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  • O que esperar da Divisão Norte na temporada 2020-21

    O que esperar da Divisão Norte na temporada 2020-21

    As rivalidades canadenses têm tudo para ficarem mais acirradas nesse novo modelo, com a introdução da Divisão Norte. Por conta das restrições de viagem e do fechamento da fronteira entre Canadá e EUA, as equipes do Great White North irão disputar as partidas da temporada regular apenas entre si. Isso significa que teremos muitos confrontos de rivais históricos, o que pode resultar em, no bom e velho linguajar coloquial, tretas. 

    Afinal, serão dez Batalhas de Alberta entre Edmonton Oilers e Calgary Flames, e o mesmo número de partidas entre Toronto Maple Leafs e Montreal Canadiens. Além disso, poderemos ver a animosidade crescer com as demais equipes canadenses, afinal Vancouver e Winnipeg também jogarão muitas partidas contra Edmonton e Calgary. Assim como Ottawa tentará atrapalhar o caminho de Toronto e Montreal em sua disputa pelas vagas na pós-temporada. 

    Vem com a gente dar uma olhada no que nos aguarda para essa Divisão Norte!

    Calgary Flames

    Os Flames têm diversas caras novas, muitas delas vindas do Vancouver Canucks. Embora sejam peças experientes e calejadas por anos de carreira na NHL, nomes como Chris Tanev e Jacob Markstrom são contratos que podem trazer arrependimento no futuro. Isso porque ambos já estão na segunda metade das carreiras, e irão enfrentar uma temporada compacta com muitos jogos em um curto espaço de tempo. Pelo lado positivo, a equipe de Calgary pode ver mais um ano no desenvolvimento do center Dillon Dube, que foi um destaque na temporada passada. 

    Ainda falando do ataque, Elias Lindholm se adaptou aos Flames e hoje é uma peça importante na ofensiva do time de Alberta. Na defesa, além do capitão e ganhador do Norris Trophy Mark Giordano, a equipe conta com Rasmus Andersson. Ele está em ascensão como parte da espinha dorsal da blue line. Entretanto, o time também possui Noah Hanifin, draftado em quinto em 2015, que ainda não atingiu todo o potencial que se esperava dele. Mas se o jovem americano conseguir seguir pelo caminho certo este ano poderá ser um diferencial no desempenho de Calgary.

    As projeções matemáticas colocam os Flames no meio da tabela da divisão, com uma pontuação entre 61 e 65 pontos e um posicionamento entre o terceiro e o quarto lugar (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com), com cerca de 70% de chances de classificação para os playoffs. Pode ser que a equipe supreenda e, com ajuda do ataque liderado por Matthew Tkachuk (meu time do fantasy agradeceria) e Johnny Gaudreau, o time conseguiria fazer uma longa campanha pela Stanley Cup, mas infelizmente os números não estão do lado de Calgary dessa vez.

    A maior contribuição que podemos pedir para os Flames nesta temporada é nos fornecer entretenimento! Afinal, a “peste do Oeste”, Matthew Tkachuk, vai atazanar não apenas Zack Kassian e os Oilers, como também o próprio irmão, Brady, e os seus Ottawa Senators. Por isso te pergunto: você acha que a Matthew Tkachuk Friendship Tour irá ganhar mais algumas paradas em 2021? Os Flames têm chances para a pós-temporada? Conte para a gente nos comentários!

    Edmonton Oilers

    O lugar aonde as estrelas do século XXI vão morrer? Talvez. Mesmo sem o GM-desastre Peter Chiarelli, a situação em Edmonton não é das melhores. Afinal, a equipe foi eliminada pelos frangalhos de uma dinastia em colapso, o Chicago Blackhawks, no round de play in da bolha este ano. Os Oilers têm o melhor jogador de hockey da atualidade em seu capitão Connor McDavid e o melhor jogador da última temporada, o wunderkind Leon Draisaitl. Ainda assim, conseguiram participar dos playoffs apenas uma única vez desde 2015, quando McDavid foi draftado. 

    Mas nem tudo são espinhos para Edmonton. Com suas duas maiores estrelas com mais um ano de experiência profissional, pode ser que eles finalmente passarão a ter coadjuvantes que contribuirão para vitórias. Em termos de profundidade no roster, os Oilers têm um elenco que deverá aguentar o ritmo da temporada.

    O retorno de Jesse Puljujarvi é uma notícia muito positiva, pois o finlandês tem potencial se conseguir se adaptar à NHL desta vez. Ademais, a adição de Tyson Barrie definitivamente irá ajudar no power play da equipe. Entretanto, os Oilers definitivamente irão sentir falta de Oscar Klefbom, que estará fora da temporada por causa de uma lesão no ombro. Outro problema é a falta de um goleiro confiável, já que seu tandem de goleiros deixa a desejar com Mike Smith e Mikko Koskinen. 

    As projeções matemáticas colocam Edmonton em lugares que vão da quarta à sétima posição na tabela da divisão, com uma pontuação entre 60 e 64 pontos (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com), com cerca de 64% de chances de classificação para os playoffs. Seria uma pena não poder ver Connor McDavid nos playoffs, tendo em vista o seu talento. No entanto, a classificação dos Oilers não reside apenas nas costas do canadense e de seu companheiro alemão, e sim das peças complementares. Conte-nos sua opinião, a equipe irá conquistar um lugar na pós-temporada? Será que esse elenco dos Oilers tem gás para surpreender? Comente aqui suas expectativas!

    Montreal Canadiens

    A vitória sobre o Pittsburgh Penguins no play in pode ter tirado as esperanças da torcida de terem uma estrela franco-canadense em seu roster, mas trouxeram de volta a animação em relação aos Habs. Depois de exercerem pressão sobre o Philadelphia Flyers no primeiro round dos playoffs, Montreal mostrou que não está tão longe de ser uma equipe competitiva. O time do Quebec tem variedade em seu elenco, embora não possua uma grande estrela entre seus patinadores. 

    Com Carey Price ainda jogando em alto nível, Montreal se viu forçando seu goleiro a disputar partidas seguidas por falta de um reserva convincente. Agora, com o recém-chegado Jake Allen, os Canadiens têm mais fôlego para enfrentar um calendário frenético. Os jovens Nick Suzuki e Jesperi Kotkaniemi devem continuar em seu desenvolvimento. E, embora Max Domi tenha sido uma perda razoável, se Josh Anderson conseguir se manter saudável ele poderá ajudar no ataque dos Habs. Além disso, Brendan Gallagher continua como o principal nome do ataque, e os veteranos Shea Weber e Jeff Petry trazem constância para a defesa dos Canadiens. 

    As projeções matemáticas colocam Montreal muito bem classificado na tabela da divisão, pontuando entre 63 e 70 pontos (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com), disputando a primeira colocação do Norte. A durabilidade de Carey Price e Jake Allen, ambos já na casa dos 30 anos, é a grande questão acerca deste elenco. Será que eles conseguirão sair vitoriosos da grande batalha do Canadá? Vamos ter poutine na Stanley Cup esse ano? Deixe sua opinião nos comentários!

    Ottawa Senators

    Um dos grandes sacos de pancadas da Liga atualmente, o Ottawa Senators vem cultivando seus prospects nos últimos anos. Embora tudo parecesse caótico durante um período de escuridão, os raios de luz vão entrando pela janela pouco a pouco. A começar por Brady Tkachuk, um dos destaques da última temporada da equipe e principal estrela dos Sens hoje, cujo estilo de jogo só tem a ganhar com várias partidas contra os mesmos adversários, que instigam rivalidades. TkachukBowl, anyone?

    Além das novidades veteranas entre os patinadores, que incluem Derek Stepan, Evgenii Dadonov, Alex Galchenyuk e Erik Gudbranson, a equipe contará com o recém-draftado Tim Stützle. O alemão, que estava no World Juniors com sua seleção, fará sua estreia profissional na NHL nesta temporada mesmo, e tem tudo para ser muito importante no rebuild de Ottawa. Outro novato no plantel dos Sens é o goleiro Matt Murray, vindo de Pittsburgh, que espera reencontrar sua melhor forma e seu melhor hockey na capital canadense. 

    As projeções matemáticas colocam Ottawa na lanterna da tabela da divisão, pontuando entre 49 e 55 pontos  (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com), sem qualquer chance prática de chegar à pós-temporada. Será que os Sens serão os azarões da temporada e complicarão a vida dos outros times canadenses? Como o jovem Tim Stüztle irá se adaptar à Liga? O dono dos Senators vai deixar de ser muquirana com contratos? Conte pra gente nos comentários!

    Toronto Maple Leafs

    Os Leafs vão começar a temporada com uma das adições mais inusitadas da Liga, o veterano Joe Thornton. Além dele, outras novidades para o bottom six da equipe incluem Jimmy Vesey e o veterano Wayne Simmonds, que ainda pode contribuir em um papel reduzido. Na defesa, o recém-chegado TJ Brodie tentará ajudar o que é o ponto fraco da equipe. No mais, pode ser que o jovem Rasmus Sandin ganhe oportunidades de brilhar no decorrer da temporada. Toronto tem, possivelmente, o maior número de estrelas por metro quadrado de roster

    Afinal, Auston Matthews, Mitch Marner, William Nylander e John Tavares representam quase 50% do cap hit dos Leafs, com pouco mais de 40 milhões de dólares em salários. Depois de uma eliminação no play in para o Columbus Blue Jackets, os superstars precisam mostrar que conseguem fazer uma campanha pela Stanley Cup. Entretanto, a maior incógnita de Toronto no ano passado foi o gol. Frederik Andersen está em seu último ano de contrato, e teve uma temporada esquecível em 2019-20, mas o dinamarquês deverá se recuperar. Com Jack Campbell como reserva, o técnico Sheldon Keefe terá uma opção para descansar Andersen. 

    Com o melhor grupo de atacantes da divisão (e talvez da Liga), Toronto fica em primeiro em duas das três previsões consultadas, com algo entre 66 e 72 pontos (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com). A equipe só ficaria de fora dos playoffs em um caso altamente improvável, já que tem cerca de 94% de chances de chegar até a pós-temporada. Será esse o ano dos Leafs? O primeiro grande evento pós-vacinação na cidade de Toronto poderá ser a parade? Se esse for o caso, chamem a gente do NHeLas (com vacina inclusa)! Até quando Auston Matthews vai usar o look bigodinho pornochanchada? Deixe sua opinião para a gente sobre o potencial dos Leafs e se seus superstars irão chamar a responsabilidade para si nesses playoffs!

    Vancouver Canucks

    A campanha da equipe durante a bolha surpreendeu muita gente e deu um sopro de esperança para a torcida. Com a emergência de jovens talentosos como Elias Pettersson (que deveria ter seu próprio reality show) e Quinn Hughes (que parece que não dorme uma noite inteira desde que saiu das fraldas), parecia que os Canucks estavam à beira de uma ascensão. Mas a offseason fez com que eles perdessem alicerces da franquia, como o goleiro Markstrom e o defensor Tanev. Parece que junto com isso também foi embora um pouco da noção, já que Adam Gaudette e Tyler Motte decidiram que trocar socos era uma boa forma de entrar no ritmo para a temporada.

    A chegada de Nate Schmidt foi fundamental para que a defesa da equipe se reestabelecesse na blue line. Além disso, o goleiro Braden Holtby terá a oportunidade de reencontrar seu melhor hockey e servir de mentor para Thatcher Demko, com quem deve dividir o gol. No ataque, Brock Boeser e JT Miller são jogadores de qualidade que podem dividir o poder de fogo da equipe nas duas primeiras linhas. E claro, o poder de decisão dos seus jovens superstars em Pettersson e Hughes por si só é uma vantagem para Vancouver. 

    As projeções matemáticas colocam os Canucks entre o quarto e o sexto lugar da tabela da divisão, pontuando entre 58 e 62 pontos  (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com), com chances menores de chegar à pós-temporada, cerca de 45% no cenário mais positivo. E você, acha que Vancouver pode surpreender? Ano passado a equipe foi a salvação do meu bracket, e o fator de múltiplos confrontos poderá ser uma vantagem ou desvantagem, nos resta apenas aguardar para saber. P.s.: a autora gostaria de peticionar por um reality show do Pettersson em nome do NHeLas, se você trabalha para os Canucks e está lendo esse texto, manda uma DM para a gente!

    Winnipeg Jets

    Não é segredo que os free agents da NHL são Winnipeg-fóbicos. O frio, os impostos, as planícies, a falta de Wi-Fi, tudo isso é um empecilho para a equipe conseguir que atletas que podem assinar com quem quiserem optarem pelos Jets. Ainda assim, os Jets têm o melhor goleiro do mundo na atualidade, Connor Hellebuyck, e muitos jogadores importantes. Embora todo dia surja um novo rumor de troca que envolva Patrik Laine, o winger finlandês tem um dos tiros mais perigosos da Liga e, até onde sabemos, vai ficar em Winnipeg (por enquanto). 

    O elenco da equipe inclui o capitão Blake Wheeler, o center Mark Scheifele, o winger Kyle Connor e o (quase sempre esquecido no churrasco) Nikolaj Ehlers, uma das maiores forças ofensivas dos Jets. O maior problema dos Jets reside na defesa, que sofreu com a aposentadoria de Dustin Byfuglien e com a debandada de Jacob Trouba. Ainda assim, Dylan DeMelo foi uma aquisição importante para compor a blue line, que também conta com Josh Morrissey e Neal Pionk. O jovem Ville Heinola também pode fazer uma aparição durante a temporada e, se provar que dá conta do recado, se tornar parte fixa da defesa. 

    Os cálculos divergem quanto às chances de Winnipeg conseguir chegar aos playoffs. As previsões vão do terceiro lugar ao quinto, com uma pontuação entre 61 e 62 pontos (fontes: HockeyViz, Evolving Wild e TheAthletic.com).  E você, acredita nos Jets? Acha que Winnipeg é realmente esse buraco escuro e frio? Para onde Laine vai ser trocado dessa vez? Conte para a gente nos comentários!

  • O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    O que esperar da Divisão Central na temporada 2020-21

    A nova temporada da NHL está batendo à porta, com início marcado para a próxima quarta-feira (13). Com as restrições impostas pela pandemia de COVID-19, a NHL precisou se adaptar com o intuito de criar um ambiente mais seguro para toda a Liga e comunidade do hockey. Dessa forma, assim como as demais, a Divisão Central da NHL sofreu mudanças para que a temporada pudesse ser iniciada de acordo com os protocolos de segurança. No entanto, com as adições à divisão, os confrontos tendem a ficar ainda mais competitivos e interessantes. 

    Baseado nas movimentações e desempenho dos times, trouxemos um preview sobre como poderá ser a temporada 2020-21 para as equipes da Divisão Central. 

    Carolina Hurricanes

    Aos poucos, o Carolina Hurricanes tem se desenvolvido e mostrado o potencial que sempre buscou. Foi apostando em seus jovens talentos que o time passou a crescer nos rankings, saiu da lanterna e, por fim, tornou-se um dos times mais interessantes da Liga. 

    Com talentos como Sebastian Aho e Andrei Svechnikov no comando ofensivo, os Canes possuem peças importantes para garantir maior sucesso nesta temporada. 

    A adição de Jasper Fast ao time durante a offseason poderá também beneficiar a equipe. Com a sua experiência na NHL, o jogador poderá adicionar mais força ao ataque e criar grandes oportunidades a gol. 

    Já na defesa, Carolina possui forças sólidas em Dougie Hamilton e Jacob Slavin. Por isso, é extremamente importante que a dupla continue fazendo boas atuações para proteger o gol dos Canes contra o ataque de times como o Tampa Bay Lightning, que tem se tornado cada vez mais rápido e ágil. 

    Podemos esperar grandes atuações do Carolina Hurricanes em 2021 e, certamente, uma classificação da equipe aos playoffs. Com um roster repleto de talentos, a estadia da equipe na pós-temporada pode ser extendida. 

    Chicago Blackhawks

    A última década foi repleta de muito sucesso e glória para os Blackhawks. Mas não se pode negar que, nos últimos anos, o desempenho do time caiu drasticamente.

    Com os desfalques de Jonathan Toews e Kirby Dach (que vinha contribuindo positivamente para o desenvolvimento dos Hawks) para esta temporada, o time conta com a liderança de Patrick Kane e Duncan Keith para melhorar sua atuação no gelo. 

    Com a saída de Corey Crawford da equipe, espera-se que Malcolm Subban assuma uma posição mais ativa no gol, tendo como backup Collin Delia. O time ainda conta com a presença de Dylan Strome, Alex DeBrincat, Alex Boqvist e Dominik Kubalik, que tendem a ser ainda mais ativos nessa temporada e no futuro dos Blackhawks. 

    É possível que, liderados por Kane, Chicago possa criar mais oportunidades em jogo e avançar na competição. Mas, por hora, é certo afirmar que o time está em processo de reconstrução, e que pretende investir cada vez mais em seus novos talentos para voltar a sua boa fase.

    Columbus Blue Jackets

    Nos playoffs de 2020, o Columbus Blue Jackets proporcionou ao fã de hockey uma das maiores (literalmente) e melhores partidas da bolha. No entanto, após um round exaustivo contra Tampa Bay, os esforços realizados pela equipe não foram suficientes para mantê-los na competição, e a nuvem de lesões que rondou o time foi a principal responsável.

    Porém, mesmo com os tropeços, os Blue Jackets têm se tornado uma equipe cada vez mais interessante de se acompanhar. Em 2021, com o time mais estável e recuperado, existe uma grande probabilidade de vermos Columbus como destaque dentre os times da Central.

    Zach Werenski e Seth Jones tendem a continuar com o bom trabalho na defesa. Algo importante, já que a zona defensiva do time tenta se estabilizar após a saída de Sergei Bobrovsky. Mas é esperado que Joonas Korpisalo e Elvis Merzlikins continuem mostrando potencial e fazendo defesas importantes.

    Ao reassinar com Pierre Luc-Dubois e Oliver Bjorkstrand, o time garantiu duas peças essenciais em seu ataque. Portanto, espera-se que a dupla, junto de novas adições como Max Domi, montem uma frente ofensiva que possa criar oportunidades constantes para Columbus a cada partida.

    Dallas Stars

    Um dos underdogs da divisão central, o Dallas Stars provou na temporada passada que tem condições (e talento) para avançar na competição. No entanto, a notícia de que seis jogadores e dois membros do staff do time precisaram ser afastados devido a possíveis sintomas de COVID-19 acabou preocupando seus fãs.

    Com a situação estabilizada, Dallas tende a ser um dos favoritos a garantir a primeira posição da Divisão. E a performance da equipe na temporada anterior afirma isso. Os Stars deram início a um estilo de jogo diferente e muito mais eficaz em 2020. Se isso se prolongar, poderemos assistir a ótimas atuações da equipe do Texas no gelo. 

    Mesmo com o desfalque de Tyler Seguin, figuras como Denis Gurianov poderão fazer toda a diferença no ataque de Dallas. Os veteranos, como Alex Radulov e Jamie Benn, também serão figuras importantes para a criação de oportunidades a gol, abrindo assim o espaço para que figuras mais jovens, como Joel Kiviranta, possam influenciar positivamente no desenvolvimento do Dallas. 

    A defesa dos Stars ainda é preocupante, levando em consideração o afastamento de Ben Bishop, devido a uma lesão causada nos playoffs de 2020. Mas, como pudemos assistir anteriormente, Anton Khudobin está mais do que apto para exercer o papel. Para isso, no entanto, é preciso John Klingberg e companhia consigam estabelecer uma defesa mais estabilizada, e que passe segurança ao goleiro. 

    Detroit Red Wings

    Nos últimos anos, o Detroit Red Wings tem enfrentado uma de suas piores fases na NHL. A última temporada foi um exemplo disso, já que a equipe ocupou o último lugar da tabela e apresentou desempenho lamentável. 

    O gol e defesa do time continuam instáveis, e a linha ofensiva precisa de melhor desenvolvimento para criar oportunidades e pontuar. Líderes do time, como Tyler Bertuzzi e Dylan Larkin, tentam fazer este trabalho, mas a fase em que os Red Wings se encontram não parece ajudar.

    Renovação. Essa é a palavra chave para se referir ao futuro do time de Detroit. É improvável que a equipe se destaque nesta temporada, mas prospects como Lucas Raymond, Theodor Niederbach e Elmer Soderblom têm trazido esperança para os próximos anos. É esperado que esse seja o foco dos Red Wings este ano: uma melhor reconstrução pensada para o futuro do time.

    Florida Panthers

    As aquisições feitas pelos Panthers em 2019 apontavam para melhorias no time ainda na temporada 2019-20. Porém, após a pausa em 2020, o desempenho do time decaiu e, assim, a oportunidade de ter sucesso nos playoffs ficou para outro ano.

    Nesta temporada, é esperado que Aleksander Barkov e Jonathan Huberdeau continuem sendo presenças importantes para o ataque da equipe. A aquisição de Anthony Duclair ao fim de 2020 também pode ser um grande reforço para a zona ofensiva dos Panthers. 

    Já na defesa, espera-se que Aaron Ekblad continue estável e que, principalmente, Sergei Bobrovsky consiga um melhor desenvolvimento o gol da equipe. É preciso que o goleiro esteja em boa fase para que, em conjunto com as demais áreas, o time consiga avançar na competição e mostrar seu potencial. 

    Os Panthers não são um dos favoritos à Stanley Cup, mas no hockey tudo é possível. Por agora, o time precisa focar em um maior desenvolvimento para, assim, garantir uma vaga nos playoffs.

    Nashville Predators

    Mesmo com aquisições como as de Matt Duchene, Nashville se viu novamente em uma posição complicada na temporada passada.

    No entanto, a história do time mostra que, quando saudável e forte, os Predators são uma equipe a ser temida. Mas é necessário que seus líderes, como Roman Josi, Filip Forsberg e Ryan Ellis estejam em sua melhor fase. 

    Josi talvez seja uma das figuras mais estáveis do time atualmente, e, como sempre, promete grandes atuações na defesa, juntamente de Ellis — outra peça importante na zona defensiva do Nashville. Pekka Rinne tem apresentado bom desempenho, mas não apresenta grande estabilidade. Portanto, este é um dos pontos em que o Nashville precisa manter a cautela, caso queira avançar na competição. 

    Desde que chegou, Duchene também não apresentou o desenvolvimento esperado pela equipe. Assim, é necessário que ele e Forsberg encontrem química dentro do gelo para que as oportunidades a gol surjam para Nashville. Se a zona ofensiva do time não se desenvolver, a equipe tende a voltar à estaca zero outra vez.

    Tampa Bay Lightning

    Não é mistério que o Tampa Bay Lightning é um dos favoritos à Stanley Cup nesta temporada.

    Porém, a ausência de Nikita Kucherov poderá impactar negativamente o desenvolvimento do time em 2021. Mesmo com Stamkos saudável e em ótima fase, o ataque do Lightning tende a ser afetado com o desfalque. 

    No entanto, um time não é feito de apenas um jogador, e a vitória da Stanley Cup em 2020 pelos Bolts foi a prova disso. Tanto Stamkos, quanto Brayden Point e Ondrej Palat prometem levar o time ainda mais longe na competição. As demais linhas, que contam com Anthony Cirelli e Tyler Johnson também não desapontam, e prometem grandes atuações. 

    Já na defesa, Tampa Bay conta com a liderança de Victor Hedman que, se continuar com a boa fase, tende a oferecer à goleira de Vasilevskiy a melhor proteção possível. 

    É quase certo que o Tampa Bay Lightning garanta sua vaga nos playoffs. A pergunta que não quer calar é: o quanto o time avançará na pós-temporada? Resta-nos acompanhar o desenrolar desta história.

    Foto: Reprodução/icethetics.com

  • O que esperar da Divisão Leste na temporada 2020-21

    O que esperar da Divisão Leste na temporada 2020-21

    Prontos para 2020-21?

    Mais alguns dias e teremos a NHL de volta para a temporada 2020-21, no dia 13 de janeiro. Essa temporada virá com algumas mudanças devido à pandemia e às leis sanitárias em vigor nos EUA e no Canadá. Com o realinhamento das divisões da liga, a Divisão Leste foi criada similar à Metropolitana, mas com a inserção de Boston Bruins e Buffalo Sabres, além do remanejamento do Columbus Blue Jackets e Carolina Hurricanes, que foram para a Divisão Central. 

    Dessa maneira, enquanto times como New York Islanders e New York Rangers jogam na mesma divisão há 48 anos, outros como Philadelphia Flyers e Boston Bruins vão se enfrentar em um mesmo grupo na temporada regular pela primeira vez na história. Com cada time se enfrentando em 8 das 56 partidas totais da temporada, velhas e novas rivalidades inevitavelmente se estabelecerão. 

    Sem a possibilidade de venda de ingressos para o público, a NHL está encontrando maneiras de fazer a conta fechar. O primeiro passo foi vender os direitos sobre o nome das divisões. MassMutual East Division será o grupo de Boston Bruins, Buffalo Sabres, New Jersey Devils, New York Islanders, New York Rangers, Philadelphia Flyers, Pittsburgh Penguins e Washington Capitals. 

    Apesar de ainda precisarmos aguardar mais uns dias para o puck drop oficial, os training camps tiveram início no dia 3 de janeiro. Desde então, recebemos uma enxurrada de conteúdo das equipes, com entrevistas no Zoom, discursos sobre o que esperar dos times, roster do treinamento, e confirmações sobre trades e o free agency de alguns jogadores. 

    Boston Bruins

    Os Bruins assinaram contratos com Craig Smith, Jakub Zboril, Greg McKegg, Callum Booth, Kevan Miller, Matt Grzelcyk, Karson Kuhlman, Zach Senyshyn, Jake DeBrusk. E disseram adeus para Peter Cehlarik, Zdeno Chara, Torey Krug, Maxime Lagace, Joakim Nordstrom, Alexander Petrovic, Wiley Sherman.

    Apesar de algumas mudanças, ainda possuem uma das linhas mais famosas da liga, contando com Patrice Bergeron, Brad Marchand e David Pastrnak, líderes em pontuação do time na última temporada. Com a ida de Zedno Chara para o Washington Capitals, Patrice Bergeron foi nomeado como o vigésimo capitão da franquia. Além do novo capitão, Marchand e Pastrnak, o roster oficial do treinamento foi:

    Boston Bruins
    Boston Bruins Training Camp Roster 2020-21

    Buffalo Sabres

    Enquanto isso, os Sabres assinaram com Taylor Hall, Zemgus Girgensons, Tobias Rieder, Brandon Montour, Cody Eakin, Brandon Davidson, Steven Fogarty, Casey Nelson, Sam Reinhart, Linus Ullmark, Matt Irwin, Victor Olofsson, Dustin Tokarski, Casey Mittelstadt e Eric Staal. E encerraram contrato com Lawrence Pilut, Michael Frolik, Johan Larsson, Wayne Simmonds, Dalton Smith, Vladimir Sobotka, Jimmy Vesey, Scott Wilson, Brandon Hickey, Dominik Kahu e Marcus Johansson. 

    Além de terem recrutado de última hora Dylan Cozens e Jack Quinn diretamente do pódio de segundo lugar do time canadense do 2021 IIHF World Junior Championship, o defensor Ryan Jones recebeu um contrato profissional de teste, entrando no gelo para treinar com a equipe no dia 7 de janeiro. O roster de treinamento da equipe ainda não contava com esses três nomes quando foi oficialmente anunciado.

    Buffalo Sabres
    Buffalo Sabres Training Camp Roster 2020-21

    New Jersey Devils 

    Devido ao free agency, os Devils se despediram de John Hayden, Brandon Baddock,  Dakota Mermis, Kevin Rooney, Vojtech Mozik, Julian Melchiori, Zane McIntyre nessa temporada. E assinaram novos contratos com Sami Vatanen, Scott Wedgewood, Nick Merkley, Dmitry Kulikov, Colton White, MacKenzie Blackwood. Corey Crawford, que havia previamente assinado contrato com o time durante a pós temporada, anunciou sábado, dia 9 de janeiro, sua decisão de se aposentar após uma carreira de dez anos na NHL. O time convocado para o training camp foi:

    New Jersey Devils
    New Jersey Devils Training Camp Roster 2020-21

    A franquia está motivada a retornar para os playoffs pela primeira vez desde 2017-18, contando também nessa temporada com o novo treinador, Lindy Ruff.

    New York Islanders 

    Os Islanders não tiveram que se despedir de muitos dos seus jogadores durante esse free agency, mas não renovaram contrato com o time Thomas Greiss, Derick Brassard, Christopher Gibson, Johan Sundstrom, Linus Soderstrom. O atacante, Mathew Barzal, assinou sua renovação apenas neste sábado, dia 9, apesar de estar na lista oficial dos jogadores do training camp desde o início da semana. Enquanto isso, Matt Martin, Austin Czarnik, Grant Hutton, A.J. Greer, Joshua Ho-Sang, Parker Wotherspoon, Mitch Vande Sompel, Seth Helgeson, Jeff Kubiak, Erik Brown, Nick Pastujov, Ryan Pulock, Andy Greene, Cory Schneider, renovaram e permanecem na franquia. 

    A lista dos jogadores participantes do foi:

    New York Islanders Training Camp Roster 2020-21
    New York Islanders Training Camp Roster 2020-21

    New York Rangers 

    Já na Big Apple, Alexis Lafreniàre, primeira escolha geral no NHL Draft de 2020 da liga, juntou-se a um ataque que conta com Artemi Panarin e Mika Zibanejad. Além disso, os Rangers assinaram com Brandon Crawley, Jack Johnson, Kevin Rooney, Anthony Bitetto, Keith Kinkaid, Colin Blackwell, Anthony Greco, Jonny Brodzinski, Phillip Di Giuseppe, Alexandar Georgiev, Tony DeAngelo, Gabriel Fontaine, Darren Raddysh, Ryan Strome, Brendan Lemieux. A equipe também disse good-bye para nomes como Jesper Fast, Steven Fogarty, Micheal Haley, Nicklas Jensen, Greg McKegg, Nick Ebert, Vinni Lettieri, Danny O’Regan.

    Seu roster foi para o training camp:

    New York Rangers Training Camp Roster 2020-21
    New York Rangers Training Camp Roster 2020-21

    Philadelphia Flyers 

    O time da Filadélfia deixou de ser a casa de Mikhail Vorobyev, Kurtis Gabriel, Derek Grant, Tyler Pitlick, Nate Thompson e Andy Welinski. Chris Stewart se aposentou depois de uma carreira de 11 anos na NHL, mas dias depois do anúncio foi nomeado como development coach para o Flyers, último time no qual jogou. O ex-jogador também é membro desde junho de 2020 da Hockey Diversity Alliance, organização que tem o objetivo de erradicar o racismo institucional e a intolerância no hockey. Além dele, Matt Niskanen também anunciou recentemente sua aposentadoria, tendo jogado 68 partidas com a franquia na última temporada.  

    Ademais, os Flyers assinaram contrato com Derrick Pouliot e Erik Gustafsson. Garantindo um roster de 41 jogadores durante o training camp com: 22 atacantes – 

    Wade Allison (RW), Andy Andreoff (C/LW), Nicolas Aube-Kubel (RW), Connor Bunnaman (C), Sean Couturier (C), Joel Farabee (LW), Tyson Foerster (RW), Morgan Frost (C), Claude Giroux (C), Kevin Hayes (C), Travis Konecny (RW), Tanner Laczynski(C), Scott Laughton (C), Oskar Lindblom (LW), Samuel Morin (LW), Nolan Patrick (C), Michael Raffl (LW), Linus Sandin (RW), Carsen Twarynski (LW), James van Riemsdyk(LW), Jakub Voracek (RW), Zayde Wisdom (LW); 14 defensores – Chris Bigras, Justin Braun, Mark Friedman, Shayne Gostisbehere, Erik Gustafsson, Robert Hagg, Philippe Myers, Derrick Pouliot, Nate Prosser, Ivan Provorov, Travis Sanheim, Tyler Wotherspoon, Wyatte Wylie, Egor Zamula; e 5 goleiros – Brian Elliott, Carter Hart, Alex Lyon, Felix Sandstrom, Roddy Ross.

    Nos últimos playoffs o time perdeu no sétimo jogo, na segunda rodada da série, para o New York Islanders. No entanto, eles saíram inteiros da pós-temporada e seu goleiro Carter Hart é um forte nome para 2020-21.

    Pittsburgh Penguins

    Enquanto isso, em Pittsburgh muitas coisas mudaram durante a offseason de 2020. Na última temporada o time foi eliminado nos Qualifiers da Stanley Cup. Desde então, resolveram dizer adeus para Patric Hornqvist e Matt Murray, e em troca adquiriram Mike Matheson, Jonathan Gruden e uma escolha de segunda rodada no draft do ano passado, que resultou na contratação de Joel Blomqvist. 

    Os Penguins também assinaram com Evan Rodrigues, Mark Jankowski, Josh Currie, Frederick Gaudreau, Maxime Lagace, Anthony Angello, Sam Lafferty, Sam Miletic e Cody Ceci. Já Pontus Aberg, Patrick Marleau, Justin Schultz, Conor Sheary, Dominik Uher, Phil Varone, Riley Barber, Graham Knott, John Nyberg, Dominik Simon, foram embora através da free agency. 

    Crosby e Malkin retornam para sua 15ª temporada juntos no time, e a lista dos demais jogadores participantes do treinamento foi: 

    Pittsburgh Penguins Training Camp Roster 2020-21
    Pittsburgh Penguins Training Camp Roster 2020-21

    Washington Capitals

    Na pós-temporada de 2020, os Capitals contrataram um novo treinador, Peter Laviolette, e disseram adeus a seu goleiro de longa data, Braden Holtby. Além dele, saíam do time Ilya Kovalchuk, Radko Gudas, Tyler Lewington, Kristofers Bindulis e Travis Boyd pela free agency. Connor Hobbs anunciou sua aposentadoria do hockey profissional aos 23 anos de idade, depois de sofrer diversas concussões e ferimentos graves durante sua curta carreira.

    Alex Ovechkin ainda está negociando seu novo contrato (para o ano seguinte) com a equipe, mas participou do training camp ao lado de nomes como Nicklas Backstrom, John Carlson e Evgeni Kuznetsov, a listagem oficial foi: 

    Washington Capitals Training Camp Roster 2020-21
    Washington Capitals Training Camp Roster 2020-21

    Então, o que esperar da divisão Leste?

    Cotada como uma das mais acirradas da temporada, a MassMutual East Division conta com times bem estabelecidos e que obtiveram ótimos resultados nos últimos anos.

    O Boston Bruins garantiu o melhor resultado durante a temporada regular de 2019-20 e chegou ao sétimo jogo da final da Stanley Cup em 2019, perdendo para o St. Louis Blues. Washington venceu a taça em 2018 e Pittsburgh venceu as duas anteriores. Os Islanders chegaram à final da Conferência Leste no ano passado, perdendo para Tampa Bay, que depois garantiu o troféu. Ao mesmo tempo, os Flyers garantiram a vitória na rodada round-robin das qualificatórias e entraram na Conferência Leste como top seed. Já os Rangers saíram comemorando do último draft com a escolha número um, garantindo Lafrenière, enquanto os Sabres assinaram contrato com o atacante Taylor Hall, MVP da liga em 2018. Por últimos, os Devils contrataram Lindy Ruff como treinador, além de contarem com os atacantes Nico Hischier e Jack Hughes. 


    Vai ser no mínimo uma temporada interessante de se assistir com esse grupo. Para eles, os jogos têm início dia 13 de janeiro, com Philadelphia Flyers e Pittsburgh Penguins se enfrentando na primeira das oito partidas que disputarão entre si na temporada.

    A ESPN Brasil garantiu que televisionará três jogos por semana da liga. Na primeira semana, já é possível assistir a um confronto da Divisão Leste, entre Islanders e Rangers, às 21h de quinta feira, dia 14.

  • Estados Unidos levam ouro no World Juniors 2021

    Estados Unidos levam ouro no World Juniors 2021

    Na madrugada de terça (05) para quarta feira (06), a final do Mundial Sub-20 de Hockey no Gelo da IIHF de 2021 (ou simplesmente World Juniors) entre Canadá e Estados Unidos aconteceu, e quem saiu vitorioso nessa batalha foram os americanos. Esta foi a quinta medalha de ouro dos Estados Unidos no torneio e a quinta vez nos últimos seis anos que a equipe conquistou medalhas no evento.

    O evento contou com dez países disputando entre si, e teve sede em Edmonton, no Canadá. O formato da competição foi de “bolha”, o mesmo da Stanley Cup de 2020. Algumas horas antes da decisão, Rússia e Finlândia disputaram pela medalha de bronze. Por fim, com um placar de 4-1, os finlandeses derrotaram os russos.

    A final

    Apesar do Canadá ser considerado favorito nessa edição, já que a equipe levou somente quatro gols em seis jogos da competição, foram os Estados Unidos, com sua dominância, que mostrou o por quê dessa rivalidade ser tão histórica.

    Contudo, o começo da competição para os americanos não foi tão glorioso. No primeiro dia de partida, contra os russos, Spencer Knight levou quatro gols na vitória russa por 5-3. Porém, as redes foram lacradas depois disso e desde então a equipe conquistou seis vitórias consecutivas e cedeu apenas cinco gols.

    Após manter pressão na zona de defesa do Canadá, o primeiro gol dos Estados Unidos, e da partida, saiu aos 12:25 no primeiro período. Alex Turcotte (prospect dos Kings) redirecionou o shot de Drew Helleson (prospect do Avalanche) para as redes de Devon Levi (prospect dos Panthers), goleiro do Canadá.

    O gol veio em um momento crucial, já que antes, o Canadá tinha passado 10 minutos fazendo pressão na zona de defesa americana. Knight fez nove defesas, incluído duas no único power play do período. Trevor Zegras (prospect do Anaheim Ducks) aumentou o placar para os Estados Unidos aos 32 segundos do segundo período. Ele recebeu o puck de Arthur Kaliyev e terminou a jogada colotando o disco dentro das redes, em um gol de backhand.

    Kaliyev teve outras duas grandes chances de gol quando a equipe foi para o power play. Entretanto, Levi não estava disposto a levar mais nenhum gol. Os canadenses tiveram 15 tiros a gol contra apenas um dos americanos no terceiro período, porém, mesmo com toda essa pressão, o Canadá não conseguiu fazer nenhum gol.

    Enfim, com essa vitória, os EUA já venceram quatro dos cinco confrontos com o Canadá na disputa pela medalha de ouro na competição. Apesar disso, o torneio foi bastante acirrado. Principalmente por conta do momento mundial da pandemia, no qual os jovens tiveram de ficar em confinamento, com pouca diversão e tomando os devidos cuidados.

    Jogadores destaques

    Spencer Knight certamente foi um dos maiores jogadores nesta partida e, em geral, do torneio. O goleiro de Boston College e prospect do Florida Panthers fez incríveis 34 defesas na final. Com isso, ele defendeu todos os tiros do Canadá e conseguiu ter um shutout.

    O atacante da equipe dos EUA, Trevor Zegras, foi eleito MVP de todo o World Juniors na noite de terça-feira em Edmonton. Zegras liderou o torneio marcando 18 pontos (sete gols e 11 assistências), incluindo um gol e uma assistência na vitória dos EUA por 2 a 0 sobre o Canadá.

    O canadense Devon Levi foi escolhido melhor goleiro do torneio depois de terminar com um recorde de 6-1, média de 0,75 gols marcados e 0,964 percentual de defesas. Os três shutouts de Levi igualaram a maior marca na história do torneio, ao lado do goleiro Spencer Knight da equipe dos EUA neste ano, alcançando a performance de Justin Pogge em 2006.

    O prospect do Ottawa Senators, Tim Stützle, foi eleito o melhor atacante do torneio depois de marcar cinco gols e cinco assistências pela Alemanha.

    Topi Niemela, da Finlândia, recebeu a honra de melhor defensor deste World Juniors.

    Theresa Feaster, pioneira no World Juniors

    Feaster recebendo a medalha de ouro (Captura de tela/TSN)

    Theresa Feaster se tornou assistente técnica da seleção Sub-20 dos Estados Unidos no ano passado. Além disso, ela também é Diretora de Operações de Hockey para Providence College na NCAA. Ao ganhar a medalha, Feaster conquistou um feito inédito, já que antes nenhuma outra mulher havia ocupado essa posição no World Juniors.

    Ela foi contratada sob pedido do técnico da equipe americana, Nate Leaman. De acordo com a assistente técnica, seu sonho é de se tornar General Manager na NHL. Seguindo os passos de ontem, talvez esse sonho esteja mais perto do que nunca.

    Theresa é filha de Jay Feaster, ex-GM do Calgary Flames e do Tampa Bay Lightning, time com o qual ele ganhou a Stanley Cup em 2004. Ou seja, seu conhecimento e paixão pelo hockey sempre foi algo trazido e incentivado de casa. Atualmente, ele é o Diretor Executivo de Desenvolvimento de Hockey na Comunidade para o Lightning.

    Foto: Reprodução/Twitter @usahockey

  • Retrospectiva 2020

    Retrospectiva 2020

    Este texto tem co-autoria de Stephanie Casado.

    O ano de 2020 com certeza não foi fácil. Ele foi atípico de diversas formas, mas também nos proporcionou momentos únicos. Um ano que muitos dizem querer esquecer, um ano conturbado e que, ao mesmo passo que parecia passar rápido, também pareceu que nunca chegaria ao fim.

    Neste ano de 2020, nós rimos com os jogadores se aventurando nas redes sociais, nós choramos em vários momentos mas também vimos o mundo do hockey se unir em busca de mudanças. Com diversos cancelamentos e inovações, o mundo exterior influenciou diretamente no nosso modo de ver as coisas, fosse para o bem ou para o mal.

    Em meio a uma pandemia, protestos contra o racismo, e o hockey feminino conquistando mais espaço nos fez ver grandes nomes da NHL repensando suas certezas e iniciando uma trajetória para que o hockey seja, eventualmente, de fato para todos. Pudemos observar que os jogadores são muito mais que atletas que sonham ganhar campeonatos, percebemos que eles são pessoas como nós e, de certa forma, isso nos aproximou ainda mais.

    Por isso, o NHeLas decidiu reunir os maiores acontecimentos de 2020 e, junto com vocês, relembrar os altos e baixos desse ano tão caótico.  

    Janeiro

    01/01: Começando o ano com recordes. O Winter Classic 2020 aconteceu pela primeira vez no Texas, com um jogo entre Dallas Stars e Nashville Predators. Essa foi a segunda edição a esgotar mais rapidamente os ingressos e a segunda a receber o maior público do evento. Em um jogo acirrado, o time de Dallas pôde ir para casa feliz após a vitória de 4 a 2 na frente de 85.630 pessoas.

    Dallas Stars após vitória contra o Nashville Predators no Winter Classic. (Foto: Reprodução/twitter @DallasStars)

    02/01: Chegou ao fim o Campeonato Mundial de Hockey Feminino Sub-18 da IIHF, sediado na Eslováquia. O evento contou com a velha rivalidade EUA e Canadá para a final. Por fim, a seleção estadunidense foi a grande campeã, pela oitava vez. 

    05/01: O Canadá conquistou ouro no Mundial de Hockey Sub-20 da IIHF, que foi sediado na República Tcheca. Em segundo lugar ficou a Rússia e em terceiro, a seleção da Suécia. 

    08/01: O jogador Auston Matthews, do Toronto Maple Leafs, entrou para a história ao marcar seu 30º gol em quatro temporadas consecutivas. Dessa maneira ele se tornou o sexto jogador na história dos Leafs a conquistar tal feito, o primeiro a conquistar em suas primeiras 4 temporadas, e o 15º na história da NHL.

    13/01: Após vencer o Carolina Hurricanes, o Ilya Samsonov se tornou o primeiro goleiro na franquia do Washington Capitals a conquistar 13 vitórias em 15 jogos em sua temporada como novato. Ele defendeu 23 shots do Canes e conquistou o primeiro shutout de sua carreira.

    15/01: O Vegas Golden Knights anunciou a demissão do técnico Gerard Gallant. Em seu lugar, Peter DeBoer assumiu como o novo técnico.

    17/01: A NHL anunciou a criação do Elite Women’s 3-on-3 para o All-Star Weekend de 2020. Composto totalmente por profissionais mulheres, o evento seria uma partida entre as jogadoras de elite da América do Norte.

    18/01: Após 22 meses afastado, o jogador do Dallas Stars Stephen Johns fez a sua reestreia no gelo. O defensor ficou afastado após sofrer dores de cabeça pós-traumáticas.  

    24/01: A NHL anunciou o time da década, composto por diversos jogadores da Liga. Para a escolha, levou-se em consideração todos os feitos de cada jogador nos últimos 10 anos.

    24/01 e 25/01: O All-Star Weekend 2020, que foi sediado em St. Louis, contou com vários momentos históricos, entre eles a primeira vez que um time campeão no ano anterior sediou o evento. O primeiro dia ficou reservado para a competição de habilidades e o Elite Women’s 3-on-3, enquanto a competição masculina foi realizada no dia 25, com a Divisão Pacífica como a grande campeã. 

    25/01: A torcedora Laila Anderson emocionou novamente o mundo do hockey ao fazer uma participação no NHL All-Star Weekend 2020. A jovem, que é considerada o amuleto da sorte do time, vem acompanhando de perto a trajetória do St. Louis Blues desde os playoffs de 2018-19.

    Fevereiro

    04/02: Após as semifinais que aconteceram em janeiro de 2020, o time sueco Frölunda Indians foi o grande campeão da Champions Hockey League. Essa foi a quarta vez que o time conquistou o título, e a segunda vez consecutivamente. 

    11/02: A partida entre o St. Louis Blues e o Anaheim Ducks precisou ser suspensa após o defensor Jay Bouwmeester, do Blues, desmaiar no banco. O jogador foi socorrido às pressas e chegou a ficar internado. Após passar por uma bateria de exames, foi detectado um problema cardíaco. Posteriormente, o mesmo passou por cirurgia e ficou de fora pelo restante da temporada.

    12/02: Após se aposentarem em 2018, os irmãos Daniel e Henrik Sedin tiveram os seus números 22 e 33 aposentados pelo Vancouver Canucks. Numa cerimônia realizada antes da partida contra os Blackawks, o evento contou com diversos nomes ilustres do hockey e fez uma homenagem aos irmãos que foram os maiores artilheiros do time.

    12/02: O jogador David Pastrnak atingiu a marca de 41 gols na temporada após marcar um hat-trick na partida contra o Montreal Canadiens. Com isso, o jogador se tornou o primeiro a ultrapassar os 40 gols na franquia do Bruins desde Glen Murray na temporada 2002-03.

    14/02: O Minnesota Wild anunciou o desligamento do técnico Bruce Boudreau de suas atividades com o time. 

    15/02: O 2020 Navy Federal Credit Union NHL Stadium Series entrou para a história com a realização do primeiro hat-trick numa partida outdoor da NHL. O evento, que aconteceu no Falcon Stadium, da Air Force Academy dos EUA, contou com a presença de 43.574 pessoas para assistir a partida entre o Los Angeles Kings e o Colorado Avalanche. O hat-trick foi realizado pelo jogador Tyler Toffoli, dos Kings, que garantiu uma vitória de 3 a 1 para seu time. 

    16/02: A pandemia da COVID-19 passou a afetar a produção de sticks, assim influenciando nos equipamentos utilizados pelos jogadores durante os jogos.  

    22/02: O “motorista de Zamboni”, Dave Ayres entrou para a história ao estrear na NHL aos 42 anos. O goleiro de emergência (também conhecido como EBUG) costumava treinar com o Toronto Maple Leafs. No entanto, neste fatídico dia durante uma partida contra os Canes, o time que precisou de uma assistência não foi o time da casa. O goleiro canadense ajudou o time da Carolina a ganhar com um placar de 6 a 3.

    22/02: Alex Ovechkin, capitão do Washington Capitals entrou para o seleto clube dos 700 gols. O russo foi o 8º jogador na história da NHL a conquistar tal feito e o segundo a atingir a marca mais rapidamente. 

    24/02: A NHL Trade Deadline movimentou o mundo do hockey com trocas inesperadas e especulações dos futuros dos times de destino para cada jogador.

    28/02: A PWHPA anunciou uma parceria com a ESPN para a exibição dos eventos da Dream Gap Tour na América do Norte. Essa foi mais uma iniciativa em busca de maior reconhecimento para a modalidade feminina.  

    Março

    02/03: A IIHF anunciou o cancelamento do Campeonato Mundial de Hockey Sub-18 que aconteceria na Europa.

    08/03: Os jogos transmitidos no Dia Internacional da Mulher entraram para a história da NHL após toda a equipe de transmissão ser composta apenas por mulheres. As partidas disputadas entre os times Chicago Blackhawks e St. Louis Blues, transmitida pela NBC (EUA), e entre Calgary Flames e Vegas Golden Nights, transmitida pela Sportsnet (Canada), foram comandadas por mulheres, da cabine de narração ao controle de câmeras.

    12/03: A NCAA anunciou o cancelamento de todos os seus campeonatos devido a pandemia de COVID-19.

    12/03: Restando 189 jogos da temporada regular a NHL anunciou uma pausa por tempo indeterminado devido ao COVID-19. Não sendo a única a optar pela pausa, diversas outras ligas de hockey, assim como de outros esportes também entraram em hiato ou encerraram suas temporadas. 

    12/03: Aos 68 anos, o ex-presidente e CEO do Calgary Flames, Ken King não resistiu e perdeu a sua longa batalha contra o câncer. Foi com a ajuda de King que os Flames conseguiram a aprovação do novo acordo para a arena do time. 

    13/03: Após os anúncios de pausa, o Hockey Hall of Fame em Toronto no Canadá anunciou o seu fechamento dos dias 14 de março até 6 de abril. 

    16/03: Em comunicado, a NHL autorizou os jogadores a retornarem às suas cidades natais, dentro ou fora da América do Norte, de acordo com as regras de quarentena de cada local.

    16/03: O goleiro Jonas Hiller anunciou a sua aposentadoria após 18 temporadas como profissional. Tendo jogado pelo Anaheim Ducks e Calgary Flames, o suíço de 38 anos participou de nove temporadas na NHL. Por último, finalizou a sua carreira em seu país natal, pelo time EHC Biel da Liga Nacional.

    22/03: Após diversas polêmicas salariais, muitos clubes da NHL começaram a se pronunciar procurando meios de pagar os funcionários das arenas que ficariam sem salário durante a pausa da Liga.  

    23/03: A CHL cancelou oficialmente seus playoffs e a Memorial Cup pela primeira vez em 102 anos. Consequentemente, os jogos restantes da temporada regular também foram cancelados.

    Abril

    08/04: O time suíço SC Bern, da Liga Nacional, entrou para a história ao contratar a primeira mulher General Manager de um time masculino de hockey profissional. A ex-goleira Florence Schelling entrou pela segunda vez para a história do esporte após a contratação. Anteriormente, a atleta tinha se destacado ao se tornar a primeira e única mulher num time masculino de hockey no seu país. 

    16/04: Após 16 temporadas com o Montreal Canadiens e três pela KHL, o defensor Andrei Markov anunciou a aposentadoria. O jogador de dupla cidadania, russa e canadense, jogou em um único time durante toda a sua trajetória na NHL, participou de 990 jogos com os Habs, marcando 119 gols e 453 assistências na temporada regular. 

    22/04: Composta exclusivamente por times nos EUA, a Liga feminina NWHL anunciou a sua primeira expansão para o Canadá. Também em seu anúncio foi divulgado as primeiras jogadoras a fazer parte da equipe, assim como parte da equipe administrativa.

    28/04 e 29/04: Aconteceu o draft 2020 da NWHL via twitter, com 30 escolhas divididas em cinco rounds. Os times puderam escolher entre jogadoras universitárias e tiveram os anúncios realizados através de vídeos feitos por diversos profissionais do meio esportivo.  

    Maio

    08/05: A NHL com a NHLPA adiaram os jogos internacionais de 2020, sem previsão de uma nova data. A Liga ainda espera retomar com eles em 2021. 

    11/05: A AHL cancelou oficialmente o restante da temporada regular como também os playoffs da Calder Cup 2020 devido à pandemia. 

    15/05: Após uma pausa por tempo indeterminado, a NWHL anunciou o cancelamento oficial da Isobel Cup 2020. 

    19/05: Depois de anunciar a sua primeira expansão para o Canadá, a NWHL, que tinha feito um concurso para a escolha do nome de seu novo time, anunciou o grande vencedor: Toronto Six.

    26/05: Durante uma conferência, o comissário da NHL, Gary Bettman, anunciou o formato oficial para a retomada ao gelo, bem como os protocolos a serem seguidos. Com a temporada regular já dada como finalizada, foi também determinado quais times estariam participando da pós-temporada.

    28/05: O Vegas Golden Knights revelou nome e logo para seu time afiliado na AHL. O time nomeado de Henderson Silver Knights fará a sua estreia na temporada 2020-21. 

    Junho

    08/06: A NHL deu início à Fase 2 para o retorno da temporada 2019-20. Nesta fase, pequenos grupos de jogadores puderam agendar treinos na preparação para os playoffs.

    11/06: Em novo anúncio, a Liga divulgou a data para o início da Fase 3, na qual os times classificados para a pós-temporada poderiam abrir seus training camps.

    16/06: O Buffalo Sabres demite seu GM, Jason Botterill, de maneira repentina por falta de resultados do time. Além do GM, também foram demitidos o técnico Chris Taylor e seus assistentes Gord Dineen e Toby Petersen do Rochester Americans, afiliado dos Sabres na AHL. 

    24/07: O Hockey Hall of Fame anunciou os novos membros para a classe de 2020. Foram indicados os ex-jogadores Jarome Iginla, Marian Hossa, Kim St-Pierre, Doug Wilson, e Kevin Lowe. Ainda, na categoria builder, o executivo Ken Holland foi adicionado à turma.

    26/06: O Toronto Six da NWHL divulgou os uniformes que serão usados em sua temporada de estreia. Com três modelos de camisa, a primeira equipe canadense incorporou detalhes em seu design para homenagear seu país.  

    Julho

    10/07: A NHL com a NHLPA entraram num acordo para uma extensão do CBA (acordo trabalhista entre liga e jogadores) e o início dos jogos para o dia 1º de agosto numa tentativa de finalizar a temporada. 

    13/07 a 26/07: As equipes classificadas para a pós-temporada participaram dos training camps com o elenco completo antes de viajar para as hub cities

    15/07 a 21/07: A NHL revelou os finalistas do NHL Awards 2020, que seriam realizados no formato virtual.

    23/07: Após confirmar oficialmente o retorno de Seattle à elite do hockey em dezembro de 2019, o CEO do mais novo time da NHL, Tod Leiweke, anunciou Seattle Kraken como o nome da equipe. Em seu anúncio, o time também divulgou sua logo principal e os uniformes que serão utilizados em sua estreia na temporada de 2021-22.

    26/07: NHL divulgou a agenda da fase de Qualifiers da Stanley Cup. Dessa forma, a rodada inicial da pós-temporada de 2020 contou com oito séries melhor-de-5 entre os colocados 5º ao 12º de cada conferência. A rodada também teve um turno de todos-contra-todos entre os top-4 times do Leste e do Oeste, em suas respectivas hub cities.

    Agosto

    06/08: Durante uma onda de protestos por todo o mundo, um dos gestos mais significativos contra o racismo aconteceu na NHL. Matt Dumba, defensor do Minnesota Wild, ajoelhou-se durante o hino nacional dos EUA, na partida entre Edmonton Oilers e Chicago Blackhawks. Assim, deu-se início a diversas formas de protestos realizadas por jogadores em jogos posteriores. 

    Matt Dumba ajoelhado em forma de protesto durante o hino do EUA. (Foto: Reprodução/CBC.ca)

    10/08: O New York Rangers venceu a loteria e ficou a primeira escolha no NHL Draft de 2020. Dessa maneria, determinou-se também a ordem restante das escolhas para o evento.

    12/08: O técnico Rob Brind’Amour do Carolina Hurricane foi multado em 25 mil dólares após comentário sobre o gol sofrido durante uma partida dos playoffs. O gol marcado por Charlie Coyle, do Boston Bruins, já havia sido considerado legal durante a partida quando contestado. No entanto, o técnico não se deu por satisfeito e acabou criticando a Liga após o jogo, resultando assim em uma multa.

    13/08: Defensor do Nashville Predators, Dan Hamhuis anunciou a aposentadoria. O jogador, draftado pelo time do Tennessee em 2001, somou 356 pontos ao longo de seus 16 anos de carreira. Além dos Predators, ele teve passagens pelo Canucks e Stars.

    15/08: O atacante Andrei Svechnikov do Carolina Hurricanes se lesionou durante partida contra o Boston Bruins. Precisando de ajuda para sair do gelo, o jogador sofreu uma torção no joelho e teve que se afastar pelo restante dos playoffs. Posteriormente, o time de Boston eliminou os Canes do campeonato. 

    15/08: Por motivos pessoais, o goleiro Tuukka Rask do Boston Bruins decidiu deixar a bolha da NHL e retornar para casa.

    26/08: NHL anunciou uma punição ao Arizona Coyotes. Após uma investigação feita em janeiro sobre testes físicos extras que a equipe aplicava nos jogadores elegíveis para o draft, o time foi punido de forma severa pela Liga.

    26/08: Durante uma entrevista para o The Athletic, o jogador Mike Green anunciou a sua aposentadoria. Draftado pelo Washington Capitals em 2004, o canadense decidiu se aposentar para ficar mais tempo com a família. 

    27/08: Diante de protestos realizados contra a brutalidade policial nos EUA, novamente os jogadores da NHL se uniram para mostrar solidariedade. Dessa vez, eles solicitaram à Liga o adiamento dos jogos dos playoffs

    30/08: Oskar Lindblom retornou a uma partida pelo Philadelphia Flyers nos playoffs da Conferência Leste, pelo Jogo 6 contra o New York Islanders. Sua última partida havia sido em 17 de dezembro de 2019. Após esta data, ele foi diagnosticado com Sarcoma de Edwing, um tipo de câncer nos ossos. Lindblom finalizou seu tratamento no dia 02 de julho, e retornou ao rink após quase oito meses parado. 

    Setembro

    02/09: Iniciou-se a temporada 2020-21 da KHL, considerada a segunda melhor liga de hockey no gelo do mundo. A liga europeia retornou ao gelo após ter cancelado a temporada anterior devido à pandemia de COVID-19.

    03/09: A NHL e a NHLPA declararam que trabalharão em conjunto com a Hockey Diversity Alliance, formada por jogadores e ex-jogadores negros da NHL, para promover iniciativas de combate ao racismo e acelerar a inclusão de minorias na Liga, após pedidos dos próprios jogadores.

    11/09: Em comunicado, o comissário da NHL, Gary Bettman anunciou o formato virtual para a realização do NHL Draft 2020 que aconteceria no dia 6 de outubro.

    27/09: Após 11 temporadas pela NHL, o jogador canandense Chris Stewart anunciou a sua aposentadoria. Stewart jogou pelos Flyers em sua última temporada, e após a aposentadoria foi convidado pelo time a se tornar treinador de desenvolvimento de jogadores. 

    28/09: Devido à pandemia do novo coronavírus, os vencedores do NHL Awards 2020 foram anunciados virtualmente. O maior vencedor da temporada foi o center do Edmonton Oilers, Leon Draisaitl, que levou três prêmios para casa.

    29/09: Após sofrer diversas críticas envolvendo uma de suas escolhas do NHL Draft de 2020, o Arizona Coyotes decidiu romper o vínculo com o jogador Mitchell Miller, que já havia sido condenado por praticar bullying, racismo e violência física contra um ex-colega de classe.

    Outubro

    01/10: O Toronto Six, da NWHL, anunciou a Canlan Ice Sports como a casa oficial do time para a próxima temporada.

    02/10: Após 11 temporadas como goleiro na NHL, o americano Richard Bachman anunciou sua aposentadoria. Tendo passado pelos Stars, Oilers e Canucks, o ex-goleiro assumiria, então, o cargo de treinador de goleiros no Iowa Wild da AHL, o time afiliado do Minnesota Wild. 

    03/10: Tampa Bay Lightning se consagrou campeão da Stanley Cup após vencer o Dallas Stars pela final do campeonato. Anteriormente, o time havia se tornado campeão da Conferência Leste após vencer o New York Islanders em 6 jogos na semifinal. Enquanto isso, os Stars avançaram para a final pela primeira vez em 20 anos após vencer o Vegas Golden Knights. Numa partida realizada na “bolha” em Edmonton, Tampa levantou a taça após marcar dois gols contra o seu adversário e não sofrer nenhum. Essa foi a segunda vez que a franquia atingiu este feito.

    Tampa Bay Lightning com a Stanley Cup após vitória contra o Dallas Stars. (Foto: Reprodução/TampaBay.com)

    05/10: O jogador Matt Niskanen anunciou a sua aposentadoria após uma temporada com os Flyers. Draftado pelos Stars em 2005, o defensor também passou pelos Penguins e pelos Capitals, time pelo qual conquistou uma Stanley Cup.

    06/10: O primeiro round do NHL Draft 2020 aconteceu virtualmente pela primeira vez em 58 anos. Alexis Lafrenière (New York Rangers), Quinton Byfield (Los Angeles Kings) e Tim Stützle (Ottawa Senators) foram as três primeiras escolhas, respectivamente. Byfield fez história ao se tornar o jogador negro escolhido em posição mais alta no draft. 

    08/10: O jogador Justin Williams anunciou sua aposentadoria após 19 temporadas na NHL. Ao longo dos anos, Williams ficou conhecido como “Mr. Game 7”, por possuir no total 15 pontos (7G, 8A) em nove Jogos 7 de séries de playoffs. Ele foi draftado em 2000 pelo Philadelphia Flyers, e também passou por times como os Hurricanes, os Kings e os Capitals. 

    13/10: A NWHL nomeou Ty Tumminia como comissária interina, após Dani Rylan renunciar sua posição na liga. Além disso, a liga também passou por uma reestruturação para um novo modelo de gerenciamento. 

    19/10: Após 47 anos de carreira nas transmissões de jogos de hockey, o locutor esportivo e comentarista Mike “Doc” Emrick anunciou sua aposentadoria. Como um dos principais locutores do esporte na América do Norte, Doc trabalhou em 22 finais da Stanley Cup durante sua carreira. 

    22/10: A PWHPA em conjunto com a empresa de antitranspirantes Secret anunciaram parceria histórica para a modalidade feminina, o investimento de um milhão dólares para 2021. Apesar de estarem repetindo a parceria pelo segundo ano, essa foi a primeira vez na história que o hockey feminino profissional norte-americano recebera um investimento tão alto. 

    Novembro

    02/11: O center Tyler Seguin precisou passar por cirurgia para reparar uma lesão no quadril. A previsão de recuperação era de 5 meses, assim deixando o jogador de fora do início da temporada. No entanto, ele não foi a única baixa do time. Alguns dias antes, o goleiro Ben Bishop também precisou passar por uma cirurgia, esta no joelho, com uma previsão de recuperação semelhante a de Seguin. Outros jogadores lesionados foram Jamie Benn, Roope Hintz, Blake Comeau e Anton Khudobin, entretanto estes últimos devem conseguir estar recuperados a tempo de abrir a nova temporada. 

    08/11: Um ícone da televisão norte-americana, Alex Trebek, faleceu após uma luta de 4 anos com um câncer no pâncreas. O apresentador passou pelo programa Hockey Night in Canada antes de consagrar sua carreira em game shows, e era um ávido fã de esportes. Trebek havia sido um dos anfitriões na divulgação do NHL Draft de 2020, e anunciou ao vivo a primeira escolha do Ottawa Senators, time do qual era torcedor. A participação especial foi ao estilo que ele apresentava o famoso programa Jeopardy!

    16/11: A NHL, em parceria com a Adidas, anunciou o lançamento da coleção Reverse Retro para todos os times atauais. Agora, as equipes das divisões Metropolitana, Central, Atlântica e Pacífica possuem jerseys inspiradas em seus modelos antigos ou até mesmo times que não existem mais. 

    24/11: A NWHL anunciou plano e data para a temporada 2020-21. Num formato “bolha”, a liga feminina pretende realizar a sua sexta temporada em Lake Placid, no estado de Nova York, entre os dias 23 de janeiro e 5 de fevereiro de 2021. 

    Dezembro

    16/12: Após pouco mais de um ano, o jogador Oskar Lindblom anunciou estar livre do câncer.

    17/12: Henrik Lundqvist declarou que não jogará a temporada 2020-21 com o Washington Capitals devido a problemas cardíacos. Após um vídeo emocionante, Lundqvist disse que depois de vários exames e opiniões médicas de todo o país, o melhor a se fazer era tratar este problema com uma cirurgia de peito aberto e se recuperar para uma futura temporada. 

    https://twitter.com/hlundqvist35/status/1339631911627608064/photo/1

    20/12: A NHL revelou oficialmente a data de inicio da temporada 2020-21, marcada para o dia 13 de janeiro. No entanto, ela será realizada de forma reduzida e com as divisões reorganizadas. 

    22/12: A NWHL, em conjunto com a NBC Sports, anunciaram pela primeira vez na história do hockey feminino profissional uma parceria para a transmissão dos jogos da semifinal e final ao vivo nos dias 4 e 5 de fevereiro de 2021. 

    23/12: O Tampa Bay Lightning declarou que o capitão Steven Stamkos precisará passar por cirurgia no quadril e portanto ficará de fora da temporada regular. Anteriormente, durante os playoffs, o jogador ficou de fora dos primeiros jogos, por conta de uma lesão que sofreu em fevereiro.  

    28/12: O Chicago Blackhawks anunciou que seu atacante Kirby Dach havia passado por uma cirurgia no pulso após a lesão que sofreu durante o Mundial de Hockey Sub-20 da IIHF, em uma partida de exibição contra a Rússia. O jovem jogador esperava representar a seleção canadense como capitão. Com isso, Dach ficará de 4 a 5 meses em recuperação.

    29/12: Em comunicado, os Hawks informam que o capitão Jonathan Toews não participará do training camp para a temporada 2020-21. Sem previsão de retorno aos treinos, o jogador apresentou diversos sintomas que vêm sendo investigados pelos médicos e por isso optou por ficar de fora deste início de temporada. 

    30/12: O jogador Ryan Callahan anuncia sua aposentadoria da NHL após 13 temporadas. Draftado em 2004 pelo New York Rangers, teve passagem pelo Tampa Bay Lightning, onde levou o time para a final da Stanley Cup em 2015. Após outras 5 temporadas,ele havia sido negociado para o Ottawa Senators em 2019, porém não chegou a jogar de fato, por conta de uma lesão nas costas.

    30/12: Numa reviravolta inusitada, o capitão Zdeno Chara do Boston Bruins disse adeus à cidade de Boston após 14 temporadas com o time. O jogador assinou um contrato de um ano com o Washington Capitals.

    Que ano, meus amigos!

    O NHeLas aproveita a oportunidade para deixar os agradecimentos aos nossos leitores que estiveram ao nosso lado durante o ano. Em 2021 estaremos de volta com mais notícias e conteúdo sobre hockey.

    Feliz Ano Novo!

  • O que você lembra do mundo do hockey em 2020?

    O que você lembra do mundo do hockey em 2020?

    Chegou a hora de testar sua memória sobre o ano que passou. O que você lembra dos principais acontecimentos no mundo do hockey em 2020?

    Responda ao quiz abaixo e compartilhe seus resultados com a gente no Twitter ou no Instagram. Por fim, convide algum amigo para responder às perguntas também!

  • Sobre superação (e outras reflexões)

    Sobre superação (e outras reflexões)

    Uma criança brasileira que cresce correndo por um campo enlameado ou pela sólida terra árida atrás de uma bola provavelmente, à época, tem como seu maior sonho ganhar uma Copa do Mundo usando a camisa canarinho da nossa seleção. Já uma criança canadense que passa meses a fio patinando com um disco no seu stick, no lago congelado atrás de casa, em sua cidade provinciana de Manitoba ou Saskatchewan, deita a sua cabeça no travesseiro (talvez enfeitado com o escudo de sua equipe do coração) e sonha com a glória de levantar a Stanley Cup. 

    Entretanto, tal como o futebol é universal e pode dar oportunidades de jovens garotos mudarem não só as suas próprias vidas, como a de suas famílias, com apenas uma bola no pé, conseguir se tornar um atleta de alta performance no hockey demanda tempo e (muito) dinheiro.

    Por isso é preciso delicadeza para se falar de jovens, pois o draft nada mais é do que a coroação de mais de uma década de preparação desses adolescentes. Afinal, ao vermos Connor McDavid, Nathan MacKinnon e Alexis Lafrenière espinhentos com seus bonés e jerseys novinhas esquecemos que não podiam sequer comprar o próprio drinque nos Estados Unidos (e em algumas províncias canadenses) à época do seu respectivo draft.

    Admito que às vezes eu mesma desejei criticar, e até mesmo critiquei, Fulano ou Ciclano porque não corresponderam às minhas expectativas no gelo. Mas hoje o termo bust (expressão designada ao atleta que não corresponde às expectativas jogadas sobre seus ombros quando foi draftado) me traz verdadeira ojeriza. Será que nós, do alto de nossos sofás, realmente temos o direito de criticar um adolescente que não correspondeu às expectativas que nós, torcedores, atribuímos a ele? 

    Por isso, depois de um ano difícil e visando iniciar 2021 e uma nova década com positividade, decidi trazer apenas histórias positivas e de superação. Jovens atletas que superaram expectativas ou doenças ou dificuldades extremas, para se consagrarem enquanto jogadores da NHL (ou quase) na década de 2010. Ao invés de me limitar àqueles que foram draftados entre 2011 e 2020, eu expandi o propósito para também abarcar as histórias que se passaram no decorrer dessa década. 

    Tamanho não é documento

    Primeiramente, temos casos clássicos de superação, onde o atleta não tinha um determinado pedigree e por isso foi draftado nos rounds mais avançados da seleção. O principal motivo costuma ser o tamanho, afinal, o hockey é, historicamente, um esporte jogado por grandalhões. Atletas de baixa estatura tendiam a ser deixados de lado por mais força e truculência. Essa maré parece ter virado recentemente, mas na década tivemos jogadores que não foram tidos como prospects tão importantes à época de sua elegibilidade.

    Perto de muitos outros jogadores Johnny Gaudreau, do Calgary Flames, é um cisco com seus (supostos) 1,75 e cerca de 74 kg. Quando foi draftado no quarto round, o americano era ainda menor, com cerca de 1,68 de altura. Hoje, entretanto, Gaudreau é uma peça importante na equipe que defende e uma estrela na NHL. O winger é parte importante do elenco dos Flames e seu estilo de jogo inspira muitos jovens atletas que usam da tenacidade e rapidez para compensar a estatura.

    Brayden Point, central do Tampa Bay Lightning, tinha destaque no major juniors, mas seu tamanho (1,78) era um empecilho para que fosse tido como uma potencial estrela na Liga. O canadense iniciou sua carreira timidamente, mas hoje é um dos principais nomes dos Bolts. Ele também foi um dos mais cotados para receber o Conn Smythe quando a sua equipe venceu a Stanley Cup. Point tem uma carreira brilhante pela frente, e quem sabe um dia poderá seguir os passos do também pequeno Martin St. Louis e fazer parte do Hockey Hall of Fame.

    Enfrentando seus demônios

    Talvez o caso mais notório na história recente dentre os atletas da NHL foi a redemption tour do goleiro Robin Lehner. O sueco enfrentou problemas na vida pessoal que repercutiram no seu desempenho no gelo. O alcoolismo e o abuso de pílulas para dormir fizeram com que o jogador chegasse ao ponto de ter pensamentos suicidas. Ao começar o tratamento fornecido pela NHLPA (NHL Players Association, o sindicato dos jogadores), ele foi diagnosticado com transtorno bipolar e pôde receber o tratamento adequado. Com isso, Lehner viu sua carreira ser revitalizada com uma campanha de sucesso no New York Islanders e atualmente é o titular do gol do Vegas Golden Knights. 

    Quando Scott Darling passou a se destacar na campanha de 2015 que levou o Chicago Blackhawks a sua terceira Stanley Cup na década, a história do goleiro parecia digna de contos de fada. O garoto de Illinois, que havia crescido idolatrando Ed Belfour, havia chegado ao topo. Entretanto, a trajetória até ali havia sido cheia de espinhos e muito dolorosa. Darling foi expulso do programa de hockey da Universidade do Maine por seus problemas com alcoolismo. Ele enfrentou uma longa jornada contra o vício até conseguir chegar à American Hockey League (AHL) e, posteriormente, aos Blackhawks na NHL. 

    Em outubro deste ano o jogador Colin Wilson, do Colorado Avalanche, anunciou, através de um relato na Players’ Tribune, que penduraria os patins. Na publicação, o atleta contou sua longa e tortuosa batalha contra o Transtorno Obsessivo Compulsivo, e o quanto tal doença impactou sua vida dentro e fora do gelo. Com a conversa sobre saúde mental ainda sendo um tabu entre os jogadores de hockey, devido ao estereótipo de “durões”, declarações como as de Wilson são muito importantes para que jovens (ou não tão jovens) atletas se sintam mais confortáveis em buscar ajuda quando as coisas não estão bem. Com o fim de sua carreira, Wilson quer retornar aos estudos para ajudar outros atletas no quesito da sua saúde mental. 

    F**k cancer

    De Mario Lemieux a Phil Kessel, a batalha contra essa terrível doença não é novidade para o mundo do hockey. Entretanto, diagnósticos como o de Oskar Lindblom, do Philadelphia Flyers, são dolorosos para qualquer torcedor, independentemente da equipe do coração.

    Em dezembro de 2019, com sua carreira em ascensão e uma posição de cada vez mais destaque no ataque de Philly, o winger foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, uma forma de câncer no osso. Lindblom foi merecidamente ovacionado pela torcida em sua primeira aparição no Wells Fargo Center depois do diagnóstico. Depois de encerrar o tratamento em julho deste ano, o sueco foi declarado livre da doença neste mês de dezembro. Nós do NHeLas mal podemos esperar para ver Oskar de volta ao gelo em laranja e preto! (E a autora que vos fala promete não se importar se ele marcar seu primeiro gol do retorno contra Pittsburgh, embora ela seja torcedora dos Penguins.)

    A juventude destes atletas ao serem confrontados com o câncer é um dos fatores mais chocantes, além do fato óbvio de estarem sempre no auge de sua forma física, por conta da natureza de sua profissão. Com uma carta aberta ao Players’ Tribune, o defensor Shea Theodore revelou que um mero teste antidoping durante o Mundial de 2019 mudou sua vida. Isso porque o exame detectou uma anormalidade, que posteriormente foi diagnosticada como câncer testicular. A questão da idade e o fato de ter sido descoberto tão cedo, possibilitaram que o canadense se recuperasse rapidamente. Dessa forma, ele teve a chance de continuar jogando o esporte que tanto ama. 

    Embora todas as histórias mencionadas aqui tenham me tocado de alguma forma, a de Olli Maatta foi uma das que mais me afetaram enquanto fã. Recém-chegada ao esporte e à NHL, o diagnóstico do finlandês me chocou, e a rapidez com a qual ele se recuperou da cirurgia me deixou mais surpresa ainda. Entre a constatação do cisto e a cirurgia, o defensor jogou três vezes e passou pouco mais de duas semanas se recuperando após a operação. Com apenas 20 anos, Maatta teve sorte da doença ter sido descoberta tão cedo. O finlandês pôde de levantar a Stanley Cup duas vezes seguidas antes de ter sido trocado (para a tristeza da autora que vos fala). 

    O lado torcedora aka os perrengues do meu time

    Além de Maatta, outros membros do Pittsburgh Penguins também enfrentaram problemas sérios de saúde nessa década. O melhor jogador da atualidade (ou segundo melhor, desde que McDavid entrou no chat), Sidney Crosby, já passou por maus bocados. Em meados de 2011, duas concussões próximas uma da outra tiraram o canadense da temporada. Passados nove meses, os sintomas ainda persistiam e já se especulava a possibilidade de uma aposentadoria. Em novembro daquele ano ele retornou ao gelo, mas logo se lesionou de novo. No final, descobriu-se que o atleta havia lesionado o pescoço, e o tratamento passou a ser administrado da forma correta. Desde então, Sid the Kid conquistou duas Stanley Cups, um mundial, uma Copa do Mundo de hockey e uma medalha olímpica. Ele ainda foi primeiro a ser capitão de todas as equipes. 

    2014 foi um ano complicado para os Pens. Embora, em um nível pessoal e nacional, Sidney Crosby e Chris Kunitz tivessem conquistado o ouro em Sochi pelo Canadá, a equipe enfrentou questões turbulentas. Em janeiro daquele ano, aos 26 anos de idade, o defensor Kris Letang foi encontrado no chão por sua esposa. No dia do ocorrido o atleta foi socorrido por sua sogra, que é enfermeira, mas voou para Los Angeles com a sua equipe como planejado, pois já se sentia melhor. Após alguns dias o diagnóstico foi feito: ele havia sofrido um derrame. A recuperação durou meses, mas o canadense conseguiu se recuperar. Posteriormente, venceu duas Stanley Cup com os Penguins, em 2016 e 2017. 

    Nasce o líder de um movimento

    O canadense Akim Aliu balançou o mundo do hockey com seu relato aptamente titulado “Hockey is not for everyone” (hockey não é para todos). Nele, o atleta descreveu as inúmeras vezes em que foi vítima de racismo e preconceito dentro do esporte. Voltando àquilo que falei no início do texto, o hockey definitivamente não é para todos, e sim para um seleto grupo de privilegiados. Mas a história de Aliu, em conjunto com os movimentos sociais que tomaram conta do mundo neste ano, foi um passo importante. Foi fundada a Hockey Diversity Alliance, com o objetivo de promover a inclusão e erradicar o racismo da Liga, jogos foram adiados em solidariedade aos protestos Black Lives Matter e alguns jogadores inclusive se ajoelharam durante o hino. É um começo, mas sabemos que a NHL ainda tem um longo caminho a percorrer. 

    Com esses relatos, eu convido você, leitora/leitor, para nos contar qual foi a sua história de superação favorita nessa década, tratando-se do hockey ou não. 

    (Foto: NBCSports.com/Reprodução)

  • Sobre se apaixonar por um esporte novo

    Sobre se apaixonar por um esporte novo

    Apaixonar-se nem sempre é de um dia para o outro. O sentimento vem com o tempo, primeiro as borboletas no estômago, depois o sorriso bobo no rosto e então a descoberta do novo amor e a ansiedade de querer conhecer mais sobre essa nova paixão. Essa foi exatamente a sensação que eu tive quando, trocando de canal em 2015, deparei-me com hockey passando na televisão. Um esporte que tanto me fascinava, mas só tinha contato através de filmes, séries e livros, sem nunca me tocar que existia toda uma liga e times para se apaixonar.

    Entenda, nunca fui muito fã de esportes, muitos menos quis entender e acompanhar algum. Quer dizer, isto até o hockey entrar na minha vida. Em pouco tempo me vi completamente viciada em pesquisar um mais sobre a modalidade e seus times. No entanto, para a minha infelicidade, a temporada já estava no fim e eu só poderia de fato começar a acompanhar no início da temporada seguinte. 

    Foi exatamente assim que a minha jornada com esse novo esporte começou e o motivo do back-to-back do Pittsburgh Penguins ser tão importante para mim. Naquele ano, eu me vi completamente fascinada por um esporte novo e de uma forma um tanto inusitada. Entretanto, o hockey tem algo que cativa logo de cara, seja pela rapidez do puck no gelo ou até mesmo o amor dos torcedores durante os jogos.

    Os playoffs, então, é algo divino. Quando o nosso time está no gelo, tudo que mais desejamos é estar conectado, assistindo, especialmente quando estamos ganhando. Lembro que no início não foi fácil aprender um novo esporte, principalmente quando levamos em consideração a barreira da linguagem. Mas nada nos impede de estarmos sentados em frente à televisão tentando entender aquele bando de regras e o porque do juiz não separar aqueles jogadores brigando no meio do jogo.

    A descoberta do novo amor

    Em meio à correria da vida adulta, fui aprendendo mais e me apaixonando mais. Na temporada 2015-16, vi-me nervosa acompanhando a saga dos Penguins rumo à vitória da Stanley Cup 2016. O caminho não foi fácil, o time teve um início de altos e baixos naquela temporada. Ao final de 2015, haviam conquistado somente 40 pontos em 37 jogos, foram 18 vitórias contra as 15 derrotas. 

    Ainda assim, os Penguins não se deram por vencidos e, com o novo ano veio uma nova esperança. As vitórias que anteriormente iam caindo voltaram a crescer e a esperança desta fã em acompanhar a sua primeira temporada regular também. Por fim, o time finalizou a temporada com 104 pontos e 48 vitórias, assim permanecendo em quarto lugar geral na Liga.

    Novamente me vi perdida. Os jogos não aconteceriam mais da maneira que eu estava acostumada, e imaginem a minha surpresa ao descobrir que o time agora precisava vencer rounds (além dos jogos é claro).

    Logo de cara enfrentamos o New York Rangers. Não que eu entendesse muito o que estava acontecendo, mas segundo os comentários, aquele era um antigo rival nessa fase. Com apenas cinco jogos, a tão sonhada vitória veio e assim avançamos para a próxima rodada. 

    O que não foi tão fácil assim. Em cada novo round que entrava, a batalha se tornava mais difícil, mas não impossível. Assim, o time eliminou equipes de peso como o Washington Capitals e Tampa Bay Lightning. Mal sabia eu que a caminhada ainda não tinha acabado.

    Como último oponente a equipe de Pittsburgh enfrentaria o San Jose Sharks. O time da Califórnia também vinha de uma boa temporada e uma caminhada árdua. As equipes não estavam para brincadeira e o show no gelo foi simplesmente incrível. A briga pela Stanley Cup estava acirrada e eu fiquei completamente fascinada. Se não bastasse dois overtimes durante aquela série final, foram necessários passar por seis jogos, e a cada novo jogo a energia parecia mais forte. 

    No entanto, todos esses momentos valem a pena quando enfim chega a tão esperada noite. Aquela que todo fã deseja e todo jogador sonha, a noite em que mostra que todos aqueles meses treinando e todo aquele esforço não foi em vão: a noite de levantar a Stanley Cup. 

    Naquele 12 de junho de 2016, o time de Pittsburgh estava longe de casa, cercado por fãs do seu adversário e com a certeza que aquela poderia ser a grande noite. Era o sexto jogo e eles vinham de uma vitória em casa, que deixava eles a um passo de serem campeões.

    Os Pens abriram o placar ainda no primeiro período, garantindo uma vantagem que logo seria retirada pelas mãos de Logan Couture. No entanto, bastou um passe do capitão Sidney Crosby para o defensor Kris Letang para que a vantagem voltasse para as mãos do visitante. 

    Pouco depois foi a vez do sueco Patric Hörnqvist, novamente com uma assistência de Crosby, cimentar o futuro dos Penguins e garantir a vitória. Acho que nunca vou esquecer a alegria no rosto dos jogadores naquele Jogo 6, a energia naquela arena, os fãs vibrando e as famílias entrando no rink pra comemorar. Entretanto, essa noite não consegue se comparar ao ano seguinte quando enfim entendendo o esporte pude acompanhar a temporada inteira. 

    O ano em que tudo virou mágica

    A temporada 2016-17, essa sim foi uma temporada mágica, enfim o prazer de assistir a uma partida e conseguir entender tudo que estava acontecendo. De brigar com a televisão quando o gol do meu time era contestado e até mesmo xingar o técnico quando discordava do empty net. Em meio a hat tricks, que nem eram do meu time mas me dava vontade de jogar um chapéu no gelo, e comemorações de gols, os playoffs estavam cada vez mais perto. Nada se comparava a energia da corrida pela tão desejada Stanley Cup. 

    Os jogos eram eletrizantes. Devo confessar que a vontade de não perder nenhuma partida era tanta que eu contei uma mentira ou cem para sair mais cedo das minhas aulas. O gás da temporada anterior ainda refletia no início desta temporada, os Penguins terminaram o ano de 2016 com 25 vitórias contra apenas 8 derrotas, assim somando 55 pontos. O início de 2017 também foi bastante satisfatório para o time que terminou a temporada regular em segundo lugar na NHL com 50 vitórias e 111 pontos. 

    Novamente a equipe se viu num caminho árduo para a vitória. Os playoffs, assim como no ano anterior, foram de lutas com o time dando duro para avançar entre os rounds. Enquanto no primeiro enfrentaram o Columbus Blue Jackets e jogaram apenas cinco jogos, o round seguinte não foi tão simples assim, enfrentando um oponente forte e o primeiro da NHL na temporada regular. O Washington Capitals fez o time de Pittsburgh suar em sete jogos, levando os fãs à loucura numa série espetacular. 

    Correr para casa vigiando o placar de jogo era algo que nunca imaginei fazer na vida, mas na série seguinte lá estava eu desesperada em mais um round eletrizante de sete partidas e muita emoção.

    A final da conferência contra o Ottawa Senators não foi fácil, e o time canandense lutou bravamente tentando garantir a sua vaga na final. O Jogo 7 com certeza não foi para os fracos de coração. Foram necessários dois períodos até Chris Kunitz balançar a rede e abrir o placar para Pittsburgh. No entanto, a alegria durou pouco quando menos de um minuto depois Mark Stone marcou pelo Senators e empatou o jogo.  

    Com os ânimos a mil, a partida ficou mais acirrada no terceiro período, quando Justin Schultz abriu uma vantagem para os Penguins e Ryan Dzingel empatou novamente o jogo. Sem novos gols e com a partida empatada, não restou outra alternativa a não ser ir para o tão temido overtime. Aqui devo fazer outra confissão, como fã eu simplesmente odeio este momento, juro que sinto até um frio na barriga. 

    Quanto mais dura o OT, mais eu prendo a respiração com medo de ver o meu time perder. Nesse dia em especial, o nervosismo foia ainda maior. O jogo já estava acirrado e já tinha bastante expectativa, afinal o vencedor sairia campeão de conferência e finalista do campeonato. Por isso, foi nescessário não somente uma prorrogação, mas sim duas. Quando por fim Crosby fez um passe para Kunitz que mandou o puck direto pro gol, a arena foi a loucura. Naquela noite, os Penguins se viam a um passo de levantar a taça pelo segundo ano consecutivo. 

    A final que consagrou o back-to-back

    A final foi de muita expectativa: de um lado o campeão da última temporada e do outro o Nashville Predators que não iam para uma final há 19 anos. O round começou bem para os Penguins, que ganharam os primeiros jogos em casa. No entanto, a sorte pareceu mudar quando o time de Nashville ganhou os dois jogos seguintes também em sua casa dando o gás necessário para a briga pelo campeonato.

    O que eles não contavam era que no quinto jogo Matt Murray mostrasse todo o seu potencial ao não deixar um único puck passar pela rede. Enquanto isso, para a infelicidade dos Predators, o puck balançou a rede seis vezes do outro lado, deixando o time de Pittsburgh novamente a um passo da taça.

    No entanto, tudo se resume àquela noite mágica e tão aguardada, a noite em que tudo valeria a pena. O último jogo não foi fácil, o time de Nashville tinha a vantagem de estar em casa e eles definitivamente não queriam perder. Justamente por isso não facilitaram nem um pouco, mas nada podia parar Pittsburgh.

    O time visitante tinha garra, não que o outro time não tivesse, mas tinha algo de especial em torno do elenco dos Penguins naquela noite. Eles mostraram que não estavam para brincadeira, com um gol de Hornqvist no final do terceiro período e de Carl Hagelin em um empty net. O time de Pittsburgh conseguiu a sua segunda vitória consecutiva assim, dando a chance de Sidney Crosby levantar a sua terceira Stanley Cup na carreira. 

    Eu posso ter derramado uma lágrima ou duas, mal sabia eu que aquele seria o primeiro de muitos momentos em que esse esporte me emocionaria. No ano seguinte, eles foram eliminados durante os playoffs, mas ainda assim foi emocionante ver o momento em que Alex Ovechkin levantou a taça pela primeira vez em sua carreira.

    Ali eu pude enfim perceber que, para mim, o hockey é muito mais do que ver o meu time ganhar ou perder. São esses momentos, em que nos emocionamos mesmo com um time para o qual não torcemos.

    Foto: Sports Illustrated

  • Sobre ocupar o segundo lugar – e estar tudo bem

    Sobre ocupar o segundo lugar – e estar tudo bem

    Não é nenhum mistério para quem acompanha a NHL que o Dallas Stars é um dos times underdogs – palavra que muitos associam com “perdedor”, ou “azarado”. Como torcedora, apesar das memórias que o significado da palavra trazem a minha mente, não acho que seja completamente errado se referir a Dallas dessa forma. Em partes, acredito que até o próprio time reconheça as suas falhas e status. 

    Mas, após um ano conturbado, não vim aqui falar apenas do sentido ruim que a palavra traz. Se conseguirmos parar e olhar por outra perspectiva, existe um lado positivo. O lado que nos prova que, apesar da derrota, um underdog nunca desiste de tentar, e de ultrapassar os próprios limites que, não apenas os demais estabeleceram a ele, mas que ele estabeleceu a si mesmo.

    É isso que Dallas tem feito, desafiado a si mesmo a cada temporada, na esperança de alcançar por fim o seu final feliz (uma Stanley Cup, caso ainda reste dúvidas, já que muitas vezes, caro leitor, tenho tendência a ser mais dramática do que o necessário). Por isso, este texto é sobre ocupar o segundo lugar, e porque, por hora, para um time que está encontrando seu caminho de volta, está tudo bem.

    As decepções ensinam mais do que podemos imaginar

    Desde que comecei a acompanhar o hockey em 2018, os Stars tiveram duas decepções, resultado de derrotas. Coincidentemente, ambas nos playoffs. Derrotas que doeram não apenas no torcedor, mas ainda mais no time.

    As decepções tendem a doer ainda mais quando criamos expectativas. Se as coisas estão indo bem, por que não colocá-las em um alto patamar? É algo normal do ser humano. 

    Lá em 2019, após a vitória no primeiro round, não foi diferente com os Stars. Depois de uma temporada difícil, e repleta de obstáculos, a comunidade do hockey considerava quase improvável que o time do Texas avançasse na competição. Ainda mais improvável que chegasse tão longe ao ponto de conquistar sua segunda Stanley Cup. 

    Mas, outra vez, o underdog provou que podia ultrapassar os limites impostos, derrotando assim Nashville e se classificando para a segunda rodada dos playoffs da Stanley Cup de 2019. Do ponto de vista de uma fã, posso garantir para todos vocês que o round contra o St. Louis Blues foi difícil, por falta de uma palavra melhor. 

    No fim, quando o apito final soa, o melhor time acaba ganhando. No hockey, não é apenas o talento que influencia na vitória de uma equipe. O cansaço, condicionamento físico e, principalmente, o timing são fatores cruciais. 

    Aaquele não era o momento do Dallas Stars. Novamente, como fã, a derrota doeu. Lembro de me sentir estranha ao final daquele Jogo 7 contra os Blues em 2019, como se fosse o meu sonho tendo um fim. Mas a derrota não doeu tanto em mim quanto doeu em cada um dos jogadores de Dallas, que trabalharam incansavelmente até o último segundo da partida.

    Em horas como essas, é difícil para o torcedor se colocar no lugar do jogador do seu time, e, por isso, os julgamentos são feitos. Até o momento em que a equipe divulga a lista de lesões dos jogadores nos playoffs.

    Aqui, o nosso coração fica menor, sabendo que tudo que estava ao alcance de cada integrante da equipe foi feito. Inclusive sacrificar-se além dos seus próprios limites, mas essa é uma discussão para outro momento. 

    A derrota foi um balde de água fria para Dallas, que acreditou que o sucesso na corrida dos playoffs seria suficiente. Voltar para casa de mãos vazias não era uma opção que havia sido considerada pelo time a essa altura do campeonato, mas que agora era a realidade.

    No entanto, as decepções ensinam muito sobre quem somos, e fez o mesmo com o Dallas Stars que, ao voltar para o Texas, sentiu que era o momento de aprender sobre si mesmo. Essa era a única forma de entender seus erros para, assim, consertá-los, tentar novamente e ter êxito.

    Exceder as expectativas é a consequência merecida do trabalho árduo

    Mesmo com as lições proporcionadas pela temporada anterior, os Stars não iniciaram 2019-20 da maneira desejada. Contabilizando mais derrotas do que vitórias na tabela, foram meses até que o time atingisse estabilidade na liga e se mantivesse na zona de classificação para os playoffs.

    Mesmo alcançando um bom desempenho em meados do calendário regular, sua instabilidade não tornou o time um dos favoritos a conquistar a Stanley Cup aos olhos de quem acompanha a NHL. 

    Com a pausa devido à Covid-19, a liga se reorganizou, e uma temporada totalmente diferente do que estamos acostumados teve continuidade. Com uma pausa tão grande, a tendência era que times com bom desempenho anteriormente pudessem decair. 

    Apesar do mau desempenho durante o round robin, nós pudemos assistir um Dallas Stars diferente com a volta da NHL. Diferente para melhor. Ao derrotar o Calgary já na primeira etapa, a equipe mostrou que estava ainda mais disposta a batalhar pelo seu lugar na competição.

    No entanto, nós sabemos que vencer o primeiro round dos playoffs não pode ser lido como algo além de vencer o primeiro round dos playoffs. O início da competição é incerto, e até a Final, muitas coisas podem acontecer. 

    Porém, vencer o Colorado Avalanche no segundo round nos fez parar e pensar que, talvez (e apenas talvez), Dallas pudesse avançar consideravelmente na competição. 

    Aqui, presenciamos um Dallas Stars que saiu da sua zona de conforto para tentar uma abordagem diferente e se tornar o time ao qual as pessoas querem assistir. Um Dallas que ataca continuamente desde o primeiro segundo da partida e só descansa quando o apito final soa. Que arrisca com jogadores que, mais tarde, se tornariam figuras essenciais de um elenco que estava redescobrindo o estilo de jogo da equipe. 

    No segundo round, percebemos o quanto o time é importante para as suas grandes lideranças, que souberam se afastar para dar espaço para aqueles que mudariam a história dos Stars nos playoffs de 2020, e colocariam o seu nome escrito na do hockey. Menção honrosa a Denis Gurianov, Anton Khudobin, Joel Kiviranta, e muitos outros que foram cruciais para que o time conseguisse avançar. 

    Se vencer o Colorado Avalanche foi surpreendente, garantir uma vitória na Final de Conferência contra o Vegas Golden Knights fez com que expectativas ainda maiores fossem criadas sobre uma possível vitória da Stanley Cup por Dallas. Esse foi um momento histórico para qualquer pessoa que sempre viu grande potencial no underdog do Sul.

    Foram anos até que os Stars chegassem nessa posição. Em uma temporada tão atípica, que testou muito além dos limites físicos, considerei cada jogador do meu time um vencedor. Vencedores por irem além dos limites estabelecidos por eles mesmos. Vencedores porque ninguém acreditava que Dallas chegaria tão longe na competição.

    Mesmo esperançoso, meu coração de torcedora sabia que, caso o pior viesse acontecer, seria grata por aquela experiência. E o melhor: senti que Dallas seria grato por chegar até aquele momento. Depois de anos remando contra a maré para chegar até a beira mar, colocar os pés na areia já era o suficiente para trazer a melhor sensação do mundo para o time.

    Nada acontece como esperamos – e está tudo bem 

    No entanto, mesmo com o esforço, dedicação, e tudo de mais importante que foi colocado em jogo para garantir o troféu, aquele ainda não era o momento de Dallas. Após seis jogos, o time deu adeus definitivo para a temporada 2019-20 e assistiu ao Tampa Bay Lightning levantar a Stanley Cup – conquista mais do que merecida pela equipe. 

    Como responsável por cobrir o live tweet do dia 27 de setembro no site, eu criei esperanças e também vi meu time ser derrotado diante dos meus olhos. Ao vivo. E doeu. Pela segunda vez. 

    A dor do torcedor se tornou maior por ver a dor nos olhos dos nossos jogadores. Era possível sentir o quanto aquilo era importante para a equipe, e o quanto foi sacrificado para que eles chegassem até aquele momento. 

    Quando se cria expectativas muito altas sobre algo, a queda acaba sendo difícil de superar. E foi. Naquele dia 27 de setembro de 2020 foi muito difícil. 

    Mas quando o caos chegou ao fim, e pude pensar com mais clareza, conclui que, naquele momento, estava tudo bem que, naquela temporada, aquele fosse o fim do Dallas Stars. Então, passei a pensar nas coisas positivas que tudo isso trouxe para o time. 

    Um estilo de jogo ainda melhor, e que mostra a essência dos Stars, diversos recordes que foram ultrapassados, novos talentos descobertos, e quatro rounds dos quais Dallas deveria sentir orgulho. Orgulho por chegar tão longe, e desafiar os seus próprios limites. Orgulho por saber que, no fim, o time fez o que estava ao seu alcance. E acredito que isso seja o mais importante: dar o nosso melhor a partir do que nos é oferecido.

    Confesso que todas essas palavras podem ter soado apenas como um simples apanhado de clichês reunidos em um texto só. Mas o clichê não tira a veracidade do fato de que todas as coisas acontecem quando tem de acontecer. Queira eu, você, os torcedores de Dallas e a própria equipe aceitar ou não. 

    Dallas ainda está se reconstruindo, se reencontrando, e muitas vezes, vai ser difícil aceitar as consequências disso, porque sempre vamos esperar que o melhor aconteça. Essa é uma característica do ser humano – e do fã apaixonado pelo seu time. O Dallas Stars vai se desenvolver, vai mostrar todo o seu potencial, e vai impressionar a todos e a si próprio. O ano de 2020 não era o momento, mas ele ainda vai chegar.  

    Por hora, está tudo bem ocupar o segundo lugar. A vista daqui permite que o Dallas olhe para trás, e veja a caminhada incrível que já percorreu. Mas também possibilita que o time olhe para frente, e veja que o caminho até a Stanley Cup está mais perto do que imaginou. 

  • Sobre ser torcedora de um time de hockey

    Sobre ser torcedora de um time de hockey

    Corações partidos sempre nos proporcionam inspiração para produzir coisas boas. Quem não, dentre as favoritas, tem uma música triste, com uma letra que te faz viajar pelas lembranças e momentos de dor? Ou então, aquele filme em que você sabe que o protagonista morre no final, mas ainda assim não cansa de rever, apenas para revisitar o sentimento mais uma vez? Quem nunca ouviu que as melhores obras de arte foram produzidas em meio ao sofrimento?

    Artistas como Van Gogh, escritores como Lord Byron e tantos outros usaram de seus momentos de conflito para produzir obras de arte. Quando olhamos para o esporte, não é diferente. As repetidas frustrações fazem os jogadores sonharem mais alto.

    E, quando enfim conquistam a taça, a volta por cima vem com um gostinho mais doce. Assim, foi com esse desejo de enfim deixar as frustrações para trás, que grandes campanhas na temporada regular se tornaram a grande conquista da Stanley Cup. Entretanto, a pressão e o nervosismo de ser um time contender pode surtir o efeito contrário. 

    O Tampa Bay Lightning teve duas grandes decepções nessa década. A primeira foi quando perderam a Final da Stanley Cup para o Chicago Blackhawks, em 2015. Posteriomente, talvez de uma maneira ainda mais frustrante, em 2019, perderam quatro jogos seguidos no primeiro round contra o Columbus Blue Jackets, logo após uma histórica temporada regular, com 62 vitórias, e serem cotados como um dos favoritos naquela pós-temporada. 

    As expectativas impostas em um time com grande elenco para ganhar o prêmio acabaram tendo o efeito contrário: quando mais se esperava da equipe, mais eles falharam.

    Assim como na vida, muitas expectativas são jogadas em cima de nós. Não corresponder a elas deveria ser algo naturalizado, uma vez que muitas dessas cobranças são projeções dos outros em nós mesmos. Entretanto, essas expectativas fazem com que esqueçamos que, no fim, todos somos seres humanos, e, como tal, não somos perfeitos. 

    Mas, quando se trata de esportes, as coisas não são tão fáceis assim. Nosso sentido de compreensão parece sumir, ainda mais quando o jogo está 0 a 0 no terceiro período e alguém precisa fazer alguma coisa para sair vencedor. Esquecemos, com muita frequência, de que esses atletas que vemos na TV, tão distantes, são pessoas. Mesmo que tenham habilidades que pareçam ser de outro planeta, eles ainda são, de fato, humanos. 

    Esse costume de colocá-los no pedestal, e até mesmo enxergarmos atletas como semideuses assim como era na Grécia Antiga, aumenta o abismo entre o jogador e os fãs. Contudo, não consigo deixar de perguntar por que, quando Tampa perdeu os quatro jogos do ano passado, doeu tanto em mim, que até passei mal e não pude ir para a faculdade no dia seguinte? Por que a imagem de Nikita Kucherov olhando de longe enquanto os jogadores do Chicago Blackhawks celebravam o recém-conquistado título ainda dói aos fãs, mesmo em quem acompanha hockey há tão pouco tempo? 

    E por que eu guardarei com tanto carinho e emoção a sequência de Steven Stamkos fazendo um gol no Jogo 3, quando todos nós tínhamos certeza de que ele não iria participar de nenhum jogo dos playoffs?

    Quando a força emocional precisa ser maior do que a força física 

    Nos playoffs de 2020, Tampa teve um caminho bem complicado para ganhar a final. O primeiro oponente seria o Columbus Blue Jackets, a mesma equipe que há um ano encerrou o sonho do Lightning de brigar pela taça. 

    Após vencer a série por 4-1, o Boston Bruins seria o próximo adversário, no segundo round. Os rivais de divisão deram trabalho. Mesmo assim, Tampa conseguiu vencer a série em cinco jogos.

    O próximo adversário foi o New York Islanders, na Final da Conferência Leste. A equipe, que possui uma das defesas mais apertadas da NHL, não seria um adversário tão fácil. Todavia, Tampa conseguiu vencer a série por 4-2, em seis partidas. Enquanto isso, do outro lado da chave, Dallas Stars vencia o Vegas Golden Knights na Final da Conferência Oeste. 

    A Final da Stanley Cup seria definida entre Dallas Stars e Tampa Bay Lightning. De um lado, a equipe texana possuía um sistema bem fechado, no qual fazer gols era algo extremamente complicado. Tampa conseguiu passar por tudo isso e ganhou a Stanley Cup em seis jogos, 16 anos após o primeiro título, conquistado em 2004. 

    Essa conquista foi extraordinária por diferentes aspectos. Primeiramente, pois ela ocorreu no meio de uma pandemia, em uma dinâmica de playoffs um pouco diferente. Os times ficaram isolados em uma bolha, em arenas neutras, o que não dava nenhuma vantagem de se jogar em casa, muito menos contavam com a presença das torcidas que sempre impulsionam a equipe. 

    Segundo, o capitão da equipe, Steven Stamkos, estava afastado por conta de uma lesão agravada enquanto a temporada estava em pausa. Mesmo assim, ele escreveu um dos momentos mais icônicos do hockey.

    No Jogo 3, Steven Stamkos entrou na partida, jogou por 2:47 minutos, fez um gol e logo em seguida saiu. Foi a única aparição dele nos playoffs, o suficiente para que o capitão de Tampa eternizasse seu nome na Stanley Cup após levantá-la frente aos seus colegas de equipe. 

    Aliás, Stamkos ter feito aquele gol entrou para a história do hockey não somente devido sua lesão, mas sim por tudo o que o capitão estava lidando naquele momento. Em uma entrevista para o Lightning Insider, Stamkos revelou que no primeiro round contra o Columbus Blue Jackets sua esposa Sandra sofreu um aborto espontâneo na 21° semana de gravidez. Por conta disso, ele teve de sair da bolha por um momento para ficar com sua esposa e família em um momento tão delicado. 

    Acredito que são nesses momentos que a humanidade de um atleta é (finalmente) demonstrada. E são nesses momentos que nós, torcedores, lembramos de que eles não são apenas máquinas supertalentosas. Eles são como nós. Eles sofrem como nós. 

    Então, é aí que a força emocional dos jogadores precisa ser superior à força física. A força física e a brutalidade são duas características clássicas do nosso bom e velho hockey. E para esses homens, que muito provavelmente cresceram em ambientes no qual demonstrar sentimentos é considerado uma fraqueza, saber lidar com esses sentimentos é mais complicado do que ser um saco de pancadas. 

    Stamkos, naquele momento, estava lidando com duas coisas cruciais na sua vida. Um momento extremamente complicado e sensível em sua família, e a necessidade de deixar no passado as duas decepções do Tampa Bay Lightning, com a chegada dos playoffs.

    Certamente, se Stamkos escolhesse sair da bolha e não participasse mais da pós-temporada, para dar apoio completo para sua esposa, alguns torcedores irracionais não reagiriam bem. Afinal de contas, o próprio Tuukka Rask passou por um momento parecido nos playoffs e saiu da bolha. Com isso, ele recebeu críticas de torcedores e até mesmo da mídia. Entretanto, as expectativas dos jogadores favoritos não são feitas para nós. 

    Por fim, Stamkos escolheu prosseguir com sua equipe, mesmo não recuperado da lesão. E mesmo não estando 100%, ele entrou no rink e jogou menos de três minutos. Porém, esses três minutos foram o bastante para fazer história, com o único gol no único jogo dos playoffs em que ele jogou. 

    A complexidade de ser um fã

    A nossa ligação com um time vai além do que entendemos. Isso pode soar um pouco dramático e místico demais, mas é uma realidade. Esse sentimento de identificação, amor e frustração é algo que precisa de estudo. Assim, essa tal ligação mística torna esses momentos no hockey inesquecíveis. Ainda mais quando um time conquistou o prêmio nesse momento tão difícil da humanidade, onde temos que lidar com o distanciamento das pessoas por conta do coronavírus. 

    Eu assisto hockey há quase dois anos. Por isso, a minha curta experiência como torcedora talvez não possa ser equiparada com a de uma pessoa que assiste há anos. Todavia, a experiência de ser fã é uma coisa única. A sensação de dependência e frustração é algo único e universal. É algo que todo torcedor sente. Então de certa forma, existe uma uniformidade na experiência de ser fã. 

    A dependência que sentimos com jogadores literalmente desconhecidos, nossas esperanças e desesperanças depositadas por nós mesmos a eles, e o nosso amor inexplicável por um clube de hockey.

    Talvez eu não saiba exatamente como foi perder a final contra o Blackhawks em 2015, assim como não presenciei a conquista da primeira Cup em 2004. Mas vendo hockey e acompanhando a conquista nesse ano único me fez sentir o que todos os torcedores sentem: orgulho, amor e principalmente respeito por todos os jogadores que tiveram de ultrapassar as próprias barreiras emocionais para conseguir trazer essa Stanley Cup de volta à Flórida.

    Foto: Tampa Bay Times