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  • Playoff Mode on: o que esperar de cada equipe – Divisão Central

    Playoff Mode on: o que esperar de cada equipe – Divisão Central

    Ontem (15) demos início aos playoffs da NHL. Todo fã de hockey adora acompanhar este momento da temporada. Este domingo (16), temos a estreia das divisões Oeste e Central na disputa pela Stanley Cup.

    Como explicado no resumo anterior, os confrontos estão diferentes devido à pandemia da COVID-19.

    Hoje vamos resumir o que se pode esperar dos confrontos entre Carolina Hurricanes e Nashville Predators, e Tampa Bay Lightning e Florida Panthers.

    O que esperar da Divisão Central:

    A sensação desta divisão, o Carolina Hurricanes, não deve ter problemas para despachar os Predators. Com uma equipe equilibrada, Carolina gera mais chances de gol, incluindo aquelas de áreas de alto perigo como a slot, levando a uma melhor qualidade de tiro ao gol. É uma ligeira vantagem, porém, deve se destacar no gelo a favor de Carolina na maior parte da série.

    Em power plays, não há dúvida de que os Hurricanes são o melhor time. Nashville gera 41 chances de gol a cada 60 minutos com a vantagem de um homem no gelo, a oitava menor marca da liga nesta temporada. Carolina gera 58 chances de gol a cada 60 minutos de power play, a quinta maior taxa da NHL.

    Partidas da série:

    Jogo 1: segunda-feira (17), Nashville Predators x Carolina Hurricanes

    Jogo 2: quarta-feira (19), Nashville Predators x Carolina Hurricanes

    Jogo 3: 21 de maio, Carolina Hurricanes x Nashville Predators

    Jogo 4: 23 de maio, Carolina Hurricanes x Nashville Predators, caso necessário*

    Jogo 5: 25 de maio, Nashville Predators x Carolina Hurricanes, caso necessário*

    Jogo 6: 27 de maio, Carolina Hurricanes x Nashville Predators, caso necessário*

    Jogo 7: 29 de maio, Nashville Predators x Carolina Hurricanes, caso necessário*

    A segunda disputa dessa divisão é o primeiro confronto inteiramente da Flórida nos Playoffs da Stanley Cup. Dessa forma, colocará o atual campeão Tampa Bay Lightning contra o Florida Panthers, uma franquia que não vence uma série de playoffs desde 1996. O Lightning ainda deve melhorar o desempenho para as partidas dessa série com o retorno tão esperado dos atacantes Nikita Kucherov e Steven Stamkos que estavam lesionados.

    Kucherov perdeu toda a temporada regular após uma cirurgia no quadril em dezembro de 2020; ele liderou a NHL com 34 pontos (sete gols e 27 assistências) nos playoffs da temporada passada. Stamkos perdeu os últimos 16 jogos da temporada regular, entretanto, antes liderou a equipe com 17 gols em 38 jogos. Nas últimas três temporadas, os Bolts superaram os adversários por 63-44 com uma eficiência incrível quando os dois atacantes dividiram o gelo, ao mesmo tempo em que marcaram 86 gols de power play em 136 jogos.

    Mesmo sendo surpreendente a classificação dos Panthers, a equipe fez uma boa temporada regular e tem time para brigar com Tampa. No entanto, essa disputa da Flórida está mais inclinada a ficar com o Lightning. De qualquer maneira, os Panthers não irão desistir, afinal o time não ganha uma série de playoffs desde a final da Stanley Cup de 1996, que foi na sua terceira temporada de existência.

    Partidas da série:

    Jogo 1: domingo (16), Tampa Bay Lightning x Flórida Panthers

    Jogo 2: terça-feira (18), Tampa Bay Lightning x Flórida Panthers

    Jogo 3: quinta-feira (20), Flórida Panthers x Tampa Bay Lightning

    Jogo 4: 22 de maio, Flórida Panthers x Tampa Bay Lightning

    Jogo 5: 24 de maio, Tampa Bay Lightning x Flórida Panthers, caso necessário *

    Jogo 6: 26 de maio, Flórida Panthers x Tampa Bay Lightning, caso necessário *

    Jogo 7: 28 de maio, Tampa Bay Lightning x Flórida Panthers, caso necessário *

    Quem você acha que vai passar destes confrontos? Será que o atual campeão da Stanley Cup conseguirá defender seu posto ou teremos uma surpresa na Flórida? E Carolina vai manter essa temporada maravilhosa que fez na divisão e garantir uma chance de levantar o troféu mais uma vez? Indique nos comentários para quem vai sua torcida!

  • PWHPA anuncia detalhes da parceria com o Calgary Flames

    PWHPA anuncia detalhes da parceria com o Calgary Flames

    A PWHPA terá dias bastante movimentados nas próximas semanas com a 2021 Secret Dream Gap Tour. Após precisar adiar os eventos que aconteceriam em St. Louis em parceria com o time da NHL, o St. Louis Blues, a associação anunciou as novas datas para o showcase

    No entanto as novidades não param por aí. A PWHPA também fechou sua quinta parceria com um time da NHL, desta vez com o Calgary Flames, o primeiro time a receber o evento em solo canadense. Com isso, a associação anunciou todas as novidades sobre o evento que acontecerá ainda no mês de maio. 

    Parceria com os Flames

    Marcando a quinta parceria com a NHL, o evento irá acontecer entre os dias 24 e 30 de maio na cidade de Calgary em Alberta, Canadá. Assim como as outras parcerias, o time da NHL irá oferecer total apoio para o evento, além é claro da sua arena Scotiabank Saddledome. Para o evento no Canadá, participarão as equipes que representam as cidades canadenses. As equipes que irão participar dos eventos são o time Bauer, time Scotiabank e time Sonnet, que representam as cidades de Montreal, Calgary e Toronto, respectivamente.

    Com o país passando por diversas restrições devido ao COVID-19, toda a programação para a temporada foi afetada, sendo essa a primeira vez que os times canadense se enfrentam em seu país. Para que isso seja possível as jogadoras irão fazer uma quarentena de 7 dias em suas casas para depois viajarem para a cidade de Calgary. Além disso, outros protocolos também devem ser adotados para a maior segurança de todos.

    Como parte do protocolo da COVID-19, serão realizados testes durante todo o evento em parceria com a DynaLIFE e Precede Occupational Health Services. O evento também contará com novas parcerias, entre elas Harvey’s, TELUS e Sealy Canada.  

    Os primeiros jogos acontecerão no formato todos-contra-todos, com uma partida por dia dos dias 24 a 29. A grande final da Canadian Secret Cup acontece no dia 30 deste mês. Os quatro primeiros jogos serão sediados na arena Seven Chiefs Sportsplex, que vem sendo a casa do Calgary Hitmen (WHL) para a temporada 2020-21. Os três jogos restantes, incluindo a final, acontecerão na arena Scotiabank Saddledome, casa dos Flames.

    Transmissão em rede nacional

    Além disso, os jogos também terão cobertura exclusiva pela Sportsnet em rede nacional (Canadá), com direito a conteúdo inédito e transmissão no streaming da emissora. As partidas dos dias 24 a 27 estarão no serviço de streaming da Sportsnet, enquanto as partidas dos dias 28, 29 e a final no dia 30 contam com transmissão ao vivo em rede nacional. 

    A Sportsnet, em conjunto com a Secret Deodorant, também está produzindo conteúdo inédito para completar as transmissões, como parte do investimento de um milhão de dólares. Também indo ao ar nacionalmente através do Hockey Night in Canada, o conteúdo contará com a participação das jogadoras Erin Ambrose, Melodie Daoust, Brigette Lacquette e Sarah Nurse. Para saber mais sobre os eventos acesse o site oficial aqui. (em inglês)

    Nova data para St. Louis

    Após mudar o evento que aconteceria nos dias 11 e 12 de abril, a PWHPA em conjunto com os Blues irão sediar o evento nos dias 16 e 17 de maio em St. Louis, nos EUA. Os times escalados para o evento são o time adidas que representa o Estado de Minnesota e o time Women’s Sports Foundation que representa o Estado de New Hampshire. Ambos os times irão lutar para ver quem será o campeão da US Secret Cup. 

    A partida que está programada para o dia 16 (domingo) acontecerá na Centene Community Ice Center. Já a partida do dia 17 (segunda-feira) acontece no lar dos Blues, o Enterprise Center. Este é mais um esforço do time de St. Louis em apoiar o hockey feminino, que anteriormente, ao sediar o NHL All-Star Weekend, foi palco da estreia das jogadoras no Women’s 3-on-3 no evento. Além disso, a equipe da NHL também criou o programa St. Louis Blues Girls’ Hockey Development League, que visa dar oportunidades de baixo custo para que as meninas de todas idade possam praticar o esporte. 

    Diferentemente do evento que acontecerá em solo canadense, a partida do dia 17 contará com um número limitado de fãs, que poderão prestigiar as jogadoras no gelo. Para mais informações sobre o evento, acesse o site oficial aqui. (em inglês)

    Foto: Reprodução / sportsnet.ca

  • Para quem vai sua torcida nos Playoffs da Stanley Cup 2021?

    Para quem vai sua torcida nos Playoffs da Stanley Cup 2021?

    As 56 partidas da temporada regular chegaram ao fim, ou quase, já que o Vancouver Canucks está correndo atrás do prejuízo após terem seus jogos adiados por causa da COVID-19. Assim, tivemos que dizer “até logo” para 15 times da liga, que estão oficialmente de férias e só voltarão a marcar presença nas nossas noites na próxima temporada. Mas se seu time não foi qualificado, nada de ficar sem assistir hockey! Montamos um guia para te ajudar a escolher para qual time torcer nesses playoffs. 

    As 16 equipes que garantiram seu lugar na disputa pela Stanley Cup foram Boston Bruins, New York Islanders, Pittsburgh Penguins, Washington Capitals, Carolina Hurricanes, Florida Panthers, Nashville Predators, Tampa Bay Lightning, Colorado Avalanche, Minnesota Wild, St. Louis Blues, Vegas Golden Knights, Edmonton Oilers, Montreal Canadiens, Toronto Maple Leafs e Winnipeg Jets. 

    A temporada de 2020-2021 foi diferente do que estamos habituados, foi mais curta e começou bem depois do que era de costume devido à pandemia. Também por essa razão, a organização das conferências precisou ser modificada por causa de restrições de viagens entre Canadá e Estados Unidos, e entre os estados também. Assim, a tão sonhada Divisão Canadense, ou Norte como foi denominada, foi criada para a felicidade dos fãs, mesmo que apenas temporariamente. E algumas surpresas, ou milagres, saíram dali. 

    Organizamos este guia conforme o posicionamento dos times na tabela em cada divisão. 

    Divisão Norte

    Toronto Maple Leafs

    Amaldiçoados pelos inúmeros haters, azarados, ainda não foi o momento? Se você tiver a resposta, ou a solução, para sua torcida e força do pensamento levarem os Leafs para a vitória da Stanley Cup, a gratidão eterna dos torcedores do Toronto será sua! Ver seu time escolhido levar a taça pela primeira vez desde 1967 seria no mínimo memorável.  

    São os favoritos da divisão, carregam bons nomes, mas por terem uma defesa ruim e goleiros inexperientes em playoffs, não se acredita por aí que irão muito além dos intradivisionais. 

    Edmonton Oilers

    Connor McDavid. Um recém-chegado em Alberta precisa de mais? Eu diria que não, mas já que insiste… Edmonton Oilers conta também com Leon Draisaitl, Darnell Nurse e Adam Larsson. São um grupo forte no Canadá, mas contra times como Vegas e Colorado não se espera que vençam (se chegarem até lá). 

    Como uma boa amante de canadian goodies, deixaria parte da minha torcida por aqui. Você não? 

    Winnipeg Jets

    A verdade é que não estão dando muito pelos jatinhos. Mas o goleiro deles, Connor Hellebuyck, é excelente. E se quiser torcer por um time do Canadá, pelo menos esse não é odiado por metade do país. 

    Montreal Canadiens

    Se sua intenção é apenas torcer contra os Leafs, pode ser uma boa opção. Shea Weber, Carey Price, Josh Anderson e Brendan Gallagher são alguns dos nomes que jogam no Quebec. 

    Válido mencionar que terminaram a temporada atrás de New York Rangers e Dallas Stars, que nem conseguiram se classificar para os playoffs foram. Mas a escolha é toda sua. 

    Divisão Leste

    Pittsburgh Penguins

    Um bom time, e Sidney Crosby. Por mim só isso já faria dessa uma boa escolha. Mas eles contam também com Evgeni Malkin, Kris Letang, Mike Matheson e Brian Burke. Além da franquia já possuir 5 Stanley Cups, a última levantada em 2017, eles são levados super a sério na liga. Às vezes é tudo que precisamos ou queremos.  

    Washington Capitals

    Famosos, mas não pelos motivos certos. No início do mês, Tom Wilson, jogador do Capitals, recebeu uma multa de cinco mil dólares por sua conduta em um jogo contra o NYR que deixou dois jogadores do time lesionados. As brigas envolvendo as equipes viraram pauta no Globo Esporte e foram discutidas no ESPN League Brasil. 

    Mas se você gosta de um grupo forte, apesar da cabeça quente de alguns jogadores (ou por causa dela), eles também tem no roster os veteranos queridos Alexander Ovechkin, T.J. Oshie e Zdeno Chara. Mal não poderiam estar. 

    Boston Bruins

    Se você gosta de um power kill de respeito, pode encerrar suas buscas. Brincadeira, leia até o fim, não irá se arrepender. Boston talvez seja uma das equipes mais conhecidas além dos limites geográficos da NHL e da América do Norte. Tem estrelas como David Pastrnak, Patrice Bergeron, e o recém-chegado Taylor Hall, além dos não tão amados assim Brad Marchand, Jack Edwards e Tuukka Rask (mas esse só pelos torcedores mesmo). 

    Apesar de não estarem todos colocando suas apostas em Boston, também não estão tirando, e não seria muita surpresa se ganhassem sua sétima (isso mesmo, eles já ganharam 6 vezes) Stanley Cup. 

    New York Islanders

    Alguns chamam de chato, eu chamo de estilo próprio. Os Isles não são os queridinhos de nada na NHL, mas também não fazem feio. Sendo sincera, acho que ano passado foi incrível para eles e não sei se esse ano eles chegarão tão longe, mas nunca se sabe. 

    Barry Trotz, no entanto, faz um excelente trabalho como treinador. Conseguiram finalmente trazer para os Estados Unidos o goleiro Ilya Sorokin, e adquiriram recentemente Kyle Palmieri e Travis Zajac. 

    E as linhas de Mathew Barzal, Brock Nelson e J.G. Pageau são no mínimo bonitas de se assistir em ação. 

    Divisão Oeste

    Colorado Avalanche

    Pelas previsões, o time deve jogar no mínimo 6 ou 7 jogos, com baixas chances de eliminação na primeira rodada dos playoffs. Os goleiros não são os mais confiáveis, mas o restante da equipe mais do que equilibra esse fator. O Avalanche é o time número 1 na tabela geral e seus jogadores são muito habilidosos, além de terem uma ótima defesa. 

    Os playoffs com certeza serão animados, e felizes, para quem torcer por eles. 

    Vegas Golden Knights

    Um treinador anônimo da liga contou ao The Athletic que acredita que a equipe está preparada para os playoffs, com jogadores ligados no “volume” certo e com o objetivo definido de buscar a taça. São bem estruturados, jogam um jogo físico e rápido. Se você gosta de assistir algo nesse estilo, é uma boa pedida. 

    Os Vegas chegaram perto no ano passado, e tem boas chances esse ano de levantar o troféu. É atualmente um dos melhores times da liga, na tabela geral apenas atrás do Colorado Avalanche. 

    Minnesota Wild

    Wild WHOM to Wild BOOM! Minnesota era um dos times menos mencionados na NHL e nessa temporada surpreendeu a todos. A entrada de Kirill Kaprizov marcou a mudança de identidade do time, que atualmente é um must watch da liga. E, sejamos sinceros, pode ser que isso não volte a acontecer novamente. Então acompanhar e torcer para a equipe surpresa da temporada com certeza será uma experiência única!  

    St. Louis Blues

    Se você gosta de torcer pelos menosprezados, St Louis Blues é seu time da vez. Parece que ninguém está botando muita fé nos azuizinhos, que agarrou uma das últimas vagas dos playoffs deste ano, na frente apenas de Winnipeg Jets (e por apenas 2 pontos) e de Montreal Canadiens (leia sobre acima). 

    A equipe que teve um desempenho surpreendente na temporada de 2018-19, levando a vitória da Conferência Oeste e da Stanley Cup naquele ano, então carrega hoje ainda essa experiência recente e não devemos desconsiderar esse fator. 

    Divisão Central 

    Carolina Hurricanes

    Carolina é uma excelente aposta para colocar suas energias. É um time super habilidoso, com ótimas dancinhas comemorativas, jogadores comprometidos, bons no power play, e extremamente estruturados. 

    Os mais céticos não confiam muito nos goleiros e duvidam um pouco que consigam vencer Tampa, mas o hockey consegue ser uma caixinha de surpresas e eu não tiraria minhas fichas dos Canes (caso elas estivessem aqui), afinal de contas eles terminaram a temporada regular em terceiro lugar na tabela geral. 

    Florida Panthers

    Se você gosta de um alinhamento planetário, uma sorte louca e não uma, mas duas equipes da Flórida qualificadas, os Panthers podem ser uma boa escolha. Esse é um dos times que não davam muito por ele na temporada regular, mas ganharam momentum, solucionaram problemas, possuem uma estrela aka Aleksander “Sasha” Barkov, e um treinador bem falado na liga aka Joel Quenneville. 

    Ainda assim, são classificados como underdogs, por terem que vencer seu rival e vizinho, que já ganhou 3 taças enquanto os Panthers permanecem sem ao menos uma (leia mais abaixo). Pode ser que torcer por eles te faça pular do sofá, roer as unhas, e xingar os árbitros e jogadores dos times adversários, mas se levarem, a taça o gostinho de vitória vai ser ainda maior. 

    Tampa Bay Lightning

    Um time da Flórida era pouco para você? Então, temos dois nos playoffs deste ano. Tampa levou a melhor no ano passado, e alguns dizem ser tarde demais para voltar suas atenções nesses playoffs para eles, mas nunca diga nunca. 

    Passaram por algumas dificuldades na temporada regular, jogadores estrelas como Nikita Kucherov e Steven Stamkos se machucaram, mas provavelmente estarão no gelo quando o sino soar no Jogo 1 dia 16 deste mês. Como vimos acima, ainda são vistos como o time a ser batido na Divisão Central e nossos olhos estarão sempre de olho no que se passa em Tampa. 

    Nashville Predators

    Podemos ser sinceras? Ninguém – ninguém mesmo – dá nada por Nashville. Tiveram uma temporada mista, ruins até a metade e no final, quando se voltaram contra o Dallas Stars, garantiram a vaga. Ainda não sabemos exatamente como, mas aconteceu. Fácil não vai ser, vencer os Hurricanes, Panthers e/ou Lightning seria a grande reviravolta nesta pós-temporada.  

    Mas se você se garante na paciência e é mestre em meditações para relaxar, por que não? 

    Decidiu?

    E aí? Fez sua escolha? Conta para a gente nos comentários!

  • A saga New York Rangers vs. Washington Capitals

    A saga New York Rangers vs. Washington Capitals

    Quarta-feira passada (05) tivemos mais um jogo entre New York Rangers e Washington Capitals nesta temporada regular da NHL, porém não foi uma partida comum. Devido aos últimos acontecimentos, a expectativa para este jogo era alta, e o que ocorreu assim que o primeiro puck foi ao gelo não surpreendeu ninguém.

    Com um segundo de jogo, três brigas se iniciaram com a linha principal dos dois times. Então, outra luta estourou quando o ala direito do Capitals, Tom Wilson, atingiu o gelo com o defensor do Rangers, Brendan Smith, indo direto atrás dele.

    Esses confrontos entre os Rangers e os Capitals foram resultado do jogo de segunda-feira (03) à noite. Isso porque uma briga começou quando o atacante Pavel Buchnevich teve uma chance de marcar na frente do goleiro dos Capitals, Vitek Vanecek. Buchnevich acabou caindo após o fim da jogada, e Wilson deu um soco em sua nuca enquanto ele estava no gelo.

    O atacante dos Rangers, Ryan Strome, conseguiu tirar Wilson de Buchnevich, e então Artemi Panarin se envolveu e pulou nas costas de Wilson para tentar defender seus companheiros. Wilson puxou a estrela de Nova York para o gelo e começou a socar Panarin quando ele tentou se levantar.

    Panarin acabou recebendo uma penalidade de dois minutos por violência. Enquanto isso, Wilson conseguiu retornar e marcar um gol no terceiro período para o Washington, que venceu a partida por 6-3.

    Após o jogo, Wilson recebeu uma multa de 5 mil dólares, valor máximo permitido pelo Acordo Coletivo de Trabalho (CBA). A NHL especificou que a multa é por Wilson socar um Buchnevich indefeso – não por jogar Panarin no gelo.

    Os Rangers ficaram furiosos com a indulgência da punição da NHL para Wilson, que tem um extenso histórico de suspensões por incidentes no gelo. Nova York emitiu uma declaração com palavras fortes na terça-feira (04), chamando as ações de Wilson de “perigosas e imprudentes”, enquanto também acusava diretamente o Chefe do Departamento de Segurança do Jogador da NHL, George Parros, de “abandono do dever” e de ser “incapaz de continuar em sua função atual.”

    Problemas para os Rangers

    Com toda a confusão desta última semana, os Rangers saíram no prejuízo.

    Após a briga de segunda-feira (03), Artemi Panarin está fora do restante da temporada, com uma lesão na parte inferior do corpo.

    Como se isso já não fosse uma notícia ruim o suficiente, na tarde de quarta-feira (05), a franquia anunciou de forma impressionante que o GM Jeff Gorton e o presidente da equipe John Davidson haviam sido demitidos. Em seguida, o GM associado Chris Drury foi promovido aos dois novos cargos da equipe.

    Além disso, o time foi multado em 250 mil dólares pela NHL por comentários sobre George Parros na nota emitida na quinta. Isso é 50 vezes mais do que a punição de Tom Wilson por suas ações.

    “Comentários públicos sobre a natureza emitidos pelos Rangers que eram de natureza pessoal e degradantes de um executivo da liga não serão tolerados,” disse o comissário da NHL Gary Bettman. “Embora não esperemos que nossos clubes concordem com todas as decisões proferidas pelo Departamento de Segurança do Jogador, a extensão em que os Rangers expressaram sua discordância foi inaceitável.

    Volta emotiva com direito a hat-trick de T.J. Oshie

    Em meio a toda esta confusão, um jogador que se destacou ficando de fora de todas as brigas foi T.J. Oshie, que não estava presenta na partida de segunda-feira (quando toda a confusão aconteceu), pois seu pai veio a falecer depois de uma batalha contra o Alzheimer.

    No jogo de quarta, o ala estava inspirado e teve um desempenho emocionante, o que resultou em três gols para o time dos Capitals, dando-lhes a vitória por 4-2.

    “É uma noite tão emocionante para T.J.”, disse o atacante de Washington, Nic Dowd. “Ele tem sido um excelente líder para a nossa equipe.”

    “Passar pelo que ele passou e querer estar de volta aqui, ficar com seus companheiros de equipe e jogar, e jogar um jogo para o Treinador, e o jogo que ele jogou, excelente,” disse o técnico dos Caps Peter Laviolette, referindo-se a Oshie e seu pai , que atendia pelo apelido de “Treinador”. “Isso diz muito sobre ele e o que ele significa para esta equipe.”

    A vitória colocou Oshie e os Capitals em um empate pelo primeiro lugar com um despreocupado Philadelphia Pittsburgh na Divisão Leste. Washington, que já garantiu uma vaga para os playoffs, termina a temporada regular na próxima terça-feira, contra o Boston Bruins.

    Quanto aos Rangers, que foram eliminados da disputa pelos playoffs no início da semana, ficaram com mais perguntas do que respostas. A derrota foi a quarta consecutiva e aconteceu horas depois de todas as mudanças internas. 

    Foi uma semana bem agitada tanto para os Capitals quanto para os Rangers. Vamos nos preparar que logo os playoffs estão aí e poderemos acompanhar os próximos acontecimentos envolvendo Tom Wilson.

    Foto: Reprodução/NBCSports.com

  • Interview with Igor Larionov II – part 3

    Interview with Igor Larionov II – part 3

    Versão em português disponível aqui.

    (Co-authored by Marina Garcez)

    NHeLas talked to him about his path in hockey, his social media presence and much more. You can also watch him answering Twitter questions on our channel and taking one of our personality quizzes here.

    This interview has been lightly edited for length and clarity. Part 1 | Part 2

    Do you have any memories from the 2002 Stanley Cup?

    Yeah, I actually have a great memory. I remember when they won, my mom brought me on to the ice and she put me in my dad’s arms and he was holding me. I was, like, three or four years old. I remember it was so, so loud. So many people, so bright, confetti everywhere. And I was this little kid who was terrified, I just wanted to go home at that time. And you can even see in the Stanley Cup photo where my dad’s holding me, everyone’s smiling and I’m just sitting there with a frown on my face thinking “where’s my mommy? I want to go home.” And that’s basically the most that I remember of that Stanley Cup. But looking back, how cool is that I can look back and see myself on the cover of Sports Illustrated with the Red Wings and the Stanley Cup? And it’s just one of those things that you didn’t really appreciate when you were younger, but honestly looking now, that is so cool that I had the chance to do that. And not many people can say they’ve been on the cover of Sports Illustrated magazine. So for me, that’s a cool experience. Even now I sometimes bring that up and I brag about it a little bit. (laughs) But it’s just so cool because looking back, it was such a talented team, that 2002 Red Wings. I think they had 12 or 13 Hall of Famers and I was literally with them all on the ice as they were celebrating a cup and that’s something that millions have probably wished they had the opportunity to and I was lucky enough to be there. So it’s super special.

    To have something like that on your family album, it’s crazy.

    There’s literally pictures of me and my dad on the ice with the Stanley Cup on our family albums. I actually have a lot of pictures. When they won their second cup in 98, my dad asked for his day (with the Cup) closer to the end of the summer because I’d be born closer to August, September. So when he got the Cup I was, maybe two weeks old. So there are pictures of me sleeping inside the Stanley Cup, doing all these things. And then the 2002 Cup, there’s pictures of me eating frosted flakes out of the cup, and I was taking a shower with it and swimming with it. There’s a lot of very, very cool pictures with it from those days.

    You were born into a world where your father had already accomplished so much, become a hockey superstar. What has it been like for you to deal with the pressure and the inevitable comparisons between you and him in the hockey world and in the media, trying to make a name for yourself while literally carrying his name at the same time? 

    It’s not that easy. Growing up, it was something that really bothered me a lot of times. I never knew growing up in school if someone wanted to be my friend because they wanted to hang out with me or because they wanted tickets or something like that. So that always put me on guard, as a kid even, knowing that to truly trust someone I had to actually get to know them first before I let them into my life. That’s something that has kind of carried on throughout today. I always have a bit of a guard up when I meet someone because I’m not sure of their true intentions, where most kids they meet someone, they start talking when they’re in school and automatically know their friends. But for me, it was always “do they want to be my friend or do they want to come see the Stanley Cup trophy little thing, or the Stanley Cup ring at my house?” So that was always a little strange.

    Then when I started playing youth hockey, a lot of kids would target me because of my last name, they would play a little bit dirty, a cheap shot here or there. And whenever I was playing, there was always a crowd because everyone was watching the Hall of Famer’s son. Let’s say there’s a tournament with four rinks and if the word starts passing along that there was a Hall of Famer’s son playing, they’re all going to go watch that. Thankfully, when I was growing up, I was always one of the top scorers on one of the best teams in North America, so it was cool and I was enjoying that I had the extra eyes on me. But when I played bad, it really hit me hard and growing up there’s a lot of times after games where there was tears on the way home because I knew that there were so many people watching me and I disappointed, and that was hard to get over, but going on to where I am now, I really don’t see that much pressure anymore.

    Because if you think about it, I don’t think there’s anyone in the history of hockey that has won more total trophies and my dad has. He is like the Dani Alves of hockey in terms of how many trophies he’s won. So even if I were to win pretty much everything, I still most likely would never be able to get to that level just because of how many trophies he has won. And that’s fine. I mean, I can have a fantastic career, I can win one Stanley Cup, one Olympic gold medal, and three World Championships, and I still won’t have a career that he had, but winning all those things is still a tremendous career, which I think is great. There’s so many guys that never ended up winning anything, but they still had great careers. I mean, obviously, I want to win all these things and I want to beat him a little bit. (laughs) But realistically speaking, I don’t think anyone will ever win as many trophies as he has over his career. Three Stanley Cups, three Olympic medals, five World Championships, six European Championships, a World Cup, that’s just insane. How do you even have enough time to win all of those? Because this is the question we should be asking.

    I just know that I can play my own way and have a great career without ever achieving any of that. Because I still know that if I have a great career, and if I accomplish what I want to accomplish and play at the level that I know I can play, then I’ll have a great career, even if I don’t end up winning, you know, 27 trophies or something like that, which is a very high mark to reach. I’m totally okay with being who I am and playing to the best of my capabilities and knowing that if I do reach the best of my capabilities, I’ll have a career that many would dream of, so I’m totally fine with that.

    Do you two ever talk about it, you and your father?

    We don’t really talk about his accomplishments versus anything like that. We mostly talk about him just giving me tips, giving me advice, support, all these different things. It was actually funny, the one time we did sort of compare ourselves was his first game in the Russian league and my first game in the Russian league were both against Spartak Moscow. So that was kind of cool, where I think it was, like, 40 years apart, his first game was against Spartak, 40 years later, my first game was against Spartak. And I think he was minus three in his first game, and I was, like, plus one, I didn’t have any points. So that was some bragging rights because I had a better debut. But, mostly it’s just tips. He’s helping me out, showing me clips, sending me chapters from books, articles. He’s a big European football fan, so he sends me a lot of articles about different players, about their upbringing, about how they train, their work. So I read a lot of that, what he sends me, and mostly it’s so valuable when we get together and we watch a game on TV, and he can just point out “this guy’s doing this, when you get the puck in this situation, you can use the same move, but you can also change it up a little bit.” So just stuff like that, it’s incredible, in my opinion, getting the opportunity to talk to someone like that and to learn while you’re sitting on the couch and just watching a hockey game. I think that’s such a valuable experience for me and I always appreciate it when we have the opportunity to do that. (It’s) unbelievable to be able to sit with one of the world’s legends and just watch a game and him literally pointing everything out to you. I think it’s so cool.

    What’s your favorite hockey related memory?

    My favorite hockey memory would be the time we played SKA this past season. It was my former team, I was in their system, they developed me a little bit, and I got out of there. Then I signed with Kunlun and immediately I knew I wanted to play against them because things didn’t really work out the way I wanted to, there was a bit of a rough relationship there. As soon as I found out there was a game against them in St. Petersburg, I circled down on my calendar. We never beat SKA before and I knew that game was the game we were going to beat them. I remember they didn’t really have any (COVID-19) restrictions, so they had a pretty much sold out crowd and we ended up beating them 2-1 and I had the game winning assist. And that was just the most unbelievable experience. It was such a fun game, such a cool way to end it. And then, after the game we got interviewed for the local TV and it was just such a cool experience. It literally felt like when you dream of doing something, it’s like, you dream of playing in the NHL or something. And this felt like an NHL experience. Full crowd, big arena, so much energy, big game, good players, postgame press conference. All of that just felt so real, coming back to the hotel there was a big steak in your room waiting for you. Everything about it was just so, so real and so unbelievable. It’s like one of those feelings where that day is literally how it has to feel every single day in the NHL. And after I experienced that it’s like an addiction, you want to feel more and more of that. It’s so incredible. I just want to feel that feeling again and again and again. I can talk about it all day long. Especially on the road where you get a point or an assist or a goal and then the entire crowd, they start booing you, it gets quiet and it’s just the coolest feeling, I think.

    You had this tweet in which you mentioned that when you were a kid, you were really scared of the jumbotron falling on top of your dad. What other irrational fears or funny impressions did you have at that time, being a kid and watching your dad play?

    That was probably one of the big ones because I saw that picture of the jumbotron that fell in Buffalo and to me it was like, “that’s my dad’s work. That’s where he works, that’s his office,” you know, I’m thinking “how is he going to play? Is it gonna fall on top of him?” But in terms of other fears, I didn’t really have many fears. I actually had one fear. My first ever hockey game, I didn’t go on the ice. I didn’t play because I got scared of the referee. I was three years old and I saw this big man in stripes and I got terrified. And I didn’t play that game. (laughs) I told my mom and dad “I’m not playing,” and I started crying, they took me home. That was probably something that happened once and never happened again. But something kind of irrational was all my dad’s teammates, who were all these Hall of Fame superstars, and to me, they were just my dad’s friends. I didn’t see them as superstars or legends or anything. They were just like, “oh, here’s uncle Stevie,” Steve Yzerman, or, like, Pavel Datsyuk, basically like a cousin or something. Weird little things like that, where most people would be dying to get their autograph but for me, it’s just my dad’s weird friend from work who always comes over with a beer or something, so it was kind of fun. Looking back it’s pretty funny that those people to me were just regular guys where to many they’re their idols or heroes.

    Now that we got a little into the NHL, how much do you follow the league? Do you have a favorite team? What about other sports?

    In terms of hockey, I don’t really have a favorite team. I watch games, I don’t really watch too many. I like to watch clips of players, players that I want to emulate and players that I want to steal their moves a little bit from them. I watch a lot of highlights of the top guys, I’ll see what they do and I’ll try to do that next day of practice, so I can practice those kinds of moves that give them success. But I know so many guys in the NHL and so many players that it’s tough to really cheer for a team, I guess I cheer more for people than anything. But in other sports, in American football, I’m a big Detroit Lions fan, I’ve always been a Lions fan. It’s tough, I’m from Detroit, you know, we’re a horrible team, we always lose. But every year, I always go to a couple of games. So I’m very loyal in terms of that, I’m pretty much the most loyal person you’ll meet in any regards, but I’ll never give up on the Lions. I’ve been a Manchester United fan since I was two years old. There’s a picture of me wearing the Man United kit when I think I was literally one year old. From that age, I had a full kit, I had my name on the back, number eight. Throughout my entire life, I’ve always had a Man United kit, no matter what. In basketball, I’ve always been a Boston Celtics fan because one of my dad’s friends used to work for the team and he would send me autographed jerseys and hats. So as a kid, when I saw that, that blew my mind and I instantly became a Celtics fan. And other sports I’m not really much of a fan. Internationally, I cheer for Russia at international tournaments, like the (UEFA) Euros and the (FIFA) World Cup. Still not over the way they lost to Croatia in the quarterfinals of the last World Cup. I cheer for the USA too in the World Cup, but clearly they’ve had some struggles. And hopefully they can turn that around, they have a lot of good young players in Europe right now. But yeah, I’d say Man United, Lions and Celtics are my big three.

    What are your top-3 and bottom-3 cities you’d like to play for?

    I like that, really good question. Top 3 is probably more of a top 2. It’s interchangeable, in New York or Los Angeles, one of those two cities. That’s my absolute dream, probably New York at number one because it’s New York. Being an athlete and successful in New York opens up so many doors in so many different industries, especially in the ones that I’m interested in, so that’s huge for me. And then the bottom 3 would probably be Winnipeg, Calgary, Edmonton… And I can keep going, Ottawa… (laughs) They’re just not the same as comparing them to New York or Los Angeles. And I’m a big city guy, I like playing in Moscow because of that. I truly believe that I play so much better in a big city with a big microscope on my back and with the opportunity to do everything else off the ice that I’m passionate about. You play in Calgary, you can’t go to a bar and meet a fashion designer or a director or something, no offense to the people of Calgary, that’s just not the hub of where those things happen. Whereas in New York or Los Angeles, after a game you can meet someone interesting and talk about maybe do a collaboration or just anything for your future. For me that’s something that’s really important.

    If you could create an expansion team for the NHL, where would it be?

    I think a cool place for a team could potentially be Houston. Because I know they have an NFL team, they have an NBA team and an MLB team. I feel like they already have a great group of fans, sports fans, they might even have an MLS team, too. They have a great infrastructure for sports and for fans, and a lot of their teams have been quite successful over the last few years. So I think that the NHL would probably do pretty well there, since they’re typically doing pretty well in Dallas. Dallas is fairly competitive year in and year out, and people enjoy playing there because it’s good weather, you’re in the middle of the country, so the travel is not too bad anywhere. I think Houston would be a cool spot to have a team.

    Speaking of expansion teams, what do you think of what Seattle’s done so far addressing diversity and inclusion in hockey management and also in their community, getting ahead of some issues before they even start playing?

    I think it’s really cool what they’re doing. I even read somewhere that they’re building their arena in an eco-friendly way, which it’s something that I am huge about. I really believe in preserving the planet because this is our home. No matter what, there’s only one Earth. I really appreciate all the stuff that they’re doing in terms of that. And honestly, Seattle is a really cool place. I’ve always felt like Seattle is a bit more progressive than some other cities, and it’s great to see that they’re leading by example, in terms of that. I have no doubt that they’ll be a very successful team because, first of all, it’s a great city. There’s a lot of interesting people there. There’s a big group of people from tech that live there, and usually people in the tech industry are very eco-friendly, they’re very progressive in terms of giving everyone an opportunity and giving people jobs and I think that is something that’s going to be very, very successful. I really hope that they hit the ground running sort of like Vegas did. I would love to play there, and, you know, it’d be a pleasure to play in the same city where the lead singer of Nirvana was from.

    Part 1 | Part 2
  • Interview with Igor Larionov II – part 2

    Interview with Igor Larionov II – part 2

    Versão em português disponível aqui.

    (Co-authored by Marina Garcez)

    NHeLas talked to him about his path in hockey, his social media presence and much more. You can also watch him answering Twitter questions on our channel and taking one of our personality quizzes here.

    This interview has been lightly edited for length and clarity. Part 1 | Part 3

    You’ve been very active in supporting human rights on Twitter, in several ways. What drove you to become such an outspoken person on social media, this commitment to empowering and advocating for minorities and criticizing what we understand as “hockey culture?”

    For me, it’s common sense. I don’t think it’s correct to marginalize people because you think they’re different to you. I didn’t grow up with that in my family. We didn’t do those types of things and I was always taught that you need to respect people, and you don’t treat them differently because they don’t look like you or because they don’t live a similar lifestyle to you, I think that’s completely wrong. So when people call me an activist or something, I don’t think I’m an activist, I just think I’m someone who uses common sense when I say these things. Because, at the end of the day, it isn’t right to hate someone because they’re a bit different to you. I mean, for me that blows my mind, I’m at a loss for words sometimes. I can’t even put all of it together. How does it make sense that you don’t like someone just because they’re different to you? If anything, that’s a treasure. If everyone in the world was the same, the world would be so boring. It is literally beautiful that there are so many different people out there, you can talk to so many different people, learn about their human experience, and it’s just endless possibilities of so many beautiful connections, and beautiful avenues in life where if I say something on Twitter, it’s not because I want to be like Greta Thunberg and have a speech that the entire world hears. No, I just say it because I am truly baffled by how some people will hate instead of loving, and, to me, that’s not right.

    But if people do take it as activism, then I’m glad when I get these messages back, and people say “thank you for speaking up, I feel seen.” And that’s something that’s beautiful, because I feel like a lot of athletes, they just stick to sports. But the great ones, the people that are remembered throughout history are the ones that made a bigger difference off the playing surface than they did when they were playing. And that’s something that I think is very important because if you have a platform and you have a name or a following or anything, even if it is just from good intention, and not that you want to be an activist or anything, I still think you should pursue that. I’ve been getting so many messages from people saying thank you and that really just warms my heart because for me to type something up, it’s very easy and it doesn’t take a lot. But for them, it means so much. I think it’s beautiful and it’s something that my dad once told me that it’s a little bit different, but it kind of has the same message. He said, “whenever a kid or a fan asks you for a picture or for an autograph, that moment is a second for you, but it lasts a lifetime for them.” So that’s why I think it’s very important to give everyone the time of day and if you see someone who’s marginalized and being hated for being who they are, that’s wrong, and I can’t stand for that.

    You mentioned how you like to use your platform to promote human rights in general. Would you like to do something about that in the future, maybe start a foundation, is that of your interest?

    Honestly, I haven’t really thought much about that. But thinking about it now, if I could do something to help people, I would definitely be open to doing it because at the end of the day, it’s great to be a good player, but if you don’t really help anyone, what’s the point of getting to where you are? So I would love to do something like a nonprofit or a charity or just having hockey camps where you can help people like that or expand and grow the sport. I have no concrete plans for that right now, but now that you mentioned it, that’s definitely something I’d be interested to do in the future.

    Have you ever called out a teammate on the spot for doing something you thought they shouldn’t have, like using a slur or being misogynistic?

    Typically, that’s very hard in the locker room, because if you say something right away, then you become the enemy and they don’t listen to you. So it’s better to just quietly go up to someone and be like “Hey, man, I don’t really appreciate the way you’re talking because that could be taken the wrong way, and you could really hurt someone.” Which happened a couple times this year, but it was mostly Russian guys who heard these words in English and they didn’t know what they meant. They were just repeating it. It’s sort of like when you hear a kid say a swear word, they don’t know what it means. They’re just saying it because they heard it on TV, or they heard mom and dad say it. Here, there were a couple of times Russian guys would say something that you just don’t typically hear in a North American locker room. When that happened, I told the guy “Look, man, you really can’t be saying stuff like that, because that’s just not okay. I understand, you don’t know what it means. I understand that in your culture, it’s something totally different. But if you’re going to speak English and you have aspirations of playing in North America, that’s something you have to forget.” There’s been other moments when guys have tried to show me some stuff which I just didn’t think was right and I straight up said “I understand you want to show me this, but I’m not interested,” like, stuff to do with women or anything like that, I just straight up say, “thank you for offering but no, I’m not interested.” So that’s how I look at things.

    Have you ever been in trouble for something you said or something you did that you thought you were doing the right thing, but it wasn’t expected of you to do as a hockey player?

    I haven’t really been in trouble for saying anything because I feel like I’m pretty good with my words, I know when to pick and choose my fights. And in locker rooms I don’t really speak up on these terms because a lot of times guys feel threatened when you do that. It’s better to just, like I said, one on one with someone just quietly mention something. But one time, when I was playing in the OHL, I did a curling celebration, which is actually the pinned tweet on my Twitter. And it was during the Olympics, I scored a goal, I tossed my glove and my teammate was sort of sweeping. And after that I got benched for the rest of the period, I scored in the first shift of the game. In between periods, my coach comes up to me, in front of the entire locker room starts screaming, “how can you do this? You’re a disgrace to the game, you can’t be acting like that, blah, blah, blah.” He told my other teammate “I’m gonna send you back to Russia,” (laughs) like, all these things. And he didn’t play me much in the second period, then we went down I think 3-1. He put me back on the ice, I ended up getting two more assists. I was the first star that game. Afterwards, they come up to me, they said “we’re going to talk to you tomorrow. That’s not okay. You know, you’re not off the hook because you played well,” and I’m thinking “the game is fun.” (laughs) The next day I show up, and overnight that video went viral, it was shown on ESPN, on TSN. Pretty much every major sporting broadcast in every country that shows hockey.

    Brazil included. (laughs)

    Really? Yeah, so I guess it really went worldwide. And our next game, the next day, it turned out to be sold out because so many people saw the video that they got tickets, it was our first sellout in I think a year and a half. At that point no one ever said anything again to me. One of my coaches said “where did you even figure that out?” I said, “Oh, I saw an NFL team do that.” He was like “yeah, well, we’re not the NFL.” And I said “yeah, I know, we make a lot less money and a lot less people watch us.” (laughs) So I said something like that, and he didn’t really agree, didn’t really disagree, but he just nodded and walked away. That was it and nobody ever mentioned that again. So it was interesting, it was fun for me and a lot of the guys enjoyed it. A lot of people did enjoy it if it made it on so many platforms.

    It’s funny, we look at the history of sports in the US and football, baseball, then basketball, they all had that moment in history when they started really marketing themselves and you see how much the game grows because of that. And then hockey is just there.

    Exactly. I always bring this example up: the NBA and the NHL weren’t that big in the 80s. And their two biggest stars started playing at the same exact time, Wayne Gretzky and Michael Jordan. They pretty much started in the same generation. Look at what Michael Jordan did to basketball and look at what Gretzky did to hockey. Basketball is all over the world where hockey, it’s grown. I’m not gonna say it hasn’t grown. But it hasn’t nearly grown as much as basketball has. You look at a team like PSG has the Jordan’s logo on their jersey, a soccer team has the Jordan’s thing, whereas hockey is still just hockey. It hasn’t really reached the international stage like basketball has because of, you know, what Michael Jordan was able to accomplish on the court, but also off the court. He did so much.

    Do you worry that being so outspoken about those issues would impact your chances of making an NHL roster?

    Obviously, that’s in the back of my head. They don’t really like it when people speak up. But at the same time, what they do not realize is, if you look at me, like I mentioned, I have had more points than a lot of guys that are playing in the NHL right now this season and in a lot less games. So clearly I can play at that level if my colleagues and counterparts are able to do that. But one thing that they’re not able to do is if you look at my social media, I have a lot more followers in all of my platforms than, I would say, most NHL players, and if I were able to get to that stage of the NHL, I would be able to make a team so much money just based off of off the ice endorsements, all these different things.

    Just put me in front of a camera and let me be myself and I can literally help a team make so much money and grow the team’s revenue. And if they were to understand that, I feel like that could definitely be something that could help. I feel like a lot of teams, like, you look at the Lakers, Kyle Kuzma, he’s an average player. He’s not a superstar. But he brings in so many fans based off of his fashion, how he dresses, his aura, his lifestyle. Same thing, Manchester United, they had a player named Jesse Lingard who didn’t play for almost 16 months, but he had his little celebration, he had merch, he had dance moves, he had all these things, and he has more followers than any single NHL team. He makes so much money for the team because his jerseys are always one of the top sold, his merch is always one of the top sold, but also his Instagram game and his social media brings in so many fans from all over the world. And I can do something like that for any team, but also when you look at these young guys who are my age and they produce less than me, I can produce at the same level if not better than these guys. And I’m still young, so over time I can only improve all these factors.

    If I was an NHL team, I would see a guy like myself and think “alright, so we have a potentially good young player who was able to play in the second best league in the world at such a young age, but also he has such a big following already that if we bring him and market him, not even well, just barely market him, he can grow to an extent where he can become someone that brings in new fans and new audiences and make us a whole lot of money.” Because at the end the day that’s what most teams care about, making money. So I think it’s a win-win for any NHL team and I’d be glad to jump at any opportunity because I obviously know that I can play at this level and I feel confident that I can do both the job on the ice and off the ice, and I’d love to do that for any team.

    It’s not that hard, NHL, come on. It’s the best sport in the world and it can be so frustrating sometimes.

    Exactly. That’s what I always say, hockey is the only sport where the best product is the actual gameplay. You look at any other sport, you look at the NBA, it’s the off the court antics. It’s the games where the Kylie Jenner ex-boyfriends are playing against each other getting the most views. Whereas (in hockey), the best of our sport is what’s going on on the actual surface. Everything else is incomparable. You can’t even compare it to golf or to anything else. It’s just so much worse than every other sport and that’s really, really hurting the league. More people deserve to watch hockey but they’ll never get a chance because it’s just not entertaining enough. There’s no drama. That’s basically what it is.

    Part 1 | Part 3
  • Interview with Igor Larionov II

    Interview with Igor Larionov II

    Versão em português disponível aqui.

    (Co-authored by Marina Garcez)

    Over the past month, hockey twitter had its attention caught by someone whose attitudes and personality seemed odd for the average hockey player. Well, Igor Larionov II is not your average hockey player. Fans might be familiar with the name; the young player is the son of one of the greatest legends of the sport, three-time Stanley Cup winner and multiple world champion Igor Larionov. 

    However, at 22, Igor Larionov II is taking the first steps of his professional career while also conquering a legion of supporters and fans on social media, embracing a community and echoing voices that we often don’t see represented in hockey.

    NHeLas talked to him about his path in hockey, his social media presence and much more. You can also watch him answering Twitter questions on our channel and taking one of our personality quizzes here.

    This interview has been lightly edited for length and clarity. Part 2 | Part 3

    Why don’t we start with your career? Tell us about your life in hockey, growing up and up until now.

    I was born in 1998, in Detroit, Michigan. My father was a hockey player, so I was always around the hockey rink and meeting a lot of cool people that play hockey and are in the industry. From the ages of three or four, I was always running around with a little hockey stick at home. Most kids play with toy cars or Legos, and I always had a hockey stick and a ball or a little puck with me. So that’s basically how I got started playing. Growing up, I played youth hockey in Detroit for a bit and then my family moved to California when my dad retired, and I spent two years playing youth hockey in California. And then after that, it’s very difficult to find a lot of ice here and a lot of, you know, opportunity to practice, so we moved back to Michigan where there were 15 rinks within 10 miles of my house. That makes it a lot easier to just get on the ice and practice and work hard and all those good things.

    I played youth hockey in Michigan for the next six years, after that I went to Major Junior, I played in the QMJHL the first season, which was a good experience but after that one year, I got an offer from Windsor, which was literally a 30-minute drive from my house in Michigan. So that was the perfect opportunity because not often do you get to live at home and then play hockey so I took that offer up, I had a great year, I played very well and then the following season I had the opportunity to go to Muskegon. Because Windsor, we were sort of rebuilding, but it was my last year in Muskegon. We were, like, going for the title, we had a very strong team. So I went over to Muskegon and had a great year, a lot of good memories. One of the last games of the season though, sadly, I broke my collarbone. So my season was done. We ended up losing in the conference finals of the playoffs, which, you know, was a bummer not being able to help the team or play but it was a good experience playing in Muskegon. I still talk to a lot of the guys, a lot of the players are some of my closest friends now.

    Following that, I decided to go to Russia, I started with SKA in the KHL, I was in their camp, I was just told I had made the team, great news, they called me up for the olympic national team, which is basically the second national team. There’s the main national team in Russia, and then there’s the olympic team, which is sort of the young guys, they’re grooming you for future tournaments, future events. So I got called up to that and two days before I was supposed to head out to the olympic team and to sign my full contract for the season with SKA, I ended up tearing my glute on the last day of training camp. With that I pretty much missed the entire season. When I recovered, I was only able to play two games, and that was only so they could register me. I basically dressed but I didn’t go on the ice, and that was just so I would be able to be under contract at that time. Because they were hoping that in two months, I’d be ready to play. But obviously, two months later, the world was shut down because of COVID. And I ended up not playing at all that season pretty much.

    So when that happened, I came back to Michigan where I was living at the time, I did a lot of training, a lot of rehab, and I had some opportunities to play in the AHL last season, but nothing was starting. So I started thinking to myself “I can’t take two full years off,” that just wouldn’t be good for my development. And I got a call from the Kunlun (Red Star) GM saying they were looking for players from North America that had Russian roots, which basically meant someone that has a Russian passport because they needed to dress a certain amount of Russians for every game. And I honestly said “Yeah, sounds good, when do you want me to come over?” And he said “how about in a couple of days?” So in a couple days, I was on a flight to Moscow, I went from Detroit to Chicago, Chicago to London, London to Moscow. And then three or four days later, I was playing my first game. I only signed a three game tryout deal because we didn’t have enough money to sign people to guaranteed contracts this year, because of the budget cuts due to COVID. After three games, I had two points and they ended up signing me for the rest of the year. I played two more games shortly after that, and then I got COVID. I ended up missing almost three weeks with that. It wasn’t too bad of an illness, it was pretty light for me. But when I got back, I had some problems with my heart and after trying to recover, they basically shut me down for the rest of the season.

    Thankfully, I was able to go back to the States and get some proper medical treatment. They basically told me “take two months off, don’t do anything at all, don’t strain your heart,” and I had to wear a couple heart monitors for a couple of weeks just for them to monitor all of that. Once those two months went over, they said “it’s gonna hit you like a switch. All of a sudden you’ll get your energy back and start feeling good again, you’ll be able to train,” and it would literally happen how they said it would happen. For two months, I was, you know, very fatigued, very tired, couldn’t really do anything without my heart rate going up. And then as soon as those two months are over, boom, I felt great. Now, I’ve been training for almost a month and a half. And I honestly feel as good as I’ve ever felt. I’m just just getting ready for next season at this point.

    In your opinion, what are the main differences between playing hockey in North America versus playing in Russia?

    There’s quite a bit of difference between these two countries, both culturally and in terms of the style of play. I would say that in North America, it’s more of a structured system where you know your job and everyone’s got their own role. But in Russia, it was more of a free for all, where guys would sort of decide what they’re doing. And that’s not always the best, I think the best is when you can mix the best of those two systems where people have the freedom to create, but there’s also a structure and a system in place where if you make a mistake, you know that your teammate will be there to cover you up, because they’re following the same idea as you are. It was very interesting to play (in Russia). They pretty much had fans everywhere you played, which is very weird for this time in the world. It was a different experience, the cities, they’re not like typical pro hockey cities that you’d play in North America. Here, it’s usually the top cities in America, you stay at nice hotels. There, there are a couple of nice cities but then once you get to some of the lower rank teams, the cities aren’t really too nice, they only have one restaurant, that would be a Burger King or something, and the hotel, it was the place of nightmares (laughs) there’s, like, blood on the walls and mold in the shower, that kind of thing.

    It was very unique but at the end of day, it was a lot of fun, because I feel like my teammates… We were a lot of North American guys and it’s almost that thing where it’s so different for a lot of us where most of the time we’re just laughing at what’s going on. Our  team plane was very, very weird. Every single flight there’d be a moment where you just felt the plane slowly going down, and at first it would get kind of quiet on the plane. And then everyone started looking around, take off their headphones, and then one of my teammates would always start yelling “well, boys, this is how we go.” And the entire team would start laughing. Moments like that, which looking back, it was terrifying how we would just feel the plane dropping then always get back to normal. But just weird little things like that, where we would always just be making fun of the bad things. And that made it more fun. And that made it a cooler experience for all of us.

    How did the KHL protocols compare to the NHL ones at that moment?

    I believe in the NHL, they’re getting tested every single day. What we had was we were getting tested every three days. Another big thing is in the NHL, if there’s a few people that are sick, they pretty much shut down the entire team and nobody plays until everyone’s recovered, everyone’s back. But for us, it was totally different. It was if you’re sick, you just go home, the entire team continues. So we had a moment before I even got to the team where I think we had, like, 17 guys sick at once. And then when I got there, when I got sick, we had six guys sick at once. So it was a bit of a mess in terms of that because they didn’t really know how to handle it too well compared to how they do it here. Our equipment manager got sick, and instead of him staying home, he came to the rink to sharpen our skates. And then five of us got sick. So it was kind of weird in terms of that. But, you know, it’s a different culture, they do things differently there. So I can’t really blame them for how the country is run, because that’s just how they do things. But I definitely think they could have, you know, taken a more cautious approach. Because at the end of the day, we had, I think, 95% of the league got sick. And I know a lot of players that had similar problems to me where they couldn’t finish the season because they had something wrong. Some guys were even in the hospital with the respirators. So it was a scary situation for a lot of us but going in, they pretty much told us that you will 100% get sick at a certain point. So we all knew the risks going into it.

    I feel like in North America you’d get sued on the spot just for saying that.

    You would. It’s funny, when they first talked to me, they said, “have you had COVID yet?” And I said “No,” and I was thinking that was a good thing. And they were like, “damn, it’s better if you already had it, because that means you won’t get it.” And I’m like, “Oh…”  (laughs) They said “within the first two weeks, you’ll probably get it.” I was able to last closer to a month and a half before I got it, which I don’t know how, I was very, very lucky. But pretty much everyone who came over got it unless people already had it in the summer.

    Going into the future, what are your plans and expectations for the next season? And what’s your offseason routine like, what do you usually do?

    My expectations for next season are I want to stay in North America and I have some opportunities here to go to some camps or just straight out sign an AHL deal. I know a lot of guys that are playing the KHL that came over and are in the NHL now that had similar points to me and less games. So for me, I look at that and I say “if they got less points than me, and they’re playing in the NHL, I mean, I could do the same thing.” And I truly believe if I never had my history of injury issues that I would be there right now. But, you know, you can’t control those things. Obviously, it’s tough at times, but I’m grateful for how everything transpired in my life so far. But yeah, I have some opportunities. And I really think that once I get the chance to showcase myself, everything will be fine.

    My routine, basically what I do is I train in the gym. Usually right now it’s three times a week. And then, when it gets closer to the season, sort of like June-ish, I’ll start going four times a week, July, four times a week, August, four times a week. And then, end of July, I’ll start getting on the ice twice a week and just continue to do that, because I don’t really like to skate too much in the offseason. I feel like I burn out a little bit when I skate too much. And I prefer to just work on building my muscular physique, building my endurance, all those different things, because I feel like when you have that all set up, and you get on the ice, it honestly takes me three weeks before the season starts, I’ll start ramping it up and skating four or five times a week and that’s all it takes for me to be ready, physically, but also at the same time, I’m fresh enough where I wouldn’t be getting tired during training camp for all those things.

    What’s the story behind you wearing #69? And how did it become kind of a personal brand? Do you think you’ll be able to wear it in the future, depending on where your career takes you?

    This year, in Kunlun, we didn’t have too much money in my team in the KHL, so they had a certain amount of jerseys preset, and when they were talking about signing me, they offered me, I think, five different numbers. Three of those jerseys were too big, so I couldn’t wear them, they were almost, like, goalie size. And then the two that were my size were number 69 and I think number 52 or 53, some very boring number which, you know, I don’t really like to do boring things. So at that point, I pretty much realized that 69 was the best option plus, I had an opportunity to impress a couple people, which is always fun. (laughs) I like to do creative things, and I feel like not many people wear the number 69 because it’s looked badly upon in society. But I don’t really see anything wrong with the message that it sends.

    Because at the end of the day, there’s really nothing wrong with what it is, it’s a thing that pretty much most humans do. And there’s nothing taboo about it in my mind. You know, a lot of people when they talk about sex or something, they think it’s very taboo, but in reality, I mean, that is literally, it’s in the Bible, you know, if we’re going back that far (laughs). So I see nothing wrong that and I think it’s a good message, not only to be yourself and to have fun, because a lot of people view their sport as a job and not as a game and I think you could do it as both because at the end of the day, if it’s a lot of fun, I feel like you play better and if you enjoy yourself, you play better. So it basically chose me. I didn’t really have much of an option, but when I found out that was my only option I was really excited because I’ve been wanting to do something outrageous like that for a while and it only would have happened if that was my only option. I don’t think I would have had the guts to pick 69 out of a hundred different numbers or something.

    Do you have any superstitions related to your game? Anything that you like to do before every match?

    No, not really. I guess I tie my left skate first, which would be the only superstition that you could probably consider even a superstition, but everything else I’m very, very chill, go with the flow. Before games, I don’t like to get too worked up on it. I like to have fun and enjoy, joke around. And when I do that, I feel like I play better because there’s absolutely no nerves for me and I go out just relaxed and confident, ready to play. But when I overthink, overstress, that’s when I get into trouble. I prefer to play based on my instincts and not what’s going on up here because I feel like a lot of people, they overthink and they start to doubt themselves. Whereas when you’re just playing based on your instincts, you play a lot better. So I get to the rink, I joke around, I play some soccer, I play some basketball, some American football, you know, just for fun. And then I do my warm up, which isn’t really a routine at all, like do the exact same warm up, step by step. I have a certain amount of exercises, but I do them in different, a different order. And that’s about it. I get on the ice, I do the same stick handling stuff. But that’s less of a superstition, I’m just used to doing the same exercises because I know they warm up my body correctly. So that’s basically how I prepare, there’s nothing too special, it’s more of just trying to enjoy every moment of it.

    No special food, no special clothes?

    I’m on a very strict diet, I don’t really eat too much. So usually before games, I’ll have a salad, and then I’ll have a grilled cheese sandwich with sweet potato. For clothes, I like to just have fun with that, I don’t really pay too much attention, I wear pretty much whatever I see and if I think it looks cool, I wear it. If there’s a dress code, I’m sort of flowing just beneath the dress code, where I’m sort of following but at the end of the day I’m doing it a little bit my way. And that’s how I like to do it.

    There’s no self expression alive with the dress code. And that’s why I try to still follow it a little bit so I don’t get in trouble, but at the end of day I do it a little bit differently.

    What career would you like to have pursued had you not been a hockey player? And do you ever think about life after hockey and what you would like to do then?

    Yeah, I think about that quite a lot. Because I always tell people, when I introduce myself, I don’t say I’m a hockey player. First, I say, like, I’m a human being, and then, down the line, I’ll tell them I’m a hockey player, because I don’t want for them to think that that’s exactly who I am. I have a lot of interests, a lot of passions outside of that. So I’d love to do something behind the camera. I’ve always been a fan of film, I’ve always been a fan of television. But when I first moved out to LA, a couple of months ago, I was getting a haircut at this salon in Beverly Hills. And it was very fancy, a lot of big shots, I was sitting actually next to Kesha, the singer, which was super, super cool. But this woman comes up to me and she asked me for my information, we start talking and it turns out she was the vice president of a modeling agency in Los Angeles. So I was talking to her, she asked for my Instagram, she followed me, we connected and she wanted me to do some stuff for them and talk to them, maybe potentially sign. And I was a bit scared of that because I don’t want that to interfere with hockey, because a lot of times, when you do anything creative, and then you come back to hockey people sort of look at you differently. And I basically sent her a DM “let’s move forward,” then I unsent it because I just wasn’t feeling comfortable doing that. Obviously, that’s something I’d like to pursue, if a vice president of an agency out of nowhere comes up to me, I feel like that’s a good sign. But I honestly would love to go back to that once I’ve sort of established myself or have a contract, some sort of safety. I’d definitely love to do one of those three things, something entertaining, something in that industry, because I don’t really like when you can’t express yourself and I feel like in those industries it’s the exact perfect opportunity where you can literally be yourself and you don’t get judged for that, you get applauded for that, and that’s something that I really enjoy.

    So you’d never have a desk job at an office, or something like that.

    I’m not really too good at sitting at a desk all day long, or sitting in an office. I mean, maybe, if I really was passionate about something, I could try to do that, but I just don’t see that in my future. I am too outgoing. I would literally, just one day, I’d wake up and say “why am I doing this?” And then, you know, book a one-way ticket to Australia, and drive a van across the country, just film stuff, take pictures of stuff. I feel like that’s more of my vibe, and working at an office, which I don’t think there’s anything wrong with that, you know, obviously a lot of people have professions, and then a lot of people make good money, a lot of people enjoy it. But for me, that’s just something that I don’t think I’d ever be able to do.

    Part 2 | Part 3
  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 2)

    Você tem alguma lembrança da Stanley Cup de 2002?

    Sim, na verdade eu tenho uma lembrança ótima. Eu me lembro quando eles ganharam, minha mãe me levou até o gelo e ela me pôs nos braços do meu pai e ele ficou me segurando. Eu tinha talvez três, quatro anos. Eu lembro que era tão, tão barulhento. Muitas pessoas, muitas luzes, confete por toda parte. E eu era essa criancinha que estava apavorada, eu só queria ir para casa naquele momento. Você consegue até ver na foto da Stanley Cup em que meu pai está me segurando, todo mundo está sorrindo e eu lá com a cara fechada pensando “onde está minha mamãe, eu quero ir para casa.” Isso é basicamente o que eu lembro daquela Stanley Cup. Mas olhando para trás, quão legal é que eu posso relembrar e me ver numa capa da Sports Illustrated com os Red Wings e a Stanley Cup? É uma daquelas coisas que você não dá muito valor quando é mais novo, mas sinceramente vendo agora, é tão legal que eu tive a chance de fazer aquilo. E poucas pessoas podem dizer que eles estiveram na capa de uma revista Sports Illustrated. Então para mim, essa é uma experiência bacana. Até hoje eu às vezes toco no assunto para me gabar um pouco. (risos) Mas é muito legal porque, olhando agora, era um time tão talentoso, os Red Wings de 2002. Eu acho que eles tinham uns 12 ou 13 Hall of Famers e eu estava literalmente no gelo com todos eles enquanto comemoravam uma taça, e isso é algo que milhões provavelmente já desejaram ter a oportunidade de fazer e eu fui sortudo o suficiente para estar lá. Então é algo super especial.

    Ter esse tipo de coisa num álbum de família é realmente incrível.

    Tem literalmente fotos minhas e do meu pai no gelo com a Stanley Cup em nossos álbuns de família. Eu, na verdade, tenho várias fotos. Quando eles venceram em 1998, meu pai pediu para o dia dele (com a taça) ser perto do final do verão porque eu ia nascer em torno de agosto, setembro. Então quando ele pegou a taça, eu tinha talvez duas semanas de vida. Tem fotos minhas dormindo dentro da Stanley Cup, fazendo todas essas coisas. E aí com a taça de 2002, tem fotos minhas comendo cereais de dentro da taça, e eu tomei banho com ela, fui na piscina com ela. Tem várias fotos muito, muito legais daquela época.

    Você nasceu em um mundo em que seu pai já havia conquistado tanto, e se tornado uma superestrela do hockey. Como foi para você lidar com a pressão e inevitáveis comparações entre você e ele, não apenas no esporte mas também na mídia, tentando ganhar seu próprio reconhecimento enquanto literalmente carregava o nome dele ao mesmo tempo?

    Não é tão fácil. Na minha infância, era algo que realmente me incomodava muitas vezes. Eu nunca sabia, naquela época, se alguém na escola queria ser meu amigo porque eles queriam passar tempo comigo ou porque queriam ingressos ou algo do tipo. Então isso sempre me deixou alerta, mesmo quando criança, sabendo que para confiar de fato em alguém, primeiro eu tinha que conhecê-los de verdade antes de deixá-los entrar em minha vida. Isso é algo que eu de certa forma ainda carrego comigo. Eu sempre tenho um resguardo quando conheço alguém porque não tenho certeza de quais são suas verdadeiras intenções. Enquanto que a maioria das crianças, quando conhecem alguém, começam a conversar na escola e automaticamente se tornam amigos. Mas para mim, era sempre “será que eles querem ser meus amigos ou querem ir em casa ver a Stanley Cup, ou o anel de campeão?” Então isso sempre foi um pouco estranho.

    Aí, quando eu comecei a jogar hockey juvenil, muitas crianças me faziam de alvo por causa do meu sobrenome, eles jogavam um pouco mais sujo, um golpe baixo aqui ou ali. E sempre que eu jogava, tinha um público porque todo mundo estava assistindo ao “filho do cara no Hall da Fama.” Vamos imaginar que tem um torneio com quatro rinques e começam a espalhar que o filho de um Hall of Famer está jogando, eles vão todos assistir àquilo. Felizmente, enquanto eu crescia, eu era sempre um dos maiores pontuadores em um dos melhores times na América do Norte, então era legal e eu aproveitava que tinha alguns olhos a mais virados para mim. Mas quando eu jogava mal, realmente me afetava bastante e, ao longo dos anos, houveram muitas vezes, depois dos jogos, lágrimas na volta para casa porque eu sabia que muitas pessoas estavam me assistindo e eu as decepcionei. E era difícil lidar com aquilo, mas pensando onde estou agora, eu não vejo mais tanto essa pressão.

    Porque se você pensar sobre isso, eu não acho que tenha alguém na história do hockey que ganhou ao todo mais troféus que meu pai ganhou. Ele é como o Dani Alves do hockey no quesito de quantos troféus ele ganhou. Então mesmo se eu fosse ganhar praticamente tudo, eu provavelmente ainda nunca seria capaz de chegar naquele nível, só pela quantidade de troféus que ele ganhou. E está tudo bem. Quer dizer, eu posso ter uma carreira fantástica, eu posso ganhar uma Stanley Cup, uma medalha de ouro nas Olimpíadas, e três Mundiais, e eu ainda não vou ter a carreira que ele teve, mas vencer todas essas coisas ainda é uma carreira tremenda, o que eu acho ótimo. Tem tantos caras que nunca ganham nada disso, mas ainda assim têm grandes carreiras. Quer dizer, obviamente, eu quero ganhar todas essas coisas e eu quero vencê-lo de certa forma. (risos) Mas sendo realista, eu não acho que ninguém nunca vai vencer tantos troféus quanto ele venceu ao longo de sua carreira. Três Stanley Cups, três medalhas olímpicas, cinco Mundiais, seis campeonatos europeus, uma Copa do Mundo, isso é absurdo. Como você tem tempo de ganhar tudo isso? Porque essa é a pergunta que nós deveríamos fazer.

    Eu só sei que eu posso jogar do meu jeito e ter uma grande carreira sem nunca conquistar nada daquilo. Porque eu sei que se eu tiver uma grande carreira, e se eu realizar o que eu quero realizar, e jogar no nível que eu sei que consigo jogar, eu terei uma grande carreira, mesmo que eu não ganhe, sabe, 27 troféus ou algo parecido, o que é uma marca bem alta de se alcançar. Eu estou totalmente bem sendo quem eu sou e jogando no melhor das minhas habilidades e sabendo que se eu atingir o melhor do que eu sou capaz, eu vou ter uma carreira que muitos só podem sonhar em ter, então estou completamente satisfeito com isso.

    Vocês chegam a falar sobre isso, seu pai e você?

    A gente não fala muito sobre as conquistas dele versus qualquer coisa do tipo. Falamos principalmente dele dando dicas, conselhos, apoio, todas essas coisas. Foi até engraçado, a única vez que meio que nos comparamos foi que o primeiro jogo dele na liga russa e o meu primeiro jogo na liga russa foram ambos contra o Spartak Moscow. Então isso foi legal, porque acho que com 40 anos de diferença, o primeiro jogo dele foi contra o Spartak, 40 anos depois o meu primeiro jogo foi contra o Spartak. E eu acho que ele teve (um plus-minus de) -3 em seu primeiro jogo, e eu tive algo como +1, eu não marquei nenhum ponto. Então eu tive direito a me gabar ali porque a minha estreia foi melhor. Mas, no geral, (ele só me dá) dicas. Ele me ajuda, mostrando clipes, mandando capítulos de livros, artigos. Ele é um grande fã de futebol europeu então ele me manda vários artigos sobre diferentes jogadores, sobre sua formação, sobre como eles treinam, seu trabalho. Então eu leio muito isso, o que ele me manda, e principalmente é tão valioso quando nos encontramos e assistimos a um jogo na TV, e ele aponta “esse cara está fazendo isso; quando você pega o disco nessa situação, você pode usar o mesmo movimento, mas você também pode mudar um pouco.” Coisas desse tipo que, é incrível, na minha opinião, ter a oportunidade de falar com alguém assim e aprender enquanto vocês estão sentados no sofá e vendo um jogo de hockey. Eu acho que é uma experiência tão valiosa para mim e eu sempre aproveito quando temos a chance de fazer isso. (É) inacreditável poder sentar com uma das maiores lendas do mundo e só assistir a um jogo e literalmente tê-lo apontando tudo para você. Eu acho que isso é muito legal.

    Qual sua memória favorita relacionada ao hockey?

    Minha lembrança favorita de hockey é quando jogamos contra o SKA nessa última temporada. Era o meu ex-time, eu fiz parte do sistema deles, eles me desenvolveram um pouco e eu saí de lá. Daí eu assinei com o Kunlun e imediatamente sabia que eu queria jogar contra eles porque as coisas não deram muito certo como eu queria lá, a relação era meio difícil. Logo quando eu descobri que tinha um jogo contra eles em São Petersburgo, eu circulei a data no meu calendário. (O Kunlun) nunca tinha vencido o SKA antes e eu sabia que aquele seria o jogo em que íamos vencê-los. Eu me lembro que eles não tinham muitas restrições, então era praticamente uma plateia lotada, e nós acabamos vencendo por 2-1 e eu dei assistência ao gol da vitória. E aquela foi a experiência mais inacreditável. Foi um jogo tão divertido, e um jeito tão legal de acabar. E depois, nós fomos entrevistados para a TV local e foi uma experiência muito legal. Literalmente foi como quando você sonha fazer algo, como um sonho de jogar na NHL ou algo assim. E foi como uma experiência de NHL. Plateia cheia, arena grande, muita energia, grande jogo, bons jogadores, coletiva de imprensa pós-jogo. Tudo aquilo parecia tão real. De volta ao hotel, tinha um filé enorme te esperando no quarto. Tudo foi muito, muito real e inacreditável. É um daqueles sentimentos de que aquele dia é literalmente como você se sente todo dia na NHL. E depois de experimentar aquilo, é como um vício, você quer sentir mais e mais daquilo. É tão inacreditável. Eu só quero sentir aquilo de novo e de novo e de novo. Eu posso falar disso o dia inteiro. Especialmente (jogando) fora de casa, em que você faz um ponto, uma assistência ou um gol, e a torcida inteira começa a te vaiar, fica um silêncio e é a melhor sensação, eu acho.

    Você uma vez publicou em um tweet que, quando criança, tinha medo do telão da arena cair em cima de seu pai. Quais outros medos irracionais ou coisas engraçadas você se lembra de ter naquela época, assistindo ao seu pai jogar quando você era criança?

    Aquele era provavelmente um dos maiores (medos) porque eu vi aquela foto do telão que caiu em Buffalo e para mim era tipo, aquele é o trabalho do meu pai. É onde ele trabalha, é o escritório dele, sabe? E eu pensava “como ele vai conseguir jogar? Será que vai cair em cima dele?” Mas quanto a outros medos, eu realmente não tinha muitos. Na verdade, eu tive um medo. No meu primeiro jogo de hockey, eu não entrei no gelo. Eu não joguei porque fiquei com medo do árbitro. Eu tinha três anos e eu vi aquele homem (com o uniforme) listrado e fiquei apavorado, e eu não joguei aquele jogo. (risos) Eu falei para a minha mãe e meu pai “eu não vou jogar,” e eles me levaram para casa. Foi provavelmente uma coisa que aconteceu uma vez e nunca mais. Mas algo que era meio irracional, todos os companheiros de equipe do meu pai, que era essas superestrelas, do Hall da Fama, e para mim, eles eram só os amigos do meu pai. Eu não os via como superestrelas ou lendas ou nada do tipo. Eles eram só “o tio Stevie,” Steve Yzerman, ou Pavel Datsyuk, praticamente um primo ou algo assim. Pequenas coisas peculiares do gênero, em que a maioria das pessoas estaria se matando para conseguir um autógrafo, mas para mim, era só o amigo esquisito do meu pai que trabalha com ele e que sempre vinha visitar com uma cerveja, então era engraçado. Olhando para trás, é bem engraçado que aquelas pessoas eram só caras normais para mim, enquanto para outras muitas eles são ídolos ou seus heróis.

    Agora que entramos no assunto da NHL, o quanto você acompanha a liga? Você tem um time favorito? E quanto a outros esportes?

    No quesito hockey, eu não tenho um time favorito mesmo. Eu assisto aos jogos, não assisto a muitos. Eu gosto de ver clipes de jogadores, jogadores que eu quero emular e jogadores que cujos movimentos eu quero roubar um pouco. Eu assisto a muitos highlights dos melhores jogadores, vejo o que eles estão fazendo e no dia seguinte tento fazer aquilo no treino, de modo que eu possa praticar aquilo que os faz bem-sucedidos. Mas eu conheço tantas pessoas na NHL e tantos jogadores que é difícil torcer de fato para um time, mas eu acho que torço mais pelas pessoas do que qualquer coisa. Já em outros esportes, no futebol americano, eu sou um grande fã do Detroit Lions, sempre fui fã dos Lions. É duro, eu sou de Detroit, sabe, nós somos um time horrível, sempre perdemos. Mas todo ano, eu sempre vou a alguns jogos. Então eu sou bem fiel nesse sentido, sou um dos caras mais fieis que você vai conhecer em qualquer aspecto, mas eu nunca vou abandonar os Lions. Eu sou um torcedor do Manchester United desde que eu tinha dois anos. Tem uma foto minha vestindo o uniforme do Man United de quando, literalmente, eu acho que tinha um ano. Desde aquela idade, eu tinha um uniforme completo, o meu nome nas costas, número 8. Durante toda a minha vida, eu sempre tive um kit do Man United, sem exceção. No basquete, sempre fui fã do Boston Celtics porque um dos amigos do meu pai costumava trabalhar para o time e ele mandava camisas e bonés autografados para mim. Então, eu vendo aquilo quando criança, aquilo me surpreendeu e eu instantaneamente me tornei um torcedor dos Celtics. E em outros esportes, eu não sou um grande fã na verdade. A nível mundial, eu torço para a Rússia em torneios internacionais, como a Eurocopa e a Copa do Mundo. Ainda não superei o jeito que eles perderam para a Croácia nas quartas da última Copa. Eu torço para os EUA também na Copa do Mundo, mas claramente eles vêm tendo mais dificuldade. E com sorte eles vão virar a situação, eles têm muitos jogadores jovens e bons na Europa agora. Mas é, eu diria que Man United, Lions e Celtics são os meus três principais.

    Quais são as três cidades em que você mais gostaria de jogar? E quais três você tem menos vontade?

    Gostei, ótima pergunta. Top 3 provavelmente é mais um top 2. É intercambiável, em Nova York ou Los Angeles, uma dessas duas cidades. É meu sonho absoluto, provavelmente Nova York é número um porque é Nova York. Ser um atleta e bem-sucedido em Nova York abre tantas portas em diferentes indústrias, especialmente as que me interessam mais, então para mim isso é muito importante. E as três últimas seriam provavelmente Winnipeg, Calgary, Edmonton… E eu posso continuar, Ottawa… (risos) Não é a mesma coisa que Nova York ou Los Angeles. E eu sou um cara de cidade grande, eu gosto de jogar em Moscou por causa disso. Eu realmente acredito que eu jogo bem melhor em uma cidade grande, com um microscópio enorme nas minhas costas e com a oportunidade de fazer tudo pelo que eu sou apaixonado fora do gelo. Jogando em Calgary, você não consegue ir a um bar e conhecer um estilista ou diretor ou algo do tipo, sem ofensas ao povo de Calgary, só não é o polo onde essas coisas acontecem. Enquanto que em Nova York ou Los Angeles, depois de um jogo você pode conhecer alguém interessante e falar sobre fazer talvez uma colaboração ou qualquer coisa para o seu futuro. Para mim isso é realmente algo muito importante.

    Se você pudesse criar um novo time para a NHL, onde ele ficaria?

    Eu acho que um lugar legal para um time poderia ser Houston. Porque eu sei que eles têm um time da NFL, da NBA e da MLB. Acho que eles têm um bom grupo de fãs de esporte, talvez até um time da MLS também. Eles têm uma boa infraestrutura para esportes e torcedores, e boa parte dos times tem sido bem-sucedida nos últimos anos. Então acho que a NHL provavelmente se daria bem lá, já que eles já estão bem consolidados em Dallas. Dallas é competitivo o ano todo, e as pessoas gostam de jogar lá porque o clima é bom, você está no meio do país, então as viagens não são tão difíceis para qualquer lugar. Acredito que Houston seria um bom local para ter um time.

    Falando em franquias de expansão, o que você acha do que Seattle tem feito até agora para lidar com diversidade e inclusão na gestão do hockey e também em sua comunidade, atacando certas questões mesmo antes de começarem a jogar?

    Eu acho muito legal o que eles estão fazendo. Até li em algum lugar que eles estão construindo uma arena ecológica e de forma sustentável, o que é uma coisa que eu apoio muito. Eu realmente acredito na preservação do planeta porque essa é a nossa casa. Não importa o que aconteça, só existe uma Terra. Eu reconheço muito tudo o que eles estão fazendo a respeito disso. E, sinceramente, Seattle é um lugar muito legal. Sempre achei que Seattle fosse um pouco mais vanguardista que outras cidades, e é ótimo ver que eles estão dando o exemplo nessas questões. Não tenho dúvidas de que (o Seattle Kraken) será muito bem-sucedido porque, antes de tudo, é uma cidade incrível. Tem muita gente interessante lá. Tem um grupo grande de pessoas da informática que vivem lá, e normalmente pessoas desse setor são bem ecológicas, são progressivas para criar oportunidades e empregar outras pessoas, e eu acredito que eles vão ter muito, muito sucesso. Realmente espero que comecem a todo vapor, meio que como aconteceu com Vegas. Eu adoraria jogar lá, e, sabe, seria um prazer jogar na mesma cidade de onde o líder do Nirvana era.

    Parte 1 | Parte 2
  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 3)

    Você tem sido bem ativo em prol de direitos humanos no Twitter, de diferentes maneiras. O que te motivou a ser uma pessoa tão aberta nas mídias sociais, esse compromisso de empoderar e defender minorias e criticar o que entendemos como “cultura do hockey”?

    Para mim, é bom senso. Não acho correto marginalizar as pessoas porque você acha que elas são diferentes de você. Eu não cresci com isso na minha família. Não fazíamos esse tipo de coisa e sempre me ensinaram que você precisa respeitar as pessoas e não tratá-las de maneira diferente porque não se parecem com você ou porque não vivem um estilo de vida semelhante ao seu, acho que isso é completamente errado. Então, quando as pessoas me chamam de ativista ou algo assim, não acho que sou um ativista. Só acho que sou alguém que usa o bom senso quando digo essas coisas. Porque, no final, não é certo odiar alguém porque esse alguém é um pouco diferente de você. Quer dizer, para mim, isso me deixa louco às vezes, eu fico sem palavras. Não consigo nem assimilar. Como faz sentido você não gostar de alguém só porque é diferente de você? Na realidade, isso é no mínimo um tesouro. Se todos no mundo fossem iguais, o mundo seria tão chato. É literalmente lindo que haja tantas pessoas diferentes lá fora, você pode falar com tanta gente diferente, aprender sobre suas experiências humanas, e há possibilidades infinitas de tantas conexões e caminhos lindos na vida em que, se eu disser algo no Twitter, não é porque quero ser como Greta Thunberg e ter um discurso que o mundo inteiro ouça. Não, eu só digo isso porque estou realmente perplexo com a forma como algumas pessoas escolhem odiar em vez de amar e, para mim, isso não está certo.

    Mas se as pessoas tomam isso como ativismo, então fico feliz quando recebo essas mensagens de volta e as pessoas dizem “obrigado por se manifestar, eu me sinto visto.” E isso é algo lindo, porque eu sinto que vários atletas se limitam aos esportes. Mas os grandes, as pessoas que são lembradas ao longo da história são as que fizeram uma diferença maior, fora de quadra, do que você fazia quando eles estavam jogando. E isso é algo que eu acho muito importante porque se você tem uma plataforma e você tem um nome ou seguidores ou qualquer coisa, mesmo que seja apenas de boa intenção, e não que você queira ser um ativista ou algo assim, eu ainda acho que você deve buscar isso. Tenho recebido tantas mensagens de pessoas agradecendo e isso realmente aquece meu coração, porque para eu digitar algo, é muito fácil e não demora nada. Mas para eles, significa muito. Eu acho que é lindo e é algo que meu pai uma vez me disse, é um pouco diferente, mas meio que tem a mesma mensagem. Ele disse, “sempre que uma criança ou um fã pede uma foto, ou um autógrafo, aquele momento é um segundo para você, mas dura a vida inteira para eles.” Então é por isso que acho muito importante dispor a todos o seu tempo e, se você vir alguém marginalizado e sendo odiado por ser quem é, isso está errado, e eu não posso suportar isso.

    Você mencionou como gosta de usar sua plataforma para promover direitos humanos no geral. Você gostaria de fazer algo relacionado a isso no futuro, talvez criar uma fundação, isso é algo que te interessa?

    Honestamente, eu nunca pensei muito sobre isso. Mas pensando nisso agora, se eu pudesse fazer algo para ajudar as pessoas, definitivamente estaria aberto para isso, porque no final, é ótimo ser um bom jogador, mas se você realmente não ajudar ninguém, qual o sentido de chegar onde você está? Então, eu adoraria fazer algo como uma organização sem fins lucrativos ou uma instituição de caridade, ou apenas ter clínicas de hockey onde você pode ajudar pessoas assim ou expandir e desenvolver o esporte. Não tenho planos concretos para isso no momento, mas agora que você mencionou, é definitivamente algo que tenho interesse em fazer no futuro.

    Alguma vez você imediatamente chamou a atenção de um companheiro de equipe por algo que você não considerava correto, como usar uma palavra ofensiva ou ter um comportamento misógino?

    Normalmente, isso é muito difícil no vestiário, porque se você disser algo na hora, você se torna o inimigo e eles não vão te ouvir. Então é melhor ir com calma até alguém e dizer algo como “ei, cara, eu realmente não gosto do jeito que você está falando porque isso pode ser interpretado da maneira errada, e você pode realmente ofender alguém.” Isso aconteceu algumas vezes este ano, mas foi principalmente com os russos, que ouviram essas palavras em inglês e não sabiam o que queria dizer. Eles estavam apenas repetindo. É como quando você ouve uma criança dizer um palavrão, ela não sabe o que significa. Ela só está dizendo isso porque ouviu na TV ou porque ouviu a mãe e o pai dizerem. Aqui, houve algumas vezes que caras russos disseram alguma coisa que você simplesmente não ouviria em um vestiário norte-americano. Quando isso aconteceu, eu falei para ele “olha, cara, você realmente não pode sair falando coisas assim, porque isso não está certo. Eu entendo, você não sabe o que quer dizer. Eu entendo que em sua cultura é algo totalmente diferente. Mas se você vai falar inglês e tem aspirações de jogar na América do Norte, isso é algo que você tem que esquecer.”’ Houve outros momentos em que os caras tentaram me mostrar algumas coisas que eu simplesmente não achei certas e eu disse de cara “eu entendo que você quer me mostrar isso, mas não estou interessado” por exemplo, coisas relacionadas a mulheres ou qualquer coisa assim, eu simplesmente digo, “obrigado por oferecer, mas não, eu não estou interessado.” Então é assim que vejo as coisas.

    Você já teve problemas por conta de algo que você disse ou fez que lhe parecia a coisa certa, mas que, como jogador de hockey, não era uma atitude esperada de você?

    Eu nunca tive problemas de fato por falar nada porque eu sinto que sou bom com as minhas palavras, sei quando escolher minhas brigas. E em vestiários, eu realmente não me manifesto nesse quesito porque muitas vezes os caras se sentem ameaçados quando você faz isso. É melhor apenas, como eu disse, de um para um tocar discretamente no assunto. Mas uma vez, quando eu estava jogando na OHL, fiz uma celebração de curling, que na verdade é o tweet fixado no meu Twitter. E foi durante as Olimpíadas, eu marquei um gol, joguei minha luva no gelo e meu companheiro de equipe estava meio que varrendo. E depois disso fiquei no banco pelo resto do período, eu marquei no meu primeiro shift do jogo. No intervalo, o técnico vem até mim, na frente de todo o vestiário, começa a gritar, “como você pode fazer isso? Você é uma vergonha para o jogo, você não pode agir assim, blá, blá, blá.” Ele disse ao meu outro companheiro de equipe “vou mandar você de volta para a Rússia” (risos) você sabe, todas essas coisas. E ele não me colocou muito para jogar no segundo período, daí ficamos atrás no placar, acho que 3-1. Ele me colocou de volta no gelo, acabei conseguindo mais duas assistências. Eu fui a primeira estrela deste jogo. Depois, eles me disseram “vamos falar com você amanhã. Isso não está certo. Sabe, você não está livre porque jogou bem,” e eu pensando “o jogo é para ser divertido.” (risos) No dia seguinte, eu apareço e, da noite para o dia, aquele vídeo viralizou. Passou na ESPN, na TSN. Quase todas as grandes emissoras esportivas, em todos os países que passam hockey.

    Inclusive no Brasil. (risos)

    Sério? É, então acho que realmente rodou o mundo. E nosso próximo jogo, no dia seguinte, acabou esgotando porque tantas pessoas viram o vídeo e compraram ingressos, foi nosso primeiro jogo esgotado em um ano e meio, eu acho. A partir daí, ninguém mais disse nada para mim. Um dos meus treinadores disse “de onde você tirou isso?” Eu disse, “ah, eu vi um time da NFL fazer.” Ele disse “é, bem, nós não somos a NFL.” E eu disse “sim, eu sei, nós ganhamos muito menos dinheiro e muito menos pessoas nos assistem.” (risos) Então eu disse algo assim, e ele não concordou, nem discordou muito, só balançou a cabeça e foi embora. Foi isso, e ninguém nunca mais tocou no assunto. Então foi interessante, foi divertido para mim e muitos caras gostaram. Muitas pessoas gostaram se isso apareceu em tantas plataformas.

    É engraçado, olhamos para a história dos esportes nos Estados Unidos e do futebol americano, beisebol, depois do basquete, todos eles tiveram aquele momento na história em que começaram a se promover de fato, e você vê o quanto o esporte cresce por causa disso. E enquanto isso, o hockey segue ali.

    Exatamente. Eu sempre trago esse exemplo: a NBA e a NHL não eram tão grandes nos anos 80. E suas duas maiores estrelas começaram a jogar ao mesmo tempo, Wayne Gretzky e Michael Jordan. Eles praticamente começaram na mesma geração. Veja o que Michael Jordan fez com o basquete e o que Gretzky fez com o hockey. O basquete está em todo o mundo, enquanto o hockey, ele cresceu. Não vou dizer que não cresceu. Mas não cresceu tanto quanto o basquete. Você olha para um time como o PSG, que tem o logotipo do Jordan em sua camisa, um time de futebol tem a marca do Jordan, enquanto o hockey ainda é apenas hockey. Ele não atingiu de fato o cenário internacional como o basquete, por conta do que Michael Jordan foi capaz de realizar na quadra, mas também fora dela. Ele fez muito.

    Você se preocupa, ao se pronunciar tão abertamente sobre algumas questões, que isso possa impactar suas chances de chegar à NHL?

    Obviamente, isso passa pela minha cabeça. Eles realmente não gostam quando as pessoas se manifestam. Mas, ao mesmo tempo, o que eles não percebem é que, se você olhar para mim, como mencionei, eu tive mais pontos do que muitos caras que estão jogando na NHL agora nesta temporada e em muito menos jogos. É claro que posso jogar nesse nível se meus colegas e contrapartes podem fazê-lo. Mas uma coisa que eles não podem fazer é se você olhar minhas redes sociais, eu tenho muito mais seguidores em todas as minhas plataformas do que, eu diria, a maioria dos jogadores da NHL, e se eu fosse capaz de chegar a esse palco da NHL, eu seria capaz de ganhar muito dinheiro para uma equipe apenas com base nos patrocínios fora do gelo, todas essas coisas diferentes.

    Apenas me coloque na frente de uma câmera e me deixe ser eu mesmo e eu posso literalmente ajudar uma equipe a ganhar muito dinheiro e aumentar sua receita. E se eles entendessem isso, sinto que definitivamente poderia ser algo a me ajudar. Eu acho que um monte de times, por exemplo, você olha para o Lakers, Kyle Kuzma, ele é um jogador mediano. Ele não é uma superestrela. Mas ele traz tantos fãs só com seu jeito de vestir, como ele se veste, sua aura, seu estilo de vida. O mesmo para o Manchester United, eles tinham um jogador chamado Jesse Lingard que não jogou por quase 16 meses, mas ele fazia uma comemoraçãozinha com as mãos, ele tinha produtos com sua marca, movimentos de dança, ele tinha todas essas coisas, e ele tem mais seguidores do que qualquer time da NHL. Ele faz muito dinheiro para o clube porque suas camisas sempre estão entre as mais vendidas, seus produtos são sempre uns dos mais vendidos, mas também sua atividade no Instagram e suas redes sociais atraem tantos fãs de todo o mundo. E eu posso fazer algo assim por qualquer time, mas também quando você olha para esses jovens da minha idade e eles produzem menos do que eu, eu posso produzir no mesmo nível, senão melhor do que esses caras. E eu ainda sou jovem, então com o tempo só posso melhorar todos esses fatores.

    Se eu fosse um time da NHL, eu veria um cara como eu e pensaria “certo, então temos um jogador jovem potencialmente bom que foi capaz de jogar na segunda melhor liga do mundo nessa idade, mas ele também tem um grande número de seguidores, de modo que se o trouxermos e o promovermos, nem precisa ser muito, apenas promovê-lo de leve, ele pode crescer a ponto de se tornar alguém que atrai novos fãs e novos públicos, e nos traz muito dinheiro.” Porque no final das contas é com isso que a maioria das equipes se preocupa, ganhar dinheiro. Portanto, acho que qualquer equipe da NHL só teria a ganhar, e eu ficaria feliz em agarrar qualquer oportunidade, porque obviamente sei que posso jogar neste nível e tenho confiança de que posso fazer tanto o trabalho no gelo quanto fora dele, e eu adoraria fazer isso para qualquer equipe.

    Não é tão difícil, NHL, vamos lá. É o melhor esporte do mundo e ainda consegue ser tão frustrante às vezes.

    Exatamente. É o que eu sempre digo, o hockey é o único esporte em que o melhor produto é de fato o jogo. Você olha para qualquer outro esporte, olha para a NBA, são as brincadeiras fora das quadras. São os jogos em que os ex-namorados de Kylie Jenner estão jogando um contra o outro que têm mais visualizações. Enquanto que aqui, o melhor do nosso esporte é o que está acontecendo no próprio gelo. Todo o resto é incomparável. Você não pode nem compará-lo ao golfe, ou a qualquer outra coisa. É muito pior do que qualquer outro esporte, e isso está prejudicando muito, muito a liga. Mais pessoas merecem assistir ao hockey, mas nunca terão a chance porque não é divertido o suficiente. Não há drama. É basicamente isso.

    Parte 1 | Parte 3
  • Entrevista com Igor Larionov II

    Entrevista com Igor Larionov II

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    No último mês, uma figura chamou mais atenção do que o normal no hockey twitter, com suas atitudes e personalidade peculiares para o jogador de hockey comum. Acontece que Igor Larionov II não tem nada de comum. O nome não é estranho para quem já acompanha o esporte há algum tempo; o jovem jogador é filho de uma das maiores lendas do hockey, Igor Larionov, que venceu três Stanley Cups (1997, 1998 e 2002) com o Detroit Red Wings, além de conquistar diversos títulos a nível mundial no esporte.

    Porém, aos 22 anos, Igor Larionov II dá os primeiros passos de sua carreira profissional enquanto, ao mesmo tempo, conquista uma legião de apoiadores e fãs nas redes sociais, abraçando a comunidade e ecoando vozes que nem sempre vemos representadas no hockey.

    O NHeLas conversou com ele sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 2 | Parte 3)

    Por que não começamos com a sua carreira? Conte para a gente sobre a sua vida no hockey, desde a infância até agora.

    Eu nasci em 1998, em Detroit, Michigan. Meu pai era jogador de hockey, então eu cresci no rinque e conheci muita gente legal que joga hockey e está nesse ramo. Entre os três ou quatro anos, eu corria pela casa com um pequeno taco de hockey. A maioria das crianças brinca com carrinhos ou Legos. Eu sempre tinha um stick e uma bola ou puck comigo. Então foi basicamente assim que eu comecei a jogar. Na infância, eu joguei hockey em Detroit por um tempo e aí minha família se mudou para a Califórnia quando meu pai se aposentou, e eu passei dois anos jogando hockey na Califórnia. Depois disso foi muito difícil encontrar [rinques de] gelo aqui e muitas oportunidades para treinar, então nos mudamos de volta para Michigan, onde havia cerca de 15 rinques em um raio de 10 milhas da minha casa. Isso fez com que fosse muito mais fácil simplesmente ir para o gelo, treinar, trabalhar duro e tudo mais.

    Eu joguei hockey juvenil em Michigan pelos seis anos seguintes, depois disso fui para o major junior, onde joguei na QMJHL na primeira temporada, o que foi uma boa experiência. Mas depois daquele ano recebi uma oferta de Windsor, que ficava a literalmente 30 minutos de carro da minha casa em Michigan. Então essa foi a oportunidade perfeita, porque não é todo dia que você consegue morar em casa e jogar hockey, então aceitei a oferta, tive um ótimo ano e joguei muito bem. Então na temporada seguinte eu tive a oportunidade de ir para Muskegon, porque em Windsor, eles estavam meio que em reconstrução, mas foi meu último ano em Muskegon. Estávamos em rumo ao título, tínhamos uma equipe muito forte. Então fui para Muskegon e tive um ótimo ano, muitas memórias boas. Infelizmente, eu quebrei minha clavícula em um dos últimos jogos da temporada, então minha temporada acabou. Acabamos perdendo as finais da conferência nos playoffs, o que, você sabe, foi chato não poder ajudar a equipe ou jogar, mas foi uma boa experiência jogar em Muskegon. Eu ainda falo com muitos dos caras, muitos dos jogadores são amigos próximos atualmente.

    Depois disso, eu decidi ir para a Rússia. Comecei com o SKA na KHL, estava no camp deles, me falaram que eu consegui uma vaga no time, ótimas notícias, me chamaram para a Seleção Olímpica, basicamente a segunda seleção. Tem a seleção principal na Rússia e aí tem o time olímpico, que são os caras jovens, eles estão te preparando para torneios e eventos futuros. Então eu fui chamado para isso e dois dias antes de eu ter que ir para a seleção olímpica e assinar meu contrato da temporada com o SKA, eu rompi o músculo do glúteo no último dia do training camp. Por causa disso eu basicamente perdi toda a temporada. Quando me recuperei, eu só pude jogar duas partidas, e isso foi só para que eles pudessem me registrar. Eu estava escalado, mas não fui para o gelo, e foi só para que eu ficasse sob contrato na época, porque eles esperavam que em dois meses eu estaria preparado para jogar. Mas, obviamente, dois meses depois o mundo parou por causa da COVID. E eu acabei basicamente não jogando na temporada. 

    Então quando isso aconteceu, eu voltei para Michigan, onde eu estava morando na época, treinei muito, recuperei-me e tive algumas oportunidades de jogar na AHL temporada passada, mas nada estava acontecendo (na liga). Então eu comecei a pensar comigo mesmo “eu não posso tirar dois anos de folga,” não seria bom para o meu desenvolvimento. Foi quando recebi uma ligação do GM do Kunlun (Red Star) falando que eles estavam à procura de jogadores da América do Norte com raízes russas, o que basicamente significa uma pessoa com passaporte russo, porque eles precisam de determinado número de jogadores russos para cada jogo. E eu honestamente só falei “tá bom, quando você quer que eu vá?” E ele falou “que tal em alguns dias?” Assim, em alguns dias eu estava em um voo para Moscou. Eu fui de Detroit, para Chicago, Chicago para Londres, Londres para Moscou. E três ou quatro dias depois eu estava disputando minha primeira partida. Eu assinei um acordo de apenas três jogos pois (o time não tinha) dinheiro para assinar gente com contratos garantidos esse ano por causa dos cortes de orçamento devido à COVID. Depois de três jogos, eu tinha dois pontos e eles acabaram me contratando para o resto do ano. Eu joguei mais duas partidas depois disso, aí eu peguei COVID. Acabei perdendo três semanas com a doença. Não foi tão ruim, tive sintomas bem leves. Mas quando eu voltei, tive problemas com o meu coração e depois de tentar me recuperar, eles basicamente me tiraram do resto da temporada.

    Ainda bem que eu pude voltar aos EUA para receber um tratamento apropriado. Eles basicamente me falaram “tire dois meses de folga, não faça nada, não force seu coração” e eu tive que usar alguns monitores cardíacos por algumas semanas para que eles acompanhassem tudo. Depois que esses dois meses passaram, eles falaram “vai ser como um interruptor. Do nada você irá ganhar sua energia de volta e voltar a se sentir bem de novo, poderá treinar,” e realmente aconteceu como eles disseram que seria. Por dois meses eu me senti muito fadigado, muito cansado, não conseguia fazer nada sem subir meus batimentos cardíacos. E aí quando esses dois meses passaram, boom, eu me senti ótimo. Agora, eu estou treinando há mais de um mês e meio. E, honestamente, sinto-me melhor do que nunca. Eu estou só me preparando para a próxima temporada neste momento.

    Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre jogar hockey na América do Norte versus jogar na Rússia?

    Existe uma diferença considerável entre esses dois países, tanto culturalmente quanto no estilo de jogo. Eu diria que na América do Norte, existe um sistema mais estruturado onde você sabe seu trabalho e todo mundo sabe o seu papel. Mas na Rússia, é meio cada um por si, no qual os caras meio que decidem o que vão fazer, e isso não é necessariamente a melhor coisa. Eu acho que o melhor é quando você pode fazer uma mistura dos dois sistemas, em que as pessoas têm a liberdade para criar, mas também existe uma estrutura e um sistema onde, se você cometer um erro, você sabe que seu colega vai estar lá para te cobrir, porque estão seguindo a mesma ideia que você. Foi muito interessante jogar (na Rússia). Eles basicamente tinham fãs em todo lugar que a gente jogava, o que foi bem estranho considerando os tempos atuais. Foi uma experiência diferente, as cidades, elas não são cidades típicas com hockey profissional como aquelas em que se jogaria na América do Norte. (Nos EUA) são normalmente as maiores cidades da América, você fica em hotéis legais. Lá, existem algumas boas cidades, mas uma vez que você vai para alguns dos times menores, as cidades não são tão legais, eles só têm um restaurante, que era tipo um Burger King ou algo assim, e o hotel era algo (que parecia ter saído) direto dos meus pesadelos, (risos) tem, tipo, sangue nas paredes e mofo no chuveiro, esse tipo de coisa.

    Foi bem peculiar, mas, no fim, foi muito divertido, porque eu sinto que meus colegas de equipe… Nós éramos vários caras da América do Norte e, é aquela coisa, era tão diferente para tantos de nós que, na maior parte do tempo, estávamos só rindo do que se passava. O avião do nosso time era muito, muito estranho. Todo voo tinha um momento em que você sentia o avião descendo lentamente, e no início ficava muito quieto no avião. Mas aí todo mundo começou a se olhar, tirar os fones de ouvido, e então um dos meus colegas sempre começava a gritar “bom, garotos, é assim que a gente vai!” E todo o time começava a rir. Momentos assim, o que, olhando para trás, era aterrorizante como a gente sentia o avião caindo e depois voltando ao normal. Mas só coisas pequenas assim, já que sempre estávamos zoando as coisas ruins. E isso tornou tudo mais divertido, e tornou a experiência mais legal para todos nós. 

    Como eram os protocolos da KHL em comparação ao que vimos da NHL naquele momento?

    Eu acredito que na NHL eles estão sendo testados todos os dias, o que tínhamos eram testagens a cada três dias. Outro diferencial  na NHL é que se algumas pessoas estão doentes, eles basicamente desativam todo o time e ninguém joga até todos se recuperarem, até que todos voltem. Mas para a gente, era totalmente diferente. Se você estivesse doente, você só ia para casa, mas o resto da equipe continuava. Então nós tivemos um momento antes mesmo de eu ter ido para o time em que acho que tínhamos, tipo, 17 caras doentes ao mesmo tempo. Quando eu cheguei lá, quando eu fiquei doente, a gente tinha seis caras doentes ao mesmo tempo. Então foi meio que uma bagunça porque eles não sabiam como lidar de uma forma melhor, como eles fazem (na NHL). Nosso gerente de equipamento ficou doente, e ao invés de ficar em casa, ele foi para o rinque afiar nossos patins. E aí cinco de nós ficaram doentes. Então foi meio estranho por causa disso. Mas, você sabe, é uma cultura diferente, eles fazem as coisas de outra forma lá. Então não posso culpá-los pela forma como o país é administrado, porque é simplesmente o jeito que as coisas são. Mas eu definitivamente acho que eles poderiam ter tido uma abordagem mais cuidadosa. Porque no fim, eu acho que 95% da liga ficou doente. E eu sei que vários jogadores tiveram problemas similares aos meus, onde eles não conseguiram finalizar a temporada porque tinha algo errado. Alguns caras inclusive foram parar no hospital, com respiradores. Então foi uma situação assustadora para muitos de nós, mas ao chegar, eles basicamente falaram para a gente que era 100% certo que iríamos ficar doentes em determinado ponto, então sabíamos os riscos ao participar. 

    Eu acho que na América do Norte você seria processado na hora só por falar isso.

    Você seria. É engraçado, quando eles falaram comigo pela primeira vez, eles falaram “você já teve COVID?” e eu respondi “não.” E eu estava pensando que isso era uma coisa boa. Mas aí eles ficaram tipo “puts, seria melhor se você já tivesse tido, porque aí significaria que você não pegaria de novo” (nota das NHeLas: já foi comprovado que isso não é verdade, então usem máscaras e sigam os protocolos, fãs!) E eu fiquei tipo “oh.” (risos) Eles falaram “dentro das primeiras duas semanas, você provavelmente vai pegar.” Eu consegui durar quase um mês e meio antes de pegar, o que não sei explicar, fui muito, muito sortudo. Mas, basicamente todo mundo que foi para lá pegou, a não ser que a pessoa já tivesse tido no verão. 

    Pensando no futuro, quais os seus planos e expectativas para a próxima temporada? E como é sua rotina na intertemporada, o que você costuma fazer?

    Minha expectativa para a próxima temporada é permanecer na América do Norte, e eu tenho algumas oportunidades de ir para alguns camps ou então já assinar um contrato na AHL direto. Eu sei que muitos dos caras que jogavam na KHL, e que estão na NHL agora, tiveram uma pontuação similar à minha em menos jogos. Então para mim, eu vejo isso e falo “se eles tinham menos pontos que eu, e estão jogando na NHL, eu provavelmente poderia fazer o mesmo.” E eu realmente acredito que, se eu não tivesse meu histórico de lesões, eu estaria lá neste momento. Mas, você sabe, você não pode controlar essas coisas. Obviamente, é difícil às vezes, mas eu sou muito grato pela forma como tudo aconteceu na minha vida até agora. Mas é, eu tenho algumas oportunidades. E eu realmente acho que uma vez que eu tenha a chance de me mostrar, tudo ficará bem.

    Minha rotina, basicamente, o que eu faço é treinar na academia. Geralmente, nessa época do ano, treino três vezes por semana. E aí, quando chega mais perto da temporada, mais ou menos em junho, eu começo a ir quatro vezes na semana, julho, quatro vezes na semana, agosto, quatro vezes na semana. Então, no final de julho eu começo a ir pro gelo duas vezes na semana e continuo fazendo isso, porque não gosto de patinar muito na offseason, sinto que fico muito cansado se patinar demais. Prefiro só trabalhar em construir meu físico, aumentar minha resistência, todas essas coisas diferentes. Porque sinto que quando você tem tudo isso ajustado, e vai para o gelo, sinceramente três semanas antes da temporada começar, eu começo a aumentar o ritmo e patinar quatro ou cinco vezes na semana, e é tudo o que eu preciso para estar pronto, fisicamente. Mas ao mesmo tempo, estou descansado o bastante de modo que não fico muito cansado durante o training camp por conta de tudo isso.

    Qual é a história por trás de você vestir o número 69 e como isso virou praticamente sua marca pessoal? Você acha que vai poder continuar usando esse número no futuro, dependendo de onde sua carreira te levar?

    Esse ano, no Kunlun, a gente não tinha muito dinheiro no meu time da KHL, então eles tinham uma determinada quantidade de camisas pré-selecionadas, e quando estavam falando em assinar comigo, eles me ofereceram uns cinco números diferentes. Três dessas camisas eram grandes demais, então eu não podia usá-las. Elas eram quase do tamanho para goleiro. E aí as duas que eram do meu tamanho eram número 69 e, eu acho, número 52 ou 53, algum número bem sem graça o que, como vocês sabem, eu não gosto de coisas sem graça. Então, naquele momento, eu basicamente percebi que 69 era a melhor opção, além de que, eu tive a oportunidade de impressionar algumas pessoas, o que é sempre divertido. (risos) Eu gosto de fazer coisas criativas, e eu acho que muitas pessoas não usam o número 69 porque é visto de uma forma ruim pela sociedade. Mas eu não vejo nada de ruim com a mensagem que isso passa. Porque, no fim do dia, não há nada de errado com o que isso é, é uma coisa que quase todos os seres humanos fazem.

    Não há nada de tabu nisso na minha mente. Você sabe, muitas pessoas, quando falam de sexo ou algo do tipo, elas acham que tem muito tabu nisso, mas na realidade, quer dizer, está literalmente na Bíblia, sabe, se a gente for voltar tanto no tempo. (risos) Então eu não vejo nada de errado com isso e acho que é uma mensagem positiva, não apenas para ser você mesmo e se divertir, porque muitas pessoas veem seu esporte como um emprego e não um jogo, e eu acredito que você pode considerá-lo as duas coisas porque, no final, se é divertido, eu sinto que você joga melhor e, se você está aproveitando aquele jogo, você joga melhor. Basicamente (o número) me escolheu. Eu não tive muita escolha, mas quando eu descobri que era minha única opção, eu fiquei bem animado porque já vinha querendo fazer algo escandaloso assim havia algum tempo e só teria acontecido se fosse minha única opção. Eu não acredito que teria a coragem de escolher 69 de cem números diferentes ou algo assim.

    Você tem alguma superstição relacionada ao seu jogo? Alguma coisa que você gosta de fazer antes de cada partida?

    Não, na verdade não. Eu acho que eu amarro meu patins esquerdo primeiro, o que seria a única superstição que daria para considerar como tal, mas todo o resto eu sou bem, bem tranquilo, eu me deixo levar. Antes dos jogos, eu não gosto de ficar muito pilhado. Eu gosto de me divertir e aproveitar, brincar. E quando eu faço isso, eu sinto que eu jogo melhor porque não tem absolutamente nenhum nervosismo para mim e eu saio relaxado e confiante, pronto para jogar. Mas quando eu penso demais, fico muito estressado, aí é quando eu me complico. Eu prefiro jogar com base em meus instintos e não no que acontece (na minha cabeça) porque eu sinto que quando a gente pensa muito, começa a duvidar de si mesmo. Enquanto que se você só joga pelos seus instintos, você vai bem melhor. Então quando eu chego no rinque, eu brinco, jogo um pouco de futebol, basquete, futebol americano, você sabe, só para descontrair. Daí eu faço meu aquecimento, o que não é exatamente uma rotina, o mesmo aquecimento, passo a passo. Eu tenho uma certa quantidade de exercícios, mas eu os faço numa ordem diferente. É praticamente isso. Eu entro no gelo, faço os mesmos exercícios e stick handling. Não é uma superstição, eu só estou acostumado a fazer os mesmos exercícios porque eu sei que eles esquentam o meu corpo corretamente. É basicamente assim que eu me preparo, não tem nada de muito especial, é mais tentar aproveitar cada momento disso.

    Não tem uma comida ou roupas especiais?

    Eu sigo uma dieta bem restrita, eu não como muito. Então normalmente antes dos jogos, eu como uma salada, depois um queijo quente com batata doce. Já com roupas, eu gosto de me divertir com isso, não presto tanta atenção, eu visto praticamente qualquer coisa e vejo se cai bem, se eu acho que ficou legal, eu uso. Se houver um código de vestimenta, eu meio que fico bem no limite do código, de modo que eu siga as regras mas ainda faça algo do meu jeito. É o que eu gosto de fazer.

    Não há autoexpressão com um código de vestimenta. É por isso que eu tento seguir um pouco para não arranjar problemas, mas no final eu o faço de forma um pouco diferente.

    Qual carreira você gostaria de seguir se não fosse jogador de hockey? Você pensa sobre a vida pós-hockey e o que você gostaria de fazer depois?

    Sim, eu penso bastante sobre isso. Porque sempre falo para as pessoas, quando me apresento, eu não digo que sou um jogador de hockey. Primeiro, eu digo, por exemplo, eu sou um ser humano, e aí, depois de um tempo, eu conto que sou jogador de hockey, porque eu não quero que elas pensem que aquilo é exatamente quem eu sou. Eu tenho vários interesses, diversas paixões fora (do hockey). Então eu adoraria fazer algo por trás das câmeras. Eu sempre fui um fã de filmes, sempre fui um fã de televisão. Mas quando eu me mudei para LA, alguns meses atrás, eu estava cortando o cabelo num salão em Beverly Hills. E era super sofisticado, vários figurões, eu na verdade estava sentado do lado da Kesha, a cantora, o que foi super, super legal. Mas essa mulher me aborda e pede meus dados, nós começamos a conversar e acontece que ela era a vice-presidente de uma agência de modelos em Los Angeles. Então eu estava conversando com ela, ele pediu meu Instagram e me seguiu, fizemos essa conexão e ela queria que eu fizesse algumas coisas para (a agência), falasse com eles e potencialmente assinasse um contrato. E eu fiquei um pouco assustado porque eu não quero que isso interfira com o hockey, porque muitas vezes, quando você faz qualquer coisa criativa, depois volta ao hockey e as pessoas te olham de um jeito um pouco diferente. E basicamente eu mandei uma DM para ela “vamos dar sequência,” e depois cancelei o envio porque eu não estava confortável fazendo aquilo. Obviamente, é algo que eu gostaria de seguir, se a vice-presidente de uma agência me aborda do nada, eu imagino que seja um bom sinal. Honestamente, eu adoraria retomar isso uma vez que eu tenha me estabelecido ou assinado um contrato, algum tipo de segurança. Eu definitivamente amaria fazer alguma dessas três coisas, algo na indústria do entretenimento, porque eu não gosto muito quando você não pode se expressar e eu sinto que ramo é a oportunidade perfeito em que você pode literalmente ser você mesmo e não ser julgado por isso, (pelo contrário) você é aplaudido, e isso é algo que eu realmente gosto.

    Então você nunca trabalharia num escritório ou coisa do tipo?

    Eu não sou muito bom em ficar sentado o dia todo numa cadeira, sentado num escritório. Quer dizer, talvez, se eu estiver apaixonado por alguma coisa, eu posso tentar fazer isso, mas não é algo que eu vejo em meu futuro. Eu sou extrovertido demais. Eu um dia literalmente acordaria e diria “por que estou fazendo isso?” E aí, você sabe, compraria uma passagem só de ida para a Austrália, e cruzaria o país numa vã, só filmando e fotografando as coisas. Acho que essa é mais a minha cara, e trabalhar num escritório, o que eu não acho que tenha nada de errado, obviamente muitas pessoas têm profissões e ganham dinheiro com isso, muitas pessoas gostam. Mas para mim, é algo que eu não acho que jamais seria capaz de fazer.

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