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  • Draft à distância: nada novo para a NHL

    Draft à distância: nada novo para a NHL

    O Draft da NHL é um dos eventos mais tradicionais da Liga. Isso porque, ele é o principal acesso dos jogadores à NHL, onde conhecemos os novos talentos geracionais de nossas equipes.

    O evento deste ano estava originalmente planejado para ocorrer nos dias 26 e 27 de junho, no Bell Centre, em Montreal, Quebec. Porém, devido ao COVID-19, a temporada da NHL está suspensa. Desde então, eventos como NHL Awards, NHL Combine e NHL Draft também foram adiados, ainda sem definição de nova data. 

    Por conta da pandemia, uma discussão sobre como o draft deste ano aconteceria veio a tona. À primeira vista, o que poderia ser um grande problema para a NHL tornou-se algo que a princípio é fácil de se resolver, já que os Drafts de antigamente não eram presenciais, ou seja, não eram abertos ao público.

    Antes de 1980, o draft da NHL acontecia em hotéis de Montreal ou nos escritórios da Liga, fechados aos fãs. Contudo, em 1980, os Drafts tornaram-se eventos públicos, realizados no Fórum de Montreal (antiga arena dos Canadiens), com mais de 2.500 fãs presentes.

    Em 1985, aconteceu o primeiro Draft fora de Montreal, em Toronto. 

    Drafts à distância

    Desde a implantação do evento presencial, nunca houve outra forma de fazer o draft acontecer. Isso porque os eventos de seleção movimentam e trazem lucro para a cidade sede.

    Isso acaba sendo um grande negócio, pois possui uma logística, muitos hotéis reservados pelas equipes das franquias e fãs que se deslocam para acompanhar o evento. Sendo assim, um possível Draft à distância, seria uma oportunidade lucrativa perdida para a cidade sede deste ano. 

    As chances da NHL voltar ainda são turvas, mesmo com tudo indicando o cancelamento iminente da temporada 2019-20. Se a temporada voltar em maio ou junho, o draft poderá ser adiado e o evento acontecer normalmente de forma presencial. Todavia, se a temporada for de fato cancelada, o Draft possivelmente aconteceria nos dias já planejados, 26 e 27 de Junho. Entretanto, seria realizado por telefone ou virtualmente.

    Nas ligas de hockey juniores, o Draft remoto já acontece. Basicamente, quando é a chance do time de escolher o pick, você anuncia sua escolha por telefone em uma teleconferência. A seleção de Connor McDavid pelo Erie Otters, por exemplo, foi dessa maneira.

    Outra opção que a liga poderia considerar é conduzir o draft em uma arena vazia. Dessa forma, você limita o número de pessoas em Montreal a clientes em potencial, família, funcionários e mídia. Porém, para que isso ocorresse, seria necessário uma baixa significante na pandemia do COVID-19. 

    A NFL (futebol americano) já anunciou que o seu Draft, que acontece este mês, será virtual. Então, não seria surpresa se a NHL adotasse a mesma forma. Contudo, um dos maiores problemas de uma conferência virtual seriam as más-intenções de hackers, que tentariam de alguma forma invadir o Draft da NHL.

    A menos que a NHL possa descobrir uma maneira de fazer isso sem riscos e com uma tecnologia de ponta, são percausos que cabe a Liga se planejar. Afinal, se antes das tecnologias, alguns times já faziam besteira, imagina o caos que interferêncais mal-intencionadas poderia causar. 

    Sendo assim, o Draft de 2020 sem dúvidas entrará para a história. Seu formato será diferente e a NHL precisa buscar alternativas para minimizar os erros. Pensando nisso, contamos uma história curiosa envolvendo a escolha de jovens jogadores para as franquias.

    Buffalo Sabres e o jogador japonês

    Com o draft da NHL sendo fechado ao público, sem presença de mídias e sem o avanço da internet, a confidencialidade dos drafts foi justamente o que possibilitou um jogador inexistente a ser draftado pelo Buffalo Sabres.

    Em 1974, a Liga possuía apenas 18 franquias. Portanto, o recrutamento de jogadores podia estender-se para além de 9 rodadas (isso mudou em 2005, quando foi reduzido a 7 rodadas). Naquele ano, todas as equipes participaram do sorteio por teleconferência ao invés de um sorteio em uma única arena. Isso levou o Draft a ser um processo ainda mais lento e trabalhoso. 

    George “Punch” Imlach, na época gerente geral do Buffalo Sabres, estava cansado do processo tedioso que acontecia pelo telefone. Os jogadores mais importantes eram os selecionados na primeira metade do draft, já que os escolhidos nas rodadas posteriores tinham poucas chances de atuar na NHL. 

    Logo, com a ajuda de Paul Wieland, seu diretor de relações públicas, eles resolveram inventar um jogador a ser draftado. Imlach então usou sua 183ª escolha geral naquele ano para recrutar o japonês Taro Tsujimoto do Tokyo Katanas – uma equipe que não existia, com um nome inventado por Punch, supostamente retirado de uma lista telefônica da área de Buffalo.

    Nos anos 70, os scouts tinham pouco conhecimento de jogadores fora da América do Norte. Embora nenhuma das outras equipes tenha ouvido falar de Tsujimoto ou Tokyo Katanas, o comissário da época, Clarence Campbell, não questionou a escolha de Imlach. Por fim, a NHL registrou o jogador oficialmente. 

    Entretanto, após semanas do registro do jogador, a NHL eventualmente viria a descobrir a piada e declarou que a escolha dos Sabres era inválida. Os registros da NHL ignoram a 183ª escolha em 1974, mas Buffalo ainda a mantém em seus guias de mídia.

    Vale ressaltar que Tsujimoto se tornou uma espécie de piada interna para os fãs do Sabres, e de vez em quando, é possível ver alguém vestindo sua camisa em Buffalo.

    Foto: Reprodução journalmetro.com

  • Entrevista: Thiago Simões

    Entrevista: Thiago Simões

    Hockey na ESPN Brasil já é uma coisa comum para nós. Aguardamos semanas até o jogo do nosso time ser transmitido e, quando acontece, não perdemos a chance de assistir. Entretanto, as transmissões na TV como temos hoje nem sempre existiu. 

    Em 2010, a ESPN Brasil anunciou a volta do hockey para a grade. Pela primeira vez em 6 anos, o esporte voltava à programação da emissora. Isso porque após a Final da Stanley Cup entre Tampa Bay Lightning e Calgary Flames em 2003-04, quando o time da Flórida conquistou a taça, a Liga entrou em lockout, que durou a temporada inteira. Por coincidência ou não, aquela também foi a última temporada transmitida pela ESPN no Brasil.

    Após este hiato que deixou o telespectador brasileiro órfão do esporte, a temporada 2010-11 chegou para ser transmitida no Brasil. Porém, o esporte só ganhou destaque durante os playoffs, quando os jogos ficam mais competitivos e mais atrativos para os torcedores nacionais. 

    Naquele ano, a final da Stanley Cup foi disputada entre Boston Bruins e Vancouver Canucks, que teve o time de Boston como o grande campeão. Com o destaque que a ESPN Brasil deu para a competição, muitos fãs do hockey aqui no Brasil tiveram a oportunidade de conhecer nosso amado esporte e acompanhar a sua primeira final do campeonato.

    O NHeLas decidiu homenagear as transmissões no canal como parte do 10 for 10 de março, mês em que celebramos e relembramos o ano de 2011.

    Batemos um papo com o Thiago Simões, da ESPN Brasil, que nos contou um pouco da experiência de trabalhar com o hockey no canal e sua relação com o esporte.

    Thiago é jornalista esportivo e, assim como nós, fã de hockey. Ele tem sido um dos defensores da modalidade aqui no Brasil, enxergando o potencial que nosso país tem de atrair cada vez mais fãs para o esporte. Atualmente ele é comentarista na emissora e tem um canal no youtube no qual fala sobre esportes e games.  

    (A transcrição foi editada para maior clareza)

    Antes da estréia no final de 2010, a última transmissão de jogos no Brasil tinha sido a final da Stanley Cup da temporada 2003-04. Como foi passar a transmitir a NHL após tantos anos?

    Para mim foi sensacional, porque eu era um espectador. Eu gravava os jogos na década de 1990, tenho muitos jogos gravados em fitas. Inclusive preciso encontrar essas fitas para transformar tudo em meio digital, né? Mas foi uma sensação maravilhosa, porque além de jornalista, sempre gostei de hockey. As pessoas achavam que eu era louco (por) gostar de hockey. Hoje eu provo totalmente o contrário, é um dos motivos do meu ganha pão.

    Como surgiu o interesse da emissora para passar a transmitir os jogos?

    Não faço ideia, acho que só a televisão vai conseguir responder isso para vocês. Mas o que eu escuto hoje em dia, e que pesa bastante, é o fato da gente ter os quatro (grandes) esportes americanos. É o que enriquece a marca ESPN. Mas não é o posicionamento da empresa, esse é um posicionamento meu. 

    Como aconteciam as transmissões no início?

    As transmissões no início eram um pouco mais simples. De certa forma, existia uma produção muito grande por trás de tudo isso, mas não eram muito diferentes do que a gente encontra hoje em dia. Não tem uma grande diferença. A transmissão no início era um pouco mais crua, a gente não sabia como lidar com o espectador.

    Hoje em dia, a gente já sabe como lidar um pouco mais com o espectador, principalmente o que eles estão afim de escutar. É lógico que a gente tem que manter sempre a didática, acho que isso é muito importante para que as pessoas possam cada vez mais conhecer o hockey. 

    Muitos fãs pediam para as transmissões voltassem ao ar. Como foi enfim atender aos pedidos? 

    No começo, o pessoal ficou bem feliz. A gente tinha um “Mural ESPN”, (na época) não existia redes sociais da forma que é hoje. Até existia rede social, mas o pessoal usava muito o “Mural ESPN”. O pessoal gostava muito, ficava feliz.

    O hockey não é um esporte tão difundido aqui no Brasil, é um esporte muito de nicho então não eram tantas as pessoas que se pronunciavam e entravam no “Mural ESPN”.

    Os playoffs daquele ano ganharam destaque. Como foi essa cobertura? 

    Foi espetacular! A oportunidade de fazer uma primeira final de Stanley Cup. A gente ainda (está) em busca de fazer in loco, quem sabe um dia isso possa acontecer. Não dá pra descrever, eu me emocionei muito, chorei pra caramba. O Ari (Aguiar) também chorou, foi espetacular, sem palavras.

    Tem alguma história curiosa sobre aqueles playoffs?

    Eu não vou lembrar de cabeça, teria que dar uma pesquisada, mas com certeza passar as madrugadas, às vezes passando prorrogações infinitas, sem saber a hora em que ia acabar, era sensacional.

    A gente ficava desesperado, ao mesmo tempo a gente queria que o jogo continuasse, a gente queria que o jogo acabasse. Porque é muito desgastante, a pessoa acha que é simplesmente sentar lá e falar e não é só isso. É muito desgastante para o psicológico ficar duas horas sentado. Imagina no hockey que são pelo menos 2h30 a 3h, numa prorrogação, num jogo totalmente emotivo, que você tem que passar esse tipo de emoção para as pessoas.

    Apesar de ser transmitido há alguns anos, o esporte ainda não tem o mesmo público que as outras ligas americanas aqui no Brasil. Quais as dificuldades enfrentadas no início e os obstáculos que ainda existem?

    Bom, a grande dificuldade eu acho que fica principalmente por ser um esporte de uma cultura totalmente diferente. A gente não tem a mesma cultura de andar sobre patins no gelo. Jogar hockey não é uma coisa comum aqui. Mas aí as pessoas vem me falar “ah, mas o futebol americano também não é praticado aqui.” Sim, mas com uma bola e um parque você consegue jogar futebol americano. Você consegue jogar futebol americano com o seu filho, eu fiz isso, eu estou fazendo nesses dias de quarentena aqui dentro de casa, aqui no corredor a gente fica jogando bola um pro outro.

    No hockey não dá para fazer isso. Você precisa ter um local específico para isso. Eu acho que a dificuldade enfrentada no início era exatamente mostrar que a gente tinha vindo para ocupar um espaço importante na TV, e os obstáculos que ainda existem ficam muito relativos ao preconceito.

    O preconceito não só do pessoal de fora, mas o preconceito também que existe dentro das redações. Praticamente o que se notícia de hockey é briga, é “pontapé”. E a gente sabe que o hockey não é isso, a gente conhece o hockey, e só com tempo a gente vai conseguir mudar (esse estereótipo). Quanto mais vezes passar isso na televisão, mais vezes a gente vai mostrar que não é só briga, e mostrar que a briga é algo cultural.

    Já mostrei isso em alguns vídeos do YouTube, não é tão simples de explicar para as pessoas. Tem pessoas que não gostam de brigar, né? A gente tem que entender isso. Mas quem sabe com o tempo, porque ele tem uma aproximação muito grande com o futebol: ver quem marca mais gols. E eu acho que tem algo que se perdeu muito no futebol, que é a paixão. O hockey tem uma paixão, o jogador se dedica 100%, porque se você não se dedicar 100% você acaba se dando muito mal.

    Como você se preparou para as primeiras transmissões? Teve mudanças neste processo ao longo dos anos? 

    Eu nunca me esqueço da primeira transmissão, em que a gente acabou tendo muitas informações americanas. Temos direito aos game notes, que dá cerca de 90 páginas. Eu lembro que na minha primeira transmissão, não me pergunte qual foi o meu primeiro jogo, porque eu não vou lembrar. É uma coisa que eu deveria saber, né? Mas eu lembro que daquelas 90 páginas, eu transformei em umas 100, 150 para estudar. E aí chegou na transmissão, eu não consegui usar nada daquilo porque a gente se sente totalmente perdido, não sabe nem por onde começar.

    Então eu comecei a filtrar as informações mais importantes, e eu lembro que no início eu trazia muitas curiosidades. Porque o Diogo (Novaes) era um cara que tinha vivido nos Estados Unidos, ele tinha aquela pegada mais Paulo Antunes de conhecer o jogo em si. Eu era apenas uma pessoa que era apaixonado pelo esporte, mas que era jornalista. Então eu trazia um outro viés para transmissões. Da mesma forma que o Diogo trazia muitas informações estatísticas, eu trazia essas curiosidades, e com o passar do primeiro ano, até o segundo, cada um já mesclava um pouco de cada uma (dessas informações).

    Foi basicamente assim que começaram as transmissões de hockey. E com o Ari sempre foi muito mais fácil fazer isso, porque o Ari sempre foi uma pessoa muito aberta para a brincadeira. Com o passar do tempo, vivendo a Liga todos os dias, você acaba de uma certa forma diminuindo o número de estudo, focando no que é mais importante, mas não deixando de lado o fã de esportes que tá aprendendo sobre o hockey.

    Então a minha preocupação hoje em dia é trazer informações bem básicas. Uma metodologia que eu tento utilizar agora que é trazer informações mais básicas, brincar bastante para deixar a transmissão com entretenimento para ver se as pessoas conseguem gostar do esporte. E aí quando chega nas cabeças, final de Conferência, final de temporada, eu já entro no âmbito de estratégia, de estatística. Ou seja, eu tento focar um pouco mais no que o fã do esporte que é hardcore busca. Mas a gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque ao trazer ali informações hardcore e complexas, você afasta as pessoas. 

    Existe algum ritual específico antes de cada transmissão? 

    Não, não tem nenhum ritual. Eu sou muito tranquilo, não tento buscar um ritual para fazer. Que eu me lembre agora não tem nada de específico, só a preparação diária. Geralmente eu estudo de manhã, quando eu acordo. E aí eu dou um respiro, e no final do dia volto a estudar de novo. Começo o estudo vendo jogos anteriores, no meio do estudo pego estatísticas e no final busco notícias mais recentes. Basicamente é isso.

    Qual a maior dificuldade que você tem ao se preparar para cada jogo?

    A maior dificuldade é estar 100% saudável. Quantas vezes a gente já esteve com febre, não esteve com um bom humor e tinha que trazer alegria, né? Porque a gente vende um sonho e às vezes a gente não tá 100% mentalmente, 100% fisicamente. Eu acho que esse é o grande desafio. Às vezes porque a pessoa enxerga a gente na televisão e acha que a gente é aquilo. Mas não, eu sou pai, tenho um filho. O Ari tem família dele, tem as preocupações extras dele. Não cabe aqui falar quais são, mas a gente tem nossas preocupações e, infelizmente, as pessoas deixam isso de lado e acreditam que a gente é exatamente aquilo que aparece.

    Eu principalmente, tento ser a mesma pessoa em todos os ambientes. As meninas (do NHeLas) me conhecem muito bem e elas sabem quem eu sou naturalmente. Eu tento ser da mesma forma no ar, e o Ari também é assim. Mas às vezes não é fácil. Quantas vezes a gente não tem uma dificuldade para fazer uma transmissão por causa de um problema extra? Mas a gente tem que fazer tudo no nosso melhor. A gente recebe para isso, mas é não é nada fácil.

    A liga possui 31 times, como é decidido quais partidas serão transmitidas?

    Eu sento com o responsável pela programação todo mês, a gente recebe uma lista dos jogos que tem disponível, e definimos quais serão. Como é que é feito isso? Você imagina ter que prever qual é o jogo melhor para daqui um mês? Não é nada fácil, né? A gente tem que levar em consideração o posicionamento dos times na tabela. Além disso, como a gente não tem tanta audiência, ficamos refém dos horários disponíveis. 

    Então, como é que funciona: essa semana a gente tem disponibilidade de horário terça-feira às 9 horas da noite, quinta-feira às 10 horas da noite e sábado às 6 horas da noite. A gente tem que saber quais são os melhores jogos que se encaixam nesse horário, e então utilizamos a premissa de quais times estão melhores qualificados e, na segunda forma de analisar, caso não tenha muitos jogos bons, a gente tenta pegar os times mais tradicionais. 

    Às vezes a pessoa reclama “ah, eu não tô vendo o Los Angeles Kings na televisão”. Cara, tem que conciliar… O horário dentro desses horários descritos tem o Los Angeles Kings? Não. O time tá bem? Não. Então fica difícil a gente transmitir o Los Angeles Kings hoje em dia. Da mesma forma que fica difícil a gente transmitir o Detroit Red Wings, porque quanto melhores os jogos que a gente tiver na televisão, melhor pode ser a nossa audiência, e melhor a forma do fã de esporte gostar do esporte.

    Não adianta trazer um jogo dos últimos colocados e ver aquele jogo horroroso. O cara que nunca viu hockey e colocou ali pela primeira vez dançou. É lógico que não existe uma lógica de qual jogo vai ser bom ou ruim. Mas a tendência de você ter um jogo melhor entre equipes que estão melhor na competição é muito maior. Então a gente parte dessa premissa.

    Hoje em dia existe um público bem variado que acompanha o esporte. Como você enxerga a evolução do público do hockey aqui no Brasil?

    Eu acho que a evolução ainda não é grande. Eu luto diariamente nas transmissões, bato de frente com todo mundo na TV para tentar ter espaço. A gente sabe que não é nada fácil. Mas a gente vê uma movimentação muito grande, principalmente de pessoas como vocês, de perfis de hockey. Isso é muito importante para você gerar o engajamento. Mas eu confesso que ultimamente tenho visto muito engajamento de perfis, mas pouco engajamento de pessoas.

    Principalmente nas redes sociais. A gente tem que tomar cuidado também porque redes sociais não serve muito como parâmetro. Às vezes a gente tem essa noção de que rede social é o mundo, mas não. O mundo é muito maior que as redes sociais. Elas servem como um parâmetro que é o da internet, mas não como parâmetro de você julgar o que é audiência ou não.

    A internet facilitou muito a vida do torcedor. Você acha que isso influenciou no aumento do público de 2010 para o público de hoje?

    Com certeza, tanto para o bem como para o mal, né? Porque as pessoas acabam indo buscar mais informações, informações mais coerentes, mas também acabam tendo a opinião delas. E às vezes acabam ultrapassando o limite do respeito, mas isso faz parte das redes sociais.

    Pode ter certeza que influenciou sim o conhecimento. Não digo que fez aumentar o público, porque quem tem interesse vai atrás.

    Como é a interação dos fãs pelas redes sociais? 

    Olha, geralmente é 100% positivo. De vez em quando a gente recebe alguma crítica ou outra, né? Não dá para agradar todo mundo. Mas eu acho que de uma forma geral, o público gosta muito das nossas transmissões. E é o que a gente tenta fazer, então serve como esse parâmetro também, é um feedback para a gente.

    Durante esses últimos 10 anos de transmissão aconteceram muitas finais memoráveis. Qual final foi a mais emocionante?

    Olha, eu acho que todas as finais foram emocionantes. É muito difícil separar uma, pra mim. Eu acho que o dia que o Colorado chegar na final vai ser memorável. Mas eu guardo na mente duas finais.

    Em 2014-15, quando a gente teve (Tampa Bay Lightning) e Chicago Blackhawks foi o ano do nascimento do meu filho, que nasceu em abril. Então vocês imaginam abril, maio e junho como é que foi a minha vida? As vezes eu chegava 2h, 3h da manhã e não conseguia dormir porque tinha que ajudar minha esposa a cuidar do filho. Por mais que ele quisesse só a mãe eu tinha que dar um suporte, então não foi nada fácil pra mim. A grande decisão foi um grande alívio. Foi um ano em que eu chorei muito na Final, eu sou meio chorão mesmo. Foi um ano muito especial por mais uma conquista na minha vida, mas ao mesmo tempo foi uma temporada muito dura porque eu precisei de uma força sobrenatural. 

    E, quando surgiu a temporada 2015-16, talvez tenha sido a que eu mais me emocionei. A final foi um entre Pittsburgh Penguins e San Jose Sharks, porque foi um ano muito complicado para mim, que eu praticamente abandonei as transmissões pra cuidar da minha saúde mental, não foi nada fácil. Não sei como eu ia trabalhar, não sei. O pessoal me deu muita força na época, o Ari principalmente e minha esposa também. Foi uma final que parecia que eu tinha jogado e conquistado o título.

    Porque com saúde mental não se brinca, e até faço um pedido aqui: tomem cuidado, preparem-se para qualquer problema, busquem terapia, busquem psiquiatra. Porque não é brincadeira não, foi um ano bem complexo para mim por causa disso. Então isso fica na história porque serviu de todas as formas para eu evoluir como ser humano, principalmente a minha parte espiritual. E ter conseguido de uma certa forma vencer esse grande desafio, que foi esse problema fora do meu trabalho.

    Graças a Deus hoje estou muito bem, continuamos a luta e, quem sabe, logo logo a gente vai estar 100% curado. Mas tudo acontece na vida uma vez e não é por acaso. Então a final de 2015-16 foi o ápice eu acho, por esse problema extra-campo, “extra-rinque”. Porque não foi nada fácil. Às vezes eu não queria sair da cama, não queria ir trabalhar, mas tinha que ir, né? E vocês me ajudaram muito também, de uma certa forma, a superar tudo isso.

    De onde surgiu o interesse pelo hockey? 

    Bom eu comecei a gostar de hockey na década de 1980. Já faz muitos anos, muitas de vocês nem era nascidas. Sou velhinho, tenho 39, daqui a pouco faço 40. Mas eu sempre gostei de hockey. Infelizmente, quando eu era garoto, eu nunca tive a oportunidade de jogar porque sempre foi um esporte elitizado, o hockey inline. Fui jogar depois de mais velho porque eu tive uma condição melhor financeira, e o que me aproximou muito do hockey foi exatamente o video game.

    O video game foi fundamental para isso, os primeiros jogos da Electronic Arts: NHL 92, 93 e 94. A 94 me marcou muito. Daí uma coisa leva a outra, transmissões da ESPN, revistas, lojas. Nós tínhamos uma loja aqui (em São Paulo), eu nunca me esqueço, no Morumbi Shopping, que vendia camisetas de hockey, de futebol americano. Inclusive eu tinha uma camiseta do Dallas Stars da Starter, comprada em 1995. Paguei uma fortuna nessa camiseta, na época era tipo 500 reais, uma coisa assim.

    Futuramente, podemos esperar jogos de outras ligas de hockey além da NHL e CHL na ESPN?

    Dando um cenário realista, eu acho muito difícil. Porque as transmissões de hockey são muito caras, hoje em dia nós pagamos para transmitir. Nós não temos uma verba que entra por causa do hockey. Mas isso pode mudar, quem sabe? De uma certa forma, como eu já disse, fortalece a marca ESPN como transmissora dos quatro esportes americanos.

    Eu acho que se o esporte crescer, com certeza nós podemos ter a possibilidade de quem sabe transmitir a Kontinental Hockey League. Talvez seja um dos meus grandes sonhos trazer o hockey russo, que é o segundo melhor hockey do mundo. Mas isso depende da audiência, a gente só vai conseguir isso se a audiência crescer. Para audiência crescer, nós dependemos de uma divulgação maior, que não é só de vocês, que é também da televisão. É um trabalho e esforço maior de todo mundo para trazer mais pessoas (para) acompanharem o hockey.

  • Monte sua quarentena e te diremos o que assistir

    Monte sua quarentena e te diremos o que assistir

    Quarentena, momento de ficar em casa e cuidar daqueles que amamos. E para se manter entretido, não falta conteúdo. É curso online, vídeo-aula, treinos com amigos fitness, CHEL com os amigos não tão fitness…

    Por esse motivo, decidimos te indicar uma série de vídeos que podem te manter ocupado enquanto a nossa liga favorita não volta. Para isso, monta com a gente a sua quarentena ideal e não se esqueça de compartilhar o resultador e checar o que os outros estão assistindo!

  • A realocação do Atlanta Thrashers

    A realocação do Atlanta Thrashers

    Os rumores da realocação do Atlanta Trashers, antes incertos, tornaram-se verdade quando a equipe foi vendida para a empresa True North Sports & Entertainment.

    O time foi criado em 1997 na cidade de Atlanta, no estado da Geórgia, e começou a jogar 2 anos depois, em 1999. Por conta do baixo número de comparecimento dos torcedores aos jogos, além de problemas financeiros devido a uma administração ruim, a última temporada do Atlanta Trashers foi em 2010- 11.

    Dessa forma, em apenas uma década, a cidade de Atlanta perdia seu segundo time de hockey na era moderna da NHL. Em nosso segundo artigo sobre 2011 para o especial 10 for 10, o NHeLas aborda a trajetória da realocação do Atlanta Thrashers para Winnipeg, em Manitoba, no Canadá. 

    Origens

    A cidade de Atlanta ganhou uma franquia de hockey em 25 de junho de 1997, juntamente com a expansão da NHL para outras quatro equipes, que viriam a ser o Nashville Predators, o Columbus Blue Jackets e o Minnesota Wild. 

    Contudo, o estado de Geórgia já havia tido uma experiência com hockey anteriormente. O Atlanta Flames foi fundado em 1972, entretanto, o time foi realocado para Calgary, no Canadá, em 1980. O primeiro fracasso com os Flames desencorajou a inclusão de hockey no sul dos Estados Unidos por mais de uma década.

    No Draft de 1999, a loteria deixou o recém-chegado Atlanta Thrashers com a segunda escolha em cada rodada. Numa troca de picks com Vancouver, o time acabou escolhendo 1st overall e selecionou Patrik Stefan. Junto dele, Luke Sellars foi selecionado por Atlanta como a 30ª escolha geral, e 2ª no segundo round.

    Os dois viriam a ser grandes decepções na história do draft. A NHL listou Stefan como o pior first round pick de todos os tempos, e Sellars teve apenas uma partida na Liga. Isso foi uma grande surpresa para a mídia do hockey, uma vez que Stefan era considerado um futuro franchise player.

    A primeira partida dos Thrashers foi em 2 de outubro de 1999, com uma derrota por 4 a 1 para o New Jersey Devils. O primeiro gol da franquia foi de autoria do capitão Kelly Buchberger, e a equipe terminou em último lugar na Southeast Division, com um recorde de 14 vitórias, 61 derrotas e sete empates, com um total de 39 pontos. 

    As melhorias só viriam no ano seguinte. Atlanta teve a 2ª escolha geral no Draft da NHL de 2000 e o jogador selecinado foi Dany Heatley, que viria a se tornar um dos melhores jogadores do time. Além disso, a equipe também teve uma ótima pick no Draft de 2001, com a primeira escolha geral, Ilya Kovalchuk. Consequentemente, eles foram nomeados para a equipe All-Rookie da NHL e Heatley recebeu o troféu Calder Memorial.

    Primeiro (e único) playoffs

    A temporada de 2006-07 foi especial para a equipe. Naquele ano, o time possuía grandes expectativas para irem longe no campeonato. Com um time saudável, composto por bons nomes como Marian Hossa e Ilya Kovalchuk, além de um saudável goleiro em Kari Lehtonen, os Thrashers conquistaram sua primeira e única vaga nos playoffs da história da franquia.

    O time venceu o título da Southeast Division com 43 vitórias. Entretanto, nas nas Quartas de Final da Conferência Leste eles foram eliminados pelo New York Rangers, em apenas 4 jogos. 

    Declínio e eventual realocação para o Canadá

    Após alcançarem os playoffs pela primeira vez, os Thrashers não começaram a temporada 2007-08 bem. Eles perderam os 6 primeiros jogos e consequentemente, a demissão do técnico Bob Hartley veio em 17 de outubro de 2007.

    Quem assumiu o cargo de forma provisória foi o GM Don Waddell. No fim daquela temporada, Thrashers terminaram a temporada com apenas 76 pontos, finalizando em 14º na Conferência Leste.

    Ilya Kovalchuk deixaria os Thrashers pelo New Jersey Devils por não conseguir chegar em um acordo salarial. Em 2010, a equipe de Atlanta terminou em 10° na Conferência, com 83 pontos, o que seria o maior número de pontos conquistados em uma temporada regular desde a conquista do título de divisão.

    Ao passo que os anos passavam, o time se encontrava em uma situação difícil. O fracasso no desempenho do time, em conjunto a perdas financeiras e dificuldades, tornava a equipe alvo de frequente rumores de realocação. Alguns destinos mencionados eram Kansas nos EUA, Quebec, Hamilton, ou Winnipeg no Canadá.

    Por fim, em 22 de janeiro de 2011, foi reportado que a equipe havia perdido 130 milhões de dólares nos últimos seis anos. Isso se deu parcialmente a um processo em andamento com Steve Belkin, um dos maiores shareholders do grupo que era dono do time.

    Apesar de ter existido um esforço de grupos locais da cidade de Atlanta para manter a equipe lá, em maio de 2011 finalmente foi anunciada a venda do time ao grupo canadense True North Sports & Entertainment.

    A princípio, o anúncio de um acordo finalizado foi refutado pela liga, que reconheceu apenas a existência de negociações entre as partes. O comissário da NHL, Gary Bettman, era favorável a realocação, e rapidamente foram feitos planos para as mudanças necessárias no Draft daquele ano.

    O grupo tinha a intenção de levar a equipe para Winnipeg revivendo os antigos Jets, que jogaram de 1979 a 1996 na NHL, antes de serem realocados para o Arizona.

    A venda foi reportada em U$ 170 milhões, incluindo uma taxa de U$ 60 milhões pela realocação. A mudança foi enfim oficializada após aprovação unânime do NHL Board of Governors em junho. Diferentemente dos Flames, dessa vez os direitos sobre o nome e logo da equipe ficaram na cidade, com o Atlanta Spirit Group.

    Enfim, os Thrashers se tornaram os Jets, e o Canadá ganhou, pela segunda vez, uma franquia da NHL diretamente de Atlanta.

    Foto: Reprodução Scott Cunnigham/Getty Images

  • A polêmica salarial durante a pausa da NHL

    A polêmica salarial durante a pausa da NHL

    O novo coronavírus pegou a população mundial de surpresa. Com uma transmissão rápida, países do mundo todo começaram a tomar medidas drásticas para tentar controlar a situação.

    Com isso, a NHL e precisou também entrar em quarentena pelo bem da população e de seus jogadores. A Liga anunciou a sua pausa ainda no início do mês, deixando assim vários trabalhadores nas arenas incertos em relação aos seus salários.

    O “suspense” gerou muita polêmica e tensão no mundo do hockey. Tudo começou quando alguns times anunciaram que não iriam pagar esses salários, já que as arenas estavam fechadas e portanto sem funcionários no local.

    No entanto, os jogadores continuariam a receber seus salários, mesmo sem estar jogando. Desta maneira a situação ficou extremamente injusta já que ambos não estariam trabalhando, mas somente os jogadores não teriam seus salários cortados.  

    Não somente isso, a maioria dos donos dessas franquias são bilionários e portanto têm consições de pagar os salários desses funcionários, o que só causou mais polêmica ainda.

    Diante dessa situação, vários jogadores e fãs se mobilizaram para doar dinheiro para ajudar nos salários e assim impedir que esses funcionários sofressem financeiramente durante esse momento tão difícil para a população.  

    Pagar ou não pagar

    No início, muitos clubes ainda não haviam informado se iriam ou não pagar seus funcionários.

    Em parte essa questão sobre pagar ou não se dá porque nem todas as arenas pertencem aos donos dos times, ou se tratam de funcionários terceirizados. Nesses casos, em teoria, a empresa responsável por esses funcionários que deveria pagar os mesmos. No entanto, esperava-se dos times então pagar essas empresas mesmo sem ter utilizado os serviços deles.

    Outra questão que pesou também é que a temporada regular já estava chegando ao fim e muitos times já estavam com seus jogos contados. É o caso do Minnesota Wild, que só tinha seis jogos na agenda. 

    Caso a caso

    Até o momento da publicação desse texto, assim se posicionaram as franquias da NHL em relação ao pagamento dos trabalhadores em questão:

    Anaheim Ducks: Um dos primeiros times a se pronunciar, os proprietários dos Ducks informaram que pagarão seus funcionários até o dia 31 de março.

    Arizona Coyotes: Inicialmente, o time estava estudando a melhor solução para este momento. No dia 16 de março eles anunciaram que iriam pagar pelos jogos que estavam agendados.

    Boston Bruins: A princípio, o time não havia informado que iria pagar os funcionários, com isso os jogadores começaram então a doar dinheiro para ajudar nesses pagamentos. Brad Marchand compartilhou um GoFundMe para que mais pessoas ajudassem. Por fim no dia 21 de março o time informou que estabeleceu um fundo de 1,5 milhão de dólares para o caso dos jogos finais não serem disputados. 

    Buffalo Sabres: Ainda no início foi informado que os funcionários seriam pagos pelos jogos cancelados. Contudo, os jogos por enquanto estão suspensos e não cancelados. O time não voltou a se pronunciar sobre o assunto.

    Calgary Flames: O time informou que não pagaria os funcionários pelos eventos cancelados ou adiados, e diante desta situação os fãs decidiram então criar um GoFundMe. Através da “vaquinha”, foram arrecadados 81 mil dólares, sendo 62 mil doados por jogadores e parceiros do time. Posteriormente os proprietários mudaram de opinião e anunciaram a criação de um programa para estar fazendo os pagamentos.

    Chicago Blackhawks: Um dos primeiros a se pronunciar, os proprietários informaram que continuarão pagando seus funcionários até o fim das temporadas regulares da NHL e NBA.

    Columbus Blue Jackets: Também fazendo um anúncio ainda na primeira semana, o time se comprometeu a pagar seus funcionários pelos jogos agendados.

    Colorado Avalanche: O time se pronunciou logo no início da pausa e informou que pagaria seus funcionário por 30 dias, além de pedir que seus fornecedores e parceiros fizessem o mesmo.

    Carolina Hurricanes: Assim como os Coyotes, o time anunciou que estava estudando a melhor solução para a situação. Posteriormente eles anunciaram que irão fazer os pagamentos.

    Dallas Stars: O time não se pronunciou sobre o assunto. No entanto Mark Cuban, proprietário do Dallas Mavericks (NBA) se prontificou a pagar os funcionários da Arena e inclusive criou um programa para os mesmos. Com isso os funcionários que trabalham nos jogos dos Stars também estão inclusos. O jogador John Klingberg doou uma camisa autografada para ajudar num leilão em prol do combate à pandemia.

    Detroit Red Wings: A empresa responsável pelo time anunciou a criação de um fundo no valor de um milhão de dólares para o pagamento dos funcionários.

    Edmonton Oilers: O time informou que todos os funcionários da arena que foram afetados com a paralisação serão pagos.

    Florida Panthers: O goleiro Sergei Bobrovsky anunciou uma doação no valor de 100 mil dólares juntamente com outros jogadores que também doarão. Posteriormente o time anunciou que estará contribuindo com qualquer quantia adicional. 

    Los Angeles Kings: Assim como os Hawks, os Kings se prontificaram a pagar todos os funcionários pelo o que seria até o final da temporada regular da NHL e da NBA.

    Minnesota Wild: Com a ajuda de doações dos jogadores, o time anunciou que pagaria os funcionários de meio período pelos seis jogos restantes da temporada.

    Montreal Canandiens: A organização anunciou que aumentaria os benefícios para os funcionários elegíveis para o seguro-desemprego e para aqueles que não iriam pagar 75% do que recebem normalmente. Posteriormente eles anunciaram que os jogadores ajudaram com doações para os funcionários dos dias de jogo.

    Nashville Predators: O presidente do grupo acionário do time informou que eles pagariam pelos eventos agendados e estavam procurando uma solução para os outros eventos perdidos.

    New Jersey Devils: Logo no início da pausa, o time anunciou que pagaria por todos os eventos adiados.

    New York Islanders: Assim como os Stars, a equipe não se comprometeu a pagar, no entanto informou que o time da NBA Brooklyn Nets irá efetuar os pagamentos aos funcionários do Barclays Center.

    New York Rangers: O time anunciou que pagaria seus funcionários até o dia 22 de março, mas estava estudando um plano para o longo prazo.

    Ottawa Senators: O proprietário se prontificou a pagar pelos jogos restantes dos Senators, incluindo os 6 jogos do Belleville Sens (AHL) e a primeira rodada dos playoffs da Calder Cup.

    Philadelphia Flyers: A Comcast Spectacor, proprietária do time, informou que pagará os funcionários da arena.

    Pittsburgh Penguins: Em uma ação conjunta de doações dos jogadores e duas fundações do time, o time informou que os funcionários irão receber seus salários. 

    San Jose Sharks: O time informou que pagará todos os funcionários pelos jogos agendados dos Sharks e do San Jose Barracuda, o time da AHL. 

    St. Louis Blues: Apesar de não constar qualquer contribuição dos proprietários do time, os Blues anunciaram que irão pagar os funcionários com doações recebidas de fãs, jogadores e da fundação de caridade Blues for Kids.

    Tampa Bay Lightning: A equipe anunciou que pagará seus funcionários por todos os eventos perdidos até o final de março.

    Toronto Maple Leafs: Em conjunto com todas as equipes que utilizam as instalações da Arena, os Leafs criaram um fundo para efetuar os pagamentos dos funcionários.

    Vancouver Canucks: A empresa responsável pelo time anunciou a criação de um fundo para ajudar os funcionários da arena que necessitarem de apoio e assim evitar dificuldades financeiras para os mesmo.

    Vegas Golden Knights: O time prometeu um fundo de no mínimo 500 mil dólares para efetuar os pagamentos. Posteriormente o goleiro Marc-André Fleury doou uma quantia de 100 mil dólares para ajudar nesses pagamentos.

    Washington Capitals: O proprietário do time também foi um dos primeiros a se pronunciar e se prontificou a pagar os funcionários pelos 16 eventos cancelados.

    Winnipeg Jets: Os Jets foram um dos times que inicialmente informaram que não fariam os pagamentos. Diante das polêmicas, eles mudaram o posicionamento e informaram que iriam pagar pelos quatro jogos restantes em Winnipeg.

    Neste momento delicado e incerto para a população mundial, a preocupação com o salário não é algo exclusivo dos funcionários das arenas.

    Os jogadores e times estão também procurando formas de ajudar a comunidade a não sofrer tanto financeiramente. É o caso dos Coyotes que estavam ajudando a montar cestas básicas para a população não ficar com fome.

    A NHL ainda não tem data para voltar, ainda não se sabe como ficará o restante da temporada, muito menos como será a temporada seguinte. A estimativa de prejuízo é enorme, principalmente com tantos jogos restantes, especialmente os playoffs. No entanto diante do cenário atual, a prioridade dos times e da Liga é manter todos em casa e seguros.

    Foto: Reprodução / Chuck Culpepper / The Washington Post

  • Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Antes da Liga ser suspensa por causa do Coronavirus, tivemos um dos eventos mais legais da temporada. Isso porque o dia internacional da mulher foi cheio de surpresas na NHL. A Liga transmitiu pela primeira vez dois jogos compostos apenas por equipes femininas. Do broadcast ao controle de câmeras, foram elas quem dominaram a noite. 

    No entanto, elas não só dominaram como também fizeram história no esporte. Sendo assim, resaltamos ambas as transmissões e explicar a importância destes eventos para a inclusão das mulheres no mundo esportivo. 

    As mulheres assumem o controle

    No dia 16 de fevereiro, a NBC anunciou através de um comunicado oficial que, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, iria recrutar apenas mulheres para transmitir e produzir o jogo entre Chicago Blackhawks e St. Louis Blues. 

    A partida ocorreu no domingo (8). Estúdio, sidelines e backstage, por fim, ficaram pequenos diante de tamanho talento. A equipe foi composta por Kathryn Tappen (apresentadora no estúdio), Jen Botterill (âncora no estúdio), Kate Scott (play-by-play), Kendall Coyne (analista do jogo no gelo) e AJ Mleczko (analista da partida). A produção do jogo também contou com Rene Hatlelid (produtora) e Lisa Seltzer (diretora). 

    Ao longo da transmissão da partida, diversas mulheres que deixaram sua marca no esporte foram homenageadas. A intenção da NBC com o evento é tentar cada vez mais “inspirar as futuras gerações de mulheres a se destacarem no gelo e nos bastidores”. 

    Todavia, apesar de estarem participando da primeira transmissão apenas com mulheres, algumas destas profissionais já são conhecidas por seu trabalho no mundo do hockey. A apresentadora Kathryn Tappen é um exemplo, tendo transmitido diversos jogos da NHL nos estúdios da NBC. A jornalista afirmou ao próprio site que, embora já tenha participado do broadcast de diversos jogos, nunca teve a oportunidade de fazer parte de uma equipe que contasse apenas com o público feminino. 

    “Transmito (jogos) há 17 anos, mas a primeira transmissão que fiz com uma produtora foi apenas há dois anos atrás. O fato de celebrarmos o Dia Internacional da Mulher com uma equipe feminina de transmissão e produção me diz até onde chegamos em um tempo muito curto. Esperamos que nossa transmissão ajude a inspirar as jovens que assistem a seguir seus sonhos, porque provamos que tudo é possível e tenho orgulho de fazer parte disso.”

    Kathryn Tappen para o site da NBC. 

    No entanto, a NBC não foi a única a dar o controle do espaço para as mulheres no dia oito. A Sportsnet, por fim, também resolveu aderir a ideia e teve o jogo do Calgary Flames e Vegas Golden Nights também produzido e transmitido por uma equipe formada por apenas mulheres. Equipe esta composta por Christine Simpson (apresentadora), Leah Hextall (play-by-play), e Cassie Campbell-Pascall (analista do jogo) e o restante do time que faz tudo acontecer atrás das câmeras. 

    Os comentários em relação a transmissão

    Apesar de diversas pessoas na comunidade do hockey acharem a ideia de um broadcast feminino mais do que bem vindo, muitas pessoas ainda sim se mostraram contrárias a participação das mulheres nas transmissões do dia oito. Diversos comentários sexistas foram profanados nas postagens das emissoras sobre o evento nas redes sociais, sendo estes críticas nada construtivas em relação ao trabalho impecável feito pelas mulheres.

    Porém, apesar dos comentários negativos e ofensivos, diversos profissionais da área vieram a público defender a iniciativa das emissoras. Seguidamente, muitos destes, inclusive as próprias profissionais envolvidas nas transmissões, ressaltaram a importância de eventos como este em um esporte como o hockey.

    AJ Mleczko, que foi a analista de jogo da partida entre Blackhawks e Blues, fez questão de ressaltar para o site da NHL a necessidade de ver as mulheres ocuparem espaços no esporte e a partir daí, novas portas possam se abrir.

    “É significativo por causa da visibilidade que fornece. Para as pessoas sentadas em casa assistindo nós três aqui, e [Tappen] e [Botterill] no estúdio, vendo mulheres falando sobre hockey do jeito que falamos – estamos muito preparadas e educadas neste jogo – […]. Para quem está sentado em casa [assistindo], meninos, meninas, homens, mulheres, saindo da faculdade, seja o que for, permite que eles entendam que há mais oportunidades. Talvez eles optem por não seguir esse caminho, mas a mídia está aberta a homens, mulheres, qualquer pessoa e a visibilidade é a maior parte.”

    Mleczko para a NHL.

    Linda Cohn, jornalista da ESPN, também veio, em meio de suas mídias sociais, explanar sua felicidade ao ver as mulheres tendo oportunidades como estas no mundo esportivo. Todavia, ressalta também que não deveria ser algo que venha a acontecer apenas uma vez ao ano. 

    Seguidamente, em uma das páginas da NBC Sports, Laura Oakmin (apresentadora da NFL na Fox) também veio a público falar sobre o quão importante era ver mulheres quebrando barreiras. Principalmente no mundo dos esportes, que ainda é bastante hostil com o público feminino. 

    Após os jogos, Kendall Coyne, que também participou da transmissão feita pela NBC. A jogadora disse que se sentia honrada em fazer parte de uma equipe cheia de profissionais tão talentosas. 

    Por último, Mark Lazerus, correspondente dos Blackhawks no The Athletic, apontou o outro lado da história. Sendo homem e jornalista, viu a transmissão dos jogos com outra perspectiva. Para ele, este tipo de ação representa uma nova porta de oportunidades aberta para as meninas da nova geração no mundo do hockey. 

    Todos os dias, diversas mulheres no mundo do esporte sofrem assédio durante o exercício da profissão, questionando o trabalho delas apenas pelo seu gênero. Dentre estes comentários de mau gosto, existem diversos questionamentos sobre quais seriam as motivações por elas estarem ali, mas não levam em consideração que a profissional está ali pelo esporte.

    Geralmente, os comentários nas redes sociais questionam se, este interesse seria de fato é pelo esporte ou teria outra motivação por trás. Isso porque, aparentemente, a nossa sociedade machista persiste na ideia de que mulheres ainda são as vilãs e estão em busca de relacionamentos do qual podem tirar vantagens. 

    Mas esta ideia da Idade Média não cabe mais ao século 21. Cada vez mais as mulheres vem conquistando o seu espaço em cargos de grande importância em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, eventos como estes são necessários em mais do que apenas um dia do ano. 

    A presença de mais mulheres no mundo esportivo é essencial para uma maior equidade de gêneros dentro e fora das arenas. O trabalho destas jornalistas cada vez mais estão em destaque e se incomoda tanta gente assim, é porque elas estão fazendo o trabalho direito. E, ao contrário do que estes comentários maldosos dizem, a motivação dessas profissionais é de cobrir o hockey da melhor forma possível, levando informações corretas e de boa qualidade para os fãs do esporte. 

    Portanto, está na hora de cada vez mais mulheres estarem a frente de transmissões esportivas, reportagens, entrevistas, podcasts  e demais cargos no mundo do esporte.

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • NHL anuncia pausa na temporada devido ao novo coronavirus

    NHL anuncia pausa na temporada devido ao novo coronavirus

    A NHL anunciou hoje uma pausa na temporada 2019-20 a partir dos jogos que aconteceriam nessa quinta-feira (12). A ação vem como uma medida de prevenção da pandemia do novo coronavírus que vem se alastrando pelo mundo. A liga segue a decisão da NBA, que suspendeu a temporada ontem (11) após confirmar que o jogador do Utah Jazz, Rudy Gobert, havia testado positivo para o vírus. 

    No tweet abaixo, o departamento de Relações Públicas da NHL publicou o comunicado oficial sobre a decisão da liga. Em seguida, está a tradução integral do conteúdo do comunicado.

    “À luz dos acontecimentos resultantes do coronavírus, e após consultar médicos especialistas e convocar uma teleconferência do Conselho de Governadores, a Liga Nacional de Hóquei anuncia hoje que fará uma pausa na temporada 2019-2020, começando com os jogos desta noite.

    “A NHL tem tentado seguir os mandatos de especialistas em saúde e autoridades locais, enquanto se prepara para qualquer possível desenvolvimento sem tomar medidas prematuras ou desnecessárias. No entanto, após as notícias de ontem à noite de que um jogador da NBA testou positivo para coronavírus – e como nossas ligas compartilham tantas instalações e vestiários, agora parece provável que algum membro da comunidade da NHL tenha resultado positivo em algum momento – não é mais apropriado tentar continuar a jogar no momento. 

    “Continuaremos a monitorar todos os conselhos médicos apropriados e incentivaremos nossos jogadores e outros membros da comunidade da NHL a tomar todas as precauções razoáveis ​​- inclusive por auto-quarentena, quando apropriado. Nosso objetivo é retomar o a temporada assim que for apropriado e prudente, para que possamos completar a temporada e premiar a Stanley Cup. Até lá, agradecemos aos fãs da NHL por sua paciência e esperamos que você permaneça saudável.”

    Outras ligas suspensas

    A princípio, as outras ligas de hockey na América do Norte estavam aguardando o posicionamento da NHL. Mas antes da liga tomar uma decisão, a USHL suspendeu a temporada de efeito imediato, assim como todos os treinos e eventos. 

    A NCAA, assiciação que companda os campeonatos universitários nos EUA, decidiu continuar com seus campeonatos, por enquanto. Entretanto, os jogos de todas as modalidades irão contar com a menor equipe possível e portões fechados, apenas familiares dos jogadores na torcida. 

    A AHL ainda não se pronunciou, mas deve seguir as mesmas recomendações da NHL. Por outro lado, a NWHL também anunciou que vai adiar a pós-temporada que aconteceria agora em março.

    Foto: Reprodução/NHL.com

  • As medidas de proteção da NHL em relação ao Coronavírus

    As medidas de proteção da NHL em relação ao Coronavírus

    Nos últimos dias o mundo tem assistido a rápida propagação do Coronavírus em todos os continentes. Por isso, diversas ligas esportivas têm estudado possibilidades para controlar o grande impacto que este possa vir a causar. Entre estas, se encontra a NHL, que cada vez mais vem estudando maneiras de diminuir o impacto da epidemia entre a comunidade do hockey. 

    Portanto, devido às últimas notícias, decidimos abordar aqui quais as principais medidas de controle que vem sendo adotadas pela Liga em relação ao novo vírus. 

    Como o Coronavírus já afetou o hockey 

    A primeira consequência que a epidemia do Coronavírus trouxe para a NHL foi prejudicando a produção de sticks. Fábricas como Bauer e CCM, que produzem os artefatos e estão localizadas na China (país que mais vem sendo afetado pelo vírus), tiveram suas portas fechadas devido a propagação da doença. Os únicos não afetados com a situação são as ligas amadoras e a feminina, já que os sticks utilizados pela última são produzidos pela Warrior, que é localizada no México. 

    A solução dos jogadores têm sido reutilizar equipamentos antigos que possuem. Atualmente, a própria Liga disse que não será afetada com a interdição dos serviços da Bauer e CCM. Isso pelo fato de que possuem estoque reserva dos equipamentos tanto no Canadá, quanto nos Estados Unidos. Desta forma, até o fim da temporada a Liga poderá dar continuidade às suas atividades sem maiores preocupações. No entanto, os representantes da NHL esperam que a situação se normalize e que a produção de sticks possa continuar a ser produzida no continente asiático. 

    Porém, está não foi a única área no hockey a ser prejudicada com o alastre do vírus no mundo. Devido a propagação da epidemia, a IIHF anunciou ontem (2) que decidiu, por fim, cancelar o Campeonato Mundial de Hockey U-18, que aconteceria na Europa.

    A decisão de anular o campeonato veio do Comitê Médico da Federação de Hockey no Gelo Internacional. Segue os torneios cancelados pela Federação: 

    Atualmente, a única competição não cancelada é o Mundial Feminino de Hockey no Gelo, que ocorre de 31 de março a 10 de abril deste ano. O motivo da permanência do evento no calendário da organização se dá pelo fato de este acontecer no Canadá. Isso porque, até então, o país não possui tantos casos confirmados da doença. Os campeonatos programados para o mês de maio também continuam no cronograma. 

    No entanto, o Conselho da IIHF pretende se reunir novamente no meio de março. O intuito da reunião é avaliar as possíveis consequências trazidas às equipes participantes e organizadores com o cancelamento do torneio. A intenção da IIHF é continuar monitorando o desenvolvimento do Coronavírus e estudar a possibilidade de, futuramente, os organizadores do evento sediarem este ainda em abril.

    As medidas tomadas pela NHL diante da epidemia

    A Liga Nacional de Hockey já afirmou que tem monitorado a situação em relação ao Coronavírus de perto, recebendo updates diárias do Centro de Controle de Doenças e Saúde, no Canadá. Além disso, também tem procurado manter contato com médicos especialistas dos 31 times da Liga. 

    Gary Bettman também afirmou na quarta-feira (04) que uma das medidas tomadas pela NHL foi proibir que os funcionários da Liga fizessem viagens ao exterior. No entanto, aqueles necessitam viajar, e tem como destino os países afetados pelo vírus, devem ficar em quarentena e se afastar do trabalho por cerca de duas semanas. Desta forma, será necessário avaliar a permanência ou não do vírus no corpo. 

    Com as viagens para o exterior, e o mundial U-18 (previsto para acontecer na Europa) cancelados, os scouts da Liga também viram suas atividades serem parcialmente interditadas. Diversos clubes enviam olheiros para os campeonatos under 18 com o intuito de avaliar futuros prospects para o NHL Draft. Porém com a suspensão do evento, a tarefa se tornou um pouco mais complicada. 

    No entanto, o mundial U-18, que acontecerá em Michigan, E.U.A., de 16 a 26 de abril, ainda permanece no calendário da IIHF. E como este é crucial para a avaliação de jogadores que poderiam ser adequados aos clubes da NHL, muitos clubes estão torcendo para que ele permaneça no cronograma. 

    “Os Sub-18 em Plymouth seriam os eventos que são de longe mais valiosos no calendário de reconhecimento dos jogos que ainda restam. Do ponto de vista do hóquei, esperamos que esse torneio possa permanecer no local. Mas essa será uma decisão tomada pelas razões certas […]”, afirmou Kelly McCrimmon, GM do Vegas Golden Knights, ao The Athletic.

    Aos clubes, a Liga tem auxiliado a comunicação regular com os médicos especialistas. Desta forma, todas as medidas de precaução podem ser tomadas caso sejam necessárias. A NHL voltou a afirmar ao The Athletic que “a saúde e segurança de nossos jogadores, funcionários e torcedores são a nossa maior prioridade, e nós iremos implementar todas as medidas de segurança que forem necessárias e requeridas.”

    No entanto, ainda não existem casos suficientes do vírus na América do Norte para alarmar a população. Por conseguinte, a Liga não achou necessário cancelar a temporada ou até mesmo reduzir o número de fãs nas arenas. Todavia, caso a epidemia se alastre pelos E.U.A e Canadá, novas opções serão analisadas pela própria NHL. 

    Portanto, o intuito é continuar monitorando constantemente a situação do vírus. Desta forma, caso exista algum risco, as precauções necessárias deverão ser tomadas para que, assim, a segurança da comunidade do hockey seja garantida. 

    Foto: Reprodução/nhl.com

  • A evolução dos hits na NHL em 10 anos

    A evolução dos hits na NHL em 10 anos

    O hockey é um esporte físico, e essa talvez seja uma de suas maiores e mais marcantes características. Os hits e checks são fundamentais para a dinâmica do esporte. Portanto, a ideia de que os jogadores precisam aturar todo tipo de dor, muito além da física, contribui para a exclusividade do esporte, o que nem sempre é positivo.

    Quando um oponente está com a posse do puck, o jogador tem a liberdade de usar o qualquer parte do corpo para impedir que este continue a jogada. Assim, acaba lançando um “check”, em que se é permitido atingir a área do peito, ombro ou quadril.

    Porém, como todo esporte de contato, existem riscos ao cometer hits e, principalmente, ser atingido por eles. Consequentemente, diversos jogadores, ao fim de sua carreira, acabam exibindo sinais de ETC (Encefalopatia Traumática Crônica), que se dá por lesões repetidas na região cerebral. 

    Para concluir o mês de fevereiro, e os acontecimentos de 2010, no especial 10 for 10, o NHeLas resolveu revisitar um caso de concussão acontecido há 10 anos que acabou mudando a percepção da Liga em relação aos hits e concussões e, por fim, o próprio jogo. 

    O incidente

    No dia 7 de março de 2010, o Pittsburgh Penguins jogava contra o Boston Bruins. No entanto, o que era para ser uma partida tranquila, acabou desencadeando um fato trágico.

    Em uma jogada, Matt Cooke atingiu Marc Savard, jogador dos Bruins, com um golpe na cabeça, gerando neste último uma grave concussão. Esta forçou Savard a perder dois meses de jogos.

    Matt Cooke (Penguins) atinge Marc Savard (Bruins) na cabeça
    Matt Cooke (Penguins) atinge Marc Savard (Bruins) na cabeça

    Cooke afirmou que não pretendia ferir o jogador. Entretanto, Peter Chiarelli, na época GM do Bruins, disse que “foi um golpe muito certeiro na cabeça”. Seguidamente, até mesmo colegas de equipe de Cooke, como Bill Guerin, mostraram-se indignados, afirmando que esse tipo de hit deveria ter alguma penalidade.

    No entanto, o jogador dos Penguins não recebeu penalidade ou suspensão alguma. Na época, a falta de punição recebeu muitas críticas da comunidade do hockey.

    Consequentemente, Savard foi diagnosticado com síndrome pós-concussão durante o resto da temporada regular, perdendo assim os 23 primeiros jogos da temporada de 2010-11.

    Em janeiro de 2011, ele sofreu uma segunda concussão, quando Matt Hunwick, do Colorado Avalanche, o atingiu novamente na região cerebral.

    Duas concussões sérias em 10 meses foram suficientes para que os Bruins encerrassem a temporada de Savard naquele momento. No entanto, mesmo assim, após ganharem a Stanley Cup de 2011, os Bruins pediram à liga que incluísse o nome de Savard na taça. Tal pedido foi concedido, já que o jogador apenas perdeu os jogos devido a lesão.

    Seguidamente, naquele mesmo ano, Chiarelli voltou a afirmar: “com base no que vejo, o que ouço, o que leio e o que me dizem, é muito improvável que Marc jogue novamente”. Isso, por fim, só viria a confirmar  de fato o fim da carreira de Savard na NHL.

    Em 1 de julho de 2015, o contrato de Savard com os Bruins foi incluído na trade de Reilly Smith para o Florida Panthers, em troca de Jimmy Hayes, devido a circunstâncias de teto salarial.

    Futuramente, em junho de 2016, o contrato de Savard acabou por ser negociado com o New Jersey Devils. Este foi acompanhado de uma escolha da segunda rodada no NHL Entry Draft de 2018, em troca de Paul Thompson e Graham Black. Por fim, Savard veio a anunciar formalmente sua aposentadoria apenas em 22 de janeiro de 2018. Assim, passando-se sete anos após disputar seu último jogo na NHL.

    Savard disse, anos depois, que seus sintomas eram o bastante para que ele fosse considerado uma pessoa suicida. Em uma entrevista, que cedeu em 2017, ele acaba mostrando claramente a perspectiva de alguém que sofreu com tais sintomas.

    “Eu já tinha experimentado três ou quatro pequenas concussões antes, mas nada como isso. Esse foi o começo de alguns dias realmente sombrios. É uma parte da minha vida que eu realmente não gosto de lembrar com muita frequência (…) Eu tive essas dores de cabeça terríveis, e qualquer barulho alto ou luz forte foi … quero dizer, é quase indescritível.” Afirmou  Savard para o The Players Tribune.

    A consequência na Liga

    No dia 24 de março de 2010, em resposta ao fato de Cooke não ter sido suspenso, a Liga implementou a Regra 48. A nova regra tinha o intuito de proibir golpes na região cerebral, como o que custou o resto da carreira de Savard. Segundo a regra: 

    48.1 – Um hit lateral em um oponente onde a cabeça é o alvo ou o ponto principal do contato não é permitido.

    48.2 Minor Penalty – Não há minor penalty nessa penalidade.

    48.3 Major Penalty – Ao violar essa regra, um major penalty deve ser assegurado.

    48.6 Multas e suspensões – Qualquer jogador que receba 2 game misconducts sob esta regra, tanto jogos regulares da Liga ou dos playoffs, será suspenso automaticamente para o próximo jogo que sua equipe jogar. 

    Ao anunciar a regra, o comissário da NHL, Gary Bettman, afirmou que “a eliminação desses tipos de hits devem reduzir o número de lesões, incluindo concussões, sem necessariamente afetar a fisicalidade do jogo. (…) Fiquei chateado que não havia nenhum tipo de punição para tais hits (nas regras da Liga).”

    O futuro dos hits

    O assunto sobre os hits e checks violentos, bem como os resultados destes nos jogadores, sempre foi algo pertinente. No entanto, muitos dividem reações, tanto positivas quanto negativas, em relação ao tema. Alguns acham que é preciso banir todos os tipos de hits. Todavia, outros apreciadores do esporte acham tal atitude muito radical. 

    Ainda sim, vale ressaltar que, independentemente do lado defendido, a regra contra os hits na cabeça só existe há 10 anos.

    Muitos ainda temem que regras como esta possam vir a minimizar demais, ou mesmo acabar com os “encontrões” em jogo e, desta forma, eliminando uma característica que faz o hockey se destacar dos demais esportes. Ou seja, acredita-se mesmo que isso tudo possa vir a “dar um fim” à modalidade.

    Entretanto, a intenção da Liga não é de acabar com os hits, ou fazer o esporte perder sua essência. O intuito é demonstrar como isso pode ser diminuído ou feito com cautela. Além disso, é importante fazer com que o jogador pense em seus movimentos e nas consequências destes, mesmo que o hockey seja um esporte extremamente rápido.

    Às vezes, encontros pontuais, nos quais os jogadores precisam sair do jogo imediatamente, acabam sendo melhores para tratar do que os hits cotidianos, que por fim podem trazer danos futuros.

    A implementação da regra foi bem aceita pela comunidade do hockey. Um ano após ser incluída ao rulebook, os GMS disseram que ela é um passo positivo no esforço contínuo de limitar as concussões no jogo.

    A história de Savard nos mostrou como um acontecimento trágico deu início a discussão sobre como diminuir as concussões e a relação do ETC com estas. Porém, a exemplo da história de Todd Ewen, e muitos outros que já passaram pela Liga, é fato que nem todos chegam a se recuperar, ou mesmo sobrevivem às consequências das lesões cerebrais sofridas.

    A Encefalopatia Traumática Crônica é uma doença neurodegenerativa que se dá devido a lesões constantes na região cerebral. Assim, muito se especula a relação desta com os hits que os jogadores sofrem no gelo. 

    Mas como todo assunto dentro de um ambiente cercado de tradicionalismo, muitos pontos são feitos. Trata-se de uma discussão que talvez não tenha lado certo ou lado errado. Porém, é necessário a conscientização para que os riscos sejam conhecidos e, desta forma, menos jogadores sofram no futuro. 

    Savard, ao falar sobre a importância de sua situação ter desencadeado mudanças na Liga:

    “Sim, estou feliz pelo sucesso que levei a algumas mudanças positivas em relação à segurança dos jogadores. Esperançosamente, em algum momento, esses hits estarão totalmente fora do hockey. Mas o aspecto mental do que passei após o golpe foi tão brutal quanto o próprio golpe. A angústia de não saber o que seria da minha vida e minha identidade era pior do que todas as terríveis dores de cabeça. A ansiedade esmagadora que experimentei foi pior do que qualquer osso quebrado.“

    Talvez não haja uma solução pontual sem ser polêmica. O hockey é um esporte constituído essencialmente por esse tipo de contato. Isso, de certa forma, é o que dá a cara à modalidade em si.

    Entretanto, da mesma forma que pensar nas discussões geradas por esses hits fosse impossível anos atrás, é provável que mudanças continuem acontecendo e que, aos poucos, existirá um futuro melhor e mais saudável para os jogadores de hockey.

  • Draft Class de 2010: onde estão

    Draft Class de 2010: onde estão

    O primeiro draft da década aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, e deu o pontapé inicial para o que poderia ter sido uma dinastia para o Edmonton Oilers. Isso porque, durante os anos 2010, a equipe canadense teve nada mais do que quatro primeiras escolhas nos drafts. Entretanto, esta tão esperada hegemonia dos Oilers não aconteceu. 

    Por outro lado, o draft de 2010 nos apresentou jogadores que viriam a se tornar verdadeiras estrelas. Todo ano temos aquelas promessas que, quando chegam à NHL, não atingem o desempenho esperado ou demoram anos para adequar seu jogo ao nível profissional. Isso acontece porque no draft os jogadores escolhidos têm apenas 18 anos e uma carreira inteira pela frente. 

    Em 2010, as três primeiras escolhas foram Taylor Hall, Tyler Seguin e Erik Gudbranson. Além deles, conhecemos nomes como Vladmir Tarasenko, Evgeny Kuznetsov e Phillip Grubauer, que foram campeões com suas equipes. Por outro lado, tivemos John Klingberg, que não era considerado uma estrela no draft, mas com o passar dos anos passaram e o jogador se tornou uma peça fundamental no Dallas Stars. 

    Dessa forma, relembramos nomes que foram selecionados naquele ano e que hoje são verdadeiros ídolos do esporte.

    Taylor Hall: wunderkind, garoto problema e MVP (#1 overall, Edmonton Oilers)

    A primeira escolha daquela noite foi Taylor Hall, right winger canadense que foi escolhido do Windsor Spitfires da Ontario Hockey League (OHL). Hall estava ranqueado em segundo lugar entre os jogadores de linha norte-americanos. Entretanto, seus dois títulos consecutivos da Memorial Cup, dos quais foi MVP em ambas as ocasiões, levaram a equipe de Alberta a escolhê-lo.

    Após chegar em Edmonton com pompa, Hall foi nomeado All-Star em 2011, mas sua primeira temporada na Liga foi encerrada após o canadense lesionar seu tornozelo no final de uma briga contra Derek Dorsett. Com isso, a temporada de 22 gols e 20 assistências em 65 jogos não foi o bastante para o atleta chegar até os finalistas do Calder Trophy (melhor novato). 

    Em 2012, por sua vez, o winger teve sua temporada encerrada após a constatação de que ele precisaria de uma cirurgia no ombro. No período desde que fora draftado, Hall viu sua equipe ter a primeira escolha três vezes, selecionando Ryan Nugent-Hopkins, Nail Yakupov e Connor McDavid. Neste meio tempo, rumores de que Hall teria um comportamento problemático no vestiário e fora das arenas passaram a circular.

    Contudo, a chegada de McDavid colocou o canadense em um lugar inédito, o de liderança e mentoria, já que o atual capitão dos Oilers viveu com Hall durante o seu primeiro ano na Liga. O choque veio quando, em junho de 2016, Hall foi trocado para o New Jersey Devils por Adam Larsson.

    Em Newark, o winger encontrou sucesso com a equipe dos Devils e foi para os playoffs pela primeira vez em sua na carreira. Após uma temporada de destaque, em 2018 ele conquistou o Hart Trophy de MVP da temporada regular da NHL. Todavia, o projeto dos Devils não obteve o resultado esperado nas duas temporadas seguintes, o que fez com que Hall se tornasse um alvo para outras equipes. Prestes a se tornar free agent, o winger foi trocado para o Arizona Coyotes em dezembro de 2019.

    Tyler Seguin: das festas para o rodeio (#2 overall, Boston Bruins)

    O center canadense foi selecionado do Plymouth Whalers da OHL com a escolha que o Boston Bruins recebeu de Toronto quando trocaram Phil Kessel. Em seu primeiro ano na Liga, Seguin participou do All Star Weekend, marcou 22 pontos e conquistou a Stanley Cup.

    Depois de não ser relacionado durante os dois primeiros rounds dos playoffs daquele ano, Seguin estreou contra o Tampa Bay Lightning. Aos 19 anos o canadense se tornou o primeiro adolescente a anotar quatro pontos em um jogo da pós-temporada desde Trevor Linden, do Vancouver Canucks, em 1989.

    Em 2012, durante o lockout, Seguin defendeu o EHC Biel da Suíça enquanto a temporada da NHL estava suspensa. Após o retorno da Liga, o Boston Bruins chegou à final da Stanley Cup, perdendo para o Chicago Blackhawks. Com esses playoffs vieram as polêmicas, e Seguin foi inclusive cortado de um jogo por perder o café da manhã da equipe. 

    Na intertemporada de 2013, Seguin foi trocado para o Dallas Stars, onde atua até hoje. Desde que estreou pela equipe, o canadense já marcou 510 pontos, mas a equipe texana foi para os playoffs em apenas três ocasiões (2013/2014; 2015/2016; 2018/2019). Em setembro de 2018 Seguin assinou uma extensão contratual de oito anos, avaliada em quase 80 milhões de dólares.

    Jeff Skinner: em busca pelo fim da mediocridade (#5 overall, Carolina Hurricanes)

    O left winger foi escolhido do Kitchener Rangers da OHL e estreou profissionalmente contra o Minnesota Wild. Durante o All Star Game de 2011 Skinner substituiu Sidney Crosby e, na época, se tornou o jogador mais jovem a participar do evento. No final da sua temporada de estreia, o canadense venceu o Calder Memorial Trophy, desbancando Logan Couture e Michael Grabner.

    Depois do sucesso de sua primeira temporada, Skinner assinou sua renovação em 2012, por mais de 34 milhões em seis anos. Entretanto, sua produção foi muitas vezes interrompida por diversas concussões, que inclusive causaram preocupação acerca da longevidade da carreira do winger. Depois de oito temporadas, sendo duas como alternate captain, o canadense foi trocado para o Buffalo Sabres em 2018.

    No ano seguinte ele estendeu seu compromisso com a equipe por mais oito anos, pela bagatela de 9 milhões por temporada. É importante mencionar que Skinner nunca jogou nos playoffs da NHL, nem durante a época nos Canes quanto em Buffalo. Foi apenas após troca de Skinner que Carolina começou a renovar sua equipe.

    Vladimir Tarasenko: da Sibéria para o meio-oeste (16th overall, St. Louis Blues)

    O russo foi draftado em 16º no primeiro round pelo St. Louis Blues, diretamente do Sibir Novosibirsk da Kontinental Hockey League (KHL). Um ano antes ele havia sido o novato revelação na primeira temporada da história da KHL. 

    Em janeiro de 2012 o atleta foi trocado da equipe que o revelou para o SKA Petersburg e em junho daquele ano anunciou que iria para a América do Norte. Entretanto, com o lockout, que atrasou a temporada da NHL, o atleta participou dos 48 jogos do St. Louis Blues na temporada reduzida, marcando um gol em seu primeiro jogo na Liga, contra o Detroit Red Wings. 

    Desde seu début na Liga, o russo já teve duas temporadas com pelo menos 30 gols nos últimos cinco anos, feito compartilhado com seu compatriota Alexander Ovechkin. Em junho de 2019, após um período atuações questionadas e muitos rumores de trocas, o atleta venceu a Stanley Cup, primeira vez da franquia de St. Louis.

    Evgeny Kuznetsov: o exorcista de Penguins (26th overall, Washington Capitals)

    O russo foi selecionado do Traktor Chelyabinsk da KHL no primeiro round de 2010, mas estreou pela equipe da capital americana apenas em 2014. Seu primeiro gol da temporada regular foi contra o Los Angeles Kings, em março do mesmo ano, enquanto o seu primeiro feito nos playoffs ocorreu contra o New York Islanders. Na temporada de 2015/2016 o russo substituiu seu capitão, Ovechkin, no All Star Game.

    No verão de 2017 o center estendeu seu compromisso com os Capitals por mais oito anos, com um salário de 7,8 milhões de dólares anuais. Na pós-temporada inaugural de seu novo contrato, Kuznetsov levou a equipe de DC à terra prometida, protagonizando um dos momentos mais icônicos da era moderna da NHL.

    “Os demônios foram exorcizados”, uma das narrações mais icônicas da última década na NHL, quando os Capitals finalmente foram para as finais da Conferência com o gol de Kuznetsov, derrotando os então campeões Pittsburgh Penguins

    Na campanha da conquista da Stanley Cup em 2018 o atleta liderou sua equipe em pontos, com 32 (12 gols e 20 assistências) nos playoffs. Embora tenha tido uma atuação importantíssima durante a pós-temporada daquele ano, Kuznetsov ficou em segundo lugar na votação do Conn Smythe (troféu para o MVP dos playoffs), que foi dado a Ovechkin. 

    Philipp Grubauer: o goleiro do futuro (112th overall, Washington Capitals)

    O alemão iniciou sua carreira na equipe de sua cidade natal, o Starbulls Rosenheim, mas em 2008 se mudou para a América do Norte, onde foi jogar no Belleville Bulls da OHL. Embora tenha sido o reserva em sua primeira temporada, o goleiro conseguiu atingir a titularidade no ano seguinte, possibilitando que fosse mais notado pelos olheiros dos times da NHL. 

    Após ser draftado no quarto round, o Grubauer foi trocado dos Bulls para o Kingston Frontenacs, e no início da temporada da OHL assinou seu contrato com o Washington Capitals. Depois de 38 jogos com a equipe junior, o alemão contraiu mononucleose, terminando sua carreira na OHL, devido à idade de elegibilidade. 

    Na temporada seguinte Grubauer retornou aos Capitals, sendo enviado para o afiliado da equipe na East Coast Hockey League (ECHL), o Reading Royals. Posteriormente o jogador transitou entre a ECHL e a AHL, tendo se firmado como goleiro da NHL apenas em 2017, quando iniciou a temporada sendo reserva de Braden Holtby.

    Em 2018 o alemão se firmou como titular nos últimos 16 jogos da temporada regular, assim como no início dos playoffs, e foi parte importantíssima da conquista da Stanley Cup. Ele substituiu Holtby quando o goleiro titular não estava tendo grandes atuações. Após a conquista do troféu o goleiro foi trocado para o Colorado Avalanche juntamente com Brooks Orpik, preenchendo o vácuo no plantel emergente da equipe da Conferência Central. Em Denver espera-se que o arqueiro seja a espinha dorsal da defesa de uma possível dinastia que conta com Nathan MacKinnon e Cale Makar. 

    John Klingberg: de escolha no quinto round para a realeza dos Stars (131th overall, Dallas Stars)

    O sueco estreou profissionalmente pelo Frolunda HC da Swedish Hockey League (SHL) em 2010, depois de ter iniciado na base do Lerums BK. Em maio de 2011 o defensor assinou seu contrato com o Dallas Stars e foi emprestado ao Jokerit da liga finlandesa, tendo retornado a Suécia na metade da temporada, desta vez para o Skelleftea AIK. 

    No ano seguinte, foi emprestado ao Frolunda HC, onde anotou 11 gols e 17 assistências, totalizando 28 pontos em 50 jogos. Com a eliminação da equipe sueca dos playoffs, o defensor se juntou ao Texas Stars da American Hockey League (AHL) para os jogos restantes. Já em 2014, Klingberg iniciou sua temporada na AHL, mas logo em novembro estreou na NHL contra o Arizona Coyotes.

    Sua primeira ida aos playoffs com a equipe texana foi em 2016, quando anotou um gol e três assistências em 13 jogos, já que sua equipe foi eliminada no segundo round. Em 2018 o defensor representou sua equipe no All Star Game da temporada, na qual atingiu a marca de 67 pontos em 82 jogos.

    Desde então o jogador se posicionou como um dos mais importantes defensores da Liga, estando sempre nas discussões acerca de prováveis candidatos ao Norris Trophy, prêmio de melhor defensor da temporada regular. Além disso, Klingberg também é um dos jogadores de liderança fora do gelo no Dallas Stars, conquistando uma posição importante dentro do vestiário.

    Foto: Reprodução/sportsnet.ca