know the characters behind it.
That is why on this day we are very excited to announce a very special partnership the site has recently forged with the NWHL. (Yes, you’re reading this right!)
Supported by representatives of the National Women’s Hockey League, we will interview players about their experiences with the sport and what it means to be a woman in hockey.
These interviews will be part of Women’s Hockey Column on our website, a project that has been going on for months and built through articles already available on the website (in Portuguese), in order to bring you the best content on the sport, news about the NWHL, the importance of women’s hockey and more!
In this article, the inaugurating piece of our partnership with the NWHL, we interviewed the forward Allie Thunstrom of the Minnesota Whitecaps.
She is co-MVP of the 2019-20 season, Isobel Cup winner and Four Nations Cup medalist with the American national team.
Who is Allie Thunstrom?
Allie Thunstrom’s career was marked by multi-sportsmanship. Born in Maplewood, Minnesota, USA, Allie began her career in hockey when she was still in high school at North St. Paul High.
Back then she collected records scoring 228 goals, 122 assists and 350 points. Those numbers resulted in the achievement of the Minnesota Ms. Hockey Award in 2006. Thunstrom also won awards in soccer and softball during her high school years.
However, the records don’t stop there.
While at Boston College, Allie had not only a hockey scholarship, but she also competed in softball. In four college seasons, from 2006-07, she took part in 141 games, scoring 86 goals, 53 assists and 139 points, with a 22 goals effort in her last season. Allie also won the Hockey East All Star three times.
In 2010, the player took part in the Four Nations Cup, conquering a silver medal as part of the US National Team. In the same year Thunstrom signed her first contract with the Whitecaps, her team to this day.
However, the Minnesota team remained an independent one for many years, joining the NWHL only in 2018. In its first season the Whitecaps debuted with a bang, winning their first Isobel Cup.
In 2012, Allie decided to try out for a new sport. Hence, the athlete took to training speed skating, even taking part in several competitions. During that period she had to adapt to a new way of sliding through the ice.
Her return to competitive hockey with the US National Team was during the 2015 Four Nations Cup, where she won gold.
Recently the player renewed her contract for her third season with the Whitecaps. She currently divides her time between the ice and her career as a field product specialist at the company Ergodyne.
SIGNING NEWS: Don’t blink or you might miss this signing… Or that might just be her skating 💨@athunder921 has re-signed with @WhitecapsHockey 🌊
For many years you have also had a career as a speedskater. How did you get into the sport?
In a unique, roundabout way! I still had a year of eligibility left for college softball at Boston College when I made the U.S. National Team in hockey for the first time. As a result, I ended up having to leave school to train full-time for hockey. Then I ended up getting cut from the National Team in January or February and I was kind of lost. I didn’t have hockey anymore and I was missing softball. Keep in mind, this was still a few years before the start of the NWHL.
So I was trying to figure out what to do and my mom suggested trying speedskating. So we found a “Try Speedskating” clinic nearby and I went on a random Tuesday night. From there, the gentleman who taught the club encouraged me to try it for real. So I ended up joining a club in Minnesota and the rest is kind of history. It was a long road to being able to compete. It’s a very different stride and very different technique. So as much as I hoped it would be an easy transition, it was far from it.
How does speedskating compare to hockey?
It’s incredibly different. Probably the biggest and most obvious difference is the team vs individual part. In hockey, you are part of a puzzle, trying to put all the right pieces together to win games. In speedskating, it’s just you. There are no other pieces you have to think about or interface with. In hockey, you play for your teammates and the greater good of the team, but in speedskating your results don’t really affect anyone else other than you. Other than that, the technique and skill is very different. In hockey, quick bursts and agility are equally, if not more important, than maximum speed. In speedskating it’s all about stride efficiency and max speed. It doesn’t matter how quick you are off the line if you don’t skate an efficient, and fast, lap. Some of the fastest speedskaters move their legs the slowest – but the amount of power generated in each stroke is intense.
Do you still practice speed skating even after joining the Whitecaps?
Not very often. Every now and then if I have some free time I might hit the ice with my former speedskating coaches and teammates but I’m certainly not training for it. It utilizes different muscles, so jumping back and forth isn’t as seamless as it would appear. I have a pretty intense schedule as it is and I want to make sure I am at my best for our games so I try not to do anything that would interfere with my ability to play.
You recently won the 2020 NWHL Foundation Award. What is it like to be part of this hockey program and to visit schools? How do you feel being a role model for young athletes that want to pursue a career in the sport?
This is probably one of my favorite parts of playing professional hockey for the Whitecaps. Being able to connect with young kids and be a role model is a really amazing experience and something I don’t take lightly. I want to show kids that it’s important to have dreams and show them how to work towards them. It’s so important to also understand that your dreams can change along the way, and sometimes you end up somewhere you never thought possible – and that’s okay too. I haven’t had the smoothest ride to get to where I am today and I wouldn’t change that for the world. If my experiences can help someone else see the world differently and encourage them to keep trying, then it’s worth every second.
It’s also incredibly important because when I was younger, my dreams were not “reality” because there was no professional women’s hockey. There was minimal college hockey, and no Olympic hockey until 1998 (when I was 10). Plenty of people told me to set my sights on something more realistic – something that was within reach. While I understand why, I want to do the opposite and encourage every young girl and boy to fight for their dreams and never give up. Just because you can’t see it right now, doesn’t mean it won’t be there in the future. And even if you end up on a different path in the future, the journey will have been worth every step.
You’ve been to the NWHL All-Star Weekend in both of your seasons in the league. Can you tell us about being part of these events and recently winning the Fastest Skater competition during the All-Star Skills Challenge?
Being selected as an All-Star has been an absolute honor and a very humbling experience. To be able to play with and against the best in the league is definitely an incredible experience. You gain so much respect for these players – like Jillian Dempsey, McKenna Brand, Kaleigh Fratkin, Madson Packer, Taylor Accursi, Marie-Jo Pelletier, Shannon Doyle, Rebecca Morse, Kate Leary, Kiira Dosdall-Arena, and the list goes on. After you battle against them so much, it’s really fun to get to play with them and get to know them off the ice. We’re all super competitive but All-Star Weekend is always so much more than just the game and skills competition. It brings out the best in everyone and it’s a really great time.
With the Isobel Cup Final cancelled, you and the Whitecaps remain the reigning champions of the NWHL. Could you describe what it was like winning in your first season in the league and being nominated this season’s MVP?
It’s been an absolute whirlwind couple of years playing on the Whitecaps in the NWHL. I have been part of the Whitecaps since I graduated in 2010 when we were part of the WWHL. That league folded and we were not invited to join the CWHL. So for the better part of a decade, we were playing exhibition games against college teams and a few CWHL or NWHL opponents. Then we finally got to be part of the league last season, which was so much more than I ever expected and was so special just because of the road we had taken to get there. Then to win the Isobel Cup at the end, it was really a storybook ending.
The immense joy and support that we got from the entire State of Minnesota and our fans was what really propelled our success in year one. We obviously had a tremendously talented roster but the journey to get to the NWHL and finally getting to be part of a professional league was just so special. It’s hard to describe what it felt like getting to play and it took a little bit of pressure off because we were so genuinely excited to have the opportunity that anything beyond that was just icing on the cake. I remember walking onto the ice for our very first home game and it was sold out and LOUD. I got a little teary-eyed. And then it continued the whole season…just incredible.
This season was a little different. We weren’t the new kids on the block anymore and we knew we had a reputation to uphold. There were expectations, and we weren’t just happy to be there anymore. We definitely took some bumps along the way in finding our stride. We started out the year with a 9-2 win, just to follow it up a day later with an overtime loss. That trend continued into December, but then we banded together and figured out the team we wanted and knew we could be. And from there it was fun. Really, really fun. We found our game and we played it pretty well. To be named a Co-MVP is really a testament to our entire team finding that stride. We were clicking and good things were happening. It was a culmination of all the pieces coming together.
My linemates, Jonna Curtis and Meaghan Pezon deserved that accolade just as much as I did. And of course our defense and Amanda Leveille. We don’t win games without their stellar play. While considered an individual honor, it really is a team award and one I happily share with every player on our roster.
How do you find balance between being a professional hockey player and your life off the ice?
I love being busy and on the go, so for me, it has never been too much of an issue. I do have a job that requires a bit of travel, but I am usually able to schedule my trips around team obligations. I am also able to lean on my speedskating background to stay on top of workouts when I am on my own.
I also am incredibly fortunate to have an employer that not only supports me, but encourages me to pursue my athletic dreams and goals. My colleagues come to games and follow our season. I work as a field product specialist for a manufacturer of safety and industrial PPE, Ergodyne. So I spend a lot of my time on jobsites and with customers helping them mitigate their safety hazards and risks. I definitely love what I do, so it’s really awesome to be able to pursue both of my passions and have support on both sides.
We are aware that the women’s hockey world is not easy. How do you see the sport’s growth currently?
There is a lot of great growth and exposure right now. The biggest thing for women’s hockey and women’s sports in general is the visibility and right now, there are a lot of eyes on our sport. That is a good thing. The number of people that know about our game and the NWHL is growing significantly. This season we were able to sell out games in Boston and Minnesota, and there was a huge crowd at a unique outdoor game in Buffalo. On Twitch we surpassed 8 million views. That was huge, exceeding our expectations. It’s been an exciting year to see how the Twitch channel has really opened up access to the league and the number of new fans we have. The NWHL Open Ice weekly talk show on Twitch was also a big hit.
Our sponsorships over the last year were the most in league history by far, and players benefit from a 50-50 split of revenue from league partnerships. The Boston Pride and the Toronto Six were acquired by individual owners, and I know more teams will be sold in the future. That’s massive for our league and for women’s hockey. It’s just been really fun to be part of it.
Allie Thunstrom playing against the Boston Pride (Photo: Michelle Jay/NWHL)
These are very unusual times for all of us. How was your routine affected particularly in training and conditioning, and how have you been dealing with it?
For everyone, this pandemic has been difficult emotionally and physically. I could never compare it to the tragedies and what many others have gone through. Since you’re asking about my personal routine, I’ll talk about that.
In a matter of days, like everyone else, I went from having a pretty standard day of going to work, hitting the gym or getting on the ice to not being able to really leave the house. It’s been difficult to maintain the same level of fitness since there is no access to ice and my gym ‘equipment’ is very limited. All I have is one set of 45-pound dumbbells! But I have been doing the best I can with what I’ve got. I run, inline skate, and bike as much as I can. I have definitely decided that I need to have a home gym in the future!
I definitely miss being on the ice competing with my teammates, but I also understand the health crisis and want to continue to do my part to protect my neighbors, loved ones, friends, and everyone around me. So while it is definitely a bit lonelier than I am used to, I’m thankful for virtual platforms that allow us to stay connected and keep in touch. It won’t be like this forever, so we have to make the most of it and take care of each other.
Desde o ano passado, o NHeLas tem se preocupado em trazer conteúdo também sobre o hockey feminino. O esporte está mudando e, para acompanharmos essa mudança, é fundamental conhecermos os personagens por trás dela.
Por isso, oficializamos hoje uma parceria muito especial que o site conquistou no último mês com a National Women’s Hockey League. (Isso mesmo, a NWHL).
Com o apoio de representantes da liga profissional de hockey feminino, vamos entrevistar jogadoras sobre suas experiências com o esporte e o que é ser mulher no hockey.
Estas entrevistas serão parte da Coluna de Hockey Feminino em nosso site, um projeto que vem sendo trabalhado há meses, construído através de outros textos já disponíveis no site, para trazer para vocês o melhor conteúdo sobre a modalidade, notícias sobre a NWHL, importância do hockey feminino e muito mais!
Nesse texto, o primeiro em parceria com a NWHL, entrevistamos a atacante Allie Thunstrom do Minnesota Whitecaps.
A jogadora é co-MVP da temporada 2019-20, vencedora da Isobel Cup e medalhista da Four Nations Cup com a seleção americana.
Quem é Allie Thunstrom?
A carreira de Allie Thunstrom foi marcada por uma pluri-esportividade. Nascida em Maplewood, no estado de Minnesota nos Estados Unidos, Allie iniciou sua carreira no esporte ainda no high school pelo North St. Paul High.
Nesse período, ela acumulou recordes, marcando um total de 228 gols, 122 assistências e 350 pontos. Estes números resultaram na conquista do Minnesota Ms. Hockey Award em 2006. Thunstrom também conquistou prêmios de futebol e softbol nos anos de high school.
No entanto, os recordes não param por aí.
Durante seu tempo com a Boston College, Allie ganhou bolsa para jogar hockey, mas também chegou a competir no softbol. Em suas quatro temporadas universitárias, começando em 2006-07, ela participou de 141 jogos, nos quais somou 86 gols (22 somente em sua última temporada), 53 assistências e 139 pontos. Allie também conquistou o Hockey East All-Star três vezes.
Em 2010, a jogadora participou da Four Nations Cup conquistando a medalha de prata com a seleção dos EUA. No mesmo ano, Thunstrom assinou seu primeiro contrato com os Whitecaps, time que permanece até hoje.
Entretanto, a equipe de Minnesota permaneceu por muitos anos como um time independente, entrando para a NWHL somente em 2018. Em sua primeira temporada na liga, os Whitecaps fizeram uma grande estreia e conquistaram sua primeira Isobel Cup.
Em 2012, Allie resolveu que era hora de tentar um novo esporte. Por isso, a atleta começou a treinar patinação de velocidade, chegando inclusive a participar de diversas competições. Nesse período, ela precisou se adaptar a uma nova forma de deslizar no gelo.
Retornando a competir no hockey pela seleção americana, a jogadora voltou à Four Nations Cup em 2015, desta vez conquistando a medalha de ouro.
Recentemente, Allie Thunstrom renovou para a sua terceira temporada com os Whitecaps. Atualmente, ela divide seu tempo entre o gelo e sua carreira como especialista em produtos de campo na Ergodyne.
SIGNING NEWS: Don’t blink or you might miss this signing… Or that might just be her skating 💨@athunder921 has re-signed with @WhitecapsHockey 🌊
[Esta entrevista foi traduzida e editada para maior clareza]
Por muitos anos você se dedicou à carreira como patinadora de velocidade. Como se interessou pela modalidade?
De uma maneira única e indireta! Eu ainda tinha um ano de elegibilidade para o softbol na Boston College quando integrei a seleção nacional dos EUA no hockey pela primeira vez. Como resultado, acabei tendo que deixar a escola para treinar em tempo integral no hockey. Logo depois acabei sendo cortada da seleção, em janeiro ou fevereiro, e fiquei meio perdida. Eu não tinha mais o hockey e sentia falta do softbol. Lembrando sempre que isso ocorreu alguns anos antes do início da NWHL.
Então, eu estava tentando descobrir o que fazer e minha mãe sugeriu tentar patinação de velocidade. Por isso encontramos uma clínica “Try Speedskating” nas proximidades e eu fui em uma terça à noite qualquer. A partir daí, o senhor que ensinava no clube me incentivou a experimentar a modalidade de verdade. Desta forma, acabei ingressando em um clube em Minnesota e o resto é história. Foi um longo caminho para conseguir competir. A passada é muito diferente e se trata de uma técnica muito diferente. Então, por mais que eu esperasse uma transição fácil, estava longe disso.
Como ela se compara ao hockey?
É incrivelmente diferente. A maior e mais óbvia diferença é provavelmente aquela entre as partes em equipe e individual. No hockey, você faz parte de um quebra-cabeça, tentando juntar todas as peças corretamente para vencer os jogos. Na patinação de velocidade, é só você. Não há outras peças com as quais você tenha que pensar ou interagir. No hockey, você joga pelos seus companheiros de equipe e pelo bem maior de todos, mas na patinação de velocidade seus resultados realmente não afetam ninguém além de você. Fora isso, a técnica e habilidade são muito diferentes. No hockey, rajadas rápidas e agilidade são igualmente, senão mais importantes, que a velocidade máxima. Na patinação de velocidade, trata-se de eficiência de passada e velocidade máxima. Não importa a rapidez com que você está fora da linha (de partida) se não patinar em uma volta eficiente e rápida. Alguns dos patinadores de velocidade mais rápidos movem as pernas mais lentamente – mas a quantidade de energia gerada em cada passada é intensa.
Você ainda pratica patinação de velocidade mesmo após ingressar no Whitecaps?
Não muito frequentemente. De vez em quando, se eu tenho algum tempo livre, posso entrar no gelo com meus ex-treinadores e colegas de patinação de velocidade, mas certamente não estou treinando para isso. (A modalidade) utiliza músculos diferentes, portanto, passar de um para outro não é tão fácil quanto parece. Tenho um cronograma bastante intenso e quero garantir que estou no meu melhor para os nossos jogos, por isso tento não fazer nada que interfira com a minha capacidade de jogar.
Você ganhou o 2020 NWHL Foundation Award recentemente. Como é fazer parte deste programa de hockey e visitar escolas? Como você se sente sendo um exemplo para as jovens atletas que desejam seguir uma carreira no esporte?
Esta é provavelmente uma das minhas partes favoritas de jogar hockey profissional no Whitecaps. Ser capaz de conectar-me com crianças pequenas e ser um exemplo é uma experiência realmente incrível e algo que não encaro de forma leviana. Quero mostrar às crianças que é importante ter sonhos e mostrar-lhes como ir em busca deles. É muito importante entender também que seus sonhos podem mudar ao longo do caminho e, às vezes, você acaba em algum lugar que nunca pensou ser possível – e está tudo bem também. Não tive o caminho mais tranquilo para chegar onde estou hoje e não mudaria isso por nada no mundo. Se minhas experiências podem ajudar alguém a ver o mundo de maneira diferente e incentivá-lo a continuar tentando, cada segundo valeu a pena. Também é extremamente importante porque, quando eu era mais jovem, meus sonhos não eram “realidade” porque não havia hockey profissional feminino. Havia o mínimo de hockey universitário e nenhum hockey olímpico até 1998 (quando eu tinha 10 anos). Muitas pessoas me disseram para focar em algo mais realista – algo que estava ao meu alcance. Enquanto entendo o porquê, quero fazer o oposto e incentivar cada menina e menino a lutarem por seus sonhos e nunca desistirem. Só porque você não pode vê-lo agora, não significa que não estará lá no futuro. E mesmo se você seguir um caminho diferente no futuro, a jornada terá valido cada passo.
Você participou do All-Star Weekend da NWHL nas duas temporadas da liga. Pode nos contar como foi participar desses eventos e ganhar recentemente a competição de patinadora mais rápida durante o All-Star Skills Challenge?
Ser selecionada como All-Star foi uma honra absoluta e uma experiência que me trouxe humildade. Ser capaz de jogar com e contra os melhores da liga é definitivamente uma experiência incrível. Você ganha tanto respeito por essas jogadoras – como Jillian Dempsey, McKenna Brand, Kaleigh Fratkin, Madison Packer, Taylor Accursi, Marie-Jo Pelletier, Shannon Doyle, Rebecca Morse, Kate Leary, Kiira Dosdall-Arena e a lista continua. Depois de lutar tanto contra elas, é realmente divertido brincar com elas e conhecê-las no gelo. Somos todas super competitivas, mas o All-Star Weekend é sempre muito mais do que apenas a competição de jogos e habilidades. Traz o melhor de todos e é realmente um ótimo momento.
Com a final da Isobel Cup cancelada, você e os Whitecaps continuam os campeões da NWHL. Poderia descrever como foi vencer em sua primeira temporada na liga e ser nomeada MVP desta temporada?
Fazem dois agitados anos que jogamos nos Whitecaps na NWHL. Faço parte dos Whitecaps desde que me formei em 2010, quando fazíamos parte da WWHL. Essa liga foi encerrada e não fomos convidados a participar da CWHL. Então, durante quase uma década, estávamos jogando jogos de exibição contra equipes de faculdade e alguns adversários da CWHL ou da NWHL. Finalmente, passamos a fazer parte da liga na última temporada, o que foi muito mais do que eu esperava e foi tão especial apenas por causa do caminho que tínhamos trilhado para chegar lá. Então vencer a Isobel Cup no fim, foi realmente um final digno de contos de fadas.
A imensa alegria e apoio que recebemos de todo o estado de Minnesota e de nossos fãs foi o que realmente impulsionou nosso sucesso no primeiro ano. Obviamente, tínhamos uma equipe tremendamente talentosa, mas a jornada para chegar à NWHL e finalmente fazer parte de uma liga profissional foi muito especial. É difícil descrever como foi finalmente jogar e isso tirou um pouco da pressão, porque estávamos realmente entusiasmadas por ter a oportunidade, e qualquer coisa além disso seria a cereja do bolo. Lembro-me de entrar no gelo para o nosso primeiro jogo em casa, que teve seus ingressos esgotados, e com uma torcida que fazia barulho. Eu fiquei com os olhos marejados. E então continuou daquele jeito a temporada inteira … simplesmente incrível.
Esta (última) temporada foi um pouco diferente. Não éramos mais as novatas e sabíamos que tínhamos uma reputação a defender. Havia expectativas e não estávamos mais apenas felizes em participar. Nós definitivamente tivemos algumas dificuldades ao longo do caminho para encontrar nosso passo. Começamos o ano com uma vitória por 9 a 2, apenas para perder no overtime no dia seguinte. Essa tendência continuou em dezembro, mas então nos unimos e descobrimos o time que queríamos e sabíamos que poderíamos ser. E a partir daí foi divertido. Muito, muito divertido. Encontramos o nosso jogo e jogamos muito bem. Ser nomeada Co-MVP é realmente um testemunho de toda a nossa equipe ter encontrado esse ritmo. Estávamos clicando e coisas boas estavam acontecendo. Foi o culminar de todas as peças reunidas.
Minhas colegas de linha, Jonna Curtis e Meaghan Pezon, mereciam essa honra tanto quanto eu. E, claro, nossa defesa e Amanda Leveille. Não ganhamos partidas sem o seu jogo estelar. Embora seja considerada uma honra individual, é realmente um prêmio de equipe e que eu fico feliz em compartilhar com todas as jogadoras de nossa lista.
Como você encontra o equilíbrio entre ser uma jogadora de hockey profissional e sua vida fora do gelo?
Eu amo estar ocupada e em movimento, portanto, para mim, nunca foi um problema. Tenho um trabalho que exige um pouco de viagens, mas geralmente consigo agendá-las de acordo com as obrigações da equipe. Eu também sou capaz de me apoiar no meu background de patinação de velocidade para ficar em dia com os treinos quando estou sozinha.
Também tenho a grande sorte de ter um empregador que não apenas me apoia, como também me incentiva a seguir meus sonhos e objetivos atléticos. Meus colegas vêm aos jogos e acompanham nossa temporada. Trabalho como especialista em produtos de campo para um fabricante de EPIs industriais e de segurança, Ergodyne. Portanto, passo muito do meu tempo em locais de trabalho e com os clientes ajudando-os a reduzir os riscos e perigos de segurança. Definitivamente adoro o que faço, por isso é realmente incrível poder ir atrás das minhas duas paixões e ter apoio de ambos os lados.
Estamos cientes de que o mundo do hockey feminino não é fácil. Como você vê o crescimento do esporte atualmente?
Há muito crescimento e exposição no momento. A maior coisa para o hóquei feminino e o esporte feminino em geral é a visibilidade e, no momento, há muitos olhos em nosso esporte. Isso é uma coisa boa. O número de pessoas que conhecem o nosso jogo e a NWHL estão crescendo significativamente. Nesta temporada, conseguimos esgotar jogos em Boston e Minnesota, e havia uma multidão enorme em um único jogo ao ar livre em Buffalo. No Twitch, superamos 8 milhões de visualizações. Isso foi enorme, superando nossas expectativas. Foi um ano emocionante ao vermos como o canal Twitch realmente abriu o acesso à liga e o número de novos fãs que temos. O talk show semanal da NWHL Open Ice no Twitch também foi um grande sucesso.
Nossos patrocínios ao longo do ano passado foram os que mais se destacaram na história da liga, e as jogadoras se beneficiam de uma divisão de receita de 50/50 de parcerias da liga. O Boston Pride e o Toronto Six foram adquiridos por proprietários individuais e sei que mais equipes serão vendidas no futuro. Isso é gigantesco para a nossa liga e para o hockey feminino. Tem sido muito divertido fazer parte disso.
Allie Thunstrom em uma partida contra o Boston Pride (Foto: Michelle Jay/NWHL)
Estes são tempos muito incomuns para todos nós. Como sua rotina foi afetada principalmente no treinamento e condicionamento, e como você tem lidado com isso?
Para todos, essa pandemia tem sido difícil tanto emocional quanto fisicamente. Eu nunca poderia compará-la com as tragédias e com o que muitos outros passaram. Como você está perguntando sobre minha rotina pessoal, vou falar sobre isso.
Em questão de dias, como todo mundo, passei de um dia bastante normal onde eu ia trabalhar, à academia ou patinar, para realmente não poder sair de casa. Tem sido difícil manter o mesmo nível de condicionamento físico, já que não há acesso ao gelo e o “equipamento” de academia que tenho é muito limitado. Tudo o que tenho é um conjunto de halteres de 45 libras (aproximadamente 20,5 kg)! Mas tenho feito o melhor que posso com o que possuo. Eu corro, ando de patins e de bicicleta o máximo que posso. Decidi que definitivamente preciso ter uma academia em casa no futuro!
Definitivamente, sinto falta de estar no gelo competindo com minhas colegas de equipe, mas também entendo a crise da saúde e quero continuar fazendo minha parte para proteger meus vizinhos, entes queridos, amigos e todos ao meu redor. Portanto, embora seja definitivamente um pouco mais solitário do que estou acostumada, sou grata pelas plataformas virtuais que nos permitem permanecer conectados e manter contato. Não vai ser assim para sempre, então temos que aproveitar ao máximo e cuidar um do outro.
Nos últimos dias 28 e 29 de abril aconteceu o draft 2020 da NWHL. Através do twitter oficial da Liga, foram feitos anúncios ao vivo da escolha de cada time. Para isso foram utilizados vídeos de convidados de honra como Florence Schelling, a primeira mulher GM no hockey masculino, jogadores da NHL e profissionais de outros esportes. O evento que começou a ser transmitido na noite de terça-feira (28), teve em sua abertura uma mensagem da vice-comissária da NWHL, Michelle Pircad. Além de uma dedicação do evento pela diretora executiva da NWHLPA, Anya Packer.
Antes do início do draft as equipes de Boston e Toronto fizeram uma troca, mudando suas escolhas dos rounds. Assim, a ordem ficou da seguinte maneira:
1º Round: Boston, Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Toronto
2º Round: Connecticut, Toronto, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston
3º Round: Connecticut, Buffalo, Toronto, Metropolitan, Minnesota, Boston
4º Round: Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Toronto, Minnesota, Boston
5º Round: Connecticut, Buffalo, Connecticut, Minnesota, Boston, Boston
Top 3
Conforme divulgado anteriormente, a estreante de Toronto teria direito a primeira escolha do draft geral com as escolhas seguintes seguindo a ordem de classificação na temporada regular. No entanto, a terça começou com uma troca do time com o Boston Pride que pegou a primeira e a quinta escolha de Toronto em troca de uma para este ano e duas para o draft 2021.
NEWS: The Boston Pride have acquired the first overall pick and a 5th round pick of the 2020 NWHL Draft from Toronto.
Através de um vídeo do apresentador da ESPN John Buccigross a primeira escolha geral foi anunciada, e o Boston Pride draftou a jogadora Sammy Davis da Boston University. A atacante natural de Massachusetts no EUA, atuava como capitã e é líder de pontuação da sua equipe, assim se tornando a estrela de seu time. Ela marcou 42 gols nas duas últimas temporadas, posteriormente a jogadora concordou em assinar com a equipe de Boston.
Em segundo lugar foi selecionada a também atacante Kayla Friesen da Clarkson University pelo Connecticut Whale. A jogadora natural de Winnipeg no Canadá jogou somente uma temporada pela Clarkson após 3 temporadas pela St. Cloud State University. Em sua temporada pela Clarkson a canadense marcou 10 gols e 20 assistências, assim somando 30 pontos no total. Para estar fazendo o anúncio a convidada da vez foi a estrela da WNBA Jasmine Thomas.
Enquanto para a terceira escolha foi a vez do Hockey Hall of Famer e 3º escolha geral da NHL no draft 1983, Pat LaFontaine fazer as honras. A goleira Carly Jackson da University of Maine foi selecionada pelo Buffalo Beauts assim fechando o top 3 do draft. A jogadora natural do Canadá possui um percentual de .934 tiros salvos nesta última temporada. Foram 3.029 defesas e 45 vitórias somadas durantes suas quatro temporadas no Maine.
O primeiro dia foi marcado também pela escolha de mais nove atletas durante o primeiro e segundo round. Essas jogadoras, assim como as três primeiras, foram anunciadas por meio de vídeos ao vivo. Sendo assim, o restante das escolhas ficou da seguinte forma:
4º Saroya Tinker, D, Yale — Metropolitan Riveters
5º Alex Woken, F, Minnesota — Minnesota Whitecaps
6º Jaycee Gebhard, F, Robert Morris — Toronto
7º Victoria Howran, D, New Hampshire — Connecticut Whale
8º Amy Curlew, F, Cornell — Toronto
9º Codie Cross, D, Northeastern — Buffalo Beauts
10º Delaney Belinskas, F, Boston College — Metropolitan Riveters
Enquanto o segundo dia foi marcado pelo terceiro, quarto e quinto round que seguiram o mesmo formato do dia anterior. No entanto o destaque do segundo dia vai para a terceira escolha dos Beauts e 14º escolha geral. Isso porque a atacante Autumn MacDougall da University of Alberta teve uma convocação histórica ao ser a primeira jogadora da USports a ser draftada. Entretanto a canadense natural da Nova Scotia não é a primeira da Liga a participar da NWHL, outras jogadoras da USports já fizeram parte da Liga feminina porém não participaram do draft. A atacante marcou 17 gols em sua última temporada, sendo 10 deles em power plays.
HISTORY MADE! 🐼🏒
Congrats to @Auttiemac, who has become the first ever @PandasHockey player drafted into the @NWHL!
Autumn was selected with the 14th overall pick in the third round by the @BuffaloBeauts! #BeTheRoar
No último domingo (26) a NWHL anunciou o seu draft de uma maneira um tanto diferente. Marcado para os dias 28 e 29 de abril, o draft da liga feminina de hockey irá acontecer remotamente pelo Twitter. As rodadas,que foram divididas entre duas no primeiro dia e as três restantes no dia seguinte, contará com a participação de todos os seis times da Liga, incluindo o novato de Toronto. Ao final, serão totalizadas 30 escolhas no geral.
We are 2 days away from our 2020 Draft which will be hosted live here on Twitter on Tuesday & Wednesday at 7 PM ET
O draft deste ano será diferente de várias formas, não somente pelo modo como ele irá acontecer mas também pelas jogadoras que irão participar. Anteriormente, os times recrutavam jogadoras antes do último ano do ensino médio ou, como no draft 2018, no meio do último ano. Para esse ano os times poderão escolher jogadoras universitárias, ou seja, todas aquelas que se enquadram nas qualificações e se inscreveram.
O draft feminino, assim como o da NHL, dá total liberdade para a jogadora assinar caso ela queira ou não com o time que foi selecionado. Dessa forma, o contrato pode ser assinado logo após o draft, porém os times tem liberdade para fazer negociações antes do início do mesmo.
Por ser o time mais novo, Toronto terá direito a primeira escolha e os times restantes ficaram definidos de acordo com a classificação final da temporada regular. No entanto, para o quinto round, o Connecticut Whale terá direito a duas escolhas devido uma troca com o Metropolitan Riveters na temporada 2018-19. Com isso, as escolhas ficaram definidas da seguinte forma:
1º round: Toronto, Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston
2º round: Connecticut, Toronto, Buffalo, Metropolitan, Minnesota, Boston
3º round: Connecticut, Buffalo, Toronto, Metropolitan, Minnesota, Boston
4º round: Connecticut, Buffalo, Metropolitan, Toronto, Minnesota, Boston
5º round: Connecticut, Buffalo, Connecticut, Minnesota, Toronto, Boston
A chegada de Toronto
Na última quarta-feira (22), o dia começou com uma bela notícia para os fãs da NWHL. A Liga que, antes possuía somente cinco times, agora conta com uma nova cidade. Em uma expansão inesperada para o público, o novo time não somente é uma novidade como também um inovação para a Liga feminina, isso porque ele é o primeiro que não está localizado nos EUA. O novo time, que ainda não possui nome, fica localizado em Toronto no Canadá e marca uma nova era para a NWHL que antes era uma Liga composta somente por times estadunidenses.
Em seu anuncio por meio das redes sociais, a NWHL também anunciou quais eram as primeiras jogadoras e parte da equipe administrativa. A equipe tem a CEO e co-fundadora da Boynton Brennan Builders, a ex-capitão de hockey feminino Johanna Neilson Boynton como líder do grupo de proprietários. A ex-treinadora da CWHL e da Brown Universaty, Margaret “Digit” Murphy, como a presidente da equipe e a executiva do beisebol Tyler Tumminia como presidente do clube.
We couldn't be happier to have Johanna, Tyler & Digit join us on this journey 🇨🇦 pic.twitter.com/HPHb8G5FQY
No gelo, as primeiras jogadoras a assinar são as defensoras Kristen Barbara e Emma Greco, as atacante Shiann Darkangelo e Taylor Woods e a goleira Elaine Chuli.
We are happy to announce that @TorontoNWHL has signed their first 5 players for the upcoming season 🇨🇦 pic.twitter.com/odzpSJm216
O hockey feminino sempre foi considerado apenas um esporte olímpico. Enquanto os homens têm os benefícios de terem a NHL para apoiar suas carreiras, as jogadores vivem com glórias de quatro em quatro anos. Isso não significa que elas não têm uma liga própria, apenas que a NWHL não proporciona as melhores condições de trabalho e investimento de patrocinadores.
Por este motivo, no ano passado, as jogadores fundaram a PWHPA (Professional Women’s Hockey Player Association). A Associação criada pelas jogadoras norte-americanas visa trazer melhores condições de trabalho e mais visibilidade para a modalidade feminina. A PWHPA vem trabalhando desde a sua criação com a Dream Gap Tour, viajando pela América do Norte para promover a modalidade com eventos.
O hockey feminino merece tanto destaque quanto o masculino. Um exemplo disso foi a participação das jogadoras no NHL All-Star Weekend tanto em 2019 quanto em 2020. No ano passado, Kendall Coyne Schofield, ganhou destaque ao ganhar de McDavid na disputa pelo patinador(a) mais rápido. Infelizmente, o prêmio ainda foi para o capitão do Oilers. Mas isso permitiu que uma discussão sobre as mulheres no esporte, sobretudo as jogadoras, e como elas devem ganhar mais destaque, relevância e, acima de tudo, respeito.
Neste ano, as jogadoras da seleção canadense e americana de hockey feminino deram um show no All-Star Weekend 2020 da NHL. Desde o combate 3-on-3 noWomen’s Eliteaté o desafio de habilidades junto com os jogadores da Liga, elas puderam mostrar que têm talento e que as mulheres também sabem arrasar no mundo do hockey. Infelizmente, a NHL é uma liga masculina, mas as mulheres não ficam de fora do hockey e têm a sua própria liga, a NWHL (National Women’s Hockey League).
O que é a NWHL
A National Women’s Hockey League foi criada (no formato atual) em março de 2015 e está em sua quinta temporada. Ela é a primeira liga a pagar salário para as jogadoras, e permitiu que em seguida viesse a criação da, hoje extinta, CWHL. Na época em que anunciaram o fim da Liga canadense a NWHL chegou a cogitar expandir para assumir os times da liga canadense, entretanto por falta de verba isso não foi possível. Dessa forma, hoje ela é composta exclusivamente por cinco times americanos.
Apesar de ainda estar em seu início, comparada à outras ligas de hockey, a NWHL já contou com grandes nomes do hockey feminino, como as medalhistas americanas Hilary Knight e Kendall Coyne Schofield. Nas primeiras quatro temporadas era possível ver muitas das jogadoras das seleções dos EUA e Canadá jogando pelos times da Liga. No entanto, após o anúncio do fim da CWHL no início de 2019, as jogadoras decidiram se unir e criar a PWHPA, assim se desligando da NWHL, em busca de melhores condições de trabalho para a modalidade feminina..
Assim como a NHL, a liga feminina possui seu próprio campeonato e até mesmo um All-Star Weekend. O campeonato, que se chama Isobel Cup, ganhou seu nome em homenagem a Lady Isobel Stanley, a filha de Lorde Stanley e uma das pioneiras no hockey feminino. O calendário também é similar ao de outras ligas com a temporada iniciando em outubro, porém como tem um número consideravelmente menor de times, os playoffs acontecem durante o mês de março.
Em seu ano de estreia, a NWHL realizou um draft para efetuar as primeiras contratações. Sendo assim, cada time escolheu cinco jogadoras universitárias além das jogadoras que foram avaliadas com base no seu desempenho nas olimpíadas e no IIHF. O New York Riveters (atualmente Metropolitan Riveters) conquistou o primeiro lugar no sorteio da loteria e selecionou a jogadora Alex Carpenter.
Buffalo Beauts
O time foi um dos primeiros a serem fundados para a NWHL. A equipe fica localizada na cidade de Amhherst, no estado de Nova York, e tem como casa a arena Northtown Center at Amherst, que dividem com outros times de outras ligas de hockey. Em dezembro de 2017 o time foi adquirido pelo Pegula Sports & Entertainment, proprietário do Buffalo Sabres. Desta forma, se tornou o primeiro time na história da NWHL a pertencer ao mesmo dono de uma equipe da NHL. Porém com os últimos acontecimento no cenário do hockey feminino a empresa optou por abrir mão dos Beauts, finalizando assim a parceria com o time da NHL. Em 2016 se tornaram o primeiro time a ter um jogador abertamente transgênero, o atacante Harrison Browne. Também em 2016, elas ganharam a sua primeira Isobel Cup.
Atualmente, o Buffalo Beauts conta com as atacantes Brooke Stacey, Emma Ruggiero, Iveta Klimasova, Kandice Sheriff, Maddie Norton, Cassidy MacPherson, Kim Brown, Becki Bowering, Corrine Buie, Erin Gehen e Taylor Accursi. As jogadoras Marie-Jo Pelletier, Lenka Curmova, Megan Delay, Ana Orzechowski, Nikki Kirchberger e Richelle Skarbowski atuam como defensoras. Enquanto as jogadoras Ashley Birdsall e Sara Bustad atuam tanto como atacantes como defensoras. As goleira são Kelsey Neumann, Tiffany Hsu e Mariah Fujumagari.
Boston Pride
Foi uma das quatro equipes que foram criadas juntos com a Liga. O time fica localizado na cidade de Boston, em Massachusetts, e é afiliado ao Boston Bruins, com quem divide o centro de treinamento, a Warrior Ice Arena. Com a sua primeira escolha do draft e terceira escolha geral o time selecionou a jogadora Kendall Coyne Schofield, porém a mesma optou por não assinar com eles.
Na temporada de estreia da Liga, os Prides foram os primeiros campeões da Isobel Cup. Ele também é o time que marcou o primeiro hat-trick na história da NWHL. A jogadora Brianna Decker realizou o feito numa vitória de 5 a 3 contra o Buffalo Beauts. A equipe de Boston também foi a primeira a sediar um jogo ao ar livre na modalidade feminina, o 2016 Outdoor Women’s Classic presented by Scotiabankque terminou em empate de 1 a 1 contra o Les Canadiennes de Montreal da CWHL. Infelizmente nem só de boas histórias vive o hockey feminino. Durante o 2016 Outdoor, a jogadora Denna Laing sofreu uma lesão onde perdeu o movimento das pernas e limitou o movimento dos braços, dando fim a sua carreira.
Na época, como uma forma de apoio, o Boston Pride arrecadou fundos para a Denna Laing Foundation, além de levarem a taça da Isobel Cup para ela no hospital. Por fim, a jogadora ganhou o NWHL’s Foundation Awarde o Perseverance Award. O time recentemente entrou para a história da NWHL novamente, desta vez com a jogadora Jillian Dempsey. A forward marcou seu 100º ponto, sendo a primeira da Liga a atingir a marca. Atualmente tem como defensoras Lauren Kelly, Lexi Bender, Jenna Rheault, Kaleigh Fratkin, Briana Mastel e Mallory Souliotis. Como atacante as jogadoras Jordan Juron, Mary Parker Alyssa Wohlfeiler, Tori Sullivan, Emily Fluke, Jillian Dempsey, Lexie Laing, McKenna Brand, Marisa Raspa, Christina Putigna e Carlee Toews. Enquanto as jogadoras Victoria Hanson e Lovisa Selander atuam como goleiras e a jogadora Whitney Renn como atacante e defesa.
Connecticut Whale
O time tem seu nome em homenagem ao Hartford Whalers. O Hartford Whalers era um time que fez parte da WHA (World Hockey Association) e posteriormente da NHL. Hoje realocado passou a ser chamado de Carolina Hurricanes. O Connecticut Whale foi o primeiro time a assinar com uma jogadora canadense, a defensora Kaleigh Fratkin, ainda em seu início. Em sua estreia no gelo, a equipe contou com um gol da capitã Jessica Koizumi, que assim entrou para a história como o primeiro gol marcado na Liga. Nessa mesma partida elas ganharam por 4 a 1 contra o New York Riveters.
A equipe tem como base a cidade de Danbury em Connecticut, no entanto já chamou de casa Stamford e Northford. Para a temporada de 2018-19 a jogadora ativa Cydney Roesler foi nomeada treinadora assistente, assim se tornando a primeira jogadora e treinadora da história do time. Para temporada atual, 2019-20, o time convocou o ex-NHLer Colton Orr para assumir como treinador principal.
Atualmente o time conta com as jogadoras Brooke Wolejko, Sonjia Shelly e Cassandra Goyette como goleiras. As jogadoras Grace Klienbach, Allie Lacombe, Sarah Hughson, Sarah Schwenzfeier, Janine Weber, Elena Gualtieri, Katelyn, Russ, Emma Vlasic, Alexa Aramburu, Kaycie Anderson, Jane Morrisette, Haley Payne, Kayla Meneghin e Madie Evangelous como atacantes. E na defesa as jogadoras Taylor Marchin, Shannon Doyle, Erin Hall, Elena Orlando, Lauren Hill e Jordan Brickner. Além das jogadoras Hanna Beattie e Brinna Dochniak que atuam tanto na defesa como no ataque.
Metropolitan Riveters
O time tem a sua sede situada em Monmouth Junction, New Jersey. Inicialmente era chamado de New York Riveters, porém teve seu nome alterado quando foi realocado para New Jersey e se afiliou ao New Jersey Devils, em 2016. Ao iniciar a parceria o time da NHL, além de trocar de nome, também adotou as cores dos Devils. No entanto quando a mesma chegou ao fim em 2019, a equipe retornou às suas cores originais (branco, vermelho e azul).
Além de ter tido direito a primeira escolha no draft 2015, a franquia também foi a primeira na história da Liga a assinar um contrato. A felizarda foi a atacante Janine Weber. Durante sua primeira temporada o time entrou para a história da NWHL ao ganhar sua primeira partida, contra o Boston Pride. Isso aconteceu porque o time tinha uma goleira que era natural do Japão, Nana Fujimoto. Ela entrou para a história como a primeira goleira japonesa a ganhar uma partida na NWHL.
No ano seguinte a equipe assinou um contrato de um ano com a free agent Amanda Kessel no valor de 26 mil dólares. Ao assinar essa quantia, Amanda se tornou a jogadora mais bem paga da Liga. Atualmente os Riveters contam com as defensoras Cassie Dunne, Nicole Arnold, Leila Kilduff, Colleen Murphy, Rebecca Morse, Anna Keys, Ashley Johnston e Kiira Dosdall-Arena. Como goleiras as jogadoras Zoe Zisis, Dana Demartino e Sam Walther. Além das atacantes Bulbul Kartanbay, Kate Leary, Haley Frade, Kelly Nash, Brooke Avery, Tatiana Shatalova, Jayne Lewis, Madison Packer, Cailey Hutchison, Kendall Cornine, Nichelle Simon e Brooke Baker. A jogadora Mallory Rushton atua tanto como atacante como defensora.
Minnesota Whitecaps
O time, que existe desde 2004, foi fazer a sua estreia oficial na NWHL somente em 2018. Eles, que hoje dividem seu lar com o Minnesota Wild, são um dos poucos times que ainda possuem afiliação com um time da NHL. Também são os atuais campeões da Isobel Cup, tendo levado o troféu em sua temporada de estreia.
Devido ao seu tempo de atividade a equipe possui uma história mais extensa. Já fez parte da extinta Western Women’s Hockey League (WWHL) durante seu tempo de atividade de 2004 a 2011. Após isso a equipe atuou de forma independente jogando contra a NWHL, CWHL e faculdades femininas.
Os Whitecaps também são o único time que já conquistou a Clarkson Cup em 2010 e a Isobel Cup, os dois principais prêmios do hockey feminino na América do Norte. Em fevereiro de 2018, pouco antes de ingressar na Liga, a equipe teve as suas jogadoras Kate Schipper e Sadie Lundquist convidadas a participar do NWHL All-Star, que foi realizado em Saint Paul, Minnesota. Posteriormente, ao entrar para a NWHL o time entrou para a história da Liga como a primeira franquia a obter lucro vendendo ingressos para os jogos.
Hoje ele conta com as atacantes Jonna Curtis, Allie Thunstrom, Brooke White-Lancetti, Lisa Martinson, Meaghan Pezon, Stephanie Anderson, Meghan Lorence, Audra Richards, Kalli Funk, Nina Rodgers, Lauren Barnes, Nicole Schammel, Sam Donovan e Haylea Schmid. Na defesa as jogadoras Chelsey Brodt Rosenthal, Winny Brodt Brown, Sydney Baldwin, Emma Stauber, Amanda Boulier e Rose Alleva. Além da jogadora Kelsey Cline que atua nas posições de defesa e ataque, enquanto as jogadoras Amanda Leveille e Allie Morse atuam no gol.
Playoffs
Os playoffs desta temporada já chegaram. Hoje já acontecem as semifinais, e o próximo jogo já será a final. É uma etapa muito imprevisível já que são jogos únicos e eliminatórios. As Beauts e os Whales brigaram pela vaga na semifinal no último dia 6, com os Whales conquistando uma vitória por 5 a 3 e garantindo a sua vaga. Eles irão disputar a próxima partida contra o líder da tabela, os Prides.
A equipe de Boston lidera a Liga com 46 pontos e 23 vitórias. Os Whitecaps vem logo em seguida com 36 pontos e 17 vitórias. O time de Minnesota irá disputar contra as Riveters, que estão em terceiro lugar na tabela com 23 pontos e 10 vitórias. Nos resta agora acompanhar para descobrirmos quem leva a Isobel Cup deste ano.