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  • Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    Associação de Jogadores também falhou com Kyle Beach

    O mundo do hockey está bem atento com as acusações e repercussão do caso de Kyle Beach divulgado na última semana. Na sexta-feira (29) a TSN soltou uma notícia na qual Kyle afirma que o diretor executivo da NHLPA, Don Fehr, não alertou a USA Hockey, órgão nacional responsável pelo esporte, sobre as acusações contra Brad Aldrich.

    Em 2011, durante o Campeonato Mundial Feminino Sub-18, o agente Ross Gurney afirmou que contatou Fehr com uma acusação séria contra o ex-técnico de vídeo do Chicago Blackhawks, Brad Aldrich. Gurney informou que seu cliente Kyle Beach fora abusado sexualmente por Aldrich. Assim, ele esperava que a USA Hockey fosse alertada sobre a ocorrência deste ato violento. 

    “Meu objetivo ao ligar para a PA foi de alertar a USA Hockey”, disse Gurney. “Isso é o que eu fui orientado a fazer pelo Kyle.”

    Com a chance dessa história estourar na mídia, Beach foi encaminhado para o psicólogo e administrador do Programa de Assistência ao Jogador da NHL/NHLPA, Dr. Brian Shaw. Ele teria saído da consulta garantido de que a USA Hockey saberia que Aldrich é um predador sexual, afinal ele trabalhou na equipe dos EUA durante o Campeonato Sub-18 de 2011. O certo, pelo menos, era investigar as acusações de cunho tão sério.

    Aparentemente essa “promessa” de alertar a equipe americana foi somente uma forma de abafar o caso e calar Kyle. Após este ocorrido, o jogador não recebeu mais suporte nenhum da NHLPA. Kyle fez questão de frisar que, se Don Fehr e o Dr. Shaw tivessem feito “o que deveriam fazer, então aquele adolescente de Michigan provavelmente não seria abusado sexualmente”.

    Para quem não sabe, Aldrich foi autorizado a se demitir dos Blackhawks no verão de 2010, e ele passou a ser técnico de Hockey em Houghton, Michigan. Em 2013, ele foi condenado por agredir sexualmente um jogador de 16 anos de seu time e condenado a nove meses de prisão (isso mesmo caro leitor, somente nove meses de prisão) e 60 meses de liberdade condicional.

    Ainda falando sobre a responsabilidade do D.E. Don Fehr, Gurney lembrou em sua entrevista que Fehr respondeu que “conhecia pessoas no USA Hockey, que a NHLPA investigaria a situação e que a NHLPA poderia oferecer todo suporte necessário.”

    Com o assunto explodindo na mídia na quarta-feira passada (27), Dom soltou um comunicado onde afirma que mandou Kyle Beach para o Dr. Shaw em 2010 e que o sistema falhou em dar suporte e apoiar Beach em seu momento vulnerável e de necessidade. Ainda afirmou que como o jogador comunicou o ocorrido a um dos médicos da NHLPA, e mesmo sendo um programa confidencial entre jogador e médico, uma atitude por parte da entidade NHLPA deveria ter existido, mostrando assim que fracassaram em tentar resolver esta situação.

    Esta declaração só expôs como um assunto sério foi deixado de lado em meio a um esporte que já é considerado extremamente machista. Agora que a NHLPA acordou em meio a estas acusações, esperamos que atitudes sejam tomadas e que a Liga desenvolva programas que realmente possam ajudar todas estas vítimas que passam por situações parecidas e ainda não conseguiram fazer com que suas vozes fossem ouvidas.

     

    Ontem (01) no fim do dia a NHLPA soltou uma nota na qual Don Fehr recomendou uma investigação independente. Esta, segundo a nota, seria iniciada por um advogado externo para revisar a resposta da NHLPA ao caso de Beach.

    Para finalizar, depois de contar sua história em rede nacional na semana passada, Kyle pediu para que Don Fehr fosse demitido de seu cargo na NHLPA.

    Nas palavras de Beach, “não sei como ele pôde estar no comando se é isso que ele vai fazer quando um jogador vier até você e lhe contar algo, seja abuso, seja drogas, seja qualquer coisa. Ele deveria proteger os jogadores e eu sei que ele não me protegeu”.

     

    Foto: Reprodução/mystateline.com

  • Kyle Beach e a negligência da NHL

    Kyle Beach e a negligência da NHL

    Alerta: Este texto contém conteúdo sensível sobre abuso sexual. O NHeLas considera parte da sua responsabilidade jornalística trazer para nossos leitores, em português, o relato de Kyle Beach e o escândalo de abuso sexual envolvendo o Chicago Blackhawks.

    Na última quarta-feira (27), o atleta sobrevivente do escândalo de abuso sexual no Chicago Blackhawks em 2010, até então identificado como John Doe no processo contra seu ex-time, revelou sua identidade. Kyle Beach teve no programa da TSN (Canadá), SportsCentre, espaço para falar sobre o caso publicamente pela primeira vez em onze anos.

    Em maio deste ano, o jogador entrou com um processo contra o Blackhawks alegando que ele e mais um ex-membro do elenco do vencedor da Stanley Cup de 2010 haviam sido abusados sexualmente por Brad Aldrich, então técnico de vídeo da equipe.  

    O ato contra Beach teria acontecido em San Jose, quando a equipe de Chicago viajou diretamente para a cidade após a vitória no segundo round sobre o Vancouver Canucks. O time teve quatro dias de folga antes do início da série seguinte.

    Segundo as conclusões da investigação, o jogador denunciou as ações de Aldrich para Paul Vincent, na época skills coach, pouco antes do início da Final da Conferência Oeste. Vincent levou o caso para o Presidente do time John McDonough, o GM Stan Bowman, o Vice-Presidente de Operções Al MacIsaac e o técnico de habilidades mentais James Gary. Vincent declarou publicamente em reportagens da TSN desde a abertura do processo que alertou os líderes do time na época que eles deveriam preencher uma denúncia junto à polícia de Chicago. A sugestão, no entanto, foi fortemente refutada. 

    Um segundo processo contra os Blackhawks, este por John Doe 2, acusa a organização de ter dado boas referências de Aldrich a futuros empregadores após sua demissão. Dentre essas organizações, uma equipe de ensino médio contratou Aldrich para trabalhar na equipe técnica. Em 2014, Aldrich cumpriu 9 meses de prisão por ter cometido crimes sexuais contra estudantes entre 16 e 18 anos. John Doe 2 estava entre suas vítimas. Hoje, ele está listado como um criminoso sexual registrado no estado de Michigan.

    A entrevista completa de Kyle Beach para a TSN pode ser lida em inglês. Alguns trechos e falas do jogador estarão presentes neste texto.

    Posicionamento oficial da NHL

    Após as atualizações sobre o caso, Gary Bettman, comissário da NHL, publicou uma declaração nas redes sociais da Liga. É a primeira vez que Bettman fala publicamente sobre o caso e, ainda assim, apenas endossou a decisão do Florida Panthers em desligar Joel Quenneville, técnico dos Blackhawks em 2010, após ficar claro seu envolvimento no caso.

    A tradução:

    “A National Hockey League concorda com a decisão desta noite por Joel Quenneville para renunciar às suas funções como treinador principal do Florida Panthers. Em seu antigo papel como treinador principal do Chicago Blackhawks, o Sr. Quenneville estava entre vários ex-membros da liderança sênior do grupo que lidou mal com a denúncia de assédio sexual em 2010 do ex-jogador Kyle Beach contra o então técnico de vídeo do clube, Brad Aldrich. E, após uma reunião com o Sr. Quenneville, que ocorreu nesta tarde em meu escritório, todas as partes concordaram que não era mais apropriado que ele continuasse a servir como treinador principal de Florida.

    “Eu admiro Kyle Beach por sua coragem em se apresentar, estou chocado que ele foi tão mal apoiado ao fazer sua afirmação inicial e então os 11 anos que se seguiram, e sinto muito por tudo o que ele suportou.

    “Agradecemos à organização dos Panthers por trabalhar conosco para garantir que um processo minucioso fosse seguido. Dado o resultado, não há necessidade de qualquer ação adicional por parte da NHL em relação ao Sr. Quenneville desta vez. No entanto, se ele desejar entrar novamente na Liga em alguma capacidade no futuro, exigirei uma reunião com ele com antecedência a fim de determinar as condições apropriadas sob as quais tais novos empregos possam ocorrer.”

    O trecho que mais chama atenção é o final. Apesar da declaração afirmar que os Panthers tomaram a decisão correta, no final Bettman deixa claro que a Liga não fechou as portas para Quenneville. Mais uma vez, levanta-se o questionamento de quem a NHL de fato quer proteger: seus jogadores, especialmente os mais jovens, ou nomes antigos que continuam, repetidamente, se envolvendo em polêmicas na Liga. 

    Mas esta não foi a única declaração publicada pela NHL. Outro nome envolvido no processo foi o de Kevin Cheveldayoff. Na época, o atual GM dos Jets era GM Assistente de Chicago e, apesar de ter estado presente na reunião sobre o caso de Beach em maio de 2010, a Liga entendeu que não era responsabilidade dele decidir qual seria a forma correta de lidar com a denúncia. 

    Assim, a NHL soltou na última sexta-feira (30) uma nota sobre Cheveldayoff, decidindo que, após as investigações, e uma conversa com Gary Bettman, o comissário entendeu que ele não fazia parte dos líderes e não cabia a ele a decisão.

    Abaixo, um trecho traduzido da nota oficial da NHL sobre Kevin Cheveldayoff.

    “Como está no relatório da Jenner & Block, a análise subsequente da Liga esta semana e a entrevista de hoje com Cheveldayoff deixam claro a participação de Cheveldayoff em 23 de maio de 2010, a reunião envolvendo líderes seniores da equipe de administração dos Blackhawks foi extremamente limitada em escopo e conteúdo. Na verdade, durante a investigação, a maioria dos participantes da reunião de 23 de maio não se lembrava inicialmente de que Cheveldayoff estava mesmo presente.

    “Como GM Assistente na época, Cheveldayoff, que se reportava diretamente a Stan Bowman, era o oficial do Clube com a classificação mais baixa na sala, e sua posição não incluía responsabilidades de supervisão sobre a equipe técnica do clube. Ele foi um dos últimos a ser incluído na reunião; ele descobriu sobre o  assunto pela primeira vez na presença de seu chefe (o então GM Stan Bowman), o chefe de seu chefe (então CEO John McDonough) e o treinador principal (Joel  Quenneville); quem era o superior direto de Brad Aldrich; ele tinha familiaridade limitada com o pessoal envolvido; e ele era essencialmente um observador do discussão de possíveis próximos passos, cuja discussão, aparentemente, terminou com Cheveldayoff acreditando que o assunto seria investigado.”

    Frente aos novos relatórios da Jenner & Block, contratada do próprio Chicago Blackhawks para conduzir uma investigação independente, também nesta semana, Stan Bowman renunciou à posição de GM em Chicago. Bowman declarou que sua decisão veio após entender que ele não deveria ser uma distração para o time. Em uma declaração publicada pelos Hawks, Bowman tira de si mesmo a responsabilidade por não ter dado a devida atenção para a denúncia, como podemos ler no trecho traduzido abaixo.

    “Onze anos atrás, quando atuava em meu primeiro ano como gerente geral, fui alertado sobre um possível comportamento inadequado de um treinador de vídeo que envolvia um jogador. Comuniquei prontamente o assunto ao então presidente e CEO, que se comprometeu a cuidar do assunto. Fiquei sabendo este ano que o comportamento impróprio envolvia uma grave denúncia de agressão sexual. Eu confiei na orientação de meu superior para que ele tomasse as medidas adequadas. Olhando para trás, agora sabendo que ele não lidou com o assunto prontamente, lamento presumir que ele o faria.”

    Na última quinta-feira (28), Rocky Wirtz, dono do Chicago Blackhawks, enviou uma carta ao Hockey Hall of Fame solicitando que o nome de Brad Aldrich fosse removido da Stanley Cup. No documento, Wirtz deixa implícito que a organização sabia das denúncias e que elas foram o motivo do desligamento do técnico ainda em 2010. Entretanto, Wirtz também assume a responsabilidade do clube não ter agido de forma correta na época.

    Por fim, a declaração oficial do Chicago Blackhawks em seu perfil no Twitter publicada na quarta-feira (27) se desculpa com Kyle Beach por não ter buscado as ações necessárias frente à denúncia, e anuncia que o clube está promovendo mudanças na organização, incluindo uma nova equipe frente executiva e de liderança.

    “Em primeiro lugar, gostaríamos de reconhecer e elogiar a coragem de Kyle Beach em se apresentar. Como uma organização, o Chicago Blackhawks reitera nossas mais profundas desculpas a ele pelo que ele passou e pela falha da organização em responder prontamente quando ele bravamente trouxe este assunto à luz em 2010. Era indesculpável para os então executivos da Organização Blackhawks para atrasar a tomada de medidas em relação à má conduta sexual relatada.

    “Nenhum jogo de playoff ou campeonato é mais importante do que proteger nossos jogadores e pessoal de comportamento predatório. Os Blackhawks implementaram inúmeras mudanças e melhorias dentro da organização, incluindo a contratação de uma nova equipe de liderança que está comprometida em vencer campeonatos ao mesmo tempo em que segue os mais altos padrões éticos, profissionais e atléticos.”

    Um apelo à NHL

    Na entrevista da última semana, Kyle Beach, que hoje joga na Alemanha, revelou-se John Doe do caso e concedeu declarações importantes e comoventes. Ele apelou mais uma vez para que a NHL não deixasse os responsáveis impunes. Ele também alertou da importância de denunciar casos de abusos sexuais e citou outros casos no esporte como o da equipe de ginástica dos EUA

    “É um grande passo para mim. No meu processo de recuperação, processar o que aconteceu e verdadeiramente lidar com os problemas que tenho em consequência disso. Por mim, eu queria seguir em frente e colocar meu nome, para ser sincero, já está exposto, os detalhes foram bem precisos no relatório e foi tudo descoberto, mas mais que isso, eu sou um sobrevivente e sei que não estou sozinho, e sei que não sou o único homem ou mulher e enterrei isso por onze anos e me destruiu de dentro para fora. E eu quero que todo mundo saiba que no mundo dos esportes e no mundo, você não está sozinho. Se isso aconteceu com você, você deve falar sobre. Porque tem um sistema de apoio. Como Sheldon Kennedy, US Gymnastics, USA Soccer. Tem um sistema de apoio e pessoas que estão com você e eu espero que todo esse processo possa fazer uma mudança sistemática para ter certeza que isso não aconteça de novo. Porque não me afetou apenas como um jovem adulto mas também afetou [outros atletas e] crianças porque não foi lidado da maneira correta.”

    Após deixar a NHL em 2010 sem que os Hawks divulgassem o motivo da sua saída, em julho de 2012, Brad Aldrich se candidatou para uma posição na Miami University, em Ohio. Quando perguntado do porque ter deixado a NHL, o técnico apenas disse que se sentia esgotado com o ritmo de trabalho da Liga. 

    Assim, Aldrich também deixou repentinamente sua posição na Miami University, em Ohio, em 2012, apenas quatro meses depois de ter entrado no programa. A universidade está investigando a passagem do técnico pela equipe. 

    Posteriormente, Brad Aldrich entrou para a equipe técnica de uma escola de ensino médio em Houghton, Michigan. Um indivíduo, identificado como John Doe 2 no segundo processo contra os Blackhawks, alegou que Aldrich teria abusado sexualmente dele em março de 2013, quando tinha apenas 16 anos. Em dezembro de 2013, na sua segunda passagem como voluntário pela equipe, Aldrich enfim se declarou culpado das acusações de conduta sexual criminosa com um adolescente. 

    Perguntado sobre o que diria para o garoto, Kyle Beach se emocionou. E no que talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis da entrevista, Beach pediu desculpas por não ter feito mais na época e deixou o convite para caso ele queira entrar em contato. 

    “Eu sinto muito. Lamento não ter feito mais, quando podia, para garantir que não acontecesse com ele. Para protegê-lo. Mas também queria agradecer a ele. Porque quando eu decidi, depois que um colega de equipe me perguntou sobre isso quando eu estava jogando no exterior, eu decidi pesquisar o nome de Brad Aldrich no Google e foi quando descobri sobre o indivíduo de Michigan, o time de Michigan. E por causa do que aconteceu com ele, isso me deu o poder e o senso de urgência para agir, para garantir que isso não acontecesse com mais ninguém. Então, sinto muito e obrigado. E espero que em algum momento no futuro, se ele estiver aberto a isso, eu adoraria conhecê-lo. Porque, infelizmente, compartilhamos algo em comum – [que] fará parte de nós pelo resto de nossas vidas.”

    É inclusiva para quem?

    Kyle também fez um apelo à NHL que foi impossível não lembrar do projeto de inclusão hockey is for everyone. Beach deixou claro em suas palavras a quem a Liga está de fato incluindo ao ignorar denúncias e protegendo nomes, quando empregos de grande patente continuam sendo designados às mesmas pessoas. 

    “A NHL é inclusiva, a NHL inclui todos e eles me decepcionaram e decepcionaram outros também. Mas eles continuaram tentando proteger o nome em cima da saúde e bem-estar das pessoas que colocam suas vidas todos os dias para fazer da NHL o que ela é. Eu espero que Garry Bettman leve isso à sério e ele faça as diligências, que converse não apenas com eles mas com Stan Bowman, John McDonough e todo mundo que tenha informações antes dele tomar sua decisão. Porque eu já me decepcionei, não iriam investigar por mim, então porque fariam agora?”

    Segundo diversos relatos, após os boatos se espalharem no vestiário em 2010, piadas de cunho homofóbico foram conferidas aos jogadores vítimas de Aldrich. Onze anos se passaram desde que o fato aconteceu, mas a cultura do esporte ainda resiste nos acordos de cavalheiros. Em obter resultados dos jogos apesar da saúde de seus atletas. As discussões acerca de saúde mental, inclusão, homofobia e racismo ainda estão presentes na Liga, mas talvez, seja hora dos times repensarem essas ações e da NHL começar, de fato, a punir aqueles envolvidos em episódios de assédio, preconceito etc.

    Entretanto, como pudemos ver das declarações sobre o caso da Liga e dos times em que membros envolvidos do caso de Kyle Beach ainda trabalham, o resultado no gelo segue sendo mais importante do que os atletas sobre ele.  Apesar do processo estar em andamento desde maio, apenas agora, em outubro, que os envolvidos foram afastados de seus cargos. Foi preciso uma investigação externa para que levassem as acusações a sério, revelando serem muito mais graves do que o escritório dos Hawks imaginava em 2010. 

    E, obviamente, fica a pergunta que vai assombrar a comunidade do hockey por alguns anos: Se as medidas corretas tivessem sido tomadas na época, teriam havido menos vítimas? 

    A cultura tóxica do esporte

    Não é a primeira vez que relatamos casos de abuso de poder de técnicos na NHL. Em novembro de 2019, acompanhamos as denúncias de injúria racial de Akim Aliu contra Bill Peters que levou a relato de abusos físicos do técnico a outros jogadores. Além dele, Mike Babcock foi demitido do Toronto Maple Leafs e em seguida, denúncias de abusos psicológicos contra Mitch Marner em temporadas anteriores vieram à tona. 

    É sabido que comportamentos de abusos de poder são frequentes no mundo do hockey. E, com receio de prejudicar suas carreiras, jogadores se calam. O tempo passa, técnicos seguem impunes, mudam para outros empregos e seguem tendo o mesmo comportamento. 

    O caso de Kyle Beach se torna ainda mais grave pela natureza do abuso. E, principalmente, porque ele não se calou. Ele buscou ajuda e foi ignorado por aqueles que ele foi ensinado a confiar. Pior do que isso, a equipe de líderes do Chicago Blackhawks falhou com vários outros garotos que conviveram com Aldrich. 

    Assim, o caso afeta não apenas um jogador, mas também jovens e adolescentes que posteriormente sofreram as consequências de Aldrich não ter recebido a punição necessária. Pelo contrário, em nome da vitória a qualquer custo, o técnico de vídeo seguiu com sua carreira e afetou a vida de ainda mais jovens. 

    Há um ditado que diz “antes tarde do que nunca”. Mas, neste caso, o “tarde” carrega um preço muito alto, com inumeráveis consequências que poderiam ter sido evitadas caso uma só pessoa tivesse feito a escolha certa. 

     .          .          .

    Escute o apelo de Kyle Beach de que a vítima não está sozinha. Caso você ou alguém que você conheça tenha passado por uma situação de abuso sexual, denuncie. Aqui estão alguns números e contatos para informar e auxiliar sobreviventes. 

    • A Fundação ABRINQ tem um canal disque denúncia com informações do procedimento correto para fazer a denúncia e quais números se deve ligar. 
    • A Página oficial do Mee Too Brasil, que trouxe para o país o movimento que começou no exterior para incentivar mulheres a denunciar abusos sexuais em ambientes de trabalho. 
    • A Unicef tem um aplicativo do Projeto Proteja Brasil, que facilita a busca por informações. 

    Disque 100. Denuncie. 

    Foto: Reprodução/cnn.com

  • Prévia 2021-22: Divisão Central

    Prévia 2021-22: Divisão Central

    A apenas poucos dias de sua estreia, a temporada regular 2021-22 da NHL começa oficialmente no dia 12 de outubro. Essa será a temporada que marca o retorno ao calendário tradicional, com tudo que a Liga tem direito – inclusive o retorno das divisões como os fãs já estão acostumados, com uma pequena mudança para o Arizona Coyotes. O time passa a fazer parte da Divisão Central para a adequação ao 32º time da NHL, o Seattle Kraken.  

    No entanto, essa não será a única mudança para esta temporada. A Liga também reformulou os seus protocolos de saúde para que o retorno ao gelo seja feito da forma mais segura possível para todos os envolvidos. Assim, para os fãs resta uma única pergunta: qual time conquistará a tão cobiçada Stanley Cup?

    Por isso, o NHeLas retornou mais um ano com as suas prévias de cada time com base na temporada anterior e toda a movimentação nessa offseason. Para dar início a nossa série de previsões, o que esperar da Divisão Central.

    Arizona Coyotes

    Com uma história um pouco turbulenta nas últimas temporadas, o Arizona Coyotes segue mais um ano tentando dar a volta por cima. O time passa por problemas fora do gelo e não é de hoje. Em mais uma tentativa de evitar que os Yotes afundassem de vez, eles decidiram reformular a sua marca, trazendo de volta o coiote Kachina. 

    No entanto, essa não é a única mudança. A equipe do Arizona perdeu muitas peças-chave na temporada anterior e nessa free agency. Apesar de assinar novos contratos, a perspectiva para os Coyotes não é boa, e ainda há quem diga que a intenção é exatamente cair na tabela. Porém, tudo não passa de especulação da mídia, que mantém seus olhos atentos a cada novo capítulo da história do time. 

    Com a perda de seus três goleiros (Darcy Kuemper, COL; Adin Hill, SJS; Antti Raanta, CAR) e capitão (Oliver Ekman-Larsson, VAN), os Yotes têm contado com nomes como Phil Kessel e os novatos para segurar as pontas. Eles chegaram a contratar o goleiro Carter Hutton, além dos atacantes Dmitrij Jaskin, Ryan Dzingel e Liam O’Brien. Entretanto, ainda será necessário suar muito a jersey para chegar perto de disputar vaga nos playoffs.

    Chicago Blackhawks

    O Chicago Blackhawks teve uma free agency bastante movimentada. Dentro e fora do gelo, as atitudes do time vêm sendo questionadas por toda parte. A começar com uma aquisição intrigante para fãs e críticos: a de Seth Jones. O defensor assinou um contrato de 8 anos que começa na temporada 2022-23, com um destaque para a cláusula de não-movimento em todos eles. 

    Outro nome conhecido que se juntou aos Hawks foi o goleiro Marc-Andre Fleury. Ele se despediu de Las Vegas e passou a chamar Chicago de casa, após quatro anos com os Golden Knights. Além dele, os defensores Caleb Jones e Jake McCabe também chegam a um time que precisava desesperadamente de mudança na blue line, e o recém-bicampeão Tyler Johnson deixou Tampa para agregar ao ataque do time da Windy City.

    A notícia mais feliz para o torcedor provavelmente foi o retorno do capitão Jonathan Toews, que ficou afastado durante a última temporada após ser diagnosticado com Síndrome da Resposta Inflamatória Crônica. Uma das jovens apostas dos Hawks, Kirby Dach, também retorna ao elenco recuperado de uma lesão no punho. Dach mostrou um bom desempenho no gelo durante a sua temporada de estreia, e o time já consegue ver o seu potencial.  

    Infelizmente, para os Blackhawks as novas contratações podem não sair como esperado. Os fãs devem torcer muito para que Seth Jones faça jus ao futuro contrato, ao mesmo tempo que o retorno de Toews e Dach impulsione o time para a frente. No papel, a equipe parece ter melhorado em relação à última temporada e acredita que briga por uma vaga na pós-temporada. Porém, talvez ainda seja cedo para afirmar qual será o destino dos Hawks este ano.

    Colorado Avalanche

    O Colorado Avalanche tem crescido de forma constante nas últimas temporadas, chegando cada vez mais longe nos playoffs. Esse pode ser um reflexo das mudanças feitas no time ao decorrer dos anos. Com nomes como Cale Makar, Sam Girard e Devon Toews na defesa, o time de Dever tem sido destaque nos jogos em que disputa. No entanto, o mérito não fica somente para a defesa, já que apesar de ter perdido alguns jogadores importantes, os Avs continua mcom as suas peças chaves.

    É o caso do capitão Gabriel Landeskog, que renovou o seu contrato com o Avalanche e mantém a sua linha ao lado de Nathan MacKinnon e Mikko Rantanen. Porém, não só de veteranos o time tem se garantido. Ele vem apostando em nomes como o defensor Bowen Byram e o atacante Alex Newhook que juntos fazem parte da nova safra de Colorado e, apesar de já terem participado de alguns outros jogos com a equipe, prometem mostrar todo o seu potencial nesta temporada.

    Outro ponto a ser destacado é a perda de um goleiro e a lesão de outros, um ponto ao qual os fãs devem prestar atenção. Após ter dado adeus a Philipp Grubauer, que se juntou ao Seattle Kraken, o time garantiu um contrato com Darcy Kuemper. Entretanto, Kuemper assim como Pavel Francouz vem se recuperando de lesão. 

    Assim, apesar do time ainda se mostrar forte, não podemos ignorar que a defesa pode ser prejudicada caso os goleiros não estejam 100% preparados. Com isso, resta ao Avalanche garantir um bom desempenho de seus defensores no gelo para dar o suporte que a rede precisa. 

    Dallas Stars

    O Dallas Stars vinha de uma boa temporada em 2019-20 após ter sido finalista da Stanley Cup. Porém, a temporada de 2020-21 não foi das melhores para a equipe do Texas, que nem conseguiu se classificar para os playoffs. Apesar de o time ter sido atingido por fatores externos, os Stars precisam agora correr atrás do prejuízo caso não queiram uma repetição do último ano. 

    Para isso, eles fizeram questão de garantir um contrato de um de seus melhores defensores, o finlandês Miro Heiskanen. Além, é claro, de ter nomes importantes de volta ao gelo como Tyler Seguin e Alexander Radulov – ambos ficaram de fora da temporada passada devido a lesões. Seguin jogou apenas três partidas ao final da temporada regular enquanto Radulov jogou 11 partidas no início da temporada.

    O time de Dallas também garantiu alguns nomes nessa free agency como o goleiro Braden Holtby. Ele chega de Vancouver para completar o time ao lado de Anton Khudobin e Jake Oettinger, enquanto o veterano Ben Bishop ainda está se recuperando de suas cirurgias que o deixaram de fora da última temporada. Pensando na defesa, os Stars garantiram o veterano Ryan Suter, que chega para completar a linha ao lado de John Klingberg, Esa Lindell e Heiskanen. 

    Com grandes nomes no ataque, o time de Dallas ainda conta com um reforço de juventudo, com jogadores como Denis Gurianov e Ty Delladrea mostrando um grande potencial no gelo, e Roope Hintz, que promete estar pronto para o início da temporada. Assim, o time mostra que tem grande expectativa para a sua nova temporada, com algumas linhas voltando ao que eram e garantindo alguns novos jogadores. Para Dallas essa pode ser a chance de voltar aos trilhos. Resta para os fãs aguardar para ver se no gelo o planejamento atinge o mesmo objetivo.

    Minnesota Wild

    Os fãs do Minnesota Wild já podem respirar mais aliviados nesta temporada. O time, que foi eliminado pelo Vegas Golden Knights nos playoffs, fez seu oponente suar a jersey para avançar em sete jogos. E ao que tudo indica, esse ano o time deseja quase o mesmo resultado, com a pequena mudança de não ser eliminado. 

    O Wild mexu os seus pauzinhos nessa free agency e conquistou o tão sonhado contrato com a sensação russa Kirill Kaprizov. Com um contrato de cinco anos, a estrela do time promete mostrar todo o seu potencial no gelo e alavancar ainda mais a equipe. O jogador, junto com Kevin Fiala, tem sido uma das grandes apostas do time de Minnesota para o futuro.

    No entanto, o maior destaque vai para as mudanças realizadas na defesa. Com dois grandes contratos de defensores a menos, o Wild fez questão de assinar com nada menos que seis novos jogadores para a posição. Agora Matt Dumba e companhia contarão com a ajuda de Jordie Benn, Alex Goligoski, Joe Hicketts, Jon Lizotte, Dmitry Kulikov e Jon Merrill. 

    Com uma defesa renovada, ao lado de jogadores que já mostravam um bom desempenho e o atual vencedor do Calder, Kaprizov, garantido, a equipe de Minnesota tem motivos de sobra para conquistar a sua vaga nos playoffs. Principalmente se levarmos em consideração a atuação de Cam Talbot contra os Golden Knights, as chances estão ao seu lado, mesmo estando em uma divisão forte como a Central.  

    Nashville Predators

    O Nashville Predators precisa se reinventar e é exatamente isso que tem feito nessa offseason. Ao se despedir de alguns jogadores e ter visto outros lesionados, o time se viu numa verdadeira encruzilhada. Não restando nenhuma alternativa a não ser apostar nos jogadores mais novos. Um exemplo disso foi o caso do goleiro Pekka Rinne que se aposentou recentemente, deixando Juuse Saros como o novo goleiro titular. Além de Saros, o time passa a contar também com David Rittich que chega para cobrir o espaço deixado por Rinne.

    Algumas de suas grandes estrelas ainda permanecem no time. No entanto, os Preds agora devem tentar manter uma mistura do novo com o velho. A equipe de Nashville chegou a realizar algumas trocas em função disso, como a adição do atacante Cody Glass e o defensor Phillippe Myers. Ao lado de Eeli Tolvanen, Philip Tomasino e Alexandre Carrier, a nova safra dos Predators promete ser o diferencial que o time tanto necessita. 

    Jogadores como Roman Josi, Filip Forsberg, Matt Duchene e Mattias Ekholm seguem firmes mostrando que os veteranos ainda têm muito o que contribuir. Essa mistura deve ser bastante benéfica para os Preds, que apesar de ter conseguido se classificar para os playoffs na temporada passada, foram eliminados pelo Carolina Hurricanes ainda na primeira rodada. 

    St. Louis Blues

    O St. Louis Blues com certeza tem se mostrado um time forte ao se reerguer no meio da temporada e conquistar a Stanley Cup em 2019. No entanto, mesmo passando para os playoffs nas temporadas seguintes, ele se viu dando adeus rapidamente, sendo “varrido” pelo Avalanche na temporada 2020-21. Porém, o seu elenco é muito forte, e trabalhando da maneira correta isso pode mudar.

    Começando pelo retorno de Colton Parayko, o defensor de 28 anos renovou o seu contrato por mais oito temporadas com a franquia. Mesmo com a perda de Vince Dunn no Draft de Expansão de Seattle, a defesa do time ainda conta com as peças Torey Krug, Justin Faulk e Marco Scandella. No ataque as coisas podem não andar 100%, com Vladimir Tarasenko pedindo para sair em maio deste ano. Contudo, o jogador ainda permanece no time e promete ser um trunfo enquanto estiver em St. Louis. Quanto aos novos contratados dos Blues, Brandon Saad e Pavel Buchnevich, ambos os atacantes chegam para complementar o poder ofensivo ao lado de Ryan O’Reilly e Robert Thomas.

    Enquanto isso, o goleiro principal do time pode não ser a grande aposta como foi anteriormente. Após ser um destaque na vitória da Stanley Cup, o desempenho de Jordan Binnington não foi o mesmo nos anos seguintes. As suas estatísticas caíram e, apesar de ter um grande contrato, o goleiro precisa se esforçar mais se quiser repetir a vitória. 

    Dessa forma, a chance do time se classificar para os playoffs ainda existe, mas será necessário muito jogo de cintura para que possam avançar no topo da divisão. Competindo contra times fortes e que têm se reestruturado, os Blues com certeza terão um grande desafio pela frente.

    Winnipeg Jets

    Outra equipe que tem surpreendido em suas últimas temporadas é o Winnipeg Jets. O time chegou a se classificar para os playoffs e “varrer” o Edmonton Oilers, favorito na série do primeiro round. Porém, ao enfrentar o Montreal Canadiens, os Jets se viram também “varridos” e deram adeus à corrida pela taça. Entretanto isso não muda o fato de que o time possui um bom elenco e, se trabalhar da maneira correta, esse ainda pode ser o ano deles.

    A parte defensiva foi uma das mais favorecidas nessa free agency, na qual os Jets garantiram dois contratos e uma renovação. Os defensores Brenden Dillon e Nate Schmidt chegam para se juntar a Logan Stanley e Neal Pionk, que renovaram seus contratos este ano. Esse pode ser um dos maiores destaques do time para garantir uma classificação na pós-temporada. Por outro lado, o ataque de Winnipeg tem sido bastante sólido e não viu muitas adições. Mark Scheifele segue como uma constante para o time, ao lado de Pierre-Luc Dubois e seu capitão Blake Wheeler. 

    Os Jets têm tentado montar um time campeão, a defesa sendo o seu maior foco é uma prova disso. No gol, Connor Hellebuyck, um dos grandes responsáveis pela vitória contra os Oilers, está recebendo também Eric Comrie. Ambos os goleiros trabalharão para manter a rede do time canadense vazia, enquanto seus companheiros marcam gols em seus adversários.


    Enquanto o Wild e os Avs podem ser um dos grandes favoritos para se classificar no topo para os playoffs, a Divisão Central é bastante competitiva e sempre guarda uma surpresa para quem acompanha. Seria muito cedo para batermos o martelo de quem conquistará o título de campeão da divisão, mas não podemos ignorar as melhorias que alguns times fizeram e como seu nível tem evoluído nos últimos anos. Com certeza será uma corrida muito interessante de se acompanhar, do início ao fim.

  • PWHPA movimenta fim de semana em Chicago

    PWHPA movimenta fim de semana em Chicago

    A nova temporada da Secret Dream Gap Tour da PWHPA continua a todo vapor neste início de ano. Desta vez, a Tour fez a sua parada na cidade de Chicago., com jogos nos dias 6 e 7 de março nas arenas United Center e Fifth Third Arena, respectivamente.

    O evento, que contou com uma transmissão ao vivo sob o comando de uma equipe feminina, teve a data escolhida em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e ao aniversário de um ano da transmissão realizada também por uma equipe feminina na NBC Sports.  

    Anteriormente, a SDGT fez a sua primeira parada na cidade de New York, nos dias 27 e 28 de fevereiro. Na ocasião, a partida do dia 28 entrou para a história ao ser a primeira da modalidade profissional feminina disputada no Madison Square Garden e transmitida em rede nacional pela ESPN americana. 

    Os times Adidas e Women’s Sports Foundation que vinham com uma vitória cada do último final de semana, tiveram a chance de se enfrentar novamente em busca do desempate. No entanto, o caminho não foi fácil e no final foi o time de Minnesota o grande ganhador do confronto.  

    Novos nomes para os times

    Assim como a região de Toronto recebeu o nome de time Sonnet e a região de Calgary de time Scotiabank, as outras regiões também ganharam seus nomes em menção a seus patrocinadores. Agora as regiões de New Hampshire, Minnesota e Montréal também possuem novos nomes, assim completando de vez a Associação em seu novo formato. 

    No dia 25 de fevereiro, a região de New Hampshire ganhou um novo patrocinador: a Women’s Sports Foundation (WSF). Uma fundação que trabalha em prol das mulheres no esporte em todas as idades. Ela é responsável por bolsas de estudo, subsídios, defesa dos direitos, currículos, prêmios e pesquisas para que cada vez mais mulheres conquistem seus espaços no esporte. Assim, a equipe ganhou seu nome em homenagem a esse patrocínio e passou a se chamar Time WSF.  

    Outra região que também ganhou um patrocinador e um novo nome foi a de Minnesota. A equipe agora é oficialmente patrocinada pela Adidas e passou a ser chamado de Time Adidas. Com isso, ambas as equipes ganharam novos uniformes para representar essa nova fase dos times. Além disso, a Adidas se tornou a fornecedora oficial da PWHPA.

    Finalmente, foi a vez da região de Montreal ser oficialmente nomeada. Com a Bauer já patrocinadora da PWHPA e fornecedora dos equipamentos utilizados pelas jogadoras, a Associação decidiu então em homenagem à parceria de longa data, nomear a equipe de Montreal como Time Bauer, assim ganhando também um novo uniforme. 

    Adidas 4, WSF 1

    No United Center, casa do Chicago Blackhawks (NHL) e Chicago Bulls (NBA), equipe da Adidas começou bem o primeiro jogo do final de semana. Ainda no primeiro período, o time balançou a rede adversária duas vezes. A primeira jogadora a marcar foi a atacante Abby Roque com uma assistência das atacantes Sydney Brodt e Sophia Shaver. 

    Poucos minutos depois, o feito foi repetido, desta vez pela defensora Maddie Rolfes que contou com uma assistência da atacante Dani Cameranesi e assim abrindo uma vantagem de 2-0 contra o WSF.

    No segundo período o time de Minnesota conseguiu abrir ainda mais a sua vantagem quando a veterana Kendall Coyne Schofield marcou um gol no final do powerplay faltando 9:28 para o fim do período.

    Por fim, no terceiro período a rede balançou em ambos os lados. O time Adidas foi o primeiro a balançar a rede novamente com um gol de Roque que aproveitou um empty net para fechar de vez o placar de seu time. 

    A atacante Brianna Decker foi a responsável pelo único gol do time de New Hampshire, quando ela passou por trás da goleira e conseguiu mandar o puck para dentro da rede. 

    O destaque do jogo também foi para as goleiras que fizeram grandes defesas, de um lado tivemos Nicole Hensley do Minnesota que fez 33 defesas contra os 34 disparos realizados pelo time adversário. Do outro lado a goleira Alex Cavallini que de 27 tiros fez 23 defesas, deixando passar apenas quatro gols. 

    Adidas 6, WSF 2

    No dia seguinte tivemos mais uma batalha no gelo, agora na Fifth Third Arena, vizinha do UC. O time de Minnesota mostrou mais uma vez a sua força com um total de 39 shots e seis gols marcados, três deles em powerplay. Do outro lado, foram 33 shots realizados pelo time de New Hampshire. 

    A primeira jogadora a balançar a rede foi Kendall Coyne para o time de Minnesota. O time de New Hampshire por sua vez contou com um gol da atacante Hayley Scamurra, deixando assim um placar empatado em 1-1 no primeiro período.

    No segundo período foi a vez das jogadoras Lee Stecklein e Kelly Pannek marcarem um gol cada para o Time Adidas. Ambas aproveitaram um powerplay para abrirem uma vantagem para sua equipe de 3-1. 

    Foi Amanda Kessel, com uma assistência de Decker e Haley Skarupa, a primeira a balançar a rede no início do terceiro período, num esforço de diminuir a vantagem do time adversário para 3-2. 

    No entanto, esse placar durou pouco quando a veterana Hilary Knight aumentou novamente a distância dos placares. Enquanto faltava pouco menos de três minutos para o fim da partida, Sydney Brodt com uma assistência de Abby Roque marcou o quinto gol de sua equipe. Por fim, Hilary brilhou novamente, repetindo a assistência Maddie Rolfes, que mandou o puck direto para Knight marcar. Dessa forma, a jogadora fechou a partida com o placar em 6-2. 

    Repetindo os feitos do dia anterior Dani Cameranesi foi a responsável por três assistências. A jogadora foi nomeada uma das estrelas da partida, ao lado de Kelly Pannek e Haley Skarupa. 

    Foto: Reprodução / Twitter @NHLBlackhawks

  • O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    A nova temporada da NHL está batendo à porta, com início marcado para a próxima quarta-feira (13). Com as restrições impostas pela pandemia de COVID-19, a NHL precisou se adaptar com o intuito de criar um ambiente mais seguro para toda a Liga e comunidade do hockey. Dessa forma, assim como as demais, a Divisão Central da NHL sofreu mudanças para que a temporada pudesse ser iniciada de acordo com os protocolos de segurança. No entanto, com as adições à divisão, os confrontos tendem a ficar ainda mais competitivos e interessantes. 

    Baseado nas movimentações e desempenho dos times, trouxemos um preview sobre como poderá ser a temporada 2020-21 para as equipes da Divisão Central. 

    Carolina Hurricanes

    Aos poucos, o Carolina Hurricanes tem se desenvolvido e mostrado o potencial que sempre buscou. Foi apostando em seus jovens talentos que o time passou a crescer nos rankings, saiu da lanterna e, por fim, tornou-se um dos times mais interessantes da Liga. 

    Com talentos como Sebastian Aho e Andrei Svechnikov no comando ofensivo, os Canes possuem peças importantes para garantir maior sucesso nesta temporada. 

    A adição de Jasper Fast ao time durante a offseason poderá também beneficiar a equipe. Com a sua experiência na NHL, o jogador poderá adicionar mais força ao ataque e criar grandes oportunidades a gol. 

    Já na defesa, Carolina possui forças sólidas em Dougie Hamilton e Jacob Slavin. Por isso, é extremamente importante que a dupla continue fazendo boas atuações para proteger o gol dos Canes contra o ataque de times como o Tampa Bay Lightning, que tem se tornado cada vez mais rápido e ágil. 

    Podemos esperar grandes atuações do Carolina Hurricanes em 2021 e, certamente, uma classificação da equipe aos playoffs. Com um roster repleto de talentos, a estadia da equipe na pós-temporada pode ser extendida. 

    Chicago Blackhawks

    A última década foi repleta de muito sucesso e glória para os Blackhawks. Mas não se pode negar que, nos últimos anos, o desempenho do time caiu drasticamente.

    Com os desfalques de Jonathan Toews e Kirby Dach (que vinha contribuindo positivamente para o desenvolvimento dos Hawks) para esta temporada, o time conta com a liderança de Patrick Kane e Duncan Keith para melhorar sua atuação no gelo. 

    Com a saída de Corey Crawford da equipe, espera-se que Malcolm Subban assuma uma posição mais ativa no gol, tendo como backup Collin Delia. O time ainda conta com a presença de Dylan Strome, Alex DeBrincat, Alex Boqvist e Dominik Kubalik, que tendem a ser ainda mais ativos nessa temporada e no futuro dos Blackhawks. 

    É possível que, liderados por Kane, Chicago possa criar mais oportunidades em jogo e avançar na competição. Mas, por hora, é certo afirmar que o time está em processo de reconstrução, e que pretende investir cada vez mais em seus novos talentos para voltar a sua boa fase.

    Columbus Blue Jackets

    Nos playoffs de 2020, o Columbus Blue Jackets proporcionou ao fã de hockey uma das maiores (literalmente) e melhores partidas da bolha. No entanto, após um round exaustivo contra Tampa Bay, os esforços realizados pela equipe não foram suficientes para mantê-los na competição, e a nuvem de lesões que rondou o time foi a principal responsável.

    Porém, mesmo com os tropeços, os Blue Jackets têm se tornado uma equipe cada vez mais interessante de se acompanhar. Em 2021, com o time mais estável e recuperado, existe uma grande probabilidade de vermos Columbus como destaque dentre os times da Central.

    Zach Werenski e Seth Jones tendem a continuar com o bom trabalho na defesa. Algo importante, já que a zona defensiva do time tenta se estabilizar após a saída de Sergei Bobrovsky. Mas é esperado que Joonas Korpisalo e Elvis Merzlikins continuem mostrando potencial e fazendo defesas importantes.

    Ao reassinar com Pierre Luc-Dubois e Oliver Bjorkstrand, o time garantiu duas peças essenciais em seu ataque. Portanto, espera-se que a dupla, junto de novas adições como Max Domi, montem uma frente ofensiva que possa criar oportunidades constantes para Columbus a cada partida.

    Dallas Stars

    Um dos underdogs da divisão central, o Dallas Stars provou na temporada passada que tem condições (e talento) para avançar na competição. No entanto, a notícia de que seis jogadores e dois membros do staff do time precisaram ser afastados devido a possíveis sintomas de COVID-19 acabou preocupando seus fãs.

    Com a situação estabilizada, Dallas tende a ser um dos favoritos a garantir a primeira posição da Divisão. E a performance da equipe na temporada anterior afirma isso. Os Stars deram início a um estilo de jogo diferente e muito mais eficaz em 2020. Se isso se prolongar, poderemos assistir a ótimas atuações da equipe do Texas no gelo. 

    Mesmo com o desfalque de Tyler Seguin, figuras como Denis Gurianov poderão fazer toda a diferença no ataque de Dallas. Os veteranos, como Alex Radulov e Jamie Benn, também serão figuras importantes para a criação de oportunidades a gol, abrindo assim o espaço para que figuras mais jovens, como Joel Kiviranta, possam influenciar positivamente no desenvolvimento do Dallas. 

    A defesa dos Stars ainda é preocupante, levando em consideração o afastamento de Ben Bishop, devido a uma lesão causada nos playoffs de 2020. Mas, como pudemos assistir anteriormente, Anton Khudobin está mais do que apto para exercer o papel. Para isso, no entanto, é preciso John Klingberg e companhia consigam estabelecer uma defesa mais estabilizada, e que passe segurança ao goleiro. 

    Detroit Red Wings

    Nos últimos anos, o Detroit Red Wings tem enfrentado uma de suas piores fases na NHL. A última temporada foi um exemplo disso, já que a equipe ocupou o último lugar da tabela e apresentou desempenho lamentável. 

    O gol e defesa do time continuam instáveis, e a linha ofensiva precisa de melhor desenvolvimento para criar oportunidades e pontuar. Líderes do time, como Tyler Bertuzzi e Dylan Larkin, tentam fazer este trabalho, mas a fase em que os Red Wings se encontram não parece ajudar.

    Renovação. Essa é a palavra chave para se referir ao futuro do time de Detroit. É improvável que a equipe se destaque nesta temporada, mas prospects como Lucas Raymond, Theodor Niederbach e Elmer Soderblom têm trazido esperança para os próximos anos. É esperado que esse seja o foco dos Red Wings este ano: uma melhor reconstrução pensada para o futuro do time.

    Florida Panthers

    As aquisições feitas pelos Panthers em 2019 apontavam para melhorias no time ainda na temporada 2019-20. Porém, após a pausa em 2020, o desempenho do time decaiu e, assim, a oportunidade de ter sucesso nos playoffs ficou para outro ano.

    Nesta temporada, é esperado que Aleksander Barkov e Jonathan Huberdeau continuem sendo presenças importantes para o ataque da equipe. A aquisição de Anthony Duclair ao fim de 2020 também pode ser um grande reforço para a zona ofensiva dos Panthers. 

    Já na defesa, espera-se que Aaron Ekblad continue estável e que, principalmente, Sergei Bobrovsky consiga um melhor desenvolvimento o gol da equipe. É preciso que o goleiro esteja em boa fase para que, em conjunto com as demais áreas, o time consiga avançar na competição e mostrar seu potencial. 

    Os Panthers não são um dos favoritos à Stanley Cup, mas no hockey tudo é possível. Por agora, o time precisa focar em um maior desenvolvimento para, assim, garantir uma vaga nos playoffs.

    Nashville Predators

    Mesmo com aquisições como as de Matt Duchene, Nashville se viu novamente em uma posição complicada na temporada passada.

    No entanto, a história do time mostra que, quando saudável e forte, os Predators são uma equipe a ser temida. Mas é necessário que seus líderes, como Roman Josi, Filip Forsberg e Ryan Ellis estejam em sua melhor fase. 

    Josi talvez seja uma das figuras mais estáveis do time atualmente, e, como sempre, promete grandes atuações na defesa, juntamente de Ellis — outra peça importante na zona defensiva do Nashville. Pekka Rinne tem apresentado bom desempenho, mas não apresenta grande estabilidade. Portanto, este é um dos pontos em que o Nashville precisa manter a cautela, caso queira avançar na competição. 

    Desde que chegou, Duchene também não apresentou o desenvolvimento esperado pela equipe. Assim, é necessário que ele e Forsberg encontrem química dentro do gelo para que as oportunidades a gol surjam para Nashville. Se a zona ofensiva do time não se desenvolver, a equipe tende a voltar à estaca zero outra vez.

    Tampa Bay Lightning

    Não é mistério que o Tampa Bay Lightning é um dos favoritos à Stanley Cup nesta temporada.

    Porém, a ausência de Nikita Kucherov poderá impactar negativamente o desenvolvimento do time em 2021. Mesmo com Stamkos saudável e em ótima fase, o ataque do Lightning tende a ser afetado com o desfalque. 

    No entanto, um time não é feito de apenas um jogador, e a vitória da Stanley Cup em 2020 pelos Bolts foi a prova disso. Tanto Stamkos, quanto Brayden Point e Ondrej Palat prometem levar o time ainda mais longe na competição. As demais linhas, que contam com Anthony Cirelli e Tyler Johnson também não desapontam, e prometem grandes atuações. 

    Já na defesa, Tampa Bay conta com a liderança de Victor Hedman que, se continuar com a boa fase, tende a oferecer à goleira de Vasilevskiy a melhor proteção possível. 

    É quase certo que o Tampa Bay Lightning garanta sua vaga nos playoffs. A pergunta que não quer calar é: o quanto o time avançará na pós-temporada? Resta-nos acompanhar o desenrolar desta história.

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Central

    Nova coleção de jerseys retrôs da NHL: Divisão Central

    A nova coleção retrô da NHL foi divulgada oficialmente na última segunda-feira (16). Apesar de alguns modelos como do Penguins e do Golden Knight terem sido vazados anteriormente, agora temos os modelos oficiais das jerseys de cada time.

    Como falamos anteriormente, a coleção Reverse Retro teve como inspiração modelos dos uniformes de décadas desde 1940 a 2000. Cada time buscou em uma jersey antiga um conceito, trazendo elementos para suas cores e uniformes atuais. 

    Por último mas não menos importante, o NHeLas trás um olhar mais próximo para os modelos da Divisão Central. Entenda quais foram as inspirações por trás de cada novo desing. Essa nova coleção estará disponível à partir do dia 1/12.

    Dallas Stars

    O campeão da conferência Oeste deste ano teve a sua Reverse Retro inspirada no uniforme da temporada de 1999-98, quando conquistaram a sua primeira e, até então, única Stanley Cup.

    Naquele ano, os Stars levantaram a taça em suas cores verde, branco e prata, as cores já conhecidas e amadas dos fãs. Assim, nessa coleção eles trazem suas cores tradicionais e a lembrança da história do time com sua única vitória da taça.

    A jersey retrô tem alguns detalhes novos: na manga, o formato do estado do Texas com uma estrela verde e detalhes em prata; o formato de estrela no peitoral da camisa na cor prata brilhante.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Colorado Avalanche

    O Colorado Avalanche buscou para sua camisa retrô as suas origens no extinto Quebec Nordiques. O time antecessor de Colorado, que homenageava o gelado norte canadense, tinha como cores principais o azul, branco e vermelho.

    Quando deixou a Cidade de Quebec, a equipe ganhou novas cores: um azul mais acinzentado e o vinho. A Reverse Retro do Avalanche trouxe justamente o desenho clássico do uniforme dos Nordiques. O logo de iglu e a flor-de-lis, símbolo da herança francesa no Canadá, são representados nas cores atuais do time.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Chicago Blackhawks

    A temporada do Chicago Blackhawks deixou a desejar, mas não se pode dizer o mesmo da sua nova jersey para a coleção Reverse Retro. Como um dos Original Six, os Hawks tinham algumas opções para o seu modelo, entretanto, optaram por um design simples e tradicional.

    A base preta e detalhes em vermelho e branco trouxeram para 2021 um desejo de retorno aos anos dourados da equipe. No entanto, esse modelo dividiu a opinião dos fãs no lançamento e gerou polêmica.

    A equipe sofreu algumas críticas por falta originalidade na escolha do design. Mais ainda, o logo do time trouxe a tona o debate sobre e identidade visual dos Blackhawks e se a equipe deveria alterá-la logo.

    Foto do Twitter oficial da Blackhawks Store

    St. Louis Blues

    As cores da Reverse Retro dos Blues vêm da época em que Wayne Gretzky jogava pelo time, na temporada de 1995-96. Era um time repleto de estrelas que usavam vermelho, azul e amarelo, um pouco mais extravagante que o time que conhecemos hoje.

    Para a jersey retrô, inverteu-se o azul predominante daquele uniforme colocando o vermelho como cor principal. Para os detalhes, ficaram as cores também vibrantes amarelo e azul. Na manga há uma trombeta azul escura com o nome do time, diferente do logo que conhecemos hoje. A equipe quis inovar, sem esquecer as suas origens e, sobretudo, buscando nas suas antigas estrelas a inspiração para brilhar novamente na próxima temporada.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Minnesota Wild

    O Wild tem logo interessante. Se você olhar por alguns minutos, já começa a juntar as peças que lembram um animal feroz. Nele está representado o estado de Minnesota, seus rios, montanhas e a estrela do norte, que teve bastante evidência nessa coleção.

    O time escolheu homenagear outra equipe que já jogou em Minnesota: o Minnesota North Stars (transferido para Dallas em 1993). Em sua Reverse Retro, o Wild fez um bom trabalho modernizando seu passado. O tradicional o verde floresta e os detalhes em vermelho na jersey do time, deram espaço para cores claras e limpas para completar o jogo visual. Com listras nas laterais na cor amarela, verde em contraste do branco límpido, o logo foi centralizado e modificado pelas cores do time antecessor.

    Os fãs do “estado do hockey” abraçaram com graça sua antiga nova jersey e já se preparam para vesti-la na próxima temporada. 

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Nashville Predators

    Para os Predators, a Reverse Retro veio em amarelo e azul em memória da sua estreia na NHL em 1998. Na coleção da Adidas que valoriza tanto o passado como o futuro, eles misturam as cores e nos dão o logo ecundário do crânio com dentes de sabre.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Winnipeg Jets

    Os Jets buscaram sua inspiração em outro Winnipeg Jets, o time da cidade que estreou em 1972 na extinta World Hockey Association (WHA). Dessa forma, a franquia trouxe o antigo logo e cores de forma sutil, fazendo uma homenagem aos Jets originais.

    Assim, a nova jersey tem como cor predominante o cinza, com detalhes em azul marinho e braco. O logo segue o mesmo modelo usado pela equipe no Heritage Classic do ano passado, modificando apenas a paleta de cores. Questinou-se por que os Jets não se inspiraram no Atlanta Thrashers, time anterior a mesma franquia do hoje Winnipeg Jets. Porém, a equipe escolheu homenagear seu homônimo pelos anos de glória que o time teve na cidade ao ganhar três vezes a Taça AVCO.

    Além disso, na dança de cadeiras da NHL, o antigo Jets é hoje o Arizona Coyotes. Só podemos imaginar a confusão que seria se ambos os times escolhessem homenagear os Jets da WHA.

    Foto do Twitter oficial da NHL

    Texto sob supervisão da editora-chefe Juh Guedes.

    Foto: Reprodução/Instagram da NHL

  • Vegas Golden Knights e o primeiro round

    Vegas Golden Knights e o primeiro round

    O Vegas Golden Knights pode até ser um bebê na NHL em comparação com os outros times. Porém, tem mostrado que idade não é um problema e sido um grande rival no gelo. O time que estava jogando uma série contra o Chicago Blackhawks se classificou para o próximo round após cinco partidas contra a equipe veterana.

    Os Golden Knights, que participaram dos primeiros jogos pelo round robin, já mostraram sua força para os playoffs ao ganhar as três partidas contra o Dallas Stars, o St. Blues Louis e o Colorado Avalanche. Enquanto isso, os Hawks se classificaram após ganhar do Edmonton Oilers na fase dos qualifiers antes dos playoffs. 

    Com apenas um jogo indo para overtime e perdendo apenas mais um, o Vegas Golden Knights se tornou o primeiro time a se classificar para o próximo round, no qual enfrentam o Vancouver Canucks após o mesmo eliminar os Blues. 

    A série de Vegas

    O time de Vegas tem se mostrado completo, tanto na parte defensiva quanto no ataque o time tem bons jogadores que combinados mostram a sua força. No geral, o que o time mostra hoje é o que ele mostra durante a temporada regular. Com Reilly Smith, Jonathan Marchessault e Mark Stone combinados, o time marcou cinco gols e nove assistências somente nesta série. 

    No entanto, esses jogadores formam linhas com Paul Stastny, William Karlsson e Max Pacioretty, que juntos formam uma arma e tanto para os Knights. Isso porque, nos oitos jogos da pós-temporada, tiveram uma média de 62,11% de gols esperados no 5-on-5. O melhor da NHL até o momento. O time também conta com dois goleiros de elite, Marc-Andre Fleury e o recém-chegado Robin Lehner. O último foi o que mais jogou durante a pós-temporada conseguindo uma marca de 5-1-0 com uma média de 0,904 em defesas. 

    Por outro lado temos Fleury que jogou apenas dois jogos, um no round robin e o outro contra Chicago. Contudo, o veterano de Vegas é uma grande arma para o time. Ele fez um total de 26 defesass em 27 shoots, um percentual de 0,963. 

    A defesa também tem dado o que falar a estrela de Vegas, Shea Theodore. O jogador, que tem mostrado um grande potencial a cada nova temporada, foi uma das peças-chave para o time. Com Theodore no gelo, o time conseguiu marcar nove gols somente nessa série. Esse é o maior número do primeiro round, empatado com Joe Pavelski e John Klingberg, dos Stars. Suas habilidades combinadas com a de seu companheiro de linha Alec Martinez é o que têm dado grandes chances dos Knights marcarem.

    Próximo round

    Após ter começado as suas atividades na temporada 2017-18, o time se classificou para os playoffs, conquistou o título de campeão da conferência chegando à final e perdendo apenas para o Washington Capitals.

    Em sua segunda temporada, o time até chegou a se classificar para os playoffs. No entanto, foi eliminado após sete jogos pelo San Jose Sharks ainda no primeiro round. Durante a temporada regular deste ano o time ficou em primeiro lugar de sua divisão, com 39-24-8 em 71 jogos, classificou-se para os playoffs com 86 pontos, indo direto pelo round robin. Um time que mostra uma consistência em seus jogos tem feito excelentes combinações de linha dando um espaço para melhorar porém se mantendo firme em suas jogadas. 

    A equipe fez boas aquisições quando começou, e boa parte destes jogadores permanecem em Vegas. Alguns jogadores mais experientes ou até mesmo mais jovens e, portanto, ainda não mostrando seu potencial completo, foram as suas grandes armas e continua sendo. Jogadores como Theodore, que ainda não tinha participado de tantos jogos, ou Fleury que já não participa de tantas partidas como antigamente, viram-se numa nova chance de mostrar seu potencial. Assim, suas chances de continuar se classificando para as próximas séries é grande, devido ao aprimoramento de seus jogadores e até mesmo novas aquisições importantes. 

    O time de Vancouver também tem sido um forte rival, conseguindo eliminar o campeão do ano passado, a série que está por vir será bastante acirrada e provavelmente o time que ganhar terá que suar muito.

    Foto: Reprodução / nhl.com

  • A conquista da Stanley Cup pelo Chicago Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup pelo Chicago Blackhawks

    Seis temporadas. Foi este o tempo necessário que o Chicago Blackhawks levou para conquistar três Stanley Cups. Isso diz muito sobre o time que os Hawks construíram neste período: consistente, equilibrado e campeão.

    O ano de 2015 teve gosto agridoce para o time de Chicago. Foi a última taça, na década, conquistada pela equipe, mas que foi precedida de uma temporada espetacular e de superação.

    Essa edição do 10 for 10 nos coloca diretamente em 2015 para revisitar a conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    A temporada

    Na pré temporada de 2014-15, os Blackhawks contrataram um novo técnico assistente, Kevin Dineen, com intuito de reforçar a equipe técnica para nova temporada que já batia à porta. Dineen já havia sido colega de time do então head coach dos Hawks, Joel Quenneville, uma das peças essenciais na conquista das duas Stanley Cups anteriores. 

    A equipe estreou na temporada em 9 de outubro contra o Dallas Stars, na casa do oponente e Chicago saiu vitorioso do confronto, começando o ano em uma nota positiva. Posteriormente, o calendário seguiu em um bom ritmo para Chicago e, ao fim de 2014, a equipe possuía um recorde de 25-10-2, encontrando-se, desta forma, na zona de classificação para os playoffs.

    Apesar de estar em boa fase até o momento, o fim de 2014 trouxe notícias trágicas para os Blackhawks: o falecimento do equipment manager da equipe, Clint Reif. O fato abalou toda a equipe, já que Reif era alguém muito querido pela organização. O time acabou fazendo uma homenagem ao falecido funcionário em uma partida contra os Leafs, na qual os jogadores utilizaram as iniciais de Clint em seus capacetes, e a arena inteira fez um minuto de silêncio antes do jogo começar.

    Homenagem do Chicago Blackhawks à Clint Reif

    O ano de 2015 se iniciou para o time com a sua participação no Winter Classic. O jogo foi disputado contra os Capitals, em Washington, diante de um Nationals Park lotado. No entanto, o fim da partida não foi feliz para a equipe visitante, que acabou voltando para Chicago com uma derrota de 3 a 2.

    No restante do mês de janeiro e fevereiro, os Hawks não protagonizam as melhores performances da temporada, e, desta forma, acabam somando muitas derrotas. Porém, em Março, as coisas acabam por se equilibrar, e durante todo o mês, a equipe acabou perdendo apenas 3 jogos. 

    Infelizmente, um mês e alguns dias após a morte de Reif, Chicago recebeu outra notícia fatídica. Steve Montador, ex-jogador da equipe na temporada 2011-12, também veio a falecer, na metade de fevereiro. O jogador era especialmente próximo de Daniel Carcillo, que ainda jogava pelos Hawks naquele ano. Posteriormente, o cérebro do ex-jogador foi estudado e, em suma, descobriu-se que este sofria de CTE, Encefalopatia Traumática Crônica. A doença foi causada pelas fortes concussões que o atleta sofreu durante a carreira, e sua morte abalou a comunidade do hockey. 

    Finalmente, a temporada regular chegou ao fim para o Chicago em 11 de abril de 2015, com uma partida contra o Colorado Avalanche. O time, por fim, finalizou o ano com uma campanha de 48-28-6, ocupando o terceiro lugar na Divisão Central e o quarto na Conferência Oeste, com 102 pontos. Assim, na sétima posição overall da Liga, os Blackhawks partiram para os playoffs e as expectativas eram altas.

    Os Playoffs

    Se formos falar de times que conhecem muito bem os playoffs e a sua dinâmica, esse time é Chicago, principalmente na última década. Após o dois campeonatos conquistados anteriormente, e passando perto em outros anos, os Hawks iniciam sua jornada até a Stanley Cup confiantes de seu potencial, levando este como combustível durante sua estadia na pós-temporada. 

    O primeiro adversário da equipe foi o Nashville Predators. Este que também vinha de uma grande temporada regular, tendo finalizado esta uma posição acima dos Hawks na Divisão Central.

    Chicago ganhou a primeira partida, disputada na casa do adversário, porém perdeu o segundo confronto, também em Nashville. A equipe então voltou para casa, disputando os dois jogos seguintes no United Center e levando a vitória nos dois confrontos. Se vencesse o jogo 5, os Blackhawks passariam diretamente para o segundo round dos playoffs. No entanto, Nashville venceu a quinta partida, levando a série para um jogo seis. Por fim, Chicago saiu vitorioso no sexto confrontro e se classificou para a segunda etapa da competição.

    Desta vez, o oponente era o Minnesota Wild. De todos os confrontos, este foi o que o time menos encontrou resistência. A equipe venceu as duas primeiras partidas diante de sua torcida e, seguidamente, as outras duas disputadas na casa do Minnesota. Após quatro vitórias seguidas, os Blackhawks, por fim, avançaram para as Finais de Conferência. 

    Uma rodada e o Anaheim Ducks. Era apenas isso que separava o Chicago da Final da Stanley Cup. Talvez, esta tenha sido a etapa em que a equipe mais encontrou dificuldades, precisando de todos os sete jogos contra o time de Anaheim. Durante o primeiro jogo do round, os Hawks perderam na casa dos seus adversários. Porém, garantiram uma vitória na segunda partida, deixando assim a série equilibrada. Seguidamente, nos Jogos 3 e 4, Chicago voltou para a casa, novamente perdendo uma partida e vencendo a outra. Com a etapa empatada, os times voltaram para Anaheim, onde os Ducks acabam levando a melhor. Mas, ao vencer o Jogo 6, os Blackhawks forçaram uma sétima partida, e, diante dos fãs do seu oponente, a equipe venceu, encaminhando-se por fim para a Final da Stanley Cup. 

    O destino final do time de Chicago era o confronto contra o Tampa Bay Lightning. Apesar de ter vencido o primeiro confronto, os Hawks acabaram perdendo os dois jogos seguintes, sendo um deles em casa. No entanto, a equipe volta a vencer o Jogo 4 e, em seguida, o Jogo 5. Desta forma, com três vitórias contra duas de Tampa Bay, caso o time vencesse a sexta partida, se consagraria, então, o campeão da Stanley Cup. 

    Blackhawks campeão

    Felizmente para o time da casa, o Jogo 6 aconteceu em Chicago. Aqui, a única coisa que mantia os Hawks longe da Stanley Cup era apenas uma vitória contra Tampa Bay.

    A equipe começou bem. Apesar de nenhum dos times ter marcado no primeiro período da partida, foi a equipe da casa quem deu o pontapé inicial, abrindo o placar com um gol de Duncan Keith. É apenas com este gol que a partida se mantém durante o terceiro período. Por um tempo.

    Aos 14:46 da última etapa do jogo, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede, aumentando mais ainda a vantagem dos Blackhawks. Nos minutos que se seguiram ao fim do jogo, a equipe da casa continuou segurando o placar. 

    Quando a sirene final soou, com o placar de 2 a 0 sobre o Tampa Bay Lightning, e diante de um United Center lotado de torcedores eufóricos, o Chicago Blackhawks foi coroado o campeão da Stanley Cup da temporada 2014-15. 

    Jonathan Toews levantou a Stanley Cup pela terceira vez em cinco anos mas, desta vez, com um gosto especial para o time: das três conquistas, esta foi a primeira em que o capitão ergueu o troféu diante da própria torcida do Chicago Blackhawks. Após a partida, Duncan Keith acabou faturando o Conn Smythe Trophy, eleito o jogador mais valioso (MVP) dos playoffs.

    Além da festa no United Center, o time comemorou com um desfile, que lotou as ruas de Chicago das cores e de torcedores do time, e contou com cerca de 2 milhões de pessoas que comemoraram a conquista junto aos jogadores. 

    2015 marcou o fim de um ciclo para o Chicago. A conquista de três troféus em cinco anos acaba falando muito sobre como a equipe se construiu e reconstruiu neste período, e o porquê levou, merecidamente, o título de melhor equipe da década passada.

    Os Blackhawks não foram perfeitos em boa parte destas temporadas, mas não existe espaço para perfeição completa nos esportes. Há erros e acertos. Às vezes mais uns do que outros. Mas, acima de tudo, existe muito trabalho árduo – o suficiente para que três campeonatos fossem conquistados por Chicago em seis anos, e isso ninguém nunca poderá tirar do time, porque ficou marcado na história. 

    Os últimos anos não têm sido fáceis para os Hawks, e o time tem passado por uma fase de transição. Portanto, como bons fãs do esporte, que possamos lembrar e apreciar essas conquistas e, desta forma, torcer para que, num futuro não muito distante, os Blackhawks voltem a repetir os mesmo êxitos da última década. 

  • A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    A conquista da Stanley Cup em 2013 pelos Blackhawks

    Três temporadas. Esse foi o tempo necessário para o Chicago Blackhawks conquistar duas Stanley Cups. O time, que foi vencedor da taça em 2010, provou que o sucesso da equipe ainda estava intacto quando levantou a cup pela 5ª vez após mais uma grande temporada.

    E grandes temporadas, repletas de grandes vitórias, merecem ser revisitadas. Por isso, em mais um texto do especial “10 for 10”, nós damos início ao ano de 2013 relembrando os melhores momentos da conquista da Stanley Cup pelos Blackhawks.

    O caminho até os playoffs

    Os Blackhawks, assim como os demais times da NHL, não iniciaram a temporada 2012/13 da melhor maneira. Isso porque, ainda durante a pré temporada, a season foi cancelada devido ao lockout. Este que teve início em Setembro de 2012 e se prolongou até Janeiro de 2013. Desta forma, a temporada, que tinha 82 jogos marcados no calendário, foi reduzida a 48 partidas.

    A season foi limitada a apenas jogos de conferência e divisão. Por fim, os Hawks não jogaram com nenhum time da Conferência Leste. Ou seja, durante a temporada regular, o time apenas jogou contra equipes da Conferência Oeste (da qual faz parte). A equipe disputou 3 jogos contra times que não pertenciam a sua divisão (Central). Porém, contra a Divisão Central, os Hawks acabaram por disputar mais partidas. Foram 4 jogos contra os Red Wings e Blue Jackets, e mais 5 contra os Predators e Blues.

    Em janeiro, quando a temporada teve seu start, o time fez uma de suas melhores estréias na NHL em anos. Se mantiveram invictos por 24 jogos, perdendo apenas em SO em 3 destas partidas. No início de março, a equipe havia se tornado um dos melhores times da temporada. Liderava as tabelas e contava com um elenco de jogadores que foram protagonistas de grandes partidas ao longo de toda a temporada.

    Por fim, a season é foi finalizada em 31 de março de 2013. Os Blackhawks terminaram a temporada com record de 36-7-5, sendo este um dos melhores da temporada 2012/13. A equipe liderou a Divisão Central e a Conferência Oeste com 77 pontos. A última, portanto, resultando na conquista do Presidents’ Trophy, por ter sido o time que mais pontuou durante a temporada.

    Assim, os Hawks garantem sua passagem aos playoffs, levando na mala o brinde de serem um dos favoritos à taça.

    Os playoffs

    Era a quinta vez consecutiva que o time se classificava para os playoffs. E por serem vencedores do Presidents Trophy, a equipe tinha, portanto, a vantagem do home-ice. E o primeiro adversário do time na pós-temporada foi o Minnesota Wild. O Chicago venceu os dois primeiros jogos em casa, no United Center. No entanto, acaba perdendo o jogo 3 no Xcel Energy Center, casa do seu oponente. O Chicago volta a vencer o 4º jogo também em Minnesota, e ao levar a vitória no jogo 5, acabam se classificando para a próxima etapa.

    Enfrentar os Red Wings no 2º round não foi uma tarefa fácil. O Hawks venceu o primeiro jogo em casa, mas acabou perdendo os outros três que se seguiram. Destas derrotas, uma delas foi em casa, e as outras duas foram na Joe Louis Arena, lar do Detroit. Assim, o Chicago precisaria vencer o jogo 4 para avançar o round para uma 5ª partida. E foi o que aconteceu. O time volta para casa e vence o jogo 5 diante de seus torcedores, e em Detroit, conquista a vitória  do jogo 6. Por fim, disputando o jogo 7 no United Center, os Hawks levam a melhor e avançam para a tão esperada Conferência Final.

    Aqui, o adversário era o L.A. Kings. Novamente, os Hawks levam a vitória nos dois primeiros jogos, disputados em casa. Perdem a próxima partida, mas acabam vencendo o jogo 4. Na 5ª partida, que acabou indo para OT, Patrick Kane coloca o puck no fundo da rede e finaliza o jogo, garantindo assim a vitória dos Hawks e uma passagem para o último round.

    Finais da Stanley Cup. O último adversário dos Hawks era o Boston Bruins. O time, que vinha de um 4º lugar na Conferência Leste, também seria um oponente de peso para o Chicago. Ainda sim, conseguiram conquistar uma vitória por 4 a 3 sobre os Bruins no primeiro jogo do round. No entanto, acabaram derrotados pelo time de Boston nos próximos dois jogos. Na 4ª partida, o time se recupera e as coisas só melhoram.

    Chicago Blackhawks campeão

    Apesar da vitória no jogo 4 e 5, uma 6ª partida precisou ser disputada. Isso porque, caso o Boston vencesse o jogo 6, o round seria empatado, e o round avançaria para um jogo 7. Ou seja, nada era garantido, e o Chicago precisava, portanto, da vitória no 6º jogo para levar o campeonato.

    A sexta, e que viria a ser a última, partida, foi disputada na casa dos Bruins, o TD Garden, diante da maioria dos torcedores do Boston. Com um gol dos Bruins no primeiro período, e um dos Hawks no segundo, a partida reinicia empatada no terceiro.

    Todavia, ao fim do último período, após gols de ambos os times, a partida empata novamente. Qualquer um dos times poderia sair do gelo campeão. No entanto, quem leva a melhor é o Chicago, quando Dave Bolland coloca o puck no fundo da rede e, assim, aumenta a vantagem dos Hawks.

    O apito final é soado. E após uma das temporadas mais intensas dos últimos anos da NHL, o Chicago Blackhawks se torna o campeão da Stanley Cup 2013. O segundo título do time na década, mas a 5ª vez em que tem seu nome marcado na taça em toda a sua história. 

    O time se tornou a 8ª equipe da NHL a vencer o Presidents Trophy e a Stanley Cup na mesma temporada. Após uma grande temporada, Patrick Kane acaba levando o troféu  Conn Smythe Trophy como o MVP (Most Valuable Player) dos playoffs. Assim, ele se torna o primeiro forward estadunidense a levar o troféu. A vitória também fez Joel Quenneville se tornasse o único técnico ativo na NHL a conquistar duas Stanley Cups. 

    Após a entrega da taça em Boston, o time volta para Chicago, onde celebra, junto de seus torcedores, a vitória do campeonato em uma Parade que lotou as ruas da cidade das cores do time. 

    Um ótimo início de década para o Chicago, ninguém pode negar. As coisas voltam a ficar mais interessantes na temporada 2014/15, mas isso é história para outro texto.

  • Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Jogos da NHL tem primeiras transmissões por equipes femininas

    Antes da Liga ser suspensa por causa do Coronavirus, tivemos um dos eventos mais legais da temporada. Isso porque o dia internacional da mulher foi cheio de surpresas na NHL. A Liga transmitiu pela primeira vez dois jogos compostos apenas por equipes femininas. Do broadcast ao controle de câmeras, foram elas quem dominaram a noite. 

    No entanto, elas não só dominaram como também fizeram história no esporte. Sendo assim, resaltamos ambas as transmissões e explicar a importância destes eventos para a inclusão das mulheres no mundo esportivo. 

    As mulheres assumem o controle

    No dia 16 de fevereiro, a NBC anunciou através de um comunicado oficial que, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, iria recrutar apenas mulheres para transmitir e produzir o jogo entre Chicago Blackhawks e St. Louis Blues. 

    A partida ocorreu no domingo (8). Estúdio, sidelines e backstage, por fim, ficaram pequenos diante de tamanho talento. A equipe foi composta por Kathryn Tappen (apresentadora no estúdio), Jen Botterill (âncora no estúdio), Kate Scott (play-by-play), Kendall Coyne (analista do jogo no gelo) e AJ Mleczko (analista da partida). A produção do jogo também contou com Rene Hatlelid (produtora) e Lisa Seltzer (diretora). 

    Ao longo da transmissão da partida, diversas mulheres que deixaram sua marca no esporte foram homenageadas. A intenção da NBC com o evento é tentar cada vez mais “inspirar as futuras gerações de mulheres a se destacarem no gelo e nos bastidores”. 

    Todavia, apesar de estarem participando da primeira transmissão apenas com mulheres, algumas destas profissionais já são conhecidas por seu trabalho no mundo do hockey. A apresentadora Kathryn Tappen é um exemplo, tendo transmitido diversos jogos da NHL nos estúdios da NBC. A jornalista afirmou ao próprio site que, embora já tenha participado do broadcast de diversos jogos, nunca teve a oportunidade de fazer parte de uma equipe que contasse apenas com o público feminino. 

    “Transmito (jogos) há 17 anos, mas a primeira transmissão que fiz com uma produtora foi apenas há dois anos atrás. O fato de celebrarmos o Dia Internacional da Mulher com uma equipe feminina de transmissão e produção me diz até onde chegamos em um tempo muito curto. Esperamos que nossa transmissão ajude a inspirar as jovens que assistem a seguir seus sonhos, porque provamos que tudo é possível e tenho orgulho de fazer parte disso.”

    Kathryn Tappen para o site da NBC. 

    No entanto, a NBC não foi a única a dar o controle do espaço para as mulheres no dia oito. A Sportsnet, por fim, também resolveu aderir a ideia e teve o jogo do Calgary Flames e Vegas Golden Nights também produzido e transmitido por uma equipe formada por apenas mulheres. Equipe esta composta por Christine Simpson (apresentadora), Leah Hextall (play-by-play), e Cassie Campbell-Pascall (analista do jogo) e o restante do time que faz tudo acontecer atrás das câmeras. 

    Os comentários em relação a transmissão

    Apesar de diversas pessoas na comunidade do hockey acharem a ideia de um broadcast feminino mais do que bem vindo, muitas pessoas ainda sim se mostraram contrárias a participação das mulheres nas transmissões do dia oito. Diversos comentários sexistas foram profanados nas postagens das emissoras sobre o evento nas redes sociais, sendo estes críticas nada construtivas em relação ao trabalho impecável feito pelas mulheres.

    Porém, apesar dos comentários negativos e ofensivos, diversos profissionais da área vieram a público defender a iniciativa das emissoras. Seguidamente, muitos destes, inclusive as próprias profissionais envolvidas nas transmissões, ressaltaram a importância de eventos como este em um esporte como o hockey.

    AJ Mleczko, que foi a analista de jogo da partida entre Blackhawks e Blues, fez questão de ressaltar para o site da NHL a necessidade de ver as mulheres ocuparem espaços no esporte e a partir daí, novas portas possam se abrir.

    “É significativo por causa da visibilidade que fornece. Para as pessoas sentadas em casa assistindo nós três aqui, e [Tappen] e [Botterill] no estúdio, vendo mulheres falando sobre hockey do jeito que falamos – estamos muito preparadas e educadas neste jogo – […]. Para quem está sentado em casa [assistindo], meninos, meninas, homens, mulheres, saindo da faculdade, seja o que for, permite que eles entendam que há mais oportunidades. Talvez eles optem por não seguir esse caminho, mas a mídia está aberta a homens, mulheres, qualquer pessoa e a visibilidade é a maior parte.”

    Mleczko para a NHL.

    Linda Cohn, jornalista da ESPN, também veio, em meio de suas mídias sociais, explanar sua felicidade ao ver as mulheres tendo oportunidades como estas no mundo esportivo. Todavia, ressalta também que não deveria ser algo que venha a acontecer apenas uma vez ao ano. 

    Seguidamente, em uma das páginas da NBC Sports, Laura Oakmin (apresentadora da NFL na Fox) também veio a público falar sobre o quão importante era ver mulheres quebrando barreiras. Principalmente no mundo dos esportes, que ainda é bastante hostil com o público feminino. 

    Após os jogos, Kendall Coyne, que também participou da transmissão feita pela NBC. A jogadora disse que se sentia honrada em fazer parte de uma equipe cheia de profissionais tão talentosas. 

    Por último, Mark Lazerus, correspondente dos Blackhawks no The Athletic, apontou o outro lado da história. Sendo homem e jornalista, viu a transmissão dos jogos com outra perspectiva. Para ele, este tipo de ação representa uma nova porta de oportunidades aberta para as meninas da nova geração no mundo do hockey. 

    Todos os dias, diversas mulheres no mundo do esporte sofrem assédio durante o exercício da profissão, questionando o trabalho delas apenas pelo seu gênero. Dentre estes comentários de mau gosto, existem diversos questionamentos sobre quais seriam as motivações por elas estarem ali, mas não levam em consideração que a profissional está ali pelo esporte.

    Geralmente, os comentários nas redes sociais questionam se, este interesse seria de fato é pelo esporte ou teria outra motivação por trás. Isso porque, aparentemente, a nossa sociedade machista persiste na ideia de que mulheres ainda são as vilãs e estão em busca de relacionamentos do qual podem tirar vantagens. 

    Mas esta ideia da Idade Média não cabe mais ao século 21. Cada vez mais as mulheres vem conquistando o seu espaço em cargos de grande importância em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, eventos como estes são necessários em mais do que apenas um dia do ano. 

    A presença de mais mulheres no mundo esportivo é essencial para uma maior equidade de gêneros dentro e fora das arenas. O trabalho destas jornalistas cada vez mais estão em destaque e se incomoda tanta gente assim, é porque elas estão fazendo o trabalho direito. E, ao contrário do que estes comentários maldosos dizem, a motivação dessas profissionais é de cobrir o hockey da melhor forma possível, levando informações corretas e de boa qualidade para os fãs do esporte. 

    Portanto, está na hora de cada vez mais mulheres estarem a frente de transmissões esportivas, reportagens, entrevistas, podcasts  e demais cargos no mundo do esporte.

    Foto: Reprodução/nhl.com