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  • A saga New York Rangers vs. Washington Capitals

    A saga New York Rangers vs. Washington Capitals

    Quarta-feira passada (05) tivemos mais um jogo entre New York Rangers e Washington Capitals nesta temporada regular da NHL, porém não foi uma partida comum. Devido aos últimos acontecimentos, a expectativa para este jogo era alta, e o que ocorreu assim que o primeiro puck foi ao gelo não surpreendeu ninguém.

    Com um segundo de jogo, três brigas se iniciaram com a linha principal dos dois times. Então, outra luta estourou quando o ala direito do Capitals, Tom Wilson, atingiu o gelo com o defensor do Rangers, Brendan Smith, indo direto atrás dele.

    Esses confrontos entre os Rangers e os Capitals foram resultado do jogo de segunda-feira (03) à noite. Isso porque uma briga começou quando o atacante Pavel Buchnevich teve uma chance de marcar na frente do goleiro dos Capitals, Vitek Vanecek. Buchnevich acabou caindo após o fim da jogada, e Wilson deu um soco em sua nuca enquanto ele estava no gelo.

    O atacante dos Rangers, Ryan Strome, conseguiu tirar Wilson de Buchnevich, e então Artemi Panarin se envolveu e pulou nas costas de Wilson para tentar defender seus companheiros. Wilson puxou a estrela de Nova York para o gelo e começou a socar Panarin quando ele tentou se levantar.

    Panarin acabou recebendo uma penalidade de dois minutos por violência. Enquanto isso, Wilson conseguiu retornar e marcar um gol no terceiro período para o Washington, que venceu a partida por 6-3.

    Após o jogo, Wilson recebeu uma multa de 5 mil dólares, valor máximo permitido pelo Acordo Coletivo de Trabalho (CBA). A NHL especificou que a multa é por Wilson socar um Buchnevich indefeso – não por jogar Panarin no gelo.

    Os Rangers ficaram furiosos com a indulgência da punição da NHL para Wilson, que tem um extenso histórico de suspensões por incidentes no gelo. Nova York emitiu uma declaração com palavras fortes na terça-feira (04), chamando as ações de Wilson de “perigosas e imprudentes”, enquanto também acusava diretamente o Chefe do Departamento de Segurança do Jogador da NHL, George Parros, de “abandono do dever” e de ser “incapaz de continuar em sua função atual.”

    Problemas para os Rangers

    Com toda a confusão desta última semana, os Rangers saíram no prejuízo.

    Após a briga de segunda-feira (03), Artemi Panarin está fora do restante da temporada, com uma lesão na parte inferior do corpo.

    Como se isso já não fosse uma notícia ruim o suficiente, na tarde de quarta-feira (05), a franquia anunciou de forma impressionante que o GM Jeff Gorton e o presidente da equipe John Davidson haviam sido demitidos. Em seguida, o GM associado Chris Drury foi promovido aos dois novos cargos da equipe.

    Além disso, o time foi multado em 250 mil dólares pela NHL por comentários sobre George Parros na nota emitida na quinta. Isso é 50 vezes mais do que a punição de Tom Wilson por suas ações.

    “Comentários públicos sobre a natureza emitidos pelos Rangers que eram de natureza pessoal e degradantes de um executivo da liga não serão tolerados,” disse o comissário da NHL Gary Bettman. “Embora não esperemos que nossos clubes concordem com todas as decisões proferidas pelo Departamento de Segurança do Jogador, a extensão em que os Rangers expressaram sua discordância foi inaceitável.

    Volta emotiva com direito a hat-trick de T.J. Oshie

    Em meio a toda esta confusão, um jogador que se destacou ficando de fora de todas as brigas foi T.J. Oshie, que não estava presenta na partida de segunda-feira (quando toda a confusão aconteceu), pois seu pai veio a falecer depois de uma batalha contra o Alzheimer.

    No jogo de quarta, o ala estava inspirado e teve um desempenho emocionante, o que resultou em três gols para o time dos Capitals, dando-lhes a vitória por 4-2.

    “É uma noite tão emocionante para T.J.”, disse o atacante de Washington, Nic Dowd. “Ele tem sido um excelente líder para a nossa equipe.”

    “Passar pelo que ele passou e querer estar de volta aqui, ficar com seus companheiros de equipe e jogar, e jogar um jogo para o Treinador, e o jogo que ele jogou, excelente,” disse o técnico dos Caps Peter Laviolette, referindo-se a Oshie e seu pai , que atendia pelo apelido de “Treinador”. “Isso diz muito sobre ele e o que ele significa para esta equipe.”

    A vitória colocou Oshie e os Capitals em um empate pelo primeiro lugar com um despreocupado Philadelphia Pittsburgh na Divisão Leste. Washington, que já garantiu uma vaga para os playoffs, termina a temporada regular na próxima terça-feira, contra o Boston Bruins.

    Quanto aos Rangers, que foram eliminados da disputa pelos playoffs no início da semana, ficaram com mais perguntas do que respostas. A derrota foi a quarta consecutiva e aconteceu horas depois de todas as mudanças internas. 

    Foi uma semana bem agitada tanto para os Capitals quanto para os Rangers. Vamos nos preparar que logo os playoffs estão aí e poderemos acompanhar os próximos acontecimentos envolvendo Tom Wilson.

    Foto: Reprodução/NBCSports.com

  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 3

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 2)

    Você tem alguma lembrança da Stanley Cup de 2002?

    Sim, na verdade eu tenho uma lembrança ótima. Eu me lembro quando eles ganharam, minha mãe me levou até o gelo e ela me pôs nos braços do meu pai e ele ficou me segurando. Eu tinha talvez três, quatro anos. Eu lembro que era tão, tão barulhento. Muitas pessoas, muitas luzes, confete por toda parte. E eu era essa criancinha que estava apavorada, eu só queria ir para casa naquele momento. Você consegue até ver na foto da Stanley Cup em que meu pai está me segurando, todo mundo está sorrindo e eu lá com a cara fechada pensando “onde está minha mamãe, eu quero ir para casa.” Isso é basicamente o que eu lembro daquela Stanley Cup. Mas olhando para trás, quão legal é que eu posso relembrar e me ver numa capa da Sports Illustrated com os Red Wings e a Stanley Cup? É uma daquelas coisas que você não dá muito valor quando é mais novo, mas sinceramente vendo agora, é tão legal que eu tive a chance de fazer aquilo. E poucas pessoas podem dizer que eles estiveram na capa de uma revista Sports Illustrated. Então para mim, essa é uma experiência bacana. Até hoje eu às vezes toco no assunto para me gabar um pouco. (risos) Mas é muito legal porque, olhando agora, era um time tão talentoso, os Red Wings de 2002. Eu acho que eles tinham uns 12 ou 13 Hall of Famers e eu estava literalmente no gelo com todos eles enquanto comemoravam uma taça, e isso é algo que milhões provavelmente já desejaram ter a oportunidade de fazer e eu fui sortudo o suficiente para estar lá. Então é algo super especial.

    Ter esse tipo de coisa num álbum de família é realmente incrível.

    Tem literalmente fotos minhas e do meu pai no gelo com a Stanley Cup em nossos álbuns de família. Eu, na verdade, tenho várias fotos. Quando eles venceram em 1998, meu pai pediu para o dia dele (com a taça) ser perto do final do verão porque eu ia nascer em torno de agosto, setembro. Então quando ele pegou a taça, eu tinha talvez duas semanas de vida. Tem fotos minhas dormindo dentro da Stanley Cup, fazendo todas essas coisas. E aí com a taça de 2002, tem fotos minhas comendo cereais de dentro da taça, e eu tomei banho com ela, fui na piscina com ela. Tem várias fotos muito, muito legais daquela época.

    Você nasceu em um mundo em que seu pai já havia conquistado tanto, e se tornado uma superestrela do hockey. Como foi para você lidar com a pressão e inevitáveis comparações entre você e ele, não apenas no esporte mas também na mídia, tentando ganhar seu próprio reconhecimento enquanto literalmente carregava o nome dele ao mesmo tempo?

    Não é tão fácil. Na minha infância, era algo que realmente me incomodava muitas vezes. Eu nunca sabia, naquela época, se alguém na escola queria ser meu amigo porque eles queriam passar tempo comigo ou porque queriam ingressos ou algo do tipo. Então isso sempre me deixou alerta, mesmo quando criança, sabendo que para confiar de fato em alguém, primeiro eu tinha que conhecê-los de verdade antes de deixá-los entrar em minha vida. Isso é algo que eu de certa forma ainda carrego comigo. Eu sempre tenho um resguardo quando conheço alguém porque não tenho certeza de quais são suas verdadeiras intenções. Enquanto que a maioria das crianças, quando conhecem alguém, começam a conversar na escola e automaticamente se tornam amigos. Mas para mim, era sempre “será que eles querem ser meus amigos ou querem ir em casa ver a Stanley Cup, ou o anel de campeão?” Então isso sempre foi um pouco estranho.

    Aí, quando eu comecei a jogar hockey juvenil, muitas crianças me faziam de alvo por causa do meu sobrenome, eles jogavam um pouco mais sujo, um golpe baixo aqui ou ali. E sempre que eu jogava, tinha um público porque todo mundo estava assistindo ao “filho do cara no Hall da Fama.” Vamos imaginar que tem um torneio com quatro rinques e começam a espalhar que o filho de um Hall of Famer está jogando, eles vão todos assistir àquilo. Felizmente, enquanto eu crescia, eu era sempre um dos maiores pontuadores em um dos melhores times na América do Norte, então era legal e eu aproveitava que tinha alguns olhos a mais virados para mim. Mas quando eu jogava mal, realmente me afetava bastante e, ao longo dos anos, houveram muitas vezes, depois dos jogos, lágrimas na volta para casa porque eu sabia que muitas pessoas estavam me assistindo e eu as decepcionei. E era difícil lidar com aquilo, mas pensando onde estou agora, eu não vejo mais tanto essa pressão.

    Porque se você pensar sobre isso, eu não acho que tenha alguém na história do hockey que ganhou ao todo mais troféus que meu pai ganhou. Ele é como o Dani Alves do hockey no quesito de quantos troféus ele ganhou. Então mesmo se eu fosse ganhar praticamente tudo, eu provavelmente ainda nunca seria capaz de chegar naquele nível, só pela quantidade de troféus que ele ganhou. E está tudo bem. Quer dizer, eu posso ter uma carreira fantástica, eu posso ganhar uma Stanley Cup, uma medalha de ouro nas Olimpíadas, e três Mundiais, e eu ainda não vou ter a carreira que ele teve, mas vencer todas essas coisas ainda é uma carreira tremenda, o que eu acho ótimo. Tem tantos caras que nunca ganham nada disso, mas ainda assim têm grandes carreiras. Quer dizer, obviamente, eu quero ganhar todas essas coisas e eu quero vencê-lo de certa forma. (risos) Mas sendo realista, eu não acho que ninguém nunca vai vencer tantos troféus quanto ele venceu ao longo de sua carreira. Três Stanley Cups, três medalhas olímpicas, cinco Mundiais, seis campeonatos europeus, uma Copa do Mundo, isso é absurdo. Como você tem tempo de ganhar tudo isso? Porque essa é a pergunta que nós deveríamos fazer.

    Eu só sei que eu posso jogar do meu jeito e ter uma grande carreira sem nunca conquistar nada daquilo. Porque eu sei que se eu tiver uma grande carreira, e se eu realizar o que eu quero realizar, e jogar no nível que eu sei que consigo jogar, eu terei uma grande carreira, mesmo que eu não ganhe, sabe, 27 troféus ou algo parecido, o que é uma marca bem alta de se alcançar. Eu estou totalmente bem sendo quem eu sou e jogando no melhor das minhas habilidades e sabendo que se eu atingir o melhor do que eu sou capaz, eu vou ter uma carreira que muitos só podem sonhar em ter, então estou completamente satisfeito com isso.

    Vocês chegam a falar sobre isso, seu pai e você?

    A gente não fala muito sobre as conquistas dele versus qualquer coisa do tipo. Falamos principalmente dele dando dicas, conselhos, apoio, todas essas coisas. Foi até engraçado, a única vez que meio que nos comparamos foi que o primeiro jogo dele na liga russa e o meu primeiro jogo na liga russa foram ambos contra o Spartak Moscow. Então isso foi legal, porque acho que com 40 anos de diferença, o primeiro jogo dele foi contra o Spartak, 40 anos depois o meu primeiro jogo foi contra o Spartak. E eu acho que ele teve (um plus-minus de) -3 em seu primeiro jogo, e eu tive algo como +1, eu não marquei nenhum ponto. Então eu tive direito a me gabar ali porque a minha estreia foi melhor. Mas, no geral, (ele só me dá) dicas. Ele me ajuda, mostrando clipes, mandando capítulos de livros, artigos. Ele é um grande fã de futebol europeu então ele me manda vários artigos sobre diferentes jogadores, sobre sua formação, sobre como eles treinam, seu trabalho. Então eu leio muito isso, o que ele me manda, e principalmente é tão valioso quando nos encontramos e assistimos a um jogo na TV, e ele aponta “esse cara está fazendo isso; quando você pega o disco nessa situação, você pode usar o mesmo movimento, mas você também pode mudar um pouco.” Coisas desse tipo que, é incrível, na minha opinião, ter a oportunidade de falar com alguém assim e aprender enquanto vocês estão sentados no sofá e vendo um jogo de hockey. Eu acho que é uma experiência tão valiosa para mim e eu sempre aproveito quando temos a chance de fazer isso. (É) inacreditável poder sentar com uma das maiores lendas do mundo e só assistir a um jogo e literalmente tê-lo apontando tudo para você. Eu acho que isso é muito legal.

    Qual sua memória favorita relacionada ao hockey?

    Minha lembrança favorita de hockey é quando jogamos contra o SKA nessa última temporada. Era o meu ex-time, eu fiz parte do sistema deles, eles me desenvolveram um pouco e eu saí de lá. Daí eu assinei com o Kunlun e imediatamente sabia que eu queria jogar contra eles porque as coisas não deram muito certo como eu queria lá, a relação era meio difícil. Logo quando eu descobri que tinha um jogo contra eles em São Petersburgo, eu circulei a data no meu calendário. (O Kunlun) nunca tinha vencido o SKA antes e eu sabia que aquele seria o jogo em que íamos vencê-los. Eu me lembro que eles não tinham muitas restrições, então era praticamente uma plateia lotada, e nós acabamos vencendo por 2-1 e eu dei assistência ao gol da vitória. E aquela foi a experiência mais inacreditável. Foi um jogo tão divertido, e um jeito tão legal de acabar. E depois, nós fomos entrevistados para a TV local e foi uma experiência muito legal. Literalmente foi como quando você sonha fazer algo, como um sonho de jogar na NHL ou algo assim. E foi como uma experiência de NHL. Plateia cheia, arena grande, muita energia, grande jogo, bons jogadores, coletiva de imprensa pós-jogo. Tudo aquilo parecia tão real. De volta ao hotel, tinha um filé enorme te esperando no quarto. Tudo foi muito, muito real e inacreditável. É um daqueles sentimentos de que aquele dia é literalmente como você se sente todo dia na NHL. E depois de experimentar aquilo, é como um vício, você quer sentir mais e mais daquilo. É tão inacreditável. Eu só quero sentir aquilo de novo e de novo e de novo. Eu posso falar disso o dia inteiro. Especialmente (jogando) fora de casa, em que você faz um ponto, uma assistência ou um gol, e a torcida inteira começa a te vaiar, fica um silêncio e é a melhor sensação, eu acho.

    Você uma vez publicou em um tweet que, quando criança, tinha medo do telão da arena cair em cima de seu pai. Quais outros medos irracionais ou coisas engraçadas você se lembra de ter naquela época, assistindo ao seu pai jogar quando você era criança?

    Aquele era provavelmente um dos maiores (medos) porque eu vi aquela foto do telão que caiu em Buffalo e para mim era tipo, aquele é o trabalho do meu pai. É onde ele trabalha, é o escritório dele, sabe? E eu pensava “como ele vai conseguir jogar? Será que vai cair em cima dele?” Mas quanto a outros medos, eu realmente não tinha muitos. Na verdade, eu tive um medo. No meu primeiro jogo de hockey, eu não entrei no gelo. Eu não joguei porque fiquei com medo do árbitro. Eu tinha três anos e eu vi aquele homem (com o uniforme) listrado e fiquei apavorado, e eu não joguei aquele jogo. (risos) Eu falei para a minha mãe e meu pai “eu não vou jogar,” e eles me levaram para casa. Foi provavelmente uma coisa que aconteceu uma vez e nunca mais. Mas algo que era meio irracional, todos os companheiros de equipe do meu pai, que era essas superestrelas, do Hall da Fama, e para mim, eles eram só os amigos do meu pai. Eu não os via como superestrelas ou lendas ou nada do tipo. Eles eram só “o tio Stevie,” Steve Yzerman, ou Pavel Datsyuk, praticamente um primo ou algo assim. Pequenas coisas peculiares do gênero, em que a maioria das pessoas estaria se matando para conseguir um autógrafo, mas para mim, era só o amigo esquisito do meu pai que trabalha com ele e que sempre vinha visitar com uma cerveja, então era engraçado. Olhando para trás, é bem engraçado que aquelas pessoas eram só caras normais para mim, enquanto para outras muitas eles são ídolos ou seus heróis.

    Agora que entramos no assunto da NHL, o quanto você acompanha a liga? Você tem um time favorito? E quanto a outros esportes?

    No quesito hockey, eu não tenho um time favorito mesmo. Eu assisto aos jogos, não assisto a muitos. Eu gosto de ver clipes de jogadores, jogadores que eu quero emular e jogadores que cujos movimentos eu quero roubar um pouco. Eu assisto a muitos highlights dos melhores jogadores, vejo o que eles estão fazendo e no dia seguinte tento fazer aquilo no treino, de modo que eu possa praticar aquilo que os faz bem-sucedidos. Mas eu conheço tantas pessoas na NHL e tantos jogadores que é difícil torcer de fato para um time, mas eu acho que torço mais pelas pessoas do que qualquer coisa. Já em outros esportes, no futebol americano, eu sou um grande fã do Detroit Lions, sempre fui fã dos Lions. É duro, eu sou de Detroit, sabe, nós somos um time horrível, sempre perdemos. Mas todo ano, eu sempre vou a alguns jogos. Então eu sou bem fiel nesse sentido, sou um dos caras mais fieis que você vai conhecer em qualquer aspecto, mas eu nunca vou abandonar os Lions. Eu sou um torcedor do Manchester United desde que eu tinha dois anos. Tem uma foto minha vestindo o uniforme do Man United de quando, literalmente, eu acho que tinha um ano. Desde aquela idade, eu tinha um uniforme completo, o meu nome nas costas, número 8. Durante toda a minha vida, eu sempre tive um kit do Man United, sem exceção. No basquete, sempre fui fã do Boston Celtics porque um dos amigos do meu pai costumava trabalhar para o time e ele mandava camisas e bonés autografados para mim. Então, eu vendo aquilo quando criança, aquilo me surpreendeu e eu instantaneamente me tornei um torcedor dos Celtics. E em outros esportes, eu não sou um grande fã na verdade. A nível mundial, eu torço para a Rússia em torneios internacionais, como a Eurocopa e a Copa do Mundo. Ainda não superei o jeito que eles perderam para a Croácia nas quartas da última Copa. Eu torço para os EUA também na Copa do Mundo, mas claramente eles vêm tendo mais dificuldade. E com sorte eles vão virar a situação, eles têm muitos jogadores jovens e bons na Europa agora. Mas é, eu diria que Man United, Lions e Celtics são os meus três principais.

    Quais são as três cidades em que você mais gostaria de jogar? E quais três você tem menos vontade?

    Gostei, ótima pergunta. Top 3 provavelmente é mais um top 2. É intercambiável, em Nova York ou Los Angeles, uma dessas duas cidades. É meu sonho absoluto, provavelmente Nova York é número um porque é Nova York. Ser um atleta e bem-sucedido em Nova York abre tantas portas em diferentes indústrias, especialmente as que me interessam mais, então para mim isso é muito importante. E as três últimas seriam provavelmente Winnipeg, Calgary, Edmonton… E eu posso continuar, Ottawa… (risos) Não é a mesma coisa que Nova York ou Los Angeles. E eu sou um cara de cidade grande, eu gosto de jogar em Moscou por causa disso. Eu realmente acredito que eu jogo bem melhor em uma cidade grande, com um microscópio enorme nas minhas costas e com a oportunidade de fazer tudo pelo que eu sou apaixonado fora do gelo. Jogando em Calgary, você não consegue ir a um bar e conhecer um estilista ou diretor ou algo do tipo, sem ofensas ao povo de Calgary, só não é o polo onde essas coisas acontecem. Enquanto que em Nova York ou Los Angeles, depois de um jogo você pode conhecer alguém interessante e falar sobre fazer talvez uma colaboração ou qualquer coisa para o seu futuro. Para mim isso é realmente algo muito importante.

    Se você pudesse criar um novo time para a NHL, onde ele ficaria?

    Eu acho que um lugar legal para um time poderia ser Houston. Porque eu sei que eles têm um time da NFL, da NBA e da MLB. Acho que eles têm um bom grupo de fãs de esporte, talvez até um time da MLS também. Eles têm uma boa infraestrutura para esportes e torcedores, e boa parte dos times tem sido bem-sucedida nos últimos anos. Então acho que a NHL provavelmente se daria bem lá, já que eles já estão bem consolidados em Dallas. Dallas é competitivo o ano todo, e as pessoas gostam de jogar lá porque o clima é bom, você está no meio do país, então as viagens não são tão difíceis para qualquer lugar. Acredito que Houston seria um bom local para ter um time.

    Falando em franquias de expansão, o que você acha do que Seattle tem feito até agora para lidar com diversidade e inclusão na gestão do hockey e também em sua comunidade, atacando certas questões mesmo antes de começarem a jogar?

    Eu acho muito legal o que eles estão fazendo. Até li em algum lugar que eles estão construindo uma arena ecológica e de forma sustentável, o que é uma coisa que eu apoio muito. Eu realmente acredito na preservação do planeta porque essa é a nossa casa. Não importa o que aconteça, só existe uma Terra. Eu reconheço muito tudo o que eles estão fazendo a respeito disso. E, sinceramente, Seattle é um lugar muito legal. Sempre achei que Seattle fosse um pouco mais vanguardista que outras cidades, e é ótimo ver que eles estão dando o exemplo nessas questões. Não tenho dúvidas de que (o Seattle Kraken) será muito bem-sucedido porque, antes de tudo, é uma cidade incrível. Tem muita gente interessante lá. Tem um grupo grande de pessoas da informática que vivem lá, e normalmente pessoas desse setor são bem ecológicas, são progressivas para criar oportunidades e empregar outras pessoas, e eu acredito que eles vão ter muito, muito sucesso. Realmente espero que comecem a todo vapor, meio que como aconteceu com Vegas. Eu adoraria jogar lá, e, sabe, seria um prazer jogar na mesma cidade de onde o líder do Nirvana era.

    Parte 1 | Parte 2
  • Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    Entrevista com Igor Larionov II – parte 2

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    O NHeLas conversou com Igor Larionov II sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 1 | Parte 3)

    Você tem sido bem ativo em prol de direitos humanos no Twitter, de diferentes maneiras. O que te motivou a ser uma pessoa tão aberta nas mídias sociais, esse compromisso de empoderar e defender minorias e criticar o que entendemos como “cultura do hockey”?

    Para mim, é bom senso. Não acho correto marginalizar as pessoas porque você acha que elas são diferentes de você. Eu não cresci com isso na minha família. Não fazíamos esse tipo de coisa e sempre me ensinaram que você precisa respeitar as pessoas e não tratá-las de maneira diferente porque não se parecem com você ou porque não vivem um estilo de vida semelhante ao seu, acho que isso é completamente errado. Então, quando as pessoas me chamam de ativista ou algo assim, não acho que sou um ativista. Só acho que sou alguém que usa o bom senso quando digo essas coisas. Porque, no final, não é certo odiar alguém porque esse alguém é um pouco diferente de você. Quer dizer, para mim, isso me deixa louco às vezes, eu fico sem palavras. Não consigo nem assimilar. Como faz sentido você não gostar de alguém só porque é diferente de você? Na realidade, isso é no mínimo um tesouro. Se todos no mundo fossem iguais, o mundo seria tão chato. É literalmente lindo que haja tantas pessoas diferentes lá fora, você pode falar com tanta gente diferente, aprender sobre suas experiências humanas, e há possibilidades infinitas de tantas conexões e caminhos lindos na vida em que, se eu disser algo no Twitter, não é porque quero ser como Greta Thunberg e ter um discurso que o mundo inteiro ouça. Não, eu só digo isso porque estou realmente perplexo com a forma como algumas pessoas escolhem odiar em vez de amar e, para mim, isso não está certo.

    Mas se as pessoas tomam isso como ativismo, então fico feliz quando recebo essas mensagens de volta e as pessoas dizem “obrigado por se manifestar, eu me sinto visto.” E isso é algo lindo, porque eu sinto que vários atletas se limitam aos esportes. Mas os grandes, as pessoas que são lembradas ao longo da história são as que fizeram uma diferença maior, fora de quadra, do que você fazia quando eles estavam jogando. E isso é algo que eu acho muito importante porque se você tem uma plataforma e você tem um nome ou seguidores ou qualquer coisa, mesmo que seja apenas de boa intenção, e não que você queira ser um ativista ou algo assim, eu ainda acho que você deve buscar isso. Tenho recebido tantas mensagens de pessoas agradecendo e isso realmente aquece meu coração, porque para eu digitar algo, é muito fácil e não demora nada. Mas para eles, significa muito. Eu acho que é lindo e é algo que meu pai uma vez me disse, é um pouco diferente, mas meio que tem a mesma mensagem. Ele disse, “sempre que uma criança ou um fã pede uma foto, ou um autógrafo, aquele momento é um segundo para você, mas dura a vida inteira para eles.” Então é por isso que acho muito importante dispor a todos o seu tempo e, se você vir alguém marginalizado e sendo odiado por ser quem é, isso está errado, e eu não posso suportar isso.

    Você mencionou como gosta de usar sua plataforma para promover direitos humanos no geral. Você gostaria de fazer algo relacionado a isso no futuro, talvez criar uma fundação, isso é algo que te interessa?

    Honestamente, eu nunca pensei muito sobre isso. Mas pensando nisso agora, se eu pudesse fazer algo para ajudar as pessoas, definitivamente estaria aberto para isso, porque no final, é ótimo ser um bom jogador, mas se você realmente não ajudar ninguém, qual o sentido de chegar onde você está? Então, eu adoraria fazer algo como uma organização sem fins lucrativos ou uma instituição de caridade, ou apenas ter clínicas de hockey onde você pode ajudar pessoas assim ou expandir e desenvolver o esporte. Não tenho planos concretos para isso no momento, mas agora que você mencionou, é definitivamente algo que tenho interesse em fazer no futuro.

    Alguma vez você imediatamente chamou a atenção de um companheiro de equipe por algo que você não considerava correto, como usar uma palavra ofensiva ou ter um comportamento misógino?

    Normalmente, isso é muito difícil no vestiário, porque se você disser algo na hora, você se torna o inimigo e eles não vão te ouvir. Então é melhor ir com calma até alguém e dizer algo como “ei, cara, eu realmente não gosto do jeito que você está falando porque isso pode ser interpretado da maneira errada, e você pode realmente ofender alguém.” Isso aconteceu algumas vezes este ano, mas foi principalmente com os russos, que ouviram essas palavras em inglês e não sabiam o que queria dizer. Eles estavam apenas repetindo. É como quando você ouve uma criança dizer um palavrão, ela não sabe o que significa. Ela só está dizendo isso porque ouviu na TV ou porque ouviu a mãe e o pai dizerem. Aqui, houve algumas vezes que caras russos disseram alguma coisa que você simplesmente não ouviria em um vestiário norte-americano. Quando isso aconteceu, eu falei para ele “olha, cara, você realmente não pode sair falando coisas assim, porque isso não está certo. Eu entendo, você não sabe o que quer dizer. Eu entendo que em sua cultura é algo totalmente diferente. Mas se você vai falar inglês e tem aspirações de jogar na América do Norte, isso é algo que você tem que esquecer.”’ Houve outros momentos em que os caras tentaram me mostrar algumas coisas que eu simplesmente não achei certas e eu disse de cara “eu entendo que você quer me mostrar isso, mas não estou interessado” por exemplo, coisas relacionadas a mulheres ou qualquer coisa assim, eu simplesmente digo, “obrigado por oferecer, mas não, eu não estou interessado.” Então é assim que vejo as coisas.

    Você já teve problemas por conta de algo que você disse ou fez que lhe parecia a coisa certa, mas que, como jogador de hockey, não era uma atitude esperada de você?

    Eu nunca tive problemas de fato por falar nada porque eu sinto que sou bom com as minhas palavras, sei quando escolher minhas brigas. E em vestiários, eu realmente não me manifesto nesse quesito porque muitas vezes os caras se sentem ameaçados quando você faz isso. É melhor apenas, como eu disse, de um para um tocar discretamente no assunto. Mas uma vez, quando eu estava jogando na OHL, fiz uma celebração de curling, que na verdade é o tweet fixado no meu Twitter. E foi durante as Olimpíadas, eu marquei um gol, joguei minha luva no gelo e meu companheiro de equipe estava meio que varrendo. E depois disso fiquei no banco pelo resto do período, eu marquei no meu primeiro shift do jogo. No intervalo, o técnico vem até mim, na frente de todo o vestiário, começa a gritar, “como você pode fazer isso? Você é uma vergonha para o jogo, você não pode agir assim, blá, blá, blá.” Ele disse ao meu outro companheiro de equipe “vou mandar você de volta para a Rússia” (risos) você sabe, todas essas coisas. E ele não me colocou muito para jogar no segundo período, daí ficamos atrás no placar, acho que 3-1. Ele me colocou de volta no gelo, acabei conseguindo mais duas assistências. Eu fui a primeira estrela deste jogo. Depois, eles me disseram “vamos falar com você amanhã. Isso não está certo. Sabe, você não está livre porque jogou bem,” e eu pensando “o jogo é para ser divertido.” (risos) No dia seguinte, eu apareço e, da noite para o dia, aquele vídeo viralizou. Passou na ESPN, na TSN. Quase todas as grandes emissoras esportivas, em todos os países que passam hockey.

    Inclusive no Brasil. (risos)

    Sério? É, então acho que realmente rodou o mundo. E nosso próximo jogo, no dia seguinte, acabou esgotando porque tantas pessoas viram o vídeo e compraram ingressos, foi nosso primeiro jogo esgotado em um ano e meio, eu acho. A partir daí, ninguém mais disse nada para mim. Um dos meus treinadores disse “de onde você tirou isso?” Eu disse, “ah, eu vi um time da NFL fazer.” Ele disse “é, bem, nós não somos a NFL.” E eu disse “sim, eu sei, nós ganhamos muito menos dinheiro e muito menos pessoas nos assistem.” (risos) Então eu disse algo assim, e ele não concordou, nem discordou muito, só balançou a cabeça e foi embora. Foi isso, e ninguém nunca mais tocou no assunto. Então foi interessante, foi divertido para mim e muitos caras gostaram. Muitas pessoas gostaram se isso apareceu em tantas plataformas.

    É engraçado, olhamos para a história dos esportes nos Estados Unidos e do futebol americano, beisebol, depois do basquete, todos eles tiveram aquele momento na história em que começaram a se promover de fato, e você vê o quanto o esporte cresce por causa disso. E enquanto isso, o hockey segue ali.

    Exatamente. Eu sempre trago esse exemplo: a NBA e a NHL não eram tão grandes nos anos 80. E suas duas maiores estrelas começaram a jogar ao mesmo tempo, Wayne Gretzky e Michael Jordan. Eles praticamente começaram na mesma geração. Veja o que Michael Jordan fez com o basquete e o que Gretzky fez com o hockey. O basquete está em todo o mundo, enquanto o hockey, ele cresceu. Não vou dizer que não cresceu. Mas não cresceu tanto quanto o basquete. Você olha para um time como o PSG, que tem o logotipo do Jordan em sua camisa, um time de futebol tem a marca do Jordan, enquanto o hockey ainda é apenas hockey. Ele não atingiu de fato o cenário internacional como o basquete, por conta do que Michael Jordan foi capaz de realizar na quadra, mas também fora dela. Ele fez muito.

    Você se preocupa, ao se pronunciar tão abertamente sobre algumas questões, que isso possa impactar suas chances de chegar à NHL?

    Obviamente, isso passa pela minha cabeça. Eles realmente não gostam quando as pessoas se manifestam. Mas, ao mesmo tempo, o que eles não percebem é que, se você olhar para mim, como mencionei, eu tive mais pontos do que muitos caras que estão jogando na NHL agora nesta temporada e em muito menos jogos. É claro que posso jogar nesse nível se meus colegas e contrapartes podem fazê-lo. Mas uma coisa que eles não podem fazer é se você olhar minhas redes sociais, eu tenho muito mais seguidores em todas as minhas plataformas do que, eu diria, a maioria dos jogadores da NHL, e se eu fosse capaz de chegar a esse palco da NHL, eu seria capaz de ganhar muito dinheiro para uma equipe apenas com base nos patrocínios fora do gelo, todas essas coisas diferentes.

    Apenas me coloque na frente de uma câmera e me deixe ser eu mesmo e eu posso literalmente ajudar uma equipe a ganhar muito dinheiro e aumentar sua receita. E se eles entendessem isso, sinto que definitivamente poderia ser algo a me ajudar. Eu acho que um monte de times, por exemplo, você olha para o Lakers, Kyle Kuzma, ele é um jogador mediano. Ele não é uma superestrela. Mas ele traz tantos fãs só com seu jeito de vestir, como ele se veste, sua aura, seu estilo de vida. O mesmo para o Manchester United, eles tinham um jogador chamado Jesse Lingard que não jogou por quase 16 meses, mas ele fazia uma comemoraçãozinha com as mãos, ele tinha produtos com sua marca, movimentos de dança, ele tinha todas essas coisas, e ele tem mais seguidores do que qualquer time da NHL. Ele faz muito dinheiro para o clube porque suas camisas sempre estão entre as mais vendidas, seus produtos são sempre uns dos mais vendidos, mas também sua atividade no Instagram e suas redes sociais atraem tantos fãs de todo o mundo. E eu posso fazer algo assim por qualquer time, mas também quando você olha para esses jovens da minha idade e eles produzem menos do que eu, eu posso produzir no mesmo nível, senão melhor do que esses caras. E eu ainda sou jovem, então com o tempo só posso melhorar todos esses fatores.

    Se eu fosse um time da NHL, eu veria um cara como eu e pensaria “certo, então temos um jogador jovem potencialmente bom que foi capaz de jogar na segunda melhor liga do mundo nessa idade, mas ele também tem um grande número de seguidores, de modo que se o trouxermos e o promovermos, nem precisa ser muito, apenas promovê-lo de leve, ele pode crescer a ponto de se tornar alguém que atrai novos fãs e novos públicos, e nos traz muito dinheiro.” Porque no final das contas é com isso que a maioria das equipes se preocupa, ganhar dinheiro. Portanto, acho que qualquer equipe da NHL só teria a ganhar, e eu ficaria feliz em agarrar qualquer oportunidade, porque obviamente sei que posso jogar neste nível e tenho confiança de que posso fazer tanto o trabalho no gelo quanto fora dele, e eu adoraria fazer isso para qualquer equipe.

    Não é tão difícil, NHL, vamos lá. É o melhor esporte do mundo e ainda consegue ser tão frustrante às vezes.

    Exatamente. É o que eu sempre digo, o hockey é o único esporte em que o melhor produto é de fato o jogo. Você olha para qualquer outro esporte, olha para a NBA, são as brincadeiras fora das quadras. São os jogos em que os ex-namorados de Kylie Jenner estão jogando um contra o outro que têm mais visualizações. Enquanto que aqui, o melhor do nosso esporte é o que está acontecendo no próprio gelo. Todo o resto é incomparável. Você não pode nem compará-lo ao golfe, ou a qualquer outra coisa. É muito pior do que qualquer outro esporte, e isso está prejudicando muito, muito a liga. Mais pessoas merecem assistir ao hockey, mas nunca terão a chance porque não é divertido o suficiente. Não há drama. É basicamente isso.

    Parte 1 | Parte 3
  • Entrevista com Igor Larionov II

    Entrevista com Igor Larionov II

    English version available here.

    (Texto com co-autoria de Marina Garcez)

    No último mês, uma figura chamou mais atenção do que o normal no hockey twitter, com suas atitudes e personalidade peculiares para o jogador de hockey comum. Acontece que Igor Larionov II não tem nada de comum. O nome não é estranho para quem já acompanha o esporte há algum tempo; o jovem jogador é filho de uma das maiores lendas do hockey, Igor Larionov, que venceu três Stanley Cups (1997, 1998 e 2002) com o Detroit Red Wings, além de conquistar diversos títulos a nível mundial no esporte.

    Porém, aos 22 anos, Igor Larionov II dá os primeiros passos de sua carreira profissional enquanto, ao mesmo tempo, conquista uma legião de apoiadores e fãs nas redes sociais, abraçando a comunidade e ecoando vozes que nem sempre vemos representadas no hockey.

    O NHeLas conversou com ele sobre sua trajetória no esporte, sua presença nas redes e muito mais. Além desta entrevista, você também pode assistir ao vídeo dele respondendo perguntas do Twitter aqui. Confira também ele fazendo um quiz em nosso site aqui.

    (Esta entrevista foi editada para fins de brevidade e clareza. Parte 2 | Parte 3)

    Por que não começamos com a sua carreira? Conte para a gente sobre a sua vida no hockey, desde a infância até agora.

    Eu nasci em 1998, em Detroit, Michigan. Meu pai era jogador de hockey, então eu cresci no rinque e conheci muita gente legal que joga hockey e está nesse ramo. Entre os três ou quatro anos, eu corria pela casa com um pequeno taco de hockey. A maioria das crianças brinca com carrinhos ou Legos. Eu sempre tinha um stick e uma bola ou puck comigo. Então foi basicamente assim que eu comecei a jogar. Na infância, eu joguei hockey em Detroit por um tempo e aí minha família se mudou para a Califórnia quando meu pai se aposentou, e eu passei dois anos jogando hockey na Califórnia. Depois disso foi muito difícil encontrar [rinques de] gelo aqui e muitas oportunidades para treinar, então nos mudamos de volta para Michigan, onde havia cerca de 15 rinques em um raio de 10 milhas da minha casa. Isso fez com que fosse muito mais fácil simplesmente ir para o gelo, treinar, trabalhar duro e tudo mais.

    Eu joguei hockey juvenil em Michigan pelos seis anos seguintes, depois disso fui para o major junior, onde joguei na QMJHL na primeira temporada, o que foi uma boa experiência. Mas depois daquele ano recebi uma oferta de Windsor, que ficava a literalmente 30 minutos de carro da minha casa em Michigan. Então essa foi a oportunidade perfeita, porque não é todo dia que você consegue morar em casa e jogar hockey, então aceitei a oferta, tive um ótimo ano e joguei muito bem. Então na temporada seguinte eu tive a oportunidade de ir para Muskegon, porque em Windsor, eles estavam meio que em reconstrução, mas foi meu último ano em Muskegon. Estávamos em rumo ao título, tínhamos uma equipe muito forte. Então fui para Muskegon e tive um ótimo ano, muitas memórias boas. Infelizmente, eu quebrei minha clavícula em um dos últimos jogos da temporada, então minha temporada acabou. Acabamos perdendo as finais da conferência nos playoffs, o que, você sabe, foi chato não poder ajudar a equipe ou jogar, mas foi uma boa experiência jogar em Muskegon. Eu ainda falo com muitos dos caras, muitos dos jogadores são amigos próximos atualmente.

    Depois disso, eu decidi ir para a Rússia. Comecei com o SKA na KHL, estava no camp deles, me falaram que eu consegui uma vaga no time, ótimas notícias, me chamaram para a Seleção Olímpica, basicamente a segunda seleção. Tem a seleção principal na Rússia e aí tem o time olímpico, que são os caras jovens, eles estão te preparando para torneios e eventos futuros. Então eu fui chamado para isso e dois dias antes de eu ter que ir para a seleção olímpica e assinar meu contrato da temporada com o SKA, eu rompi o músculo do glúteo no último dia do training camp. Por causa disso eu basicamente perdi toda a temporada. Quando me recuperei, eu só pude jogar duas partidas, e isso foi só para que eles pudessem me registrar. Eu estava escalado, mas não fui para o gelo, e foi só para que eu ficasse sob contrato na época, porque eles esperavam que em dois meses eu estaria preparado para jogar. Mas, obviamente, dois meses depois o mundo parou por causa da COVID. E eu acabei basicamente não jogando na temporada. 

    Então quando isso aconteceu, eu voltei para Michigan, onde eu estava morando na época, treinei muito, recuperei-me e tive algumas oportunidades de jogar na AHL temporada passada, mas nada estava acontecendo (na liga). Então eu comecei a pensar comigo mesmo “eu não posso tirar dois anos de folga,” não seria bom para o meu desenvolvimento. Foi quando recebi uma ligação do GM do Kunlun (Red Star) falando que eles estavam à procura de jogadores da América do Norte com raízes russas, o que basicamente significa uma pessoa com passaporte russo, porque eles precisam de determinado número de jogadores russos para cada jogo. E eu honestamente só falei “tá bom, quando você quer que eu vá?” E ele falou “que tal em alguns dias?” Assim, em alguns dias eu estava em um voo para Moscou. Eu fui de Detroit, para Chicago, Chicago para Londres, Londres para Moscou. E três ou quatro dias depois eu estava disputando minha primeira partida. Eu assinei um acordo de apenas três jogos pois (o time não tinha) dinheiro para assinar gente com contratos garantidos esse ano por causa dos cortes de orçamento devido à COVID. Depois de três jogos, eu tinha dois pontos e eles acabaram me contratando para o resto do ano. Eu joguei mais duas partidas depois disso, aí eu peguei COVID. Acabei perdendo três semanas com a doença. Não foi tão ruim, tive sintomas bem leves. Mas quando eu voltei, tive problemas com o meu coração e depois de tentar me recuperar, eles basicamente me tiraram do resto da temporada.

    Ainda bem que eu pude voltar aos EUA para receber um tratamento apropriado. Eles basicamente me falaram “tire dois meses de folga, não faça nada, não force seu coração” e eu tive que usar alguns monitores cardíacos por algumas semanas para que eles acompanhassem tudo. Depois que esses dois meses passaram, eles falaram “vai ser como um interruptor. Do nada você irá ganhar sua energia de volta e voltar a se sentir bem de novo, poderá treinar,” e realmente aconteceu como eles disseram que seria. Por dois meses eu me senti muito fadigado, muito cansado, não conseguia fazer nada sem subir meus batimentos cardíacos. E aí quando esses dois meses passaram, boom, eu me senti ótimo. Agora, eu estou treinando há mais de um mês e meio. E, honestamente, sinto-me melhor do que nunca. Eu estou só me preparando para a próxima temporada neste momento.

    Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre jogar hockey na América do Norte versus jogar na Rússia?

    Existe uma diferença considerável entre esses dois países, tanto culturalmente quanto no estilo de jogo. Eu diria que na América do Norte, existe um sistema mais estruturado onde você sabe seu trabalho e todo mundo sabe o seu papel. Mas na Rússia, é meio cada um por si, no qual os caras meio que decidem o que vão fazer, e isso não é necessariamente a melhor coisa. Eu acho que o melhor é quando você pode fazer uma mistura dos dois sistemas, em que as pessoas têm a liberdade para criar, mas também existe uma estrutura e um sistema onde, se você cometer um erro, você sabe que seu colega vai estar lá para te cobrir, porque estão seguindo a mesma ideia que você. Foi muito interessante jogar (na Rússia). Eles basicamente tinham fãs em todo lugar que a gente jogava, o que foi bem estranho considerando os tempos atuais. Foi uma experiência diferente, as cidades, elas não são cidades típicas com hockey profissional como aquelas em que se jogaria na América do Norte. (Nos EUA) são normalmente as maiores cidades da América, você fica em hotéis legais. Lá, existem algumas boas cidades, mas uma vez que você vai para alguns dos times menores, as cidades não são tão legais, eles só têm um restaurante, que era tipo um Burger King ou algo assim, e o hotel era algo (que parecia ter saído) direto dos meus pesadelos, (risos) tem, tipo, sangue nas paredes e mofo no chuveiro, esse tipo de coisa.

    Foi bem peculiar, mas, no fim, foi muito divertido, porque eu sinto que meus colegas de equipe… Nós éramos vários caras da América do Norte e, é aquela coisa, era tão diferente para tantos de nós que, na maior parte do tempo, estávamos só rindo do que se passava. O avião do nosso time era muito, muito estranho. Todo voo tinha um momento em que você sentia o avião descendo lentamente, e no início ficava muito quieto no avião. Mas aí todo mundo começou a se olhar, tirar os fones de ouvido, e então um dos meus colegas sempre começava a gritar “bom, garotos, é assim que a gente vai!” E todo o time começava a rir. Momentos assim, o que, olhando para trás, era aterrorizante como a gente sentia o avião caindo e depois voltando ao normal. Mas só coisas pequenas assim, já que sempre estávamos zoando as coisas ruins. E isso tornou tudo mais divertido, e tornou a experiência mais legal para todos nós. 

    Como eram os protocolos da KHL em comparação ao que vimos da NHL naquele momento?

    Eu acredito que na NHL eles estão sendo testados todos os dias, o que tínhamos eram testagens a cada três dias. Outro diferencial  na NHL é que se algumas pessoas estão doentes, eles basicamente desativam todo o time e ninguém joga até todos se recuperarem, até que todos voltem. Mas para a gente, era totalmente diferente. Se você estivesse doente, você só ia para casa, mas o resto da equipe continuava. Então nós tivemos um momento antes mesmo de eu ter ido para o time em que acho que tínhamos, tipo, 17 caras doentes ao mesmo tempo. Quando eu cheguei lá, quando eu fiquei doente, a gente tinha seis caras doentes ao mesmo tempo. Então foi meio que uma bagunça porque eles não sabiam como lidar de uma forma melhor, como eles fazem (na NHL). Nosso gerente de equipamento ficou doente, e ao invés de ficar em casa, ele foi para o rinque afiar nossos patins. E aí cinco de nós ficaram doentes. Então foi meio estranho por causa disso. Mas, você sabe, é uma cultura diferente, eles fazem as coisas de outra forma lá. Então não posso culpá-los pela forma como o país é administrado, porque é simplesmente o jeito que as coisas são. Mas eu definitivamente acho que eles poderiam ter tido uma abordagem mais cuidadosa. Porque no fim, eu acho que 95% da liga ficou doente. E eu sei que vários jogadores tiveram problemas similares aos meus, onde eles não conseguiram finalizar a temporada porque tinha algo errado. Alguns caras inclusive foram parar no hospital, com respiradores. Então foi uma situação assustadora para muitos de nós, mas ao chegar, eles basicamente falaram para a gente que era 100% certo que iríamos ficar doentes em determinado ponto, então sabíamos os riscos ao participar. 

    Eu acho que na América do Norte você seria processado na hora só por falar isso.

    Você seria. É engraçado, quando eles falaram comigo pela primeira vez, eles falaram “você já teve COVID?” e eu respondi “não.” E eu estava pensando que isso era uma coisa boa. Mas aí eles ficaram tipo “puts, seria melhor se você já tivesse tido, porque aí significaria que você não pegaria de novo” (nota das NHeLas: já foi comprovado que isso não é verdade, então usem máscaras e sigam os protocolos, fãs!) E eu fiquei tipo “oh.” (risos) Eles falaram “dentro das primeiras duas semanas, você provavelmente vai pegar.” Eu consegui durar quase um mês e meio antes de pegar, o que não sei explicar, fui muito, muito sortudo. Mas, basicamente todo mundo que foi para lá pegou, a não ser que a pessoa já tivesse tido no verão. 

    Pensando no futuro, quais os seus planos e expectativas para a próxima temporada? E como é sua rotina na intertemporada, o que você costuma fazer?

    Minha expectativa para a próxima temporada é permanecer na América do Norte, e eu tenho algumas oportunidades de ir para alguns camps ou então já assinar um contrato na AHL direto. Eu sei que muitos dos caras que jogavam na KHL, e que estão na NHL agora, tiveram uma pontuação similar à minha em menos jogos. Então para mim, eu vejo isso e falo “se eles tinham menos pontos que eu, e estão jogando na NHL, eu provavelmente poderia fazer o mesmo.” E eu realmente acredito que, se eu não tivesse meu histórico de lesões, eu estaria lá neste momento. Mas, você sabe, você não pode controlar essas coisas. Obviamente, é difícil às vezes, mas eu sou muito grato pela forma como tudo aconteceu na minha vida até agora. Mas é, eu tenho algumas oportunidades. E eu realmente acho que uma vez que eu tenha a chance de me mostrar, tudo ficará bem.

    Minha rotina, basicamente, o que eu faço é treinar na academia. Geralmente, nessa época do ano, treino três vezes por semana. E aí, quando chega mais perto da temporada, mais ou menos em junho, eu começo a ir quatro vezes na semana, julho, quatro vezes na semana, agosto, quatro vezes na semana. Então, no final de julho eu começo a ir pro gelo duas vezes na semana e continuo fazendo isso, porque não gosto de patinar muito na offseason, sinto que fico muito cansado se patinar demais. Prefiro só trabalhar em construir meu físico, aumentar minha resistência, todas essas coisas diferentes. Porque sinto que quando você tem tudo isso ajustado, e vai para o gelo, sinceramente três semanas antes da temporada começar, eu começo a aumentar o ritmo e patinar quatro ou cinco vezes na semana, e é tudo o que eu preciso para estar pronto, fisicamente. Mas ao mesmo tempo, estou descansado o bastante de modo que não fico muito cansado durante o training camp por conta de tudo isso.

    Qual é a história por trás de você vestir o número 69 e como isso virou praticamente sua marca pessoal? Você acha que vai poder continuar usando esse número no futuro, dependendo de onde sua carreira te levar?

    Esse ano, no Kunlun, a gente não tinha muito dinheiro no meu time da KHL, então eles tinham uma determinada quantidade de camisas pré-selecionadas, e quando estavam falando em assinar comigo, eles me ofereceram uns cinco números diferentes. Três dessas camisas eram grandes demais, então eu não podia usá-las. Elas eram quase do tamanho para goleiro. E aí as duas que eram do meu tamanho eram número 69 e, eu acho, número 52 ou 53, algum número bem sem graça o que, como vocês sabem, eu não gosto de coisas sem graça. Então, naquele momento, eu basicamente percebi que 69 era a melhor opção, além de que, eu tive a oportunidade de impressionar algumas pessoas, o que é sempre divertido. (risos) Eu gosto de fazer coisas criativas, e eu acho que muitas pessoas não usam o número 69 porque é visto de uma forma ruim pela sociedade. Mas eu não vejo nada de ruim com a mensagem que isso passa. Porque, no fim do dia, não há nada de errado com o que isso é, é uma coisa que quase todos os seres humanos fazem.

    Não há nada de tabu nisso na minha mente. Você sabe, muitas pessoas, quando falam de sexo ou algo do tipo, elas acham que tem muito tabu nisso, mas na realidade, quer dizer, está literalmente na Bíblia, sabe, se a gente for voltar tanto no tempo. (risos) Então eu não vejo nada de errado com isso e acho que é uma mensagem positiva, não apenas para ser você mesmo e se divertir, porque muitas pessoas veem seu esporte como um emprego e não um jogo, e eu acredito que você pode considerá-lo as duas coisas porque, no final, se é divertido, eu sinto que você joga melhor e, se você está aproveitando aquele jogo, você joga melhor. Basicamente (o número) me escolheu. Eu não tive muita escolha, mas quando eu descobri que era minha única opção, eu fiquei bem animado porque já vinha querendo fazer algo escandaloso assim havia algum tempo e só teria acontecido se fosse minha única opção. Eu não acredito que teria a coragem de escolher 69 de cem números diferentes ou algo assim.

    Você tem alguma superstição relacionada ao seu jogo? Alguma coisa que você gosta de fazer antes de cada partida?

    Não, na verdade não. Eu acho que eu amarro meu patins esquerdo primeiro, o que seria a única superstição que daria para considerar como tal, mas todo o resto eu sou bem, bem tranquilo, eu me deixo levar. Antes dos jogos, eu não gosto de ficar muito pilhado. Eu gosto de me divertir e aproveitar, brincar. E quando eu faço isso, eu sinto que eu jogo melhor porque não tem absolutamente nenhum nervosismo para mim e eu saio relaxado e confiante, pronto para jogar. Mas quando eu penso demais, fico muito estressado, aí é quando eu me complico. Eu prefiro jogar com base em meus instintos e não no que acontece (na minha cabeça) porque eu sinto que quando a gente pensa muito, começa a duvidar de si mesmo. Enquanto que se você só joga pelos seus instintos, você vai bem melhor. Então quando eu chego no rinque, eu brinco, jogo um pouco de futebol, basquete, futebol americano, você sabe, só para descontrair. Daí eu faço meu aquecimento, o que não é exatamente uma rotina, o mesmo aquecimento, passo a passo. Eu tenho uma certa quantidade de exercícios, mas eu os faço numa ordem diferente. É praticamente isso. Eu entro no gelo, faço os mesmos exercícios e stick handling. Não é uma superstição, eu só estou acostumado a fazer os mesmos exercícios porque eu sei que eles esquentam o meu corpo corretamente. É basicamente assim que eu me preparo, não tem nada de muito especial, é mais tentar aproveitar cada momento disso.

    Não tem uma comida ou roupas especiais?

    Eu sigo uma dieta bem restrita, eu não como muito. Então normalmente antes dos jogos, eu como uma salada, depois um queijo quente com batata doce. Já com roupas, eu gosto de me divertir com isso, não presto tanta atenção, eu visto praticamente qualquer coisa e vejo se cai bem, se eu acho que ficou legal, eu uso. Se houver um código de vestimenta, eu meio que fico bem no limite do código, de modo que eu siga as regras mas ainda faça algo do meu jeito. É o que eu gosto de fazer.

    Não há autoexpressão com um código de vestimenta. É por isso que eu tento seguir um pouco para não arranjar problemas, mas no final eu o faço de forma um pouco diferente.

    Qual carreira você gostaria de seguir se não fosse jogador de hockey? Você pensa sobre a vida pós-hockey e o que você gostaria de fazer depois?

    Sim, eu penso bastante sobre isso. Porque sempre falo para as pessoas, quando me apresento, eu não digo que sou um jogador de hockey. Primeiro, eu digo, por exemplo, eu sou um ser humano, e aí, depois de um tempo, eu conto que sou jogador de hockey, porque eu não quero que elas pensem que aquilo é exatamente quem eu sou. Eu tenho vários interesses, diversas paixões fora (do hockey). Então eu adoraria fazer algo por trás das câmeras. Eu sempre fui um fã de filmes, sempre fui um fã de televisão. Mas quando eu me mudei para LA, alguns meses atrás, eu estava cortando o cabelo num salão em Beverly Hills. E era super sofisticado, vários figurões, eu na verdade estava sentado do lado da Kesha, a cantora, o que foi super, super legal. Mas essa mulher me aborda e pede meus dados, nós começamos a conversar e acontece que ela era a vice-presidente de uma agência de modelos em Los Angeles. Então eu estava conversando com ela, ele pediu meu Instagram e me seguiu, fizemos essa conexão e ela queria que eu fizesse algumas coisas para (a agência), falasse com eles e potencialmente assinasse um contrato. E eu fiquei um pouco assustado porque eu não quero que isso interfira com o hockey, porque muitas vezes, quando você faz qualquer coisa criativa, depois volta ao hockey e as pessoas te olham de um jeito um pouco diferente. E basicamente eu mandei uma DM para ela “vamos dar sequência,” e depois cancelei o envio porque eu não estava confortável fazendo aquilo. Obviamente, é algo que eu gostaria de seguir, se a vice-presidente de uma agência me aborda do nada, eu imagino que seja um bom sinal. Honestamente, eu adoraria retomar isso uma vez que eu tenha me estabelecido ou assinado um contrato, algum tipo de segurança. Eu definitivamente amaria fazer alguma dessas três coisas, algo na indústria do entretenimento, porque eu não gosto muito quando você não pode se expressar e eu sinto que ramo é a oportunidade perfeito em que você pode literalmente ser você mesmo e não ser julgado por isso, (pelo contrário) você é aplaudido, e isso é algo que eu realmente gosto.

    Então você nunca trabalharia num escritório ou coisa do tipo?

    Eu não sou muito bom em ficar sentado o dia todo numa cadeira, sentado num escritório. Quer dizer, talvez, se eu estiver apaixonado por alguma coisa, eu posso tentar fazer isso, mas não é algo que eu vejo em meu futuro. Eu sou extrovertido demais. Eu um dia literalmente acordaria e diria “por que estou fazendo isso?” E aí, você sabe, compraria uma passagem só de ida para a Austrália, e cruzaria o país numa vã, só filmando e fotografando as coisas. Acho que essa é mais a minha cara, e trabalhar num escritório, o que eu não acho que tenha nada de errado, obviamente muitas pessoas têm profissões e ganham dinheiro com isso, muitas pessoas gostam. Mas para mim, é algo que eu não acho que jamais seria capaz de fazer.

    Parte 2 | Parte 3
  • Avangard Omsk ganha a Gagarin Cup pela primeira vez na história

    Avangard Omsk ganha a Gagarin Cup pela primeira vez na história

    Na última quarta feira (28), o HC Avangard Omsk se consagrou campeão da KHL. O time levou para casa a Gagarin Cup pela primeira vez desde sua criação, em 1950. Eles conquistaram a quarta vitória na série melhor-de-sete contra o CSKA Moscou por 1-0.

    O HC Avangard Omsk venceu a série em seis jogos, derrotando um time fortemente favorito do CSKA. A equipe de Moscou havia vencido a última Gagarin Cup, em 2019. Vale lembrar que a final da Gagarin Cup desse ano foi a primeira realizada desde 2019, pois devido à pandemia de COVID-19, a decisão não aconteceu em 2020.

    Primeiro Período

    No final do primeiro período, o gol de Sergey Tolchinsky separou o desempenho das equipes. Isso também firmou sua posição como o maior artilheiro do Avangard nos playoffs, e o colocou no mesmo nível de Konstantin Okulov, do CSKA, na disputa de pontuação na pós-temporada. Os dois jogadores tiveram estatísticas idênticas — 6 gols, 14 assistências, 20 pontos —, embora Okulov tenha jogado dois jogos a menos.

    O CSKA voltou a dar as boas-vindas ao melhor marcador dos playoffs, Maxim Shalunov. Ele perdeu o quinto jogo devido a uma suspensão, mas estava disponível novamente na quarta-feira para substituir Nikita Soshnikov. Shalunov foi suspenso após uma falta sobre Andrei Stas, que também voltou à ação após ter perdido um jogo.

    Uma das coisas mais marcantes da final deste ano foi a mudança de estilo de jogo do CSKA. Na temporada regular, normalmente, os “homens do exército” (como são chamados pela torcida) chegavam em cima do seu adversário, não disparando incansáveis vezes ao gol, mas sim sondando com calma e cuidado até que conseguissem uma oportunidade limpa e bem definida de tiro ao gol. No entanto, em face da defesa extremamente disciplinada de Avangard, algo que ficou mais forte ao longo da série, as coisas tiveram que mudar. De repente, a equipe de Igor Nikitin mostrou maior disposição para atirar os discos na rede o mais rápido possível. Consequentemente, os Hawks viram um aumento significativo no número de disparos bloqueados.

    Essa foi certamente a história do primeiro período. Em termos de defesas, as equipes foram quase iguais, 11 bloqueios para Simon Hrubec, nove para Lars Johansson. Em termos de tentativas, o CSKA teve 25 contra 15 do Avangard. A equipe da casa bloqueou 10 disparos a gol no primeiro período e o visitante procurou defendê-los, fechando todos os cantos de sua rede.

    No entanto, a tática que escolheram não deu certo. Nenhuma das equipes conseguiu criar uma chance realmente grande no primeiro tempo. Assim, pouco antes do intervalo, o Avangard encontrou uma brecha para sair na frente. Oliwer Kaski disparou ao redor da parte de trás da rede de Lars Johansson e passou o disco para Tolchinsky um pouco além do círculo da direita. O ex-jogador do CSKA disparou um tiro que desviou do taco de Sergei Andronov, enganando Johansson, e deu ao Avangard a vantagem na partida.

    Segundo período

    O CSKA quase empatou logo no começo do segundo período. Mat Robinson viu uma chance de abandonar suas funções defensivas e disparou pelo corredor do lado direito, apenas para ver seu chute acertar a trave e quicar em segurança. Foi o mais perto que alguém chegou de marcar no período intermediário. À medida que as tensões aumentavam, as chances eram cada vez mais difíceis de encontrar. Ilya Kovalchuk, capitão do Avangard, quase deu um salto ao roubar o disco de Mario Kempe e criar uma chance, mas o CSKA sobreviveu.

    Terceiro período

    Com a torcida da casa gritando em aprovação a cada jogada bem-sucedida do Avangard – fosse um passe, uma rebatida, um chute ou uma defesa – o time da casa criou mais no terceiro período. Depois de o CSKA ter começado novamente de forma animada, os Hawks responderam com algumas oportunidades claras. Alexander Khokhlachyov quase converteu um ataque de três homens antes de Maxim Goncharov acertar a estrutura da rede enquanto o defensor avançava de uma maneira que lembrou a tentativa anterior de Robinson. Houve outro momento de ansiedade, quando o disparo de ponta-a-ponta de Alexei Bereglazov driblou ao lado da rede, escapando do stick estendido de um atacante da casa pronto para direcioná-lo à rede desprotegida.

    O CSKA também teve suas chances, e o goleiro do Avangard Simon Hrubec assistiu a duas penalidades rápidas que reduziram sua equipe a três patinadores. Denis Zernov e Ville Pokka atacaram os adversários com apenas 12 segundos de diferença; com 4:22 no relógio, Avangard tinha uma grande penalidade para matar e os homens do exército tiveram uma última chance de ouro para salvar o jogo e a temporada.

    No entanto, este foi o momento de Damir Sharipzyanov. Em jogos recentes, o defensor ganhou as manchetes por sua habilidade de pontuação; aqui ele mostrou sua coragem na outra extremidade do gelo. Três tiros bloqueados em rápida sucessão significaram mais de um minuto da vantagem de dois jogadores sem que Hrubec tivesse de fazer uma defesa. Nikitin pediu um tempo, tentando acalmar seus jogadores e planejar a jogada que finalmente desbloquearia a defesa do Avangard. Quase funcionou, mas Hrubec fez uma última grande defesa para manter seu gol intacto.

    Depois que Avangard voltou com força total, o relógio estava firmemente a seu favor. Os Hawks fecharam o gol com sucesso nos minutos restantes antes do uivo final desencadear celebrações selvagens na arena em Balashikha e em casa na Sibéria, onde muitos fãs estavam esperando enquanto o relógio passava da meia-noite, ansiosamente torcendo por seu time.

    Com um jogo cauteloso e ao mesmo tempo emocionante, o Avangard conseguiu manter a vantagem conquistada no primeiro período e se consagrar campeão da KHL pela primeira vez, vingando a derrota de dois anos atrás para este mesmo time do CSKA. Os Hawks fizeram a lição de casa e foram destaque o campeonato todo, finalizaram a temporada com muita eficiência e, por fim, com a faixa de campeão.

    Foto: Reprodução/ Twitter @KHL_eng

  • Patrick Marleau quebra recorde de Mr. Hockey

    Patrick Marleau quebra recorde de Mr. Hockey

    A noite de segunda-feira (19) foi mágica para o mundo do hockey, afinal pela primeira vez na história da NHL um jogador participou de seu 1.768º jogo de temporada regular na liga. Trata-se de um recorde que levou 41 anos para ser quebrado, ironicamente a idade de Patrick Marleau, quem o quebrou. O canadense que atualmente joga pelo San Jose Sharks ultrapassou a marca de Gordie Howe, que participou de 1.767 jogos regulares em sua carreira na NHL. 

    Após alcançar Howe no último sábado, era uma questão de apenas alguns dias para bater o recorde. Foi assim que, na segunda-feira à noite, o jogador canadense se tornou o grande homenageado, levando o público a lágrimas, e recebendo uma mensagem especial do comissário da liga, Gary Bettman. 

    Numa partida contra o Vegas Golden Knights, Marleau pôde adicionar um dos recordes mais cobiçados com apenas 23 temporadas na NHL. Nem mesmo a derrota por 3 a 2 tirou o sorriso do rosto do jogador e de seus fãs, que foram presenteados com um vídeo especial sobre a carreira do atleta.

    O veterano não somente foi aplaudido de pé pelos presentes antes mesmo do final do primeiro período, como todos os jogadores de ambos os times fizeram questão de reconhecer esse momento tão importante para Marleau e a NHL. Além disso, as mais diversas homenagens online têm sido feitas desde o fim de semana.

    Primeiros anos com os Sharks

    Natural de Saskatchewan, no Canadá, Patrick Marleau nasceu em 1979 e começou no esporte ainda jovem. Jogou pelo Swift Current Legionnaires AAA da SMHL e Seattle Thunderbirds da WHL antes de participar do NHL Draft em 1997. Ele foi a segunda escolha, selecionado pelo San Jose Sharks, e fez a sua estreia no profissional ainda naquela temporada 1997-98. 

    Apenas alguns anos depois, no meio da temporada 2003-04, o jovem jogador conquistou o tão aclamado “C” na camisa. Ele foi capitão dos Sharks por cinco temporadas, até 2009. Nesse meio tempo, o canadense vinha construindo a sua carreira, e no ano de 2006 atingiu a marca de 400 pontos, faltando pouco para bater o recorde da franquia, até então de Owen Nolan com 451 pontos. Pouco menos de um ano depois, ele ultrapassou o recorde e, no final do mesmo ano, em 2007, atingiu seu 500º ponto. 

    Alguns anos depois, em janeiro de 2010, o jogador marcou seu 30º gol da temporada e entrou para a história como o jogador a conquistar o feito mais rapidamente, precisando de apenas 47 jogos para isso. Em janeiro de 2011, ao participar de sua partida de número 1.000, Marleau quebrou dois recordes: o de terceiro jogador mais jovem a conquistar a marca de 1.000 jogos e o de jogador mais jovem a participar de 1.000 partidas pela mesma franquia. 

    Com o passar dos anos, Patrick Marleau continuou atingindo marcas e conquistando feitos, ficando cada dia mais próximo do maior recorde da NHL. Em março de 2016, ao participar da partida de número 1.400 da sua carreira, Marleau se tornou o 36º a atingir tal feito e o mais jovem da lista. Em janeiro de 2017, numa partida contra o Colorado Avalanche, ele marcou pela primeira vez em sua carreira quatro gols em uma única partida. Poucos dias depois, no dia 2 de fevereiro, ao marcar o seu 500º gol, o jogador entrou para a lista como o 17º a atingir tal marca no mesmo time. 

    O bom filho à casa torna

    Após 20 anos com o mesmo time, Marleau decidiu testar novas águas. O jogador então entrou para a free agency e começou a receber ofertas dos mais diversos times, incluindo os Sharks. No entanto, ele acabou aceitando a oferta do Toronto Maple Leafs. Assim, na temporada de 2017-18, pela primeira vez, o jogador estreou em um novo time. 

    Nos Leafs, o canandense conquistou mais alguns recordes. Ele se tornou o 18º jogador a participar de seu 1.500º jogo. Além de ter marcado seu 100º gol da vitória (8º a atingir tal marca), ele conquistou também seu 1.100º ponto. Chegando mais perto de quebrar o recorde de Howe, em novembro de 2018, Marleau se tornou o 11º jogador a ter participado de 1.600 jogos. Em junho de 2019, o time de Toronto trocou o jogador com o Carolina Hurricanes para liberar o salary cap da equipe. No entanto, ele optou por não ficar no time e assim os fãs do Canes deram adeus a um grande jogador sem nunca tê-lo visto jogar. 

    Por fim, Marleau retornou ao seu time de origem onde foi recebido de braços abertos na Califórnia. Poucos dias após o seu retorno, Patrick atingiu a marca de 1.500 jogos por um mesmo time sendo o sétimo jogador da história da NHL. Em janeiro de 2020, com 1.700 jogos na carreira, Marleau entrou para os cinco jogadores na história da liga a conquistar tal feito. Em fevereiro do mesmo ano, o jogador foi enviado para o Pittsburgh Penguins durante uma troca. Ao final da temporada o canandense retornou novamente para o time de San Jose.

    Fora da NHL, Marleau participou de alguns campeonatos defendendo a nação canandense, incluindo as Olimpíadas de Inverno de 2010 e 2014, nas quais levou a medalha de ouro.

    Quebrando recordes

    Quando falamos de hockey, automaticamente lembramos de Gordie Howe, uma das maiores lendas do esporte até os dias atuais. O jogador conhecido como Mr. Hockey não tem esse apelido em vão. Ele começou a sua carreira na NHL em 1946, aos 18 anos, no Detroit Red Wings, time pelo qual jogou por 25 temporadas antes de se aposentar em 1971. 

    Gordie Howe (Reprodução/nhl.com)

    Entretanto, não foi o adeus definitivo de Howe ao esporte. Isso porque, durante a temporada 1973-74, ele voltou à ativa pelo Houston Aeros, da WHA, para jogar ao lado de seus filhos. Em seguida, Howe retornou à NHL na temporada 1979-80, jogando pelo Hartford Whalers (atual Carolina Hurricanes), onde finalizou a sua carreira aos 52 anos e 10 dias. Assim, Howe não somente foi o jogador que mais participou de jogos na temporada regular da NHL, com 26 temporadas e 1.767 jogos, como também o jogador mais velho a atuar na liga, título que detém até hoje. (Além, é claro, de outros diversos prêmios, recordes e até mesmo um hat-trick nomeado em sua homenagem).

    No entanto, a NHL de Howe não é a mesma de Marleau. A começar pela quantidade de times, quando Gordie começou na liga, em 1946, eram apenas seis, ou seja, eram menos jogos disputados ao longo de uma temporada. Depois, devemos acrescentar que a longevidade de um jogador no esporte não é a mesma de quem trabalha dentro de um escritório, por exemplo. Mesmo Patrick Marleau é considerado velho para um jogador de hockey, aos seus 41 anos. Mr. Hockey não somente jogou até os 40 anos, ele ultrapassou tal marca e jogou até os 52 anos, o que em si já é um feito incrível. 

    Diversos jogadores de renome talvez nem cheguem a jogar após os 40 anos, devido às diversas lesões e desgaste causado pelo esporte em si. Somando isso ao fato de que essas mesmas lesões deixam os jogadores de fora de diversos jogos, até mesmo temporadas inteiras, o que Patrick conseguiu é o que muitos só sonham em conquistar, principalmente em tão pouco tempo.

    A NHL pode ter mudado, agora com mais times e jogos no calendário, e até mesmo conquistando mais espaço no mundo do esporte. Porém, feitos como de Howe e Marleau ainda são raros e históricos, e jogadores de tal calibre é o que muitos desejam se tornar um dia.

    Foto: Reprodução / Twitter @SanJoseSharks

  • Wisconsin é hexacampeã no hockey universitário feminino

    Wisconsin é hexacampeã no hockey universitário feminino

    Na noite de sábado (20), as universidades de Wisconsin e Northeastern se enfrentaram na decisão do hockey feminino pela NCAA. Com um gol no início do overtime, Wisconsin garantiu o título pelo segundo ano consecutivo e pela sexta vez na história do programa. 

    Nos últimos vinte anos do torneio, somente uma outra universidade também ergueu o troféu seis vezes: Minnesota. Além disso, as Badgers também estão empatadas com Minnesota pelo maior número de aparições na final nacional do hockey universitário feminino, com nove cada.

    O torneio da Divisão I da NCAA aconteceu este ano em Erie, no estado da Pensilvânia, e teve início no dia 15 de março. No atual formato da competição, as quatro campeãs de cada conferência nos EUA (WCHA, Hockey East, ECAC e CHA) se qualificam automaticamente, enquanto outras quatro equipes são selecionadas por um comitê da NCAA. As oito universidades são então ranqueadas e organizadas em um formato mata-mata até a decisão.

    A primeira colocada e campeã da Hockey East, Northeastern, vinha de uma impressionante campanha de 20-1-1 na temporada. Com um time repleto de boas jogadoras, incluindo a goleira do ano e finalista do prêmio Patty Kazmaier (dado anualmente à melhor jogadora universitária nos EUA), Aerin Frankel, as Huskies eram grandes favoritas em seu caminho até a final. Nas quartas, a equipe venceu a Universidade Robert Morris por 5-1, e em seguida superaram Minnesota-Duluth na prorrogação, por 3-2.

    Por sua vez, Wisconsin foi campeã da WCHA, com uma campanha 14-3-1, e ficou com o segundo lugar no ranking nacional. As Badgers passaram pela Providence College nas quartas de final com uma vitória por 3-0, e em seguida venceram as rivais de conferência de Ohio State por 4-2. A equipe também contou com uma finalista do Patty Kazmaier no elenco, Daryl Watts, peça-chave do ataque de Wisconsin durante toda a temporada.

    Badgers 2, Huskies 1 (OT)

    Os primeiros 40 minutos não viram as redes balançar nenhuma vez. As goleiras Kennedy Blair (Wisconsin) e Aerin Frankel (Northeastern) fizeram nove defesas cada no primeiro período, e, respectivamente, seis e onze no segundo. 

    Foram três power plays na segunda etapa para Northeastern, mas o time não conseguiu converter em nenhuma das vezes.

    Aos 11 minutos do terceiro período, Makenna Webster abriu o placar e colocou Wisconsin na frente.

    A vantagem durou menos de um minuto, pois Northeastern empatou aos 11:39 com Chloé Aurard.

    Dali até o final do tempo regulamentar, o jogo tomou um ritmo ainda mais agitado com ambas as equipes buscando o segundo gol. Ao todo, no terceiro período, Wisconsin teve mais 13 disparos a gol contra 9 de Northeastern.

    Três períodos não foram suficientes, e as equipes se dirigiram ao overtime para decidir o título na “morte súbita”.

    No minuto inicial, a atacante Miceala Sindoris (Northeastern) teve um tiro bloqueado por Chayla Edwards. Esse foi o único chute das Huskies na prorrogação. Em seguida, Frankel defendeu duas tentativas do ataque de Wisconsin, e Northeastern pediu um tempo para se organizar.

    Aos 3:16 do overtime, a veterana Daryl Watts selou a vitória para as Badgers ao marcar de trás do gol, usando uma adversária como tabela para direcionar o puck para dentro.

    Watts disse que viu a goleira se posicionar e decidiu tentar fazer o puck quicar nela e entrar. Ela acabou atingindo a defensora Megan Carter no final, mas o resultado foi como o esperado, para totalizar 19 gols na temporada. Em seu último ano, Watts chega ao total de 240 pontos no hockey universitário, a 14ª maior marca da NCAA.

    “Foi como um roteiro,” disse o técnico de Wisconsin, Mark Johnson, sobre o gol de Watts. “Se você pudesse escrever (o roteiro) e escolher alguém para marcar o gol da vitória, seria ela.”

    Daryl Watts começou sua carreira na NCAA na Boston College, onde se tornou a primeira caloura a vencer o Patty Kazmaier, em 2018. Ela decidiu se transferir para Wisconsin em 2019, e se juntou ao time na temporada 2019-20.

    “Uma das razões pelas quais ela quis vir para Wisconsin ao escolher uma escola era a oportunidade de vencer um campeonato nacional,” acrescentou Johnson.

    Johnson é atualmente o técnico mais vitorioso na história da NCAA, com 539 vitórias ao todo. Com seu sexto troféu nacional ele ultrapassa Shannon Miller pela marca de mais títulos no hockey universitário feminino nos EUA.

    Enquanto a temporada do hockey universitário chega oficialmente ao fim para as mulheres, o torneio masculino se prepara para começar. Na noite de domingo (21), as 16 universidades selecionadas para brigar pelo campeonato nacional serão anunciadas pela NCAA. Após as primeiras rodadas do bracket, as quatro equipes finalistas do bracket disputarão o Frozen Four em Pittsburgh, que acontece nos dias 6 e 8 de abril.

    Foto: Reprodução/WCHA.com

  • Gary Bettman comenta sobre desafios do último ano na NHL

    Gary Bettman comenta sobre desafios do último ano na NHL

    Há exatamente um ano, o comissário da NHL, Gary Bettman, anunciou que a liga entraria em pausa por tempo indeterminado em razão do crescente número de casos de COVID-19 na América do Norte. A decisão veio no dia 12 de março de 2020, data que viu também diversas ligas e associações esportivas em todo o planeta cancelar desde jogos decisivos a reuniões e eventos de pré-temporada.

    Este movimento se desencadeou na noite anterior, uma quarta-feira, quando Rudy Gobert (Utah Jazz, NBA) testou positivo para o novo coronavírus. Quase que de imediato, a NBA suspendeu indefinidamente o resto de sua temporada regular. A partida preste a acontecer na liga foi interrompida e milhares de torcedores foram evacuados da arena.

    “Eles instantaneamente entraram em modo de paralisação,” comentou Bettman, em uma coletiva de imprensa na tarde de ontem (11). “Nós não queríamos passar por aquela situação. Não queríamos um prédio cheio de pessoas. Nós queríamos ser um pouco proativos.” Era claro para Bettman que a liga logo também teria que lidar com casos positivos de COVID.

    Naquela mesma noite de 11 de março de 2020, a NHL concluiu suas últimas cinco partidas com as arenas lotadas. Com o avanço do novo vírus nas semanas que antecederam a pausa, a liga já se estruturava para tomar as medidas necessárias para a segurança de seus jogadores, funcionários e fãs. Vimos a limitação do acesso da mídia aos vestiários, e estávamos nos acostumando à ideia de jogos sem torcida em algumas cidades. (Eu mesma ainda tinha planos de ir a um jogo da NBB aqui em São Paulo naquele final de semana – a liga brasileira anunciou no dia seguinte que os próximos jogos aconteceriam com portões fechados).

    Bettman e o comissário adjunto da NHL, Bill Daly, convocaram uma reunião naquela quinta-feira (12) com o Conselho Executivo da liga, e não muitas horas depois foi anunciada a pausa. Desde então, acompanhamos um ano inteiro de decisões e mudanças na NHL, lidando com cada desafio conforme eles aparecem. Ninguém sabia como a situação iria se desenvolver a partir daquele fatídico 12 de março. Até hoje, um ano depois, ainda há incógnitas, não só nos esportes, mas em todos os aspectos de nossas vidas em meio à pandemia.

    “Nosso objetivo e nosso trabalho era conduzir (a situação) da melhor forma possível, entendendo que saúde e segurança precisavam ser a preocupação nº1. Foi nosso foco 365 dias atrás. É nosso foco e prioridade nº1 hoje.” comentou Bettman.

    Eventualmente, a NHL teve sucesso em concluir os playoffs da temporada 2019-20 em suas “cidades-bolha” – e sem registrar casos positivos de COVID-19 nelas –, coroar um novo vencedor da Stanley Cup, realizar um draft virtual, criar diferentes iniciativas e comitês de diversidade e inclusão, negociar uma extensão para o CBA com a NHLPA, dar início a uma nova temporada, realizar jogos ao ar livre, trazer novas parcerias corporativas para a liga e revelar um novo acordo televisivo com a ESPN americana.

    “Mesmo hoje, é quase difícil de acreditar que estamos fazendo isso há um ano. E ainda não acabamos,” Bettman comentou. Ao examinar todos os meses que se passaram desde a pausa na temporada anterior, o comissário exaltou a cooperação com médicos e especialistas. Da mesma forma, mencionou a colaboração com o governo dos estados/províncias e cidades que abrigam cada uma das franquias.

    No início desta temporada reduzida, até o seu segundo mês, a NHL lidou com algumas complicações face ao avanço do vírus. Porém, com novos protocolos e medidas em vigor, parece caminhar para uma situação de maior controle e segurança para todos. Bill Daly ofereceu “bastante crédito” à NHLPA e aos jogadores ao aderir aos novos protocolos necessários. No dia 12 de fevereiro, a lista de jogadores no Protocolo de COVID da liga atingia um pico de 59 pessoas. Um mês depois, eram apenas quatro nomes listados, dentre todas as equipes.

    Ainda com alguns desafio à frente, pouco a pouco, a liga acredita em um retorno a alguma normalidade. “Conforme olhamos adiante, mais da metade de nossos clubes têm fãs nas arenas, em um número limitado,” disse Bettman. “Ao vermos esse número aumentar, contanto que a pandemia coopere e tenhamos mais e mais vacinações, estamos otimistas de que ao irmos em direção aos playoffs, o número de clubes e o número de pessoas continue a crescer. Vamos continuar nos ajustando conforme o necessário para completar a temporada regular e conduzir os playoffs. E nós seguimos otimistas de que possamos estar bem próximos, se não totalmente de volta ao normal para o começo da próxima temporada.”

    Gary Bettman e Bill Daly durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira (captura de tela/NHL.com)

    Mudanças que não vieram para ficar

    A atual temporada 2020-21 começou na metade de janeiro, e teve seu calendário regular reduzido de 82 para 56 jogos. Além do menor número de jogos, a NHL também precisou realinhar suas divisões em razão das restrições de viagem entre Estados Unidos e Canadá.

    Vimos os 31 times se dividirem em quatro novos grupos: Leste, Central, Norte e Oeste. As equipes jogam apenas em sua própria divisão até o segundo round dos playoffs, e isso serviu para reviver algumas antigas rivalidades e também oferecer um produto inédito com os confrontos só entre times canadenses.

    Apesar dos diversos apelos deste formato quase 100% divisional, Bettman esclareceu na coletiva que o realinhamento não deve se estender além dessa temporada. “Nós fizemos o que precisava ser feito se quiséssemos jogar este ano,” disse o comissário da liga. “Nós entendemos o problema da fronteira entre Canadá e Estados Unidos e criamos a Divisão Norte. Poderemos focar mais em confrontos divisionais no futuro, porém eu não tenho certeza se isto se manteria em uma agenda de 82 jogos.

    “Funcionou bem este ano. Eu não vejo isso se propagar. Fãs nos EUA querem ver Connor McDavid, fãs no Canadá gostariam de ver Sidney Crosby,” ele concluiu. Dessa forma, a única mudança que veremos a partir da próxima temporada será a já confirmada ida do Arizona Coyotes para a Divisão Central, deixando uma vaga para a chegada do Seattle Kraken na Divisão Pacífica. 

    Voltando a cruzar fronteiras

    Na coletiva, tanto Bettman quanto Daly não se precipitaram ao falar dos planos para esta pós-temporada. Após as finais de divisão, na segunda rodada dos playoffs, será necessário que o vencedor do Norte enfrente uma das equipes americanas, e ainda não há decisão sobre a melhor forma de realizar estas partidas. 

    Dadas as atuais restrições de viagem e de público em eventos no Canadá, tudo ainda é muito incerto. Por isso, espera-se que até chegar a hora de disputar o terceiro round, haja menos limitações para que os jogos aconteçam. Daly afirmou estar em contato com oficiais do governo canadense para discutir as possibilidades. “A primeira vez que o time canadense teria que viajar para fora do Canadá ou vice-versa, um time dos EUA entrando no Canadá, seria em meados de junho, então temos algum tempo para lidar com isso,” ele disse.

    Após a realização dos jogos do NHL Outdoors em Lake Tahoe no mês passado, a liga também voltou a atenção para a possibilidade de retomar seus eventos especiais na próxima temporada. Entre eles, os jogos na Europa, que não foram possíveis no ano anterior por conta das restrições da COVID-19, tanto na América do Norte quanto no velho continente. Daly disse que “se não pudermos, por qualquer motivo, relançar esses jogos no próximo outono, certamente espero que possamos fazê-lo na temporada seguinte.”

    A NHL e NHLPA também vêm discutindo sobre as condições do retorno aos Jogos Olímpicos de Inverno. A próxima edição do evento está marcada para fevereiro de 2022, em Pequim, na China. “O COI agora está ocupado em termos de finalizar os planos para o que será (Tokyo 2020) e, ainda que eles tenham notado essa questão – o hockey e a potencial participação da NHL e seus jogadores – em seu radar e que eles precisam lidar com isso, ainda não estão em posição de fazê-lo concretamente,” afirmou Daly. Uma vez finalizada a preparação para as Olimpíadas deste ano, o Comitê deve se engajar novamente com a IIHF para retomar as conversas sobre a participação dos NHLers

    Os principais pontos a se acordar entre liga, PA, COI e Federação envolvem algum tipo de seguro e o custo disso para os participantes, além dos custos de viagem e acomodação dos jogadores, suas famílias. Espera-se também que NHL e NHLPA briguem pela obtenção de algum direito de uso de imagem e vídeo dos eventos olímpicos.

    As próximas grandes estrelas

    Bettman e Daly não se prolongaram a falar do NHL Draft deste ano ou das possíveis mudanças no formato da loteria.

    O comissário causou certa polêmica ao afirmar que “não acredita haver tanking na NHL.” Este termo se refere a um mecanismo pelo qual um time realiza uma temporada ruim a fim de terminar entre os últimos colocados e garantir uma escolha alta no draft.

    As mudanças propostas à loteria, e que devem ser votadas pelo Conselho Executivo da NHL em breve, poderiam limitar a até duas as vezes em que um mesmo time receberia uma das primeiras escolhas num período de cinco anos. Além disso, um participante da loteria do draft não poderia subir mais que dez posições na ordem das escolhas. Por fim, no lugar das três primeiras picks, apenas as escolhas 1 e 2 seriam sorteadas entre os times participantes.

    Quanto à data do 2021 NHL Draft, o comissário adjunto Bill Daly afirmou que ainda não há decisão se o evento precisará ser adiado. No entanto, ele acredita que provavelmente continuará marcado para os dias 23 e 24 de julho deste ano.

    O principal argumento para um possível adiamento é o de que muitos jogadores que participariam do draft não puderam competir regularmente este ano. Da mesma forma, não podendo viajar e comparecer a muitos jogos, os scouts não tiveram o mesmo acesso via vídeo para fazer suas avaliações finais. Contudo, mais e mais observamos as principais ligas de hockey funcionando em meio à pandemia, tanto na América do Norte quanto na Europa. Muitos jogadores puderam encontrar times em atividade para jogar e continuar seu desenvolvimento. Daly afirmou que “é certamente uma situação imperfeita, mas nós vimos lidando com situações imperfeitas.”

    Assim como muitos se mantêm otimistas quanto à volta à normalidade (dependendo do país em que você vive), autoridades da NHL acreditam que não só os eventos planejados num futuro próximo devam ocorrer sem maiores complicações, mas também a próxima temporada já deve se parecer muito mais com o que estávamos acostumados. Ainda, os preparativos para times como o New York Islanders e o Seattle Kraken também estão em dia para abrir a próxima temporada em suas novas arenas.

    O plano, segundo Bettman, é retomar o calendário de 82 jogos a partir de outubro deste ano, para abrir a temporada 2021-22. “Estamos esperançosos, estamos planejando, estamos otimistas, e acreditamos sermos capazes de começar a próxima temporada em dia.

    “Há uma luz no fim do túnel, mas essa não é a hora de baixar nossa guarda ou reduzir nossa vigilância.”

    Foto: Reprodução/milehighhockey.com

  • Artemi Panarin se afasta dos Rangers após denúncia criminal

    Artemi Panarin se afasta dos Rangers após denúncia criminal

    Artemi Panarin, jogador do New York Rangers, anunciou seu afastamento do time após denúncia de agressões a uma mulher em um bar na Letônia. O ato teria ocorrido em em 2011, quando Panarin jogava para o Vityaz na KHL. 

    As alegações foram feitas por seu ex-treinador, o russo e ex-jogador da NHL, Andrei Nazarov. Em seu depoimento para um jornal local, Nazarov conta que após um jogo em que o Vityaz perdeu de 2-0 para o Dinamo Riga, Panarin, que tinha 19 anos na época, saiu com colegas do time para o bar do hotel, na cidade de Riga, Letônia. Lá, ele teria discutido e batido em uma mulher de 18 anos. Nazarov alega que uma investigação foi aberta no país sobre o ocorrido. No entanto, segundo ele, uma fonte indeterminada pagou 40 mil euros para livrar o jogador da continuidade do caso. 

    Contudo, um porta-voz do hotel afirma que nada disso aconteceu e outras fontes alegam que Andrei Nazarov está mentindo. As autoridades locais ainda não se manifestaram sobre o depoimento e alegações. Já o New York Rangers liberou uma nota apoiando o jogador e informando que ajudarão Panarin a identificar a fonte dessas “infundadas alegações.”

    Na mesma nota, Artemi além de negar o ocorrido diz que se trata de uma tentativa de intimidação pelo jogador ter se manifestado publicamente sobre questões políticas russas. 

    Recentemente, o jogador publicou em sua conta pessoal no Instagram uma imagem com a legenda “Soltem Navalny”, principal opositor político de Putin que foi julgado e preso no início deste ano. Nazarov, apoiador do atual presidente russo Vladimir Putin, afirma que Artemi Panarin tem um mau-comportamento sistêmico e que por isso critica Putin frequentemente. 

    O jogador ainda tem família na Rússia e passa seu tempo na intertemporada no país natal.

    Foto: Reprodução/NBC Chicago

  • Primeiro mês da temporada 2020-21 da NHL e a COVID-19

    Primeiro mês da temporada 2020-21 da NHL e a COVID-19

    No dia 13 de janeiro demos início à temporada 2020-21 da NHL. Com a COVID-19 ainda como uma dura realidade que precisamos enfrentar, a liga precisou criar um protocolo e um calendário adaptável para que a temporada regular acontecesse. Um mês após o início da temporada, mais de 30 jogos já foram adiados, todos de times dos Estados Unidos. 

    Em 1º de dezembro do ano passado, a NHL e a NHLPA lançaram seu protocolo de COVID-19. Nele, constam as regras que precisam ser seguidas para que a temporada aconteça, pensando que não existirá uma bolha. Dentre elas estão as seguintes condições: os jogadores que testarem positivo serão identificados pela liga e não poderão voltar a jogar até que sejam curados e liberados pelo cardiologista e pelo médico da equipe.

    Entretanto, colegas de equipe que tiveram contato, e não apresentaram sintomas, ou testaram negativo, não se colocarão em quarentena. Todos os treinadores que ficam no banco seguirão a política obrigatória do uso de máscara a temporada toda.

    Com essas medidas, a liga visa diminuir o contágio e contato entre jogadores, treinadores e comissão técnica.

    Calendário da temporada regular 2020-21

    A NHL divulgou o calendário para a temporada e que visava organizar a casa para que a temporada 2022 começasse nas datas certas de todos os anos antes da pandemia.

    •   13 de janeiro de 2021: começa a temporada regular (programação de 56 jogos para cada equipe)
    •   11 de fevereiro: Prazo para assinatura de Free Agents restritos
    •   12 de março: Prazo para assinatura de extensões de contrato de 2021-22
    •   12 de abril; 16h00 BRT: Trade Deadline
    •   8 de maio: Termina a temporada regular
    •   11 de maio: Começam os playoffs (data provisória)
    •  9 de julho: Último dia possível para a Final da Stanley Cup (data provisória)
    •  21 de julho: Draft de expansão para o Seattle Kraken
    •  23 a 24 de julho: NHL Draft de 2021

    É um calendário bem pensado e que faz todo sentido para a temporada. Porém, como vimos neste primeiro mês, não é bem assim que a temporada regular está seguindo.

    Início dos jogos

    Oficialmente em 13 de janeiro começamos a temporada regular, com cinco jogos, dois na Divisão Norte. Vale ressaltar que para esta temporada as divisões foram reorganizadas em norte, oeste, central e leste, conforme a imagem abaixo.

    NHL anuncia temporada para 13 de janeiro com realinhamento das divisões em 2020-21
    Nova organização das divisões (Reproduçao/NHL.com)

    Pela primeira vez desde 1923, todos os times canadenses ficaram na mesma divisão. Essa decisão foi necessária com as políticas restritivas de território no Canadá, pois ficaria inviável os times viajarem para realizar partidas nos EUA.

    Dessa forma, o primeiro dia de calendário ocorreu como o esperado, com todos os jogos realizados e sem casos de COVID-19.

    Já no segundo dia, 14 de janeiro o primeiro problema se fez notar: a equipe do Dallas Stars, atuais campeões da Conferência Oeste, precisou postergar o seu início na temporada regular devido à um surto de casos de COVID-19.

    Ao todo, 17 membros do time tiveram a doença no training camp. A estreia da equipe ficou marcada para acontecer no dia 19 de janeiro entretanto, só aconteceu mesmo no dia 22 de janeiro, contra o Nashville Predators, na qual venceram por 7 x 0.

    Com este problema “resolvido”, a NHL seguiu confiante de que com todos seguindo o protocolo, as chances de surtos e muitos casos seria pequena. Contudo, não foi isso que o destino reservou para a temporada.

    Adiamentos de partidas

    Desde o final de janeiro a liga vem sofrendo com diversos atletas e comissão técnica com novos casos. O grande problema, é que quando o primeiro caso aparece, não demora muito para pelo menos mais duas pessoas da equipe em questão também pegarem o vírus.

    No dia 04 de fevereiro a NHL anunciou que os jogos do Colorado Avalanche até pelo menos 11 de fevereiro seriam remarcados. Isso porque jogadores do time entraram no protocolos da COVID-19 da NHL.

    A decisão veio dos grupos médicos da liga, da NHLPA e do Avalanche, em conjunto com o Departamento de Saúde do Colorado, que determinou que mais cautela era necessária enquanto as partes analisavam os resultados dos testes nos próximos dias.

    No dia 03 de fevereiro a NHL anunciou que como resultado da adição de cinco jogadores do Minnesota Wild ao protocolo da COVID-19. Assim, os jogos da equipe foram adiados até pelo menos dia 09 de fevereiro visando proteger toda a equipe, funcionários e jogadores.

    No dia 01 de fevereiro a liga anunciou que os jogos do New Jersey Devils foram adiados até dia 06 de fevereiro (até o momento desta matéria, os jogos dos Devils ainda estão adiados) em resultado de quatro jogadores que entraram no protocolo da COVID-19 da NHL.

    Dessa forma, com todas estas partidas adiadas, a continuação da temporada regular é uma incógnita pois com as datas de playoffs já definidas, entendemos que os jogos regulares precisam acontecer até este período.

    Ao todo, cada time de cada divisão precisa jogar oito jogos com cada uma das equipes que estão dentro da mesma divisão. Com estes adiamentos, para que isso ocorra dentro do prazo previsto, será necessário encaixar diversas partidas no restante do calendário. Dessa maneira, é bem possível que vejamos muitos jogos em dias subsequentes, semelhante à bolha do ano passado.

    Vale questionar se isto tudo é realmente possível. Seria uma pausa no calendário necessária para conter novos surtos de COVID-19? A NHL precisará reduzir quantidade de jogos? Talvez uma nova bolha precisará existir para enfim chegarmos aos playoffs. A torcida é para que no final dê tudo certo e, ao fim do semestre, tenhamos um novo campeão da Stanley Cup. 

    Foto: Reprodução/ESPN.com