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  • Saudade do que não vivemos

    Saudade do que não vivemos

    Maio de dois mil e vinte. Eu deveria estar surtando, tentando cobrir todos os jogos dos playoffs. Uma escala louca misturada com a tensão de ver meu time avançando fase por fase. A aposta que faço todo ano com minhas amigas e os planos que eu já tinha feito quando vencesse o bracket, acertando a final entre Vegas Golden Knights e Philadelphia Flyers. 

    Talvez eu devesse ter sido menos ousada nesse palpite que fiz em meados de dezembro, quando ainda achávamos que 2020 seria “o nosso ano”. Ou talvez devêssemos culpar os Blues. Depois daquela Stanley Cup o mundo nunca mais foi o mesmo. 

    A verdade é que todo e qualquer planejamento que fizemos não existe mais. O mundo é outro e precisamos rever nossa forma de trabalhar, criar e viver.

    Mitch Marner deu uma entrevista para o The Score falando sobre a possível impovável volta da NHL e gostei do quanto ele foi sensato: “ se for para voltar, estarei pronto. Mas e se alguém adoecer? E se alguém morrer?”

    Confesso que estou me perguntando a mesma coisa todos os dias, Marner.

    Por mais que seja difícil ficar sem hockey, e que o tempo pareça não passar quando não temos nenhuma outra forma de nos distrair que não seja livros e Netflix, a hora é de ficar em paz. (Ou melhor, eu espero que vocês estejam se distraindo, porque além de não assistir a um jogo de hockey que não seja de 1980, eu também estou com saudades da Netflix. Mas isso é tema para outro texto).

    Por causa disso, resolvi escrever esse texto, totalmente opinativo e baseado apenas nas vozes da minha cabeça, com alguns palpites do que poderiam ter sido esse playoffs.

    (Se você está aqui procurando especulações reais e um possível bracket, veio ao lugar errado. Aqui, irei brevemente falar de alguns times improváveis e fatos interessantes que poderiam – ou não – acontecer. Mas prometo não insistir na minha final maravilhosa que seria Vegas x Flyers – e se de fato a temporada NHL for cancelada, podemos concordar que essa foi a Stanley Cup Final de 2020 e ninguém lembra que os Blues existem. Combinado?)

    Primeiro Round

    Chegamos aqui nos perguntando: como é mesmo um jogo de hockey? Saudades do barulho dos patins no gelo, de acordar de madrugada assustada com a chamada “HOCKEY FANS GEAR UP” na NHL.tv durante um Canucks x Sharks às 2 da manhã, e de “tretar” no twitter porque algum jogador que eu gosto se envolveu em uma briga com um “famosinho”. 

    Aliás, no primeiro round nós com certeza iríamos nos envolver em briga. Ainda tem muito time jogando, alguns jogadores já nervosinhos e o sonho pelo Jogo 7 – e manter nossas apostas vivas – permanece. 

    Será que Toronto sairia na primeira rodada de novo? Se é que eles chegariam aos playoffs esse ano, não é? (Perdão, torcedores dos Leafs, nada contra o time de vocês, mas como dizia aquele ditado brasileiro bem antigo: the zoeira never ends).

    Ao invés de ficar pensando no “e se”, venho aqui sugerir algumas atividades para tomar o lugar do Primeiro Round dos playoffs: contar quantos ladrilhos tem na parede do seu banheiro (confesso que nunca contei o meu, mas por algum motivo que nunca entendi, lá tem uma letra T no meio dos ladrilhos coloridos randomizados); talvez seja interessante arrumar um pet, ou, se você tem um pet, tirar um tempo do seu dia para ficar com ele. Animais são ótimas companhias para o tédio, até porque eles raramente nos deixam no tédio.

    (Meu cachorro, por exemplo, inventou agora de bater panela às 2 da manhã. Alguém claramente esqueceu de passar para ele os horários do panelaço.)

    A verdade é: estamos com saudade daquela emoção dos playoffs, de que ainda não é possível prever o que vai acontecer nos jogos seguintes. Um pouco parecido com como estamos agora. 

    Segundo Round

    Nessa etapa, eu já estaria surtando. Como cobrir tantos jogos pelo amor de Deus? Já nem saberia mais se era Jogo 4 ou Jogo 5, cada confronto com uma história diferente, torcendo para o seu time ganhar logo os primeiros quatro jogos e ir descansado para a Final de Conferência.

    Mas ao mesmo tempo, a tensão pela possibilidade deles descansarem demais e não terem o mesmo desempenho que fizeram até ali (Canes eu ainda estou triste). 

    Chegando aqui, já saberíamos qual (ou quem) seria a “zoeira” dos Playoffs 2020, os jogadores que estariam se destacando e até mesmo aqueles que estreariam na pós-temporada.

    Não sei vocês, mas depois de um ano de novatos a meu ver tão “pobre”, em que o Calder está mais do que decidido entre Quinn Hughes e Cale Makar, eu poderia assistir a novos talentos se destacando. Ou até mesmo a algum jogador veterano batendo outro recorde. Nesse ponto, qualquer coisa que envolva hockey eu já estaria feliz. 

    Em vez disso, a gente está se estressando com essa máscara de insira aqui o material de sua escolha, que vamos falar a verdade: impossível respirar direito com esse troço. Se você é que nem eu e tem um tipo de alergia, começa a espirrar e todo mundo em volta acha que é o bonito do vírus e a gente tem que ficar: “não se preocupa, é insira aqui sua ite”.

    Ainda assim, eu queria uma máscara com a cara do Gritty, ou até mesmo uma com o logo do meu time. Infelizmente não temos isso por aqui, mas usar a máscara é o mais importante nesse momento, viu galera?

    Terceiro round – AKA Finais de Conferência

    Com apenas quatro times na disputa, é a hora de começar as apostas de verdade. Seu bracket ou está inteiro, ou já foi ladeira abaixo por uma zebra que NINGUÉM pensou que aconteceria. Mas, independentemente disso, é a hora das apostas. Ou, se seu time ainda está na disputa, é a hora das promessas.

    Quem aqui não prometeu ficar sem chocolate se o time ganhasse? Ou até mesmo disputou com um amigo que vestiria a jersey do rival em um cenário que você tinha certeza que não iria acontecer. 

    A verdade é: nas Finais de Conferência só existem dois tipos de torcedores: aquele totalmente sem unhas de tanto passar nervoso rezando para seu time vencer, e aquele que está aqui apenas para ver o circo pegar fogo.

    Todo mundo quer um Jogo 7 com duplo OT e um gol apenas nos últimos segundos. Já não importa mais a hora que você está dormindo, porque o importante é não perder nenhum tiro a gol.

    Infelizmente os tweets do seu time não servem como atestado para faltar ao trabalho/escola. Mas tudo bem, playoffs só tem uma vez no ano, não é mesmo?

    Porém, sem a Final de Conferência, sem escola para ir no dia seguinte e trabalhando de casa, dormir também não está sendo uma opção. Então aqui vão algumas tarefas que você pode fazer às 2 da manhã, sem sono e entediado: começar a ler uma série com no mínimo 17 livros; aprender sobre planejamento e tentar criar uma rotina que você sabe que vai dar errado na primeira semana; assistir a mais de 500 TikToks e dormir com o celular jogado na cama e “I’m Just a Kid” na cabeça.

    Se você gosta de ser produtivo, por outro lado, é a hora de tirar da gaveta aquele projeto que você sempre quis fazer mas tinha outras prioridades. Ou melhor, no seu horário habitual ainda tem trabalho e outros compromissos, mas às 2 da manhã é um bom horário para começar a escrever um livro ou talvez fazer um roteiro para um podcast. 

    Stanley Cup Final

    Vamos ser sinceros, se você chegou até aqui, deve estar extremamente entediado ou então, como eu, resolveu tirar um tempo das obrigações que parecem se acumular mais ainda agora que “rotina” é apenas um conceito abstrato. 

    Nesse ponto dos playoffs, as apostas estão em nível máximo. Apenas dois times restam na disputa, e a chance de seu time estar entre eles já é bem menor. Bom, eu falei que não iria usar o meu palpite aqui, mas como ainda acho que uma final Vegas x Flyers seria sensacional, vou usar esses dois times como modelo.

    Nesse momento, você pode ser anti-Flyers, mas não exatamente pró-Vegas, ou ainda torcer para Philadelphia e ter simpatia pelo “caçula” da NHL. Eu confesso que seria a pessoa que só quer um Jogo 7 porque ainda não está pronta para dizer adeus ao hockey até outubro.

    (Nesse momento as lágrimas escorrem ao pensar que estamos sem hockey desde março). 

    O vencedor para nós aqui não importa muito, apenas queremos curtir os últimos segundo possíveis e, se ganharmos algum dinheiro (ou o que quer que seja a sua aposta – eu já apostei até fanfic), melhor ainda. 

    Mas, infelizmente, não temos a Stanley Cup para apostar. Então, o que podemos fazer com essa saudade de hockey que não vai embora?

    Podemos maratonar os vídeos do canal do NHeLas e colocar em dia aquele vídeo de fevereiro que você ainda não teve tempo de terminar de assistir.

    (Aí você aproveita e já manda o link do canal para o amigo que te prometeu que esse ano começava a ver hockey mas que, sem playoffs, está se contentando apenas com a volta da Bundesliga).

    Outra opção é ir ao nosso Twitter e votar do Big NHeLas Brasil, já que até sem reality show estamos agora.

    Também podemos procurar algum livro de estatística ou história do hockey. Não é porque não temos novidade, que não podemos consumir o esporte. Eu estou lendo The Boys of Winter do Wayne Coffey e recomendo.

    Se você é daqueles que gostam de videogame, sempre é possível organizar um campeonato de NHL20. Ou até mesmo chamar os amigos no Skype e jogar Gartic com tema de hockey. Boa sorte para vocês que vão tentar adivinhar que aquele traço oval esquisito que seu amigo vai desenhar na verdade é um puck.

    Enfim, sabemos que a quarentena não está sendo fácil para ninguém. A NHL não confirmar se irá ou não cancelar está deixando todo mundo, incluindo os jogadores, aflitos.

    O melhor que podemos fazer é ter paciência. Em breve tudo isso vai passar e nosso esporte estará de volta. Enquanto isso, já vamos pensando no que vocês contarão para seus filhos quando eles perguntarem porque não existe campeão da Stanley Cup de 2020. Eu vou dizer que os Blues roubaram a taça e, como não devolveram, tiveram que cancelar o hockey naquele ano. 

    Foto: Reprodução https://se.stageright.com/project-gallery/t-mobile-arena/

  • A venda dos Yotes

    A venda dos Yotes

    O ano de 2019 foi bem movimentado para o Arizona Coyotes, desde a compra da equipe pelo primeiro proprietário hispânico da NHL, Alex Meruelo a trades como a do jogador Taylor Hall e Phill Kessel. O time do Arizona tem dado duro para conseguir voltar aos trilhos e participar da corrida para a tão sonhada Stanley Cup. No entanto essa não foi a primeira vez que o time precisou fazer grandes mudanças para se reerguer. Eles ainda não imaginavam, mas em 2008 a equipe começou a passar por problemas financeiros chegando inclusive a declarar falência e precisando que a NHL interferisse no curso do time. Infelizmente as coisas não se resolveram de maneira rápida. Da falência a venda e, posteriormente, mudança no nome, o time teve alguns anos conturbados até a conclusão da venda em 2013.

    Como tudo começou

    Tudo começou com boatos. O até então Phoenix Coyotes se viu nos holofotes quando os boatos de que o time estava com problemas financeiros começaram a surgir ainda em dezembro de 2008. A equipe, que ficava localizada em Glendale desde de 2003, estava com muitas dívidas e não tinha como arcar com elas. Com isso, a NHL precisou assumir esses débitos, fazendo com que o comissário da Liga, Gary Bettman, e o vice-presidente, Bill Daly, assumissem as rédeas e minimizassem os boatos. Entretanto o que ninguém sabia é que Jerry Moyes, o até então proprietário da equipe, já havia passado o controle operacional para a Liga. 

    Bettman e Daly - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / thehockeynews.com 

    Em maio de 2009 Moyes se viu obrigado a declarar falência e tentar vender o time. Sua intenção era vender para Jim Balsillie, um bilionário canadense que queria realocar a equipe para Hamilton, Ontario. Entretanto a venda foi barrada pela NHL e então se iniciou o processo para determinar o destino dos Coyotes através do tribunal de falência em Phoenix. Foi somente em setembro que essa briga chegou ao fim. Com a única contra oferta sendo da NHL, o juiz do caso determinou que a venda ia contra as regras da Liga. Assim se iniciaram os quatros anos em que a NHL seguiria como dona dos Coyotes. 

    Logo após a NHL comprar a equipe eles começaram a procurar potenciais novo compradores. Para isso fizeram um acordo com a cidade de Glendale no Arizona para que então começassem a trabalhar com dois potenciais novos donos, os Reinsdorf e Ice Edge. Apesar de Reinsdorf ter tido aprovação da cidade para a aquisição e Ice Edge ter assinado um termo de intenção de compra, ambos desistiram e a NHL voltou à estaca zero. Em seguida a Liga decidiu mudar a equipe de volta para Winnipeg, seu local de origem. No entanto a cidade de Glendale concordou em financiar as perdas dando mais tempo para a NHL achar um novo comprador.

    Mais tempo e mais confusão depois, algumas empresas se interessaram na compra do time mas algo sempre acontecia e a venda dava errado. Enquanto isso a cidade continuava a lutar para que os Coyotes permanecessem ali, de certa forma dando mais tempo para a NHL encontrar um comprador. 

    Finalmente a venda

    Em agosto de 2011 um grupo liderado pelo ex-CEO do San Jose Sharks, Greg Jamison mostrou interesse em comprar o time e mantê-lo no Arizona. No entanto outro grupo também mostrou interesse e a cidade começou as negociações. Após não chegarem em nenhuma resolução, em maio de 2012 a NHL assinou um acordo provisório com Jamison e esperava que enfim pudesse pôr um fim nas buscas por um comprador. Entretanto surgiram obstáculos também conhecidos como burocracias. O desenrolar dessas burocracias duraram meses e no dia 31 de janeiro de 2013 a NHL se viu novamente iniciando a busca por um comprador. 

    O que eles não sabiam é que esta busca estava chegando ao seu tão sonhado fim. Em maio de 2013 um novo grupo foi formado para comprar os Coyotes. Desta vez a Renaissance Sports & Entertainment (RS&E) mostrou interesse em comprar o time por 225 milhões de dólares e um acordo que exigia manter a cidade de Glendale o lar dos Coyotes. A Liga, que já estava cansada dessa luta, declarou então que caso a venda não fosse concluída os Coyotes diriam adeus ao Arizona e chamariam Seattle de lar. 

    Prefeito de Glandale - A Venda dos Yotes
    Foto: Reprodução / glendalestar.com

    Desta vez o fim da busca estava próximo. Em julho o Conselho da cidade votou por 4-3 e decidiu aceitar o acordo da RS&E para a venda do time. Com isso a cidade garantiu a equipe por no mínimo 5 anos e uma concessão máxima para mais de 15 anos, além da mudança do nome da equipe de Phoenix Coyotes para Arizona Coyotes. Em agosto de 2013 a NHL enfim aprovou a venda da equipe para a RS&E e assim chegou ao fim a busca pelo dono ideal.

  • NHL adia jogos internacionais de 2020

    NHL adia jogos internacionais de 2020

    A NHL fez um anúncio na manhã desta sexta-feira (20), juntamente da Associação de Jogadores da Liga Nacional de Hockey (NHLPA). Segundo o posicionamento de ambas as entidades, os jogos internacionais da Liga, previstos para 2020, precisaram ser postergados.

    Com o restante da temporada 2019-20 em hiato indefinido, os jogos da Global Series não possuem data definida para acontecer futuramente. A Liga tem monitorado a situação de perto, junto de médicos especialistas, e existem conversas sobre a temporada 2020-21 iniciar ao final de dezembro, mas nada oficial. Por enquanto, a NHL espera que a situação mundial em relação à COVID-19 se estabilize. Assim, decisões definitivas em relação à volta dos jogos poderão enfim ser tomadas. 

    A NHL e a Associação de Jogadores também reforçaram que continuam comprometidas em divulgar a presença da Liga no cenário internacional, mas que os planos ficarão para 2021.

    “A NHLPA e a NHL continuam comprometidas em manter e aumentar nossa presença internacional. Esperamos que nossos fãs no exterior entendam a necessidade de adiar os jogos de 2020, mas estamos ansiosos para voltar com eles em 2021.”

    Nota oficial no site da NHL

    O primeiro jogo da Global Series deste ano estava programado para acontecer em Praga, na República Tcheca. A partida seria disputada entre Boston Bruins e Nashville Predators, que abririam suas temporadas e a da NHL. Os dois times pretendiam também completar seus training camps na Alemanha e Suíça, onde disputariam partidas com clubes locais. 

    Seguidamente, o Colorado Avalanche e o Columbus Blue Jackets tinham, ambos, duas partidas, também da temporada 2020-21, programadas para serem disputadas na Finlândia.  

    A NHL também tinha a intenção de agendar eventos na China, onde tem tentado estabelecer maior presença há algum tempo, para a temporada 2020-21. No entanto, voltou a afirmar que, no momento atual, tudo está incerto devido a crise gerada pela pandemia.  

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    Três temporadas. Esse foi o tempo necessário para o Chicago Blackhawks conquistar duas Stanley Cups. O time, que foi vencedor da taça em 2010, provou que o sucesso da equipe ainda estava intacto quando levantou a cup pela 5ª vez após mais uma grande temporada.

    E grandes temporadas, repletas de grandes vitórias, merecem ser revisitadas. Por isso, em mais um texto do especial “10 for 10”, nós damos início ao ano de 2013 relembrando os melhores momentos da conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    O caminho até os playoffs

    Os Blackhawks, assim como os demais times da NHL, não iniciaram a temporada 2012/13 da melhor maneira. Isso porque, ainda durante a pré temporada, a season foi cancelada devido ao lockout. Este que teve início em Setembro de 2012 e se prolongou até Janeiro de 2013. Desta forma, a temporada, que tinha 82 jogos marcados no calendário, foi reduzida a 48 partidas.

    A season foi limitada a apenas jogos de conferência e divisão. Por fim, os Hawks não jogaram com nenhum time da Conferência Leste. Ou seja, durante a temporada regular, o time apenas jogou contra equipes da Conferência Oeste (da qual faz parte). A equipe disputou 3 jogos contra times que não pertenciam a sua divisão (Central). Porém, contra a Divisão Central, os Hawks acabaram por disputar mais partidas. Foram 4 jogos contra os Red Wings e Blue Jackets, e mais 5 contra os Predators e Blues.

    Em janeiro, quando a temporada teve seu start, o time fez uma de suas melhores estréias na NHL em anos. Se mantiveram invictos por 24 jogos, perdendo apenas em SO em 3 destas partidas. No início de março, a equipe havia se tornado um dos melhores times da temporada. Liderava as tabelas e contava com um elenco de jogadores que foram protagonistas de grandes partidas ao longo de toda a temporada.

    Por fim, a season é foi finalizada em 31 de março de 2013. Os Blackhawks terminaram a temporada com record de 36-7-5, sendo este um dos melhores da temporada 2012/13. A equipe liderou a Divisão Central e a Conferência Oeste com 77 pontos. A última, portanto, resultando na conquista do Presidents’ Trophy, por ter sido o time que mais pontuou durante a temporada.

    Assim, os Hawks garantem sua passagem aos playoffs, levando na mala o brinde de serem um dos favoritos à taça.

    Os playoffs

    Era a quinta vez consecutiva que o time se classificava para os playoffs. E por serem vencedores do Presidents Trophy, a equipe tinha, portanto, a vantagem do home-ice. E o primeiro adversário do time na pós-temporada foi o Minnesota Wild. O Chicago venceu os dois primeiros jogos em casa, no United Center. No entanto, acaba perdendo o jogo 3 no Xcel Energy Center, casa do seu oponente. O Chicago volta a vencer o 4º jogo também em Minnesota, e ao levar a vitória no jogo 5, acabam se classificando para a próxima etapa.

    Enfrentar os Red Wings no 2º round não foi uma tarefa fácil. O Hawks venceu o primeiro jogo em casa, mas acabou perdendo os outros três que se seguiram. Destas derrotas, uma delas foi em casa, e as outras duas foram na Joe Louis Arena, lar do Detroit. Assim, o Chicago precisaria vencer o jogo 4 para avançar o round para uma 5ª partida. E foi o que aconteceu. O time volta para casa e vence o jogo 5 diante de seus torcedores, e em Detroit, conquista a vitória  do jogo 6. Por fim, disputando o jogo 7 no United Center, os Hawks levam a melhor e avançam para a tão esperada Conferência Final.

    Aqui, o adversário era o L.A. Kings. Novamente, os Hawks levam a vitória nos dois primeiros jogos, disputados em casa. Perdem a próxima partida, mas acabam vencendo o jogo 4. Na 5ª partida, que acabou indo para OT, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede e finaliza o jogo, garantindo assim a vitória dos Hawks e uma passagem para o último round.

    Finais da Stanley Cup. O último adversário dos Hawks era o Boston Bruins. O time, que vinha de um 4º lugar na Conferência Leste, também seria um oponente de peso para o Chicago. Ainda sim, conseguiram conquistar uma vitória por 4 a 3 sobre os Bruins no primeiro jogo do round. No entanto, acabaram derrotados pelo time de Boston nos próximos dois jogos. Na 4ª partida, o time se recupera e as coisas só melhoram.

    Chicago Blackhawks campeão

    Apesar da vitória no jogo 4 e 5, uma 6ª partida precisou ser disputada. Isso porque, caso o Boston vencesse o jogo 6, o round seria empatado, e o round avançaria para um jogo 7. Ou seja, nada era garantido, e o Chicago precisava, portanto, da vitória no 6º jogo para levar o campeonato.

    A sexta, e que viria a ser a última, partida, foi disputada na casa dos Bruins, o TD Garden, diante da maioria dos torcedores do Boston. Com um gol dos Bruins no primeiro período, e um dos Hawks no segundo, a partida reinicia empatada no terceiro.

    Todavia, ao fim do último período, após gols de ambos os times, a partida empata novamente. Qualquer um dos times poderia sair do gelo campeão. No entanto, quem leva a melhor é o Chicago, quando Dave Bolland coloca o puck no fundo da rede e, assim, aumenta a vantagem dos Hawks.

    O apito final é soado. E após uma das temporadas mais intensas dos últimos anos da NHL, o Chicago Blackhawks se torna o campeão da Stanley Cup 2013. O segundo título do time na década, mas a 5ª vez em que tem seu nome marcado na taça em toda a sua história. 

    O time se tornou a 8ª equipe da NHL a vencer o Presidents Trophy e a Stanley Cup na mesma temporada. Após uma grande temporada, Patrick Kane acaba levando o troféu  Conn Smythe Trophy como o MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. Assim, ele se torna o primeiro forward estadunidense a levar o troféu. A vitória também fez Joel Quenneville se tornasse o único técnico ativo na NHL a conquistar duas Stanley Cups. 

    Após a entrega da taça em Boston, o time volta para Chicago, onde celebra, junto de seus torcedores, a vitória do campeonato em uma Parade que lotou as ruas da cidade das cores do time. 

    Um ótimo início de década para o Chicago, ninguém pode negar. As coisas voltam a ficar mais interessantes na temporada 2014/15, mas isso é história para outro texto.

  • Seu time da NHL é uma seleção da Copa do Mundo de 2018

    Seu time da NHL é uma seleção da Copa do Mundo de 2018

    Mais de cinquenta dias desde que os esportes foram cancelados, ou “pausados” no caso da nossa querida NHL. O retorno ainda é incerto, mas precisamos nos manter otimistas.

    Nem preciso dizer que a volta dos esportes é a menor das prioridades em tempos de uma pandemia. No mínimo, poder assistir a um jogo ao vivo de novo será um indicador de que as coisas estão caminhando na direção certa.

    Enquanto esse dia não chega, seguimos em casa, tentando ocupar nossas mentes com o que quer que seja. A última distração que encontrei foi comparar os times da NHL com as 32 seleções que participaram da Copa do Mundo da FIFA de 2018, pelo simples fato de “por que não?” Vale lembrar que em breve serão 48 times participando do Mundial, então é preciso aproveitar enquanto é possível fazer uma lista assim.

    A princípio me pareceu uma tarefa simples, os paralelos praticamente se criando sozinhos. Não demorou muito até eu perceber o erro que havia cometido e me arrepender de todas as decisões tomadas em minha vida que me levaram àquele momento.

    É claro que não existe resposta certa ou errada (a não ser no caso de Toronto, mas ainda vamos chegar lá), e a seção de comentários está aberta para quem quiser compartilhar outras possíveis comparações. Vou ficar feliz de lê-las e saber como vocês chegaram nelas.

    Também gostaria de lembrar que essa foi a Copa em que muitos times dignos de analogias ficaram de fora, como a Itália, Países Baixos, Chile, Estados Unidos. A lista provavelmente teria ficado bem diferente com estas seleções na disputa.

    Sem mais delongas, as 32 equipes da NHL (Seattle foi incluída na lista por razões meramente matemáticas) e suas respectivas seleções da Copa do Mundo de 2018:

    Quem tem mais tem cinco (ou 24)

    Montreal Canadiens: Brasil

    Como bom site brasileiro que é o NHeLas, começo ressaltando quem realmente importa. A seleção brasileira é uma equipe singular, a única a participar de todas as Copas do Mundo. Da mesma forma, os Canadiens vêm ganhando Stanley Cups mesmo antes da NHL ser fundada, em 1917. A paixão do torcedor é exemplar no caso das duas equipes, e eles adoram ressaltar que são “os maiores campeões de todos os tempos”, mesmo que a última das conquistas tenha sido alguns bons anos atrás.

    A semelhança é ainda mais evidente quando comparamos os anos do último título de cada um: Montreal levantou sua 24ª Stanley Cup em 1993. 1 + 9 + 9 + 3 = 22. Vinte e dois. 20 e 02. 2002, também conhecido como o ano do Penta. Incrível!

    Europa

    Toronto Maple Leafs: Inglaterra

    Essa é de longe minha comparação favorita. Assim como o Brasil, a Inglaterra tem uma relação fortíssima com o futebol, afinal eles “inventaram” o esporte como o conhecemos hoje. O país teve jogadores ilustres em toda a sua história, a Premier League é o campeonato mais assistido, seus clubes conhecidos e com torcidas por todo o planeta.

    Toronto por sua vez é uma das cidades mais importantes da “terra-mãe” do hockey no gelo. A população respira o esporte em todos os níveis, e, muitas estrelas da NHL se não passaram pela equipe em sua carreira, muitas vezes cresceram torcendo para os Leafs. A cidade ainda é casa do Hall da Fama do Hockey, e o próprio time tem uma história de causar inveja até nas mais tradicionais das equipes, com suas 13 Stanley Cups. E este é o ponto exato em que queremos chegar: Tanto a Inglaterra quanto Toronto levantaram a taça pela última vez em 1966-67! Mesmo assim, não há eliminação inesperada ou derrota humilhante que faça a torcida deixar de acreditar que “no próximo ano o título vem”, e isso é algo a se admirar.

    Boston Bruins: Alemanha

    Mais duas equipes de tradição em seus respectivos esportes. Assim como a Alemanha, os Bruins têm alguns títulos bem distribuídos ao longo das décadas, passando a imagem de uma equipe consistente, que sempre pode ser considerada uma ameaça a seus adversários, mesmo quando esse não é bem o caso. Ambos os times também costumam ser um divisor de águas para o fã do respectivo esporte: ou você ama, ou você odeia.

    New York Rangers: França

    A primeira justificativa são os lugares em si. Nova York e França são paraísos turísticos, arquitetônicos, artísticos, culturais, gastronômicos, e o que mais você puder pensar. Fora isso, ambos os times vestem o “azul, branco e vermelho” como ninguém. Em seus respectivos elencos, as equipes contam com a experiência de veteranos aliada a jovens talentos e promessas futuras, e são dois times “fáceis” de se virar fã. Talvez a quantidade de títulos conquistados não faça jus à tamanha história dos Rangers ou dos Bleus, mas tudo bem porque esta ainda está sendo escrita.

    Chicago Blackhawks: Espanha

    De fanáticos desde o século passado a “torcedores modinha”, esses times podem oferecer de tudo. Por praticamente cinco anos, tanto os Hawks quanto a seleção espanhola foram extremamente dominantes, e eles têm o que mostrar por isso: três Stanley Cups (2010, 2013, 2015) e uma Copa do Mundo (2010). No entanto, recentemente ambas as equipes apresentaram performances medíocres, até abaixo do esperado dado o histórico da década que passou. Alguém conta para eles que é hora de parar de olhar para trás e focar no que vem pela frente.

    Washington Capitals: Rússia

    Tanto a Copa Stanley quanto a Copa do Mundo passaram o verão de 2018 na Rússia. Para uma, este marcou o fim de uma longa temporada, que viu um dos maiores jogadores na NHL finalmente levantar a taça pela primeira vez. Para outra, foi o começo de uma jornada emocionante e de uma festa enorme, que os russos (e principalmente os franceses) não vão esquecer tão cedo.

    Edmonton Oilers: Portugal

    O paralelo aqui é simples: têm o melhor jogador da atualidade na equipe, mas ele não vai carregar o time sozinho até o primeiro lugar. Ainda, os dois gostam de vestir cores complementares.

    Winnipeg Jets: Sérvia

    Causa um certo estranhamento ouvir que a Sérvia só “existe” desde 2006. “Eu tenho certeza que ouvi falar deles bem antes daquele ano!” Sim, o povo sérvio tem séculos e mais séculos de história, mas o país em si, ao qual nos referimos hoje, é mais jovem que a própria estagiária do NHeLas. Pela maior parte do século XX, os sérvios disputaram a Copa do Mundo sob a bandeira da Iugoslávia, e depois ainda como Sérvia e Montenegro, até a dissolução desta em 2006.

    Da mesma maneira, fãs de hockey de outras gerações se lembram de “um tal de Winnipeg Jets” dos anos 70 até os anos 90. Até troféu eles ganharam (na World Hockey Association, antes de irem para a NHL). Só que o time de antigamente não é o mesmo que conhecemos hoje. Aquela franquia se tornou quem atualmente chamamos de Arizona Coyotes, e os Jets que chegaram à NHL em 2011 eram à princípio o Atlanta Thrashers. No entanto, para o torcedor de Winnipeg, o que importa mesmo é ter um time para chamar de seu.

    Philadelphia Flyers: Polônia

    Os anos 1970 foram o ápice da seleção polonesa, com uma medalha de ouro nas Olimpíadas de 1972, a prata em 1976, e um terceiro lugar na Copa de 1974. O time ainda se manteve relevante no cenário mundial, principalmente europeu, dando trabalho para outros times “grandes” e vez ou outra conquistando um segundo ou terceiro lugar. Se pensarmos nos Flyers, as duas Stanley Cups da equipe também datam da década de 1970, mais precisamente das temporadas 1973-74 e 1974-75. A partir daí foram mais anos de luta do que de glória. Porém, na Divisão Metropolitana as outras equipes bem sabem que é melhor não subestimar o Gritty.

    Carolina Hurricanes: Bélgica

    Equipes jovens, talentosas, rápidas, divertidas de assistir e claro, vestindo vermelho. Todo mundo ama, até eles chegarem para eliminar o time que você torce.

    Colorado Avalanche: Suíça

    Os Alpes suíços estão entre os locais com a maior incidência de avalanches no mundo. Fora isso, nem os Avs nem a Suíça querem guerra com ninguém.

    Tampa Bay Lightning: Suécia

    Entre os países nórdicos, a Suécia é o mais bem-sucedido no quesito futebol. Igualmente, o Tampa Bay Lightning pode se declarar o “Maior da Flórida”, sem muito protesto por parte da competição. Contudo, ambas as equipes chegam com um elenco cheio de promessas e nomes de peso, às vezes com campanhas surpreendentes nas primeiras fases, para no final se deixar eliminar assim que a competição fica séria. Um já foi vice, o outro já até ganhou. Por enquanto, ninguém duvida do seu potencial, mas isso pode mudar logo.

    Minnesota Wild: Dinamarca

    Frio. Vikings. Saem nas oitavas.

    San Jose Sharks: Croácia

    “Eu juro que o meu time é bom!” “Tá, mas quantas Copas?” “A gente foi vice uma vez…” Nada é mais frustrante para um torcedor do que ver sua equipe, ano após ano, nadar, nadar, e morrer na praia. Pelo menos as praias são lindas!

    Seattle: Islândia

    Estreante que eu mal conheço e já considero pacas. Se na última Copa a seleção islandesa não conquistou o seu coração, é meu dever avisá-lo que você estava torcendo errado. O mesmo serve para a futura nova equipe da NHL, que ainda sem nome e sem camisa para comprar, já tem fãs por toda parte ansiosos para vê-los no gelo!

    Américas

    New York Islanders: México

    Dois times marcados por grandes escândalos nos anos 90. As torcidas são apaixonadas e fiéis, às vezes na base do puro sofrimento. O México nunca ganhou uma Copa do Mundo, mas tem Copas Ouro de sobra para exibir aos rivais. Do outro lado, os Isles venceram quatro Stanley Cups seguidas de 1979-80 a 1983-84, e em outros anos não chegaram nem perto. Recentemente, são duas equipes que todo mundo espera ver passar de fase, mas ninguém se surpreende se são eliminados sem atingir todo seu potencial.

    Florida Panthers: Costa Rica

    Não quero desmerecer, mas é muita hype pra quem nunca ganhou nada…

    Calgary Flames: Uruguai

    Os Flames tiveram um final de século muito promissor, vencendo a Stanley em 1988-89, e até hoje ainda entram na briga, às vezes, literalmente. Ou melhor, na maioria das vezes, literalmente. Pode-se dizer que a coisa mais “quente” no time é a cabeça dos jogadores. Quem tem um histórico de pontapés (ou mordidas, para quem preferir) à altura, além de duas Copas ainda nos primórdios do torneio, é o Uruguai. 

    Detroit Red Wings: Argentina

    Os “arqui-inimigos”. Se Detroit até hoje tem fama de “bad boys” é porque eles mereceram. Como brasileira, também é meu dever comparar a seleção hermana ao time com “A Pior Campanha De Todos Os Tempos”. Sempre no bom espírito de camaradagem, é claro. Dito isso, reitero que se tratam de times de muita história, grandes jogadores e títulos para relembrar. Fases ruins todos nós temos, mas só os grandes sobrevivem e dão a volta por cima.

    Pittsburgh Penguins: Colômbia

    Diga-me que os seus Penguins mereciam uma seleção mais campeã, e eu te direi… que é verdade. Infelizmente, o número de times com uma ou mais estrelas em seu escudo foi ainda mais limitado nessa Copa (palmas à Itália), e nem toda franquia da NHL pôde ser comparada ao número de títulos que lhe cabem. E não, Pittsburgh não seria a Itália. Mas voltando à nossa lista, a Colômbia é um time muito talentoso, que no entanto sofre com lesões de peças importantes ao longo da competição. Quem sabe onde eles teriam chegado não fosse por esses desfalques? 

    New Jersey Devils: Peru

    Entra ano, sai ano, entra contrato, sai contrato. Você acha que o time melhorou, e no final da temporada lá estão eles, de volta ao fim da tabela. Ao mesmo tempo, foram muitos passos dados até aqui para desistir agora. Se este é o inferno, abrace o capeta e acredite que dias melhores estão por vir!

    Arizona Coyotes: Panamá

    Confesso que havia esquecido que tínhamos outro estreante nessa Copa. Da mesma forma, estou sempre esquecendo que os Coyotes existem.

    África, Ásia e Oceania

    Ottawa Senators: Egito

    O Egito não sabe o que é chegar na segunda fase da Copa desde que inventaram o rádio FM. Os Sens das 11 Stanley Cups entre 1903 e 1927 também são uma memória distante do torcedor do time atual. Honestamente, não sei porque estão aqui.

    Dallas Stars: Nigéria

    Quem melhor para representar o Victory Green do que a seleção que decidiu ter o verde como cor principal nas duas camisas da última Copa?

    Nashville Predators: Senegal

    Seguindo a tendência de comparar uniformes, em 2018 a seleção senegalesa deu um destaque especial para o leão de seu escudo nas camisas dos jogadores. O detalhe foi mais discreto que o utilizado da Copa das Nações Africanas no ano anterior, mas ainda serviu no paralelo com a camisa de Nashville. Além do fato de felinos serem animais maravilhosos, os Preds também têm um dos meus logos favoritos na NHL.

    Los Angeles Kings: Tunísia

    Os times estão aí há mais tempo do que parece, e a maioria das pessoas nem se lembra. Assim como os Kings de hoje, a Tunísia é aquela seleção que todos já sabem que não vai fazer mal a ninguém, mas ela é bem-vinda a participar mesmo assim.

    Anaheim Ducks: Marrocos

    Marrocos. Marrecos. Patos. Ducks. Isso, e também o fato de estar pertinho de Los Angeles/da Tunísia.

    Vegas Golden Knights: Arábia Saudita

    A escolha foi exclusivamente geográfica, pois é o país mais próximo de onde se encontra a “Las Vegas do Mundo”: Dubai. É uma comparação preguiçosa entre as duas cidades, mas que atende aos requisitos básicos de “deserto” e “ostentação”.

    Buffalo Sabres: Irã

    Vou me abster de comentar questões “administrativas”, para só dizer uma coisa: será que dá para passar da fase de grupos uma vez na vida, minha gente?!

    Columbus Blue Jackets: Coreia do Sul

    Dois times que ninguém coloca muita fé, mas sempre dão um jeito de aparecer. Podem não chegar muito longe, mas ficam felizes em eliminar um favorito ou dois por onde passam.

    Vancouver Canucks: Austrália

    Primeiramente, o fuso-horário é sempre um problema. Antes da competição começar, ninguém sabe muito bem o que esperar dessas equipes, e o ideal é não fazer muitas apostas, ainda que os times possam surpreender. Além disso, Vancouver está para sua divisão como a Austrália está para seu continente: cansou de ser o melhor time da região, mas nunca conquistou título maior que esse.

    St. Louis Blues: Japão

    “Mas o Japão não é campeão…” Nem eram vocês durante a última Copa. E agora que são, olha o estado do planeta! Coincidência? Acho que não. Meu paralelo aqui vai um pouco além das Copas em si. A história recente do Japão é marcada por superação e recuperação em tempos de crise. Da mesma forma, a temporada 2018-19 de St. Louis é o exemplo de uma equipe que chegou ao fundo do poço e ascendeu ao topo da Liga, desafiando todas as probabilidades. Histórias desse tipo não são a regra, mas servem de inspiração nos momentos que mais precisamos, e é isso o que as torna essenciais.

    Foto: Reprodução nhl.com

  • Draft Class de 2012: onde estão

    Draft Class de 2012: onde estão

    Diferentemente de anos anteriores, assim como os que viriam a seguir, o draft de 2012 não teve um top3 de encher os olhos. Na verdade, é possível dizer que seus jogadores mais importantes foram pinçados no decorrer do evento. A first pick foi, pelo terceiro ano consecutivo, do Edmonton Oilers, que optou selecionar um atacante pela terceira vez. 

    O draft de 2012 aconteceu em 22 e 23 de junho daquele ano, na cidade de Pittsburgh. O ano marcou a última vez em que apenas os cinco piores times participaram da loteria, fazendo Edmonton pular da segunda posição para a primeira. Vamos analisar, além do top3, alguns dos principais nomes que saíram da seleção deste ano.

    NAIL YAKUPOV, RW, EDMONTON OILERS (#1 overall): de volta à minha terra

    O russo começou sua carreira no time de sua cidade natal, Reaktor Nizhnekamsk, na liga juvenil da Rússia. Aos 16 anos o jogador foi selecionado pelo Sarnia Sting da Ontario Hockey League (OHL), no Import Draft (a forma como atletas estrangeiros são escolhidos) da Canadian Hockey League (CHL). No decorrer de seu ano de estreia pela equipe, Yakupov se destacou. Além disso, foi o primeiro jogador da história do Sting a ganhar o troféu de rookie do ano. 

    Ranqueado como o primeiro patinador da América do Norte, Yakupov foi selecionado com a primeira escolha e já assinou um contrato com os Oilers. Entretanto, embora o clube desejasse que o russo voltasse à OHL durante o lockout de 2012, o atleta decidiu jogar em seu país natal. Ocorre que o acordo entre a CHL e a NHL impede que um atleta com contrato e idade para jogar major juniors atue fora de uma das duas ligas. 

    Assim, por irregularidades junto à IIHF, o russo retornou ao Sarnia Sting momentaneamente, antes de receber permissão da Hockey Canada para voltar à KHL. Em janeiro de 2013, com o fim do lockout, Yakupov voltou aos Oilers, marcando seu primeiro gol contra o San Jose Sharks. Na temporada reduzida o russo marcou 31 pontos em 48 jogos, mas seu desempenho nos anos seguintes gerou insatisfação no clube canadense. 

    Depois de campanhas modestas com Edmonton, em 2016 ele foi trocado para o St. Louis Blues, onde não teve números bons e sofreu uma lesão no joelho que encerrou sua temporada. Por falta de interesse da equipe de Missouri, o russo se tornou um unrestricted free agent em 2017. Ele então assinou um contrato de um ano com o Colorado Avalanche por menos de um milhão de dólares. Ao ser novamente um UFA no ano seguinte, Yakupov decidiu retornar à KHL, desta vez para atuar pelo SKA St. Petersburg, onde joga até hoje. 

    RYAN MURRAY, D, COLUMBUS BLUE JACKETS (#2 overall): Mr. Glass de Ohio

    O defensor canadense passou sua carreira no major juniors atuando pelo Everett Silvertips da Western Hockey League (WHL), de 2008 a 2013. Murray foi peça importante da defesa do time, tendo sido inclusive nomeado capitão no início de seu terceiro ano. Às vésperas do draft, o jogador era o segundo no ranking da América do Norte, tendo sido escolhido por Columbus com a segunda escolha. 

    Murray assinou seu primeiro contrato profissional após o draft, em 2012. Entretanto, uma lesão em novembro do mesmo ano o tiraram do resto da temporada da WHL e, consequentemente, da NHL. Aqui começaria um histórico de lesões que o perseguiriam durante sua carreira. O defensor estreou contra o Calgary Flames e marcou seu primeiro gol contra o Toronto Maple Leafs.

    Em suas cinco primeiras temporadas Murray perdeu cerca de 35% das partidas que poderia ter disputado. O atleta já sofreu lesões no joelho, fratura na mão, dentre outras contusões na carreira de sete anos. Em 2016 a equipe de Ohio estendeu seu compromisso com o defensor por mais dois anos, com um contrato avaliado em 5.65 milhões de dólares. Entretanto, em 2018, o histórico do canadense pesou e ele assinou apenas uma qualifying offer no valor de pouco mais de 800 mil dólares.

    ALEX GALCHENYUK, LW, MONTREAL CANADIENS (#3 overall): o viajante das quatro divisões

    Assim como Yakupov, Galchenyuk também jogou no Sarnia Sting da OHL e foi selecionado em terceiro pelo Montreal Canadiens. Durante o lockout de 2012, o americano (que tem origem bielorrussa) retornou à equipe de juniors, marcando 27 gols e 34 assistências em apenas 33 jogos. Desta forma, Galchenyuk chegou a Montreal com muitas expectativas sobre seus ombros. O clube se trata de um original six e tem uma das torcidas mais fanáticas do hockey.

    Seu primeiro gol foi contra o Florida Panthers e o atleta terminou a temporada com 27 pontos em 48 jogos, uma campanha respeitável para um rookie. Os anos seguintes foram feitos de altos e baixos para o jogador. Ele passou por lesões e problemas pessoais que fizeram com que o americano sempre estivesse cercado de rumores sobre uma possível troca. Depois de marcar 20 e 30 gols em temporadas consecutivas, o rendimento ofensivo do winger caiu. 

    Além disso, o clube desejava que o atleta passasse a atuar como center, gerando muita resistência de sua parte. O desgaste entre jogador e time resultou na troca com o Arizona Coyotes em 2018, que enviou Max Domi para Montreal. Com 41 pontos em 72 partidas, Galchenyuk foi trocado na off-season seguinte para o Pittsburgh Penguins, onde não obteve muito sucesso. Após menos de um ano com o clube, ele foi enviado para o Minnesota Wild na troca que levou Jason Zucker aos Pens.

    MORGAN RIELLY, D, TORONTO MAPLE LEAFS (#5 overall): a primeira peça do quebra-cabeças 

    A postura do defensor canadense transmite a maturidade de um verdadeiro veterano. Rielly, com seus sete anos de NHL, é uma das principais estrelas da equipe de Toronto. Antes de estrear como profissional, o atleta jogava pelo Moose Jaw Warriors da WHL, mas uma lesão séria no joelho impediu que ele jogasse grande parte de sua temporada de elegibilidade. Mesmo assim, ele foi ranqueado em quinto lugar entre os patinadores norte-americanos e foi escolhido justamente em quinto pelo  Toronto.

    Com o lockout bloqueando o início da temporada na NHL, Rielly fez sua estreia profissional pelo Toronto Marlies da American Hockey League (AHL) em 2012. Seu primeiro jogo na Liga ocorreu apenas na temporada seguinte, contra o Ottawa Senators. Embora os Leafs tenham tido campanhas complicadas até a chegada de Auston Matthews, o defensor sempre foi visto como parte do futuro da equipe, adquirindo inclusive um papel importante de liderança.

    Em 2016 o canadense estendeu seu contrato com Toronto por mais seis anos, por cerca de cinco milhões anuais. No mesmo ano, a equipe foi rejuvenescida com a chegada de Matthews e Mitch Marner, e Rielly se consolidou como o 1D do time. Os 72 pontos que ele fez na temporada 2018-2019 marcaram a primeira vez desde 1980 que um defensor atingiu esta marca pelo clube. 

    Entretanto, apesar do sucesso na Liga, Rielly se envolveu em uma polêmica em março de 2019. Um microfone da transmissão captou o defensor supostamente usando um termo homofóbico. Após uma investigação, a NHL constatou que não havia passado de um mal entendido. Rielly, por sua vez, participou da Parada do Orgulho Gay de Toronto em 2019, juntamente com o GM Kyle Dubas.

    FILIP FORSBERG, LW, WASHINGTON CAPITALS (#11 overall): a invasão sueca na Music Row 

    Depois de se destacar em competições juniores pela seleção sueca, Forsberg chegou ao draft ranqueado como o melhor atacante da Europa. Assim, foi selecionado pelo Washington Capitals em 11º e assinou seu contrato no development camp daquele mesmo ano. O sueco foi emprestado para o Leksands IF, equipe que o revelou. Assim, ajudou o time a ser promovido para a Swedish Hockey League (SHL) novamente.

    Porém, em abril de 2013 o jogador foi trocado para o Nashville Predators por Martin Erat e Michael Latta. Após o fim da temporada sueca, ele fez o seu primeiro jogo pelos Preds contra o Detroit Red Wings. O sueco estreou na temporada 2012/2013 e passou o ano seguinte alternando atuações entre os Preds e o seu time da AHL, o Milwaukee Admirals. Entretanto, a partir da temporada 2014/2015 Forsberg se tornou uma peça importante para o ataque de Nashville. O jogador foi inclusive um dos representantes da equipe no All Star Game de 2015.

    Forsberg passou a ter números expressivos, especialmente no quesito gols, sendo inclusive o primeiro jogador da história da franquia a marcar dois hat tricks em uma mesma temporada. Após duas temporadas com mais de 30 gols, o sueco passou a fazer parte do grupo de liderança da equipe, recebendo um A. Atualmente, o jogador está nos anos finais do contrato de seis anos que assinou em 2016, avaliado em 6 milhões anuais.

    ANDREI VASILEVSKIY, G, TAMPA BAY LIGHTNING (#19 overall): “Big Cat” to the Rescue

    Goleiros raramente são selecionados no primeiro round, mas desde o draft Vasilevskiy já demonstrou que era diferente da maioria. Ranqueado como o primeiro goleiro europeu, o russo iniciou sua carreira no Salavat Yulaev Ufa da KHL, assinando seu primeiro contrato com o Lightning apenas em 2014.

    Embora seu início na América do Norte, jogando pelo Syracuse Crunch da AHL, tenha sido positivo, em setembro de 2015 o russo passou por um problema de saúde. O goleiro teve um coágulo sanguíneo retirado das proximidades de sua clavícula e ficou alguns meses afastado do rinque enquanto se recuperava.

    Com números extremamente positivos, Vasilevskiy se tornou um dos pilares da forte equipe de Tampa, com uma SV% de .919 e média de 2.55 gols concedidos. Além de ter sido um All Star por três anos consecutivos, 2018, 2019 e 2020, o russo ganhou o Vezina Trophy, dado ao melhor goleiro da Liga, no NHL Awards de 2019. Na última temporada ele assinou um novo contrato com o Lightning que se estende até 2027/2028 por cerca de 9.5 milhões anuais.

    SHAYNE GOSTISBEHERE, D, PHILADELPHIA FLYERS (#78 overall): o fantasma do Wells Fargo Center

    Natural da Flórida, o defensor americano começou no hockey através do programa infanto-juvenil do Florida Panthers, tendo optado pela carreira universitária após terminar o ensino médio. Com a equipe da Union College, Gostisbehere ganhou o Frozen Four, campeonato nacional das equipes universitárias, se destacando como uma das estrelas da sua equipe.

    Embora o defensor tenha iniciado sua carreira profissional em 2014 na AHL, ele sofreu uma lesão no ligamento cruzado  no início da temporada, encerrando sua participação naquele ano. Na temporada seguinte, o americano começou jogando pelo Lehigh Valley Phantoms, mas após o primeiro mês na AHL foi acionado pelos Flyers para jogar na NHL.

    Com uma temporada memorável que incluiu uma streak de 15 jogos pontuando, o defensor foi um dos finalistas do Calder Trophy. Embora sua campanha tenha sido significativa, Gostisbehere perdeu o prêmio para Artemi Panarin. Em 2017 o americano assinou um contrato de seis anos, avaliado em aproximadamente 4.5 milhões anuais.

    Conhecido por seu estilo extremamente ofensivo, o defensor é um tópico sensível para a torcida de Philadelphia, que se tornou cada vez mais frustrada com suas atuações. Isto porque Gostisbehere conseguiu replicar a performance de seu ano de estreia apenas uma vez e, consequentemente, é um nome que sempre faz parte de rumores de trocas com outras equipes.

    MATT MURRAY, G, PITTSBURGH PENGUINS (#83 overall): o novato sensação do bicampeonato

    O goleiro canadense jogou os quatro anos de elegibilidade da OHL pelo Sault St. Marie Greyhounds, terminando sua carreira no major juniors com uma SV% de .921. Já no sistema do Pittsburgh Penguins, Murray estreou pelo Wilkes-Barre Scranton Penguins após o fim de sua temporada da AHL e, no ano seguinte, teve a impressionante SV% de .941 em 40 jogos disputados.

    A estreia de Murray na NHL se deu em dezembro de 2015, mas o início de sua história na franquia se deu em fevereiro do ano seguinte, quando ele atuou em nove partidas da temporada regular. Com uma campanha impecável, o canadense se tornou o titular do gol dos Penguins na campanha de 2016 e foi apenas o sexto goleiro rookie desde 1976 a começar uma partida nas finais. 

    Campeão da Stanley Cup, Murray foi se apossando da titularidade do gol de Pittsburgh, e por pouco o canadense não foi um dos finalistas do Calder Trophy. Isto porque ele não havia jogado o número de partidas necessário para ser tido como rookie no ano anterior, apesar de ter sido o titular em uma porção considerável da pós temporada. Ao final de 2016/2017, Murray foi novamente campeão da Stanley Cup, curiosamente ganhando nos dois anos com status de novato.

    Com a ida de Marc-André Fleury para o Vegas Golden Knights no draft de expansão (2017), o canadense se fixou como o titular absoluto dos Penguins. Seus números de carreira são SV% de .914 e uma média de 2.67 gols sofridos. O goleiro está no terceiro e último ano de seu contrato, avaliado em 3.75 milhões anuais.

    MENÇÕES HONROSAS:

    Hampus Lindholm, D, Anaheim Ducks (#6)

    Revelado pelo Rögle BK da SHL, Lindholm também foi campeão no mundial de 2018 pela seleção da Suécia.

    Matt Dumba, D, Minnesota Wild (#7)

    Conforme foi adquirindo experiência na NHL, Dumba se tornou o parceiro de defesa de Ryan Suter, mas constantemente tem seu nome vinculado em rumores de trocas.

    Jacob Trouba D, Winnipeg Jets (#9) – atualmente jogador do New York Rangers

    O defensor se recusou a assinar uma extensão com os Jets, e teve seus direitos trocados de Winnipeg para o New York Rangers.

    Tom Wilson, RW, Washington Capitals (#16)

    Apesar dos (inúmeros) problemas disciplinares, Wilson foi peça importante na campanha vitoriosa do Washington Capitals em 2018.

    Teuvo Teravainen, LW, Chicago Blackhawks (#18) – atualmente jogador do Carolina Hurricanes

    Campeão da Stanley Cup por Chicago, o finlandês passou a ser uma figura importante do elenco do Carolina Hurricanes após ser trocado para a equipe.

    Frederik Andersen, G, Anaheim Ducks (#87) – atualmente jogador do Toronto Maple Leafs

    Por não ter chegado a um acordo com o Carolina Hurricanes, time que o draftou em 2010, o dinamarquês se inscreveu novamente para o draft de 2012, sendo selecionado por Anaheim, onde começou sua carreira na NHL.

    Connor Hellebuyck, G, Winnipeg Jets (#130)

    Finalista do Vezina Trophy em 2018, o goleiro americano estava entre os nomes mais cotados para o troféu deste ano, antes da paralisação da Liga.

    (Foto: SarniaSting.com/Reprodução)

  • Sidney Crosby: de lesões ao contrato “eterno” com os Pens

    Sidney Crosby: de lesões ao contrato “eterno” com os Pens

    Nascer no Canadá e jogar hockey é quase um sinônimo. Para Sidney Crosby não foi diferente. O capitão do Pittsburgh Penguins tem jogado hockey por toda a sua vida, sendo considerado um prodígio desde que calçou os patins pela primeira vez. Esse destaque lhe rendeu muitas coisas, dentre ela seus dois apelidos: Sid the Kid e The Next One. Os anos passaram e Crosby continuou a se destacar no gelo, lhe proporcionando ser a primeira escolha no draft de 2005. 

    Sua estréia na NHL aconteceu no dia 5 de outubro daquele mesmo ano. Pouco mais de dois meses depois Sidney se destaca novamente, desta vez sendo nomeado capitão assistente no dia 15 de dezembro de 2005. Esse fato, foi o  início do que seria anos de críticas como o “queridinho da NHL” e sua rivalidade com Alex Ovechkin. 

    Ganhador de três Stanley Cups, uma em 2009 e as outras duas em 2016 e 2017, Crosby coleciona recordes e prêmios durante a sua carreira na NHL. Porém, nem tudo são flores em sua carreira. Conhecido pelo grande desempenho no gelo, Sidney tem sido alvo de hits e brigas desde o início, fazendo com que sua lista de lesões seja tão extensa quanto a de recordes. 

    Entretanto, a temporada 2011-12 trouxe ainda mais evidência para essa lista tão preocupante que marcou para sempre em sua história. Em apenas um ano, o jogador sofreu três concussões que colocou a sua carreira em risco. Enquanto o ano de 2011 foi conturbado para a sua saúde o ano de 2012 foi a volta por cima. Em poucos meses o jogador conseguiu além de mostrar um excelente potencial no gelo também garantir uma extensão de contrato para mais 12 anos.

    O começo de tudo

    O ano de 2011 já começou agitado para Sidney Crosby. No dia 1° de janeiro o jogador sofreu uma concussão, e a partir daí o ano se tornou conturbado para a saúde do jogador. Menos de uma semana depois, Crosby  sofreu uma segunda concussão e, desta vez, se afastando indeterminadamente. Os meses se passaram, no entanto a recuperação do jogador não progrediu muito. Mesmo após mais de seis meses depois, Sid ainda sofria com os sintomas. Chegou ao ponto da mídia especular uma possível aposentadoria e o fim de uma carreira que ainda prometia muito.

    Com relatórios constantes e muitas visitas a especialistas, após sofrer com os sintomas por quase 9 meses, o jogador ainda não tinha previsão de quando retornaria ao gelo. Colocando em dúvida se iria ou não estar treinando com o time em setembro e até mesmo se participaria da temporada seguinte.

    Durante o training camp, o canadense compareceu aos treinos com seus companheiros de equipe. No entanto ainda não possuía a liberação para o treino de contato. Tudo continuava muito incerto. Em outubro, apesar de ainda não estar totalmente liberado para os treinos, o jogador entrou para a escalação como injured reserve. Assim, dando a entender que poderia voltar a qualquer momento. 

    No dia 13 de outubro veio uma notícia boa: o jogador estava enfim liberado para estar participando 100% dos treinos porém ainda permaneceria um bom tempo sem brilhar no gelo. Até que o dia tão aguardado por ele e seus fãs chegaram, “Sid the Kid” estava de volta e dando um show. No dia 21 de novembro de 2011 em uma partida contra o New York Islanders o jogador brilhou no gelo. Com dois gols e duas assistências Crosby mostrou o que faz de melhor e que os 10 meses parados não iam interferir em seu rendimento. 

    Infelizmente, apenas alguns jogos depois, o jogador sofreu outro golpe e precisou ser afastado novamente. Conquistando 12 pontos em oito jogos, o ano acabou com Crosby na lista de jogadores lesionados novamente. 

    A volta por cima

    O capitão dos Penguins permaneceu afastado por mais alguns meses, tomando a decisão que só retornaria ao gelo quando estivesse 100% saudável. Sua volta aconteceu no dia 15 de março de 2012 em uma partida disputada contra o New York Rangers. Mesmo tanto tempo parado, Crosby marcou uma assistência na vitória do Pens por 5 a 2. Dessa forma, esse jogo marcava seu retorno definitivo pelo resto da temporada. 

    Em 2011-12 Crosby participou de apenas 22 jogos na temporada regular, menos da metade do que costuma jogar. Metade até mesmo do que jogou na temporada anterior, que foram 41 jogos durante a temporada regular. No entanto, mesmo com poucos jogos, Sid marcou oito gols e 29 assistências somando 37 pontos, incluindo seu 600º ponto na carreira. 

    Ainda em 2012 os Penguins conquistaram uma vaga nos playoffs, no entanto foram eliminados pelo Philadelphia Flyers num jogo 6 ainda no primeiro round. Porém nem tudo era motivo de tristeza. Poucos meses depois, durante a intertemporada, para a alegria dos fãs, Crosby assinou uma extensão de seu contrato com o time de Pittsburgh. Em seu novo contrato, Sidney solidifica seu lugar nos Penguins até o final de 2024-25 quando terá 37 anos. 

    Como o bom supersticioso que é, o jogador decidiu manter seu teto salarial anual de 8,7 milhões de dólares. Desta forma, Crosby irá receber 104,4 milhões de dólares pelos 12 anos com a equipe. O fato de manter seu teto salarial foi muito bem visto já que isso possibilita seu time  assinar com outros jogadores com salários altos também.  

    A temporada seguinte seria promissora para o canadense, no entanto a Liga entrou em um lockout em 15 de setembro de 2012 e o mesmo só chegou ao fim em janeiro de 2013. Durante os 119 dias de bloqueio, Crosby participou de diversas reuniões entre os proprietários da NHL e a NHLPA (National Hockey League Players Association). Além de ter continuado a treinar e ter participado de jogos de exibição abertos ao público com outros jogadores que não foram jogar na Europa. 

    Crosby e suas lesões

    Sidney Crosby é o que muitos consideram um jogador completo. Ainda hoje, o capitão dos Penguins continua sendo um jogador de destaque na equipe, dessa forma, continua sendo um alvo de hits pesados no gelo.  No documentário “Ice Guardians” lançado em 2016, estima-se que Crosby seja o jogador que mais sofreu lesões na carreira. Inclusive, em um único ano ele sofreu mais lesões que o Wayne Gretzky sofreu em toda a sua carreira. 

    O fato de Crosby ter assinado um contrato mesmo após um ano praticamente parado não foi de surpresa para ninguém. Isso porque todos sabiam que os Penguins fariam o possível para segura-lo no time afinal, o que “Sid the Kid” representa no gelo é o que os times mais temem: um jogador que marca gols e faz assistências de maneira única. Infelizmente, para ele, todo esse sucesso no gelo tem cobrado um preço enorme de sua saúde. Apesar de não ter sofrido com sintomas das concussões igual sofreu em 2011, o jogador tem uma ficha médica bastante considerável. 

    Por isso, seu histórico colabora ao questionarmos: até que ponto é esporte e onde começa a brutalidade desnecessária? O canadense é só mais um nas estatísticas de jogadores lesionados e que levará sequelas disso pelo resto da vida. A NHL até penaliza alguns desses hits e brigas, no entanto, somente isso não é necessário para que essa brutalidade extrema chegue ao fim.  

    Com outras inúmeras concussões e lesões no joelho principalmente, muitos levantaram a hipótese se Sidney Crosby continuaria sua carreira após seu aniversário de 30 anos. Afinal será uma lesão que colocará um fim na carreira do jogador ou ele conseguirá se aposentar enquanto estiver saudável? 

    Foto: Reprodução / cbc.ca

  • O lockout de 2012 e suas repercussões

    O lockout de 2012 e suas repercussões

    Com o final da temporada 2011-12, o Collective Bargaining Agreement (CBA) entre a NHL e a NHL Players’ Association (NHLPA), que fora estabelecido após o lockout de 2004, chegou ao fim. Assim, as duas entidades iniciaram as negociações para estabelecer um novo acordo coletivo. Entretanto, após o prazo de negociações findar-se, as partes não chegaram um acordo, o que gerou uma nova paralisação da Liga.

    O que é um lockout (locaute)?

    O lockout tem a sua origem semântica na expressão inglesa “to lock out“, que significa “trancar para fora”. Ele nada mais é do que um fechamento patronal.

    Isto porque sua origem vem de uma disputa industrial entre os empregadores e seus trabalhadores, em uma situação em que o patrão impede os seus funcionários de terem acesso ao seu trabalho, seja deixando-os de fora do local onde exercem sua função laboral ou deixando de aceitar o que é oferecido.

    Enquanto a greve é um direito do trabalhador, o lockout é uma prática proibida em muitos países, inclusive no Brasil. A razão para esta proibição reside no fato de ser considerada uma ofensa à liberdade de trabalho, pois é um mecanismo pelo qual o empregador pressiona seus funcionários, visando que eles cedam em algum aspecto da relação trabalhista.

    Contexto histórico dos lockouts nos esportes

    A existência de paradas forçadas das atividades não é uma exclusividade da NHL. As três outras grandes ligas profissionais norte-americanas, NBA, NFL e MLB, passaram pela mesma situação em diversos momentos. A principal fonte de discussão é, sem dúvidas, a divisão da receita entre os donos dos clubes e os atletas que atuam na Liga. 

    Antes dos anos 1990, as paradas nas ligas esportivas eram, em sua maioria, greves. Entretanto, conforme a comercialização dos esportes enquanto produtos, além da expansão para outros mercados e as assinaturas de contratos estratosféricos com as emissoras de televisão, a situação passou a mudar. 

    Os donos dos clubes perceberam que era financeiramente mais viável promover o lockout do que ficar a mercê de uma greve. Desta forma, o fardo econômico passava para os atletas. Com isso, esta prática ficou mais comum, viabilizando que os donos ficassem com a maior parte da receita dos clubes. 

    Quando a NHL teve lockouts?

    O primeiro foi na temporada 1994-95, pouco tempo após Gary Bettman ter se tornado comissário da Liga.

    Bettman tinha como objetivo estabelecer o chamado luxury tax, penalizando equipes com folhas salariais excessivamente robustas. Em janeiro de 1995, após mais de cem dias, as duas partes chegaram a um acordo. Isso foi visto como uma vitória para os donos dos clubes, mas os salários altos persistiram. 

    Com alegações de que os salários exorbitantes fizeram com que a Liga perdesse quase 2 bilhões de dólares, ocorreu outro lockout em 2004-05. A temporada foi cancelada e o salary cap (teto salarial), foi instaurado, estabelecendo o máximo que um time poderia gastar com sua folha salarial. Este mecanismo também implementou o salary floor, que determina o mínimo que uma equipe poderia gastar.

    Fatores que resultaram no lockout de 2012?

    O principal fator de discórdia entre a NHLPA e os proprietários dos clubes era a proporção com a qual a receita anual seria dividida.

    Entre 2005-06 e 2011-12 a receita anual foi de 2.2 bilhões para 3.3 bilhões, o que fazia com que os jogadores tivessem um grande aumento nos salários, já que a média foi de 1.46 milhões em 2005 para 2.17 milhões em 2011. Além disso, foi assinado um acordo de televisão valorizado em quase 2 bilhões para 10 anos. 

    Entretanto, o aumento na receita, o teto salarial e o limite nos salários dos novatos não fizeram com que a Liga operasse inteiramente de uma forma saudável. Mesmo com essas limitações os jogadores ainda tinham 57 por cento da receita, enquanto os donos ficavam com 43 por cento.

    A título de comparação, após os lockouts de 2011 na NFL e na NBA, os donos da primeira retinham 53 por cento da receita, e os da liga de basquete tinham direito a 50 por cento.

    Outra causa importante foi a estrutura de mercados, pois havia uma diferença enorme entre os clubes em termos de saúde financeira. Mercados grandes como Montreal, Nova York e Toronto correspondiam a oitenta por cento da receita da Liga, enquanto 13 dos 30 clubes perderam dinheiro em 2011-12.

    Além da questão financeira, a localização também contava pontos, já que hockey era infinitamente mais popular no Canadá do que no sul dos Estados Unidos, por exemplo. 

    O que os atletas fizeram durante a parada?

    Enquanto parte dos jogadores permaneceram na América do Norte para participar das negociações entre a NHLPA e a Liga, muitos foram explorar outros mercados enquanto esperavam pelo retorno da NHL.

    Evgeni Malkin e Alex Ovechkin retornaram para as equipes russas que os revelaram, Metallurg Magnitogorsk e Dynamo Moscow, respectivamente, parte da Kontinental Hockey League (KHL). 

    Outro destino procurado pelos atletas foi a Suíça. Lá, Patrick Kane e Tyler Seguin atuaram pelo EHC Biel, Patrice Bergeron pelo HC Lugano, John Tavares pelo Bern e Joe Thornton pelo Davos.

    Na Suécia, Gabriel Landeskog atuou pelo Djurgarden, Matt Duchene pelo Frolunda e Anze Kopitar pelo Allsvenskan. Jamie Benn e Claude Giroux, por sua vez, foram para a Alemanha, enquanto Jaromir Jagr e Zdeno Chara atuaram na liga tcheca. 

    Aqueles que permaneceram em solo norte-americano passaram a se reunir para treinos informais, já que todas as atividades relativas à  Liga estavam obrigatoriamente suspensa.

    Além disso, foram organizadas partidas beneficentes. A Champs for Charity, trazia jogadores do elenco do Chicago Blackhawks contra uma equipe formada por atletas de outros times. As doações foram destinadas a Ronald McDonald House Charities da região.

    No feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, quase 30 NHLers jogaram em Atlantic City e arrecadaram cerca de 500 mil dólares para ajudar vítimas do Furacão Sandy. Outras partidas de destaque também aconteceram em Toronto e Minneapolis.

    As partes chegam a um acordo

    O centro do acordo foi a divisão igual da receita entre donos e jogadores na proporção de 50% para cada um, tal como a NBA. Outra inovação foi a limitação da duração dos contratos. Antes, os termos não previam limite e passaram a ter prazo máximo de sete ou oito anos, a depender da situação.

    Uma previsão que não foi incluída no CBA é a participação dos jogadores nas Olimpíadas e embora eles tenham feito parte dos jogos de 2014 em Sochi, a participação em 2018 foi vetada pelos donos.

    Outras mudanças incluíram o salário mínimo da Liga, além das suspensões de mais de cinco jogos passarem a ser submetidas para um árbitro neutro e não ao comissário. Por fim, foi instaurado um novo sistema para a loteria do draft. Este passou a incluir todas as equipes que não se classificaram para a pós-temporada.

    O acordo celebrado tem a duração de dez anos, findando-se em 2021-22, com a possibilidade de uma das partes romper o acordo em setembro de 2019, o que não aconteceu.

  • Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Como o NHL Draft pode acontecer em tempos de pandemia?

    Desde que a pandemia do novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, muitas ligas esportivas mundiais precisaram pausar suas atividades.

    A NHL não foi diferente.

    Além de suspender a própria temporada, a Liga adiou eventos como o NHL Awards e o NHL Scouting Combine. Até mesmo o próprio NHL Draft de 2020, que aconteceria em Junho deste ano, ainda não tem uma nova data definida.

    Com toda a tecnologia disponível no mundo, é possível pensar em alternativas para fazer com que o Draft aconteça, mas de forma a não colocar em risco a segurança dos envolvidos.

    O home office se tornou uma realidade para muitos, e a NHL já possui experiência com o evento à distância. Portanto, considerar a possibilidade deste ser transmitido do computador ou tablet de cada participante, por exemplo, não seria algo de outro mundo.

    Existem diversas possibilidades para a realização do evento caso a Liga utilize a tecnologia. Por isso, resolvemos pesquisar mais sobre e trazer algumas alternativas sobre como ele poderia ser realizado em tempos de combate à COVID-19.

    Plataformas Online

    Não é de hoje que a internet vem reinventando o mundo com as diversas plataformas online para a realização de videoconferências. Do skype aos serviços criados pelo próprio Google; existem diversas alternativas para transmissão e realização de eventos, mesmo em tempos como estes, em que as pessoas não podem se reunir fisicamente.

    A dinâmica é diferente da reunião presencial. No entanto, a sua essência se mantém, que é manter o contato com as pessoas, mesmo que todas estejam a quilômetros de distância uma das outras.

    Estas plataformas de videoconferências muitas vezes acabam abrangendo até, ou mais, de 100 pessoas em uma chamada. Assim, permitindo a participação e interação de diversos indivíduos uns com os outros. 

    As próprias mídias sociais, como Instagram, Twitter, Facebook, também possuem as suas ferramentas de vídeo ao vivo para todos os seus seguidores. As “lives“, por exemplo, permitem que o dono da conta se comunique em tempo real com seus seguidores e também convoque outra pessoa para participar desta junto com ela.

    Diversos times da NHL, por exemplo, tem abusado do recurso desde o início da quarentena. Desta forma, eles possibilitam que os jogadores participem destas e conversem com o torcedor em tempo real. 

    No entanto, pensando em um possível cenário de que o Draft tenha de acontecer de forma on-line, existem algumas plataformas que a Liga poderia utilizar para que o evento se realizasse, e destacamos algumas a seguir. 

    Zoom

    O Zoom Meetings é uma ferramenta para a realização de vídeoconferências. Ela suporta reuniões de até 500 pessoas e webinars (formato destinado a públicos maiores), que podem contar com um público de até 10 mil pessoas.

    O serviço funciona da seguinte forma: o administrador cria uma sala de reunião e envia o convite desta, via e-mail ou link, para todos os participantes. Não é necessário criar uma conta no site. Basta apenas acessar o URL e informar seu próprio nome. 

    Além das conversas em tempo real, a plataforma oferece um chat, para quem optar por não ligar o áudio ou vídeo da chamada, transferência de arquivos, compartilhamento de tela. Também possibilita que você grave a conversa (com o consentimento de todos), para que, seguidamente, possa disponibilizar em outras plataformas para aqueles que não puderam acompanhar. 

    É uma ferramenta que pode ser considerada e estudada pela NHL como uma forma de realizar o Draft. Na modalidade paga e webinar, o Zoom abriga cerca de 10.000 participantes nas calls. Desta forma, além dos GMs dos clubes e os responsáveis pela Liga, grande parte dos prospects poderia acessar a call e acompanhar tudo de casa ao vivo. Os próprios canais da Liga poderiam disponibilizar um vídeo ao vivo de todo o evento, transmitindo assim para todos os seus seguidores em todo o mundo. 

    Skype

    De todas as plataformas citadas aqui, o Skype talvez seja um dos mais famosos e o pioneiro na criação das videoconferências. Também é um serviço de chamada de áudio e vídeo, criado pela Microsoft, que está disponível na versão aplicativo (tanto para celular, quanto para o computador) e na própria web, sem que o usuário precise fazer o download.

    Geralmente, a modalidade do Skype que a maioria de nós utiliza abrange até 50 pessoas em uma chamada. Por exemplo, neste caso, se a NHL optasse pelo uso da ferramenta, o Draft contaria apenas com a participação do comissário da Liga e GMs dos clubes. Seguidamente, fazendo a gravação da chamada, o evento poderia ser divulgado em outros canais de comunicação. 

    No entanto, a ferramenta criou uma versão empresarial, há alguns anos: o Skype for Business. Nesta modalidade, uma ligação pode contar com a presença de até 250 pessoas por vídeo ou áudio.

    Por mais que seja um número maior, ainda sim a plataforma não suportaria todos os prospects, muito menos os fãs da Liga.

    Ela poderia ser considerada caso a NHL opte pelo evento não ser aberto ao público. Assim, poderiam existir outras maneiras de as próprias equipes da Liga disponibilizarem o evento mais tarde, para que o público pudesse ficar a par dos acontecimentos. 

    ezTalks

    O ezTalks é uma ferramenta muito parecida com o Zoom de certa forma. Possui a maior parte dos comandos de áudio, vídeo, compartilhamento e gravação de tela, e etc. A modalidade webinar seria a mais indicada para a realização de qualquer evento, já que abriga até 10 mil pessoas em apenas uma reunião. 

    A plataforma oferece alguns hardwares, como cameras, microfones, etc., para melhorar cada vez mais a experiência dos meetings. Portanto, a NHL poderia aproveitar também esses recursos para que o evento fosse transmitido para mais pessoas.

    Microsoft Teams

    O Teams é outra criação da Microsoft para a comunicação on-line. A modalidade gratuita da ferramenta oferece a criação de vídeo conferências que podem abranger até 250 pessoas. Além disso, oferece também os recursos de compartilhamento de tela e edição colaborativa dos aplicativos da Microsoft. 

    Ou seja, se for uma opção, a Liga pode se reunir com poucas pessoas de cada time, apenas os responsáveis. E desta forma, resolver e decidir sobre os prospects que cada time irá escolher. 

    Os próprios canais de comunicação da NHL, e dos próprios times, podem verificar maneiras de transmitir para os torcedores o evento. Desta forma, é neste momento que entram as mídias sociais. 

    Os serviços das mídias sociais

    Nos últimos anos, a NHL tem utilizado de forma abundante dos serviços das mídias sociais. Posts, Lives, Stories, e IGTV são recursos que, não só a Liga, mas os canais de comunicação dos próprios times têm usado de forma frequente. Principalmente nos últimos dias, já que o restante dos jogos da temporada foram suspensos. São lives e videoconferências com os jogadores, vídeos gravados por estes, mas repostados pela própria Liga, com o intuito de manter o torcedor informado até mesmo na quarentena. 

    Por fim, não seria uma opção a se descartar o fato de a Liga optar usar uma transmissão ao vivo no Instagram, por exemplo, a escolha de cada time no Draft. Para que isso acontecesse, GMs e os demais responsáveis precisariam se encontrar antes e deixar as coisas definidas, já que vídeos ao vivo do Instagram, por exemplo, possibilitam que apenas duas pessoas por vez em uma Live. 

    O Twitter, YouTube e Facebook funcionam da mesma forma. Caso os serviços fossem escolhidos, seria necessário ter apenas um mediador diante da câmera anunciando as escolhas dos times. 

    Caso não optem pela opção ao vivo, existem diversas outras maneiras de disponibilizar as vídeo conferências em IGTV, e até mesmo no canal do YouTube da Liga. 

    Portanto, não faltam opções de ferramentas on-line para possibilitar a execução do Draft. Mesmo que este acontece de longe, com cada participante em sua casa. A NHL apenas precisa ponderar quais destas podem vir a ser mais benéficas para a sua execução.

    Quais ferramentas vocês indicariam? Contem para nós nos comentários.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    A vitória dos Kings na Stanley Cup de 2012

    Quarenta e cinco anos. Esse foi o tempo necessário para o L.A. Kings faturar sua primeira Stanley Cup. Guiados pelo capitão Dustin Brown e companhia, a equipe eliminou todos os seus adversários e, por fim, conquistou o prêmio cobiçado há anos. Um dos dois que os Kings vieram a conquistar durante a década. 

    No entanto, as maiores conquistas dos times na NHL só foram construídas a partir de muito trabalho e dedicação no gelo. Não foi diferente com os Kings. Portanto, em mais um texto do especial 10 for 10, contamos para vocês sobre a trajetória de Los Angeles até a conquista da Stanley Cup.

    O caminho até os playoffs

    A offseason de Los Angeles, que antecedeu a temporada 2011-12, foi bastante calma. Por ter cedido a first round pick para o Edmonton Oilers em uma troca, que ocorreu em fevereiro de 2011, o time acabou não tendo sua escolha da primeira rodada do Draft 2011.

    A equipe recebeu dos Oilers o jogador Dustin Penner, e cedeu ao time de Edmonton aquele que seria a 19th overall pick. Por fim, os Kings também precisaram ceder na negociação uma 3rd round pick condicional no Draft 2012, e o jogador Colten Telbert. 

    Finalmente, os Kings iniciaram a nova temporada, e em grande estilo. O time viajou para a Suécia e estreou em 2011-12 na capital do país, Estocolmo. A partida foi disputada contra os Rangers, no dia 7 de Outubro, na Ericsson Globe Arena.

    Ao final do jogo, os Kings derrotaram New York em um placar de 3 a 2. Seguidamente, o time continuou os jogos na Europa, desta vez contra os Sabres. A partida aconteceu no dia seguinte, em Berlim, na Alemanha. No entanto, quem saiu vitorioso no jogo foram os adversários de Los Angeles, com uma vitória de 4 a 2 sobre o time da Califórnia. 

    Após a estreia na Europa, o time registrou um ótimo ritmo durante todo outubro na temporada. Com uma campanha de 6-3-2, a equipe se manteve em boas posições na Liga durante todo o mês.

    No entanto, é em dezembro que as coisas ficaram turbulentas para os Kings. A equipe acaba demitindo seu técnico, Terry Murray, no início do mês, e foi John Stevens quem assumiu a posição como técnico interino. 

    Todavia, no dia 20 de dezembro, os Kings acabaram liberando Stevens e contratando Darryl Sutter para assumir o comando da equipe. A partir do comando de Sutter, o time venceu a maior parte das partidas até o final do ano, perdendo apenas duas em um shoutout e overtime. Ao fim do mês, Los Angeles terminava o ano com 44 pontos registrados na tabela.

    Há um mês do fim da temporada regular, os Kings ocupavam a décima posição na Conferência Oeste, a apenas 2 posições de uma vaga nos playoffs.

    A defesa e goaltending do time se destacaram durante toda a temporada, com grandes atuações de Drew Doughty e Jonathan Quick. O ataque da equipe também possuía diversos talentos, mas o time ainda falhava em encontrar consistência no gelo. 

    No entanto, ao final de março, seus jogadores ofensivos finalmente pareceram se encaixar para marcar os gols que fizeram falta ao início do ano.

    Desta forma, os Kings finalizaram a temporada regular em terceiro lugar na Divisão Pacífica e em oitavo na Conferência Oeste. Por fim, com 95 pontos, o time garante sua passagem para os playoffs com um elenco de grande peso na bagagem e muitas chances de chegar à final.

    Os playoffs

    Era a terceira classificação consecutiva dos Kings para os playoffs. O primeiro adversário do time foi o Vancouver Canucks, que havia feito uma grande temporada regular. No entanto, bastaram cinco jogos, com apenas um vencido pelos Canucks, para o time de Los Angeles eliminar a equipe de Vancouver.

    Os Kings venceram os dois primeiros jogos em casa, e o terceiro na Rogers Arena. Seguidamente, acabaram por perder o Jogo 4 para o Vancouver. Por fim conquistaram a vitória no Jogo 5 e classificaram-se para o segundo round com quatro vitórias sobre o Canucks.

    O segundo oponente de L.A. nos playoffs foi o St. Louis Blues, que finalizou a temporada regular ocupando a segunda posição no ranking da Conferência Oeste. No entanto, a sorte do time de Missouri não foi a mesma nos playoffs.

    Os Kings iniciaram a série jogando na casa dos Blues, vencendo os dois jogos disputados no Enterprise Center (casa do St. Louis). Seguidamente, vencerau os jogos três e quatro em casa e, por fim, com a “varrida”, garantiram a ida para a próxima rodada.

    Já na Final da Conferência Oeste, os Kings se encontravam cada vez mais perto do seu objetivo. Porém, ainda tinham mais um desafio pela frente: eliminar o Phoenix Coyotes (hoje, Arizona Coyotes).

    Phoenix terminou a temporada regular ocupando o terceiro lugar na Conferência Oeste, então era de se esperar que fosse um forte adversário para Los Angeles. Mas as coisas nos playoffs são muito diferentes. O time venceu 4 dos cinco jogos e descolou uma passagem diretamente para a Final.

    Assim, os Kings partiram para New Jersey com o intuito de disputar a última fase da competição contra os Devils. Talvez essa tenha sido uma das séries mais complicadas que o time de Los Angeles precisou enfrentar durante os playoffs.

    Como os Devils tinham vantagem de home ice, os dois primeiros jogos aconteceram em New Jersey. No entanto, não foi o suficiente para intimidar os Kings, que vencram os dois confrontos disputados no Prudential Center em overtime.

    Os dois jogos seguintes aconteceram em Los Angeles. O terceiro terminou com vitória para os Kings. Porém, ao perderem a quarta partida para os Devils, o round avançou para um Jogo 5, no qual os Devils também saíram vitoriosos. 

    Kings Campeão

    Com a vitória dos Devils nos Jogos 4 e 5, foi necessário acontecer um Jogo 6, que ocorreu no dia 11 de junho de 2012. Partida esta em que o New Jersey recebeu os Kings em sua casa.

    Após o primeiro gol de L.A., que saiu no primeiro período pelas mãos do capitão da equipe, Dustin Brown, os Kings decolaram no jogo.

    Por fim, após 6 gols, 3 períodos e uma temporada sensacional, o Los Angeles Kings se tornou o campeão da Stanley Cup de 2012. Após 47 longos anos, o time finalmente trouxe para Los Angeles o primeiro título em toda a história do clube na NHL. Além disso, foi também a primeira aparição do time em uma Stanley Cup Final desde 1993. 

    Jonathan Quick foi uma das peças essenciais na conquista do troféu pelo time. Devido a sua performance no gelo, ele foi eleito MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. O jogador chegou ao final da competição com uma save percentage de .946% (segundo melhor da liga) e foi o goleiro com mais vitórias, todas as 16 do time nos playoffs.

    Dustin Brown, capitão da equipe, foi o líder em pontos (20), gols (8) e assistências (12) na competição pela Stanley Cup. Ao lado dele, seu companheiro de equipe, Anze Kopitar, também liderou, registrando o mesmo número de gols e assistências. 

    O time, por fim, trouxe o troféu para casa, onde comemorou com um grande desfile na cidade, no dia 14 de junho. As ruas de Los Angeles ficaram lotadas de fãs da equipe, que saíram de casa para comemorar junto com os jogadores o tão esperado título dos Kings. 

    Não poderia existir um jeito melhor para o time de Los Angeles começar a década. O  ano de 2012 foi apenas o início de uma década de grandes conquistas para os Kings e vitórias que entraram para a história da equipe.