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  • Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    O mundo do hockey está bem atento com as acusações e repercussão do caso de Kyle Beach divulgado na última semana. Na sexta-feira (29) a TSN soltou uma notícia na qual Kyle afirma que o diretor executivo da NHLPA, Don Fehr, não alertou a USA Hockey, órgão nacional responsável pelo esporte, sobre as acusações contra Brad Aldrich.

    Em 2011, durante o Campeonato Mundial Feminino Sub-18, o agente Ross Gurney afirmou que contatou Fehr com uma acusação séria contra o ex-técnico de vídeo do Chicago Blackhawks, Brad Aldrich. Gurney informou que seu cliente Kyle Beach fora abusado sexualmente por Aldrich. Assim, ele esperava que a USA Hockey fosse alertada sobre a ocorrência deste ato violento. 

    “Meu objetivo ao ligar para a PA foi de alertar a USA Hockey”, disse Gurney. “Isso é o que eu fui orientado a fazer pelo Kyle.”

    Com a chance dessa história estourar na mídia, Beach foi encaminhado para o psicólogo e administrador do Programa de Assistência ao Jogador da NHL/NHLPA, Dr. Brian Shaw. Ele teria saído da consulta garantido de que a USA Hockey saberia que Aldrich é um predador sexual, afinal ele trabalhou na equipe dos EUA durante o Campeonato Sub-18 de 2011. O certo, pelo menos, era investigar as acusações de cunho tão sério.

    Aparentemente essa “promessa” de alertar a equipe americana foi somente uma forma de abafar o caso e calar Kyle. Após este ocorrido, o jogador não recebeu mais suporte nenhum da NHLPA. Kyle fez questão de frisar que, se Don Fehr e o Dr. Shaw tivessem feito “o que deveriam fazer, então aquele adolescente de Michigan provavelmente não seria abusado sexualmente”.

    Para quem não sabe, Aldrich foi autorizado a se demitir dos Blackhawks no verão de 2010, e ele passou a ser técnico de Hockey em Houghton, Michigan. Em 2013, ele foi condenado por agredir sexualmente um jogador de 16 anos de seu time e condenado a nove meses de prisão (isso mesmo caro leitor, somente nove meses de prisão) e 60 meses de liberdade condicional.

    Ainda falando sobre a responsabilidade do D.E. Don Fehr, Gurney lembrou em sua entrevista que Fehr respondeu que “conhecia pessoas no USA Hockey, que a NHLPA investigaria a situação e que a NHLPA poderia oferecer todo suporte necessário.”

    Com o assunto explodindo na mídia na quarta-feira passada (27), Dom soltou um comunicado onde afirma que mandou Kyle Beach para o Dr. Shaw em 2010 e que o sistema falhou em dar suporte e apoiar Beach em seu momento vulnerável e de necessidade. Ainda afirmou que como o jogador comunicou o ocorrido a um dos médicos da NHLPA, e mesmo sendo um programa confidencial entre jogador e médico, uma atitude por parte da entidade NHLPA deveria ter existido, mostrando assim que fracassaram em tentar resolver esta situação.

    Esta declaração só expôs como um assunto sério foi deixado de lado em meio a um esporte que já é considerado extremamente machista. Agora que a NHLPA acordou em meio a estas acusações, esperamos que atitudes sejam tomadas e que a Liga desenvolva programas que realmente possam ajudar todas estas vítimas que passam por situações parecidas e ainda não conseguiram fazer com que suas vozes fossem ouvidas.

     

    Ontem (01) no fim do dia a NHLPA soltou uma nota na qual Don Fehr recomendou uma investigação independente. Esta, segundo a nota, seria iniciada por um advogado externo para revisar a resposta da NHLPA ao caso de Beach.

    Para finalizar, depois de contar sua história em rede nacional na semana passada, Kyle pediu para que Don Fehr fosse demitido de seu cargo na NHLPA.

    Nas palavras de Beach, “não sei como ele pôde estar no comando se é isso que ele vai fazer quando um jogador vier até você e lhe contar algo, seja abuso, seja drogas, seja qualquer coisa. Ele deveria proteger os jogadores e eu sei que ele não me protegeu”.

     

    Foto: Reprodução/mystateline.com

  • Kyle Beach e a negligência da NHL

    Kyle Beach e a negligência da NHL

    Alerta: Este texto contém conteúdo sensível sobre abuso sexual. O NHeLas considera parte da sua responsabilidade jornalística trazer para nossos leitores, em português, o relato de Kyle Beach e o escândalo de abuso sexual envolvendo o Chicago Blackhawks.

    Na última quarta-feira (27), o atleta sobrevivente do escândalo de abuso sexual no Chicago Blackhawks em 2010, até então identificado como John Doe no processo contra seu ex-time, revelou sua identidade. Kyle Beach teve no programa da TSN (Canadá), SportsCentre, espaço para falar sobre o caso publicamente pela primeira vez em onze anos.

    Em maio deste ano, o jogador entrou com um processo contra o Blackhawks alegando que ele e mais um ex-membro do elenco do vencedor da Stanley Cup de 2010 haviam sido abusados sexualmente por Brad Aldrich, então técnico de vídeo da equipe.  

    O ato contra Beach teria acontecido em San Jose, quando a equipe de Chicago viajou diretamente para a cidade após a vitória no segundo round sobre o Vancouver Canucks. O time teve quatro dias de folga antes do início da série seguinte.

    Segundo as conclusões da investigação, o jogador denunciou as ações de Aldrich para Paul Vincent, na época skills coach, pouco antes do início da Final da Conferência Oeste. Vincent levou o caso para o Presidente do time John McDonough, o GM Stan Bowman, o Vice-Presidente de Operções Al MacIsaac e o técnico de habilidades mentais James Gary. Vincent declarou publicamente em reportagens da TSN desde a abertura do processo que alertou os líderes do time na época que eles deveriam preencher uma denúncia junto à polícia de Chicago. A sugestão, no entanto, foi fortemente refutada. 

    Um segundo processo contra os Blackhawks, este por John Doe 2, acusa a organização de ter dado boas referências de Aldrich a futuros empregadores após sua demissão. Dentre essas organizações, uma equipe de ensino médio contratou Aldrich para trabalhar na equipe técnica. Em 2014, Aldrich cumpriu 9 meses de prisão por ter cometido crimes sexuais contra estudantes entre 16 e 18 anos. John Doe 2 estava entre suas vítimas. Hoje, ele está listado como um criminoso sexual registrado no estado de Michigan.

    A entrevista completa de Kyle Beach para a TSN pode ser lida em inglês. Alguns trechos e falas do jogador estarão presentes neste texto.

    Posicionamento oficial da NHL

    Após as atualizações sobre o caso, Gary Bettman, comissário da NHL, publicou uma declaração nas redes sociais da Liga. É a primeira vez que Bettman fala publicamente sobre o caso e, ainda assim, apenas endossou a decisão do Florida Panthers em desligar Joel Quenneville, técnico dos Blackhawks em 2010, após ficar claro seu envolvimento no caso.

    A tradução:

    “A National Hockey League concorda com a decisão desta noite por Joel Quenneville para renunciar às suas funções como treinador principal do Florida Panthers. Em seu antigo papel como treinador principal do Chicago Blackhawks, o Sr. Quenneville estava entre vários ex-membros da liderança sênior do grupo que lidou mal com a denúncia de assédio sexual em 2010 do ex-jogador Kyle Beach contra o então técnico de vídeo do clube, Brad Aldrich. E, após uma reunião com o Sr. Quenneville, que ocorreu nesta tarde em meu escritório, todas as partes concordaram que não era mais apropriado que ele continuasse a servir como treinador principal de Florida.

    “Eu admiro Kyle Beach por sua coragem em se apresentar, estou chocado que ele foi tão mal apoiado ao fazer sua afirmação inicial e então os 11 anos que se seguiram, e sinto muito por tudo o que ele suportou.

    “Agradecemos à organização dos Panthers por trabalhar conosco para garantir que um processo minucioso fosse seguido. Dado o resultado, não há necessidade de qualquer ação adicional por parte da NHL em relação ao Sr. Quenneville desta vez. No entanto, se ele desejar entrar novamente na Liga em alguma capacidade no futuro, exigirei uma reunião com ele com antecedência a fim de determinar as condições apropriadas sob as quais tais novos empregos possam ocorrer.”

    O trecho que mais chama atenção é o final. Apesar da declaração afirmar que os Panthers tomaram a decisão correta, no final Bettman deixa claro que a Liga não fechou as portas para Quenneville. Mais uma vez, levanta-se o questionamento de quem a NHL de fato quer proteger: seus jogadores, especialmente os mais jovens, ou nomes antigos que continuam, repetidamente, se envolvendo em polêmicas na Liga. 

    Mas esta não foi a única declaração publicada pela NHL. Outro nome envolvido no processo foi o de Kevin Cheveldayoff. Na época, o atual GM dos Jets era GM Assistente de Chicago e, apesar de ter estado presente na reunião sobre o caso de Beach em maio de 2010, a Liga entendeu que não era responsabilidade dele decidir qual seria a forma correta de lidar com a denúncia. 

    Assim, a NHL soltou na última sexta-feira (30) uma nota sobre Cheveldayoff, decidindo que, após as investigações, e uma conversa com Gary Bettman, o comissário entendeu que ele não fazia parte dos líderes e não cabia a ele a decisão.

    Abaixo, um trecho traduzido da nota oficial da NHL sobre Kevin Cheveldayoff.

    “Como está no relatório da Jenner & Block, a análise subsequente da Liga esta semana e a entrevista de hoje com Cheveldayoff deixam claro a participação de Cheveldayoff em 23 de maio de 2010, a reunião envolvendo líderes seniores da equipe de administração dos Blackhawks foi extremamente limitada em escopo e conteúdo. Na verdade, durante a investigação, a maioria dos participantes da reunião de 23 de maio não se lembrava inicialmente de que Cheveldayoff estava mesmo presente.

    “Como GM Assistente na época, Cheveldayoff, que se reportava diretamente a Stan Bowman, era o oficial do Clube com a classificação mais baixa na sala, e sua posição não incluía responsabilidades de supervisão sobre a equipe técnica do clube. Ele foi um dos últimos a ser incluído na reunião; ele descobriu sobre o  assunto pela primeira vez na presença de seu chefe (o então GM Stan Bowman), o chefe de seu chefe (então CEO John McDonough) e o treinador principal (Joel  Quenneville); quem era o superior direto de Brad Aldrich; ele tinha familiaridade limitada com o pessoal envolvido; e ele era essencialmente um observador do discussão de possíveis próximos passos, cuja discussão, aparentemente, terminou com Cheveldayoff acreditando que o assunto seria investigado.”

    Frente aos novos relatórios da Jenner & Block, contratada do próprio Chicago Blackhawks para conduzir uma investigação independente, também nesta semana, Stan Bowman renunciou à posição de GM em Chicago. Bowman declarou que sua decisão veio após entender que ele não deveria ser uma distração para o time. Em uma declaração publicada pelos Hawks, Bowman tira de si mesmo a responsabilidade por não ter dado a devida atenção para a denúncia, como podemos ler no trecho traduzido abaixo.

    “Onze anos atrás, quando atuava em meu primeiro ano como gerente geral, fui alertado sobre um possível comportamento inadequado de um treinador de vídeo que envolvia um jogador. Comuniquei prontamente o assunto ao então presidente e CEO, que se comprometeu a cuidar do assunto. Fiquei sabendo este ano que o comportamento impróprio envolvia uma grave denúncia de agressão sexual. Eu confiei na orientação de meu superior para que ele tomasse as medidas adequadas. Olhando para trás, agora sabendo que ele não lidou com o assunto prontamente, lamento presumir que ele o faria.”

    Na última quinta-feira (28), Rocky Wirtz, dono do Chicago Blackhawks, enviou uma carta ao Hockey Hall of Fame solicitando que o nome de Brad Aldrich fosse removido da Stanley Cup. No documento, Wirtz deixa implícito que a organização sabia das denúncias e que elas foram o motivo do desligamento do técnico ainda em 2010. Entretanto, Wirtz também assume a responsabilidade do clube não ter agido de forma correta na época.

    Por fim, a declaração oficial do Chicago Blackhawks em seu perfil no Twitter publicada na quarta-feira (27) se desculpa com Kyle Beach por não ter buscado as ações necessárias frente à denúncia, e anuncia que o clube está promovendo mudanças na organização, incluindo uma nova equipe frente executiva e de liderança.

    “Em primeiro lugar, gostaríamos de reconhecer e elogiar a coragem de Kyle Beach em se apresentar. Como uma organização, o Chicago Blackhawks reitera nossas mais profundas desculpas a ele pelo que ele passou e pela falha da organização em responder prontamente quando ele bravamente trouxe este assunto à luz em 2010. Era indesculpável para os então executivos da Organização Blackhawks para atrasar a tomada de medidas em relação à má conduta sexual relatada.

    “Nenhum jogo de playoff ou campeonato é mais importante do que proteger nossos jogadores e pessoal de comportamento predatório. Os Blackhawks implementaram inúmeras mudanças e melhorias dentro da organização, incluindo a contratação de uma nova equipe de liderança que está comprometida em vencer campeonatos ao mesmo tempo em que segue os mais altos padrões éticos, profissionais e atléticos.”

    Um apelo à NHL

    Na entrevista da última semana, Kyle Beach, que hoje joga na Alemanha, revelou-se John Doe do caso e concedeu declarações importantes e comoventes. Ele apelou mais uma vez para que a NHL não deixasse os responsáveis impunes. Ele também alertou da importância de denunciar casos de abusos sexuais e citou outros casos no esporte como o da equipe de ginástica dos EUA

    “É um grande passo para mim. No meu processo de recuperação, processar o que aconteceu e verdadeiramente lidar com os problemas que tenho em consequência disso. Por mim, eu queria seguir em frente e colocar meu nome, para ser sincero, já está exposto, os detalhes foram bem precisos no relatório e foi tudo descoberto, mas mais que isso, eu sou um sobrevivente e sei que não estou sozinho, e sei que não sou o único homem ou mulher e enterrei isso por onze anos e me destruiu de dentro para fora. E eu quero que todo mundo saiba que no mundo dos esportes e no mundo, você não está sozinho. Se isso aconteceu com você, você deve falar sobre. Porque tem um sistema de apoio. Como Sheldon Kennedy, US Gymnastics, USA Soccer. Tem um sistema de apoio e pessoas que estão com você e eu espero que todo esse processo possa fazer uma mudança sistemática para ter certeza que isso não aconteça de novo. Porque não me afetou apenas como um jovem adulto mas também afetou [outros atletas e] crianças porque não foi lidado da maneira correta.”

    Após deixar a NHL em 2010 sem que os Hawks divulgassem o motivo da sua saída, em julho de 2012, Brad Aldrich se candidatou para uma posição na Miami University, em Ohio. Quando perguntado do porque ter deixado a NHL, o técnico apenas disse que se sentia esgotado com o ritmo de trabalho da Liga. 

    Assim, Aldrich também deixou repentinamente sua posição na Miami University, em Ohio, em 2012, apenas quatro meses depois de ter entrado no programa. A universidade está investigando a passagem do técnico pela equipe. 

    Posteriormente, Brad Aldrich entrou para a equipe técnica de uma escola de ensino médio em Houghton, Michigan. Um indivíduo, identificado como John Doe 2 no segundo processo contra os Blackhawks, alegou que Aldrich teria abusado sexualmente dele em março de 2013, quando tinha apenas 16 anos. Em dezembro de 2013, na sua segunda passagem como voluntário pela equipe, Aldrich enfim se declarou culpado das acusações de conduta sexual criminosa com um adolescente. 

    Perguntado sobre o que diria para o garoto, Kyle Beach se emocionou. E no que talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis da entrevista, Beach pediu desculpas por não ter feito mais na época e deixou o convite para caso ele queira entrar em contato. 

    “Eu sinto muito. Lamento não ter feito mais, quando podia, para garantir que não acontecesse com ele. Para protegê-lo. Mas também queria agradecer a ele. Porque quando eu decidi, depois que um colega de equipe me perguntou sobre isso quando eu estava jogando no exterior, eu decidi pesquisar o nome de Brad Aldrich no Google e foi quando descobri sobre o indivíduo de Michigan, o time de Michigan. E por causa do que aconteceu com ele, isso me deu o poder e o senso de urgência para agir, para garantir que isso não acontecesse com mais ninguém. Então, sinto muito e obrigado. E espero que em algum momento no futuro, se ele estiver aberto a isso, eu adoraria conhecê-lo. Porque, infelizmente, compartilhamos algo em comum – [que] fará parte de nós pelo resto de nossas vidas.”

    É inclusiva para quem?

    Kyle também fez um apelo à NHL que foi impossível não lembrar do projeto de inclusão hockey is for everyone. Beach deixou claro em suas palavras a quem a Liga está de fato incluindo ao ignorar denúncias e protegendo nomes, quando empregos de grande patente continuam sendo designados às mesmas pessoas. 

    “A NHL é inclusiva, a NHL inclui todos e eles me decepcionaram e decepcionaram outros também. Mas eles continuaram tentando proteger o nome em cima da saúde e bem-estar das pessoas que colocam suas vidas todos os dias para fazer da NHL o que ela é. Eu espero que Garry Bettman leve isso à sério e ele faça as diligências, que converse não apenas com eles mas com Stan Bowman, John McDonough e todo mundo que tenha informações antes dele tomar sua decisão. Porque eu já me decepcionei, não iriam investigar por mim, então porque fariam agora?”

    Segundo diversos relatos, após os boatos se espalharem no vestiário em 2010, piadas de cunho homofóbico foram conferidas aos jogadores vítimas de Aldrich. Onze anos se passaram desde que o fato aconteceu, mas a cultura do esporte ainda resiste nos acordos de cavalheiros. Em obter resultados dos jogos apesar da saúde de seus atletas. As discussões acerca de saúde mental, inclusão, homofobia e racismo ainda estão presentes na Liga, mas talvez, seja hora dos times repensarem essas ações e da NHL começar, de fato, a punir aqueles envolvidos em episódios de assédio, preconceito etc.

    Entretanto, como pudemos ver das declarações sobre o caso da Liga e dos times em que membros envolvidos do caso de Kyle Beach ainda trabalham, o resultado no gelo segue sendo mais importante do que os atletas sobre ele.  Apesar do processo estar em andamento desde maio, apenas agora, em outubro, que os envolvidos foram afastados de seus cargos. Foi preciso uma investigação externa para que levassem as acusações a sério, revelando serem muito mais graves do que o escritório dos Hawks imaginava em 2010. 

    E, obviamente, fica a pergunta que vai assombrar a comunidade do hockey por alguns anos: Se as medidas corretas tivessem sido tomadas na época, teriam havido menos vítimas? 

    A cultura tóxica do esporte

    Não é a primeira vez que relatamos casos de abuso de poder de técnicos na NHL. Em novembro de 2019, acompanhamos as denúncias de injúria racial de Akim Aliu contra Bill Peters que levou a relato de abusos físicos do técnico a outros jogadores. Além dele, Mike Babcock foi demitido do Toronto Maple Leafs e em seguida, denúncias de abusos psicológicos contra Mitch Marner em temporadas anteriores vieram à tona. 

    É sabido que comportamentos de abusos de poder são frequentes no mundo do hockey. E, com receio de prejudicar suas carreiras, jogadores se calam. O tempo passa, técnicos seguem impunes, mudam para outros empregos e seguem tendo o mesmo comportamento. 

    O caso de Kyle Beach se torna ainda mais grave pela natureza do abuso. E, principalmente, porque ele não se calou. Ele buscou ajuda e foi ignorado por aqueles que ele foi ensinado a confiar. Pior do que isso, a equipe de líderes do Chicago Blackhawks falhou com vários outros garotos que conviveram com Aldrich. 

    Assim, o caso afeta não apenas um jogador, mas também jovens e adolescentes que posteriormente sofreram as consequências de Aldrich não ter recebido a punição necessária. Pelo contrário, em nome da vitória a qualquer custo, o técnico de vídeo seguiu com sua carreira e afetou a vida de ainda mais jovens. 

    Há um ditado que diz “antes tarde do que nunca”. Mas, neste caso, o “tarde” carrega um preço muito alto, com inumeráveis consequências que poderiam ter sido evitadas caso uma só pessoa tivesse feito a escolha certa. 

     .          .          .

    Escute o apelo de Kyle Beach de que a vítima não está sozinha. Caso você ou alguém que você conheça tenha passado por uma situação de abuso sexual, denuncie. Aqui estão alguns números e contatos para informar e auxiliar sobreviventes. 

    • A Fundação ABRINQ tem um canal disque denúncia com informações do procedimento correto para fazer a denúncia e quais números se deve ligar. 
    • A Página oficial do Mee Too Brasil, que trouxe para o país o movimento que começou no exterior para incentivar mulheres a denunciar abusos sexuais em ambientes de trabalho. 
    • A Unicef tem um aplicativo do Projeto Proteja Brasil, que facilita a busca por informações. 

    Disque 100. Denuncie. 

    Foto: Reprodução/cnn.com

  • Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    Canadiens volta a Seattle depois de 100 anos

    O Montreal Canadiens volta pela primeira vez em 102 anos para um jogo na cidade de Seattle. Da última vez que os Habs pisaram no Pacific Northwest americano, não era a covid que assolava o mundo, mas a gripe espanhola. Em 1919, apesar das orientações do departamento de saúde, as arquibancadas lotaram de pessoas usando máscaras para assistir à final da World Series. A decisão, no entanto, nunca teve desfecho.

    Estima-se que a gripe espanhol tenha matado pelo menos 50 milhões de pessoas de 1918 a 1919. A covid-19 registra hoje quase 5 milhões de mortes pelo mundo. 100 anos se passaram, muita coisa aconteceu na história da humanidade, do hockey e da NHL. Em 1918 a Liga tinha menos de um ano de existência e Montreal ainda iria conquistar seu glorioso legado no esporte. 

    Em 2021, mais de um ano após o mundo atingir o estágio de pandemia e com a vacinação em países como Estados Unidos e Canadá, chegando em 57% e 73% da população imunizada, respectivamente, a vida começa a retomar uma certa normalidade. A circulação de pessoas entre os dois países volta agora no mês de novembro, com novas regras sanitárias, obviamente. Além disso, as arenas de hockey voltaram a receber público nessa temporada, e assim como em 1919, máscaras serão obrigatórias.

    Diferentemente daquele ano, um dos times mais velhos da liga chega à “cidade esmeralda”, como Seattle é conhecida, para enfrentar a mais nova franquia da NHL. Há cem anos, o time da casa se chamava Metropolitans, o de hoje, Kraken. Na época, a Final da Stanley Cup estava empatada entre as duas equipes, mas o sexto e último jogo precisou ser cancelado quando a gripe atingiu ambos os times. 

    Por esse motivo, considerou-se Montreal e Seattle ambos campeões por empate. Mas infelizmente, alguns de seus jogadores não resistiram à doença. Seattle nunca mais chegou perto de uma Final, e alguns anos depois se despediu de seu time na Liga. Em 2021, o Seattle Kraken chegou ao gelo como o 32º time da NHL. Será que teremos Seattle contra Montreal em uma final da Stanley Cup em um futuro próximo? 

    Só assistindo essa temporada para saber. 

    Começando pela noite de terça-feira, 26, às 23:00, 102 anos depois, quando a cidade do estado de Washington volta a receber um dos original six e o rival dos Metropolitans daquela final. 

    Foto: Reprodução/MyNorthwest

  • O caos em torno de Evander Kane

    O caos em torno de Evander Kane

    A carreira de Evander Kane, muito embora bem sucedida no gelo, não é estranha às turbulências. Afinal, o jogador já teve problemas de relacionamento com seus companheiros de time no Winnipeg Jets, foi processado por crimes sexuais em Buffalo e depois teve o caso arquivado e também processado por supostamente não cumprir um acordo financeiro depois que uma ex-parceira supostamente interrompeu uma gravidez sob sua orientação. 

    O canadense já passou pelas equipes do Atlanta Thrashers (que o draftou), Winnipeg Jets, Buffalo Sabres e San Jose Sharks. Nessas equipes ele atingiu 769 partidas na NHL, com 264 gols e 242 assistências em 13 anos de carreira. Entretanto, 2021 trouxe mais confusões envolvendo o jogador, que resultaram em sua suspensão por 21 jogos.

    KANE DECLARA FALÊNCIA

    No início deste ano foi reportado pelo The Athletic que o jogador teria uma dívida de mais de 27 milhões de dólares. Além disso, seria polo passivo em pelo menos seis procedimentos jurídicos e administrativos diferentes envolvendo instituições financeiras. Por causa das dívidas, o atleta havia declarado falência na corte federal de San Jose. Segundo as informações apuradas, a fonte do endividamento incluía milhões em dívidas de jogo, indenizações processuais e despesas de sete dependentes. 

    AS ACUSAÇÕES FEITAS PELA ESPOSA DO JOGADOR

    Em julho, através de posts em suas redes sociais, a esposa do canadense, Anna, fez fortes alegações contra Kane. Primeiramente ela afirmou que ele a havia deixado com os dois filhos pequenos para tirar férias na Europa. De acordo com ela, a casa da família estava sendo tomada pelo banco neste período. Porém, foram as informações alegadas por Anna acerca do principal motivo do endividamento do jogador que mobilizaram a NHL. Segundo ela, seu marido apostava nos próprios jogos. Kane negou tais afirmações.

    Após uma investigação conduzida pela Liga em conjunto com o escritório Patterson Belknap Webb & Tyler LPP, as acusações de que Kane “entregava” jogos não tiveram evidências que apontassem que aquilo que foi dito fosse verdade. Entretanto, esta não foi a única das acusações, já que Anna Kane também acusou o marido de abusos sexuais e violência doméstica, requerendo uma medida protetiva na justiça para manter o jogador a determinada distância dela e de sua filha. 

    A VIOLAÇÃO DO PROTOCOLO DE COVID-19

    A mais recente confusão na qual Kane se envolveu fez com que ele fosse suspenso por 21 jogos na NHL. Muito embora a informação oficial declare que ele foi suspenso por violar os protocolos de COVID-19 da NHL e da NHLPA, a ESPN apurou que o motivo pode ter sido a apresentação de um certificado de vacina falso. O primeiro jogo para o qual Kane poderá estar disponível será a partida de 30 de novembro de 2021, contra o New Jersey Devils.

    E AGORA?

    Segundo uma reportagem da Forbes, o contrato do jogador não pode ser anulado pelo San Jose Sharks, mesmo com todas as questões extra-gelo. Isso porque não existiu uma quebra material do contrato dele, já que, em teoria, ele poderia continuar exercendo os serviços lá estabelecidos, no caso, jogar hockey. O uso de um cartão de vacinação falso tampouco permite que os Sharks terminem o contrato por conta da cláusula moral. Afinal, seria muito difícil ter esse argumento acatado por um juiz ou árbitro, muito embora mentir sobre seu status de vacinação seja objetivamente uma coisa errada. 

    Evander Kane está no quarto ano de um contrato que tem sete de duração, avaliado em 49 milhões de dólares, com uma cláusula modificada de não-troca. Devido a este item contratual, o jogador envia uma lista de três times para os quais ele poderá ser trocado. Com mais três anos de um valor anual de sete milhões de dólares, Kane não é uma moeda de troca fácil para os Sharks, e a cláusula que limita para quais times ele pode ser transferido diminui ainda mais as possibilidades de mercado para San Jose. Com a questão da vacinação e dos protocolos de COVID-19 em prática, a falta de conformidade com as regras sanitárias dificultam mais ainda a vida dos Sharks.

  • PHF anuncia nova política inclusiva

    PHF anuncia nova política inclusiva

    Na última sexta-feira (15), a PHF (Premier Hockey Federation) anunciou uma mudança em sua política para tornar a liga mais plural. Assim, a liga atualizou a sua política com vigência imediata a temporada 2021-22 para incluir atletas transgêneros e não-binários. Dessa forma, a PHF não mais é uma liga estritamente de hockey feminino.

    Contudo, a PHF não somente incluiu os gêneros, como também criou diretrizes para quaisquer atletas se sintam à vontade para fazer parte da liga. Por isso, a liga pretende tornar o ambiente o mais seguro possível para que todes aqueles que desejarem usem a identidade da qual se identificam. Para que isso fosse possível a PHF contou com a consultoria da ONG LGBTQIA+ de defesa atlética, Athlete Ally, e o triatleta transgênero Chris Mosier. 

    Além disso, Athlete Ally e Chris Mosier também estarão atuando em um treinamento virtual para aqueles que desejam aprender mais sobre a comunidade LGBTQIA+, sejam atletas ou colaboradores. Assim, eles incentivam que seja em suas redes mostrando apoio à causa, ou mesmo todes que trabalham dentro e fora do gelo, participem da iniciativa. Isso porque apenas estando aberto para ouvir, aprender e entender as necessidades e direitos de atletas não-binários e transgêneros que será possível conscientizar todos os envolvidos. 

    Entretanto, alguns pontos não foram bem vistos pelo público da liga. Como por exemplo o tempo que a pessoa deve estar em transição para o gênero no qual se identifica. A PHF impõe que o atleta esteja, no mínimo, há dois anos vivendo em sua nova identidade. Para atletas que se identificam não-binários e/ou transgêneros e não estão tomando testosterona, a liga impõe que o mesmo esteja vivendo sob a nova identidade por no mínimo dois anos. Para aqueles que se identificam como não-binários e/ou transgêneros e estão tomando testosterona, a liga irá analisar cada caso individualmente com a assistência de médicos. 

    Esse é um ponto bastante controverso já que, teoricamente, a pessoa não estaria jogando há pelo menos dois anos desde que não tinha nenhuma liga ou time pelo qual jogar. No mundo do esporte esse é um tempo muito longo para se estar parado. Principalmente quando sabemos as dificuldades que as minorias passam para estar praticando o esporte de maneira profissional. De qualquer forma, somente o tempo pode dizer se essas mudanças foram eficazes ou não. No fim, o que realmente importa é que o mundo do esporte enfim está avançando para um ambiente mais inclusivo e seguro.

    Para saber mais sobre a atualização da política, acesse aqui (em inglês). 

  • Seattle Kraken estreia oficialmente na NHL

    Seattle Kraken estreia oficialmente na NHL

    Na terça-feira (12) o Seattle Kraken jogou sua primeira partida na temporada regular da NHL contra o Vegas Golden Knights, em Las Vegas. O 32º time da Liga se juntou à Divisão Pacífica para a temporada 2021-22 e já chegou levantando opiniões.

    O jogo número um da equipe foi o segundo da noite de estreia da temporada de hockey, logo após a cerimônia em que o Tampa Bay Lightning hasteou a bandeira de vencedor da Stanley Cup, no jogo contra Pittsburgh Penguins. Como o Kraken ainda não inaugurou sua nova casa, vai jogar o primeiro mês da temporada no gelo dos adversários. A equipe também havia realizado algumas partidas na casa de seus parceiros da WHL, a liga júnior do noroeste pacífico dos EUA e Canadá. 

    Por isso, o primeiro jogo aconteceu na T-Mobile Arena, no estado de Nevada. Assim, como todo evento em Las Vegas, foi um show de luzes e entretenimento. Já no pré-jogo quem estava na arena pôde presenciar uma projeção instigante do monstro marinho sendo queimado pelo cavaleiro (knight) do deserto. Uma previsão do que aconteceria logo depois ou então somente confiança extra dos donos da casa. 

    O elenco

    A primeira equipe da história da franquia contou com o goleiro Philipp Grubauer, os atacantes Jordan Eberle, Ryan Donato, Brandon Tanev, Nathan Bastian, Jared McCann, Riley Sheahan, Jaden Scwartz, Alex Wennberg, Morgan Geekie, Joonas Donskoi e Marcus Johansson. Além dos defensores Haydn Fleury, Mark Giordano, Adam Larsson, Jamie Oleksiak, Vince Dunn e Jeremy Lauzon. 

    O jogo

    Logo no início do primeiro tempo, aos 3:10, Max Pacioretty fez o primeiro para Vegas. Menos de três minutos depois, Jonathan Marchessault marcou o segundo. Nesse início, tivemos um time estreante ainda confuso e assíncrono no gelo, errando passes e não conseguindo converter shots em gols.   

    https://twitter.com/goodstacegal/status/1448122069456199686?s=20

    No início do segundo tempo, aos 6:43, Max Pacioretty fez seu segundo da noite e marcou 3-0 para o time da casa. Mas na outra metade do período o monstro marinho finalmente saiu de sua caverna e começou a acertar na rede. Ryan Donato marcou o primeiro gol da história da franquia, e logo foi seguido por Jared McCann. Como em quase qualquer jogo da NHL, sempre é possível tudo mudar. O período terminou em 3-2 para os Golden Knights.

    No último tempo, os acontecimentos rolaram por volta dos 8 minutos iniciais. Morgan Geekie fez seu primeiro gol no novo time, empatando a partida em 3-3. Mas logo foi seguido por Chandler Stephenson, que aos 8:33 fez o gol da vitória para os donos da casa. Em um turnover mal realizado pelo time de expansão, Vegas conseguiu tomar posse do puck e finalizar o primeiro jogo do Kraken com uma vitória em cima dos novatos por 4-3, mesmo após a impressionante recuperação dos estreantes no segundo e início do terceiro períodos.

    Assim, dando a Vegas a “vantagem” de terem vencido seu jogo de estreia na liga, como último time de expansão antes de Seattle, o rookie vai carregar o peso de superar ou não a primeira temporada dos Knights.  

    Ainda tem muito por vir

    Mas esse foi só o primeiro de muitos jogos que Seattle ainda vai jogar nesta temporada, e no futuro. Pela primeira vez em quase dois anos, teremos uma temporada regular de 82 jogos por time, com direito a transmissão de todas as partidas pelo serviço de streaming da Disney Star+.

    Estamos animadas para ver o que esse sea monster ainda vai capturar em seu ano de estreia na liga, certamente assistiremos a todos os jogos para acompanhar de perto a libertação do Kraken. 

    https://twitter.com/mafepavanello/status/1448132997387931649

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • Arizona Coyotes anuncia reformulação completa na marca

    Arizona Coyotes anuncia reformulação completa na marca

    Na última segunda-feira (20), a equipe dos Coyotes anunciou uma reformulação completa da marca e transformação do plano de negócios com foco no compromisso do clube com o impacto ambiental e social, inclusão e inovação. Como parte desta reformulação, o clube mudará seu logotipo principal de volta para o coiote Kachina e irá introduzi-lo à camisa branca do uniforme para jogos fora de casa.

    Esta é a primeira vez desde 2003 que o Kachina será a logomarca principal da equipe. Para aumentar a empolgação, a equipe até mudou sua biografia no Twitter para: “Ouvimos dizer que vocês queriam o Kachina branco de volta.”

    https://twitter.com/ArizonaCoyotes/status/1439967648033304582

    A equipe adotou o Kachina em 1996, quando se mudou de Winnipeg. Ele representa o espírito ancestral dos povos Pueblo, e o logo era um dos favoritos dos fãs. Foi substituído na temporada 2003-04, quando a equipe passou a usar o vermelho como sua cor primária e uma cabeça de coiote uivando como logotipo na camisa. Esse uniforme agora se tornará uma alternativa, com os Coyotes usando-o oito vezes em casa na temporada 2021-22.

    A esperança é que o símbolo ajude o time a alcançar o torcedor atípico de hockey. Além disso, a organização visa unir a diversa comunidade do Arizona e cultivar uma nova base de fãs, segundo o presidente e CEO Xavier A. Gutierrez à ESPN.

    “É um motivo de orgulho. É algo que diz: posso não ser o que você pensa ser o fã de esportes tradicional, mas isso fala comigo. Eu posso me identificar nisso”, disse ele. “Em nossa pesquisa, descobrimos que o logotipo ressoa com pessoas que não são fãs radicais dos Coyotes ou fãs radicais de hockey. Isso inclui famílias e mulheres jovens. Inclui diversas comunidades, como comunidades latinas, afro-americanas e asiáticas.”

    “Estamos extremamente entusiasmados com o lançamento de nossa reformulação da marca, que está focada em nossa visão de nos tornarmos uma equipe vencedora a longo prazo no Arizona e em nossa dedicação ao impacto, inclusão e inovação”, disse Gutierrez. “Como sempre, ouvimos nossos fãs incrivelmente leais e apaixonados e ficamos maravilhados com seu amor pela marca Kachina e o desejo de trazer o logotipo e as camisetas de volta em tempo integral. Abraçar o Kachina foi uma decisão fácil para nós, e estamos muito orgulhosos de ter um dos melhores logotipos e uniformes de toda a NHL.”

    Ele ainda acrescentou que a “mudança de marca destacará que os Coyotes são uma organização dinâmica, enérgica e voltada para o futuro e esta campanha demonstra nosso compromisso em ser um líder em nossa comunidade. O Vale e todo o estado fazem parte de Nossa Matilha”.

    Nova casa para o Arizona Coyotes

    Com toda essa movimentação e mudança de imagem na equipe de Arizona, vale lembrar que no mês passado, a cidade de Glendale interrompeu as negociações sobre uma extensão de aluguel de vários anos na Gila River Arena e declarou que a temporada 2021-22 será a última da equipe no prédio.

    De repente, uma franquia que foi perseguida por especulações de realocação na última década estava enfrentando essas questões novamente.

    “É decepcionante. Estávamos buscando algo que fosse benéfico para a cidade, seus cidadãos e contribuintes”, disse Gutierrez. “Temos esperança de que talvez a cidade reconsidere. Não achamos que seja a decisão correta e continuamos muito abertos para ter essa conversa.”

     “Há vários meses exploramos novas opções de arena e acreditamos que existem opções aqui. Mas quero ser muito claro: estamos comprometidos com o Arizona. Queremos estar aqui.”

    Os Coyotes também esperam encontrar novos públicos que querem que eles continuem, e a reformulação da marca é uma tentativa agressiva de cultivá-los. Além das camisas Kachina, a equipe está planejando uma campanha de marketing abrangente na comunidade. Uma campanha para promover a mudança de marca dos Coyotes por meio de implementação de outdoors, publicidade na TV e no rádio, e campanhas digitais e em mídia impressa, serão veiculadas durante toda a temporada 2021-22.

    Por enquanto, essas são as novidades da equipe de Arizona. Quando a temporada terminar, poderemos ter uma história totalmente nova para esta franquia. Por conta dos sofridos fãs dos Coyotes, esperamos que o time não acabe deixando o estado do Arizona, especialmente agora que eles têm uma das marcas que mais está chamando atenção na NHL.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • PWHPA anuncia novidades para temporada 2021-22

    PWHPA anuncia novidades para temporada 2021-22

    A PWHPA tem se aproximado cada dia mais para a próxima temporada, ou no caso deles, a próxima tour. A associação vem anunciando diversas novidades para a sua próxima etapa, porém, ao mesmo tempo, conta com algumas baixas. 

    Com as Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim, cada vez mais próximas, a PWHPA sente os efeitos do evento. Dessa forma, a associação continua dando visibilidade a sua causa ao mesmo tempo em que as suas atletas brilham internacionalmente.

    Nova temporada, mais novidades

    A maioria das jogadoras faz parte das seleções de seus países e precisam estar se preparando para as Olimpíadas. Aquelas que não estiverem se ausentando de vez, estarão atuando como membros apoiantes da causa. Assim, a PWHPA busca novas jogadoras para ingressar na associação e fazer parte da nova Dream Gap Tour. 

    No entanto, as novidades não param por aí. A cidade de Boston chega para completar a Tour, substituindo o time de New Hampshire, ao lado do Time Adidas (Minnesota), Time Sonnet (Toronto), Time Scotiabank (Calgary) e Montreal retornando para a nova temporada.

    A cidade de Boston ficará agora conhecida como o novo Time Bauer. Enquanto isso, a cidade de Montreal, que antes era o Time Bauer, passa a assumir o nome de Time Harvey’s. A nova patrocinadora da Secret Dream Gap Tour, Harvey’s, é uma rede canadense de restaurantes que já tinha marcado presença no showcase de Calgary na edição de 2021.

    Secret Dream Gap Tour 2021-22

    Outra novidade anunciada pela PWHPA foi o primeiro showcase da temporada. O evento irá acontecer na cidade de Truro, Nova Escócia, no Canadá. Está marcado para os dias 12 e 13 de novembro na arena Rath Eastlink Community Centre, entrando para a história como o primeiro jogo de hockey feminino profissional no Canadá Atlântico. 

    Assim como no formato anterior, os times Bauer, Sonnet, Scotiabank e Harvey’s se enfrentarão no dia 12. A competição acontece com um jogo para cada equipe, além de uma final no sábado (13). Além dos jogos, estão na programação eventos como palestras e clínicas de habilidades com as jogadoras e organizações locais do hockey feminino. 

    O evento também marcará a primeira vez que um time dos EUA participa de uma showcase em solo canadense desde o início da pandemia. Para mais informações acesse o site oficial da PWHPA aqui.

    Foto: Reprodução / nhl.com

  • NHL divulga datas para mais eventos de 2022

    NHL divulga datas para mais eventos de 2022

    Após duas temporadas turbulentas devido à pandemia de COVID-19, a NHL enfim está conseguindo voltar ao seu cronograma habitual. A liga anunciou nesta semana as datas para dois dos seus eventos regulares: o Heritage Classic referente à temporada regular 2021-22 e o NHL Draft de 2022. 

    Em sua sexta edição desde 2003, o Heritage Classic será sediado pelo Toronto Maple Leafs na cidade de Hamilton, Ontário, e virá com uma pequena novidade. Como especulado, o evento que anteriormente era disputado exclusivamente por equipes canadenses, neste ano receberá o seu primeiro time dos EUA, o Buffalo Sabres. Assim, nomeado oficialmente 2022 Tim Hortons NHL Heritage Classic, o evento acontece no dia 13 de março do próximo ano, no estádio Tim Hortons Field.

    O Heritage Classic faz parte dos eventos outdoor promovidos pela NHL, em que times disputam jogos ao ar livre. Essa será a primeira edição desde 2019, quando o Winnipeg Jets venceu por 2 a 0 a partida contra o Calgary Flames

    Outro evento anunciado pela NHL e, desta vez, voltando ao seu formato original, foi o NHL Draft de 2022. A liga anunciou que a cidade de Montreal receberá o evento, como aconteceria originalmente em 2020. Isso porque, devido à pandemia, as edições de 2020 e 2021 aconteceram de maneira remota. 

    O evento acontecerá no Bell Centre, casa do Montreal Canadiens, nos dias 7 e 8 de julho de 2022. Será a primeira vez que os Habs sediarão o evento desde 2009, e a 27º vez na história. Como de costume, o primeiro dia terá cobertura televisiva e acontecerá somente o primeiro round, já as rodadas restantes acontecerão no decorrer do dia 8.

    Foto: Reprodução / cbc.ca

  • Columbus demite treinador assistente Sylvain Lefebvre

    Columbus demite treinador assistente Sylvain Lefebvre

    O Columbus Blue Jackets anunciou nesta segunda-feira (13) a demissão do então treinador assistente, Sylvain Lefebvre, depois dele se recusar a seguir os protocolos de COVID-19 da NHL e optar por não ser vacinado. A menos de duas semanas para o começo do training camp, Steve McCarthy assume o posto. 

    O General Manager dos Blue Jackets, Jarmo Kekäläinen, falou ao The Athletic que tomou a decisão foi tomada pois o time precisa de um treinador presente, no entanto, “se você não está vacinado, é proibido chegar a 12 pés (aproximadamente 3,6 metros) de distância dos jogadores”. Diferentemente da equipe técnica, os jogadores não são obrigados a se vacinar mas sofrerão descontos na folha de pagamento caso não possam jogar em determinadas partidas devido a leis locais de segurança sanitária. 

    O novo treinador assistente, Steve McCarthy, esteve ocupando o mesmo posto nas últimas 5 temporadas para o do afiliado de Columbus na AHL, o Cleveland Monsters. McCarty jogou profissionalmente por 16 temporadas, e passou pelo Vancouver Canucks, Chicago Blackhawks e Atlanta Thrashers (agora Winnipeg Jets). 

    O atual treinador principal do Columbus, Brad Larsen, jogou com McCarthy em Atlanta. Larsen compartilhou em nota oficial que “Steve fez um ótimo trabalho com nossa jovem defesa em Cleveland nos últimos cinco anos e está pronto para essa oportunidade”.

    Foto: Reprodução/1st Ohio Battery